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COLÉGIO ESTADUAL PRESIDENTE MÉDICI

Estudante:______________________________________________________________________
Série: Turma: Turno: Professora: Janara Soares
Critérios avaliativos Valor: 3,0
1. Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita.
2. Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de
conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto
dissertativo-argumentativo.
3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e
argumentos em defesa de um ponto de vista.
4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção
da argumentação.
5. Elaborar proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos
valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.

ARTIGO DE OPINIÃO

Aprendemos, nas aulas passadas, como a introdução de um texto dissertativo-argumentativo é importante


para apresentar o TEMA e a TESE (a posição do escritor em relação ao tema). A tese precisa ter ARGUMENTOS
claros que serão desenvolvidos nos parágrafos seguintes. A seguir, veremos como essa estrutura se configura no
ARTIGO DE OPINIÃO.
O artigo de opinião representa, como o próprio nome diz, a opinião de um articulista. Este pode ou não
ser uma autoridade no assunto abordado. Geralmente, discute um tema atual de ordem social, econômica, política
ou cultural, relevante para os leitores. Assim, no artigo de opinião interessa menos a apresentação dos
acontecimentos sociais em si, mas a sua análise e a posição do autor.
O artigo de opinião pode ser definido como um gênero discursivo no qual se busca convencer o outro
sobre determinada ideia, influenciando-o e transformando seus valores por meio da argumentação. Dessa forma,
a argumentação busca convencer, influenciar, persuadir alguém.
O artigo de opinião deve defender um ponto de vista sobre determinado assunto. Consistindo no emprego
de provas, justificativas, a fim de apoiar ou rechaçar uma opinião ou uma tese.
Apresentamos a seguir alguns artigos de opinião com o tema DIREITOS HUMANOS. Na redação do
ENEM, até a edição passada, as propostas estavam ligadas aos direitos humanos. As redações que ferissem esses
princípios eram anuladas. Desse modo, é importante saber mais as discussões sobre esse tema necessário no dia
a dia e tão ignorado pela população.

TEXTO 01
Direitos humanos são de todos
Luiz Fernando Barbosa dos Santos, Jornal do Comércio

Esse artigo até poderia ser sobre a vereadora Marielle Franco, mas não é. Também não é sobre Bolsonaro
ou Trump, a esquerda ou a direita. É sobre todos os seres humanos. Faço um desabafo diante do crescente
pensamento que, de forma simplista e perigosa, vem desconsiderando conquistas históricas da
humanidade. É comum ouvir que os direitos humanos servem para defender bandidos. Essa falaciosa
afirmação, que encontra eco em diversos setores sociais, rasga uma história de luta permanente pela
dignidade da pessoa humana, pela proteção dos indivíduos contra regimes autoritários e pela consolidação
das liberdades individuais.
Os direitos humanos estão presentes no nosso cotidiano, algumas vezes de forma quase imperceptível.
Estão na liberdade de ir e vir, na liberdade de expressão e manifestação (assegurando, inclusive, o direito de
criticar os próprios direitos humanos) e no direito de eleger representantes políticos. Também ocorrem quando
exigimos do poder público bons serviços de saúde, educação e segurança. Manifestam-se no direito ao trabalho,
bem como na garantia de lutar contra a intervenção excessiva do Estado nas nossas vidas. Revelam-se no combate
à homofobia, ao racismo e a outras formas de preconceito, no direito à acessibilidade e nas questões de gênero.
Eles são amplos, universais e inalienáveis.
Os direitos humanos não pertencem a partidos, ideologias ou determinados grupos de pessoas. Portanto
não é crível que possamos ser contra essas garantias que foram conquistadas - e continuam sendo! - à custa de
muitos esforços individuais e coletivos. A construção de um País mais seguro, livre, justo, tolerante e plural
depende da afirmação, e não da negação, dos direitos humanos. Que construamos uma nova sociedade, mas não
esqueçamos das barbáries do passado. E que, também, não façamos tábula rasa da história e das conquistas de
toda a humanidade.

Fonte: https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/2018/03/opiniao/617565-direitos-humanos-sao-de-
todos.html

TEXTO 02
DIREITOS HUMANOS: TUDO FALTA
Guilherme Boulos, 16 DE DEZEMBRO DE 2018

O Brasil fracassou em tornar realidade os princípios da Declaração Universal assinada 70 anos atrás

Há sete décadas, em 10 de dezembro de 1948, quase 50 nações vinculadas à ONU assinavam a Declaração
Universal dos Direitos Humanos. O Brasil, então presidido pelo militar Eurico Gaspar Dutra, foi um dos
signatários. Nenhum país ousou votar contra o texto.
A declaração tornou-se um marco, especialmente por ter sido pioneira em englobar ao mesmo tempo
direitos civis e políticos e direitos sociais e econômicos. E porque foi firmada logo depois de o mundo viver
fenômenos como o fascismo, o nazismo e duas guerras mundiais. Se havia a necessidade de nomear quais
deveriam ser os direitos humanos era porque houvera e seguia a haver uma série de violações contra diferentes
populações, parte delas praticadas pelo próprio Estado.
Seus 30 artigos têm como objetivo salvaguardar a dignidade para todos os seres humanos,
independentemente de sua origem ou posição social e em todos os momentos e lugares. Asseguram, por exemplo,
a liberdade ao nascimento, direito a julgamento justo e as liberdades de expressão e de manifestação política. E
afirmam que a todo indivíduo deve ser garantido bem-estar e saúde, incluindo o direito à alimentação, assistência
médica, educação e aposentadoria.
Entre idas e vindas, fracassamos em fazer dos seus princípios uma realidade. É duro admitir que,
70 anos depois, ainda seja profundamente necessário relembrar e defender o Artigo 5º da declaração:
“Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”.
Em pleno 2018, a chapa vencedora das eleições presidenciais no Brasil orgulha-se de estampar como
herói nacional um dos mais cruéis torturadores da ditadura. Integrantes do Exército são investigados por
acusações como “madeiradas na nuca” e “chicotadas com fios elétricos” em jovens de favelas cariocas durante a
intervenção federal ainda em curso no Rio de Janeiro.
Recentemente, José Bernardo da Silva e Rodrigo Celestino, dois militantes do MST na Paraíba, foram
brutalmente assassinados. O primeiro havia perdido seu irmão, também ativista, por uma execução em 2009, e
fazia parte de um programa de proteção a defensores dos direitos humanos. Práticas como tortura e execução
sumária fizeram parte do período sombrio da ditadura. Infelizmente, seguiram mesmo com o fim dela ‒ sobretudo
para os jovens negros das periferias ‒ e correm o sério risco de aumentar no próximo período.
Além disso, direitos básicos ainda são negados para milhões de brasileiros. O último relatório do IBGE
é simplesmente vergonhoso. Em 2017, o número de cidadãos que passaram a viver com menos de 140 reais
mensais aumentou em quase 2 milhões e o total abaixo da linha da extrema pobreza chegou a 15,2 milhões. Um
terço são crianças e adolescentes com menos de 14 anos de idade.
A quantidade de gente com acesso “restrito” à educação chegou a 58 milhões. São crianças e adolescentes
entre 6 e 14 anos de idade que não frequentavam escola, de 15 anos ou mais analfabetas e de 16 anos ou mais que
não possuíam Ensino Fundamental completo. Sem falar no drama urbano dos brasileiros. Quase 78 milhões não
têm acesso a tratamento de esgoto. Outros 27 milhões vivem em moradia inadequada.
Na prática, ao compararmos a declaração da ONU com os dados coletados pelo IBGE ou ao andar por
qualquer parte do País, vemos que grande parte dos artigos da declaração simplesmente não vale no Brasil. Mesmo
no período com eleições livres, o modelo de desenvolvimento trilhado manteve o abismo entre uma parcela
significativa da população e os direitos sociais.
Infelizmente, ainda ouvimos coisas como “direitos humanos é coisa de bandido” e “direitos humanos para
humanos direitos”. Ao contrário desses berros surdos da ignorância nas redes sociais, quem é contra a tortura, o
trabalho escravo e a favor da justiça e de políticas de segurança, saúde e educação concorda com a declaração da
ONU. Setenta anos depois, ter de defender a existência de direitos humanos, em vez de debater como promovê-
los, mostra o quanto o texto foi importante, mas insuficiente. Ainda falta muito para chegarmos lá.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/direitos-humanos-tudo-falta/

TEXTO 03

Direitos humanos para humanos sem direitos


Breiller Pires, São Paulo, 10 DE DEZEMBRO DE 2018

O ser humano que não conhece os próprios direitos está fadado a se resignar com a tirania de quem trata
garantias básicas como privilégios

Para salvar uma senhora de 83 anos rendida como refém, dois policiais aproveitam a distração do
assaltante e o executam com cinco tiros em plena luz do dia. A tentativa de roubo a uma joalheria de Valença, no
sul fluminense, termina em morte. Testemunhas filmam a cena como se fosse um jogo de futebol e comemoram
seu desfecho como um gol em final de campeonato. A quatro dias do 70º aniversário da Declaração Universal
dos Direitos Humanos, o Brasil escancarado em mais uma tragédia para a conta do Rio de Janeiro celebrava sem
constrangimentos seu irremediável processo de desumanização.
Os aplausos diante do corpo estendido na rua poderiam ser interpretados como um desabafo perante a
exaustiva sensação de insegurança, que agora se estende às pequenas cidades, ou um gesto de reconhecimento
pela ação da polícia que mais mata e mais morre ao libertar a refém, não fossem gritos tal qual os de torcida num
estádio que bradavam “atira nele”, “pega fogo”, “mata logo”. O que de fato se comemorava naquela manhã da
última quarta-feira era a materialização do lema “bandido bom é bandido morto” ao alcance dos olhos. Um deleite
coletivo pelo abate do assaltante.
Tratados como heróis, policiais receberam cumprimentos de Jair Bolsonaro nas redes sociais, prontamente
respondidos pela PMERJ, que prestou continência ao “Exmo. presidente eleito”. Em uma situação extrema, que
representava risco à vida de uma mulher, os agentes agiram como manda o protocolo das forças de segurança.
Entretanto, um incidente resolvido com o assassinato de um ser humano, independentemente do delito
praticado, jamais deveria ser motivo de comemoração. A naturalidade com que passamos a encarar a
morte na rotina de uma sociedade violenta insinua que a barbárie tem vida própria, está dissociada da
nossa conduta e só pode ser combatida com mais sangue derramado. Esses sentimentos primitivos, da sede
por justiceiros e linchamentos ao regozijo com a bala na cabeça do ladrão, são diariamente insuflados por
políticos e discursos midiáticos irresponsáveis.
Bordões como “CPF cancelado”, utilizados por pregadores do caos na televisão em referência a suspeitos
abatidos pela polícia, dão um toque de humor sádico à selvageria. A assimilação da violência como norma só
foi possível graças à popularização de programas policialescos que, não bastasse o empenho em construir
uma narrativa que resume o país à fama de recordista de homicídios, contribui para distorcer o significado
dos direitos humanos, demonizando-os sob o malfadado estigma de “muleta para defensores de bandido”.
Vende-se a falsa ideia de presos gozam de regalias e criminosos são superprotegidos pela lei. Ignora-se,
no entanto, que o Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo, sendo que mais de um terço
corresponde a presos que nem sequer foram julgados, submetidos – salvo raras exceções, onde o índice de
reincidência após cumprimento da pena costuma ser bem menor que a média nacional – a condições de tratamento
desumanas. Ao contrário da lenda que virou verdade nos grupos histéricos do Whatsapp, ninguém comete um
crime para viver de “bolsa cadeia”. Menos de 8% dos detentos brasileiros têm direito ao auxílio-reclusão, um
benefício do INSS destinado apenas aos dependentes do preso de baixa renda (salário inferior a 1.300 reais) com
histórico de contribuição à Previdência Social.
O auxílio-reclusão, por sinal, ilustra bem para que serve um direito humano. Se todas as famílias de
contribuintes devem ser contempladas com o benefício em caso de morte, doença, afastamento ou invalidez, as
dos encarcerados também precisam se enquadrar na mesma regra, pois não é justo que elas paguem por eventuais
crimes cometidos pelos provedores de seu sustento. Princípios básicos dos direitos humanos se estabelecem pelo
caráter da universalidade: só fazem sentido se compreenderem todos os indivíduos. Justamente para evitar que
sejam convertidos em privilégios de poucos. A partir do momento em que negamos um direito fundamental a
qualquer pessoa, ele deixa de valer para todo o resto.
Como cobrar punição rigorosa para bandidos sem farda se os maus policiais já contam com licença para
matar e, caso o futuro governo cumpra a promessa de ampliar os excludentes de ilicitude, abusarão ainda mais da
impunidade institucional para transformar a premissa de proteger o cidadão em aparato de genocídio? Qual o
sentido de dizer que os direitos humanos atrapalham o trabalho da polícia ao passo que um de seus propósitos é
evitar que agentes de corporações militares arrisquem a vida em guerras sem sentido? Por que acreditar que a
redução da maioridade penal pode diminuir a violência sem antes levar em consideração que, numa mesma cidade,
convivem jovens que saem da sala de aula preparados para o vestibular e outros, da mesma idade, que se escondem
de tiroteios debaixo das carteiras? O que se esconde por trás de tantos apelos em prol da revogação do Estatuto
do Desarmamento em um dos países mais perigosos para ativistas e militantes, capaz de promover um notório
estimulador do ódio a movimentos sociais a ministro do Meio Ambiente no mesmo fim de semana do assassinato
de dois trabalhadores sem terra? A perspectiva das campanhas difamatórias contra os direitos humanos despreza
a realidade, dados e inúmeros estudos que refutam a tese de que a maioria da população desfruta de direitos
demais.
Não por acaso, a Declaração Universal dos Direitos Humanos sublinha que “toda pessoa tem direito à
educação”. Seus mandamentos deveriam ser disciplina obrigatória nas escolas. O ser humano que não conhece
os próprios direitos está fadado a se resignar à tirania de quem trata garantias básicas como privilégios, banaliza
a matança e sentencia que as minorias se curvem à maioria. O termo “minorias”, para que fique claro, não está
relacionado ao tamanho de um grupo, mas sim a seu grau de vulnerabilidade: pobres, negros, mulheres, índios,
LGBTs. Os direitos humanos têm de estar ao alcance de todos, mas, principalmente, dos humanos sem direitos.

Fonte https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/opinion/1544400114_405615.html

Oficina 1 (1,0)

Dividam-se em grupos de 4 pessoas, escolham um texto e analise:

a) Os textos têm como tema os direitos humanos, mas cada um apresenta uma tese. Qual é a TESE do
texto escolhido pelo seu grupo?
b) Quais são os argumentos que o escritor ou escritora utilizou para fundamentar a tese? Qual é a natureza
desses argumentos (dados estatísticos, fatos do dia a dia, referências a textos técnicos)?
c) Observe a conclusão. Qual é a ideia final apresentada pelo escritor ou pela escritora? Essa ideia retoma
a ideia inicial? De que forma?

 Organize um documento com um resumo do artigo de opinião e com as respostas da análise para serem
entregues para a professora, com cabeçalho e nome do grupo.
 Apresente a análise do seu texto para a turma e faça comparações com os demais grupos.
Oficina 2 (1,0)

Levantamento de dados

Para falar sobre um tema, precisamos saber o máximo de informações possíveis para que possamos
fundamentar nossa argumentação. Com a mesma formação da oficina anterior, faça uma pesquisa sobre
os direitos humanos com diversos tipos de textos:

a) Texto literário (Poema, crônica, conto, romance);


b) Texto informativo (notícia, reportagem, relatório técnico, etc.);
c) Texto não verbal ou de linguagem mista (pintura, cartum, tirinha, fotografia, etc.).

 Faça um material com cada um desses tipos de textos para entregar para os demais estudantes.
 Apresente os três textos escolhidos para os grupos, mostrando qual a sua relação com o tema
DIREITOS HUMANOS.

Oficina 3 (1,0)

Agora é a sua vez!

Redija um artigo de opinião com o tema “DIREITOS E DEVERES DO (A) CIDADÃO (Ã) NO BRASIL
CONTEMPORÂNEO”, levando em consideração os artigos de opinião trabalhados e utilizando os demais textos
trabalhados como referências para embasar sua argumentação.
 A exposição do seu ponto de vista deve ser coerente e coesa, apresentando fatos, argumentos e opiniões
com fundamentação.
 Faça o rascunho do seu texto.
 Produza um texto definitivo com, no mínimo 10 e, no máximo 30 linhas.
 Evite a cópia dos textos motivadores.
 Atente para não fugir ao tema.
 Atente para atender ao tipo argumentativo-dissertativo.
 Apresente proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.