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Aula 00

Arquivologia p/ Polícia Científica-PE (Auxiliar e Papiloscopista) - Com videoaulas

Professor: Felipe Petrachini


Noções de Arquivologia para PC-PE
Teoria e exercícios comentados
Prof. Felipe Cepkauskas Petrachini –Aula 00

AULA 00– 1 Arquivística: princípios e conceitos.


(Demonstração).

SUMÁRIO PÁGINA

Sumário
Apresentação: ................................................................................................. 1

Meus Pãezinhos .............................................................................................. 3

Considerações sobre o Curso ......................................................................... 4

Vídeo Aulas ..................................................................................................... 6

Porque estudar Arquivologia? ......................................................................... 7

1. Conceitos Fundamentais de Arquivologia ................................................... 8

1.1. Princípios e Conceitos .......................................................................... 8

1.2. Documentos .......................................................................................... 9

1.3. Órgãos de Documentação .................................................................. 10

1.4. Arquivos (Conceitos Iniciais) ............................................................... 14

1.5. Princípios ............................................................................................ 17

Questões Comentadas .................................................................................. 24

Questões Propostas ...................................................................................... 35

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Apresentação:

Olá a todos. Eu me chamo Felipe e serei o responsável pelo curso de


Arquivologia para este concurso.

Tenho 26 anos e atualmente exerço o cargo de Agente Fiscal de Rendas do


Estado de São Paulo (vulgo “Fiscal do ICMS”). Sou formado em Direito pela
Universidade de São Paulo, mais conhecida como Largo São Francisco. E sim, isso

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significa que perdi horas de sono ao longo de meses a fio para fazer a FUVEST.
Bons tempos aqueles...

Ingressei no serviço público em 2009, no cargo de Assistente Técnico


Administrativo do Ministério da Fazenda. Fiquei mais de dois anos no cargo, onde
aprendi desde furar papel até os meandros mais específicos da ciência do Direito
Tributário. De tanto choramingar, a partir de fevereiro comecei a supervisionar parte
do setor onde trabalhava, ganhando um aumento singelo (sim, essas coisas existem
no serviço público se você for ambicioso).

Em abril de 2012 fui nomeado para o cargo de Técnico Judiciário Área


Administrativa do Tribunal Regional do Trabalho. Lembro-me até hoje de que
mesmo estando na posição 1237, e já passados mais de três anos da prova, ainda
assim chegou minha vez. Mas lógico, se tivesse ido melhor, teria sido chamado
mais cedo.

Passei em 16º lugar no concurso de AFTM de São Paulo, ingressando na


Prefeitura lá para agosto de 2012 e ali fiquei até (finalmente :P) ingressar na
Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (vulgo ICMS SP), cargo agora, em
março de 2014.

Fora isso, fui nomeado no concurso de Oficial de Justiça do Tribunal de


Justiça de São Paulo (não lembro a posição de cabeça, mas demorou pacas pra
chamar e eu já estava na Prefeitura quando isso aconteceu) e Escrevente Técnico
Judiciário na Circunscrição de Mauá, que também é longe pacas de onde eu moro.
Também fui convidado (recentemente) a ocupar a vaga de Técnico do INSS na
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Agência de Atibaia (8º lugar)

Prometendo não me alongar muito, fiquei em 4º lugar no concurso de


Assistente de Licitação para a FURP (Fundação do Remédio Popular), concurso
este do qual também não pude assumir e, fui chamado para ser Técnico da
SPPREV, em um concurso bastante peculiar (se tiver a curiosidade, pegue a lista
de aprovados e veja as notas do pessoal, coisa de louco ), e, por fim, fui nomeado
em 2010 (ou 11 ) para exercer o cargo de Técnico do Ministério Público da União.

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Mas pra fazer tudo isso, não é necessário nenhum lampejo de genialidade ou
dom divino. Aliás, boa parte dos meus conhecidos me tomam por alguém bastante
"desligado", de maneira que alguns ainda se espantam em saber que eu ainda não
esqueci-me de como respirar. O que eu sou, em verdade é teimoso.

E pra ser bem sincero, já levei fumo também em concurso. Fui tão mal na
prova do BACEN de 2009 (ou 2010, não me lembro direito...) que fiz que fiquei com
vergonha. Mas foi só vergonha, não desisti por causa disso, nem você deve se sua
vez ainda não chegou. Aliás, o desastre da época foi o que me animou a estudar
mais profundamente disciplinas como contabilidade geral, que me auxiliaram anos
depois na obtenção do cargo de Agente Fiscal de Rendas, o qual exerço hoje.

A vaga está lá disponível para quem quiser pegar, e já adianto: não é


necessário nenhum lampejo de genialidade ou dom divino (embora ambos ajudem
muito). Eu tive a oportunidade de conhecer pessoas muito talentosas, e a maior
parte delas não quer virar funcionário público. Para o resto de nós, sobra a certeza
de que a dedicação e o empenho são os únicos fatores que fazem a diferença entre
passar ou não.

Quer dizer, quase. Material também é bom ter. Não adianta nada estudar
feito um condenado se você não estiver estudando a matéria certa. Você confiou
neste material para aplicar o seu esforço. Eu vou te dar uma dor de cabeça que
valha o gasto.

Bom, chega de conversa, mãos a obra!


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Meus Pãezinhos

Atendendo a uma orientação do site, reproduzo abaixo o seguinte informe:

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Observação importante: este curso é protegido por direitos autorais


(copyright), nos termos da Lei 9.610/98, que altera, atualiza e consolida a legislação
sobre direitos autorais e dá outras providências.

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Grupos de rateio e pirataria são clandestinos, violam a lei e prejudicam os


professores que elaboram os cursos. Valorize o trabalho de nossa equipe
adquirindo os cursos honestamente através do site Estratégia Concursos ;-).

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É um tanto ameaçador, mas é a mais pura verdade. Seu professor é formado


em Direito e atesta a ilicitude da conduta.

Mas, não é só isso: o curso toma tempo do seu querido professor, e ele usa o
suado dinheirinho de vocês para comprar duas coisas: livros novos e pãezinhos.

Livros novos, pois sei que, ao mesmo tempo em que eu me atualizo, as


bancas também o fazem, e o nosso objetivo é estar a frente da banca, e não ser
engolido por ela (quando o predador é mais rápido que a presa, já sabem o que
acontece).

Pãezinhos, pois tanto eu como aqueles que amo e prezo precisam comer. E
pãezinhos é a coisa mais barata que consigo pensar em comprar .

Mas sério, prestigiem o curso!

Considerações sobre o Curso

O ano de 2016 começou movimentado. Se o ano de 2015 foi marcado por


editais esparsos, neste ano, as repartições começaram a reparar que, ao mesmo
tempo em que servidor público é despesa para ao erário, é também fonte de receita,
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pois permite o funcionamento mais eficiente do Estado. Quando você sentar em sua
cadeira dentro da repartição, e alguém disser que você está apenas extraindo
energia vital do contribuinte, procure se lembrar: o Estado só existe porque você
existe, e sem você, não há Estado. E sem Estado, bom... uma guerra civil nunca é
vantajosa para quem quer que seja.

Nosso cronograma será o seguinte:

10/04 Aula 00: 1 Arquivística: princípios e conceitos. (Demonstração).

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26/04 Aula 01: 1 Arquivística: princípios e conceitos.

12/05 Aula 02: 2 Gestão da informação e de documentos. 2.1 Protocolo:


recebimento, registro, distribuição, tramitação e expedição de documentos. 2.2
Classificação de documentos de arquivo. 2.3 Arquivamento e ordenação de
documentos de arquivo. 2.4 Tabela de temporalidade de documentos de arquivo.

29/05 Aula 03: 3 Acondicionamento e armazenamento de documentos de


arquivo. 4 Preservação e conservação de documentos de arquivo. 5 Tipologias
documentais e suportes físicos: microfilmagem; automação; preservação,
conservação e restauração de documentos. Gestão Arquivística de Documentos
Eletrônicos

12/06 Aula 04: Legislação arquivística.

São todos temas recorrentes nos editais de quase todas as bancas do país,
não só desde o início de minha carreira como professor no site, mas que remontam
inclusive à época em que eu mesmo tinha de estudar estes temas para fazer as
provas (ah, o verão de 2009... ano mágico e cheio de provas e o ano em que
consegui meu primeiro cargo público).

Enfim, vai ser tranquilo.

Mas se você tiver alguma dificuldade, por favor, o fórum existe para que você
tire absolutamente todas as dúvidas que passarem pela sua cabeça durante a
leitura do material. Não se constranja, pois só vai saber passar quem souber a
matéria, e só vai saber a matéria quem perguntar.
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Esta Aula 00 é para você entender a abordagem que utilizarei no curso.


Entretanto, ela também é o começo da aula 01. Sim meu caro, você já está
aprendendo o que vai cair na prova, então, preste bastante atenção daqui para
frente. Se gostar do que viu, ficarei extremamente honrado em tê-lo como aluno
pelo resto do curso.

Ela não possui todo conteúdo, de forma que você não conseguirá fazer todas
as questões. Mas poderá sentir se eu tenho condições de ajuda-lo na aprovação.

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Se já resolveu que gostou de mim, nem precisa ler a Aula 00: vá direto para a
Aula 01! Lá você verá toda a teoria.

Sugiro que consulte de tempos em tempos o fórum de questões e o quadro


de avisos da disciplina. Nós nos comunicaremos por lá.

E viu alguma questão que não consegue fazer? Poste meu filho, poste, pois
eu estarei lá para te explicar como fazer!

Vamos avançando.

Vídeo Aulas

Sim, seu professor também aderiu a este método de ensino. Junto a cada
aula, existem alguns vídeos com temas tratados em aula, para reforçar ainda mais o
conteúdo na sua cabeça, a ponto de você respirar Arquivologia, e falar sobre os
temas como se estivesse discutindo uma memória de infância.

O professor Carlos Rogério tratará em vídeo dos tópicos mais tortuosos da


disciplina. Ele é bem mais expansivo do que eu e tenho certeza de que lhe
proporcionará uma experiência agradável.

Como acredito que o PDF e o vídeo são recursos complementares, a


abordagem no vídeo é um pouco diferente da realizada em aula:

- Muitas figuras e pouco texto nos slides, para que acionar outro trecho da
sua memória, nem tanto ligado ao conhecimento, mas sim ao acesso à informação.
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- Seu professor procura ir bem devagar enquanto explica os temas, razão


pela qual sugiro que você tire um tempo só para ver o vídeo. Eles estão divididos
em tópicos de 10 a 30 minutos, para sua conveniência.

- Por fim, você pode ver o vídeo e ler o PDF na ordem em que quiser, mas
recomendo que faça os dois!

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A propósito, ainda estou buscando ideias sobre como melhorar a aula em


vídeo. Sugestões são muito bem vindas, não só no sistema de avaliação do site,
mas também diretamente pelo e-mail: felipecpetrachini@gmail.com

É a sua opinião que torna o curso melhor. E não se engane: eu só estou aqui
por causa de vocês! :D

Porque estudar Arquivologia?

Arquivologia é uma das únicas matérias que me orgulho em dizer que você,
futuro funcionário público, com certeza usará no desempenho de suas funções,
ainda que não seja sua área de formação.

Nada como um exemplo: se você é de São Paulo, notará que a foto de seu
RG possui diversos furos, formando a sigla IIRGD.

Esta sigla corresponde ao Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton


Daunt, responsável, entre outras coisas, pela identificação de todos os cidadãos que
moram no município de São Paulo.

E, a fim de auxiliar nesta tarefa, eles possuem TODAS as digitais dos


habitantes do Estado de São Paulo. Mas não estamos nos EUA, nem a Policia Civil
é o CSI: as minhas digitais e de meus conterrâneos estão decalcadas em uma
papeleta de papel cartão e arquivadas em uma infinidade de gavetas dentro do
instituto.

Sim, é uma infinidade de “dedos” e “mãos” sem nenhum tipo recurso da


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informática para auxiliar na pesquisa. Ainda assim, quando apresentamos as digitais


de um investigado ao instituto, eles são capazes de procurar rapidamente nas
gavetas e encontrar a papeleta que confere com os dedos do pianista, o que, na
minha modesta opinião, é algo simplesmente mágico.

Eles não procuraram em todas as gavetas. O instituto só é capaz de fazer


isto porque as fichas estão adequadamente arquivadas e catalogadas, de maneira
que ao invés de procurar feito um louco em um monte de gavetas, o funcionário vai
direto naquela que sabe que contém as digitais pretendidas.

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Eu até sei como eles fazem isso, mas não é o propósito do seu curso. Isto é
uma mostra de que você deve se animar ao ler este material, porque ele, além de
importante para sua prova, será vital para sua vida funcional. E por incrível que
pareça, não é uma matéria chata (pode acreditar).

1. Conceitos Fundamentais de Arquivologia

1.1. Princípios e Conceitos

Aqui começa a longa jornada de descobrimento que você, caro aluno, irá
trilhar nos meandros da Arquivologia (ou pelo menos, da parte que cai em prova).

Para quebrar um pouco o gelo, vamos visitar a história.

O termo “arquivo” não tem uma origem precisa. Entretanto, aquela


frequentemente apontada na doutrina nos remete à antiga Grécia, com a
denominação “arché”, que denominava o “palácio dos magistrados”.

Com a evolução do conceito, chegamos à palavra “archeion”, que denomina


o “local de guarda e depósito de documentos” (este conceito já está mais
próximo de um dos atuais conceitos de arquivo usados em concursos).

Outra parcela da doutrina remete-nos ao termo latino “archivum”, que


também identifica o “lugar de guarda de documentos e outros títulos”.

Qualquer semelhança com certo capitão fictício é mera coincidência...


Cuidado para não explodir o turno todo. 00000000000

Falaremos sobre os arquivos propriamente ditos um pouco mais à frente,


devemos tratar antes do objeto de seus estudos: a arquivologia.

Pois bem, saiba que não se trata de nenhum monstro dos concursos (é uma
matéria bem legal e útil).

É uma disciplina, no entanto, que exigirá de você cuidado e atenção,


principalmente quando você for apresentado a conceitos próprios, o seu estudo não
é difícil, embora bastante teórico.

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As primeiras noções sobre o assunto você verá já na aula de hoje.

E pode acreditar: seu examinador quer saber o que é arquivologia. E sem


este tópico, as demais aulas serão ininteligíveis (tanto quanto a própria palavra
ininteligível).

A arquivologia é uma ciência. Já a arquivística é o nome que se dá ao


conjunto de princípios e técnicas empregados justamente no desempenho desta
ciência. No Brasil, a definição da política nacional de arquivos está a cargo do
CONARQ.

“O Conselho Nacional de Arquivos - CONARQ é um órgão colegiado, vinculado ao


Arquivo Nacional do Ministério da Justiça, que tem por finalidade definir a política
nacional de arquivos públicos e privados, como órgão central de um Sistema
Nacional de Arquivos, bem como exercer orientação normativa visando à gestão
documental e à proteção especial aos documentos de arquivo.” ···.

Conhecer o significado dos termos utilizados nesta disciplina garantirá a você


alguns pontos na prova. Muitas vezes, a resolução das questões se resumirá a isto.
Durante as aulas estes termos serão explicados, revistos, analisados e colocados
na sua cabeça com o mesmo desvelo com o qual se põe um recém-nascido no
berço.

1.2. Documentos

Nós comentamos que a arquivística é um conjunto de técnicas voltadas ao


atendimento dos objetivos da ciência arquivologia. Só que toda ciência tem um
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objeto de estudo (é da essência de todo estudo direcionar seus esforços a algum


objeto ). A arquivologia volta sua atenção ao estudo dos arquivos (que você já está
ansioso para saber por que demoro tanto para chegar nele). Ok, mas existe ainda
uma partícula neste contexto, que merece atenção redobrada.

Arquivos, quando a palavra é usada no sentido de “instituição”, operam um


elemento básico: o Documento.

Documento é todo e qualquer registro de informação,


independentemente de sua forma ou suporte físico. Ou seja, um documento

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pode ser uma foto, um papel, um mapa, um cartão, um filme, fitas, CDs, disquetes,
enfim, tudo aquilo que sirva como registro de um fato, de um acontecimento, de um
momento.

Veja que, ao falarmos simplesmente documento, estamos abordando a


acepção ampla da palavra, não estamos detalhando a sua forma ou o meio
material em que ele é disponibilizado. Basta que haja registro de informação,
qualquer que seja e pelo meio que melhor convier ao usuário, estaremos
falando de documento.

Logo mais a frente veremos, no entanto, como deve ser tratado um


“documento de arquivo”.

Falei que documento é um registro, se é um registro deve haver um meio


físico (material) onde este registro é feito, não é mesmo?

Em arquivologia este meio material onde a informação é registrada se


denomina suporte. Como exemplos de suportes podemos apontar o papel; o papel
fotográfico; a película fotográfica; fitas de vídeo; as mídias digitais, como um CD, um
DVD, ou seja, tudo aquilo fisicamente palpável e que permite o registro de
informações.

Simplificando as coisas para você, caro aluno:

Suporte (meio material) + Registro (ideia, informação) = Documento.

E, meu caro, você pode puxar da sua cabeça as aulas de história, e ainda
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apontar como exemplos os papiros, pergaminhos, tábuas de argila, e até em pedra


se achar melhor.

1.3. Órgãos de Documentação

Os nossos queridos arquivos não são os únicos locais dedicados ao


manuseio e guarda de documentos.

Desta forma, para que separemos muito bem aquilo que é objeto de nosso
estudo (os arquivos) dos demais órgãos de documentação, é essencial que
definamos cada um deles.
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E você não terá maiores dificuldades. Cada órgão de documentação possui


suas características peculiares, de maneira que dificilmente você tomará um pelo
outro.

Acompanhe o quadro para as noções iniciais:

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O que podemos reparar do estudo do quadro acima? A primeira coisa é que


estas instituições se distinguem pela característica principal de cada acervo, e o
propósito dado por cada instituição ao mesmo (finalidade a que se propõem).
Entretanto, também podemos chamar a atenção à maneira como os acervos
são formados.

Embora o nosso estudo faça referência ao arquivo, é importante também que


você saiba diferenciá-lo dos outros lugares apresentados (museus, bibliotecas,
centros de documentação). E adivinha meu caro: cai em prova!

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O CESPE (2011 Correios) já fez a seguinte afirmação: “A distinção entre


documentos de arquivo, de biblioteca ou de museu é feita conforme a origem
e o emprego desses documentos.”.

Pois bem, vamos às definições mais específicas:

Museu: Um museu é, primordialmente, uma instituição de interesse


público. O seu principal propósito é colocar à disposição do público conjuntos
de peças e objetos de valor cultural. Veja que o museu não se importa nem
mesmo com o fato de o objeto por ele custodiado se enquadrar na definição de
documento. Um sarcófago, muito embora tenha informações grafadas no mesmo,
não é “consultado” pelo público com o propósito de obter informações.

Mas professor: eu quero ir ao museu para obter informações sobre a história


das civilizações! Não estaria evidente meu propósito de obter informações?

Eu digo: você está trabalhando com um conceito bastante amplo de


informação. Para fins da nossa disciplina, somente chamaremos de documento
arquivístico aquele que foi criado ou recebido originalmente para atendimento
das finalidades da instituição.

Uma informação fixada em suporte que buscava resolver determinado


assunto tratado pela instituição.

Já que o antigo Egito surgiu, vamos brincar com ele. O papiro (ou antes dele,
os pedaços de pedra talhados) no qual o coletor de impostos controlava a
arrecadação é um documento de arquivo, já que foi criado pela entidade para
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resolver um assunto inerente às suas funções.

O sarcófago foi originalmente criado para guardar o faraó. Não havia assunto
administrativo que pudesse ser resolvido através daquele objeto, ou ao menos, não
há assunto administrativo que pudesse ser resolvido através das informações
fixadas naquele suporte. Ninguém consultava o sarcófago lá na época, atrás de
informações.

É com esse enfoque que você deve distinguir os documentos do arquivo das
peças de museu.

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Centros de Documentação: Esses daqui agrupam documentos de todos


os gêneros, qualquer que seja a fonte. À primeira vista, é como se os centros de
documentação nem mesmo possuíssem um propósito na acumulação. Entretanto,
isto não é de todo verdade. O centro de documentação tem uma finalidade:
informar. Normalmente estes centros possuem alguma especialização.

Meio vago? Pense em uma base de dados de uma instituição de ensino,


onde estão dispostas todas as informações das... hum... revistas de Direito da
Universidade de São Paulo... Esta base de dados somente se presta a informar as
revistas que estão ali disponíveis.

Biblioteca: Esse é bem mais legal (passei mais tempo que o recomendado
nesses ambientes), e frequentemente cobrado em prova.

Comecemos pela doutrina:

“Biblioteca é o conjunto de material, em sua maioria impresso, e não


produzido pela instituição em que está inserida, de forma ordenada para
estudo, pesquisa e consulta”. Bem compacto

A biblioteca se caracteriza pela acumulação de documentos com finalidades


de estudo, pesquisa, e principalmente, consulta. Outro fator importante que
distingue a biblioteca de um arquivo é que os documentos custodiados pela
biblioteca não são por elas produzidos no decorrer de suas atividades
administrativas, mas sim obtidos através de doação, permuta ou aquisição.

E, tão importante quanto: as bibliotecas frequentemente têm mais de um


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exemplar de cada livro. Nós veremos mais à frente que o princípio da unicidade
enxerga cada documento como único. Entretanto, bibliotecas não são arquivos e
não dão a mínima pra isso.

A biblioteca acumula documentos com o propósito de formar uma coleção. A


palavra propósito também é importante: a acumulação de documentos na biblioteca
é intencional, e desta forma, não espontânea. A biblioteca deseja educar o seu
público.

Arquivo: A razão de estarmos aqui hoje.

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Comecemos do jeito que gosto de começar: com doutrina:

“Arquivo é a acumulação ordenada de documentos, em sua maioria


textuais, criados por uma instituição ou pessoa, no curso de sua atividade, e
preservados para a consecução de seus objetivos, visando à utilidade que
poderão oferecer no futuro”.

E aqui vai mais uma, também cobrada em prova:

“A principal finalidade dos arquivos é servir a administração,


constituindo-se, com o decorrer do tempo, em base do conhecimento da
história”.

Esmiucemos.

O Arquivo tem como função a guarda e a preservação de documentos,


para que as informações nele registradas também sejam preservadas e possam,
primordialmente, servir adequadamente aos usuários destas informações.

Além disso, os documentos e informações precisam estar organizados, para


que possam ser acessados e a sua informação compreendida.

A finalidade do arquivo é funcional. O arquivo acumula documentos como


mera decorrência das atividades da instituição a que está ligado. É um
processo natural e gradativo.

Outro ponto: os documentos que se encontram no arquivo estão unidos por


sua proveniência. Ao contrário dos livros em uma biblioteca, os documentos de um
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arquivo são mantidos juntos para que, desta forma, reflitam o funcionamento e as
atividades da instituição a que estão ligados.

Os documentos do arquivo dão testemunho das atividades da


instituição.

1.4. Arquivos (Conceitos Iniciais)

O próprio termo arquivo teve diversos significados ao longo do tempo. E para


nossa infelicidade, atualmente também designa um conjunto diferente de “coisas”. A

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mesma palavra “arquivo” compreende diversas ideias, e todas elas serão vistas
agora e no transcorrer das aulas.

Veja os significados mais utilizados em provas:

- Arquivo é o conjunto de documentos criados ou recebidos por uma


instituição, no decorrer de suas atividades, preservados para garantir a
consecução de seus objetivos;

- Arquivo é a denominação dada ao móvel que se dedica à guarda de


documentos;

- Arquivo é o local físico (prédio, edifício) onde o acervo de documentos


encontra-se conservado.

- Arquivo é o nome dado à instituição cujo objetivo seja o de guardar e


conservara os documentos.

E não para por aí meu caro colega. Existem mais dois conceitos que eu,
sinceramente, recomendo que você tenha em mente quando for buscar a sua vaga:

“Arquivo é o conjunto de documentos oficialmente produzidos e


recebidos por um governo, organização ou firma, no decorrer de suas
atividades, arquivados e conservados por si e seus sucessores para efeitos
futuros”.

Essa primeira definição é encontrada na obra de Marilena Leite Paes,


doutrinadora frequentemente consultada pelas bancas. Contudo, referido conceito
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foi formulado pela primeira vez por Solon Buck, ex-arquivista norte-americano.

Mas nem mesmo nossas queridas bancas organizadoras, do alto de suas


torres de marfim, poderão negligenciar a definição legal. Aí temos a Lei 8.159 de 08
de janeiro de 1991, a qual dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e
privados.

Lá, em seu artigo 2º, temos também uma definição de arquivo:

Art. 2º - Consideram-se arquivos, para os fins desta Lei, os


conjuntos de documentos produzidos e recebidos por órgãos

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públicos, instituições de caráter público e entidades privadas,


em decorrência do exercício de atividades específicas, bem
como por pessoa física, qualquer que seja o suporte da
informação ou a natureza dos documentos.

O arquivo, ao contrário do futebol, não existe para atender a um clamor


popular. A população em geral não se veria atormentada se o governo, de uma hora
para a outra, resolvesse triturar e encaminhar para a reciclagem todos os
documentos de todos os arquivos públicos do país (ambientalistas, inclusive,
vibrariam com a medida).

Mas quem pensa assim se esquece (ou nunca conheceu) a beleza e poesia
da função dos arquivos. O arquivo serve à administração, e desta forma, mantém
viva a história da instituição. O acúmulo de documentos, desde que preservada a
proveniência e organicidade dos documentos, dará testemunho das atividades da
instituição, pois de certo modo, espelhará a própria estrutura organizacional.

Vou dar um exemplo a vocês. Desde que entrei no serviço público, mantenho
várias pastas com cópias de meus holerites, portarias de nomeação, designações
para chefia e outros dados funcionais. Conforme este meu arquivo vai recebendo
novos documentos, ele vai espelhando o meu histórico funcional, e de certo modo,
refletindo minha vida laboral desde 2009. Quem consultar as informações da minha
pasta conhecerá o Felipe enquanto profissional e tudo que ele fez e significou para
as instituições públicas deste país (ok, meio metido, mas grave a ideia).

Ainda é possível decompor as funções desempenhadas pelo arquivo em


outras, mais específicas.
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- Promover a guarda de documentos que circulam na instituição,


utilizando, para tal finalidade, técnicas que permitam o arquivamento ordenado e
eficiente (lembra-se do IIRGD?).

- Garantir a preservação dos documentos, acondicionando-os


adequadamente, levando em consideração que fatores ambientais são capazes de
destruir o suporte onde a informação encontra-se registrada (a gente chega lá), tais
como temperatura e umidade.

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- Atender aos pedidos de consulta e desarquivamento de documentos


pelos diversos setores da instituição, atendendo à demanda de informações.

Estas funções são as mais importantes, mas desde que você pegue a ideia
principal do curso (que é o que tento transmitir de maneira mais poética), você
simplesmente não conseguirá errar questões de arquivologia, já que as alternativas
erradas terão de se afastar dos fundamentos da disciplina.

1.5. Princípios

Princípios, de maneria bem concisa, são diretrizes que guiam a criação de


regras dentro de determinada disciplina.

Aliás, o estudo dos princípios é tão importante e vital que você acertará
questões em prova simplesmente porque a alternativa desrespeita algum dos
princípios que vou relacionar.

Entenda: nenhuma regra de arquivologia ou arquívistica poderá entrar em


conflito com estes princípios, justamente porque as regras são construídas tendo os
princípios como guia. Isto, meu caro aluno, não quer dizer que os princípios não
possuam exceções, só quer dizer que a exceção não pode virar regra.

Mãos à obra!

Proveniência

Também denominado princípio do respeito aos fundos, este princípio tem


a seguinte premissa: “Os arquivos originários de uma instituição ou pessoa
00000000000

devem manter sua individualidade, sem jamais se misturarem aos de origem


diversa.”.

A definição do Dicionário de Terminologia Arquivística não se afasta muito


disto:

“Princípio básico da arquivologia segundo o qual o arquivo produzido


por uma entidade coletiva, pessoa ou família não deve ser misturado aos de
outras entidades produtoras.”

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E faz todo o sentido, como veremos abaixo.

Eu sei que “jamais” é uma palavra meio forte para concurso, mas este
princípio é a viga mestra da arquivística, então, é um dos poucos “jamais” e
“nuncas” que você deve ponderar antes de excluir a alternativa.

Lembre-se: o arquivo busca demonstrar, através do acúmulo de


documentos, o modo de funcionamento da instituição. Não faz sentido, tendo
este objetivo em vista, misturar documentos de vários órgãos e entidades, pois
descaracterizaria aquilo que PAES chamou de “base do conhecimento da história”.

E as bancas adoram este assunto:

ESAF (ANA 2009): “A base teórica das intervenções arquivísticas, que


garante a constituição e a plena existência da unidade fundamental em Arquivística
é o princípio da proveniência”.

Já a FCC (2011 TRE- AP) assim o definiu: “Quando os arquivos originários


de uma instituição mantêm sua individualidade, não sendo misturados aos de
origem diversa, diz-se que foi respeitado o princípio da proveniência.”.

Você também encontrará este princípio como “princípio do respeito aos


fundos”, ou similar francês.

E agora, somente neste ponto, você está pronto para entender o que significa
“fundo aberto” e “fundo fechado”. Só relembrando:

Fundo: “Conjunto de documentos de documentos uma mesma proveniência.


00000000000

Termo que equivale a arquivo”.

A definição se um fundo é aberto ou fechado depende justamente do fato de


a entidade produtora encontrar-se ou não em atividade. Veja só:

Fundo Aberto: Fundo ao qual podem ser acrescentados novos


documentos em função do fato de a entidade produtora continuar em atividade.

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Fundo Fechado: Fundo que, não recebe acréscimos de documentos,


documentos em função de a entidade produtora não se encontrar mais em
atividade.

Repare na diferença entre eles e sua relação com o princípio da


proveniência: uma entidade mantém o seu próprio arquivo. Contudo, uma vez que
não se encontre mais em atividade, deixou de produzir ou receber documentos. E
agora, já que não pode mais produzir ou receber documentos em função de suas
atividades, e documentos de origem (proveniência) diversa não podem se misturar
àquele fundo, a consequência é uma só: aquele fundo encontra-se definitivamente
fechado. Lindo, não?

Organicidade

Está relacionado ao termo “orgânico”. Todos os seres vivos (e, portanto,


seres orgânicos) possuem diversos órgãos, cada qual com uma função específica,
que, apenas em conjunto, cumprem sua função (no caso, manter você vivo e
estudando para virar funcionário público).

Conforme nosso querido, e sempre tido em maior conta, Dicionário de


Terminologia Arquivística:

“Relação natural entre documentos de um arquivo em decorrência das


atividades da entidade produtora”.

Os documentos mantêm relações entre si, como partes de um organismo.


Ou, melhor ainda, os documentos são produzidos e recebidos, naturalmente, como
00000000000

resultado das atividades desenvolvidas em uma organização, seja ela pública ou


privada.

A organicidade garante a organização dos documentos, de maneira que


estes reproduzam, da maneira mais fiel possível, a própria estrutura da
entidade que os produziu. Também é frequentemente associado com o princípio
da proveniência, sendo enxergado como decorrência lógica deste.

Trata-se de relação natural entre os documentos de um arquivo, em


decorrência das atividades da entidade produtora.

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CESPE 2011 Correios: “A organicidade do arquivo se verifica na relação


que os documentos mantêm entre si em decorrência das atividades do sujeito
acumulador, seja ele pessoa física ou jurídica.”.

E aqui tinha pegadinha para quem só memoriza. Veremos mais tarde o


princípio da cumulatividade. Você deve ter muito cuidado, pois as bancas podem
citar algum termo próximo a um princípio (como foi o caso de acumulador nesta
afirmação) sem, no entanto, estar se referindo necessariamente a ele
(cumulatividade). Você precisa estar atento para o contexto da afirmação.

CESPE (2011 EBC): “O caráter orgânico dos documentos de arquivo decorre


do fato de que esses documentos são produzidos e recebidos, naturalmente, como
resultado das atividades desenvolvidas em uma organização, seja ela pública ou
privada.”.

FCC (2011 TRT-23ª): “Ao definir arranjo como o processo de agrupamento


dos documentos singulares em unidades significativas e também o de
agrupamento de tais unidades entre si, numa relação igualmente significativa,
Schellenberg evoca o princípio da organicidade.”.

Pertinência

Leva em consideração o assunto (o tema), independentemente da


proveniência ou classificação original. É um princípio utilizado em determinadas
classificações de um documento, quando o tema tem uma relevância.

Veja o que diz o Dicionário: 00000000000

"Princípio segundo o qual os documentos deveriam ser reclassificados por


assunto sem ter em conta a proveniência e a classificação original. Também
chamado princípio temático".

Alguns pontos da doutrina veem este princípio como conflitante com o


princípio da proveniência. E de fato, ele é. Como o critério de acumulação aqui é
o “assunto”, e não “documentos produzidos ou recebidos pela instituição”,
dificilmente se conseguirá atentar a ambos.

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Alguns vão mais longe: afirmam sem medo algum que o princípio da
pertinência não tem mais aplicação na Arquivística. O próprio Dicionário de
Terminologia Arquivística Brasileira afirma em suas referências que tal princípio já
não encontra mais uso, preservado apenas para conhecimento das gerações
futuras a respeito da evolução da nossa disciplina. Eu não sou tão corajoso. A
banca pode ou não compartilhar deste entendimento, então, vou nos proteger o
ensinando.

Entretanto, o princípio da proveniência é a viga mestra da arquivística.


Tudo que existe e existirá é elaborado com esse princípio em mente. Qualquer
conflito entre pertinência e proveniência, fique com este.

(CESPE 2011 Correios): Quando há necessidade de se reclassificar os


documentos por tema, sem se levar em consideração a sua proveniência ou a
classificação original, estará sendo aplicado o princípio da pertinência.

Cumulatividade

Segue o pensamento do acúmulo natural dos documentos. A ideia de que o


arquivo é uma formação espontânea, natural, progressiva e sedimentar. (FCC
2011)

Nem poderia ser diferente: o arquivo é gerado a partir do acúmulo de


documentos produzidos e recebidos por uma instituição. É através do próprio
acúmulo que se obtém o arquivo.

Muito importante: 00000000000

Lembre-se que os documentos de arquivo não são coleções!!!!

Da ordem original (ou da ordem primitiva)

Está relacionado ao arranjo original dos arquivos, é o “princípio segundo o


qual o arquivo deveria conservar o arranjo pela entidade coletiva, pessoa ou
família que o produziu.” (ESAF 2010).

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Aliás, este princípio representa a própria garantia da organicidade dos


documentos. Mantendo-se a ordem original, preservamos a intenção de que o
arquivo reflita o curso das atividades da instituição a que serve.

Da territorialidade

Este princípio estipula que os arquivos deveriam ser conservados nos


serviços de arquivo do território em que foram produzidos.

Acaba por ter dois desdobramentos:

Proveniência territorial: os documentos deveriam permanecer nos arquivos


do território onde foram produzidos. Lembre-se proveniência nos remete a origem,
quando territorial esta ligada ao local de origem, ou seja, onde foram produzidos.

Pertinência territorial: os documentos deveriam ficar nos arquivos do


território para o qual remete o assunto (o tema) neles tratados. Lembre-se,
pertinência nos remete ao assunto, ao conteúdo do documento.

Os tópicos seguintes ora são tratados como princípios, ora como meras
características dos documentos, relacionadas aos princípios apresentados. Quer
sejam tratados como uma coisa quer como outra é importante que você os conheça:

Imparcialidade- está no fato de que eles são inerentemente verdadeiros,


livres da suspeita de preconceito no que diz respeito aos interesses em nome dos
quais são usados hoje. Os arquivos não têm interesses, paixões, vontades ou
ambições, eles simplesmente registram.
00000000000

Organicidade- Os documentos refletem características da organização


que o produziu. Esses documentos são produzidos e recebidos, naturalmente,
como resultado das atividades desenvolvidas em uma organização, seja ela pública
ou privada.

Naturalidade– Decorre da maneira como os arquivos se originam,


naturalmente, em decorrência da acumulação de documentos.

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Autenticidade – Os documentos são produzidos, recebidos, armazenados


e conservados de acordo com procedimentos regulares que podem ser
comprovados.

Um documento autêntico é aquele que possui o mesmo conteúdo do


documento original.

Perceba que não se deve associar autenticidade à veracidade como


fazemos usualmente. Um documento autêntico não garante a veracidade de um
fato, apenas atesta que o conteúdo do documento está de acordo com o original.

Acessibilidade- Característica que está relacionada à possibilidade de


localização, recuperação, apresentação e interpretação do documento.

Unicidade – Os documentos de arquivo têm caráter único,


independentemente da existência de outro documento semelhante ou tido
como igual (como uma outra via). Os documentos são únicos na medida em que
cada um deles sofreu um processo de produção diferente de todos os demais.
Pense em um RG e sua cópia fiel. O RG em si é um documento produzido
normalmente pela Secretaria de Segurança, ao passo que a cópia, com as mesmas
informações, foi produzida através de um processo de fotocópia.

Desta forma, cada documento do arquivo normalmente é produzido em


uma única via, ou então, em número limitado de cópias.

Inter-relacionamento- Decorre do caráter orgânico, ligando os documentos


uns aos outros através de uma relação complementar. Quando um documento é
00000000000

separado de seu conjunto ele perde muito do seu significado.

Eu quase fiquei sem cores agora. Estes são os princípios mais prováveis de
serem cobrados em prova. Existe uma infinidade de outros princípios surgindo
enquanto a doutrina se desenvolve, mas que eu nunca vi serem cobrados (nem
quando fazia provas da matéria, nem agora que pesquiso sobre o assunto).

Não faz sentido reproduzi-los aqui. A você, meu bom aluno, recomendo o
bom senso. Arquivologia e Arquivística, embora sejam matérias de muito conteúdo,
não podem ser tratadas como matérias de pura memorização. Se uma questão de

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prova abordar algum princípio que não esteja aqui, antes de simplesmente cortá-lo,
pense um pouco se ele faz sentido dentro do que expliquei na aula.

E lógico que se só restar uma alternativa capenga, pode passar a caneta


nela.

Bom, aqui ficamos com a aula demonstrativa. Alguns capítulos não constam
aqui, mas estão lá na Aula 01, prontinhos para serem estudados. Sugiro que você
leia a aula 01 inteira, mesmo os temas repetidos, já que desenvolvo alguns deles
com mais profundidade.

Agora chegou a hora de treinar. Veja se gostou do curso testando se


consegui prepará-lo para as provas que existem por aí.

Grande abraço.

Questões Comentadas

1 CESPE– MPU – 2013 A significação orgânica entre os documentos é


característica fundamental dos arquivos, de modo que um documento destacado de
seu conjunto pode perder valor.

Comentários: Já vimos isso em aula. Relembrando:

Está relacionado ao termo “orgânico”. Todos os seres vivos (e, portanto,


seres orgânicos) possuem diversos órgãos, cada qual com uma função específica,
que, apenas em conjunto, cumprem sua função (no caso, manter você vivo e
00000000000

estudando para virar funcionário público).

Conforme nosso querido, e sempre tido em maior conta, Dicionário de


Terminologia Arquivística:

“Relação natural entre documentos de um arquivo em decorrência das


atividades da entidade produtora”.

Os documentos mantêm relações entre si, como partes de um organismo.


Ou, melhor ainda, os documentos são produzidos e recebidos, naturalmente, como

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resultado das atividades desenvolvidas em uma organização, seja ela pública ou


privada.

Arranque um pulmão de um ser humano, e o pulmão se tornará inútil, e o


resto do corpo capenga. O mesmo vale para os documentos.

Item Certo.

2 CESPE– PF - 2014Os documentos de arquivo são colecionados com


finalidades culturais e sociais.

Comentário: Clássico. Cai em toda prova de Arquivologia, desde quando me


consigo lembrar.

Guarde: Os documentos de arquivo não são colecionados, são


acumulados naturalmente por uma razão funcional.

Esta frase simplifica boa parte do que ensinei na aula de hoje.

Item Errado

3 CESPE– PF - 2014A função de prova do documento de arquivo evidencia-


se não só pelo fato de o documento poder ser levado a juízo para comprovar
determinada informação, mas, também, pela capacidade desse material de
testemunhar as atividades que lhe deram origem.

Comentário: Mais uma daquelas questões de prova que servem como


estudo. Quando falamos em “valor de prova” do documento, não nos referimos
00000000000

apenas ao aspecto jurídico desta característica. Algo tem função de prova quando é
capaz de dar testemunho de que os fatos ocorrerão de determinada maneira.

Item Certo

4 CESPE – MTE – 2014Os documentos de arquivo são produzidos,


originariamente, nos arquivos correntes, em múltiplos exemplares.

Comentário: Muito pelo contrário. Na medida em que os documentos de


arquivo são criados para que se alcancem os objetivos do órgão no qual estão

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inseridos, a tendência é que apenas um único documento seja criado, ou ao menos,


um número limitado de cópias.

Imagine um pedido de restituição qualquer. Você acredita que é mais


provável que a Receita Federal vá abrir um único processo para cuidar daquele
assunto, ou 15, 100 ou 5000? É provável que somente um documento vá ser gerado
a partir dessa solicitação.

Note que esta situação é diferente da normalmente verificada em uma


biblioteca: a biblioteca não se importa, e às vezes até deseja possuir vários
exemplares de uma mesma obra.

Item Errado

5 CESPE – MTE – 2014O arquivo de um órgão, como o do MTE, é o


agrupamento de todos os documentos que tenham sido produzidos e (ou) recebidos
por essa pessoa jurídica, independentemente do suporte físico, gênero documental
e da natureza desses documentos, no desenvolvimento da missão institucional
desse órgão.

Comentário: A assertiva relembra o conceito inicial da nossa disciplina: o


que é um arquivo.

E o que é um arquivo?

“Arquivo é o conjunto de documentos oficialmente produzidos e


recebidos por um governo, organização ou firma, no decorrer de suas
00000000000

atividades, arquivados e conservados por si e seus sucessores para efeitos


futuros”.

E não há qualquer limitação quanto ao suporte, gênero ou natureza dos


documentos, demanda-se apenas uma coisa: que ele tenha sido criado no
desenvolvimento da missão institucional da entidade.

Item Certo

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6 CESPE – MTE – 2014Para a separação dos documentos, como os do


MTE, daqueles acumulados por outros órgãos, é indicada a teoria das três idades
documentais.

Comentário: Teoria das três idades é uma coisa completamente diferente do


que o enunciado sugere (você verá mais detalhes na próxima aula).

A separação pretendida pela assertiva ocorrerá com a aplicação do princípio


da proveniência:

Proveniência

Também denominado princípio do respeito aos fundos, este princípio tem


a seguinte premissa: “Os arquivos originários de uma instituição ou pessoa devem
manter sua individualidade, sem jamais se misturarem aos de origem diversa.”.

A definição do Dicionário de Terminologia Arquivística não se afasta muito


disto:

“Princípio básico da arquivologia segundo o qual o arquivo produzido


por uma entidade coletiva, pessoa ou família não deve ser misturado aos de
outras entidades produtoras.”

Item Errado

7 CESPE – TCDF – 2014 O tipo documental está relacionado à fusão da


espécie documental com a função do documento.
00000000000

Comentário: O CESPE vem adotando esse entendimento sobre a definição


do tipo documental há pelo menos dois anos. Ele se afasta um pouco da definição
do Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística e passa a ver o tipo
documental sob um enfoque mais prático.

Pois bem, vamos relembrar do exemplo da aula:

Quando eu contemplo uma certidão de tempo de serviço, eu sei que se trata


de uma certidão e não de um contrato, pois as certidões, como todo documento,
apresentam um conjunto próprio de características que as permitem

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distinguirem de outras espécies de documentos. A certidão normalmente atesta


uma situação fática passada ou presente, ao passo que o contrato enuncia um
conjunto de direitos e obrigações entre as partes que irão assiná-lo.

Assim sendo, contrato é contrato e certidão é certidão. E cada qual é uma


espécie documental.

A partir do momento que unimos o conceito de espécie documental à


natureza do assunto abordado, teremos o tipo documental. Quando uma
certidão atesta não qualquer informação, mas a informação da minha contagem de
tempo no serviço público que determinada repartição possui em seus
assentamentos, esta classificação se torna um tipo documental.

É justamente o que propõe o enunciado: a fusão de uma espécie documental


(estrutura adotada para construção de determinado documento dentro de um dado
gênero documental) com uma função a ser por ele exercida (a partícula “de” é um
excelente indício de que estamos diante de um tipo documental, justamente por
indicar, nesse contexto, a função do documento) dá origem aos tipos
documentais.

Guarde:

espécie + partícula “de” + função a ser desempenhada pelo documento


= tipo documental

Item Certo
00000000000

8 CESPE – TCDF – 2014 Atesta-se a autenticidade do documento de arquivo


pela vinculação de um conteúdo informacional com o suporte desse conteúdo.

Comentário: Questão excelente para pegar um aluno desprevenido.


Pergunto: como você se certifica da autenticidade de uma nota de R$ 100,00?

Você me dirá: bom, eu olho se tem marca d’água, fitilho, tinta em alto relevo,
enfim, eu vejo se o suporte confere com a informação que está inserida naquele
documento (de que ele foi emitido pela Casa da Moeda e de que, de fato, vale R$
100,00).

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Mas não é exatamente isto que você faz.

Vamos rever o conceito de autenticidade:

Autenticidade – Os documentos são produzidos, recebidos, armazenados


e conservados de acordo com procedimentos regulares que podem ser
comprovados.

Um documento autêntico é aquele que possui o mesmo conteúdo do


documento original.

Perceba que não se deve associar autenticidade à veracidade como fazemos


usualmente. Um documento autêntico não garante a veracidade de um fato, apenas
atesta que o conteúdo do documento está de acordo com o original.

Você não verifica o suporte do documento tão somente. Você, na verdade,


procura indicativos de que aquele documento foi expedido pela Casa da Moeda,
através de sinais que somente aquela instituição é capaz de produzir (ou ao menos
deveria ser assim).

Você quer se certificar da autenticidade do documento verificando toda a


cadeia de custódia que trouxe o documento até você. Quer ter certeza de que, do
momento em que o documento saiu da Casa da Moeda, passando por uma
infinidade de mãos, que ele chegou às suas mãos sem qualquer mudança no seu
conteúdo original (se alguém alterar uma nota de R$ 5,00 para que passe a ser uma
nota de R$ 100,00, também é crime, e a autenticidade também foi violada).
00000000000

Autenticidade se verifica pela origem e transferência do documento, não pelo


suporte!

Item Errado

9 CESPE – TCDF – 2014 Aplica-se o princípio da pertinência para a definição


dos prazos de guarda dos documentos do arquivo permanente.

Comentário: Relembremos do princípio:

Pertinência

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Leva em consideração o assunto (o tema), independentemente da


proveniência ou classificação original. É um princípio utilizado em determinadas
classificações de um documento, quando o tema tem uma relevância.

Veja o que diz o Dicionário:

"Princípio segundo o qual os documentos deveriam ser reclassificados por


assunto sem ter em conta a proveniência e a classificação original. Também
chamado princípio temático".

Alguns pontos da doutrina veem este princípio como conflitante com o


princípio da proveniência. E de fato, ele é. Como o critério de acumulação aqui é
o “assunto”, e não “documentos produzidos ou recebidos pela instituição”,
dificilmente se conseguirá atentar a ambos.

Item Errado

10 CESPE – TCDF – 2014 O princípio da proveniência permite identificar o


fundo a que pertence determinado documento de arquivo.

Comentário: Se tudo foi feito corretamente e o princípio da proveniência foi


respeitado, os documentos de diferentes fundos de arquivo não se misturaram, e
assim, seremos capazes de, tão somente identificando o documento, dizer de
pronto para qual fundo ele deve ser encaminhado.

Item Certo

11 CESPE – MPU – 2013 Um fundo fechado pode receber documentos,


00000000000

ainda que as atividades da sua instituição de origem tenham se encerrado.

Comentário: Vamos bem devagar aqui. Comecemos pela definição do


dicionário brasileiro de terminologia arquivística:

Fundo Fechado: Fundo que, não recebe acréscimos de documentos,


documentos em função de a entidade produtora não se encontrar mais em
atividade.

Ora, essa assertiva tem tudo para estar errada!

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Quase! .

Só existe uma hipótese não prevista nesta definição: o documento foi


produzido durante a existência da entidade, mas a entidade, em momento posterior
se extinguiu.

Este documento precisa compor o fundo, em respeito ao princípio da


proveniência (que é o princípio basilar da nossa disciplina), ainda que em
desrespeito a uma regra menos importante (fundos fechados não recebem mais
documentos).

Pois, do contrário, eu uniria aquele documento a que fundo? Qualquer


resposta desrespeitaria o princípio da proveniência. No bacharelado de Direito, nos
ensinam que isso é uma "antinomia aparente": duas normas que conflitam entre si,
sendo função do intérprete descobrir qual a vontade do legislador neste caso.

E bom, o princípio da proveniência é “O” princípio mais importante da nossa


disciplina. Nada passará por ele!

Item Certo

12 CESPE – ANATEL – 2014 Os mapas e plantas encontrados nos arquivos


da ANATEL pertencem ao gênero documental iconográfico, sendo classificados e
avaliados de forma diferenciada e específica, conforme esse gênero documental.

Comentário:

Relembremos de nossa tabela: 00000000000

Gênero Documental Definição


Esta palavra tem o mesmo radical grego da palavra
"ícone" e ambos remetem à ideia de "imagem".
Desta forma, estão compreendidos aqui os
Iconográficos
documentos cuja informação se manifeste através de
uma imagem estática. Slides e Fotografias são
excelentes exemplos.

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Aqui é melhor começar pelo exemplo: mapas e


plantas arquitetônicas são documentos cartográficos.
Cartográficos
Através do uso de escala, representam grandes áreas
através de imagens reduzidas.

Mapas e plantas pertencem ao gênero cartográfico.

Item Errado.

13. CESPE – FUB – 2015 A aplicação do princípio da ordem original garante


a manutenção da organicidade dos documentos de arquivo.

Comentário: Vamos relembrar dos princípios:

Da ordem original (ou da ordem primitiva)

Está relacionado ao arranjo original dos arquivos, é o “princípio segundo o


qual o arquivo deveria conservar o arranjo pela entidade coletiva, pessoa ou
família que o produziu.”

Organicidade 00000000000

“Relação natural entre documentos de um arquivo em decorrência das


atividades da entidade produtora”.

Nós vimos em aula que a aplicação do primeiro (conservação do arranjo dos


documentos tal como concebido pela entidade produtora) garante a manutenção do
segundo (ao conservar o arranjo dos documentos tal como pretendido pela
entidade, somos capazes de visualizar os documentos tal como a entidade os
enxergava, passando a entender a relação que cada documento possui com os
demais).

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Item Certo

14. CESPE – FUB – 2015 O acervo documental engloba a totalidade dos


documentos conservados pela instituição arquivística.

Comentário: E aí? “Totalidade” é muita coisa para você?

Vamos dar uma olhadinha no princípio da proveniência:

Proveniência

“Os arquivos originários de uma instituição ou pessoa devem manter sua


individualidade, sem jamais se misturarem aos de origem diversa.”.

“Princípio básico da arquivologia segundo o qual o arquivo produzido por uma


entidade coletiva, pessoa ou família não deve ser misturado aos de outras
entidades produtoras.”

Pois bem, se cada acervo documental não contivesse a totalidade de


documentos conservados por uma instituição arquivística, onde estes documentos
ficariam?

Em outro acervo? Não! Pois não podem ser misturados a documentos de


outro acervo documental.

Sozinhos? Não também! Isto violaria o princípio da organicidade, já que o


documento, isoladamente, perderia grande parte de seu significado.

Só resta a todos estes documentos ficarem juntos, formando o mesmo


00000000000

acervo documental.

Item Certo.

15. CESPE – FUB – 2015 Recolhimento designa a formação progressiva,


natural e orgânica do arquivo.

Comentário: Nós veremos o que significa Recolhimento na aula de Gestão


Documental. Entretanto, você já conhece a definição dada pela assertiva. Ela está

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descrevendo o processo de formação de um arquivo, em observância ao princípio


da cumulatividade.

Item Errado.

16. CESPE – DPU – 2016 Formulário é exemplo de tipo documental.

Comentário: Negativo meu caro. A forma mais simples de identificar um tipo


documental é procurar pela partícula “de”, ou qualquer outro indicativo da finalidade
daquela espécie documental.

Pelo Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística, tipo documental seria:

“Divisão de espécie documental que reúne documentos por suas


características comuns no que diz respeito à fórmula diplomática, natureza de
conteúdo ou técnica do registro. São exemplos de tipos documentais cartas
precatórias, cartas régias, cartas-patentes, decretos sem número, decretos-leis,
decretos legislativos, daguerreótipos, litogravuras, serigrafias, xilogravuras.”.

É o que alguns doutrinadores chamam de "actio" e "conscriptio".

"Conscriptio" é associado à espécie documental (a palavra latina, na origem,


significava "composição"), enquanto a "actio" seria o propósito a ser obtido por esta
espécie.

Resumindo a história:

espécie + partícula “de” + função a ser desempenhada pelo documento


00000000000

= tipo documental

O formulário em si é uma espécie documental.

Item Errado

17. CESPE – DPU – 2016 O gênero documental iconográfico reúne


documentos eletrônicos e digitais.

Comentário: Muito errado :P

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Os gêneros documentais mencionados na questão estão definidos logo


abaixo.

Gênero Documental Definição


Esta palavra tem o mesmo radical grego da palavra
"ícone" e ambos remetem à ideia de "imagem".
Desta forma, estão compreendidos aqui os
Iconográficos
documentos cuja informação se manifeste através de
uma imagem estática. Slides e Fotografias são
excelentes exemplos.
Gravados em meio digital, demandando, em função
desta característica, equipamentos eletrônicos para
Digitais
sua consulta. Esta aula é um exemplo de documento
digital

Item Errado

Questões Propostas

1. CESPE–MPU – 2013 A significação orgânica entre os documentos é


característica fundamental dos arquivos, de modo que um documento destacado de
seu conjunto pode perder valor.

2. CESPE– PF – 2014 Os documentos de arquivo são colecionados com


finalidades culturais e sociais.

3. CESPE– PF - 2014A função de prova do documento de arquivo evidencia-


se não só pelo fato de o documento poder ser levado a juízo para comprovar
00000000000

determinada informação, mas, também, pela capacidade desse material de


testemunhar as atividades que lhe deram origem.

4. CESPE – MTE – 2014 Os documentos de arquivo são produzidos,


originariamente, nos arquivos correntes, em múltiplos exemplares.

5. CESPE – MTE – 2014 O arquivo de um órgão, como o do MTE, é o


agrupamento de todos os documentos que tenham sido produzidos e (ou) recebidos
por essa pessoa jurídica, independentemente do suporte físico, gênero documental

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e da natureza desses documentos, no desenvolvimento da missão institucional


desse órgão.

6. CESPE – MTE – 2014 Para a separação dos documentos, como os do


MTE, daqueles acumulados por outros órgãos, é indicada a teoria das três idades
documentais.

7. CESPE – TCDF – 2014 O tipo documental está relacionado à fusão da


espécie documental com a função do documento.

8. CESPE – TCDF – 2014 Atesta-se a autenticidade do documento de


arquivo pela vinculação de um conteúdo informacional com o suporte desse
conteúdo.

9. CESPE – TCDF – 2014 Aplica-se o princípio da pertinência para a


definição dos prazos de guarda dos documentos do arquivo permanente.

10. CESPE – TCDF – 2014 O princípio da proveniência permite identificar o


fundo a que pertence determinado documento de arquivo.

11. CESPE – MPU – 2013 Um fundo fechado pode receber documentos,


ainda que as atividades da sua instituição de origem tenham se encerrado.

12. CESPE – ANATEL – 2014 Os mapas e plantas encontrados nos arquivos


da ANATEL pertencem ao gênero documental iconográfico, sendo classificados e
avaliados de forma diferenciada e específica, conforme esse gênero documental.

13. CESPE – FUB – 2015 A aplicação do princípio da ordem original garante


00000000000

a manutenção da organicidade dos documentos de arquivo.

14. CESPE – FUB – 2015 O acervo documental engloba a totalidade dos


documentos conservados pela instituição arquivística.

15. CESPE – FUB – 2015 Recolhimento designa a formação progressiva,


natural e orgânica do arquivo.

16. CESPE – DPU – 2016 Formulário é exemplo de tipo documental.

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17. CESPE – DPU – 2016 O gênero documental iconográfico reúne


documentos eletrônicos e digitais.

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Gabarito:

1 C 7 C 13 C
2 E 8 E 14 C
3 C 9 E 15 E
4 E 10 C 16 E
5 C 11 C 17 E
6 E 12 E

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