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EXCEL APLICADO À

ENGENHARIA QUÍMICA:
CONCEITOS E RESOLUÇÕES
DE PROBLEMAS

Peterson Yamagushi Gomes de Medeiros


Hugo Andersson Dantas Medeiros
SOBRE OS AUTORES

Peterson Yamagushi Gomes de Medeiros é engenheiro químico graduado pela


Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Membro associado ao Grupo
de Pesquisa em Termofluidodinâmica Aplicada (GPTA), vinculado ao
departamento de Engenharia Química da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Atualmente exerce a função de técnico em célula PVT à altas pressões, além de
exercer pesquisas na área de engenharia química com ênfase em propriedades
de líquidos iônicos.

Hugo Andersson Dantas Medeiros é engenheiro químico graduado pela


Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Membro associado ao Grupo
de Pesquisa Fluidos da Indústria do Petróleo, vinculado ao Centro de Engenharias
da Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Atualmente exerce a função de
analista técnico de laboratório além de exercer pesquisas na área de engenharia
química com ênfase em simulação de plantas industriais para a produção de
biodiesel utilizando o simulador comercial UNISIM®.

RESUMO

O presente material tem como objetivo principal auxiliar o(a) estudante do curso
de engenharia química na resolução de problemas, mas também serve como
embasamento para o profissional de áreas correlatas resolver e aprender sobre
a dinâmica dos problemas envolvendo o MS-EXCEL®. Este material dá ênfase na
resolução de diversos problemas, então os conceitos introdutórios do MS-EXCEL®
não serão o foco. Serão apresentadas noções que abrangem desde os conceitos
básicos até os intermediários desta ferramenta. O material é organizado em dois
capítulos, onde o primeiro aborda algumas ferramentas básicas para auxiliar na
resolução dos problemas encontrados nas disciplinas do curso de Engenharia
Química, como o Solver, o Atingir Meta e outros recursos. O segundo trata do
uso de métodos numéricos para equações algébricas não lineares e como estes
são essenciais nos problemas envolvendo essas equações. Ao final dos dois
capítulos serão resolvidos exercícios com o objetivo de fixar os conceitos e ajudar
na visualização das ferramentas.
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 5
CAPÍTULO 1....................................................................................................................... 6
1.1 O ATINGIR META ..................................................................................................... 6
1.2 O SOLVER ................................................................................................................ 7
1.3 IMPORTANDO DADOS DO BLOCO DE NOTAS (ARQUIVOS .txt) PARA A PLANILHA
DO MS-EXCEL® ............................................................................................................... 7
1.4 PROBLEMAS .......................................................................................................... 12
Problema 1: Balanço de massa em um tanque de formulação. (Princípios de
Processos Químicos) ............................................................................................... 12
Problema 2: Cálculo do volume molar utilizando uma equação de estado.
(Termodinâmica) ..................................................................................................... 18
Problema 3: Estimativa da pressão de vapor do n-Decano em uma ampla faixa de
temperatura. (Termodinâmica) .............................................................................. 22
Problema 4: Reator Bioquímico ou Biorreator. (Engenharia Bioquímica) ............. 27
Problema 5: Cálculo da porosidade em uma operação de Fluidização. (Operações
Unitárias I) ............................................................................................................... 35
Problema 6: Cálculo da temperatura de saída em um processo de troca térmica.
(Termodinâmica) ..................................................................................................... 41
Problema 7: Determinação da permeabilidade, k, e do fator “c” em um experimento
de permeametria. (Operações Unitárias I) ............................................................. 45
Problema 8: Cálculo flash em um sistema multicomponente em equilíbrio líquido-
vapor (ELV). (Termodinâmica)................................................................................. 49
Problema 9: Cálculo do volume parcial molar de uma mistura binária. (Físico-
Química) .................................................................................................................. 55
Problema 10: Encontrando a constante cinética de uma reação. (Reatores I) ...... 60
CAPÍTULO 2..................................................................................................................... 66
2.1 MÉTODOS NUMÉRICOS ........................................................................................ 66
2.2 Método do Ponto Fixo, MPF (substituição direta) ............................................... 68
2.3 Método da Bisseção .............................................................................................. 70
2.4 Método de Newton-Raphson ............................................................................... 74
2.5 Método da Secante ............................................................................................... 77
2.6 PROBLEMAS .......................................................................................................... 80
Problema 1: Concentração de saída em um reator CSTR (Reatores – Modelagem e
Simulação de Processos). ........................................................................................ 80
Problema 2: Modelagem de um tanque esférico (Modelagem e Simulação de
Processos)................................................................................................................ 85
5

INTRODUÇÃO

O MS-Excel® é uma ferramenta poderosa na resolução de problemas das


diversas áreas do conhecimento, e na engenharia, se torna uma ferramenta
indispensável na didática e nas aplicações. A sua capacidade de realizar tarefas
múltiplas desde a organização, elaboração de resultados gráficos, funções pré-
determinadas e até mesmo um ambiente voltado para programação (VBA), torna
o MS-Excel® de suma importância no aprendizado tanto para uso acadêmico
quanto profissional. O grande atrativo deste Software é ser uma ferramenta de
baixo custo quando comparado a outros softwares que tenham funções
semelhantes e por estarem facilmente disponíveis nos computadores de
universidades, torna-se ainda mais motivadora à aprendizagem e o estudo do
mesmo.
Na engenharia química, suas diversas áreas (termodinâmica, operações
unitárias, reatores, fenômenos de transporte, etc.) podem utilizar o MS-Excel®
na resolução de seus problemas, de modo que, os mesmos podem ser
visualizados de uma forma melhor e como consequência, solucionados de
maneira mais rápida. Com isso, este material irá ajudar o(a) estudante de
Engenharia Química a ter noções de como essa ferramenta é necessária tanto no
curso de graduação como na sua vida profissional.
Deve-se enfatizar que o conteúdo que será exposto nesse material é
voltado para o(a) estudante que apresenta noções básicas de MS-Excel®. Sendo
assim, torna-se mais didática a forma de resolução dos problemas. Diante disso,
a organização do texto se dá de forma que os problemas resolvidos serão
comentados e explicados passo a passo os conceitos necessários para a aplicação
e não necessariamente mostrar a parte mais básica da ferramenta.
O primeiro capítulo mostra os conceitos das ferramentas Atingir Meta e
Solver e como importar dados de bloco de notas (arquivos .txt) por intermédio
de um arquivo .pdf e no final, serão resolvidos vários problemas que envolvem
essas e outras ferramentas da planilha do MS-Excel®. O segundo capítulo detalha
métodos numéricos para equações algébricas não lineares e como eles podem
auxiliar e facilitar os cálculos, e novamente serão resolvidos alguns problemas.
A criatividade de cada um deve ser utilizada para a resolução dos
problemas de engenharia, mas acreditamos que esse material abre um leque de
oportunidades para a dinâmica do aprendizado individual.
6

CAPÍTULO 1

Neste capítulo introdutório serão mostradas duas ferramentas essências


para a resolução de problemas comumente encontrados nas disciplinas do curso
de Engenharia Química: o Atingir Meta e o Solver. Também será mostrado como
importar dados de arquivos-texto para a planilha do Excel e como sua aplicação
é importante para a criação de bancos de dados. Ao fim do capítulo, serão
resolvidos vários problemas com aplicações dessas ferramentas e de outros
recursos do Excel. Para todos os desenvolvimentos dos problemas, serão
mostradas abordagens das resoluções e algumas aplicações e funções
necessárias.

Recomendações: como alguns conceitos e aplicações do Excel que aqui serão


abordados não contém um texto explicando, pois como foi mencionado
anteriormente, acreditamos que o leitor esteja apto a identificar essas funções e
ferramentas básicas, recomendamos que se algum procedimento feito aqui não
esteja tão claro (como plotar um gráfico de dispersão, colocar um número em
notação científica, colocar margens nas células, etc.), procure em apostilas ou
em vídeo-aulas como fazer isso. Isto se faz necessário para o material se tornar
mais dinâmico e ter melhor aproveitamento.

1.1 O ATINGIR META

Função: Encontrar o resultado desejado ajustando um valor de entrada.


Em outras palavras, se você conhece a equação e também o resultado que
se deseja obter (tanto o valor de entrada quando o de saída), mas não tem
certeza sobre o valor de entrada ou de saída necessário para chegar à sua
“meta”, esse recurso é aplicável. É utilizado como um teste de hipóteses (esse
recurso é encontrado na barra de ferramentas seguindo o caminho:
Dados>Teste de Hipóteses).
Na Engenharia Química muitas vezes nos deparamos com equações que
os dados de entrada são insuficientes para a resolução, de maneira que deseja-
-se saber tal valor para que a equação se torne consistente. Em alguns casos
esse valor é difícil de ser analiticamente isolado e para isso o Atingir Meta é
utilizado. Em problemas de trocadores de calor, por exemplo, a aplicação mais
usual é desejarmos saber a temperatura de saída do fluido, para tanto, esse
recurso é indispensável.
OBS: A aplicação do Atingir Meta será mostrada apenas durante a resolução dos
problemas.
7

1.2 O SOLVER

Função: Realiza cálculos iterativos em sistemas de multivariáveis, com o objetivo


de se encontrar um valor (máximo ou mínimo) para uma equação escrita em uma
célula do Excel.
Em outras palavras, com o Solver é possível adotar restrições ou limites
sobre os valores de outras células que tenham equações. Na utilização dessa
função, as variáveis de decisão (células variáveis), como o próprio nome sugere,
irão variar dentro de um intervalo de restrições, até obter um valor para célula
objetivo (células que contém as equações) que satisfaça todas as restrições
estabelecidas, assim o Solver ajusta os valores nas células variáveis de decisão a
fim de satisfazer os limites sobre as células de restrição e dar como o resultado
o que você deseja para a célula objetiva.
Quando os problemas começam a se tornar de certa forma mais
complexos, exigindo uma determinada condição a mais, em que o Atingir Meta
não fornece (como as restrições, por exemplo), o Solver se torna uma função
mais poderosa. Nas aplicações de engenharia, que muitas vezes são necessárias
encontrar as melhores soluções para um modelo, utilizar o Solver é a melhor
saída.
A simplicidade de resolver problemas utilizando o Solver que seriam
complexos para resolver analiticamente é ainda mais facilitada pela escolha de
três algoritmos ou métodos de solução na caixa de diálogo parâmetros do Solver,
são eles: Gradiente Reduzido Generalizado (GRG) Não Linear - para
problemas simples não lineares; LP Simplex – para problemas lineares e
Evolucionário – para problemas complexos.
OBS: A aplicação do Solver e como é feita a sua instalação no Excel serão
mostradas na resolução dos problemas.

1.3 IMPORTANDO DADOS DO BLOCO DE NOTAS (ARQUIVOS .txt) PARA


A PLANILHA DO MS-EXCEL®

É bastante comum para um(a) estudante de Engenharia Química ficar


sempre buscando dados de propriedades ou até mesmo tendo que estimá-los,
no entanto, a maioria das fontes disponíveis que facilitam a importação de dados
é através de arquivo .pdf. É notório que quando copiamos esses dados direto de
um arquivo .pdf e colamos na planilha do Excel, os dados são inseridos todos
desorganizados, o que se torna uma tarefa tediosa para tentar organizá-los.
8

Dessa forma, uma maneira mais fácil de importar os dados contidos em um


arquivo .pdf é repassando primeiro para um bloco de notas (arquivo .txt) e
posteriormente para a planilha do Excel de modo que se possa ter os dados bem
mais organizados em cada célula.
Suponha que desejamos repassar os dados1 dos coeficientes da Equação de
Antoine ou de Wagner para o cálculo da pressão de vapor de compostos puros,
juntamente com a faixa de temperatura a qual o método calcula (Figura 1), afim
de criar um banco de dados.

Figura 1 – Dados copiados dos coeficientes das equações de Antoine e Wagner para calcular a pressão de
vapor em uma determinada faixa de temperatura.

O primeiro passo depois de copiar os dados, é abrir um bloco de notas e


colá-los. Após colá-los no bloco de notas, eles serão exibidos como mostra a
Figura 2 abaixo. É importante ressaltar que arquivos que contenham muitos
valores para passar pra o bloco de notas, sejam copiados página por página, isso
para que o bloco de notas não fique “cheio” e na hora da importação para o
Excel, muitas vezes podem ficar mais desorganizados ainda.

1
POLING, B. E.; PRAUSNITZ, J. M.; O’CONNEL, J. P. The Properties of Gases and Liquids.
5th. ed. New York: McGraw-Hill, 2001.
9

Figura 2 - Bloco de notas (arquivo .txt) com os dados copiados do arquivo .pdf.

Antes de inserir os dados em uma planilha do Excel, é preciso salvar o


bloco de notas, senão, não serão repassados, pois o Excel irá detectar o arquivo
.txt como “vazio”.
Atalho para salvar: (CTRL+S).

Em seguida vá para o Excel e na aba Dados vá em Obter Dados


Externos>De Texto. Após selecionar o arquivo de texto no diretório onde o
mesmo é localizado, insira-o. A Figura 3 ilustra a seguinte caixa de diálogo que
irá aparecer.

Figura 3 - Caixa de diálogo Assistente de Importação de Texto – etapa 1 de 3.


10

Note que nela são mostradas as opções “Delimitado” e “Largura Fixa” em


que a primeira se refere a caracteres como vírgulas ou tabulações que separam
cada campo e a segunda à campos que são alinhados em colunas com espaços
entre cada campo.
Para o exemplo mostrado aqui, a opção “Delimitado” é a melhor escolha,
pois no bloco de notas os dados estão dispostos de forma aleatória e como cada
campo está separado por tabulações2 esta opção atende melhor às necessidades.

Ao avançar, a caixa de diálogo correspondente à etapa 2 aparecerá como


a seguir.

Figura 4 - Caixa de diálogo Assistente de Importação de Texto – etapa 2 de 3.

Abaixo do título da caixa de diálogo é enfatizado que esta tela permite que
você defina os delimitadores contidos em seus dados, em que você pode ver
como seu texto é afetado na visualização. Neste caso, perceba que os dados
separados pela opção “Espaço” é a mais adequada e os mesmos irão ser
importados para o Excel quase todos organizados, como mostra a Figura 5
abaixo. Após realizar essas etapas, avance e escolha uma célula para serem
importados.

2
Tabulações são marcas definidas na régua que através da tecla TAB permitem avançar texto
para uma posição predefinida.
11

Figura 5 - Dados importados através de um arquivo .txt para o Excel.

Note que os dados não estão totalmente organizados como desejado, isso
porque os nomes de alguns componentes são compostos. Aqui nesta etapa final
o que nos resta é organizar os dados fazendo alguns ajustes e o banco de dados
estará igual ao pretendido, como mostra a Figura 6.

Figura 6 - Resultado final da importação dos dados.


12

Com os conceitos mostrados até aqui e com o seu conhecimento, seja ele
básico, intermediário ou até mesmo avançado, acreditamos que será capaz de
enriquecer ainda mais o aprendizado na resolução dos problemas.
Adiante serão resolvidos alguns problemas que são comumente tradados
nas disciplinas do curso de Engenharia Química. Bom aprendizado!

1.4 PROBLEMAS

Nesta seção serão resolvidos alguns problemas que o(a) aluno(a) pode se
deparar ao longo do curso de Engenharia Química nas mais variadas disciplinas.
Estarão dispostos de forma que o leitor possa aprender de uma maneira
dinâmica e fácil, englobando o passo a passo para a resolução dos mesmos e
mostrando as ferramentas utilizadas na planilha do Excel, além de mostrar em
qual disciplina o tipo de problema é tratado.

****************************************************************

Problema 1: Balanço de massa em um tanque de formulação.3 (Princípios de


Processos Químicos)

Um tanque de formulação é alimentado por três correntes, produzindo 1.000


kg/h de uma mistura com 30,8 % da substância A, 35 % da substância B e 34,2
% da substância C. As correntes C1, C2 e C3 tem composições mostradas na figura
abaixo. Quais as vazões totais em massa das correntes de entrada?

3
MOURA, L. F. Excel para Engenharia: formas simples para resolver problemas complexos. 1. ed. São
Paulo: EdUFSCar, 2007.
13

Solução:
Antes de iniciarmos os balanços de massa, é necessário fazer algumas
hipóteses para a simplificação do problema, são elas:

• O sistema está em regime estacionário;


• Não há reação química.

Neste caso, realizando os balanços global e para cada componente, temos


que

Balanço global: C1 + C2 + C3 = M = 1000


Balanço de A: 0,18C1 + 0,23C2 + 0,67C3 = 0,308∙1000
Balanço de B: 0,54C1 + 0,37C2 + 0,10C3 = 0,35∙1000
Balanço de C: 0,28C1 + 0,40C2 + 0,23C3 = 0,342∙1000

Com isso temos que


C1 + C2 + C3 = M = 1000
0,18C1 + 0,23C2 + 0,67C3 = 308
0,54C1 + 0,37C2 + 0,10C3 = 350
0,28C1 + 0,40C2 + 0,23C3 = 342

É importante notar que a soma dos balanços de massa por componente é


igual ao balanço de massa global. Também, esse sistema é linearmente
dependente, e é preciso eliminar uma das equações para encontrarmos os
resultados das vazões de entrada dos componentes. Para isso, resolveu-se
eliminar o balanço de C, resultando assim no sistema visto abaixo.

C1 + C2 + C3 = M = 1000
0,18C1 + 0,23C2 + 0,67C3 = 308
0,54C1 + 0,37C2 + 0,10C3 = 350
14

Esse será o sistema a ser utilizado na planilha do Excel para a resolução


do nosso problema.

Uma breve revisão de matrizes:


________________________________________________________________
O sistema de equações lineares resultante pode ser escrito na forma Ax=b,
onde

𝑎11 𝑎12 𝑎13 𝑥1 𝑏1


𝑎
𝐴 = ( 21 𝑎22 𝑎23 ) , 𝑥 = (𝑥2 ) , 𝑏 = (𝑏2 )
𝑎31 𝑎32 𝑎33 𝑥3 𝑏3

Em que 𝐴 é a matriz dos coeficientes, 𝑥 é o vetor de incógnitas e 𝑏 é o


vetor dos termos independentes.
𝑥1
𝑥
Como desejamos encontrar os valores de ( 2 ), que para o nosso caso é
𝑥3
𝐶1
(𝐶2 ), basta multiplicar o vetor dos termos independentes 𝑏 pela matriz inversa
𝐶3
de 𝐴, pois explicitando x na equação Ax=b, temos que

𝑥 = 𝐴−1 𝑏 (1)

________________________________________________________________

Dessa forma, o sistema de equações lineares resultante é escrito em


termos de matrizes como

1,0 1,0 1,0 𝐶1 1000


[0,18 0,23 0,67] ∙ [𝐶2 ] = [ 308 ]
0,54 0,37 0,10 𝐶3 350
A X = B

E é com ele que iremos resolver o nosso problema.


15

Agora, em sua planilha do Excel, organize-a de forma semelhante à Figura


1.1 abaixo. Isso ajuda na visualização da resolução do problema.

Figura 7.1 - Formato de planilha para a resolução do problema.

Para calcular a matriz inversa de A no Excel, o primeiro passo é selecionar


as células da matriz inversa na planilha, ou seja, selecionar de L3 a N5. Essa
matriz necessariamente deve ser do mesmo “tamanho” da matriz original, como
a matriz A é do tipo 3x3, obrigatoriamente a inversa deve ser uma 3x3 também.

Depois de selecionar toda a matriz, pressione “=” de modo que agora


deve-se inserir a função, neste caso a função que calcula a matriz inversa no
Excel é dada pela sintaxe MATRIZ.INVERSO. Após dar dois cliques para
selecionar a função, note que o parâmetro de entrada da equação é uma matriz.
Em outras palavras, você seleciona a matriz original como parâmetro de entrada
para a função MATRIZ.INVERSO calcular o inverso da matriz original. A Figura
1.2 abaixo mostra como fica esse procedimento.
16

Figura 1.2 - Cálculo da matriz inversa no Excel.

CUIDADO: Para calcular uma matriz no Excel depois de ter selecionado os dados
de entrada para a função MATRIZ.INVERSO, não pressiona-se “Enter”, mas sim
CTRL+SHIFT+ENTER, e assim o Excel retornará os valores em cada célula do
intervalo necessário. Caso tivesse sido pressionado “Enter” sem pressionar
CTRL+SHIFT, o Excel retornaria um único valor para uma única célula.

Após ter sido feito esse procedimento, a matriz inversa de A que a planilha
nos retorna é
−3,669 4,405 7,178
[ 5,608 −7,182 −7,993]
−0,940 2,773 0,816

Tendo posse da matriz inversa de A, o que nos resta é multiplicar essa


matriz pelo vetor dos termos independentes b, de acordo com a Eq. (1).
A sintaxe para realizar a multiplicação entre matrizes é MATRIZ.MULT.
Analogamente ao passo anterior, deve-se selecionar o intervalo que contenha a
matriz cuja qual queremos saber os valores, neste caso é a matriz X e o seu
intervalo vai de F18 a F20.
17

OBS: Como iremos multiplicar uma matriz 3x3 por uma matriz 3x1, o resultado é
uma matriz 3x1, justamente a que desejamos encontrar.

Depois de selecionar toda a matriz, pressione “=” de modo que agora


deve-se inserir a função MATRIZ.MULT e no Excel aparecerá
=MATRIZ.MULT(matriz1; matriz2). Selecione as duas (A-1 e b) e sua planilha
deve ficar da seguinte maneira

Figura 1.3 - Cálculo das incógnitas do problema.

Novamente, não esqueça de pressionar CTRL+SHIFT+ENTER.

Com isso, as vazões de C1, C2 e C3 são respectivamente 200 kg/h, 600


kg/h e 200 kg/h.

A nível de conferência, substitua esses valores no Balanço Global. A soma


é exatamente 1000 kg/h.
18

Problema 2: Cálculo do volume molar utilizando uma equação de estado.


(Termodinâmica)

Deseja-se calcular o volume molar do propano puro utilizando a equação de


estado do tipo Virial a uma temperatura de 300 K em uma faixa de pressão
variando entre 5 e 100 bar. Compare os resultados obtidos da equação do Virial
com os obtidos utilizando a equação de estado do gás ideal.
A equação do Virial truncada no segundo termo pode ser descrita como
𝑃𝑉𝑚 𝐵 𝐶
𝑧= =1+ + 2 +⋯
𝑅𝑇 𝑉𝑚 𝑉𝑚

Onde Bpropano = -348,5 cm3/mol e Cpropano = 17,6∙103 cm6/mol2

Solução:

A equação do Virial é indicada estritamente para cálculos de propriedades


de gases, como o volume molar. Nota-se que a equação proposta pelo problema
tem grau igual a 2, então para que se encontre o valor do volume molar para
cada pressão do sistema deve-se encontrar o valor de suas raízes, sendo essa
raiz igual ao volume molar do gás propano à 300 K em uma determinada pressão.
Isolando todos os termos em um só lado da equação, temos

𝑃𝑉𝑚 𝐵 𝐶
𝑓𝑢𝑛çã𝑜 𝑧𝑒𝑟𝑜 = −1+ + 2 =0
𝑅𝑇 𝑉𝑚 𝑉𝑚

Dessa forma podemos utilizar o Atingir Meta para encontrar o valor das
raízes de tal equação.
É importante citar que, os valores de temperatura (𝑇) e a constante dos
gases (𝑅) devem estar com suas unidades consistentes com as dos coeficientes
da equação do Virial.
A figura 2.1 ilustra como os dados podem ser organizados em uma planilha
do Excel, bem como a equação 𝑓𝑢𝑛çã𝑜 𝑧𝑒𝑟𝑜 pode ser escrita.
19

Figura 2.1 - Dados da questão e função zero.

Após a 𝑓𝑢𝑛çã𝑜 𝑧𝑒𝑟𝑜 ter sido escrita no Excel, deve-se escolher um valor
para ser utilizado como “chute inicial” para o volume molar e então chamar o
Atingir Meta. Para chama-lo na planilha, basta ir na aba Dados e em seguida
Teste de Hipóteses>Atingir Meta.

Uma estimativa inicial razoável é o volume molar calculado pela equação


do gás ideal (V = RT/P). A Figura 2.2 mostra qual o valor obtido para a função
zero utilizando tal estimativa.

Figura 2.2 - Valor obtido utilizando a estimativa inicial.

Note que o valor obtido para a 𝑓𝑢𝑛çã𝑜 𝑧𝑒𝑟𝑜 é de fato, bem próximo a zero.
Porém, nós como engenheiros ou estudantes de engenharia química, devemos
nos atentar que a equação do gás ideal é utilizada apenas como um modelo
inicial, onde a mesma se ajusta a uma faixa de temperatura e pressão baixas.
Dessa maneira, utilizamos o Atingir Meta para que haja um “refino” quanto ao
valor do volume molar encontrado.

A Figura 2.3 mostra o procedimento para utilizar o atingir meta na


resolução do problema
20

Figura 2.3 - Utilizando o Atingir Meta.

O que aconteceu no procedimento foi: a 𝑓𝑢𝑛çã𝑜 𝑧𝑒𝑟𝑜 (célula F2) foi


definida para atingir o valor de zero, alterando o volume molar (célula E2), que
é o procedimento que desejamos.

Com isso, a Figura 2.4 mostra o resultado obtido após ser utilizado o
recurso Atingir Meta.

Figura 2.4 - Obtenção do valor do volume molar utilizando o Atingir Meta.

Feito isso, repetimos o mesmo passo para todos os valores de pressão na


qual o problema propôs, de maneira que, pode-se construir um gráfico de
dispersão (ver Figura 2.5) para a melhor visualização dos resultados e analisar
21

graficamente o quanto a equação do gás ideal diverge da realidade quando seu


cálculo é feito para valores de pressões mais elevadas.

Figura 2.5 - Volume molar para toda a faixa de pressão e gráfico de dispersão para os resultados obtidos.
22

Problema 3: Estimativa da pressão de vapor do n-Decano em uma ampla faixa


de temperatura. (Termodinâmica)

Utilizando os dados experimentais de pressão de vapor reportados por Chirico et.


al. (1989)4 para o n-Decano, estime as pressões de vapor para a mesma faixa de
temperatura reportada e compare os dados estimados com os experimentais
através do Desvio Relativo Absoluto.

Solução:
Para o cálculo da pressão de vapor de um componente, deve-se utilizar
uma equação que estime os valores com uma boa precisão dentro da faixa de
temperatura considerada para cada componente. Na literatura, vários modelos
são encontrados para o cálculo dessa propriedade, sendo a equação de Antoine
a mais amplamente utilizada. Isso se dá pelo fato da simplicidade dessa equação
e por necessitar de apenas três parâmetros correlacionados de dados
experimentais (cada composto tem as suas constantes de Antoine), além de
estimar bons valores de pressão de vapor. Porém, outras equações podem
estimar valores melhores, dependendo da faixa de temperatura analisada.
Chirico et. al. (1989) através de estudos em laboratório mostraram que a
equação de Cox5 estima valores de pressões de vapor com bastante precisão na
faixa de temperatura analisada. Com isso, utilizaremos esta equação para estimar
os valores que queremos.
A equação de Cox é escrita como mostra a equação 3.1 abaixo

𝑃 𝑇𝑟𝑒𝑓
𝑙𝑛 = (1 − ) exp(𝐴 + 𝐵𝑇 + 𝐶𝑇 2 ) (3.1)
𝑃𝑟𝑒𝑓 𝑇

Onde 𝑃 é a pressão de vapor dada em kPa, 𝑃𝑟𝑒𝑓 é a pressão de referência


e tem o valor de 101.325 kPa, 𝑇𝑟𝑒𝑓 é a temperatura de referência e foi escolhida
como sendo a temperatura normal no ponto de ebulição, em K; 𝑇 é a temperatura
do sistema em K e 𝐴, 𝐵 e 𝐶 são as constantes da equação de Cox.
Dessa maneira, a equação de Cox fica escrita como

4
CHIRICO, R. D.; NGUYEN, A.; STEELE, W. V.; STRUBE, M. M. Vapor Pressure of n-Alkanes Revisited. New
High-Precision Vapor Pressure Data on n-Decane, n-Eicosane, and n-Octacosane. J. Chem. Eng. Data.
1989; 34: 149-156.
5
COX, E. R. Hydrocarbon Vapor Pressures. Ind. Eng. Chem. 1936; 28: 613-616.
23

𝑃 𝑇𝑏 (3.2)
𝑙𝑛 = (1 − ) exp(𝐴 + 𝐵𝑇 + 𝐶𝑇 2 )
𝑃𝑟𝑒𝑓 𝑇

De maneira a facilitar a resolução deste problema na planilha do Excel,


𝑇𝑏
escreveremos (1 − ) = D e (𝐴 + 𝐵𝑇 + 𝐶𝑇 2 ) = E, logo a equação se torna
𝑇

𝑃
𝑙𝑛 = 𝐷 ∙ exp ∙ E (3.3)
𝑃𝑟𝑒𝑓

Para eliminarmos o ln desta equação, multiplicamos ambos os lados da


equação por 𝑒, pois ln 𝑒 𝑛 = 𝑛, com isso, a expressão se torna

𝑃 = 𝑃𝑟𝑒𝑓 ∙ 𝑒𝑥𝑝(𝐷∙𝑒𝑥𝑝∙𝐸) (3.4)

Como esta equação está explícita em P que é o que desejamos calcular, é


ela que usaremos na planilha do Excel.

A Figura 3.1 abaixo mostra os dados experimentais do n-Decano retirados


de Chirico et. al. (1989)

Figura 3.1 - Valores experimentais de pressão de vapor do n-Decano reportados por Chirico
et. al. (1989).

As constantes A, B e C da equação de Cox para o n-Decano são


respectivamente 2.96081, -0.00190111 K-1 e 1.60359E-06 K-2.
24

Na seção 1.3 aprendemos como importar dados de arquivos .txt para o


Excel por intermédio de um arquivo .pdf. Neste caso, após a importação dos
dados experimentais na planilha do Excel, a mesma deve ser organizada como
se sugere abaixo na Figura 3.2.

Figura 3.2 - Planilha para o cálculo das pressões de vapor do n-Decano.

Após isso, vamos inserir as equações que representam os termos D e E, e


as mesmas são mostradas como ficam na planilha nas Figuras a seguir.

Figura 3.3 - Equação que representa o termo D.

Figura 3.4 - Equação que representa o termo E.


25

OBS: As células que são constantes, isto é, não alteram o seu valor, são eles:
Tref, Pref, A, B e C, devem ser fixadas na planilha. Para fazer isso, basta pressionar
a tecla “F4” no valor a ser fixado e na equação vai aparecer o símbolo $ entre a
letra e o número que representa a célula na planilha (ex. a célula que tem o valor
da constante A é a célula H4 e quando a mesma é fixada ficará como sendo
$H$4)

O próximo passo é inserir a equação do cálculo da pressão de vapor e


calcular o Desvio Relativo Absoluto, onde o mesmo é dado pela Eq. (3.5) abaixo

𝑃𝑣𝑎𝑝𝑒𝑥𝑝𝑒𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙 − 𝑃𝑣𝑎𝑝𝑐𝑎𝑙𝑐𝑢𝑙𝑎𝑑𝑎
𝐷𝑅𝐴(%) = | | 100 (3.5)
𝑃𝑣𝑎𝑝𝑒𝑥𝑝𝑒𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙

A inserção da Eq. (3.5) na planilha é mostrada na Figura 3.5.

Figura 3.5 - Inserção da equação de Cox para o cálculo da pressão de vapor do n-Decano.

Logo a planilha final com todos os cálculos é mostrada a seguir.


26

Figura 3.6 - Pressões de vapor e DRA's calculados no Excel.

De acordo com os valores obtidos de Desvios Relativos Absolutos, nota-se


que para o n-Decano, o modelo proposto por Cox (1936) calcula muito bem as
pressões de vapor em toda a faixa de temperatura analisada, onde desvios
menores que 1 % são observados.

Considerações finais: Este tipo de problema foi proposto para incentivar e


encorajar o(a) aluno(a) a observar a gama de informações em que artigos
científicos podem conter e como estes são importantes para a contribuição dos
dados experimentais das propriedades. Também, para encorajar a utilizar
modelos propostos para comparar com dados reportados na literatura.
27

Problema 4: Reator Bioquímico ou Biorreator. (Engenharia Bioquímica)

Em um determinado processo, um biorreator foi


utilizado para a obtenção de certo produto. O mesmo
possui um volume V = 100 L e foi alimentado com
uma vazão volumétrica de 4 L/h. As concentrações
iniciais de células (X0) e substrato (S0) na entrada do
reator são 0,05 g/L e 10 g/L respectivamente.
Sabendo-se também que µmáx = 0,2 h-1, Ks = 1 g/L,
YX/S = 0,5 gcélula/gsubtrato e YP/X = 0,2 gproduto/gcélula,
pede-se: determinar as concentrações de célula,
substrato e produto, em g/L na saída do reator.

Solução:
Antes de apresentar todo o equacionamento que será utilizado na resolução deste
problema, recomendamos que o leitor veja a obra de Schmidell6 (mais
precisamente o Capítulo 6). Nela, você encontrará o formalismo matemático e
hipóteses para se chegar nas equações que serão mostradas.
Algumas hipóteses para a simplificação do problema são:
• O sistema está em regime estacionário;
• O sistema opera com um volume constante;

Após serem feitas as considerações e hipóteses para se chegar no


equacionamento, os seguintes balanços de massa são apresentados para as
células, o substrato e o produto, respectivamente.

Balanço de células:

𝑑 (𝑋 ∙ 𝑉 ) 𝑆
= 𝑋0 ∙ 𝑄 − 𝑋 ∙ 𝑄 + 𝜇𝑚á𝑥 𝑋∙𝑉 (4.1)
𝑑𝑡 𝐾𝑠 + 𝑆

Onde o termo de geração de células é dado pelo modelo de Monod.

6
SCHMIDELL, W.; LIMA, U. A.; AQUARONE, E.; BORZANI, W. Biotecnologia Industrial Volume 2. 1. ed.
São Paulo: Blucher, 2007.
28

Balanço de substrato:

𝑑(𝑆 ∙ 𝑉) 1 𝑆
= 𝑆0 ∙ 𝑄 − 𝑆 ∙ 𝑄 − ∙ 𝜇𝑚á𝑥 ∙ ∙ 𝑋 ∙ 𝑉 (4.2)
𝑑𝑡 𝑌𝑋/𝑆 𝐾𝑠

Balanço do produto:
𝑃 = 𝑃0 + (𝑋 − 𝑋0 ) ∙ 𝑌𝑃/𝑋 (4.3)

De acordo com as hipóteses adotadas, os termos do lado esquerdo dos


balanços de célula e substrato são nulos. Então temos que

Balanço de células:
𝑆
𝑋0 𝑄 − 𝑋 ∙ 𝑄 + 𝜇𝑚á𝑥 𝑋∙𝑉 =0 (4.4)
𝐾𝑠 + 𝑆
Balanço de substrato:
1 𝑆
𝑆0 ∙ 𝑄 − 𝑆 ∙ 𝑄 − ∙ 𝜇𝑚á𝑥 ∙ ∙ 𝑋 ∙ 𝑉 = 0 (4.5)
𝑌𝑋 𝐾𝑠
𝑆
Balanço do produto:
𝑃 = 𝑃0 + (𝑋 − 𝑋0 ) ∙ 𝑌𝑃/𝑋 (4.6)

Agora, em sua planilha do Excel, organize-a de forma semelhante à Figura


4.1 abaixo. Isso ajuda na visualização da resolução do problema.

Figura 4.1 - Planilha organizada para a resolução do problema.


29

As células D2 e E2 ocuparão as funções que serão utilizadas pelo Solver, Eq.


(4.4) e (4.5), respectivamente. Após serem inseridos os balanços de massa de
células e substrato nas células D2 e E2 do Excel, elas serão mostradas de acordo
com as Figuras 4.2 e 4.3 abaixo.

Figura 4.2 - Eq. (4.4) inserida na célula D2.

Figura 4.3 - Eq. (4.5) inserida na célula E2.


30

Após serem inseridas e clicando em “Enter”, as duas células (D2 e E2)


assumirão os valores de 0,2 e 40, respectivamente. Também é notório que as
células E5 e E6 ainda estão vazias, isso porque são nelas que querermos
determinar os valores (concentração final de células e de substrato) para certas
condições impostas, e consequentemente, determinar a concentração de
produtos.

Condições matemáticas do problema:


• Balanço de células ser igual a zero;
• Balanço de substrato ser igual a zero.

Condições físicas do problema:


• A concentração de células na saída é igual a concentração da entrada, isso
porque não foi especificada nenhuma taxa de morte celular.
• A concentração de substrato na saída tem que ser menor do que a
concentração na entrada, pois o substrato está sendo consumido.

De maneira análoga, o balanço para o produto, Eq. (4.6), deve ser inserida
na célula E7. O resultado dessa inserção é mostrado na Figura 4.4 abaixo.

Figura 4.4 - Eq. (4.6) inserida na célula E7.


31

Da Figura 4.4, percebemos que as células correspondentes aos balanços de


massa ainda não estão zeradas, ou seja, não estão representando as condições
matemáticas do problema.
Na seção 1.2, vimos que quando desejamos encontrar valores cujos quais
estão sujeitos a restrições, como é o caso em que as equações devem ser
zeradas, a concentração de células inicial deve ser a mesma na saída e a
concentração de substrato na saída tem que ser menor do que a concentração
na entrada; o Solver se apresenta como uma ferramenta essencial na resolução
deste problema. Sendo assim, será mostrado como chamar o Solver no Excel e
como preencher seus campos na caixa de diálogo para aplicarmos as condições.

Utilizando o Solver

O solver vai procurar o valor de concentração de células e de substratos que


zere as duas equações presentes nas células D2 e E2, ou seja, o Solver vai
procurar uma raiz das equações.
Para utilizá-lo, basta ir na aba Dados no Excel e essa ferramenta se
encontrará no “final” da aba (no canto superior direito), como mostra a Figura
4.5 abaixo.

Figura 4.5 - Localização do Solver na planilha do Excel.

OBS: Caso o Solver não esteja habilitado no Excel, os passos para habilitá-lo são
os seguintes:

Primeiramente clique na aba Arquivo e depois em Opções. Na janela de diálogo


que aparece em seguida, vá em Suplementos e onde aparece a opção
Gerenciar (no canto inferior da caixa de diálogo) escolha a opção Suplementos
do Excel e clique em Ir. Assim que a caixa de diálogo Suplementos
disponíveis aparecer, marque o Solver e clique em OK. Pronto! O solver já
estará habilitado na planilha no local indicado na Figura 4.5 acima.
32

Assim que o Solver estiver aberto, uma janela igual à mostrada a seguir
deve aparecer.
Figura 4.6 - Janela do Solver.

Na opção Definir Objetivo, você deve definir a célula que contém a


primeira equação a ser zerada, ou seja, deve selecionar a célula D2. Em seguida
na opção Para:, marque Valor de: 0 e em Alterando Células Variáveis
marque as células que corresponderão aos valores de X e S (as células E5 e E6),
aparecerá $E$5:$E$6. Com isso você define que a equação deve ser igual a zero
alterando as concentrações de células e substratos (é o que queremos).

Na mesma caixa de diálogo, pode-se definir o restante das condições que


desejamos. Então basta clicar na opção Adicionar e a seguinte caixa irá aparecer

Figura 8 - Caixa de diálogo para adicionar a(s) restrição(ões).


33

No campo Referência de Célula você irá selecionar a próxima restrição


matemática (fazer a segunda equação ter o valor de 0), ou seja, a célula E2. As
próximas restrições serão:
• $E$2 = 0 Eq. (4.5)
• $E$5 >= $B$2 X >= X0
• $E$6 <= $B$3 S <= S0 (substrato sendo consumido)

Sendo assim, a Janela do Solver irá ficar da seguinte maneira

Figura 4.8 - Janela do Solver após adicionar as restrições.

Por fim, basta selecionar o método GRG Não Linear (por se tratar de um
problema simples não linear, ver seção 1.2) na opção Selecionar um Método
de Solução e clicar em Resolver.

Pronto! O solver nos deu o valor da concentração de células, do substrato e


do produto, que correspondem respectivamente a 3,964 g/L, 0,246 g/L e 0,783
g/L.

O resultado final pode ser visto na planilha do Excel na Figura 4.9 abaixo
(note que as equações que precisavam ser zeradas ficaram em uma ordem de
10-10, ou seja, podemos considera-las nulas).
34

Figura 4.9 - Planilha finalizada do problema.

É importante notar que as condições foram estabelecidas, isto é, a


concentração de células aumentou pelo fato de que foram formadas mais células
ao longo do processo e a concentração de substrato diminuiu, pois o mesmo foi
sendo consumido ao longo do processo.
35

Problema 5: Cálculo da porosidade em uma operação de Fluidização.7


(Operações Unitárias I)

Um leito é composto por 6 kg de partículas esféricas


com 1 mm de diâmetro. A massa específica das
partículas é de 2,5 g/mL. Sabe-se que a porosidade
da mínima fluidização é de 0,40. A altura de leito fixo
é de 0,5 m e o diâmetro do leito é de 10 cm. A massa
específica do fluido é de 1 g/mL e a viscosidade de 1
cP. Calcule a porosidade do leito quando o mesmo é
fluidizado com uma vazão de 9,8 L/min.

Solução:
Antes de apresentar todo o equacionamento que será utilizado na resolução deste
problema, recomendamos que o leitor veja a obra de Cremasco8 (mais
precisamente os capítulos 10 e 11). Nela, você encontrará todas as deduções e
hipóteses para se chegar nas equações que serão mostradas.

Após aplicar os balanços de forças para as fases fluida e sólida,


respectivamente, obtém-se as equações fundamentais que servirão como base
para o desenvolvimento das demais:

∆𝑃
− =𝑚 Eq. de Darcy (5.1)
𝐿
e

𝑚 = (1 − 𝜀)(𝜌𝑠 − 𝜌𝑓 )𝑔 (5.2)

Observa-se da Eq. (5.2) que a força resistiva se iguala ao peso aparente


(empuxo) da fase particulada por unidade de volume, com isso, a ação
gravitacional age em sentido contrário à alimentação de fluido no leito. É
importante ressaltar que o início da fluidização ocorre quando a força resistiva
associada à interação entre as partículas expandidas, devido ao escoamento do
fluido ser ascendente, iguala-se ao peso aparente das partículas.

7
MOREIRA, M. F. P. Operações Unitárias da Engenharia Química utilizando o Excel/VBA. 1. ed. Rio de
Janeiro: E-papers, 2017.
8
CREMASCO, M. A. Operações Unitárias em Sistemas Particulados e Fluidomecânicos. 1. ed. São Paulo:
Blucher, 2012.
36

Assumindo que a perda de carga no meio poroso possa ser dada pela
Equação de Ergun, uma vez que a porosidade resultante não estará muito acima
da faixa recomendada, obtém-se a Eq. (5.3) abaixo.

∆𝑃 (1 − 𝜀) 𝑓 ∗ 𝐿𝑞 2
− = (5.3)
𝜌 𝜀3 𝐷𝑝

Onde ∆𝑃 é a queda de pressão, 𝜌 é a massa específica do fluido, 𝜀 é a


porosidade do leito, 𝑓 ∗ é um parâmetro dado em funções de outras variáveis, 𝐿
é a altura do leito fixo, 𝑞 é a vazão de fluido e 𝐷𝑝 é o diâmetro da partícula.
Após fazer as devidas considerações e manipulações matemáticas,
podemos escrever a Eq. (5.3) na forma geral da equação de Ergun, dada pela
Eq. (5.4) abaixo.

(1 − 𝜀)² 𝜇 1−𝜀 𝜌 2
150 [ ] 𝑞 + 1,75 ( ) 𝑞 = (1 − 𝜀)(𝜌𝑝 − 𝜌)𝑔 (5.4)
𝜀3 (𝜙𝐷𝑝 )² 𝜀 3 𝜙𝐷𝑝

Em que 𝜇 é a viscosidade dinâmica, 𝜙 é a esfericidade da partícula, 𝜌𝑝 é


a massa específica da partícula e 𝑔 é a aceleração da gravidade.
Para facilitar os cálculos na planilha do Excel, recomendamos que escreva
a Eq. (5.4) como sendo X + Y – Z = 0, onde

(1−𝜀)² 𝜇 1−𝜀 𝜌
X = 150 [ ] (𝜙𝐷 𝑞; Y = 1,75 ( 𝜀3 ) 𝜙𝐷 𝑞 2 e Z = (1 − 𝜀)(𝜌𝑝 − 𝜌)𝑔
𝜀3 𝑝 )² 𝑝

Neste caso,

𝑋 + 𝑌 − 𝑍 = 𝐹𝑢𝑛çã𝑜𝑍𝑒𝑟𝑜 (5.5)

Agora, em sua planilha do Excel, organize-a de forma semelhante à Figura


5.1 abaixo. Isso ajuda na visualização da resolução do problema.
37

Figura 5.1 - Planilha organizada para a resolução do problema.

Nas células E9, G9 e I9 estarão as funções que representam os termos A,


B e C respectivamente, e estarão inseridas nas células como mostram as figuras
5.2, 5.3 e 5.4 abaixo.

Figura 5.2 - Inserção do Termo A.


38

Figura 5.3 - Inserção do Termo B.

Figura 5.4 - Inserção do Termo C.

Note que os Termos A e B aparecem “#DIV/0!”, isso porquê a célula F12


que representa o valor da porosidade do leito, está vazia, e o Excel reconhece
uma célula vazia como o valor de zero.

Sabendo disso, notamos que é preciso “chutar” um valor inicial de


porosidade para que se possa utilizar o recurso do Atingir Meta para sabermos o
valor da porosidade que faça com que a 𝐹𝑢𝑛çã𝑜𝑍𝑒𝑟𝑜 tenha um valor nulo que
satisfaça o critério da Eq. (5.5).

Do enunciado do problema, sabemos que o valor da porosidade de mínima


fluidização é 0,40 e também sabemos que o valor máximo de porosidade é 1. Ou
39

seja, devemos “chutar” um valor que esteja entre o intervalo 0,40 < ε < 1. Para
critério de resolução, escolhemos o valor 0,50 para a porosidade como chute
inicial.

Também devemos inserir a Eq. (5.5) que representa a 𝐹𝑢𝑛çã𝑜𝑍𝑒𝑟𝑜. Neste


caso, a planilha deverá ficar como a Figura 5.5 abaixo.

Figura 5.5 - Planilha depois da inserção de todas as equações.

Agora vá em Dados>Teste de Hipóteses>Atingir Meta e faça o que


se segue na Figura 5.6.

Figura 5.6 - Usando o Atingir Meta.


40

O que foi feito: O Atingir Meta definiu a célula F14 (FunçãoZero) para
atingir o valor de zero alterando o valor da porosidade que atribuímos no “chute
inicial”.

Com isso, esse recurso nos deu a resposta de que a porosidade do leito é
de 0,748.

Dica: A nível de curiosidade e como forma de praticar os conceitos até aqui


aprendidos, use também o Solver para resolver este problema e note que essa
ferramenta vai nos retornar o mesmo valor de porosidade do leito, para isso
deve-se inserir as restrições físicas que sabemos: $F$12 <= 1 e $F$12 >= 0,4.
41

Problema 6: Cálculo da temperatura de saída em um processo de troca


térmica.9 (Termodinâmica)

Qual é a temperatura final, quando uma quantidade de calor igual a 0,4∙106 BTU
é adicionada a 25 lb-mol de amônia (inicialmente a uma temperatura de 500 ͦ F)
em um processo com escoamento em regime estacionário à pressão atmosférica
(1 atm)? Sabe-se que a relação entre a capacidade calorífica da amônia e a
temperatura é dada pela seguinte equação:
𝐶𝑝 𝐶
= 𝐴 + 𝐵𝑇(𝐾) +
𝑅 𝑇(𝐾)2

Tendo os valores das constantes para amônia de A = 3,578; B = 3,02∙10 -3 e C =


-1,86∙104.

Solução:

Apesar do Excel nos auxiliar na resolução de exercícios, nós, como


engenheiros e alunos de Engenharia Química, devemos saber identificar o nosso
problema e saber qual caminho a seguir para resolvê-lo.
O problema trata de um processo de aquecimento, então a princípio deve
ser feito um balanço de energia para chegar a um modelo que represente bem o
processo. Assim, um modelo simplificado de um processo que ocorra em regime
estacionário, fluxo constante, onde pode-se desconsiderar as formas de energia
cinética e potencial e levando em consideração que não ocorre trabalho
(escoamento e eixo) no sistema, temos que:

∆𝐻 · 𝑛 = 𝑄 (6.1)

Onde ∆𝐻 é a variação de entalpia do sistema, 𝑛 é o número de mols e 𝑄


é a quantidade de calor fornecida ao sistema.
Através dos estudos de termodinâmica, podemos saber que a variação de
entalpia pode ser dada através da integração da capacidade calorífica à pressão
constante entre a temperatura inicial e final do processo como mostra a Eq. (6.2)
abaixo.

9
SMITH, J. M.; VAN NESS, H. C.; ABBOTT, M. M. Introdução à Termodinâmica da Engenharia Química.
7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2007.
42

𝑇𝑓
𝐵 1 1
∆𝐻 = 𝑅 ∫ 𝐶𝑝 𝑑𝑇 → ∆𝐻 = 𝑅 · [𝐴 · (𝑇𝑓 − 𝑇𝑖 ) + · (𝑇𝑓 2 − 𝑇𝑖 2 ) − 𝐶 · ( − )] (6.2)
𝑇𝑖 2 𝑇𝑓 𝑇𝑖

Como a entalpia é uma função de estado, apenas com os valores de 𝑇𝑖 e


𝑇𝑓 podemos calcular a variação de entalpia de um processo.

A seguir serão demonstradas as etapas para a solução do problema.


A partir do modelo encontrado pelo balanço de energia podemos calcular
a variação de entalpia molar na forma
𝑄 0,4 · 106 𝐵𝑇𝑈 𝐵𝑇𝑈
∆𝐻 = = = 16.000
𝑛 25 𝑙𝑏 − 𝑚𝑜𝑙 𝑙𝑏 − 𝑚𝑜𝑙
É necessário converter as unidades de entalpia molar para J∙mol -1, devido
a equação da capacidade calorífica à pressão constante ter sido obtida com a
temperatura em Kelvin. Assim, divide-se a variação de entalpia molar por um
fator de conversão onde, onde 1 J∙mol-1 equivale a 0,4299 BTU∙lb-mol-1, com isso
1 𝐽 𝑚𝑜𝑙 −1
∆𝐻 = 16.000 𝐵𝑇𝑈 · 𝑙𝑏 − 𝑚𝑜𝑙 −1 ∗ = 37,218 𝐽 𝑚𝑜𝑙 −1
0,4299 𝐵𝑇𝑈 · 𝑙𝑏 − 𝑚𝑜𝑙 −1

No passo que segue, deve-se converter a temperatura inicial (𝑇𝑖 ) para


escala Kelvin;
500 [℉] + 459,67
𝑇𝑖 = = 533,15 𝐾
1,8

Todos os dados iniciais da questão já podem ser implementados em uma


planilha do Excel. A Figura 6.1 mostra como deve ser escrita a Eq. (6.2) bem
como devem ser organizados os dados.

Figura 6.1 - Dados da questão e equação da variação de entalpia.


43

Percebe-se que após ser pressionado o “Enter” se obtém um resultado


igual a “#DIV/0!”. Isso se dá pelo fato de não ter sido atribuído nenhum valor
para a temperatura final do processo, dessa maneira a equação da variação de
entalpia terá um termo sendo dividido por zero.
Neste momento é preciso atribuir um valor para a célula de temperatura
final (célula B12). Diante de um processo de aquecimento temos que, a
temperatura final do processo nunca será menor que a temperatura inicial. Dessa
forma, atribuímos um valor qualquer acima de 𝑇𝑖 , escolhemos essa temperatura
como sendo 900 K.
Para sabermos se o valor de temperatura final está correto, a condição da
equação obtida a partir do balanço de energia deve ser atendida. Se não,
utilizamos o Atingir Meta para testar valores até que essa condição seja satisfeita.
Agora basta seguir o caminho Dados>Teste de Hipóteses>Atingir Meta
fazendo

𝑄
∆𝐻 − = 0 = 𝑓𝑢𝑛çã𝑜 𝑧𝑒𝑟𝑜 (6.3)
𝑛

Podemos testar valores de temperatura final até que a “função zero” seja
igual ou aproximadamente zero. Dessa maneira, encontraremos o valor da
temperatura final. A Figura 6.2 ilustra como deve ser feito essa etapa.

Figura 6.2 - Detalhes para utilização do Atingir Meta neste problema.


44

Após clicar em “OK” o Atingir Meta realizará cálculos por tentativas até que
a condição da Eq. (6.3) seja atingida. Dessa forma, pode-se encontrar um valor
de temperatura final igual a 1250,20 K, como mostra a Figura 6.3.

Figura 6.3 - Resultado obtido utilizando o Atingir Meta.


45

Problema 7: Determinação da permeabilidade, k, e do fator “c” em um


experimento de permeametria. (Operações Unitárias I)

A permeabilidade, k, e o fator “c” podem ser determinados


experimentalmente por permeametria, segundo um
conjunto de medidas de vazão volumétrica do fluido e da
queda de pressão no leito. Sabendo que o fluido de
percolação é o ar a 25 ͦ C (massa específica 1,187 kg/m³ e
a viscosidade 0,018 cP) e a distância entre as tomadas de
pressão é de 1,6 cm; o meio tem área de seção transversal
igual a 1,8 cm², porosidade de 38 % como também a
relação Vazão x Queda de pressão é dada pela tabela
abaixo. Determine k em cm² e c (adimensional) para um
meio constituído por esferas de vidro.

Q [cm³/s]x10-4 ΔP [cmHg]
2,09 2,4
3,02 4,45
3,48 5,6
10,7 33,9
15,7 58,6

Solução:

A discussão da fluidodinâmica em leitos fixos é incialmente analisada em


termos da força resistiva m presente na equação de Forchheimer abaixo.

𝑑𝑃 𝜇 𝑐𝜌√𝑘
𝑚=− = [1 + 𝑞] 𝑞 (7.1)
𝑑𝑧 𝑘 𝜇

Em que − 𝑑𝑃⁄𝑑𝑧 é o gradiente de pressão (força motriz do


escoamento), 𝜇 é a viscosidade do fluido, 𝑘 é a permeabilidade do meio, 𝑐 é um
fator adimensional, 𝜌 é a massa específica do fluido e 𝑞 é a velocidade superficial
(vazão por unidade de área).
46

Na situação em que o escoamento do fluido na matriz porosa é lento, tem-


se

𝑐𝜌√𝑘
𝑞≪1 (7.2)
𝜇

Resultando assim no que é conhecida como a Lei de Darcy

𝑑𝑃 𝜇
− = 𝑞 (7.3)
𝑑𝑧 𝑘

A integração da Eq. (7.1) para o escoamento incompressível, resulta em

1 ∆𝑃 𝜇 𝑐𝜌
(− ) = + 𝑞 (7.4)
𝑞 𝐻 𝑘 √𝑘

Da Eq. (7.4), nota-se que a mesma tem um comportamento de uma


𝑐𝜌
equação do tipo y = b + ax, em que o coeficiente angular é e o coeficiente
√𝑘
𝜇
linear é . Graficamente, podemos visualizar esse comportamento na Figura 7.1
𝑘
abaixo.

Figura 7.1 - Representação gráfica da Equação 7.4


47

Em posse dessas informações, vemos que deve-se calcular os valores de


𝑞, tendo em vista que esse é a único parâmetro que não temos os valores
numéricos (k e c também não temos, mas esses são os parâmetros que
desejamos calcular).

Para termos os resultados consistentes, devemos passar os nossos dados


fornecidos no enunciado para o Sistema Internacional de Unidades (SI). A Tabela
7.1 mostra os dados no SI.

Tabela 7.1 - Dados do problema nas unidades no SI.


ρ [kg/m³] 1,187
μ [kg/m∙s] 1,8E-05
H [m] 1,6E-02
A [m²] 1,8E-03

Com isso, os dados de vazão volumétrica, queda de pressão, eixo da


1 ∆𝑃
abscissa 𝑞 e da ordenada 𝑞 (− ) são apresentados na tabela 7.2 a seguir.
𝐻

Tabela 7.2 - Dados necessários para encontrar os coeficientes angular e linear.


Q [m³/s] ΔP [Pa] q [m/s] 1/q(-ΔP/H)
3,483E-04 3199,74 0,1935 1033507,752
5,033E-04 5932,84 0,2796 1326189,199
5,800E-04 7466,05 0,3222 1448256,13
1,783E-03 45196,28 0,9905 2851860,172
2,617E-03 78126,91 1,4539 3358506,001

Agora, na sua planilha do Excel, organize-a de forma semelhante à Figura


7.2.

Figura 7.2 - Planilha para a resolução do problema.


48

Para encontrarmos os coeficientes angular e linear da Eq. (7.4), basta


1 ∆𝑃
fazer o gráfico de 𝑞 (− ) em função de 𝑞, exibir a linha de tendência e a equação
𝐻
do gráfico. O resultado final deste processo é visualizado na Figura 7.3.

Figura 7.3 - Resultado final na planilha do Excel.

𝜇 𝑐𝜌
Sabendo que 𝑏 = e𝑎= , encontramos facilmente a permeabilidade
𝑘 √𝑘
k e o fator “c”.

k = 2,245∙10-7 cm² e c = 7,983


49

Problema 8: Cálculo flash em um sistema multicomponente em equilíbrio


líquido-vapor (ELV). (Termodinâmica)

Uma mistura isotérmica de hidrocarbonetos e CO2 é dada a seguir na tabela


abaixo, incluindo as razões de equilíbrio de cada componente e suas respectivas
frações molares de uma composição global de alimentação de 1000 mol. Calcule
a fração de alimentação que é vaporizada no tanque flash.

Componente Razão de Equilíbrio (valor K) moles na alimentação


CO2 0,9 11,2
CH4 2,7 895,7
C2H6 0,38 52,6
C2H8 0,098 19,7
i-C4H10 0,038 6,8
n-C4H10 0,024 4,7
C5H12 0,075 3,8
C6H14 0,00019 3,1
C7H16+ 0,0007 2,4

Solução:

Quando um fluxo de líquido saturado passa por um processo de redução


de pressão ao passar por uma válvula de estrangulamento ou outro dispositivo,
forma-se um sistema bifásico líquido-vapor e o líquido evapora parcialmente. Se
o sistema for constituído de apenas um componente líquido saturado, uma parte
do líquido é imediatamente “flashehado” em vapor. Para o caso de um sistema
líquido saturado ser multicomponente, o vapor que é “flasheado” é rico em
componentes mais voláteis da mistura.
Pode-se visualizar um sistema de tanque flash como mostrado na Figura
8.1.
Figura 8.1 - Esquema de um tanque flash.
50

Para o desenvolvimento do nosso modelo, considere um sistema


constituído de um mol de espécies químicas, que não reagem, com uma
composição global representada pelo conjunto de frações molares zi. Seja L os
moles de líquido com frações molares xi e V os moles de vapor com frações
molares yi, o balanço de massa para esse sistema é:

𝐹𝑧𝑖 = 𝐿𝑥𝑖 + 𝑉𝑦𝑖 (8.1)

Considerando as fases líquida e vapor como sendo ideais, temos da Lei de


Raoult que

𝑃𝑖𝑠𝑎𝑡 𝑦𝑖
= = 𝐾𝑖 (8.2)
𝑃 𝑥𝑖

Embora o valor K não adicione qualquer coisa ao conhecimento


termodinâmico do ELV, ele serve como uma medida de “leveza” de uma espécie
constituinte, isto é, sua tendência para estar na fase vapor. Quando K i > 1, a
espécie i exibe uma concentração mais elevada na fase vapor; quando Ki < 1, a
espécie i exibe uma concentração maior na fase líquida (do enunciado do
problema, note que o metano é o componente mais volátil da mistura). Também,
o uso de valores K é conveniente em cálculos computacionais permitindo a
eliminação de um conjunto de frações molares (yi ou xi) para usar o outro.
Explicitando 𝑦𝑖 da Eq. (8.2) e substituindo-o no balanço de massa (Eq.
8.1), temos

𝐹𝑧𝑖 = 𝐿𝑥𝑖 + 𝑉𝐾𝑖 𝑥𝑖 (8.3)

Resolvendo a Eq. (8.3) para a fração molar da fase líquida temos

𝐹𝑧𝑖
𝑥𝑖 = (8.4)
(𝐿 + 𝑉𝐾𝑖 )

Sabemos do balanço de massa total que L = F – V, então substituindo na


Eq. (8.4), temos que
51

𝑧𝑖
𝑥𝑖 = (8.5)
1 + 𝛽(𝐾𝑖 − 1)

Onde 𝛽 = 𝑉 ⁄𝐹 .
A razão V/F é a fração de alimentação que é vaporizada e que queremos
encontrar.
Para acharmos um modelo que calcule 𝛽, devemos ter em mente que
∑𝑖 𝑥𝑖 = 1 ou alternativamente que ∑𝑖 𝑦𝑖 = ∑𝑖 𝐾𝑖 𝑥𝑖 = 1. No entanto, verificou-se
que a combinação ∑𝑖(𝑦𝑖 − 𝑥𝑖 ) = 0 nos leva a um modelo conhecido como a
Equação de Rachford-Rice10

𝑧𝑖 (𝐾𝑖 − 1)
∑ =0 (8.6)
𝑖 1 + 𝛽(𝐾𝑖 − 1)

Verificamos agora que para acharmos o valor da fração de alimentação


que é vaporizada (𝛽), o que necessita ser feito é: encontrar um valor para 𝛽 que
faça a Eq. (8.6) ser igual a zero usando o Solver do Excel.
Organize a sua planilha do Excel como sugere a Figura 8.2 abaixo.
Figura 8.2 - Planilha inicial para os cálculos.

10
RACHFORD, H.H. and RICE, J.D. Procedure for Use of Electrical Digital Computers in Calculating Flash
Vaporization Hydrocarbon Equilibrium. Journal of Petroleum Technology. Sec. 1, p. 19, Oct. 1952.
52

Como mostra na planilha, devemos calcular a fração molar de líquido na


alimentação utilizando a Eq. (8.7) abaixo.

𝑛𝑖
𝑥𝑖 = (8.7)
𝑛

Onde 𝑥𝑖 é a fração molar do líquido i na alimentação, 𝑛𝑖 é o número de


moles do componente i na alimentação e 𝑛 é o número total de moles da mistura
de alimentação.

Desse modo, temos os resultados dados a seguir na Figura 8.3

Figura 8.3 - Frações molares da alimentação.

Devemos agora implementar a equação de Rachford-Rice na planilha, bem


como “chutarmos” um valor inicial para a fração que é vaporizada. Sabemos que
a restrição física do problema é que a fração vaporizada esteja entre 0 a 100 %
(0 < β <1), então adotaremos uma fração de 0,5 como chute inicial. Também
sabemos que os moles de líquido são dados por (1 − 𝛽)𝑧𝑖 e os de vapor são 𝛽𝑧𝑖 .
Podemos visualizar esse procedimento na Figura 8.4.
53

Figura 8.4 - Planilha para calcular a fração molar que evapora.

O que deve ser feito agora em diante na sua planilha é fazer a célula F11
ir para o valor de 0 variando a célula E13, bem como colocar as restrições físicas

• $E$13 <= 1
• $E13$ >= 0

Esse procedimento é mostrado na Figura 8.5

Figura 8.5 - Cálculo da fração que evapora utilizando o Solver.


54

Após pressionar “Resolver”, o Excel nos retorna um valor de β = 0,9649


ou 96,5 % de fração de alimentação que evapora.
55

Problema 9: Cálculo do volume parcial molar de uma mistura binária.11 (Físico-


Química)

As misturas de ciclo-hexano e diversos alcanos de cadeias longas foram


investigas por Aminabhavi et al. [T. M. Aminabhavi, V. B. Patil, M. I. Aralaguppi,
J. O. Ortego, and K. C. Hansen, J. Chem. Eng. Data 41, 526 (1996).] Entre os
dados publicados Figuram os das massas específicas das soluções de ciclo-
hexano e pentadecano em função da fração molar do ciclo-hexano (xc) a 298,15
K.

xc 0,6965 0,7988 0,9004


ρ [g/cm³] 0,7661 0,7674 0,7697
Calcule o volume parcial molar de cada componente na solução que tem a fração
molar do ciclo-hexano igual a 0,7988.
Dados: Mciclo-hexano = 84,16 g∙mol-1 e Mpentadecano = 212,41 g∙mol-1

Solução:

O volume parcial molar de uma substância A em uma mistura é a variação


de volume da mistura por mol de A adicionado a um grande volume da mistura.
Os volumes parciais molares dos componentes de uma mistura variam com a
composição, pois as vizinhanças de cada tipo de molécula se alteram à medida
que a composição passa da de A puro para a de B puro.
A definição do volume parcial molar de uma substância J em uma
determinada composição é:

𝜕𝑉
𝑉𝐽 = ( ) (9.1)
𝜕𝑛𝐽 𝑃,𝑇,𝑛

Nota-se que o volume parcial molar é o coeficiente angular da curva do


volume total da mistura em função do número de mols de J, quando a pressão,
a temperatura e os números de mols dos outros componentes são constantes.
Volumes parciais molares podem ser medidos de diversas maneiras. Um
dos métodos consiste em medir a dependência entre o volume e a composição e

11
ATKINS, P.; DE PAULA, J. Físico-Química Volume 1. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012.
56

ajustar o volume observado a uma função do número de mols de um dos


componentes. Uma vez que a função seja encontrada, seu coeficiente angular
pode ser determinado em qualquer composição de interesse.
Sabendo disso, esse é o método que utilizaremos para resolver este
problema.
Escrevendo a Eq. (9.1) para o ciclo-hexano e para o pentadecano, temos

𝜕𝑉
𝑉𝑐 = ( ) (9.2)
𝜕𝑛𝑐 𝑃,𝑇,𝑛
𝑝

e
𝜕𝑉
𝑉𝑝 = ( ) (9.3)
𝜕𝑛𝑝 𝑃,𝑇,𝑛
𝑐

Nessas equações os subscritos 𝑐 e 𝑝 denotam o ciclo-hexano e o


pentadecano, respectivamente.
Sabe-se que
𝑛𝑐
𝑥𝑐 = (9.4)
𝑛𝑐 + 𝑛𝑝

Para acharmos os números de mols de ciclo-hexano e pentadecano em


função das frações molares de ciclo-hexano (xc) dadas no enunciado, basta
explicitarmos 𝑛𝑐 e 𝑛𝑝 da Eq. (9.4), com isso temos que

𝑥𝑐 𝑛𝑝
𝑛𝑐 = (9.5)
1 − 𝑥𝑐
e
(1 − 𝑥𝑐 )𝑛𝑐
𝑛𝑝 = (9.6)
𝑥𝑐

Agora organize a sua planilha do Excel de maneira similar à mostrada na


Figura 9.1 abaixo.
57

Figura 9.1 - Planilha inicial para a resolução do problema.

Admitamos que 1 mol de cada substância está presente no sistema, então


as equações 9.5 e 9.6 serão inseridas no Excel como mostram as Figuras abaixo.

Figura 9.2 - Inserção da Eq. (9.5) na planilha.

Figura 9.3 - Inserção da Eq. (9.6) na planilha.


58

Com os valores de 𝑛𝑐 e 𝑛𝑝 é possível calcularmos os volumes de acordo


com a equação abaixo

𝑚 𝑛𝑐 𝑀𝑐 + 𝑛𝑝 𝑀𝑝
𝑉= = (9.7)
𝜌 𝜌

Em que a massa pode ser expressa como a soma ponderada entre o


número de mols das espécies e suas massas molares.

Inserindo a Eq. (9.7) no Excel, fazendo primeiramente 𝑛𝑝 constante e


depois 𝑛𝑐 constante (pela definição do volume parcial molar), ambos 1 mol, o
resultado na planilha do Excel é mostrado na Figura 9.4 (OBS: lembre-se de fixar
os valores das massas molares pressionando F4 nas células onde ambas se
encontram).

Figura 9.4 - Cálculo dos volumes.

Como dito no início da resolução, vamos medir a dependência entre o


volume e a composição e ajustar o volume observado a uma função do número
de mols dos componentes. Para isso basta fazer o gráfico de Vc em função de nc
e depois de Vp em função de np, o coeficiente angular de ambas as funções serão
os volumes parciais molares que queremos para o ciclo-hexano e para o
pentadecano, como mostra a Figura 9.5 abaixo
59

Figura 9.5 - Resultado final.

Como observado, os volumes parciais molares se apresentam constantes


na faixa de concentrações analisadas. Além disso, os dois gráficos apresentaram
comportamentos lineares com nenhum ponto fora da reta (R2 = 1) talvez devido
ao número limitados de dados reportados.

Com isso, temos que

Vc = 108,96 cm³∙mol-1 e Vp = 279,26 cm³∙mol-1


60

Problema 10: Encontrando a constante cinética de uma reação. (Reatores I)

O verde de malaquita é um corante químico que ao ser diluído pode ser utilizado
como fungicida no setor agrícola e também pode ser utilizado com indicador ácido
base.
A reação balanceada proposta entre o verde de malaquita com hidróxido de sódio
é dada por:

𝐶23 𝐻25 𝐶𝑙𝑁2 + 𝑁𝑎𝑂𝐻 → 𝐶23 𝐻25 𝑂𝐻𝑁2 + 𝑁𝑎𝐶𝑙

Foram obtidos dados experimentais em um laboratório de engenharia química


para obtenção de uma curva de calibração (Absorbância em função da
concentração).
𝑦 = 63752𝑥
A tabela abaixo representa valores de absorbância obtidos experimentalmente.
Com o auxílio da curva de calibração, determine a constante cinética da reação.
DADOS: A concentração inicial do verde de malaquita é igual a 7 ∙ 10−5 𝑚𝑜𝑙/𝐿
Pode-se assumir que a reação ocorreu em um reator batelada.
Amostra t [s] ABS
1 5 0,4058
2 39 0,1455
3 71,4 0,0681
4 88,8 0,0363
5 132 0,02
6 148,2 0,0139
7 189 0,007
8 244,8 0,0065
9 261 0,0046
10 306,6 0,0039
11 372 0,0036
12 391,8 0,0021
13 437,4 0,0018
14 483 0,0014
15 568,8 0,0014
16 613,2 0,0005
17 631,2 0,0004
18 672,6 0,0004
19 721,2 0,002
20 737,4 0,0005
21 798,6 0,0002
61

Solução:

O primeiro passo a se tomar para resolução de problemas de reatores é fazer


algumas considerações, como
• Considerando que a reação é de pseudoprimeira ordem;
• Assumindo que o volume da solução de hidróxido de sódio é bem menor
que o volume utilizado da solução de verde de malaquita, podemos dizer
que a reação depende apenas da concentração do verde de malaquita.
Logo, temos que

−𝑟𝐴 = 𝑘𝐶𝐴 (10.1)

Sabendo que a reação ocorreu em um reator batelada e partindo do


pressuposto em que o mesmo não tem fluxo de entrada e saída, temos que o
balanço molar para esse tipo de reator é dado por

1 𝑑𝑁𝐴
− = −𝑟𝐴 (10.2)
𝑉 𝑑𝑡

Fazendo o balanço em relação ao componente A (verde de malaquita),


temos

1 𝑑𝐶𝐴 ∙ 𝑉
− = −𝑟𝐴 (10.3)
𝑉 𝑑𝑡

É importante frisar que o sinal de menos (-) é apenas representativo,


utilizamos quando estamos tratando de consumo de reagentes. Sabendo que a
lei de velocidade foi considerada como de pseudoprimeira ordem, temos

1 𝑑𝐶𝐴 ∙ 𝑉
− = 𝑘𝐶𝐴 (10.4)
𝑉 𝑑𝑡
62

Integrando a equação 10.4, obtemos

𝐶𝐴
− ln | | = 𝑘𝑡 (10.5)
𝐶𝐴0

Sabe-se que 𝐶𝐴 = 𝐶𝐴0 (1 − 𝑋), assim

− ln|1 − 𝑋| = 𝑘𝑡 (10.6)

Percebe-se que foi possível encontrar uma equação linear.


A partir da curva de calibração dada no enunciado da questão e com os
valores de absorbância mostrados na tabela, podemos calcular os valores da
concentração de verde de malaquita em cada tempo. A Figura 10.1 demonstra
os resultados de concentração obtidos.
63

Figura 10.1 - Cálculo da concentração utilizando valores de absorbância.

Para melhor visualização dos resultados obtidos, podemos plotar um gráfico


da concentração em função do tempo. Nesse momento, é importante o leitor ter
um olhar crítico ao seu resultado, de maneira que o mesmo deve saber qual
comportamento o gráfico deve ter. Como estamos tratando da concentração de
um reagente em função tempo, o gráfico deve ser decrescente, como mostra a
Figura 10.2 abaixo.

Figura 10.2 - Concentração em função do tempo.


7,00E-06

6,00E-06
Concentração [mol/L]

5,00E-06

4,00E-06

3,00E-06

2,00E-06

1,00E-06

0,00E+00
0 100 200 300 400 500 600 700 800

Tempo [s]
64

De maneira semelhante à concentração, podemos calcular o valor da


conversão em cada tempo, pois temos os valores da concentração inicial do
reagente, bem com o valor referente à concentração em cada tempo, logo

𝐶𝐴
𝑋 = 1− (10.7)
𝐶𝐴0

A Figura 10.3 ilustra os valores obtidos de conversão em relação ao tempo.

Figura 10.3 - Valores de conversão para cada tempo.

Em seguida podemos plotar um gráfico de conversão em função do tempo


para melhor visualização.
65

Figura 10.4 - Conversão em função do tempo.


100,00%
99,00%
98,00%
97,00%
96,00%
95,00%
X

94,00%
93,00%
92,00%
91,00%
90,00%
0 200 400 600 800 1000
Tempo [s]

Por fim, a partir da equação obtida após o balanço molar, percebemos que
se plotarmos um gráfico de − ln|1 − 𝑋| em função do tempo, fizermos uma
regressão linear, o valor do coeficiente angular da reta que se ajusta aos pontos
será igual a constante cinética da reação. A Figura 10.5 ilustra o gráfico obtido.

Figura 10.5 - -ln(1-X) em função do tempo


7

6
y = 0,0217x + 2,5493
R² = 0,9811
5
- ln(1-X)

0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
Tempo [s]

Dessa forma, pode-se dizer que a constante cinética da reação entre o


verde de malaquita e hidróxido de sódio é 𝑘 = 0,0217 𝑠 −1 .
66

CAPÍTULO 2

Neste capítulo serão mostrados métodos numéricos para resolução de


equações algébricas não-lineares que são essenciais para resolver modelos
matemáticos de engenharia química um pouco mais complexos.
Ao passo que for sendo mostrado os diferentes métodos numéricos,
sempre que possível mostraremos como organizar sua planilha do Excel para
facilitar as resoluções dos problemas e, ao final do capítulo, serão resolvidos
alguns problemas de engenharia química com as planilhas pré-determinadas.
Além disso, para todos os desenvolvimentos dos problemas, serão mostradas as
abordagens e as aplicações necessárias para a resolução.

2.1 MÉTODOS NUMÉRICOS

Os métodos numéricos têm um papel estrutural e de caráter essencial na


formação dos cursos de engenharia. São técnicas pelas quais os problemas
matemáticos são formulados de modo que possam ser resolvidos com operações
aritméticas. Os métodos numéricos procuram desenvolver processos de cálculo
(algoritmos), utilizando uma sequência finita de operações aritméticas básicas,
por meio de várias etapas repetidas (iterações), facilitando assim a resolução dos
problemas que seriam resolvidos de forma tediosa analiticamente. As razões para
se estudar métodos numéricos para aplicá-los na engenharia são:
• Ferramentas extremamente poderosas na resolução de problemas;
• Meios eficientes para o aprendizado do uso de computadores;
• Fornecem um meio para o(a) aluno(a) ou profissional reforçar o
entendimento da matemática;
• Acelera a resolução de problemas que seriam bastante demorados para
se resolver analiticamente, dentre outas.
Com isso, nas seções seguintes, serão abordados os principais métodos
numéricos utilizados para se resolver problemas de engenharia química.

Raízes de uma equação não linear

Muitos problemas de engenharia necessitam resolver uma equação não


linear na forma

𝑓(𝑥) = 0
67

Adiante, serão mostrados métodos numéricos para encontrarmos a(s)


raiz(es) de uma equação algébrica não linear, ou seja, métodos que encontrem
𝑥 que zerem uma equação.
A maneira mais eficiente de saber qual o melhor chute inicial para usar em
um determinado método é primeiramente, dada uma equação, plotar o gráfico
da mesma e observar qual valor aproximado em que a função toca o eixo x. Isso
nos garante a saber onde a raiz da equação está presente e diminui as chances
de darmos um chute errado, onde o método pode não convergir ou necessitar
de muitas iterações para se obter a resposta. Para isso, deve-se plotar dados de
x e f(x) no Excel e observar o comportamento do gráfico.
Para ilustramos os métodos numéricos mais usuais para uma equação não
linear, faremos aqui um exemplo típico na engenharia química, que consiste em
encontrar o volume molar de um composto a uma determinada temperatura e
pressão, utilizando a equação de estado cúbica de van der Waals e utilizaremos
esse exemplo para demonstrar os métodos abordados. A equação de van der
Waals é dada por

𝑎
(𝑃 + ) (𝑉 − 𝑏) = 𝑅𝑇 (1)
𝑉2

Em que
27 𝑅 2 𝑇𝑐2
𝑎= ( )
64 𝑃𝑐

1 𝑅𝑇𝑐
𝑏=
8 𝑃𝑐

Para a Eq. (1) tomar a forma de 𝑓(𝑥) = 0 basta passar 𝑅𝑇 para o lado
esquerdo, dessa forma

𝑎
𝑓(𝑉) = (𝑃 + ) (𝑉 − 𝑏) − 𝑅𝑇 = 0 (2)
𝑉2

Desde que a temperatura e a pressão não sejam tão altas, podemos


comparar o volume molar da equação de vdW com o valor dado pela equação de
estado do gás ideal. Lembrando que a Eq. (1) leva em consideração a não
idealidade de um gás, então o valor do volume molar do gás ideal vai servir
apenas para compararmos os valores obtidos pela equação de vdW e analisarmos
esse efeito de não idealidade.
68

Plotando a equação

No Excel, uma tabela de dados e o gráfico da equação de van der Waals


é dada para a amônia a 10 atm e 250 C
ͦ (Figura 1). Da equação do gás ideal tem-
-se que o volume molar da amônia é 4,29 L∙gmol-1, onde é bem próxima da raiz
dada pela equação de vdW.

Figura 1 - Raízes da equação de van der Waals para a amônia a 250 ͦ C e 10 atm.

Da Figura 1 é possível notar que existe uma raiz real entre 3 e 5 L∙gmol-1,
as outras raízes são complexos conjugados.

2.2 Método do Ponto Fixo, MPF (substituição direta)

Dada uma função f (x) contínua no intervalo [a,b] onde existe uma única
raiz, f (x) = 0, é possível transformar tal equação em uma equação equivalente
x = g (x) e, a partir de uma aproximação inicial x0, gerar uma sequência {xk} de
aproximações para ε pela relação. Uma vez que g (x) é tal que f (ε) = 0.
69

Em que ε é a tolerância. Essa tolerância geralmente é determinada pelo


problema e na maioria dos casos, para se ter um resultado muito parecido com
a raiz desejada, possui um valor de 1∙10-5.
Em termos de iterações, x = g (x), se torna

𝑥 𝑘+1 = 𝑔(𝑥 𝑘 ) (3)

Onde 𝑘 é a contagem da iteração.

Para calcularmos o volume molar usando esse método, faremos a Eq. (1)
assumir a forma x = g (x), neste caso

𝑅𝑇
𝑉 (𝑘+1) = 𝑎 +𝑏 (4)
(𝑃 + 2(𝑘+1) )
𝑉

Como vimos na Figura 1, a raiz está localizada um pouco depois de V = 4.


E neste ponto conseguimos enxergar que quando se tem o gráfico montado para
visualizarmos onde a raiz se encontra, é possível diminuir o número de iterações
“chutando” um valor próximo do valor real da raiz. Com isso, atribuindo a iteração
inicial (𝑘 = 0) o valor de V = 4, temos que

𝐿 ∙ 𝑎𝑡𝑚
(0,08206 )(523,15 𝐾)
𝑉(4) (1)
= 𝑚𝑜𝑙 ∙ 𝐾 + 0,03756
4,23845 (5)
(10 𝑎𝑡𝑚 + )
42(1)

No Excel, podemos organizar o método como mostra a Figura 2 abaixo

Figura 2 - Planilha para o método do ponto fixo.


70

Na célula G4, insira a Eq. (4) e atribua os valores das variáveis e iremos
ter o valor de volume molar de 4,2197 L∙gmol-1. Também, faça a célula E5 ter o
novo valor que foi dado na célula G4, e assim sucessivamente até atingir a
tolerância predeterminada. Ao final deste procedimento, acharemos que o valor
do volume molar da amônia será de 4,2312 L∙gmol-1.
Sua planilha do Excel ficará semelhante à Figura 3.

Figura 3 - Usando o Método do Ponto Fixo.

OBS: Nota-se que o método necessitou de apenas 5 iterações, isso por causa que
sabíamos que a raiz estava próxima de 4. Se não soubéssemos, seriam
necessárias mais iterações, mas chegaríamos no mesmo resultado (4,2312). Para
testar, mude o valor da célula E4 para 1, 2 e depois para 3, e veja que precisamos
de mais iterações para se notar um erro de 1∙10-5.

2.3 Método da Bisseção

O método da bisseção consiste em: se a raiz da equação for conhecida no


intervalo [a,b], então, simplesmente esse intervalo é reduzido pela metade de
maneira iterativa até se obter o valor da raiz (Figura 4) ou um valor aproximado
com um erro pequeno. A restrição é que f (a) e f (b) devem ter sinais opostos.
71

Figura 4 - Método da Bisseção graficamente.

Considerando que a cada iteração é atualizado o ponto “a” ou “b”, tem-se


que a função de iteração desse método é dada por

𝑎𝑘 + 𝑏𝑘
𝑥𝑘 = (6)
2

Em que 𝑘 = 1, 2, 3, …

O critério de convergência é determinado pelo Teorema de Bolzano, onde


diz que se f (a) ∙ f (b) < 0, então existe pelo menos uma raiz em [a,b]. O método
nesse caso converge para uma raiz de f (x) = 0.

Para a primeira iteração, a Eq. (6) se torna

𝑎1 + 𝑏1
𝑥1 = (7)
2

Analisando graficamente o método da bisseção (Figura 4), temos as


seguintes condições:

• Se 𝑓(𝑥1 ) = 0, então 𝑥 = 𝑥1 e resolvemos o problema;


• Se 𝑓(𝑥1 ) ≠ 0, então 𝑓(𝑥1 ) tem o mesmo sinal de 𝑓(𝑎1) ou de 𝑓(𝑏1 );
• Quando 𝑓(𝑥1 ) tem o mesmo sinal de 𝑓(𝑎1 ), temos que 𝑥 pertence ao
intervalo [𝑥1 , 𝑏1 ] e definimos 𝑎2 = 𝑥1 e 𝑏2 = 𝑏1 ;
72

• Quando 𝑓(𝑥1 ) tem o mesmo sinal de 𝑓(𝑏1 ), temos que 𝑥 pertence ao


intervalo [𝑎1 , 𝑥1 ] e definimos 𝑎2 = 𝑎1 e 𝑏2 = 𝑥1 .

Depois de redefinido o intervalo ao final da primeira iteração, executamos o


mesmo procedimento ao intervalo [𝑎2 , 𝑏2 ] e assim sucessivamente até a
tolerância ser alcançada.

Agora iremos aplicar o método da bisseção na equação de van der Waals.

No Excel, a aplicação do método da bisseção utiliza a função SE (IF, se você


estiver usando o Excel em inglês) para escolher se f (a) ou f (b) é substituído por
f (xk) e correspondentemente se a ou b é substituído por xk.

A sintaxe no Excel aparecerá assim

=SE(teste_lógico; [valor_se_verdadeiro]; [valor_se_falso])

Ou seja, em teste_lógico vai ser realizada a condição; em


valor_se_verdadeiro será posto o valor verdadeiro e valor_se_falso o valor falso.

Agora monte sua planilha no Excel semelhante à Figura 5, com o intervalo


analisado de [3,5].

Figura 5 - Planilha para utilizar o método da bisseção.

Nas células D2 e E2 será inserida a Eq. (2) para os volumes molares


contidos em B2 e C2, respectivamente. A célula F2 será contida a Eq. (6), já que
o intervalo é reduzido pela metade. Na célula G2 também é inserida a Eq. (2)
para o valor do volume molar contido em F2. Agora para preencher a linha 3,
73

iremos colocar nos valores de a e b (B3 e C3) as condições mencionadas


anteriormente.

A célula B3 ficará =SE(G2<0; F2; B2). Aqui definimos que: se f (x) < 0, a
recebe o valor de x contido em F2 ao invés do valor que está em B3.

Já para a célula C3 é =SE(G2<0; C2; F2). Aqui definimos que: Se f (x) <0, b
permanece com seu atual valor ao invés do novo valor contido em F2.

Após inserir essas funções e calcular os primeiros valores, a sua planilha


ficará semelhante à mostrada na Figura 6 abaixo.

Figura 6 - Calculando o volume molar pela Eq. (2) na planilha do Excel.

Depois de definir os valores na linha 3, basta selecionar toda a linha e


arrastá-la para preencher os demais valores, até que o valor de f (x) atinja a
tolerância (onde o valor do volume molar não será mais alterado, pois a raiz foi
encontrada). Com isso, a planilha final é mostrada na Figura 7.

Figura 7 - Resultado final do método da bisseção.


74

Nota-se que o mesmo valor foi encontrado para o volume molar, 4,2312
L∙gmol-1.

2.4 Método de Newton-Raphson

O método de Newton-Raphson nem sempre converge, mas quando


converge, costuma ser bem rápido e necessita de poucas iterações. A grande
vantagem desse método é que não necessariamente f (a) e f (b) devem ter
intervalos entre valores negativos e positivos, como acontece no método da
bisseção.

A busca pela solução se inicia a partir de uma estimativa inicial x 0, que


possui valor próximo da raiz. A estimativa seguinte, x1, será obtida pela
intercessão da reta tangente à função em f (x0) com o eixo x do gráfico, nos
permitindo encontrar f (x1); a estimativa x2 será a intercessão da reta tangente
à função em f (x1) com o eixo x, e cada vez mais se aproximando do valor da raiz
a cada iteração, como mostra a Figura 8.

Figura 8 - Método de Newton-Raphson graficamente.

O equacionamento matemático pode ser obtido a partir da série de Taylor.


Considere que f (x) é a função cuja raiz desejamos encontrar. Partindo de uma
estimativa inicial x0, podemos determinar f (x1) aproximando a função a uma
série de Taylor de primeiro grau em torno do valor de x0.

𝑓(𝑥1 ) = 𝑓(𝑥0 ) + 𝑓′(𝑥0 )(𝑥1 − 𝑥0 ) (8)


75

Considerando que o valor de x1 está próximo da raiz da equação, temos


que 𝑓(𝑥1 ) ≈ 0. Logo

0 = 𝑓(𝑥0 ) + 𝑓′(𝑥0 )(𝑥1 − 𝑥0 ) (9)

Explicitando 𝑥1 , temos que

𝑓(𝑥0 )
𝑥1 = 𝑥0 − (10)
𝑓′(𝑥0 )

O método de Newton-Raphson surge ao fazermos a Eq. (10) se apresentar


de forma iterativa, ou seja

𝑓(𝑥𝑘 )
𝑥(𝑘+1) = 𝑥𝑘 − (11)
𝑓′(𝑥𝑘 )

Em que 𝑘 = 0, 1, 2, 3, …

O processo iterativo consiste em:

i. Estimar um valor inicial para x0;


ii. Calcular f (x) e f’ (x);
iii. Para cada iteração k, calcular o valor de x(k+1) até que o método convirja.

Como chute inicial, vamos atribuir o volume molar da amônia sendo V = 1


L∙gmol-1. Para começarmos a usar o método, necessitamos da primeira derivada
da Eq. (1) em relação ao volume, então:

𝑎(2𝑏 − 𝑉)
𝑓 ′ (𝑉) = +𝑃 (12)
𝑉3

No Excel, uma planilha semelhante à mostrada na Figura 9 pode ser criada


para analisarmos o método. Onde na célula B3 é inserido o chute inicial para o
volume molar da amônia; na célula C3 é inserida a Eq. (2) e em D3 a Eq. (12).
76

O valor de xi na iteração 1 (célula B4), assume a Eq. (11) que é o próprio método
para calcular xk.

Figura 9 - Planilha para utilizar o método de Newton-Raphson.

Após as células terem sido preenchidas, basta arrastar os valores de f (xi),


de f’ (xi) e os de xi. Pronto, o resultado para o volume molar é o mesmo que o
calculado pelos métodos anteriores, como esperado. Esses resultados podem ser
visualizados na planilha final na Figura 10 abaixo.

Figura 10 - Planilha final utilizando o método de Newton-Raphson.

Note que o método de Newton-Raphson converge para o valor da raiz


muito rápido. Isso é perceptível observando o nosso x0 = 1. Mesmo com o valor
inicial “distante” da raiz, o método só necessitou de 4 iterações para encontrar o
valor.
77

2.5 Método da Secante

No método de Newton-Raphson vimos que a maior dificuldade de utilizá--


lo é ter que calcular a derivada da função para então, utilizar tal método. Quando
a derivada é difícil de ser encontrada, muitas vezes o método não se apresenta
tão favorável.

Tendo em vista essa desvantagem, o método da secante faz o cálculo


iterativo com uma equação semelhante a Eq. (11), a diferença é que a derivada
é substituída pelo conceito da derivada regressiva

𝑓(𝑥𝑘 ) − 𝑓(𝑥𝑘−1 )
𝑓 ′ (𝑥) = (13)
𝑥𝑘 − 𝑥𝑘−1

Geometricamente, corresponde a substituir o papel da reta tangente, no


método de NR, por uma reta secante (Figura 11). Isso implica em necessitar
sempre de duas estimativas iniciais (x0 e x1) para que o processo iterativo seja
iniciado.

A partir de uma reta secante traçada entre os dois pontos iniciais, uma
nova aproximação (x2) é obtida. O ponto em que a reta cruzar o eixo x, será a
nova aproximação a ser utilizada. Uma nova reta é traçada agora entre os pontos
x1 e x2, para que o próximo ponto (x3) seja obtido ao cruzar o eixo x. O processo
é repetido até que a aproximação obtida esteja próxima da raiz.

Figura 11 - Método da Secante graficamente.

Substituindo a Eq. (13) no método de NR, temos


78

𝑓(𝑥)
𝑥𝑘+1 = 𝑥𝑘 −
𝑓(𝑥𝑘 ) − 𝑓(𝑥𝑘−1 ) (14)
𝑥𝑘 − 𝑥𝑘−1

Reordenando, temos a equação iterativa do método da secante

𝑓(𝑥𝑘 )
𝑥𝑘+1 = 𝑥𝑘 − (𝑥 − 𝑥𝑘−1 ) (15)
𝑓(𝑥𝑘 ) − 𝑓(𝑥𝑘−1 ) 𝑘

No Excel, monte uma planilha semelhante à mostrada na Figura 12 abaixo.

Figura 12 - Planilha para utilizar o método da Secante.

Vamos utilizar os intervalos de V = 2 L∙gmol-1 a V = 6 L∙gmol-1 (qualquer


intervalo dentro do valor próximo da raiz pode ser utilizado, mas escolhemos esse
intervalo para ficar diferente dos demais).

Nas células E3 e F3 são inseridos os chutes iniciais para o volume molar


mencionados anteriormente. Nas células G3 e H3 são inseridas, respectivamente,
as funções correspondentes aos volumes molares das estimativas iniciais. Na
célula I3 será inserida a Eq. (15) (o método da secante). O valor correspondente
à célula E4, E5, E6... é o valor encontrado em F3, F4, F5..., ou seja, vai ser o
valor atualizado depois da iteração inicial até diminuir o intervalo e se aproximar
da raiz. O mesmo raciocínio é aplicado às células da coluna F, ou seja, serão
àqueles obtidos na coluna I ao final de cada iteração.
79

Após inserir e calcular tudo na linha 3, a sua planilha deve estar


semelhante à mostrada na Figura a seguir.

Figura 13 - Valores após a iteração inicial.

Agora basta arrastar para baixo. Com isso conseguimos calcular o volume
molar para a amônia nas condições de temperatura e pressão estabelecidas,
como mostrada na planilha final (Figura 14).

Figura 14 - Planilha final utilizando o método da Secante.

Nota-se que encontramos o mesmo valor para o volume molar da amônia


pela equação de van der Waals (V = 4,2312 L∙gmol-1), como esperado, com
poucas iterações.
80

2.6 PROBLEMAS

Aqui serão mostrados os métodos numéricos mencionados acima


aplicados em problemas encontrados na disciplina de Modelagem e Simulação de
Processos.

****************************************************************

Problema 1: Concentração de saída em um reator CSTR (Reatores – Modelagem


e Simulação de Processos).

Em um reator CSTR (reator de mistura perfeita),


encontre a concentração de saída do reagente.
Considerar estado estacionário, uma reação de 2ª
ordem e tolerância de 1∙10-5. Além disso, para
encontrar a concentração de saída, utilizar dois
métodos numéricos e compará-los.
Dados: F = 1 mL/min; V = 1 L; CAe = 1 mol/L; k = 1
L∙mol-1∙min-1

Solução:

Primeiramente, faz-se um balanço de massa global. O mesmo é dado pela


Eq. (1.1) abaixo.

𝑑𝑚
= 𝑚̇𝑒 − 𝑚̇𝑠 (1.1)
𝑑𝑡

Onde 𝑚̇𝑒 e 𝑚̇𝑠 denotam os fluxos mássicos de entrada e saída, respectivamente.

Temos que a massa pode ser representada como 𝑚 = 𝜌𝑉 e os fluxos


mássicos podem ser representados por 𝑚̇ = 𝐹𝜌, onde 𝐹 denota o fluxo
volumétrico. Como a massa específica é constante ao longo do processo, temos
que
81

𝑑𝑉
𝜌 = 𝜌(𝐹𝑒 − 𝐹𝑠 ) (1.2)
𝑑𝑡

𝑑𝑉
Como o regime está em estado estacionário, temos que = 0, então
𝑑𝑡

𝐹𝑒 − 𝐹𝑠 = 0 = 𝐹 (1.3)

Agora, fazendo o balanço molar para o reagente A, temos

𝑑𝑛
= 𝑛̇ 𝑒 − 𝑛̇ 𝑠 − 𝑟𝐴 𝑉 (1.4)
𝑑𝑡

Desenvolvendo o balanço considerando o volume constante e sabendo que


𝑛 = 𝐶𝐴 𝑉, temos

𝑑𝐶𝐴
𝑉 = 𝐹(𝐶𝐴𝑒 − 𝐶𝐴𝑠 ) − 𝑟𝐴 𝑉 (1.5)
𝑑𝑡

𝑑𝐶𝐴 𝐹
= (𝐶𝐴𝑒 − 𝐶𝐴𝑠 ) − 𝑟𝐴 (1.6)
𝑑𝑡 𝑉

Como a reação é de segunda ordem, temos que o balanço é dado por

𝑑𝐶𝐴 𝐹
= (𝐶𝐴𝑒 − 𝐶𝐴𝑠 ) − 𝑘𝐶𝐴2 (1.7)
𝑑𝑡 𝑉

𝑑𝐶𝐴 1
= (1 − 𝐶𝐴𝑠 ) − 1𝐶𝐴2 (1.8)
𝑑𝑡 1

Considerando 𝐶𝐴𝑠 = 𝐶𝐴 e sabendo que o regime está em estado


𝑑𝐶𝐴
estacionário e = 0, temos que
𝑑𝑡

0 = 1 − 𝐶𝐴 − 𝐶𝐴2 (1.9)
82

Resultando assim em

𝐶𝐴2 + 𝐶𝐴 − 1 = 0 (1.10)

Após o balanço, obtemos a equação a se utilizar os métodos numéricos.


Agora, no Excel, monte uma planilha para dois métodos numéricos para a
resolução do problema (ver seção 2.1 em diante). A critério de escolha,
utilizaremos os métodos da secante e o de Newton-Raphson. As planilhas para
esses dois métodos, respectivamente, são mostradas nas Figuras 1.1 e 1.2.

Figura 1.1 - Planilha para utilizar o método da secante.

Figura 1.2 - Planilha para utilizar o método de Newton-Raphson.


83

Como a concentração só pode ir de 0 a 1, para o método da secante esse


será o intervalo.
Na planilha do método da secante, colocar em D3 e E3 os f’s de D3 e E3,
ou seja, f(B3) e f(C3). Em F3 colocar o método da secante (Eq. 15, seção 2.5).
Na planilha do método de Newton-Raphson, colocar em C3 o f(B3) e em
D3 a derivada de f(x), representada pela segunda equação na planilha. Quando
xi não variar mais o seu valor, essa será a concentração.
Com isso feito, as duas planilhas com o valor da concentração podem ser
vistas nas Figuras 1.3 e 1.4.

Figura 1.3 – Cálculo da concentração de saída pelo método da secante.

Figura 1.4 – Cálculo da concentração de saída pelo método de Newton-Raphson.


84

Nota-se que para os dois métodos, a concentração de saída no reator


CSTR foi de 0,6180 mol/L.
85

Problema 2: Modelagem de um tanque esférico (Modelagem e Simulação de


Processos).

Você está projetando um tanque esférico para


armazenar água para uma pequena vila em um país
em desenvolvimento. O volume líquido que ele pode
armazenar pode ser calculado por:
(3𝑅−ℎ)
𝑉 = 𝜋ℎ2 3

Em que 𝑉 é o volume em m³, ℎ é a profundidade da


água no tanque em m e 𝑅 é o raio do tanque em m.
Se 𝑅 = 3 𝑚, até que profundidade o tanque deve ser
cheio para que armazene 30 m³? Utilize os métodos
de Newton-Raphson e o da bisseção para a resolução
deste problema.

Resolução:

Iniciaremos substituindo na equação do volume os valores dados no


enunciado, com isso

(3 ∙ 3 − ℎ)
30 = 𝜋ℎ2 (2.1)
3

Manipulando, temos

90 = 9𝜋ℎ2 − 𝜋ℎ3 (2.2)

Temos que a equação para utilizar os métodos será a Eq. (2.3) abaixo

9𝜋ℎ2 − 𝜋ℎ3 − 90 = 0 (2.3)


86

Agora, no Excel, monte uma planilha para os métodos que serão


analisados como as mostradas anteriormente. As planilhas para esses dois
métodos, respectivamente, são mostradas nas Figuras 2.1 e 2.2.

Figura 2.1 - Planilha para utilizar o método de Newton-Raphson.

Figura 2.2 - Planilha para utilizar o método da Bisseção.

Atenção: Para ambos os casos, deve-se fixar o valor de 𝜋 (pressionando a tecla


F4). Caso contrário, a planilha irá calcular com os valores variando as células,
não é isso que queremos.

Na planilha do método de Newton-Raphson, colocar em C3 o f(B3) e em


D3 a derivada de f(x), representada pela segunda equação na planilha. Quando
87

xi não variar mais o seu valor, essa será a altura. Em B4 colocar o método de NR
(equação 11).

Na planilha do método da Bisseção, colocar em B3 e C3 os chutes iniciais


(atribuímos uma estimativa entre 0 a 5 m). Em D3 e E3 os f’s de B3 e C3. Em F3
colocar o método da bisseção (equação 7). Quando o valor contido na coluna G
atingir uma tolerância baixa ou o valor da altura não variar mais, esse será o
valor desejado.

Com isso feito, as duas planilhas com o valor da profundidade podem ser
vistas nas Figuras 2.3 e 2.4.

Figura 2.3 - Cálculo da profundidade do tanque pelo método de Newton-Raphson.

Figura 2.4 - Cálculo da profundidade do tanque pelo método da Bisseção.


88

Pode-se notar que para os dois métodos, a profundidade que o tanque


deve ser cheio para armazenar um volume de 30 m³ é de 2,0269 m.

CONSIDERAÇÕES: Fica para o(a) leitor(a) a tarefa de resolver esses dois


exemplos utilizando quaisquer um dos métodos mencionados neste capítulo. Isso
para que o(a) mesmo(a) possa praticar e aperfeiçoar os conhecimentos acerca
da utilização e da importância de tais métodos para a resolução de problemas
não tão complexos comumente encontrados nas disciplinas do curso de
Engenharia Química.
89

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Desejamos a todos e todas um ótimo aprendizado e esperamos que esse


material desenvolvido pensando no estudante do curso de Engenharia Química
possa, de alguma forma, agregar conhecimento e despertar o interesse para o
uso do MS-Excel como uma ferramenta indispensável.

Qualquer dúvida acerca dos problemas, seja ela em algum conceito ou em


como chegamos a tais resultados (se não ficou clara alguma parte do contexto
abordado), por favor, entrar em contado com qualquer um dos autores deste
material. E-mails logo abaixo.

MUITO OBRIGADO!

Peterson Y. Gomes de Medeiros: peterson.ygm@gmail.com

Hugo A. Dantas Medeiros: hugo.engq@gmail.com