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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

Delegação Regional do Norte


Centro de Formação Profissional do Porto

Curso Profissional de Acompanhante de

Crianças

Módulo A14: Planificação e programação de actividades do


quotidiano da criança
Inicio do Módulo: 23-11-2010

Fim do Módulo: 18-01-2011

Carga Horária: 50 horas

Local da Acção: Penafiel

FORMADOR (A): Carla Cunha

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

Plano de Actividades (PA)

Elaboração de um Plano de Actividade (PA)


Plano: conjunto de programas. O programa operacionaliza um plano mediante a
realização de acções orientadas para alcançar as metas e os objectivos propostos
num determinado período.

Planear – É usar procedimentos para introduzir uma organização e


racionalização a acção com vista a alcançar determinadas metas e objectivos.

Sempre que se inicia um empreendimento mais ou menos complexo, tendo em


vista alcançar determinadas metas, torna-se importante fazer uma previsão da
acção a ser realizada. Esta previsão servirá como linha orientadora da acção.
No que se refere ao domínio da educação, esta necessidade torna-se cada vez
mais importante. Planificam-se os conteúdos a abordar ao longo de um ano lectivo,
planificam-se as unidades temáticas, planificam-se as actividades, planificam-se as
visitas de estudo, planificam-se as idas à praia, planificam-se as actividades de
jardinagem, planificam-se os jogos, planificam-se . . .
Devido à natureza e acção a que se refere, cada planificação tem um
momento próprio para ser realizada. Ao iniciar um ano lectivo, é importante que a
educadora tenha uma perspectiva abrangente sobre o processo ensino-
aprendizagem a desenvolver ao longo do ano, tanto no que diz respeito
especificamente ao seu grupo, assim como a todos os grupos da instituição
(projecto educativo) perspectivando como um todo na acção educativa. Para isso,
antes do início do ano lectivo a primeira preocupação da educadora deve consistir
em delimitar globalmente a acção a ser empreendida ao longo de todo o ano
escolar, isto é, em elaborar a planificação a longo prazo.
Antes do inicio do ano lectivo e durante o seu desenrolar, é necessário elaborar
planos a médio prazo correspondentes a cada unidade de aprendizagem
consideradas no plano a longo prazo.

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Durante o ano lectivo e focalizando a acção que se desenrola no contexto do


grupo, é necessário elaborar planos a curto prazo de pequena amplitude
correspondentes às acções que no dia-a-dia vão concretizar os diferentes
conteúdos dos planos a médio prazo.
É necessário salientar que o facto de se elaborar um plano é tão importante
quanto é importante ser-se capaz de o pôr de lado. Uma actividade deve
"acontecer", ser viva e dinâmica, onde a trama complexa de inter-relacções
humanas, a diversidade de interesses e características dos alunos não pretende ser
um decalque do que está no papel. Mas isto não significa de modo algum que se
perca o fio condutor que existe numa planificação. Significa é que ele não pode ser
rígido, mas sim flexível ao ponto de permitir ao professor inserir novos elementos,
mudar de rumo, se o exigirem as necessidades e/ou interesses do momento
Quando pretendemos realizar actividades com crianças sejam elas de
estimulação cognitiva ou física estas têm sempre, ou deveriam ter, um objectivo,
por conseguinte, essas actividades e esses objectivos têm de ser pensados,
trabalhados ou planeados atempadamente. Uma forma de preparar as actividades
de uma forma utilitária passa pela elaboração de um plano de actividades. Este
plano poderá ser diário, semanal, mensal ou anual e deverá conter os dados mais
importantes – a data, o tipo de actividade, o local, os objectivos, os recursos –
humanos, materiais, financeiros, a responsabilidade de cada interveniente e por
fim a avaliação da sua aplicabilidade. O plano anual é o plano que está mais sujeito
a alterações por diversos factores, nomeadamente imprevistos temporais,
institucionais e mesmo pessoais. No entanto é importante que haja um plano anual
ainda que se saiba que poderá sofrer constantes alterações, pois só este permitirá
uma estruturação do trabalho que se pretende realizar com o público-alvo, neste
caso as crianças. O plano semana só deverá ser um complemento do plano anual e
não como a única planificação.

PLANIFICAR PARA QUEM?

1. Para a criança porque:

- Sabe o que está a fazer, porquê e para quê?;

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- Adquire hábitos de organização (apercebe-se da organização do trabalho


do professor);
- Intervém activamente na realização do trabalho, reflecte, discute, propõe
soluções, reformula com o professor o trabalho programado
- Tem consciência do seu próprio progresso
- Auto avalia-se comparando o que realiza e o que estava programado
realizar.

2. Para a educadora/profissional:

- Organiza o trabalho verdadeiramente em função das actividades que


pretende desenvolver com o seu grupo;
- Reflecte sobre os conteúdos e métodos de trabalho e materiais mais
adequados à aprendizagem;
- Controla e faz ajustamentos permanentes de acordo com as necessidades e
interesses dos alunos;
- Distribui o tempo lectivo de acordo com as metas de aprendizagem que
pretende atingir;
- Participa activamente na gestão democrática da escola.

3. Para a escola porque:

- Torna possível um trabalho consciente de todos os docentes;


- Permite uma distribuição mais eficaz do tempo, do espaço e das tarefas;
- Permite coordenação interdisciplinar;
- Torna as reuniões em momentos de coordenação útil de trabalho e não em
perda de tempo;
- Torna possível uma gestão democrática porque todos participam, porque
conhecem os problemas existentes e empenham-se na sua resolução.

4. Para os pais:

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- Dá-lhes a possibilidade de saber o que os seus filhos aprendem, porquê e


para quê;
- Podem acompanhar o trabalho dos filhos;
- Apercebem-se do empenhamento dos professores em realizar um trabalho
de qualidade;
- Participam com mais consciência nas actividades que a escola organiza
para os encarregados de educação;
- Empenham-se em contribuir para melhorar a relação família/escola.

Elementos da planificação

Um Plano poderá ser um instrumento muito útil quer no domínio da


organização do tempo quer na definição dos objectivos das actividades. Deve
conter uma série de elementos de fácil interpretação para quem lê e para quem o
utiliza. Um plano poderá ser anual, semestral, trimestral, mensal, semanal e diário.

Elaboração de um plano de actividades

Objectivos: Para Quê…?


Quando planeamos executar qualquer tarefa ou actividade, ainda que
inconscientemente, temos sempre um objectivo, como tal, não seria adequado
construirmos um plano sem termos em conta este dado.
Os objectivos podem ser divididos em gerais – mais abrangentes e pouco
prático e específicos – mais direccionados para a acção e práticos. Isto é, os
objectivos gerais descrevem grandes orientações para as acções (…), descrevendo
as grandes linhas de trabalho a seguir, os objectivos específicos exprimem os
resultados que se espera atingir e que detalham os objectivos gerais, funcionando
como a sua operacionalização, estes distinguem-se dos gerais pois não indicam
uma direcção a seguir, mas as etapas a alcançar.
O objectivo deve ser o mais específico possível de modo a que qualquer
pessoa perceba o que se pretende. Os objectivos gerais devem ser acompanhados
pelos objectivos específicos. O objectivo é uma intenção em relação à modificação

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que se pretende que a pessoa tenha, é a descrição de um conjunto de


comportamentos que a pessoa deverá manifestar depois da actividade.
Os Objectivos devem ser definidos em função do/s destinatário/s e não do
Educador .

Local: Onde…?
Este dado é importante e terá de ser definido com alguma antecipação, pois
nem sempre o espaço está disponível ou adaptado Se por outro lado for um espaço
público a visitar, como por exemplo um museu ou outra instituição essa
necessidade será, ainda mais, evidente.

Metodologia: Como…?
De que forma irá ser realizada. Que métodos vão ser usados para a realização
ou planificação da actividades/das actividades.

Actividades e Tarefas: o que se pretende desenvolver.


Neste dado deverá constar o nome da actividade, e uma breve descrição da
mesma, pois por vezes o nome da actividade nem sempre é suficiente para a
descrição da mesma. Exemplo: Comemoração do dia da Mãe – realização de um
ramo de flores com papelão e de um postal para juntar ao ramo.
Calendarização
Este dado é imprescindível na construção do plano, ele deverá indicar o mês
ou o dia em que irá ser realizada a actividade. Exemplo: 5 de Março – terça-feira
de tarde e a duração de cada actividade.

Recursos
Outro dado imprescindível na construção de um plano e na execução do
mesmo são os recursos. Estes podem dividir-se em:
 Recursos humanos – referem-se às pessoas intervenientes quer na
elaboração do plano, quer na execução do mesmo. Podem desempenhar tarefas
muito distintas, tendo todas um papel imprescindível.

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Recursos materiais (logísticos) – são todos os materiais necessários para a


execução das actividades: equipamentos, infra-estrutura físicas, instrumentos,
obejctos, etc...
 Recursos financeiros – serão as verbas disponíveis para a execução das
actividades planeadas.
Os recursos têm de ser suficientes para todos os participantes, e
atempadamente requisitados e adquiridos. (Se for um passeio ao exterior, é
necessário requisitar um autocarro e motorista). Muito importante também, é
saber qual a disponibilidade da instituição, relativamente a este assunto.
Para actividades de maior envergadura, algumas perguntas se impõem:
- Existem recursos necessários?
- É preciso recorrer a parceiros externos?
- Quais os recursos disponíveis na comunidade, próxima e alargada?
- Quais os recursos disponibilizados pelos parceiros, formais e informais?

Avaliação
A avaliação é uma componente do processo de planeamento. Todos os
projectos contêm necessariamente um “plano de avaliação” que é acompanhado de
mecanismos de auto controle que permitem, de forma rigorosa, ir conhecendo os
resultados e os efeitos de intervenção e corrigir as trajectórias caso sejam
desejáveis. A avaliação é algo de extrema importância para a compreensão do
sucesso ou insucesso das actividades planeadas.

Critérios de avaliação:

Eficácia – perceber em que medida os objectivos foram atingidos e as acções/


actividades foram realizadas;
Eficiência – relacionada com a avaliação do rendimento técnico da acção,
resultados obtidos relativamente aos recursos utilizados;
Adequabilidade – avalia em que medida a acção/actividade foi adequada face ao
contexto e à situação na qual se pretendia intervir;
Equidade – destina-se a avaliar em que medida existiu igualdade de oportunidades
de participação de todos os intervenientes na acção/ actividade;

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Impacto – utilizado numa perspectiva de médio ou longo prazo, destina-se a avaliar


em que medida a acção/actividade contribuiu para a melhoria da situação, numa
perspectiva de mudança.

A responsabilidade

É importante uma definição do papel de cada elemento interveniente no


plano, desta forma será indispensável atribuir a cada elemento a sua
responsabilidade nas actividades a desenvolver.

Planificação
É usar procedimentos para introduzir a organização e racionalidade à acção,
com vista a alcançar determinadas metas e objectivos. A execução das diferentes
técnicas devem ser aproveitadas para trabalhar alguns temas básicos:

 Trabalhar os hábitos de higiene e limpeza;


 Utilizar diferentes materiais e técnicas;
 Estimular a actividade cognitiva através da observação directa, manipulação
e experimentação;
 Reforçar a autonomia;
 Motivar, explicar o que vão fazer e porquê;
 Criar um ambiente sereno, descontraído e aberto às experiências;
 Despertar a curiosidade e a vontade;
 Dar importância aos interesses, motivações dos participantes.
 (…)
PLANIFICAR A LONGO PRAZO
Para realizar uma planificação a longo prazo deve-se:
- Reunir documentos, tais como, programas, planificações de anos
anteriores e livros
- Marcar as férias, feriados e momentos de reuniões intercalares
- Calcular o número de aulas disponíveis ao longo do ano

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- Analisar as características gerais da população escolar


- Organizar e ordenar os conteúdos em blocos – unidades de ensino – de
modo a que cada bloco constitua um todo coerente de aprendizagem a
realizar, definindo os objectivos gerais que deverão ser alcançados
- Escolher as estratégias adequadas e as mais variadas possíveis
- Distribuir, aproximadamente, o tempo disponível pelas diversas unidades
temáticas

PLANIFICAR A MÉDIO PRAZO


As linhas orientadoras na elaboração destes planos são em tudo
semelhantes às definidas para os planos a longo prazo. Consiste em
planificar uma unidade de ensino, percorrendo as seguintes etapas:
- Identificação e ordenação dos conteúdos
- Definição dos objectivos correspondentes aos conteúdos
- Identificação dos conteúdos pré-requisitos necessários à aprendizagem
a desenvolver e dos novos conceitos
- Definição das estratégias a implementar mais adequadas à situação
pedagógica e aos objectivos a atingir
- Identificação dos materiais e dos recursos físicos e humanos existentes
- Definição dos modos (técnicas) de avaliação
- Distribuição das actividades pelos diferentes conteúdos

Após a planificação estar completa começa-se a elaborar os eventuais


materiais necessários, tais como os objectivos, lista de materiais, actividades
variadas, cartazes de registo, …

PLANIFICAR A CURTO PRAZO


Consiste na planificação de cada “aula/dia”, onde se definem todos os
pormenores essenciais à realização das actividades tais como:
- novos conceitos a serem leccionados, conceitos pré-requeridos,
encadeamento adequado
- estratégias

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- introdução mais apropriada (exemplos do quotidiano, jogo, paralelismo


com outros conteúdos, trabalho de grupo, sugestão de actividades)
- tipo de actividades, grau crescente de dificuldade
- materiais necessários à aula
- linguagem específica a utilizar, observações pertinentes, momentos de
questionação/avaliação
- gestão do tempo por actividade

É fundamental que o professor tenha sempre presente uma visão de conjunto


e da inter-relação dos elementos constituintes do programa, de modo que cada
situação de ensino–aprendizagem constitua uma peça de um todo. Os planos a
longo prazo constituem o suporte organizador dos planos a médio prazo. E estes
constituem o suporte dos programas a curto prazo.

Para a qualidade é fundamental que este reúna os seguintes parâmetros:

 - Coerência
 - Flexibilidade
 - Continuidade
 - Adequação
 - Precisão
 - Riqueza

A. CONTEÚDOS DE UM PLANO

Na planificação de unidades de ensino certas necessidades impõem-se de


imediato à selecção de conteúdos e à selecção e definição de objectivos. Na
selecção dos conteúdos é fundamental tomar em consideração algumas regras
básicas:
- Não eliminar temas fundamentais para a coordenação vertical
- Considerar como primordiais os temas importantes para a compreensão
do conjunto

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- Distribuir os conteúdos em função do tempo disponível e


proporcionalmente à sua importância
- Procurar o equilíbrio entre a transmissão de saberes e o desenvolvimento
de capacidades.

B. OBJECTIVOS DE UM PLANO

Na escolha dos objectivos colocam-se algumas questões:


- Que aprendizagem devemos propor?
- Que conhecimentos, aptidões e atitudes se deseja que os alunos adquiram
e desenvolvam?

As fontes utilizadas pelos educadores, na selecção e definição dos objectivos


resultam fundamentalmente da análise:
- da sociedade que o programa pretende servir
- do educando a que se dirige
- do universo da cultura disponível, organizada e programas disciplinares

Da primeira análise resultam os objectivos referentes a atitudes, aptidões e


conhecimentos requeridos para a vida do indivíduo em sociedade e para o
desempenho de funções necessárias ao progresso da comunidade.
A segunda análise permite identificar os objectivos necessários ao
desenvolvimento pessoal dos alunos, bem como aqueles conhecimentos ou
aptidões que ainda não possuem mas necessitam desde que correspondam ao seu
desenvolvimento.
Da terceira análise resultam objectivos relacionados com a aquisição e
compreensão de conteúdos científicos ou tecnológicos. Perante esta multiplicidade
de opções que se colocam na selecção dos objectivos, será necessário encontrar um
equilíbrio entre objectivos referentes aquisição de conteúdos culturais e científicos
e os respeitantes a aptidões sociais. No entanto na procura do equilíbrio de todas

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as perspectivas, nunca o educador deve perder de vista os interesses do educando


– destinatário por excelência de todo o processo educativo.

CLASSIFICAÇÃO DOS OBJECTIVOS

1. Objectivos gerais, metas ou finalidades educativas são objectivos


extremamente genéricos, que podem ser interpretados e concretizados
de muitas e variadas maneiras.
2. Objectivos específicos representam aprendizagens mais simples,
susceptíveis de serem adquiridos a curto prazo e cujo enunciado é claro
não dando lugar a ambiguidade de interpretação.

Um objectivo específico pode ser enunciado em termos comportamentais,


isto é, indica um comportamento observável que o aluno deve atingir.
A seguinte sequência pode exemplificar estes dois tipos de objectivos:
- Conhece sólidos geométricos;
- Indica qual é o quadrado vermelho.

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EXEMPLO: Plano anual de actividades – Jardim de Infância

ACTIVIDADES OBJECTIVOS INTERVENIENTES DINAMIZADORES CALENDÁRIO

Apresentação aos encarregados de educação: da docente, da Encarregados de Educação, Educadores de Educadores dos 5 ou 6 de Setembro
auxiliar de educação, dos diferentes espaços do jardim de Infância e Auxiliares de Acção Educativa dos diferentes Jardins de
Reunião de Pais e Encarregados infância, dos horários e pausas lectivas do jardim, do diferentes Jardins. Infância.
de Educação funcionamento e tabela de preços do apoio à família e por fim,
dos objectivos a desenvolver no jardim de infância.

Início do ano lectivo Promover a integração dos alunos na comunidade escolar, no Encarregados de Educação, Educadores, Educadores e Auxiliares 11 de Setembro
espaço físico e no espaço social. Auxiliares e crianças. de Educação.

Dia Mundial da Água História da menina gotinha de água. Educadores, Auxiliares e grupos de crianças. Educadores de Infância 1 Outubro
Consciencializar os alunos para a importância da água.
Hábitos de higiene.

Desfolhada Tradicional Preservar o património cultural. Educadores, Auxiliares, grupos de crianças e Educadores e Auxiliares. Outubro (data
A realizar na comunidade local. (*) Promover a Socialização. comunidade local. sujeita a marcação)
Contribuir para o alargamento de saberes globais.

Dia Mundial da Alimentação Promover uma alimentação racional. Educadores, Auxiliares, grupos de crianças, Educadores de Infância e 16 Outubro
(semana da alimentação) – A roda dos alimentos Encarregados de Educação Auxiliares de Educação.
fabrico de pão, confecção de um Sensibilização para regras de higiene alimentar.
doce com frutos da época.

Visita ao Castanheiro Conhecer a árvore. Educadores, Auxiliares, grupos de crianças. Educadores de Infância ? Outubro (data
Apanha de castanhas Como nascem as castanhas. sujeita a marcação)
Sensibilização para as regras de andar no exterior em grupo.
Promover a amizade e a convivência entre o grupo

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Magusto (*) Manter as tradições populares: História de S. Martinho, Educadores, Auxiliares, grupos de crianças. Educadores e Auxiliares 11 Novembro
canções, lenga-lengas Levantamento e registo. Jogos de Educação.
tradicionais. Adquirir vocabulário relacionado.
Promover valores e relações humanas: amizade, partilha,
solidariedade.

Festival de pequenos artistas Desenvolver as capacidades preceptivas, coordenativas, físicas, Educadores, Auxiliares, grupos de crianças Animadoras do Centro de 12/11
"Corpo Mágico" intelectuais, da sociabilidade e afectividade. do Jardim-de-infância de Aldeia Nova, Recursos 19/11
Animadoras 26/11

Comemoração do Natal Conhecer os costumes e tradições da época natalícia. Educadores, Auxiliares, grupos de crianças, Educadores, Auxiliares Dezembro
Visita do Pai Natal Histórias, canções e lenga lengas alusivas á época - Encarregados de Educação e Animadores da de Educação e Festa de Natal-
Festa de Natal (*) Levantamento e registo. Câmara. Animadores da Câmara. 18/12
Promover o convívio e a confraternização. Visita do Pai Natal
Promover a criatividade em data a
combinar.

Festival de pequenos artistas Desenvolver as capacidades preceptivas, coordenativas, físicas, Educadores, Auxiliares, grupos de crianças Animadoras do Centro de 7/Janeiro
"Corpo Mágico" intelectuais, da sociabilidade e afectividade. do Jardim de Infância de Aldeia Nova , Recursos 14/ Janeiro
Animadoras 21/Fevereiro

Festa das Fogaças Promover valores tradicionais da região. Educadores, Auxiliares, grupos de crianças, Educadores e Auxiliares 17 de Janeiro
Confecção de fogaças Promover o convívio e a confraternização Encarregados de Educação de Educação.
Contribuir para o alargamento de saberes globais

Festival de pequenos artistas Desenvolver as capacidades preceptivas, coordenativas, físicas, Educadores, Auxiliares, grupos de crianças Animadoras do Centro de 19/2
"Corpo Mágico". intelectuais, da sociabilidade e afectividade. do Jardim de Infância de Igreja Recursos 26/2
nº1,Animadoras do Centro de recursos 19/3

Dia do Livro Promover o gosto e respeito pelos livros. Educadores, Auxiliares, grupos de crianças. Educadores de Infância. 15 de Março
Construção de histórias tradicionais ou inventadas, em livros.

Dia do Pai Fomentar e fortalecer laços familiares. Educadores, Auxiliares, grupos de crianças e Educadores de Infância. 19 de Março
Valorizar a figura paterna. Promover a interacção pais.
escola/família; Visita do Pai à escola.

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Dia Mundial da Árvore Sensibilizar a criança para a importância da árvore na Educadores, Auxiliares, grupos de crianças. Educadores de Infância. 21 Março
Natureza; Motivar a criança para a preservação e protecção da
Natureza.

Festival de pequenos artistas Desenvolver as capacidades preceptivas, coordenativas, físicas, Educadores, Auxiliares, grupos de crianças Animadoras do Centro de 2/4
"Corpo Mágico" intelectuais, da sociabilidade e afectividade. do Jardim de Infância de Igreja Recursos
nº1,Animadoras do Centro de recursos 9/4

Festa da Páscoa: Reviver as tradições da Páscoa. Educadores, Auxiliares de Educação, Pais e Educadores de Infância 11 de Abril
História do coelhinho da Páscoa. Proporcionar à criança momentos de alegria e diversão. grupos de crianças
Lanche convívio (*) Promover a socialização.
Desenvolver capacidades de expressão oral: canções, quadras,
rimas etc. relativas à ocasião.

Dia da Mãe Fomentar e fortalecer laços familiares; Valorizar a figura Educadores, Auxiliares de Educação, Pais e Educadores de Infância e 2 Maio
materna; Promover a interacção escola/família: visita da mãe à grupos de crianças Auxiliares de Educação
escola.

Passeio à Quinta Pedagógica de Proporcionar novas situações de aprendizagem. Educadores, Auxiliares de Educação, e Educadores de Infância Maio (data a
Aveiro - Projecto da Câmara de Stª Aquisição de novos conhecimentos grupos de crianças, Câmara de Stª Mª da combinar).
Mª da Feira Promover o convívio e a confraternização entre Jardins. Feira

Dia Mundial da Criança Sensibilizar a comunidade escolar para a importância dos Educadores, Auxiliares de Educação, e Educadores de Infância 1 de Junho
( actividade a desenvolver em direitos da criança grupos de crianças, Câmara de Stª Mª da Câmara e/ou
parceria com a Câmara e/ou Promover o convívio entre crianças de outras escolas Feira e/ou Agrupamento da Corga Agrupamento da Corga.
Agrupamento da Corga) (*) Proporcionar momentos de alegria e diversão

Dia Mundial do Ambiente Sensibilizar a comunidade escolar para a defesa e conservação Educadores, Auxiliares de Educação, e Educadores de Infância e 5 de Junho
(actividade a desenvolver em do ambiente grupos de crianças, Câmara de Stª Mª da Câmara
parceria com a Câmara) (*) Feira

Passeio de Final de Ano Promover o convívio entre crianças de outras escolas Educadores, Auxiliares de Educação, e Educadores de Infância Junho (em data a
BRACALÂNDIA Proporcionar momentos de alegria e diversão grupos de crianças combinar)

Feira Medieval (*) Vivênciar épocas ancestrais (costumes hábitos, trajes etc.) Educadores, Auxiliares de Educação, e Câmara de Stª Mª da Junho (?)
Contribuir para o alargamento de saberes globais grupos de crianças, Câmara de Stª Mª da Feira
Feira

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

Festa Final de Ano (*) Promover a relação escola/família Educadores, Auxiliares de Educação, grupos Educadores Auxiliares de Junho (em data a
Promover momentos de diversão e alegria de crianças Pais Educação combinar)

Retirado do site: http://infancia.no.sapo.pt/plano_de_actividades.htm

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

Observação e planificação da acção

A observação da criança é uma componente fundamental para bebés e


crianças pequenas, uma vez que o conhecimento individualizado das crianças
molda, não só as interacções que os educadores de infância têm com as crianças e
os pais, como também o espaço físico e os horários e as rotinas. De forma a
observar e a aprender o mais possível sobre as crianças, os adultos nos centros
infantis baseiam-se no trabalho em equipa. O trabalho dos educadores de infância
como parceiros dos pais proporciona a continuidade dos cuidados entre a casa e o
centro infantil. Os educadores responsáveis por cada criança trabalham em equipa
para apoio mútuo ao longo do dia em conjunto proporcionam apoio familiar,
tomam decisões sobre o espaço, materiais horários, rotinas e responsabilidades
diárias; e debatem e planificam em função das suas observações diárias de
crianças. Enquanto trabalham no “terreno” com as crianças, recolhem registos
episódios diários. Na hora diária de planificação em equipa, debatem as suas
observações do que cada criança fez ou disse naquele dia e utilizam essas
observações para orientar o seu próprio comportamento de apoio às crianças ao
dia seguinte. Também partilham as observações da criança com os seus pais, quer
para festejar as suas acções e progressos, quer para alimentar a relação com as
famílias, de molde a que as crianças sejam apoiadas de forma consistente em casa e
no centro infantil.
Estes princípios orientadores – aprendizagem activa, interacção adulto-
criança facilitadora, ambiente físico centrado na criança, horários, rotinas que
giram em torno da criança e observações diárias de crianças que orientam o
trabalho de equipa entre educadores e pais.
De maneira a proporcionar um programa de qualidade, que sirva crianças e
famílias da forma mais eficaz possível, a planificação diária em equipa é
fundamental.
Ao reunirem-se durante cerca de 30 minutos todos os dias, os membros da
equipa de educadores discutem, interpretam e planeiam em torno das observações
das crianças, utilizando os ingredientes da aprendizagem activa e as experiências-
chave como quadro de referência. Esta é uma altura em que os educadores

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

reflectem sobre as suas práticas educativas resolverem quaisquer problemas


práticos que tenham surgido. Em conjunto, com base no seu conhecimento sobre o
desenvolvimento da criança, vão construindo um entendimento comum sobre as
suas crianças enquanto aprendizes sensório-motores e seres eminentemente
sociais e delineando estratégias que apoiam os seus pontos fortes, os seus
interesses e as suas capacidades emergentes.
Embora possa parecer uma exigência pouco viável para uma equipa de
educadores de bebés, encontrar meia hora por dia para o planeamento em equipa
é algo que pode ser feito. Exige determinação, uma programação criativa e apoio
administrativo. Eis algumas estratégias que se têm revelado eficazes para as
equipas:

 Reservar 30 minutos após as crianças terem acalmado para a sesta da tarde


como tempo para a planificação diária.
 Em programas com crianças mais novas que dormem sestas em vários
momentos do dia, planear a altura do dia em que menos crianças estão
acordadas. Nalguns destes programas, o director do centro brinca com as
crianças que não dormem ou contrata alguém para o fazer enquanto a
equipa se reúne para o planeamento.
 Tentar reunir a equipa durante o segmento de 30 minutos do recreio da
manhã ou da tarde. Substituir os educadores responsáveis por pessoal
administrativo, estudantes de educação infantil, ou pessoal auxiliar
contratado especificamente para substituir as equipas durante a meia hora
de planificação diária.
 Planificar a programação diária para educadores de forma a incluir 30
minutos por dia para a planificação diária antes da chegada das crianças ou
após a sua saída.
Poderá não haver uma altura ideal para a planificação diária em equipa nos
programas de educação infantil, onde as crianças confiam na presença
constante do seu educador responsável mesmo quando outros adultos
competentes os substituem. Não obstante, é importante que as equipas de
educadores e os dirigentes trabalhem em conjunto de forma a organizar e
calendarizar essa oportunidade. A longo prazo, os membros da equipa passam

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

a ser educadores mais eficazes se estiverem algum tempo por dia juntos a
pensar sobre aquilo que estão a observar nas crianças, no modo como as devem
apoiar e como resolver os problemas que vão surgindo.

Estratégias de colaboração dos educadores


Ao trabalharem com as crianças durante o dia, conversarem com os pais e
reunirem-se para a planificação diária, dois (ou três) educadores e técnicas de
acção educativa, que formam uma equipa, procuram apoiar-se mutuamente,
recorrer aos respectivos pontos fortes e transformar a sua compreensão das
crianças e do desenvolvimento infantil em ideias práticas a serem
experimentadas. As seguintes estratégias ajudam-nos a desempenhar este
papel:
 Praticar uma comunicação aberta.
 Tomar decisões conjuntas sobre as questões do programa.
 Observar as crianças, analisar as observações e planificar formas de
apoiar cada criança.

 Praticar uma comunicação aberta


A comunicação aberta envolve conversar de uma forma honesta e directa.
As emoções, a postura corporal, a expressão facial e o tom de voz ajustam-se àquilo
que se está a dizer.

 Observar as crianças, discutir as observações e planificar formas de


apoiar cada criança
No âmago do processo de trabalho diário em equipa estão três questões:
 O que é que vimos as crianças fazerem hoje?
 O que é que as suas acções nos dizem sobre elas?

 Como é que podemos proporcionar materiais e interagir com as crianças de


forma a apoiar o seu jogo e a sua aprendizagem amanhã?
Estas questões motivam a equipa de educadores a examinaras acções das
crianças, interpretá-las em termos do desenvolvimento da criança e a planificar

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

estratégias de apoio e de seguimento. No geral, a equipa reflecte na natureza e nas


implicações das acções e comunicações de cada criança.

 Observar as crianças ao longo de todo o dia


À medida que os bebés e as crianças crescem e se desenvolvem
continuamente através da aprendizagem activa diária, os seus educadores
procuram conhecer melhor quem são e o que fazem, de forma a poderem estar
preparados para lhes proporcionar apoio individual. Esta é a razão pela qual os
educadores são observadores cuidadosos enquanto interagem com as crianças às
refeições, nas rotinas de cuidados corporais, durante a sesta e na sua exploração e
brincadeira com materiais e com pares no tempo de escolha livre, no recreio e no
tempo de grupo. Os educadores anotam um grande leque de comportamentos: o
modo como as crianças se movimentam, como se expressam, que materiais os
interessam, o que lhes causa frustração, como procuram resolver problemas e com
que outras crianças gostam de estar.
Porque o dia-a-dia num contexto de educação infantil é tão cheio, os
educadores desenvolvem uma série de estratégias para se lembrarem de todas as
coisas interessantes que viram e ouviram. E trazem essas formas de evocar para a
discussão do planeamento em equipa. Seguem-se algumas ideias para recordar
estas observações. Estas ideias podem funcionar para determinada equipa ou
sugerir outras estratégias de evocação que podem ser experimentadas:

 Trazer sempre no bolso uma caneta ou lápis bem como fichas ou bloco de
notas. Quando se observa algo relativo a uma criança, registar o nome da
criança e as palavras chave, desenhos ou símbolos que ajudarão a
reconstruir essa observação no planeamento em equipa. (João, rampa,
almofadas, palrar….)

 Colocar blocos de notas ou quadros de cortiça ou magnéticos com papel e


lápis em sítios estratégicos em redor da sala. Ao fazer uma observação,
anotar o nome da criança e as palavras-chave no bloco ou quadro mais
próximo.

20
Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

 Ter à mão, numa estante fora do alcance das crianças, uma máquina e rolo
de fotografia. Fotografar as acções das crianças que devem ser recordadas
e trazer as fotografias para o planeamento em equipa.

 Enquanto se regista com um sinal a tabela das rotinas sobre as refeições,


mudança de fraldas e sesta das crianças, podem também registar-se
palavras-chave que lembrem quaiquer acções únicas ou interessantes que
o educador observou e queira partilhar. Se não quiser escrever
directamente na tabela da criança, deve guardar-se por perto um bloco de
etiquetas autocolantes para escrever e juntar à tabela de registos.

 Colar uma folha de papel branco numa parede a uma altura conveniente
para que os educadores possam escrever pequenos apontamentos sobre
cada criança, ou ter à mão um gravador de cassetes. Quando se vêem
acções importantes para recordar sobre uma criança em particular,
anotar palavras-chave na folha dessa criança ou registar uma frase breve
no gravador.
Quando se observam as crianças, é importante ver e ouvir com abertura de
espírito. É necessário ver e ouvir tanto quanto for possível sem fazer juízos ou
tirar conclusões precipitadas. De forma a lembrar aquilo que se acabou de ver ou
de ouvir, é preciso tomar anotações breves e pessoais. Muitas vezes é difícil
escrever muito mais do que palavras-chave, dado que o tempo com as crianças está
repleto de actividade. Estas notas breves e pessoais, contudo, ajudam o educador a
reconstruir as suas observações numa fase posterior do dia, quando tiver
oportunidade de as registar com mais pormenores e de decidir com outro membro
da equipa o que cada uma pode significar e o que se pode ou deve fazer a partir
delas. No entanto, sempre que se puder escrever com mais detalhes é importante
fazê-lo mesmo. De novo, é preciso ser fiel aos factos e evitar fazer juízos. Por
exemplo, pode notar-se que o “ Luís bateu com força com a colher na mesa” em vez
de o “ Luís incomodou propositadamente toda a gente batendo com a colher”.

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

Horários e Rotinas para Bebés e Crianças

“Uma rotina é mais do que saber a hora a que o bebé come, dorme, toma banho
e se vais deitar. É também saber como as coisas são feitas… as experiências do dia-a-
dia das crianças são as matérias-primas do seu crescimento.”
Judith Evans e Ellen Ilfield (1982b)

Quando num infantário se proporciona um horário diário previsível e se


prestam cuidados segundo rotinas tranquilas, estão a dar-se às crianças muitas
oportunidades de realizarem as suas acções e as suas ideias.
Os educadores aprendem e respondem ao horário diário personalizado de cada
bebé ou criança e, em simultâneo, desenvolvem um horário diário global que se
adapte tanto quanto possível a todas as crianças do seu grupo. A coordenação dos
horários múltiplos dos bebés e das crianças pode constituir um verdadeiro desafio.

A complexidade da gestão de horários múltiplos também faz com que seja


importantíssimo que as equipas de educadores passem algum tempo todos os dias
a analisarem as suas observações das crianças e as subsequentes planificações.
Embora seja um desafio organizar um programa destinado a várias crianças
os benefícios que daí resultam são imensos. Quando os horários e as rotinas diárias
são previsíveis e estão coordenados em vez de em permanente mudança, é mais
provável que os bebés e as crianças se sintam seguros e confiantes.
Saber o que irá acontecer no momento seguinte, por exemplo, quando se
acorda da sesta, ajuda as crianças a sintonizarem-se com o ritmo do seu próprio
corpo e com o ritmo do dia. Quando o dia avança seguindo um percurso conhecido,
as crianças podem sinalizar as suas necessidades individuais de alimentação, sono,
higiene, mudar a fralda ou ir à casa de banho e, depois de participarem nesta rotina
de cuidados, podem juntar-se de novo ao decurso dos acontecimentos que
interrompem. Ao início do dia, se as crianças souberem o que vão fazer quando os
pais os deixam, a separação dos pais e aproximação ao educador e aos colegas
torna-se mais fácil. À medida que vivem os rituais e as repetições de uma

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

programação diária consistente, bebés e crianças ganham um sentido de


continuidade e de controlo.

Listagem detalhada de actividades de rotina

O dia-a-dia dos bebés e das crianças inclui determinados acontecimentos


diários regulares: a chegada e a partida, um ou mais tempos de escolha livre, o
tempo de exterior e uma ou mais horas de actividades em grupo. Intercaladas com
estas ocorrências diárias encontram-se as rotinas de cuidados individuais: as
interacções adulto-criança centradas na criança que ocorrem durante as refeições,
as sestas e a higiene corporal (que inclui a mudança de fraldas, o uso do bacio, o
banho e o vestir).
Num grupo típico de crianças com uma equipa de educadores, cada criança
tem um horário diário baseado nas suas necessidades particulares.
Isto significa que um determinado número de horários personalizados
ocorre simultaneamente, fazendo apelo à flexibilidade e também à organização da
equipa de educadores. Felizmente que existem elementos comuns aos horários
personalizados de cada criança que muitas vezes se sobrepõe. Esta sobreposição
possibilita a criação de uma programação geral, diária e estável, mas não obstante
adequada a cada uma das crianças. Para exemplo, a seguir estão 3 horários diários
individualizados (João, Carlos e Marta).
Assim, de seguida, encontra-se um exemplo de horários diários
individualizados e está organizado da seguinte forma: chegada, tempo de escolha
livre, pequeno-almoço, tempo de escolha livre, tempo em grupo, tempo de exterior,
almoço, sesta, tempo em grupo, lanche, tempo de exterior, tempo de escolha livre e
partida. Tal como seguem constantemente esta programação para a maior parte
das crianças, a maior parte dos dias também integram as rotinas de cuidados
personalizados de cada criança – comer, mudar a fralda, dormir – nesta
programação diária quando necessário.
A programação geral permite que as crianças possam participar ou
abandonar as várias actividades de acordo com as suas necessidades pessoais e
que, ainda, possam prever o que vai acontecer a seguir.

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

João, Carlos e Marta não sabem que o almoço ocorre todos os dias ao meio-
dia, mas sabem que todos os dias, a seguir ao tempo de exterior, almoçam e que
depois do almoço vem a sesta.
Enquanto que a programação global diária se mantém, a duração de um
determinado acontecimento poderá mudar de dia para dia.

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

Conclusão

Brincar tem moldado as normas, valores e costumes de todas as culturas; é


uma força maior na qual todas as culturas participam, é como que uma auto-
expressão para o próprio prazer da criança, é um comportamento auto-motivado,
pois ninguém pode forçar uma criança a brincar; contudo, para a criança, brincar,
pode ser um assunto sério. Brincar é fundamental, pois permite à criança enfrentar
desafios, resolver problemas, aperfeiçoar o pensamento e desenvolver
potencialidades, é um comportamento muito habitual em períodos de
desenvolvimento do conhecimento de si próprio, do mundo físico e social e dos
sistemas de comunicação. As crianças brincam e isso constitui para elas uma
actividade normal, fundamental. É através das actividades de animação que a
criança explora o mundo e se conhece a si mesma. Longe de serem meros
passatempo, as actividades de animação são, simultaneamente, reflexo e estímulo
do seu desenvolvimento motor, cognitivo e afectivo, constituindo a base das suas
actividades futuras. A criança ao realizar actividades específicas para a sua idade,
para além de explorar o mundo ao seu redor, também comunica sentimentos,
ideias, fantasias, revelando-se nas suas futuras actividades culturais. O facto de os
pais trabalharem fora de casa deixando os filhos entregues a amas ou instituições,
o uso excessivo da televisão, a falta de espaços na rua e as casas demasiado
pequenas, são factores que diminuem as oportunidades de brincar, indispensáveis
ao desenvolvimento integral da criança.
É cada vez maior a importância que se atribui ao “brincar” e é relevante o
papel pedagógico desta acção que se reflecte na aprendizagem da criança em todos
os seus níveis de desenvolvimento, desde a afectividade, a criatividade, a partilha, a
socialização, a inexistência de egoísmo, a construção da sua personalidade.
Defender a importância da educação ao longo da vida é pensar no futuro e pensar
no futuro, qualquer que seja a dimensão considerada, obriga a pensar na criança,
obriga sobretudo a reflectir se o que hoje investimos na criança é suficiente para
garantir o melhor do seu desenvolvimento.
Desta forma é importante transmitir às minhas crianças conhecimento, mas
mais que isso, comportamentos, destrezas, atitudes, valores e um grande sorriso.
Porque o poder do sorriso é grande, e saber sorrir é algo muito importante.

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

Antoine Exupéry diz: “No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo
como pessoa, e a resposta do seu sorriso quer dizer que nós também somos pessoa
para ele”.

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

Bibliografia

 ANDER-EGG, Ezequiel. 2000. Metodologias y Práticas de la animación


sociocultural. Madrid: Editorial CCS.
 BADESA, Sara (1995). Perfil del Animador Sociocultural. Madrid: Narcea, S.A.
de Ediciones.
 BERGE, Yvone (1976). Viver o corpo. Para uma pedagogia de movimento.
Lisboa: Biblioteca de Pedagogia.
 FAURE, Gérard&LASCAR, Serge (1982). O jogo dramático na Escola
Primária. Lisboa: Editoral Estampa.
 FERREIRA, Paulo (1999). Guia do Animador: Animar uma actividade de
formação (3ª Edição). Lisboa: MULTINOVA - União Livreira e Cultural S.A.
 GARCÍA, José Antonio Cieza (2006). Educación Comunitária. In Revista de
Educación, 339, 765–799.
 GARCÍA, María Jesús Morata (1998). Animación sociocultural y desarrollo
comunitario. In: BERNET, J. T. (coord.). Animación Sociocultural. Barcelona:
Editorial Ariel, S.A.: 297-303.
 HUIZINGA, Johan (1954). Homo Ludens: O Jogo como Elemento da Cultura.
São Paulo, Brasil: Editora Perspectiva.
 KOG, Marina e tal. (2004). Uma caixa cheia de emoções. Lisboa: Estúdio
Didáctico.
 LARRAZÁBAL, María Salas (1998). La figura y la formación del animador
sociocultural. In: BERNET, Jaume Trilha (coord.). Animación Sociocultural.
Barcelona: Editorial Ariel, S.A.: 121-133.
 LOPES, Marcelino. 2008. Animação sociocultural em Portugal (2ª edição).
Amarante: Intervenção.
 MANTOY, Jacques. 1976. Vocabulário essencial da Psicologia da criança (3ª
edição). Lisboa: Moraes Editores.
 PEREIRA, José, VIEITS, Manuel & LOPES, Marcelino.2008. A Animação
Sociocultural e os desafios do Século XXI. Portugal: Intervenção.
 PEREZ, Américo & LOPES, Marcelino. 2007. Animação Sociocultural Novos
Desafios. Amarante: Editora Associação Portuguesa de Animação e
Pedagogia (APAP).

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

 PIAGET, Jean. 1978. Seis estudos de Psicologia (8ª edição). Lisboa:


Publicações Dom Quixote.
 POST Jacalyn; HHMANN Mary (2007). Educação de
Bebés em Infantários – Cuidados e Primeiras Aprendizagens. Lisboa:
Fundação Calouste Gulbenkian.
 SPRINTHALL, Norman, A. & SPRINTHALL, Richard C. 1993. Psicologia
Educacional – Uma abordagem desenvolvimentista. MCGraw – Hill.
 TRILLA, Jaume. 1998. Animação Sociocultural Teorias, Programas e Âmbitos.
Editorial Ariel.

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

ANEXOS

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

Exemplos de diferentes grelhas utilizadas em Contexto Educativo


1- Grelhas de observação

DESENVOLVIMENTO DO ESQUEMA
OBSERVAÇÕES
CORPORAL
 Imagem corporal:
- global (menina/menino)
- segmentaria (partes do corpo)
- articulações
-lateralidade
 Percepção sensorial:
- Visão
- Audição
- Tacto
- Gosto
- Olfacto
 Coordenação motora:
- equilíbrio (posturas diferentes)
- equilíbrio nas deslocações
 Organização espácio-temporal:
- noções espaciais (dentro/fora, em
cima/em baixo, à frente/atrás…)
- ordem espacial (primeiro/último, no
meio…)
- noções temporais (velocidade,
ritmo…)
- relações temporais (antes/depois…)
 Hábitos:
- higiene corporal
- saúde e cuidado de si mesmo
- segurança pessoal
- alimentação
 Capacidades manipulativas:
- pressões digitais
- pressão do indicador sobre o papel
- pressão de utensílios
- rasgar
- recortar

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

- colar

DESENVOLVIMENTO AFECTIVO
OBSERVAÇÕES
 Imagem de si memo:
- expressão de sentimentos e de
emoções
- confiança e segurança em si mesmo
- iniciativa de pequenas frustrações
 Aspectos da personalidade:
- introvertido/a, extrovertido/a
- tranquilo/a, nervoso/a
- submisso/a, rebelde
- obediente/desobediente
- medroso/a, atrevido/a
- agressivo/a, pacífico/a
- afectivo/a, distante

DESENVOLVIMENTO SOCIAL OBSERVAÇÕES


 Atitude face aos colegas:
- comunicação e relação com o grupo
- participação em actividades e jogos
 Atitude face ao educador:
- aceitação
- solicita ajuda
- chamadas de atenção
- dependência
 Atitude perante o material:
- uso adequado do material
- cuida e selecciona o material
 Atitude face ao jogo:
- brinca sozinho
- em grupo
- espontaneamente com objectos
- aceita as regras dos jogos
 Atitude face às tarefas da sala:
- interesse e colaboração nas tarefas
- adaptação ao ritmo do grupo
 Outras atitudes:
- adaptação a novas situações

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

- adaptação às rotinas diárias


- autonomia nos espaços do jardim de
infância

DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL OBSERVAÇÕES


EXPRESSÃO LINGUÍSTICA
 Compreensão oral:
- compreender ordens simples
- compreender as explicações
- compreender os contos
- atenção
 Identificação auditiva:
- palavras dentro de uma frase
- sílabas que compõem uma frase
- fonemas isolados ou dentro de
palavras
 Expressão oral:
- relato de histórias
- uso da linguagem (fluidez, variedade
…)
- pronúncia clara
- concordância género/número;
número/pessoa
REPRESENTAÇÃO MATEMÁTICA
 Qualidades dos objectos
- cor
- forma
- tamanho
- comprimento
 Números e quantificadores:
- identificação de números
- escrever os números
- associar número/quantidade
- quantificadores básicos
 Raciocínio lógico:
- seriações
- classificações
- resolução de problemas
EXPRESSÃO ARTÍSTICA

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

 Expressão plástica:
- desenhar, modelar, estampar ….
- uso de técnicas e de materiais
plásticos
 Expressão musical:
- identificação das qualidades do som:
duração, tom …
- reprodução de ritmos
- interesse pelas actividades musicais
 Expressão corporal e dramática:
- expressão corporal
- expressão gestual
- compreender mensagens gestuais

2- Grelha de Comportamento

Jardim de Infância:_________________________________________________________________
Mês: ___________________ Nome do
Aluno:___________________________________________
Dias: ________ a ________ Nome da
Educadora:_______________________________________
Apreciação
Comportamento 1ª semana 2ª semana 3ª semana 4ª semana 5ª semana
Global
Sou assíduo
Chego a horas
Entro e saio
com ordem na sala
Completo os meus
trabalhos com
perfeição
Distraio os meus
colegas
Ajudo os meus
companheiros nos
trabalhos
Brinco com os meus
colegas
Deixo a sala
limpa/arrumada
SEMPRE DE VEZ EM QUANDO NUNCA

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Manual Planificação e programação das actividades do quotidiano da criança

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