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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 912.926 - RS (2006/0273843-6)

RELATOR : MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO


RECORRENTE : V L DA C
ADVOGADO : WANDERLEI FERNANDES DOS SANTOS E OUTRO(S)
RECORRIDO : M DE O B
ADVOGADO : JONAS ANDRÉ BENITES
INTERES. : P R DOS S O - SUCESSÃO
REPR. POR : P O M E OUTROS
EMENTA

DIREITO DE FAMÍLIA. RECONHECIMENTO DE UNIÕES ESTÁVEIS


SIMULTÂNEAS. IMPOSSIBILIDADE. EXCLUSIVIDADE DE
RELACIONAMENTO SÓLIDO. CONDIÇÃO DE EXISTÊNCIA
JURÍDICA DA UNIÃO ESTÁVEL. EXEGESE DO § 1º DO ART. 1.723
DO CÓDIGO CIVIL DE 2002.

1. Para a existência jurídica da união estável, extrai-se, da exegese


do § 1º do art. 1.723 do Código Civil de 2002, fine, o requisito da
exclusividade de relacionamento sólido. Isso porque, nem mesmo a
existência de casamento válido se apresenta como impedimento
suficiente ao reconhecimento da união estável, desde que haja
separação de fato, circunstância que erige a existência de outra
relação afetiva factual ao degrau de óbice proeminente à nova união
estável.

2. Com efeito, a pedra de toque para o aperfeiçoamento da união


estável não está na inexistência de vínculo matrimonial, mas, a toda
evidência, na inexistência de relacionamento de fato duradouro,
concorrentemente àquele que se pretende proteção jurídica, daí
por que se mostra inviável o reconhecimento de uniões estáveis
simultâneas.

3. Havendo sentença transitada em julgado a reconhecer a união


estável entre o falecido e sua companheira em determinado
período, descabe o reconhecimento de outra união estável,
simultânea àquela, com pessoa diversa.

4. Recurso especial provido.

ACÓRDÃO
Documento: 14176121 - EMENTA / ACORDÃO - Site certificado - DJe: 07/06/2011 Página 1 de 2
Superior Tribunal de Justiça

Prosseguindo no julgamento, após o voto-vista do Ministro Raul Araújo,


acompanhando o Relator, e os votos dos Ministros Aldir Passarinho Junior e João Otávio de
Noronha no mesmo sentido, a Turma, por unanimidade, conheceu do recurso especial e
deu-lhe provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo
(voto-vista), Aldir Passarinho Junior e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro
Relator.
Não participou do julgamento a Sra. Ministra Maria Isabel Gallotti.

Brasília (DF), 22 de fevereiro de 2011(Data do Julgamento)

MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO


Relator

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