Você está na página 1de 13

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 1.104.470 - DF (2008/0252615-8)

RELATOR

: MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO

RECORRENTE

:

AUTO POSTO JB LTDA

ADVOGADO

:

JAIR PEREIRA DOS SANTOS

RECORRIDO :

RICARDO DANIEL DE OLIVEIRA

ADVOGADO

:

SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS EMENTA

PROCESSO CIVIL. INSOLVÊNCIA CIVIL. EXECUÇÃO INDIVIDUAL PROPOSTA COM BASE NO MESMO TÍTULO EXECUTIVO. NECESSIDADE DE PRÉVIA DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO SINGULAR PARA POSSIBILITAR A PROPOSITURA DA AÇÃO DECLARATÓRIA DA INSOLVÊNCIA.

1. 2. 3. Recurso especial não provido.
1.
2.
3. Recurso especial não provido.

O autor da execução individual frustrada só pode ingressar com ação

visando à declaração de insolvência do devedor - para instaurar o concurso universal -, se antes desistir da execução singular, pois há impossibilidade de utilização simultânea de duas vias judiciais para

obtenção de um único bem da vida, sendo certo que a desistência, como causa de extinção da relação processual anterior, necessita ser homologada pelo Juízo. Precedente do STF.

No caso concreto, o recorrente não desistiu da execução anteriormente

ajuizada - malgrado esta encontrar-se suspensa por falta de bens penhoráveis -, tendo, inclusive, solicitado a distribuição deste feito por

dependência àqueloutro, o que inviabiliza a propositura da presente ação declaratória de insolvência.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, Prosseguindo no julgamento, após o voto-vista do Ministro Marco Buzzi, conhecendo e negando provimento ao recurso especial, acompanhando o relator, e os votos dos Ministros Raul Araujo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira no mesmo sentido, a Quarta Turma negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo Filho, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi (voto-vista) votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília (DF), 19 de março de 2013(Data do Julgamento)

MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO

Relator

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 1.104.470 - DF (2008/0252615-8)

RECORRENTE

: AUTO POSTO JB LTDA

ADVOGADO

: JAIR PEREIRA DOS SANTOS

RECORRIDO

: RICARDO DANIEL DE OLIVEIRA

ADVOGADO

: SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS

RELATÓRIO

O SENHOR MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO (Relator):

1.
1.

1. Auto Posto JB Ltda. requereu a declaração de insolvência civil de Ricardo

Daniel de Oliveira, com amparo em título executivo extrajudicial no valor de R$ 4.208,28 (fls.

6-9).

Sobreveio sentença de extinção do feito sem resolução de mérito, com base no

art. 267, VI, do CPC, por entender incabível a simultaneidade da demanda executiva individual

com a coletiva, ainda que aquela estivesse suspensa (fls. 115-117).

164-169):

O Tribunal estadual negou provimento à apelação, nos seguintes termos (fls.

DIREITO CIVIL E PROCESSUAL. INSOLVÊNCIA CIVIL. TRAMITAÇÃO EM CONCOMITÂNCIA COM EXECUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. JUÍZO ÚNICO. AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR. CREDOR ÚNICO. EXTINÇÃO DO FEITO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. SENTENÇA MANTIDA.

O juízo de insolvência deve ser único, uma vez que se propõe a liquidar

todo o patrimônio do credor, não podendo ser proposta a insolvência quando o credor já move execução individual, ainda que suspensa. 2. Não há o interesse de agir, quando manifesta a desnecessidade e

inutilidade da declaração de insolvência, evidenciadas pelo fato de que, no caso, o credor não poderá obter, com a execução coletiva, mais do que obteria com a execução individual já proposta.

3. Além do que, a declaração de insolvência somente se torna necessária e

útil quando há pluralidade de credores, vez que o efeito maior daquela declaração é reduzi-los à igualdade perante o patrimônio insuficiente do devedor comum, segundo o princípio par conditio creditorum. Havendo um só credor, no caso, absolutamente desnecessário e inútil instaurar-se o concurso, já que nenhum direito concorrente poderá perturbar a realização de seu crédito, na medida das forças do patrimônio do devedor.

Nas razões do recurso especial, interposto com base nas alíneas "a" e "c" do

permissivo constitucional, foi alegada violação dos arts. 750, I e 753, I, do CPC, uma vez que

o Tribunal criou restrição não prevista em lei, especialmente quando concluiu que a falta de

Superior Tribunal de Justiça

bens penhoráveis e a existência da execução individual ora suspensa teriam o condão de obstar a propositura da ação que visa à declaração de insolvência civil.

Aduziu que o art. 761, II, do CPC, impõe ao Juízo a expedição de edital para convocação de todos os credores para habilitação na execução coletiva, entre os quais se inclui o recorrente (fls. 173-190).

Outrossim, o art. 762, § 1º do CPC corrobora tal tese ao determinar a remessa das execuções individuais para o Juízo da insolvência.

Ademais, sendo o procedimento de insolvência civil autônomo, cuja primeira fase é cognitiva, e cujo alcance transcende o do processo executivo individual, mostrar-se-ia patente o interesse de agir do recorrente.

Suscitou dissídio jurisprudencial com o REsp 616.163/MG. É o relatório.
Suscitou dissídio jurisprudencial com o REsp 616.163/MG.
É o relatório.

Não foram apresentadas contrarrazões ao recurso (fl.214), que foi admitido na instância ordinária (fls. 215-217).

À fl. 227, o recorrente reitera o interesse no julgamento do feito.

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 1.104.470 - DF (2008/0252615-8)

RELATOR

: MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO

RECORRENTE

:

AUTO POSTO JB LTDA

ADVOGADO

:

JAIR PEREIRA DOS SANTOS

RECORRIDO

:

RICARDO DANIEL DE OLIVEIRA

ADVOGADO

:

SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS EMENTA

PROCESSO CIVIL. INSOLVÊNCIA CIVIL. EXECUÇÃO INDIVIDUAL PROPOSTA COM BASE NO MESMO TÍTULO EXECUTIVO. NECESSIDADE DE PRÉVIA DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO SINGULAR PARA POSSIBILITAR A PROPOSITURA DA AÇÃO DECLARATÓRIA DA INSOLVÊNCIA.

1. 2. 3. Recurso especial não provido.
1.
2.
3. Recurso especial não provido.

O autor da execução individual frustrada só pode ingressar com ação

visando à declaração de insolvência do devedor - para instaurar o concurso universal -, se antes desistir da execução singular, pois há impossibilidade de utilização simultânea de duas vias judiciais para obtenção de um único bem da vida, sendo certo que a desistência, como causa de extinção da relação processual anterior, necessita ser homologada pelo Juízo. Precedente do STF.

No caso concreto, o recorrente não desistiu da execução anteriormente

ajuizada - malgrado esta encontrar-se suspensa por falta de bens penhoráveis -, tendo, inclusive, solicitado a distribuição deste feito por

dependência àqueloutro, o que inviabiliza a propositura da presente ação declaratória de insolvência.

VOTO

Superior Tribunal de Justiça

O SENHOR MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO (Relator):

2. Cinge-se a controvérsia à definição acerca da possibilidade de ajuizamento de ação de insolvência civil pelo credor que, com base no mesmo título executivo, propôs demanda executiva que foi suspensa em razão da falta de bens penhoráveis.

A insolvência civil é espécie de execução coletiva e universal em que todo o

patrimônio do devedor civil (não empresário) será liquidado para satisfação de suas obrigações.

No Código de Processo Civil de 1939, o concurso universal consubstanciava mero incidente no processo de execução singular, ou seja, ao devedor era conferida a faculdade de requerer a conversão na falta de bens penhoráveis suficientes ao pagamento integral do débito exequendo, estabelecendo, assim, uma ampliação no polo ativo do processo executivo.

É É o que dispõe o art. 750, I, do CPC: Art. 750. Presume-se a
É
É o que dispõe o art. 750, I, do CPC:
Art. 750. Presume-se a insolvência quando:

O atual codex aboliu tal prerrogativa, transformando a execução coletiva em processo autônomo, com pressupostos específicos, entre os quais se destaca a situação de insolvabilidade, que consiste em um estado de fato, que pode ser real ou aparente.

real quando o devedor se encontra em situação patrimonial negativa, que

torna impossível o adimplemento de todos os credores, e aparente quando o devedor não possuir bens livres e desembaraçados para nomear à penhora ou, ainda, quando lhe forem arrestados bens com fundamento no art. 813, I, II e III, do CPC.

I - o devedor não possuir outros bens livres e desembaraçados para nomear à penhora; Il - forem arrestados bens do devedor, com fundamento no art. 813, I, II e III.

Nessa linha de intelecção, verifica-se que a insolvabilidade aparente ou presumida consubstancia relevante indício do desequilíbrio patrimonial do devedor.

Com efeito, conquanto a frustração da execução singular aponte para a possível incapacidade econômico-financeira do devedor para saldar suas obrigações, o ajuizamento da ação que visa à declaração de insolvência civil não está condicionada à prévia propositura da execução singular, porquanto, para tal fim, bastam as evidências que permitem deduzir a impotência patrimonial do obrigado.

Assim, forçoso concluir que, antes de representar um óbice ao ajuizamento da ação de insolvência, a existência de execução singular suspensa pela falta de bens já é um sintoma da inaptidão econômica para o pagamento dos credores, consoante a dicção do art.

Superior Tribunal de Justiça

750, I, do CPC, sendo factível que haja ação executiva tramitando por ocasião da propositura da execução coletiva.

Nesse sentido, leciona Araken de Assis:

desnecessária se afigura a prévia propositura de ação executiva ou

ocorrência de penhora. Inexiste regra, esclarece Pontes de Miranda, "que faça pressuposto da declaração de insolvência e da abertura do concurso de credores civil já ter havido penhora". Em realidade, aduz Buzaid, não há espaço para investigações profundas, e sim "mera situação de fato, que resulta empiricamente da inexistência" de bens penhoráveis. Por óbvio, a falta de bens livres e desembaraçados (ou seja, livres de prelação oriunda de direito material) pode suceder em ação executória pendente. Tratar-se-á, então, de algo contingente e acidental. (Manual da Execução. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, p.

] [

938-939) Esclarece Nelson Nery Junior: A
938-939)
Esclarece Nelson Nery Junior:
A

3. De fato, o concurso coletivo abrange procedimento que se desdobra em duas fases: a primeira, de natureza cognitiva que, encerrando-se com a sentença que reconhece a insolvência do executado, rende ensejo à instauração da segunda, esta sim de índole executiva, na qual se dará a expropriação sobre todos os bens do executado em prol do conjunto de credores.

execução por quantia certa contra devedor insolvente, num primeiro

momento, apresenta um prévio processo de cognição, fase em que o juiz identifica o estado patrimonial do devedor: quais seus bens, quais suas dívidas e quais as possibilidades de ele poder honrar seus compromissos, pagando suas dívidas. Analisa, também, a existência de fatos que possam fazer presumir a insolvência do devedor (CPC 750 I e II). (Código de Processo Civil Comentado. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2012, p. 1.305)

Assim, enquanto não houver a prolatação da sentença de insolvência, não há propriamente execução contra devedor insolvente, mas um processo de cognição que visa à aferição da real situação patrimonial do obrigado, razão pela qual não se evidencia obstáculo a que qualquer credor quirografário escolha o procedimento expropriatório que lhe for mais conveniente, ainda que pendentes execuções individuais.

Humberto Theodoro Junior leciona:

Note-se, outrossim, que mesmo existindo a situação fática da insolvência, não está o credor obrigado a lançar mão da execução concursal. Assiste-lhe o direito de optar entre os dois remédios previstos em lei, de

sorte que poderá "buscar a satisfação de seus direitos de crédito tanto com

o processo de execução singular quanto através de um processo de

execução concursal". (Processo de Execução e Cumprimento de Sentença. São Paulo: Editora Leud, 2009, p. 463-464)

Superior Tribunal de Justiça

Ocorre que, posteriormente à declaração de insolvência - que tem eficácia erga omnes - instaura-se o concurso universal, no qual o Juízo procede à análise da situação dos diversos credores, fixa-lhes as posições no concurso e determina a organização do quadro geral de credores (art. 769 do CPC), expropriando os bens do executado e satisfazendo os credores nos limites da força da massa arrecadada.

Nessa fase, portanto, o Juízo universal, propondo-se à liquidação de todo o patrimônio do executado, unifica a cognição relativamente às questões patrimoniais e torna real e efetiva a aplicação do princípio da igualdade entre os credores (par conditio creditorum), razão pela qual exerce efeito atrativo imediato em relação às ações executórias singulares em curso (art. 762, § 2º, do CPC), cujos efeitos são então obstados.

É o
É
o

Traz-se à colação, mais uma vez, o escólio de Humberto Theodoro Junior:

claro que a opção vigora apenas enquanto inexistir sentença declaratória

do estado de insolvência do devedor, porquanto esta é de eficácia erga omnes, gerando para o devedor a privação da administração dos próprios bens e para os credores a vinculação obrigatória ao juízo universal do concurso.

Na verdade, antes da declaração de insolvência não existe execução contra

insolvente, mas apenas um processo de cognição tendente a verificar a

existência ou não da insolvabilidade. Como lembra Moniz de Aragão, "o processo da execução se inicia, como resulta do art. 751, nº III, através da declaração de insolvência". (Op. Cit. p. 464)

Da mesma forma, o Juízo universal torna incabível o ajuizamento de nova execução individual contra o insolvente, de modo que o juiz "extinguirá o processo por ausência de pressuposto para o seu desenvolvimento eficaz" (Araken de Assis, Op. Cit., p.

949).

4. Com efeito, é inconteste a possibilidade de o credor quirografário utilizar-se da frustração de execução singular, ainda que promovida por outro credor contra o mesmo devedor, como argumento para a propositura da execução universal, pois o próprio autor da execução frustrada também pode propor o concurso universal desde que desista previamente do concurso singular.

Araken de Assis enfatiza que:

Qualquer credor poderá utilizar a constatação da ausência de bens

penhoráveis, produzida em demanda executória alheia, para pleitear em nome próprio a decretação da insolvência do devedor comum. Por outro lado, ao exequente desafortunado, autor da execução infrutífera, caberá desistir da ação antes de postular a execução coletiva. (Op.

Cit

p. 939)

Humberto Theodoro também defende que "tampouco é de se permitir que o credor mantenha simultaneamente a execução singular e a coletiva contra o mesmo devedor.

Superior Tribunal de Justiça

Para instaurar esta deverá desistir daquela." (A Insolvência Civil. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2009, p. 11).

De fato, o autor da execução individual frustrada só pode ingressar com ação visando à declaração de insolvência do devedor - para instaurar o concurso universal -, se antes desistir da execução singular, pois há impossibilidade de utilização simultânea de duas vias judiciais para obtenção de um único bem da vida, sendo certo que a desistência, como causa de extinção da relação processual anterior, necessita ser homologada pelo Juízo.

Nessa ordem de ideias, verifica-se a impossibilidade de o credor pretender alcançar a tutela de um único bem da vida - a percepção de crédito específico -, utilizando-se de duas vias judiciais simultaneamente.

O STF já se manifestou sobre o tema:
O STF já se manifestou sobre o tema:

Insolvência civil. Execução coletiva e execução singular (simultaneidade). Requisitos comuns à instauração de uma e de outra. A instauração do processo de execução, singular ou comum, requisita seja instruída com título executivo líquido e certo, não podendo ser utilizadas simutaneamente as duas vias. Recursos extraordinários não conhecidos. (RE 100.031/PR, Rel. Min. Rafael Mayer, Primeira Turma, DJ de 2/12/1983)

5. No caso concreto, o recorrente não desistiu expressamente da execução anteriormente ajuizada, tendo, inclusive, solicitado a distribuição deste feito por dependência àqueloutro (fl. 6).

Decerto que a execução se dá no exclusivo interesse do credor, que pode dela desistir a qualquer momento, nos termos do art. 569 do CPC, que lhe outorga ampla disponibilidade dos atos executivos:

Art. 569. O credor tem a faculdade de desistir de toda a execução ou de apenas algumas medidas executivas.

Não obstante, a desistência necessita da homologação do Juízo, uma vez que importa a extinção da relação processual executiva, razão pela qual é necessária a sua formulação pelo credor.

É nesse sentido o magistério de Araken de Assis:

E a desistência deverá ser homologada mediante sentença (art. 795). De acordo com Pontes de Miranda, a "desistência da ação depende da homologação pelo juiz, porque o que se tem por fito é a extinção da relação jurídica processual". (Op. Cit. p. 579)

Destarte, malgrado suspensa a execução individual promovida pelo ora recorrente, por insuficiência de bens, deve o exequente dela desistir, antes de postular a declaração de insolvência.

Superior Tribunal de Justiça

6. No entanto, observada a máxima vênia, não deve prevalecer o fundamento do acórdão, no ponto que afirma inexistência do interesse de agir em razão de que o exequente não poderia, aqui nos autos, obter mais do que na execução individual.

Por isso, mantenho o resultado a que chegou o acórdão recorrido - a impossibilidade de ajuizamento, por ora, da ação de insolvência - mas o faço com base em fundamento diverso.

7. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial.

É o voto.

o exposto, nego provimento ao recurso especial. É o voto. Documento: 1208162 - Inteiro Teor do

Superior Tribunal de Justiça

CERTIDÃO DE JULGAMENTO QUARTA TURMA

Número Registro: 2008/0252615-8

PROCESSO ELETRÔNICO REsp 1.104.470 / DF

Números Origem: 20040410137114

PAUTA: 07/02/2013

20070410014325

JULGADO: 07/02/2013

AUTUAÇÃO : : : : AUTO POSTO JB LTDA JAIR PEREIRA DOS SANTOS RICARDO DANIEL
AUTUAÇÃO
:
:
:
:
AUTO POSTO JB LTDA
JAIR PEREIRA DOS SANTOS
RICARDO DANIEL DE OLIVEIRA
SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS
CERTIDÃO

Relator Exmo. Sr. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO

Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO

Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. LUCIANO MARIZ MAIA

Secretária Bela. TERESA HELENA DA ROCHA BASEVI

RECORRENTE

ADVOGADO

RECORRIDO

ADVOGADO

ASSUNTO: Civil - Insolvência

Certifico que a egrégia QUARTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

Após o voto do relator, negando provimento ao recurso, PEDIU VISTA antecipada o Ministro Marco Buzzi. Aguardam os Srs. Ministros Raul Araújo Filho, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos

Ferreira.

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 1.104.470 - DF (2008/0252615-8)

VOTO-VISTA

O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI:

Cuida-se de recurso especial, interposto por Auto Poto JB LTDA, contra

acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.

A Corte local, em suma, manteve sentença extintiva de ação declaratória de

insolvência civil, sob o fundamento de ser inadmissível a deflagração da aludida

o fundamento de ser inadmissível a deflagração da aludida demanda enquanto em trâmite execução singular, por

demanda enquanto em trâmite execução singular, por meio do qual se busca a

satisfazer o mesmo crédito.

Em particular, o acórdão Estadual enfatizou padecer de interesse de agir o

autor da contenda judicial que objetiva a instauração do juízo universal, haja vista a

impossibilidade de tramitação simultânea das mencionadas ações, razão pela qual este

processo restou extinto, sem resolução do mérito, com fulcro no art. 267, VI, do CPC.

Nas razões do recurso especial, interposto com amparo nas alíneas "a" e "c"

do permissivo constitucional, o autor da ação de insolvência civil apontou a existência

de violação aos arts. 750, I e 753, I, ambos do CPC, sob o argumento de que as

instâncias ordinárias criaram óbice inexistente na legislação de regência.

Salientou ser patente seu interesse de agir na decretação de quebra,

porquanto, embora o atual status patrimonial do recorrido não comporte penhora, a

declaração de insolvência civil afastará o devedor da administração dos bens,

possibilitando a incidência do ônus sobre patrimônio futuramente angariado.

O eminente relator, Ministro Luis Felipe Salomão, votou no sentido de negar

provimento ao recurso especial, por vislumbrar, em suma, a "impossibilidade de

utilização simultânea de duas vias judiciais para obtenção de um único bem da

vida", mantendo a extinção do processo de insolvência, porém, por fundamento diverso,

consistente na necessidade de requerimento de desistência da execução singular, o

qual deve ser homologado pelo juízo competente.

Em seguida, pedi vista dos autos para melhor exame da matéria.

Acompanho o eminente relator, no sentido de negar provimento ao recurso

especial.

A tese encampada por sua Excelência reflete a uniformidade doutrinária

quanto ao tema, que veda o trâmite simultâneo de processos objetivando o mesmo fim,

Superior Tribunal de Justiça

sobretudo quando se trata de demanda executiva. E em acréscimo aos fundamentos já deduzidos no aludido voto, destaco também o magistério de Theotônio Negrão et al, para quem "não é possível transformar

execução por quantia certa em pedido de insolvência [

(Theotonio Negrão. José Roberto F. Gouvêa, Luis

Guilherme A. Bondioli, João Francisco N. da Fonseca. Código de Processo Civil e Legislação Processual em Vigor. 44. ed., São Paulo: Saraiva, 2012, p. 909 - GRIFOU-SE). Com efeito, a diretriz apontada no voto condutor resguarda o credor de prejuízos, uma vez que este não será privado de sua pretensão executiva, porquanto o deferimento do processamento do feito execucional interrompe a prescrição (art. 617 do CPC), e a constatação de ausência de bens penhoráveis do devedor suspende seu curso (art. 791, III, do CPC), como, a propósito, leciona Arruda Alvim et al: "durante a suspensão do processo, em virtude da inexistência de bens (art. 791, inc. III), não fluirá a chamada prescrição intercorrente, pois ela pressupõe negligência do credor, por suposto não configurada. Ficará, pois, suspenso o prazo prescricional, qualquer que seja." (Arruda Alvim; Araken de Assis; Eduardo Arruda Alvim. Comentário ao Código de Processo Civil. 1. ed. São Paulo: GZ Ed, 2012, p.

nem se admite a utilização

simultânea de uma ou de outro [

]

]"

a utilização simultânea de uma ou de outro [ ] ]" 1039). Do exposto, voto no

1039).

Do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso, na esteira da conclusão exposta pelo relator. É como voto.

Superior Tribunal de Justiça

CERTIDÃO DE JULGAMENTO QUARTA TURMA

Número Registro: 2008/0252615-8

PROCESSO ELETRÔNICO REsp 1.104.470 / DF

Números Origem: 20040410137114

PAUTA: 19/03/2013

20070410014325

JULGADO: 19/03/2013

AUTUAÇÃO : : : : AUTO POSTO JB LTDA JAIR PEREIRA DOS SANTOS RICARDO DANIEL
AUTUAÇÃO
:
:
:
:
AUTO POSTO JB LTDA
JAIR PEREIRA DOS SANTOS
RICARDO DANIEL DE OLIVEIRA
SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS
CERTIDÃO

Relator Exmo. Sr. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO

Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO

Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. LUCIANO MARIZ MAIA

Secretária Bela. TERESA HELENA DA ROCHA BASEVI

RECORRENTE

ADVOGADO

RECORRIDO

ADVOGADO

ASSUNTO: Civil - Insolvência

Certifico que a egrégia QUARTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

Prosseguindo no julgamento, após o voto-vista do Ministro Marco Buzzi, conhecendo e negando provimento ao recurso especial, acompanhando o relator, e os votos dos Ministros Raul Araujo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira no mesmo sentido, a Quarta Turma negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo Filho, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi (voto-vista) votaram com o Sr. Ministro Relator.