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UNIMEP – UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA

Faculdade de Ciências Humanas


Curso de Psicologia

AMOR, DEPRESSÃO, AUTO-ESTIMA E PSICOSE:


Uma perspectiva da Abordagem Centrada na Pessoa

Bárbara Leme do Couto 169146


Gabriela Cambraia Sartori 169083
Jéssica Costa 169087
Karina Batista 169985
Lícia Pecorari Verdi 168627
Verônica Cabral Fellipe 169512

Trabalho apresentado para a disciplina


PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA
EXISTENCIAL II no 7º semestre do Curso
de Psicologia diurno da UNIMEP,
ministrada pelo professor Carlos Campelo
da Silva.

PIRACICABA - SP
2019
2

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ................................................................................. 3

2. SOB O OLHAR DA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA ...... 7

2.1. O amor .......................................................................................... 7

2.2. A depressão ................................................................................. 8

2.3. A auto-estima ............................................................................... 9

2.4. A psicose ...................................................................................... 11


3. UM ESTUDO DE CASO: APRESENTAÇÃO DO CASO E A
PRÁTICA CLÍNICA NA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA ... 13

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................. 21

REFERÊNCIAS .................................................................................... 22
3

1. INTRODUÇÃO

A vertente humanista emerge na área da Psicologia como contraposição


às abordagens deterministas e aos paradigmas psicanalíticos e behavioristas,
destacando a autonomia do ser humano sobre as determinações ambientais
que o afetam, possuindo esse, portanto, poder sobre tais determinações e não
sendo mero produto destas. Sendo assim, o humanismo preocupa-se de
maneira especial com a subjetividade humana, assim como com seus
significados e relações ao trazer uma nova perspectiva de homem à Psicologia
(GUIMARÃES, 2012; SANTOSL, 2005). Segundo Holanda,

O humanismo, em sentido mais estreito, pode ser definido


como um movimento de retorno à cultura greco-latina clássica,
surgido no período do Renascimento, nos séculos XV e XVI. O
humano concebido como fim último de uma determinada teoria
de conhecimento, abordagem ou postura ética é um
denominador comum presente nas diversas acepções sobre o
humanismo. Ele surge então como um questionamento, uma
procura pelo sentido de ser deste homem. É um esforço
contínuo pela compreensão de sua totalidade, pela sua
consideração integral (1998, p. 21 apud BEZERRA; BEZERRA,
2012, p. 24).

Tal movimento surge, portanto, como um resgate a valores humanos até


então esquecidos e traz um re-enfoque no sujeito como ser concreto de
subjetividade singular, com autonomia e potencialidades que não devem ser
ignoradas ou postas em segundo plano (LIMA, 2008).
Dentre os principais expoentes da Psicologia Humanista, sobressai o
norte-americano Carl Rogers, o qual desenvolveu no decorrer de sua vida, a
partir da experiência clínica e de pesquisas recorrentes, a denominada
Abordagem Centrada na Pessoa (ACP). A ACP parte de uma crença, um
pressuposto básico que serve como pilar sustentador de toda a abordagem: a
tendência atualizante, ou seja, a crença na existência de uma força que todo
ser traz dentro de si e que o conduz a buscar sempre seu crescimento pessoal
como fim máximo, levando o sujeito a fazer escolhas construtivas e positivas,
capazes de contribuir com seu desenvolvimento como pessoa (BEZERRA;
BEZERRA, 2012; GUIMARÃES, 2012; SANTOS, 2005).
A psicoterapia rogeriana apresenta, assim, algumas características
singulares, que se desdobram alicerçando-se na crença na tendência
4

atualizante. Primeiramente, a psicoterapia na ACP visa à integração do sujeito


com seu meio, de forma a que aquele possa experienciar o mundo de forma
autêntica e livre. Para tal, o foco da psicoterapia é no indivíduo, que possui total
confiança do terapeuta, e no presente, ainda que não se despreze os
elementos da história do cliente (GUIMARÃES, 2012).
Além disso, tem-se a relação terapêutica como prioridade em detrimento
do conhecimento intelectual e como uma experiência autêntica, um espaço
relacional facilitador onde são dadas as condições ideais de crescimento para o
sujeito, as quais frequentementes lhe são negadas nos espaços e relações
cotidianos (GUIMARÃES, 2012).
Dessa forma, a Abordagem Centrada na Pessoa elenca três atitudes
terapêuticas facilitadoras que constituem o supracitado ambiente ideal, as
quais serão abordadas a seguir.
Segundo a obra “A importância da obra de C. Rogers” (1988),
congruência, também conhecida como autenticidade, nada mais é do que o
comprometimento para com o cliente de se manter da maneira mais verdadeira
possível dentro da terapia, deixando transparecer quem realmente é na relação
entre os dois. Isso implica em se permitir viver abertamente seus sentimentos
assim como suas atitudes, não se escondendo atrás de máscaras, ainda que
não seja obrigado a expressá-los, ganhando, dessa forma, a confiança daquele
que ocupa o lugar de cliente. Ao contrário do terapeuta que se encontra em um
estado de congruência, o cliente estará em seu oposto, um estado de
incongruência que, de maneira geral, é um estado de tensão, vulnerabilidade e
ansiedade, vivendo uma confusão interna, e que pede por uma interferência do
terapeuta. O papel do terapeuta, nessa dinâmica, é ajudar o cliente a sair deste
estado.
A consideração positiva incondicional se trata do comprometimento do
terapeuta em aceitar o cliente do jeito que ele é e se sente, e genuinamente
querer ajudá-lo. Deve-se enxergá-lo em seu contexto real, compreender seus
problemas e o motivo de seus medos, sofrimentos e defesas. Vale salientar
que não faz parte do papel do terapeuta aprovar ou não suas reações,
mantendo-se com o sentimento positivo sem qualquer julgamento ou receio.
Existem indícios de que, com um posicionamento positivo, as chances de haver
um progresso mais rápido aumentam.
5

Por fim, a compreensão empática, ou simplesmente empatia, é a


capacidade de se colocar no lugar do outro — no caso, o cliente — como se
fosse a si próprio, mas sem perder esse “se”, ou seja, compreender o outro
sem se esquecer de si mesmo, seu “Eu” e seu plano pessoal de referências.
Deve haver um respeito pela individualidade, personalidade e expressão
pessoal do Ego.
Além das três atitudes, embora haja diversos conceitos dentro da teoria
de Rogers, para melhor compreensão do caso que será apresentado
posteriormente, devemos dar maior ênfase aos que serão apontados em
seguida.
O Self, também conhecido como autoconceito ou autoimagem, trata-se
de uma estrutura ou imagem fluída que está constantemente formulando-se,
reformulando-se e reconhecendo-se. É construída através das relações com os
outros  principalmente com as pessoas-critério, que nada mais são do que as
pessoas da qual se busca uma aceitação, exercendo grande influência sobre
aqueles que as colocam nessa posição  em experiências concretas ou
introjetadas, vivências, sentimentos, valores e crenças dessas figuras. Para
que essas experiências sejam elementos para a formação da imagem de si
real, é necessário que haja no ambiente em que essa pessoa está inserida a
consideração positiva incondicional e a compreensão empática para que ela
seja capaz de vivenciar suas experiências como estas ocorrem
verdadeiramente, percebendo-as e expressando-as corretamente para que
haja a congruência, ou melhor, para que exista uma coerência entre
experiência, comunicação  com si e com os outros  e sua consciência
(GUIMARÃES, 2012).
Caso isso não ocorra, a pessoa em questão criará um Self ideal, ou seja,
uma imagem ideal de si mesma, aquilo que almeja ser, o que foi internalizado
como a maneira “correta” de ser, apropriando-se de experiências alheias para
construir tal imagem ao invés de utilizar das suas próprias. Na maioria das
vezes, essas experiências, valores, dentre outros, são demarcadas pelas
pessoas-critério. Nas palavras de Guimarães:

[...] Quando se introjeta um valor de uma pessoa-critério


acontece uma inversão de valores, pois o sujeito passa a julgar
como bom ou ruim aquilo que a pessoa-critério julga bom ou
6

ruim, deslocando, assim, o centro da auto-avaliação da


percepção interna e externa da pessoa-critério. Resultado
disso é a perda de contato com seus próprios processos
internos que impulsionam sua tendência ao desenvolvimento,
bloqueando o crescimento pessoal do sujeito (GUIMARÃES,
p.3, 2012).

Ademais, tendo em vista o que foi exposto até então, o presente projeto
tem como objetivo discutir à luz da Abordagem Centrada na Pessoa quatro
temas comuns no campo de conhecimento da Psicologia, sendo eles: o amor,
a depressão, a auto-estima e a psicose, e, então. fazer uma articulação e uma
discussão de um estudo de caso no qual tais temas se manifestam,
compreendendo de que forma a psicoterapia rogeriana transcorre e surte
efeitos sobre o cliente e suas relações e percepções.
7

2. SOB O OLHAR DA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA

Neste tópico, a partir de revisão bibliográfica, será realizado um breve


levantamento acerca dos temas: "amor", "depressão", "auto-estima" e
"psicose", sob o enfoque teórico da Abordagem Centrada na Pessoa.

2.1. O amor

A temática do amor dentro da Abordagem Centrada na Pessoa de


Rogers, esta intrinsecamente ligada à teoria da personalidade do sujeito,
relacionada às vivências sociais internalizadas pelo individuo, junto do seu
potencial de desenvolvimento à saúde e ao bem estar. Assim como discorre
Horney (2013), "é através da relação com o outro que o individuo pode
descobrir, encobrir, experiências ou encontrar seu self real de forma direta",
sendo somente "a partir desta relação que haverá a manifestação de nossa
personalidade", são "os relacionamentos que oferecerão as melhores
oportunidades de estar em um funcionamento autentico do sujeito".
Quando nos referimos a esse tipo de relacionamento amoroso, podemos
caracterizá-lo como uma interligação social em nível afetivo e sexual, baseado
em protagonismos de intimidade que conduzem à atração e ao
aprofundamento das relações. Para tanto, essa interligação amorosa "implica
no processo de investimento afetivo, geralmente recíprocos que facilitam o
aprofundamento da intimidade" (GUEDES, 2008, p.612). Tais experiências
amorosas terão orientações ao desenvolvimento do "sentimento de pertença,
interdependência, confiança mútua e contínuo desejo de proximidade"
(GUEDES, 2008, p.612); por cada uma dessas orientações podemos entender,
que será desenvolvido um tipo de relação funcional da junção afetiva de cada
sujeito pertencente à relação, um estado ao qual os membros deste
relacionamento estão ligados entre si por recíproca dependência, em virtude da
qual possuem as mesmas finalidades de auxílio mútuo ou coadjuvação
recíproca de lealdade e vontade de estarem presentes um para o outro por um
longo período de tempo.
Conforme Guedes (2008), o desenvolvimento deste tipo de relação não
é aleatório, mas está associado "a representações que os indivíduos organizam
no decorrer de sua vida afetiva" (p. 612). O autor ainda discorre sobre estas
8

serem decorrentes das relações primárias, parentais, durante a infância e parte


da adolescência, sendo estes pais que "apresentam dados sobre o mundo das
relações para a criança" (p.612); conduzindo a criança em um processo de
internalização das maneiras como eles reagem à sua demanda, na qual a
criança forma um modelo comportamental e representacional de como deve
agir e manter as relações e, também, satisfazer suas necessidades. A partir
das internalizações feitas pelas crianças com base na relação de seus pais,
estas são capazes de guiar "o comportamento dos indivíduos para a
manutenção da vida afetiva amorosa, além do bem estar individual" (p.212).
Assim, as relações primárias, além das implicações acima citadas,
também interferem na qualidade das vivências do sujeito ao longo de seu
desenvolvimento. Guedes enfatiza, ainda, que quando "as relações primárias
são vividas em um contexto seguro e de confiança no outro, tenderá o sujeito a
ter maior capacidade de gerenciar autenticamente e de forma congruente e
eficaz os próprios afetos, propiciando um desenvolvimento da empatia,
confiança em longo prazo da relação, além de aceitação e espontaneidade"
(2008, p. 613); todavia, quando são vivenciadas em um contexto inseguro,
essas relações amorosas românticas seriam demarcadas pela dificuldade em
contar com o parceiro, decorrentes de uma comunicação e interpretação falha
na relação com o outro, estes decorrentes da comparação feita com os pais,
desenvolvendo uma dificuldade de expressar seus desejos e gerenciar
situações de estresse, levando o sujeito a um vasto processo de
desorganização e incongruência.

2.2. A depressão

A depressão dentre seu histórico de existência conceitual sempre esteve


arraigada a uma desordem orgânica da vivência do ser humano, concebida
como doença e adquirindo estrutura cronificada pelos modelos classificatórios
do sujeito acometido por ela.
Dentro da Abordagem Centrada na Pessoa de Rogers, a psicopatologia
nunca foi um determinante de sua terapêutica, pois esta, sempre baseada no
individuo em si, não podia se afixar em rótulos e diagnósticos estigmatizadores
do sujeito:
9

O foco dos estudos de Rogers não é sobre as psicopatologias


que podem afetar o indivíduo, para ele o que realmente importa
é o indivíduo em si, não se prendendo a rótulos ou diagnósticos
que estigmatizam as pessoas. Nessa perspectiva, o ser
humano deve ser visto em sua totalidade, deve ser ouvido e
entendido como pessoa pelo terapeuta e não apenas
conhecido por esse ou aquele diagnóstico (BRAZ; MESQUITA;
TABOZA, 2016, p. 5).

Para tanto, dentro desta abordagem teórica, o termo ideal para designar
um processo claramente classificado pela psicopatologia em um diagnostico
diagnóstico de doença se pautará no conceito da incongruência, que tem por
significado "o desacordo interno experimentado pelo cliente entre a sua
experiência organísmica e a sua simbolização da consciência" (ADVÍNCULA,
1992 apud BRAZ; MESQUITA; TABOZA, 2016, p. 6).
Nessa perspectiva, a depressão seria uma experiência de sofrimento do
sujeito que vivencia essa incongruência na "imagem que o individuo indivíduo
faz de si ou sua própria percepção" (BRAZ; MESQUITA; TABOZA, 2016, p.6).
Pautado nos conteúdo expostos na temática do amor e sua relação primária,
Guedes afirma que a "depressão pode ser desencadeada pelas assimilações
negativas das representações que têm de si mesmo decorrente de um amor
incondicional ou ausência dele, acabando por minar a auto-estima do sujeito"
(2008, p. 613).

Segundo Andrew Solomon, a depressão é a retirada do amor,


"quando amamos algo ou alguém, certamente isso dará um
sentido à vida, é uma solidão que destrói a conexão com os
outros, mas que principalmente tira a paz de quem estar está
sentindo" (BRAZ; MESQUITA,e TABOZA, 2016, p.6).

Portanto, podemos correlacionar a depressão como um esvaecimento


das relações afetivas do sujeito, que desencadeiam um processo de extrema
incongruência de sua experiência vivida, com auto percepções negativas,
provenientes de um contexto extremamente inseguro.

2.3. A auto-estima

Ao retomarmos os conceitos já apresentados, nos torna claro que a


autoestima e seu desenvolvimento desde a infância desempenha papel
fundamental na teoria e psicoterapia da Abordagem Centrada na Pessoa.
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Sendo assim, quando falamos de autoestima, juntamente com outros conceitos


como autoimagem e a ideia de Self, devemos procurar a sua formulação em
nossas relações com o outro desde o nascimento, ou seja, em nosso
microssistema familiar e, consequentemente, nas relações parentais
(SCARTEZINI; ROCHA; PIRES, 2013).
Para Rogers, são em nossas vivências interpessoais que iremos
assimilar representações sobre nós mesmos e, nesse sentido, é através do
cuidado e do afeto recebidos dos pais que a criança irá desenvolver o conceito
chamado de “consideração positiva”, isto é, são os sentimentos de aceitação e
aprovação que a criança almeja. Logo, a autoestima será desenvolvida
conforme o bebê recebe a consideração positiva de sua família, a qual também
poderá ser negativa caso apenas alguns aspectos da criança sejam aceitos ou
valorizado:

A criança aprende a diferenciar ações e sentimentos que são


dignos (aprovados) ou indignos (reprovados), através da
avaliação dos pais como positivas ou negativas, sobre os
comportamentos da criança. As experiências “reprovadas” são
rejeitadas, mesmo que para o organismo sejam corretas. Isto
acaba levando a um autoconceito em desacordo com as
experiências organísmicas (SCARTEZINI; ROCHA; PIRES,
2013, p. 4).

Segundo Guedes (2008), quando as representações são negativas e


assim assimiladas pela criança, isso poderá gerar quadros depressivos e uma
autoestima enfraquecida e, consequentemente, formas de estar-no-mundo que
reproduzem e buscam compensar essa pouca ideia de si mesmo. Além disso,
a autoestima também pode ser fator que levará o indivíduo a buscar a
psicoterapia:

A diferença quanto à posição em que determinada


característica descritiva de si próprio e a posição em que a
coloca quando pensa no que é desejável para si, indica a
autoestima do indivíduo. Esta indica a forma como o indivíduo
se percebe em relação a determinado aspecto e a importância
que ele tem para si. Portanto, a diferença entre a “imagem de
si” (self real) e o “desejado” (self ideal), num grupo de
características do indivíduo, levará ao índice de autoestima, ou
poderá refletir a autoinsatisfação, motivando-o a procurar ajuda
(RAFAEL, 2002 apud SCARTEZINI; ROCHA; PIRES, 2013, p.
4).
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2.4. A psicose

Em primeiro lugar, torna-se imprescindível destacar que, ao falarmos de


psicose dentro da Abordagem Centrada na Pessoa, não estaremos
categorizando o que se chama de “psicose” enquanto uma patologia a ser
curada, ou seja, enquanto doença. Portanto, a perda da realidade — dentre
outras manifestações que estão relacionadas a quadros psicóticos — serão
aqui entendidas como um estado em que a pessoa possui dificuldades
relacionais com os outros e consigo mesma (MARCON, 2011).
Rogers, ao desenvolver a ACP, entende que o que deve ser priorizado
em uma psicoterapia não é o adoecimento, já que este é entendido como uma
manifestação da desorganização da personalidade, ou melhor, do
desenvolvimento de um estado de incongruência. Logo, a psicose em Rogers
também será entendida como desorganização psíquica, na qual a pessoa
apresenta comportamentos de instabilidade gerados pelos conflitos entre a
estrutura do eu e as experiências incorretamente simbolizadas nesta estrutura
(MARCON, 2011).
Dessarte, podemos sintetizar a psicose como um estado de
incongruência consequente de experiências não correspondentes com a
experiência vivida de fato, em que a pessoa não está em contato com a sua
tendência atualizante, mas sim se baseando em seu self ideal:

Rogers descreve a psicose em termos psicodinâmicos,


"comportamentos de psicose aguda frequentemente parecem
ser descritos como comportamentos os quais são consistentes
com aspectos negados de experiências ao invés de
consistentes com o eu" (ROGERS, 1959 apud MARCON, 2011,
p 36).

Em suma, Rogers (1977) faz uso do conceito “self ideal” para falar da
criação de uma noção ideal ou distorcida de si, que está diretamente ligada à
maneira na qual a pessoa vivencia a realidade. Deste modo, quando as
experiências vivenciadas são satisfatórias, pode-se dizer que o que é tomado
como critério é a própria pessoa, ou seja, seu self real — agindo de acordo
com o seu referencial interno e sua tendência atualizante. Porém, quando o
critério tomado é o outro e as experiências vividas são evitadas, podemos falar
que o que está em voga é o self ideal.
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Guedes (2008), ao estudar um caso de um cliente em surto psicótico —


jovem que apresentava quadros de perda da realidade —, retoma Reca (1979
apud GUEDES, 2008) para definir um estado psicótico enquanto dificuldades
nas funções integradoras do eu. Além disso, também cita Polliak (1985 apud
GUEDES, 2008) ao considerar que um quadro psicótico pode provir de “[...]
relações deficitárias com as pessoas-critério, provocando uma distorção da
imagem de si e do outro, no intercurso da relação de subjetividade”.
Ademais, o autor também traz que o estado psicótico pode estar
relacionado ao estresse:

Assim como o episódio depressivo, tal perturbação pode estar


ligada também a fatores de estresse, que podem configurar-se
como desencadeadores da crise psicótica. Pode ser entendida
como uma tentativa de auto-regular o estado disfuncional.
Inicia-se com um processo de formação de defesas para lidar
com o meio ambiente onde se encontra. Neste estudo,
segundo a história clínica do cliente, o fator ambiental
(separação) e afetivo são considerados como importantes
estressores desencadeadores do episódio depressivo e da
perturbação psicótica experienciados. (GUEDES, 2008, p.
614).

Em conclusão, consideramos que o processo terapêutico em ACP ao


lidar com a psicose irá buscar realizar uma intervenção que facilite o processo
de reintegração da personalidade, ou seja, possibilite que a pessoa entre em
contato com o seu self real e, sendo assim, com a sua tendência atualizante.
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3. UM ESTUDO DE CASO: APRESENTAÇÃO DO CASO E A


PRÁTICA CLÍNICA NA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA

O caso apresentado no artigo é sobre um rapaz de 22 anos que


compareceu à clínica por intermédio de sua a mãe, a qual o levou com a
queixa de que ele apresentava ataques psicóticos e depressivos, sendo alheio
à realidade e aos fatos cotidianos e que tudo teve início após o rompimento do
seu relacionamento amoroso.
O sujeito, aos 14 anos de idade, vivenciou a separação de seus pais, o
que levou a tomada de decisão de sua mãe de mudar-se para outro estado
para morar com a avó do sujeito, o que fez com que mantivesse contato com
seu pai somente através de correspondência.
Segundo relato da mãe, o sujeito era uma pessoa muito amigável e
sociável, gostava de praticar esportes e sempre teve vários relacionamentos
amorosos, formais e informais. Aos 24 anos, ele se envolveu em um
relacionamento formal com uma moça, tendo até mesmo a aprovação da
família. Com o tempo, seus amigos começaram a falar que ela o traía,
informação que ele se recusava a aceitar, ocasionando no rompimento das
amizades em questão. No entanto, a partir disso, o relacionamento amoroso do
sujeito começou a entrar em crise, uma vez que ele apresentava ciúmes
excessivo, questionando a falta de tempo da namorada para ele, o que o levou
a desenvolver um envolvimento amoroso com uma colega de trabalho, a qual
ouvia seus desabafos sobre a relação. Com a descoberta da traição, houve o
rompimento do namoro e o surgimento dos sintomas relatados na queixa.
Por conta de sua mudança de comportamento (fala desorientada ou
quietude excessiva e agressividade), o sujeito foi demitido de seu emprego, o
que fez com que permanece em casa, isolado e pensativo. O ápice da queixa
ocorreu no dia em que ele saiu de casa e não retornou, sendo encontrado após
vinte quatro horas, no centro da cidade, sujo, chorando constantemente, sem
saber onde estava e incapaz de reconhecer as pessoas próximas a ele.
Em sua primeira sessão, o sujeito foi acompanhado de sua mãe, sendo
ela a condutora da fala durante a sessão. O sujeito recusou-se a se sentar,
permanecendo a andar pelo consultório e emitindo um som de choro baixo.
Quando a mãe comentou sobre o seu ex-marido ou sobre o relacionamento
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amoroso do filho, o mesmo começou a chorar incessantemente, emitindo


gritos. Através do relato da mãe, notou-se que o sujeito dependia dela para se
manter no dia-a-dia, pois somente com a ajuda dela era capaz de se alimentar
e já não tinha mais controle sobre seu urinar. Além disso, a mãe relata que o
filho, muitas vezes, acordava nervoso, com sensação persecutória. Durante a
sessão, o psicólogo ofereceu papel e caneta ao sujeito, para que, caso
quisesse, pudesse escrever ou desenhar, o que foi efetivo, pois o sujeito,
apesar de não falar, se mostrou capaz de se comunicar graficamente. O cliente
recebeu um encaminhamento psiquiátrico e, ao término da sessão, recusou-se
a sair, tendo de ser convencido pela mãe.
No processo terapêutico, o psicólogo desenvolveu um envolvimento
existencial claro e genuíno, afetando-se profundamente com a relação
terapêutica, visando à melhora do estado do sujeito. Assim, já na primeira
sessão, relatou suspender pensamentos de interpretação das reações do
cliente frente aos relatos da mãe para poder estabelecer esse envolvimento
existencial com o que era narrado, desprendendo-se de si a partir da
identificação que tinha com a maneira maternal e perseverante da mãe do
sujeito, tendo ambos como uma representação de “exemplos de força e
atualização presentes no ser humano” (GUEDES; LEITNER; MACHADO, 2008,
p. 632). Apesar da insegurança em lidar com um caso de deterioração
psicológica massiva, o psicólogo relata ter como principais instrumentos da
relação terapêutica a “capacidade empática, de redução fenomenológica e o
laço espontâneo” (GUEDES; LEITNER; MACHADO, 2008, p.632-633), assim, o
interesse da análise não se encontrava no enquadramento nosológico dos
sintomas observados, mas sim na forma como o sujeito se encontrava no-
mundo e o que esses sintomas expressavam, na qualidade de presença no-
mundo, visando, através da atitude fenomenológica, compreender a realidade
do cliente da maneira como se expressa.
Na segunda sessão, a mãe do sujeito relata que ele emitiu fala e que foi
capaz de se alimentar e usar o toalete de forma autônoma. Considerando que
o sujeito fala apenas com a mãe, a mesma se classifica enquanto pessoa-
critério para ele. Nessa sessão, o sujeito interagiu com o psicólogo: pegava o
que lhe era oferecido e, quando solicitado para devolver, devolvia, além de
deixar na sala do atendimento suas produções escritas, dando ao profissional a
15

chance de estabelecer comunicação com o cliente, mesmo que atipicamente.


Apesar disso, ainda não fazia muito contato visual e se mostrava atento aos
barulhos externos, o que levou a conclusão, por parte do psicólogo, de que ele
parecia estar desconfiado de algo. Outra coisa que chamou atenção do
profissional foi o interesse do cliente por um revólver de brinquedo, o qual o
sujeito apontava para sua cabeça, mas não apertava o gatilho, como se algo o
impedisse de realizar a ação. A cada vez que essa ação era efetuada, o
psicólogo enfatizava o que estava sendo feito (apontar, mas não “atirar”). Tal
ação fez o profissional refletir sobre a dimensão do que é comportamento e o
que é simbólico ao sujeito. Também nessa sessão, a mãe relatou que o filho
tentou suicidar-se, pulando da janela, diversas vezes na noite passada.
Na terceira sessão, ocorreu a primeira fala do cliente. O mesmo se
encontrava impaciente e queria sair da sala, no entanto, quando o psicólogo
lhe orientou a fazer o que quisesse, ele optou por ficar na sala e mostrou os
poemas e fases que havia escrito. A fala se deu quando o cliente solicitou à
mãe que se retirasse da sala. A mãe estava aflita e nervosa, pois o filho havia
tentado suicídio novamente. Nessa sessão o psicólogo não conseguiu se
comunicar com o cliente em tempo, por estar muito agitado e impaciente e por
conta da tensão do clima produzida pela fala da mãe para o cliente, para que
se matasse logo. Logo que a mãe foi orientada, o cliente se recusou a ficar na
sala e saiu.
Já na quarta sessão, o cliente foi sozinho e, por si só, contou o que lhe
aconteceu: tanto os problemas de relacionamento amorosos quanto com os
pais, como se buscasse explicar o ocorrido. Foi observado pelo psicólogo que,
quando falava sobre essas relações, as ideias pareciam lhe fugir e ele tentava
recuperar o assunto conectando-o a outros, voltando ao ponto inicial. Em
relação a esses lapsos, o psicólogo analisa que podem ter ocorrido por conta
dos estados psicológicos de insegurança emocional internalizado, os quais
visam a evitar a retomada de memórias que revivam esse estado.

Teoricamente, podemos entender esse fenômeno como a ação


de mecanismos de exclusão de memórias ou representações
que são contrárias ou incongruentes aos dados que constituem
o campo fenomênico do sujeito. [...] o sujeito, no estado
psicótico, apresenta elementos mnêmicos fragmentados,
dificuldade no controle psíquico – que permitem regressões
16

psicoafetivas e o resgate de conteúdos não conscientes


bloqueados, acreditamos que essas lacunas seriam
decorrentes do seu esforço psíquico de reorganização do seu
campo fenomênico. (GUEDES; LEITNER; MACHADO, 2008,
p.633; RECA, 1979, PAIM, 1993 apud GUEDES; LEITNER;
MACHADO, 2008, p.634).

A partir dessa sessão, o psicólogo deu início ao processo de avalição


para ver a demanda psicoterápica, considerando a queixa inicial e o relato em
relação à baixa auto-estima e sentimento de depressão. Para essa primeira
avalição, foi decidido trabalhar com o Inventário Beck de Depressão (IBD), o
Questionário de Triagem de Depressão (QTD) e o Inventário de Auto-estima
(SEI). Nessa sessão, o cliente foi esclarecido acerca do processo
psicoterápico, informado de que este visava a facilitar mudanças. O objetivo da
psicoterapia era de possibilitar uma maior autonomia do potencial de escolha e
projetos existenciais do sujeito por meio da facilitação de uma maior auto-
compreensão e auto-aceitação psicológica.
Uma semana antes da quinta sessão, o cliente começou a fazer uso de
medicamentos. Da quinta à quadragésima quarta sessão, o sujeito estava bem
comunicativo, sentindo-se à vontade e continuou a ir sozinho a todas as
sessões. Seu relato retorna a ser sobre sua família e as brigas conjugais dos
pais. O psicólogo nota que há percepção do próprio sujeito quanto à mágoa
que ele carrega sobre esse assunto, além do sentimento de culpa em sua fala.
Em sua análise, cita que a dinâmica de relacionamento com o pai se dava pela
ambivalência da inspiração de raiva e desejo de estar com o pai, tendo em
vista a situação dolorosa emergida pela ausência da figura paterna. Já a
relação afetiva com a mãe se dá por meio de uma postura instrumental (a qual
ela assumia como provedora), e não por um envolvimento emocional íntimo e
de participação mútua. Assim:

[...] essa forma de representar a relação de apegocom os pais


pode favorecer a internalização da ideia de que se deve
desenvolver uma autonomia precoce e não expor sentimentos
ou comportamentos com a finalidade de não gerar
preocupação adicional aos pais (GUEDES; LEITNER;
MACHADO, 2008, p.635).

Nessa sessão, o cliente também contou sobre seus reencontros com


sua ex-namorada, afirmando estar confuso com a possibilidade de
reassumirem o relacionamento formalmente e que notava o retorno das
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paranoias. Sobre os relacionamentos amorosos, a análise se dá com base na


repetição de evitar o sentimento de angústia relacionado a perda, o qual
ocorreu com a separação dos pais. Dessa maneira, o profissional relata:

A dúvida da fidelidade, abusca de suporte emocional que se


desdobra em envolvimento amoroso, a resistência em vivenciar
um envolvimento “sério” (sic), separações e o próprio
desencadeamento do distúrbio psicótico podem ser
caracterizados como possíveis sinais que apontam para a ideia
de uma repetição do risco de perda da fonte afetiva-emocional,
e uma possível reexperienciação da angústia da perda (como
vivenciado em relação aos pais) (GUEDES; LEITNER;
MACHADO, 2008, p.635).

Quanto aos sentimento de culpa, notou-se que o cliente dependia dos


outros, de suas avaliações, para se apresentar, o que foi pontuado pelo
psicólogo durante a sessão e levou a tomada de consciência e aprofundamento
do cliente nessa percepção que lhe desestabilizava.
Na quadragésima quarta sessão, foi feita uma nova avaliação através do
IBD, o QTD e o SEI e na sessão seguinte foi feito uma análise conjunta (cliente
/psicólogo) do que foi observado nos resultados, através de gráficos. Isso fez o
sujeito se sentir motivado e querer saber qual resultado teria na próxima
avaliação.
Dentre as sessões quadragésima sétima a oitava sexta, o sujeito teve
contato com as grafias produzidas quando estava em crise, nesse momento ele
pode entrar em contato com sua vivência psicótica. Não se lembrava do motivo
dos desenhos, mas foi observado que ele queria entrar em contato e falar
como se sentiu. Durante a sessão, foi abordado o tema da insegurança e
impotência do cliente, tema esse que emergiu com base no sentimento do
psicólogo de que a dependência do cliente era uma tentativa de alcançar
segurança no-mundo. Após isso, surge no relato o assunto da relação materna,
sobre a qual é enfatizado seu desamparo e o desafeto por parte da mãe, além
da visão que tinha de que sua mãe era frágil e indefesa, o que o impedia de
contar com ela. Sobre essa visão, que era contrária a do psicólogo, foi-lhe
apontado sobre como a mãe o amparou durante sua crise. Após isso, o cliente
se calou e, depois de um tempo, disse que acreditava que a mãe necessitava
de um marido para protegê-la. Notou-se que a colocação do psicólogo o
desestabilizou emocionalmente, por meio da dissonância cognitiva gerada,
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uma vez que há um paradoxo de percepções idealizadora (a mãe precisa dele


ou do pai) e a de que ela possui uma vida independente da dele. Sobre isso, a
análise revelou que:

[...] o campo fenomênico de Leonardo parece conter a


representação da necessidade de poupar a mãe de seus
problemas (o que pode justificar o fato dele idealizá-la como
pessoa frágil e indefesa) e apresentar uma rigidez psicológica
sobre essa idealização(GUEDES; LEITNER; MACHADO, 2008,
p.635).

Em algumas sessões seguintes o cliente faltou e, quando voltou, foi feita


a terceira avalição através de IBD, QTD e SEI.
Entre as sessões 87 a 127, foi realizada a quarta avaliação. O sujeito
estava bem fisicamente, mas se encontrava agitado. Ele relatou sua vida
naquele momento: estava tendo boas relações familiares, com amigos e até
possibilidade de emprego. No entanto, o que estava o deixando inquieto era
seu relacionamento com a ex-namorada, pois tinha medo de fracassar. Mesmo
com as inúmeras incertezas mostrava um potencial para enfrentas suas
dificuldades, dando-se conta de que a insegurança sustentava seu pessimismo
e de que seu comprometimento sobre suas escolhas determinariam o rumo de
sua existência.

Essa nova compreensão parece dar outra dimensão ao sentido


rígido de “fatalidades” a que se apegava. Compreende, então,
que é necessária uma parcela de ação pessoal para promover
as mudanças desejadas (GUEDES; LEITNER; MACHADO,
2008, p.637).

As sessões 128 a 168, foram focadas nas consultas com o psiquiatra e


um possível surto psicótico, nessas sessões o psicólogo observou um discurso
saudosista e que o cliente estava mais experiente, principalmente sobre seu
sofrimento. Por conta disso, ele queria um tempo da terapia para volta de sua
autonomia e ter mais experiência no mundo, depois do seu surto, além de sair
do ciclo que as sessões estavam, que impedia uma tomada de posição. Tal
sentimento de necessidade de um rompimento também foi sentido pelo
psicólogo, que vê esse momento como uma oportunidade de fechamento da
gestalten através do lançar-se no mundo. Assim, o ocorrido foi uma parada
terapêutica.
19

Após dois meses o cliente voltou à terapia, pois tinha medo de perder o
controle. Foi, então, definido que ele não precisava de um acompanhamento
frequente como antes, mas sim que o terapeuta apoiasse e que o ajudasse a
lidar com dúvidas sobre seus sentimento e sobre sua vida. Desta forma, foi
feita outra avaliação seguindo as variáveis de IBD, QTD e SEI. Os resultados
dessa avaliação revelaram uma queda nos escores relacionados à auto-estima,
o que pode estar relacionado ao rompimento do elo psicoterápico, uma vez que
“possivelmente, a insegurança ante a concepção de que iria encontrar um
mundo 'cruel' (sic) tenha desestabilizado sua percepção de que possuía
potencialidades capazes de enfrentar esse mundo” (GUEDES; LEITNER;
MACHADO, 2008, p. 636).
Da 167ª a 200ª sessão, o cliente continuou tomando seus remédios e
indo ao psiquiatra. Nessas sessões, prosseguiu trazendo relatos de seus
relacionamentos, compreendendo como eles funcionam e que não há
necessidade de se espelhar em seus pais. Nesse sentindo, ressignificou a ideia
de amor, deixando de concebê-lo como eterno, único e imutável para a visão
de que a vivência de uma relação amorosa exigia estável dele um
conhecimento autêntico de si e um lançamento no mundo nessa condição.
Sobre seus surtos, apesar de temer se encontrar nessa condição, entendeu
que eles podem voltar a ocorrer e que podem ser lidos como uma maneira de
se abster das crueldades mundanas, afirmando, também, saber que o
psicólogo estaria lá para ajudá-lo. Com essa consideração, o terapeuta
compreendeu que o cliente aceitou a si mesmo, vendo seus surtos como
formas de estar-no-mundo. Assim, o cliente solicita a interrupção da terapia, o
que foi lido pelo psicólogo como um desejo de caminhar por si próprio. Foi
realizada uma avaliação do processo e, após oito meses, o cliente retorna à
clinica para a verificação da depressão e auto-estima (sexta avaliação),
fazendo-o novamente seis meses depois (sétima avaliação).
No que se refere ao uso dos instrumentos psicrométricos, houve uma
grande efetividade para esse caso, uma vez que a visualização dos gráficos
com o progresso do cliente impactou fortemente no processo terapêutico,
mesmo com o esclarecimento de que se tratava apenas de dados
circunstanciais e não verdades absolutas.
Ao término da na análise, foi constatado que:
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[...] a medida em que [...] entrava em contato com seus sinais,


compreendendo e os integrando à sua forma de estar-no-
mundo, ele dá saltos qualitativos na percepção de si e dos
outros. Aprende a discriminar os sinais corporais que indicam
possibilidade de crise, identifica que se apoia nas expectativas
externas na tentativa de legitimar uma aceitação que, mais
tarde, compreende como condicional (GUEDES; LEITNER;
MACHADO, 2008, p.637).
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4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
22

REFERÊNCIAS

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