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O movimento armorial:

origem, fases e música

Resumo: O trabalho a seguir apresentará um pouco sobre o Movimento Armorial, movimento


criado na década de 70 pelo escritor ariano Suassuna, mostrando sua origem, trajetória e música. O material para
produção desse trabalho foram vários artigos encontrados na internet. Ao final dele, chega-se a conclusão de que
a música armorial, mesmo com os objetos criados pela indústria cultura que duram apenas enquanto satisfazem
as massas, continua bastante viva e atuante em vários lugares e grupos pelo Brasil.
Palavras-chave: Ariano suassuna. Movimento armorial. Armorial. Origem. Música

1.Introdução
O Movimento Armorial já possui mais de 40 anos de atuação, inclui-se em vários
de artes e tem origem na cultura popular. O trabalho desenvolve-se em três tópico onde o
primeiro abordará sua origem, sempre remetendo-se a vida de Arino Suassuna, o segundo
sobre as fases, monstrando as mudanças que ocorreram durante o seu percurso e o terceiro
sobre a música que considero como a arte que está neste movimento que possui mais força.

2. Origem
Ariano Suassuna nasceu na Paraíba em 16 de junho de 1927 e faleceu em 23 de
julho de 2014. Ingressou em 1946 na faculdade de direito onde entrou em contato com o
poeta e dramaturgo Hemílio Borba Filho e o compositor Capiba, despertanto assim o seu
interesse pela arte e literatura popular do Nordeste. Desse encontro fundou o Teatro de
Estudantes de Pernambuco, onde a intenção era criar dramaturgias e literaturas baseadas na
cultura popular, que dissolveu-se e transformou-se em 1959 no Teatro Popular do Nordeste.
Na década de 60 tornou-se professor de Estética na Universidade de Pernambuco
e em 1969 Diretor do Departamento de Extensão Cultural daquela universidade. A década de
60 foi muito importante para Ariano, pois os resultados dos trabalhos dessa época seriam
vistos no início da década de 70 com o Movimento Armorial.
O Movimento Armorial teve origem no dia 18 de outubro de 1970 através de um
concerto da Orquestra Armorial de Câmara intitulado ´´3 Séculos de música nordestina: do
Barroco ao Armorial``. Esse concerto aconteceu na Igreja Barroca de São Pedro dos Clérigos
e foi promovida pela Universidade Federal de Pernambuco. Sobre o movimento ele fez a
seguinte declaração: ´´O Movimento Armorial pretende realizar uma arte brasileira erudita
através das raízes populares de nossa cultura``. Essas ´´raízes`` iriam de encontro a indústria
cultural, serviriam de base para criação dessa arte e seriam encontradas no sertão nordestino,
lugar que ele afirmava possuir uma tradição mais preservada.
No ano de 1971 lançou o Romance d`Pedra do Reino e o popular Auto da
Compadecida, obras consideradas o coração do Movimento Armorial. Já em 1974 lançou o
livreto ´´O Movimento Armorial`` onde expunha os origens, concepções e propósitos desse
movimento. Nesse livreto ele tentava esclarecer suas ideias a cerca da criação de uma arte
que pudesse ser denominada erudita e que fosse baseada nas raízes populares da cultura
nordestina.
A palavra armorial significa ´´livro onde vem registrados os brasões`` e seus
símbolos são inspirados na cultura popular e barroca do século XVIII.

3. Fases do Movimento Armorial


3.1-Fase Experimental
Quando iniciou-se o movimento, Ariano Suassuna era então Diretor do
Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco e reuniu todos
os artistas que concordavam com suas ideias e que hoje estão consagrados seguindo em suas
obras a linha do movimento.
Francisco Brennand e Miguel dos santos destacaram-se na pintura e cerâmica.
Eles representavam em suas artes um ´´ [...] desenho tosco e forte, quase sempre contornado,
como herança da Pintura popular: semelhante com os brasões, bandeiras e estandartes dos
espetáculos populares nordestinos: parentes com o espírito da Cerâmica e da Tapeçaria.``
(Ariano Suassuna, O movimento armorial,1977 p. 43).
Francisco Brennand e sua filha Maria da Conceição Brennand assinaram algumas
tapeçarias armoriais. A Gravura Armorial é inspirada nas páginas dos folhetos, remetem-se as
raízes nordestinas, utilizam-se da madeira e contornam a figura com traços negros. Um dos
principais gravadores do movimento é Gilvam Samico.
O escultor Fernando Lopes traz o espírito apocalíptico que vem da literatura de
cordel, dos livros proféticos e do contato com escritores e poetas armorias. Também utiliza
em sua arte matérias como a madeira e a pedra, caracterizando a escultura armorial.
Já o Teatro Armorial, ´´[...] parte dos romances, das histórias trágicas ou
picarescas da Literatura de Cordel.`` Todas as peças escritas por Ariano Suassuna são
armoriais e quanto ao cinema, a única produção foi ´A Compadecida` em 1969. Ariano
Suassuna diz sobre essa obra que ´´[...] trágico ou cômico, um filme tinha que ser marcado
pelo elemento épico, festivo e espetacular do teatro popular nordestino.``
Também não havia nada de concreto sobre a dança e arquitetura armorial, mas
Ariano Suassuna tinha algumas concepções sobre essas artes que descreveu da seguinte
forma:
Sonho com uma Arquitetura civil e religiosa brasileira, a qual partindo do bom senso
meio mouro e chão da Arquitetura das casa, desse salto maior para o Divino, com
florestas de pedras, colunas de arenito retorcida em forma de troncos vegetais,
dividindo fachadas e espaços revestidos de azulejos e cerâmicas, com linhas curvas,
cariádites de pedra, algo que se lançasse tortuosa e triunfamente para o alto, através
do maciço, do pesado e do irregular, exatamente como faz a alma humana que
´compensa a rotina com a Poesia e a exatidão com a Loucura.` (Ariano Suassuna,
1977, p. 51)
Na literatura de cordel destacaram-se os poetas Angelo Monteiro, Janice Japiassu
e Marcus Accioly e os escritores Raimundo Carrero, Maximiano Campos e Ariano Suassuna.
Na música os representantes foram a Orquestra e o Quinteto Armorial, onde eles executavam
as músicas de Capiba, Guerra Peixe, Antônio Nóbrega e Antônio José Madureira.
3.2-Fase Romançal
Nesse período Ariano é nomeado Secretário de Cultura do Recife, funda o Balé
Armorial e o Balé Popular de Recife 15. Ocorre o fim do Quinteto Armorial e início da
Orquestra Romançal Brasileira.
3.3-Fase Arraial
Nesta fase Ariano está a frente da Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco.
Ela também possui os pintores Dantas e Zélia Suassuna, o artista plástico Romero de Andrade
Lima e o escultor Arnaldo Barbosa. Em relação a música temos Antônio Nóbrega, fazendo
nesta fase sucesso como multiartista, e Antônio José Madureira coordenando o Quarteto
Romançal. 17
Na dança foi criado o Grupo Grial de Dança e o Grupo Arraial Vias da Dança. 18
Também foi criado espaços ligado ao movimento, como o Teatro Arraial em homenagem ao
Arraial de Canudos e o Espaço Ilumiara Zumbi. Houve também grande número de artistas e
bandas de que tiveram seus trabalhos influenciados pelo movimento.
4-Música do Movimento Armorial
4.1-Origem e grupos musicais
A música do Movimento Armorial possui semelhanças com a música medieval,
por isso, Ariano, quando fundou o movimento, reuniu a o seu redor músicos de formação
erudita para estudarem a música árabe e judaica e assim criarem uma ´´cor`` própria que
caracterizasse o movimento. Durante o movimento, existiram quatro grupos de destaque que
representam a expressão e essência da música Armorial. São eles o Quinteto Armorial, a
Orquestra Armorial, a Orquestra Romançal e o Quarteto Romançal.
A Orquestra Armorial foi fundada em 1970, onde em seu concerto de estreia,
executou peças inspiradas em manifestações com bandas de pífano e repentes. (Amaral, 2010)
O Quinteto Armorial foi fundado por Ariano e trabalhou em paralelo com a
Orquestra Armorial. O grupo teve repercussão nacional ganhando vários prêmios como o de
melhor disco do ano em 1974 e 1976, assim como de melhor grupo instrumental em 1974. O
Quinteto ´´propunha um diálogo entre o cancioneiro folclórico medieval e as práticas criativas
e interpretativas nordestinas``. (Alves, 2010, p 14)
4.2-Músicos e instrumentos
Sobre os músicos do movimento, Antônio Madureira e Antônio Carlos Nóbrega
foram fundamentais para desenvolver a estética sonora, forma, textura, ritmo, afinação,
harmonia e timbre.
Os instrumentos utilizados na música armorial tiveram origem na cultura popular,
sendo eles a rabeca, a viola caipira, o tambor, o pífano, a gaita e o marimbau.
5-Conclusão
Conclui-se que o Movimento Armorial foi um movimento muito bem
desenvolvido e embasado. Pelos seus frutos vistos hoje em dia em grupos de música, como o
Rosa Armorial, Sa Grama etc, discos, pinturas, literatura e etc, percebe-se que não foi
perdida a essência, o caráter, a índole do movimento. Sendo assim, podemos mostrar para as
gerações futuras algo que conseguiu sobreviver a todo o ritmo industrial imposto pela cultura
de consumo permanecendo sempre agradável e novo.

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Algumas Figuras

Figura 1: Ariano Suassuna, criador do Movimento Armorial.

Figura 2: Foto do Quinteto Armorial, grupo fundado por Ariano Suassuna.


Referências:

AMARAL, Carlos Eduardo. Música: ritmos de um rico simbolismo instrumental.


Revista Continente, Recife, n. 118, p. 27 a 29, out. 2010.

ALVES, Barros. Movimento Armorial: 40 anos. Revista Nordeste VinteUm, Recife,


n.15, p. 6 a 15, out. 2010.

OMENA, Janna Jocelli de. O movimento armorial e a música erudita. Universidade Federal
de Pernambuco, Recife, 2010. 9 Páginas.

SUASSUNA, Ariano. O movimento armorial. Recife, Universidade Federal de Pernambuco,


1977.