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Exame Nacional do Ensino Médio

ENEM
CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS

VOLUME 1

HISTÓRIA, GEOGRAFIA, FILOSOFIA E SOCIOLOGIA


• ..... Diversidade cultural, conflitos e vida em sociedade – Cultura material e imaterial; patrimônio e diversidade cultural no Brasil. A conquista da
América. Conflitos entre europeus e indígenas na América colonial. A escravidão e formas de resistência indígena e africana na América.
História cultural dos povos africanos. A luta dos negros no Brasil e o negro na formação da sociedade brasileira. História dos povos
indígenas e a formação sociocultural brasileira. Movimentos culturais no mundo ocidental e seus impactos na vida política e social......................01
• ..Formas de organização social, movimentos sociais, pensamento político e ação do Estado – Cidadania e democracia na Antiguidade; Estado
e direitos do cidadão a partir da Idade Moderna; democracia direta, indireta e representativa. Revoluções sociais e políticas na Europa Moderna.
Formação territorial brasileira; as regiões brasileiras; políticas de reordenamento territorial. As lutas pela conquista da independência política
das colônias da América. Grupos sociais em conflito no Brasil imperial e a construção da nação. O desenvolvimento do pensamento liberal
na sociedade capitalista e seus críticos nos séculos XIX e XX. Políticas de colonização, migração, imigração e emigração no Brasil nos
séculos XIX e XX. A atuação dos grupos sociais e os grandes processos revolucionários do século XX: Revolução Bolchevique, Revolução
Chinesa, Revolução Cubana. Geopolítica e conflitos entre os séculos XIX e XX: Imperialismo, a ocupação da Ásia e da África, as Guerras
Mundiais e a Guerra Fria. Os sistemas totalitários na Europa do século XX: nazi- fascista, franquismo, salazarismo e stalinismo. Ditaduras
políticas na América Latina: Estado Novo no Brasil e ditaduras na América. Conflitos político-culturais pós-Guerra Fria, reorganização política
internacional e os organismos multilaterais nos séculos XX e XXI. A luta pela conquista de direitos pelos cidadãos: direitos civis, humanos,
políticos e sociais. Direitos sociais nas constituições brasileiras. Políticas afirmativas. Vida urbana: redes e hierarquia nas cidades,
pobreza e segregação espacial..............................................................................................................................................................................01
• Características e transformações das estruturas produtivas – Diferentes formas de organização da produção: escravismo antigo, feudalismo,
capitalismo, socialismo e suas diferentes experiências. Economia agroexportadora brasileira: complexo açucareiro; a mineração no período
colonial; a economia cafeeira; a borracha na Amazônia. Revolução Industrial: criação do sistema de fábrica na Europa e transformações no
processo de produção. Formação do espaço urbano-industrial. Transformações na estrutura produtiva no século XX: o fordismo, o toyotismo,
as novas técnicas de produção e seus impactos. A industrialização brasileira, a urbanização e as transformações sociais e trabalhistas.
A globalização e as novas tecnologias de telecomunicação e suas consequências econômicas, políticas e sociais. Produção e transformação
dos espaços agrários. Modernização da agricultura e estruturas agrárias tradicionais. O agronegócio, a agricultura familiar, os assalariados
do campo e as lutas sociais no campo. A relação campo-cidade ....... ..................................................................................................................76
• Os domínios naturais e a relação do ser humano com o ambiente – Relação homem- natureza, a apropriação dos recursos naturais pelas
sociedades ao longo do tempo. Impacto ambiental das atividades econômicas no Brasil. Recursos minerais e energéticos: exploração e
impactos. Recursos hídricos; bacias hidrográficas e seus aproveitamentos. As questões ambientais contemporâneas: mudança climática,
ilhas de calor, efeito estufa, chuva ácida, a destruição da camada de ozônio. A nova ordem ambiental internacional; políticas territoriais
ambientais; uso e conservação dos recursos naturais, unidades de conservação, corredores ecológicos, zoneamento ecológico e econômico.
Origem e evolução do conceito de sustentabilidade. Estrutura interna da terra. Estruturas do solo e do relevo; agentes internos e externos
modeladores do relevo. Situação geral da atmosfera e classificação climática. As características climáticas do território brasileiro. Os grandes
domínios da vegetação no Brasil e no mundo .............. .........................................................................................................................................62
• Representação espacial – Projeções cartográficas; leitura de mapas temáticos, físicos e políticos; tecnologias modernas aplicadas à
cartografia ......................... ...................................................................................................................................................................................175

1 ENEM - VOL.1

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pela expulsão dos muçulmanos. Antecipando-se aos demais países euro-
peus, Portugal já é uma nação centralizada politicamente em torno de um
único monarca no século XII. O primeiro rei de Portugal, Afonso I, assume
o trono pelas armas em 1139. Ele inaugura a dinastia dos Borgonha,
reconhecida pelo papa em 1179.
Vocação comercial e marítima – Na porta de saída do Mediterrâneo
para o Atlântico, os portos de Portugal são pontos de passagem obrigatória
• Diversidade cultural, conflitos e vida em sociedade – Cultura para as embarcações que percorrem a rota entre as cidades italianas e os
material e imaterial; patrimônio e diversidade cultural no Brasil. mercados do norte da Europa. Cedo surgem ricos comerciantes e armado-
A conquista da América. Conflitos entre europeus e indígenas res, e os marinheiros portugueses conhecem todos os portos da Europa e
na América colonial. A escravidão e formas de resistência do norte da África.
indígena e africana na América. História cultural dos povos A dinastia de Avis – Na época das grandes navegações e descobri-
africanos. A luta dos negros no Brasil e o negro na formação mentos, reina em Portugal a Casa de Avis, dinastia fundada por dom João
da sociedade brasileira. História dos povos indígenas e a for- I, o Mestre de Avis, em 1385, após uma crise sucessória no reino. Ele
mação sociocultural brasileira. Movimentos culturais no mun- conquista a Coroa pelas armas, apoiado pela pequena nobreza, campone-
do ocidental e seus impactos na vida política e social. ses, comerciantes, armadores e ricos representantes dos ofícios urbanos.
• Formas de organização social, movimentos sociais, pensa- Todos têm um interesse em comum: a expansão comercial e marítima.
mento político e ação do Estado – Cidadania e democracia na Escola de Sagres
Antiguidade; Estado e direitos do cidadão a partir da Idade A busca de uma nova rota para o Oriente exige o aperfeiçoamento das
Moderna; democracia direta, indireta e representativa. Revolu- técnicas de navegação até então conhecidas. Portugal faz isso sob a
ções sociais e políticas na Europa Moderna. Formação territo- direção do infante dom Henrique, irmão do rei dom João I. O infante reúne
rial brasileira; as regiões brasileiras; políticas de reordenamen- no promontório de Sagres, no Algarve, os maiores especialistas em nave-
to territorial. As lutas pela conquista da independência política gação, cartografia, astronomia, geografia e construção naval. Forma,
assim, o mais completo e inovador centro de estudos náuticos da época.
das colônias da América. Grupos sociais em conflito no Brasil
imperial e a construção da nação. O desenvolvimento do pen- Tecnologia marítima portuguesa – Os especialistas de Sagres aper-
feiçoam instrumentos de navegação, como a bússola, o astrolábio, o
samento liberal na sociedade capitalista e seus críticos nos
quadrante, a balestilha e o sextante. Desenvolvem a cartografia moderna e
séculos XIX e XX. Políticas de colonização, migração, imigra- são os primeiros a calcular com precisão a circunferência da Terra em
ção e emigração no Brasil nos séculos XIX e XX. A atuação dos léguas, numa época em que poucos acreditavam que o planeta fosse
grupos sociais e os grandes processos revolucionários do redondo.
século XX: Revolução Bolchevique, Revolução Chinesa, Revo- Caravela latina – Em Sagres nasce a caravela latina: robusta para
lução Cubana. Geopolítica e conflitos entre os séculos XIX e poder enfrentar mar alto e tempo ruim, pequena para explorar litorais
XX: Imperialismo, a ocupação da Ásia e da África, as Guerras recortados e ágil para navegar com ventos contrários. Com essa embarca-
Mundiais e a Guerra Fria. Os sistemas totalitários na Europa do ção exclusiva dos portugueses, os navegadores do reino enfrentam os
século XX: nazi- fascista, franquismo, salazarismo e stalinis- perigos e surpresas do "mar Oceano", exploram o litoral da África e encon-
mo. Ditaduras políticas na América Latina: Estado Novo no tram o caminho marítimo para o Oriente.
Brasil e ditaduras na América. Conflitos político-culturais pós- Expansão marítima portuguesa
Guerra Fria, reorganização política internacional e os organis-
A tomada de Ceuta, no norte da África, em 1415, marca o início da ex-
mos multilaterais nos séculos XX e XXI. A luta pela conquista pansão portuguesa rumo à África e à Ásia. Em menos de um século,
de direitos pelos cidadãos: direitos civis, humanos, políticos e Portugal domina as rotas comerciais do Atlântico sul, da África e da Ásia.
sociais. Direitos sociais nas constituições brasileiras. Políticas Sua presença é tão marcante nesses mercados que, do século XVI ao
afirmativas. Vida urbana: redes e hierarquia nas cidades, po- XVIII, o português é usado nos portos como língua franca – aquela que
breza e segregação espacial. permite o entendimento entre marinheiros de diferentes nacionalidades.
Financiamento das viagens – A expansão ultramarina envolve somas
milionárias. Para financiá-la, a Coroa portuguesa aumenta impostos, recor-
No século XV a nova burguesia europeia e parcelas da nobreza bus-
re a empréstimos junto a grandes comerciantes e banqueiros, inclusive
cam na expansão comercial uma saída para a crise econômica do conti-
italianos, e aos recursos acumulados pela Ordem de Cristo, herdeira da
nente. Procuram novos mercados produtores e consumidores, já que o
antiga Ordem dos Templários.
comércio entre Europa e Oriente feito através do Mediterrâneo é insuficien-
te para gerar as riquezas necessárias para solucionar a crise europeia. Templários – Braço armado da Igreja, a Ordem dos Templários enri-
Tentam superar o controle exercido por Veneza e Gênova sobre os produ- quece com os saques realizados no Oriente Médio durante as cruzadas,
tos das Índias, nome genérico que inclui todo o Oriente. nos séculos XII e XIII. Com hierarquia própria, homens armados e muito
Novas rotas comerciais – Os objetivos da nova burguesia comercial dinheiro, transforma-se em um poder paralelo dentro da Igreja. Dissolvida
europeia são alcançar a África, com suas cobiçadas fontes de ouro e prata, pelo papa, os integrantes da ordem são perseguidos por toda a Europa.
e as Índias, terra das especiarias, sedas e pedrarias. O empreendimento é Portugal acolhe os templários e suas fortunas durante o reinado de dom
dispendioso e arriscado. Significa sair do mar Mediterrâneo e enfrentar o Diniz, de 1279 a 1325. Eles fundam a Ordem de Cristo. Dom Henrique,
desconhecido "mar Oceano", ou "mar Tenebroso", como o Atlântico é membro da ordem e administrador de seus recursos, usa essa riqueza
chamado na época. Entre todos os povos que se organizam para a aventu- para financiar o projeto ultramarino.
ra, os portugueses saem na frente, seguidos por espanhóis, ingleses, Conquista da costa africana – Entre 1421 e 1434 os lusitanos che-
franceses e holandeses. gam aos arquipélagos da Madeira e dos Açores e avançam para além do
Pioneirismo de Portugal cabo Bojador. Em 1436 atingem o Rio Douro e começam a conquista da
Um conjunto de fatores favoráveis explica a dianteira dos portugueses Guiné. Ali se apropriam da Mina, centro aurífero explorado pelos reinos
na expansão marítima do século XV. Os mais importantes são a precoce nativos em associação aos comerciantes mouros, a maior fonte de ouro de
centralização política do reino, posição geográfica, rápida formação de uma toda a história de Portugal. Em 1441 os portugueses chegam ao cabo
burguesia comercial e, o mais significativo, uma dinastia que aposta na Branco. Em 1444 atingem a ilha de Arguim, onde instalam a primeira
expansão comercial. feitoria em território africano, e iniciam a comercialização de escravos,
marfim e ouro. Entre 1445 e 1461 descobrem Cabo Verde, navegam pelos
Centralização política de Portugal – O surgimento de Portugal como
rios Senegal e Gâmbia e avançam até Serra Leoa. De 1470 a 1475 explo-
nação independente está vinculado às lutas travadas na península Ibérica
ram a costa de Serra Leoa até o cabo Santa Catarina. Em 1482 chegam a

Ciências Humanas e suas Tecnologias 1 A Opção Certa Para a Sua Realização


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São Jorge da Mina e avançam até o rio Zaire, o trecho mais difícil da costa
ocidental africana. Cinco anos mais tarde, em 1487, Bartolomeu Dias
atinge o cabo das Tormentas, no extremo sul do continente – que passa a
ser chamado de cabo da Boa Esperança –, e atinge o Índico. Conquista,
assim, o trecho mais difícil do caminho para as Índias.
Cristóvão Colombo em Sagres – Na época em que os portugueses
atingem a foz do rio Zaire, Cristóvão Colombo trabalha para Portugal e
integra a equipe de pilotos de Sagres. Ali elabora seus cálculos – errados –
sobre a circunferência da Terra em léguas: imagina as Índias muito mais
próximas da Europa. Em 1483 oferece ao rei de Portugal dom João II seu
projeto de alcançar as Índias pelo ocidente. Como os portugueses já têm
seus próprios planos – chegar às Índias contornando a África –, rejeitam a
proposta de Colombo, mais tarde bancada pela Espanha. Fonte – Barsa
Projeto de navios do período da Expansão
Expansão Marítima
História Por Algosobre
Eram enormes as dificuldades que tinham de ser superadas para na-
vegar pelos oceanos. As embarcações tinham de ser melhoradas e as
A crise de crescimento do século XV técnicas de navegação precisavam ser aprimoradas. No século XV, inven-
tou-se a caravela. A bússola e o astrolábio passaram a ser empregados
No início da Idade Moderna, surgiu um descompasso na economia eu-
como instrumentos de orientação no mar, e a cartografia passou por gran-
ropeia, entre a capacidade de produção e consumo na zona rural e na
des progressos. Ao mesmo tempo, a antiga concepção sobre a forma da
zona urbana. A produção agrícola no campo estava limitada pelo regime de
Terra começou a ser posta em dúvida. Seria a Terra realmente um disco
trabalho servil. O resultado disso era uma produtividade baixa e, conse-
chato e plano, cujos limites eram precipícios sem fim? Uma nova hipótese
quentemente, a falta de alimentos para abastecer os núcleos urbanos. Já a
sobre a forma de nosso planeta começou a surgir: o planeta teria a forma
produção artesanal nas cidades era alta e não encontrava consumidores
de uma esfera.
na zona rural, devido ao baixo poder aquisitivo dos trabalhadores rurais e
ao caráter auto-suficiente da produção feudal. Nessa nova concepção, se alguém partisse de um ponto qualquer da
Terra e navegasse sempre na mesma direção, voltaria ao ponto de partida.
Além disso, o comércio internacional europeu, baseado na compra de
O desejo de desbravar os oceanos, descobrir novos mundos e fazer fortu-
produtos orientais (especiarias, objetos raros, pedras preciosas), tendia a
na animava tanto os navegantes, que eles chegavam a se esquecer do
se estagnar, pois os nobres, empobrecidos pela crise do feudalismo, cada
medo que tinham do desconhecido. Dois Estados se destacaram na con-
vez compravam menos essas mercadorias. Os tesouros acumulados pela
quista dos mares: Portugal e Espanha."
nobreza durante as Cruzadas escoavam para o Oriente, em pagamento
das especiarias. O resultado disso foi a escassez de metais preciosos na Consequências dos grandes descobrimentos.
Europa, o que criava mais dificuldades ainda para o desenvolvimento do
comércio. A expansão marítima europeia iniciou uma fase de crescente interde-
pendência mundial, em proveito das nações colonizadoras, que dominaram
A solução para esses problemas estava na exploração de novos mer- o mundo política, econômica e culturalmente até 1914. Tal hegemonia foi
cados, capazes de fornecer alimentos e metais preciosos a baixo custo e, total na América, cuja população indígena, dizimada na maior parte, só
ao mesmo tempo, aptos para consumir os produtos artesanais fabricados sobreviveu na medida em que pôde adaptar-se às novas condições de vida
nas cidades europeias. Mas onde encontrar esses novos mercados? impostas pelos conquistadores. A África negra foi devastada demográfica e
culturalmente pelo tráfico negreiro, que forneceu milhões de escravos ao
O comércio com o Oriente estava indicando o caminho. Os mercados
Novo Mundo. A partir do século XVIII e sobretudo no XIX, a Ásia oriental
da Índia, da China e do Japão eram controlados pelos mercadores árabes
(exceto o Japão) e a Oceania ficaram submetidas aos interesses políticos e
e seus produtos chegavam à Europa ocidental através do mar Mediterrâ-
econômicos do Ocidente. O Atlântico e o Pacífico predominaram desde
neo, controlado por Veneza, Gênova e outras cidades italianas. O grande
então no comércio mundial.
número de intermediários nesse longo trajeto encarecia muito as mercado-
rias. Mas se fosse descoberta uma nova rota marítima que ligasse a Euro- Na Europa, o afluxo do ouro e da prata da América, do século XVI ao
pa diretamente aos mercados do Oriente, o preço das especiarias se XVIII, superou em muito o do ouro africano do século XV e influenciou
reduziria e as camadas da população europeia com poder aquisitivo mais poderosamente as transformações econômicas, sociais e políticas, das
baixo poderiam vir a consumi-las. quais a burguesia foi a principal beneficiária. Os produtos tropicais originá-
rios do Novo Mundo (algodão e fumo) ou nele introduzidos (açúcar) torna-
No século XV, a burguesia europeia, apoiada por monarquias nacio-
ram-se fonte de riqueza para minorias de colonos europeus e suas respec-
nais fortes e capazes de reunir grandes recursos, começou a lançar suas tivas metrópoles, generalizando-se seu consumo na Europa e mesmo em
embarcações nos oceanos ainda desconhecidos — Atlântico, Indico e outros continentes, a exemplo do fumo na África e na Ásia. Plantas alimen-
Pacífico - em busca de novos caminhos para o Oriente. Nessa aventura
tícias americanas como a batata e o milho melhoraram a dieta popular
marítima, os governos europeus dominaram a costa da África, atingiram o
europeia. Generalizou-se o consumo de especiarias, os produtos de luxo
Oriente e descobriram um mundo até então desconhecido: a América.
orientais difundiram-se e geraram imitações (porcelana). E a geografia, as
Com a descoberta de novas rotas comerciais, a burguesia europeia ciências biológicas, a história e a etnografia enriqueceram-se enormemen-
encontrou outros mercados fornecedores de alimentos, de metais precio- te.
sos e de especiarias a baixo custo. Isso permitiu a ampliação do mercado
-o0o-
consumidor, pois as pessoas de poder aquisitivo mais baixo puderam
adquirir as mercadorias, agora vendidas a preços menores. A História do Brasil compreende, tradicionalmente, o período desde a
chegada dos portugueses até os dias atuais, embora o seu território seja
A expansão comercial e marítima dos tempos modernos foi, portanto,
habitado continuamente desde tempos pré-históricos por povos indígenas.
uma consequência da crise de crescimento da economia europeia.
Após a chegada dePedro Álvares Cabral, capitão-mor de expedição portu-
Outras condições à expansão marítima europeia guesa a caminho das Índias, ao litoral sul da Bahia em 1500, aCoroa
portuguesa implementou uma política de colonização para a terra recém-
A expansão marítima só foi possível graças à centralização do poder descoberta a partir de 1530. A colonização europeia se organizou por meio
nas mãos dos reis. Um comerciante rico, uma grande cidade ou mesmo da distribuição de capitanias hereditárias pela coroa portuguesa a mem-
uma associação de mercadores muito ricos não tinham condições de reunir bros da nobreza e pela instalação de um governo-geral em 1548.
o capital necessário para esse grande empreendimento. Apenas o rei era
capaz de captar recursos de toda a nação para financiar as viagens ultra-
marinas.

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nicação, extinguiu os partidos políticos e criou o bipartidarismo. Após o fim
do regime militar, os deputados federais e senadores se reuniram , em
1988, em assembleia nacional constituintee promulgaram a nova Constitui-
ção, que amplia os direitos individuais. O país se redemocratiza,avança
economicamente e cada vez mais se insere no cenário internacional.
Período colonial (1500-1808)
A chegada dos portugueses
O período compreendido entre o Descobrimento do Brasil em 1500,
(chamado pelos portugueses de Achamento do Brasil), até a Independên-
cia do Brasil, é chamado, no Brasil, de Período Colonial. Os portugueses,
porém, chamam este período de A Construção do Brasil, e o estendem até
1825- 1826 quando Portugal reconheceu a independência do Brasil.
Há algumas teorias sobre quem foi o primeiro europeu a chegar nas
terras que hoje formam o Brasil. Entre elas, destacam-se a que defende
que foi Duarte Pacheco Pereira entre novembro e dezembro de 1498
[15][16] e a que argumenta que foi o espanholVicente Yáñez Pinzón no dia
A economia da colônia, iniciada com o extrativismo do pau-brasil e as 16 de janeiro de 1500. No entanto, oficialmente o Brasil foi descoberto em
trocas entre os colonos e os índios, gradualmente passou a ser dominada 22 de abril de 1500, pelo capitão-mor duma expedição portuguesa em
pelo cultivo da cana-de-açúcar para fins de exportação. Com a expansão busca das Índias, Pedro Álvares Cabral, que chegou ao litoral sul daBahia,
dos engenhos e a ocupação de novas áreas para seu cultivo, o território na região da atual cidade de Porto Seguro, mais precisamente no distrito
brasileiro se insere nas rotas de comércio do velho mundo e passa a ser de Coroa Vermelha,
paulatinamente ocupado por senhores de terra, missionários, homens
livres e largos contingentes de escravos africanos. No final do século XVII No dia 9 de março de 1500, o português Pedro Álvares Cabral, saindo
de Lisboa, iniciou viagem para oficialmente descobrir e tomar posse das
foram descobertas ricas jazidas de ouro nos atuais estados de Minas
novas terras para a Coroa, e depois seguir viagem para a Índia, contornan-
Gerais, Goiás e Mato Grosso que foi determinante para o povoamento do
do a África para chegar aCalecute.[21] Levava duas caravelas e 13 naus, e
interior do Brasil. Em 1789, quando a Coroa portuguesa anunciava aDer-
por volta de 1 500 homens - entre os mais experientes Nicolau Coelho, que
rama, medida para cobrar supostos impostos atrasados, eclodiu em Vila
acabava de regressar da Índia; Bartolomeu Dias, que descobrira o cabo da
Rica (atual Ouro Preto) a Inconfidência Mineira. A revolta fracassou e, em
Boa Esperança, e seu irmão Diogo Dias, que mais tarde Pero Vaz de
1792, um de seus líderes, Tiradentes, morreu enforcado.
Caminha descreveria dançando na praia em Porto Seguro com os índios,
Em 1808, com a transferência da corte portuguesa para o Brasil, fu- «ao jeito deles e ao som de uma gaita». As principais naus se chamavam
gindo das tropas de Napoleão Bonaparte, o Príncipe-regente Dom João de Anunciada, São Pedro, Espírito Santo, El-Rei, Santa Cruz, Fror de la
Bragança, filho da Rainha Dona Maria I, abriu os portos da então colônia, Mar,Victoria e Trindade.[24] O vice-comandante da frota era Sancho de
permitiu o funcionamento de fábricas e fundou o Banco do Brasil. Em 1815, Tovar e outros capitães eram Simão de Miranda, Aires Gomes da Silva,
o então Estado do Brasil, uma colônia do império português, tornou-se um Nuno Leitão,[25] Vasco de Ataíde, Pero Dias, Gaspar de Lemos, Luís
reino unido com Portugal, e a então Rainha Dona Maria I, foi coroada Pires, Simão de Pina, Pedro de Ataíde, de alcunha o inferno, além dos já
rainha do reino unido de Portugal, Brasil e Algarves. Com a morte da mãe, citados Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias. Por feitor, a armada trazia Aires
o então Príncipe-regente Dom João de Bragança foi coroado rei, em 1816. Correia, que havia de ficar na Índia, e por escrivães Gonçalo Gil Barbosa e
Logo depois volta para Portugal, deixando seu filho mais velho, Dom Pedro Pero Vaz de Caminha. Entre os pilotos, que eram os verdadeiros navega-
de Alcântara de Bragança, o príncipe real do reino unido, como regente do dores, vinham Afonso Lopes e Pero Escobar. Diz a Crônica do Sereníssi-
Brasil. mo Rei D. Manuel I:
Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro de Alcântara proclamou a in- E, porque el Rei sempre foi mui inclinado às coisas que tocavam a
dependência do Brasil em relação ao reino unido de Portugal, Brasil e nossa Santa fé católica, mandou nesta armada oito frades da ordem de S.
Algarves, e fundou o Império do Brasil, sendo coroado imperador como Francisco, homens letrados, de que era Vigário frei Henrique, que depois
Dom Pedro I. O mesmo reinou até 1831, quando abdicou e passou a Coroa foi confessor del Rei e Bispo de Ceuta, os quais como oito capelães e um
brasileira ao seu filho, Dom Pedro de Alcântara, que tinha apenas cinco vigário, ordenou que ficassem em Calecut, para administrarem os sacra-
anos. Aos catorze anos, em 1840, Dom Pedro de Alcântara(filho) teve sua mentos aos portugueses e aos da terra se se quisessem converter à fé.—
maioridade declarada, sendo coroado imperador no ano seguinte, como Crônica do Sereníssimo Rei D. Manuel I
Dom Pedro II. No final da primeira década do Segundo Reinado, o regime
Âncoras levantadas em Lisboa, a frota passou por São Nicolau, no ar-
estabilizou-se. As províncias foram pacificadas e a última grande insurrei-
quipélago de Cabo Verde, em 16 de março. Tinham-se afastado da costa
ção, a Revolta Praieira, foi derrotada em 1849. Nesse mesmo ano, o
africana perto das Canárias, tocados pelos ventos alísios em direção ao
imperador extingue o tráfico de escravos. Aos poucos, os imigrantes euro-
ocidente. Em 21 de abril, da nau capitânea avistaram-se no mar, boiando,
peus assalariados substituíram os escravos. No contexto geopolítico, o
plantas. Mais tarde surgiram pássaros marítimos, sinais de terra próxima.
Brasil se alia à Argentina e Uruguai e entra em guerra contra o Paraguai.
Ao amanhecer de 22 de abril ouviu-se um grito de "terra à vista", pois se
No final do conflito, quase dois terços da população paraguaia estava
avistou o monte que Cabral batizou de Monte Pascoal, no litoral sul da
morta. A participação de negros e mestiços nas tropas brasileiras na Guer-
ra do Paraguai deu grande impulso ao movimento abolicionista e ao declí- atual Bahia.
nio da monarquia. Pouco tempo depois, em 1888, a princesa imperial do Ali aportaram as naus, discutindo-se até hoje se teria sido exatamente
Brasil, D. Isabel de Bragança, filha de Dom Pedro II, assina a Lei Áurea, em Porto Seguro ou em Santa Cruz Cabrália(mais precisamente no ilhéu
que extingue aescravidão no Brasil. Ao abandonar os proprietários de de Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz Cabrália), e fizeram
escravos, sem os indenizar, o império brasileiro perde a última base de contato com os tupiniquins, indígenas pacíficos. A terra, a que os nativos
sustentação. chamavam Pindorama ("terra das palmeiras"), foi a princípio chamada
pelos portugueses de Ilha de Vera Cruz e nela foi erguido um padrão
Em 15 de novembro de 1889, ocorre a proclamação da república pelo
(marco de posse em nome da Coroa Portuguesa). Mais tarde, a terra seria
marechal Manuel Deodoro da Fonseca e tem início a República Velha,
rebatizada como Terra de Santa Cruz e posteriormente Brasil. Estava
terminada em 1930com a chegada de Getúlio Vargas ao poder. A partir
situada 5.000 km ao sul das terras descobertas por Cristóvão Colombo em
daí, a história do Brasil destaca a industrialização do Brasil e a participação
1492 e 1.400 quilômetros aquém da Linha de Tordesilhas. Sérgio Buarque
brasileira na Segunda Guerra Mundialao lado dos Estados Unidos; o
de Holanda descreve, em História Geral da Civilização Brasileira:
movimento militar de 1964, onde o general Castelo Branco assumiu a
presidência. Tendo velejado para o norte, acharam dez léguas mais adiante um ar-
recife com porto dentro, muito seguro. No dia seguinte, sábado, entraram
O Regime Militar, a pretexto de combater a subversão e a corrupção,
os navios no porto e ancoraram mais perto da terra. O lugar, que todos
suprimiu direitos constitucionais, perseguiu e censurou os meios de comu-

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acharam deleitoso, proporcionava boa ancoragem e podia abrigar mais de retorno a Lisboa em 7 de setembro de 1502, depois de percorrer a costa e
200 embarcações. Alguma gente de bordo foi à terra, mas não pode en- dar nome aos principais acidentes geográficos. Sobre o comandante,
tender a algaravia dos habitantes, diferente de todas as línguas conheci- podem ter sido D. Nuno Manuel, André Gonçalves, Fernão de Noronha,
das. Gonçalo Coelho ou Gaspar de Lemos, sendo este último o nome mais
aceito. Em 1501, no dia 1 de novembro, foi descoberta a Baía de Todos os
Santos, na atual Bahia, local que mais tarde seria escolhido por D. João III
para abrigar a sede da administração colonial.
Alguns historiadores negam a hipótese de Gonçalo Coelho, que só te-
ria partido de Lisboa em 1502. O Barão do Rio Branco, em suas Efeméri-
des, fixa-se em André Gonçalves, que é a versão mais comumente aceita.
Mas André Gonçalves fazia parte da armada de Cabral, que retornou a
Lisboa quando a expedição de 1501 já partira para o Brasil e com ela
cruzou na altura do arquipélago de Cabo Verde.
Assim, diversos historiadores optam por Gaspar de Lemos, que entre
junho e julho de 1500 havia chegado a Portugal com a notícia do desco-
brimento. O florentino Américo Vespúcio vinha como piloto na frota (e por
seu nome seria batizado todo o continente, mais tarde). Depois de 67 dias
de viagem, em 16 de agosto, a frota alcançou o que hoje é oCabo de São
Roque (Paraíba) e, segundo Câmara Cascudo, ali plantou o marco de
posse mais antigo do Brasil. Houve, na ocasião, contatos entre portugue-
ses e os índios potiguaras.
Ao longo das expedições, os portugueses costumavam batizar os aci-
No dia 26 de abril, um domingo (o de Pascoela), foi oficiada a primeira dentes geográficos segundo o calendário com os nomes dos santos dos
missa no solo brasileiro por frei Henrique Soares (ou frei Henrique de dias, ignorando os nomes locais dados pelos nativos. Em 1 de novembro
Coimbra),[22] que pregou sobre o Evangelho do dia. Batizaram a terra (Dia de Todos os Santos), chegaram à Baía de Todos os Santos, em 21 de
como Ilha da Vera Cruz no dia 1 de maio e numa segunda missa Cabral dezembro (dia de São Tomé) ao Cabo de São Tomé, em 1 de janeiro de
tomou posse das terras em nome do rei de Portugal. No mesmo dia, os 1502 à Baía da Guanabara (por isso batizada de "Rio de Janeiro") e no dia
navios partiram, deixando na terra pelo menos dois degredados e dois 6 de janeiro (Dia de Reis) àangra (baía) batizada como Angra dos Reis.
grumetes que haviam fugido de bordo. Cabral partiu para a Índia pela via Outros lugares descobertos foram a foz do rio São Francisco e o Cabo
certa que sabia existir a partir da costa brasileira, isto é, cruzou outra vez o Frio, entre vários. As três naus que chegaram à Guanabara eram coman-
Oceano Atlântico e costeou a África. dadas por Gonçalo Coelho, e nela vinha Vespúcio. Tomando a estreita
O rei D. Manuel I recebeu a notícia do descobrimento por cartas escri- entrada da barra pela foz de um rio, chamaram-na Rio de Janeiro, nome
tas por Mestre João, físico e cirurgião de D. Manuel[22] e Pero Vaz de que se estendeu à cidade de São Sebastião que ali se ergueria mais tarde.
Caminha, semanas depois. Transportadas na nau de Gaspar de Lemos, as Em 1503 houve nova expedição, desta vez comandada (sem contro-
cartas descreviam de forma pormenorizada as condições geográficas e vérsias) por Gonçalo Coelho, sem ser estabelecido qualquer assentamento
seus habitantes, desde então chamados de índios. Atento aos objetivos da ou feitoria. Foi organizada em função um contrato do rei com um grupo de
Coroa na expansão marítima, Caminha informava ao rei: comerciantes de Lisboa para extrair o pau-brasil. Trazia novamente Vespú-
Nela até agora não podemos saber que haja ouro nem prata, nem al- cio e seis navios. Partiu em maio de Lisboa, esteve em agosto na ilha de
guma coisa de metal nem de ferro lho vimos; pero a terra em si é de muitos Fernando de Noronha e ali afundou a nau capitânia, dispersando-se a
bons ares, assi frios e temperados como os d'antreDoiro e Minho, porque armada. Vespúcio pode ter ido para a Bahia, passado seis meses em Cabo
neste tempo de agora assi os achamos como os de lá; águas são muitas Frio, onde fez entrada de 40 léguas terra adentro. Ali teria deixado 24
infindas e em tal maneira é graciosa, que querendo aproveitar-se dar-se-á homens com mantimentos para seis meses. Coelho, ao que parece, esteve
nela tudo por bem das águas que tem; pero o melhor fruto que nela se recolhido na região onde se fundaria depois a cidade do Rio de Janeiro,
pode fazer me parece que será salvar esta gente (…) boa e de boa simpli- possivelmente durante dois ou três anos.
cidade. — Pero Vaz Caminha
Damião de Góis narra o descobrimento em sua língua renascentista:
Navegando a loeste, aos xxiiij dias do mes Dabril viram terra, do que
forão muito alegres, porque polo rumo em que jazia, vião não ser nenhuma
das que até então eram descubertas. Padralures Cabral fez rosto para
aquela banda & como forão bem à vista, mandou ao seu mestre que no
esquife fosse a terra, o qual tornou logo com novas de ser muito fresca &
viçosa, dizendo que vira andar gente baça & nua pela praia, de cabelo
comprido & corredio, com arcos & frechas nas mãos, pelo que mandou
alguns dos capitães que fossem com os bateis armados ver se isto era
assi, os quaes sem sairem em terra tornaram à capitaina afirmando ser
verdade o que o mestre dixera. Estando já sobrancora se alevantou de
noite hum temporal, com que correram de longo da costa ate tomarem hum
porto muito bom, onde Pedralures surgio com as outras naos & por ser tal
lhe pos nome Porto Seguro. —Damião de Góis
Além das cartas acima mencionadas, outro importante documento so-
bre o descobrimento do Brasil é o Relato do Piloto Anônimo. De início, a
descoberta da nova terra foi mantida em sigilo pelo Rei de Portugal. O
Detalhe do mapa "Terra Brasilis" (Atlas Miller,1519), atualmente na
resto do mundo passou a conhecer o Brasil desde pelo menos 1507,
Biblioteca Nacional de França.
quando a terra apareceu com o nome deAmérica na carta (mapa) de Martin
Waldseemuller, no qual está assinalado na costa o Porto Seguro. Nessa ocasião, Vespúcio, a serviço de Portugal, retornou ao maior
Expedições exploratórias porto natural da costa brasileira, a Baía de Todos os Santos. Durante as
Em 1501, uma grande expedição exploratória, a primeira frota de re- três primeiras décadas, o litoral baiano, com suas inúmeras enseadas,
conhecimento, com três naus, encontrou como recurso explorável apenas serviu fundamentalmente como apoio à rota da Índia, cujo comércio de
o pau-brasil, de madeira avermelhada e valiosa usada na tinturaria euro- produtos de luxo – seda, tapetes, porcelana e especiarias – era mais
peia, mas fez um levantamento da costa. Comandada por Gaspar de vantajoso que os produtos oferecidos pela nova colônia. Nos pequenos e
Lemos, a viagem teve início em 10 de maio de 1501 e findaria com o grandes portos naturais baianos, em especial no de Todos os Santos, as

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frotas se abasteciam de água e de lenha e aproveitavam para fazer peque- terra. Foram denominadas expedições guarda-costas, sendo mais marcan-
nos reparos. tes as duas comandadas por Cristóvão Jacques, de 1516-1519 e 1526-
1528. Suas expedições tinham caráter basicamente militar, com missão de
No Rio de Janeiro, alguns navios aportaram no local que os índios aprisionar os navios franceses que, sem pagar tributos à coroa, retiravam
chamavam de Uruçu-Mirim, a atual praia do Flamengo. Junto à foz do rio grandes quantidades do pau-brasil. A iniciativa teve poucos resultados
Carioca (outrora abundante fonte de água doce) foram erguidas uma casa práticos, considerando a imensa extensão do litoral e, como solução,
de pedra e um arraial, deixando-se no local degredados e galinhas. A Jacques sugeriu à Coroa dar início ao povoamento.
construção inspirou o nome que os índios deram ao local (cari-oca, "casa
dos brancos"), que passaria a ser o gentílico da cidade do Rio. O arraial, no A expedição enviada em 1530 sob a chefia de Martim Afonso de Sou-
entanto, foi logo destruído. Outras esquadras passariam pela Guanabara: a sa tinha por objetivos explorar melhor a costa, expulsar os franceses que
de Cristóvão Jacques, em 1516; a de Fernão de Magalhães (que chamou o rondavam o sul e as cercanias do Rio de Janeiro, e estabelecer núcleos de
local de Baía de Santa Luzia), em 1519, na primeiracircunavegação do colonização ou feitorias, como a estabelecida em Cabo Frio. Martim Afonso
mundo; outra vez a de Jacques, em 1526, e a de Martim Afonso de Sousa, doou as primeiras sesmarias do Brasil. Foram fundados por esta expedição
em 1531. os núcleos de São Vicente e São Paulo, onde o português João Ramalho
vivia como náufrago desde 1508 e casara-se com a índia Bartira, filha do
Outras expedições ao litoral brasileiro podem ter ocorrido, já que des- cacique Tibiriçá. Em São Vicente foi feita em 1532 a primeira eleição no
de 1504 são assinaladas atividades de corsários. Holanda, em Raízes do continente americano e instalada a primeira Câmara Municipal e a primeira
Brasil, cita o capitão francês Paulmier de Gonneville, de Honfleur, que vila do Brasil. A presença de Ramalho, que ajudava no contato com os
permaneceu seis meses no litoral de Santa Catarina.[28] A atividade de nativos e instalara-se na aldeia de Piratininga, foi o que inspirou Martim
navegadores não-portugueses se inspiravadoutrina da liberdade dos Afonso a instalar a vila de São Vicente perto do núcleo que viria a ser São
mares, expressada por Hugo Grotius em Mare liberum, base da reação Paulo.
europeia contra Espanha e Portugal, gerando pirataria alargada pelos
mares do planeta.[29] A mais polêmica expedição seria a de Francisco de Orellana que, em
1535, penetrando pela foz do rio Orinoco e subindo-o, descreve que numa
Extração de pau-brasil única viagem, em meio de um incrível emaranhado de rios e afluentes
O pau-brasil (que os índios tupis chamavam de ibirapitanga) era a amazônicos, teria encontrado o rio Cachequerique, raríssima e incomum
principal riqueza de crescente demanda na Europa. Estima-se que havia, captura fluvial que une o rio Orinoco aos rios Negro e Amazonas.
na época do descobrimento, mais de 70 milhões de árvores do tipo, abun- Administração colonial
dando numa faixa de 18 km do litoral do Rio Grande do Norte até a Gua-
nabara. Quase todas foram derrubadas e levadas para a Europa. A extra- Capitanias do Mar (1516-1532)
ção foi tanta que atualmente a espécie é protegida para não sofrer extin-
ção. A administração das terras ultramarinas, que a princípio foi arrendada
a Fernão de Noronha, agente da Casa Fugger (1503-1511), ficou a cargo
Para explorar a madeira, a Coroa adotou a política de oferecer a parti- direto da Coroa, que não conseguia conter as frequentes incursões de
culares, em geral cristãos-novos, concessões de exploração do pau-brasil franceses na nova terra. Por isso, em 1516, D. Manuel I e seu Conselho
mediante certas condições: os concessionários deveriam mandar seus criam nos Açores e na Madeira as chamadas «capitanias do mar», por
navios descobrirem 300 léguas de terra, instalar fortalezas nas terras que analogia com as estabelecidas no Oceano Índico. O objetivo fundamental
descobrissem, mantendo-as por três anos; do que levassem para o Reino, era garantir o monopólio da navegação e a política do mare clausum (mar
nada pagariam no primeiro ano, no segundo pagariam um sexto e no fechado). De dois em dois anos, o capitão do mar partia com navios para
terceiro um quinto. Os navios ancoravam na costa, algumas dezenas de realizar um cruzeiro de inspeção no litoral, defendendo-o das incursões
marinheiros desembarcavam e recrutavam índios para trabalhar no corte e francesas ou castelhanas. No Brasil, teriam visitado quatro armadas.
carregamento das toras, em troca de pequenas mercadorias como roupas,
colares e espelhos(prática chamada de "escambo"). Cada nau carregava As armadas de Jacques assinaram-se com insistência no rio da Prata.
em média cinco mil toras de 1,5 metro de comprimento e 30 quilogramas Também em 1516 ocorre a primeira tentativa de colonização metódica e
de peso. aproveitamento da terra com base na plantação da cana (levada de Cabo
Verde) e na fabricação do açúcar. Já devia ter havido algumas tentativas
Em 1503, toda a terra do Brasil foi arrendada pela coroa a Fernão de de capitanias e estabelecimentos em terra, pois em 15 de julho de 1526 o
Noronha (ou Loronha), e outros cristãos-novos, produzindo 20 mil quintais rei D. Manuel I autorizou Pedro Capico,[30] "capitão de uma capitania do
de madeira vermelha. Segundo Capistrano de Abreu, em Capítulos da Brasil", a regressar a Portugal porque "lhe era acabado o tempo de sua
História Colonial, cada quintal era vendido em Lisboa por 21/3 ducados, capitania". Talvez Jacques tenha ido buscar Capico em Porto Seguro, pois
mas levá-lo até lá custava apenas meio ducado. Os arrendatários pagavam a ele era justamente atribuída a fundação de uma feitoria no local, muito
4 mil ducados à Coroa. antes de ser doada como capitania a Pero do Campo Tourinho. Outras
capitanias incipientes podem ter existido pelo menos em Pernambuco,
Comerciantes de Lisboa e do Porto enviavam embarcações à costa Porto Seguro, Rio de Janeiroe São Vicente.
para contrabandearem pau-brasil, aves de plumagem colorida (papagaios,
araras), peles, raízes medicinais e índios para escravizar. Surgiram, assim, Roberto Simonsen (em História Econômica do Brasil, pág.120) comen-
as primeiras feitorias. O náufrago Diogo Álvares, o Caramuru, estabeleceu- ta:
se desde 1510 na barra da Baía de Todos os Santos, onde negociava com
barcos portugueses e estrangeiros. Outra feitoria foi chamada de Aldeia Na terra de Santa Cruz, o valor e as possibilidades de comércio não
Velha de Santa Cruz, próxima ao local da descoberta. justificavam (…) organizações da mesma importância» que as feitorias de
Portugal na África. «Mesmo assim, foram instaladas, quer pelos concessi-
Além dos portugueses, seus rivais europeus, principalmente franceses, onários do comércio do pau-brasil, quer pelo próprio governo português,
passaram a frequentar a costa brasileira para contrabandear a madeira e várias feitorias, postos de resgate onde se concentravam, sob o abrigo de
capturar índios. Os franceses contrabandearam muito pau-brasil no litoral fortificações primitivas, os artigos da terra que as naus vinham buscar. São
norte, entre a foz do rio Real e a Baía de Todos os Santos, mas não chega- por demais deficientes até hoje as notícias sobre estas feitorias, Igaraçu,
ram a estabelecer feitoria. Outro ponto de contrabando, sobretudo no Itamaracá, Bahia, Porto Seguro, Cabro Frio, São Vicente e outras interme-
século XVII, foi o Morro de São Paulo (Bahia). Até que Portugal estabele- diárias, que desapareciam, ora esmagadas pelo gentio, ora conquistadas
cesse o sistema de capitanias hereditárias, a presença mais constante na pelos franceses. Mas o próprio comércio do pau-brasil é uma demonstra-
terra era dos franceses. Estimulados por seu rei, corsários passam a ção de sua existência, e as notícias sobre a década anterior, de 1530,
frequentar a Guanabara à procura de pau-brasil e outros produtos. Ganha- salientam a preocupação do Governo português de defendê-las.» Eram
ram a simpatia dos índios tamoios, que a eles se aliaram durante décadas assim postos de resgate de caráter temporário, estabelecimentos efême-
contra os portugueses. ros, assolados por entrelopos e corsários franceses, por selvagens. Por
muitos anos cessará todo o interesse de Portugal pelo Brasil. O Brasil ficou
Portugal, verificando que o litoral era visitado por corsários e aventurei- ao acaso… Colonizar a nova terra seria dispendioso, sem lucro imediato.
ros estrangeiros, resolveu enviar expedições militares para defender a

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Portugal, no auge de sua técnica de navegação, de posse de feitorias foram ao Brasil; três faleceram pouco depois; três retornaram a Portugal;
fincadas em vastíssimas costas de oceanos, não tinha recursos humanos, um foi preso por heresia (Tourinho) e apenas dois se dedicam à coloniza-
com uma população estimada em um milhão de habitantes. Impunha-se ção (Duarte Coelho em Pernambuco e Martim Afonso de Sousa na Capita-
uma atitude predominantemente fiscal. Havia o quê? Havia macacos, nia de São Vicente).
papagaios, selvagens nus e primitivos. Mas havia pau-brasil… —
Roberto Simonsen Das quinze capitanias originais, apenas as capitanias de Pernambuco
e de São Vicente prosperaram. As terras brasileiras ficavam a dois meses
João Ribeiro (em História do Brasil) diz que de viagem de Portugal. Além disso, as notícias das novas terras não eram
muito animadoras: na viagem, além do medo de "monstros" que habitariam
... depois das primeiras explorações, as terras do Brasil tornaram-se o oceano (na superstição europeia), tempestades eram frequentes; nas
constante teatro da pirataria universal. Especuladores franceses, alemães, novas terras, florestas gigantescas e impenetráveis, povos antropófagos e
judeus e espanhóis aqui aportam, comerciam com o gentio ou seelvajam- não havia nenhuma riqueza mineral ainda descoberta. Em 1536, chegou o
se e com eles convivem em igual barbaria. Os navegadores de todos os donatário da capitania da Baía de Todos os Santos, Francisco Pereira
pontos aqui se aprovisionam ou se abrigam das tempestades. Aventureiros Coutinho, que fundou o Arraial do Pereira, na futura cidade do Salvador,
aqui desembarcam, e vivem à ventura, na companhia de degredados e mas se revelou mau administrador e foi morto pelos tupinambás. Tampou-
foragidos. O que procura a corte portuguesa de D. Manuel I são as rique- co tiveram maior sucesso as capitanias dos Ilhéus e do Espírito Santo,
zas do Oriente, e se alguma expedição aqui toca e se demora, (....) não é o devastadas por aimorés e tupiniquins.
Brasil que as atrai mas ainda a fascinação do Oriente. —João
Ribeiro Governo-Geral (1549-1580)
Capitanias hereditárias (1532-1549) Tomé de Sousa
A apatia só iria cessar quando D. João III ascendeu ao trono. Na dé- Após o fracasso do projeto de capitanias, o rei João III unificou as capi-
cada de 1530, Portugal começava a perder a hegemonia do comércio na tanias sob um Governo-Geral do Brasil e em 7 de janeiro de 1549nomeou
África Ocidental e no Índico. Circulavam insistentes notícias da descoberta Tomé de Sousa para assumir o cargo de governador-geral. A expedição do
de ouro e de prata na América Espanhola. Então, em 1532, o rei decidiu primeiro governador chegou ao Brasil em 29 de março do mesmo ano, com
ocupar as terras pelo regime de capitanias, mas num sistemahereditário, ordens para fundar uma cidade para abrigar a sede da administração
pelo qual a exploração passaria a ser direito de família. O capitão e gover- colonial. O local escolhido foi a Baía de Todos os Santos e a cidade foi
nador, títulos concedidos ao donatário, teria amplos poderes, dentre os chamada de São Salvador da Baía de Todos os Santos. As condições
quais o de fundar povoamentos (vilas e cidades), conceder sesmarias e favoráveis da terra, o clima quente, o solo fértil, a excelente posição geo-
administrar a justiça. O sistema de capitanias hereditárias implicava na gráfica, fizeram com que o rei decidisse reverter a capitania para a Coroa
divisão de terras vastíssimas, doadas a capitães-donatários que seriam (expropriando-a do donatário Pereira Coutinho). As tarefas de Tomé de
responsáveis por seu controle e desenvolvimento, e por arcar com as Sousa eram tornar efetiva a guarda da costa, auxiliar os donatários, orga-
despesas de colonização. Foram doadas aos que possuíssem condições nizar a ordem política e jurídica na colônia. O governador organizou a vida
financeiras para custear a empresa da colonização, e estes eram princi- municipal, e sobretudo a produção açucareira: distribuiu terras e mandou
palmente "membros da burocracia estatal" e "militares e navegadores abrir estradas, além de fazer construir um estaleiro.
ligados à conquista da Índia" (segundoEduardo Bueno em "História de
Brasil"). De acordo com o mesmo autor, a sugestão teria sido dada ao rei Desse modo, o Governo-Geral centralizou a administração colonial,
por Diogo de Gouveia, ilustre humanista português, e respondia a uma subordinando as capitanias a um só governador-geral que tornasse mais
"absoluta falta de interesse da alta nobreza lusitana" nas terras america- rápido o processo de colonização. Em 1548, elaborou-se o Regimento do
nas. Governador-Geral,[33] que regulamentava o trabalho do governador e de
seus principais auxiliares - o ouvidor-mor (Justiça), o provedor-mor (Fazen-
da) e o capitão-mor (Defesa).[34] O governador também levou ao Brasil os
primeiros missionários católicos, da ordem dos jesuítas, como o padre
Manuel da Nóbrega. Por ordens suas, ainda, foram introduzidas na colônia
as primeiras cabeças de gado, de novilhos levados de Cabo Verde. Ao
chegar à Bahia, Tomé de Sousa encontrou o velho Arraial do Pereira com
seus moradores, e mudaram o nome do local para Vila Velha. Também
moravam nos arredores o náufrago Diogo Álvares "Caramuru" e sua espo-
sa Paraguaçu (batizada como Catarina), perto da capela de Nossa Senho-
ra das Graças (hoje o bairro da Graça, em Salvador). Consta que Tomé de
Sousa teria pessoalmente ajudado a construir as casas e a carregar pedras
e madeiras para construção da capela de Nossa Senhora da Conceição da
Praia, uma das primeiras igrejas erguidas no Brasil. Tomé de Souza visitou
as capitanias do sul do Brasil, e, em 1553, criou a Vila de Santo André da
Borda do Campo, transferida em 1560 para o Pátio do Colégiodando
origem a cidade de São Paulo.
Duarte da Costa
Em 1553, a pedidos, Tomé de Sousa foi exonerado do cargo e substi-
tuído por Duarte da Costa, fidalgo e senador nas Cortes de Lisboa. Em sua
expedição foram também 260 pessoas, incluindo seu fiho, Álvaro da Costa,
e o então noviço José de Anchieta, jesuíta basco que seria o pioneiro na
catequese dos nativos americanos. A administração de Duarte foi contur-
bada. Já de início, a intenção de Álvaro em escravizar os indígenas, inclu-
indo os catequizados, esbarrou na impertinência de Dom Pero Fernandes
Sardinha, primeiro bispo do Brasil. O governador interveio a favor do filho e
autorizou a captura de indígenas para uso em trabalho escravo. Disposto a
levar as queixas pessoalmente ao rei de Portugal, Sardinha partiu para
Lisboa em 1556 mas naufragou na costa de Alagoas e acabou devorado
pelos caetés antropófagos.
Foram criadas, nesta divisão, quinze faixas longitudinais de diferentes
larguras que iam de acidentes geográficos no litoral até o Meridiano das Durante o governo de Duarte da Costa, uma expedição de protestan-
Tordesilhas, e foram oferecidas a doze donatários. Destes, quatro nunca tes franceses se instalou permanentemente na Guanabara e fundou a

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colônia da França Antártica. Ultrajada, a Câmara Municipal da Bahia ape- Para sustentar a produção de cana-de-açúcar, os portugueses come-
lou à Coroa pela substituição do governador. Em 1556, Duarte foi exonera- çaram, a partir de meados do século XVI, a importar africanos como escra-
do, voltou a Lisboa e em seu lugar foi enviado Mem de Sá, com a missão vos. Eles eram pessoas capturadas entre tribos das feitorias europeias na
de retomar a posse portuguesa do litoral sul. África (às vezes com a conivência de chefes locais de tribos rivais) e
Mem de Sá atravessados no Atlântico nos navios negreiros, em péssimas condições de
asseio e saúde. Ao chegarem à América, essas pessoas eram comerciali-
O terceiro Governador-Geral, Mem de Sá (1558-1572), deu continui- zadas como mercadoria e obrigados a trabalhar nas plantações e casas
dade à política de concessão de sesmarias aos colonos e montou ele dos colonizadores. Dentro das fazendas, viviam aprisionados em galpões
próprio um engenho, às margens do rio Sergipe, que mais tarde viria a rústicos chamados de senzalas, e seus filhos também eram escravizados,
pertencer ao conde de Linhares(Engenho de Sergipe do Conde). Para perpetuando a situação pelas gerações seguintes.
enfrentar os colonos franceses estabelecidos na França Antártica, aliados
aos tamoiosna baía de Guanabara, Mem de Sá aliou-se aos Temiminós do
cacique Arariboia. O seu sobrinho, Estácio de Sá, comandou a retomada
da região e fundou a cidade do Rio de Janeiro a 20 de Janeiro de 1565, dia
de São Sebastião.
União Ibérica (1580-1640)
Ilustração de uma bandeira por Almeida Júnior:Estudo p/ Partida
da Monção, 1897. Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo
do Estado de S. Paulo.
Com o desaparecimento de D.Sebastião e posteriormente a morte de
D. Henrique I, Portugal ficou sob união pessoal com a Espanha, e foi
governada pelos três reis Filipes (Filipe II, Filipe III e Filipe IV, dos quais se
subtrai um número quando referentes a Portugal e ao Brasil). Isso virtual-
mente acabou com a linha divisória do meridiano das Tordesilhas e permi-
tiu que o Brasil se expandisse para o oeste.
Várias expedições exploratórias do interior (chamado de "os sertões") Nas feitorias, os mercadores portugueses vendiam principalmente ar-
foram organizadas, fosse sob ordens diretas da Coroa ("entradas") ou por mas de fogo, tecidos, utensílios de ferro, aguardente e tabaco, adquirindo
caçadores de escravos paulistas ("bandeiras", donde o nome "bandeiran- escravos, pimenta, marfim e outros produtos.
tes"). Estas expedições duravam anos e tinham o objetivo principalmente
de capturar índios como escravos e encontrar pedras preciosas e metais Até meados do século XVI, os portugueses possuíam o monopólio do
valiosos, como ouro e prata. Foram bandeirantes famosos, entre outros, tráfico de escravos. Depois disso, mercadores franceses, holandeses e
Fernão Dias Paes Leme, Bartolomeu Bueno da Silva (Anhanguera), Rapo- ingleses também entraram no negócio, enfraquecendo a participação
so Tavares, Domingos Jorge Velho, Borba Gato eAntônio Azevedo. portuguesa.
A União Ibérica também colocou o Brasil em conflito com potências eu- O Brasil nasceu e cresceu econômica e socialmente com o açúcar, en-
ropeias que eram amigas de Portugal mas inimigas da Espanha, como a tre os dias venturosos do pau-de-tinta e antes de as minas e o café o terem
Inglaterra e a Holanda. Esta última atacou e invadiu extensas faixas do ultrapassado. Efetivamente, o açúcar foi base na formação da sociedade e
litoral nordestino, fixando-se principalmente em Pernambuco e na Paraíba na forma de família. A casa de engenho foi modelo da fazenda de cacau,
por vinte e cinco anos. da fazenda de café, da estância. Foi base de um complexo sociocultural de
Estado do Maranhão e Estado do Brasil (1621-1755) vida. —Gilberto Freyre
Das mudanças administrativas durante o domínio espanhol, a mais Houve engenhos ainda nas capitanias de São Vicente e do Rio de Ja-
importante sucedeu em 1621, com a divisão da colônia em dois Estados neiro, que cobriam cem léguas e couberam ambas a Martim Afonso de
independentes: o Estado do Brasil, que abrangia de Pernambuco à atual Sousa. Este receberia o apoio de João Ramalho e de seu sogro Tibiriçá.
Santa Catarina, e o Estado do Maranhão, do atual Ceará à Amazônia. A No Rio, funcionava o engenho de Rodrigo de Freitas, nas margens da
razão se baseava no destacado papel assumido pelo Maranhão como lagoa que hoje leva seu nome. Ao entrar oséculo XVII, o açúcar brasileiro
ponto de apoio e de partida para a colonização do norte e nordeste. O era produto de importação nos portos de Lisboa, Antuérpia, Amsterdã,
Maranhão tinha por capital São Luís, e o Estado do Brasil sua capital em Roterdã, Hamburgo. Sua produção, muito superior à das ilhas portuguesas
Salvador. Nestes dois estados, os súditos eram cidadãos portugueses no Atlântico, supria quase toda a Europa. Gabriel Soares de Sousa, em
(chamados de "portugueses do Brasil") e sujeitos aos mesmos direitos e 1548, comentava o luxo reinante na Bahia e o padre Fernão Cardim exal-
deveres, e as mesmas leis as quais estavam submetidos os residentes em tava suas capelas magníficas, os objetos de prata, as lautas refeições em
Portugal, entre elas, as Ordenações manuelinas e as Ordenações filipinas. louça da Índia, que servia de lastro nos navios: «Parecem uns condes e
Quando o rei Filipe III (IV da Espanha) separou o Brasil e o Maranhão, gastam muito», reclamava o padre.
passaram a existir três capitanias reais: Maranhão, Ceará e Grão-Pará, e Em meados do século XVII, o açúcar produzido nas Antilhas Holande-
seis capitanias hereditárias. Em 1737, com sua sede transferida para sas começou a concorrer fortemente na Europa com o açúcar do Brasil. Os
Belém, o Maranhão passou a ser chamado de Grão-Pará e Maranhão. Tal holandeses tinham aperfeiçoado a técnica, com a experiência adquirida no
instalação era efeito do isolamento do extremo norte do Estado do Brasil, Brasil, e contavam com um desenvolvido esquema de transporte e distri-
pois o regime de ventos impedia durante meses as comunicações entre buição do açúcar em toda a Europa. Portugal foi obrigado a recorrer à
São Luís e a Bahia. No século XVII, o Estado do Brasil se estendia do atual Inglaterra e assinar diversos tratados que afetariam a economia da colônia.
Pará até o Rio Grande do Norte e deste até Santa Catarina, e no século Em 1642, Portugal concedeu à Inglaterra a posição de "nação mais favore-
XVIII já estariam incorporados o Rio Grande de São Pedro, atual Rio cida" e os comerciantes ingleses passaram a ter maior acesso ao comércio
Grande do Sul e as regiões mineiras e parte da Amazônia. O Estado do colonial. Em 1654 Portugal aumentou os direitos ingleses; mas poderiam
Maranhão foi extinto na época de Marquês de Pombal. negociar diretamente vários produtos do Brasil com Portugal e vice-versa,
Economia colonial excetuando-se alguns produtos como bacalhau, vinho, pau-brasil). Em1661
A economia da colônia, iniciada com o puro extrativismo de pau-brasil a Inglaterra se comprometeu a defender Portugal e suas colônias em troca
e o escambo entre os colonos e os índios, gradualmente passou à produ- de dois milhões de cruzados, obtendo ainda as possessões de Tânger e
ção local, com os cultivos da cana-de-açúcar e do cacau. O engenho de Bombaim. Em 1703 Portugal se comprometeu a admitir no reino os panos
açúcar (manufatura do ciclo de produção açucareiro) constituiu a peça dos lanifícios ingleses, e a Inglaterra, em troca, a comprar vinhos portugue-
principal do mercantilismo português, organizadas em grandes proprieda- ses. Data da época o famosíssimo Tratado de Methuen, do nome de seu
des. Estas, como se chamou mais tarde, eram latifúndios, caracterizados negociador inglês, ou tratado dos Panos e Vinhos. Na época, satisfazia os
por terras extensas, abundante mão-de-obra escrava, técnicas complexas interesses dos grupos dominantes mas teria como consequência a parali-
e baixa produtividade.

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sação da industrialização em Portugal, canalizando para a Inglaterra o ouro que os escravos eram os únicos que trabalhavam. Os escravos mais
que acabava de ser descoberto no Brasil. hábeis para a mineiração eram os "Minas" trazidos da Costa ocidental
africana, onde eram mineiradores de ouro, e saídos do porto de Elmina, em
No nordeste brasileiro se encontrava a pecuária, tão importante para o Gana, onde ficavam no Castelo de São Jorge da Mina. Foi muito comum a
domínio do interior, já que eram proibidos rebanhos de gado nas fazendas fuga de escravos e a formação de muitos quilombos em Minas Gerais,
litorâneas, cuja terra de massapê era ideal para o açúcar. Estuda-se bem o sendo o mais importante foi o "Quilombo do Ambrósio".
açúcar no item dedicado àinvasão holandesa.
Também foi responsável pela tentativa de escravização dos índios,
A conquista do sertão, povoado por diversos grupos indígenas foi lenta
através das bandeiras, que com intuito de abastecer a região centro-sul
e se deveu muito à pecuária (o gado avançou ao longo dos vales dos rios)
promoveu a interiorização do Brasil.
e, muito mais tarde, às expedições dos Bandeirantes que vinham prear
índios para levar para São Paulo. Apesar de modificar a estrutura econômica, manteve a estrutura de
O Ciclo do Ouro trabalho vigente, beneficiando apenas os ricos e os homens livres que
compunham a camada média. Outro fator negativo foi a falta de desenvol-
No final do século XVII foi descoberto, pelos bandeirantes paulistas, vimento de tecnologias que permitissem a exploração de minas em maior
ouro nos ribeiros das terras que pertenciam à capitania de São Paulo e profundidade, o que estenderia o período de exploração (e consequente-
mais tarde ficaram conhecidas como Minas Gerais. Descobriram-se depois, mente mais ouro para Portugal).
no final da década de 1720,diamante e outras gemas preciosas. Esgotou-
se o ouro abundante nos ribeirões, que passou a ser mais penosamente Assim, o eixo econômico e político se deslocou para o centro-sul da
buscado em veios dentro da terra. Apareceram metais preciosos em Goiás colônia e o Rio de Janeiro tornou-se sede administrativa, além de ser o
e no Mato Grosso, no século XVIII. A Coroa cobrava, como tributo, um porto por onde as frotas do rei de Portugal iam recolher os impostos. A
quinto de todo o minério extraído, o que passou a ser conhecido como "o cidade foi descrita pelo padre José de Anchieta como "a rainha das provín-
quinto". Os desvios e o tráfico de ouro, no entanto, eram frequentes. Para cias e o empório das riquezas do mundo", e por séculos foi a capital do
coibi-los, a Coroa instituiu toda uma burocracia e mecanimos de contro- Brasil.
le.[35]Quando a soma de impostos pagos não atingia uma cota mínima Invasões estrangeiras e conflitos coloniais
estabelecida, os colonos deveriam entregar joias e bens pessoais até
completar o valor estipulado — episódios chamados de derramas. O início da colonização portuguesa no território brasileiro foi a primeira
invasão estrangeira da história do país, então denominado pelos nativos
O período que ficou conhecido como Ciclo do Ouro iria permitir a cria- tupis como Pindorama, que significa "Terra das Palmeiras". A resposta
ção de um mercado interno, já que havia demanda por todo tipo de produ- imediata foi de longos embates, entre eles a Guerra dos Bárbaros. Houve
tos para o povoamento das Minas Gerais. Era preciso levar, Serra da ainda disputas com os franceses, que tentavam se implantar na América
Mantiqueira acima, escravos e ferramentas, ou, rio São Francisco abaixo, pela pirataria e pelo comércio do Pau-Brasil, chegando a criar uma guerra
os rebanhos de gado para alimentar a verdadeira multidão que para lá luso-francesa. Tudo isso culminou com a expulsão dos franceses trazidos
acorreu. A população de Minas Gerais rapidamente se tornou a maior do por Nicolas Durand de Villegagnon, que haviam construídoForte Coligny no
Brasil, sendo a única capitania do interior do Brasil com grande população. Rio de Janeiro, estabelecendo-se em definitivo a hegemonia portuguesa.
A essa época maioria da população de Minas Gerais , aproximadamente
78%, era formada por negros e mestiços. A população branca era formada A época colonial foi marcada por vários conflitos, tanto entre portugue-
em grande parte por cristãos-novos vindos do norte de Portugal e das Ilhas ses e outros europeus, e europeus contra nativos, como entre os próprios
dos Açores e Madeira. Os cristãos novos foram muito importantes no colonos. O maior deles, sem dúvida, foi a Guerra contra os Holandeses (ou
comércio colonial e se concentraram especialmente nos povoados em volta Guerras Holandesas, de 1630 a 1647, na Bahia, Sergipe, Alagoas, Per-
de Ouro Preto e Mariana. Ao contrário do que se pensava na Capitania do nambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.
Ouro a riqueza não era mais bem distribuída do que em outras partes do
A insatisfação com a administração colonial provocou a Revolta de
Brasil. Hoje se sabe que foram poucos os beneficiados no solo mais rico da
América no século XVIII. Amador Bueno em São Paulo e, no Maranhão, aRevolta de Beckman. Os
colonos enchiam os navios que aportavam no Brasil, esvaziando o reino, e
As condições de vida dos escravizados na região mineira eram particu- foram apelidados "emboabas" porque andavam calçados contra a maioria
larmente difíceis. Eles trabalhavam o dia inteiro em pé, com as costas da população, que andava descalça. Contra eles se levantaram os paulis-
curvadas e com as pernas mergulhadas na água. Ou então em túneis tas, nas refregas do início do século XVIII que ficariam conhecidas como
cavados nos morros, onde era comum ocorrerem desabamentos e mortes. Guerra dos Emboabas e paulistas e ensanguentaram o rio que até hoje se
Os negros escravizados não realizavam apenas tarefas ligadas à minera- chama Rio das Mortes.
ção. Também transportavam mercadorias e pessoas, construíam estradas,
casas e chafarizes, comerciavam pelas ruas e lavras. Alguns proprietários Em Pernambuco, a disputa política e econômica entre mercadores e
alugavam seus escravos a outras pessoas. Esses trabalhadores eram canavieiros, após a expulsão dos holandeses, levou à Guerra dos Masca-
chamados de "escravos de aluguel". Outro tipo de escravo era o "escravo tes. Os escravos negros que fugiam das fazendas se refugiavam nas
de ganho", por exemplo, as mulheres que vendiam doces e salgados em serras do agreste nordestino e lá fundavam quilombos, dos quais o mais
tabuleiros pelas ruas. Foi relativamente comum este tipo de escravo con- importante foi o de Palmares, liderado por Ganga Zumba e seu sobrinho
seguir formar um pecúlio, que empregava na compra de sua liberdade, Zumbi. A campanha para destruí-lo foi a Guerra de Palmares (1693-1695).
pagando ao senhor por sua alforria. No sul, a tentativa de escravizar indígenas levou a confrontos com os
A Sociedade Mineradora e as Camadas Médias missionários jesuítas, organizados nas "reduções" (missões) de catequese
com os guaranis. AsGuerras Guaraníticas duraram, intermitentemente, de
O Brasil passou por sensíveis transformações em função da minera- 1750 a 1757.
ção. Um novo pólo econômico cresceu no Sudeste, relações comerciais
inter-regionais se desenvolveram, criando um mercado interno e fazendo Já com o Ciclo do Ouro, a capitania de Minas Gerais sofreu a Revolta
surgir uma vida social essencialmente urbana. A camada média, composta de Filipe dos Santos e a Inconfidência Mineira (1789), seguida pela Conju-
por padres, burocratas, artesãos, militares, mascates e faisqueiros, ocupou ração Baiana em Salvador dez anos mais tarde. Esses dois grandes movi-
espaço na sociedade. A população mineira, salvo nos principais centros mentos ficaram marcados por terem a intenção de proclamar a indepen-
Vila Rica, Mariana,Sabará, Serro e Caeté, era essencialmente pobre. O dência.
custo de vida altíssimo e a falta de gêneros alimêntícios uma constante. Inconfidência Mineira
As minas propiciaram uma diversificação relativa dos serviços e ofí-
Inconfidência Mineira foi um movimento que partiu da elite de Minas
cios, tais como comerciantes, artesãos, advogados, médicos, mestre-
Gerais. Com a decadência da mineração na segunda metade do século
escolas entre outros. No entanto foi intensamente escravagista, desenvol-
XVIII, tornou-se difícil pagar os impostos exigidos pela Coroa Portuguesa.
vendo a sociedade urbana às custas da exploração da mão de obra escra-
Além do mais, o governo português pretendia promulgar a derrama, um
va. A mineração também provocou o aumento do controle do comércio de
imposto que exigia que toda a população, inclusive quem não fosse mine-
escravos para evitar o esvaziamento da força de trabalho das lavouras, já

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rador, contribuísse com a arrecadação de 20% do valor do ouro retirado. Conjuração Baiana
Os colonos se revoltaram e passaram a conspirar contra Portugal.
A Conjuração Baiana foi um movimento que partiu da camada humilde
Em Vila Rica (atual Ouro Preto), participavam do grupo, entre outros, da sociedade da Bahia, com grande participação de negros, mulatos e
os poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, os coro- alfaiates, por isso também é conhecida como Revolta dos Alfaiates. Os
néis Domingos de Abreu Vieira e Francisco Antônio de Oliveira Lopes, o revoltosos pregavam a libertação dos escravos, a instauração de um
padre Rolim, o cônego Luís Vieira da Silva, o minerador Inácio José de governo igualitário (onde as pessoas fossem promovidas de acordo com a
Alvarenga Peixoto e alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado capacidade e merecimento individuais), além da instalação de uma Repú-
Tiradentes. A conspiração pretendia eliminar a dominação portuguesa e blica na Bahia. Em 12 de Agosto de 1798, o movimento precipitou-se
criar um país livre.[2] Pela lei portuguesa a conspiração foi classificada quando alguns de seus membros, distribuindo os panfletos na porta das
como "crime de lesa-majestade", definida como "uma traição contra a igrejas e colando-os nas esquinas da cidade, alertaram as autoridades que,
pessoa do rei" nas ordenações afonsinas. de pronto, reagiram, detendo-os. Tal como na Inconfidência Mineira, inter-
rogados, acabaram delatando os demais envolvidos. Centenas de pessoas
foram denunciadas - militares, clérigos, funcionários públicos e pessoas de
todas as classes sociais. Destas, 49 foram detidas, a maioria tendo procu-
rado abjurar a sua participação, buscando demonstrar inocência. Mais de
30 foram presos e processados. Quatro participantes foram condenados à
forca e os restos de seus corpos foram espalhados pela Bahia para assus-
tar a população.
Principado do Brasil
O Principado do Brasil durou entre 1645 a 1816.
Tendo sido o Brasil uma colônia do Império Português, careceu de
bandeira própria por mais de trezentos anos. Não era costume, na tradição
vexilológica lusitana, a criação de bandeiras para suas colônias, quando
muito de um brasão. Hasteava-se no território a bandeira do reino, ou do
representante direto do monarca, como o governador-geral ou o vice-rei.
Ainda que não seja considerada uma bandeira brasileira, visto que seu uso
era exclusivo aos herdeiros aparentes do trono português, o pavilhão dos
príncipes do Brasil pode ser tido como a primeira representação flamular
do Brasil. Sobre campo branco – cor relacionada à monarquia – inscreve-
se uma esfera armilar – objeto que viria a ser, por muito tempo, o símbolo
do Brasil. Já no pavilhão pessoal de D. Manuel I, aparece este que foi um
objeto crucial para viabilizar as explorações marítimas de Portugal.
Corte no Brasil (1808-1822)
Mudança da Corte e Abertura dos Portos
A forma de governo escolhida foi o estabelecimento de uma República,
inspirados pelas ideias iluministas da França e da recente independência Em novembro de 1807, as tropas de Napoleão Bonaparte obrigaram a
norte-americana. Traídos por Joaquim Silvério dos Reis, que delatou os coroa portuguesa a procurar abrigo no Brasil. Dom João VI (então Príncipe-
inconfidentes para o governo, os líderes do movimento foram detidos e Regente em nome de sua mãe, a Rainha Maria I) chegou ao Rio de Janei-
enviados para o Rio de Janeiro, onde responderam pelo crime de inconfi- ro em 1808, abandonando Portugal após uma aliança defensiva feita com a
dência (falta de fidelidade ao rei), pelo qual foram condenados. Em 21 de Inglaterra, que escoltou os navios portugueses no caminho.[
abril de 1792, Tiradentes, de mais baixa condição social, foi o único conde-
nado à morte por enforcamento. Sua cabeça foi cortada e levada para Vila Os portos brasileiros foram abertos às nações amigas - designada-
Rica. O corpo foi esquartejado e espalhado pelos caminhos de Minas mente, a Inglaterra). A abertura dos portos se deu em 28 de janeiro de
Gerais. Era o cruel exemplo que ficava para qualquer outra tentativa de 1808 por outra carta régia de D. João, influenciado por José da Silva
questionar o poder de Portugal. Apesar de considerada cruel hoje o enfor- Lisboa. Foi permitida a importação "de todos e quaisquer gêneros, fazen-
camento e esquartejamento do corpo, no contexto da época a pena foi das e mercadorias transportadas em navios estrangeiros das potências
menos cruel que a pena aplicada, naquela mesma época, à família Távora, que se conservavam em paz e harmonia com a Real Coroa" ou em navios
no Caso Távora, por igual crime de lesa-majestade, foi condenação à portugueses. Os gêneros molhados (vinho,aguardente, azeite) pagariam
fogueira. 48%; outros mercadorias, os secos, 24% ad valorem. Podia ser levado
pelos estrangeiros qualquer produto colonial, exceto o pau-brasil e outros
O crime de lesa-majestade era o mais grave dos regimes monarquistas notoriamente estancados, que eram produzidos e armazenados na própria
absolutistas e era definido pelas ordenações filipinas, como traição contra o colônia.
rei. Crime este comparado à hanseníase pelas Ordenações filipinas, no
livro V, item 6: Era efeito também da expansão do capital; e deve-se recordar a falên-
cia dos recursos coatores portugueses e a tentativa de diminuir, abrindo os
“Lesa-majestade quer dizer traição cometida contra a pessoa do Rei, portos, a total dependência de Portugal da Inglaterra. No Reino, desanima-
ou seu Real Estado, que é tão grave e abominável crime, e que os antigos ram os que se haviam habituado aos generosos subsídios, às 100 arrobas
Sabedores tanto estranharam, que o comparavam à lepra; porque assim de ouro anuais, às derramas, às tentativas de controle completo. Um autor
como esta enfermidade enche todo o corpo, sem nunca mais se poder português do século XIX comenta que foi
curar, e empece ainda aos descendentes de quem a tem, e aos que ele
conversam, pelo que é apartado da comunicação da gente: assim o erro de "uma revolução no sistema comercial e a ruína da indústria portugue-
traição condena o que a comete, e empece e infama os que de sua linha sa; era necessária, mas cumpria modificá-la apenas as circunstâncias que
descendem, posto que não tenham culpa.” a haviam ditado desaparecessem; ajudando assim o heróico Portugal em
seu esforço generoso, em vez de deixar que estancassem as fontes da
O caso específico de crime de lesa-majestade praticado pelos inconfi- prosperidade!"
dentes foi o caso número 5, previsto nas ordenações filipinas, que diz: Se
algum fizesse conselho e confederação contra o rei e seu estado ou tratas- D. João, sua família e comitiva (a Corte), distribuídos por diversos na-
se de se levantar contra ele, ou para isso desse ajuda, conselho e favor. vios, chegaram ao Rio de Janeiro em 7 de marçode 1808. Foram acompa-
nhados pela Brigada Real da Marinha, criada em Portugal em 1797, que
deu origem aoCorpo de Fuzileiros Navais brasileiros. Instalaram-se no
Paço da Cidade, construído em 1743 pelo Conde de Bobadela como

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residência dos governadores. Além disso, a Coroa requisitou o Convento D. João VI ordenou que deputados do Brasil (bem como dos Açores,
do Carmo e a Cadeia Velha para alojar os serviçais e as melhores casas Madeira e Cabo Verde) participassem da assembleia.
particulares. A expropriação era feita pelo carimbo das iniciais PR, de
Príncipe-Regente, nas portas das casas requisitadas, o que fazia o povo, Em março, as Cortes em Portugal expediram decreto com as bases da
com ironia, interpretar a sigla como "Ponha-se na Rua!". constituição política da monarquia . No Rio, outro decreto comunicava o
retorno do rei para Portugal e ordenava que, «sem perda de tempo»,
A abertura foi acompanhada por uma série de melhoramentos introdu- fossem realizadas eleições dos deputados para representarem o Brasil nas
zidos no Brasil. No dia 1 de abril do mesmo ano, D. João expediu um Cortes Gerais convocadas em Lisboa. Chegaria em abril a Lisboa um
decreto que revogava o alvará de 5 de janeiro de 1785 pelo qual se extin- delegado da Junta do Pará, Maciel Parente, que por exceção conseguiu
guiam no Brasil as fábricas e manufaturas de ouro, prata, seda, algodão, discursar e foi o primeiro brasileiro a falar perante aquela Assembleia. Em
linho e lã. Depois do comércio, chegava "a liberdade para a indústria". Em abril, no Rio, realizou-se a primeira assembleia de eleitores do Brasil, que
13 de maio, novas cartas régias (decretos) determinaram a criação da resultou em confronto com mortos, pois as tropas portuguesas dissolveram
Imprensa Nacional e de umaFábrica de Pólvora,[39][40] que até então era a manifestação. No dia seguinte, cariocas afixaram à porta do Paço um
fabricada na Fábrica da Pólvora de Barcarena,[41] desde 1540. Em 12 de cartaz com a inscrição "Açougue do Bragança", referindo-se ao Rei como
outubro foi fundado o Banco do Brasil para financiar as novas iniciativas e carniceiro. D. João VI partiu para Portugal cinco dias depois, em 16 de abril
empreitadas. Tais medidas do Príncipe fariam com que se pudesse contar de 1821, deixando seu primogênito Pedro de Alcântara como Príncipe-
nesta época os primórdios da independência do Brasil. Regente do Brasil.
Em represália à França, D. João ordenou ainda a invasão e anexação Em 1821, o Brasil elegeu seus representantes, em número de 81, para
da Guiana Francesa, no extremo norte, e da banda oriental do rio Uruguai, as Constituintes em Lisboa. Em agosto de 1821, as Cortes apresentariam
no extremo sul, já que a Espanha estava então sob o reinado de José três projetos para o Brasil que irritaram os representantes brasileiros com
Bonaparte, irmão de Napoleão, e portanto era considerada inimiga. O medidas recolonizadoras que estes se recusavam a aceitar. Depois de
primeiro território foi devolvido à soberania francesa em 1817, mas o Maciel Parente, o monsenhor Francisco Moniz Tavares, deputado pernam-
Uruguai foi mantido incorporado ao Brasil sob o nome de Província Cispla- bucano, seria o primeiro brasileiro a discursar oficialmente, em vivo debate
tina. Em 9 de fevereiro de 1810, no Rio de Janeiro, foi assinado um Trata- com os deputados portugueses Borges Carneiro, Ferreira Borges e Moura,
do de Amizade e comércio pelo Príncipe Regente com Jorge III, rei da contra a remessa de mais tropas para Pernambuco e a incômoda presença
Inglaterra. da numerosa guarnição militar portuguesa na província.
Enquanto isso, na Espanha, os liberais, ainda acostumados com certa
liberdade econômica imposta por Napoleão enquanto ocupara o país, de Independência
1807 a 1810, se revoltaram contra os restauradores Bourbon, dinastia à A separação do Brasil foi informalmente realizada em janeiro de 1822,
qual pertencia a Carlota Joaquina, esposa de D. João, e impuseram-lhes a quando D. Pedro declarou que iria permanecer no Brasil ("Dia do Fico"),
Constituição de Cádiz em 19 de março de 1812. Em reação, o rei Fernando com as seguintes palavras: Como é para o bem de todos e felicidade geral
VII, irmão de Carlota, dissolveu as cortes em 4 de maio de 1814. A respos- da nação, estou pronto: diga ao povo que fico. Agora só tenho a recomen-
ta viria em 1820 com a vitória da Revolução Liberal (ou constitucional). Por dar-vos união e tranquilidade. Porém, a separação do Brasil se é dada no
isso, D. João e seus ministros se ocuparam das questões do Vice-Reinado dia 7 de setembro de 1822, com o "grito do Ipiranga" que foi romantizado,
do Rio da Prata, tão logo puseram os pés no Rio de Janeiro, surgindo apesar da separação anteriormente.
assim a questão da incorporação da Cisplatina.
É importante lembrar que apesar de ser elevado a Principado em
1645, tendo sido o Brasil uma colônia do Império Português, careceu de
bandeira própria por mais de trezentos anos. Não era costume, na tradição
vexilológica lusitana, a criação de bandeiras para suas colônias, quando
muito de um brasão. Visto que seu o título uso era exclusivo aos herdeiros
aparentes do trono português, o pavilhão dos príncipes do Brasil pode ser
tido como a primeira representação flamular do Brasil. Sobre campo branco
– cor relacionada à monarquia – inscreve-se uma esfera armilar – objeto
que viria a ser, por muito tempo, o símbolo do Brasil. Já no pavilhão pes-
soal de D. Manuel I, aparece este que foi um objeto crucial para viabilizar
as explorações marítimas de Portugal. Contudo, como Principado, não
possui nenhum privilégio administrativo, militar, econômico ou social, pois
ainda era visto como uma colônia portuguesa. Império (1822-1889)
Elevação a Reino Unido Primeiro reinado
No contexto das negociações do Congresso de Viena, o Brasil foi ele- Após a declaração da independência, o Brasil foi governado por Dom
vado à condição de Reino dentro do Estado português, que assumiu a Pedro I até o ano de 1831, período chamado dePrimeiro Reinado, quando
designação oficial de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 16 abdicou em favor de seu filho, Dom Pedro II, então com cinco anos de
de dezembro de 1815. A carta de lei foi publicada na Gazeta do Rio de idade.
Janeiro de 10 de janeiro de 1816, oficializando o ato. O Rio de Janeiro, por
conseguinte, subia à categoria de Corte e capital, as antigas capitanias Logo após a independência, e terminadas as lutas nas províncias con-
passaram a ser denominadas províncias (hoje, os estados). No mesmo tra a resistência portuguesa, foi necessário iniciar os trabalhos da Assem-
ano, a rainha Maria I morreu e D. João foi coroado rei como João VI. Deu bleia Constituinte. Esta havia sido convocada antes mesmo da separação,
ao Brasil como brasão-de-armas a esfera manuelina com as quinas, en- em julho de 1822; foi instalada, entretanto, somente em maio de 1823.
contradas já no século anterior em moedas da África portuguesa (1770). Logo se tornou claro que a Assembleia iria votar uma constituição restrin-
gindo os poderes imperiais (apesar da ideia centralizadora encampada por
Revolução no Porto e Retorno de D. João VI
José Bonifácio e seu irmão Antônio Carlos de Andrada e Silva). Porém,
D. João VI deixaria o Brasil em 1821. Em agosto de 1820 houvera no antes que ela fosse aprovada, as tropas do exército cercaram o prédio da
Porto uma revolução constitucionalista (revolução liberal portuguesa de Assembleia, e por ordens do imperador a mesma foi dissolvida, devendo a
1820), movimento com ideias liberais que ganhou adeptos no reino. Em constituição ser elaborada por juristas da confiança de Dom Pedro I. Foi
setembro de 1820, uma Junta Provisória de Governo obrigou os portugue- então outorgada a constituição de 1824, que trazia uma inovação: o Poder
ses a jurarem uma Constituição provisória, nos moldes da Constituição Moderador. Através dele, o imperador poderia fiscalizar os outros três
espanhola de Cádiz, até redação de uma constituição definitiva. Em janeiro poderes.
de 1821, em Portugal, aconteceu a solene instalação das Cortes Gerais,
Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa, encarregadas de Surgiram diversas críticas ao autoritarismo imperial, e uma revolta im-
elaborar a constituição, mas sem representantes brasileiros. Em fevereiro, portante aconteceu no Nordeste: a Confederação do Equador. Foi debela-

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da, mas Dom Pedro I saiu muito desgastado do episódio. Outro grande ministro do visconde de Ouro Preto, e, por incentivo de republicanos como
desgaste do Imperador foi por o Brasil na Guerra da Cisplatina, onde o país Benjamin Constant Botelho Magalhães, o Marechal Deodoro da Fonseca
não manteve o controle sobre a então região de Cisplatina (hoje, Uruguai). proclamou a República e enviou ao exílio a Família Imperial. Diversos
Também apareciam os primeiros focos de descontentamento no Rio Gran- fatores contribuíram para a queda da Monarquia, dentre os quais: a insatis-
de do Sul, com os farroupilhas. fação da elite agrária com a abolição da escravatura sem que os proprietá-
rios rurais fossem indenizados pelos prejuízos sofridos, o descontentamen-
Em 1831 o imperador decidiu visitar as províncias, numa última tentati- to dos cafeicultores do Oeste Paulista que se tornaram adeptos do Partido
va de estabelecer a paz interna. A viagem deveria começar por Minas Republicano Paulista e da abolição pois usavam apenas mão de obra
Gerais; mas ali o imperador encontrou uma recepção fria, pois acabara de europeia dos imigrantes, e perdendo apoio dos militares, especialmente do
ser assassinado Líbero Badaró, um importante jornalista de oposição. Ao exército que se sentiam desprestigiados entendendo que o imperador
voltar para o Rio de Janeiro, Dom Pedro deveria ser homenageado pelos preferia a marinha do Brasil e que almejavam mais poder, e as interferên-
portugueses, que preparavam-lhe uma festa de apoio; mas os brasileiros, cias do Imperador em assuntos da Igreja.
discordando da festa, entraram em conflito com os portugueses, no episó-
dio conhecido como Noite das Garrafadas. Não houve nenhuma participação popular na proclamação da Repúbli-
ca do Brasil. O que ocorreu, tecnicamente foi um golpe militar. O povo
Dom Pedro tentou mais uma medida: nomeou um gabinete de minis- brasileiro apoiava o Imperador. O correspondente do jornal "Diário Popu-
tros com suporte popular. Mas desentendeu-se com os ministros e logo lar", de São Paulo, Aristides Lobo, escreveu na edição de 18 de novembro
depois demitiu o gabinete, substituindo-o por outro bastante impopular. daquele jornal, sobre a derrubada do império, a frase histórica:
Frente a uma manifestação popular que recebeu o apoio do exército,não
teve muita escolha, assim criou o quinto poder. Mas não deu certo a ideia, Por ora, a cor do governo é puramente militar e deverá ser assim. O fa-
e não restou nada ao imperador a não ser a renúncia, no dia 7 de abril de to foi deles, deles só porque a colaboração do elemento civil foi quase nula.
1831. O povo assistiu àquilo tudo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o
que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada!—
Período regencial Aristides Lobo
Durante o período de 1831 a 1840, o Brasil foi governado por diversos Para poupar conflitos, não houve violência e a Família Imperial pôde
regentes, encarregados de administrar o país enquanto o herdeiro do exilar-se na Europa em segurança.
trono, D. Pedro II, ainda era menor. A princípio a regência era trina, ou
seja, três governantes eram responsáveis pela política brasileira, no entan- D. Pedro II assinou sua renúncia com a mesma assinatura de seu pai
to com o ato adicional de 1834, que, além de dar mais autonomia para as ao abdicar em 1831: Pedro de Alcântara.
províncias, substituiu o caráter tríplice da regência por um governo mais
centralizador. O período pode ser divido em três etapas principais:

O primeiro regente foi o Padre Diogo Antônio Feijó , que notabilizou-se  a chamada fase de consolidação, que se estende de 1840 a 1850.
por ser um governo de inspirações liberais, porém, devido às pressões As lutas internas são pacificadas, o café inicia a sua expansão, a tarifa
políticas e sociais, teve que renunciar. O governo de caráter liberal caiu Alves Branco permite a Era Mauá.
para dar lugar ao do conservador Araújo Lima, que centralizou o poder em  o chamado apogeu do Império, um período marcado por grande
suas mãos, sendo atacado veementemente pelos liberais, que só tomaram estabilidade política, quando de 1849 até 1889 não aconteceu no Brasil
o poder devido ao golpe da maioridade. Destacam-se neste período a nenhuma revolução, algo inédito no mundo: 50 anos de paz interna em um
instabilidade política e a atuação do tutor José Bonifácio, que garantiu o país, permitida pelo sistema parlamentarista,(o parlamentarismo às aves-
trono para D. Pedro II. sas) e pela política de troca de favores. Em termos de Relações Internaci-
Teve início neste período a Revolução Farroupilha, em que os gaú- onais, o período é marcado pela Questão Christie e pela Guerra do Para-
chos revoltaram-se contra a política interna do Império, e declararam a guai.
República Piratini. Também neste período ocorreram a Cabanada, de  o chamado declínio do Império, marcado pela Questão Militar, pela
Alagoas e Pernambuco; a Cabanagem, do Pará; a revolta dos Malês e a Questão Religiosa, pelas lutas abolicionistas e pelo movimento republica-
Sabinada, na Bahia; e a Balaiada, no Maranhão. no, que conduzem ao fim do regime monárquico.
Segundo reinado Libertação dos escravos
O Segundo Reinado teve início com o Golpe da Maioridade (1840), Os primeiros movimentos contra a escravidão foram feitos pelos missi-
que elevou D. Pedro II ao trono, antes dos 18 anos, com 15 anos. A eco- onários jesuítas, que combateram a escravização dos indígenas mas
nomia, que teve como base principal a agricultura – tornando-se o café o toleraram a dos africanos. O fim gradual do tráfico negreiro foi decidido, no
principal produto exportador do Brasil durante o reinado de Pedro II, em Congresso de Viena, em 1815. Desde 1810, a Inglaterra fez uma série de
substituição à cana-de-açúcar –, apresentou uma expansão de 900%.A exigências a Portugal, e passou, a partir de 1845, a reprimir violentamente
falta de mão-de-obra, na época chamada de "falta de braços para a lavou- o tráfico internacional de escrvos, amparada na lei inglessa chamada Lei
ra", em consequência da libertação dos escravos foi solucionada com a Aberdeen. Em 1850, a Lei Eusébio de Queirós aboliu o tráfico internacional
atração de centenas de milhares de imigrantes, em sua maioria italianos, de escravos no Brasil.
portugueses e alemães.O que fez o país desenvolver uma base industrial e
começar a expandir-se para o interior. Em 1871, o Parlamento Brasileiro aprovou e a Princesa Isabel sancio-
nou a Lei 2.040, conhecida como Lei Rio Branco ouLei do Ventre Livre,
Nesse período, foi construída uma ampla rede ferroviária, sendo o determinando que todos os filhos de escravos nascidos desde então seri-
Brasil o segundo país latino-americano a implantar este tipo de transporte, am livres a partir dos 21 anos.
e, durante a Guerra do Paraguai, foi possuidor da quarta maior marinha de
guerra do mundo. A mão-de-obra escrava, por pressão interna de oligar- Em 28 de setembro de 1885, promulgou-se uma outra lei, a Lei dos
quias paulistas, mineiras e fluminenses, manteve-se vigente até o ano de Sexagenários (Lei Saraiva–Cotegipe) que determinava a "extinção gradual
1888, quando caiu na ilegalidade pela Lei Áurea. Entretanto, havia-se do elemento servil" e criava fundos para a indenização dos proprietários de
encetado um gradual processo de decadência em 1850, ano do fim do escravos e determinava que escravos a partir de 60 anos poderiam ser
tráfico negreiro, por pressão da Inglaterra, além de que o Imperador era livres. Assim, com estas duas leis (Ventre Livre e Sexagenários), a aboli-
contra a escravidão, pela opção dos produtores de café paulistas que ção dos escravos seria gradativa, com os escravos sendo libertos ao
preferiam a mão de obra assalariada dos imigrantes europeus, pela malária atingirem a idade de 60 anos.
que dizimou a população escrava naquela época e pela guerra do Paraguai
Em 1880, fora criada a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão que,
quando os negros que dela participaram foram alforriados.
juntamente com a Associação Central Abolicionista e outras organizações,
A partir de 1870, assistiu-se ao crescimento dos movimentos republi- passou a ser conhecida pela Confederação Abolicionista] liderada por José
canos no Brasil. Em 1889, um golpe militar tirou o cargo de primeiro- do Patrocínio, filho de uma escrava negra com um padre. Em 1884, os

Ciências Humanas e suas Tecnologias 11 A Opção Certa Para a Sua Realização


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governos do Ceará e do Amazonas aboliram, em seus territórios, a escra- PRIMEIRA REPÚBLICA
vidão, no que foram pioneiros.
Chama-se de Primeira República o período que vai do fim do Império
As fugas de escravos aumentram muito, após 1885, quando foi abolida até a Revolução de 30. Tem dois momentos distintos: a República da
a pena de açoite para os negros fugidos, o que estimulou as fugas. O Espada, até 1894, momento de consolidação do regime marcado pela
exército se negava a perseguir os negros fugidos. Há que lembrar ainda os presença dos militares no poder, e República das Oligarquias, até 1930,
Caifases, liderados por Antônio Bento, que promoviam a fuga dos negros, período em que os civis ocupam o poder.
perseguiam os capitães-de-mato e ameaçavam os senhores escravistas.
Em São Paulo, a polícia, em 1888, também não ia mais atrás de negros República da Espada – A cena política logo após a Proclamação da
fugidos. República é dominada por uma acirrada luta pelo poder entre centralistas e
federalistas. Os centralistas, em geral militares, têm a liderança do mare-
A abolição definitiva era necessária. Há divergências sobre o número chal Deodoro da Fonseca. Identificados com as ideias positivistas de um
de escravos existentes em 1888. Havia, segundo alguns estudiosos, Estado forte, são apoiados pelas antigas elites agrárias. Os federalistas
1.400.000 escravos para população de 14 milhões habitantes: cerca de reúnem uma maioria de civis que representam as forças políticas e econô-
11%. Porém, segundo a matrícula de escravos, concluída em 30 de março micas dominantes nos Estados, principalmente São Paulo e Minas, os mais
de 1887, o número de escravos era apenas 720.000. ricos do país. Defendem a descentralização do poder sob a forma de
república federativa e o controle do governo pelo Congresso, onde as
Finalmente, o presidente do Conselho de Ministros do "Gabinete de 10 oligarquias regionais estariam representadas. Os dois primeiros presiden-
de março", João Alfredo Correia de Oliveira, do Partido Conservador, tes são militares.
promoveu a votação de uma lei que determinava a extinção definitiva da
escravidão no Brasil. Em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel sancionou República das Oligarquias – Passado os primeiros momentos de
a Lei Áurea, que já havia sido aprovada pelo Parlamento, abolindo toda e afirmação da República, os cafeicultores paulistas, que já detêm a hege-
qualquer forma de escravidão no Brasil. Logo após a Princesa assinar a Lei monia econômica, conseguem também a hegemonia política. A chamada
Áurea, ao cumprimentá-la, João Maurício Wanderley, o barão de Cotejipe, República das Oligarquias consolida-se a partir do governo de Prudente de
o único senador que votou contra o projeto da abolição da escravatura, Morais. Os Estados de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente os
profetizou: maiores produtores de café e de leite do país, passam a dominar o governo
central na chamada "política do café-com-leite". A Presidência da Repúbli-
"A senhora acabou de redimir uma raça e perder o trono"!— Ba- ca é ocupada alternadamente por representantes do Partido Republicano
rão de Cotegipe Paulista (PRP) e do Partido Republicano Mineiro (PRM). No governo
A aristocracia escravista, oligarquia rural arruinada com a abolição sem Campos Sales, acordos políticos feitos com as oligarquias locais dão
indenização, culpou o governo e aderiu aos vários partidos republicanos origem a um outro apelido do período, o de "política dos governadores".
existentes, especialmente ao Partido Republicano Paulista e o PRM, que GOVERNO PROVISÓRIO
faziam na oposição ao regime monárquico, assim, uma das consequências
da abolição seria a queda da monarquia. Pequenos proprietários que não Instalado na noite de 15 de novembro de 1889, o governo provisório é
podiam recorrer a mão de obra assalariada fornecida pelos imigrantes dirigido pelo marechal Deodoro da Fonseca. Instaura o regime republicano
europeus também ficaram arruinados. Apenas a economia cafeeira do federalista, transforma as Províncias em Estados da Federação e o país
oeste paulista, porém, quando comparada à de outras regiões, não sofreu passa a chamar-se Estados Unidos do Brasil. Os estrangeiros residentes
abalos, pois já se baseava na mão-de-obra livre, assalariada. Muitos no Brasil têm a opção de se naturalizar e adquirir a cidadania brasileira.
escravos negros permaneceram no campo, praticando uma economia de
subsistência, em pequenos lotes, outros buscaram as cidades, onde entra- Civis x militares – O governo provisório é uma composição entre mili-
ram num processo de marginalização. Desempregados, passaram a viver tares, que ficam com a Presidência, e civis, a maioria nos ministérios. As
em choças e barracos nos morros e nos subúrbios. crises entre centralistas e federalistas expressam-se dentro do próprio
governo, pelo enfrentamento entre o presidente e seu ministério. Autoritário
E de acordo com a análise de Everardo Vallim Pereira de Souza, re- e centralista, Deodoro desperta nos civis o temor de uma ditadura militar. O
portando-se às consideração do Conselheiro Antônio da Silva Prado, as governo provisório termina em 25 de fevereiro de 1891, com a promulga-
consequências da abolição dos escravos, em 13 de maio de 1888, deixan- ção da primeira Constituição.
do sem amparo os ex-escravos, foram das mais funestas:
Manuel Deodoro da Fonseca (1827-1892) nasce em Alagoas e faz
Segundo a previsão do Conselheiro Antônio Prado, decretada de afo- carreira no Exército. Combate a Rebelião Praieira em Pernambuco, em
gadilho a “Lei 13 de maio”, seus efeitos foram os mais desastrosos. Os ex- 1848, e participa das guerras do Prata e do Paraguai. Chega ao posto de
escravos, habituados à tutela e curatela de seus ex-senhores, debandaram marechal-de-campo em 1884. Nomeado comandante de armas do Rio
em grande parte das fazendas e foram "tentar a vida" nas cidades; tentâme Grande do Sul em 1885, volta ao Rio de Janeiro no ano seguinte, quando
aquele que consistia em: aguardente aos litros, miséria, crimes, enfermida- assume a liderança da facção do Exército favorável à abolição da escrava-
des e morte prematura. Dois anos depois do decreto da lei, talvez metade tura. Seu prestígio o coloca à frente do movimento militar que derruba a
do novo elemento livre havia já desaparecido! Os fazendeiros dificilmente monarquia e proclama a República, em 15 de novembro de 1889. Assume
encontravam "meieiros" que das lavouras quisessem cuidar. Todos os a chefia do governo provisório. Mantém acirrada luta contra os civis e
serviços desorganizaram-se; tão grande foi o descalabro social. A parte resiste à convocação de uma Assembleia Constituinte. Depois, pressões
única de São Paulo que menos sofreu foi a que, antecipadamente, havia já dos militares sobre o Congresso, inclusive com ameaças de golpe, garan-
recebido alguma imigração estrangeira; O geral da Província perdeu quase tem sua eleição como presidente constitucional do país em 25 de fevereiro
toda a safra de café por falta de colhedores!—Everardo Vallim Pereira de de 1891, um dia depois de promulgada a Constituição. Permanece nove
Souza meses no posto. Tenta vencer a oposição articulando um golpe de Estado.
Enfrenta resistência dentro do Exército, chefiada por seu vice-presidente, o
O Brasil foi o último país independente do continente americano a abo- marechal Floriano Peixoto. Renuncia em 23 de novembro de 1891.
lir a escravatura. O último país do mundo a abolir a escravidão foi a Mauri-
tânia, somente em 9 de novembro de 1981, pelo decreto de número
81.234.
ASSEMBLEIA CONSTITUINTE
REPÚBLICA VELHA (1889-1930):
Estruturas políticas, econômicas e sociais As eleições para a Assembleia Constituinte, em 15 de setembro de
1890, são consideradas fraudulentas e manipuladas pelos militares alinha-
O período republicano começa com a derrubada do Império e a Pro- dos com Deodoro da Fonseca. Abertas as urnas, em muitos Estados os
clamação da República, em 15 de novembro de 1889, e se estende até eleitos são completamente desconhecidos dos eleitores. Mesmo assim, o
hoje. Costuma ser dividido em cinco fases distintas: Primeira República ou governo provisório fica em minoria. Sua bancada reúne militares, monar-
República Velha, Era Vargas, Segunda República, Regime Militar e Rede- quistas adesistas e positivistas. A maioria é formada pelos chamados
mocratização. "republicanos objetivos", representantes da oligarquia cafeeira.

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Constituição de 1891 ou "política do café-com-leite" e enfrenta acirrada oposição dos "florianis-
tas", partidários do ex-presidente. Consegue derrotar a Revolução Federa-
Promulgada em 24 de fevereiro de 1891, a Constituição define os pode- lista no Rio Grande do Sul, mas enfrenta uma nova guerra no sertão baia-
res Executivo, Legislativo e Judiciário como independentes, separa o no: a Guerra dos Canudos, na época considerada uma rebelião monarquis-
Estado e a Igreja e permite a liberdade de culto. Institui o federalismo, o ta. Prudente de Morais - ver foto ao lado - faz seu sucessor, o também
presidencialismo e o regime representativo. Nas disposições transitórias, paulista e cafeicultor Campos Sales.
determina que a própria Assembleia Constituinte se transforme em Con-
gresso, com poder para eleger o primeiro presidente de forma indireta. GOVERNO PRUDENTE DE MORAIS
Federalismo Estado de sítio – Em 5 de novembro de 1897 o presidente sofre um
atentado no cais do porto do Rio de Janeiro. Um soldado florianista, Marce-
O presidente é o chefe da nação e tem poderes para intervir nos Esta- lino Bispo, tenta atingi-lo, e acaba matando o ministro da Guerra, marechal
dos em caso de movimentos separatistas, invasão estrangeira ou conflitos Carlos Bittencourt. O incidente dá pretexto para o Congresso decretar
com outras unidades da Federação. Os 20 Estados têm autonomia para estado de sítio. Com poderes excepcionais, Prudente de Morais prende
elaborar sua Constituição, eleger governadores, realizar empréstimos no seus opositores, fecha jornais e acaba com qualquer manifestação política.
exterior, decretar impostos e formar suas próprias forças militares. Consolida assim a presença de civis no poder federal.
Representação restrita – Os chefes do Executivo e os membros do Prudente José de Morais e Barros (1841-1902) nasce em Itu, São
Legislativo são eleitos diretamente. O voto não é secreto. Analfabetos, Paulo, numa família de grandes cafeicultores. Bacharel em direito, adere
mulheres, soldados e menores de 18 anos não têm direito a voto – restri- ao Partido Republicano Paulista em 1876 e, depois da Proclamação da
ções que reduzem o eleitorado a cerca de 6% da população do país. República, exerce o governo de São Paulo. Eleito senador constituinte em
GOVERNO DEODORO DA FONSECA 1890, chega à presidência do Senado, onde encabeça a oposição a Deo-
doro da Fonseca e é derrotado nas eleições indiretas para a Presidência.
O novo Congresso elege Deodoro da Fonseca - para a Presidência sob Sua eleição em 1894 marca o início da hegemonia dos grandes proprietá-
pressão militar, em 25 de fevereiro de 1891. Para demonstrar sua insatis- rios rurais da região Sudeste na política. Governa até 15 de novembro de
fação, os congressistas escolhem para vice-presidente o candidato da 1898. Enfrenta a oposição política dos florianistas, partidários do ex-
oposição, Floriano Peixoto, inimigo de Deodoro. Hostilizado pelo Congres- presidente Floriano Peixoto e de seu próprio vice, Manuel Vitorino Pereira,
so e sem o apoio de São Paulo e do PRP, Deodoro procura aproximar-se que tenta impedi-lo de voltar ao cargo quando se afasta por motivo de
dos demais governos estaduais, sem resultado. Isolado, tenta um golpe de doença. É o primeiro presidente a governar sob estado de sítio. Passa para
estado e a dissolução do Congresso, em 3 de novembro. Floriano Peixoto a história como "o pacificador", apesar da violenta repressão praticada
desencadeia um movimento legalista, apoiado pelo PRP, pela Marinha e contra Canudos, e das arbitrariedades cometidas sob a proteção do estado
Exército, obrigando Deodoro a renunciar ao cargo. de sítio. Ao deixar a Presidência, retira-se para Piracicaba, onde morre em
GOVERNO FLORIANO PEIXOTO 3 de dezembro de 1902.

As primeiras medidas de Floriano Peixoto ao assumir o governo, em 23 GOVERNO CAMPOS SALES


de novembro de 1891, são anular o decreto de dissolução do Congresso, Representante da oligarquia cafeeira paulista e destacado membro do
assinado por Deodoro, e derrubar os governos estaduais que apoiaram a Partido Republicano Paulista (PRP), Campos Sales assume em 15 de
tentativa de golpe. Preocupado em garantir suas bases de sustentação, novembro de 1898 e governa até o fim do mandato, em 15 de novembro de
toma decisões de grande apelo popular: controla a especulação financeira, 1902. Encontra as finanças públicas depauperadas: as despesas do go-
que vem provocando alta generalizada do custo de vida, e inaugura o verno são exatamente o dobro da receita e a inflação é galopante – situa-
tabelamento de preços no Brasil; fixa valores máximos para os gêneros ção agravada pela queda dos preços do café no mercado internacional no
alimentícios; e congela os preços dos aluguéis. Ao mesmo tempo, estimula início do século XX. Tenta combater a inflação e estabelece a primeira
a economia e apoia os interesses dos cafeicultores paulistas. moratória da história da República.
Oposição no Congresso – A oposição a Floriano reivindica a convo- Política dos governadores – Para evitar a forte oposição do Legislati-
cação de nova eleição presidencial. A Constituição prevê a realização de vo, Campos Sales dá início à chamada política dos governadores. Faz uma
eleições para o caso de vacância dos cargos de presidente ou vice antes aliança com as oligarquias dominantes em São Paulo e Minas Gerais,
de decorridos dois anos de mandato. Ele argumenta que esse dispositivo compromete-se a apoiá-las em troca da garantia da eleição dos candidatos
só se aplicaria aos casos de eleitos por voto direto e não por eleição indire- indicados pelo governo para o Congresso Nacional.
ta, como ocorrera com o marechal Deodoro. Apoiado por setores populares
e cafeicultores paulistas, consegue terminar seu mandato, mas enfrenta Manipulação de eleições – As denúncias de manipulação de elei-
motins e rebeliões militares e civis em vários pontos do país. As mais çõessão constantes durante toda a Primeira República. Não existe Justiça
importantes são a Revolução Federalista, no Rio Grande do Sul, e a Revol- Eleitoral na época. O voto não é secreto e os resultados das eleições
ta da Armada, no Rio de Janeiro. Trata seus opositores com grande violên- estaduais são validados por uma "comissão de verificação" escolhida pelo
cia e ganha o apelido de Marechal de Ferro. Legislativo e, depois, ratificados pelo presidente da República. Nos Esta-
dos, as oligarquias mantêm o controle das eleições através do chamado
Floriano Vieira Peixoto (1839-1895) nasce em Vila de Ipioca, Alagoas. "voto de cabresto" ou "voto de curral".
Militar de carreira, chega ao posto de marechal-de-campo em 1888. No-
meado para a presidência da Província do Mato Grosso em 1884, exerce o Voto de curral – A expressão é usada para designar o sistema de po-
cargo por um ano. Na Proclamação da República, ocupa o posto de aju- der político onde as eleições são controladas ou manipuladas por quem
dante-geral do Exército do gabinete de Ouro Preto. Não chega a participar detém o poderio econômico e social. Tem sua origem no Império, quando
diretamente da conspiração para derrubar a monarquia, mas recusa-se a os comandantes da Guarda Nacional, os chamados coronéis, grandes
enfrentar as tropas republicanas lideradas por Deodoro. Durante o governo proprietários de terra ou mineradores, decidem em quem a população local
Provisório, ocupa o Ministério da Guerra em substituição a Benjamin Cons- deve votar. O "coronel" de cada região arranja empregos e distribui os mais
tant. Em 1890 é eleito senador constituinte por Alagoas. Inimigo político de variados benefícios à sua clientela. Os protegidos do "coronel" lhe devem
Deodoro, é eleito seu vice pela oposição no Congresso, em 1891. Também fidelidade, principalmente política, manifestada no momento das eleições.
lidera a oposição ao presidente no momento da dissolução do Congresso e A força dos coronéis é base de sustentação política dos governos estadu-
ocupa a chefia da nação após a renúncia do titular, em 23 de novembro de ais e da própria República das Oligarquias.
1891. Autoritário e centralista, governa com mão-de-ferro e trata a oposi- Manuel Ferraz de Campos Sales (1841-1913) nasce em Campinas,
ção com violência. No final do mandato, em 15 de novembro de 1894, São Paulo, reduto dos cafeicultores tradicionais. Bacharel em direito,
retira-se da vida pública. Morre no dia 29 de junho de 1895. elege-se deputado provincial em 1867. Um dos fundadores do Partido
É o primeiro presidente civil e também o primeiro eleito pelo voto direto. Republicano Paulista, representa-o na Câmara Imperial a partir de 1885.
Assume em 15 de novembro de 1894 e governa até o final do mandato, em Com a República, é nomeado ministro da Justiça do governo Provisório e
15 de novembro de 1898. Dá início à chamada República das Oligarquias governador de São Paulo. Companheiro político de Prudente de Morais,

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tem seu apoio na candidatura à Presidência. Eleito em 15 de novembro de garante a eleição de Venceslau Brás à Presidência – que mais tarde tenta
1898, desenvolve uma política de apoio à agricultura e dá início à estraté- reduzir sua influência sobre o governo. Autoritário e impulsivo, durante sua
gia de valorização do café. Recusa-se a implantar medidas protecionistas vida pública trava vários duelos à pistola e revólver. Morre apunhalado
que beneficiem a nascente indústria brasileira. Termina o mandato em 15 pelas costas, no Hotel dos Estrangeiros, no Rio de Janeiro, por Francisco
de novembro de 1902 e volta à política em 1909 como senador por São Manso de Paiva, em circunstâncias não suficientemente esclarecidas.
Paulo. Morre em Santos, São Paulo, em 28 de junho de 1913.
GOVERNO NILO PEÇANHA
GOVERNO RODRIGUES ALVES
Vice-presidente na gestão de Afonso Pena, assume a Presidência em
Conservador e ex-monarquista, Rodrigues Alves derrota Quintino Bo- 14 de junho de 1909 após a morte do titular. Governa até 15 de novembro
caiúva, um republicano histórico, nas eleições de 1902. Assume dia 15 de de 1910. Seu curto governo é ocupado por grandes disputas de poder
novembro e governa até o final do mandato, em 1906. Dá continuidade à entre as oligarquias mineira e paulista – a Campanha Civilista –, que, em
política de valorização do café. Propõe-se a reurbanizar e sanear o Rio de alguns casos, chegam a enfrentamentos armados. A acelerada dizimação
Janeiro. Conduzidas de forma autoritária e sem o esclarecimento da opini- de tribos indígenas leva à criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI),
ão pública, essas campanhas provocam uma grande rebelião popular, a em 20 de julho de 1910, sob a direção do marechal Cândido Rondon.
chamada Revolta do Mosquito ou da Vacina – argumento para uma tentati-
va de golpe militar. Durante seu governo, eclode também a chamada Campanha Civilista – A disputa pela Presidência da República abre
Questão do Acre, área de litígio entre o Brasil e a Bolívia. uma brecha na aliança entre as oligarquias paulista e mineira. O ministro
da Fazenda do governo Afonso Pena, Davi Campista, é indicado pelos
Francisco de Paula Rodrigues Alves (1848-1919) nasce em Guara- paulistas para a sucessão de Nilo Peçanha. A maioria do Partido Republi-
tinguetá, São Paulo, numa família de latifundiários. Bacharel em direito, cano Mineiro, no entanto, com a adesão da oligarquia gaúcha, escolhe
inicia sua vida política em 1872, como deputado provincial pelo Partido como candidato o marechal Hermes da Fonseca, ministro da Guerra. Os
Conservador. Em 1887, chega à Presidência da Província de São Paulo. paulistas desistem da candidatura de Campista, aliam-se aos coronéis
Adere à República na última hora. Elege-se deputado constituinte em 1890 baianos e lançam Rui Barbosa para a Presidência. Começa assim a Cam-
e ocupa o Ministério da Fazenda nos governos de Floriano Peixoto e panha Civilista: "O mais inteligente dos brasileiros", slogan da campanha
Prudente de Morais. Em 1900 é eleito novamente presidente de São Paulo. dos paulistas, em oposição a um candidato militar. A maior parcela do
Apesar de seu passado monarquista e tendências conservadoras derrota eleitorado – Minas, Rio Grande do Sul e parte de São Paulo – é controlada
Quintino Bocaiúva, um republicano histórico, nas eleições para Presidência por Hermes da Fonseca. Os civilistas tentam conseguir apoio popular, sem
em 15 de novembro de 1902. Depois de cumprir seu mandato de presiden- resultado, e perdem as eleições.
te, volta a ocupar o governo paulista e, em seguida, uma vaga no Senado.
Eleito novamente para a Presidência em 1918, não chega a tomar posse. Rui Barbosa de Oliveira (1849-1923), jurista e estadista, nasce em
Contaminado pelo vírus da gripe espanhola, morre no Rio de Janeiro em Salvador, Bahia, forma-se em direito e cedo ingressa no jornalismo. Aboli-
janeiro de 1919. Assume em seu lugar o vice, Delfim Moreira. cionista, fica famoso em 1877 ao traduzir a obra O papa e o concílio, de
Doelinger, contra o dogma da infalibilidade do papa. Faz da introdução do
O mineiro Afonso Pena - ver foto ao lado é o candidato das elites pau- livro um libelo contra a chamada questão religiosa. Eleito deputado pela
listas em aliança com José Gomes Pinheiro Machado, senador gaúcho que Bahia, participa da reforma eleitoral de 1881 e da reforma do ensino, em
articula as bancadas dos pequenos Estados. Assume a Presidência em 15 1882 e 1883. Destaca-se na defesa da abolição, mas não se mostra um
de novembro de 1906 e morre antes de concluir o mandato, em 14 de batalhador da República, embora critique as falhas da monarquia e ajude
junho de 1909. A base da aliança que o leva ao poder é a política de em sua derrocada. Ministro da Fazenda no primeiro governo provisório,
valorização do café. Em seu governo, é criada a Comissão do Café do recorre à inflação para financiar o crescimento econômico. Liberal, ajuda a
Estado de São Paulo com o objetivo de controlar estoques e negociar redigir a Constituição de 1891. Opsicionista no governo de Floriano Peixo-
preços. Ampliam-se as comunicações no país. Em 1907, a Amazônia é to, é obrigado a exilar-se em 1894. Volta ao Brasil e ocupa uma cadeira no
ligada por telégrafo ao Rio de Janeiro, graças ao trabalho desenvolvido Senado. Ganha fama internacional ao defender os direitos das pequenas
pelo marechal Cândido Rondon. Em 1908 é aprovada a lei do serviço nações na 2a Conferência de Haia, em 1907. Propõe a igualdade entre as
militar obrigatório. nações e sua interferência lhe vale o epíteto de "Águia de Haia". Em 1910,
candidato civil à Presidência em oposição ao marechal Hermes da Fonse-
GOVERNO AFONSO PENA ca, lidera a Campanha Civilista. Perde e volta a disputar a Presidência em
Afonso Augusto Moreira Pena (1847-1909) nasce em Santa Bárbara, 1919, numa campanha radical nas questões sociais. Novamente é derrota-
Minas Gerais. Bacharel em direito, inicia sua vida política em 1874 como do, desta vez por Epitácio Pessoa. Deixa uma obra vasta, que inclui escri-
deputado provincial. Durante o Império ocupa os ministérios da Guerra tos e discursos sobre todas as questões da época.
(1882), da Agricultura (1883) e da Justiça (1885). Elege-se deputado Nilo Procópio Peçanha (1867-1924) nasce em Campos, Rio de Janei-
constituinte em 1890 e presidente de Minas Gerais em 1892, quando a ro. Advogado, participa das campanhas abolicionistas e republicanas. Em
capital é transferida de Ouro Preto para Belo Horizonte. Ocupa a presidên- 1890 é eleito deputado constituinte e, mais tarde, vice-presidente da Repú-
cia do Banco da República e volta a representar seu Estado em 1899, blica. Com a morte de Afonso Pena em 14 de junho de 1909 assume a
como senador. Eleito para a Presidência da República, assume em 15 de Presidência aos 41 anos. Conclui o mandato de presidente em 1910 e,
novembro de 1906. Morre antes do fim do mandato e é substituído pelo depois, elege-se senador por duas vezes e presidente do Estado do Rio de
vice, Nilo Peçanha. Janeiro. Em 1917 ocupa o Ministério das Relações Exteriores no governo
José Gomes Pinheiro Machado (1852-1915) nasce em Cruz Alta, Rio Venceslau Brás. É derrotado nas eleições para a Presidência em 1921,
Grande do Sul. Bacharel em direito, participa como voluntário do Exército como candidato da chapa Reação Republicana, de oposição às oligarquias
brasileiro na Guerra do Paraguai. Em 1891, é eleito senador e participa da estaduais. Morre no Rio de Janeiro em 31 de março de 1924.
primeira Constituinte republicana. Em 1893 combate a Revolução Federa- GOVERNO HERMES DA FONSECA
lista e torna-se general honorário do Exército por sua atuação contra os
rebeldes gaúchos. Figura carismática e de grande poder pessoal, domina a Assume a Presidência em 15 de novembro de 1910 e governa até o fi-
máquina política do Rio Grande do Sul e conquista liderança sobre o nal do mandato, em 1914. Gaúcho, num cenário político dominado por
Senado, onde forma um bloco majoritário muito mais seu que do governo. paulistas e mineiros, o marechal Hermes da Fonseca - ver foto ao lado -
Conquista também a maioria na Câmara dos Deputados e alcança um distancia-se um pouco da política "café-com-leite". Dá início à chamada
poder político dificilmente experimentado por outro parlamentar na história "política salvacionista", que recupera a importância direta dos militares na
da política brasileira. Com a morte do presidente Afonso Pena e a posse do política: apoia intervenções militares nos governos estaduais. Seu objetivo
vice-presidente Nilo Peçanha, seu amigo e colaborador, aumenta ainda é reduzir o domínio das oligarquias e moralizar a política. Na prática,
mais seu prestígio e influência. Coordena a campanha de Hermes da porém, os militares apenas participam do jogo de poder local: aliam-se às
Fonseca à Presidência, articulando as lideranças dos Estados do Norte e facções oligárquicas que estão na oposição e as colocam no poder, em
Nordeste, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, contra o candidato dos substituição às oligarquias situacionistas. Seu governo é marcado por
paulistas, Rui Barbosa. Pinheiro Machado também lança a candidatura e revoltas militares, como a Revolta da Chibata, e por graves conflitos soci-

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ais, como a Guerra do Contestado e o Conflito de Juazeiro, encabeçado Conferência de Paz de Versalhes, em 1919, e é eleito presidente da Repú-
pelo Padre Cícero. blica quando ainda está no exterior. Governa de 1919 a 1922. Depois, é
nomeado juiz da Corte Internacional de Haia, cargo que exerce de 1923 a
Hermes Rodrigues da Fonseca (1855-1923) nasce em São Gabriel, 1930. Nesse ano, apoia a candidatura de Getúlio Vargas e João Pessoa,
no Rio Grande do Sul. Sobrinho do marechal Deodoro da Fonseca, é seu sobrinho, pela Aliança Liberal. Abatido pelo assassinato de João
militar de carreira e um dos fundadores do Clube Republicano do Círculo Pessoa, não se identifica com os novos rumos da política brasileira e deixa
Militar, de 1878. Após a Proclamação da República, mantém-se em fun- a vida pública.
ções militares. Alcança o posto de marechal em 1906, quando é nomeado
ministro da Guerra do governo de Afonso Pena. Nesse cargo, reorganiza o GOVERNO ARTUR BERNARDES
Exército e, em 1908, institui o serviço militar obrigatório. Sua candidatura à
Presidência tem o apoio dos conservadores e dos militares, das elites Presidente da República entre 1922 e 1926, Artur Bernardes governa
mineiras, gaúchas e dos pequenos Estados coordenadas pelo senador sob estado de sítio, interrompido apenas entre dezembro de 1923 e julho
José Gomes Pinheiro Machado. Eleito em 1910, depois de agitada campa- de 1924, como defesa contra o Tenentismo. Os conflitos sociais e políticos
nha, governa até 1914. Depois de deixar a Presidência, envolve-se em se intensificam. Em janeiro de 1923 explode uma rebelião no Rio Grande
diversos incidentes políticos e, inclusive, na Revolta do Forte de Copaca- do Sul que contrapõe as oligarquias da região. No ano seguinte os tenen-
bana, em 1922. Preso por seis meses, retira-se para Petrópolis ao ser tes rebelam-se em São Paulo e começa a Coluna Prestes, no Rio Grande
libertado e morre poucos meses depois, em 9 de setembro de 1923. do Sul. No plano social, o governo Artur Bernardes - ver foto ao lado -
inaugura algumas vantagens trabalhistas, como as férias anuais obrigató-
GOVERNO VENCESLAU BRÁS rias, de 15 dias (lei 4.982), para empregados do comércio, indústrias e
bancos, instituída em dezembro de 1925.
Venceslau Brás - ver foto ao lado - assume a Presidência em 15 de
novembro de 1914 e governa até o fim do mandato, em 1918. Seu governo Artur da Silva Bernardes (1875-1955) nasce em Viçosa, Minas Ge-
é marcado por grande agitação política interna e externa. A 1a Guerra rais. Advogado, inicia sua vida política como vereador em sua cidade.
Mundial convulsiona a Europa, explode a primeira grande revolução socia- Depois elege-se deputado estadual e federal, assume a Secretaria das
lista na Rússia e, no Brasil, o movimento operário surge como uma força Finanças e a presidência de seu Estado. Presidente da República de 1922
organizada. O Código Civil Brasileiro é promulgado em 1916. No terreno da a 1926, é eleito senador em 1926. Participa da Aliança Liberal e lidera a
saúde pública, a gripe espanhola atinge a população de forma violenta. Em Revolução de 30 em seu Estado. Em 1932, durante a Revolução Constitu-
1918, só em São Paulo, morrem 8 mil pessoas em apenas quatro dias. cionalista tenta organizar em Minas um movimento de apoio à rebelião
Rodrigues Alves, o presidente da República recém-eleito, é uma das paulista. Derrotado, é obrigado a exilar-se. Volta ao Brasil em 1934 e é
vítimas da gripe. Na economia, dá continuidade à política de valorização do eleito deputado federal, cargo que exerce até 1937, quando o Congresso é
café. A guerra provoca queda das exportações e Venceslau Brás manda fechado por Getúlio Vargas. Em 1943 participa do movimento pela rede-
queimar 3 milhões de sacas de café, em junho de 1917, para evitar a baixa mocratização do país. É eleito deputado constituinte pelo Partido Republi-
dos preços. cano em 1946, e reeleito em 1954. Participa da campanha pela criação da
Petrobrás e preside a Comissão Nacional do Petróleo até sua morte, em
Venceslau Brás Pereira Gomes (1868-1966) nasce em São Caetano 1955.
da Vargem Grande, atual Brasópolis, Minas Gerais. Bacharel em direito, é
promotor público em seu Estado e inicia carreira política em 1892, como GOVERNO WASHINGTON LUÍS
deputado provincial. Ocupa a Secretaria do Interior de Minas Gerais, elege-
se deputado federal e vice-presidente do Estado. De 1909 a 1910, assume Washington Luís - ver foto ao lado - assume em 15 de novembro de
o governo de Minas devido à morte do presidente do Estado, João Pinhei- 1926 e é deposto pela Revolução de 30. Governa num período em que as
ro. Vice-presidente da República no mandato de Hermes da Fonseca, é divisões internas das antigas oligarquias e a crise econômica de 1929
lançado para a sucessão do marechal como uma solução conciliatória para levam ao fim da Primeira República. A cisão da oligarquia paulista em
as forças estaduais em disputa. Concorre como candidato único e governa liberais e republicanos conservadores consolida-se em 1926: uma dissi-
de 1914 a 1918. Depois, retira-se da vida pública. dência do antigo PRP funda o Partido Democrático, de tendência liberal,
com o apoio do jornal O Estado de S. Paulo. No mesmo ano, Getúlio
GOVERNO DELFIM MOREIRA Vargas, deputado federal pelo Rio Grande do Sul, é nomeado ministro da
Fazenda e dá início à sua rápida ascensão ao poder. O mandato de Wa-
Eleito vice-presidente em 1o de março de 1918 na chapa encabeçada shington Luís também é marcado pela repressão aos movimentos popula-
por Rodrigues Alves, toma posse como interino, em 15 de novembro, por res e à crescente organização dos trabalhadores. Em 1927, promulga a
causa do impedimento do presidente, contaminado pelo vírus da gripe chamada Lei Celerada, que permite a repressão a atividades políticas e
espanhola. Com a morte de Rodrigues Alves em janeiro de 1919, assume sindicais. Em 1o de maio de 1929 é fundada a Confederação Geral dos
a Presidência até a eleição de um novo presidente, em 28 de julho do Trabalhadores (CGT).
mesmo ano. Em seu curto governo envia uma delegação para a Conferên-
cia de Paz em Versalhes e enfrenta greves operárias em Porto Alegre, Washington Luís Pereira de Souza (1869-1957) nasce em Macaé,
Recife, Salvador, Curitiba e Niterói. Rio de Janeiro, e ainda jovem muda-se para São Paulo. Bacharel em
direito, é promotor público em Batatais e prefeito da cidade em 1898.
GOVERNO EPITÁCIO PESSOA Deputado estadual em 1904, ocupa o cargo de secretário da Justiça e
Assume a Presidência em 28 de julho de 1919 e governa até 15 de no- Segurança Pública de São Paulo de 1906 a 1912. Eleito prefeito da capital
vembro de 1922. Seu governo é marcado por graves conflitos sociais e paulista em 1914 e presidente do Estado em 1920, é dele a frase "governar
políticos que já antecipam a crise da Primeira República. Em outubro de é abrir estradas". Em seus governos, investe na modernização da infra-
1919 enfrenta amplo movimento grevista em São Paulo. A polícia fecha o estrutura de transportes, saneamento e demais serviços públicos. Historia-
jornal operário A Plebe e expulsa do país seus redatores e mais cem dor e membro da Academia Paulista de Letras, publica sua produção
militantes operários, todos imigrantes. Em 1929, decreta intervenção historiográfica em livros e artigos de jornais e revistas. Eleito presidente da
federal na Bahia devido aos choques entre os coronéis locais e políticos de República em 1926, é deposto pela Revolução de 30. Vai para o exílio na
oposição. Tropas federais ocupam Recife para conter conflitos entre as Europa e volta ao país em 1947.
oligarquias durante eleições de 1922. Nomeia o historiador Pandiá Calóge- REBELIÕES DA PRIMEIRA REPÚBLICA
ras, um civil, para ocupar o Ministério da Guerra. Os militares se rebelam e,
em julho de 1922, Epitácio Pessoa - ver foto ao lado - fecha o Clube Motins militares, rebeliões armadas, guerras civis e levantes populares
Militar do Rio de Janeiro. Seu ato provoca o protesto de oficiais jovens e são constantes em toda a Primeira República. Na fase de consolidação do
inaugura a participação dos tenentes na política do país. novo regime explodem motins e levantes populares em vários pontos do
país. A oposição congrega desde liberais radicais, que exigem maior
Epitácio da Silva Pessoa (1865-1942) nasce em Umbuzeiro, Paraíba. democratização do Estado, até monarquistas – presentes na Revolta da
Formado em direito, é eleito deputado constituinte por Pernambuco em Armada e na Revolução Federalista. Consolidado o regime, as rebeliões
1890. Ministro da Justiça no governo Campos Sales, em 1898, é nomeado surgem das disputas entre as oligarquias regionais pelo controle do poder.
ministro do Supremo Tribunal em 1901. Chefia a delegação brasileira à

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Há levantes de setores populares marginalizados e fanatizados, como na derrotadas. O fracasso assusta o governo e uma nova expedição é organi-
Guerra dos Canudos e na do Contestado, ou, ainda, contra a violação de zada em meados de 1897 com 8 mil soldados, algumas metralhadoras e
direitos civis e humanos, como a Revolta da Vacina. Nos anos 20, o movi- dois canhões, sob o comando do general Artur Oscar Andrade Guimarães.
mento tenentista põe em cheque a própria estrutura do poder montada Os combates começam em 25 de junho de 1897 e prolongam-se até 1o de
pelas oligarquias. outubro. As tropas do governo ocupam o povoado e matam Antônio Conse-
lheiro. A luta continua até 5 de outubro, quando morrem os quatro últimos
REVOLTA DA ARMADA combatentes.
A cúpula da Marinha rebela-se em 6 de setembro de 1893 e exige a REVOLTA DA VACINA
deposição de Floriano Peixoto. A revolta é liderada pelo contra-almirante
Custódio José de Melo e tem o apoio do almirante monarquista Luís Felipe As políticas de saneamento e de reforma urbana promovidas no gover-
Saldanha da Gama. Em 9 de fevereiro de 1894 as tropas rebeldes desem- no de Rodrigues Alves e conduzidas com violência revoltam a população
barcam em Niterói e tentam cercar a Capital. São derrotadas pelas forças pobre do Rio de Janeiro. Cortiços e casas populares são derrubados para
legalistas. Saldanha da Gama e mais 525 revoltosos buscam asilo nos permitir o alargamento das ruas e a construção de avenidas. A população é
navios portugueses Mindelo e Afonso de Albuquerque, atracados na baía expulsa de suas casas e os aluguéis sobem absurdamente. A campanha
de Guanabara. O incidente provoca o rompimento das relações diplomáti- de saneamento também é violenta: as casas da população pobre são
cas entre Brasil e Portugal, reatadas apenas em 16 de março de 1895, já invadidas e vasculhadas, os utensílios em condições precárias são inutili-
no governo de Prudente de Morais. zados. A revolta explode em 9 de outubro de 1904, quando é aprovada a
lei que torna a vacinação obrigatória. Repartições públicas são depreda-
REVOLUÇÃO FEDERALISTA das, lojas saqueadas e bondes incendiados. A população levanta barrica-
Em 15 de dezembro de 1893, durante o governo de Floriano Peixoto, das em diversas ruas do Rio. A oposição procura usar a revolta para
eclode uma guerra civil no Rio Grande do Sul. É provocada pelo autorita- derrubar o governo: dia 13 de outubro a Escola Militar rebela-se. A reação
rismo e excesso de centralização do presidente do Estado, Júlio de Casti- do governo é imediata. Controla a rebelião popular e, no dia 16, forças
lhos, um republicano histórico que tem o apoio de Floriano e governa com legalistas ocupam a Escola Militar.
mão-de-ferro. Osvaldo Gonçalves Cruz (1872-1917), cientista, médico e sanitarista,
Maragatos e pica-paus – Os aliados de Castilhos são chamados de é o pioneiro da medicina experimental no Brasil. Em 1896 faz estágio no
"pica-paus" ou "chimangos", herdeiros políticos dos liberais moderados, Instituto Pasteur, em Paris. Volta ao Brasil três anos depois e organiza o
como o senador Pinheiro Machado que, desde o Império, comanda a combate ao surto de peste bubônica registrado em Santos, São Paulo, e
política no Rio Grande do Sul. A oposição, os maragatos, é formada pelos em outras cidades portuárias. Participa da fundação do Instituto Soroterá-
federalistas adeptos do sistema parlamentar. São liderados por Gaspar da pico, no bairro de Manguinhos, no Rio de Janeiro, mais tarde Instituto
Silveira Martins, um ex-monarquista, por Gumercindo Saraiva e pelo gene- Osvaldo Cruz e, atualmente, um órgão da Fundação Osvaldo Cruz. Esco-
ral João Nunes da Silva Tavares. Os revoltosos têm o apoio da Marinha, lhido pelo governo para o cargo de diretor-geral da Saúde Pública, em 26
rebelada contra Floriano e o movimento tem nítido caráter antigovernista. de março de 1903, planeja e coordena a campanha pela erradicação da
Os enfrentamentos armados duram dois anos. Em 10 de julho de 1895, no febre amarela e da varíola do Rio de Janeiro. Organiza as brigadas "mata-
governo de Prudente de Morais, é feito um acordo de paz: o governo mosquitos" e é o principal pivô da chamada Revolta da Vacina e da rebe-
central garante o poder a Júlio de Castilhos e o Congresso anistia os lião da Escola Militar contra a lei da vacinação obrigatória. Osvaldo Cruz
participantes do movimento revolucionário. reforma o código sanitário do país e remodela os órgãos de saúde. Dirige a
campanha pela erradicação da febre amarela em Belém do Pará e na zona
GUERRA DE CANUDOS da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, divisa do Acre com a
Em 1893, no final do governo Floriano Peixoto, surge no sertão da Ba- Bolívia, e na calha do rio Amazonas. Deixa a direção da Saúde Pública em
hia um movimento messiânico, na época considerado monarquista, que se 1909 e, em 26 de junho de 1913, ingressa na Academia Brasileira de
transforma em uma guerra civil. É liderado por um beato, figura comum no Letras. Em 18 de agosto de 1916 assume a Prefeitura de Petrópolis, Esta-
sertão nordestino na segunda metade do século XVIII. Os beatos apare- do do Rio de Janeiro, e dirige um plano de reurbanização da cidade. Doen-
cem em torno das várias casas de caridade fundadas pelo padre José te, não conclui o mandato. Morre em 1917.
Maria Ibiapina e administradas por ordens leigas. Antônio Vicente Mendes REVOLTA DA CHIBATA
Maciel, o beato Antônio Conselheiro, começa a formar seu grupo de adep-
tos na casa de caridade de Bom Conselho, no sertão de Pernambuco. Mais Em 22 de novembro de 1910, no início do governo Hermes da Fonse-
tarde, funda a cidade de Belo Monte, no Arraial de Canudos, palco de um ca, estoura a Revolta da Chibata no Rio de Janeiro. O estopim é o castigo
dos conflitos sociais mais sangrentos da Primeira República. de 250 chibatadas imposto ao marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes.
Os couraçados São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Deodoro, ancorados na
Antônio Conselheiro (1830-1897) é o apelido de Antônio Vicente baía da Guanabara, se amotinam sob o comando do marinheiro João
Mendes Maciel, beato que dirige o Arraial e a Guerra de Canudos. Nasce Cândido. O comandante do navio Minas Gerais, Batista Neves, e outros
em Quixeramobim, Ceará, e fica conhecido em 1893, quando entra em oficiais são mortos. Os revoltosos apontam os canhões dos navios para o
choque com as autoridades de Bom Conselho, Pernambuco. O motivo é a Palácio do Catete, sede do governo, e fazem suas exigências: fim dos
autorização do governo federal para que os municípios cobrem impostos. castigos corporais na Marinha e melhor alimentação. Ameaçado, o governo
Conselheiro faz sermões contra a República e diz que o novo regime piora aceita as reivindicações dos marinheiros. Rui Barbosa, senador da Repú-
as condições de vida da população pobre – daí sua fama de monarquista. blica, apresenta no Congresso um projeto com esses pontos e mais a
Com seu grupo, arranca e queima os editais que anunciam a cobrança de anistia para os revoltosos, desde que estes deponham as armas. Os
impostos. Daí em diante, mantém conflitos constantes com as autoridades marinheiros cumprem sua parte. O governo, no entanto, volta atrás e
civis e religiosas. Proibido pela Igreja de fazer pregações e perseguido pela manda prender João Cândido e seus companheiros. Dois anos depois,
polícia, Antônio Conselheiro e seus seguidores internam-se no sertão. eles são julgados e absolvidos.
Fundam no Arraial de Canudos um misto de comunidade primitiva e acam-
pamento militar. A fama de que o arraial é santo espalha-se, atraindo GUERRA DO CONTESTADO
milhares de devotos. Conselheiro dirige a guerra contra as forças legalistas Revolta de camponeses do planalto catarinense, a Guerra do Contes-
até sua morte, em 1897. tado, entre 1912 e 1916, chega a envolver cerca de 50 mil pessoas. A
Arraial de Canudos – À margem do rio Vaza-barris, no sertão baiano, região do Contestado, rica em erva-mate e madeira, é uma área de litígio
o Arraial de Canudos reúne quase 30 mil habitantes. Os romeiros plantam entre os Estados do Paraná e Santa Catarina. Tal como no Nordeste
e criam rebanhos para consumo próprio e comércio com as cidades vizi- brasileiro, desenvolve-se ali um fanatismo religioso alimentado pelos
nhas. A comunidade prospera e começa a inquietar os grandes proprietá- "monges", os beatos locais. Os conflitos começam quando duas empresas
rios rurais da região e a Igreja. Para se defender, os fiéis de Antônio Con- norte-americanas, a Brazil Railway, construtora de estradas de ferro, e a
selheiro organizam-se em grupos armados. Entre novembro de 1896 e Southern Brazil Lumber & Colonization, exploradora de madeira, se insta-
março de 1897, tropas federais fazem três investidas contra o arraial e são lam na região, trazem para o Contestado uma mão-de-obra marginal e

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barata e começam a expulsar os posseiros e a especular com a terra. Em de Engenharia de Santo Ângelo. No início são 900 rebeldes e parte deles é
1912 o "monge" José Maria torna-se uma liderança na região. Seus segui- contida pelo governo federal. Uma Coluna consegue fugir ao cerco gover-
dores são romeiros de diversas localidades, a maioria expulsa de suas nista e ruma para São Paulo. Em abril de 1925 unem-se às tropas rebeldes
terras. paulistas derrotadas no ano anterior. Luís Carlos Prestes adota a ideia de
uma guerra de movimento contra o governo, procurando desgastá-lo.
Rebeldes romeiros – José Maria e seus seguidores instalam-se pri- Ocupam posições e cidades para, em seguida, abandoná-las. Mantêm,
meiro em Curitibanos, Santa Catarina. O monge prega o fim da República, assim, a ideia de invencibilidade. Os rebeldes pregam reformas sociais e
chamando-a de "lei do diabo". São expulsos e vão deslocando-se pelo econômicas e repudiam qualquer acordo com as oligarquias.
interior de Santa Catarina e Paraná, em combates constantes com as
tropas do governo. José Maria morre em 1913. Os rebeldes montam uma A rota da Coluna – A Coluna Prestes reúne cerca de 1.500 homens,
nova cidade santa – Santa Maria –, palco da guerra. Em setembro de dura 29 meses e percorre mais de 25 mil km. Sai do Rio Grande do Sul, vai
1914, sob comando do general Setembrino de Carvalho, 7 mil soldados para São Paulo, entra no Paraguai e volta ao país. Atravessa Mato Grosso,
armados com modernos equipamentos militares, inclusive aviões, mar- Goiás, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraí-
cham para a região. Santa Maria cai em 3 de março de 1915 e a resistên- ba e Pernambuco. Em fevereiro de 1927, com metade de seus componen-
cia só é aniquilada no ano seguinte. Em outubro de 1916 os Estados tes dizimados pela cólera e sem condições materiais de continuar, embre-
envolvidos fazem um acordo, fundam na região o município de Concórdia e nha-se pela Bolívia e Paraguai. Mais tarde, Prestes aproxima-se do mar-
o Contestado é reintegrado à ordem republicana. xismo e transforma-se no principal líder comunista do país.
CONFLITO DE JUAZEIRO Luís Carlos Prestes (1898-1990) nasce em Porto Alegre e cursa a Es-
Padre Cícero Romão Batista , líder religioso venerado por milhares de cola Militar do Rio de Janeiro. Como tenente-engenheiro na Companhia
camponeses do sertão do Cariri, é o pivô desse conflito. Aliado dos coro- Ferroviária de Deodoro é transferido para o Rio Grande do Sul, onde
néis cearenses, é eleito prefeito de Juazeiro em 1911. Organiza, então, o começa a participar de movimentos políticos tenentistas. Em 1924 dá baixa
Pacto dos Coronéis: 17 chefes políticos da região fazem uma aliança para do Exército, já como capitão, e transforma-se num dos principais líderes do
garantir a permanência da família Acioli no poder estadual. O presidente da movimento tenentista. Em 1924 subleva o Batalhão Ferroviário de Santo
República, Hermes da Fonseca, reage e nomeia o coronel Franco Rabelo Ângelo, interior do Rio Grande do Sul. Dirige-se à Foz do Iguaçu ao encon-
para dirigir o Estado. A Assembleia Legislativa cearense não aceita a tro dos revolucionários paulistas comandados por Miguel Costa – fato que
indicação e elege Floro Bartolomeu, mentor político do padre Cícero, para dá início à Coluna Prestes. A prolongada marcha da Coluna pelo interior do
o governo. Os dois armam os sertanejos para garantir a decisão dos depu- país assume caráter lendário, e Prestes ganha o apelido de Cavaleiro da
tados. Hermes da Fonseca indica o general Setembrino de Carvalho como Esperança. No final de 1926 exila-se na Bolívia e aproxima-se do marxis-
interventor do Ceará e força a renúncia do padre. Excomungado pela Igreja mo. Em 1931 vai para a União Soviética e retorna três anos depois para
no final dos anos 20, padre Cícero permanece como eminência parda da assumir a liderança da Aliança Nacional Libertadora. Em 1935, com a
política cearense por mais de uma década e até hoje é considerado um Intentona Comunista, Prestes é preso junto com sua mulher, a alemã Olga
santo pelos sertanejos. Benário, em adiantado estado de gravidez. Olga é entregue pelo chefe da
polícia de Getúlio Vargas, Filinto Muller, ao governo nazista. A filha do
MOVIMENTOS TENENTISTAS casal, Anita Leocádia, nasce no mesmo campo de concentração onde Olga
O chamado Tenentismo nasce em 1922 entre a jovem oficialidade das Benário é assassinada. Prestes sai da prisão com a anistia decretada em
Forças Armadas – capitães e tenentes – e estende-se até 1934. Tem a 1945, assume a direção do Partido Comunistae faz uma aliança com
adesão de militares de patente superior e de civis das classes médias Getúlio. Elege-se senador pelo Distrito Federal, é cassado e entra para a
urbanas, insatisfeitos com um sistema que privilegia apenas as oligarquias clandestinidade em 1947, quando o governo Dutra decreta a ilegalidade do
estaduais, principalmente a do café. Propõe maior centralização do Estado, PCB. Em 1957 volta a circular com liberdade. Em 1964 é pego de surpresa
moralização dos costumes políticos e voto secreto. Os chamados tenentes pelo golpe militar. Foge apressadamente e deixa inúmeros documentos,
não procuram incorporar as massas populares ao seu movimento. Reali- usados mais tarde pelo governo militar para prender muitos militantes
zam ações militares diretas , como o levante dos 18 do Forte de Copaca- comunistas. Seus direitos políticos são cassados por dez anos. Em 1978,
bana, a Revolução Paulista de 1924 e a Coluna Prestes. Com a Revolução por divergências internas, é afastado da secretaria-geral do PCB e, depois,
de 30, a maioria dos tenentes adere ao liberalismo político e uma minoria do próprio partido. Anistiado em 1979, retorna à vida pública em 1980 e
ingressa no Partido Comunista do Brasil (PCB). Em 1934 alguns líderes participa da Campanha das Diretas-Já, em 1984.
incorporam-se à Ação Integralista Brasileira e outros à Aliança Nacional POLÍTICA EXTERNA
Libertadora (ANL).
Passado o período de reconhecimento da República, o Brasil enfrenta
Os 18 do Forte – Em julho de 1922, o presidente Epitácio Pessoa no- vários litígios de fronteira. O mais grave é a disputa pelo Acre com a Bolí-
meia um civil, Pandiá Calógeras, para o Ministério da Guerra. A decisão via. Com sua economia centrada em produtos agrícolas de exportação, o
provoca protestos dos militares. Epitácio fecha o Clube Militar e prende seu país depende do mercado externo e sua política internacional tende a
presidente. Na madrugada de 5 de julho há uma rebelião de jovens oficiais: alinhar-se com a de seus principais compradores. Durante a 1a Guerra
sob o comando do capitão Euclides da Fonseca, 17 oficiais tomam o Forte Mundial alinha-se com os Estados Unidos e é o único país da América do
de Copacabana. Enfrentam forte resistência das forças legalistas. O com- Sul a participar do conflito.
bate continua na rua e os oficiais dissidentes ganham o apoio de um grupo
civil. A luta é desigual e termina com a morte de praticamente todos os CONFLITOS DE FRONTEIRA
revoltosos. Sobrevivem apenas os tenentes Siqueira Campos e Eduardo
Os principais conflitos de fronteiras ocorrem no governo de Prudente de
Gomes. Como resultado, é decretado estado de sítio no país, mantido
Morais. Desde o Império, o Brasil disputa com a Argentina o território das
durante quase todo o governo Epitácio Pessoa.
Missões, hoje integrado ao Rio Grande do Sul. Em 1895, o litígio é subme-
Rebelião Paulista de 1924 – Em 5 de julho de 1924, a capital paulista tido ao presidente Cleveland, dos EUA, que dá parecer favorável ao Brasil.
é tomada por militares rebeldes chefiados pelos generais Isidoro Dias Em 1896, Brasil e Inglaterra entram em litígio pela posse da ilha de Trinda-
Lopes e Miguel Costa e pelos tenentes Joaquim e Juarez Távora e Eduar- de, no litoral do Espírito Santo, ocupada pelos ingleses em 1890. A arbitra-
do Gomes. Os revoltosos forçam a fuga do presidente do Estado e ocupam gem é feita por Portugal e o Brasil ganha a disputa. Em 1895, os franceses
a cidade por 22 dias. Exigem a derrubada do presidente da República Artur ocupam o Amapá e tentam anexá-lo. A questão é julgada pelo governo
Bernardes, eleição de uma Assembleia Constituinte e voto secreto. Tropas suíço, que dá a posse do território ao Brasil, em 1o de dezembro de 1900.
federais bombardeiam São Paulo e forçam a retirada dos rebeldes. No final
de julho, eles seguem em direção ao Rio Grande do Sul, para se juntar ao A QUESTÃO DO ACRE
movimento militar que começa a ser organizado pelo líder tenentista Luís A exploração e prosperidade do comércio da borracha levam muitos
Carlos Prestes. brasileiros, principalmente nordestinos, à região do Acre, área que perten-
Coluna Prestes – Movimento militar desencadeado em outubro de ce à Bolíviadesde 1867. Os brasileiros recusam-se a obedecer as autori-
1924, no Rio Grande do Sul, liderado por Luís Carlos Prestes, do Batalhão dades bolivianas, criam um território independente e exigem sua anexação

Ciências Humanas e suas Tecnologias 17 A Opção Certa Para a Sua Realização


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ao Brasil. Em 14 de julho de 1899, com apoio dos seringalistas e do gover- governo intervém e desvaloriza seguidamente a moeda brasileira: embora
no do Amazonas, Luís Galvez Rodrigues de Arias proclama a República do o café renda menos em moeda estrangeira, esta pode comprar mais moe-
Acre. Enfrenta as próprias forças armadas brasileiras, que ajudam os da nacional, garantindo os ingressos dos grandes produtores. O restante
bolivianos a recuperar a região. Em 1901 a Bolívia arrenda o Acre ao The da nação, porém, precisa pagar mais pelas importações, há um aumento
Bolivian Sindicate of New York City in North America. geral nos preços internos e no custo de vida.
Anexação do Acre – Em 6 de agosto de 1902, no final do governo de Dívida externa – Com a desvalorização da moeda, o governo fica sem
Campos Sales, os brasileiros instalados no Acre se rebelam sob o coman- condições de pagar os juros da dívida externa e é obrigado a contrair
do de José Plácido de Castro: as forças bolivianas são expulsas em 24 de novos empréstimos para honrar os anteriores. O governo Campos Sales
janeiro de 1903 e Castro é aclamado governador do Estado Independente decreta a primeira moratória da dívida externa, o funding loan: os banquei-
do Acre. Em 17 de novembro de 1903, já no governo Rodrigues Alves, ros avalizam um novo empréstimo de 10 milhões de libras, dão um prazo
Brasil e Bolívia assinam o Tratado de Petrópolis: o Brasil compra a região de 13 anos para o Brasil começar a saldar o grosso de suas dívidas e de 3
por 2 milhões de libras esterlinas, compromete-se a construir a estrada de anos para pagar os juros devidos. Como garantia aos credores, o governo
ferro Madeira-Mamoré - ver foto ao lado - e a indenizar o Bolivian Syndi- hipoteca a Central do Brasil e o serviço de água do Rio de Janeiro. Assume
cate com 110 mil libras esterlinas. No ano seguinte o Acre é incorporado ao também uma política de deflação: corta despesas públicas, interrompe
Brasil como território federal. obras, demite funcionários, restringe o crédito e aumenta impostos.
PRESENÇA NA 1ª GUERRA Valorização do café – A superprodução do café atinge seu pico na sa-
fra de 1905 e 1906: são produzidos 22 milhões de sacas frente a uma
O Brasil permanece neutro na Guerra Mundial até 1917. Os Estados
1a demanda que não ultrapassa 6 milhões de sacas. Para contornar a situa-
Unidos pressionam o governo brasileiro para entrar no conflito e ameaçam ção, os governadores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro firmam
suspender as importações do país. Em outubro de 1917, durante o governo o Convênio de Taubaté, em 27 de fevereiro de 1906, e dão início à chama-
de Venceslau Brás, submarinos alemães atacam navios brasileiros na da política de valorização do café: contraem novos empréstimos no exteri-
costa de Santa Catarina. O episódio deflagra no país uma campanha pela or, compram toda a produção excedente e regulam a oferta de forma a
participação na guerra comandada por Rui Barbosa. O governo brasileiro evitar a queda dos preços do produto. De 1906 a 1909 retiram do mercado
declara estado de beligerância contra a Alemanha e envia uma unidade 8,5 milhões de sacas de café. Os empréstimos para pagá-las chegam a 15
médica e aviadores para cooperar com os ingleses no patrulhamento do milhões de libras esterlinas. A longo prazo, os efeitos dessa política são
Atlântico Sul. O Brasil é a única nação sul-americana a participar do confli- desastrosos: a dívida externa e a inflação crescem ainda mais e a manu-
to. tenção artificial dos preços estimula a produção nos países concorrentes
ECONOMIA NA PRIMEIRA REPÚBLICA do Brasil.

Durante a Primeira República, a economia brasileira permanece cen- DIVERSIFICAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES
trada na produção cafeeira, mas avança o processo de modernização e Em seus melhores momentos, o café representa 70% do total das ex-
diversificação das atividades econômicas. No final do século XIX, os enge- portaçõesdo país, mas outros produtos agrícolas ganham importância na
nhos nordestinos modernizam-se com a instalação de usinas mecanizadas. pauta de exportações a partir do final do século XIX. Os principais são a
No sul do país, as pequenas propriedades de colonização estrangeira borracha - ver foto ao lado -, nativa da Amazônia, e o cacau, plantado na
aumentam sua participação no mercado interno e externo, com núcleos Bahia. A explosão das vendas desses produtos promove um surto de
econômicos exportadores de charque e erva-mate. Na região Amazônica progresso nessas regiões.
intensifica-se a exploração da borracha, valorizada pela nascente indústria
automobilística. A indústria brasileira também cresce com capitais vindos Apogeu da borracha – Os preços do látex extraído das seringueiras
da cafeicultura ou estrangeiros, e expandem-se os organismos de crédito. da Amazônia (Hevea brasilienses) explodem com a invenção do pneumáti-
No início do século, empresas estrangeiras instaladas no país, como a co e a expansão da indústria automobilística nos Estados Unidos. A produ-
anglo-canadense Light & Power e a norte-americana Bond and Share, ção brasileira cresce rapidamente e, em 1907, a borracha já é responsável
ampliam os serviços urbanos de água, luz e transportes. por 23% do valor das exportações brasileiras. O recorde ocorre em 1912,
quando são exportadas 42 mil toneladas de borracha. A partir de 1910, no
POLÍTICA ECONÔMICA entanto, holandeses e ingleses desenvolvem plantações planejadas e com
A valorização do café, a emissão de moedas e a inflação são as ques- grande produtividade na Indonésia, Ceilão e Malásia. Em 1919 a borracha
tões centrais da política econômica da Primeira República. A escassez de asiática já inunda o mercado internacional: das 423 mil toneladas comer-
moeda, um problema que surge com a abolição da escravatura e com a cializadas, apenas 34 mil toneladas são brasileiras. A produção da Amazô-
imigração, torna-se aguda com o crescimento do trabalho assalariado no nia definha e toda a região entra em decadência.
campo e na cidade. Em janeiro de 1890, Rui Barbosa, ministro da Fazenda Cultivo do cacau – No final do século XIX a demanda europeia e nor-
do governo provisório de Deodoro da Fonseca, tenta resolver o problema te-americana pelo cacau torna seu plantio lucrativo. O cultivo desenvolve-
adotando uma política emissionista, a primeira do país, chamada de enci- se na região de Ilhéus, no sul da Bahia, onde o solo e o clima são ideais,
lhamento. Mais tarde, no governo de Campos Sales, a superprodução do há terras virgens em abundância e mão-de-obra barata. A produção atinge
café dá início à política de desvalorização da moeda nacional, num proces- seu pico em 1900, quando o Brasil vende 13 mil toneladas de cacau e
so de socialização das perdas dos cafeicultores. firma-se como o maior exportador mundial. Nos anos seguintes, os ingle-
Encilhamento – A política monetária de Rui Barbosa fica conhecida ses instalados na Costa do Ouro, África, passam a dominar o mercado.
como encilhamento, uma alusão ao lugar do hipódromo onde são feitas as INDUSTRIALIZAÇÃO
apostas nos cavalos. O país é dividido em quatro zonas – Bahia, Rio de
Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul – e um banco emissor é instalado A riqueza acumulada com o café dinamiza o mercado consumidor e es-
em cada uma. Seu objetivo é atender às novas necessidades financeiras, timula o desenvolvimento industrial. Em 1910 o Brasil possui cerca de
expandir o crédito e estimular a criação de novas empresas nessas regi- 3.500 indústrias. Dez anos mais tarde já são 13 mil estabelecimentos
ões. O resultado, porém, é desastroso. A emissão de moedas sem controle industriais. Destes, 5.936 surgem entre 1915 e 1919, em consequência das
acelera a inflação, que chega aos 115%. Proliferam também as atividades dificuldades de importação durante a 1a Guerra e da política de incentivo à
especulativas: empresas fantasmas com grandes planos irrealizáveis industrialização dos governos republicanos. Em 1924, o país produz 99%
supervalorizam suas ações na Bolsa de Valores em uma orgia especulativa dos sapatos consumidos internamente, 90% dos móveis e 86% dos têxteis.
que faz surgir grandes fortunas da noite para o dia. A indústria de alimentação é a que mais cresce nas primeiras décadas da
República e chega a representar 40% dos estabelecimentos industriais do
Desvalorização da moeda – No final do século XIX, a alta do preço do país.
caféno mercado internacional estimula a expansão da lavoura no país. O
resultado é uma superprodução e, em consequência, a queda dos preços Presença do capital estrangeiro – No início do século XX o capital es-
nos mercados consumidores. Em 1893 uma saca de 60 quilos vale 4,09 trangeiro amplia sua presença no Brasil, principalmente o norte-americano.
libras-ouro. Seis anos depois, em 1899, o preço cai para 1,48 libra-ouro. O A indústria da carne é dominada pelos frigoríficos Wilson, Armour, Swift e

Ciências Humanas e suas Tecnologias 18 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Anglo; os vagões ferroviários são feitos pela fábrica norte-americana ção Operária, fundada em 1908. Dois anos mais tarde a Confederação
Pullman e os automóveis que circulam no país são da Ford ou da General realiza o primeiro Congresso Operário no país. Entre 1908 e 1909 e de
Motors. Na siderurgia, os franceses e belgas tomam a dianteira com a 1913 a 1915 a Confederação Operária edita o jornal A Voz do Trabalhador.
Companhia Belgo-Mineira. Dos 14 bancos existentes em 1910, sete são No dia 1o de maio de 1929 é fundada a Confederação Geral dos Trabalha-
estrangeiros. dores (CGT).
CRISE DE 1929 Greve Geral de 1917 – O ano de 1917 é marcado por uma série de
pequenas greves que culminam com uma greve geral, realizada em São
A quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, tem reflexos de- Paulo, entre os dias 12 e 15 de julho. Participam 45 mil trabalhadores e é a
sastrosos sobre a economia brasileira. Os preços internacionais do café maior paralisação operária realizada no país até 1930. Exigem um reajuste
despencam e os créditos para o país são cortados. O governo fica sem salarial de 20% e forçam o governo paulista a atender a algumas de suas
condições de manter a política de valorização do café e a situação é agra- reivindicações: fiscalização dos preços no varejo, liberdade para os operá-
vada pela produção recorde do ano: 30 milhões de sacas. Inúmeros fazen- rios presos e não punição aos grevistas. O acordo é feito por meio de um
deiros vão à ruína e multiplicam-se as falências no comércio e na indústria. comitê de conciliação integrado por jornalistas da grande imprensa da
O governo faz crescentes emissões de moeda, política que agrava ainda época. Greves por melhores salários e garantias trabalhistas proliferam
mais a crise do país e enfraquece a hegemonia das burguesias paulista e durante toda a década de 20.
mineira.
Conquistas operárias – Em 1918 a Câmara dos Deputados cria a
SOCIEDADE NA PRIMEIRA REPÚBLICA Comissão de Legislação Social com o objetivo de propor leis de proteção
No final do Império e Primeira República, a sociedade brasileira fica aos trabalhadores. Em 24 de dezembro de 1925 entra em vigor a lei 4.982
mais diversificada. Além da elite dominante, representada pela burguesia que institui 15 dias de férias anuais para trabalhadores do comércio, da
rural e urbana, as classes médias aparecem com força no cenário político. indústria e dos bancos.
Surge também um proletariado urbano influenciado pelas tradições políti- Fundação do PCB – Em 1922 é formado o Partido Comunista do Bra-
cas anarquistas e socialistas trazidas pelos imigrantes europeus. sil(PCB), uma influência direta da Revolução Socialista Soviética de 1917.
Classes sociais – A burguesia é formada pelos representantes da la- Nos dois anos iniciais, as ideias anarquistas são preponderantes entre
voura tradicional e ex-escravocrata, como os do Vale do Paraíba; pelos seus militantes. O partido só é aceito na 3a Internacional – organização
cafeicultores modernos que empregam trabalho assalariado, como os do internacional dos comunistas – em 1923, com a expulsão dos anarquistas.
oeste de São Paulo; por banqueiros e grandes comerciantes ligados à Essa filiação dá pretexto para o governo brasileiro perseguir os comunis-
exportação e à importação, e pelos grandes e pequenos industriais. As tas: a sede do partido é invadida e destruída e, em 1924, o governo decre-
classes médias urbanas incluem os imigrantes que se dedicam ao pequeno ta sua ilegalidade.
comércio e ao artesanato; os militares, os profissionais liberais e os altos Bloco Operário-camponês – Os militantes comunistas, os anarquis-
funcionários públicos. O proletariado inclui funcionários públicos do baixo tas, os socialistas e ativistas independentes fundam o Bloco Operário-
escalão, trabalhadores assalariados rurais e urbanos, e uma grande maio- camponês (BOC), uma frente política de atuação pública. O BOC defende
ria de ex-escravos desempregados ou que trabalham como biscateiros. bandeiras como o voto secreto, redução do custo de vida, anistia para
Presença do imigrante – Entre 1889 e 1928 entram no país 3.523.591 presos políticos e o combate às oligarquias e ao imperialismo. Nas eleições
imigrantes. Mais de um terço são italianos, seguidos pelos portugueses, de 1928 elege alguns deputados e vereadores e, em 1930, lança candidato
espanhóis, alemães e japoneses. A maior parte vai para a lavoura do café. próprio à Presidência: o marmorista e vereador Minervino de Oliveira. Seu
Muitos, porém, de origem urbana, abandonam o campo e dedicam-se ao desempenho eleitoral é inexpressivo.
comércio ou à indústria, como assalariados ou donos de seus próprios CULTURA NA PRIMIRA REPÚBLICA
negócios.
Obras literárias inspiradas na realidade brasileira, como as de Euclides
MOVIMENTO OPERÁRIO da Cunha, Lima Barreto e Monteiro Lobato, surgem nos primeiros anos da
Em uma sociedade que acabara de sair da escravidão, a nascente República. Mas é a partir da 1a Guerra Mundial que a produção cultural do
classe operária enfrenta condições de trabalho adversas. Os salários são país adquire maior pujança e originalidade. Na Europa, o pós-guerra é
muito baixos, não existe legislação trabalhista e os sindicatos recém- acompanhado por um movimento de renovação artística. Surge uma nova
formados não são reconhecidos. Os trabalhadoresnão contam com aviso estética e as chamadas "vanguardas" ganham espaço na literatura, na
prévio em casos de demissão, não têm direito a férias, a aposentadoria ou música e nas artes plásticas. Os artistas brasileiros, principalmente os mais
a qualquer tipo de seguro contra acidentes. A jornada de trabalho diária jovens, também são tocados pelo espírito renovador. Acompanham o que
chega a 15 horas. A greve é encarada como crime e caso de polícia. Em acontece fora do país mas querem produzir uma arte original, oposta aos
1889 há 54 mil operários no país, localizados principalmente em São Paulo padrões europeus – tendência que desemboca na Semana de Arte Moder-
e no Rio de Janeiro. Em 1920 eles já são 275.512, a maioria imigrantes na, realizada em São Paulo, em fevereiro de 1922.
italianos e espanhóis, responsáveis pela difusão das ideias anarquistas e MODERNISMO BRASILEIRO
socialistas no país.
Em 1917 a pintora Anita Malfatti promove em São Pauloa primeira ex-
Anarquismo – O anarquismo chega ao Brasil com os imigrantes euro- posição de arte moderna do país. Sua pintura provoca verdadeiro escânda-
peus e, durante boa parte da Primeira República, é a ideologia predomi- lo e choca a intelectualidade da época. Monteiro Lobato, por exemplo,
nante no movimento operário. Os anarquistas defendem a organização escritor e crítico literário respeitado, critica a exposição perguntando se a
sindical autônoma para todas as categorias profissionais como forma de os obra da artista é mistificação ou manifestação de paranoia. No mesmo ano,
operários reunirem forças para negociar com os patrões. Eles se opõem Oswald de Andrade escreve o romance Memórias sentimentais de João
radicalmente ao Estado, à Igreja e à propriedade privada e pregam a Miramar, só publicado em 1924. Ambos estarão entre os fundadores do
completa extinção dessas instituições. Também são contrários a qualquer modernismo, movimento que revela uma geração de novos artistas. Nas
atuação político-partidária e aí reside sua principal diferença com os socia- artes plásticas, destacam-se Lasar Segall , Tarsila do Amaral, Di Cavalcan-
listas e comunistas. A influência anarquista sobre o movimento operário ti, Ismael Néri e Cândido Portinari. Na escultura, Vitor Brecheret. Na músi-
brasileiro diminui quando o Estado começa a criar mecanismos legais de ca, Villa-Lobos - ver foto ao lado - e, na literatura, Mário de Andrade e
proteção ao trabalhador. Manuel Bandeira.
Primeiras organizações – Sem mecanismos formais de participação Literatura modernista – A produção modernista inova na forma, na
política, a classe operária começa a se organizar para ampliar seus direitos linguagem e na temática escolhida. Os poetas e prosadores deixam de
trabalhistas. No final do século XIX surgem as primeiras ligas operárias "macaquear a sintaxe lusíada", como afirma Manuel Bandeira, e procuram
que, mais tarde, transformam-se em sindicatos. Em 1890 é fundado o se expressar como brasileiros. Retomam os temas do indianismo, mas
Partido Operário e, em 1902, o Partido Socialista Brasileiro e o jornal renegam todas as idealizações românticas. É assim com Macunaíma, "o
operário Avanti. A primeira associação de caráter nacional é a Confedera- herói sem nenhum caráter" de Mário de Andrade. No movimento da Antro-

Ciências Humanas e suas Tecnologias 19 A Opção Certa Para a Sua Realização


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pofagia lançado por Oswald de Andrade, o escritor propõe a deglutição de entre os grupos oligárquicos e os chamados tenentes que apoiam a Revo-
todas as influências estrangeiras para que se possa criar uma arte verda- lução de 30. Getúlio Vargas equilibra as duas forças: atende a algumas
deiramente brasileira. reivindicações das oligarquias regionais e nomeia representantes dos
tenentes para as interventorias estaduais. O interventor em São Paulo é
CRISE NA PRIMEIRA REPÚBLICA um veterano do movimento tenentista, João Alberto. Para o Rio Grande do
A superprodução cafeeira e a política de valorização do café levam a Sul, nomeia Flores da Cunha e para os Estados do Norte-Nordeste e
uma crise econômica. A queda da Bolsa de Valores de Nova York, em Espírito Santo é escolhido um supervisor, Juarez Távora, que fica conheci-
1929, acentua a crise. Surgem brechas nos acordos políticos entre as do como "vice-rei do Norte".
oligarquias que controlam o Estado desde o início da República. Nas Agitações sociais – Em 1931 o PCB organiza no Rio de Janeiro uma
eleições de 1930 os paulistas desafiam a tradicional política do café-com- manifestação contra a carestia, a Marcha contra a Fome, violentamente
leite. Decidem permanecer no controle do governo central, quando a vez reprimida. Em vários Estados também pipocam greves e manifestações de
seria dos mineiros. O presidente Washington Luís, um paulista, indica outro oposição. Os setores oligárquicos afastados do poder se reorganizam,
paulista, Júlio Prestes, como candidato à sua sucessão. exigem a convocação de uma Assembleia Constituinte e o fim do governo
Aliança Liberal – Minas Gerais passa para a oposição e alia-se ao Rio provisório. São Paulo, principal centro econômico do país, lidera a oposi-
Grande do Sul e à Paraíba. Os três Estados formam a Aliança Liberal que, ção a Vargas.
além das elites agrárias, também aglutina militares e setores das classes REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA
médias urbanas. O gaúcho Getúlio Vargas é escolhido para concorrer à
Presidência, tendo como vice o paraibano João Pessoa. A campanha Em 1932 as elites paulistas deflagram a Revolução Constitucionalista
eleitoral mobiliza todo o país. Júlio Prestes é eleito presidente em 1o de contra o governo federal. Uma frente entre o Partido Republicano Paulista,
março de 1930, mas não chega a assumir o cargo. Em outubro, estoura a derrotado pela Revolução de 30, e o Partido Democrático lança a campa-
Revolução de 1930, que leva Getúlio Vargas ao poder. nha pela imediata convocação de uma Assembleia Constituinte e o fim das
intervenções nos Estados. O movimento tem o apoio das classes médias.
REVOLUÇÃO DE 1930 E A ERA VARGAS (1930-1945): Manifestações e comícios multiplicam-se na capital. Em um deles, dia 23
Contexto internacional, industrialização e processo de modernização. de maio de 1932, os manifestantes entram em conflito com o chefe de
polícia Miguel Costa e quatro estudantes são mortos: Euclides Bueno
Segunda Guerra Mundial e suas influências no país. Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Souza e Antô-
João Pessoa, candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas, nio Américo Camargo de Andrade. Com as iniciais de seus nomes é com-
é assassinado em 26 de julho de 1930. O crime precipita a Revolução. No posta a sigla MMDC (Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo), assumida
dia 3 de outubro, o movimento estoura em Porto Alegre, sob a liderança como emblema do movimento rebelde. Em 9 de julho de 1932 estoura a
civil de Getúlio Vargas. O comando militar fica com o coronel Góis Montei- rebelião armada. As forças paulistas comandadas pelo general Isidoro Dias
ro, o mesmo que em 1922 e 1924 lutara contra o Tenentismo. Os revoluci- Lopes ficam isoladas: não recebem ajuda dos outros Estados e a Marinha
onários dominam rapidamente o Rio Grande do Sul, Minas Gerais e o bloqueia o porto de Santos impedindo-as de comprar armas no exterior. Os
Nordeste. Os legalistas tentam organizar a resistência em São Paulo, paulistas se rendem em 3 de outubro, depois de quase três meses de luta.
Bahia, Pará e Rio de Janeiro, sem resultados. Na madrugada de 24 de Constituição de 1934 – As eleições são realizadas dia 3 de maio de
outubro os chefes militares rebeldes intimam Washington Luís a deixar a 1933 e a Assembleia Constituinte é instalada em 15 de novembro. Pela
Presidência e o poder é assumido por uma junta militar. Dez dias depois, primeira vez uma mulher é eleita deputada no país, a médica Carlota
em 3 de novembro de 1930, a junta transfere o poder para Vargas. Pereira de Queiroz. Promulgada em 15 de julho de 1934, a Constituição
Getúlio Dornelles Vargas (1883-1954) nasce em São Borja, Rio mantém a república federativa, o presidencialismo, o regime representativo
Grande do Sul, e torna-se um dos políticos e estadistas mais marcantes do e institui o voto secreto. Amplia os poderes do Estado, que passa a ter
século. Inicia carreira militar e a abandona em 1902. Ingressa na faculdade autonomia para estabelecer monopólios e promover estatizações. Limita a
de direito, em Porto Alegre, e é eleito deputado estadual em 1909, 1913 e atuação política do Senado, incumbindo-o da coordenação interna dos três
1917. Integra a Câmara Federal de 1922 a 1926. Procura conciliar o presi- poderes federais. Institui o Conselho de Segurança Nacional e prevê a
dente eleito Artur Bernardes com o situacionismo gaúcho representado por criação das justiças Eleitoral e do Trabalho. Nas disposições transitórias,
Borges de Medeiros, que apoiara o candidato da oposição, Nilo Peçanha. transforma a Assembleia Constituinte em Congresso e determina que o
Assume o Ministério da Fazenda no governo Washington Luís de 1926 até próximo presidente seja eleito indiretamente por um período de 4 anos.
1928, ano em que elege-se presidente do Rio Grande do Sul. Candidato GOVERNO CONSTITUCIONAL
pela Aliança Liberal à Presidência é derrotado, lidera a Revolução de 30 e
assume o poder por 15 anos. Derrubado pelos militares em outubro de Getúlio Vargas é eleito presidente pelo Congresso em julho de 1934 e
1945, em dezembro elege-se senador por São Paulo e Rio Grande do Sul, exerce o mandato constitucional até o golpe do Estado Novo, em 10 de
e consegue fazer seu sucessor, o general Eurico Gaspar Dutra. Em 1950 novembro de 1937. Os três anos de legalidade são marcados por intensa
vence as eleições para a Presidência pelo PTB. Seu mandato é marcado agitação política, greves e o aprofundamento da crise econômica. Nesse
pela criação da Petrobrás, pela nacionalização da produção de energia quadro, ganham importância movimentos como a Ação Integralista Brasilei-
elétrica e criação da Eletrobrás, além de uma inflação galopante, escânda- ra (AIB) e a Aliança Nacional Libertadora (ANL).
los administrativos e acirrada oposição conservadora de civis e militares. Ação Integralista Brasileira – As ideias fascistas chegam ao Brasil
Em 24 de agosto de 1954, diante da opção de renunciar ou ser deposto, nos anos 20, propagam-se a partir do sul do país e dão origem a pequenos
suicida-se com um tiro no peito. núcleos de militantes. Em 1928 é fundado o Partido Fascista Brasileiro. A
ERA VARGAS organização mais representativa dos fascistas, porém, é a Ação Integralista
Brasileira (AIB), fundada em 1932 pelo escritores Plínio Salgado e Gustavo
A chamada "Era Vargas" começa com a Revolução de 30 e termina Barroso. O movimento é apoiado por setores direitistas das classes mé-
com a deposição de Getúlio Vargas em 1945. É marcada pelo aumento dias, dos latifundiários e dos industriais. Recebe a adesão de representan-
gradual da intervenção do Estado na economia e na organização da socie- tes do clero católico, da polícia e das Forças Armadas. Defende um Estado
dade e também pelo crescente autoritarismo e centralização do poder. autoritário e nacionalista que promova a "regeneração nacional", com base
Divide-se em três fases distintas: governo provisório, governo constitucio- no lema "Deus, Pátria e Família".
nal e Estado Novo.
Plínio Salgado (1895-1975) nasce em São Bento do Sapucaí, São
GOVERNO PROVISÓRIO Paulo, e estuda ciências humanas em Minas Gerais. Desde jovem dedica-
Getúlio Vargas é conduzido ao poder em 3 de novembro de 1930 pela se ao jornalismo. Elege-se deputado estadual em 1928 e, em 1932, funda
Junta Militar que depôs o presidente Washington Luís. Governa como a Ação Integralista Brasileira (AIB). Em menos de quatro anos, o movimen-
chefe revolucionário até julho de 1934, quando é eleito presidente pela to reúne mais de 300 mil adeptos em todo o país. De inspiração nazi-
Assembleia Constituinte. O governo provisório é marcado por conflitos fascista, adota uma simbologia nacionalista, uma camisa verde como

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uniforme e, como saudação, a palavra anauê, uma interjeição da língua outorga da nova Constituição da República, elaborada pelo jurista Francis-
tupi. Apontado como líder do levante integralista de 1938, Plínio Salgado é co Campos. A quarta Constituição do país e terceira da República, conhe-
preso na fortaleza de Santa Cruz, e depois exilado em Portugal. Volta ao cida como "a polaca" por inspirar-se na Constituição fascista da Polônia,
Brasil em 1945, com o fim do Estado Novo, e funda o Partido da Represen- institui a ditadura do Estado Novo.
tação Popular (PRP). Em 1955, concorre à Presidência da República e
chega em último lugar. Elege-se deputado federal em 1958 e 1962 pelo Constituição de 1937 – A Constituição outorgada acaba com o princí-
PRP, e em 1966 e 1970 pela Arena. Membro da Academia Paulista de pio de harmonia e independência entre os três poderes. O Executivo é
Letras, escreve romances, ensaios e obras políticas. considerado "órgão supremo do Estado" e o presidente é a "autoridade
suprema" do país: controla todos os poderes, os Estados da Federação e
Aliança Nacional Libertadora – O agravamento das condições de vida nomeia interventores para governá-los. Os partidos políticos são extintos e
das massas urbanas e rurais, e as tendências autoritárias de Vargas instala-se o regime corporativista, sob autoridade direta do presidente. A
fornecem os ingredientes para formar a Aliança Nacional Libertadora "polaca" institui a pena de morte e o estado de emergência, que permite ao
(ANL), em março de 1935. A ANL é uma grande frente política formada por presidente suspender as imunidades parlamentares, invadir domicílios,
ex-tenentes, comunistas, socialistas, líderes sindicais e liberais alijados do prender e exilar opositores.
poder. O capitão da Marinha Hercolino Cascardo, líder da revolta do coura-
çado São Paulo na Revolução Paulista de 1924, é escolhido para dirigi-la. ESTADO NOVO
Luís Carlos Prestes, ex-chefe da Coluna Prestes e já militante do Partido A ditadura Vargas, ou Estado Novo, dura oito anos. Começa com o
Comunista, é indicado seu presidente de honra. A ANL defende a suspen- golpe de 10 de novembro de 1937 e se estende até 29 de outubro de 1945,
são definitiva do pagamento da dívida externa, ampliação das liberdades quando Getúlio é deposto pelos militares. O poder é centralizado no Execu-
civis, proteção aos pequenos e médios proprietários de terra, reforma tivo e cresce a ação intervencionista do Estado. As Forças Armadas pas-
agrária nos latifúndios improdutivos, nacionalização das empresas estran- sam a controlar as forças públicas estaduais, apoiadas pela polícia política
geiras e instauração de um governo popular. de Filinto Muller. Prisões arbitrárias, tortura e assassinato de presos políti-
Movimento nacional – Formada à semelhança das frentes populares cos e deportação de estrangeiros são constantes. Em 27 de dezembro de
antifascistas e antiimperialistas da Europa, a ANL é o primeiro movimento 1939 é criado o Departamento de Imprensa e Propaganda(DIP), responsá-
de massas de caráter nacional. Em apenas 3 meses forma 1.600 núcleos, vel pela censura aos meios de comunicação, pela propaganda do governo
principalmente nas grandes cidades. Só no Rio de Janeiro inscrevem-se e pela produção do programa Hora do Brasil.
mais de 50 mil pessoas. Congrega operários, estudantes, militares de As bases do regime – O Estado Novo é apoiado pelas classes médias
baixa patente e membros da classe média. Seu rápido crescimento assusta e por amplos setores das burguesias agrária e industrial. Rapidamente
as classes dominantes. Surgem campanhas contra a "ameaça comunista". Vargas amplia suas bases populares recorrendo à repressão e cooptação
Getúlio Vargas começa a reprimir os militantes e, em 11 de julho de 1935, dos trabalhadores urbanos: intervém nos sindicatos, sistematiza e amplia a
decreta a ilegalidade da ANL e manda fechar suas sedes. legislação trabalhista. Sua principal sustentação, porém, são as Forças
INTENTONA COMUNISTA Armadas. Durante o Estado Novo elas são reaparelhadas com modernos
armamentos comprados no Exterior e começam a intervir em setores
Após o fechamento da ANL, o Partido Comunista começa a preparar considerados fundamentais para a segurança nacional, como a siderurgia
uma insurreição armada. Em 23 de novembro de 1935 estoura em Natal e o petróleo. A burocracia estatal é outro ponto de apoio: cresce rapida-
um levante de militares ligados ao partido. No dia seguinte, o mesmo mente a abre empregos para a classe média. Em 1938, Vargas cria o
ocorre no Recife e, no dia 27, no Rio de Janeiro. A rebelião fica restrita aos Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp), encarregado de
muros dos quartéis, mas serve de argumento para o Congresso decretar unificar e racionalizar o aparelho burocrático e organizar concursos para
estado de sítio. A polícia, dirigida por Filinto Muller, desencadeia violenta recrutar novos funcionários.
repressão aos comunistas.
Propaganda – No início dos anos 40 o Estado Novo alcança certa es-
GOLPE DE ESTADO tabilidade. Os inimigos políticos já estão calados e as ações conciliatórias
com os diversos setores da burguesia evitam oposições. Na época, o jornal
O estado de sítio aumenta o poder de Vargas e de alguns altos oficiais O Estado de S. Paulo, sob controle direto do DIP, não cansa de publicar
do Exército e da própria polícia. Crescem a repressão aos movimentos editoriais exaltando o espírito conciliador do ditador. Um deles, por exem-
sociais e a conspiração para instaurar uma ditadura no país. É nesse clima plo, diz que Vargas é um "homem sem ódio e sem vaidade, dominado pela
que se inicia a campanha para as eleições presidenciais, previstas para preocupação de fazer o bem e servido por um espírito de tolerância exem-
janeiro de 1938. plar, sistematicamente devotado ao serviço da Pátria". Inúmeros folhetos
Campanha eleitoral – Três candidatos são lançados à Presidência. O de propaganda enaltecendo o caráter conciliador de Vargas e sua faceta
paulista Armando de Sales Oliveira é apoiado pelos partidos Constituciona- de "pai dos pobres" são produzidos pelo DIP e distribuídos nos sindicatos,
lista (sucessor do Partido Democrático) e Republicano Mineiro, pelo gover- escolas e clubes.
nador gaúcho, José Antônio Flores da Cunha, e por facções liberais de REVOLTA INTEGRALISTA
outros Estados. O paraibano José Américo de Almeida é apoiado pelo
Partido Libertador do Rio Grande do Sul, pelo governo de Minas e pela Os integralistas apoiam o golpe de estado desde a primeira hora mas
maioria das oligarquias nordestinas. O terceiro candidato é o integralista não conseguem participar do governo. Sentem-se logrados quando Vargas
Plínio Salgado. Vargas declara seu apoio a José Américo, mas, ao mesmo extingue a Ação Integralista Brasileira junto com os demais partidos. For-
tempo, encomenda secretamente ao jurista Francisco Campos, simpatizan- mam então a Associação Brasileira de Cultura e passam a conspirar contra
te do fascismo e futuro Ministro da Justiça, uma nova Constituição para o o ditador. Tentam um primeiro golpe em março de 1938, mas são pronta-
Estado autoritário que pretende estabelecer. mente reprimidos. Dois meses depois organizam a invasão do Palácio
Guanabara, no Rio de Janeiro, com o objetivo de assassinar Vargas. A
Plano Cohen – Em 30 de setembro de 1937 o general Góis Monteiro, guarda do Palácio resiste ao ataque até chegarem tropas do Exército.
chefe do Estado-maior do Exército, divulga à nação o "tenebroso" Plano Vários integralistas são presos e alguns executados no próprio Palácio.
Cohen: uma suposta manobra comunista para a tomada do poder através
da luta armada, assassinatos e invasão de lares. O Plano não passa de POLÍTICA EXTERNA NO ESTADO NOVO
uma fraude forjada por membros da Ação Integralista para justificar o golpe
de estado. Frente à "ameaça vermelha", o governo pede ao Congresso a Dois anos depois de instalada a ditadura Vargas começa a 2a Guerra
decretação de estado de guerra, concedido em 1o de outubro de 1937. É o Mundial. Apesar das afinidades do Estado Novo com o fascismo, o Brasil
início do golpe. se mantém neutro nos três primeiros anos da guerra. Vargas aproveita-se
das vantagens oferecidas pelas potências antagônicas e, sem romper
O golpe – Com o golpe já em andamento, Getúlio reforça suas alianças relações diplomáticas com os países do Eixo – Alemanha, Itália, Japão –,
com o governador de Minas, Benedito Valadares, e de vários Estados do consegue, por exemplo, que os Estados Unidos financiem a siderúrgica de
Nordeste. Em 10 de novembro de 1937 as Forças Armadas cercam o Volta Redonda.
Congresso Nacional e, à noite, Vargas anuncia em cadeia de rádio a

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Rompimento com o Eixo – Com o ataque japonês à base americana Brasileira de Aeronáutica S/A (Embraer), que produziu os aparelhos milita-
de Pearl Harbour , no Havaí, em dezembro de 1941, aumentam as pres- res Xavante, AMX e Tucano.
sões para que o governo brasileiro rompa com o Eixo. Em fevereiro de
1942 Vargas permite que os EUA usem as bases militares de Belém, Natal, Organização. A unidade básica da FAB é o esquadrão, constituído por
Salvador e Recife. Como retaliação, forças do Eixo atacam navios mercan- duas ou mais esquadrilhas de aviões do mesmo tipo. A FAB conta com
tes brasileiros ao longo da costa. Nos dias 18 e 19 de agosto de 1942, esquadrões de instrução, de caça, de patrulha, transporte de tropas, trans-
cinco deles – Araraquara, Baependi, Aníbal Benévolo, Itagiba e Arará – são porte aéreo, busca e salvamento, reconhecimento fotográfico, busca e
torpedeados por submarinos alemães. Morrem 652 pessoas e Vargas distribuição de submarinos, e de paraquedistas, entre outros. As unidades
declara guerra contra a Alemanha e a Itália. aéreas têm por sede a base aérea, que lhes fornece apoio pessoal e
material necessário.
Brasil na 2a Guerra
A proteção ao vôo no Brasil obedece a um sistema integrado que com-
A Força Expedicionária Brasileira (FEB) é criada em 23 de novembro preende o controle de tráfego aéreo e a defesa aérea. O Ministério da
de 1943. Em 6 de dezembro, a Comissão Militar Brasileira vai à Itália Aeronáutica é responsável pela instalação, operação e manutenção de
acertar a participação do Brasil ao lado dos aliados. O primeiro contingente extensa rede de equipamentos, que funcionam 24 horas por dia, no auxílio
de soldados segue para Nápoles em 2 de julho de 1944 e entra em comba- à navegação e ao pouso, tanto da FAB quanto da aviação civil.
te em 18 de setembro. Os pracinhas brasileiros atuam em várias batalhas
no vale do rio Pó: tomam Monte Castelo em 21 de fevereiro de 1945, Ensino. Para a formação e aperfeiçoamento do pessoal, a FAB conta
vencem em Castelnuovo em 5 de março e participam da tomada de Mon- com diversos estabelecimentos de ensino. A Escola Preparatória de Cade-
tese em 14 de abril. Ao todo são enviados cerca de 25 mil homens à guer- tes do Ar, com sede em Barbacena MG, prepara alunos para o oficialato. A
ra. Morrem 430 pracinhas, 13 oficiais do Exército e oito da Aeronáutica. Academia da Força Aérea, em Piraçununga SP, forma os oficiais da ativa,
aviadores e intendentes, enquanto a Escola de Especialistas da Aeronáuti-
Força Aérea Brasileira ca, em Guaratinguetá SP, forma sargentos especialistas. A Escola de
Oficiais Especialistas e de Infantaria de Guarda, em Curitiba PR, destina-se
Os primórdios da aviação militar no Brasil pertencem à história da Ma- ao aproveitamento em nível superior dos sargentos especialistas. A Escola
rinha, depois à do Exército, uma vez que desde 1913 o país contou com de Aperfeiçoamento de Oficiais, em São Paulo SP, tem por fim atualizar os
uma escola de aviação naval e em 1919 criou-se o Serviço Aéreo do conhecimentos técnicos dos oficiais. A Escola de Comando e Estado-Maior
Exército. Só em 1941 foi criada a Força Aérea Brasileira. da Aeronáutica prepara, no Rio de Janeiro, oficiais superiores que aspiram
A Força Aérea Brasileira (FAB) é uma das três forças armadas que ao generalato. O Centro Técnico Aeroespacial, em São José dos Campos
constituem o poder militar do Brasil e a ela compete, especificamente, SP, de nível superior, compreende várias entidades de pesquisa e desen-
realizar as missões típicas de uma força aérea: conquista e manutenção do volvimento, entre as quais o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA).
controle do ar, operações aerotáticas e aeroestratégicas, defesa aérea, ECONOMIA NA ERA VARGAS
proteção das linhas de navegação marítima etc. A FAB coopera ainda com
as demais forças armadas na garantia dos poderes constitucionais, da Em agosto de 1931, durante o governo provisório, Vargas suspende o
ordem legal e da integridade das fronteiras; assegura a busca e salvamen- pagamento da dívida externa. No mesmo ano, reinicia a política de valori-
tos aéreos; e executa os serviços do Correio Aéreo Nacional. zação do café e cria o Conselho Nacional do Café. Em 1o de junho de 1933
cria também o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) para coordenar a
O Ministério da Aeronáutica foi criado em 20 de janeiro de 1941, em agricultura canavieira, controlar a produção, comércio, exportação e preços
meio à segunda guerra mundial, e assumiu a responsabilidade por todos do açúcar e do álcool de cana. Vargas desenvolve uma intensa política de
os assuntos referentes à aeronáutica militar e civil, cabendo-lhe, basica- promoção da indústria e intervém fortemente na economia.
mente, organizar, adestrar e aparelhar a FAB; cooperar com os demais
órgãos do governo para garantir a ordem legal e assegurar a defesa nacio- CRISE DA ECONOMIA CAFEEIRA
nal; orientar, desenvolver e coordenar a aviação civil e comercial; e ainda
incentivar as indústrias aeronáuticas do país. A política de valorização do café é mantida durante toda a Era Vargas.
Entre 1930 e 1945, o governo chega a comprar e destruir cerca de 80
Histórico. Em 1913, a Marinha fundou a primeira escola de aviação na- milhões de sacas de café. A medida, no entanto, alimenta um círculo
val brasileira e dois anos depois ocorreu a primeira ação bélica da aviação vicioso pois as repetidas supersafras continuam forçando a queda dos
no Brasil, na campanha do Contestado. Em 1916 estabeleceu-se a base preços do produto no mercado internacional. A crise da cafeicultura estimu-
aeronaval da ilha das Enxadas, e dois anos depois uma missão militar la a exploração de novos produtos, como frutas, algodão, óleos vegetais e
francesa foi enviada ao Rio de Janeiro com o objetivo de orientar a criação minérios, mas seus rendimentos não conseguem equilibrar o balanço de
do Serviço Aéreo do Exército, transformado em 1927 na arma da aviação, pagamentos do país. A 2a Guerra Mundial interrompe as vendas de algo-
enquanto se fundava a Escola de Aviação Militar. dão para o Japão e Alemanha, feitas em grandes volumes até 1939.
No final da década de 1920 e início da década de 1930, a aviação na- Crise no balanço de pagamentos – A redução das receitas com as
val e a do Exército passaram por grande desenvolvimento. Em 1931 foi exportações e o menor afluxo de capitais para o país devido à crise eco-
inaugurado o Serviço Postal Aéreo Militar, mais tarde Correio Aéreo Militar nômica que precede a guerra desequilibram o balanço de pagamentos
e, em 1934, Correio Aéreo Nacional. entre 1931 e 1939. Para contornar o problema, Vargas promove sucessi-
vas desvalorizações da moeda e adota medidas que desagradam aos
Com a criação do Ministério da Aeronáutica, a aviação militar e naval investidores internacionais: reduz a margem de remessa de lucros, sus-
foram reunidas numa força autônoma que, pelo decreto nº 3.302, de 22 de pende os pagamentos dos juros da dívida externa e recusa-se a pagar
maio de 1941, recebeu o nome de Força Aérea Brasileira. Nesse mesmo parte substancial da dívida pública negociada com os bancos estrangeiros.
ano a FAB instituiu um sistema de patrulhamento anti-submarino ao longo A redução das divisas e da capacidade de importar favorecem o desenvol-
das costas brasileiras e a Escola de Aviação do Campo dos Afonsos foi vimento da indústria.
transformada na Escola de Aeronáutica. Em 18 de novembro de 1943 foi
criado o 1º Grupo de Aviação de Caça, que participou da segunda guerra DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL
mundial equipado com 48 aparelhos Thunderbolt P-47 americanos, dos
quais 16 foram derrubados em combate e quatro perdidos em acidentes, Entre 1930 e 1945 o país passa por um surto de desenvolvimento in-
com a morte de cinco pilotos. dustrial. Na década de 30 o crescimento da indústria é de 125% ao ano,
em média, enquanto a agricultura cresce a uma taxa de 20%. Durante a 2a
Com o fim do conflito, a Comissão Militar Mista Brasil-Estados Unidos Guerra o crescimento industrial cai para 5,4% ao ano, mas o setor conse-
propiciou à FAB grande quantidade de material e aviões excedentes da gue avançar pela superutilização dos equipamentos já instalados. Nesse
guerra. Em 1953 foram adquiridos no Reino Unido caças Gloster Meteor, período, o Brasil chega a exportar tecidos para a América Latina, África do
os primeiros aviões a jato da FAB, substituídos em 1973 por aparelhos Sul e Estados Unidos. A expansão industrial continua no pós-guerra e, em
franceses Mirage III, a que se acrescentaram a partir de 1975 os america- meados da década de 50, a indústria supera a agricultura na composição
nos F-5E Tiger II. No começo da década de 1970 foi criada a Empresa do Produto Nacional Bruto.

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Intervencionismo estatal – O governo getulista tem papel fundamental resoluções tomadas desde 1930 na área trabalhista, sempre apresentadas
na expansão do parque industrial do país. Ele institui tarifas protecionistas, como uma "doação" do Estado e do próprio Getúlio.
dá incentivos fiscais às indústrias, amplia o sistema de crédito, controla os
preços e estabelece uma política de contenção salarial. O Estado também MOVIMENTO ESTUDANTIL
faz investimentos diretos na ampliação dos setores de energia, transportes Em 1932 estudantes secundaristas e universitários paulistas participam
e na indústria de base, como a siderúrgica – áreas que não interessam aos ativamente da Revolução Constitucionalista. Em 1939 é fundada aUnião
capitalistas nacionais porque têm um retorno lento e exigem grandes Nacional dos Estudantes (UNE) que, em 4 de julho de 1942, comanda uma
capitais. Em 1941, com dinheiro público e financiamento do Eximbank grande manifestação popular antifascista no Rio de Janeiro. Em 1o de
norte-americano, Vargas monta a Companhia Siderúrgica Nacional, que só dezembro de 1943, Hélio Mota, presidente do Diretório Acadêmico 11 de
começa a operar em 1946 com a inauguração da usina de Volta Redonda - Agosto, da faculdade de direito da USP, é preso em São Paulo. Dez dias
ver foto acima -, no Rio de Janeiro. Em 1942 cria a Companhia Vale do depois, uma passeata estudantil por sua libertação é reprimida. A polícia
Rio Doce para explorar minério de ferro. No mesmo ano baixa um plano de atira na multidão e dois estudantes morrem. O fato intensifica as manifes-
saneamento econômico, desvaloriza a moeda e substitui o mil-réis pelo tações estudantis pelo fim do Estado Novo.
cruzeiro.
BANDITISMO SOCIAL
Dependência externa – A expansão das atividades industriais não di-
minui a dependência da economia brasileira em relação ao exterior. A O banditismo social é um fenômeno presente em vários países associ-
maior produção de bens de consumo exige mais importações de bens de ado a um quadro de intensa miséria e injustiça social. No Brasil, desenvol-
capital, matérias-primas e combustíveis. Mantém-se o desequilíbrio do ve-se no sertão nordestino e é conhecido como cangaço. Suas origens
balanço de pagamentos. As emissões de moeda e os empréstimos exter- remontam ao Império. Entre 1877 e 1879 grupos armados começam a
nos são frequentes. O resultado é uma inflação constante durante todo o assaltar fazendas e armazéns e a distribuir víveres aos flagelados da seca.
governo Vargas. O cangaço cresce alimentado pelas lutas de família no interior do Nordes-
te. Muitos "coronéis" contratam bandos de cangaceiros para eliminar seus
SOCIEDADE NA ERA VARGAS inimigos ou defender suas propriedades. Entre os principais líderes desta-
Com o aprofundamento da crise do café a partir de 1930 e a política in- ca-se Antônio Silvino, que chega a ser conhecido como "governador do
dustrializante de Vargas, a burguesia cafeeira passa a dividir o poder com sertão". Até sua captura, em 1914, Silvino mobilizou as polícias do Ceará,
a burguesia industrial em ascensão. As classes médias ampliam sua Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, atacando cidades, fazendas
participação na vida política do país, inclusive com o surgimento do movi- e tropas do governo. O mais conhecido, porém, é Virgulino Ferreira, o
mento estudantil. A classe operária cresce consideravelmente, mas é Lampião, chamado de "o rei do cangaço", famoso mais pela truculência de
controlada pelo Estado por meio dos sindicatos, da legislação trabalhista e seu bando do que por sua generosidade.
da repressão direta. Em 1930 é criado o Ministério da Educação e Saúde. Virgulino Ferreira Lampião (1900-1938), o rei do cangaço, nasce em
A Constituição de 1934 torna o ensino primário obrigatório e propõe a Vila Bela, atual Serra Talhada, em Pernambuco. Começa a atuar em 1916,
expansão gradativa dessa obrigatoriedade aos outros níveis de ensino. quando seus pais são mortos por um "coronel". Com os irmãos, foge para
CONTROLE DOS SINDICATOS o interior e junta-se a um grupo de "bandidos". Ganha o apelido de Lam-
pião entre 1918 e 1919: nos enfrentamentos com a polícia – os "macacos"
Em 26 de novembro de 1930 é criado o Ministério do Trabalho, Indús- –, gaba-se que sua espingarda não pára de ter clarão, "tal qual um lam-
tria e Comércio. No ano seguinte o Estado amplia o controle sobre os pião". O grupo de Lampião é um dos mais violentos: cercam e invadem
trabalhadores com a lei da sindicalização: a participação de estrangeiros cidades, vilarejos e fazendas e seus assaltos são marcados por estupros,
na diretoria dos sindicatos é limitada, o mandato dos diretores sindicais é saques, incêndios e execuções sumárias. Na época da Coluna Prestes, é
de apenas um ano, sem direito à reeleição. As entidades são proibidas de convidado por Floro Bartolomeu, chefe político ligado ao padre Cícero,
desenvolver qualquer atividade política e seus estatutos e contabilidade para ajudar o governo no combate aos tenentes. Lampião teria aceito e
precisam ser aprovados pelo Ministério do Trabalho. Mesmo com essas com isso armado melhor seu bando. Seu quartel-general é o sertão de
restrições, o período é marcado por um grande número de greves lideradas Sergipe e Bahia, mas o bando atua também de Alagoas ao Ceará. Em
por comunistas e socialistas. 1929 conhece Maria Bonita em Paulo Afonso, cidade baiana nas margens
do rio São Francisco. Ela abandona o marido, um sapateiro, integra-se ao
Corporativismo – Em 1939, uma nova lei sindical inspirada na Carta bando e tem uma filha com Lampião, Maria Expedita. Apesar de persegui-
del Lavoro da Itália fascista implanta o corporativismo nas entidades de dos e das várias tentativas de liquidá-los, os cangaceiros resistem até
trabalhadores. As organizações sindicais são entendidas como órgãos de 1938. Em 8 de julho são surpreendidos e cercados por uma tropa volante
colaboração de classe e base do poder do Estado. O governo cancela o na fazenda de Angicos, no sertão de Sergipe. Morrem 11 cangaceiros,
registro dos sindicatos, dissolve as antigas diretorias e indica homens de inclusive Lampião e Maria Bonita. Suas cabeças são cortadas e, durante
sua confiança para as novas funções – os chamados "pelegos". Proíbe as anos, conservadas no Museu da Faculdade de Medicina da Bahia. O ciclo
greves e quaisquer atividades de protesto. Institui também o imposto do cangaço encerra-se definitivamente em 1940, com a morte de Corisco,
sindical: cada trabalhador deve pagar por ano o valor correspondente a um último sobrevivente do grupo de Lampião.
dia de trabalho. Do total recolhido, 20% ficam com o governo e 80% com
os sindicatos, sob controle do Ministério do Trabalho. CULTURA NA ERA VARGAS
Conquistas trabalhistas – O governo Vargas atende a várias reivindi- A revolução estética proposta pelo movimento modernista de 1922
cações operárias. Em 1932 a jornada de trabalho passa a ser oficialmente consolida-se a partir da Revolução de 30. A tensão ideológica de toda a
de oito horas e o trabalho da mulher e do menor é regulamentado. É esta- Era Vargas se faz presente na produção cultural. A literatura, por exemplo,
belecido o princípio de salário igual para trabalho igual e as mulheres é considerada um instrumento privilegiado de conhecimento do ser huma-
ganham o direito à licença-maternidade de dois meses. A lei de férias, no e de modificação da realidade.
criada em 1926, é regulamentada em 1933, mas apenas algumas categori-
as de trabalhadores urbanos gozam de tal direito. Ainda em 1933, a previ- Literatura – Poetas como Manuel Bandeira e Carlos Drummond de
dência social começa a ser organizada sob o controle do Estado e são Andrade e romancistas como José Lins do Rego atingem a maturidade.
criados os institutos de aposentadorias e pensões (IAPs). Eles praticamen- Surgem novos escritores, como Érico Veríssimo, Jorge Amado e Graciliano
te eliminam as antigas entidades assistenciais dos trabalhadores e colabo- Ramos. Na poesia, de linha intimista, sobressaem Cecília Meireles e
ram para aumentar a força do Estado com os imensos recursos recolhidos Vinícius de Moraes. Mais para o final do Estado Novo destacam-se João
dos assalariados e das empresas. Cabral de Melo Neto na poesia de temas regionais, Clarice Lispector, na
prosa de ficção, e Guimarães Rosa, um dos mais importantes romancistas
CLT – Em 1940 é instituído o salário mínimo com o objetivo de reduzir brasileiros.
a pauperização dos trabalhadores urbanos e ampliar o mercado para as
indústrias de bens de consumo leve. Em 10 de novembro de 1943 entra Arquitetura e artes plásticas – Na arquitetura destacam-se Lúcio Cos-
em vigor a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que reúne todas as ta, que projeta o prédio modernista do Ministério da Educação e Cultura
(MEC) no Rio de Janeiro, e Oscar Niemeyer que, em 1942, planeja em

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Belo Horizonte o Conjunto da Pampulha. A obra inova nas linhas arquitetô- Resende (atual Aman), da Escola do Estado Maior, da Escola Técnica do
nicas e na decoração, feita com azulejos e painéis do pintor Cândido Exército e também pela organização da Força Expedicionária Brasileira
Portinari . (FEB). Ao final da guerra, em 1945, sai do ministério, passa para a oposi-
ção e participa do movimento militar que depõe Getúlio Vargas. Candidato
Música e teatro – No teatro, surge o dramaturgo Nélson Rodrigues. pelo PSD à Presidência em 1946, elege-se com o apoio do ex-presidente
Em 1943 ele estreia no Rio de Janeiro a peça Vestido de noiva, que incor- que ajudara a derrubar. Em 1954 participa da conspiração militar-udenista
pora padrões teatrais revolucionários para a época. A música popular dá para derrubar o governo constitucional de Getúlio. No ano seguinte opõe-
um salto de qualidade com o trabalho de compositores como Pixinguinha, se à candidatura de João Goulart para a vice-presidência. Em 1964, apoia
Noel Rosa, Ary Barroso, Lamartine Babo, Ismael Silva e Ataulfo Alves. Na o golpe militar que depõe Goulart e chega a ser cogitado para a Presidên-
música erudita, Villa-Lobos compõe as Bachianas brasileiras, unindo Bach cia, depois ocupada por Castelo Branco.
e a música folclórica nacional.
GOVERNO VARGAS
REPÚBLICA LIBERAL-CONSERVADORA (1946-1964):
Getúlio Vargas vence as eleições presidenciais de 1950 e assume o
Nacional-desenvolvimentismo em dois momentos distintos: Vargas poder em 31 de janeiro de 1951. Governa até 24 de agosto de 1954.
(1951-1954) e Juscelino Kubitscheck (1956-1961) Apoiado pela coligação PTB/PSP/PSD, retoma as plataformas populistas e
Brasília e o processo de interiorização do desenvolvimento; a crise do nacionalistas, mantém a intervenção do Estado na economia e favorece a
regime – Jânio Quadros (1961) e João Goulart (1961-1964) implantação de grandes empresas públicas, como a Petrobrás, que mono-
O Brasil na Guerra Fria; política externa independente polizam a exploração dos recursos naturais. Com uma imagem de adversá-
SEGUNDA REPÚBLICA rio do imperialismo, é apoiado por setores do empresariado nacional, por
grupos nacionalistas do Congresso e das Forças Armadas, pela União
Com a queda de Vargas e a realização de eleições para a Assembleia Nacional dos Estudantes e pelas massas populares urbanas. Em 1952 cria
Constituinte e para presidente começa a Redemocratização do país. A o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), com o objetivo
Segunda República estende-se de 1945 até o golpe militar de 1964. Carac- de fomentar o desenvolvimento industrial, e também o Instituto Brasileiro
teriza-se pela consolidação do populismo nacionalista, fortalecimento dos do Café (IBC).
partidos políticos de caráter nacional e grande efervescência social. A
indústria expande-se rapidamente. Monopólio do petróleo – A campanha pela nacionalização do petróleo
começa em 1949 e divide a opinião pública. Sob o lema "O petróleo é
Populismo – O conceito de populismo é usado para designar um tipo nosso", reúnem-se sindicatos, organizações estudantis, militares naciona-
particular de relação entre o Estado e as classes sociais. Presente em listas, alguns empresários, grupos de intelectuais e militantes comunistas.
vários países latino-americanos no pós-guerra, o populismo caracteriza-se Os setores contrários ao monopólio e favoráveis à abertura ao capital
pela crescente incorporação das massas populares ao processo político estrangeiro incluem parte do empresariado, políticos da UDN e do PSD e a
sob controle e direção do Estado. A intervenção estatal na economia com o grande imprensa. O debate toma conta do país e a solução nacionalista sai
objetivo de promover a industrialização também cria vínculos de depen- vitoriosa: em 3 de outubro de 1953 é criada a Petrobrás (lei 2.004), empre-
dência entre a burguesia e o Estado. No Brasil, o populismo começa a ser sa estatal que monopoliza a exploração e refino do petróleo. A decisão
gestado após a Revolução de 30 e se constitui em uma derivação do desagrada aos Estados Unidos que, em represália, cancelam acordos de
regime autoritário criado por Getúlio Vargas. transferência de tecnologia estabelecidos com o Brasil. Empresas norte-
GOVERNO JOSÉ LINHARES americanas derrubam os preços do café no mercado internacional.

Com a deposição de Vargas em 29 de outubro de 1945, José Linhares, Trabalhismo – O nacionalismo varguista faz crescer a oposição e o
presidente do Supremo Tribunal Federal, assume interinamente a Presi- presidente aproxima-se do trabalhismo. Em dezembro de 1951 assina nova
dência e governa até 31 de janeiro de 1946. Entrega o poder ao general lei do salário mínimo. No ano seguinte cria a Carteira de Acidentes do
Eurico Gaspar Dutra, eleito pelo voto direto pelo PSD e PTB em 2 de Trabalho e outros benefícios, como o adicional de insalubridade. Em junho
dezembro de 1945. de 1953 nomeia João Goulart, conhecido como Jango, para ministro do
Trabalho com a missão de reorganizar a estrutura sindical, tornando-a
GOVERNO DUTRA ainda mais ligada à máquina do governo. Em 1o de maio de 1954 aumenta
em 100% o salário mínimo, que mantinha o mesmo valor desde 1943.
Eurico Gaspar Dutra governa de 1946 até o final de seu mandato, em
31 de janeiro de 1951. O início de seu governo é marcado por mais de 60 Conspiração contra Vargas – Em 1954 políticos da UDN, boa parte
greves e intensa repressão ao movimento operário. Dutra congela o salário dos militares e da grande imprensa conspiram abertamente pela deposição
mínimo, fecha a Confederação Geral dos Trabalhadores e intervém em 143 do presidente. A crise se agrava com a tentativa de assassinato do jornalis-
sindicatos. Conservador, proíbe o jogo e ordena o fechamento dos cassi- ta da UDN Carlos Lacerda, dono do jornal Tribuna da Imprensa e um dos
nos. No plano internacional alinha-se com a política norte-americana da mais ácidos opositores ao governo. Lacerda fica apenas ferido, mas o
Guerra Fria. Rompe relações diplomáticas com a União Soviética, decreta major da Aeronáutica Rubens Vaz morre. Gregório Fortunato, chefe da
novamente a ilegalidade do PCB e cassa o mandato de seus representan- segurança pessoal de Vargas, é acusado e preso como mandante do crime
tes. Em 6 de agosto de 1947 é fundado o Partido Socialista Brasileiro (e depois assassinado na prisão). Em 23 de agosto, 27 generais exigem a
(PSB) a partir de uma dissidência da UDN, a Esquerda Democrática. renúncia do presidente em um manifesto à nação.
Constituição de 1946 – A Assembleia Constituinte é instalada em 5 de Atentado a Carlos Lacerda
fevereiro de 1946 e encerra seus trabalhos em 18 de agosto de 1946. A
nova Constituição devolve a autonomia dos Estados e municípios e resta- Suicídio – Na manhã de 24 de agosto de 1954 Vargassuicida-se. Seu
belece a independência dos três poderes. Permite a liberdade de organiza- último ato político é uma carta-testamento : "Eu vos dei a minha vida.
ção e expressão, estende o direito de voto às mulheres, restabelece os Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primei-
direitos individuais e extingue a pena de morte. Mantém a estrutura sindical ro passo no caminho da eternidade. Saio da vida para entrar na História".
atrelada ao Estado e as restrições ao direito de greve. No Rio de Janeiro a reação popular é violenta: chorando, populares saem
às ruas, empastelam vários jornais de oposição, atacam a embaixada dos
Eurico Gaspar Dutra (1889-1974) nasce em Cuiabá e faz carreira mili- EUA e muitos políticos udenistas, entre eles Lacerda, têm de se esconder.
tar. Em 1908 é desligado junto com toda sua turma da Escola Militar de Os conflitos são contidos pelas Forças Armadas.
Porto Alegre pelo apoio à Revolta da Vacina. Anistiado, ingressa na Escola
Militar de Realengo, no Rio de Janeiro. Atinge o posto de general em 1932, Carlos Frederico Werneck de Lacerda - ver foto ao lado - (1914-
depois de comandar um destacamento contra a Revolução Constituciona- 1977) ingressa na política como militante da juventude comunista e, mais
lista em São Paulo. Em 1933 comanda a repressão à Intentona Comunista. tarde, torna-se um dos mais combativos e polêmicos líderes conservadores
No ano seguinte assume o Ministério da Guerra e garante o apoio das do país. Conquista projeção política através da coluna Tribuna da Imprensa
Forças Armadas ao golpe de Getúlio Vargas, em 1937, e ao Estado Novo. no jornal Correio da Manhã. Em 1947, elege-se vereador do Distrito Fede-
No cargo de ministro é responsável pela construção da Escola Militar de ral e funda o jornal Tribuna da Imprensa. Faz oposição permanente e

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violenta contra Getúlio Vargas e está no centro dos acontecimentos que modernização da economia brasileira. Ao sair da Presidência, elege-se
levam ao suicídio do presidente, em agosto de 1954. Nesse mesmo ano, senador por Goiás. Seus direitos políticos são cassados pelo golpe militar
Lacerda elege-se deputado federal. Em dezembro de 1960, com a mudan- de 1964. Em 1967, junto com Carlos Lacerda, seu ex-inimigo político, e
ça da capital para Brasília, é o primeiro governador eleito do Estado da João Goulart tenta articular um movimento de oposição, a Frente Ampla.
Guanabara. Sua gestão é marcada por grande número de obras públicas e Morre em acidente automobilístico na via Dutra, no município de Resende,
intensa agitação política. Faz oposição a Jânio Quadros, participa da no dia 22 de agosto de 1976.
tentativa de golpe para impedir a posse do vice, João Goulart, em 1961, e
do golpe militar de 1964. Alijado do poder pelos militares, em 1967 procura Eleições de 1960 – Os dois principais candidatos às eleições presi-
o apoio de Juscelino Kubitschek, João Goulart e do PCB para formar a denciais de 1960 são Jânio Quadros , apoiado pela UDN, e o marechal
Frente Ampla de oposição. No ano seguinte, tem seus direitos políticos Henrique Teixeira Lott, da coligação PSD-PTB. Jânio Quadros, carismático,
cassados. Dedica-se então apenas ao jornalismo e à sua editora, a Nova com discurso e comportamento populistas, apresenta-se como um candi-
Fronteira. dato acima dos partidos. Obtém 5.636.623 votos, o equivalente a 48% dos
votos válidos, a maior votação até então atingida por um político brasileiro.
De Café Filho a Nereu Ramos – Nos 16 meses seguintes à morte de O marechal Lott obtém 3.846.825 votos. João Goulart, vice na chapa do
Getúlio Vargas, três presidentes cumprem mandatos-relâmpagos. Café marechal e herdeiro político de Getúlio Vargas, é eleito vice-presidente da
Filho , vice-presidente, assume o governo em 24 de agosto de 1954 e República. Isso ocorre porque, na época, o voto para presidente e vice-
afasta-se por problemas de saúde em 3 de novembro de 1955. Tenta voltar presidente era desvinculado, ou seja, o eleitor podia votar em candidatos
em novembro mas é impedido pelo Congresso. Em seu lugar, assume de chapas diferentes para cada um dos cargos.
interinamente o presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz. Efetiva-
do em 9 de novembro, ocupa a Presidência por apenas dois dias e é Cacareco – Os eleitores da capital paulista, num protesto bem-
interditado pelo Congresso por tentar impedir a posse do presidente eleito humorado contra os políticos, lançam informalmente a candidatura do
em outubro de 1955, Juscelino Kubitschek. Nereu Ramos, vice-presidente rinoceronte Cacareco à Câmara Municipal. O morador do zoológico paulis-
do Senado, assume a Presidência até 31 de janeiro de 1956, quando tano recebe mais de 100 mil votos e torna-se o "vereador" mais votado da
entrega o cargo a Juscelino. cidade.

GOVERNO JUSCELINO GOVERNO JÂNIO QUADROS

Juscelino Kubitschek assume em 31 de janeiro de 1956 e governa até o Jânio assume em 31 de janeiro de 1961 e renuncia sete meses depois,
final de seu mandato, em 31 de janeiro de 1961. Sua candidatura e a do em 25 de agosto. Herda de JK um país em acelerado processo de concen-
vice João Goulart são apoiadas pelo PSD e pelo PTB. Obtêm 36% dos tração de renda e inflação galopante. Adota uma política de austeridade
votos, 500 mil a mais que o candidato da UDN, Juarez Távora, e 700 mil a econômica ditada pelo FMI: restringe o crédito e congela salários. Com
mais que o terceiro colocado, Ademar de Barros – fato considerado uma isso, obtém novos empréstimos, mas desagrada ao movimento popular e
vitória das forças getulistas. A UDN alia-se a uma organização de direita, a aos empresários. No plano externo, exerce uma política não-alinhada.
Cruzada Brasileira Anticomunista, e tenta impedir a posse dos eleitos Apoia Fidel Castro diante da tentativa fracassada de invasão da baía dos
alegando que eles não obtiveram maioria absoluta nas eleições. A posse é Porcos pelos norte-americanos. Em 18 de agosto de 1961 condecora o
garantida pelo ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott. ministro da Indústria de Cuba, Ernesto "Che" Guevara, com a Ordem
Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta comenda brasileira.
Plano de Metas – Com o slogan "Cinquenta anos em cinco", o Plano
Nacional de Desenvolvimento, conhecido como Plano de Metas, estimula o Renúncia – Dia 24 de agosto de 1961, Carlos Lacerda, governador da
crescimento e diversificação da economia. Juscelino investe na indústria de Guanabara, denuncia pela TV que Jânio Quadros estaria articulando um
base, na agricultura, melhora a educação, os transportes, o fornecimento golpe de estado. No dia seguinte, o presidente surpreende a nação: em
de energia e transfere a capital do país para o Planalto Central. Projetada uma carta ao Congresso afirma que está sofrendo pressões de "forças
pelos arquitetos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, a construção de Brasília- terríveis" e renuncia à Presidência da República.
começa em fevereiro de 1957. É inaugurada em 21 de abril de 1960 . Jânio da Silva Quadros (1917-1992) nasce em Campo Grande, atual
Estabilidade política – Durante o governo JK o país vive um clima de capital do Mato Grosso do Sul. Advogado e professor de português, faz
confiança e otimismo. Juscelino consegue conciliar os interesses de dife- uma carreira política vertiginosa em São Paulo: elege-se vereador da
rentes setores da sociedade. Os levantes militares, poucos e inexpressi- capital em 1947, deputado estadual em 1950, prefeito de São Paulo em
vos, são contornados com habilidade pelo presidente. Em 19 de fevereiro 1953 e governador do Estado em 1954. Fica conhecido por sua política de
de 1956 oficiais da Aeronáutica rebelam-se em Jacareacanga, no Pará. moralização administrativa e por seu comportamento populista. Ao sair do
Fato semelhante ocorre em 3 de dezembro de 1959 em Aragarças, Goiás. governo do Estado, elege-se deputado federal pelo Paraná. Em 1960
Nos dois casos, as rebeliões são rapidamente sufocadas e os rebeldes chega à Presidência da República com o apoio da UDN. Obtém 48% dos
anistiados. No plano internacional, estreita as relações com os EUA e cria votos, resultado recorde no Brasil. Renuncia sete meses depois e, em
a Operação Pan-americana(OPA), uma aliança para superar o subdesen- 1962, é derrotado nas eleições para o governo de São Paulo. Seus direitos
volvimento. Apesar do crescimento econômico, os empréstimos externos e políticos são cassados pelo golpe militar de 1964. Em 1968 é confinado por
os acordos com o FMI resultam em aumento da inflação e arrocho salarial. quatro meses em Corumbá, Mato Grosso, por criticar o governo. Volta à
O mandato de Juscelino chega ao fim em meio a várias manifestações de vida pública no final dos anos 70. Em 1982 é derrotado para o governo
descontentamento popular. Cresce o número de greves no campo e nos paulista, mas elege-se prefeito da capital pelo PTB, em 15 de novembro de
principais centros industriais. Nas eleições de 1960, vence o candidato da 1985. Morre em São Paulo em 16 de fevereiro de 1992.
oposição, Jânio Quadros. CRISE POLÍTICA
Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976) nasce em Diamantina, Quando Jânio renuncia, o vice-presidente João Goulart está fora do pa-
Minas Gerais. Formado em medicina, começa sua carreira política em ís, em visita oficial à China. O presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli,
1931, no posto de capitão-médico da polícia militar mineira. Eleito deputa- assume a Presidência como interino, em 25 de agosto de 1961. A UDN e a
do federal em 1934, exerce o mandato até o fechamento do Congresso cúpula das Forças Armadas tentam impedir a posse de Goulart, considera-
pelo golpe de 1937. É nomeado prefeito de Belo Horizonte em 1940 e do perigoso por sua ligação com o movimento trabalhista. Os ministros da
realiza obras urbanísticas na cidade planejadas por Oscar Niemeyer - ver Guerra, Odílio Denys, o da Marinha, vice-almirante Sílvio Heck, e o da
foto ao lado, construção de Brasília. Elege-se deputado constituinte em Aeronáutica, brigadeiro Gabriel Grun Moss, pressionam o Congresso para
1946 e governador de Minas Gerais em 1950. Em seu mandato, constrói que considere vago o cargo de presidente e convoque novas eleições. O
cinco usinas hidrelétricas e abre mais de 3 mil km de rodovias. É eleito jornal O Estado de S. Paulo, porta-voz dos udenistas, afirma em editorial
presidente pela aliança PSD-PTB com 36% dos votos, fato que serve de de 29 de agosto de 1961 que só há uma saída para a crise: "a desistência
argumento para a oposição tentar impugnar sua posse e a de seu vice, espontânea do Sr. João Goulart ou a reforma da Constituição que retire do
João Goulart. Assume a Presidência em 31 de janeiro de 1956 e cumpre o vice-presidente o direito de suceder ao presidente".
mandato até o fim. Político habilidoso e dinâmico, consegue governar sem
grandes movimentos de oposição e deflagra um processo de crescimento e

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Campanha da Legalidade – O governador do Rio Grande do Sul, Leo- João Belchior Marques Goulart (1918-1976) nasce em São Borja, Rio
nel Brizola , encabeça a resistência legalista. Apoiado pela milícia estadual, Grande do Sul, numa família de estancieiros. Advogado, ingressa no PTB
afirma que garantirá a posse de Jango "a bala, se for preciso". Em seguida, em 1945. É eleito deputado federal em 1946 e 1950, e nesse ano coordena
cria a Cadeia da Legalidade: encampa a Rádio Guaíba, de Porto Alegre, e, a campanha presidencial de Getúlio Vargas, de quem é considerado her-
transmitindo em tempo integral, mobiliza a população e as forças políticas deiro político. Nomeado ministro do Trabalho em 1953, deixa o cargo um
leais ao governo a resistirem ao golpe e defender a Constituição. As princi- ano depois diante das pressões para não aumentar o salário mínimo. Eleito
pais emissoras do país aderem à rede e a opinião pública respalda a vice-presidente de Juscelino Kubitschek, em 1955, e de Jânio Quadros em
posição legalista. Em 28 de agosto de 1961 o general Machado Lopes, 1960, enfrenta forte oposição política. Com a renúncia de Jânio, uma
comandante do 3o Exército, sediado no Rio Grande do Sul, também decla- conspiração militar tenta evitar sua posse na Presidência. Leonel Brizola,
ra seu apoio a João Goulart. Em 2 de setembro o problema é contornado: o governador do Rio Grande do Sul, seu cunhado e aliado, encabeça uma
Congresso aprova uma emenda à Constituição que institui o regime parla- grande mobilização popular para garantir-lhe a posse, a Campanha da
mentarista. Jango toma posse mas perde os poderes do presidencialismo. Legalidade. Assume a Presidência depois da aprovação de uma emenda
constitucional que institui o parlamentarismo no país, em 2 de setembro de
GOVERNO JOÃO GOULART 1961. Um plebiscito realizado em janeiro de 1963 derruba o parlamenta-
João Goulart assume a Presidência em 7 de setembro de 1961, sob re- rismo. Em troca do apoio popular, Jango compromete-se a realizar as
gime parlamentarista, e governa até o golpe de estado de 1o de abril de reformas de base, que intimidam as classes dominantes. É destituído da
1964. Seu mandato é marcado pelo confronto entre diferentes projetos Presidência pelo golpe militar de 31 de março de 1964. Exilado no Uruguai,
políticos e econômicos para o Brasil, conflitos sociais, greves urbanas e participa da articulação da Frente Ampla, um movimento pela redemocrati-
rurais e um rápido processo de organização popular. O parlamentarismo, zação do país, junto com Juscelino Kubitschek e seu ex-inimigo político,
estratégia da oposição para manter o presidente sob controle, é derrubado Carlos Lacerda. A frente não decola, Jango retira-se da vida pública e
em janeiro de 1963: em um plebiscito nacional 80% dos eleitores optam dedica-se à administração de suas propriedades na Argentina, Paraguai,
pela volta ao presidencialismo. Uruguai e Brasil. Morre na Argentina em 6 de dezembro de 1976. É o único
ex-presidente a morrer no exílio.
Primeiros-ministros – Tancredo Neves, do PSD mineiro, é eleito pri-
meiro-ministro pelo Congresso logo após a posse de Jango. Renuncia ao CRISE DO POPULISMO
cargo em junho de 1962 para candidatar-se ao governo de Minas Gerais. É No início de 1964 o país chega a um impasse. O governo já não tem o
substituído pelo jurista gaúcho Francisco de Paula Brochado da Rocha, apoio da quase totalidade das classes dominantes e os próprios integran-
também do PSD, derrubado três meses depois por pressões político- tes da cúpula governamental divergem quanto aos rumos a serem segui-
militares. Hermes Lima, do PSB paulista, assume o cargo até o fim do dos. A crise se precipita no dia 13 de março, com a realização de um
parlamentarismo. grande comício em frente à Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro.
Plano Trienal – João Goulart realiza um governo contraditório. Procura Perante 300 mil pessoas Jango decreta a nacionalização das refinarias
estreitar alianças com o movimento sindical e setores nacional-reformistas. privadas de petróleo e desapropria para fins de reforma agrária proprieda-
Paralelamente, tenta implementar uma política de estabilização baseada des às margens de ferrovias, rodovias e zonas de irrigação dos açudes
na contenção salarial para satisfazer a oposição udenista, o empresariado públicos. Tais decisões provocam a reação das classes proprietárias, de
associado ao capital estrangeiro e às Forças Armadas. Seu Plano Trienal setores conservadores da Igreja e de amplos segmentos das classes
de Desenvolvimento Econômico e Social, elaborado por Celso Furtado, médias. A grande imprensa afirma que as reformas levarão à "cubaniza-
ministro do Planejamento, tem por objetivos manter as taxas de crescimen- ção" do país.
to da economia e reduzir a inflação. Essas condições, impostas pelo FMI, Mobilização contra o governo – Em 19 de março é realizada em São
são indispensáveis para a obtenção de novos empréstimos, renegociação Paulo a maior mobilização contra o governo, a "Marcha da Família com
da dívida externa e elevação do nível de investimentos. Deus pela Liberdade" - -ver foto ao lado. Organizada por empresários,
Reformas de base – O Plano Trienal também determina a realização setores conservadores das classes médias e do clero, reúne cerca de 400
das chamadas reformas de base – reforma agrária, educacional, bancária mil participantes. A manifestação fornece o apoio político e social que
etc. –, necessárias ao desenvolvimento de um "capitalismo nacional e faltava aos grupos que já conspiram para derrubar o presidente. Um des-
progressista". O anúncio dessas reformas aumenta a oposição ao governo ses grupos é liderado pelo general Olímpio Mourão Filho. Outro, formado
e acentua a polarização da sociedade brasileira. Jango perde rapidamente por civis e militares, tem a direção do almirante Sílvio Heck. Um terceiro,
suas bases na burguesia. Para evitar o isolamento, reforça as alianças com composto por coronéis e generais, conta com a participação dos coronéis
as correntes reformistas: aproxima–se de Leonel Brizola, então deputado João Batista Figueiredo e Costa Cavalcanti e dos generais Ernesto Geisele
federal pela Guanabara; de Miguel Arraes, governador de Pernambuco; da Bizarria Mamede.
União Nacional dos Estudantes e do Partido Comunista que, embora na Golpe de 1964 – No dia 30 de março o governador de Minas , Maga-
ilegalidade, mantém forte atuação no movimento popular e sindical. O lhães Pinto, lança um manifesto em que conclama o povo à "restauração
Plano Trienal é abandonado em meados de 1963, mas o presidente conti- da ordem constitucional comprometida". No dia 31 tropas mineiras sob o
nua implementando medidas de caráter nacionalista: limita a remessa de comando do general Mourão Filho marcham em direção ao Rio de Janeiro
lucros para o exterior, nacionaliza empresas de comunicações e decide e Brasília. Depois de muita expectativa, os golpistas conseguem a adesão
rever as concessões para exploração de minérios. As retaliações estran- do comandante do 2o Exército, general Amaury Kruel. Jango está no Rio
geiras são rápidas: governo e empresas privadas norte–americanas cortam de Janeiro quando recebe o manifesto do general Mourão Filho exigindo
créditos para o Brasil e interrompem a renegociação da dívida externa. sua renúncia. No dia 1o de abril pela manhã, parte para Brasília na tentati-
Radicalização no Parlamento – O Congresso reflete a crescente pola- va de controlar a situação. Ao perceber que não conta com nenhum dispo-
rização da sociedade. Forma-se a Frente Parlamentar Nacionalista em sitivo militar e nem com o apoio armado dos grupos que o sustentavam,
apoio ao presidente, reunindo a maioria dos parlamentares do PTB e PSB, abandona a capital e segue para Porto Alegre. Recusa a oferta de Leonel
e setores dissidentes do PSD e da UDN. A oposição aglutina-se na Ação Brizola para organizar uma resistência armada. Nesse mesmo dia, ainda
Democrática Parlamentar, que reúne boa parte dos parlamentares do PSD, com João Goulart no país, o presidente do Senado, Auro de Moura Andra-
a maioria da UDN e de outros partidos conservadores. de , declara vaga a Presidência da República. Ranieri Mazzilli, presidente
da Câmara dos Deputados, ocupa a Presidência interinamente.
Financiamento da oposição – A Ação Democrática Parlamentar rece-
be ajuda financeira do Instituto Brasileiro de Ação Democrática(Ibad), ECONOMIA NA SEGUNDA REPÚBLICA
instituição mantida pela Embaixada dos Estados Unidos. Setores do em- Nos 18 anos da Segunda República o país passa por um acelerado
presariado paulista formam o Instituto de Pesquisas e Estudos Soci- processo de industrialização por substituição de importações. Em meados
ais(Ipes), com o objetivo de disseminar a luta contra o governo entre os dos anos 50 a indústria ultrapassa a agricultura na composição do Produto
empresários e na opinião pública. A grande imprensa pede a deposição de Nacional Bruto. A política econômica do governo Juscelino Kubitsche
João Goulart em seus editoriais. kestimula a indústria nacional e, ao mesmo tempo, abre o mercado brasilei-

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ro para o capital estrangeiro sob a forma de empréstimos ou de investimen- Teatro engajado – A temática social também chega ao teatro. Autores
tos diretos. como Jorge Andradee Dias Gomes trazem para o palco temas até então
inusitados, como o drama dos trabalhadores rurais expulsos do campo. A
No final dos anos 50 os rumos a serem impressos à economia brasilei- efervescência política dos grandes centros é trabalhada pelos dramaturgos
ra são o grande divisor de águas da sociedade civil. Os setores nacionalis- Gianfrancesco Guarnieri , em Eles não usam black-tie, e Oduvaldo Viana
tas defendem um desenvolvimento autônomo, centrado no crescimento do Filho , nas peças Chapetuba Futebol Clube e A mais-valia vai acabar, seu
mercado interno. A oposição quer ampliar a industrialização pela maior Edgar.
abertura do mercado aos capitais internacionais.
Bossa nova e protesto – Na passagem da década de 50 para a de 60
Queima de divisas – Durante a 2a Guerra as exportações brasileiras surge a bossa nova, movimento musical liderado por João Gilberto e Tom
superam as importações e o país acumula boa quantidade de divisas, a Jobim. Mais suave e intimista que o samba, a bossa nova revoluciona a
maioria paga após o final do conflito. A moeda brasileira também está música popular brasileira. Na mesma época ganha força a chamada músi-
valorizada. O governo Dutra promove uma verdadeira queima de divisas. ca engajada, ou de protesto, como Opinião, de Zé Kéti, e Carcará, de João
Libera as importações de produtos totalmente supérfluos: de casacos de do Vale e José Cândido. Na música erudita, os compositores se dividem
peles a ioiôs, de comida para cachorro a aparelhos de televisão, numa em torno do nacionalista Camargo Guarnieri e das propostas dodecafôni-
época em que não havia emissoras no Brasil. cas do vanguardista Hans-Joachim Koellreuter.
CRESCIMENTO DA INDÚSTRIA CENTRO POPULAR DE CULTURA
Para Juscelino Kubitschek e os ideólogos do desenvolvimentismo, as Grande parte dessa efervescência cultural tem como ponto de partida e
profundas desigualdades do país só serão superadas com o predomínio da veículo de divulgação o Centro Popular de Cultura da União Nacional dos
indústria sobre a agricultura. O governo JK empenha-se em baratear o Estudantes, criado em 1960. Com a concepção de que a arte é um pode-
custo da mão-de-obra e das matérias-primas, subsidia a implantação de roso instrumento de conscientização política, o CPC da UNE atua em
novas fábricas e facilita a entrada de capitais estrangeiros. Entre 1955 e várias partes do país. Realiza atividades teatrais, literárias, plásticas,
1959 os lucros na indústria crescem 76% e a produtividade, 35%. Os musicais e cinematográficas.
salários sobem apenas 15%.
Ruptura institucional de 1964:
Desenvolvimentismo – Juscelino isenta de impostos as importações Os governos militares, crescimento econômico e crise do “milagre
de máquinas, equipamentos e todo capital estrangeiro que aqui se estabe- brasileiro”;
leça, desde que em associação com o capital nacional. Financia a amplia- Colapso do regime e redemocratização
ção da indústria pesada. Investe na construção de siderúrgicas e hidrelétri-
cas, amplia a capacidade produtiva da Petrobrás, abre novas estradas e GOVERNO CASTELLO BRANCO (1964-1967), GOVERNO COSTA E
levanta Brasília. Em 1959 cria a Sudene (Superintendência para o Desen- SILVA (1967-1969), GOVERNO DA JUNTA MILITAR (31/8/1969-
volvimento do Nordeste) para integrar a região ao mercado nacional. Em 30/10/1969), GOVERNO MEDICI (1969-1974), GOVERNO GEISEL
1960 obtém do FMI um empréstimo de US$ 47,7 milhões e cria o Grupo de (1974-1979), GOVERNO FIGUEIREDO (1979-1985), Redemocratização
Estudos da Indústria Automobilística (Geia), primeiro passo para a instala-
ção das grandes montadoras de automóveis no Brasil .
Movimento militar de 1964
Desnacionalização – Em 1961, das 66 empresas com maior concen-
tração de capital, 32 são estrangeiras e apenas 19 pertencem a grupos Mais da metade dos países do mundo, no início da década de 1970,
privados nacionais. O capital estrangeiro controla 99,8% da indústria de tinha governos saídos de processos de ruptura da normalidade constituci-
tratores, 98% da indústria automobilística, 85% do setor de cigarros, 88% onal. No Brasil, que fez parte desse conjunto, a ação do regime militar
das indústrias farmacêuticas, 82% do setor de eletricidade, 70% das indús- sobre as instituições sociais, a representatividade democrática e as rela-
trias de máquinas e 76% das indústrias químicas. ções econômicas e trabalhistas contribuiu notavelmente para sua degene-
rescência.
INFLAÇÃO E DÍVIDA EXTERNA
Movimento militar de 1964 é a designação genérica da intervenção
Os índices de inflação crescem durante a Segunda República. Eles re- das forças armadas no sistema político-institucional brasileiro que resultou
sultam das constantes emissões de moedas para sustentar os investimen- no rompimento da normalidade constitucional, com a derrubada do presi-
tos estatais e pagar os empréstimos externos. Em 1960 a inflação chega a dente João Goulart, e na tomada do poder pelos militares. O movimento
25% ao ano, sobe para 43% em 1961, a 55% em 1962 e a 81% em 1963. teve três fases: a preparação, em que grupos civis e militares envolvidos
O FMI passa a condicionar a concessão de novos empréstimos a uma conspiraram; a ação militar, com o deslocamento de tropas prontas para
política austera de estabilidade da moeda. um possível conflito armado; e a instauração do regime militar, no qual
Evasão de divisas – Entre 1945 e 1960 entram no país US$ 315 mi- cinco generais se sucederam no poder pelo período de 21 anos.
lhões e saem US$ 542 milhões. No governo JK, a dívida externa aumenta O movimento marcou o abandono, pelo segmento militar brasileiro, de
US$ 1,5 bilhão, chegando a um total de US$ 3,8 bilhões. A situação é sua tradicional posição de respeito às normas constitucionais e determi-
agravada pelo crescente desequilíbrio do balanço de pagamentos. A queda nou sua intervenção direta no ordenamento jurídico e econômico da nação
das exportações de produtos agrícolas, o pagamento de elevados fretes e e nas questões administrativas e políticas de governo.
seguros para os produtos importados e as remessas de lucros das empre-
sas internacionais são os principais fatores de desequilíbrio. No governo Antecedentes. Para compreender a abrangência, causas, consequên-
João Goulart a dívida externa do país corresponde a 43% da renda obtida cias e pressupostos ideológicos do movimento militar de 1964, é necessá-
com as exportações. rio situá-lo nas condições nacionais e internacionais do momento histórico
em que ocorreu.
CULTURA NA SEGUNDA REPÚBLICA
Situação interna. O fim da ditadura Vargas revelou as profundas con-
A euforia desenvolvimentista aberta com o governo JK reflete-se na vi- tradições políticas, sociais e econômicas do país e mostrou a necessidade
da cultural brasileira. Surgem as chamadas "vanguardas" artísticas e a"arte premente de amplas reformas estruturais que contemplassem segmentos
engajada": a produção cultural transforma-se em um meio de formação de da população que viviam em total desamparo. O predomínio político de
opinião e instrumento de politização . oligarquias regionais chocava-se com a atuação das forças nacionalistas e
Cinema Novo – Em 1955 o cineasta Nelson Pereira dos Santos lança- progressistas. Um setor agrário retrógrado, dependente das políticas
Rio 40 graus. O filme marca o início do Cinema Novo, movimento que se protecionistas do governo e apegado a atividades agrícolas tradicionais e
caracteriza pelos temas sociais e pela busca das raízes brasileiras. Essa relações trabalhistas que se aproximavam da servidão medieval, convivia
tendência aprofunda-se nos anos seguintes com Deus e o diabo na terra mal com a industrialização modernizadora e a massa operária urbana que
do Sol, de Glauber Rocha, Os fuzis, de Rui Guerra, e Menino de engenho, se afirmava como força política.
de Walter Lima Jr., entre outros.

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Disparidades imensas separavam a população em segmentos bem Pinto, de Minas Gerais e Ademar de Barros, de São Paulo; organizações
definidos: uma burguesia rica e relativamente pouco numerosa, uma de classe, como o Conselho Superior das Classes Produtoras (Conclap); e
classe média emergente e conservadora e vastos contingentes populacio- entidades como o Instituto de pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e o
nais em estado de grande pobreza. Essas disparidades tinham também Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), organizadas pro empre-
uma dimensão geográfica: as regiões Sul e Sudeste apresentavam altos sários nacionais e estrangeiros que formularam um projeto político e
índices de crescimento econômico e industrialização acelerada; Norte, econômico nacional de caráter capitalista. Também apoiaram o movimen-
Nordeste e Centro-Oeste, de predominância agrícola, caracterizavam-se to organizações direitistas para militares, como o Movimento Anticomunis-
pelo fraco desempenho da economia. ta (MAC), e associações como a Campanha da Mulher pela Democracia
(CAMDE) e Tradição Família e Propriedade (TFP).
Os indicativos sociais do país mostravam um quadro alarmante: altas
taxas de analfabetismo, incidência elevada de doenças provenientes de A coordenação geral da mobilização coube ao IPES, que elaborou
desnutrição, deficiências graves nas áreas de saúde e saneamento bási- sua ação ideológica, política e militar. Com o uso da maciça propaganda
co, índices altos de mortalidade infantil e materna e precariedade da infra- anticomunista, convenceu amplos segmentos da opinião pública que o
estrutura de transportes, comunicações e armazenamento de grãos. governo pretendia instaurar no país uma ditadura "anarco-comunista" ou
uma "república sindicalista". A classe média reagiu à "ameaça comunista"
A política econômica dominante era a chamada "substituição de im- com manifestações de rua, como as marchas da família com Deus pela
portações", em que a atividade industrial se encontrava fortemente prote- liberdade, que em São Paulo reuniu centenas de milhares de pessoas.
gida para a formação de um parque fabril atuante, diversificado e capaz de
promover a acumulação de capital nacional, vinculado ou associado ao O governo tinha base de apoio precárias nos sindicatos de trabalha-
capital internacional. dores urbanos, como o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), e
rurais, como as Ligas Camponesas; nos segmentos nacionalistas das
Na década de 1950 intensificou-se o conflito político entre as forças forças armadas e associações de seus oficiais subalternos; na Frente
tradicionalistas, os grupos nacionalistas e modernizadores, o movimento Parlamentar Nacionalista (FPN), formada por representantes de diversos
operário e a juventude estudantil que se politizava. A divisão ideológica se partidos; e em governadores como Miguel Arraes, de Pernambuco. Lide-
exarcebou. Comunistas e esquerdistas apoiavam os movimentos progres- ranças populistas, como o deputado federal Leonel Brizola, radicalizaram
sistas, mas exigiam um aprofundamento das reformas que os industriais o discurso reformista e mostraram-se mais preocupados com a disputa
não desejavam. As forças conservadoras defendiam um modelo político e pela presidência. Grupos organizados, como a União Nacional dos Estu-
econômico vinculado aos interesses do capital internacional. dantes (UNE), deram apoio condicional ao governo e exigiram mudanças
A ascensão do reformistas João Goulart à presidência da república e estruturais mais profundas.
seu prestígio, confirmado em plebiscito e pelo aumento da bancada par- Deflagração do movimento. A radicalização das posições nos primei-
lamentar que o apoiava, agravaram a crise e mostraram aos adversários ros três meses de 1964 levou à movimentação de tropas, que se iniciou
das reformas a necessidade de ação enérgica e urgente, que admitia a em Minas Gerais, no dia 31 de março, sob o comando do general Olímpio
ruptura da normalidade democrática como alternativa para a derrota nas Mourão Filho. As tropas não encontraram oposição e os comandos milita-
urnas. res regionais aderiram aos rebeldes. João Goulart foi derrubado no dia 1º
Situação internacional. As décadas de 1950 e 1960 marcaram o auge de abril; no dia 2, os Estados Unidos reconheceram o novo governo
da guerra fria entre os blocos soviético e americano. A América Latina, brasileiro.
região de predomínio exclusivo dos Estados Unidos desde a elaboração Poder militar. Os militares, que detiveram o poder político até 1985,
da doutrina Monroe no século XIX, não podia ficar neutra. A vitória da puseram em prática as teses doutrinárias e o modelo econômico de de-
revolução cubana, a definição de Fidel Castro pelo socialismo e a crise senvolvimento industrial e de modernização da infra-estrutura de serviços
dos mísseis soviéticos em Cuba intensificaram os esforços anticomunis- elaborados basicamente pela ESG e pelo IPES.
tas na região. O assassinato de John Kennedy em 1963 reforçou os No campo político, o regime caracterizou-se pelo autoritarismo. Houve
conservadores em política externa e ampliou sua atuação no quadro cassação dos mandatos e de direitos políticos, censura aos meios de
interno brasileiro. No começo de março de 1964, a imprensa americana comunicação e repressão policial e militar. Opositores e grupos profissio-
divulgou a base da nova política para a América Latina: os Estados Unidos nais, como os jornalistas, foram perseguidos. Métodos de intimidação,
"não mais procurariam punir as juntas militares por derrubarem regimes como a tortura e o sequestro de suspeitos, foram adotados. Nesse setor,
democráticos". No último dia do mesmo mês o movimento militar foi defla- desempenhou papel essencial o Serviço Nacional de Informação (SNI),
grado no Brasil. criado pelo general Golbery a partir dos dados do arquivo do IPES. Uma
Preparação do movimento. As forças políticas nacionais das mais va- nova constituição foi outorgada e diversas vezes emendada, e o governo
riadas tendências estavam profundamente divididas entre si. Os progres- recorreu ainda a atos jurídicos de exceção. O Congresso, muitas vezes
sistas divergiam em relação às reformas de base: reforma agrária, sindica- fechado, perdeu autonomia e transformou-se em órgão avalizador das
lização rural, limitação de remessa de lucros ao exterior, distribuição de decisões do executivo.
renda e nacionalização de empresas. A esquerda radical considerou-as Na economia, os governos militares adotaram o planejamento centra-
insuficientes e os moderados temeram sua amplitude. Para os conserva- lizado, que transformou o estado em tutor da atividade produtiva e incre-
dores, o programa era ameaça grave aos interesses do capital nacional e mentou a formação de uma tecnoburocracia com amplos poderes de
internacional. Ao contrário da esquerda, a direita percebeu a necessidade intervenção. Usaram o endividamento externo para seu programa de
de união de seus diversos segmentos para combatê-lo e impedir sua diversificação de produção de bens e serviços, modernização dos produ-
implantação. tos industriais, ampliação da infra-estrutura de transportes e comunica-
A conspiração contra o governo contou com a participação coordena- ções, proteção a setores industriais emergentes e incentivo às exporta-
da de setores militares e civis. Entre os militares, destacou-se o chamado ções. Mecanismos institucionais de correção monetária transformaram a
"grupo da Sorbonne", como era conhecida a Escola Superior de Guerra inflação crescente em fonte de financiamento do estado. Acelerou-se o
(ESG). Com a atuação decisiva do general Golbery do Couto e Silva, o processo de estatização da economia e o estado tornou-se parceiro da
grupo elaborou a doutrina da "segurança nacional e desenvolvimento", iniciativa privada em numerosos empreendimentos. Com a crise da eco-
que mais tarde forneceria os fundamentos teóricos para os instrumentos nomia mundial da década de 1970, adotou-se uma política recessiva que
jurídicos do regime militar. agravou a concentração de renda e aumentou a miséria dos setores
desvalidos da população.
As figuras públicas, entidades e organizações civis envolvidas no mo-
vimento foram numerosas. Destacaram-se os setores conservadores da Além das sequelas econômicas do regime, o enxovalhamento da lei e
Igreja Católica; a Ação Democrática Parlamentar (ADP), de parlamentares a corrupção de parlamentares contribuiu, no plano ideológico, para o
de diversos partidos, como o Partido Social Democrático (PSD) e a União descrédito da população na justiça e nas instituições. A repressão ao
Democrática Nacional (UDN); líderes políticos como os governadores movimento estudantil, o afastamento compulsório de professores dissiden-
Carlos Lacerda, do extinto estado da Guanabara, José de Magalhães tes e a concessão indiscriminada de credenciais e universidades despre-

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paradas teve consequências funestas para a educação e para a formação não tem prazo de vigência e dura até 1979. O AI-5 restabelece o poder
de profissionais. presidencial de cassar mandatos, suspender direitos políticos, demitir e
aposentar juízes e funcionários, acaba com a garantia do habeas-corpus,
Ruptura Institucional de 1964 amplia e endurece a repressão policial e militar. Outros 12 atos institucio-
nais complementares são decretados e passam a constituir o núcleo da
Regime instaurado pelo golpe de Estado de 31 de março de 1964. Es- legislação do regime.
tende-se até o final do processo de abertura política, em 1985. É marcado
por autoritarismo, supressão dos direitos constitucionais, perseguição GOVERNO DA JUNTA MILITAR (31/8/1969-30/10/1969) – Grave-
policial e militar, prisão e tortura dos opositores e pela censura prévia aos mente doente, o presidente é substituído por uma Junta Militar formada
meios de comunicação. pelos ministros Aurélio de Lira Tavares (Exército), Augusto Rademaker
(Marinha) e Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica). O vice-presidente, o
O golpe – A crise político-institucional da qual nasce o regime militar civil Pedro Aleixo, é impedido de tomar posse. A Aliança de Libertação
começa com a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961. Agrava- Nacional (ALN) e o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8),
se durante a administração João Goulart (1961-1964), com a radicalização grupos de esquerda, sequestram no Rio o embaixador norte-americano
populista do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e de várias organizações Charles Elbrick. Ele é trocado por 15 presos políticos mandados para o
de esquerda e com a reação da direita conservadora. Goulart tenta mobili- México. Os militares respondem com a decretação da Lei de Segurança
zar as massas trabalhadoras em torno das reformas de base, que alterari- Nacional (18 de setembro) e com a Emenda Constitucional No 1 (17 de
am as relações econômicas e sociais no país. Isso leva o empresariado, outubro), que na prática é uma nova Constituição, com a figura do bani-
parte da Igreja Católica, a oficialidade militar e os partidos de oposição, mento do território nacional e a pena de morte nos casos de "guerra
liderados pela União Democrática Nacional (UDN) e pelo Partido Social psicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva". Ainda no final de
Democrático (PSD), a denunciar a preparação de um golpe comunista, 1969, o líder da ALN, Carlos Mariguella, é morto em São Paulo pelas
com a participação do presidente. Além disso, responsabilizam-no pela forças da repressão.
carestia e pelo desabastecimento. No dia 13 de março de 1964, o governo
promove grande comício em frente da estação ferroviária Central do GOVERNO MEDICI (1969-1974) – O general Emílio Garrastazu Me-
Brasil, no Rio de Janeiro, em favor das reformas de base. Os conservado- dici, escolhido pela Junta Militar para ser o novo presidente, comanda o
res reagem com uma manifestação em São Paulo, a Marcha da Família mais duro governo da ditadura, no período conhecido como os anos de
com Deus pela Liberdade, em 19 de março. A tensão cresce. No dia 31 de chumbo. A luta armada intensifica-se e a repressão policial-militar cresce
março, tropas saídas de Minas Gerais e São Paulo avançam sobre o Rio, ainda mais. Ela é acompanhada de severa censura a imprensa, espetácu-
onde o governo federal conta com o apoio de setores importantes da los, livros, músicas etc., atingindo políticos, artistas, editores, professores,
oficialidade e das Forças Armadas. Para evitar a guerra civil, Goulart estudantes, advogados, sindicalistas, intelectuais e religiosos. Espalham-
abandona o país e refugia-se no Uruguai. se pelo país os centros de tortura do regime, ligados ao Destacamento de
Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna
No dia 1º de abril, o Congresso Nacional declara a vacância da Presi- (DOI-Codi). A guerrilha urbana cede terreno rapidamente nas capitais,
dência. Os comandantes militares assumem o poder. Em 9 de abril é tenta afirmar-se no interior do país, como no Araguaia, mas acaba enfra-
decretado o Ato Institucional Nº 1 (AI-1), que cassa mandatos e suspende quecida e derrotada.
a imunidade parlamentar, a vitaliciedade dos magistrados, a estabilidade
dos funcionários públicos e outros direitos constitucionais. O endurecimento político é respaldado pelo milagre econômico, que
vai de 1969 a 1973. O produto interno bruto (PIB) cresce a quase 12% ao
GOVERNO CASTELLO BRANCO (1964-1967) – O general Castello ano, e a inflação média anual não ultrapassa 18%. O Estado arrecada
Branco é eleito pelo Congresso Nacional presidente da República em 15 mais, faz grandes empréstimos e atrai investimentos externos para proje-
de abril de 1964. Declara-se comprometido com a defesa da democracia, tos de grande porte no setor industrial, agropecuário, mineral e de infra-
mas logo adota posição autoritária. Decreta três atos institucionais, dissol- estrutura. Alguns desses projetos, por seu custo e impacto, são chamados
ve os partidos políticos e estabelece eleições indiretas para presidente e de faraônicos, como a construção da rodovia Transamazônica e da Ponte
governadores. Cassa mandatos de parlamentares federais e estaduais, Rio-Niterói.
suspende os direitos políticos de centenas de cidadãos, intervém em
quase 70% de sindicatos e federações de trabalhadores e demite funcio- GOVERNO GEISEL (1974-1979) – O general Ernesto Geisel enfrenta
nários. Institui o bipartidarismo com a Aliança Renovadora Nacional (Are- dificuldades que marcam o fim do milagre econômico e ameaçam a estabi-
na), de situação, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposi- lidadeo Regime Militar. A crise internacional do petróleo contribui para
ção. Cria o Serviço Nacional de Informações (SNI), que funciona como uma recessão mundial e o aumento das taxas de juro, além de reduzir
polícia política. Em janeiro de 1967, o governo impõe ao Congresso a muito o crédito, põe a dívida externa brasileira em um patamar crítico. O
aprovação da nova Constituição que incorpora a legislação excepcional e presidente anuncia então a abertura política lenta, gradual e segura e nos
institucionaliza a ditadura. bastidores procura afastar os militares da linha dura, encastelados nos
órgãos de repressão e nos comandos militares. A oposição se fortalece e
GOVERNO COSTA E SILVA (1967-1969) – Ministro do Exército de nas eleições de novembro de 1974, o MDB conquista 59% dos votos para
Castello Branco, o general Arthur da Costa e Silva assume a Presidência o Senado, 48% para a Câmara dos Deputados e ganha em 79 das 90
em 1967, também eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. Em seu cidades com mais de 100 mil habitantes. A censura à imprensa é suspen-
governo cresce a oposição à ditadura. Em meados de 1968, a União sa em 1975. A linha dura resiste à liberalização e desencadeia uma onda
Nacional dos Estudantes (UNE) promove no Rio de Janeiro a Passeata repressiva contra militantes e simpatizantes do clandestino Partido Comu-
dos Cem Mil. Ao mesmo tempo ocorrem greves operárias em Contagem nista Brasileiro (PCB). Em outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog é
(MG) e Osasco (SP). Grupos radicais de esquerda começam a organizar- assassinado em uma cela do DOI-Codi do 2º Exército, em São Paulo. Em
se para a guerrilha urbana e promovem os primeiros assaltos a bancos janeiro de 1976, o operário Manuel Fiel Filho é morto em circunstâncias
para obter fundos. semelhantes.
O governo é pressionado pelos militares da linha dura, que defendem O MDB vence novamente as eleições no final de 1976. Em abril de
a retomada das ações repressivas no plano político, institucional e policial. 1977, o governo coloca o Congresso em recesso e baixa o "pacote de
Em 17 de abril de 1968, 68 municípios (incluindo todas as capitais) são abril". As regras eleitorais são modificadas de modo a garantir maioria
transformados em zonas de segurança nacional, e seus prefeitos passam parlamentar à Arena, o mandato presidencial passa de cinco para seis
a ser nomeados pelo presidente. O deputado Márcio Moreira Alves anos e é criada a figura do senador biônico, eleito indiretamente pelas
(MDB/Guanabara), em discurso na Câmara, convoca a população a Assembleias Legislativas estaduais. Em 1978, Geisel envia ao Congresso
boicotar a parada militar de 7 de setembro, e o governo pede licença ao emenda constitucional que acaba com o AI-5 e restaura o habeas-corpus.
Congresso para processá-lo. O Parlamento nega a licença em 12 de Com isso abre caminho para a normalização do país. No final do ano, o
dezembro. Na noite de 13 de dezembro, Costa e Silva fecha o Congresso MDB volta a ganhar as eleições.
e decreta o Ato Institucional Nº 5 (AI-5). Ao contrário dos anteriores, esse
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Outro fator de irritação foi a decisão de realizar, com base na nova lei
GOVERNO FIGUEIREDO (1979-1985) – O crescimento da oposição eleitoral, eleição direta para governador em dez estados, dentre os quais a
nas eleições de 1978 acelera a abertura política. O general João Baptista Guanabara, onde venceu Francisco Negrão de Lima, e Minas Gerais, que
Figueiredo concede a anistia aos acusados ou condenados por crimes elegeu Israel Pinheiro, ambos candidatos de oposição. O presidente
políticos. O processo, porém, é perturbado pela linha dura. Figuras ligadas Castelo Branco empreendeu também, por meio do seu ministro do Plane-
à Igreja Católica são sequestradas e cartas-bomba explodem nas sedes jamento, Roberto Campos, a renovação do sistema tributário. Algumas
de instituições democráticas, como a Ordem dos Advogados do Brasil conquistas dos trabalhadores oriundas do período Vargas, como a estabi-
(OAB). O episódio mais grave é um malsucedido atentado terrorista pro- lidade do trabalhador, foram alteradas, por serem consideradas paternalis-
movido por militares no centro de convenções do Riocentro, no Rio, em 30 tas e antieconômicas.
de abril de 1981.
Governo Costa e Silva. O general Artur da Costa e Silva assumiu o
Em dezembro de 1979, o governo modifica a legislação partidária e governo em 15 de março de 1967, mas teve de deixá-lo em 31 de agosto
eleitoral e restabelece o pluripartidarismo. A Arena transforma-se no de 1969, acometido de grave doença. Em seu curto governo, Costa e
Partido Democrático Social (PDS), e o MDB acrescenta a palavra partido à Silva tratou de consolidar a ordem constitucional, dando cumprimento à
sigla, tornando-se o PMDB. Outras agremiações são criadas, como o carta de 1967, outorgada no momento de sua posse. Seu ministro da
Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista Fazenda, Antônio Delfim Neto, executou uma política de dinamização da
(PDT), de esquerda, e o Partido Popular (PP), de centro-direita. economia, com concessão de créditos e melhoria geral dos níveis salari-
ais. Em seu governo foi adotado também o plano nacional de comunica-
Redemocratização – A crise econômica se aprofunda e mergulha o ções, base da modernização do sistema brasileiro de comunicações. No
Brasil na inflação e na recessão. Crescem os partidos de oposição, forta- campo dos transportes, intensificou-se a opção pelas rodovias, embora
lecem-se os sindicatos e as entidades de classe. Em 1984, o país mobili- tenham-se iniciado alguns estudos com vistas ao aproveitamento das vias
za-se na campanha pelas Diretas Já, que pede eleição direta para a fluviais. Foram também iniciados os estudos para a construção da ponte
Presidência da República. Mas a emenda é derrotada na Câmara dos Rio-Niterói.
Deputados em 25 de abril. Com Costa e Silva, o Exército passou a controlar mais diretamente o
aparelho de estado, que sofrera no governo anterior um processo de
Em 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolhe o candidato modernização burocrática e centralização administrativa. Ante as pressões
Tancredo Neves como novo presidente da República. Ele integra a Alian- oposicionistas, o início da resistência armada, a reativação do movimento
ça Democrática – a frente de oposição formada pelo PMDB e pela Frente estudantil e o surgimento de greves (numa mobilização das forças popula-
Liberal, dissidência do PDS. A eleição marca o fim da ditadura militar, mas res que durou todo o ano de 1968), agiu novamente a oposição interna ao
o processo de redemocratização só se completa em 1988, no governo regime, o que resultou na crise militar de dezembro daquele ano, quando
José Sarney, com a promulgação da nova Constituição. o Congresso recusou o pedido de licença, feito pelo governo, para proces-
Regime militar (1964-1985) sar o deputado Márcio Moreira Alves (MDB-RJ), que, em discurso, conci-
tara o país a não participar das comemorações pela independência, o que
Num período de 21 anos, desde a deposição de Goulart, em 1964, até foi interpretado como um ataque às forças armadas.
1985, sucederam-se no poder cinco governos militares, todos empossa-
dos sem eleição popular. Para dar um mínimo de aparência de legalidade, Seguiu-se a promulgação, em 13 de dezembro de 1968, do ato insti-
os "candidatos" submetiam-se à aprovação do Congresso, num jogo de tucional nº 5, que pôs em recesso o Congresso e todas as assembleias
resultados prévia e seguramente conhecidos. No entanto, ao tratar de legislativas estaduais e renovou por período indefinido os poderes de
evitar a ruptura completa com os fundamentos constitucionais da demo- exceção do presidente (autorização para governar por decreto e, de novo,
cracia representativa, os militares mantiveram a periodicidade dos manda- para cassar mandatos e suspender direitos políticos). Com o Congresso
tos e a exigência de um mínimo de legitimidade, por meio das eleições em recesso, Costa e Silva encomendou ao vice-presidente Pedro Aleixo a
indiretas para a presidência e vice-presidência da república e, posterior- elaboração de uma emenda que permitisse reabrir o Congresso e voltar à
mente, para os governos estaduais e principais prefeituras. Mantiveram as normalidade.
casas legislativas e os calendários eleitorais, embora sujeitos a manipula- Entretanto, antes que pudesse assiná-la, o presidente foi vítima de
ções e restrições, e o alistamento eleitoral, que entre 1960 e meados da uma trombose cerebral e teve de ser afastado do governo. Imediatamente
década de 1990 registrou um aumento superior a 500%. os ministros militares comunicaram a Pedro Aleixo que não lhe entregari-
Governo Castelo Branco. O primeiro presidente do governo militar foi am o governo. Foi então constituída uma junta militar, formada pelos
o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, que governou até 1967, ministros do Exército, general Aurélio de Lira Tavares, da Marinha, Augus-
num regime de absoluta austeridade. O sistema partidário foi reorganizado to Hamann Rademaker Grunewald, e da Aeronáutica, Márcio de Sousa e
em dois partidos: a Aliança Renovadora Nacional (Arena), governista, e o Melo. A junta, em seu curto mandato, outorgou a emenda constitucional nº
Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposição. Nada mais artifici- 1, na verdade um outro texto, que acentuou ainda mais o caráter ditatorial
al que esse esquema político, na verdade necessário apenas para coo- do regime: foi eliminada a soberania do júri e decretada a pena de morte
nestar o regime militar. O governo exercia-se na prática por meio dos atos em tempos de paz, nos casos de "guerra psicológica adversa, revolucio-
institucionais, que foram sendo editados de acordo com as necessidades nária ou subversiva". Pela emenda constitucional, o ato institucional nº 5
do momento: o nº 1 suspendeu parcialmente a constituição de 1946 e foi incorporado à constituição. Em 30 de outubro de 1969, a junta militar
facultou a cassação de mandatos parlamentares e a suspensão de direitos passou o poder ao general Emílio Garrastazu Médici, então comandante
políticos; o nº 2 renovou esses poderes e extinguiu os partidos políticos do do Terceiro Exército, e que fora selecionado pelo alto comando do Exérci-
passado; o nº 3, de 5 de fevereiro de 1966, determinou a eleição indireta to e referendado pelo Congresso, especialmente reunido para esse fim.
do presidente e vice-presidente da república. Em janeiro de 1967 o Con- Governo Médici
gresso aprovou uma constituição previamente preparada pelo executivo e
não submetida a discussão. O governo do general Emílio Garrastazu Médici notabilizou-se por
obras de grande porte, como as rodovias Transamazônica, Perimetral
Apesar do apoio militar maciço e de muitas das lideranças civis, Cas- Norte e Santarém-Cuiabá, assim como a ponte Rio-Niterói, e concluiu um
telo Branco indispôs-se com três governadores que haviam conspirado a acordo para a construção da hidrelétrica de Itaipu e os pólos petroquími-
favor do golpe militar, na esperança de chegar à presidência, e que se cos da Bahia e São Paulo. Foram os tempos do chamado "milagre brasi-
viram frustrados com a prorrogação do seu mandato, de 31 de janeiro de leiro", comandado pelo ministro da Fazenda, Antônio Delfim Neto, quando
1966 para 15 de março de 1967. Foram eles o governador do estado da o país alcançou taxas de crescimento superiores a dez por cento, e taxas
Guanabara, Carlos Lacerda, que teve os direitos políticos cassados, o inflacionárias de pouco mais de 14% ao ano. Somente com o passar dos
governador de Minas Gerais, José de Magalhães Pinto, e o governador de anos se revelariam os custos do milagre: a inflação reprimida voltou a
São Paulo, Ademar de Barros, que além dos direitos políticos suspensos, passos largos e os empréstimos externos, que haviam financiado o cres-
teve o mandato cassado. cimento, implicaram taxas de juros elevadíssimas e a quase inadimplência
do país.

Ciências Humanas e suas Tecnologias 30 A Opção Certa Para a Sua Realização


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No campo político, o governo Médici caracterizou-se por um combate se a uma cirurgia cardíaca nos Estados Unidos, e foi substituído tempora-
cerrado aos movimentos de resistência armada ao regime, que criaram riamente pelo vice-presidente Aureliano Chaves, primeiro civil a ocupar a
focos de guerrilha e promoveram assaltos a bancos e sequestros de presidência da república desde 1964.
embaixadores. Entre 1969 e 1971 foram sequestrados e trocados por
presos políticos os embaixadores dos Estados Unidos, Alemanha e Suíça. No pleito de novembro de 1982 Franco Montoro, Leonel Brizola e
A resposta do governo foi uma escalada da repressão, com uso da tortura Tancredo Neves, todos de oposição, foram eleitos governadores, respecti-
como método usual de interrogatório. Em maio de 1972, o sistema de vamente, de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O governo Figuei-
arbítrio foi reforçado com o estabelecimento de eleições indiretas para redo assimilou a derrota e garantiu a posse dos eleitos. Todavia, sofreu
governadores e vice-governadores dos estados. grande desgaste com a denúncia de escândalos financeiros, como os
casos Capemi, Coroa-Brastel e Delfin, que representaram grandes prejuí-
Governo Geisel. Com o general Ernesto Geisel, que governou de zos aos cofres públicos, devido aos financiamentos sem garantias e a
1974 a 1979, foram tomadas as primeiras medidas de suavização do omissões de fiscalização. Além disso, o temperamento explosivo do
regime, entre elas a revogação do ato institucional nº 5. Pela primeira vez, presidente criou vários incidentes, que se somaram para desgastar sua
no período militar, a oposição se fez ouvir, ao lançar como "anticandidato" imagem, embora ele conduzisse com energia e coerência o processo de
o presidente do MDB, deputado Ulisses Guimarães. Empossado em plena abertura.
crise mundial do petróleo, Geisel, que fora superintendente da refinaria
Presidente Bernardes, membro do Conselho Nacional de Petróleo e Ao encerrar-se o governo Figueiredo, e com ele o período de 21 anos
presidente da Petrobrás, iniciou imediatamente a exploração da platafor- de regime militar, o país encontrava-se em situação econômica e financei-
ma submarina, que a médio e longo prazo mostrou excelentes resultados. ra das mais graves. A dívida externa alcançara tetos astronômicos, por
Instituiu também os "contratos de risco", que permitiram a associação com força dos juros exorbitantes. Emissões sucessivas destinadas a cobrir os
empresas estrangeiras, dotadas de capital e know-how, para explorar déficits do Tesouro aumentaram assustadoramente a dívida interna. Em
petróleo. março de 1985, a taxa de inflação chegou a 234% anuais. No entanto, há
pontos a creditar aos governos militares, como a redinamização da eco-
O aumento da receita em divisas, com as exportações de café e soja nomia, que alcançou altos níveis de crescimento, a modernização do país,
e o sucesso dos manufaturados brasileiros no exterior, aliviaram os pro- principalmente na área dos transportes e comunicações, o incremento das
blemas econômicos do país no governo Geisel. Contudo, já não era mais exportações, e a política energética, sobretudo a criação do Proálcool e o
possível sustentar a mística de crescimento acelerado. Na frente política, aumento dos investimentos na prospecção petrolífera, como resposta à
o sucesso do MDB nas eleições de 1974, que elegeu 16 senadores e 160 crise mundial de petróleo de 1973. Os resultados negativos foram a ex-
deputados federais, de um total de 364, e obteve maioria nas assembleias cessiva concentração de renda, o aumento vertiginoso da dívida externa,
legislativas de cinco estados, entre eles São Paulo e Rio de Janeiro, levou o decréscimo substancial do nível do salário real, o excessivo estatismo, a
o governo a um certo retrocesso na prometida abertura política. Foi institu- censura absoluta aos meios de comunicação e a falta de representativida-
ído o mandato presidencial de seis anos e a nomeação de um terço do de do governo. A tecnoburocracia, encastelada em Brasília, dirigiu a
Senado -- os chamados senadores "biônicos" -- pelo mesmo colégio economia do país sem nenhuma consulta aos setores envolvidos, muitas
eleitoral encarregado de escolher os governadores. Mas foram revogadas vezes com resultados desastrosos.
as penas de morte e banimento, eliminada a censura prévia à imprensa e
extinta a todo-poderosa Comissão Geral de Investigações (CGI), que No campo da política externa, o Brasil havia adotado, a partir do go-
podia confiscar bens após processo sumário. O principal formulador das verno Geisel, uma atitude mais crítica em relação às potências ocidentais.
políticas do governo Geisel foi o general Golbery do Couto e Silva, chefe A política do "pragmatismo responsável", posta em vigor pelo chanceler
do gabinete civil. Com essa abertura, denominada pelo próprio Geisel de Antônio Francisco Azeredo da Silveira, significou na prática uma revisão
"lenta, segura e gradual", foi possível encaminhar a sucessão. do alinhamento automático e uma aproximação com os países do Terceiro
Mundo. Em 1975 foram estabelecidas relações diplomáticas com a China,
Governo Figueiredo. O último presidente militar foi o general João Ba- rompidas em 1964, e o Brasil votou na ONU a favor de uma resolução que
tista Figueiredo, eleito tranquilamente contra a chapa que, apresentada condenava o sionismo como forma de racismo e discriminação racial,
pelo MDB, tinha como candidato o general Euler Bentes. Na posse, o novo contra o voto das potências ocidentais.
presidente jurou "fazer deste país uma democracia", e realmente continu-
ou o processo de abertura política e redemocratização. Seu primeiro ato No governo Figueiredo, a política externa foi entregue ao chanceler
foi a anistia política, que permitiu a volta ao país de alguns exilados de Ramiro Saraiva Guerreiro, que continuou a defender o princípio da não-
peso, como Leonel Brizola, Luís Carlos Prestes e Miguel Arraes. Veio intervenção e da autodeterminação dos povos. Durante a guerra das
depois a reforma partidária, que encerrou o bipartidarismo vigente. A Malvinas, em 1982, o Brasil, que voltara a harmonizar suas relações com
Arena transformou-se em Partido Democrático Social (PDS) e o MDB, a Argentina, abaladas desde o projeto da hidrelétrica de Itaipu, manteve o
obrigado a mudar de sigla, optou por Partido do Movimento Democrático apoio às pretensões argentinas de soberania sobre as ilhas. O restabele-
Brasileiro (PMDB). A sigla do PTB, Partido Trabalhista Brasileiro, foi dada cimento da liberdade de imprensa e dos direitos políticos, a anistia e
à deputada Ivete Vargas, sob protesto de Brizola, que fundou então o outras medidas de abertura política melhoraram sensivelmente a imagem
Partido Democrático Trabalhista (PDT). Tancredo Neves e Magalhães externa do país.
Pinto criaram o Partido Popular (PP). E Luís Inácio Lula da Silva, líder Normalização institucional
sindical dos metalúrgicos do ABC paulista, fundou o Partido dos Trabalha-
dores (PT). O principal interlocutor e arquiteto da abertura no governo Governo Sarney. No final de 1983 iniciou-se o movimento pelas elei-
Figueiredo foi seu ministro da Justiça, Petrônio Portela. ções diretas para presidente da república, conhecido como campanha das
"diretas já". No decorrer de 1984 a campanha mobilizou milhões de pes-
Figueiredo teve de suportar o inconformismo dos extremos: a extre- soas, em gigantescos comícios e passeatas em todo o Brasil. Mesmo
ma-direita provocou vários atentados terroristas, o mais grave dos quais assim, a emenda constitucional nesse sentido, apresentada pelo deputado
ocorreu em 1981, no Riocentro, centro de exposições no Rio de Janeiro, Dante de Oliveira, do PMDB de Mato Grosso, não foi aprovada por falta de
onde se realizava um show comemorativo do dia do Trabalho. No atenta- quórum. No dia da votação, o governo decretou o estado de emergência
do morreu um sargento e saiu ferido um capitão, que, segundo a versão no Distrito Federal e em dez municípios de Goiás, inclusive Goiânia, e
oficial, estavam em missão de informações. O inquérito instaurado, como impediu a pressão dos manifestantes. Em junho de 1984, o senador José
era previsto, nada apurou, e o general Golbery pediu demissão em sinal Sarney renunciou à presidência do PDS e formou a Frente Liberal, que
de protesto. apoiou a candidatura de Tancredo Neves à presidência. Em agosto, a
A esquerda procurou pressionar o projeto de anistia, a fim de que os Frente Liberal e o PMDB uniram-se e Sarney foi escolhido como candidato
militares acusados de tortura e morte continuassem passíveis de processo a vice-presidente. Avolumaram-se as adesões à Frente, que depois trans-
e punição. Estabeleceu-se, entretanto, um consenso político, aceito pela formou-se em Partido da Frente Liberal (PFL). No final do ano, o Colégio
opinião pública, segundo o qual a anistia deveria abranger a todos indistin- Eleitoral -- composto pelos membros do Congresso Nacional e por repre-
tamente, de vez que os excessos haviam sido cometidos em ambas as sentantes das assembleias legislativas estaduais -- elegeu a chapa Tan-
frentes. De setembro a novembro de 1981, Figueiredo teve de submeter- credo Neves-José Sarney, contra Paulo Maluf.

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O presidente eleito empreendeu uma viagem a vários países e ao vol- assim, a emenda constitucional nesse sentido, apresentada pelo deputado
tar dedicou-se à organização do seu governo. Entretanto, na véspera da Dante de Oliveira, do PMDB de Mato Grosso, não foi aprovada por falta de
data marcada para sua posse, Tancredo foi internado num hospital de quórum. No dia da votação, o governo decretou o estado de emergência
Brasília, para uma cirurgia. Em seu lugar, tomou posse, interinamente, o no Distrito Federal e em dez municípios de Goiás, inclusive Goiânia, e
vice José Sarney. Depois de prolongada agonia, Tancredo veio a falecer impediu a pressão dos manifestantes. Em junho de 1984, o senador José
em São Paulo, em 21 de abril de 1985, e um sentimento geral de frustra- Sarney renunciou à presidência do PDS e formou a Frente Liberal, que
ção tomou conta do país. Todas as expectativas concentraram-se então apoiou a candidatura de Tancredo Neves à presidência. Em agosto, a
em implementar o plano de governo por ele anunciado. Em linhas gerais, Frente Liberal e o PMDB uniram-se e Sarney foi escolhido como candidato
o seu plano condenava qualquer atitude revanchista, pregava a união a vice-presidente. Avolumaram-se as adesões à Frente, que depois trans-
nacional, a normalização institucional em moldes democráticos e a reto- formou-se em Partido da Frente Liberal (PFL). No final do ano, o Colégio
mada do desenvolvimento. Eleitoral -- composto pelos membros do Congresso Nacional e por repre-
sentantes das assembleias legislativas estaduais -- elegeu a chapa Tan-
Sarney sabiamente escolheu uma posição de modéstia, que atraiu a credo Neves-José Sarney, contra Paulo Maluf.
simpatia popular. Manteve os ministros escolhidos por Tancredo e encam-
pou suas ideias básicas de formar um pacto nacional para a redemocrati- O presidente eleito empreendeu uma viagem a vários países e ao vol-
zação do país, no período de governo civil que se iniciava, e que ficou tar dedicou-se à organização do seu governo. Entretanto, na véspera da
conhecido como Nova República. Em julho de 1985 o Congresso aprovou data marcada para sua posse, Tancredo foi internado num hospital de
proposta do presidente no sentido de convocar uma Assembleia Nacional Brasília, para uma cirurgia. Em seu lugar, tomou posse, interinamente, o
Constituinte, a ser formada pelos parlamentares que seriam eleitos em vice José Sarney. Depois de prolongada agonia, Tancredo veio a falecer
novembro de 1986. O sistema partidário ampliou-se e passou a abrigar em São Paulo, em 21 de abril de 1985, e um sentimento geral de frustra-
várias legendas novas, até mesmo de partidos de esquerda, antes na ção tomou conta do país. Todas as expectativas concentraram-se então
clandestinidade. Em novembro de 1985 foram realizadas eleições para as em implementar o plano de governo por ele anunciado. Em linhas gerais,
capitais dos estados e para os municípios considerados áreas de segu- o seu plano condenava qualquer atitude revanchista, pregava a união
rança nacional. Embora vencedor em 16 das 23 capitais, entre elas Belo nacional, a normalização institucional em moldes democráticos e a reto-
Horizonte, o PMDB perdeu em centros importantes como São Paulo, Rio mada do desenvolvimento.
de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Fortaleza.
Sarney sabiamente escolheu uma posição de modéstia, que atraiu a
O governo, assediado pelas crescentes taxas de inflação, substituiu o simpatia popular. Manteve os ministros escolhidos por Tancredo e encam-
ministro da Fazenda, Francisco Dornelles, pelo empresário Dílson Funaro. pou suas ideias básicas de formar um pacto nacional para a redemocrati-
Em fevereiro de 1986 foi lançado o Programa de Estabilização Econômica, zação do país, no período de governo civil que se iniciava, e que ficou
que ficou conhecido como "Plano Cruzado", em alusão à nova moeda conhecido como Nova República. Em julho de 1985 o Congresso aprovou
criada, o cruzado. Os preços foram congelados e os salários fixados pela proposta do presidente no sentido de convocar uma Assembleia Nacional
média dos últimos seis meses. Foi extinta a correção monetária e criado o Constituinte, a ser formada pelos parlamentares que seriam eleitos em
seguro-desemprego. O governo recebeu amplo apoio popular, sobretudo novembro de 1986. O sistema partidário ampliou-se e passou a abrigar
na fiscalização dos preços. No entanto, a especulação, a cobrança de ágio várias legendas novas, até mesmo de partidos de esquerda, antes na
e as remarcações de preços acabaram por desgastar o plano, reformulado clandestinidade. Em novembro de 1985 foram realizadas eleições para as
várias vezes. capitais dos estados e para os municípios considerados áreas de segu-
rança nacional. Embora vencedor em 16 das 23 capitais, entre elas Belo
Empossada a Assembleia Nacional Constituinte, Sarney mobilizou-se Horizonte, o PMDB perdeu em centros importantes como São Paulo, Rio
para assegurar o sistema presidencialista e garantir o mandato de cinco de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Fortaleza.
anos, que os constituintes queriam reduzir para quatro. As manobras de
bastidores, noticiadas pela imprensa, com trocas de favores por votos, O governo, assediado pelas crescentes taxas de inflação, substituiu o
desgastaram a imagem presidencial, agravada pelo aumento da inflação, ministro da Fazenda, Francisco Dornelles, pelo empresário Dílson Funaro.
que voltou aos patamares do início do governo. Em 5 de outubro de 1988 Em fevereiro de 1986 foi lançado o Programa de Estabilização Econômica,
foi promulgada a nova constituição, que trouxe um notável avanço no que ficou conhecido como "Plano Cruzado", em alusão à nova moeda
campo dos direitos sociais e trabalhistas: qualificou como crimes inafian- criada, o cruzado. Os preços foram congelados e os salários fixados pela
çáveis a tortura e as ações armadas contra o estado democrático e a média dos últimos seis meses. Foi extinta a correção monetária e criado o
ordem constitucional; determinou a eleição direta do presidente, governa- seguro-desemprego. O governo recebeu amplo apoio popular, sobretudo
dores e prefeitos dos municípios com mais de 200.000 habitantes em dois na fiscalização dos preços. No entanto, a especulação, a cobrança de ágio
turnos, no caso de nenhum candidato obter maioria absoluta no primeiro; e as remarcações de preços acabaram por desgastar o plano, reformulado
e ampliou os poderes do Congresso. várias vezes.
No final de 1989, o governo Sarney atingiu um desgaste impressio- Empossada a Assembleia Nacional Constituinte, Sarney mobilizou-se
nante. A inflação chegou a cinquenta por cento ao mês e foi trazida de para assegurar o sistema presidencialista e garantir o mandato de cinco
volta a correção monetária. Nesse clima de insatisfação e de temor de um anos, que os constituintes queriam reduzir para quatro. As manobras de
processo hiperinflacionário, foi realizada a primeira eleição presidencial bastidores, noticiadas pela imprensa, com trocas de favores por votos,
direta em 29 anos. Apresentaram-se 21 candidatos, entre eles Aureliano desgastaram a imagem presidencial, agravada pelo aumento da inflação,
Chaves, Leonel Brizola, Paulo Maluf e Ulisses Guimarães. Mas o segundo que voltou aos patamares do início do governo. Em 5 de outubro de 1988
turno foi decidido entre os pólos extremos: Luís Inácio Lula da Silva, do foi promulgada a nova constituição, que trouxe um notável avanço no
PT, e o jovem ex-governador de Alagoas, Fernando Collor de Melo, do campo dos direitos sociais e trabalhistas: qualificou como crimes inafian-
Partido de Reconstrução Nacional (PRN). Collor elegeu-se com uma çáveis a tortura e as ações armadas contra o estado democrático e a
diferença superior a quatro milhões de votos. ordem constitucional; determinou a eleição direta do presidente, governa-
dores e prefeitos dos municípios com mais de 200.000 habitantes em dois
Brasil contemporâneo: turnos, no caso de nenhum candidato obter maioria absoluta no primeiro;
Da eleição indireta de Tancredo Neves/José Sarney ao final do e ampliou os poderes do Congresso.
segundo mando de FHC
Constituinte e Carta de 1988 No final de 1989, o governo Sarney atingiu um desgaste impressio-
Planos de estabilização econômica nante. A inflação chegou a cinquenta por cento ao mês e foi trazida de
Crise do governo Collor volta a correção monetária. Nesse clima de insatisfação e de temor de um
Governo Itamar Franco e o Plano Real processo hiperinflacionário, foi realizada a primeira eleição presidencial
direta em 29 anos. Apresentaram-se 21 candidatos, entre eles Aureliano
Governo Sarney. No final de 1983 iniciou-se o movimento pelas elei- Chaves, Leonel Brizola, Paulo Maluf e Ulisses Guimarães. Mas o segundo
ções diretas para presidente da república, conhecido como campanha das turno foi decidido entre os pólos extremos: Luís Inácio Lula da Silva, do
"diretas já". No decorrer de 1984 a campanha mobilizou milhões de pes- PT, e o jovem ex-governador de Alagoas, Fernando Collor de Melo, do
soas, em gigantescos comícios e passeatas em todo o Brasil. Mesmo

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Partido de Reconstrução Nacional (PRN). Collor elegeu-se com uma A estabilidade monetária ajudou o governo a quebrar o monopólio da
diferença superior a quatro milhões de votos. Petrobrás na exploração de petróleo e privatizar diversas estatais, incluin-
do a Vale do Rio Doce e o sistema Telebrás. Também foi aprovado o fim
Governo Collor. Tão logo assumiu o governo, em 15 de março de da estabilidade dos servidores públicos e alteraram-se as regras para
1990, Collor baixou o mais drástico pacote econômico da história do país, concessão de aposentadorias.
que bloqueou cerca de dois terços do dinheiro circulante. A inflação, após
súbita queda, voltou a subir. A ministra da Economia, Zélia Cardoso de Em 1997, o governo fez aprovar a emenda constitucional que autori-
Melo, foi substituída por Marcílio Marques Moreira. Para os Ministérios da zava a reeleição do presidente da república, governadores e prefeitos. O
Justiça e da Saúde, foram convidados, respectivamente, Célio Borja e último ano do governo Fernando Henrique foi o mais difícil, devido ao
Adib Jatene. Com esses nomes, de excelente reputação moral e compe- aumento do desemprego e a uma forte perda de divisas, em decorrência
tência profissional, Collor tentou reaver credibilidade para seu governo. da crise financeira mundial. Isso obrigou o governo a anunciar um acordo
Nesse momento começaram as denúncias de corrupção em vários minis- com o fmi que levaria a um duro conjunto de medidas econômicas. Contu-
térios, que culminaram com as acusações, feitas pelo próprio irmão do do, o presidente conseguiu se reeleger no primeiro turno do pleito presi-
presidente, Pedro Collor de Melo, de um gigantesco esquema de corrup- dencial, em 15 de outubro de 1998, derrotando novamente Luís Inácio
ção, capitaneado por Paulo César Cavalcanti Farias, tesoureiro da cam- Lula da Silva com 53,06% dos votos válidos contra 31,71% do candidato
panha presidencial de Collor. do pt. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
O processo avolumou-se rapidamente, e logo multidões saíram em Constituição de 1988
passeatas pelas ruas para exigir o impeachment. Em 29 de setembro, ao
fim de uma tensa Comissão Parlamentar de Inquérito iniciada em junho, a É a Constituição em vigor. Elaborada por uma Assembleia Constituin-
Câmara dos Deputados autorizou o Senado Federal a processar o presi- te, legalmente convocada e eleita, é promulgada no governo José Sarney.
dente por crime de responsabilidade; em 2 de outubro, Collor foi afastado É a primeira a permitir a incorporação de emendas populares. Boa parte
e o vice-presidente Itamar Franco assumiu interinamente a presidência. dos dispositivos constitucionais ainda depende de regulamentação.
Em 29 de dezembro, pouco depois de iniciado seu julgamento pelo Sena- Principais medidas – Mantém a tradição republicana brasileira do re-
do, Collor renunciou e Itamar foi confirmado em definitivo no cargo. gime representativo, presidencialista e federativo. Amplia e fortalece os
Governo Itamar Franco. Itamar tornou-se presidente num dos momen- direitos individuais e as liberdades públicas - que haviam sofrido restrições
tos mais graves da história brasileira. Além da crise política que colocou à com a legislação do Regime Militar -, garantindo a inviolabilidade do direito
prova a estabilidade das instituições, o país enfrentava também grandes à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Conserva o
dificuldades na área econômica, com recessão, desemprego e crescente Poder Executivo forte permitindo a edição de medidas provisórias com
inflação. Logo que assumiu, ainda interino, Itamar nomeou novo ministério força de lei - vigoram por um mês e são reeditadas enquanto não forem
(de caráter multipartidário, para tentar garantir apoio do Congresso) e aprovadas ou rejeitadas pelo Congresso. Estende o direito do voto faculta-
baixou medida provisória destinada a reverter a centralização administrati- tivo a analfabetos e maiores de 16 anos. Estabelece a educação funda-
va estabelecida pelo governo Collor: superministérios como os da Econo- mental como obrigatória, universal e gratuita. Enfatiza a defesa do meio
mia, Fazenda e Planejamento e o da Infra-estrutura foram desmembrados. ambiente, transformando o combate à poluição e a preservação da fauna,
O novo mandatário também tomou iniciativas destinadas a moralizar a flora e paisagens naturais em obrigação da União, estados e municípios.
administração pública, tais como a criação do Centro Federal de Inteligên- Reconhece também o direito de todos ao meio ambiente equilibrado e a
cia (CFI). uma boa qualidade de vida. Determina que o poder público tem o dever de
preservar documentos, obras e outros bens de valor histórico, artístico e
Em outubro e novembro de 1992 realizaram-se em todo o país elei- cultural, bem como os sítios arqueológicos.
ções municipais; os partidos de esquerda foram os mais beneficiados. Em
21 de abril de 1993 os eleitores retornaram às urnas para decidir sobre o Reformas – Começam a ser votadas pelo Congresso Nacional a partir
sistema e a forma de governo, como previra a constituição de 1988: de 1992. Algumas das principais medidas abrem para a iniciativa privada
venceu a república presidencialista. O ano de 1993 foi marcado ainda por atividades antes restritas à esfera de ação do Estado. Essa desregula-
denúncias de corrupção e banditismo na Comissão de Orçamento do mentação é feita com o objetivo de adequar o país às regras econômicas
Congresso Nacional, envolvendo aproximadamente duas dezenas de do mercado internacional. Para isso é liberada a navegação pela costa e
parlamentares. O fato levou à criação de uma Comissão Parlamentar de interior do país (cabotagem) para embarcações estrangeiras. O conceito
Inquérito que teve como presidente o senador Jarbas Passarinho e como de empresa brasileira de capital nacional é eliminado, não havendo mais
relator o deputado Roberto Magalhães. distinção entre empresa brasileira e estrangeira. A iniciativa privada, tanto
nacional quanto internacional, é autorizada a explorar a pesquisa, a lavra
Ansioso por mostrar resultados no combate à inflação, Itamar acabou e a distribuição dos derivados de petróleo, as telecomunicações e o gás
batendo o recorde de nomear quatro ministros da Fazenda (Gustavo encanado. As empresas estrangeiras adquirem o direito de exploração
Krause, Paulo Haddad, Eliseu Resende e Fernando Henrique Cardoso) dos recursos minerais e hidráulicos.
em sete meses. Fernando Henrique, sociólogo e senador, que antes
ocupava a pasta das Relações Exteriores, começou por mudar a moeda Na política, ocorre a regulamentação de questões eleitorais, o manda-
de cruzeiro para cruzeiro real, com o corte de três zeros. Em seguida, o to do presidente da República é reduzido de cinco para quatro anos e, em
ministro e sua equipe elaboraram um plano de combate gradativo à infla- 1997, é aprovada a reeleição do presidente da República, de governado-
ção que previa o emprego de uma unidade monetária provisória (a Unida- res e prefeitos. Candidatos processados por crime comum não podem ser
de Real de Valor, urv) em antecipação ao lançamento de uma moeda eleitos, e os parlamentares submetidos a processo que possa levar à
forte, o real. No final de abril de 1994, Cardoso deixou o Ministério da perda de mandato e à inelegibilidade não podem renunciar para impedir a
Fazenda para concorrer à presidência da república nas eleições de outu- punição. A Constituição também passa a admitir a dupla nacionalidade
bro. para brasileiros em dois casos: quando estes têm direito a outra nacionali-
dade por ascendência consanguínea ou quando a legislação de um país
Governo Fernando Henrique Cardoso. Lançado o real em 1º de julho obriga o cidadão brasileiro residente a pedir sua naturalização.
e com a estabilidade econômica que se seguiu, a popularidade de Fer-
nando Henrique Cardoso, o que lhe permitiu derrotar Luís Inácio Lula da Planos Econômicos no Brasil
Silva logo no primeiro turno da eleição, com 54,30% dos votos válidos Plano Cruzado, Plano Bresser, Plano Verão, Plano Collor, Plano Real
contra 27,97%. No Congresso, a coalizão de Cardoso assegurou 36% das
cadeiras da Câmara e 41% das do Senado. Enquanto isso, o governo A partir de 1986, o Brasil passa por diversos planos de estabilização
tomava uma série de medidas para proteger a nova moeda, como a econômica. Todos têm o mesmo objetivo: acabar com a inflação e criar
restrição ao crédito (para coibir excesso de consumo) e liberalização das condições favoráveis para um desenvolvimento auto-sustentado.
importações (para evitar desabastecimento e estimular a concorrência). Plano Cruzado – Implantado em fevereiro de 1986 pelo ministro da
Empossado em 1º de janeiro de 1995, Fernando Henrique Cardoso Fazenda, Dilson Funaro, do governo José Sarney, o Plano Cruzado com-
mobilizou sua base de apoio para aprovar várias reformas constitucionais. bina austeridade fiscal e monetária com a preocupação de elevar a renda

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dos assalariados. Muda a moeda de cruzeiro para cruzado, congela Índia e África do Sul com Fernando Henrique e Lula, diferenças remanes-
preços e salários, extingue a correção monetária e cria o seguro- cem ainda entre a população urbana e rural, os estados do norte e do sul,
desemprego e o gatilho salarial. Algumas medidas de ajuste do Plano os pobres e os ricos. Alguns dos desafios dos governos incluem a necessi-
Cruzado, chamadas de Cruzado II, são adiadas para depois das eleições dade de promover melhor infra-estrutura, modernizar o sistema de impos-
de novembro de 1986. Entre elas está o aumento de preço de produtos tos, as leis de trabalho e reduzir a desigualdade de renda e diminuir o custo
como automóveis (80%), cigarros (45% a 120%), bebidas (100%) e açúcar Brasil.
(25%), assim como das tarifas de energia e telefone. O cálculo da inflação
passa a levar em conta apenas o custo de vida das famílias com renda até A economia brasileira contém uma indústria desenvolvida, inclusive
cinco salários mínimos. com indústria aeronáutica e uma agricultura desenvolvida e associada à
indústria - o agronegócio, sendo que o setor de serviços cada vez ganha
No plano externo, o governo decreta moratória e suspende o paga- mais peso na economia . As recentes administrações expandiram a com-
mento das dívidas do país. Passado um ano, a inflação volta à casa dos petição em portos marítimos, estradas de ferro, em telecomunicações, em
20% ao mês. geração de eletricidade, em distribuição do gás natural e em aeroportos
com o alvo de promover o melhoramento da infra-estrutura. O Brasil come-
Plano Bresser – Em 1987, o novo ministro da Fazenda do governo çou à voltar-se para as exportações em 2004, e, mesmo com um real
Sarney, Luís Carlos Bresser Pereira, lança o Plano Bresser, voltado para o valorizado e a crise internacional, atingiu em2008 exportações de US$
equilíbrio das contas públicas. Além do congelamento de preços e salá- 197,9 bilhões, importações de US$ 173,2 bilhões, o que coloca o país entre
rios, aumenta as tarifas públicas e extingue o gatilho salarial. No plano os 19 maiores exportadores do planeta.
externo mantém a moratória. O plano também não dá resultado no que se
refere ao controle da inflação. Provoca perdas salariais e retaliações de No dia 1º de janeiro de 2011, Dilma Rousseff assumiu a Presidência
governos estrangeiros, por causa do não-pagamento da dívida externa. da República, tornando-se a primeira mulher a assumir o posto de chefe de
Estado, e também de governo, em toda a história do Brasil.
Plano Verão – Em 1989, ainda durante o governo Sarney, o ministro
da Fazenda Mailson da Nóbrega implanta o Plano Verão. Busca segurar a
inflação pelo controle do déficit público, privatização de empresas estatais,
demissão de funcionários e contração da demanda interna. A moeda HISTÓRIA GERAL
muda de cruzado para cruzado novo. Além de não evitar a elevação da
inflação, o plano causa forte recessão. Pré-história
Antes do século XIX, acreditava-se, com base na cronologia bíblica,
Plano Collor – O governo Collor toma posse em março de 1990 im- que a presença do homem na Terra remontava a poucos milhares de anos.
plantando o Plano Collor, ambicioso programa de estabilização. Ele é Estudos arqueológicos demonstraram, porém, que a espécie humana
baseado em um inédito confisco monetário, inclusive das contas correntes experimentou prolongada evolução, desde a fabricação dos primeiros
e da poupança, no congelamento de preços e salários e na reformulação utensílios até o surgimento de registros escritos sobre sua vida e suas
dos índices de correção monetária. A moeda muda de cruzado novo para ideias.
cruzeiro. Em seguida toma medidas de enxugamento da máquina estatal, Entende-se por pré-história, nos esquemas cronológicos tradicionais,
como a demissão de funcionários públicos e a extinção de autarquias, todo o período que abrange a atividade humana desde suas origens até o
fundações e empresas públicas. Ao mesmo tempo dá início ao processo aparecimento da escrita. Primeiramente, a atividade humana insere-se
de abertura da economia nacional à competição externa, facilitando a numa conformação social e tecnológica orientada pela economia predató-
entrada de mercadorias e capitais estrangeiros no país. ria, e em seguida pela economia de subsistência agrícola não-urbana (isto
Plano Real – As primeiras medidas de estabilização da economia que é, sem distinção cidade-campo).
levam ao Plano Real são tomadas em 1993. Em 1º de julho de 1994, o Chama-se em geral de proto-história a época de transição que se se-
ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, do governo Itamar gue, quando as sociedades agrárias começam a reunir os primeiros ele-
Franco, lança o Plano Real, que se destaca por buscar a estabilização mentos para a posterior aplicação da escrita. Caracteriza-se pelo começo
sem usar recursos tradicionais como o congelamento de preços e salários. da substituição da tecnologia da pedra pela do metal, em decorrência de
As medidas visam conter os gastos públicos, acelerar o processo de maior necessidade produtiva e do aumento do consumo no interior das
privatização das estatais, controlar a demanda por meio da elevação dos vilas. Nessa perspectiva, o advento da escrita constitui o marco convencio-
juros e pressionar diretamente os preços pela facilitação das importações. nal do princípio dos tempos históricos.
Com o plano, a moeda, que havia mudado de cruzeiro para cruzeiro real Conceituação geral
em agosto de 1993, muda para real em julho de 1994. O programa prevê Periodização. A pré-história não se apresenta cronologicamente uni-
continuação da abertura econômica do país e medidas de apoio à moder- forme e linear em todos os lugares onde suas características convencio-
nização das empresas. nais foram comprovadas. Além disso, os critérios teóricos para sua periodi-
zação estão em contínua revisão desde o século XIX, quando, ao classifi-
Durante o governo Fernando Henrique, que toma posse em 1995, o car o acervo do Museu de Copenhague, o arqueólogo Christian Jurgensen
Plano Real continua apresentando bons resultados quanto ao combate à Thomsen optou por ordenar os objetos com base em três fases sucessivas
inflação. O desemprego, contudo, aumenta. Na agricultura, cerca de 1,5 do desenvolvimento tecnológico do homem: idade da pedra, idade do
milhão de postos de trabalho desaparecem entre 1995 e 1996, por causa bronze e idade do ferro.
do uso de novas tecnologicas no campo. Na indústria, a busca por novos Posteriormente, o britânico John Lubbock propôs dividir a idade da pe-
ganhos de produtividade também contribui para o aumento do desempre- dra nos períodos paleolítico, ou da pedra lascada, e neolítico, ou da pedra
go no setor. A melhora na distribuição de renda é pequena. No final de polida. Alguns teóricos acrescentam uma fase intermediária, denominada
1997, o governo sobe a taxa de juros e lança um pacote fiscal para reduzir mesolítico, e cada período se subdivide nas fases inferior, média e superi-
as despesas do governo e melhorar as receitas. Em 1998, o país é atingi- or, ou antiga, média e recente. A periodização mais usada combina as
do ainda mais duramente pela crise financeira mundial. Há desaquecimen- propostas de Thomsen e Lubbock, eventualmente enriquecidas pelo traba-
to da economia e um significativo aumento do desemprego. O governo lho de outros estudiosos, que questionam o critério de periodização basea-
aumenta os juros e recorre a empréstimos internacionais para equilibrar as do por inteiro nas inovações tecnológicas, pois refere-se apenas a um
finanças internas. aspecto dos testemunhos históricos, deixando num plano secundário
outros setores das transformações sociais, como economia, política e
O candidato Luis Inácio Lula da Silva, do PT, foi eleito presidente com
ideologia.
aproximadamente 61% dos votos válidos. Lula repetiria o feito em 2006,
O americano Lewis Henry Morgan denominou selvagismo ao paleolíti-
sendo reeleito no segundo turno disputado contra Geraldo Alckmin, do
co, barbárie ao neolítico e ao calcolítico (idade do cobre), e civilização à
mesmo PSDB.
idade do bronze antigo, mas seu esquema foi criticado pelo acentuado
Apesar da estabilidade macro-econômica que reduziu as taxas de in- caráter evolucionista e pela rigidez conceitual. Posteriormente, o australia-
flação e de juros e aumentou a renda per capita, colocando o país em uma no V. Gordon Childe -- que dividiu a pré-história em selvagismo (paleolíti-
lista dos países mais promissores do mundo, ao lado de China, Rússia, co), revolução agrícola (neolítico) e revolução urbana (idade dos metais) --

Ciências Humanas e suas Tecnologias 34 A Opção Certa Para a Sua Realização


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propôs uma teoria segundo a qual as etapas sociais não se excluíam, mas res nas imediações de rios como o Nilo, o Vaal (África do Sul) e o Zambeze
superavam-se umas às outras por meio de novas formas de produção (Zimbábue), ou em torno de lagos como os de Olduvai e Olorgasailie, no
econômica. centro-oeste africano, e Karar, na Argélia.
Épocas pré-históricas. O paleolítico se prolongou do momento da Em territórios onde, sobre o gelo, não existiam abrigos naturais, como
aparição dos primeiros hominídeos inteligentes, há cerca de 600.000 anos, o sul da Rússia, certas partes da Alemanha ou as planícies setentrionais
até 10000 ou 9000 a.C., e a ele corresponde uma economia baseada no da Europa, os homens serviam-se de tendas de couro. Reconhecem-se os
nomadismo e na caça, assim como na pesca e na coleta. Aos instrumentos locais de ocupação pelos círculos de pedras, usadas como peso a fim de
fabricados em pedra lascada somaram-se, no final do período, os objetos manter a base das tendas, ou pelas perfurações regulares no solo, que
de osso. indicam com exatidão os lugares onde se fincavam estacas que sustenta-
O neolítico -- precedido por uma fase de transição denominada meso- vam a cobertura de couro. Em Ostrava-Petrovice (Silésia, no sudoeste da
lítico, especialmente desenvolvida no noroeste da Europa entre 8000 e Polônia), por exemplo, grupos de caçadores de mamutes do paleolítico
2700 a.C. -- caracterizou-se pela agricultura, pecuária e domesticação de superior armaram três tendas ovais de seis a oito metros de comprimento,
animais, o que correspondeu a um processo de sedentarização. A fabrica- e numa delas foram achados um molar de mamute e uma miniatura de
ção de objetos em pedra e osso, que se tornaram menores e de detalha- busto feminino esculpido em hematita.
mento mais aprimorado, passou a atender outras funções além das de
subsistência. Também ocorreram nesse período o aperfeiçoamento da Também foram usadas habitações subterrâneas em algumas regiões,
cerâmica, a divisão de tarefas e o crescimento dos aglomerados humanos. sobretudo nas estepes russas (Gagarino, Timonovka, Kostienki) e no norte
A idade dos metais começou ainda antes de 3000 a.C. no Oriente Mé- da Escandinávia, onde se identificaram diversas moradas escavadas no
dio e na Grécia. Embora o cobre já fosse conhecido na Anatólia em 6500 solo brando de loess, com paredes forradas de pedra e teto de couro e
a.C., assumiu grande importância a partir do quarto milênio antes da era grama. Iniciada no paleolítico europeu, preservou-se essa tradição na zona
cristã, com a obtenção do bronze, liga mais resistente de cobre e estanho. árida do Oriente Médio, onde está representada pelas casas subterrâneas
Posteriormente, o ferro permitiu a fabricação de armas de guerra que de Jericó, Beida e do calcolítico do grupo de Beersheba.
propiciaram profundas transformações políticas nos continentes asiático e Nas áreas cobertas de gelo, os abrigos preferidos foram em geral as
europeu. cavernas, muitas delas ocupadas durante séculos, embora nem sempre de
Métodos de estudo. Excetuada a idade dos metais (ferro e bronze) -- maneira ininterrupta. Os estratos de ocupação revelaram que os primeiros
também chamada proto-história e da qual se conservaram registros escri- habitantes de uma caverna concentravam-se próximos a sua entrada, a
tos indiretos, em textos posteriores --, a pré-história só pode ser estudada a julgar pelo maior acúmulo de detritos (ossos de animais, cinzas de foguei-
partir de fontes arqueológicas, isto é, dos restos materiais remanescentes, ra, utensílios) aí localizados. Com o tempo, os desmoronamentos sucessi-
em geral escassos e fragmentários. A datação dos objetos se faz pelo vos do frontão iam obrigando os habitantes a penetrar cada vez mais no
método estratigráfico, que examina a estrutura geológica dos estratos do interior. Os restos de utensílios e detritos abandonados, uma vez cobertos
terreno escavado. Também são empregados métodos tipológicos, como a por terra e pedras caídas do teto, ficaram isolados dos materiais deixados
análise evolutiva das técnicas, formas e materiais utilizados na confecção por habitantes posteriores. O clima glacial permitiu que essas camadas se
dos utensílios; e físicos, com o auxílio de elementos radioativos como o tornassem duras e impenetráveis, formando estratos de ocupação nos
flúor e o carbono 14. quais os arqueólogos são capazes de reconhecer as transformações
As transformações tecnológicas e sociais reconhecidas como pré- culturais ocorridas no local. No abrigo de Ksar Akil (Líbano), por exemplo,
históricas, como se viu, não representam, nas várias partes do mundo, um recuperou-se uma sequência completa de utensílios do paleolítico superior.
fenômeno histórico simultâneo. Do ponto de vista cronológico, pode-se Meios de subsistência. A subsistência dos grupos paleolíticos base-
afirmar que os progressos técnicos marcantes foram iniciados na África ou-se, de forma preponderante, nos recursos advindos da caça. A depen-
central e meridional (paleolítico inferior). A seguir, desenvolvendo padrões der das condições da área, podia acontecer que a caça se especializasse
tecnológicos certamente importados, os habitantes da Europa capacitaram- numa determinada espécie. Caso típico dessa especialização verificou-se
se a elaborar uma série de inventos consoante suas próprias condições de entre os habitantes do norte da Alemanha no paleolítico superior, que
vida (paleolítico médio e superior). Finalmente, em virtude da concentração tiravam seu sustento quase exclusivamente da rena (95% da caça), en-
demográfica ocasionada pelas modificações climáticas após a glaciação de quanto, na mesma época, as populações do sul da Alemanha diversifica-
Wurm, iniciou-se no Mediterrâneo oriental a transição da economia preda- vam a alimentação, recorrendo a lebres, cavalos, renas e aves. O clima
tória para a de produção agrícola (neolítico). glacial, mais rigoroso no norte, limitava a fauna daquela região.
É comum a existência de artefatos de caça provavelmente destinados
Nomadismo predatório a abater um só tipo de animal, como as grandes achas de basalto encon-
Durante o período quaternário, a Irlanda, pelo menos três quartos da tradas em Jisr Banat Yaqub (Alta Galileia), associados com esqueletos de
Inglaterra e todo o território dos Países Baixos submergiam em geleiras elefantes. A especialização dos artefatos pode ter sido motivada pela
que desciam pela Suíça até o Ródano, alcançando os Pireneus. Fato persistência de um mesmo tipo de fauna durante muito tempo. Foi o ocorri-
análogo sucedia na Alemanha setentrional, nas planícies russo-polonesas, do no Oriente Médio, onde os testemunhos arqueológicos indicam (como
com extensão à Escandinávia, Saxônia, Polônia e Crimeia. Enquanto isso, em Umm Qatafa, no deserto da Judeia) a constante presença de cavalos,
devido a sua latitude, o sul da Europa, parte da Ásia e da África estavam gamos, gazelas e veados até o final do paleolítico médio.
protegidos das glaciações e desfrutavam de períodos pluviais regulares. Sabe-se pouco a respeito da pesca no paleolítico, mas é improvável
Assim, regiões hoje desérticas exibiam uma paisagem bem diferente que as culturas dessa fase, mais afeitas à caça, possuíssem grande varie-
naquela época, com florestas densas e fauna bastante variada. dade de apetrechos especializados para a tarefa. Acredita-se que as trutas
A cada verão, os ventos que varriam as geleiras cobriam com finas eram capturadas a mão nos rios de montanha, enquanto se fisgava o
camadas de poeira amarelada as planícies da Rússia e da Europa central, salmão com anzóis e arpões. Embora nada se possa afirmar da pesca
tornando-as férteis. Para as terras sujeitas a esse fenômeno (chamadas submarina, ela certamente era praticada, como se pode inferir de um
loess) migravam, na primavera, grandes manadas de renas, mamutes, desenho, na caverna dos Césares (Espanha), de um homem em pleno
cavalos selvagens e bisões. Os homens, que dependiam da caça, tinham mergulho no encalço de peixes. Na costa de Bohuslän (Suécia ocidental)
um estilo de vida predominantemente nômade. Em perseguição aos reba- localizaram-se, em certas habitações, ossos de bacalhau, pichelim e
nhos, os caçadores instalavam acampamentos nas gargantas das monta- eglefim, ao lado de anzóis de ossos de variados tamanhos.
nhas que os animais tinham de atravessar. Tais acampamentos proporcio- As populações da orla marítima realizavam coletas de moluscos ao
nam hoje importante material para a reconstituição das condições de vida longo das costas rochosas. Foram encontrados, por exemplo, no litoral
daqueles grupos humanos em trânsito. atlântico das Cantábrias e de Portugal, amontoados de conchas de mexi-
Durante as secas, ao contrário, a concentração humana em determi- lhões, gastrópodes etc.
nados lugares -- como as áreas florestais -- era bem mais acentuada e Na primavera, a colheita do mel de abelhas podia ser praticada com
dava origem a verdadeiros núcleos de povoamento. Os locais escolhidos auxílio de cordas e recipientes de couro, segundo se atesta pela célebre
para habitação vinculavam-se ao acesso fácil à água, e constituíam mora- cena da gruta da Aranha (Alpera, costa mediterrânea da Espanha), em que
da ideal permanente as margens de lagos e rios, onde os animais vinham se observa um personagem, talvez feminino, a realizar tal trabalho. Embora
beber com frequência. Daí a presença de numerosos núcleos de caçado- quase nada se possa afirmar sobre a alimentação vegetal, com certeza nos

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climas mais amenos do sul da Europa, da África e de certas partes da Ásia fabricação de um utensílio qualquer. O nomadismo característico dos
os homens efetuavam a colheita de frutos, raízes e até da polpa de muitas caçadores facilitou, sem dúvida, esse tipo de comunicação.
árvores, destinada a diversas utilizações. Assim, os habitantes de Haut Lugerie (Dordonha), utilizaram em seus
Por volta de 50000 a.C. a Europa aparece como tributária e renovado- colares moluscos procedentes do Mediterrâneo, a cerca de 300km de
ra das grandes tradições do paleolítico inferior: as técnicas se tornam mais distância, enquanto peles de focas de algum ponto da costa da França
complexas, aceleram-se as inovações e aumenta a difusão dessas con- foram encontradas na Espanha, onde se vêem, nas cavernas, crânios
quistas. O continente europeu estava então coberto por gigantesca calota desses animais sem o resto do esqueleto: presumivelmente as peles
de gelo. teriam sido dadas sem as cabeças. Conchas mediterrâneas foram também
Boa quantidade de agrupamentos humanos, que ocupavam cavernas localizadas na Europa central, e a ornamentação dos artefatos de Chu-ku-
e abrigos subterrâneos, utilizaram pela primeira vez em larga escala os tien, a sudoeste de Pequim, sugere contatos com as culturas da Sibéria.
ossos de animais mortos para fabricar utensílios. Assim, por exemplo, uma Foi certamente dessa forma que se propagaram, da África para a Europa,
meia mandíbula de urso ou de javali podia ser empregada como maça ou as mais importantes conquistas industriais, e se delineou o traçado das
lima; a omoplata, usada como pá ou, depois do nivelamento da crista, grandes vias tradicionais do comércio da antiguidade.
como faca e raspador; e os chifres de corças, gazelas e pequenos antílo- O desenvolvimento tecnológico acompanhou-se de um aumento de-
pes serviam para cortar couro e carne, ou como dardos, punhais, perfura- mográfico que possibilitou, no paleolítico superior, a existência de um
dores etc. tempo ocioso aplicado em atividades de "lazer". Essas ocupações se
As culturas do paleolítico superior são identificadas, portanto, também traduziram em novos meios de comunicação, embora se fale em magia ou
por suas indústrias de osso, ao lado das técnicas de trabalho de pedra. A religião a propósito da produção artística na qual as comunidades da época
principal indústria assim reconhecida, chamada aurignacense, tem por exprimiram sua visão das coisas.
padrão a jazida de Aurignac (sul da França). O novo material, contudo, não
substituiu integralmente os antigos instrumentos de pedra que, pelo contrá- Revolução agrícola
rio, se tornaram mais complexos, a ponto de não poucos estudiosos afir- Entende-se por mesolítico o breve período entre 10000 e 9000 a.C.,
marem que nessa época foi inventada a maioria dos utensílios manuais, correspondente ao início da época geológica denominada holoceno. Do
depois traduzidos e aperfeiçoados em metal. ponto de vista histórico, caracterizou-se pela série de alterações que o
Vida comunitária. Apesar do grande desenvolvimento atual dos mé- transtorno ecológico, trazido pelo fim da quarta glaciação, produziu no
todos de investigação arqueológica, os dados demográficos concernentes modo de vida humano.
ao paleolítico reduzem-se ainda a cifras aproximadas. Pelo fato de levarem A formação de extensas áreas florestais no lugar das antigas tundras e
vida nômade, é particularmente difícil determinar-se com segurança a estepes da Europa transalpina, com a consequente migração dos animais
composição das populações: enterros, quando existem, aparecem isolados adaptados ao frio, provocou o declínio de grandes culturas, como a da
ou reunidos em poucas sepulturas. Em algumas vêem-se dois adultos região cantábrica. Os caçadores europeus, que no paleolítico superior
juntos (do mesmo sexo ou não), em outras um ou dois adultos e diversas tendiam a especializar-se na perseguição de algumas espécies, foram
crianças. As tendas identificadas na região de Dolni-Vestonice (República compelidos a modificar pouco a pouco sua economia e concentraram-se
Tcheca), com quatro a sete metros de largura, deviam abrigar famílias cada vez mais em atividades antes complementares: a pesca e a coleta.
isoladas, enquanto as de Kostienki IV (Rússia), de 28 a 35m de compri- De modo geral, devido à relativa lentidão das mudanças climáticas no norte
mento, podiam conter grupos maiores. da Europa, as coletividades, embora ampliassem sua área de expansão,
A densidade de população variava conforme as regiões. Os baixos ín- limitaram-se, para sobreviver, a adaptar as antigas formas paleolíticas de
dices, entretanto, são bem exemplificados pelo número de habitantes da vida.
Bélgica durante o paleolítico superior, que não devia ultrapassar 400 No norte da África e no Oriente Médio, ao contrário, onde o holoceno
pessoas, isto é, cerca de vinte pequenos agrupamentos. Os estudos esta- se iniciou com modificações climáticas bruscas, e a irregularidade das
tísticos de enterros permitem inferir a vida média dos indivíduos, de vinte precipitações pluviais ocasionou de imediato a aridez em muitas áreas, os
anos no paleolítico médio e 26 anos no paleolítico superior. habitantes se viram compelidos a criar novas bases de subsistência. Dessa
Admite-se que, para os grupos paleolíticos, os meios de subsistência e forma, se o paleolítico superior europeu desempenhara papel crucial no
os territórios de caça eram coletivos. No plano intergrupal, como os traba- primitivo desenvolvimento tecnológico, o centro do progresso deslocou-se,
lhos da caça requeriam uma área extensa livre da interferência de caçado- nessa altura, para o Oriente Médio, onde se deu a superação da economia
res rivais, é de presumir que devia haver mútuos acordos de divisão territo- predatória pela de produção alimentar.
rial. As primeiras tentativas de domesticação de animais registraram-se na
A noção de posse limitava-se ao âmbito dos haveres pessoais (armas, Ásia ocidental, onde as manadas convergiam para as poucas reservas de
utensílios, adornos etc.), conforme se infere da presença de certas marcas, água e as margens dos rios a fim de fugir da crescente aridez e do rápido
propositais e nunca repetidas, em objetos de todo tipo. O melhor testemu- desflorestamento. Os antigos caçadores, no encalço das manadas, tam-
nho dessa ideia de apropriação, restrita aos objetos de uso, vem dos bém se obrigavam a uma relativa sedentarização próximo aos mananciais,
sepultamentos nos quais se colocavam os pertences do morto a seu lado, que rareavam progressivamente.
como se observa com o esqueleto masculino de Brunn (Morávia), exumado A convivência necessária de homens e manadas nos territórios delimi-
a 4,5m de profundidade, que se achava cercado de artefatos extraordinari- tados pela seca possibilitou, conforme se pensa, a domesticação de algu-
amente ricos: 600 pérolas, cinco discos de pedra perfurados e dentados, mas espécies animais então existentes apenas na Ásia. Acredita-se que os
objetos de ossos de mamute etc. primeiros animais domesticados foram o porco, a cabra e o carneiro, entre
Segundo revelam certos dados arqueológicos e as representações nas o décimo e o sétimo milênios anteriores à era cristã. Posteriormente,
paredes das cavernas, as comunidades paleolíticas praticavam uma divi- completando o processo de sedentarização, foram domesticados o cão, os
são rudimentar de tarefas entre seus membros ativos. A caça, atividade bovinos e, afinal, animais de tração, como o cavalo e o burro.
considerada essencialmente masculina, efetuava-se mediante uma distri- Ao lado da domesticação de animais, os grupos humanos pressiona-
buição de funções. Enquanto alguns homens, disfarçados sob peles, se dos por condições desérticas passaram a praticar uma espécie de coleta
aproximavam dos animais e os espantavam, outros os esperavam num menos variada de frutos e raízes, incentivando uma seleção tornada indis-
desfiladeiro a fim de abatê-los, como se vê na famosa pintura da caverna pensável em face da escassez da caça. Assim, a subsistência passou a
dos Cavalos, na Espanha. Já a colheita de frutos e as atividades coletoras depender cada vez mais da alimentação fornecida não só pelas reservas
em geral podiam estar a cargo de mulheres e crianças, bem como, em de carne de animais aprisionados ou em processo de domesticação, mas
certos grupos, a pesca. É significativo o achado, em alguns agrupamentos, também pelos vários tipos de cereais e outras plantas que cresciam em
de homens sepultados com seus arpões, enquanto os anzóis eram sempre estado selvagem nas imediações de fontes de água.
colocados junto às mulheres idosas. Os especialistas propõem atualmente diversos centros nos quais se
Seria impróprio falar-se em comércio no paleolítico, mas existia a per- originaram a seleção e o cruzamento deliberado de plantas, para fins de
muta de presentes entre comunidades caçadoras que ocupassem regiões sementeira, ao invés de um único foco de origem. Os centros do Oriente
de caça adjacentes. Por esse meio deve ter-se difundido, em consideráveis onde medravam os ancestrais selvagens das gramíneas já foram em
extensões, um bom número de ideias e técnicas, como o processo de grande parte localizados. O trigo parece ter surgido na Anatólia, Palestina,
Iraque e Pérsia, por um lado, e no Afeganistão e noroeste da China, por

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outro. A cevada teria sua origem na Anatólia, Palestina, Arábia, Irã, Afega- presença de verdadeira arquitetura, como a que se descobriu nas casas
nistão e Sudeste Asiático. redondas semi-subterrâneas (com quatro a cinco metros de diâmetro) de
Apesar da área dos protótipos dos cereais ser bastante extensa, é difí- Jericó e Beida, estucadas internamente com gesso pintado, constitui um
cil dizer em que lugar, exatamente, se iniciou seu cultivo ordenado, embora bom indicador dessa complexidade. Em Khirokitia encontrou-se um tipo de
muitos indícios apontem para alguns locais na região que se estende da estrutura arquitetônica cuja forma se assemelhava a uma cúpula, com
Palestina e Síria até os sopés das montanhas da Turquia, norte do Iraque e paredes de argila erigidas sobre base de pedras e divisões internas que
do Irã. Provavelmente, nem a domesticação, nem as primeiras práticas sustentavam um piso superior. Seu número foi calculado em quase mil,
agrícolas foram realizadas, inicialmente, por povos sedentários, mas por formando um conjunto urbanizado.
grupos nômades que as difundiam em regiões muito afastadas entre si. Testemunhos diversos sugerem ainda a ocorrência de uma autêntica
Culturas sedentárias. O cultivo de plantas e a criação de animais co- divisão do trabalho e a especialização integral de um certo número de
meçaram como meras atividades de suplementação dos recursos provin- funções. Em Beida, por exemplo, o fato comprova-se, desde o sétimo
dos da coleta, da pesca e da caça. O cultivo permanente e organizado só milênio antes da era cristã, pela escavação de numerosas oficinas que
aparece nas comunidades sedentárias, que receberam dos nômades continham variadas ferramentas (mós, achas de basalto, martelos esferoi-
vários tipos de gramíneas selvagens de cujo cruzamento proveio a maioria dais etc.), boa qualidade de matéria-prima e muitos objetos ainda inacaba-
dos cereais comestíveis hoje conhecidos. Ainda assim, durante muitos dos. A especialização de ofícios em Beida revela-se também pela existên-
milênios, embora a vida econômica dos aglomerados sedentários depen- cia, em cada uma dessas oficinas anexas às casas, de um mesmo tipo de
desse exclusivamente da agricultura, a caça e a pesca constituíram ocupa- matéria-prima e ferramentas, donde se conclui que havia grupos dedicados
ções subsidiárias importantes. exclusivamente ao trabalho do osso, da pedra, de conchas e assim por
Na região mediterrânea, a superação desse esquema econômico qua- diante.
se não foi atingida durante o neolítico. Um dos primeiros estabelecimentos Quanto à hierarquia social, embora os dados disponíveis sejam frag-
estáveis do Oriente Médio, al-Natuf, mostra uma indústria dirigida para a mentários, tende-se a admitir a existência de um poder organizado, com
caça (dardos, facas, flechas) e a pesca (anzóis, arpões), enquanto em chefes e autoridades temporais e/ou religiosos. Embora quaisquer conclu-
Magharet el-Wad, no monte Carmelo -- que sofria influência de al-Natuf -- sões nesse terreno devam ter caráter provisório, à falta de um conjunto de
encontraram-se pratos circulares e pilões de basalto, talvez usados para testemunhos que forneçam um quadro coerente, a dependência vital dos
moer cereal, assim como um tipo de faca que servia para cortar ervas. mananciais apoia a suposição de que o controle e a distribuição da água,
Muitas aldeias, com efeito, já possuíam utensílios especializados, como nos campos, necessários para sustentar populações médias de 1.500 a
moinhos de mão e trituradores. Também em culturas ligadas a Karim 2.000 pessoas, eram garantidos por sistemas planejados de irrigação.
Shahir (Iraque) e em Khirokitia (Chipre), embora não se encontrassem Também a construção das muralhas que circundavam alguns aglomerados
provas diretas de agricultura, recuperaram-se moinhos de mão e mós. exigia um trabalho coletivo muito bem ordenado. Jericó, por exemplo,
As primeiras aglomerações estáveis, datadas entre 8000 e 6500 a.C., contava com sólidas muralhas, além de uma torre de pedra de 8,15m de
pertencentes ao chamado neolítico pré-cerâmico ou protoneolítico, situa- altura e nove metros de diâmetro.
vam-se nas encostas férteis das montanhas, às margens de rios ou lagos Por fim, certas disposições arquitetônicas destacam alguns edifícios
ou nos pequenos oásis. Os núcleos sedentários, dessa forma, distribuíam- destinados a servir tanto de "santuários" (Çatal Huyuk e Çayönu Tepesi)
se por todo o Oriente Médio, de onde se deu uma primeira expansão para como de centros de administração pública (Jericó e Khirokitia), ou mesmo
os Balcãs. Em Jericó, ainda na fase pré-cerâmica, foram encontrados um desempenhar ambas as funções se não se distinguir poder civil e poder
tipo especializado de moinho de mão com que se trituravam cereais e religioso. Alguns sepultamentos constituem uma pista adicional para a
fossas rasas no interior das casas, usadas como celeiro (silo). Igualmente, identificação, se não de chefes, pelo menos de pessoas destacadas na
em M'Lefaat e Jarmo localizaram-se moinhos de mão similares aos de comunidade. Assim, em Çatal Huyuk, em cerca de 400 esqueletos apenas
Karim Shahir. Quase todas as comunidades neolíticas tinham na agricultu- 11 estavam pintados de vermelho.
ra intensiva sua base alimentar e cultivavam trigo, cevada, lentilhas, tâma- Período proto-urbano. Por volta de 5500 a.C. registrou-se, em todo o
ras, ervilhas etc. Oriente Médio, um incremento das transações comerciais, além da multipli-
A indústria de pedra, adaptada à nova realidade econômica, exibe uma cação de aglomerados nas áreas onde depois nasceram as primeiras
produção bem mais diversificada. Longe de se restringir à fabricação de civilizações urbanas: Mesopotâmia e Egito. Desde essa época, a comuni-
instrumentos destinados à produção de subsistência, o surgimento de cação acelerada no interior dos vales do Eufrates-Tigre e do Nilo possibili-
várias matérias-primas (basalto, calcita, xisto, obsidiana, calcário, alabas- tou grande regularidade na transmissão de certas invenções e, assim,
tro, esteatita etc.) deu lugar à multiplicidade dos produtos: paletas de atingiu-se uma homogeneidade cultural até então inexistente. A projeção
cosméticos, vasos, estatuetas, fusos, mós, cabeças de maças, diademas, final desse processo -- a chamada revolução urbana -- representa um dos
achas, contas, pilões etc. Muitos desses objetos apresentam réplicas em momentos cruciais da história mundial.
osso e conchas, materiais que se prestavam também à fabricação de Duas culturas mesopotâmicas, Hassuna e Samarra, situam-se nas
agulhas, anzóis, pratos e outros utensílios. etapas iniciais dessa cadeia de transformações. Ainda sem romper o
Ainda que a cerâmica não seja, propriamente, uma invenção dos agri- horizonte típico do neolítico, realizaram empreendimentos comerciais que
cultores estáveis, sem dúvida foram eles que aperfeiçoaram a técnica, a alcançavam, de um lado, o golfo Pérsico e o Irã, de outro, a Síria e a
ponto de torná-la uma das peculiaridades tecnológicas do neolítico. Dois Cilícia.
fenômenos distintos encontram-se na origem da cerâmica: (1) o revesti- No sul da Mesopotâmia floresceu simultaneamente a cidade de Eridu
mento de betume no interior das cestas de fibra, feito com a finalidade de (entre 5500 e 5000 a.C. aproximadamente), onde se localizaram vestígios
impermeabilizá-las para o transporte de líquidos, persistia após o desgaste de trabalho agrícola e de operações de drenagem dos pântanos circundan-
das fibras, o que teria sugerido a utilização do recipiente que restou; (2) as tes. Sua vida intelectual era bem desenvolvida, a julgar pelo aparecimento
fossas de celeiros, também forradas de argila, que passassem por um de templos, os primeiros do Oriente Médio.
incêndio e tivessem queimado o barro podiam ilustrar o princípio de coze- Por fim, entre 5000 e 3700 a.C., duas grandes culturas de expansão e
dura da cerâmica. influência consideráveis forjaram os últimos componentes da unidade
Concluído o processo de sedentarização e efetuadas as principais ino- integral de tradições no vale do Eufrates-Tigre. Uma do norte (Halaf) e a
vações econômicas do neolítico, há um considerável aumento da densida- outra do sul (Obeid), elas se intercomunicaram em várias épocas e concluí-
de demográfica dos aglomerados permanentes. A população de certas ram, em conjunto, as bases sobre as quais se erigiram as poderosas
áreas revelou, em relação ao paleolítico, um significativo crescimento da culturas urbanas por volta de 3000 a.C.
densidade. Nessa primeira fase das culturas sedentárias, as concentrações Em Arpachia, jazida de marcante influência de Halaf, assinala-se a
humanas variavam da pequena aldeia de Jarmo, com cerca de 150 habi- mais antiga tentativa de urbanismo, pois nas ruas pavimentadas se distri-
tantes, à principal cidade de Chipre, Khirokitia, com população aproximada buíam casas maiores e mais bem construídas do que em Hassuna. A
de cinco mil pessoas. Entre os dois extremos, a média demográfica nas presença de especialistas em tempo integral foi também comprovada pelo
comunidades neolíticas atingia de 1.500 a 2.000 habitantes, como no achado de uma casa que fugia aos planos arquitetônicos domésticos, e em
período pré-cerâmico de Jericó e Hisar I (Irã). cujos quartos se amontoavam abundantes restos de matéria-prima, ferra-
Tal concentração demográfica significa que a complexidade das rela- mentas e mais de 150 objetos de pedra e argila.
ções sociais havia ultrapassado sensivelmente os padrões paleolíticos. A

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No encaminhamento da organização urbana, o vale do Nilo aparece com os primitivos artefatos de seixos (pebble cultures) do sudeste asiático,
como retardatário em relação às culturas mesopotâmicas, pois as comuni- o que confirmaria a emigração de povos asiáticos para a América. Esses
dades ali reunidas desenvolveram-se de maneira mais ou menos autôno- artefatos -- pedras talhadas com uma só face (choppers) ou duas (bifaces)
ma, quer sem participar do comércio asiático, quer isolando-se entre si no ou ainda uma espécie de raspadeira -- se caracterizam por serem peças
interior do vale. Somente no quarto milênio antes da era cristã, talvez em toscas.
correspondência com a iniciativa oriental, o Egito entrou em contato com as Entre 15000 e 14000 a.C., uma nova onda de imigrantes asiáticos viria
correntes culturais mais fecundas do Crescente Fértil e da Anatólia. contribuir para o desenvolvimento cultural dos povos ameríndios. A caça
Os aglomerados neolíticos do Egito estabeleceram-se, de modo geral, continuou a ser a atividade econômica fundamental, mas os instrumentos
em ambiente favorável à sedentarização, e basearam sua subsistência de pedra começaram a ser fabricados em tamanho menor e com técnica
alimentar no cultivo de cereais e na criação de animais (porcos, carneiros, mais aperfeiçoada de lascamento por pressão. Esse período, correspon-
cabras e bovinos), como em Fayum (c. 4500 a.C.), Merimde (c. 4000 a.C.) dente ao paleolítico superior, caracteriza-se pelo aparecimento de pontas
e Tasa (c. 3800 a.C.). Em algumas dessas vilas atestou-se o armazena- de flecha bifaciais e facas de pedra, cujas peculiaridades permitiram esta-
mento dos excedentes agrícolas em silos, a exemplo de Fayum, com 165 belecer uma evolução tipológica claramente diferenciada.
celeiros subterrâneos, e de Merimde, com silos de até 2,4m de diâmetro e Em primeiro lugar encontram-se as pontas Sandía, estudadas princi-
quarenta centímetros de profundidade. palmente no Novo México, que aparecem associadas a restos de mamute
De qualquer modo, nessa época, os centros do vale do rio Nilo ainda e apresentam um talho num dos lados. Essas pontas, cuja técnica é seme-
não podiam comparar-se aos asiáticos. A verdadeira aceleração do pro- lhante à dos utensílios do solutrense europeu, foram substituídas entre
gresso efetivou-se no breve período posterior, em pouco mais de 500 anos. 10000 e 9000 a.C. -- coincidindo com o fim da última glaciação e o conse-
O primeiro marco desse progresso foi Badari, cultura após a qual o Egito quente desaparecimento do mamute -- pelo tipo Clóvis, de forma lanceola-
ingressou no desenvolvimento urbano que culminou na unificação política da e com uma estria central em uma ou nas duas faces, tipo que chegou a
do vale. No novo período, dito protodinástico (Nagada I e II), incorporou as difundir-se por todo o continente. O tipo Folsom, também localizado em
conquistas que, em outras regiões, se distribuíram por uma longa época toda a América e principalmente nos vales fluviais do sudeste dos Estados
proto-urbana, inexistente, nesse sentido, no vale do Nilo. Unidos, é de tamanho menor. Caracteriza-se pela forma foliácea, com base
Quanto ao desenvolvimento proto-urbano da Mesopotâmia, em parti- côncava e estria central dos dois lados. Assim como as anteriores, essas
cular as comunidades do grupo halafiano, tem-se como certa a influência pontas aparecem associadas na América do Norte com a caça do bisão e,
que sofreu por parte dos grandes centros neolíticos da Anatólia. Em diver- no resto do continente, com a perseguição de outros animais, como cava-
sos aspectos culturais, que os antigos historiadores consideraram criações los e camelos, posteriormente extintos.
do Crescente Fértil, o planalto anatólico possui a precedência. Entre 8000 e 6000 a.C., o tipo Folsom evoluiu, em todo o continente,
Apesar de sua importância, os centros neolíticos da Anatólia não de- para formas triangulares sem pedúnculo e, por último, para pontas com
ram o passo seguinte em direção à civilização urbana, expresso no surgi- pedúnculo que se mantiveram em muitos lugares até a chegada dos euro-
mento de estados. O mesmo sucedeu a muitas culturas da Síria-Palestina, peus.
desaparecidas no fim do quarto milênio antes da era cristã. Isso se deve, Deve-se lembrar que, em diversas zonas do continente, por isolamento
em grande parte, ao fato de que a expansão daqueles centros se esgotou ou por adaptação ao meio, vários povos se mantiveram num estágio cultu-
antes de haverem logrado a formação de uma perfeita unidade econômica ral muito primitivo. É o caso dos índios do planalto brasileiro ou das selvas
e cultural necessária para dinamizar o desenvolvimento das várias socie- amazônicas, cujas armas eram fabricadas com bambu, espinhos ou madei-
dades locais, seja de maneira isolada, seja tomadas em conjunto. O mes- ra. Outros povos desenvolveram formas de vida baseadas na pesca e na
mo poderia ser dito dos agrupamentos gregos que, em certo sentido, caça (fueguinos, esquimós) ou na coleta de moluscos, como atestam os
continuaram a depender da Ásia, embora se tenha deslocado o eixo dessa depósitos de conchas (sambaquis) encontrados em diversas zonas litorâ-
influência para a Mesopotâmia e o Egito, enquanto Hacilar e Çatal Huyuk neas. Por último, cabe destacar o desenvolvimento de uma cultura original
se dissiparam no panorama histórico. no oeste dos Estados Unidos e no México, a tradição do deserto, da qual
deriva a cultura cochise; esta última, desenvolvida a partir de 6000 a.C., e
Pré-história da América fundamentada na caça menor e na coleta, apresenta vestígios do paleolíti-
Pode-se afirmar que o conjunto do continente americano estava em co inferior (artefatos líticos muito toscos).
plena pré-história (com diferentes graus de evolução cultural) quando se Revolução neolítica. Em algumas zonas do México, da América Cen-
iniciou a conquista europeia, uma vez que, afora os maias e os astecas, tral e dos Andes centrais e setentrionais, começou, entre 5000 e 4000 a.C.,
nenhum outro povo ameríndio tinha então elaborado uma história escrita. um processo de neolitização semelhante ao do Velho Mundo, embora
Mas os especialistas fazem distinção entre as fases pré-históricas propria- cronologicamente posterior. Caracterizou-se pelo aparecimento sequencial
mente ditas (paleolítico e começo do neolítico) e o desenvolvimento de de várias fases: formas sistemáticas de coleta de vegetais; sedentarização
culturas com formas políticas e artísticas avançadas. Em muitos aspectos e urbanismo incipiente; cerâmica, cestaria, tecidos e, finalmente, artefatos
paralela à de outras partes do planeta (o que confirma a hipótese da ho- de pedra do tipo microlítico e adaptados à economia agrícola (almofarizes,
mogeneidade intelectual dos vários ramos da espécie humana), a pré- mãos de pilão). A revolução neolítica americana, consolidada entre 3000 a
história americana apresenta algumas importantes peculiaridades, em 1500 a.C., caracteriza-se basicamente pelo aproveitamento das espécies
geral derivadas das condições naturais e climáticas. vegetais autóctones (milho, batata, abóbora, cacau, mandioca, girassol
Povoamento do continente. Embora não haja unanimidade a respeito etc.), para o que se empregavam diversas técnicas agrícolas (irrigação,
da questão, pesquisas arqueológicas, geológicas, paleontológicas e lin- cultivo em terraços escalonados, fertilização), e pelo pequeno desenvolvi-
guísticas parecem indicar que o continente americano começou a ser mento da criação de gado, já que só era possível a domesticação de
povoado entre 40000 e 20000 a.C., por grupos humanos de raça mongo- alguns animais pouco produtivos, como o cão, a lhama ou a alpaca.
lóide ou pré-mongolóide, procedentes da Ásia oriental. Esses imigrantes, A zona meso-americana (México e América Central) parece ter sido o
caçadores e coletores, entraram na América pela zona do estreito de primeiro núcleo de desenvolvimento da agricultura, segundo mostram as
Bering, emersa em consequência da diminuição do nível marinho produzi- escavações realizadas em Tamaulipas e no vale de Tehuacán (México),
da pela última glaciação (Wisconsin ou Wurm). Devem ter chegado, em onde foi possível estabelecer uma sucessão cronológica a partir do conjun-
ondas sucessivas, até 10000 a.C., ao lado das possíveis migrações espo- to de utensílios e da evolução e seleção das plantas cultivadas (fases de
rádicas pelo Pacífico ou pelo Atlântico (elementos australóides e melanói- Coxcatlán, Abejas, Purrón, Coatepec).
des), o que explicaria a significativa diversidade etnográfica entre os povos Na zona andina (do Equador ao centro do Chile, incluindo parte do Pe-
ameríndios. ru e da Bolívia), a evolução foi mais lenta por causa do isolamento entre os
O paleolítico ou paleoindígena. Na periodização da pré-história ameri- vales e entre o litoral e a cordilheira; mas, assim como na área mesoameri-
cana, cabe identificar inicialmente um paleolítico inferior, localizado em cana, o desenvolvimento da agricultura e da sociedade urbana constituiu o
partes distintas do continente e configurado pelo emprego de instrumentos ponto de partida para o florescimento das grandes culturas e civilizações
de pedra (principalmente obsidiana) muito toscos e utensílios de osso que se sucederam do segundo milênio antes da era cristã até a conquista
associados à fauna pleistocênica desaparecida (mastodontes, mamutes, espanhola.
camelídeos, cavalos, bisões). Embora não estejam datados com precisão Em comparação com o neolítico do Velho Mundo, deve-se assinalar
satisfatória, os artefatos líticos desse período apresentam certa analogia como fato diferenciador o desconhecimento, por parte do homem america-

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no, de algumas importantes invenções e conquistas intelectuais; a roda, o que nomes semitas são encontrados entre os sumérios. A Mesopotâmia
arco e a abóbada (na arquitetura), a metalurgia desenvolvida ou a escrita era, de todo modo, povoada por dois povos de origens distintas, o que
alfabética foram algumas das mais gritantes carências culturais das gran- explica as denominações de terra de Sumer (sul) e Acad (norte).
des civilizações americanas. Mesmo em suas fases de maior progresso, As primeiras tentativas de organização de aldeias agrícolas na área de
essas civilizações não chegaram a superar a categorização de neolítico Acad foram registradas em sítios arqueológicos como Hassuna, Jarmo e
avançado, embora, pela complexidade social e pelo nível de conhecimen- Samarra. Do ponto de vista cultural, os grupos que habitavam a área no
tos em campos como a arquitetura ou a astronomia, se situem fora da pré- chamado período Obeid I eram atrasados em relação aos povos do sul,
história, numa fase cultural conhecida como proto-história. mas alguns centros, como Nínive, já se assemelhavam mais a cidades do
Além das importantes regiões culturais da Mesoamérica e dos Andes, que a aldeias.
outras zonas do continente também conheceram certo desenvolvimento de Os habitantes do norte expandiram-se para o sul, no século XXIV a.C.,
tipo neolítico, em parte como consequência da influência das primeiras. e fundaram um reino unificado sob o governo de Sargão, criador de uma
Desta forma, a partir de 3000 a.C., desenvolveram-se no sudoeste norte- dinastia semítica, cuja capital era a cidade de Acad. Os invasores não
americano, como continuação da tradição do deserto e da cultura cochise, possuíam cultura própria, motivo pelo qual absorveram a cultura e as
as culturas hohokan, mogollon e anasazi (pueblo), que substituíram pro- técnicas de guerra do sul. Assim, a transferência do centro do poder políti-
gressivamente a atividade caçadora e coletora por uma economia de tipo co, de início instalado na cidade de Acad, para Nínive ou Babilônia, não
agrícola, com cerâmica e construções arquitetônicas. A partir dessa zona, teve influência na evolução cultural da região.
a agricultura se estendeu para o leste, onde se destacam as culturas old Com a terceira dinastia de Ur, cujos domínios incluíam a Assíria, prati-
copper (nos Grandes Lagos) e Adena (Ohio), conhecedoras de uma meta- camente completou-se a unificação da Mesopotâmia. O norte preservava
lurgia rústica do cobre, e mais tarde a Hopewell (Illinois), com grandes apenas seu idioma semita, escrito, porém, em caracteres cuneiformes
povoados. sumérios. Por volta de 2000 a.C., invasores elamitas e amorritas derruba-
A neolitização se estendeu também pelo continente sul-americano, ram essa terceira dinastia de Ur. Após um período de destruições, o sul
embora com maior atraso e sempre em associação com a antiga economia voltou a prosperar, enquanto, no norte, Assur tornou-se independente e na
caçadora e coletora. Entre outros, destacam-se os povos caraíbas, tupis e Babilônia surgiu uma dinastia local, amorrita, apoiada pelos semitas acadi-
guaranis, dos planaltos e planícies do Amazonas e do Orinoco (com gran- anos.
des ocas comunitárias), além dos araucanos do Chile (norte e centro) e Babilônios e assírios. O mais poderoso soberano da Babilônia foi Ha-
dos pampas norte-ocidentais da Argentina, cuja cultura se beneficiou do murabi, responsável por uma nova unificação da Mesopotâmia. Seu impé-
contato com a área andina. rio se estendeu do golfo Pérsico até o norte de Nínive, e das montanhas
elamitas até a Síria. A região logo voltaria a ser dividida, entretanto, entre o
ANTIGUIDADE ORIENTAL sul e o norte, depois que os reis cassitas derrubaram a dinastia de Hamu-
Mesopotâmia rabi. Os cassitas mantiveram a cultura e as tradições babilônicas, mas
Berço de algumas das mais ricas civilizações humanas, a Mesopotâ- transformaram o reino com uma ampla reestruturação administrativa e a
mia viu surgir os primeiros impérios, as primeiras cidades da antiguidade e adoção do sistema feudal. A dinastia cassita governou até cerca de 1430
algumas importantes invenções do homem, como a escrita e a legislação. a.C., e seu domínio foi marcado por uma significativa produção literária.
A Mesopotâmia (em grego, região entre rios) está situada na região Algumas das obras do período configuraram um padrão para épocas
delimitada pelos rios Tigre e Eufrates, no sudoeste da Ásia. Embora seus posteriores, até mesmo para a redação da epopeia de Gilgamesh.
limites variassem em diferentes períodos de sua história, de modo geral a Após o período da dinastia cassita, a Babilônia perdeu sua influência
Mesopotâmia abrangia, na antiguidade, o território do atual Iraque, ficando política, ao mesmo tempo em que o poderio dos assírios cresceu conside-
ao norte a cordilheira dos Taurus, que a separa da Armênia, ao sul o golfo ravelmente. Nesse período, invasores indo-europeus criaram diversos
Pérsico, a oeste a Assíria e a leste a Síria. O limite entre as regiões norte, estados na região, entre os quais o reino de Mitani. No século XII a.C., o
montanhosa, e a sul, plana, era a zona de Bagdá, onde mais se aproximam poderio assírio chegou ao apogeu sob o reinado de Tukulti-Ninurta I. A
os rios Tigre e Eufrates. Os romanos as denominaram, respectivamente, Assíria dominava então toda a região localizada a leste do Eufrates. Os
Mesopotâmia e Babilônia. sucessores do soberano não conseguiram manter o território, cuja desinte-
Muitos grupos étnicos tentaram fixar-se na região, e esses movimentos gração política foi motivada também pela chegada à região de diversas
migratórios acabaram por fazer surgir importantes civilizações, como a dos tribos de arameus, que aí fundaram vários reinos independentes.
assírios, que ocuparam a área montanhosa, e a dos sumérios e babilônios, Nos séculos seguintes, os reinos arameus começaram a ser incorpo-
instalados nas planícies do sul. A essência da cultura suméria se manteve rados ao império da Assíria, a que a Mesopotâmia voltou a ficar subordina-
mesmo após a desintegração do estado sumério e por isso pode-se, ape- da. Nesse período, a ascensão de uma das tribos dos arameus, os cal-
sar da grande diversidade dos grupos étnicos, falar de uma civilização deus, contribuiu de maneira significativa para a queda do poderio da Assí-
mesopotâmica. ria e para o estabelecimento, no sul da região, do reino neobabilônico de
A Bíblia, o relato de Heródoto e os textos do sacerdote babilônio Be- Nabopolassar. Esse soberano firmou com Ciaxares, da Média, uma aliança
rossos, estes datados de aproximadamente 300 a.C. eram, até o fim do que dividiu a Mesopotâmia entre medos e babilônicos, situação que se
século XIX, as únicas fontes de informação sobre a história da Mesopotâ- manteve até 539 a.C., quando a região foi transformada numa satrapia do
mia. As escavações iniciadas em meados do mesmo século, no território império persa durante o reinado de Ciro. No período, registrou-se um
do Iraque, e a decifração dos caracteres cuneiformes permitiram avaliar o florescimento cultural, em que a literatura, a religião e as tradições sumé-
papel desempenhado pela Mesopotâmia na criação de sociedades urbanas rias e babilônicas eram preservadas nas escolas dos templos.
mais evoluídas.
A escrita cuneiforme foi empregada na Babilônia até o século I a.C. e o Em 331 a.C., a vitória de Alexandre o Grande sobre Dario III marcou o
idioma, como língua erudita, até o primeiro século da era cristã. Com a início da colonização macedônica. A Babilônia tornou-se então importante
decifração dessa escrita, foi possível descobrir a literatura da região, cujos centro cultural, verdadeiro ponto de encontro entre as culturas grega e
épicos tiveram como um dos principais temas a sensação de instabilidade oriental. Com a morte de Alexandre, instalou-se uma dinastia selêucida que
provocada pelo difícil controle dos rios Tigre e Eufrates. A escrita cuneifor- governou por pouco mais de um século. Por volta de 140 a.C., a Mesopo-
me sobreviveu também ao domínio helenístico. A influência do grego era tâmia foi incorporada ao império parta.
significativa, mas tudo indica que o aramaico se tornou a língua popular, Domínio romano. No ano 115 da era cristã, o imperador romano Traja-
em especial nos centros urbanos da época. no submeteu a região até Singara. Sob o domínio de Roma, foi gradativa a
Resenha histórica. Os primeiros imigrantes chegaram à Mesopotâmia difusão do cristianismo, por intermédio dos cristãos da Síria, que fundaram
no quarto milênio a.C. Fixaram-se no sul e ali criaram o que teria sido, o bispado de Edessa. Esse bispado converteu-se depois à heresia nestori-
segundo a tradição suméria, seu primeiro núcleo urbano, Eridu. O povoa- anista, cujos integrantes se congregaram em Nísibis, em meio a uma
mento tornou-se mais intenso no milênio seguinte, com um novo movimen- complicada situação religiosa, na qual as decisões do Concílio de Calce-
to migratório, procedente do leste. Ao mesmo tempo, no norte, grupos de dônia contra o monofisismo acabaram por provocar a divisão dos cristãos
origem semítica formavam uma nova cultura, que assumiria gradativamen- em três grupos: nestorianos, jacobitas e melquitas.
te papel preponderante na região. As escavações comprovaram não haver A partir do século III, a luta de Roma dirigiu-se contra as pretensões
nesse período uma separação estrita entre as duas regiões, na medida em sassânidas na Mesopotâmia. Em meio à desordem política generalizada, a

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Mesopotâmia converteu-se, por dez anos, em porção do reino de Palmira, tação da navegação a vapor e do telégrafo e da construção de linhas
até a expedição do imperador Aureliano. A luta contra os persas, porém, ferroviárias. A reconstrução dos canais de irrigação foi outro importante
prosseguiu até o ano 298, quando Diocleciano submeteu a Mesopotâmia, fator de progresso na área. A hostilidade aos turcos continuou a dar mar-
até o Tigre, ao poder de Roma. Todavia, a luta continuou e, em 363, os gem à expansão do nacionalismo árabe, contida em parte pelos conflitos
romanos conseguiram uma trégua, mas tiveram que ceder Singara e entre facções e pela situação socioeconômica do país.
Nísibis. Egito
Depois de recuperar suas antigas fronteiras, perdidas durante o avan- Como assinalou o historiador grego Heródoto, no século V a.C., "O
ço de Khosro I, por volta de 530, a Mesopotâmia bizantina foi obrigada a Egito é uma dádiva do Nilo." Desde os primeiros momentos de sua história,
enfrentar o agravamento do conflito com os persas, com a perda de diver- os egípcios criaram uma sociedade baseada no aproveitamento das águas
sas cidades e o exílio de grande número de cristãos. do Nilo para a agricultura, mediante a construção de obras hidráulicas
Domínio árabe. Sob o governo de Heráclio, por volta de 640, Roma já capazes de regular sua vazão anual. No plano institucional, configuraram
perdera todas as cidades do norte para os muçulmanos. Nos séculos VII e um rígido e hierárquico sistema político que se manteve, com pequenas
VIII, a história da Mesopotâmia se caracterizou por uma série de transfor- mudanças, durante cerca de três mil anos.
mações culturais e sociais, pela fundação de grandes cidades, mas tam- Arqueologia. Ao compararem as tradições do Egito com sua própria ci-
bém por intrigas, violências e desordens. vilização, os gregos observaram que o passado tinha um grande papel no
Durante o predomínio muçulmano, teve início um período de tolerância presente daquela cultura, enquanto a cultura grega era ainda nova e inex-
religiosa e o idioma árabe passou a predominar sobre o siríaco. Disputas periente. Ao conhecerem a terra dos faraós, os viajantes gregos ficaram
entre as facções muçulmanas dos abássidas e dos omíadas voltaram, maravilhados com as grandes cidades e seus templos. O Periegesis (Via-
porém, a ameaçar a estabilidade da região. Os omíadas abandonaram gem ao redor do mundo), escrito por Hecateu de Mileto, perdeu-se. Heró-
Damasco e instalaram-se em Harran, enquanto os abássidas se fixaram no doto, que também escreveu sobre o país após uma viagem de alguns
Iraque e passaram a governar o Islã. Com a derrota de Hussein em Kerbe- meses, fundamentou grande parte de sua narrativa em informações errô-
la, no Iraque, no ano 680, o sul permaneceu xiita e o norte se tornou sunita, neas de pessoas incultas. Melhores fontes foram utilizadas pelo sacerdote
numa divisão do islamismo que se consolidaria ao longo do tempo. Centro Mâneto, quando por volta de 240 a.C., escreveu as Aigyptiaka (Egípcias),
vital do Islã, a região passou a beneficiar-se de um significativo afluxo de obra em que relaciona as trinta dinastias do Egito faraônico.
bens e manteve sua estrutura socioeconômica, com base na agricultura, Foram os romanos que começaram a colecionar antiguidades egíp-
que foi pouco afetada pelos conflitos. cias. Estátuas de faraós e esfinges enfeitavam palácios dos imperadores
A história da Mesopotâmia é marcada, nessa fase, por grandes trans- romanos e diversos obeliscos foram transportados de Karnak (Tebas) e
formações. Surgem importantes cidades e a fundação de um califado com Heliópolis e posteriormente reerguidos em Roma e Constantinopla. Entre
a capital em Bagdá marcou o início de um período de grande progresso. O as obras dos últimos escritores clássicos destaca-se a descrição do Egito
poder político passou a partir de então a ser exercido por dinastias locais, feita por Estrabão no Livro 17 de sua Geografia, que contém detalhes da
embora em nome do califa. topografia do delta. Plínio o Velho, em sua História natural, e Ptolomeu, em
A região entrou em declínio na segunda metade do século IX, quando seu tratado geográfico, descreveram o Egito. Plutarco estudou a mitologia
os escravos africanos deram início à guerra de Zanj, que durou de 869 a e Horapolon tentou decifrar os hieróglifos.
883. Contribuíram para o enfraquecimento do poder político a organização A religião egípcia desapareceu com a difusão do cristianismo e o copta
dos imigrantes turcos -- que haviam sido trazidos como escravos e posteri- substituiu a escrita antiga. Mas a tradição da "sabedoria do Egito" atraves-
ormente empregados como soldados mercenários --, as pretensões do sou a Idade Média e despertou interesse durante o Renascimento.
Egito quanto à soberania da região de Jazirah e uma restauração da Inícios da moderna egiptologia. A visita de Napoleão ao Egito, em
influência bizantina na dinastia macedônica. Ao agravamento da crise, em 1798, a descoberta da pedra de Rosetta e a decifração dos hieróglifos,
consequência das incursões dos turcos e dos cruzados, seguiu-se a vitória pelo inglês Thomas Young e pelo francês Jean-François Champollion,
de Saladino sobre os cristãos, com o estabelecimento da supremacia proporcionaram material para estudos mais profundos sobre o passado do
egípcia no norte da Mesopotâmia. país, como os de John Gardner Wilkinson e Samuel Birch. Karl Richard
Mongóis, turcos e persas. A prosperidade do sul da Mesopotâmia se Lepsius deu a conhecer ao mundo uma grande coleção de desenhos e
manteve até o reinado do califa Nisir, que governou entre 1180 e 1242. cópias de inscrições. No mundo todo, diversos museus receberam nume-
Com grandes ambições políticas, o soberano contratou mercenários mon- rosas doações de antiguidades feitas por viajantes. Entre os estudiosos
góis, mas a decisão se mostraria fatal para a sua dinastia: em 1258, as que mais se destacaram em meados do século XIX estão C. W. Goodwin,
hordas mongóis de Hulagu assassinaram o último califa, saquearam Bagdá Heinrich Karl Brugsch, Emmanuel de Rougé e Joseph Chabas.
e destruíram todo o Iraque, inclusive o extraordinário sistema de irrigação Em 1858, o governo egípcio implantou uma nova política de conserva-
da baixa Mesopotâmia. No ano seguinte, o norte também foi atacado e a ção de suas antiguidades, e nomeou Auguste-Edouard Mariette para esse
Mesopotâmia teve assim arrasada toda a sua estrutura econômica e social. trabalho. O governo fundou um museu em Bulaq, no Cairo, que mais tarde
A região foi dessa forma reduzida a uma das mais pobres províncias do se tornaria o Museu Egípcio. As escavações empreendidas por Mariette,
império de Hulagu, abalado por conflitos internos e pela inépcia dos gover- nas décadas de 1860 e 1870, principalmente em Gizé e Saqqara, fornece-
nantes enviados pelos mongóis, incapazes de reconstruir suas cidades e ram material suficiente para suprir o museu com esculturas e antiguidades.
de manter o controle sobre a região. Após a morte de Mariette, em 1881, o governo concedeu aos museus e
A Mesopotâmia foi dominada por dinastias de origem turca, entre 1410 instituições culturais o direito de escavações no país, com a condição de
e 1508, e depois caiu em poder do imperador persa Ismail, fundador da que a metade dos achados passasse a integrar o acervo do museu de
nova dinastia dos safávidas, que tomou Bagdá naquele último ano e, Bulaq.
depois, Mossul. O domínio de 1Ismail não durou mais do que 26 anos: sob Escavações no século XX. Métodos revolucionários desenvolvidos por
a liderança do sultão Suleiman I, os otomanos acabaram por dominar William Matthew Flinders Petrie permitiram uma mudança de atitude em
Bagdá, em 1534. O sultão soube conquistar a lealdade das populações relação às novas descobertas: o antigo sistema de somente descobrir
fronteiriças e não encontrou resistência em seu ataque decisivo à capital. monumentos e preservá-los foi substituído por escavações sistemáticas,
O Iraque moderno. As hostilidades entre turcos e persas prosseguiram com o objetivo de examinar e registrar cada objeto, ainda que insignificante
até o século XIX. Na época, os conflitos entre as diversas tribos árabes ou fragmentado, e analisar as camadas de terra em que se encontravam.
nômades da região constituíram outro obstáculo a uma eventual unificação Esse método possibilitou levantar dados sobre a história dos lugares e de
política. No início do século XX, com a política adotada por Midhat Paxá, seus habitantes e também sobre a arte que desenvolviam, seus conheci-
esses problemas começaram a ser solucionados. Entre outras medidas, mentos e sua vida cotidiana.
Paxá promoveu uma reestruturação administrativa e estimulou a sedentari- A descoberta do túmulo de Tutankhamen, em 1922, aumentou o inte-
zação das tribos nômades, com a venda de terras aos xeques, o que resse pela egiptologia. O esvaziamento desse túmulo exigiu um trabalho de
reduziu a influência dos grupos que continuaram errantes. dez anos. Seus descobridores, Lord Carvarnon e Howard Carter, solicita-
É crescente a partir desse período a influência na região da política co- ram a ajuda de diversos especialistas para a extração e preservação dos
lonialista do Reino Unido, que desde 1807 instalara seus cônsules com diversos tesouros que continha. O resultado foi que uma grande quantida-
amplos poderes em Bagdá. Teve início então um significativo processo de de de joias, armas, móveis e relicários transformaram o acervo do Museu
modernização com o desenvolvimento das comunicações, após a implan- Egípcio do Cairo em um dos mais valiosos do mundo.

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As primeiras décadas do século XX registraram diversas expedições A VI dinastia realizou expedições à península do Sinai e sob Pepi II
financiadas pelos governos da França, Alemanha, Estados Unidos, Itália e multiplicaram-se as imunidades concedidas aos nobres. Os chefes dos
Polônia, e por museus e instituições científicas. Petrie, Henry Edouard nomos se tornaram mais independentes e desapareceu o poder centraliza-
Naville, Francis Llewellyn Griffith, A. M. Blackman, Percy Edward Newberry dor do faraó. Após longa fase de lutas internas, que marcaram o fim do
e T. E. Peet são alguns estudiosos britânicos que trabalharam no Egito; Antigo Império, o Egito entrou em decadência. No século XXII a.C., os
também merecem destaque as escavações dos cientistas americanos príncipes de Tebas afirmaram sua independência e fundaram a XI dinastia,
George Reisner, em Gizé e na Núbia, e de H. E. Winlock, em Tebas. A dos Mentuhoep, dando início ao Médio Império, que durou de 1938 a c.
descoberta do túmulo de Tutankhamen levantou inúmeras controvérsias, 1600 a.C., com capital em Tebas.
que levaram o governo do Egito a adotar medidas restritivas à saída de Restaurou-se e consolidou-se o poder real. Sobressaíram na XII dinas-
achados arqueológicos do país. Tal medida, ao desencorajar os museus tia, também tebana, Amenemés I, Sesóstris I e Amenemés III, que coloni-
estrangeiros, que não se dispunham a financiar projetos de que não se zaram a Núbia e o Sudão, intensificaram o comércio e as relações diplomá-
beneficiassem diretamente, fez com que os estudos se transferissem do ticas e fizeram respeitar as fronteiras egípcias. O segundo período inter-
plano da escavação para o do registro. Cabe salientar nessa área, as mediário, que abrange da XIII à XVII dinastia, entre c. 1630 e 1540 a.C., é
reproduções publicadas pelo Museu Metropolitano de Arte, de Nova York, de história obscura. Por falta de fontes é impossível analisar o conjunto de
e os volumes editados pelo Instituto Oriental da Universidade de Chicago. causas determinantes da decadência do estado tebano. Sob a XIV dinastia
Desenvolveram-se então preciosos estudos de gabinete, como o dicionário ocorreu a invasão dos hicsos. Os monarcas da XVII dinastia abriram luta
de língua egípcia antiga, de Adolf Erman e H. Rank, e o trabalho de Kurt contra eles e ferimentos encontrados na múmia de Seqenenre parecem
Sethe, todos alemães. Merecem citações ainda os trabalhos dos ingleses indicar sua morte em combate.
Sir Wallis Budge, F. L. Griffith e Alan Henderson Gardiner, e dos franceses Ahmés ou Ahmose I assumiu o comando, expulsou definitivamente os
H. Gauthier e G. Lefebvre. hicsos e fundou a XVIII dinastia. Iniciou-se então o mais brilhante período
da história egípcia, o chamado Novo Império, entre 1539 e 1075 a.C., que
abrange também a XIX, a XX e a XXI dinastias. Como grandes conquista-
dores, sobressaíram Tutmés I e III, da XVIII dinastia, Ramsés II (XIX dinas-
tia), Ramsés III (XX dinastia) e Iknaton, Akenaton ou Amenhotep IV (XVIII
dinastia), por sua reforma religiosa.
Após cerca de trinta anos de paz interna, o Egito, rico e forte, pôde en-
tregar-se às novas tendências imperialistas. Tornou-se um estado essenci-
almente militar e por 200 anos dominou o mundo então conhecido. Alarga-
ram-se as fronteiras do país, da Núbia até o Eufrates. Os príncipes da
Síria, Palestina, Fenícia, Arábia e Etiópia pagaram-lhe tributos. O tratado
firmado em 1278 a.C. com Hattusilis III terminou com a secular guerra com
Templo de Isis (Egito) os hititas. O luxo e o poder econômico refletiram-se nas grandes constru-
Origens. Os muitos estudos de egiptologia revelaram que o povo egíp- ções desse período. Com Ramsés XI findou o Novo Império. Rebentaram
cio antigo resultou da fusão de vários grupos de origem africana e asiática, guerras civis e o Egito entrou em decadência, perdeu territórios e sofreu
e permitiram distinguir três tipos principais: um semítico dolicocéfalo, de invasões.
estatura mediana; outro semítico-líbio, braquicéfalo, de nariz recurvado; e Por volta de 722-715 a.C., uma dinastia etiópica, com capital em Napa-
um terceiro, mediterrâneo, braquicéfalo, de nariz reto e curto. Da mistura ta, restaurou parcialmente a unidade nacional. Em 667 a.C., Assaradão
desses grupos resultou um povo de lavradores, no vale do Nilo, que absor- invadiu o Egito e ocupou Mênfis. Em 664 a.C., Assurbanipal tomou e
veu progressivamente os estrangeiros invasores. saqueou Tebas. Os egípcios, comandados pelos chefes do delta, reagiram
Até o século XIX, as únicas fontes utilizáveis sobre as dinastias do Egi- e em 660 a.C., Psamético I, fundador da XXVI dinastia, expulsou os assí-
to eram os relatos dos autores clássicos, de épocas posteriores aos acon- rios. O Egito voltou a conhecer nova fase de esplendor, chamada de re-
tecimentos por eles descritos. Somente em 1821, com a decifração da nascimento saítico, devido ao nome de sua capital, Saís. Em 605 a.C.,
escrita hieroglífica, por Champollion, é que se pôde proceder à leitura de Necau II tentou conquistar a Síria, mas foi derrotado por Nabucodonosor.
inscrições, que iluminaram mais de três mil anos da história da humanida- Em seu governo concluiu-se o canal de ligação entre o Mediterrâneo e o
de. mar Vermelho e, sob seus auspícios, marinheiros fenícios contornaram a
O período histórico da civilização egípcia começou por volta de 4000 África.
a.C. Os primitivos clãs haviam sido transformados em províncias ou no- Em 525 a.C., o último soberano nacional egípcio, Psamético III, foi der-
mos, e seus chefes elevados à dignidade real. Mais tarde foram agrupados rotado e morto por Cambises, rei dos persas, em Pelusa. O Egito foi incor-
em dois grandes reinos: um ao norte, cujo primeiro rei-deus foi Horus, e porado ao império persa como uma de suas províncias (satrapia). A partir
outro ao sul, que teve Set como primeiro rei-deus. Por volta do ano 3300 de então, até Artaxerxes II, reinou a XXVII dinastia persa. A organização
a.C., segundo a tradição, o reino do sul venceu o do norte. Quando as social e religiosa foi mantida e registrou-se certo desenvolvimento econô-
dinastias humanas sucederam às dinastias divinas, Menés, personagem mico. A libertação do Egito se deu em 404 a.C. Com Armiteu, único faraó
lendário e apontado como unificador do Egito, se tornou o primeiro faraó. A da XXVIII dinastia, a aristocracia militar do delta subiu ao poder. As institui-
capital era, segundo alguns autores, Mênfis, e segundo outros, Tinis, nas ções e a cultura revigoraram-se sob as XXIX e XXX dinastias. Depois de
proximidades de Abidos. Menés é identificado como Narmeza (Narmer), saquear o país, Artaxerxes III restaurou a soberania persa, em 343 a.C. O
representado, num relevo de Hieracômpolis, com as duas coroas dos segundo período da dominação persa terminou em 332 a.C., quando
reinos unificados. Alexandre o Grande da Macedônia, vitorioso, entrou no Egito, após derro-
Dinastias. As escavações realizadas em Abidos, Saqqara e localida- tar Dario III.
des próximas trouxeram informações sobre as primeiras dinastias, denomi- Período macedônio ou ptolomaico. Nesse período, que vai até o ano
nadas tinitas por terem a capital em Tinis. Neste período houve um aumen- 30 a.C., Alexandre foi recebido como libertador e fez-se reconhecer como
to da prosperidade econômica do país, incrementado pelas expedições à "filho de Amon", sucessor dos faraós, prometendo respeitar as instituições
costa do mar Vermelho e às minas de cobre e turquesa do Sinai. e restaurar a paz, a ordem e a economia. Lançou as fundações da cidade
Com a III dinastia, iniciada em 2650 a.C., a capital foi trasladada para de Alexandria. Com sua morte em 323 a.C., o controle do Egito passou a
Mênfis e os faraós iniciaram a construção das pirâmides, grandes túmulos um de seus generais, Ptolomeu, que a partir de 305 a.C. iniciou a dinastia
reais. Inicia-se então o chamado Antigo Império, que vai até a VIII dinastia. dos lágidas. Dentre seus herdeiros destacaram-se, inicialmente, Ptolomeu
Erguem-se as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, faraós da IV Filadelfo, cujo reinado durou de 285 a 246 a.C. e se notabilizou pela ex-
dinastia, e a esfinge de Gizé. A arte egípcia já se apresentava com todas pansão comercial, a construção de cidades, e a criação de um museu e da
as suas características, nessa época de maior esplendor da civilização biblioteca de Alexandria; sucedeu-lhe Ptolomeu Evérgetes, que reinou de
egípcia. O território se estendeu até a segunda catarata do Nilo, e realiza- 246 a 222 a.C. e impulsionou as letras e a arquitetura; e finalmente Ptolo-
ram-se expedições à Núbia e à Líbia. Aumentou o comércio marítimo no meu Epífano, coroado em 196 a.C., que foi homenageado com a redação
Mediterrâneo oriental e se iniciou a exploração das minas de cobre do do decreto da pedra de Rosetta, em 204 a.C.
Sinai, das pedreiras de Assuã e do deserto núbio.

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Atacado por reinos helenísticos, o Egito colocou-se sob proteção ro- cente influência de oficiais mamelucos (conjunto de diferentes etnias, tais
mana, com submissão cada vez maior. Seguiram-se vários e cruéis reina- como turcos, mongóis, curdos etc.), tornou-se preponderante.
dos dos lágidas, até Ptolomeu Auletes que, com apoio romano, permane- Uma milícia de mamelucos bahri, isto é, "do rio", tomou o poder em
ceu no poder até 51 a.C., quando foi expulso pelos egípcios. Sua filha 1250 sob o comando de Izz al-Din Ayback. Os sultões mamelucos impera-
Cleópatra VII desfez-se, sucessivamente, de dois irmãos e apoiou-se no ram no Egito até 1517. Embora o período fosse de paz e prosperidade
imperador romano Júlio César. Com a morte deste, em 44 a.C., ligou-se a econômica, ocorreram tremendas perseguições a judeus e cristãos. Com
Marco Antônio, mas diante da derrota frente às esquadras romanas, e do os mamelucos, cessou qualquer sucessão hereditária e o sultão passou a
assassinato, ordenado por Otávio, do jovem Ptolomeu César, filho que ser eleito pelos emires, o que caracterizou uma verdadeira oligarquia
tivera com César, suicidou-se em 30 a.C. O Egito foi então transformado feudal-militar.
em província romana. Soberanos de direito divino e culto imperial, os Fenícia
lágidas restauraram os templos, honraram a classe sacerdotal e entrega- Os fenícios assimilaram as culturas do Egito e da Mesopotâmia e as
ram a administração aos gregos. Alexandria, cidade grega por suas ori- estenderam por todo o Mediterrâneo, do Oriente Médio até as costas
gens, comércio e cultura, foi o centro intelectual e comercial do mundo orientais da península ibérica. O maior legado que deixaram foi um alfabeto
helenístico. do qual derivam os caracteres gregos e latinos.
Período romano-bizantino. Em 30 a.C., iniciou-se o período romano- Chamou-se Fenícia à antiga região que se estendia pelo território do
bizantino. A minoria romana conservou a organização da época helenísti- que mais tarde seria o Líbano e por parte da Síria e da Palestina, habitada
ca, com base nos nomos (províncias). O camponês era esmagado por por um povo de artesãos, navegadores e comerciantes. Biblo (futura Ju-
altos impostos e requisições. A indústria e o comércio, que deixaram de ser bayl), Sídon (Saída), Tiro (Sur), Bérito (Beirute) e Árado foram as suas
monopólio estatal, ganharam impulso e atingiram as mais distantes regi- cidades principais. O nome Fenícia deriva do grego Phoiníke ("país da
ões. A passagem dos romanos foi marcada ainda pela construção de púrpura" ou, segundo alguns, "terra das palmeiras"). Na Bíblia, parte da
estradas, templos, teatros, cisternas, obras de irrigação e cidades. Uma região recebe o nome de Canaã, derivado da palavra semita kena'ani,
destas foi Antinópolis, construída por Adriano. "mercador".
No final do século II da era cristã generalizaram-se os ataques nôma- História. Os fenícios chegaram às costas libanesas por volta de 3000
des às fronteiras (Líbia, Etiópia, Palmira) e as perseguições ligadas à a.C. Sua origem é obscura, mas sabe-se que eram semitas, procedentes
expansão do cristianismo. Após Constantino, começam as disputas religio- provavelmente do golfo Pérsico. No começo, estiveram divididos em pe-
sas. Em 451 a adesão da igreja alexandrina ao monofisismo levou à for- quenos estados locais, dominados às vezes pelos impérios da Mesopotâ-
mação de uma igreja copta, distinta da grega, e dessa forma o que era tido mia e do Egito. Apesar de submetidos, os fenícios conseguiram desenvol-
como heresia, por força das perseguições imperiais, transformou-se na ver uma florescente atividade econômica que lhes permitiu, com o passar
religião nacional egípcia. do tempo, transformar-se numa das potências comerciais hegemônicas do
Com a divisão do Império Romano verificou-se uma progressiva substi- mundo banhado pelo Mediterrâneo.
tuição de Alexandria por Constantinopla em importância cultural e econô- A dependência dos primeiros fenícios em relação ao poderio egípcio
mica. No século VI o declínio econômico era generalizado em todos os iniciou-se com a IV dinastia (2613-2494, aproximadamente), e é notada
setores. E no início do século VII os árabes foram recebidos como autênti- pela grande quantidade de objetos de influência egípcia encontrados nas
cos libertadores. escavações arqueológicas. No século XIV a.C., a civilização grega de
Período medieval. Época árabe. No ano 640, com a conquista do Egito Micenas fez seu aparecimento na Fenícia, com o estabelecimento de
pelos árabes, começou a era medieval, que durou até 1798. O período comerciantes em Tiro, Sídon, Biblo e Árado. As invasões dos chamados
árabe caracterizou-se por lutas internas e constante troca de emires. A povos do mar significaram uma grande mudança para o mundo mediterrâ-
difusão do árabe e do islamismo transformou a invasão muçulmana na neo: os filisteus se instalaram na Fenícia, enquanto Egito e Creta começa-
mais importante de todas as que o Egito sofreu. De sua história restou o vam a decair como potências. Dessa forma, a Fenícia estava preparada no
copta, designação apenas religiosa. A princípio o Egito foi transformado em século XIII a.C. para iniciar a sua expansão marítima.
uma província do califado dos omíadas, de Damasco, que transferiram a A cidade de Tiro assumiu o papel hegemônico na região. Em pouco
capital para al-Fustat, construída nas imediações da fortaleza da Babilônia, tempo, seus habitantes controlaram todas as rotas comerciais do interior,
erguida pelos romanos, no lugar hoje ocupado pela cidade velha do Cairo. comercializando principalmente madeira de cedro, azeite e perfumes.
Os omíadas conservaram o sistema administrativo egípcio e seus funcioná- Quando dominaram o comércio na área, iniciaram a expansão pelo Medi-
rios, mas o governo era exercido por um emir, auxiliado por um amil, ou terrâneo, onde fundaram muitas colônias e feitorias.
diretor de finanças. O processo de islamização reacelerou com os abássi- Os fenícios escalaram primeiro em Chipre, ilha com a qual há muito
das, de Bagdá, cujo poder, no entanto, enfraqueceu ao longo do século IX. mantinham contato, e no século X a.C. se estabeleceram em Cício ou
Época independente. Este período corresponde a quatro dinastias, en- Kítion (Larnaca). A faixa costeira da Anatólia também conheceu a presença
tre 868 e 1517: os tulúnidas, os ikhchiditas, os fatímidas e os aiúbidas. fenícia, embora lá não se tenham estabelecido colônias permanentes. No
Compreende ainda um domínio por parte dos mamelucos. sul da Palestina, sob domínio judeu desde o fim do século XI a.C., assenta-
A dinastia dos tulúnidas dominou de 868 a 905 e foi fundada pelo ofici- ram-se colônias comerciais estáveis, assim como no Egito, sobretudo no
al turco Ahmad ibn Tulun, que proclamou a independência do país em delta do Nilo.
relação a Bagdá. Os ikhchiditas governaram independentemente entre 939 O Mediterrâneo ocidental foi, no entanto, a região de maior atração pa-
e 968, depois de um breve retorno a Bagdá. Entretanto, um novo poder ra os fenícios, que mantiveram relações econômicas com Creta, mas a
militar agressivo, oriundo da Tunísia, se apoderou do Egito, sob a família presença dos gregos os induziu a dirigirem-se mais a oeste, chegando à
dos fatímidas, que se consideravam descendentes do califa Ali e de Fáti- Sicília, onde fundaram Mócia (Mótya), Panormo (Panormum) e Solos
ma, filha de Maomé. Adeptos da doutrina xiita, governaram entre 969 e (Sóloi). No norte da África, os fenícios tinham-se estabelecido em Útica no
1171. Uma nova capital foi fundada, al-Qahira (Cairo) em 988, e o Egito, século XII a.C. e fundaram outros núcleos no século IX a.C., entre os quais
organizado como califado, passou a usufruir de notável desenvolvimento Cartago. Na península ibérica, Gades (Cádiz), fundada no século XII a.C.,
econômico e cultural. Foi fundada a mesquita e a universidade de al-Azhar, foi o porto principal dos fenícios, que ali adquiriam minerais e outros produ-
em 970, e o tesouro dos califas passou a incluir a mais valiosa biblioteca tos do interior. Na ilha de Malta, a Fenícia impôs seu controle no século VIII
do mundo muçulmano da época. a.C., e a partir de Cartago fez o mesmo em relação a Ibiza no século VI
As disputas internas possibilitaram a intervenção do sultão de Damas- a.C.
co, Nur-al-Din, por intermédio do general Shirgu e de seu sobrinho Saladi- O esplendor econômico e cultural da Fenícia viu-se ameaçado a partir
no (Sala al-Din Yusuf ibn Ayyub). Este, feito vizir em 1169, proclamou-se do século IX a.C., quando a Assíria, que precisava de uma saída para o
sultão do Egito logo após a morte do califa, dando início à dinastia dos mar a fim de fortalecer sua posição política no Oriente Médio, começou a
aiúbidas, que reinaram de 1171 a 1250, e destacaram-se como grandes introduzir-se na região. O rei assírio Assurbanipal estendeu sua influência a
administradores. Reconstituíram um grande estado, da Tripolitânia à Me- Tiro, Sídon e Biblo, cidades às quais impôs pesados tributos. A dominação
sopotâmia, dedicaram-se à agricultura de irrigação, ao comércio, às obras assíria obrigou as cidades fenícias a firmarem uma aliança: em meados do
militares, à construção de escolas, hospitais e mesquitas. Lutaram contra século VIII a.C., Tiro e Sídon se uniram para enfrentar os assírios, aos
os cruzados na Palestina, porém lutas internas minaram o poder. A cres- quais opuseram tenaz resistência; mas, apesar desses esforços de inde-
pendência, a Assíria manteve sua hegemonia. Os egípcios, também sub-

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metidos à influência assíria, estabeleceram um pacto defensivo com Tiro Em geral os templos, normalmente divididos em três espaços, eram edifi-
no início do século VII a.C., mas foram vencidos. cados em áreas abertas dentro das cidades. Havia ainda pequenas cape-
No fim desse século, Nabucodonosor II impôs a hegemonia da Babilô- las, altares ao ar livre e santuários com estelas decoradas em relevo. Os
nia no Oriente Médio. O rei babilônico conquistou a região da Palestina e, sacerdotes e sacerdotisas frequentemente herdavam da família o ofício
depois de longo assédio, submeteu Tiro em 573 a.C. A Pérsia substituiu a sagrado. Os próprios monarcas fenícios, homens ou mulheres, exerciam o
Babilônia em 539 a.C. como poder hegemônico. A partir de então, Sídon sacerdócio, para o que se requeria um estudo profundo da tradição.
passou a ter supremacia sobre as outras cidades fenícias e colaborou com Cultura e arte. A civilização ocidental deve aos fenícios a difusão do al-
o império persa contra os gregos, seus principais inimigos na disputa do fabeto, cuja origem é incerta. Povo pragmático por natureza, os fenícios
controle comercial do Mediterrâneo. Os persas incluíram a Fenícia em sua parecem haver adotado e simplificado formas de escrita mais complexas,
quinta satrapia (província), junto com a Palestina e Chipre. Sídon procurou talvez de procedência egípcia, para criar um alfabeto consonântico de 22
então uma aproximação com os gregos, cuja influência cultural se acentu- letras, que se escreviam da direita para a esquerda. Os gregos foram os
ou na Fenícia. primeiros a receber essa importante herança fenícia, que remonta ao
século XIV a.C.; a exemplo dos latinos e outros povos da antiguidade,
transformaram esse alfabeto e lhe incorporaram as vogais.
A arte fenícia constituiu um sincretismo de elementos egípcios, egeus,
micênicos, mesopotâmicos, gregos e de outros povos, e tinha um caráter
essencialmente utilitário e comercial. A difusão dos objetos fenícios pelo
Mediterrâneo contribuiu para estender as influências orientalizantes à arte
dos gregos, dos etruscos, dos iberos e outros. A peça mais destacada da
escultura fenícia é o sarcófago de Ahiram, encontrado em Biblo, cuja
decoração apresenta motivos talhados em relevo.

ANTIGUIDADE OCIDENTAL
Grécia antiga
Os povos que na antiguidade habitaram o território da Grécia construí-
Ruínas da cidade de Tiro ram a primeira civilização duradoura da Europa, berço de toda a cultura
No século IV, o macedônio Alexandre o Grande irrompeu na Fenícia; ocidental moderna.
mais uma vez, Tiro foi a cidade que apresentou a resistência mais forte, Os gregos criaram obras artísticas, literárias, filosóficas e científicas de
mas, esgotada por anos de lutas contínuas, caiu em poder de Alexandre importância jamais superada, embora nunca tenham sido capazes de
em 322 a.C. Depois da derrota, toda a Fenícia foi tomada pelos gregos. alcançar a unificação política.
Finalmente, Roma incorporou a região a seus domínios, como parte da A Grécia antiga abrange o conjunto das civilizações que se desenvol-
província da Síria, em 64 a.C. veram nas regiões situadas na bacia do mar Egeu, sobretudo nas partes
Economia. A Fenícia foi um dos países mais prósperos da antiguida- central e sul da Grécia continental e no litoral oeste da Anatólia. Compre-
de. Suas cidades desenvolveram uma florescente indústria, que abastecia ende desde a civilização minóica (ou minoana), que floresceu em Creta na
os mais distantes mercados. Objetos de madeira talhada (cedro e pinho) e idade do bronze e foi depois absorvida pela cultura micênica do continente,
tecidos de lã, algodão e linho tingidos com a famosa púrpura de Tiro, até a da Grécia transformada em província romana, no ano 146 a.C.
extraída de um molusco, foram as manufaturas fenícias de maior prestígio O nome Grécia e o etnônimo grego, aplicados ao país e ao povo, fo-
e difusão. Também eram muito procurados os objetos de metal; o cobre, ram empregados inicialmente apenas pelos romanos, que estenderam a
obtido em Chipre, o ouro, a prata e o bronze foram os mais utilizados, em toda a região o nome da primeira tribo que encontraram no continente. Os
objetos suntuários e em joias de alto valor. Os trabalhos em marfim alcan- gregos do período clássico chamavam a si mesmos helenos e, a seu país,
çaram grande perfeição técnica na forma de pentes, estojos e estatuetas. Hélade. Referiam-se assim aos habitantes da península grega, para distin-
Os fenícios descobriram ainda a técnica de fabricação do vidro e aperfei- gui-los dos bárbaros, nome que davam aos povos que não tinham o grego
çoaram-na para confeccionar belos objetos. como língua materna. Originalmente, Hélade era um topônimo de significa-
O comércio se fez principalmente pelo mar, já que o transporte terres- do restrito, aplicado a um pequeno território ao sul da Tessália.
tre de grandes carregamentos era dificílimo. Essa exigência contribuiu para A extensão do termo a toda a Grécia continental, e o emprego do no-
desenvolver a habilidade dos fenícios como construtores navais e os me heleno para designar o cidadão de qualquer pólis (cidade-estado
transformou em hábeis navegadores. grega), mesmo das mais distantes, data do final do século VII a.C., quando
Sociedade e política. Para a construção de suas cidades e feitorias, os os santuários de Deméter, em Antela, e de Apolo, em Delfos, se transfor-
fenícios escolhiam zonas estratégicas do ponto de vista comercial e da maram em centros religiosos procurados por todos os gregos. Formou-se a
navegação. Erguiam-nas sempre em portos protegidos, amplas baías que partir daí uma liga de cidades gregas para administrar os templos e organi-
permitiam aos barcos atracar com facilidade e penínsulas abrigadas. As zar os festivais, que reuniam cidadãos de todas as partes da Hélade e
cidades eram geralmente protegidas com muralhas, e os edifícios chega- muito contribuíram para a unidade política e cultural desses territórios.
vam a uma altura considerável. Idade do bronze. Os séculos decorridos entre o início da idade do
A classe dos comerciantes ricos exercia o domínio político em cada ci- bronze, por volta do terceiro milênio a.C., até o fim do período micênico,
dade, governada por um rei. A diversidade arquitetônica das casas fenícias por volta do ano 1100 a.C., são denominados período heládico. Durante
que foi possível conhecer revela a existência de uma marcada diferencia- essa fase, a população local, constituída inicialmente de pacíficos criadores
ção social entre a oligarquia de mercadores e o conjunto dos trabalhadores e agricultores, transformou-se em povo guerreiro. A economia baseava-se
artesanais e agrícolas. no comércio marítimo com as ilhas e com os povos da costa leste do
Religião. A religião dos fenícios era semelhante à de outros povos do Mediterrâneo. Os chefes guerreiros dedicavam-se à guerra e à busca da
Oriente Médio, embora também apresentasse características e influências fama e beneficiavam-se tanto do comércio quanto das terras de agricultura
de religiões e crenças de outras áreas como o mar Egeu, o Egito e mais e pecuária, trabalhadas pelos servos.
tarde a Grécia, em consequência dos contatos comerciais. Essa transformação transcorreu lentamente. No ano 2600 a.C. houve
A religiosidade se baseava no culto às forças naturais divinizadas. A uma invasão de povos oriundos da Anatólia que sabiam trabalhar o ferro e
divindade principal era El, adorado junto com sua companheira e mãe, aperfeiçoaram as técnicas de agricultura e navegação. Cerca de seis
Asherat ou Elat, deusa do mar. Desses dois descendiam outros, como séculos depois, tribos indo-europeias invadiram a península pelo norte e
Baal, deus das montanhas e da chuva, e Astarte ou Astar, deusa da fertili- destruíram a sociedade existente. Falavam uma língua indo-europeia,
dade, chamada Tanit nas colônias do Mediterrâneo ocidental, como Carta- pertenciam a uma outra raça e distinguiam-se pela forma dos túmulos de
go. As cidades fenícias tinham ainda divindades particulares; Melqart foi o seus reis. Absorveram as práticas dos habitantes anteriores, mas passa-
deus de Tiro, de onde seu culto, com a expansão marítima, passou ao ram a viver em complexos fortificados. Um sistema de rampas e escadas
Ocidente, concretamente a Cartago e Gades. levava da porta da cidade ao salão onde ardia o fogo sagrado. Esse projeto
Entre os rituais fenícios mais praticados tiveram papel essencial os sa- tornou-se mais tarde a planta do templo grego.
crifícios de animais, mas também os humanos, principalmente crianças.

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tinham laços com suas cidades de origem. No final do século VII a.C., a
cunhagem de moedas, que os gregos jônicos aprenderam com os lídios,
revolucionou o comércio.
O que hoje se entende como literatura e filosofia gregas nasceu nas
cidades jônicas, onde também surgiu o alfabeto grego. Um importante
elemento de aglutinação cultural dessas cidades foram os poemas homéri-
cos Ilíada e Odisseia, baseados na guerra de Troia e nas viagens do herói
Ulisses. Os gregos consideravam a poetisa Safo, da ilha de Lesbos, o
maior nome da poesia lírica e Tales de Mileto o primeiro grande filósofo
grego. Foi também nesse período, na Beócia, no continente, que floresceu
Hesíodo.
Período clássico. O século V a.C., início do período clássico, foi a um
só tempo infausto e glorioso para a Grécia continental. Os persas invadi-
ram por duas vezes o território grego, de forma devastadora. Mas foi
também um século de triunfos, que correspondeu ao ápice da cultura
grega. As guerras greco-pérsicas, iniciadas em 499 a.C., fizeram com que
Por volta do ano 1600 a.C., a fusão entre grupos do continente e a civi- Atenas e Esparta, as duas cidades hegemônicas, superassem divergências
lização minóica de Creta levou ao surgimento da cultura micênica, nome e se aliassem contra o inimigo comum. Os persas esmagaram a revolta, e
derivado da cidade de Micenas, no continente. A civilização minóica, a Dario I o Grande resolveu punir Atenas.
mais característica de toda a região do Egeu, notabilizara-se por suas Em 490 a.C. Dario lançou uma força invasora, mas o exército atenien-
cidades populosas, com grandes edifícios e residências luxuosas; pelo se rechaçou o ataque, na batalha de Maratona. A vitória foi importante por
agudo senso comercial; pelas conquistas artísticas, que incluíam a escrita; duas razões: mostrou as perdas que os hoplitas (soldados de infantaria
e pela forma de governo, que concentrava o poder político nas mãos de um com armadura pesada ou fortemente armados) gregos foram capazes de
rei, encarregado de administrar as riquezas do país. impor aos persas e pôde ser usada para fins de propaganda.
Civilização micênica. A monarquia minóica acabou por submeter-se ao A segunda guerra greco-pérsica, dirigida por Xerxes, filho e sucessor
poder militar micênico, mas a cidade de Micenas valorizou a arte minóica de Dario I, teve início com a expedição punitiva realizada dez anos depois,
de tal forma que acabou por importar seus artistas, cujas influências se quando os persas derrotaram os gregos no desfiladeiro das Termópilas e
manifestam nos temas ornamentais que adornam sua cerâmica, nas repre- incendiaram a Acrópole. Mesmo assim, Temístocles, comandante da frota
sentações pictóricas e na ourivesaria. A sociedade micênica era guerreira, ateniense, destruiu com as trirremes gregas -- naus dotadas de três pavi-
como demonstram seu conhecimento dos carros puxados por cavalos, mentos de remos e vela redonda -- a frota persa, em Salamina. Sem o
suas extraordinárias fortificações, os palácios construídos em torno de um apoio naval, o exército persa foi finalmente dizimado na batalha de Plateia,
mégaro (salão central) e as armas e armaduras encontradas nas tumbas em 479 a.C., por uma confederação de cidades gregas. A vitória deveu-se
escavadas. principalmente ao amor à liberdade dos gregos, que defenderam desespe-
Diante da pressão dos dórios, povo procedente do norte que migrou radamente sua independência, ameaçada por um inimigo mais poderoso.
para a Grécia no início do século XII a.C., a civilização micênica sucumbiu. A essa altura, Atenas e Esparta, as principais cidades-estados, exibi-
Os dórios eram um povo guerreiro, que usava armas de ferro e cultuava am acentuados contrastes, tanto na forma de governo quanto em cultura.
deuses masculinos, mais frequentemente do que femininos. Destruíram os De acordo com a tradição instituída por seu legislador, Licurgo, Esparta
palácios micênicos e escravizaram todos que não conseguiram fugir a adotara um regime autoritário e militarista, em que os homens eram prepa-
tempo para Atenas, para as ilhas ou para a Anatólia. Sua forma de vida era rados para a guerra e as mulheres para gerar bravos guerreiros. Atenas
tão rude que os 300 anos de seu domínio ficaram conhecidos como idade vivia em regime democrático, graças à constituição legada por Sólon, que
das trevas -- ou como período geométrico, em alusão à simplicidade de permitiu uma participação cada vez maior dos cidadãos, ricos ou pobres,
sua cerâmica. na elaboração das leis. Atenas prosperou principalmente durante o gover-
À medida que a Grécia se recuperava dos efeitos da invasão, o povo no de Péricles, de 460 a 429 a.C., e se transformou na capital política,
grego foi desenvolvendo uma língua e uma religião em comum com os econômica e cultural do mundo grego. A democracia de Péricles despojou
dórios, e as populações tornaram-se semelhantes. Todos cultuavam uma a aristocracia da maioria dos poderes e privilégios; o conselho dos 500
família de deuses chamados olímpicos, que habitariam palácios no monte resolvia todos os assuntos do estado e controlava o executivo, e a vontade
Olimpo. O culto compreendia a realização de festivais, disputas atléticas popular se expressava na assembleia. Péricles se dedicou à consolidação
entre as cidades e cerimônias dedicadas ao deus protetor de cada cidade. do poder ateniense, mas não conseguiu a unificação pan-helênica, que
A mais conhecida dessas celebrações eram os Jogos Olímpicos, realiza- tanto almejara.
dos a cada quatro anos em Olímpia, em honra a Zeus e Hera. Os jogos Em 477 a.C. Atenas firmara com as cidades jônicas uma aliança, a liga
começaram a ser disputados em 776 a.C., primeira data registrada da de Delos, para protegê-las dos persas. No início, as cidades que faziam
história da Grécia antiga. A partir de então, os gregos passaram a datar os parte da liga mantiveram sua autonomia, mas Atenas desde o primeiro
acontecimentos fazendo referência ao ano olímpico. momento assumiu a direção militar e a administração dos recursos que os
Período arcaico. O terror das invasões dórias resultou na formação de aliados haviam depositado no templo de Apolo, em Delos. Ao afastar-se o
cidades-estados, as pequenas nações gregas, surgidas à medida que os perigo persa, a hegemonia ateniense começou a ser discutida por algumas
habitantes dos vilarejos dispersos buscavam proteção nas proximidades cidades, como Naxos e Tasos, que tentaram sem êxito abandonar a liga;
das fortificações micenianas. Em 800 a.C. aproximadamente, as cidades pelas cidades independentes, como Corinto, que se sentiam ameaçadas; e
passaram a seguir um mesmo padrão urbanístico: uma fortaleza (acrópole) pelas que faziam parte da liga do Peloponeso, à frente das quais estava
cercada de muros altos abrigava os templos e podia acomodar a popula- Esparta.
ção e os moradores dos povoados próximos quando a cidade fosse sitiada. Guerra do Peloponeso. Os choques entre Atenas e outras cidades se
Abaixo dela ficavam o mercado (ágora) e os quarteirões residenciais. As tornaram cada vez mais frequentes. A intervenção ateniense no conflito
cidades-estados tinham governo próprio, limites definidos e mantinham entre Corinto e Corcira (atual Corfu) provocou, a pedido de Corinto, a
entre si relações diplomáticas. A história política da Grécia antiga é, em reunião da liga do Peloponeso, cujos membros decidiram declarar guerra a
grande medida, a história das cinco maiores cidades-estados -- Atenas, Atenas. Os atenienses nada fizeram para evitá-la, confiantes nas vultosas
Esparta, Tebas, Corinto e Argos. reservas de ouro, suficientes para financiar um longo conflito, e na frota de
O período arcaico se estende de meados do século VIII até o início do navios, imensamente superior à dos peloponesos. Mas o exército esparta-
século V a.C. Pressionada pelo crescimento demográfico na Grécia conti- no era mais numeroso e estava melhor preparado que o ateniense. Come-
nental, a população fundou várias colônias, da Anatólia e do mar Negro à çou assim uma guerra que se prolongaria por quase trinta anos, com
França, Espanha e norte da África. Os oriundos de Atenas fundaram as resultados desfavoráveis para ambos os lados.
primeiras colônias na Anatólia, ajudados pela Lídia. As cidades jônicas Durante os primeiros anos de guerra, as forças atenienses e esparta-
originaram-se do comércio no mar Negro. Os habitantes das novas cidades nas se mantiveram equilibradas, mas a intervenção da Pérsia acabou por
da Ásia ou das margens do Mediterrâneo consideravam-se gregos e man- favorecer Esparta. A destruição completa do exército e da frota atenienses

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na Sicília paralisou Atenas. Com o apoio da Pérsia, o excelente estrategis- oriente bárbaro e a civilização grega constituíram a origem da chamada
ta espartano Lisandro conseguiu triunfar na batalha decisiva de Egospóta- civilização helenística, que se desenvolveu em grande parte da Ásia (Pér-
mos, em 405 a.C. Atenas resistiu ao assédio lacedemônio, mas foi obriga- sia, Síria e Índia) e no Egito. Assim, depois que a Grécia perdeu o poder e
da a render-se. Após perder o império mediterrâneo, voltou a contar ape- a independência política, sua língua e sua cultura se tornaram universais.
nas com seus próprios recursos. Apesar da paz assinada em 404 a.C., o Alexandre concebeu o plano de um império que resultaria da união de
mundo grego, inteiramente dividido, jamais recuperou o esplendor do gregos e persas, mas morreu de febre na Babilônia, em 323 a.C. Liderados
passado. A Pérsia, verdadeira vencedora do conflito, passou a participar por Atenas, os gregos se revoltaram nesse ano contra a Macedônia na
ativamente da política grega, ora em apoio a Esparta, ora a Atenas, ora chamada guerra lamiana, mas tiveram de capitular depois da derrota de
finalmente atuando como potência mediadora entre as duas cidades- Amorgos e a Liga de Corinto foi dissolvida. O problema da sucessão de
estados. Alexandre arrastou o país a novas guerras. Por fim, impuseram-se os
Depois da guerra do Peloponeso instalou-se a hegemonia lacedemô- antigônidas na Macedônia, a monarquia selêucida no Oriente e a ptolomai-
nia e Esparta tentou impor o regime oligárquico em toda a Grécia. Descon- ca no Egito. Com isso, o império dividiu-se definitivamente, embora os
tente com o acordo de paz e com o predomínio de Esparta, Tebas fez uma anseios de liberdade dos gregos os levassem ainda a novas guerras e
aliança com sua antiga inimiga Atenas. Em 379 a.C., dois tebanos, Pelópi- coligações, de êxito esporádico, até a intervenção final e a ocupação do
das e Epaminondas, organizaram uma conspiração contra a guarnição território pelos romanos.
espartana da Cadmeia (cidadela de Tebas), que marcou o começo da Domínio romano. As primeiras relações dos romanos com as cidades
decadência de Esparta. Ameaçados pelo avanço tebano, os espartanos gregas haviam sido amistosas. Todavia, quando em 215 a.C. Filipe V da
assinaram, em 374 a.C., um novo tratado de paz com Atenas: esta reco- Macedônia aliou-se ao cartaginês Aníbal, Roma resolveu intervir militar-
nhecia a supremacia espartana no Peloponeso, e Esparta, em troca, mente e obteve a vitória contra os macedônios em Cinoscéfalas, no ano
reconhecia a segunda liga marítima ateniense. Esparta, no entanto, que- 197 a.C. Seguindo uma política de prudência, Roma respeitou o reino
brou o acordo e interveio contra Atenas mais uma vez no oeste. macedônio e devolveu a autonomia às cidades gregas. A partir de 146
Começou nessa época o apogeu da Tessália e de Tebas, que reorga- a.C., porém, a Grécia ficou submetida definitivamente ao domínio da
nizaram seus exércitos e restauraram a Liga Beócia, o que motivou a república romana, embora tenha continuado a manter a primazia espiritual
reaproximação entre Esparta e Atenas. Na batalha de Leuctras, em 371 sobre o mundo antigo.
a.C., Epaminondas, renovador da tática militar, infligiu à infantaria esparta- Roma antiga
na uma derrota de que ela nunca mais se recuperou. Depois da batalha de Grande parte da organização do mundo moderno se deve ao império
Mantineia (362 a.C.), em que os tebanos, apesar de terem vencido os que Roma foi capaz de construir há dois mil anos em torno do mar Mediter-
atenienses e espartanos, perderam Epaminondas, assinou-se uma paz râneo. Os idiomas falados no sul da Europa, América Latina e outras
pela qual nenhum estado conseguiu impor seu domínio. O equilíbrio alcan- partes do mundo constituem uma das heranças diretas da civilização
çado após Mantineia se apoiava unicamente na exaustão a que tinham romana.
chegado igualmente todos os estados gregos. Com o desmoronamento Sob o título Roma antiga estuda-se todo o dilatado período que com-
definitivo dos sonhos e ambições hegemônicas de Atenas, Esparta e preende as origens de Roma, no século VIII a.C., a fase monárquica, a
Tebas, a Grécia ficou à mercê de um país do norte: a Macedônia. república romana e o império, até o ano 476 da era cristã, quando ocorre o
Hegemonia macedônica e decadência. A dissolução da liga ateniense fim do Império Romano do Ocidente.
ocorreu ao mesmo tempo em que a Macedônia começava a ascender, Origens da cidade
liderada por Filipe II. Depois de unificar o reino, Filipe II iniciou uma política No século VIII a.C., duas grandes civilizações haviam lançado suas
de expansão cujo primeiro objetivo foi proporcionar ao país uma saída para bases na península itálica: nas terras onde posteriormente se localizaria a
o mar. As cidades que resistiram foram destruídas. A conquista das minas Toscana, as avançadas cidades etruscas se aproximavam do auge de seu
de ouro do monte Pangeu forneceu os recursos necessários para fazer da esplendor; no sul da península e na Sicília, a chamada Magna Grécia
Macedônia uma potência. implantava uma cultura semelhante à da Hélade, em cidades como Tarento
O exército macedônico foi reorganizado por Filipe, que o dotou da fa- e Siracusa.
mosa falange e de equipamentos de guerra. Atenas não se opôs ao avan- Os demais povos que habitavam a Itália, como os latinos e os samni-
ço macedônico. Só mais tarde o orador Demóstenes concitou os cidadãos tas, dispersos entre aqueles dois grupos, encontravam-se num estágio
atenienses a resistirem a Filipe, mas, juntamente com os tebanos, os pouco desenvolvido de civilização. As aldeias que iriam formar a Roma dos
atenienses foram derrotados na decisiva batalha de Queroneia, em 338 reis e as outras aglomerações rústicas do Lácio nos séculos IX e VIII a.C.
a.C. Filipe uniu todas as cidades gregas, com exceção de Esparta, e partilhavam língua e costumes religiosos e se unificaram mediante essa
assumiu pessoalmente o comando da confederação, o que na prática identidade cultural.
significou submeter a Grécia à Macedônia. Na parte central da península itálica, o rio Tibre, já próximo de sua de-
Filipe foi assassinado em 336 a.C., quando se preparava para realizar sembocadura, atravessava uma região de terras pantanosas, entre as
a conquista da Pérsia. Seu filho e herdeiro, Alexandre o Grande, que tinha quais se destacavam algumas colinas cobertas de bosques. O local era
então vinte anos, transformou em realidade esse ambicioso projeto. Toda a estratégico para os povos vizinhos: os latinos ali pastoreavam seus reba-
sociedade grega sofria então as consequências de suas próprias guerras nhos; os sabinos comerciavam o sal da costa e o transportavam rio acima;
civis e dos confrontos com a Macedônia. O campo ficou devastado e os e os etruscos afluíam do norte para vender seus produtos manufaturados
pequenos proprietários rurais tenderam a desaparecer. Os mercenários se às populações ribeirinhas, menos desenvolvidas. Na colina do Palatino, às
converteram num mal inevitável que assolou o campo e as cidades. As margens do Tibre, estabeleceu-se em meados do século VIII um núcleo
contínuas guerras provocaram a estagnação econômica, enquanto as populacional composto de agricultores e criadores de gado, entre os quais
classes menos favorecidas esperavam a assistência do estado. Entre os devia haver também comerciantes.
intelectuais do período, como Platão, Isócrates e Xenofonte, começou a
ganhar forma a ideia da unificação grega sob a liderança de um dirigente
carismático.
Alexandre o Grande se propôs unificar sob seu poder todo o mundo ci-
vilizado. Entretanto, antes de iniciar suas campanhas contra a Pérsia
precisava assegurar o domínio sobre as cidades gregas. Primeiramente,
conseguiu que a Liga de Corinto o nomeasse comandante supremo dos
gregos. Depois de submeter, em 335 a.C., os trácios e ilírios, que se havi-
am sublevado, voltou-se contra Tebas, que também se rebelara e destruiu
a cidade, matando ou escravizando todos os seus habitantes. A Grécia
comprovou a impossibilidade de opor-se a Alexandre, que pôde então
empreender suas conquistas na Ásia. Depois de confiar a Antípatro a
regência da Macedônia e o governo da Grécia, cruzou o Helesponto.
Em 334 a.C., Alexandre atravessou a Ásia, desafiou Dario III e chegou
à Índia. Suas conquistas e seu projeto de construir uma ponte entre o Ruínas de Cartago

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Em épocas posteriores, diversos autores recolheram e deram forma li- início a uma série de guerras contra seus vizinhos, o que acabou por lhe
terária a antigas lendas sobre a fundação da cidade, que teve sua data valer o domínio da Itália. A segunda guerra samnita, em que as forças
fixada convencionalmente em 753 a.C. Segundo essas lendas, o fundador, romanas foram vencidas, terminou em 321 a.C. com a chamada Paz
Rômulo, descendia do herói troiano Eneias e foi amamentado, junto com Caudina, uma alusão ao humilhante desfile a que foram obrigados os
seu irmão Remo, por uma loba, que se converteu no símbolo da cidade. romanos derrotados pelo desfiladeiro samnita de Caudinae Forculae.
Monarquia Entretanto, na terceira guerra samnita, de 298 a 290 a.C., as forças roma-
De acordo com as fontes tradicionais, sete reis governaram Roma ao nas conseguiram a esmagadora vitória de Sentino, contra uma coligação
longo de dois séculos e meio, período durante o qual o território dominado formada por seus principais inimigos.
pelos romanos passou por uma paulatina expansão. Os quatro primeiros Todo o centro da Itália caiu então sob o poderio de Roma. O expansi-
monarcas, Rômulo, Numa Pompílio, Tulo Hostílio e Anco Márcio, parecem onismo de Roma, já convertida em grande potência, voltou-se para as ricas
ser totalmente lendários, e acredita-se que tanto seus nomes quanto seus cidades gregas do sul da península. A poderosa Tarento caiu em suas
feitos foram imaginados e narrados muitos séculos após a fundação da mãos em 271 a.C. e logo toda a península itálica tornou-se romana.
cidade. Os três últimos soberanos foram os etruscos Tarquínio o Velho, Roma submetia as cidades dominadas a regimes jurídicos diversos.
Sérvio Túlio e Tarquínio o Soberbo, de existência mais documentada, cujos Basicamente, respeitou as instituições governamentais de cada uma delas
governos se estenderam pela maior parte do século VI. e executou uma hábil política, concedendo, em alguns casos, a cidadania
A monarquia etrusca coincidiu com uma época de notável progresso romana a seus habitantes, embora sem direitos políticos na metrópole. O
econômico e cultural: os romanos, povo de mentalidade prática, adotaram resultado foi a conquista de um vasto território em que a ordem jurídica se
o alfabeto grego e o modificaram até criar o alfabeto latino, que seria encontrava uniformizada e garantida, o que permitiu o incremento das
posteriormente utilizado por quase todos os idiomas do mundo. Tanto os relações comerciais e a manutenção de um poderoso exército. Logo foram
etruscos do norte quanto os gregos do sul tiveram influência significativa na construídas as primeiras grandes vias de comunicação terrestre e estabe-
formação da cultura especificamente latina. Roma, que não passava de um lecido o domínio marítimo da costa da península. Cidadãos romanos
aglomerado de aldeias, converteu-se numa verdadeira cidade, na qual os estabeleceram colônias, primeiro no Lácio e depois no resto da península
reis etruscos executaram grandes obras públicas: saneamento, constru- itálica, o que contribuiu para a integração do território.
ções de templos e de locais públicos de reunião.
É provável que a expulsão dos etruscos tenha, na verdade, ocorrido
vários decênios depois de 509 a.C., a data convencionalmente fixada para
sua ocorrência. O último rei, Tarquínio o Soberbo, foi deposto pelos cida-
dãos de Roma, que instauraram então o regime republicano.

República
Patrícios e plebeus. Nos primeiros tempos da república, só os mem-
bros das famílias mais poderosas habilitavam-se a participar do governo da
cidade. Seu poder era exercido pelo Senado, uma assembleia integrada
pelos chefes das principais famílias, que exerciam o cargo a título vitalício.
As tensões entre patrícios e plebeus fizeram com que estes últimos recor-
ressem, por duas vezes, a movimentos de secessão, mediante a retirada
para fora dos muros de Roma e a recusa de cumprir obrigações militares.
Obrigado a aceitar suas condições, o Senado acabou por autorizar a
criação de assembleias de plebeus. Essas assembleias nomeavam os Casa em Pompeia
tribunos da plebe, os quais gozavam de imunidade e eram dotados de Expansão mediterrânea. Em meados do século III, Roma -- senhora da
poderes para proteger o povo das ações arbitrárias dos magistrados. península itálica -- empreendeu a expansão que a tornaria dona do Medi-
Por volta de 450 a.C., o direito consuetudinário romano foi codificado terrâneo. Para isso, era inevitável o confronto com um poderoso inimigo:
pelos decênviros (magistrados especialmente designados para essa mis- Cartago. A cidade norte-africana dominava um extenso império comercial
são) e promulgada a Lei das Doze Tábuas, embrião do vasto corpo jurídico que incluía, além das costas africanas, o sul da península ibérica, a Córse-
que Roma legou ao mundo e que haveria de constituir a base dos sistemas ga, a Sardenha e a maior parte da Sicília. Todas as três ilhas caíram em
jurídicos modernos. A pressão dos plebeus levou a novas concessões, até poder dos romanos após a primeira guerra púnica, de 264 a 241 a.C. Mais
que, ao obterem acesso à dignidade sacerdotal, no ano 300 a.C., tornou-se tarde, Roma deu início à colonização do vale do Pó e se impôs aos gaule-
completa a igualdade jurídica entre todos os cidadãos da república. ses, os quais ali se estabeleceram no século IV.
Expansão territorial. A Roma monárquica havia integrado uma federa- Também as costas orientais do mar Adriático caíram sob a influência
ção de cidades latinas. Quando caíram os reis etruscos, as populações romana em consequência das campanhas empreendidas contra os piratas
vizinhas deram início a um movimento para exigir maior autonomia, o que que tinham suas bases no litoral de Ilíria. Uma nova guerra com Cartago --
obrigou Roma a intensificar suas ações militares até reconstruir a antiga a segunda guerra púnica -- começou em 218 a.C. Quando chegou ao fim,
Liga Latina, dessa vez sob seu predomínio. Ao longo do século V, Roma em 201 a.C., a cidade africana havia deixado de ser uma potência rival, e
dominou diversos povos. A vizinha cidade etrusca de Veios, principal rival grande parte da península ibérica caiu, com suas riquezas minerais, em
de Roma, foi destruída em 396 a.C., ao fim de dez anos de guerra. poder de Roma. A terceira guerra púnica, de 149 a 146 a.C., terminou com
Invasão dos gauleses. No início do século IV, povos celtas proceden- a destruição definitiva de Cartago e com a incorporação a Roma dos restos
tes da planície da Europa central invadiram o norte da Itália e venceram os de seu império.
etruscos. Prosseguindo seu avanço pela península, chocaram-se com as Ao mesmo tempo em que estabelecia seu domínio sobre o Mediterrâ-
forças romanas junto ao rio Ália e as derrotaram em 390 a.C. Os celtas neo ocidental, Roma empreendeu a expansão pela zona oriental. A inter-
apoderaram-se então de Roma e a incendiaram ao abandoná-la, depois de venção na Macedônia e Grécia teve início na época da segunda guerra
reunir um grande saque. Roma se recuperou rapidamente e em poucos púnica, mas a Macedônia só se tornou província romana em 148 a.C. Dois
anos se transformou na maior potência da Itália central, ao mesmo tempo anos mais tarde, a destruição de Corinto punha fim às aspirações de
que as cidades etruscas entravam em decadência, vítimas dos constantes independência dos gregos. Em 133 a.C., Átalo III, rei de Pérgamo, legou
ataques gauleses, que contribuíram para arruinar sua civilização. Data seu reino a Roma, com o que os domínios da cidade chegaram pela pri-
dessa época a muralha Serviana, que protegia uma Roma de dimensões já meira vez à Ásia. Somente no início do século I a.C. Roma reiniciou sua
bastante consideráveis. expansão pela Anatólia, Síria e Judeia.
Conquista da Itália. A cidade de Cápua, situada na Campânia, a su- A partir do ano de 125 a.C., com os ataques de címbrios e teutões à
deste de Roma, solicitou sem êxito a ajuda dos romanos para enfrentar os recém-organizada província Gália Narbonense, atual sul da França, teve
samnitas, seus inimigos. A poderosa comunidade samnita infiltrada em início a ocupação romana com o objetivo de estabelecer uma via de comu-
Roma -- que se transformava numa metrópole para a qual acorriam imi- nicação terrestre entre a Itália e os domínios ibéricos. Esses povos, proce-
grantes das mais diversas etnias -- conseguiu que a cidade de Roma se dentes da Jutlândia, desceram pela Europa central até chocar-se com as
voltasse contra Cápua. Depois que esta foi derrotada, os samnitas deram legiões romanas, que foram por elas derrotadas em Orange, no ano 105

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a.C. Ante a lembrança da antiga invasão gaulesa, Roma reuniu todas as des colocou em perigo as próprias bases da república romana, até que
suas forças e o cônsul Caio Mário conseguiu obrigar os invasores nórdicos foram exterminados pelo exército, sob o comando de Pompeu. O mesmo
a retroceder, rechaçando os címbrios e teutões da Gália no período entre cônsul conseguiu a vitória na luta contra os piratas e nas guerras do Orien-
105 a 101 a.C. te, o que lhe permitiu voltar triunfalmente a Roma. O Senado, temeroso de
Evolução da sociedade romana. Depois que Roma se tornou centro de seu prestígio, desautorizou seu trabalho legislativo no Oriente e sua pro-
um grande território, os habitantes da cidade, que nos primeiros tempos da messa de distribuir terras aos veteranos da guerra. Em represália, Pompeu
república constituíam um povo sóbrio, guerreiro e trabalhador, começaram se aliou a dois outros líderes poderosos, Júlio César e Marco Licínio Cras-
a desfrutar as imensas riquezas acumuladas. Desapareceu o serviço militar so, para enfrentar a nobreza senatorial.
como direito e dever do cidadão. As legiões começaram então a ser forma- O primeiro triunvirato, estabelecido em 60 a.C., manteve o equilíbrio de
das com mercenários procedentes de toda a Itália e, mais tarde, de todas poder durante vários anos, ao longo dos quais César promoveu a conquis-
as regiões dominadas, o que provocou uma grande mistura de etnias e ta das Gálias e expedições além do Reno e do canal da Mancha. O Sena-
costumes. A Grécia foi saqueada e seus tesouros artísticos enviados a do procurou o apoio de Pompeu, em 52 a.C., para destruir o crescente
Roma. As classes altas, a começar por algumas famílias como a dos poder de César. Eclodiu então uma guerra civil e os partidários de Pompeu
Cipiões, assimilaram a cultura helênica, que foi protegida e imitada. Os foram derrotados em todas as regiões do mundo romano. César fez-se
prisioneiros de guerra constituíram um imenso exército de escravos, cujo nomear ditador perpétuo e assumiu plenos poderes. Em pouco tempo,
trabalho barato nas grandes propriedades e nas manufaturas arruinou os modificou a legislação romana, o censo de cidadãos e o calendário. A 15
camponeses e os artesãos livres da península itálica. de março de 44 a.C., foi assassinado por um grupo de senadores.
O sistema econômico, muito monetarizado, permitiu notável acúmulo O Senado tentou recuperar seu antigo poder, mas a revolta do povo
de capital. Os grandes comerciantes e banqueiros romanos pertenciam em romano após os funerais do ditador desencadeou novo período de lutas
geral à classe dos cavaleiros (equites), intermediária entre as grandes civis e repressão. Em 43 a.C., constituiu-se um segundo triunvirato, inte-
famílias que dividiam as cadeiras do Senado e as classes baixas. O prole- grado por Marco Antônio, Marco Emílio Lépido e Caio Otávio (chamado
tariado romano transformou-se numa classe ociosa que vivia miseravel- depois Augusto), que o Senado foi obrigado a reconhecer. Os triúnviros
mente das subvenções e distribuições de alimentos, frequentava as termas dividiram os domínios de Roma, mas nem por isso cessaram as lutas
e era entretida com jogos públicos e circo. A própria Roma tornou-se uma internas. Lépido foi neutralizado, Otávio ocupou habilmente o poder no
grande cidade parasita, que importava grande quantidade de mercadorias Ocidente e Marco Antônio, impopular em Roma devido a seu comporta-
de luxo e especiarias orientais, trigo da Sicília e do norte da África, azeite mento de déspota oriental, foi derrotado em Actium (Áccio) em 31 a.C.
da Espanha e escravos de todo o imenso território colonial. O velho siste- Com sua morte, Otávio tornou-se o único senhor de Roma. A queda de
ma político republicano, edificado por e para uma cidadania identificada Alexandria e o suicídio da rainha Cleópatra -- aliada de Marco Antônio --
com sua cidade, era cada vez menos capaz de funcionar numa sociedade deixaram o Egito em mãos de Otávio, que o incorporou a Roma como
enriquecida que perdera seus ideais. Teve início assim um longo período patrimônio pessoal.
de instabilidade interna que só cessou quando a velha república romana se
transformou em império. Império
Ditaduras e guerras civis. As últimas décadas do século II registraram Otávio Augusto. Depois de um século de lutas civis, o mundo romano
lutas sociais que tiveram como protagonistas os irmãos Tibério e Caio estava desejoso de paz. Otávio se encontrou na situação daquele que
Graco, eleitos tribunos da plebe. Já não se tratava, como no início da detém o poder absoluto num imenso império com suas províncias pacifica-
república, da reivindicação de igualdade de direitos por parte dos plebeus, das e em cuja capital a aristocracia se encontrava exausta e debilitada. O
mas do protesto do povo, reduzido à miséria, contra os ricos e, muito Senado não estava em condições de opor-se aos desejos do general,
especialmente, contra a nobreza senatorial, proprietária da maior parte das detentor do poder militar. A habilidade de Augusto -- nome adotado por
terras da Itália. Otávio em 27 a.C. -- consistiu em conciliar a tradição republicana de Roma
Mais tarde, generais vitoriosos como Mário, vencedor dos címbrios e com a de monarquia divinizada dos povos orientais do império. Conhece-
teutões, e Sila, pacificador da Itália, aproveitaram o poderio de seus exérci- dor do ódio ancestral dos romanos à instituição monárquica, assumiu o
tos e sua popularidade entre o povo para tentar apoderar-se do estado título de imperador, por meio do qual adquiriu o imperium, poder moral que
romano. O Senado, temeroso de sua influência, interveio mais ou menos em Roma se atribuía não ao rei, mas ao general vitorioso.
abertamente contra eles. As classes altas tentavam consolidar as institui- Sob a aparência de um retorno ao passado, Augusto orientou as insti-
ções republicanas, enquanto o povo desejava, com determinação cada vez tuições do estado romano em sentido oposto ao republicano. A burocracia
maior, um governante único. Por outro lado, as possessões orientais, cuja se multiplicou, de forma que os senadores se tornaram insuficientes para
influência no mundo romano era considerável, careciam de tradição repu- garantir o desempenho de todos os cargos de responsabilidade. Isso
blicana e seus habitantes consideravam natural o fato de serem governa- facilitou o ingresso da classe dos cavaleiros na alta administração do
dos por autocratas divinizados. império. Os novos administradores deviam tudo ao imperador e contribuí-
A guerra social eclodiu na Itália quando os habitantes da península am para fortalecer seu poder. Pouco a pouco, o Senado -- até então domí-
exigiram a cidadania romana para terem acesso à distribuição das terras nio exclusivo das antigas grandes famílias romanas -- passou a admitir
públicas. Em 91 a.C., estendeu-se pela península uma verdadeira guerra italianos e, mais tarde, representantes de todas as províncias. A cidadania
civil que só terminou quando, ao fim de três anos, foi concedida a cidada- romana ampliou-se lentamente e somente em 212 da era cristã o impera-
nia romana a todos os italianos. dor Marco Aurélio Antonino, dito Caracala, reconheceu todos os súditos do
No ano 88 a.C. rebentou na Anatólia uma rebelião contra o poder de império.
Roma. O Senado confiou o comando do exército, encarregado de reprimi- O longo período durante o qual Augusto foi senhor dos destinos de
la, a Lúcio Cornélio Sila, mas a plebe romana o destituiu e colocou Mário Roma, entre 27 a.C. e 14 da era cristã, caracterizou-se pela paz interna
em seu lugar, o vencedor dos invasores bárbaros, que simpatizava com o (pax romana), pela consolidação das instituições imperiais e pelo desen-
partido popular. volvimento econômico. As fronteiras europeias foram fixadas no Reno e no
À frente das tropas expedicionárias, Sila tomou Roma, desterrou Mário Danúbio, completou-se a dominação das regiões montanhosas dos Alpes e
e restabeleceu o poder senatorial. Quando Sila retomou o caminho da da península ibérica e empreendeu-se a conquista da Mauritânia.
Ásia, os partidários de Mário aproveitaram-se de seu afastamento para se O maior problema, porém, que permaneceu sem solução definitiva, foi
apoderar mais uma vez da capital. Após restabelecer a autoridade de o da sucessão no poder. Nunca existiu uma ordem sucessória bem defini-
Roma no Oriente, Sila voltou à metrópole. Os partidários de Mário foram da, nem dinástica nem eletiva. Depois de Augusto, revezaram-se no poder
derrotados em 82 a.C. e se estabeleceu em Roma um regime ditatorial. No diversos membros de sua família. A história salientou as misérias pessoais
poder, Sila fortaleceu a posição das classes altas e limitou as atribuições e a instabilidade da maior parte dos imperadores da dinastia Júlio-Cláudia,
dos tribunos da plebe, que foram privados do direito de veto, de convoca- como Caio Júlio César Germânico, dito Calígula, imperador de 37 a 41, e
ção do Senado e de apresentação de projetos de lei à assembleia sem Nero Cláudio César, de 54 a 68. É provável que tenha havido exagero, pois
autorização senatorial. Sila deixou voluntariamente o poder em 79 a.C., as fontes históricas que chegaram aos tempos modernos são de autores
pouco antes de sua morte. que se opuseram frontalmente a tais imperadores.
Em 73 a.C. eclodiu uma rebelião de escravos liderados pelo gladiador Mas se a corrupção e a desordem reinavam nos palácios romanos, o
Espártaco. Durante dois anos, um grande contingente de escravos rebel- império, solidamente organizado, parecia em nada ressentir-se. O sistema

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econômico funcionava com eficácia, registrava-se uma paz relativa em social. Voltou-se à autarquia de cada território e o comércio decaiu. A
quase todas as províncias e além das fronteiras não existiam inimigos navegação tornou-se mais difícil. O poder do estado enfraqueceu e, em
capazes de enfrentar o poderio de Roma. Na Europa, Ásia e África, as compensação, os grandes proprietários rurais começaram a organizar
cidades, bases administrativas do império, cresciam e se tornavam cada pequenos exércitos privados e a administrar a justiça em seus domínios.
vez mais cultas e prósperas. As diferenças culturais e sociais entre as O século III viu acentuar-se o aspecto militar dos imperadores, que
cidades e as zonas rurais que as cercavam eram enormes, mas nunca acabou por eclipsar todos os demais. Registraram-se diversos períodos de
houve uma tentativa de diminuí-las. anarquia militar, no transcurso dos quais vários imperadores lutaram entre
Ao primitivo panteão romano juntaram-se centenas de deuses e, na re- si devido à divisão do poder e dos territórios. As fronteiras orientais, com a
ligião como no vestuário e em outras manifestações culturais, difundiram- Pérsia, e as do norte, com os povos germânicos, tinham sua segurança
se modismos egípcios e sírios. A partir de suas origens obscuras na Ju- ameaçada. Bretanha, Dácia e parte da Germânia foram abandonadas ante
deia, o cristianismo foi-se aos poucos propagando por todo o império, a impossibilidade das autoridades romanas de garantir sua defesa. Cres-
principalmente entre as classes baixas dos núcleos urbanos. Em alguns ceu o banditismo no interior, enquanto as cidades, empobrecidas, começa-
momentos, o rígido monoteísmo de judeus e cristãos se chocou com as vam a fortificar-se, devido à necessidade de defender-se de uma zona rural
conveniências políticas, ao opor-se à divinização, mais ritual que efetiva, que já não lhes pertencia. O intercâmbio de mercadorias decaiu e as rotas
do imperador. Registraram-se então perseguições, apesar da ampla tole- terrestres e marítimas ficaram abandonadas. Um acelerado declínio da
rância religiosa de uma sociedade que não acreditava verdadeiramente em população ocorreu a partir do ano 252, em consequência da peste que
nada. O Império Romano só começou a ser rígido e intolerante em matéria grassou em Roma.
religiosa depois que adotou o cristianismo como religião oficial, já no século Os imperadores Aureliano, regente de 270 a 275, e Diocleciano, de
IV. 284 a 305, conseguiram apenas conter a crise. Com grande energia, o
último tentou reorganizar o império, dividindo-o em duas partes, cada uma
das quais foi governada por um augusto, que associou seu governo a um
césar, destinado a ser o seu sucessor. Mas o sistema da tetrarquia não
deu resultados. Com a abdicação de Diocleciano, teve início uma nova
guerra civil.
Constantino I favoreceu o cristianismo, que gradativamente passou a
ser adotado como religião oficial. A esclerose do mundo romano era tal que
a antiga divisão administrativa se transformou em divisão política a partir
de Teodósio I, imperador de 379 a 395, o último a exercer sua autoridade
sobre todo o império. Este adotou a ortodoxia católica como religião oficial,
obrigatória para todos os súditos, pelo edito de 380.
Teodósio I conseguiu preservar a integridade imperial tanto ante a
ameaça dos bárbaros quanto contra as usurpações. No entanto, sancionou
a futura separação entre o Oriente e o Ocidente do império ao entregar o
governo de Roma a seu filho Honório, e o de Constantinopla, no Oriente,
ao primogênito, Arcádio. A parte oriental conservou uma maior vitalidade
demográfica e econômica, enquanto que o império ocidental, no qual
diversos povos bárbaros efetuavam incursões, umas vezes como atacan-
tes outras como aliados, se decompôs com rapidez.
Coliseu em Roma O rei godo Alarico saqueou Roma no ano 410. As forças imperiais,
O século II, conhecido como o século dos Antoninos, foi considerado somadas às dos aliados bárbaros, conseguiram entretanto uma última
pela historiografia tradicional como aquele em que o Império Romano vitória ao derrotar Átila nos Campos Catalaúnicos, em 451. O último impe-
chegou a seu apogeu. De fato, a população, o comércio e o poder do rador do Ocidente foi Rômulo Augústulo, deposto por Odoacro no ano 476,
império se encontravam em seu ponto máximo, mas começavam a perce- data que mais tarde viria a ser vista como a do fim da antiguidade. O
ber-se sinais de que o sistema estava à beira do esgotamento. A última império oriental prolongou sua existência, com diversas vicissitudes, duran-
grande conquista territorial foi a Dácia e na época de Trajano (98-117) teve te um milênio, até a conquista de Constantinopla pelos turcos, em 1453.
início um breve domínio sobre a Mesopotâmia e a Armênia. Depois dessa
época, o império não teve mais forças para anexar novos territórios. Legado de Roma
Decadência do império. Uma questão que os historiadores nunca con- A civilização romana foi original e criadora em vários campos: o direito
seguiram esclarecer de todo foi a da causa da decadência de Roma. romano, codificado no século VI, ao tempo do imperador Justiniano, consti-
Apesar da paz interna e da criação de um grande mercado comercial, a tuiu um corpo jurídico sem igual nos tempos antigos e forneceu as bases
partir do século II não se registrou nenhum desenvolvimento econômico e do direito da Europa medieval, além de ter conservado sua vigência, em
provavelmente também nenhum crescimento populacional. A Itália continu- muitas legislações, até os tempos modernos. As estradas romanas, perfei-
ava a registrar uma queda em sua densidade demográfica, com a emigra- tamente pavimentadas, uniam todas as províncias do império e continua-
ção de seus habitantes para Roma ou para as longínquas províncias do ram a facilitar os deslocamentos por terra dos povos que se radicaram nas
Oriente e do Ocidente. A agricultura e a indústria se tornavam mais próspe- antigas terras imperiais ao longo dos séculos, apesar de seu estado de
ras quanto mais se afastavam da capital. abandono. Conservaram-se delas grandes trechos e seu traçado foi segui-
No fim do século II, começou a registrar-se a decadência. Havia um do, em linhas gerais, por muitas das grandes vias modernas de comunica-
número cada vez menor de homens para integrar os exércitos, a ausência ção. As obras públicas, tais como pontes, represas e aquedutos ainda
de guerras de conquista deixou desprovido o mercado de escravos e o causam impressão pelo domínio da técnica e o poderio que revelam.
sistema econômico, baseado no trabalho da mão-de-obra escrava, come- Muitas cidades europeias mostram ainda em seu conjunto urbano os
çou a experimentar crises em consequência de sua falta, já que os agricul- vestígios das colônias romanas que foram no passado.
tores e artesãos livres haviam quase desaparecido da região ocidental do Se, em linhas gerais, a arte romana não foi original, Roma teve o méri-
império. Nas fronteiras, os povos bárbaros exerciam uma pressão crescen- to de haver sabido transmitir à posteridade os feitos dos artistas gregos. Os
te, na tentativa de penetrar nos territórios do império. Mas se terminaram poucos vestígios que sobreviveram da pintura romana mostram que as
por consegui-lo, isso não se deveu a sua força e sim à extrema debilidade tradições gregas continuavam vivas. Os temas indicam a crescente preo-
de Roma. cupação religiosa, a serviço dos imperadores divinizados; referem-se,
As cidades também começaram a entrar em decadência e os ricos principalmente, à imortalidade da alma e à vida de além-túmulo. O cristia-
burgueses que habitavam os centros urbanos se viram às voltas com nismo se valeu do Império Romano para sua expansão e organização e
obrigações e impostos cada vez mais altos. Em consequência, os proprie- depois de vinte séculos de existência são evidentes as marcas por ele
tários rurais voltaram para suas propriedades, onde se encontravam mais deixadas no mundo romano.
protegidos do assédio do fisco imperial. O esvaziamento dos centros O latim, idioma que a expansão romana tornou universal, está na ori-
urbanos, muito intenso na região ocidental, deixou o império sem sua base gem das atuais línguas românicas, tais como o espanhol, o italiano, o

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português, o francês, o catalão e o romeno. Depois de quase dois mil anos, lutas internas, o que permitiu o fortalecimento dos poderes locais e a
pode-se ainda falar de um mundo latino de características bem diferencia- intervenção dos lombardos da Itália. Essa situação se manteve até o início
das. do século VII, quando Dagoberto I impôs a unidade territorial que permitiria
Idade Média o aparecimento de uma forte dinastia, a carolíngia.
Considerada desde o Renascimento como período obscurantista e de-
cadente, situado entre a antiguidade e o Renascimento, só em meados do
século XIX a Idade Média passou a ser entendida como etapa necessária
da história da civilização ocidental. Durante cerca de um milênio, a Europa
medieval passou por lentas mudanças econômicas e políticas que, no
entanto, prepararam o caminho da modernidade.
Chama-se Idade Média o período da história europeia compreendido
aproximadamente entre a queda do Império Romano do Ocidente e o
período histórico determinado pela afirmação do capitalismo sobre o modo
de produção feudal, o florescimento da cultura renascentista e os grandes
descobrimentos. A civilização medieval foi, em essência, a síntese de três
elementos: o legado da antiguidade greco-latina, a contribuição dos povos
germânicos e a religião cristã. O império bizantino e a civilização muçulma-
na na península ibérica constituem os limites geográficos e culturais mais
claros entre os quais transcorreu essa longa fase histórica. Do ponto de
vista cronológico, essas civilizações também tiveram sua Idade Média,
durante a qual viveram processos de características próprias.
A Idade Média europeia divide-se em duas etapas bem distintas: a alta
Idade Média, que vai da formação dos reinos germânicos, a partir do
século V, até a consolidação do feudalismo, entre os séculos IX e XII; e a
baixa Idade Média, que vai até o século XV, caracterizada pelo crescimen-
to das cidades, a expansão territorial e o florescimento do comércio.

Alta Idade Média


Reinos germânicos. A penetração e a fixação dos povos germânicos Castelo Medieval
no território do Império Romano deram lugar à formação de diversos rei- Na Itália ocorreram acontecimentos importantes depois da conquista
nos, a partir do início do século V. A autoridade imperial deixou de existir do reino ostrogodo pelo imperador bizantino Justiniano I, em meados do
no Ocidente no ano 476, com a deposição de Rômulo Augústulo. A parte século VI. O império bizantino alcançou, nessa época, seu apogeu político
oriental do império, centrada em Constantinopla (atual Istambul), assumiu a e cultural, e Justiniano I, ajudado por seus generais Belisário e Narses,
partir daí o legado político de Roma. tentou reconquistar a parte ocidental do antigo Império Romano e restabe-
Os germânicos, ditos bárbaros pelos romanos, organizaram seus rei- lecer a unidade do Mediterrâneo. Seus sucessores enfrentaram problemas
nos dentro das antigas fronteiras do império e em áreas que nunca tinham religiosos e incursões de ávaros, eslavos e persas, que foram derrotados
sido ocupadas pelos romanos, como a Alemanha. Cada um desses reinos pelo imperador Heráclio no início do século VII. Os lombardos conquista-
evoluiu de forma diferente para dar lugar às monarquias europeias medie- ram o norte da Itália em poucos anos, a partir de 568, e empreenderam o
vais. Os ostrogodos instalaram-se na Itália, conduzidos por Teodorico, e ataque ao reino merovíngio. Bizantinos e lombardos dividiram entre si o
constituíram um dos reinos mais importantes dos séculos V e VI. Teodori- território correspondente à Itália. No fim do século VI, quase todo ele, com
co, convertido ao arianismo, resolveu os conflitos com a população roma- exceção de Roma, Sicília e Ravena, estava sob domínio lombardo.
no-cristã mediante políticas tolerantes. Procurou elevar o nível cultural de Na Grã-Bretanha, a invasão de anglos e saxões, em meados do sécu-
seu povo e aproximar-se da hierarquia eclesiástica. Além disso, aliou-se a lo V, forçou os bretões a se refugiarem na Cornualha, em Gales e na
outros reinos bárbaros para enfrentar a intervenção do império bizantino. Escócia, ou a se submeterem ao novo poder. Os anglo-saxões dividiram o
Manteve a tradição jurídica e administrativa de Roma e estimulou o flores- território em sete pequenos reinos, que lutaram para estabelecer sua
cimento das artes e das letras. hegemonia sobre o sul da ilha.
No fim do século V, os francos fixaram as bases do que seria posteri- Os reinos surgidos no Ocidente deram nova fisionomia à Europa, mas
ormente um dos reinos medievais mais poderosos da Europa. Convertido não desapareceu totalmente a tradição que Roma havia legado. Em muitos
ao catolicismo, o rei Clóvis I conseguiu o apoio da população da antiga casos, principalmente nos lugares mais romanizados, foram mantidos a
Gália com uma política de fusão entre os galo-romanos e os francos. ordem e o direito romanos, combinados com contribuições dos costumes
Conseguiu impor-se a toda a Gália, expulsou os visigodos para a Espanha jurídicos dos povos germânicos. A religião, junto com as características de
no ano 507 e dominou os outros povos bárbaros, com exceção dos cada um desses povos, foi o principal elemento de coesão dos novos
burgúndios, que foram vencidos por seus sucessores. As únicas zonas da reinos do oeste europeu, e uma das causas de seu distanciamento dos
Gália que não conseguiu dominar foram a Setimânia e a Provença. bizantinos, cujo cristianismo tinha aspectos peculiares.
Na península ibérica, os visigodos constituíram uma monarquia prós- Quando desapareceu o poder do império no Ocidente, a igreja arro-
pera e culta, na qual se fundiram os traços germânicos e as tradições gou-se a supremacia universal. O papa foi reconhecido como a autoridade
seculares romanas. A monarquia visigoda esforçou-se para conquistar a máxima a que deviam se submeter os poderes temporais. Assim, a hierar-
unidade territorial e formar um estado. A oposição da população hispano- quia eclesiástica de Roma representou o fator aglutinante das monarquias
romana ao arianismo foi o primeiro obstáculo que ela teve de vencer. No ocidentais. A progressiva conversão dos bárbaros ao cristianismo fez da
século VI a monarquia visigoda chegou à plenitude com Leovigildo, que igreja a instituição mais importante da Idade Média. A cultura, a arte, a
estabeleceu a unidade territorial depois de vencer os suevos do noroeste, ciência e as letras eram patrimônio eclesiástico. Nos mosteiros, os monges
os bascos do norte e os bizantinos do sudeste. Apesar disso, os problemas realizaram um cuidadoso trabalho de compilação dos textos clássicos e
religiosos só foram solucionados quando Recaredo reconheceu o cristia- dos escritos teológicos dos padres da igreja.
nismo como sua religião, no ano 587, abjurando o arianismo. A ocupação A constituição das monarquias europeias e do poder temporal do papa
da península ibérica pelos árabes no início do século VIII foi favorecida favoreceu o distanciamento político e religioso entre a Europa e o império
pelas lutas entre Rodrigo e Áquila. O poder dos visigodos extinguiu-se em bizantino. O papado, assediado pelos lombardos, tinha pedido ajuda a
poucos anos e teve início uma nova etapa na península e na Europa, com Constantinopla, mas os imperadores orientais, ocupados com a discussão
a expansão do Islã. sobre a veneração das imagens e preocupados com a pressão do Islã em
Durante o século VI, o reino merovíngio dos francos sofreu constantes suas fronteiras, desinteressaram-se dos assuntos do Ocidente. Os papas
divisões entre os sucessivos herdeiros da coroa. Essas fragmentações se viram obrigados, então, a recorrer ao reino franco, que se consolidara
hereditárias do reino, considerado como propriedade dinástica, foram a como principal poder na região. Pepino o Breve destronou os merovíngios
causa da sua estagnação política e cultural. A monarquia debilitou-se em e foi reconhecido como rei pelo papa Estêvão II.

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Os francos deram apoio militar ao papado e em pouco tempo vence- mandia) no ano 924. A partir de meados do século IX, conquistaram o
ram os lombardos. Os territórios que até então estavam sob domínio dos centro e o norte da Inglaterra. Os suecos, navegando pelos rios Volga e
lombardos passaram ao controle do papa, o que deu origem aos estados Dnieper, estabeleceram contatos comerciais com o império bizantino e com
pontifícios. Para justificar a cessão desses territórios e a autoridade papal os árabes. Na Rússia, fundaram pequenos estados que funcionavam como
como poder temporal sobre eles, recorreu-se à Doação de Constantino, sedes de suas atividades comerciais. Kiev e Novgorod eram os mais
documento forjado pelo qual esse imperador teria transferido ao papa importantes.
Silvestre I e a seus sucessores a autoridade sobre certos territórios no No fim do século IX um novo povo atacou as fronteiras orientais da Eu-
Ocidente. ropa: os húngaros, ou magiares. Ocuparam rapidamente a região do
Época carolíngia. A dinastia carolíngia, como sucessora da merovín- Danúbio, de onde partiram para incursões pela Itália, França e Alemanha.
gia, revelou-se capaz de estender sua influência à maior parte da Europa A desintegração do império carolíngio e essa segunda onda de invasões
ocidental. Pepino o Breve dedicou-se a ampliar os limites de seu reino, deixaram o oeste europeu numa situação de grave deterioração política e
com o que a Gália se tornou a partir de então uma unidade territorial regida econômica até que, no século X, o estabelecimento do Sacro Império
por uma coroa única, mas foi seu filho e sucessor, o futuro imperador Romano-Germânico restabeleceu a ordem na Europa central. Oto I o
Carlos Magno, quem levou o reino dos francos a seu período de glória. Grande, coroado imperador no ano 962, encontrou forte apoio no papado e
Os sucessivos ataques dos lombardos na Itália levaram o papa Adria- contribuiu, como antes fizera Carlos Magno, para o fortalecimento da igreja
no I a pedir ajuda a Carlos Magno que, no ano 774, conseguiu vencê-los e como poder temporal. Sua vitória sobre eslavos e magiares transformou-o
reclamou para si o título de rei desse povo. A Itália passou à esfera política num novo defensor da cristandade ocidental.
dos francos. As campanhas militares de Carlos Magno continuaram por Na Inglaterra, Alfredo o Grande, rei de Wessex, ergueu fortificações e
muitos anos, durante os quais ele derrotou saxões, frisões, bávaros e reconstruiu o exército, com o que o reino pôde resistir à invasão dos dina-
ávaros. Também estabeleceu um sistema de controle e tributação sobre os marqueses e aumentar seu território. Entretanto, na primeira metade do
povos eslavos residentes nas fronteiras de seu reino e conteve a expansão século XI, o rei dinamarquês Canuto o Grande conseguiu dominar toda a
do Islã ao sul dos Pireneus. Inglaterra. Em 1066, os normandos do noroeste da França, chefiados por
Carlos Magno foi proclamado defensor da cristandade europeia e da Guilherme o Conquistador, invadiram a ilha. Desde então, intensificaram-se
igreja, e todos os demais reinos reconheceram a superioridade do reino os contatos entre o arquipélago britânico e o continente. Na França, a
franco. O papa Leão III, que precisava de apoio militar constante, coroou-o monarquia foi incapaz de manter a unidade do reino. Os nobres se opuse-
imperador no Natal do ano 800, e ele foi aclamado pelo povo como "augus- ram à coroa em defesa de seus próprios interesses. Durante todo o século
to". Com isso, Carlos Magno uniu sua força e prestígio políticos ao título de X foi constante a luta entre as grandes casas nobres pela hegemonia, até
imperador, até então reservado aos monarcas bizantinos que, forçados que Hugo Capeto, no ano 987, conquistou a coroa para si e sua dinastia,
pela situação crítica em que se encontravam, em guerra contra búlgaros e substituindo para sempre os carolíngios. Os reinos cristãos da península
árabes, reconheceram o título imperial do rei dos francos. ibérica iniciaram nessa época uma lenta recuperação e passaram a enfren-
Durante o reinado do novo imperador do Ocidente, a Europa experi- tar o poder islâmico. Leão, Navarra, o condado de Aragão e Castela conti-
mentou notável desenvolvimento cultural, que se tornou conhecido sob o nuaram a conquistar territórios ocupados pelos muçulmanos.
nome de "renascimento carolíngio". Preocupado com a pouca cultura do
clero e dos funcionários imperiais, Carlos Magno mandou construir escolas Evolução do feudalismo
nos mosteiros, catedrais e em sua própria corte, sediada em Aachen (Aix- Até o século XI as monarquias europeias viveram um período de retro-
la-Chapelle). Criou a escola palaciana, onde lecionavam as maiores perso- cesso econômico em consequência das constantes guerras, das ondas de
nalidades da ciência e das letras. invasões, da cessação do comércio e do baixo rendimento agrícola. A
A obra do imperador lançou a ideia da Europa como unidade religiosa insegurança, que manteve isoladas as populações europeias durante muito
e cultural. Com sua morte, no ano 814, a coroa passou a seu filho Luís I o tempo, favoreceu a implantação do feudalismo. Esse sistema, cujas raízes
Piedoso. Entretanto, a crescente influência da nobreza e a proliferação das remontam ao fim do Império Romano, caracterizou-se pela estruturação da
relações feudais debilitaram a monarquia e desestruturaram a unidade sociedade com base na relação jurídica denominada vassalagem, estabe-
política. As lutas pela igualdade de herança e pela divisão territorial entre lecida entre senhor feudal e vassalo ou servo, na qual o senhor proporcio-
os filhos de Luís I precipitaram a desagregação do império fundado por nava proteção em troca de fidelidade, trabalho e pagamento de tributos. Ao
Carlos Magno. feudo, unidade física da relação de vassalagem, pertenciam seus habitan-
No ano 843, o Tratado de Verdun definiu as fronteiras dos reinos que tes, que passavam a vassalos do senhor a quem fosse transmitido o territó-
couberam aos filhos de Luís I: o de Lotário I, que também ficou com o título rio habitado e cultivado por eles. Do ponto de vista econômico e social, o
imperial, o de Luís o Germânico e o de Carlos o Calvo. A tradição da feudalismo acarretou a divisão da sociedade em duas classes básicas: a
divisão hereditária entre os sucessores foi mantida por todos os reis caro- nobreza, com diferentes graus de poder até a cúpula real, e o campesinato,
língios. Carlos III o Gordo, que tinha conseguido reunir quase todos os cuja subordinação transformou-se gradualmente em relação de servidão.
territórios do império franco, abdicou no ano 887. Foram criados então seis O feudalismo determinou a atomização do poder político, pois a su-
reinos independentes: França, Itália, o reino franco oriental (Alemanha), cessão de relações pessoais entre o rei e a alta nobreza, e entre esta e os
Provença, Borgonha e Lorena. pequenos senhores, criou um sistema de jurisdições e fidelidades particula-
Durante o século IX, os muçulmanos da Espanha constituíram uma res apenas simbolicamente subordinadas à autoridade monárquica. Além
força política unificadora e expansionista. No norte foram fundados reinos disso, a concessão de cargos administrativos com base nos feudos contri-
cristãos que logo estenderam seus territórios para o sul, com a Reconquis- buiu para romper a unidade política dos diferentes reinos.
ta. Entretanto, a convivência entre muçulmanos e cristãos predominou por Também a igreja se viu mergulhada na divisão da sociedade em clas-
vários séculos. A vida econômica reviveu durante o período de domínio ses, ou estados. Bispados, abadias e mosteiros possuíam grandes feudos
árabe, e as artes e ciências fizeram grandes progressos. e mantinham com seus vassalos o mesmo tipo de relações que os senho-
Nessa época, a Europa sofreu a invasão de uma segunda onda de po- res leigos. Entretanto, a igreja teve papel fundamental na conservação e
vos bárbaros vindos do norte, que agiram, segundo a ocasião, de forma transmissão dos conhecimentos antigos e contribuiu para manter a unidade
pacífica ou agressiva. Noruegueses, suecos e dinamarqueses, conhecidos cultural da Europa, principalmente com a expansão da ordem beneditina. A
como viquingues ou normandos, perpetraram ataques e invasões, sobretu- reforma realizada por essa ordem religiosa no século X, a partir do mostei-
do contra o litoral da Europa ocidental. Os suecos, especialmente, visavam ro francês de Cluny, favoreceu a independência da igreja em relação aos
o domínio das rotas comerciais do Báltico e da Rússia. poderes feudais e estendeu por toda a Europa ocidental o estilo artístico
A Irlanda sofreu, desde o ano 834, contínuos ataques dos noruegue- característico do feudalismo: o românico.
ses e, mais tarde, na segunda metade do século IX, dos dinamarqueses, o A reforma de Cluny apoiou o fortalecimento da autoridade papal duran-
que provocou a fuga de numerosos monges para a França. Os ataques te a questão das investiduras, conflito entre o império alemão e a igreja
dos dinamarqueses se sucederam ao longo do litoral continental, provo- sobre o direito de nomear prelados para os cargos religiosos. Os papas
cando graves danos ao império carolíngio, assim como à Espanha, onde Gregório VI, Leão IX, Nicolau II e Gregório VII (inspirador da reforma
foram contidos tanto pelos muçulmanos como pelos reis cristãos do norte. gregoriana) e os imperadores Henrique III e Henrique IV foram os persona-
Os normandos penetraram no interior da Europa, chegaram a Paris e a gens mais destacados dessa luta, que se travou principalmente no século
outras cidades do continente e fixaram-se no noroeste da França (Nor- XI.

Ciências Humanas e suas Tecnologias 50 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Baixa Idade Média Média, as coroas de Aragão e Castela viveram um período áureo, tanto do
As invasões e o feudalismo fizeram desaparecer quase totalmente a ponto de vista econômico como cultural.
vida urbana na Europa. As cidades que sobreviveram à decadência do No século XII, as monarquias europeias começaram a impor sua auto-
Império Romano transformaram-se em meras residências de bispos e de ridade sobre os senhores feudais, aliando-se para isso à burguesia urbana.
senhores feudais, pouco vinculadas a sua zona rural e a outras cidades. Os estados adotaram novas instituições políticas, as cortes ou Parlamen-
A partir do século XI, porém, o processo de empobrecimento começou tos, que aprovaram as leis e impostos que deviam vigorar em todo o territó-
a reverter nos reinos europeus. Muito lentamente, a organização feudal da rio do reino. Na França, os Capetos, apoiados pelos burgueses, lançaram
sociedade passou a dar lugar a uma nova ordem, em que o papel econô- as bases do poderio monárquico, principalmente durante o reinado de
mico mais dinâmico passou para a burguesia urbana. Filipe II Augusto, que praticou uma política de centralização e expansão da
A abertura de novas lavouras, o crescimento demográfico e o aumento coroa nos ducados independentes.
da produtividade agrícola, em consequência de técnicas mais modernas Na Inglaterra, Henrique I e Henrique II conquistaram amplas prerroga-
(uso do arado com aiveca, canga para animais de tração, moinhos de tivas para a coroa. No século XIII foi redigida a Magna Carta, primeira
vento etc.), provocaram um excedente de mão-de-obra e de produção expressão das bases institucionais pelas quais o poder monárquico inglês
agrícola que beneficiou o desenvolvimento das cidades. Surgiu nelas uma foi regulamentado e submetido ao Parlamento. Na segunda metade do
nova classe de comerciantes e artesãos, nos burgos ou bairros construídos século XII, o imperador alemão Frederico I Barba-Roxa impôs seu poder ao
em volta das velhas muralhas, que promoveu o intercâmbio entre os nú- papado de Roma. Apesar disso, no fim do século, o papa Inocêncio III
cleos urbanos e o campo, assim como a abertura de rotas comerciais entre conseguiu fazer valer a supremacia espiritual da igreja sobre todos os
regiões distantes. A atividade dos artesãos urbanos foi regulada por uma reinos cristãos. A consolidação desse poder foi favorecida pela reforma
instituição típica da época, a guilda, associação fechada e hierárquica de promovida pelo monacato cisterciense, especialmente por são Bernardo de
cada ofício, destinada a proteger seus associados, evitando a concorrência Claraval.
entre eles. A vida religiosa estendeu-se às cidades e aos burgos por intermédio
O crescimento demográfico e econômico propiciou a expansão territo- das ordens mendicantes. Os franciscanos pregaram o ideal da pobreza e
rial dos reinos cristãos, principalmente no leste da Europa e na península humildade entre as classes populares, enquanto os dominicanos se ocupa-
ibérica. Também se abriram ao comércio grandes horizontes marítimos, ram principalmente do ensino e do estudo teológico nas universidades.
como o Báltico e o Mediterrâneo, que passaram a se ligar por rotas terres- Essas instituições docentes, surgidas inicialmente como agrupamentos de
tres. No norte da Europa, as cidades dos Países Baixos estabeleceram professores e alunos independentes das antigas escolas monacais e
sólidos laços comerciais com a região do Báltico, onde obtinham cereais, episcopais, desempenharam um papel importante no desenvolvimento e na
peles e outras matérias-primas, em troca de produtos manufaturados. A difusão da cultura. A recuperação da filosofia aristotélica motivou o apare-
comunhão de interesses entre essas cidades deu lugar à criação da Liga cimento da escolástica, doutrina teológica e filosófica sistematizada por
Hanseática. No Mediterrâneo, a indústria, o comércio e a atividade finan- santo Tomás de Aquino.
ceira floresceram nas cidades do norte da Itália (Veneza, Gênova, Florença A arte gótica foi a expressão estética da baixa Idade Média. A inven-
etc.), bem como em Marselha e Barcelona. Características da época foram ção do arco ogival e da abóbada de nervuras, apoiada em arcobotantes e
as feiras, grandes reuniões anuais de comerciantes e banqueiros que eram contrafortes, permitiu a construção de gigantescas e elevadas catedrais,
realizadas nas cidades mais importantes. capazes de alojar um número de pessoas muito maior do que as velhas
Os interesses econômicos, junto com o ideal religioso da defesa dos igrejas românicas.
lugares santos conquistados pelos muçulmanos, permitiram aos estados Durante o século XIV desencadeou-se na Europa uma profunda crise
do Ocidente a realização de um dos maiores empreendimentos da cristan- econômica, social e espiritual. Uma sucessão de más colheitas, conse-
dade medieval, as cruzadas, que serviu para ampliar os limites do poder quência de mudanças climáticas, trouxe a fome a uma população que
europeu, instituir o comércio mediterrâneo e aliviar a pressão muçulmana ultrapassava em muito as possibilidades produtivas do sistema feudal.
sobre o império bizantino. No fim do século XI, o papa Urbano II autorizou Ocorreram numerosas revoltas camponesas contra os senhores, enquanto
a primeira cruzada, cujo resultado foi a conquista de Jerusalém pelos nas cidades os trabalhadores pobres das guildas se rebelavam contra os
cristãos. Durante os séculos XII e XIII realizaram-se novas cruzadas e ricos comerciantes e os mestres artesãos reunidos nos patriciados que
fundaram-se diversos reinos cristãos no Oriente Médio, mas todos eles dominavam os governos urbanos. As destruições provocadas por essas
acabaram por cair em poder dos turcos otomanos. Como parte da expan- revoltas juntaram-se aos danos causados pelas guerras promovidas pelos
são territorial da Europa, cabe destacar a colonização germânica no leste senhores feudais com o objetivo de recuperar o poder perdido. Também a
do continente e o avanço da Reconquista na Espanha. Todos esses em- guerra dos cem anos, entre a França e a Inglaterra, provocou grande
preendimentos, imbuídos de forte espírito religioso, causaram o apareci- devastação e obrigou muitos camponeses a abandonar suas terras.
mento das ordens de cavalaria. A fome favoreceu a disseminação da grande peste que grassou em
Na Alemanha, a ideia de formar um império universal cristão e a pres- 1348. As sucessivas ondas da epidemia, durante a segunda metade do
são demográfica foram as causas da chamada "marcha para o leste" século, reduziram a um terço o total da população europeia. A crise espiri-
(Drang nach Osten) dos séculos XII e XIII. Os imperadores alemães prote- tual manifestou-se no cisma do Ocidente, que durante quase todo o século
geram os reis poloneses e ajudaram-nos a converter ao cristianismo os XIV manteve a igreja dividida entre Avignon e Roma, e no aparecimento de
habitantes da Prússia. Dessa forma, na primeira metade do século XIII, a movimentos místicos e reformadores que pregavam o resgate da pureza
Ordem Teutônica iniciou a campanha para a evangelização dos prussia- dos costumes cristãos.
nos, que teve como consequência a criação de um estado alemão em seu Uma vez superada a crise, o século XV surgiu como período de transi-
território. ção para novas realidades sociais, econômicas, políticas e culturais. Com o
Em 1241 os mongóis invadiram o sul da Polônia, mas foram detidos enfraquecimento da sociedade feudal e da estrutura das guildas, o artesa-
pelas tropas de Henrique II da Silésia. As destruições provocadas pelos nato e o comércio ganharam maior liberdade para ampliar suas atividades
mongóis obrigaram os sucessores de Henrique II a permitir a imigração de e adotar as fórmulas que, pouco a pouco, configuraram o modo de produ-
artesãos e camponeses alemães, para a reconstrução da economia. A ção capitalista. As monarquias, principalmente a inglesa, a francesa e a
influência alemã representou um perigo para a independência da Polônia castelhana, reforçaram seu poder com a criação de exércitos permanentes
até que, no século XIV, sua união com a Lituânia permitiu à dinastia Jague- e aparatos burocráticos, adquirindo um caráter autoritário que prenunciava
lão neutralizar os alemães e recuperar a Pomerânia e Gdansk. A Hungria, o aparecimento do aparelho de estado da idade moderna.
depois da invasão dos mongóis, em 1241-1242, foi vítima da penetração A tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos, em 1453, selou o
germânica, até que a dinastia dos Anjou ocupou o poder entre 1308 e fim do comércio com o Mediterrâneo oriental. A burguesia europeia viu-se
1382. Tal como os mongóis, os turcos representaram uma perigosa amea- obrigada a buscar novas rotas comerciais pelo oeste, o que contribuiu para
ça para o país, cujo rei, Luís I o Grande, foi derrotado em 1363. Polônia e o progresso das técnicas de navegação e possibilitou os grandes desco-
Hungria formaram uma unidade política a partir de 1440, mas em 1458 a brimentos. Ao mesmo tempo, a rejeição da cultura medieval e a busca das
segunda recuperou sua independência com Matias Corvino. Na Espanha, fontes originais da arte e pensamento clássicos propiciaram o aparecimen-
as monarquias cristãs continuaram seu avanço sobre os reinos muçulma- to de uma nova maneira de ver a vida e as formas estéticas. Do legado
nos, que culminaria em 1492 com a conquista de Granada. Na baixa Idade medieval e da recuperação da cultura greco-latina surgiu o Renascimento.

Ciências Humanas e suas Tecnologias 51 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Idade moderna América do Norte e na Ásia e desenvolvem ações de pirataria oficializadas
Período da história compreendido aproximadamente entre a queda de por seus governos contra Portugal e Espanha. No começo do século XVII,
Constantinopla, em 1453, e a revolução francesa, em 1789. Caracteriza-se ingleses, franceses e holandeses passam a produzir navios mais baratos,
pelo fim do feudalismo, o advento do Renascimento e as grandes navega- em maior quantidade e de melhor qualidade. Formam também sociedades
ções e descobrimentos. credenciadas para exploração, comercialização e administração de terras
longínquas, como a Companhia Britânica das Índias Orientais (1600) e a
Expansão marítima Companhia Holandesa das Índias Orientais (1602).
Grandes navegações dos séculos XV e XVI que têm origem na neces- Liderança inglesa – No século XVIII, com enorme poder naval, a Ingla-
sidade de expansão econômica da Europa. A insuficiência da produção terra lidera as expedições marítimas. As viagens, motivadas pela curiosi-
agrícola para alimentar toda a população, o declínio econômico da nobre- dade científica e pela expectativa de obter maiores vantagens comerciais,
za, o encarecimento dos produtos orientais e a falta de metais preciosos são organizadas pelo governo e realizadas em navios de guerra comanda-
para a emissão de moeda impulsionam a procura por novos mercados fora dos por oficiais da Marinha. Os objetivos são a exploração do sul do Pacífi-
dos domínios europeus. A tentativa de encontrar rotas alternativas para o co e a descoberta de um estreito, entre o nordeste da Ásia e noroeste da
Oriente torna-se indispensável. América, que leve ao Ártico: acabam por descobrir várias ilhas, como
Sandwich do Sul, a sudeste da América do Sul. Também exploram a Nova
Zelândia, a Austrália e toda a costa americana e asiática do Pacífico Norte.

Reforma Protestante
Movimentos de caráter religioso, político e econômico que surgem na
Europa entre 1517 e 1564. Contestam a estrutura e os dogmas da Igreja
Católica e rompem com a unidade do cristianismo, dando origem ao pro-
testantismo. Os reformistas rejeitam a pretensão da Igreja de ser o único
acesso ao mundo religioso e questionam a supremacia papal.

Os movimentos reformistas ocorrem paralelamente ao Renascimento à


passagem do feudalismo para o capitalismo e ao fortalecimento das mo-
narquias nacionais europeias. São o resultado da nova visão sobre o
homem – ele é o centro do universo –, dada pelo humanismo. As reformas
interessam às monarquias, que querem acabar com os privilégios da
Igreja. O progresso comercial e urbano também necessita de uma religião
Desembarque de Cabral afinada com o capitalismo emergente. Os camponeses, oprimidos, revol-
A empreitada é possível graças ao surgimento de uma burguesia mer- tam-se contra o \uldb catolicismojump:GHHG dos senhores feudais, o que
cantil, interessada em ampliar sua margem de lucro, e ao fortalecimento do transforma a luta religiosa em luta de classes. Os movimentos provocam
Estado, com a centralização do poder monárquico. Um forte ideal missio- ainda guerras religiosas entre protestantes e católicos, como a Guerra dos
nário, principalmente dos países ibéricos, para catequizar os povos infiéis Trinta Anos(1618-1648). Ela começa como um conflito religioso no interior
das terras distantes funciona como justificativa ideológica para a expansão. do Sacro Império Romano-Germânico e logo adquire caráter de disputa
As nações ibéricas formam impérios ultramarinos entre os séculos XV e pela hegemonia política na Europa, envolvendo quase todos os países do
XVI, quando tem início a colonização da África, da Ásia e da América. Além continente. O avanço do movimento reformista pela Europa obriga a Igreja
de Portugal e Espanha, Inglaterra, França e Holanda (Países Baixos) Católica a adotar reformas internas, conhecidas por Contra-Reforma
também realizam grandes expedições. REFORMA LUTERANA – Em 1517 inicia-se no Sacro Império Roma-
PORTUGAL – Para alcançar os mercados do Oriente e garantir o mo- no-Germânico a reforma do monge Martinho Lutero que defende a fé como
nopólio do comércio com as chamadas Índias, os portugueses assumem a forma de salvação do indivíduo. Lutero é excomungado em 1520. Com o
vanguarda do expansionismo europeu, seguidos pelos espanhóis. Revolu- apoio da nobreza, as ideias de Lutero difundem-se rapidamente. Elas
cionam a arte da navegação ao aperfeiçoar instrumentos náuticos de substituem o poder eclesiástico pelo do Estado, simplificam a liturgia,
origem árabe, como a bússola, modernizar a cartografia e inventar a cara- revogam o celibato clerical e acabam com o culto às imagens.
vela. São pioneiros em calcular com precisão a circunferência da Terra e REFORMA ANGLICANA – É promulgada em 1534 pelo rei Henrique
no comércio de escravos negros para a América. VIII, da Inglaterra. O pretexto é a recusa do papa ao pedido de anulação de
Expedições portuguesas – A primeira expedição portuguesa, coman- seu casamento com Catarina de Aragão, para que possa desposar Ana
dada pelo rei dom João I, termina com a conquista de Ceuta, em 21 de Bolena. Na verdade há o interesse da Monarquia inglesa em submeter a
agosto de 1415. Um dos mais importantes portos africanos, ao norte do Igreja e tornar o rei a autoridade suprema. A reforma anglicana consolida-
Marrocos, é o ponto de partida para as descobertas portuguesas na África se em 1558, sob o reinado de Elizabeth I
Ocidental. O cabo da Boa Esperança, no extremo sul do continente, é REFORMA CALVINISTA – Começa em 1534, na França, com as pre-
contornado em 1487 por Bartolomeu Dias (1450-1500), abrindo caminho gações de João Calvino Mais radical que Lutero, Calvino defende a tese de
para o Oriente. A primeira ligação por mar entre Europa Ocidental e Índia é o homem nascer predestinado à salvação ou à condenação. Considera-o
feita em 8 de julho de 1497 por Vasco da Gama (1469-1524). Ele parte da livre de todas as proibições não explicitadas nas Escrituras, o que torna as
praia de Restelo, em Portugal, e em 1498 chega ao porto indiano de Cali- práticas do capitalismo lícitas, em especial a usura, condenada pela Igreja
cute. Em 22 de abril de 1500, uma nova esquadra liderada por Pedro Católica. O homem deve buscar o lucro por meio do trabalho e de uma vida
Álvares Cabral chega à costa brasileira. regrada – também formas de louvar a Deus.
ESPANHA – Atrasados em relação a Portugal, os espanhóis patroci-
nam a viagem de Cristóvão Colombo ao Oriente em 1492. Acreditando que Contra-reforma
a Terra era redonda, Colombo supõe ter alcançado o Oriente navegando Reação da Igreja Católica à Reforma Protestante e às pressões inter-
pelo Ocidente. Na verdade, descobre outro continente: a América. Entre nas pela renovação das práticas e da atuação política do clero durante os
1503 e 1513, o navegador florentino Américo Vespúcio (1451-1512) viaja séculos XVI e XVII. Em 1545, o papa Paulo III (1468-1549) convoca o
ao continente a serviço da Espanha. Ainda com patrocínio espanhol, Concílio de Trento e torna-se o primeiro papa da Contra-Reforma.
Fernão de Magalhães (1454-1521) começa em 1519 a primeira viagem de
circunavegação da Terra. Parte de Cádiz, no litoral da Espanha, atravessa Concílio de Trento – Conselho que se reúne várias vezes, entre 1545 e
o Atlântico Sul e cruza o estreito que hoje tem seu nome. Ruma para a 1563, para assegurar a disciplina eclesiástica e a unidade da fé. Confirma
Ásia, chegando às Filipinas em 1521. A tese sobre a forma esférica da a presença de Cristo na eucaristia e combate a doutrina protestante a
Terra fica assim comprovada. respeito dos sacramentos. Regula as obrigações do clero, a contratação de
INGLATERRA, FRANÇA E PAÍSES BAIXOS – Iniciam sua expansão parentes para a Igreja e o excesso de luxo na vida dos religiosos. É institu-
marítima mais tarde e, no princípio do século XVI, aportam em terras já ído o índice de livros proibidos (Index Librorum Prohibitorum) com as obras
ocupadas por portugueses e espanhóis. Conquistam algumas áreas na que os católicos não poderiam ler, sob pena de excomunhão (expulsão da

Ciências Humanas e suas Tecnologias 52 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Igreja). O órgão encarregado pela repressão às heresias e aplicação das Monarquias nacionais
medidas da Contra-Reforma é a Inquisição. Para efetivar as mudanças, a Forma de organização política que dá origem aos Estados nacionais
Igreja cria ou reorganiza ordens religiosas, como a Companhia de Jesus. europeus, a partir do século X, como decorrência do renascimento comer-
cial e urbano e da crise do feudalismo. Caracteriza-se pelo fortalecimento
Iluminismo do poder real, que passa a se estender por todo o país. A formação das
Corrente de pensamento dominante no século XVIII, que defende o monarquias nacionais europeias é um processo lento e desigual, marcado
predomínio da razão sobre a fé e estabelece o progresso como destino da por revoluções, guerras civis, disputas territoriais e conflitos com a Igreja.
humanidade. Seus principais idealizadores são John Locke (1632-1704),
Montesquieu (1689-1755), Voltaire (1694-1778) e Rousseau (1712-1778). Com o surgimento das cidades e o enfraquecimento da influência da
Representa a visão de mundo da burguesia intelectual da época e tem nobreza, a figura do rei ganha importância. Ele passa a centralizar o poder
suas primeiras manifestações na Inglaterra e na Holanda. Alcança especial político e a estender sua soberania sobre toda a nação – definida na Idade
repercussão na França, onde se opõe às injustiças sociais, à intolerância Média como unidade linguística, religiosa, cultural e histórica dentro de
religiosa e aos privilégios do absolutismo em decadência. Influencia a determinado território. O monarca procura se sobrepor também ao poder
Revolução Francesa, fornecendo-lhe, inclusive, o lema Liberdade, Igualda- do papado, limitando os privilégios da Igreja, como isenção de impostos,
de e Fraternidade. tribunais próprios e direito de intervir nos assuntos nacionais.

O iluminismo tem origem no Renascimento, o primeiro grande momen- Nesse processo de centralização de poder, os reis contam com o
to de construção de uma cultura burguesa, na qual a razão e a ciência são apoio de uma nova classe social, a burguesia, que ascende com o desen-
as bases para o entendimento do mundo. Para o iluminismo, Deus está na volvimento do capitalismo. Interessados na formação de um mercado
natureza e no homem, que pode descobri-lo por meio da razão, dispen- nacional, os burgueses querem ainda libertar-se das estruturas feudais. As
sando a Igreja. Afirma que as leis naturais regulam as relações sociais e reivindicações burguesas, como a cobrança de pedágios e impostos, e a
considera os homens naturalmente bons e iguais entre si – quem os cor- uniformização de pesos e medidas, necessárias ao fortalecimento do
rompe é a sociedade. Cabe, portanto, transformá-la e garantir a todos mercado interno e à expansão comercial, são atendidas pela unificação do
liberdade de expressão e culto, igualdade perante a lei e defesa contra o poder nacional. A centralização se dá com a monopolização das forças
arbítrio. Quanto à forma de governo para a realização da sociedade justa, militares e a administração da nação. A criação de novas leis escritas, em
uns defendem a monarquia constitucional; outros, a república. Em Ensaio substituição às leis feudais, marca o nascimento da burocracia moderna.
sobre o Entendimento Humano (1689), o inglês John Locke trata a experi- Também são organizadas forças militares mercenárias, que permitem ao
ência como fonte do conhecimento, que é organizado depois pela razão. rei cobrar impostos com mais eficiência, manter o controle do território
Locke defende também o individualismo liberal contra o absolutismo mo- nacional e ampliar seus domínios. O soberano passa a controlar as igrejas
nárquico. O escritor francês Montesquieu propõe na obra Do Espírito das nacionais, sobrepondo seu poder ao do papa, e a intervir nos assuntos
Leis (1751) a independência dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciá- religiosos. A transformação da corte real em corte suprema de justiça da
rio como garantia da liberdade. Voltaire critica a Igreja e defende a monar- nação é o passo final para a consolidação da autoridade real, que, no
quia comandada por um soberano esclarecido. O suíço Jean-Jacques século XVII, atinge o auge e dá origem ao absolutismo.
Rousseau torna-se o iluminista mais radical, precursor do socialismo e do
romantismo. No livro O Contrato Social (1762) posiciona-se a favor do Considerada a primeira da Europa, a Monarquia nacional portuguesa
Estado democrático, voltado para o bem comum e a vontade geral, que tem início em 1385, após a revolução burguesa que coloca no trono o rei
inspira os ideais da Revolução Francesa. É dele a noção do bom selva- dom João I, da dinastia Avis. Na Espanha, a consolidação da Monarquia
gem, que representa o homem nascido bom e sem vícios, mas depois acontece em 1492, após o casamento dos reis católicos Fernando de
pervertido pelo meio social. Aragão e Isabel de Castela e a conquista de Granada, antes ocupada
pelos árabes.
Outra obra tipicamente iluminista é Enciclopédia, elaborada pelos fran-
ceses Denis Diderot (1713-1784) e Jean D''Alembert (1717-1783), com o MONARQUIA FRANCESA – Na França, o poder real começa a se for-
objetivo de organizar o conhecimento existente na época sobre artes, talecer durante a dinastia fundada por Hugo Capeto (938-996), que se
ciência, filosofia e religião. Na economia, o iluminismo é representado pela estende de 987 a 1328. Durante o reinado de Felipe IV, o Belo (1268-1314)
fisiocracia, que considera a terra única fonte de riqueza de uma nação, e são cobrados impostos sobre os bens do clero. A escolha de um papa
pelo liberalismo econômico, que defende a não intervenção do Estado na francês, Clemente V, leva ao estabelecimento da sede do papado na
economia. As ideias iluministas influenciam alguns governantes, que cidade francesa de Avignon, em 1306. Em decorrência das disputas entre
procuram agir segundo a razão e o interesse do povo, sem contudo abrir a Monarquia francesa e o poder da Igreja, a cristandade ocidental se divide
mão do poder absoluto – o que dá origem ao despotismo esclarecido no entre dois papas: um em Roma e outro em Avignon. Esse período fica
século XVIII. conhecido como o Cisma do Ocidente (1376-1417). A Monarquia nacional
francesa se consolida após a Guerra dos Cem Anos, que garante a sobe-
Despotismo rania do rei Carlos VII (1403-1461), da dinastia Valois, sobre todo o territó-
Despotismo esclarecido rio francês.
Forma de governo na qual o poder é exercido de maneira absoluta e
arbitrária e a relação entre governante e governado pode ser comparada à MONARQUIA INGLESA – Tem início quando Guilherme, o Conquista-
existente entre senhor e escravo. O conceito nasce com o filósofo grego dor, duque da Normandia, invade a Inglaterra, em 1066. Vitorioso, ocupa o
Aristóteles, no livro Política, para se referir aos impérios antigos da Ásia, trono e procura manter a autoridade sobre a nobreza. Em 1215, a nobreza
em contraposição às formas tirânicas de poder, características da Europa. feudal, os cavaleiros e os burgueses impõem ao rei João Sem Terra (1199-
Segundo Aristóteles, no despotismo o poder está ligado à natureza dos 1216) a Magna Carta, que limita os poderes reais. O documento impede o
súditos: dispostos à obediência e incapazes de se autogovernar. Nesse soberano de aumentar os impostos e mudar as leis sem a aprovação do
ponto se diferencia da tirania, na qual o poder depende da natureza do Grande Conselho, assembleia dos nobres do reino. Durante o reinado
governante, que age segundo os próprios interesses. O despotismo distin- seguinte, de Henrique III, o Grande Conselho passa por importantes mu-
gue-se também da ditadura por não depender da ocorrência de circunstân- danças em sua composição, que dão origem ao Parlamento inglês, forma-
cias excepcionais, como uma guerra. do pela Câmara dos Lordes (que reúne representantes do alto clero e da
Despotismo esclarecido – Forma de governo que se instala em alguns nobreza) e pela Câmara dos Comuns (que agrega representantes da
Estados absolutistas europeus no século XVIII. Inspirados pelo racionalis- burguesia). O poder dos barões feudais e dos cavaleiros ingleses é abala-
mo iluminista, os déspotas esclarecidos limitam o poder da Igreja Católica, do com a Guerra dos Cem Anos. Após a Guerra das Duas Rosas, a dinas-
reduzem os privilégios da aristocracia e do clero, centralizam o poder, tia Tudor consolida a soberania real na Inglaterra.
favorecem o progresso econômico e estimulam as artes e as ciências. Os
principais déspotas e seu tempo de reinado são Frederico II (1740-1786), Independência da América Espanhola
da Prússia; marquês de Pombal (1750-1777), de Portugal; Catarina II Processo de emancipação das colônias espanholas no continente
(1762-1796), da Rússia; e José II (1780-1790), da Áustria. americano durante as primeiras décadas do século XIX. Resulta das trans-

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formações nas relações entre metrópole e colônia e da difusão das ideias bém o surgimento de lideranças locais fortes, os caudilhos, dificultando a
liberais trazidas pela Revolução Francesa e pela independência dos EUA. realização de um projeto de unidade colonial.
Recebe influência também das mudanças na relação de poder na Europa
em consequência das guerras napoleônicas. Independência dos EUA
Guerra pela independência das 13 colônias inglesas na América do
Durante o século XVIII, a Espanha reformula aspectos de seu pacto Norte. O movimento tem início em 1775 com as revoltas dos colonos
colonial. A suspensão do monopólio comercial da Casa de Contratação de contra a política financeira do Reino Unido. Resulta na Declaração de
Sevilha dá maior flexibilidade às relações comerciais entre metrópole e Independência, em 1776, e dura até a derrota dos ingleses, em 1781.
colônia. Mas, ao mesmo tempo, procura impedir o desenvolvimento das
manufaturas coloniais e combate o contrabando inglês. Essas medidas Política inglesa – De 1756 a 1763, a rivalidade econômica e colonial
contrariam os interesses da elite colonial, os criollos (descendentes de entre França e Inglaterra provoca a Guerra dos Sete Anos. Parte importan-
espanhóis nascidos na América), que lideram a maioria dos movimentos te desse conflito ocorre na América do Norte, onde a Coroa britânica conta
emancipacionistas. Eles são considerados inferiores pela elite e proibidos com a ajuda dos colonos para obter a vitória e apoderar-se de diversos
de ocupar cargos públicos, civis ou militares. territórios franceses, como o Canadá. Apesar de vencedora, a Inglaterra
fica em péssima situação financeira e decide cobrar dos colonos os custos
As guerras travadas peloImpério Napoleônico alteram o equilíbrio de da guerra, taxando vários produtos e instituindo impostos. Em 1764 é
forças na Europa, que se reflete nos domínios coloniais. Em junho de 1808, aprovada a Lei do Açúcar, que tributa o produto e, um ano depois, a Lei do
Napoleão Bonaparte invade a Espanha, destrona o rei Carlos IV e seu Selo, que determina a cobrança de tributos sobre documentos.
respectivo herdeiro, Fernando VII. Impõe aos espanhóis um rei francês,
seu irmão, José Napoleão (José I). Na América, os cabildos (instituições O estopim da crise entre a colônia e a metrópole é a aprovação da Lei
municipais que são a base da administração colonial), sob comando dos do Chá, que dá o monopólio do comércio do produto à Companhia Britâni-
criollos, declaram-se fiéis a Fernando VII e desligam-se do governo de ca das Índias Orientais, prejudicando comerciantes norte-americanos.
José I. Passam a exigir ainda maior autonomia, liberdade comercial e Reagindo à determinação, comerciantes disfarçados de índio destroem 300
igualdade com os espanhóis. caixas de chá de navios ingleses, no Porto de Boston, em 1773. O Parla-
mento inglês, em represália à insubordinação, vota as Leis Intoleráveis em
Com a restauração da Monarquia após a derrota de Napoleão, a Es- 1774, que interditam o porto de Boston até o ressarcimento dos prejuízos e
panha passa a reprimir os movimentos emancipacionistas. Diante dessa estabelecem punição para os envolvidos em manifestações contra a Co-
situação, a elite criolla decide-se pela ruptura com a metrópole. Conta com roa. Essas leis provocam a convocação, no mesmo ano, do Congresso
a aprovação da Inglaterra, que, interessada na liberação dos mercados Continental da Filadélfia, de caráter não separatista. Seus participantes
latino-americanos para seus produtos industrializados, contribui militar, pedem a revogação da legislação autoritária, em nome da igualdade de
financeira e diplomaticamente com as jovens nações. O Paraguai proclama direitos dos colonos. Em 1775, um destacamento inglês em Lexington tenta
a independência em 1811 e a Argentina, em 1816, com o apoio das forças destruir um depósito de armas controlado pelos rebeldes e encontra forte
do general José de San Martín. No Uruguai, José Artigas lidera as lutas resistência por parte das tropas coloniais semi-improvisadas. O aconteci-
contra as tropas espanholas e obtém vitória em 1811. No entanto, a região mento, conhecido como Batalha de Lexington, é considerado o marco da
é dominada em 1821 pelo rei dom João VI e anexada ao Brasil, sob o guerra pela independência. A partir daí, os colonos organizam-se militar-
nome de Província Cisplatina, até 1828, quando consegue sua indepen- mente, e a revolta contra o Reino Unido instala-se de forma declarada.
dência. San Martín organiza também no Chile a luta contra a Espanha e,
com o auxílio do líder chileno Bernardo O''Higginsjump: BAHFF, liberta o A guerra de independência– Ainda em 1775, o II Congresso da Filadél-
país em 1818. Com isso, alcança o Peru e, com a ajuda da esquadra fia conclama os cidadãos às armas e nomeia George Washington coman-
marítima chefiada pelo oficial inglês Lord Cockrane, torna-se independente dante das tropas norte-americanas. Uma comissão de cinco membros,
do país em 1822. Enquanto isso, no norte da América do Sul, Simón Bolí- liderada por Thomas Jefferson (1743-1826), redige a Declaração de Inde-
var atua nas lutas pela libertação da Venezuela (1819), da Colômbia pendência, promulgada em 4 de julho de 1776 por delegados de todos os
(1819), do Equador (1822) e da Bolívia (1825). Em 1822, os dois líderes, territórios. Inspirada nos ideais do iluminismo, defende a liberdade indivi-
Bolívar e San Martín, reúnem-se na cidade de Guayaquil, no Equador, para dual e o respeito aos direitos fundamentais do ser humano. A luta contra os
discutir o futuro da América hispânica. Bolívar defende a unidade das ex- soldados ingleses é dificultada pelo grande número de colonos ainda fiéis à
colônias e a formação de uma federação de repúblicas, e San Martín é metrópole. A ajuda decisiva para a consolidação da independência vem da
partidário de governos formados por príncipes europeus. A tese de Bolívar França. Motivados pelos ideais libertários norte-americanos e querendo
volta a ser discutida no Congresso do Panamá, em 1826, mas é rejeitada. revidar a derrota sofrida para os ingleses, os franceses dão dinheiro aos
rebeldes e aliciam os espanhóis na campanha. Em 1781, o Exército inglês
Em toda a América hispânica há participação popular nas lutas pela rende-se em Yorktown, depois de sitiado por tropas rebeldes. O Tratado de
independência, mas a elite criolla se mantém hegemônica. No México, no Versalhes, em 1783, reconhece a independência dos Estados Unidos da
entanto, a mobilização popular adquire contornos de revolução social: a América e recompensa seus aliados: a França recupera Santa Lúcia,
massa da população, composta de índios e mestiços, rebela-se ao mesmo Tobago e suas possessões no Senegal; a Espanha anexa a ilha de Minor-
tempo contra a dominação espanhola e contra os criollos. Liderados pelos ca e a região da Flórida.
padres Hidalgo e Morelos, os camponeses reivindicam o fim da escravidão, A Constituição – A Constituição dos EUA é promulgada em 1788 e re-
a divisão das terras e a abolição de tributos, mas são derrotados. Os presenta um compromisso entre a tendência republicana, defensora da
criollos assumem a liderança do movimento pela independência, que se autonomia política para os estados, e a federalista, que defende um poder
completa em 1821, quando o general Itúrbide se torna imperador do Méxi- central forte. Adota a República federativa presidencialista como forma de
co. O movimento pela emancipação propaga-se pela América Central (que governo, a separação dos poderes em Executivo, Legislativo e Judiciário e
havia sido anexada por Itúrbide), resultando na formação da República o estabelecimento de direitos civis e políticos, como a liberdade de expres-
Unida da América Central (1823-1838), que mais tarde dá origem a Gua- são, de imprensa e de crença religiosa.
temala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica e El Salvador. O Panamá obtém
independência em 1821 e a República Dominicana, em 1844. Cuba per- Idade Moderna
manece como a última possessão espanhola no continente até a Guerra 1453 – Marco de ruptura entre a Idade Média e a Idade Moderna, a
Hispano-Americana. Ao contrário da América portuguesa, que mantém a tomada de Constantinopla pelo Império Turco-Otomano provoca mudanças
unidade territorial após a independência, a América espanhola divide-se significativas nas relações de poder no Mediterrâneo. O bloqueio das rotas
em várias nações, apesar de tentativas de promover a unidade, como a comerciais entre Europa e Ásia pelos turcos gera grande prejuízo econô-
Grã-Colômbia, reunindo Venezuela e Colômbia, de 1821 a 1830, a Repú- mico, levando os europeus a procurar novos caminhos para a Ásia pelo
blica Unida da América Central e a Confederação Peru-Boliviana, entre oceano Atlântico.
1835 e 1838. A fragmentação política da América hispânica pode ser 1453-1485 – A disputa pelo trono inglês, travada entre a casa real de
explicada pelo próprio sistema colonial, uma vez que as diversas regiões Lancaster, cujo brasão tem uma rosa vermelha, e a de York, que possui
do império espanhol eram isoladas entre si. Essa situação favorece tam- uma rosa branca, provoca a Guerra das Duas Rosas. O conflito termina

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com a conquista do trono por Henrique Tudor, que unifica as duas alas da 1776 – A revolta de colonos na América do Norte contra a política fi-
nobreza e restaura a autoridade real. Com o nome de Henrique VII, ele nanceira imposta pelo Reino Unido leva à independência dos Estados
inaugura a dinastia Tudor, responsável pela implantação do absolutismo na Unidos. O estopim da rebelião é a aprovação da Lei do Chá, que dá o
Inglaterra. monopólio do comércio do produto à Companhia Britânica das Índias
1468-1591 – Sunni Ali Ber funda o Império Songhai ao conquistar o Orientais, prejudicando os comerciantes locais. A igualdade de direito dos
centro comercial de Gao (no atual Mali). No governo de Askia (1492-1528), colonos é reivindicada em 1774, durante o Congresso Continental da
o império já compreende os territórios dos atuais Burkina Fasso, Gâmbia, Filadélfia. Em 1775, a partir da Batalha de Lexington, os colonos organi-
Guiné, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria e Senegal. É o maior império da zam-se militarmente e a guerra contra a metrópole é declarada. Ainda
história da África Ocidental. Seu declínio tem início quando Askia, já cego, naquele ano, uma comissão de cinco membros, liderada por Thomas
é deposto por seu filho. Em 1591, o exército marroquino conquista o territó- Jefferson (1743-1826), redige a Declaração de Independência, promulgada
rio. no dia 4 de julho de 1776. Em 1783, a Inglaterra reconhece a independên-
1479-1492 Formação da monarquia nacional espanhola. O casamento cia dos Estados Unidos da América pelo Tratado de Versalhes.
de Fernando de Aragão e Isabel de Castela, em 1469, impulsiona a união 1789 – Os 13 estados norte-americanos Carolina do Norte, Carolina do
dos dois reinos ibéricos, que passam a ter uma única administração dez Sul, Connecticut, Delaware, Geórgia, Maryland, Massachusetts, New
anos depois. Em 1492, o reino se consolida com a conquista de Granada, Hampshire, Nova Jersey, Nova York, Pensilvânia, Rhode Island e Virgínia
última região sob ocupação islâmica na Espanha. – ratificam a primeira Constituição da história, que serve de modelo para a
1487 – Bartolomeu Dias contorna o cabo da Boa Esperança, no ex- maioria das repúblicas surgidas no mundo. A Constituição institui a separa-
tremo sul do continente africano, abrindo caminho para o Oriente. Em ção entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e cria um sistema
1498, Vasco da Gama atinge Calicute, na Índia. de dupla soberania, em que o Estado Federal possui atribuições acima dos
1492 – Convencido da esfericidade da Terra, o navegador genovês estados. No mesmo ano, George Washington torna-se o primeiro presiden-
Cristóvão Colombo propõe a Portugal alcançar as Índias pelo Atlântico. te dos Estados Unidos. No século XIX o país expande seu território por
Rechaçado, leva ao rei espanhol o mesmo projeto. Parte, então, em 3 de meio de compra de possessões, de guerras e conquistas de territórios
agosto, do porto espanhol de Palos com sua frota formada pelos navios indígenas.
Santa Maria, Pinta e Niña. No dia 12 de outubro, data do descobrimento da
América, Colombo aporta na ilha de San Salvador (Bahamas), pensando Revolução Francesa
ter chegado às Índias. Antecedentes, Tomada da Bastilha, Girondinos e jacobinos, Monarquia
1500 – O navegador Pedro Álvares Cabral e sua esquadra atingem o constitucional, República jacobina, Burguesia no poder
litoral sul da Bahia em 22 de abril. É o descobrimento do Brasil.
1517-1564 – A contestação da estrutura e dos dogmas da Igreja Cató- Revolução social e política que acontece na França de 1789 a 1799.
lica desencadeia a Reforma Protestante, que quebra a unidade do cristia- Sob o lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade, a burguesia revolta-se
nismo. A reforma favorece a monarquia europeia, interessada em acabar contra a monarquia absolutista e, com o apoio popular, toma o poder,
com os privilégios da Igreja. Também beneficia a burguesia, ao intensificar instaurando a I República – chamada Mariana. Os revolucionários acabam
o progresso comercial e urbano, com uma nova religião mais afinada com com os privilégios da nobreza e do clero e livram-se das instituições feu-
o capitalismo e o nacionalismo emergentes. dais do Antigo Regime.
1534 – Ignácio de Loyola funda a Companhia de Jesus, com a missão
de ser uma ordem de ação política e ideológica da Igreja Católica. Antecedentes – No final do século XVIII, cerca de 98% da população
1542 – A Inquisição é restabelecida como órgão oficial da Igreja, dirigi- pertence ao Terceiro Estado, que reúne grandes e pequenos burgueses,
da de Roma pelo Santo Ofício. O tribunal detém com violência o avanço trabalhadores urbanos e camponeses. Ele arca com os pesados impostos
protestante em Portugal, Espanha e Itália. que sustentam o rei, o clero (Primeiro Estado) e a nobreza (Segundo
1545-1563 – A Reforma Protestante e as pressões internas pela reno- Estado). A população também sofre com os abusos do absolutismo de Luís
vação das práticas e pela atuação política do clero levam a Igreja Católica XVI (1754-1793). A burguesia detém o poder econômico, mas perde as
a formular a Contra-Reforma. Suas diretrizes são definidas no Concílio de disputas políticas para o clero e a nobreza, que se aliam nas votações –
Trento, que reafirma todos os dogmas e institui o Index Librorum Prohibito- um voto para cada Estado. Estimulada pelos ideais do iluminismo, revolta-
rum, lista de livros proibidos aos católicos, sob pena de excomunhão. se contra a dominação da minoria. A partir de 1786, o país enfrenta uma
1547-1917 – Adotando o título de czar, inspirado no César latino, Ivan série de dificuldades econômicas, como a crise da indústria e uma seca
IV, o Terrível funda o Império Russo. Mas somente em 1613, durante a que reduz a produção de alimentos. Em 1788, o rei convoca a Assembleia
dinastia Romanov, o Estado russo é unificado. Pedro I, o Grande cria o dos Estados Gerais, um ano depois que os nobres, na Assembleia dos
Santo Sínodo, que coloca a Igreja sob controle do czar. O dirigente tam- Notáveis, se recusam a aceitar medidas contra seus privilégios.
bém une a aristocracia ao governo absolutista, garantindo ao regime uma
estabilidade que duraria até 1917, ano da Revolução Russa.
1572 – Em 24 de agosto, a rainha católica Catarina de Médicis ordena
o assassinato de mais de 3 mil protestantes em Paris, episódio conhecido
como Noite de São Bartolomeu. O massacre não poupa mulheres nem
crianças e termina apenas três dias depois.
1600 – Fundação da Companhia Britânica das Índias Orientais com o
objetivo de explorar o comércio inglês com o Oriente, o Sudeste da Ásia e
a Índia. Mais tarde, a organização envolve-se com questões políticas a
atua como agente do imperialismo britânico na Índia.
1618-1648 – Protestantes e católicos enfrentam-se na Guerra dos
Trinta Anos surge no auge do iluminismo e se transforma em uma das mais
importantes bases teóricas da Revolução Francesa. É editada com o
objetivo de reunir o conhecimento existente na época sobre artes, ciência,
filosofia e religião. Fundamentada no racionalismo, a Enciclopédia ou
Dicionário Racional das Ciências, das Artes e dos Ofícios atrai colaborado-
res como Montesquieu, Voltaire, Rousseau e Quesnay.
1756-1763 – Inglaterra e França enfrentam-se na Guerra dos Sete
Anos, motivada sobretudo por disputas de colônias na Índia e na América
do Norte. A Inglaterra vence a guerra e consolida seu domínio em grande Tomada da Bastilha – Os Estados Gerais começam seus trabalhos em
parte do império colonial francês. maio de 1789, no Palácio de Versalhes. Em junho, a disposição de liquidar
1765 – James Watt aperfeiçoa o motor a vapor, a primeira forma regu- o absolutismo e realizar reformas leva a bancada do Terceiro Estado a
lar e estável de obtenção de energia inventada pelo homem e marco da autoproclamar-se Assembleia Nacional Constituinte. A população envolve-
Revolução Industrial. se, e as revoltas em Paris e no interior, causadas pelo aumento do preço

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do pão, resultam na Tomada da Bastilha, em 14 de julho, marco inicial da co da burguesia, o surgimento do operariado e a consolidação do capita-
Revolução. Grande parte da nobreza sai do país. Em agosto de 1789, a lismo como sistema dominante na sociedade.
Constituinte anula os direitos feudais ainda existentes e aprova a Declara-
ção dos Direitos do Homem e do Cidadão. Em setembro de 1791 é finali- I REVOLUÇÃO INDUSTRIAL – O pioneirismo inglês, no século XVIII,
zada a Constituição, que conserva a Monarquia, mas institui a divisão do deve-se ao acúmulo de capital – em razão da rápida expansão do comér-
poder (Executivo, Legislativo e Judiciário), proclama a igualdade civil e cio ultramarino e continental –, às reservas de carvão e ferro, à grande
confisca os bens da Igreja. quantidade de mão-de-obra, ao avanço tecnológico e à existência de
mercados consumidores. Em sua origem está a Revolução Gloriosa
Girondinos e jacobinos – A unidade inicial do Terceiro Estado contra o (1688), que assinala o final do absolutismo inglês e coloca a burguesia no
Antigo Regime dá lugar a uma complexa composição partidária, que evolui controle do Estado. A disponibilidade de capital e o sistema financeiro
conforme os vários momentos da revolução. Os girondinos, que se sentam eficiente facilitam os investimentos dos empresários, que constroem ferro-
à direita do plenário, representam a alta burguesia, são mais conservado- vias, estradas, portos e sistemas de comunicação, favorecendo o comér-
res e combatem a ascensão dos sans-culottes (o povo). Os jacobinos, à cio. Os campos são apropriados pela burguesia, no processo chamado de
esquerda, representam a pequena e média burguesia e buscam ampliar a cercamento, originando extensas propriedades rurais. Com isso, os cam-
participação popular no governo. Republicanos radicais são liderados por poneses são expulsos das terras, migram para as cidades e tornam-se
Robespierre (1758-1794) e apoiados pelos cordeliers, líderes das massas mão-de-obra à disposição. Por outro lado aumenta a produção de alimen-
populares de Paris. Os deputados do centro, que oscilam entre jacobinos e tos, contribuindo para o crescimento populacional.
girondinos, recebem o apelido de grupo do pântano.
Avanços técnicos – O desenvolvimento de máquinas – como a máqui-
Monarquia constitucional – Em abril de 1792, os monarquistas patroci- na a vapor e o tear mecânico – permite o crescimento da produtividade e a
nam a declaração de guerra à Áustria, como possibilidade de voltar ao racionalização do trabalho. Com a aplicação da força a vapor às máquinas
poder. Austríacos e prussianos invadem a França com o apoio secreto de fabris, a mecanização difunde-se na indústria têxtil. Para melhorar a resis-
Luís XVI, mas são derrotados pelos populares. Os sans-culottes, liderados tência delas, o metal substitui a madeira, estimulando a siderurgia e o
por Marat (1743-1793), Robespierre e Danton (1759-1794), assumem o surgimento da indústria pesada de máquinas. A invenção da locomotiva e
governo. Criam a Comuna de Paris em agosto de 1792 e organizam as do navio a vapor acelera a circulação das mercadorias.
guardas nacionais. Radicaliza-se a oposição aos nobres, considerados
traidores. Em setembro, o povo invade as prisões e promove execuções Oferta de mão-de-obra – O novo sistema industrial institui duas novas
em massa. classes opostas: os empresários, donos do capital, dos modos e bens de
produção, e os operários, que vendem sua força de trabalho em troca de
República jacobina – Forma-se nova Assembleia, a Convenção, entre salário. A Revolução Industrial concentra os empregados em fábricas e
1792 e 1795, para preparar outra Constituição. Os girondinos perdem muda radicalmente o caráter do trabalho. Para aumentar o desempenho
força, e a maioria fica com os jacobinos, liderados por Robespierre e Saint- dos operários, a produção é dividida em várias etapas. O trabalhador
Just (1767-1794). Os montanheses, uma facção dos jacobinos, proclamam executa uma única, sempre do mesmo modo. Com a mecanização, o
a República em 20 de setembro de 1792. Luís XVI é guilhotinado em trabalho desqualifica-se, o que reduz os salários. No início, os empresários
janeiro de 1793. Começa o Período do Terror, que dura de junho de 1793 a impõem duras condições aos operários para ampliar a produção e garantir
julho de 1794. Sob o comando ditatorial de Robespierre são criados o margem de lucro crescente. Estes, então, se organizam em associações
Comitê de Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário, encarregado de para reivindicar melhores condições de trabalho, dando origem aos sindica-
prender e julgar os traidores. A Comuna aprisiona e guilhotina 22 líderes tos.
girondinos e até jacobinos, como Danton e Desmoulins (1760-1794),
acusados de conspiração. Poucos meses após a morte de Danton, em II REVOLUÇÃO INDUSTRIAL – Inicia-se a partir de 1870, com a in-
julho de 1794 – dia 9 do novo mês Termidor –, Robespierre e Saint-Just dustrialização da França, da Alemanha, da Itália, dos EUA e do Japão,
também são presos e guilhotinados. Com a execução de Robespierre entre outros. Novas fontes de energia (eletricidade e petróleo) e produtos
chega ao fim a supremacia jacobina. Os girondinos, em aliança com o químicos, como o plástico, são desenvolvidos, e o ferro é substituído pelo
grupo do pântano, instalam no poder a alta burguesia. aço. Surgem máquinas e ferramentas mais modernas. Em 1909, Henry
Ford cria a linha de montagem e a produção em série. Na segunda metade
Burguesia no poder – Os clubes jacobinos são fechados e nova Cons- do século XX, quase todas as indústrias já estão mecanizadas e a automa-
tituição é redigida (1795), instituindo outro governo, o Diretório (1795- ção alcança todos os setores das fábricas. As inovações técnicas aumen-
1799), que consolida as aspirações da burguesia. Nesse período, o país tam a capacidade produtiva das indústrias e o acúmulo de capital. As
sofre ameaças externas. Para manter seus privilégios, a burguesia entrega potências industriais passam a buscar outros mercados consumidores.
o poder a Napoleão Bonaparte. Mesmo com a queda do Império Napoleô-
nico, em 1815, e a ameaça de restauração monárquica pelas potências III REVOLUÇÃO INDUSTRIAL – No período pós-II Guerra Mundial a
europeias vencedoras, a burguesia retoma o controle do governo francês partir da década de 50, surgem complexos industriais e empresas multina-
em 1830. O Estado burguês, construído por Napoleão Bonaparte, perma- cionais. As indústrias química e eletrônica crescem. Os avanços da auto-
nece. Para muitos historiadores, a Revolução Francesa é o auge de um mação, da informática e da engenharia genética são incorporados ao
amplo movimento revolucionário que consolida uma sociedade capitalista, processo produtivo, que depende cada vez mais de alta tecnologia e de
liberal e burguesa. Atinge outros países, como a Inglaterra e os EUA, e mão-de-obra especializada. A informatização substitui, em alguns casos, a
chega à França com maior violência e ideais mais bem delineados. Os mão-de-obra humana, contribuindo para a eliminação de inúmeros postos
movimentos pela independência da América Espanhola também são de trabalho.
reflexo dessas transformações. I Guerra Mundial

Revolução Industrial
I REVOLUÇÃO INDUSTRIAL, Avanços técnicos, Oferta de mão-de-
obra, II REVOLUÇÃO INDUSTRIAL, III REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Processo de mudança de uma economia agrária e baseada no traba-
lho manual para uma dominada pela indústria mecanizada. Tem início na
Inglaterra por volta de 1760 e alastra-se para o resto do mundo. Caracteri-
za-se pelo uso de novas fontes de energia, pela invenção de máquinas que
aumentam a produção, pela divisão e especialização do trabalho, pelo
desenvolvimento do transporte e da comunicação e pela aplicação da
ciência na indústria. Provoca profundas transformações na sociedade: o
declínio da terra como fonte de riqueza, o direcionamento da produção em
larga escala para o mercado internacional, a afirmação do poder econômi-

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Conflito armado que começa em 1914 como uma disputa local entre o a queda do czar russo assumem o poder após dois governos provisórios, já
Império Austro-Húngaro e a Sérvia, estende-se às potências imperialistas haviam assinado a paz em separado com a Alemanha, em março, pelo
da Europa e atinge o mundo inteiro. O estopim é o assassinato do arquidu- Tratado de Brest-Litovsk. A fome e a saúde precária da população alemã
que Francisco Ferdinando (1863-1914), herdeiro do trono austríaco, em levam o país à beira de uma revolução social. Com a renúncia do kaiser,
Sarajevo (atual Bósnia-Herzegóvina). A guerra termina em 1918, causando exigida pelos EUA, um conselho provisório socialista negocia a rendição.
a morte de mais de 8 milhões de soldados e 6,5 milhões de civis. Em 28 de junho de 1919 é assinado o Tratado de Versalhes, que põe fim à
guerra.

Confrontam-se dois grupos de países organizados em pactos antagô- Fascismo


nicos: a Tríplice Aliança, liderada pela Alemanha, e a Tríplice Entente, que Regime político de caráter totalitário que surge na Europa no entre-
vence a guerra, encabeçada pela França. A Europa perde sua posição na guerras (1919-1939). Originalmente é empregado para denominar o regime
liderança planetária para os Estados Unidos (EUA), que assumem o co- político implantado pelo italiano Benito Mussolini entre 1919 e 1943. Suas
mando das negociações mundiais e passam a ser o centro de poder do principais características são o nacionalismo, que tem a nação como forma
capitalismo. A reorganização do cenário político no continente europeu e suprema de desenvolvimento, e o corporativismo, em que os sindicatos
as condições impostas pelo Tratado de Versalhes ao perdedor, a Alema- patronais e trabalhistas são os mediadores das relações trabalhistas. O
nha, levam à II Guerra Mundial. O mundo do pós-guerra assiste também à fascismo nasce oficialmente em 1919, em Milão, quando Mussolini funda o
implantação do primeiro Estado socialista, a União Sovética (URSS). movimento intitulado Fascio de Combatimento, cujos integrantes, os cami-
sas pretas (camicie nere), se opõem à classe liberal. Em 1922, as milícias
Antecedentes – O choque de interesses imperialistas das nações eu- fascistas desfilam na Marcha sobre Roma. Pretendem tomar o poder
ropeias, aliado ao espírito nacionalista emergente, é o principal motivo do militarmente e ocupam prédios públicos e estações ferroviárias, exigindo a
conflito. No começo do século XX, a Alemanha se torna o país mais pode- formação de um novo gabinete. Mussolini é convocado para chefiar o
roso da Europa Continental após a Guerra Franco-Prussiana (1870) e a governo do país, que atravessa profunda crise econômica, agravada por
arrancada industrial propiciada pela unificação do país em 1871. A nova greves e manifestações de trabalhadores. Por meio de fraudes, os fascis-
potência ameaça os interesses econômicos do Reino Unido e os político- tas conseguem maioria parlamentar. Em seguida, Mussolini dissolve os
militares da Rússia e da França. As diferenças entre França e Alemanha partidos de oposição, persegue parlamentares oposicionistas e passa a
são acirradas pela disputa do Marrocos. Em 1906, ele é cedido à França governar por decretos. As características do regime são cerceamento da
por um acordo. A anexação da Bósnia-Herzegóvina pelos austríacos em liberdade civil e política, unipartidarismo, derrota dos movimentos de es-
1908 causa a explosão do nacionalismo sérvio, apoiado pela Rússia. querda e limitação ao direito dos empresários de administrar sua força de
Outros enfrentamentos, dessa vez entre Sérvia e Áustria após as Guerras trabalho. A política adotada, entretanto, é eficiente na modernização da
Balcânicas, aumentam a tensão pré-bélica. Esses conflitos de interesse economia industrial e na diminuição do desemprego.
levam à criação de dois sistemas rivais de alianças. Em 1879, a Alemanha
firma com o Império Austro-Húngaro um acordo contra a Rússia. Três anos Nazismo
depois, a Itália, rival da França no Mediterrâneo, alia-se aos dois países, Regime político de caráter totalitário que se desenvolve na Alemanha
constituindo a Tríplice Aliança. A Tríplice Entente tem origem na Entente durante as sucessivas crises da República de Weimar, entre 1919 e 1933.
Cordiale, formada em 1904 pelo Reino Unido e pela França para se opor Baseia-se na doutrina do nacional-socialismo, formulada por Adolf Hitler,
ao expansionismo germânico. Em 1907 conquista a adesão da Rússia. que orienta o programa do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores
Alemães (NSDAP). De caráter nacionalista, defende o racismo, a superio-
O mundo em guerra – Em 28 de junho de 1914, o arquiduque Francis- ridade da raça ariana e a luta pelo expansionismo alemão e nega as insti-
co Ferdinando, sucessor do Império Austro-Húngaro, e sua esposa são tuições da democracia liberal e a revolução socialista. A essência da
assassinados durante visita a Sarajevo, na Bósnia-Herzegóvina, pelo ideologia nazista encontra-se no livro de Hitler, Minha Luta (Mein Kampf).
estudante anarquista sérvio Gravilo Princip. Confirmada a cumplicidade de
políticos da Sérvia no atentado, o governo austríaco envia em julho um Ao final da I Guerra Mundial, além de perder territórios para França,
ultimato ao governo sérvio. Exige, entre outras medidas, a demissão de Polônia, Dinamarca e Bélgica, os alemães são obrigados pelo Tratado de
ministros suspeitos de envolvimento com os terroristas. Como a Sérvia Versalhes a pagar altas indenizações aos países vencedores. Essa penali-
reluta em atender às exigências, o país é invadido pelos austríacos em 1º dade faz crescer a dívida externa e compromete os investimentos internos,
de agosto. gerando falências, inflação e desemprego em massa. As tentativas frustra-
das de revolução socialista (1919, 1921 e 1923) e as sucessivas quedas de
O complexo sistema de alianças que impera no continente conduz ou-
gabinetes de orientação social-democrata criam condições favoráveis ao
tros países europeus ao conflito. A Rússia declara guerra à Áustria, e a
surgimento e à expansão do nazismo no país. O NSDAP, utilizando-se de
Alemanha se junta às nações contra a Rússia. A França, ligada aos russos,
espetáculos de massa (comícios e desfiles) e dos meios de comunicação
mobiliza tropas contra os alemães. No dia 3 de agosto de 1914, o mundo
(jornais, revistas, rádio e cinema), consegue mobilizar a população por
está em guerra. Outras nações tomam parte dela em seguida: o Reino
meio do apelo à ordem e ao revanchismo. Recebe ajuda da grande bur-
Unido alia-se à França; a Turquia, do lado dos alemães, ataca os portos
guesia, que teme o movimento operário. Favorecidos por uma divisão dos
russos no mar Negro; e o Japão, interessado nos domínios germânicos no
partidos de esquerda, os nazistas são vitoriosos nas eleições de 1932. Em
Extremo Oriente, engrossa o bloco contra a Alemanha. Ao lado da Entente
1933, Hitler é nomeado primeiro-ministro, com o auxílio de nacionalistas,
entram outras 24 nações, estabelecendo uma ampla coalizão, conhecida
católicos e setores independentes. Um ano depois se torna chefe de go-
como os países Aliados. Já a Alemanha recebe a adesão do Império
verno (chanceler) e chefe de Estado (presidente). Interpreta o papel de
Turco-Otomano, rival da Rússia e da Bulgária, movida pelos interesses nos
fuhrer, o guia do povo alemão, criando o III Reich (III Império).
Bálcãs. A Itália, embora pertencente à Tríplice Aliança, fica neutra no início,
mas troca de lado em 1915, sob promessa de receber parte dos territórios
Com poderes excepcionais, Hitler suprime todos os partidos políticos,
turco e austríaco. Na frente ocidental, a guerra entre França e Alemanha
exceto o nazista; dissolve os sindicatos; cassa o direito de greve; fecha os
não tem vitoriosos até 1918. Na frente oriental, os alemães abatem o
jornais de oposição; e estabelece a censura à imprensa. Apoiando-se em
Exército da Rússia. Já fragilizado pela derrota na Guerra Russo-Japonesa,
organizações paramilitares, SA (guarda do Exército), SS (guarda especial)
o povo russo atinge o ponto máximo de insatisfação com o conflito, o que
e Gestapo (polícia política), realiza perseguições aos judeus, aos sindica-
gera condições favoráveis para a Revolução Russa. Com a derrota militar
tos e aos políticos comunistas, socialistas e de outros partidos. O interven-
russa consumada e o risco de a Alemanha avançar pela frente oriental e
cionismo e a planificação econômica adotados por Hitler eliminam, no
atacar a França, os EUA entram na guerra e decidem o confronto. O objeti-
entanto, o desemprego e impedem a retirada do capital estrangeiro do
vo do país na luta é preservar o equilíbrio de poder na Europa e evitar uma
país. Há um acelerado desenvolvimento industrial, que estimula a indústria
possível hegemonia alemã.
bélica e a edificação de obras públicas. Esse crescimento se deve em boa
A paz – Em julho de 1918, forças inglesas, francesas e norte- parte ao apoio dos grandes grupos alemães, como Krupp, Siemens e
americanas lançam um ataque definitivo. A guerra está praticamente Bayer, a Adolf Hitler. Em desrespeito ao Tratado de Versalhes, Hitler
vencida. Turquia, Áustria e Bulgária rendem-se. Os bolcheviques, que com reinstitui o serviço militar obrigatório, em 1935, remilitariza o país e envia

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tanques e aviões para amparar as forças conservadoras do general Fran- Em setembro de 1940, o Eixo, pacto entre Alemanha, Itália e Japão, é
cisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola, em 1936. Nesse mesmo formalizado, estabelecendo o apoio mútuo entre os países em caso de
ano promove o extermínio sistemático dos judeus por meio da deportação ataque por potência ainda não envolvida na guerra, no caso os EUA.
para guetos ou campos de concentração. Anexa a Áustria e a região dos Londres é bombardeada pelos alemães, que também ameaçam o domínio
Sudetos, na Tchecoslováquia (1938). Ao invadir a Polônia, em 1939, dá inglês no Egito.
início à II Guerra Mundial.
Hitler reorienta sua máquina de guerra para o Leste Europeu e propõe
Terminado o conflito, instala-se na cidade alemã de Nurenberg um tri- ao governo de Moscou a partilha do mundo em zonas de influência. Mas as
bunal internacional para julgar os crimes de guerra cometidos pelos nazis- negociações falham, e o território da URSS é invadido, sem uma declara-
tas. Realizam-se 13 julgamentos entre 1945 e 1947, 25 alemães são ção formal de guerra, em 22 de junho de 1941. Nessa época, a Alemanha
condenados à morte, 20 à prisão perpétua, 97 a penas curtas de prisão e já domina vários países do Leste Europeu, como Romênia, Bulgária e
35 são absolvidos. Dos 21 principais líderes nazistas capturados, dez são Hungria, além de Iugoslávia e Grécia. Mas o Exército soviético avança, em
executados por enforcamento em 16 de outubro de 1946. contra-ataque, sobre os países-satélites da Alemanha, às voltas agora com
duas frentes de guerra.
Neonazismo – A partir dos anos 80, na Europa, há uma retomada de
movimentos autoritários e conservadores denominados neonazistas, Ataque japonês – Os japoneses precipitam a entrada dos EUA na
principalmente na Alemanha, Áustria, França e Itália. Eles são favorecidos, guerra ao bombardear, em 7 de dezembro de 1941, a base naval de Pearl
entre outros motivos, pela imigração, pela recessão, pelo desemprego e Harbor, no Havaí. Definem-se, assim, as duas facções em conflito. De um
pelo ressurgimento de velhos preconceitos étnicos e raciais. Manifestam-se lado, os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e, de outro, os Aliados
de forma violenta e têm nos estrangeiros o alvo preferencial de ataque. Em (França, Reino Unido, EUA, URSS e China).
determinados países, os movimentos neonazistas valem-se também da via
institucional parlamentar, como o partido político Frente Nacional, na
França. No Brasil, carecas, skinheads e white power são alguns dos gru-
pos em evidência nos grandes centros urbanos, promovendo ataques
verbais, pichações e agressões dirigidas principalmente contra os migran-
tes nordestinos.

II Guerra Mundial
Conflito militar de escala mundial que envolve países de todos os con-
tinentes e se estende de 1939 a 1945. Resulta do choque de interesses
entre as nações após o fim da I Guerra Mundial e das pretensões da
Alemanha de conquistar o mundo. Termina com a destruição do III Reich,
de Adolf Hitler, o declínio das nações da Europa e a emergência das duas
superpotências mundiais, Estados Unidos e União Soviética, que passam a
disputar o controle do planeta na chamada Guerra Fria. As perdas em
consequência da guerra são estimadas em quase 50 milhões de mortos, a
maioria civis. Cerca de 5,9 milhões de judeus são assassinados nos cam-
pos de concentração e extermínio, em um dos maiores genocídios da
história. A ideia de superioridade da raça ariana também leva a uma políti- Entre 1942 e 1943, a Marinha anglo-americana elimina submarinos
ca de perseguição e ao extermínio de minorias consideradas inferiores, alemães no Atlântico, ao mesmo tempo em que a aviação aliada intensifica
como ciganos, eslavos, doentes mentais e deficientes físicos. o bombardeio à Alemanha. No norte da África, o Exército alemão rende-se
Causas – A derrota da Alemanha na I Guerra Mundial favorece o sur- em maio de 1943. Os Aliados desembarcam na Sicília e invadem a Itália.
gimento do nazismo em 1933. As potências ocidentais permitem o cresci- Na outra frente, o Exército soviético alcança vitórias na Romênia, Bulgária
mento nazista como forma de bloqueio à URSS e ao avanço do comunis- e Iugoslávia, em 1944, enquanto Albânia e Grécia expulsam os alemães.
mo sobre a Europa. Em 1935, a Alemanha reinicia a produção de arma-
mentos e restabelece o serviço militar obrigatório, em desrespeito ao Dia D –No dia 6 de junho de 1944, o Dia D, acontece o golpe mortal às
Tratado de Versalhes. Um ano depois ocupa novamente a Romênia e dá forças nazistas. O desembarque de 155 mil soldados aliados em Caen, na
início a uma política estratégica de alianças. Oferece ajuda econômica à Normandia francesa, é considerado a maior operação aeronaval da histó-
Itália fascista e apoia Francisco Franco na Guerra Civil Espanhola. Assina ria. Envolve mais de 1.200 navios de guerra e mil aviões. Paris é libertada
com o Japão o Pacto Anti-Comintern, em 1936, a fim de conter a expansão em 25 de agosto. A capital alemã é ocupada em 2 de maio pelo Exército da
comunista da URSS. Em 1938 invade a Áustria e incorpora parte da Tche- URSS. Cinco dias mais tarde, a Alemanha rende-se incondicionalmente.
coslováquia. Hitler aproveita ainda as desconfianças da URSS em relação
às potências ocidentais para assinar um acordo de não-agressão e neutra- Guerra no Pacífico – Na luta contra os japoneses, a situação havia
lidade com o líder soviético Josef Stálin: o Pacto Germânico-Soviético, de começado a se inverter a favor dos Aliados, após a vitória dos norte-
23 de agosto de 1939. Abre-se, assim, para Hitler o caminho a leste para americanos nas batalhas navais de Midway e do mar de Coral em 1942.
atacar a Polônia. Ele pretende recuperar a zona conhecida por Corredor No início de 1945, tropas norte-americanas, britânicas e chinesas recupe-
Polonês, a do Porto de Gdansk, que une a Alemanha à Prússia Oriental ram as Filipinas. Em 19 de fevereiro ocorre o primeiro desembarque norte-
(atual Polônia). americano em território japonês, na ilha de Iwojima. A primeira bomba
atômica é lançada pelos norte-americanos sobre a cidade japonesa de
Ofensiva alemã – Diante da resistência polonesa, as tropas alemãs in- Hiroshima em 6 de agosto de 1945 e mata 100 mil pessoas. Três dias
vadem o país em 1° de setembro de 1939 e travam uma guerra relâmpago depois, uma segunda bomba é jogada sobre Nagasaki, provocando mais
(blitzkrieg). É estabelecido um governo geral nazista e inicia-se a persegui- 70 mil mortes. A partir de 8 de agosto, tropas soviéticas expulsam os
ção aos judeus. O Reino Unido, comprometido com a defesa polonesa, e a japoneses da Manchúria e da Coreia. Finalmente, em 2 de setembro de
França, aliada inglesa, declaram guerra à Alemanha. Em seguida, Dina- 1945, o Japão rende-se ao Exército norte-americano. É o fim da II Guerra
marca e Noruega são ocupadas pelo Exército nazista, seguidas da Holan- Mundial.
da (Países Baixos) e da Bélgica. Em Dunkerque, na França, o Exército
belga-anglo-francês sofre a primeira derrota aliada. Em junho de 1940, Tratados – Em fevereiro de 1945, na Conferência de Yalta, EUA, Rei-
Hitler submete metade do território francês à ocupação das forças nazistas. no Unido e URSS reúnem-se para remontar o mapa geopolítico europeu:
Com a tomada de Paris, e a assinatura pelo governo francês do armistício os soviéticos anexam os Estados bálticos (Letônia, Lituânia e Estônia) e o
com os alemães, o subsecretário de Defesa Nacional Francesa, general leste da Polônia. No mesmo ano, na Conferência de Potsdam, em Berlim,
Charles de Gaulle, vai para o Reino Unido representando a Resistência são determinadas, entre outras medidas, a dissolução de todos os órgãos
Francesa. e associações nazistas, o desarmamento alemão e a divisão do país em

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quatro zonas de ocupação militar: soviética, norte-americana, francesa e Regime comunista – Lênin distribui terras a camponeses e transfere o
britânica. A Alemanha é separada da Áustria, obrigada a devolver os controle das indústrias a representantes dos operários. O domínio total
territórios tomados da Tchecoslováquia, a entregar Dantzig à Polônia e a sobre o país, no entanto, só é alcançado após quatro anos de guerra civil,
reconhecer a divisão da Prússia Oriental entre URSS e Polônia. De abril a durante a qual o Exército Vermelho (bolchevique), criado por Leon Trótski,
junho de 1945, durante a Conferência de San Francisco (EUA), 50 nações enfrenta várias forças de oposição – mencheviques, czaristas, Forças
assinam a carta de criação da ONU, com o objetivo de manter a paz e Armadas de potências estrangeiras e grupos nacionalistas de etnias não
promover o desenvolvimento das nações. russas. Em 1922 é criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
(URSS), sob regime comunista, reunindo os territórios que antes pertenci-
Federação Russa am ao Império Russo.
Palco da primeira revolução socialista da história, a Federação Russa
é tradicionalmente chamada de Rússia, república hegemônica da antiga Stalinismo – Com a morte de Lênin, em 1924, Josef Stálin afasta seus
União Soviética (URSS). Desde o fim da Guerra Fria, no início dos anos rivais na luta sucessória e assume o controle do Partido Comunista e do
90, procura redefinir seu papel no cenário mundial e, ao mesmo tempo, governo soviético. Sua política de coletivização forçada das terras, a partir
solucionar os problemas internos decorrentes da queda do comunismo. A de 1929, provoca a morte de 10 milhões de camponeses por fome ou
transição para o livre mercado mergulha sua economia no pior período de execução. Stálin combate as tendências autonomistas dos povos não
instabilidade do pós-guerra, situação agravada em 1998, quando se torna o russos e perverte os ideais de democracia operária pregados por Lênin e
centro da crise financeira mundial. O governo enfrenta ainda o aumento do Trótski. Com os Processos de Moscou, iniciados em 1936, nos quais
crime organizado e movimentos nacionalistas na Chechênia e no Dagues- julgamentos sumários podiam resultar em penas que iam da deportação ao
tão, que ameaçam a unidade do país, composta de pelo menos 80 etnias. fuzilamento, Stálin leva à morte a maioria dos antigos dirigentes bolchevi-
ques. Trótski é assassinado em 1940, no México, por um agente secreto,
A Federação Russa é a maior nação do mundo. Mais de 10 mil quilô- Ramón Mercader. Em 1941, a Alemanha nazista invade a URSS. O avanço
metros e onze fusos horários separam Sochi, no oeste, de Vladivostok, no das tropas alemãs em território soviético só é interrompido em 1943, na
extremo leste. Seu vasto território alcança dois continentes, a Europa e a Batalha de Stalingrado, que muda o curso da II Guerra Mundial. Em 1945,
Ásia. A parte europeia, delimitada pelos montes Urais, reúne quatro quintos a URSS emerge como a segunda maior potência do mundo, submetendo o
da população e as principais cidades, entre elas a capital, Moscou, e a Leste Europeu. A economia, no entanto, está arruinada, e as mortes pro-
imperial São Petersburgo. As planícies inóspitas da Sibéria, na porção vocadas pelo conflito chegam a 20 milhões.
asiática, concentram as ricas reservas minerais que fazem do país um dos
líderes mundiais na produção de carvão, petróleo e gás natural. A grande Guerra Fria – Os Estados Unidos (EUA) reagem ao poder soviético,
extensão territorial, porém, esconde uma fragilidade geopolítica: a existên- comprometendo-se a impedir a expansão comunista. O mundo é dividido
cia de poucas saídas para águas navegáveis. Com uma longa costa gelada em dois grandes blocos geopolíticos antagônicos, dando início a um pro-
nos mares Glacial Ártico e de Bering, restam portos estratégicos nos mares cesso que passa à história como Guerra Fria. Após a morte de Stálin, em
Negro, Báltico e de Barents. 1953, uma junta liderada por Nikita Khruchov sobe ao poder. Três anos
depois, em um "relatório secreto" ao 20º Congresso do Partido Comunista,
HISTÓRIA – Os vikings se estabelecem na região no século IX e fun- Khruchov denuncia os crimes de Stálin. É o começo do "degelo", período
dam as cidades de Kiev e Nijni Novgorod. No século XIII, os mongóis, em que os soviéticos desfrutam de moderada abertura política, o que
liderados por Genghis Khan, conquistam grande parte do território. No propicia o surgimento de um movimento anti-soviético na Hungria, em
século XIV, Moscou passa a ser o núcleo da nação russa. Ivan IV, o Terrí- 1956, subjugado por tropas do Pacto de Varsóvia. No quadro da Guerra
vel adota o título de czar (inspirado no césar latino) no século XVI e adota Fria, o confronto entre URSS e EUA coloca o mundo à beira de um conflito
uma política expansionista. Ele submete a classe aristocrática dos boiardos nuclear em 1962, quando Khruchov tenta instalar mísseis em Cuba. A crise
(abaixo dos príncipes na hierarquia nobiliárquica russa) à centralização do só é encerrada quando a URSS os retira da ilha.
Estado e expande o domínio de Moscou.
Era Bréjnev – Em 1964, um golpe no interior da cúpula dirigente sovié-
Modernização – No século XVIII, Pedro I, o Grande promove amplo tica derruba Khruchov e instala o linha-dura Leonid Bréjnev no poder. Em
programa de modernização e funda a cidade de São Petersburgo, que se 1968, a URSS reprime o processo de democratização da Tchecoslováquia,
torna a capital do Império em 1712. No reinado de Catarina II, a Grande, no conhecido como Primavera de Praga, pondo em prática a Doutrina Bréjnev,
final do século XVIII, a Rússia participa com a Áustria e a Prússia da parti- pela qual Moscou passa a intervir militarmente onde o modelo ou a influên-
lha da Polônia, transformando-se na maior potência da Europa Oriental. Os cia soviética estiver sob ameaça. A mesma doutrina leva à invasão do
czares governam com poder absoluto, e o regime de servidão é abolido Afeganistão, em 1979, que se prolonga por dez anos.
apenas em 1861. A aristocracia é riquíssima, enquanto a imensa maioria
da população vive na miséria. Cristãos ortodoxos, os czares russos estimu- Reformas – Em 1982, quando morre Bréjnev, o regime soviético mos-
lam o anti-semitismo e patrocinam pogroms – atos de violência coletiva tra sinais de fragilidade, expressos até na condição física de seus dirigen-
contra os judeus. Com a industrialização, a partir de 1890 surgem os tes. Iuri Andrópov, que substitui Bréjnev, morre 15 meses depois de assu-
centros operários urbanos e os grupos de inspiração marxista, entre os mir o cargo; seu sucessor, Konstantin Tchernenko, após 13 meses. Mikhail
quais se destaca o Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). Gorbatchov assume o poder a partir de março de 1985 e dá início às
reformas que resultariam no fim da URSS. São duas as suas palavras de
Revolução Russa – Em 1905, a derrota da Rússia na guerra contra o ordem: glasnost (transparência) e perestroika (reestruturação). A primeira
Japão pela posse da Manchúria desencadeia um movimento revolucionário representa notável abrandamento da censura e a segunda introduz crité-
que enfraquece o regime do czar Nicolau II, obrigando-o a limitar seus rios de eficiência na gestão da economia, seriamente prejudicada por
poderes. A participação russa na I Guerra Mundial, com grandes perdas décadas de burocracia e corrupção. No plano externo, Gorbatchov prega o
humanas e materiais, ajuda a pôr fim ao czarismo: em março de 1917 esforço para o desarmamento e a ampliação do diálogo com os EUA. Em
(fevereiro pelo calendário juliano), Nicolau II é derrubado. A Revolução de 1986 anuncia moratória unilateral dos testes nucleares subterrâneos. Em
Fevereiro é liderada pela ala moderada (menchevique) do POSDR e subs- 1989 determina a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão. As exigên-
titui a monarquia pela república parlamentar. São formados os sovietes – cias de aceleração das reformas conquistam o apoio popular e frustram as
assembleias de operários, camponeses e soldados influenciados pela ala expectativas de Gorbatchov de promover um processo de abertura gradual.
radical (bolchevique), que mais tarde daria origem ao Partido Comunista. O Cresce o prestígio do dirigente populista Boris Iéltsin, chefe do PC de
novo governo menchevique, porém, ao insistir na participação da Rússia Moscou, que em março de 1990 é eleito presidente do Soviete Supremo da
na guerra, perde o apoio popular, e os sovietes passam a constituir uma URSS. Três meses depois, Iéltsin consegue aprovar no Parlamento uma
alternativa a ele. Regressando do exílio, o líder bolchevique Lênin lança a declaração de soberania que estabelece a superioridade das instituições
famosa palavra de ordem: "Todo o poder aos sovietes". Em novembro de da Rússia sobre as da URSS na política do país, o que esvazia a autorida-
1917 (outubro pelo calendário juliano), uma insurreição chefiada pelos de de Gorbatchov. Isso estimula reivindicações autonomistas, que ganham
bolcheviques leva ao poder um governo revolucionário encabeçado por força nas demais repúblicas da URSS.
Lênin.

Ciências Humanas e suas Tecnologias 59 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Fim da URSS – Em agosto de 1991, setores conservadores do Partido estavam prestes a vencer. A medida afeta os mercados financeiros de todo
Comunista e das Forças Armadas dão um golpe de Estado, prendem o mundo, que registram quedas acentuadas nas bolsas de valores. Tam-
Gorbatchov e tentam restaurar a linha dura no governo soviético. A firme bém abala a confiança de investidores internacionais nos países emergen-
oposição de Iéltsin e a mobilização da população de Moscou e Leningrado tes, como o Brasil, provocando fuga de capital desses mercados .
levam ao fracasso do golpe. Fortalecido, Iéltsin promove a desmontagem
das principais instituições da URSS. Gorbatchov renuncia em dezembro de A moeda russa, o rublo, desvaloriza-se em cerca de 75%. O pacote de
1991, e a nação deixa de existir. Em seu lugar surge a Federação Russa, e 22 bilhões de dólares aprovado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e
Iéltsin é eleito presidente do novo país. É criada a Comunidade dos Esta- por outras instituições não soluciona os problemas econômicos do país,
dos Independentes (CEI), um fórum de coordenação entre as várias ex- que sofre com uma quebra de 45% na safra de grãos, em 1998. Em 1999,
repúblicas soviéticas sem um governo central. o desemprego já atinge 14,2% da população economicamente ativa, e 35%
dos russos vivem abaixo da linha da pobreza.
Transição – Em 1992, Iéltsin anuncia um programa radical de desesta-
tização e liberalização econômica. A transição para o capitalismo gera Instabilidade política – Em agosto de 1998, Iéltsin demite seu ministé-
inflação, recessão, desemprego e crescimento do crime organizado. As rio, incluindo o primeiro-ministro liberal Kirienko. Para o cargo nomeia pela
máfias russas ganham espaço em vários setores da economia, antes segunda vez Viktor Tchernomírdin, defensor de maior centralismo estatal.
controlados pelo Estado. Em dezembro, o primeiro-ministro Yegor Gaidar, A Duma (Câmara Baixa do Parlamento), porém, não aprova seu nome, e
autor do programa de reformas, renuncia e é substituído por Viktor Tcher- Iéltsin indica Ievguêni Primakov, que toma posse em setembro. Com a
nomírdin, de linha centrista. O ano de 1993 é marcado pelo confronto continuidade da crise, os neocomunistas tentam ampliar sua força e orga-
aberto entre o presidente e o Legislativo, que se opõe às reformas. O nizam enormes protestos em outubro, em que exigem a renúncia de Iéltsin,
conflito resulta na votação da demissão de Iéltsin, respondida pelo presi- afastado de novo das atividades oficiais por doença.
dente com o bombardeio da sede do Parlamento, em que morrem mais de
300 pessoas. Respaldado pelas Forças Armadas e pelos EUA, Iéltsin A incerteza econômica, a saúde frágil de Iéltsin e os contínuos atritos
reforma a Constituição e reforça seu poder. entre o presidente e o Legislativo tornam a instabilidade política uma
constante no país. O primeiro-ministro, Primakov, ganha popularidade e
Invasão da Chechênia – Em 1994, Iéltsin ordena a intervenção militar respaldo da Duma, por causa de uma campanha contra os "oligarcas",
na Chechênia, pequena república do Cáucaso que se declarara indepen- donos de fortunas suspeitas construídas à sombra do governo. O principal
dente em 1991. No início de 1995, um avanço frustrado das forças russas alvo da campanha é o milionário Boris Berezovsky, amigo fiel de Iéltsin,
para tomar a capital chechena, Grozny, termina com a morte de mais de que é forçado a demiti-lo da secretaria geral da CEI, em março de 1999. O
100 de seus soldados. A Federação Russa reage com um bombardeio próprio Iéltsin é acusado de aceitar dinheiro de uma empresa suíça de
maciço sobre Grozny, matando milhares de civis. Aos poucos, as forças construção civil e se livra de uma tentativa de impeachment, em maio. No
russas vencem a resistência dos chechenos e tomam a cidade. O cessar- mesmo mês substitui Primakov por um aliado, Serguei Stepashin. Em
fogo é acertado em 1996, e, em maio de 1997, um acordo de paz adia para agosto, demite Stepashin e indica Vladimir Putin – o quinto primeiro-
2001 a decisão sobre o status político da Chechênia. ministro da Federação Russa em 19 meses.

Vitória comunista – Nas eleições de 1995, os comunistas russos con- Atuação na Iugoslávia – O declínio da influência internacional do país
seguem 22,3% dos votos e, com o apoio de pequenos partidos, obtêm a é interrompido durante a campanha de bombardeios da Otan contra a
maioria parlamentar. Iéltsin é reeleito em julho de 1996 com 54% dos Iugoslávia – tradicional aliada dos russos –, entre março e junho de 1999 .
votos, apesar do agravamento de seu estado de saúde – sofre dois ata- A Federação Russa condena a ofensiva aérea e aceita o pedido da Otan
ques cardíacos em 1995 e um terceiro durante a campanha. A precária de interceder junto ao presidente iugoslavo Slobodan Milosevic por uma
situação do dirigente alimenta disputas no governo. Em novembro, Iéltsin solução para as hostilidades em Kosovo. A mediação russa torna-se ele-
submete-se a uma cirurgia para implantação de cinco pontes de safena. A mento-chave para o acordo de paz assinado em junho, que determina a
recuperação é prejudicada por uma pneumonia, que o faz passar os dois ocupação de Kosovo por uma Força de Segurança Internacional (KFOR).
primeiros meses de 1997 em repouso. As potências ocidentais negam à Federação Russa uma zona de controle
militar na região, e, em uma demonstração de força, um contingente russo
Volta à ativa – Em melhores condições de saúde, Iéltsin reforça sua se antecipa à chegada da Otan e ocupa o Aeroporto de Pristina. Um acor-
posição com uma reforma no gabinete, em março de 1997. Ignorando do no fim do mês autoriza a participação de 3,6 mil soldados russos na
apelos contrários, assina uma lei que concede privilégios à Igreja Ortodoxa KFOR.
Russa e dificulta a atuação das demais religiões no país. Em abril, Federa-
ção Russa e China divulgam seu primeiro documento importante desde o Guerra no Cáucaso – Em agosto, Iéltsin enfrenta uma rebelião de se-
fim da Guerra Fria, comprometendo-se a reduzir tropas na fronteira. Em paratistas islâmicos no Daguestão, república da região do Cáucaso. O
maio, Iéltsin firma um acordo de cooperação estratégica com a Organiza- primeiro-ministro, Putin, que assume o cargo em meio à crise, anuncia
ção do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aceitando a entrada de países do medidas enérgicas contra os rebeldes. No mesmo mês, tropas russas
antigo bloco comunista na aliança militar ocidental em troca da participação lançam uma ofensiva contra o Daguestão. Seguem-se atentados a bomba
da Federação Russa no Grupo dos Sete (G7). em edifícios residenciais de Moscou e em outras grandes cidades russas,
que matam cerca de 300 pessoas em setembro. O governo russo respon-
ÚLTIMAS NOTÍCIAS – Em março de 1998, o presidente russo destitui sabiliza os extremistas do Cáucaso pela onda de terror e acusa os cheche-
todo o gabinete e nomeia para o posto de primeiro-ministro Serguei Kirien- nos de fomentar a revolta no Daguestão. Em reação, ordena um novo
ko, de 35 anos, que promete avançar nas reformas pró-capitalistas. ataque à Chechênia, ainda em setembro. Em 31 de dezembro, Iéltsin
renuncia, e a Presidência é ocupada interinamente pelo primeiro-ministro
Em julho, 80 anos depois do fuzilamento da família real russa pelo Putin.
Exército Vermelho, os restos do czar Nicolau II, da czarina e de seus filhos
são enterrados com honras de Estado na Catedral de São Petersburgo. Os Guerra Fria
ossos tinham sido desenterrados da vala comum onde permaneceram Disputa pela hegemonia mundial entre Estados Unidos e URSS após a
escondidos desde o assassinato coletivo, na Sibéria, em 1918. II Guerra Mundial. É uma intensa guerra econômica, diplomática e tecnoló-
gica pela conquista de zonas de influência. Ela divide o mundo em dois
Crise econômica – Com a economia em sérias dificuldades – reservas blocos, com sistemas econômico e político opostos: o chamado mundo
internacionais reduzidas a 17 bilhões de dólares, exportações em queda, capitalista, liderado pelos EUA, e o mundo comunista, encabeçado pela
atraso nos salários do funcionalismo público e das Forças Armadas, entre URSS. Provoca uma corrida armamentista que se estende por 40 anos e
outros problemas –, a Federação Russa torna-se o centro da crise financei- coloca o mundo sob a ameaça de uma guerra nuclear.
ra mundial em agosto de 1998. Iéltsin declara moratória da dívida externa
de empresas privadas, no valor de 40 bilhões de dólares, e adia o paga- Após a II Guerra Mundial, os soviéticos controlam os países do Leste
mento de 32 bilhões de dólares em títulos do governo federal russo, que Europeu e os norte-americanos tentam manter o resto da Europa sob sua

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influência. Apoiado na Doutrina Truman – segundo a qual cabe aos EUA a produção da concorrência estrangeira e se abrem ao fluxo internacional de
defesa do mundo capitalista diante do avanço do comunismo –, o governo bens, serviços e capitais. A recente revolução nas tecnologias da informa-
norte-americano presta ajuda militar e econômica aos países que se ção contribui de forma decisiva para essa abertura. Além de concorrer para
opõem à expansão comunista e auxilia a instalação de ditaduras militares uma crescente homogeneização cultural, a evolução e a popularização das
na América Latina. O Plano Marshall, por exemplo, resulta na injeção de tecnologias de informação (computador, telefone e televisor) são funda-
US$ 13 bilhões na Europa. A URSS adota uma política isolacionista, a mentais para agilizar o comércio, o fluxo de investimentos e a atuação das
chamada Cortina de Ferro. Ajudada pelo Exército Vermelho, transforma os transnacionais, por permitir uma integração sem precedentes de pontos
governos do Leste Europeu em satélites de Moscou. distantes do planeta. Em 1960, um cabo de telefone intercontinental con-
seguia transmitir 138 conversas ao mesmo tempo. Atualmente, os cabos
Nos anos 50 e 60, a política norte-americana de contenção da expan- de fibra ótica possuem capacidade para enviar 1,5 milhão. Uma ligação
são comunista leva à participação da nação na Guerra da Coreia e na telefônica internacional de três minutos, que custava 244 dólares em 1930,
Guerra do Vietnã. A Guerra Fria repercute na própria política interna dos é feita por 3 dólares no início dos anos 90. A Organização Mundial do
EUA, com o chamado macarthismo, que desencadeia no país uma onda de Comércio (OMC) prevê para 2000 a existência de 300 milhões de usuários
perseguição a supostos simpatizantes comunistas. da internet e transações comerciais de mais de 300 bilhões de dólares.

Corrida nuclear – A Guerra Fria amplia-se a partir de 1949, quando os Contrastes da globalização – O debate em torno dos efeitos colaterais
soviéticos explodem sua primeira bomba atômica e inauguram a corrida da globalização e das estratégias para evitá-los aprofunda-se em 1999.
nuclear. Os EUA testam novas armas nucleares no atol de Bikini, no Pací- Uma das consequências desse processo é a concentração da riqueza. A
fico, e, em 1952, explodem a primeira bomba de hidrogênio. A URSS lança maior parte do dinheiro circula nos países industrializados – apenas 25%
a sua em 1955. As superpotências criam blocos militares reunindo seus dos investimentos internacionais vão para nações em desenvolvimento –, e
aliados, como a Otan, que agrega os anticomunistas, e o Pacto de Varsó- o número de pessoas que vivem com menos de 1 dólar por dia sobe de 1,2
via, do bloco socialista. bilhão, em 1987, para 1,5 bilhão, em 1999. O crescimento dos países
emergentes em 1999 fica em torno de 1,5%, o pior desempenho em 17
Com a descoberta da instalação de mísseis soviéticos em Cuba, em anos. As exceções, China e Índia, são justamente as nações que dão ritmo
1962, os EUA ameaçam um ataque nuclear e abordam navios soviéticos mais lento à liberação comercial e à integração ao sistema financeiro
no Caribe. A URSS recua e retira os mísseis. O perigo nuclear aumenta internacional.
com a entrada do Reino Unido, da França e da China no rol dos detentores
de armas nucleares. Em 1973, as superpotências concordam em desacele- Com a crise mundial, o preço das matérias-primas, produzidas em
rar a corrida armamentista, fato conhecido como Política da Détente. Esse grande parte pelos Estados mais pobres, cai mais de 20%, trazendo per-
acordo dura até 1979, quando a URSS invade o Afeganistão. Em 1985, das de 10 bilhões de dólares para a América Latina. Os países ricos, no
com a subida ao poder do líder soviético Mikhail Gorbatchov, a tensão e a mesmo ano, lucram 60 bilhões de dólares somente com a queda do custo
guerra ideológica entre as superpotências começam a diminuir. O símbolo do petróleo. A participação das nações emergentes no comércio internaci-
do final da Guerra Fria é a queda do Muro de Berlim, em 1989. A Alema- onal é de pouco mais de 30%. Algumas regiões estão à margem da globa-
nha é reunificada e, aos poucos, dissolvem-se os regimes comunistas do lização, como a Ásia Central, que representa apenas 0,2% das trocas, e o
Leste Europeu. Com a desintegração da própria URSS, em 1991, o conflito norte da África (0,7%).
entre capitalismo e comunismo cede lugar às contradições existentes entre
o hemisfério norte, que reúne os países desenvolvidos, e o hemisfério sul, O Banco Mundial (Bird) aponta como causas para o distanciamento
onde está a maioria dos subdesenvolvidos. entre ricos e pobres o aumento das ações protecionistas promovidas pelos
países ricos, a voracidade dos investidores e a fragilidade econômica e
Descolonização da África institucional das nações subdesenvolvidas. A receita usada para recuperar
Processo de independência das colônias europeias no continente afri- os mercados emergentes em queda – cortes orçamentários e juros altos –
cano que começa após a II Guerra Mundial e termina na década de 70. contribui para aumentar ainda mais a distância.
Durante a guerra, a pressão das metrópoles pelo crescimento da produção
colonial, o avanço dos meios de comunicação (aviação, rádio, construção Correção de rumos – Tais desigualdades preocupam os organismos
de estradas) e a desestruturação das metrópoles europeias – Inglaterra, internacionais. A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e
França, Bélgica, Alemanha e Itália – favorecem o surgimento de movimen- Desenvolvimento (Unctad) propõe o controle de capitais e desenvolvimento
tos de libertação. A descolonização dá-se de forma lenta e desigual em sustentado em contraposição ao Consenso de Washington, nome pelo qual
todo o continente. ficaram conhecidos os princípios de liberalização financeira e comercial
que caracterizam o neoliberalismo. A instituição, em conjunto com o Bird,
Os movimentos anticolonialistas tomam impulso após a Conferência tem um plano para abolir em 15 anos as dívidas dos 41 países mais po-
Afro-Asiática. Realizada em Bandung, na Indonésia, em 1955, reúne 24 bres.
países asiáticos e africanos. Eles proclamam o princípio do não-
alinhamento automático ao lado das novas potências emergentes, EUA e Em seu Relatório do Desenvolvimento Humano de 1999, o Programa
URSS, e defendem o direito de autodeterminação dos povos. Nos dez das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) fornece uma receita
anos que se seguem à conferência, 33 países obtêm a emancipação. geral para corrigir os rumos da globalização. As nações emergentes e
Diante da pressão dos movimentos autonomistas, diversas potências organizações não governamentais devem ter mais influência nos fóruns
europeias apressam a concessão da independência. Entretanto, procuram econômicos internacionais – Fundo Monetário Internacional (FMI), Bird,
manter laços econômicos e políticos e estimulam a instauração de ditadu- Grupo dos Sete (G7) –, hoje controlados pelos Estados ricos. Sugere ainda
ras fiéis à antiga colônia. Aos EUA e à URSS, nesse contexto da Guerra que as decisões não considerem apenas as variáveis econômicas, mas
Fria, não mais interessa a manutenção do mundo colonial, mas a disputa também suas repercussões na área social. Por fim, conclui que, embora
por áreas de influência. pareça contraditório, o sucesso da globalização exige avaliações regionali-
zadas.
O surgimento das nações africanas no século XX é marcado por lutas
contra os grupos dirigentes colonialistas e por guerras civis, já que muitas Expansão – O início da integração mundial remonta aos séculos XV e
das fronteiras estabelecidas pelos novos países não obedeceram às divi- XVI, quando a expansão ultramarina dos Estados europeus possibilita a
sões étnicas, linguísticas e culturais dos povos africanos. Alguns desses conquista de novos mercados. Outro salto na difusão do comércio e dos
conflitos permanecem até hoje. Da mesma forma persistem sem solução investimentos é dado pelas duas Revoluções Industriais, nos séculos XVIII
os desequilíbrios econômicos e sociais no continente. e XIX. A interdependência econômica cresce até a quebra da Bolsa de
Nova York, em 1929, e é retomada no bloco capitalista após a II Guerra
Globalização Mundial. Estimuladas pela queda de barreiras – decorrente, em grande
Processo de integração mundial que se intensifica nas últimas déca- parte, das políticas liberalizantes postas em prática pelo Acordo Geral de
das, a globalização baseia-se na liberalização econômica: os Estados Tarifas e Comércio (Gatt) e, atualmente, pela Organização Mundial do
abandonam gradativamente as barreiras tarifárias que protegem sua Comércio (OMC) –, as trocas mundiais aumentam de forma expressiva a

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partir dessa época. Em 1950 totalizam 61 bilhões de dólares, ao passo que O termo Nova Ordem Mundial é aplicado de forma abrangente. Em um
em 1998 atingem 5,2 trilhões de dólares. contexto atual, pode se referir também à importância das novas tecnologi-
asem um mundo progressivamente globalizado e às novas formas de
O fim da Guerra Fria, nos anos 80, inaugura um novo estágio da glo- controle tecnológico sobre as pessoas.
balização: as trocas mundiais incrementam-se ainda mais por causa da
transição das nações comunistas para a economia de mercado, e a expan- A Nova Ordem Mundial busca garantir o desenvolvimento do capita-
são do comércio supera o aumento da produção mundial. De acordo com o lismo e estrutura-se a partir de uma hierarquização de países, de acordo
FMI, entre 1989 e 1998 o volume de dinheiro movimentado em trocas com seu nível de desenvolvimento e de especialização econômica. Veja
internacionais se eleva em média 6,5% ao ano, enquanto a taxa anual de algumas das principais características.
crescimento da produção é de 3,4%. Distribuição do poder internacional

Explosão dos investimentos – A expansão dos fluxos de capital tem si- Em termos militares, a bipolaridade (fato de haver dois pólos de força,
do ainda maior por causa da abertura dos países ao investimento estran- que eram Estados Unidos e URSS) foi substituída pela chamada pax
geiro e da enorme velocidade das transações. O movimento diário de imperial americana, que significa que não existe país no mundo capaz de
capitais no mundo é estimado em 2 trilhões de dólares. A migração quase se contrapor ao poderio militar americano. A supremacia militar incontestá-
instantânea do dinheiro fortalece investimentos estrangeiros de curto vel dos Estados Unidos é exercida de forma intensa em todas as partes do
prazo. Ao menor sinal de instabilidade econômica ou política no Estado, o mundo onde seus interesses econômicos ou geopolíticos se fazem presen-
investimento é resgatado, provocando uma crise que pode alastrar-se para tes.
outras nações por causa da integração das economias. Em termos econômicos e tecnológicos temos a multipolaridade, com
pelo menos três grandes blocos: o primeiro, organizado em torno dos EUA;
É o que ocorre no segundo semestre de 1997, quando as principais o segundo, em torno da Europa (União Europeia) e um terceiro, o blocoa-
bolsas de valores do mundo despencam em reação à profunda crise das siático, onde se destacam o Japão, a China, a Índia e até mesmo a Rússia.
nações do Sudeste Asiático. O turbilhão financeiro evolui para uma crise
internacional em 1998. Os países emergentes – sobretudo a Federação Urbanização mundial
Russa – são os mais atingidos, por adotar modelos de desenvolvimento
A intensa urbanização mundial é um fenômeno típico de países não-
baseados em investimentos externos. As sucessivas crises realçam a
desenvolvidos e resultante de sua industrialização e modernização recente.
instabilidade de um mercado financeiro globalizado, em que o desempenho
No ano 2000, a ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou que a
das economias nacionais depende não só da ação dos governos, mas
população urbana mundial superou a população rural.
cada vez mais dos grandes investidores estrangeiros.
A urbanização é acelerada e irreversível em especial nos países em
Corporações transnacionais – A globalização é marcada ainda pelo desenvolvimento. É geralmente caótica, o que agrava os problemas ambi-
crescimento das corporações transnacionais, que exercem papel decisivo entais e concentra a pobreza, potencializando seus aspectos negativos.
na economia mundial. De acordo com o Relatório do Desenvolvimento
Humano de 1999, das 100 maiores riquezas do mundo, metade pertence a Nova divisão do trabalho
Estados e metade, a megaempresas. Reportagem da revista Fortune Ao contrário do que ocorria até pouco tempo, a nova divisão internaci-
mostra que as dez principais corporações do mundo – General Motors onal do trabalho (DIT) não separa apenas países exportadores de manufa-
Corporation, DaimlerChrysler, Ford Motor, Wal-Mart Stores, Mitsui, Itochu, turados de países exportadores de matéria-prima.
Mitsubishi, Exxon, General Electric e Toyota Motor – ganharam juntas 1,2
trilhão de dólares em 1998, valor 50% maior que o produto interno bruto
(PIB) brasileiro. O faturamento isolado de cada uma dessas empresas é
comparável ao PIB de importantes economias mundiais, como Dinamarca, • OS DOMÍNIOS NATURAIS E A RELAÇÃO DO SER HUMANO
Noruega, Polônia, África do Sul, Finlândia, Grécia e Portugal. Somente as COM O AMBIENTE – RELAÇÃO HOMEM- NATUREZA, A
ações da Microsoft, a principal empresa de informática do mundo, atingem APROPRIAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS PELAS SOCIE-
em julho de 1999 valor de mercado equivalente a mais de 500 bilhões de DADES AO LONGO DO TEMPO. IMPACTO AMBIENTAL DAS
dólares. Além de crescer em faturamento, as corporações tornam-se ATIVIDADES ECONÔMICAS NO BRASIL. RECURSOS MINE-
gigantescas também pelo processo de fusões, acelerado a partir de 1998. RAIS E ENERGÉTICOS: EXPLORAÇÃO E IMPACTOS. RECUR-
SOS HÍDRICOS; BACIAS HIDROGRÁFICAS E SEUS APROVEI-
As transnacionais implementam mudanças significativas no processo
de produção. Auxiliadas pelas facilidades na comunicação e nos transpor- TAMENTOS. AS QUESTÕES AMBIENTAIS CONTEMPORÂ-
tes, instalam suas fábricas em qualquer lugar do mundo onde existam NEAS: MUDANÇA CLIMÁTICA, ILHAS DE CALOR, EFEITO
melhores vantagens fiscais e mão-de-obra e matéria-prima baratas. Os ESTUFA, CHUVA ÁCIDA, A DESTRUIÇÃO DA CAMADA DE
produtos não têm mais nacionalidade definida. Um carro de uma marca OZÔNIO. A NOVA ORDEM AMBIENTAL INTERNACIONAL;
dos EUA pode conter peças fabricadas no Japão, ter sido projetado na POLÍTICAS TERRITORIAIS AMBIENTAIS; USO E CONSERVA-
França, montado no Brasil e ser vendido no mundo todo. ÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS, UNIDADES DE CONSERVA-
ÇÃO, CORREDORES ECOLÓGICOS, ZONEAMENTO ECOLÓ-
Euro – Em 1999, onze países da União Europeia (UE) dão outro passo GICO E ECONÔMICO. ORIGEM E EVOLUÇÃO DO CONCEITO
importante no processo de globalização ao criar o euro, moeda única do
DE SUSTENTABILIDADE. ESTRUTURA INTERNA DA TERRA.
bloco. Em 1o de janeiro, Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, França,
Finlândia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda (Países Baixos) e Portugal ESTRUTURAS DO SOLO E DO RELEVO; AGENTES INTERNOS
passam a empregá-lo nas transações entre suas empresas. Em 1o de E EXTERNOS MODELADORES DO RELEVO. SITUAÇÃO GE-
janeiro de 2002, o euro vai ser usado regularmente e, a partir de 1o de RAL DA ATMOSFERA E CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA. AS
julho desse ano, as moedas nacionais deixarão de existir. É a primeira vez CARACTERÍSTICAS CLIMÁTICAS DO TERRITÓRIO BRASILEI-
na história que nações abrem mão de emitir sua própria moeda. RO. OS GRANDES DOMÍNIOS DA VEGETAÇÃO NO BRASIL E
NO MUNDO.
Nova Ordem Mundial
O fim da geopolítica bipolar Brasil, oficialmente República Federativa do Brasil, é o maior país
Luiz Carlos Parejo da América do Sul e o quinto maior do mundo em área territorial
A Nova Ordem Mundial é um conceito político e econômico que se (equivalente a 47% do território sul-americano) epopulação, com mais de
refere ao contexto histórico do mundo pós-Guerra Fria. Estabeleceu-se 192 milhões de habitantes. É o único país falante da língua portuguesana
no fim da década de 80, com a queda do muro de Berlim (1989), no quadro América e o maior país lusófono do mundo, além de ser uma das nações
das transformações ocorridas no Leste Europeu com a desintegração do mais multiculturais e etnicamente diversas do planeta, resultado da forte
blocosoviético. imigração vinda de muitos países.

Ciências Humanas e suas Tecnologias 62 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Delimitado pelo oceano Atlântico a leste, o Brasil tem um litoral de do seu cerne, comerciado como corante. Já um ato notarial de 1503
7.491 km. É limitado a norte pela Venezuela, Guiana, Suriname e pelo arrolava um carregamento de "paus do brasil", trazidos da terra recém-
departamento ultramarino francês da Guiana Francesa; a noroeste pela descoberta. Até o século XVII, "brasileiros" eram inicialmente os que
Colômbia; a oeste pela Bolívia e Peru; a sudoeste pela Argentina e comerciavam com pau-brasil; depois os que vinham para o Brasil ganhar a
Paraguai e ao sul pelo Uruguai. Vários arquipélagos formam parte do vida; e finalmente os filhos da terra, nativos ou descendentes de europeus.
território brasileiro, como Fernando de Noronha,Atol das Rocas,
Arquipélago de São Pedro e São Paulo e Trindade e Martim Vaz. O país Geografia física
fazfronteira com todos os outros países sul-americanos, exceto Equador e Geologia
Chile.
O território brasileiro, juntamente com o das Guianas, distingue-se
O Brasil foi descoberto pelos europeus em 1500, por uma expedição nitidamente do resto da América do Sul. Seu embasamento abriga as
portuguesa liderada por Pedro Álvares Cabral. O território brasileiro, até maiores áreas de afloramento de rochas pré-cambrianas, os chamados
então habitado por povos ameríndios, a partir daí torna-se uma colônia do escudos: o escudo ou complexo Brasileiro, também designado como
império ultramarino português. Em 1815 se torna um reino unido com embasamento Cristalino, ou simplesmente Cristalino; e o escudo das
Portugal. O vínculo colonial foi, de fato, quebrado em 1808, quando a Guianas. Os terrenos mais antigos, constituídos de rochas de intenso
capital do reino foi transferida de Lisboapara o Rio de Janeiro, depois de as metamorfismo, formam o complexo Brasileiro. O escudo das Guianas
tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparteinvadirem Portugal. abarca, além das Guianas, parte da Venezuela e do Brasil, ao norte do rio
A independência do Brasil se deu em 1822. Inicialmente independente Amazonas. Entre ambos situa-se a bacia sedimentar do Amazonas, cuja
comoImpério do Brasil, período no qual foi uma monarquia constitucional superfície está em grande parte coberta por depósitos cenozóicos, em
parlamentarista, o país se tornou uma república em 1889, com um golpe continuação aos da faixa adjacente aos Andes.
militar, embora a legislatura bicameral, agora chamada decongresso
nacional, remonte à ratificação da primeira constituição, em 1824.] A sua As rochas mais antigas do escudo das Guianas datam de mais de dois
constituição atual, formulada em 1988, define o Brasil como uma república bilhões de anos. É portanto uma área estável de longa data. Na faixa
federativa presidencialista. Afederação é formada pela união do Distrito costeira do Maranhão e do Pará ocorrem rochas pré-cambrianas, que
Federal, os 26 estados e os 5 565 municípios. constituem um núcleo muito antigo, com cerca de dois bilhões de anos. A
região pré-cambriana de Guaporé é coberta pela floresta amazônica. A do
A economia brasileira é a maior da América Latina e do Hemisfério Sul, rio São Francisco estende-se pelos estados da Bahia, Minas Gerais e
a sexta maior do mundo porPIB nominal e a sétima maior por paridade do Goiás. Há dentro dessa região uma unidade tectônica muito antiga, o
poder de compra (PPC). O Brasil é uma das principais economias com geossinclíneo do Espinhaço, que vai de Ouro Preto MG até a borda
mais rápido crescimento econômico no mundo e as reformas econômicas meridional da bacia sedimentar do Parnaíba. As rochas mais antigas dessa
deram ao país novo reconhecimento internacional, seja em âmbito regional área constituem o grupo do rio das Velhas, com idades que atingem cerca
ou global. O país é membro fundador da Organização das Nações Unidas de 2,5 bilhões de anos.
(ONU), G20, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP),
União Latina, Organização dos Estados Americanos (OEA),Organização As rochas do grupo Minas assentam-se em discordância sobre elas, e
dos Estados Ibero-americanos (OEI), Mercado Comum do Sul (Mercosul) e são constituídas de metassedimentos que em geral exibem metamorfismo
da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), além de ser um dos de fácies xisto verde, com idade aproximada de 1,5 bilhão de anos.
países BRIC. O Brasil também é o lar de uma diversidade de animais Pertence a esse grupo a formação Itabira, com grandes jazidas de ferro e
selvagens, ambientes naturais e de vastos recursos naturais em uma manganês. Sobre as rochas do grupo Minas colocam-se em discordância
grande variedade de habitats protegidos. as do grupo Lavras, constituídas de metassedimentos de baixo
metamorfismo, com metaconglomerados devidos talvez a uma glaciação
"País do futuro", "terra dos contrastes", "nação da cordialidade" e pré-cambriana.
"gigante adormecido", são alguns dos qualificativos com que se tenta
resumidamente explicar a complexa e multifacetada realidade brasileira, Grande parte da área pré-cambriana do São Francisco é coberta por
onde a abundância de terras férteis convive com multidões de rochas sedimentares quase sem metamorfismo e só ligeiramente
desempregados, prodigiosos recursos naturais não conseguem impedir dobradas, constituídas em boa parte de calcários. Essa sequência é
bolsões de miséria e se vêem cidades tão modernas quanto as do primeiro conhecida como grupo Bambuí, com idade em torno de 600 milhões de
mundo ou tribos indígenas que vivem ainda como seus antepassados de anos, época em que provavelmente a região do São Francisco já havia
1500, ao tempo do descobrimento. atingido relativa estabilidade.

Único país de colonização portuguesa em todo o continente Ao que parece, um grande ciclo orogenético, denominado
americano, o Brasil difere muito de seus vizinhos tanto na língua quanto na Transamazônico, ocorrido há cerca de dois bilhões de anos, perturbou as
cultura, na maneira de ser de seu povo como nas preferências de sua elite rochas mais antigas dessa faixa pré-cambriana. Ao final do pré-cambriano,
intelectual e econômica, no relevo do solo como na configuração do litoral. as regiões do São Francisco e do Guaporé eram separadas por dois
E ele mesmo é uma grande colcha de retalhos, com regiões geossinclíneos -- o Paraguai-Araguaia, que margeava as terras antigas do
completamente diferentes entre si, tanto no aspecto físico como na Guaporé pelo lado oriental; e o de Brasília, que margeava as terras antigas
organização urbana, na história como na cultura, embora exista latente e do São Francisco pelo lado ocidental.
sempre pronto a manifestar-se com vigor um sentimento geral de As estruturas das rochas parametamórficas do geossinclíneo
brasilidade. Paraguai-Araguaia orientam-se na direção norte-sul no Paraguai e sul do
Uma das nações-continente do mundo, com área de 8.547.404km2, o Mato Grosso, curvam-se para o nordeste e novamente para norte-sul no
Brasil ocupa quase a metade da América do Sul e é o quinto país do norte de Mato Grosso e Goiás e atingem o Pará através do baixo vale do
mundo em extensão territorial, apenas sobrepujado pela Rússia, Canadá, Tocantins, numa extensão de mais de 2.500km. Iniciam-se por uma
China e Estados Unidos. Ao longo de cerca de 16.000km de fronteiras, espessa sequência de metassedimentos que constituem, no sul, o grupo
limita-se ao norte com a Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Venezuela; Cuiabá, e no norte, o grupo Tocantins. Essa sequência é recoberta pelas
a oeste com a Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai; ao sul, com a Argentina rochas do grupo Jangada, entre as quais existem conglomerados tidos
e o Uruguai; e a leste com o oceano Atlântico. Portanto, apenas dois como representantes do episódio glacial.
países sul-americanos não têm fronteira com o Brasil: Equador e Chile. O geossinclíneo Brasília desenvolveu-se em parte dos estados de
Com a forma aproximada de um imenso triângulo, o território brasileiro tem Goiás e Minas Gerais. Suas estruturas, no sul, dirigem-se para noroeste e
largura e altura praticamente iguais: no sentido norte-sul, estende-se por depois curvam-se para o norte. A intensidade do metamorfismo decresce
4.320km, desde o monte Caburaí, na fronteira com a Guiana, até o arroio de oeste para leste e varia de fácies anfibolito a fácies xisto verde. A região
Chuí, na fronteira com o Uruguai; e no sentido oeste-leste, por 4.328km, da central de Goiás, que separa os geossinclíneos Paraguai-Araguaia e
serra de Contamana, no Peru, até a ponta do Seixas, no litoral da Paraíba. Brasília, é constituída de rochas que exibem fácies de metamorfismo de
O nome Brasil deriva da árvore Caesalpinia echinata, chamada pelos anfibolito.
índios de ibirapitanga e pelos portugueses de pau-brasil, pela cor de brasa

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Uma longa faixa metamórfica, chamada de geossinclíneo Paraíba, de origem marinha; os devonianos subdividem-se em três formações:
estende-se ao longo da costa oriental do Brasil, do sul da Bahia ao Rio Picos, Cabeças e Longá. Distinguem-se na bacia do Parnaíba três ciclos
Grande do Sul e Uruguai. Suas rochas de metamorfismo mais intenso de sedimentação separados por discordâncias: (1) siluriano; (2) devoniano-
estão na serra do Mar. As rochas de baixo metamorfismo (xistos verdes) carbonífero inferior; (3) carbonífero superior-permiano. Durante o intervalo
são grupadas sob diferentes nomes geográficos: grupo Porongos, no Rio siluriano-carbonífero inferior, a área de maior subsidência situava-se no
Grande do Sul, grupo Brusque, em Santa Catarina, grupo Açungui, no limite sudeste da atual bacia, o que lhe conferia grande assimetria em
Paraná e sul de São Paulo, e grupo São Roque, na área de São Roque- relação aos atuais limites da bacia. Isso significa que a borda oriental atual
Jundiaí-Mairiporã, no estado de São Paulo. Gnaisses e migmatitos da área é erosiva e não corresponde à borda original. A história da bacia durante o
pré-cambriana do norte, em São Paulo e partes adjacentes de Minas permiano acha-se documentada pelos depósitos das formações Pedra de
Gerais, constituem a serra da Mantiqueira. Fogo e Motuca.
A faixa orogenética do Cariri, no Nordeste, possui direções estruturais A bacia do Paraná é uma das maiores do mundo. Mais de sessenta
muito perturbadas por falhamentos. Um grande acidente tectônico, o por cento de sua área de 1.600.000km2 ficam no Brasil; cerca de 25% na
lineamento de Pernambuco, separa a faixa do Cariri do geossinclíneo de Argentina e o restante no Paraguai e Uruguai. É definida como unidade
Propriá. O grupo Ceará, importante unidade da faixa tectônica do Cariri, autônoma a partir do devoniano, embora ocorram sedimentos marinhos
apresenta metassedimentos com metamorfismos que variam da fácies silurianos fossilíferos no Paraguai, de extensão limitada. Distinguem-se na
xisto verde à de anfibolito, recobertos em discordância pelas rochas do bacia do Paraná três ciclos de sedimentação paleozóica (siluriano,
grupo Jaibara. devoniano, permocarbonífero), separados entre si por discordâncias. Os
sedimentos marinhos do fim do paleozóico são bem menos importantes
A fase de sedimentação intensa de todos esses geossinclíneos que nas duas outras bacias, mas ao contrário delas, essa bacia possui
ocorreu no pré-cambriano superior, e seu fim foi marcado por um ciclo sedimentos marinhos permianos.
orogenético, o ciclo Brasileiro, ocorrido há cerca de 600 milhões de anos.
Suas fases tardias atingiram os períodos cambriano e ordoviciano, e Relevo
produziram depósitos que sofreram perturbações tectônicas, não
acompanhadas de metamorfismo. Em Mato Grosso, extensos depósitos O Brasil é um país de relevo modesto: seus picos mais altos elevam-se
calcários dessa época constituem os grupos Corumbá, ao sul, e Araras, ao a cotas da ordem dos três mil metros. Em grandes números, o relevo
norte. Em discordância sobre o Corumbá, assentam as rochas do grupo brasileiro se reparte em menos de quarenta por cento de planícies e pouco
Jacadigo, constituídas de arcósios, conglomerados arcosianos, siltitos, mais de sessenta por cento de planaltos. A altitude média é de 500m. As
arenitos e camadas e lâminas de hematita, jaspe e óxidos de manganês. elevações agrupam-se em dois sistemas principais: o sistema Brasileiro e o
sistema Parima ou Guiano. Ambos são constituídos de velhos escudos
Na faixa atlântica há indícios de manifestações vulcânicas riolíticas e cristalinos, de rochas pré-cambrianas -- granito, gnaisse, micaxisto,
andesíticas associadas aos metassedimentos cambro-ordovicianos, e quartzito -- fortemente dobrados e falhados pelas orogenias laurenciana e
também granitos intrusivos, tardios e pós-tectônicos. Os sedimentos huroniana.
cambro-ordovicianos, que marcam os estertores da fase geossinclinal no
Brasil, não possuem fósseis, por se terem formado em ambiente não- Trabalhados por longo tempo pelos agentes erosivos, os dois escudos
marinho. Ocupam áreas restritas, cobertas discordantemente pelos foram aplainados até formarem planaltos muito regulares. Na periferia, a
sedimentos devonianos ou carboníferos da bacia do Paraná. A maior área orogenia andina refletiu-se por meio de falhas, flexuras e fraturas que
encontra-se no estado do Rio Grande do Sul. promoveram uma retomada da erosão, que deu origem a formas mais
enérgicas de relevo: escarpas, vales profundos, serras e morros
A sequência da base é chamada de grupo Maricá, à qual sucede o arredondados.
grupo Bom Jardim, que consiste em sequências sedimentares semelhantes
às do grupo Maricá, mas caracterizadas por um vulcanismo andesítico O sistema Parima ou Guiano fica ao norte da bacia amazônica e sua
muito intenso. Segue-se o grupo Camaquã, cujas rochas exibem linha divisória serve de fronteira entre o Brasil, de um lado, e a Venezuela,
perturbações mais suaves que as dos grupos sotopostos. Nas fases iniciais Guiana, Suriname e Guiana Francesa de outro. A superfície aplainada do
de deposição desse grupo, ocorreu intenso vulcanismo riolítico, mas há alto rio Branco (vales do Tacutu e do Rupununi) divide o sistema em dois
evidências de fases vulcânicas riolíticas anteriores: os conglomerados do maciços: o Oriental, com as serras de Tumucumaque e Acaraí, mais baixo,
grupo Bom Jardim contêm seixos de riólitos. Também durante as fases de com altitudes quase sempre inferiores a 600m; e o Ocidental, mais
sedimentação das rochas do grupo Camaquã, ocorreu vulcanismo elevado, que recebe denominações como serra de Pacaraima, Parima,
andesítico intermitente. Urucuzeiro, Tapirapecó e Imeri, onde se encontram os pontos culminantes
do relevo brasileiro: o pico da Neblina, com 3.014m, e o Trinta e Um de
O grupo Itajaí, em Santa Catarina, é outra grande área de rochas Março, com 2.992m. Mais para oeste, no alto rio Negro, ocorrem apenas
formadas em ambiente tectônico. O grupo Castro, no Paraná, constituído bossas graníticas isoladas (cerro Caparro, pedra de Cucaí), com menos de
de arcósios, siltitos e conglomerados, parece ter-se formado na mesma 500m, que emergem do peneplano coberto de florestas.
época desses grupos. Riólitos, tufos e aglomerados ocorrem em diversos
níveis dessa sequência, e rochas vulcânicas andesíticas marcam as fases O sistema Brasileiro ocupa área muito maior que o Parima. Está
finais. Sobre as rochas do grupo Castro descansa uma sequência de subdividido em províncias fisiográficas ou geomórficas. O maciço Atlântico
conglomerados, a formação Iapó. abrange as serras cristalinas que ficam a leste das escarpas sedimentares
do planalto Meridional, e tomam as denominações gerais de serra do Mar e
Bacias sedimentares. Distinguem-se, por sua estrutura, três grandes serra da Mantiqueira. A primeira acompanha a costa brasileira desde o
bacias sedimentares intracratônicas no Brasil: Amazonas, Parnaíba (ou baixo Paraíba, perto do município de Campos dos Goitacases RJ até o sul
Maranhão) e Paraná. A bacia do Amazonas propriamente dita ocupa de Santa Catarina; a serra da Mantiqueira fica um pouco mais para o
apenas a região oriental do estado do Amazonas e o estado do Pará, com interior, e estende-se de São Paulo até à Bahia.
exceção da foz do Amazonas, que pertence à bacia de Marajó. Os terrenos
mais antigos datam da era paleozóica e alinham-se em faixas paralelas ao A serra do Mar mostra um conjunto de cristas paralelas entre o litoral
curso do rio Amazonas. As rochas do período devoniano ocorrem tanto na sul do estado do Rio de Janeiro e o médio Paraíba: Gávea, Pão de Açúcar,
bacia do Amazonas como nas do Parnaíba e do Paraná. Outros datam da Corcovado, Tijuca, Pedra Branca, Jericinó-Marapicu, garganta Viúva da
era mesozóica e são cretáceos (séries Acre e Itauajuri, formação Nova Graça, até o alinhamento principal da serra, que descamba suavemente
Olinda), e constituem, com os anteriores, zonas com possibilidades de para o leito do Paraíba. Longitudinalmente, mostra o bloco levantado da
jazidas petrolíferas. Mas as maiores extensões correspondem aos terrenos serra dos Órgãos, ao norte da baía de Guanabara, com culminâncias na
recentes, particularmente pliocênicos (série Barreiras), mas também pedra do Sino (2.245m) e na pedra Açu (2.232m) entre Petrópolis e
pleistocênicos (formação Pará) e holocênicos ou atuais, todos de origem Teresópolis, pendente para o interior. A serra da Bocaina, no estado de
continental. São Paulo, ao contrário, é basculada em direção à costa. Entre São Paulo
e Santos, a serra de Cubatão, com 700m de altitude, é meramente a borda
A bacia sedimentar do Parnaíba situa-se em terras do Maranhão e do de um planalto.
Piauí. Os terrenos mais antigos remontam à era paleozóica e em geral são

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No Paraná, a serra do Mar toma os nomes de Ibiteraquire, ou Verde, Goiás, passando pelo Distrito Federal. Seus vales são largos, com
Negra e Graciosa, e é uma verdadeira serra marginal. Em Santa Catarina, vertentes suaves; só os rios de grande caudal, como o Paranã (bacia
foi rebaixada e cortada de falhas, de modo que a erosão isolou morros com Amazônica), Paranaíba (bacia do Prata) e Abaeté (bacia do São
formato de pirâmide truncada. Avança para o sul até Tubarão, onde Francisco), cavam neles vales profundos. No sudeste do planalto central, a
desaparece sob sedimentos paleozóicos e possantes derrames basálticos. uniformidade do relevo resulta de longo trabalho de erosão em rochas
As serras de Tapes e Erval, no sudeste do Rio Grande do Sul, com cerca proterozóicas. As altitudes dos planaltos vão baixando para o norte e
de 400m de altitude, são consideradas como parte da serra do Mar apenas noroeste à medida que descem em degraus para a planície amazônica:
por suas rochas, pois há entre elas uma solução de continuidade. 800-900m na serra Geral de Goiás; 700-800m nas serras dos Parecis e
Pacaás Novos, em Rondônia; 500m e pouco mais na serra do Cachimbo.
A serra da Mantiqueira é composta por rochas de idade algonquiana,
na maioria de origem metamórfica: gnaisse xistoso, micaxisto, quartzito, Planícies. Existem três planícies no Brasil, em volta do sistema
filito, itabirito, mármore, itacolomito etc. Enquanto no interior paulista toma Brasileiro: a planície Amazônica, que o separa do sistema Guiano, a
os nomes locais de serra de Paranapiacaba e Cantareira, nas divisas de planície litorânea e a planície do Prata, ou Platina. A Amazônica, em quase
Minas, onde alcança as cotas mais elevadas, é chamada de Mantiqueira toda sua área, é formada de tabuleiros regulares, que descem em degraus
mesmo. em direção à calha do Amazonas. A planície litorânea estende-se como
uma fímbria estreita e contínua da costa do Piauí ao Rio de Janeiro,
Durante o período terciário, massas de rochas plutônicas alcalinas constituída de tabuleiros e da planície holocênica.
penetraram pelas falhas que criaram esse escarpamento e geraram os
blocos elevados de Itatiaia (pico das Agulhas Negras: 2.787m) e Poços de Apenas dois prolongamentos da planície do Prata atingem o Brasil: no
Caldas. Águas e vapores em altas temperaturas intrometeram-se também extremo sul, a campanha gaúcha, e no sudoeste, o pantanal mato-
pelas fendas e formaram as fontes de águas termais dessa região. A leste grossense. Ao sul da depressão transversal do Rio Grande do Sul, a
do maciço de Itatiaia, as cristas da Mantiqueira formam alinhamentos campanha é uma baixada com dois níveis de erosão: o mais alto forma um
divergentes. O mais ocidental se dirige para o centro do estado e forma platô com cerca de 400m de altitude na região de Lavras e Caçapava do
uma escarpa voltada para leste, que eleva as cotas a mais de mil metros. Sul; o mais baixo aplainou o escudo cristalino com ondulações suaves -- as
O ramo mais oriental forma a divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo até coxilhas. O pantanal mato-grossense é uma fossa tectônica, aproveitada
o vale do rio Doce, elevando-se na serra da Chibata ou Caparaó, até pelo rio Paraguai e seus afluentes, que a inundam em parte durante as
2.890m, no pico da Bandeira. enchentes, para atingir o rio da Prata.
No centro de Minas Gerais, outro bloco elevado assume forma Clima
quadrangular, constituído de rochas ricas em ferro, de alto teor. Toma
nomes locais de serra do Curral, ao norte; do Ouro Branco, ao sul; de O Brasil é um país essencialmente tropical: a linha do equador passa
Itabirito, a leste, e da Moeda, a oeste. O ramo oriental se prolonga para o ao norte, junto a Macapá AP e a Grande São Paulo fica na linha de
norte do estado, com o nome de serra do Espinhaço, que divide as águas Capricórnio. A zona temperada do sul compreende apenas o vértice
da bacia do São Francisco das que vertem diretamente no Atlântico. Com a meridional do Brasil: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, a maior parte do
mesma função e direção geral e estrutura semelhantes, a Mantiqueira Paraná e o extremo-sul de São Paulo e do Mato Grosso do Sul. Os climas
estende-se até o norte da Bahia, onde recebe as denominações de do país se enquadram nos três primeiros grupos da classificação de
chapada Diamantina, serra do Tombador e serra da Jacobina. Köppen (grupo dos megatérmicos, dos xerófitos e dos mesotérmicos
úmidos), cada um dos quais corresponde a um tipo de vegetação e se
Planaltos e escarpas. No sul do Brasil, o relevo de planaltos e subdivide com base nas temperaturas e nos índices pluviométricos.
escarpas começa do primeiro planalto, de Curitiba, com cerca de 800m, até
uma escarpa de 1.100m, constituída de arenito Furnas. O segundo planalto A região Norte do Brasil apresenta climas megatérmicos (ou tropicais
é o de Ponta Grossa. A escarpa oriental é denominada Serrinha, e tem chuvosos), em que os tipos predominantes são o Af (clima das florestas
nomes locais como os de serra do Purunã e Itaiacoca. A oeste do planalto pluviais, com chuvas abundantes e bem distribuídas) e o Am (clima das
ergue-se nova escarpa, com cota de 1.300m, que vai do sul de Goiás e florestas pluviais, com pequena estação seca). Caracterizam-se por
Mato Grosso até a Patagônia. A superfície desse derrame é de cerca de temperaturas médias anuais elevadas, acima de 24o C, e pelo fato de que
um milhão de quilômetros quadrados. O planalto descamba novamente a diferença entre as médias térmicas do mês mais quente e do mais frio se
para oeste, até cotas de 200 e 300m na barranca do rio Paraná. Este é o mantém inferior a 2,5o C. Entretanto, a variação diurna da temperatura é
terceiro planalto, chamado de planalto basáltico ou planalto de muito maior: 9,6o C em Belém PA, 8,7o C em Manaus AM e 13,5o C em
Guarapuava. A escarpa que o limita a leste chama-se serra da Esperança. Sena Madureira AC.

No Rio Grande do Sul, a única escarpa conspícua é a da serra Geral, No sudoeste da Amazônia, as amplitudes térmicas são mais
que abrange desde 1.200m, nos Aparados da Serra, até cotas entre 50 e expressivas devido ao fenômeno da friagem, que ocorre no inverno e
200m, no vale médio do Uruguai. Em São Paulo, os sedimentos provém da invasão da massa polar atlântica nessa área e acarreta uma
paleozóicos não formam uma escarpa, mas uma depressão periférica, na temperatura mínima, em Sena Madureira, de 7,9o C. O total de
base da cuesta basáltica: a serra de Botucatu. Mato Grosso apresenta três precipitações na Amazônia é geralmente superior a 1.500mm ao ano. A
frentes de cuesta: a devoniana, de arenito Furnas (serras de São Jerônimo região tem três tipos de regime de chuvas: sem estação seca e com
e Coroados ou São Lourenço); a carbonífera, de arenito Aquidauana (serra precipitações superiores a 3.000mm ao ano, no alto rio Negro; com curta
dos Alcantilados); e a eojurássica (serras de Maracaju e Amambaí). estação seca (menos de 100mm mensais) durante três meses, a qual
ocorre no inverno austral e desloca-se para a primavera à medida que se
O relevo do Nordeste, ao norte da grande curva do rio São Francisco, vai para leste; e com estiagem pronunciada, de cerca de cinco meses,
é constituído essencialmente por dois vastos pediplanos em níveis numa faixa transversal desde Roraima até Altamira, no centro do Pará.
diferentes. O mais elevado corresponde ao planalto da Borborema, de 500
a 600m, que se estende do Rio Grande do Norte a Pernambuco. Em A região Centro-Oeste do país apresenta alternância bem marcada
Alagoas e no brejo paraibano, sua superfície é cortada por vales entre as estações seca e chuvosa, geralmente no verão, o que configura o
profundos. O pediplano mais baixo, com menos de 400m, difunde-se por tipo climático Aw. A área submetida a esse tipo de clima engloba o planalto
quase todo o Ceará, oeste do Rio Grande do Norte e Paraíba e norte da Central e algumas zonas entre o Norte e o Nordeste. O total anual de
Bahia. Dele se erguem elevações isoladas de dois tipos:(1) chapadas precipitações é de cerca de 1.500mm, mas pode elevar-se a 2.000mm. No
areníticas de topo plano, como a do Araripe, (600-700m) entre Ceará e planalto Central, mais de oitenta por cento das chuvas caem de outubro a
Pernambuco e a do Apodi (100-200m), entre Ceará e Rio Grande do Norte; março, quase sempre sob a forma de aguaceiros, enquanto o inverno tem
e (2) serras cristalinas de rocha dura, como as de Baturité, Uruburetama e dois a três meses praticamente sem chuvas.
Meruoca, no Ceará. A temperatura média anual varia entre 19 e 26o C, mas a amplitude
Nos planaltos e chapadas do centro-oeste predominam as linhas térmica anual eleva-se até 5o C. O mês mais frio é geralmente julho; o
horizontais, que alcançam cotas de 1.100 a 1.300m no sudeste, desde a mais quente, janeiro ou dezembro. A insolação é forte de dia, mas à noite a
serra da Canastra, em Minas Gerais, até a chapada dos Veadeiros, em irradiação se faz livremente, trazendo madrugadas frias. No oeste (Mato

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Grosso do Sul) verificam-se também invasões de friagem, com V – Domínio das Araucárias – região sul brasileira, área do habitat do
temperaturas inferiores a 0o C em certos lugares. pinheiro brasileiro (araucária), região de planalto e de clima subtropical;
No sertão do Nordeste ocorre o clima semi-árido, equivalente à VI – Domínio das Pradarias – região do sudeste gaúcho, local de coxi-
variedade Bsh do grupo dos climas secos ou xerófitos. Abrange o médio lhas subtropicais.
São Francisco, mas na direção oposta chega ao litoral pelo Ceará e pelo
Rio Grande do Norte. Caem aí menos de 700mm de chuva por ano. O I – Domínio Morfoclimático Amazônico
período chuvoso, localmente chamado inverno, embora geralmente Situação Geográfica
corresponda ao verão, é curto e irregular. As precipitações são rápidas
mas violentas. A estiagem dura geralmente mais de seis meses e às vezes Situado ao norte brasileiro, o domínio Amazônico é a maior região mor-
se prolonga por um ano ou mais, nas secas periódicas, causando foclimática do Brasil, com uma área de aproximadamente 5 milhões km² –
problemas sociais graves. As temperaturas médias anuais são elevadas: equivalente a 60% do território nacional – abrangendo os Estados: Amazo-
acima de 23o C, exceto nos lugares altos. Em partes do Ceará e Rio nas, Amapá, Acre, Pará, Maranhão, Rondônia, Roraima, Tocantins e Mato
Grande do Norte, a média vai a 28o C. A evaporação é intensa. Grosso. Encontram-se como principais cidades desta região: Manaus,
Belém, Rio Branco, Macapá e Santarém.
Nas regiões Sudeste e Sul do Brasil predominam climas mais amenos
-- mesotérmicos úmidos -- enquadrados nas variedades Cfa, Cfb, Cwa e Características do Povoamento
Cwb. As temperaturas médias mais baixas ocorrem geralmente em julho A região é pouco povoada, sua densidade demográfica é de aproxi-
(menos de 18o C), época em que pode haver geadas. No Sudeste, madamente 2,88 hab./km². Isto se deve ao fato da grande extensão territo-
conservam-se as características tropicais modificadas pela altitude. A rial e dos difíceis acessos ao interior dessa área. Nesse sentido, o governo
amplitude térmica permanece por volta de 5o C e as chuvas mantêm o em 1970, fez o programa de ocupação populacional na região amazônica,
regime estival, concentradas no semestre de outubro a março. com migrações oriundas do nordeste. A extração da borracha permitiu
O Sul apresenta invernos brandos, geralmente com geadas; verões desenvolver esta área, antes inóspita economicamente, numa região de
quentes nas áreas baixas e frescos no planalto; chuvas em geral bem alta produtividade, seja ela econômica, cultural ou social. Nessa época,
distribuídas. As temperaturas médias anuais são inferiores a 18o C. A muitas cidades foram afetadas com o crescimento gerado pelo capital. O
amplitude térmica anual cresce à medida que se vai para o sul. Neves governo continuou auxiliando e orientando o desenvolvimento da região e
esporádicas caem sobretudo nos pontos mais elevados do planalto: São incorpora em Manaus a Suframa (Superintendência da Zona Franca de
Francisco de Paula RS, Caxias do Sul RS, São Joaquim SC, Lajes SC e Manaus), que trouxe para a capital amazonense muitas indústrias transna-
Palmas PR. No oeste do Rio Grande do Sul, no entanto, ocorrem os cionais. Tanto foi a resposta desta “zona livre”, que antes da Zona Franca
veranicos de fevereiro, secos e quentíssimos, com temperaturas das mais de Manaus, a mesma cidade detinha uma população de 300 mil/hab e com
altas do Brasil. a instalação desta área, passou para 800 mil/hab. Outros projetos são
instalados pelo governo federal na região amazônica, como: o Projeto Jari,
DOMÍNIOS MORFLOCLIMÁTICOS BRASILEIROS, OS o Programa Calha Norte, o PoloNoroeste e o Projeto Grande Carajás. Com
(SEGUNDO AZIZ AB'SABER) isso, inicia-se a exploração mineral e vegetal da Amazônia. Mas os resul-
tados desses projetos foram pobres em sua maioria, pois com a retirada da
Denis Richter vegetação natural o solo tornava-se inadequado ao cultivo da agricultura.
Dentre os diversos tipos de clima e relevo existente no Brasil, obser- Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas
vamos que os mesmos mantêm grandes relações, sejam elas de espaço,
de vegetação, de solo entre outros. Caracterizando vários ambientes a Este domínio sofre grande influência fluvial, já que aí se encontra a
longo de todo território nacional. Para entende-los, é necessário distinguir maior bacia hidrográfica do mundo – a bacia amazônica. A região passa
um dos outros. Pois a sua compreensão deve ser feita isoladamente. por dois tipos de estações flúvio-climáticas, a estação das cheias dos rios e
Nesse sentido, o geógrafo brasileiro Aziz Ab’Saber, faz uma classificação a estação da seca, porém esta última estação não interrompe o processo
desses ambientes chamados de Domínios Morfoclimáticos. Este nome, pluviométrico diário, só que em índices diferentes. O transporte existente
morfoclimático, é devido às características morfológicas e climáticas en- também é influenciado pela enorme rede hidrográfica, enquanto que o
contradas nos diferentes domínios, que são 6 (seis) ao todo e mais as rodoviário é quase inexistente. Assim, o transporte fluvial e o aéreo são
faixas de transição. Em cada um desses sistemas, são encontrados aspec- muito utilizados devido às facilidades encontradas neste domínio. Como se
tos, histórias, culturas e economias divergentes, desenvolvendo singulares trata de uma floresta equatorial considerada um bioma riquíssimo, é de
condições, como de conservação do ambiente natural e processos erosi- fundamental importância entendê-la para não desestruturar seu frágil
vos provocados pela ação antrópica. Nesse sentido, este texto vem expli- equilíbrio. Devido à existência de inúmeros rios, a região sofre muita sedi-
car e exemplificar cada domínio morfoclimático, demonstrando sua locali- mentação por parte fluvial, já que a precipitação é abundante (2.500
zação, área, povoamento, condições bio-hidro-climáticas, preservação mm/ano), transformando a região numa grande “esponja” que detém altas
ambiental e economia local. taxas de umidade no solo. Este mesmo solo é formado basicamente por
latossolos, podzólicos e plintossolos, mas o mesmo não detém característi-
Os Domínios Morfoclimáticos cas de ser rico à vegetação existente, na verdade, o processo de precipita-
Os domínios morfoclimáticos brasileiros são definidos a partir das ca- ção é o que torna este domínio morfoclimático riquíssimo em floresta
racterísticas climáticas, botânicas, pedológicas, hidrológicas e fitogeográfi- hidrófita e não o solo, como muitas pessoas pensam que é o responsável
cas; com esses aspectos é possível delimitar seis regiões de domínio por tudo isto. Valendo destacar os tipos de matas encontradas na Amazô-
morfoclimático. Devido à extensão territorial do Brasil ser muito grande, nia, como: de iaipó – de regiões inundadas; de várzea – de regiões inun-
vamos nos defrontar com domínios muito diferenciados uns dos outros. dadas ciclicamente e de terras altas – que dificilmente são inundadas. As
Esta classificação feita, segundo o geógrafo Aziz Ab’Sáber (1970), dividiu o espécies de árvores encontradas nesta região são: castanaha-do-pará,
Brasil em seis domínios: seringueira, carnaúba, mogno, etc. (essas duas últimas em extinção); os
animais: peixe-boi, boto-cor-de-rosa, onça-pintada; e a flora com a vitória
I – Domínio Amazônico – região norte do Brasil, com terras baixas e régia e as diversas orquídeas.
grande processo de sedimentação; clima e floresta equatorial;
Com um grande processo de lixiviação encontrado na Amazônia, essa
II – Domínio dos Cerrados – região central do Brasil, como diz o nome, ação torna o solo pobre levando todos os seus nutrientes pela força da
vegetação tipo cerrado e inúmeros chapadões; capacidade do rio (correnteza). Mas esta riqueza diversa não deve ser
confundida como grande potencialidade agrícola, pois com a retirada da
III – Domínio dos Mares de Morros – região leste (litoral brasileiro), on-
vegetação nativa, transforma o solo num grande alvo da erosão, devido as
de se encontra a floresta Atlântica que possui clima diversificado;
fortes chuvas ocorridas na região. A rede hidrográfica é outra fonte de
IV – Domínio das Caatingas – região nordestina do Brasil (polígono potencialidade econômica da Amazônia, pois seus leitos fluviais são de
das secas), de formações cristalinas, área depressiva intermontanhas e de grande piscosidade, o que torna a área num importante atrativo natural
clima semi-árido; para o turismo, às indústrias pesqueiras e a população ribeirinha. Com um

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clima equatorial, sem muitas mudanças de temperatura ao longo do ano, a extrativistas, além de investimentos de infra-estrutura, estradas e hidroelé-
região amazônica diferencia-se apenas nas épocas das chuvas (ou cheias tricas. Com estes recursos, a região vem a atrair investidores e mão-de-
dos rios) e das secas. Assim esta primeira época faz com que os rios obra, e consequentemente ocorre um salto no crescimento populacional de
transbordem e nutram as áreas de terras marginais ao leito dos mesmos. cada Estado, como no Mato Grosso que em 1940 sua população era de
Com um solo essencialmente argiloso e a forte influência do escoamento 430 mil/hab. e em 1970 vai para 1,6 milhões/hab. Tal foi à resposta destes
fluvial, faz com que a Amazônia torna-se uma área de terras baixas, deca- programas, que nos dias de hoje o setor agrícola do cerrado ocupa uma
pitando as formações existentes no seu substrato rochosos. ótima colocação em produção, em virtude de migrações do sul do Brasil.
Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas
Nos dias atuais é grande a devastação ambiental na Amazônia – Centrada no planalto brasileiro, o domínio do cerrado é dividido pelas
queimadas, desmatamentos, extinção de espécies, etc. – fazem com que a formações de chapadas que existem ao longo de sua extensão territorial,
região e o mundo preocupe-se com seu futuro, pois se trata da maior estas que são “gigantescos degraus” com mais de 500 metros de altura,
reserva florestal do globo. Ecologicamente a Amazônia está correndo muito formadas na era geológica Pré-Cambriana, limitam o planalto central e as
perigo, devido ao grande atrativo econômico natural que é encontrado planícies – como a Pantaneira. Com sua flora única, constituída por árvo-
nesta região, o equilíbrio é colocado muitas vezes em risco. A exploração res herbáceas tortuosas e de aspecto seco, devido à composição do solo,
descontrolada faz com que as ideologias conservacionistas sejam deixadas deficiente em nutrientes e com altas concentrações de alumínio, a região
de lado. As indústrias mineradoras geram consequências incalculáveis ao passa por dois períodos sazonais de precipitação, os secos e os chuvosos.
ambiente e nos rios são despejados muitos produtos químicos para esta Com sua vegetação rasteira e de campos limpos, o clima tropical existente
exploração. A agricultura torna áreas de vegetação em solos de fácil erosi- nesta área, condiz a uma boa formação e um ótimo crescimento das plan-
vidade e em resposta a tudo isso, gera-se um efeito “dominó” no meio tas. Também auxiliado pela importante rede hidrográfica da região, de
ambiente, onde um é responsável e necessário para o outro. São poucas onde são oriundas nascentes das três maiores bacias hidrográficas do
as atividades econômicas que não agridem a natureza. A extração da Brasil como foi destacado no início. Isto lhe dá uma imensa responsabili-
borracha, por exemplo, era uma economia viável ecologicamente, pois dade ambiental, pois denota a sua significativa conservação natural. Com
necessitava da floresta para o crescimento das seringueiras. Mas atual- um solo formado principalmente por latossolos, areais quartzosas e podzó-
mente, esta exploração é quase rara, devido à falta de indústrias consumi- licos; constituem assim um solo carente em nutrientes fertilizantes, neces-
doras. Nesse sentido, deverão ser tomadas medidas de aprimoramento sitando de correção para compor uma terra viável à agricultura. Observa-se
nas explorações existentes nesta região, para que deixem de causar também, que este mesmo solo apresenta características à fácil erosividade
imensas sequelas ao ambiente natural. devido às estações chuvosas que ali ocorrem e principalmente a degrada-
ção ambiental descontrolada, estes processos fazem a remoção da vege-
II – Domínio Morfoclimático dos Cerrados tação nativa que tornam frágeis os horizontes “A” frente aos problemas
Situação Geográfica ambientais existentes, como a voçoroca.

Formado pela própria vegetação de cerrado, nesta área encontram-se Condições Ambientais e Ecologicamente Sustentáveis
as formações de chapadas ou chapadões como a Chapada dos Guimarães Em vista desses aspectos fisiográficos, o cerrado atraiu muita atenção
e dos Veadeiros, a fauna e flora ali situada, são de grande exuberância, para a agricultura, o que lhe tornou uma região de grande produção de
tanto para pontos turísticos, como científicos. Vale destacar que é da grãos como a soja e agropastoril, com a ótima adaptação dos gados zebu,
região do cerrado que estão três nascentes das principais bacias hidrográ- nelore e ibagé. Em virtude disso, o solo nativo foi retirado e alterado por
ficas brasileiras: a Amazônica, a São-Franciscana e a Paranáica. outra vegetação, condizendo a uma maior facilidade aos processos erosi-
Localizado na região central do Brasil, o Domínio Morfoclimático do vos, devido à falta de cobertura vegetal, seja ela gramínea ou herbácea.
Cerrado detém uma área de 45 milhões de hectares, sendo o segundo Nesse sentido, faz-se muito pouco pela preservação e conservação das
maior domínio por extensão territorial. Incluindo neste espaço os Estados: matas nativas – a não ser nas áreas demarcadas como reservas bio-
do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul, do Tocantins (parte sul), de ecológicas. Outra exploração ativa é a mineral, como o ouro e o diamante,
Goiás, da Bahia (parte oeste), do Maranhão (parte sudoeste) e de Minas donde decorre uma grande devastação à natureza. Dessa forma, os go-
Gerais (parte noroeste). Encontrado ao longo de sua área cidades impor- vernos, tanto federal, estadual ou municipal, deverão tomar decisões
tantes como: Brasília, Cuiabá, Campo Grande, Goiânia, Palmas e Montes imediatas quanto à proteção do meio natural, pois deve ocorrer, sim, a
Claros. exploração pastoril, agrícola e mineral dessa região, porém não se deve
esquecer que para a efetiva existência dessas economias o ambiente
deverá ser prudentemente conservado.
III – Domínio Morfoclimático de Mares de Morros
Situação Geográfica
Este domínio estende-se do sul do Brasil até o Estado da Paraíba (no
nordeste), obtendo uma área total de aproximadamente 1.000.000 km².
Situado mais exatamente no litoral dos Estados do: Rio Grande do Sul,
Santa Catarina, Paraná, de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, da
Bahia, Sergipe, de Alagoas, de Pernambuco, da Paraíba; e no interior dos
Estados, como: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.
Incluindo em sua extensão territorial cidades importantes, como: São
Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, Recife, Porto Alegre e Florianópo-
lis.
Características de Povoamento
Como encontra-se na região litorânea leste do Brasil, foi o primeiro lu-
Características do Povoamento gar a ser descoberto e colonizado pelos portugueses – tanto que é em
Porto Seguro, Bahia, que atracou o navegante Pedro Álvares Cabral,
Devido a sua localização geográfica ser no interior brasileiro, o povo- descobrindo o Brasil. Com isso, a primeira capital da colônia portuguesa na
amento e a ocupação territorial nesta região era fraca, mas o governo América foi Salvador, onde iniciaram-se os processos de colonização e
federal vem a intervir com os programas de políticas de interiorização do povoamento, respectivamente. É neste domínio que estão as duas maiores
desenvolvimento nos anos 40 e 50, e da política de integração nacional cidades brasileiras – São Paulo e Rio de Janeiro. Isto se deve a antiga
dos anos 70. A primeira é baseada, principalmente, na construção de constituição das duas cidades como centros econômicos, integradores,
Brasília e a segunda, nos incentivos aos grandes projetos agropecuários e culturais e políticos. Foram muitos os resultados desse povoamento, como

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por exemplo, a maior concentração populacional do Brasil e a de melhor gas localiza-se numa área de clima seco, logo chamou a atenção dos
base econômica. mesmos para refugiarem-se e construírem suas “fortalezas”, chamados de
cangaceiros. Com isso o processo de povoamento, instaurados nos anos
Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas 40 e 50, centrou-se mais em áreas próximas ao litoral, mas o governo
Como o próprio nome já diz, é uma região de muitos morros de formas federal investiu em infra-estrutura na construção de barragens, açudes e
residuais e curtos em sua convexidade, com muitos movimentos de massa canais fluviais, surgindo assim o Departamento Nacional de Obras Contra
generalizados. Os processos de intemperismo, como o químico, são fre- as Secas (DNOCS). Entretanto, o clima “desértico” da caatinga, prejudicou
quentes, motivo pelo qual as rochas da região encontram-se geralmente muito a ocupação populacional nesta região, sendo que a caatinga conti-
em decomposição. Tem uma significativa gama de redes de drenagens, nua sendo uma área preocupante no território brasileiro em vista do seus
somados à boa precipitação existente (1.100 a 1.800 mm a/a e 5.000 mm problemas sociais, que são imensos. Valendo destacar que com todos
a/a nas regiões serranas), que é devido à massa de ar tropical atlântica esses obstáculos sociais e naturais da caatinga, seus habitantes partem
(MATA) e aos ventos alísios de sudeste, que ocasionam as chuvas de para migração em regiões como a Amazônia e o sudeste brasileiro, cha-
relevo nestas áreas de morros. Assim, os efeitos de sedimentação em mada de migrações de transumância (saída na seca e volta na chuva).
fundos de vale e de colúvios nas áreas altas são muito intensos. A vegeta- Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas
ção natural é da mata chamada Atlântica, com poucas áreas nativas de
suma importância aos ecossistemas ali existentes. Sua flora e fauna são Com o seu clima semi-árido, o solo só poderia ter características se-
de grande respaldo ambiental e o solo é composto em sua maioria por melhantes. Sendo raso e pedregoso, o solo da caatinga sofre muito intem-
latossolos e podzólicos, sendo muito variável. A textura se contradiz de perismo físico nos latossolos e pouca erosão nos litólicos e há influência de
região para região, pois é encontrado tanto um solo arenoso como argiloso. sais em solo, como: solonetz, solodizados, planossolos, solódicos e soon-
Como a sua extensão territorial alarga-se entre Norte – Sul, seu clima chacks. Segundo Ab´Saber, a textura dos solos da caatinga passa de
dependerá da sua situação geográfica, diferenciando-se em: tropical, argilosa para textura média, outra característica é a diversidade de solos e
tropical de altitude e subtropical. ambientes, como o sertão e o agreste. Mesmo tendo aspectos de um solo
pobre, a caatinga nos engana, pois necessita apenas de irrigação para
Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis florescer e desenvolver a cultura implantada. Tendo pouca rede de drena-
Lembrando que foi colocado anteriormente em relação ao povoamen- gem, os mínimos rios existentes são em sua maioria sazonais ao período
to, essas terras já estão sendo utilizadas economicamente há muitos anos. das chuvas, que ocorrem num curto intervalo durante o ano. Porém existe
Decorrente disso, observa-se uma considerável desgastação do solo que um “oásis” no sertão nordestino, o Rio São Francisco, vindo da região
elucida uma atual preservação das matas restantes. Esta região já sofreu central do Brasil, irriga grandes áreas da caatinga, transformando suas
muita devastação do homem e da sociedade e devem ser tomadas atitudes margens num solo muito fértil – semelhante o que ocorre com as áreas
urgentes para sua conservação. Existem muitos programas, tanto do marginais ao Rio Nilo, no Egito. Neste sentido, comprova-se que a irriga-
governo como privados, para a proteção da mata atlântica. Destaca-se por ção na caatinga pode e deve ser feita com garantia de bons resultados.
exemplo, a Fundação O Boticário (privado), que detém áreas de preserva- Outro fato que chama a atenção, é a vegetação sertaneja, pois ela sobrevi-
ção ao ambiente natural e o SOS Mata Atlântica (governamental e priva- ve em épocas de extrema estiagem e em razão disso sua casca é dura e
do). Neste sentido, a solução mais adequada para este domínio, seria a seca, conservando a umidade em seu interior. Assim, a região é caracteri-
estagnação de muitos processos agrícolas ao longo de sua área, pois o zada por uma vegetação herbácea tortuosa, tendo como espécies: as
solo encontra-se desgastado e com problemas erosivos muito acentuados. cactáceas, o madacaru, o xique-xique, etc.
Deixando assim, a terra “descansar” e iniciar um projeto de reconstituição à Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis
vegetação nativa.
Devido o homem não intervir de significativa maneira em seu habitat, o
IV – Domínio Morfoclimático das Caatingas ambiente natural da caatinga encontra-se pouco devastado. Sua região
poderia ser ocupada mais a nível agrícola, em virtude do seu solo possuir
boas condições de manejo, só necessitando de irrigação artificial. Assim,
considerando os fatos apresentados, a caatinga teria condições de desen-
volver-se economicamente com a agricultura, que seria de suma importân-
cia para acabar com a miséria existente. Mas sem esquecer de utilizar os
recursos naturais com equilíbrio, sendo feito de modo organizado e pré-
estabelecido à não causar desastres e consequências ambientais futuros.
V – Domínio Morfoclimático das Araucárias
Situação Geográfica
Encontrado desde o sul paulista até o norte gaúcho, o domínio das
araucárias ocupa uma área de 400.000 km², abrangendo em seu território
cidades importantes, como: Curitiba, Ponta Grossa, Lages, Caxias do Sul,
Passo Fundo, Chapecó e Cascavel.

Situação Geográfica Características do Povoamento

Situado no nordeste brasileiro, o domínio morfoclimático das caatingas A região das araucárias foi povoada no final do século XIX, principal-
abrange em seu território a região dos polígonos das secas. Com uma mente por imigrantes italianos, alemães, poloneses, ucranianos etc. Com
extensão de aproximadamente 850.000 km², este domínio inclui o Estado isto, os estrangeiros diversificaram a economia local, o que tornou essa
do Ceará e partes dos Estados da Bahia, de Sergipe, de Alagoas, de região uma das mais prósperas economicamente. Caracterizado por colô-
Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Piauí. Tendo como nias de imigração estabelecidas pela descendência estrangeira, podemos
principais cidades: Crato, Petrolina, Juazeiro e Juazeiro do Norte. destacar como principais pontos, as cidades de: Blumenau – SC , colônia
alemã; Londrina – PR, colônia japonesa; Caxias do Sul – RS, colônia
Características do Povoamento italiana. Mas a vinda desses imigrantes não foi só boa vontade do governo
daquela época. O Brasil tinha acabado de terminar a sua guerra com
Sendo uma das áreas junto ao domínio morfoclimático dos mares de
Paraguai, que deixou muitas perdas em sua população, em virtude disso a
morros, de colonização pelos europeus (portugueses e holandeses), sua
solução foi atrair imigrantes europeus e asiáticos.
história de povoamento já é bastante antiga. A caatinga foi sempre um
palco de lutas de independência, seja ela escravista ou nacionalista. A Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas
região tornou-se alvo de bandidos e fugitivos contrários ao Reinado Portu-
guês e posteriormente ao Império Brasileiro. Como o domínio das caatin- Atualmente, a vegetação de araucária – chamada de pinheiro-do-
Paraná, ou pinheiro-braseleiro – pouco resta, as indústrias de celulose e

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madeireiras da região, fizeram um extrativismo descontrolado que resultou guai), ocorreram várias tentativas de anexação dos pampas a uma destas
no desaparecimento total em algumas áreas. Sua condição de arbórea, nações – devido aos tratados de Madrid e de Tordesilhas. Mas as tentati-
geralmente com mais de 30 m de altura, condiz a um solo profundo, em vas foram inválidas, hoje os pampas continuam sendo parte do território
virtude de suas raízes estabelecerem a sustentação da própria árvore. A brasileiro.
região das araucárias encontra-se no planalto meridional onde a altitude
pode variar de 500 metros até cerca de 1.200 m. Isso evidencia um clima Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas
subtropical em toda sua extensão que mantém uma boa relação com a Como é uma área também chamada de pradarias mistas, o solo condiz
precipitação existente nesse domínio, variando de 1.200 a 1.800 mm. ao mesmo. Segundo Ab’Saber, que o caracteriza como diferente de todos
Nesse sentido, a região identifica-se com uma grande rede de drenagem os outros domínios morfoclimáticos, existindo o paleossolo vermelho e o
em toda a sua extensão territorial. O solo é formado principalmente por paleossolo claro, sendo de clima quente e frio. Denominado um solo jovem,
latossolos brunos e também é encontrado latossolos roxos, cambissolos, devido guardar materiais ferrosos e primários, sua coloração vêem a ser
terras brunas e solos litólicos. Com estas características, o solo detém uma escura. Estabelecido por um clima subtropical com zonas temperadas
alta potencialidade agrícola, como: milho, feijão, batata, etc. As morfologias úmidas e sub-úmidas, a região é sujeita a sofrer alguma estiagem durante
do relevo se destacam por uma forte ondulação até um montanhoso, o que o ano. Sua amplitude térmica alcança índices elevados, como em Uruguai-
o representa num solo de fácil adesão a processos erosivos, iniciados pela ana, considera a mais alta do Brasil, com 7° a/a. Isto evidencia suas limita-
degradação humana e social. ções agrícolas, pois o solo é pouco espesso e têm indícios de pedrugosi-
Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis dade. Assim, caracteriza-o a uma atividade pastoril de bovinos e ovinos.
Com a utilização do solo sem controle, denota-se um sério problema
Percebe-se atualmente que esta arbórea quase desapareceu dessa erosivo que origina as ravinas e posteriormente as voçorocas. Esse pro-
região, devido à descontrolada exploração da araucária para produção de cesso amplia-se rapidamente e origina o chamado deserto dos pampas. A
celulose. Felizmente, medidas foram tomadas e hoje a araucária é protegi- drenagem existente é perene com rios de grande vazão, como: Rio Uru-
da por lei estadual no Paraná. Mas os questionamentos ambientais não guai, Rio Ibicuí e o Rio Santa Maria.
estão somente na vegetação. Devido este solo ser utilizado há anos vêem
a ocorrer uma erosividade considerada. Em virtude do mesmo, surge a Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis
técnica de manejo agrícola chamada plantio direto, que evidencia uma O domínio morfoclimático das Pradarias detém importantes reservas
proteção ao solo nu em épocas de pós-safra. Nesse sentido, o domínio biológicas, como a do Parque Estadual do Espinilho (Uruguaiana e Barra
morfoclimático das araucárias, que compreende uma importante área no do Quarai) e a Reserva Biológica de Donato (São Borja). As condições
sul brasileiro, detém um nível de conservação e reestruturação vegetal ambientais atuais fora desses parques, são muito preocupantes. Com o
considerável. Mas não se deve estagnar esse processo positivo, pois início da formação de um deserto que tende a crescer anualmente, essa
necessitamos muito dessas terras férteis que mantém as economias locais. região está sendo foco de muitos estudos e projetos para estagnar esse
VI – Domínio Morfoclimático das Pradarias processo. Devido ao mau uso da terra pelo homem, como a monocultura e
as queimadas, essas darão origem as ravinas, que por sua vez farão surgir
às voçorocas. Como o solo é muito arenoso e a morfologia do relevo é
levemente ondulado, rapidamente os montantes de areia espalham-se na
região ocasionados pela ação eólica. Em virtude a tudo isso, poucas medi-
das estão sendo tomadas, exceto os estudos feitos. Assim, as autoridades
locais deverão estar alerta, para que esse processo erosivo tenha um fim
antes que torne toda as pradarias num imenso deserto.
Faixas de Transições
Encontrados entre os vários domínios morfoclimáticos brasileiros, as
faixas de transições são: as Zonas dos Cocais, a Zona Costeira, o Agreste,
o Meio-Norte, as Pradarias, o Pantanal e as Dunas. Espalhadas por todo o
território nacional, constituem importantes áreas ambientais e econômicas.
Faixas de Transição Nordestinas
A zona dos cocais, representa uma importante fonte de renda à popu-
lação nordestina, pois é nessa área principalmente, que se faz à extração
dos cocos. A zona costeira detém outra característica, é uma importante
região ambiental, onde se encontra a vegetação de mangue, que constitui
um bioma riquíssimo em decomposição de matéria. Outra faixa de transi-
ção é o agreste, que é responsável pela produção de alimentos para o
nordeste, como: leite, aves, sisal, entre outras matérias primas para indús-
trias. No litoral cearense, encontra-se as dunas, que é uma região de
Situação Geográfica montantes de areias depositados pela ação dos ventos e de constante
remodelação.
Situado ao extremo sul brasileiro, mais exatamente a sudeste gaúcho,
o domínio morfoclimático das pradarias compreende uma extensão, se- O meio-norte se estabelece entre a caatinga do sertão e a Amazônia
gundo Ab’Saber, de 80.000 km² e de 45.000 km² de acordo com Fontes & (Maranhão e Piauí). Com uma diversidade de vegetação como cerrado e
Ker – UFV. Tendo como cidades importantes em sua abrangência: Uru- matas de cocais, o meio-norte detém sua economia na pecuária bovina,
guaiana, Bagé, Alegrete, Itaqui e Rosário do Sul. chamada de pé-duro e na criação do jegue. A carnaúba e o óleo de babaçú
são outras fontes de extrativismo. Sem esquecer que todas estas zonas
Características do Povoamento demonstradas situam-se na região nordestina brasileira.
Território mãe da cultura gauchesca, suas tradições ultrapassam gera- Faixa de Transição da Região Sul Brasileira
ções, demonstrando a força da mesma. Caracterizado por um baixo povo-
amento, a região destaca-se grandes pelos latifúndios agropastoris, que Na região sul, encontra-se a zona de transição das Pradarias, que se
são até hoje marcas conhecidas dos pampas gaúchos. Os jesuítas inicia- situa entre os domínios morfoclimáticos da Araucária e das Pradarias. São
ram o povoamento com a catequização dos índios e posteriormente sur- geralmente campos acima de serras e são encontradas vegetações do tipo
gem as povoações de charqueadas. Passando por bandeirantes e tropei- araucárias, de campo, floresta e cerrado. Assim, os sistemas naturais
ros, as pradarias estagnam esse processo (ciclo do charque) com a venda situados nessa região, são de fundamental importância para o meio natural
de lotes de terras para militares, pelo governo federal. Devido à proximida- envolvente a ela.
de geográfica com a divisão fronteiriça de dois países (Argentina e Uru-

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Faixa de Transição – Pantanal O Paraná, constituído pela junção dos rios Paranaíba e Grande, é um
típico rio de planalto, que desce em saltos: cachoeira Dourada, no
O pantanal é uma das principais zonas de transição encontrada no Paranaíba; Marimbondo, no Grande; Iguaçu, no rio homônimo;
Brasil. Ele é um complexo ambiental de suma importância, pois compreen- Urubupungá, no próprio Paraná (Sete Quedas, nesse rio, desapareceu
de uma grande diversidade de fauna e flora. Situado em regiões serranas e com a construção da represa de Itaipu). Os principais afluentes da margem
em terras altas, o pantanal é considerado um grande reservatório de água, esquerda são o Tietê, o Paranapanema, o Ivaí e o Iguaçu; da margem
devido encontrar-se numa depressão entre várias montanhas. Sua rede direita, o Verde, o Pardo e o Invinheima.
fluvial é composta por rios, como: Cuiabá, Taquari, Paraguai etc, sendo
considerados rios perenes.

O Uruguai é formado pelos rios Pelotas e Canoas, que nascem perto


da escarpa da serra Geral. Separa o Rio Grande do Sul de Santa Catarina
e da Argentina e confronta depois esse país com o Uruguai. Seu regime
constitui exceção no Brasil: tem enchentes na primavera. O rio Paraguai
nasce em Mato Grosso, no planalto central, perto de Diamantino. Após
curto trecho, penetra no pantanal, ao qual inunda parcialmente nas cheias,
que ocorrem no outono. Seus principais afluentes são: pela margem
esquerda, o São Lourenço, o Taquari, o Miranda e o Apa; pela direita, o
Como o pantanal passa por duas estações climáticas durante o ano, a Jauru. Em certos trechos, separa o Brasil da Bolívia e do Paraguai, até que
seca e as cheias dos rios, essa região detém características e denomina- se interna nesse país.
ções únicas, como: “cordilheira” – que significa áreas mais altas, onde não
sofrem alagamentos (pequenas elevações); salinas – regiões deprimidas O rio São Francisco nasce na serra da Canastra, em Minas Gerais, e
que se tornam lagoas rasas e salgadas com as cheias dos rios; barreiros – corre nas direções gerais sul-norte e oeste-leste. É chamado "rio da
são os depósitos de sal após a seca das salinas; caixas – canais que ligam unidade nacional", porque liga as duas regiões de mais alta densidade
lagoas, existindo somente durante as inundações; e vazante – cursos demográfica e mais antigo povoamento do país: o Sudeste e a zona da
d´aguas existente durante as épocas das chuvas. Com tudo, o pantanal Mata nordestina. É um rio de planalto, que forma várias cachoeiras: Paulo
sofre consequências ambientais como a exploração mineral, que poluem Afonso, Itaparica, Sobradinho, Pirapora. Seus principais afluentes são: na
intensamente os rios – considerados como os responsáveis pela existência margem esquerda, o Indaiá, o Abaeté, o Paracatu, o Pardo, o Carinhanha,
da biodiversidade da região. A pecuária e a utilização de enormes mono- o Corrente e o Grande; pela direita, o Pará, o Paraopeba, o das Velhas e o
culturas, fazem o despejo de uma grande quantidade de agrotóxicos aos Verde Grande, todos perenes. Tem enchentes de verão.
rios. Vertentes. Os demais rios têm cursos menos extensos, e por isso são
Nesse sentido, a preservação dessas zonas de transição são conside- agrupados em vertentes:
radas de suma importância para a existência dos domínios morfoclimáticos (1) Rios da vertente setentrional, perenes, de vazão relativamente
brasileiros. Pois eles estabelecem uma relação direta com a fauna, flora, grande e enchentes de outono. Os principais são: o Oiapoque e o Araguari
hidrografia, clima e morfologia, conservando o equilíbrio dos frágeis siste- (em que ocorrem as famosas "pororocas"), no Amapá; o Gurupi, o Turiaçu,
mas ecológicos. o Pindaré, o Mearim, o Itapicuru e o Parnaíba, no Maranhão; este último,
Hidrografia na divisa com o Piauí, tem em seu delta a mais perfeita embocadura desse
gênero no Brasil.
De acordo com o perfil longitudinal, os rios do Brasil classificam-se em
dois grupos: rios de planalto, a maioria; e rios de planície, cujos principais (2) Rios da vertente norte-oriental, periódicos, com enchentes de
representantes são o Amazonas, o Paraguai e o Parnaíba. O Amazonas outono-inverno. Os principais são: o Acaraú e o Jaguaribe, no Ceará; o
tem a mais vasta bacia hidrográfica do mundo, em sua maior parte situada Apodi ou Moçoró, o Piranhas ou Açu, o Ceará-Mirim e o Potenji, no Rio
em território brasileiro. É também o rio de maior caudal do planeta. Os três Grande do Norte; o Paraíba do Norte, na Paraíba; o Capibaribe, o Ipojuca e
principais coletores da bacia do Prata -- Paraná, Paraguai e Uruguai -- o Una, em Pernambuco. Nos leitos desses rios são comuns as barragens,
nascem no Brasil. destinadas à construção de açudes.
(3) Rios da vertente oriental, a maioria dos rios genuinamente baianos
é constituída também de rios periódicos, com o máximo das enchentes no
verão -- o Itapicuru, o Paraguaçu e o Contas -- além do Vaza-Barris, na
Bahia e Sergipe.
(4) Rios da vertente sul-oriental, perenes, com perfil longitudinal de rios
de planalto e com enchentes de verão. Os principais são: o Pardo, o
Jequitinhonha (Minas Gerais e Bahia), este último famoso pela mineração
de diamantes e pedras semipreciosas; o Doce (Minas Gerais e Espírito
Santo), por cujo vale se exporta minério de ferro; o Paraíba do Sul, com
bacia leiteira no vale médio e região açucareira no inferior; e a Ribeira do
Iguape (Paraná e São Paulo).
(5) Rios da vertente meridional, também com enchentes de verão: o
Itajaí e o Tubarão, em Santa Catarina; o Guaíba, o Camaquã e o Jaguarão,

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no Rio Grande do Sul. Os rios de baixada não desempenham papel adultas de troncos finos ou espécimes jovens, adaptados à vida na
relevante no sistema de transporte porque seus cursos estão afastados penumbra; e o sub-bosque, com samambaias e plantas de folhas largas.
das áreas mais povoadas e também em virtude da política de priorização Cipós pendentes das árvores entrelaçam os diferentes andares. Epífitas,
do transporte rodoviário. Os rios de planalto oferecem grande potencial como as orquídeas, e vegetais inferiores, como os cogumelos, liquens,
hidrelétrico. fungos e musgos, convivem com a vegetação e aumentam sua
complexidade.
Em vista do tamanho de seu território, o Brasil é um país de pequenos
lagos. Podem ser classificados geneticamente em três categorias: (1) lagos A mata de terra firme é geralmente semidecídua: dez por cento ou
costeiros ou de barragem, formados pelo fechamento total da costa, por mais de suas árvores perdem as folhas na estiagem. Árvores típicas da
uma restinga ou cordão de areia, como as lagoas dos Patos, Mirim e terra firme são a castanheira (Bertholettia excelsa), a balata (Mimusops
Mangueira, no Rio Grande do Sul; Araruama, Saquarema, Maricá, Rodrigo bidentata), o mogno (Swietenia macrophylla) e o pau-rosa (Aniba duckei).
de Freitas e Jacarepaguá, no estado do Rio de Janeiro. (2) Lagos fluviais A heterogeneidade da floresta dificulta sua exploração econômica, salvo
ou de transbordamento, formados pela acumulação de excedentes de água onde ocorrem concentrações. O tipo de solo predominante na hileia é o
da enchente de um rio, típicos dos rios de planície. Os principais são: no latossolo.
vale do Amazonas, Piorini, Saracá, Manacapuru, no Amazonas; Grande de
Maicuru e Itandeua, no Pará. No rio Paraguai, Uberaba, Guaíba, Mandioré A mata da encosta atlântica estende-se como uma faixa costeira, do
e Cáceres, no Mato Grosso. No baixo rio Doce, a lagoa Juparanã, no Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Suas árvores mais altas
Espírito Santo. (3) Lagos mistos, combinados dos dois tipos, como a lagoa chegam geralmente a 25 ou trinta metros. No sul da Bahia e na vertente
Feia, no estado do Rio de Janeiro, a do Norte, Manguaba ou do Sul e marítima da serra do Mar, é perenifólia; mais para o interior e em lugares
Jequiá, em Alagoas. menos úmidos, é semidecídua. Do Paraná para o sul, toma um caráter
subtropical: é de menor altura (10 a 15m), perenifólia, mais pobre em cipós
Fauna e mais rica em epífitas. A peroba (Aspidosperma sp.), o cedro (Cedrella,
spp.), o jacarandá (Machaerium villosum), o palmito (Euterpe edulis) e o
A fauna brasileira não conta com espécies de grande porte, pau-brasil foram espécies exploradas na mata atlântica.
semelhantes às que se encontram nas savanas e selvas da África. Na
selva amazônica existe uma abundante fauna de peixes e mamíferos Além de madeira, a mata atlântica contribuiu muito com seus solos
aquáticos que habitam os rios e igapós. As espécies mais conhecidas são para o desenvolvimento econômico do Brasil. A maior parte deles pertence
o pirarucu e o peixe-boi (este em vias de extinção). Nas várzeas há jacarés ao grande grupo dos latossolos vermelho-amarelos, entre os quais se inclui
e tartarugas (também ameaçados de desaparecimento), bem como a terra roxa, e nos quais se instalaram várias culturas, como café, cana-de-
algumas espécies anfíbias, notadamente a lontra e a capivara e certas açúcar, milho e cacau.
serpentes, como a sucuriju. Nas florestas em geral predominam a anta, a
onça, os macacos, a preguiça, o caititu, a jiboia, a sucuri, os papagaios, O terceiro tipo de floresta é a mata de araucárias. Fisionomicamente, é
araras e tucanos e uma imensa variedade de insetos e aracnídeos. uma floresta mista de coníferas e latifoliadas perenifólias. Ocorre no
planalto meridional, em terras submetidas a geadas anuais. Das matas
Nas caatingas, cerrados e campos são mais comuns a raposa, o brasileiras, é a de menor área, porém de maior valor econômico, por ser a
tamanduá, o tatu, o veado, o lobo guará, o guaxinim, a ema, a siriema, mais homogênea. Suas árvores úteis mais típicas são: o pinheiro-do-
perdizes e codornas, e os batráquios (rãs, sapos e pererecas) e répteis paraná (Araucaria angustifolia), produtor de madeira branca; a imbuia
(cascavel, surucucu e jararaca). Há abundância de térmitas, que constroem (Phoebe porosa), madeira de lei, escura, utilizada em marcenaria; e a erva-
montículos duros como habitação. De maneira geral, a fauna ornitológica mate (Ilex paraguariensis), com cujas folhas tostadas se faz uma infusão
brasileira não encontra rival em variedade, com muitas espécies semelhante ao chá, muito apreciada nos países do Prata.
inexistentes em outras partes do mundo. São inúmeras as aves de rapina,
como os gaviões, as aves noturnas, como as corujas e mochos, as Formações de transição. A caatinga, o cerrado e o manguezal são os
trepadoras, os galináceos, as pernaltas, os columbídeos e os palmípedes. tipos mais característicos da vegetação de transição. As caatingas
predominam nas áreas semi-áridas da região Nordeste e envolvem grande
Flora variedade de formações, desde a mata decídua (caatinga alta) até a estepe
de arbustos espinhentos. Suas árvores e arbustos são em geral providos
A diversidade do clima brasileiro reflete-se claramente em sua de folhas miúdas, que caem na estiagem, e armados de espinhos. São a
cobertura vegetal. A vegetação natural do Brasil pode ser grupada em três jurema (Mimosa sp.), a faveleira (Jatropha phyllancantha), o pereiro
domínios principais: as florestas, as formações de transição e os campos (Aspidosperma pirifolium), a catingueira (Caesalpinia sp), o marmeleiro
ou regiões abertas. As florestas se subdividem em outras três classes, de (Combretum sp). São também típicas as cactáceas, como o xiquexique
acordo com a localização e a fisionomia: a selva amazônica, a mata (Pilocereus gounellei), o facheiro (Cereus squamosus), o mandacaru
atlântica e a mata de araucárias. A primeira, denominada hileia pelo (Cereus jamacaru) e outras do gênero Opuntia. Nos vales planos são
naturalista alemão Alexander von Humboldt (do grego, hilayos, "da frequentes os carnaubais (Copernicia cerifera).
floresta", "selvagem") é a maior mata equatorial do mundo. Reveste uma
área de cinco milhões de quilômetros quadrados, equivalente a quase o Os cerrados, ou campos cerrados, predominam no planalto central,
dobro do território da Argentina. desde o oeste de Minas Gerais até o sul do Maranhão. São formações
constituídas de tufos de pequenas árvores, até dez ou 12m de altura,
Florestas. A hileia, do ponto de vista de sua ecologia, divide-se em: retorcidas, de casca grossa e folhas coriáceas, dispersos num tapete de
mata de igapó, mata de várzea e mata de terra firme. A primeira fica gramíneas até um metro de altura, que na estiagem se transforma em um
inundada durante cerca de dez meses no ano e é rica em palmeiras, como manto de palha. Os cerrados penetram no pantanal mato-grossense, onde
o açaí (Euterpe oleracea); os solos são arenosos e não cultiváveis nas se misturam a savanas e formações florestais e formam um conjunto
condições em que se encontram. A mata de várzea é inundada somente complexo. Os manguezais ocorrem em formações de quatro a cinco
nas enchentes dos rios; tem muitas essências de valor comercial e de metros de altura, na costa tropical, e são compostos sobretudo de
madeiras brancas, como a seringueira (Hevea brasiliensis), o cacaueiro Rhizophora mangle, Avicennia spp. e Laguncularia racemosa.
(Theobroma cacao), a copaíba (Copaifera officinalis), a sumaúma (Ceiba
pentandra) e o gigantesco açacu (Hura crepitans). Amata de igapó e a Regiões abertas. As áreas de vegetação aberta, no Brasil, se agrupam
mata de várzea, as duas primeiras divisões da hileia, têm árvores de folhas em tipos variados. Os campos de terra firme da Amazônia, como os
perenes. Os solos das várzeas são intrazonais, argilosos ou limosos. campos do rio Branco (Roraima), os de Puciari-Humaitá (Amazonas) e os
do Ererê (Pará), são savanas de gramíneas baixas, com diversas árvores
A mata de terra firme, que corresponde a cerca de noventa por cento isoladas típicas do cerrado, como o caimbé (Curatella americana), a
da floresta amazônica, nunca fica inundada. É uma mata plenamente carobeira (Tecoma caraíba) e a mangabeira (Hancornia speciosa). Os
desenvolvida, composta de quatro andares de vegetação: as árvores campos de várzea do médio e baixo Amazonas e do pantanal (rio
emergentes, que chegam a cinquenta metros ou mais; a abóbada foliar, Paraguai) são savanas sem árvores, com gramíneas de um metro ou mais
geralmente entre 20 e 35m, onde as copas das árvores disputam a luz de altura.
solar; o andar arbóreo inferior, entre cinco e vinte metros, com árvores

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Os campos limpos são estepes úmidas que ocorrem na campanha a elevada proporção de crianças e jovens acarreta uma maior carga para a
gaúcha, em partes do planalto meridional (campos de Vacaria RS, campos população ativa e para o estado e impõe a necessidade de manter um alto
de Lajes e Curitibanos SC; campos gerais, campos de Curitiba e de nível de crescimento, a fim de gerar empregos que permitam a
Guarapuava PR) e no extremo oeste baiano (os gerais). Têm solos incorporação desses novos efetivos à estrutura produtiva.
geralmente pobres, salvo na campanha, onde se enquadram no tipo prairie
degradado. É característica a grande mobilidade da população brasileira, o que
tende a modificar sua distribuição. Na segunda metade do século XX,
População registrou-se um avanço em direção ao oeste dos estados de São Paulo,
Paraná e Santa Catarina, e para o sul de Mato Grosso e Goiás. A criação
As três raças básicas formadoras da população brasileira são o negro, de Brasília e a construção de rodovias no interior do país atraíram
o europeu e o índio, em graus muito variáveis de mestiçagem e pureza. É contingentes numerosos, mas os principais fluxos migratórios, tanto do
difícil afirmar até que ponto cada elemento étnico era ou não previamente interior quanto do exterior do país, dirigiram-se para a região Sul e para o
mestiçado. Os portugueses trouxeram um complicado caldeamento de estado de São Paulo. As cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília
lusitanos, romanos, árabes e negros, que habitaram em Portugal. Os atraem imigrantes de todo o país; as demais recebem sobretudo a
demais grupos, vindos em grande número para o Brasil em diversas população rural das regiões vizinhas, onde são obrigados a viver em
épocas -- italianos, espanhóis, alemães, eslavos, sírios -- também tiveram condições precárias dada a pouca oferta de emprego.
mestiçagem semelhante. O Brasil é o país de maior população branca do
mundo tropical. A capital econômica do Brasil é São Paulo, maior parque industrial da
América Latina. Sua influência se estende por todo o Brasil e seu mercado
Os negros, trazidos para o Brasil como escravos, do século XVI até exerce atração até sobre as regiões ocidentais do Paraguai e Bolívia. O
1850, destinados à lavoura canavieira, à mineração e à lavoura cafeeira, Rio de Janeiro, com sua área metropolitana, constitui o segundo pólo
pertenciam a dois grandes grupos: os sudaneses e os bantos. Os industrial do país, mas tem maior importância cultural e turística. As outras
primeiros, geralmente altos e de cultura mais elaborada, foram sobretudo cidades mais populosas são Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife,
para a Bahia. Os bantos, originários de Angola e Moçambique, Salvador, Fortaleza e Belém. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil
predominaram na zona da mata nordestina, no Rio de Janeiro e em Minas Publicações Ltda.
Gerais.
Demografia
Os indígenas brasileiros pertencem aos grupos chamados
paleoameríndios, que provavelmente migraram em primeiro lugar para o A população do Brasil, conforme registrado pelo PNAD de 2008, foi de
Novo Mundo. Estavam no estádio cultural neolítico (pedra polida). aproximadamente 190 milhões de habitantes[ (22,31 habitantes por
Agrupam-se em quatro troncos linguísticos principais: o tupi ou tupi- quilômetro quadrado), com uma proporção de homens e mulheres de
guarani, o jê ou tapuia, o caraíba ou karib e o aruaque ou nu-aruaque. Há 0,95:1 e 83,75% da população definida como urbana. A população está
além disso pequenos grupos linguísticos, dispersos entre esses maiores, fortemente concentrada nas regiões Sudeste (79,8 milhões de habitantes)
como os pano, tucano, bororo e nhambiquara. Atualmente os índios e Nordeste (53,5 milhões de habitantes), enquanto as duas regiões mais
acham-se reduzidos a uma população de algumas dezenas de milhares, extensas, o Centro-Oeste e o Norte, que formam 64,12% do território
instalados sobretudo nas reservas indígenas da Amazônia, Centro-Oeste e brasileiro, contam com um total de apenas 30 milhões de habitantes.
Nordeste.
A população do Brasil aumentou significativamente entre 1940 e 1970,
A esses três elementos fundamentais vieram inicialmente acrescentar- devido a um declínio na taxa de mortalidade, embora a taxa de natalidade
se os mestiços, surgidos do cruzamento dos três tipos étnicos anteriores, e também tenha passado por um ligeiro declínio no período. Na década de
cujo número observou tendência sempre crescente. Ocupam portanto lugar 1940 a taxa de crescimento anual da população foi de 2,4%, subindo para
de grande destaque na composição étnica da população brasileira, 3,0% em 1950 e permanecendo em 2,9% em 1960, com a expectativa de
representados pelos caboclos (descendentes de brancos e ameríndios), vida subindo de 44 para 54 anos e para 72,6 anos em 2007.A taxa de
mulatos (de brancos e negros) e cafuzos (de negros e ameríndios). aumento populacional tem vindo a diminuir desde 1960, de 3,04% ao ano
entre 1950–1960 para 1,05% em 2008 e deverá cair para um valor
O Brasil é o sexto país do mundo em população. Embora não seja negativo, de −0,29%, em 2050, completando assim atransição
densamente povoado, sua enorme extensão territorial faz com que cerca demográfica.
da metade da população da América do Sul seja brasileira. Em pouco mais
de um século -- entre 1872 e 1990 -- a população brasileira viu-se As maiores áreas metropolitanas do Brasil são São Paulo, Rio de
multiplicada quase por quinze. Entre 1900 e final do século XX, aumentou Janeiro e Belo Horizonte – todas na região Sudeste – com 19,5, 11,5 e 5,1
também a participação da população brasileira no quadro mundial -- de milhões de habitantes, respectivamente.Quase todas as capitais são as
1,1% para 2,8% -- e na América Latina -- de 27,6% para 35%. maiores cidades de seus estados, com exceção de Vitória, capital do
Espírito Santo, e Florianópolis, a capital deSanta Catarina. Existem
A distribuição de habitantes é muito desigual: quase 58% da também regiões metropolitanas não-capitais nos estados de São Paulo
população vive nas regiões Sudeste e Sul, que correspondem a 18% do (Campinas, Santos e Vale do Paraíba), Minas Gerais (Vale do Aço),Rio
território, enquanto a região Norte, que compreende 45% do território, tem Grande do Sul (Vale do Rio dos Sinos) e Santa Catarina (Vale do Itajaí).
apenas 5,9% da população. Além disso, há grandes concentrações
urbanas, como São Paulo SP, Rio de Janeiro RJ, Belo Horizonte MG e Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de
Recife PE; e áreas escassamente ocupadas no interior, principalmente na 2008, 48,43% da população (cerca de 92 milhões) foi descrita como
Amazônia e no Centro-Oeste. A tendência migratória do campo para a brancos; 43,80% (cerca de 83 milhões) como Pardos (Multirracial); 6,84%
cidade acarretou um inchamento do meio urbano, com grandes (cerca de 13 milhões) como Negros; 0,58% (cerca de 1,1 milhões) como
contingentes de população marginal. Corresponde a uma estrutura agrária Asiáticos e 0,28% (cerca de 536 mil) como Indígenas, enquanto 0,07%
de grandes propriedades e à adoção de um modelo econômico (cerca de 130 mil) não declararam sua raça. Em 2007, a Fundação
concentrador de capital e voltado para a exportação, com altos índices de Nacional do Índio relatou a existência de 67 diferentes tribos isoladas,
mecanização da lavoura e pecuária. A inexistência de uma política contra 40 em 2005. Acredita-se que o Brasil possua o maior número de
cooperativa eficiente e a própria distribuição fundiária impedem a povos isolados do mundo.
proliferação da pequena propriedade e, portanto, a fixação das populações
rurais. A maioria dos brasileiros descendem de povos indígenas do país,
colonos portugueses, imigrantes europeus eescravos africanos. Desde a
A elevada taxa de natalidade e a progressiva redução da mortalidade chegada dos portugueses em 1500, um considerável número de uniões
transformaram o Brasil em um país jovem e de crescimento demográfico entre estes três grupos foram realizadas. A população parda é uma
acelerado. Esse aumento da população ocorre em taxas mais elevadas categoria ampla que inclui caboclos (descendentes de brancos e índios),
nas regiões mais pobres. Por volta do final do século XX, cerca da metade mulatos(descendentes de brancos e negros) e cafuzos (descendentes de
da população tinha menos de vinte anos. Tal característica constitui a curto negros e índios). Os pardos e mulatos formam a maioria da população nas
prazo um inconveniente para o desenvolvimento econômico, uma vez que regiões Norte,Nordeste e Centro-Oeste.A população mulata concentra-se

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geralmente na costa leste da região Nordeste, da Bahia à Paraíba e petroleiro); Companhia Vale do Rio Doce(mineração); Marcopolo e Busscar
também no norte doMaranhão, sul de Minas Gerais e no leste do Rio de (carroceiras); Gerdau (siderúgicas); Organizações Globo (comunicação). O
Janeiro. No século XIX o Brasil abriu suas fronteiras à imigração. Cerca de Brasil é visto por muitos economistas como um país com grande potencial
cinco milhões de pessoas de mais de 60 países migraram para o Brasil de desenvolvimento, assim como a Rússia, Índia e China, os países BRIC.
entre 1808 e 1972, a maioria delas de Portugal, Itália, Espanha, Alemanha, Alguns especialistas em economia, como o analista Peter Gutmann,
Japão e Oriente Médio. afirmam que em 2050 o Brasil poderá vir a atingir estatisticamente o
padrão de vida verificado em 2005 nos países da Zona Euro. De acordo
Meio ambiente com dados doGoldman Sachs, o Brasil atingirá em 2050 um PIB de US$
A grande extensão territorial do Brasil abrange diferentes 11.366.000 e PIB per capita de US$ 49.759, a quarta maior economia do
ecossistemas, como a Floresta Amazônica, reconhecida como tendo a planeta.
maior diversidade biológica do mundo,[151] a Mata Atlântica e o Cerrado, Componentes
que sustentam também grande biodiversidade, sendo o Brasil reconhecido
como um país megadiverso. No sul, a Floresta de araucárias cresce sob A economia brasileira é diversa, abrangendo a agricultura, a indústria e
condições de clima temperado. uma multiplicidade de serviços.Atualmente o país tem conseguido impor
sua liderança global graças ao desenvolvimento de sua economia. A força
A rica vida selvagem do Brasil reflete a variedade de habitats naturais. econômica que o país tem demonstrado, deve-se, em parte, ao boom
Os cientistas estimam que o número total de espécies vegetais e animais mundial nos preços de commodities e de mercadorias para exportação,
no Brasil seja de aproximadamente de quatro milhões. Grandes mamíferos como a carne bovina e a soja.[As perspectivas da economia brasileira têm
incluem pumas, onças, jaguatiricas, raros cachorros-vinagre, raposas, melhorado ainda mais graças a descobertas de enormes jazidas de
queixadas, antas, tamanduás, preguiças, gambás e tatus. Veados são petróleo e gás natural na bacia de Santos. Potência mundial na agricultura
abundantes no sul e muitas espécies de platyrrhini são encontradas nas e em recursos naturais, o Brasil desencadeou sua maior explosão de
florestas tropicais do norte. A preocupação com o meio ambiente tem prosperidade econômica das últimas em três décadas.
crescido em resposta ao interesse mundial nas questões ambientais. A agricultura e setores aliados, como a silvicultura, exploração florestal
O patrimônio natural do Brasil está seriamente ameaçado pela e pesca contabilizaram 6,1% do produto interno bruto em 2007, um
pecuária e agricultura, exploração madeireira, mineração, reassentamento, desempenho que põe o agronegócio em uma posição de destaque na
extração de petróleo e gás, asobrepesca, comércio de espécies selvagens, balança comercial do Brasil, apesar das barreiras comerciais e das
barragens e infraestrutura, contaminação da água, alterações climáticas, políticas de subsídios adotadas pelos países desenvolvidos.
fogo e espécies invasoras. Em muitas áreas do país, o ambiente natural Em relatório divulgado em 2010 pela OMS, o Brasil é o terceiro maior
está ameaçado pelo desenvolvimento. A construção de estradas em áreas exportador de produtos agrícolas do mundo, atrás apenas de Estados
de floresta, tais como a BR-230 e a BR-163, abriu áreas anteriormente Unidos e União Europeia.
remotas para a agricultura e para o comércio; barragens inundaram vales e A indústria de automóveis, aço, petroquímica, computadores,
habitats selvagens; e minas criaram cicatrizes na terra e poluíram aeronaves e bens de consumo duradouros contabilizam 30,8%do produto
apaisagem. interno bruto brasileiro. A atividade industrial está concentrada
Economia geograficamente nas regiões metropolitanasde São Paulo, Rio de Janeiro,
Curitiba, Campinas, Porto Alegre, Belo Horizonte, Manaus, Salvador,
O Brasil é a maior economia da América Latina (e a segunda da Recife e Fortaleza. O país responde por três quintos da produção industrial
América, atrás apenas dos Estados Unidos), a sexta maior economia do da economia sul-americana e participa de diversos blocos econômicos
mundo a taxas de mercado de câmbio e a sétima maior em paridade do como: o Mercosul, o G-22 e o Grupo de Cairns.
poder de compra (PPC), de acordo com o Fundo Monetário Internacional e
O Brasil comercializa regularmente com mais de uma centena de
o Banco Mundial. O seu PIB (PPC) per capita é de US$ 12.181,341,
países, sendo que 74% dos bens exportados são manufaturas ou
colocando o Brasil na posição 75ª posição de acordo com dados do Banco
semimanufaturas. Os maiores parceiros são: União Europeia (com 26% do
Mundial. O país tem grandes e desenvolvidos setores agrícola, minerador,
saldo); Mercosul e América Latina (25%); Ásia (17%) e Estados Unidos
manufatureiro e de serviços, bem como um grande mercado de trabalho.
(15%). Um setor dos mais dinâmicos nessa troca é o de agronegócio, que
As exportaçõesbrasileiras estão crescendo, criando uma nova geração de
mantém o Brasil entre os países com maior produtividade no campo.
magnatas. Os principais produtos de exportação incluemaeronaves,
equipamentos elétricos, automóveis, álcool, têxtil, calçados, minério de Dono de sofisticação tecnológica, o país desenvolve de submarinos a
ferro, aço, café, suco de laranja, soja ecarne enlatada.[248] O país tem aeronaves, além de estar presente na pesquisa aeroespacial, possuindo
vindo a expandir a sua presença nos mercados financeiros internacionais e um Centro de Lançamento de Veículos Leves e sendo o único país do
mercados decommodities e faz parte de um grupo de quatro economias Hemisfério Sul a integrar a equipe de construção da Estação Espacial
emergentes chamadas de países BRIC. Internacional (ISS). Pioneiro na pesquisa de petróleo em águas profundas,
de onde extrai 73% de suas reservas, foi a primeira economia capitalista a
O Brasil atrelou a sua moeda, o real, ao dólar americano em 1994. No reunir, no seu território, as dez maiores empresas montadoras de
entanto, após a crise financeira da Ásia Oriental, a crise russa em 1998 e automóveis.
uma série de eventos adversos financeiros que se seguiram, o Banco
Central do Brasil alterou temporariamente sua política monetária para um Turismo
regime de flutuação gerenciada, enquanto atravessava uma crise de O turismo é uma atividade econômica importante em várias regiões do
moeda, até que definiu a modificação do regime de câmbio livre flutuante país. Com cinco milhões de visitantes estrangeiros em 2008, o Brasil é o
em janeiro de 1999.[O país recebeu um pacote de resgate de US$ 30,4 principal destino do mercado turístico internacional na América do Sul, e
bilhões do Fundo Monetário Internacional, em meados de 2002, uma soma ocupa o segundo lugar na América Latina em termos de fluxo de turistas
recorde. O Banco Central brasileiro pagou o empréstimo do FMI em 2005, internacionais.
embora pudesse pagar a dívida até 2006. Uma das questões que o Banco
Central do Brasil recentemente tratou foi um excesso de fluxos Os gastos dos turistas estrangeiros em visita ao Brasil alcançaram 5,8
especulativos de capital de curto prazo para o país, o que pode ter bilhões de dólares em 2008, 16,8% a mais do que em 2007.O país abarcou
contribuído para uma queda no valor do dólar frente ao real durante esse 3,4% do fluxo turístico internacional no continente americano em 2008. Em
período. No entanto, oinvestimento estrangeiro direto (IED), relacionado a 2005, o turismo contribuiu com 3,2% das receitas nacionais advindas da
longo prazo, menos investimento especulativo em produção, estima-se ser exportação de bens e serviços, responsável pela criação de 7% dos
de US$ 193,8 bilhões para 2007. O monitoramento e controle da inflação empregos diretos e indiretos na economia brasileira. Em 2006, estima-se
atualmente desempenha um papel importante nas funções do Banco que 1,87 milhão de pessoas foram empregadas no setor, com 768 mil
Central de fixar as taxas de juro de curto prazo como uma medida de empregos formais (41%) e 1,1 milhão de ocupações informais (59%).
política monetária. Entre as Empresas mais conhecidas do Brasil estão: O turismo doméstico representa uma parcela fundamental do setor,
Brasil Foods, Perdigão, Sadia e JBS (setor alimentício);Embraer (setor contabilizando 51 milhões de viagens em 2005.
aéreo); Havaianas e Calçados Azaleia (calçados); Petrobras (setor

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Infraestrutura Transportes
Educação Com uma rede rodoviária de cerca de 1,8 milhões de quilômetros,
A Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação sendo 96 353 km de rodovias pavimentadas (2004), as estradassão as
Nacional (LDB) determinam que o Governo Federal, osEstados, o Distrito principais transportadoras de carga e de passageiros no tráfego brasileiro.
Federal e os municípios devem gerir e organizar seus respectivos sistemas Os primeiros investimentos na infraestrutura rodoviária deram-se na
de ensino. Cada um desses sistemas educacionais públicos é responsável década de 1920, no governo de Washington Luís, sendo prosseguidos no
por sua própria manutenção, que gere fundos, bem como os mecanismos e governo Vargas e Gaspar Dutra. O presidente Juscelino Kubitschek (1956–
fontes de recursos financeiros. A nova constituição reserva 25% do 1961), que concebeu e construiu a capital Brasília, foi outro incentivador de
orçamento do Estado e 18% de impostos federais e taxas municipais para rodovias. Kubitschek foi responsável pela instalação de grandes
a educação. fabricantes de automóveis no país (Volkswagen, Ford e General Motors
Segundo dados do IBGE, em 2011, a taxa de literacia da população chegaram ao Brasil durante seu governo) e um dos pontos utilizados para
brasileira foi de 90,4%, significando que 13 milhões (9,6% da população) atraí-los era, evidentemente, o apoio à construção de rodovias. Hoje, o
de pessoas ainda são analfabetas no país; já o analfabetismo funcional país tem instalados em seu território outros grandes fabricantes de
atingiu 21,6% da população.[6]O analfabetismo é mais elevado no automóveis, como Fiat, Renault, Peugeot, Citroën, Chrysler, Mercedes-
Nordeste, onde 19,9% da população é analfabeta. Ainda segundo o PNAD, Benz, Hyundai e Toyota. O Brasil é o sétimo mais importante país da
o percentual de pessoas na escola, em 2007, foi de 97% na faixa etária de indústria automobilística.
6 a 14 anos e de 82,1% entre pessoas de 15 a 17 anos, enquanto o tempo
médio total de estudo entre os que têm mais de 10 anos foi, em média, de Existem cerca de quatro mil aeroportos e aeródromos no Brasil, sendo
6,9 anos. 721 com pistas pavimentadas, incluindo as áreas de desembarque.O país
tem o segundo maior número de aeroportos em todo o mundo, atrás
O ensino superior começa com a graduação ou cursos sequenciais, apenas dos Estados Unidos.O Aeroporto Internacional de Guarulhos,
que podem oferecer opções de especialização em diferentes carreiras localizado na Região Metropolitana de São Paulo, é o maior e mais
acadêmicas ou profissionais. Dependendo de escolha, os estudantes movimentado aeroporto dopaís, grande parte dessa movimentação deve-
podem melhorar seus antecedentes educativos com cursos de pós- se ao tráfego comercial e popular do país e ao fato de que o aeroporto liga
graduação Stricto Sensu ou Lato Sensu. Para frequentar uma instituição de São Paulo a praticamente todas as grandes cidades de todo o mundo. O
ensino superior, é obrigatório, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Brasil tem 34 aeroportos internacionais e 2 464aeroportos regionais.
concluir todos os níveis de ensino adequados às necessidades de todos os
estudantes dos ensinos infantil, fundamental e médio,[282]desde que o O país possui uma extensa rede ferroviária de 28 857 km de extensão,
aluno não seja portador de nenhuma deficiência, seja ela física, mental, a décima maior rede do mundo. Atualmente, o governo brasileiro,
visual ou auditiva. diferentemente do passado, procura incentivar esse meio de transporte; um
exemplo desse incentivo é o projeto do Trem de Alta Velocidade Rio-São
Ciência e tecnologia Paulo, um trem-bala que vai ligar as duas principais metrópoles do país. Há
A produção científica brasileira começou, efetivamente, nas primeiras 37 grandes portos no Brasil, dentre os quais o maior é o Porto de Santos.
décadas do século XIX, quando a família real e a nobreza portuguesa, O país também possui 50 000 km dehidrovias.
chefiadas pelo Príncipe-regente Dom João de Bragança (futuro Rei Dom Saúde
João VI), chegaram no Rio de Janeiro, fugindo da invasão do exército de
Napoleão Bonaparte em Portugal, em 1807. Até então, o Brasil era uma O sistema de saúde pública brasileiro, o Sistema Único de Saúde
colônia portuguesa(ver colônia do Brasil), sem universidades e (SUS), é gerenciado e fornecido por todos os níveis do governo, sendo o
organizações científicas, em contraste com as ex-colônias americanas do maior sistema do tipo do mundo. Já os sistemas de saúde privada atendem
império espanhol, que apesar de terem uma grande parte da população um papel complementar. Os serviços de saúde públicos são universais e
analfabeta, tinham um número considerável de universidades desde o oferecidos a todos os cidadãos do país de forma gratuita. No entanto, a
século XVI. construção e a manutenção de centros de saúde e hospitais são
A pesquisa tecnológica no Brasil é em grande parte realizada em financiadas por impostos, sendo que o país gasta cerca de 9% do seu PIB
universidades públicas e institutos de pesquisa. Alguns dos mais notáveis em despesas na área. Em 2009, o território brasileiro tinha 1,72 médicos e
polos tecnológicos do Brasil são os institutos Oswaldo Cruz, Butantan, 2,4 camas hospitalares para cada 1000 habitantes.
Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial,Empresa Brasileira de Apesar de todos os progressos realizados desde a criação do sistema
Pesquisa Agropecuária e o INPE. universal de cuidados de saúde em 1988, ainda existem vários problemas
O Brasil tem o mais avançado programa espacial da América Latina, de saúde pública no Brasil. Em 2006, os principais pontos a serem
com recursos significativos para veículos de lançamento, e fabricação de resolvidos foram as taxas de altos de mortalidade infantil (2,51%) e
satélites. Em 14 de outubro de 1997, a Agência Espacial Brasileira assinou materna (73,1 mortes por 1000 nascimentos). O número de mortes por
um acordo com a NASA para fornecer peças para a ISS.[287] Este acordo doenças não transmissíveis, como doenças cardiovasculares (151,7
possibilitou ao Brasil treinar seu primeiro astronauta. Em 30 de março de mortes por 100 000 habitantes) e câncer (72,7 mortes por 100 000
2006 o Cel. Marcos Pontes a bordo do veículo Soyuz se transformou no habitantes) também têm um impacto considerável sobre a saúde da
primeiro astronauta brasileiro e o terceiro latino-americano a orbitar nosso população brasileira. Finalmente, os fatores externos, mas evitáveis, como
planeta. acidentes de carro, violência e suicídio causaram 14,9% de todas as
O urânio enriquecido na Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), mortes no país.
deResende, no estado do Rio de Janeiro, atende a demanda energética do
Energia
país. Existem planos para a construção do primeiro submarino nuclear do
país. O Brasil também é um dos três países da América Latina com um O Brasil é o décimo maior consumidor da energia do planeta e o
laboratório Síncrotron em operação, um mecanismo de pesquisa dafísica, terceiro maior do hemisfério ocidental, atrás dos Estados Unidos e Canadá.
da química, das ciências dos materiais e da biologia.[292] Segundo o A matriz energética brasileira é baseada em fontes renováveis, sobretudo a
Relatório Global de Tecnologia da Informação 2009–2010 do Fórum energia hidrelétrica e oetanol, além de fontes não-renováveis de energia,
Econômico Mundial, o Brasil é o 61º maior desenvolvedor mundial como o petróleo e o gás natural.
detecnologia da informação.
Ao longo das últimas três décadas o Brasil tem trabalhado para criar
O Brasil também tem um grande número de notáveis personalidades uma alternativa viável à gasolina. Com o seu combustível à base de cana-
científicas e inventores das mais diversas áreas do conhecimento, como os de-açúcar, a nação pode se tornar energicamente independente neste
padres Bartolomeu de Gusmão, Roberto Landell de Moura eFrancisco momento. O Pró-álcool, que teve origem na década de 1970, em resposta
João de Azevedo, Santos Dumont, Manuel Dias de Abreu, César Lattes, às incertezas do mercado do petróleo, aproveitou sucesso intermitente.
Andreas Pavel,Nélio José Nicolai, Adolfo Lutz, Vital Brasil, Carlos Chagas, Ainda assim, grande parte dos brasileiros utilizam os chamados "veículos
Oswaldo Cruz, Henrique da Rocha Lima, Mauricio Rocha e Silva e flex", que funcionam com etanol ou gasolina, permitindo que o consumidor
Euryclides Zerbini.

Ciências Humanas e suas Tecnologias 74 A Opção Certa Para a Sua Realização


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possa abastecer com a opção mais barata no momento, muitas vezes o la, especialmente no setor cafeeiro, deixavam de ser rentáveis, além das
etanol. dificuldades de importação ocasionadas pela Primeira Guerra Mundial e
pela Segunda, passou-se a empregar mais investimentos no setor industri-
Os países com grande consumo de combustível como a Índia e a al.
China estão seguindo o progresso do Brasil nessa área.[316]Além disso,
países como o Japão e Suécia estão importando etanol brasileiro para Êxodo rural
ajudar a cumprir as suas obrigações ambientais estipuladas no Protocolo
de Quioto. As indústrias, sobretudo a têxtil e a alimentícia, difundiam-se, princi-
palmente nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Esse desenvolvi-
O Brasil possui a segunda maior reserva de petróleo bruto na América mento industrial acelerado necessitava de grande quantidade de mão-de-
do Sul e é um dos produtores de petróleo que mais aumentaram sua obra para trabalhar nas unidades fabris, na construção civil, no comércio
produção nos últimos anos. O país é um dos mais importantes do mundo ou nos serviços, o que atraiu milhares de migrantes do campo para as
na produção de energia hidrelétrica. Da sua capacidade total de geração cidades (êxodo rural).
de eletricidade, que corresponde a 90 mil megawatts, a energia hídrica é
responsável por 66.000 megawatts (74%). A energia nuclear representa O processo de urbanização brasileiro apoiou-se essencialmente no
cerca de 3% da matriz energética do Brasil. O Brasil pode se tornar uma êxodo rural. A migração rural-urbana tem múltiplas causas, sendo as
potência mundial na produção de petróleo, com grandes descobertas principais a perda de trabalho no setor agropecuário - em consequência da
desse recurso nos últimos tempos na Bacia de Santos. modernização técnica do trabalho rural, com a substituição do homem pela
A imprensa brasileira tem seu início em 1808 com a chegada da máquina e a estrutura fundiária concentradora, resultando numa carência
família real portuguesa ao Brasil, sendo até então proibida toda e qualquer de terras para a maioria dos trabalhadores rurais.
atividade de imprensa — fosse a publicação de jornais ou livros. A Assim, destituídos dos meios de sobrevivência na zona rural, os mi-
imprensa brasileira nasceu oficialmente no Rio de Janeiro em 13 de maio grantes dirigem-se às cidades em busca de empregos, salários e, acima de
de 1808, com a criação da Impressão Régia, hoje Imprensa Nacional, pelo tudo, melhores condições de vida.
príncipe-regente dom João.
População urbana
A Gazeta do Rio de Janeiro, o primeiro jornal publicado em território
nacional, começa a circular em 10 de setembro de 1808. Atualmente a Atualmente, a participação da população urbana no total da população
imprensa escrita consolidou-se como um meio de comunicação em massa brasileira atinge níveis próximos aos dos países de antiga urbanização
e produziu grandes jornais que hoje estão entre as maiores do país e do daEuropa e da América do Norte. Em 1940, os moradores das cidades
mundo como a Folha de S. Paulo, O Globo e o Estado de S. Paulo, e somavam 12,9 milhões de habitantes, cerca de 30% do total da população
publicações das editoras Abril eGlobo. do país, esse percentual cresceu aceleradamente: em 1970, mais da
A radiodifusão surgiu em 7 de setembro de 1922, sendo a primeira metade dos brasileiros já viviam nas cidades (55,9%). De acordo com o
transmissão um discurso do então presidente Epitácio Pessoa, porém a Censo de 2000, a população brasileira é agora majoritariamente urbana
instalação do rádio de fato ocorreu apenas em 20 de abril de 1923 com a (81,2%), sendo que de cada dez habitantes do Brasil, oito moram em
criação da "Rádio Sociedade do Rio de Janeiro". Na década de 1930 cidades.
começou a era comercial do rádio, com a permissão de comerciais na Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2005 o
programação, trazendo a contratação de artistas e desenvolvimento Brasil tinha uma taxa de urbanização de 84,2% e, de acordo com algumas
técnico para o setor. Com o surgimento das radionovelas e da projeções, até 2050, a porcentagem da população brasileira que vive em
popularização da programação, na década de 1940, começou a chamada centros urbanos deve pular para 93,6%. Em termos absolutos, serão
era de ouro do rádio brasileiro, que trouxe um impacto na 237,751 milhões de pessoas morando nas cidades do país na metade
sociedadebrasileira semelhante ao que a televisão produz hoje. Com a deste século. Por outro lado, a população rural terá caído de 29,462 mi-
criação da televisão o rádio passa por transformações, os programas de lhões para 16,335 milhões entre 2005 e 2050.
humor, os artistas, as novelas e os programas de auditório são substituídos
por músicas e serviços de utilidade pública. Na década de 1960 surgiram
as rádios FM's que trazem mais músicas para o ouvinte.
A televisão no Brasil começou, oficialmente, em 18 de setembro de
1950, trazida por Assis Chateaubriand que fundou o primeiro canal de
televisão no país, a TV Tupi. Desde então a televisão cresceu no país,
criando grandes redes como a Globo,Record, SBT e Bandeirantes. Hoje, a
televisão representa um fator importante na cultura popular moderna da
sociedade brasileira. A televisão digital no Brasil teve início às 20h30min de
2 de dezembro de 2007, inicialmente na cidade de São Paulo, pelo padrão
japonês.
Urbanização do Brasil
Consequências e características das cidades
Ângelo Tiago de Miranda
Urbanização é o aumento proporcional da população urbana em rela-
ção à população rural. Segundo esse conceito, só ocorre urbanização
quando o crescimento da população urbana é superior ao crescimento da
população rural. O processo de urbanização no Brasil difere do europeu pela rapidez de
Somente na segunda metade do século 20, o Brasil tornou-se um país seu crescimento. Na Europa esse processo é mais antigo. Com exceção
urbano, ou seja, mais de 50% de sua população passou a residir nas da Inglaterra, único país que se tornou urbanizado na primeira metade do
cidades. A partir da década de 1950, o processo de urbanização no Brasil século 19, a maioria dos países europeus se tornou urbanizada entre a
tornou-se cada vez mais acelerado. Isso se deve, sobretudo, a intensifica- segunda metade do século 19 e a primeira metade do século 20. Além
ção do processo de industrialização brasileiro ocorrido a partir de 1956, disso, nesses países a urbanização foi menos intensa, menos volumosa e
sendo esta a principal consequência entre uma série de outras, da "política acompanhada pela oferta de empregos urbanos, moradias, escolas, sane-
desenvolvimentista" do governo Juscelino Kubitschek. amento básico, etc.
É importante salientar que os processos de industrialização e de urba- Em nosso país, 70 anos foram suficientes para alterar os índices de
nização brasileiros estão intimamente ligados, pois as unidades fabris eram população rural e os de população urbana. Esse tempo é muito curto e um
instaladas em locais onde houvesse infra-estrutura, oferta de mão-de-obra rápido crescimento urbano não ocorre sem o surgimento de graves pro-
e mercado consumidor. No momento que os investimentos no setor agríco- blemas.

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Favelização e outros problemas da urbanização representa um obstáculo ao êxodo rural. Ainda assim, Manaus (AM) e
Belém (PA) são as principais regiões metropolitanas com mais de 1 milhão
A urbanização desordenada, que pega os municípios despreparados de habitantes cada.
para atender às necessidades básicas dos migrantes, causa uma série de
problemas sociais e ambientais. Dentre eles destacam-se o desemprego, a Com mais de 51 milhões de habitantes o Nordeste é a região brasileira
criminalidade, a favelização e a poluição do ar e da água. Relatório do com o maior número de municípios (1.793), mas somente 69,1% de sua
Programa Habitat, órgão ligado à ONU, revela que 52,3 milhões de brasilei- população é urbana. A estrutura agrária baseada na pequena propriedade
ros - cerca de 28% da população - vivem nas 16.433 favelas cadastradas familiar, na faixa do Agreste, colaborou para segurar a força de trabalho no
no país, contingente que chegará a 55 milhões de pessoas em 2020. campo e controlar o ritmo do êxodo rural. O baixo rendimento e a baixa
produtividade do setor agrícola restringiu a repulsão dos habitantes rurais,
O Brasil sempre foi uma terra de contrastes e, nesse aspecto, também ao passo que o insuficiente desenvolvimento do mercado regional limitou a
não ocorrerá uma exceção: a urbanização do país não se distribui igualita- atração exercida pelas cidades.
riamente por todo o território nacional, conforme podemos observar na
tabela abaixo. Muito pelo contrário, ela se concentra na região Sudeste,
formada pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais eEspí-
rito Santo. • CARACTERÍSTICAS E TRANSFORMAÇÕES DAS ESTRUTU-
RAS PRODUTIVAS – DIFERENTES FORMAS DE ORGANIZA-
ÇÃO DA PRODUÇÃO: ESCRAVISMO ANTIGO, FEUDALISMO,
CAPITALISMO, SOCIALISMO E SUAS DIFERENTES EXPERI-
ÊNCIAS. ECONOMIA AGROEXPORTADORA BRASILEIRA:
COMPLEXO AÇUCAREIRO; A MINERAÇÃO NO PERÍODO CO-
LONIAL; A ECONOMIA CAFEEIRA; A BORRACHA NA AMAZÔ-
NIA. REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: CRIAÇÃO DO SISTEMA DE
FÁBRICA NA EUROPA E TRANSFORMAÇÕES NO PROCESSO
DE PRODUÇÃO. FORMAÇÃO DO ESPAÇO URBANO-
INDUSTRIAL. TRANSFORMAÇÕES NA ESTRUTURA PRODUTI-
VA NO SÉCULO XX: O FORDISMO, O TOYOTISMO, AS NOVAS
TÉCNICAS DE PRODUÇÃO E SEUS IMPACTOS. A INDUSTRIA-
LIZAÇÃO BRASILEIRA, A URBANIZAÇÃO E AS TRANSFOR-
Região Sudeste MAÇÕES SOCIAIS E TRABALHISTAS. A GLOBALIZAÇÃO E AS
NOVAS TECNOLOGIAS DE TELECOMUNICAÇÃO E SUAS
Apesar desses quatro Estados ocuparem somente 10% do território CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS, POLÍTICAS E SOCIAIS.
brasileiro, a segunda menor em área, neles se encontram mais de 78 PRODUÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DOS ESPAÇOS AGRÁRIOS.
milhões de habitantes (IBGE, 2005), 90,5% dos quais vivem em cidades.
MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA E ESTRUTURAS AGRÁ-
É também no Sudeste que se encontram três das cidades brasileiras RIAS TRADICIONAIS. O AGRONEGÓCIO, A AGRICULTURA
com mais de 1 milhão de habitantes (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo FAMILIAR, OS ASSALARIADOS DO CAMPO E AS LUTAS SO-
Horizonte), bem como 50% das cidades com população entre 500 mil e 1 CIAIS NO CAMPO. A RELAÇÃO CAMPO-CIDADE.
milhão de habitantes.
As sucessivas crises econômicas que o país conheceu nas últimas dé- A INSERÇÃO SOBERANA DO BRASIL NA ECONOMIA MUNDIAL,
cadas fez seu ritmo de crescimento em geral diminuir e com isso o fluxo por Marcos Coimbra
migratório para o Sudeste se reduziu e continua em declínio. No mundo de hoje, encontramos uma superpotência, os EUA, e duas
megapotências, a União Europeia (UE) e o Japão, constituindo a tríade
Centro-Oeste e Sul
denominada de Centros de Poder Econômico CPES. Existem ainda as
A segunda região de maior população urbana no país é a Centro- potências ascendentes, constituídas por países que já dispõem, efetiva-
Oeste, onde 86,7% dos habitantes vivem em cidades. A urbanização dessa mente ou em potencial, das condições indispensáveis para exercer influên-
região é ainda mais recente e foi impulsionada pela fundação de Brasília, cia predominante em seu espaço geopolítico atuando como catalisador do
em 1960, e pelas rodovias de integração nacional que interligaram a nova Poder Nacional dos Estados compreendidos nesse mesmo espaço geopo-
capital com o Sudeste, de um lado, e a Amazônia, de outro. Além disso, há lítico, como a China, por exemplo. Além disto, visualizamos ainda as pseu-
o desenvolvimento do setor do agronegócio. A agropecuária impulsionou a do-potências, que compreendem os países que reúnem condições para ser
urbanização do Centro-Oeste, cujas cidades apresentam atividades eco- potências ascendentes, mas estão sendo impedidas de assim atuar pela
nômicas essencialmente de caráter agro-industrial. incompatibilidade entre seus interesses econômicos e os dos CPES, como
o Brasil.
A região Sul, apesar de contar com o terceiro maior contingente popu-
lacional do país - mais de 26 milhões de habitantes, 80,9% vivendo em As características essenciais do panorama internacional no terceiro mi-
cidades - e uma economia vigorosa, também baseada na agropecuária lênio são: a) a existência de três CPES, com interesses econômicos ten-
apresenta um índice mais baixo de urbanização. Ao contrário da região dendo à superposição; b) intensificação da superposição de interesse dos
Centro-Oeste, a região Sul conheceu uma urbanização mais lenta e limita- EUA e do Japão, enquanto a União Europeia avança no processo de
da até o início da década de 1970. efetivação tácita da liderança germânica e absorção das economias circun-
A estrutura agrária assentada na pequena propriedade e no trabalho vizinhas; c) globalização da economia sem o estabelecimento de genuíno
familiar, apoiado no parcelamento da terra nas áreas de planaltos subtropi- sistema mundial de livre comércio, devido à prática do comércio gerencia-
cais, limitava a migração de pessoas do campo para o meio urbano. De- do e da consolidação dos Blocos Regionais; d) substituição das vantagens
pois, a mecanização da agricultura e a concentração fundiária impulsiona- “naturais” (recursos naturais, posição geográfica, demografia etc.) pelas
ram o êxodo rural. vantagens “criadas pelo homem” (tecnologias de alta sofisticação e de
ponta).
Norte e Nordeste
O grau de urbanização da região Norte é o mais baixo do país: 69,9% Já as principais características da terceira revolução industrial podem
em 2003. No entanto, é a região que mais se urbanizou nos últimos anos. ser enunciadas como: 1) na produção industrial o insumo básico é a inteli-
Entre 1991 e 2000, segundo o IBGE, o crescimento urbano foi de 28,54%. gência humana e não mais a matéria-prima; 2) a prioridade para P&D
Além de ter-se inserido tardiamente na dinâmica econômica nacional, a (pesquisa e desenvolvimento) passou de produtos novos para processos
região tem sua peculiaridade geográfica - a floresta Amazônica - que produtivos novos; 3) muito maior interação entre os setores secundário e

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terciário, fazendo também que, para com este último, as tecnologias de O BRASIL E A ECONOMIA MUNDIAL CONTEMPORÂNEA
ponta sejam indispensáveis; 4) a mão-de-obra será menor em número mas por José Tavares de Araújo Jr.
terá maior grau de instrução; 5) os dirigentes de empresas precisarão de Uma característica central do progresso tecnológico nas últimas três
maior conhecimento tecnológico para orientar suas atividades no rumo da décadas tem sido o contraste entre o declínio acelerado dos custos de
maior competitividade. informação e a relativa estabilidade dos custos de transporte. Este contras-
te vem alimentando as tendências simultâneas em direção à globalização
Partindo das premissas, segundo o embaixador Marcos Côrtes, conse- de mercados e à regionalização das estruturas produtivas, que marcaram a
lheiro da ESG, de que “a Segurança de uma Nação é a capacidade efetiva economia mundial no passado recente. Estas tendências por sua vez
que tem de implementar , sem entraves inamovíveis, suas políticas e redefiniram os perfis de inserção internacional das economias domésticas
estratégias; de que o Desenvolvimento de uma Nação é a transformação e as prioridades da agenda multilateral de comércio.
de potencial nacional em poder nacional, empreendida de forma harmônica
e continuada, almejando a plenitude; de que a Soberania é o atributo Os novos padrões de concorrência internacional acentuaram a impor-
essencial da Nação de decidir, com liberdade plena, sobre a busca e a tância da prestação de serviços, da inovação tecnológica e do investimento
manutenção dos seus objetivos; de que a Globalização é o processo direto no exterior, como fontes de sustentação do desempenho exportador
decorrente do conjunto de políticas e estratégias dos CPES que visam a das economias nacionais. Tais padrões reduziram a eficácia dos instru-
ampliar e aprofundar sua capacidade de conduzir o relacionamento inter- mentos convencionais de política comercial, como tarifas, quotas e salva-
nacional, em todos os seus aspectos, para satisfação plena de seus Obje- guardas; ao mesmo tempo em que introduziram novos temas na agenda
tivos Nacionais”, podemos concluir qual o melhor caminho a ser seguido multilateral de comércio, como o uso de regulamentos domésticos para
pelo Brasil, objetivando tornar-se uma potência ascendente. proteger as indústrias da fronteira tecnológica e as práticas anticompetiti-
vas com dimensão internacional.
OS CPES, através da mídia internacional principalmente, começaram
a impor ao mundo as chamadas causas nobres (direitos humanos, direitos Do ponto de vista das economias nacionais, a busca de eficiência pro-
das minorias, justiça social, povos indígenas), bem como as novas ideias dutiva, o estímulo à inovação e a melhoria das condições de inserção
(promoção da justiça social, através da adoção da “tarifa antidumping internacional das empresas domésticas tornaram-se partes complementa-
social”, penalidades comerciais para proteção ambiental -selo verde, res de um desafio comum. Para o governo, isto implica não apenas a
soberania limitada, dever de ingerência, direito de intervenção, interferên- convergência das políticas industrial, tecnológica e de comércio exterior,
cia humanitária, reformulação do papel das Forças Armadas). mas também a coerência de tais políticas com outras ações do governo
nos planos macroeconômico e da regulação das condições de concorrên-
É importante realçar que vários Blocos Econômicos Regionais (BERS) cia nos mercados domésticos.
são dirigidos pelos CPES e que os menores tenderão a ser absorvidos
pelos maiores, bem como que os organismos internacionais são meros Um desafio adicional implícito no cenário contemporâneo reside no fa-
instrumentos auxiliares da política e da estratégia externa dos países to de que a Organização Mundial do Comércio (OMC) não dispõe ainda
atuantes no âmbito internacional e muitas ONGS são empregadas sub- dos instrumentos de regulação necessários para lidar com os padrões de
repticiamente como verdadeiros mecanismos auxiliares de política externa concorrência em vigor. Embora a reunião ministerial de Doha, realizada em
pelos CPES. 0s dados do intercâmbio comercial mostram que nossos novembro de 2001, tenha ratificado o consenso da comunidade internacio-
principais parceiros, em termos de saldo comercial, em US$ milhões, nal quanto à necessidade de fortalecer a OMC, na prática, tal consenso
dados de 2006, são UE (10.248), ALADI (10.075), EUA (9.829) e MERCO- significou apenas que os países membros estão comprometidos a levar
SUL (4.979). Assim, o saldo maior refere-se à América Latina. Analisando- adiante a rodada de negociações, mas não autoriza qualquer previsão
se a pauta de exportações, de importações, o setor agro-industrial e o setor otimista quanto aos resultados deste empreendimento no futuro próximo,
de manufaturados, percebemos que, numa comparação entre as vanta- dada a magnitude dos desafios que a OMC enfrenta atualmente.
gens e desvantagens de maior integração com a ALCA ou a UE, haverá
para o setor agropecuário mais vantagens nas relações com a UE, enquan- Um tema que bem ilustra as presentes limitações da OMC é o de polí-
to será mais vantajoso para o setor industrial a aproximação maior com a tica de concorrência, que passou a desempenhar um papel central no
ALCA. plano internacional, não só para combater cartéis e fiscalizar a conduta das
corporações transnacionais, mas sobretudo para regular conflitos advindos
E para o Brasil? Num mundo globalizado, só terão participação as na- da proteção às indústrias de alta tecnologia. O debate sobre essas ques-
ções soberanas. Para ser soberana, a Nação precisa ser próspera. Para tões na OMC tem sido intenso desde dezembro de 1996, quando foi criado
que o povo brasileiro participe atualmente do processo de globalização é o Grupo de Trabalho sobre a Interação entre Comércio e Política de Con-
preciso que o Brasil seja plenamente soberano. Para tanto, o Brasil precisa corrência. Nos dois anos seguintes, cerca de 170 documentos governa-
ser capaz de defender por seus próprios meios o que deseja, pois , caso mentais foram submetidos ao grupo, cobrindo uma agenda substantiva
não o faça, nenhum organismo internacional defenderá, além de traçar seu que, de fato, foi bem além das relações entre comércio e concorrência. A
próprio rumo, pois, se não o fizer, o terá traçado por outro. Segundo decla- despeito da participação ativa de praticamente todos os membros da OMC
rou, em 2001, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, atual secretário- que dispõem de leis de concorrência, esse debate tem sido limitado por
geral do Itamaraty : ” Está em andamento um processo de desarmamento dois tipos de restrições. Por um lado, qualquer acordo multilateral sobre
econômico e jurídico do Estado brasileiro, que teria como obstáculo as regras de concorrência só terá algum significado na medida em que todos
eleições. Daí a pressa na implementação das amarras fiscal e monetária os membros da OMC, ou pelo menos sua grande maioria, estiverem capa-
expressas não apenas na independência do Banco Central, mas também citados a aplicar aquelas normas em seus respectivos territórios. Por outro
nas agências reguladoras. Se o Brasil aceitar as regras da ALCA será o fim lado, a OMC é uma instituição desenhada para lidar essencialmente com
das políticas adequadas para a Economia”. atos de governos, enquanto que o foco principal da política de concorrência
é a conduta dos agentes econômicos.
Em conclusão, afirmamos que o ideal para o Brasil é procurar incre-
mentar as relações bilaterais com outros países, em especial com os Em suma, não é provável que as principais fragilidades da OMC ve-
demais componentes dos BRIC`s como a China, a Rússia, a Índia, bem nham a ser superadas no futuro próximo. Entretanto, a atuação do Brasil
como ampliar o âmbito do MERCOSUL, convidando os países do Bloco naquele fórum durante os anos 90 demonstrou que mesmo assim – e
Andino, procurando a integração de toda a América do Sul, e não apenas sobretudo após o surto recente de pressões protecionistas nos Estados
do cone sul. Aumentar o intercâmbio com a África do Sul e com os países Unidos – interessa aos países em desenvolvimento promover o sistema
de língua portuguesa do resto do mundo. Aproveitar-se também da exis- multilateral de comércio. Casos como Embraer/Bombardier e a controvér-
tência de colônias expressivas em quantidade e qualidade, como a portu- sia sobre patentes farmacêuticas já se tornaram símbolos de situações em
guesa e a italiana, para alavancar nosso comércio, com transferência de que estratégias negociadoras bem fundamentadas conseguem preservar
tecnologia. Negociar com a UE e com a ALCA sim. Incorporar-se de forma interesses nacionais legítimos. Além de conferir maior credibilidade à OMC
submissa, assumindo o papel de colônia, não. Prof. Marcos Coimbra - e às posições defendidas pelo Brasil nas negociações em curso, esses
Membro do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (CEBRES), casos também se revelaram instrumentais para fomentar o diálogo bilateral

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com diversos parceiros importantes, como Japão, China, Índia, Austrália e  Sul: a maior parte das riquezas provém do setor de serviços,
África do Sul. mas possui também indústria e agropecuária bem desenvolvidas.
Destacam-se as regiões metropolitanas de Curitiba e Porto Alegre.
Além de promover a OMC, outro tópico prioritário da política comercial
brasileira é a reconstrução do MERCOSUL, que tem desempenhado um Vale destacar que no Brasil predomina uma grande desigualdade
papel estratégico na defesa dos interesses brasileiros no plano multilateral, regional; apenas o estado de São Paulo responde por 33,8% do PIB
nas negociações sobre a criação de uma Área de Livre Comércio das brasileiro, e o estado do Rio de Janeiro, por 11,5%. Apenas sete estados
Américas (ALCA), e no diálogo com a União Europeia. O MERCOSUL é do País correspondem a 75,2% do PIB nacional.
importante por razões de geografia econômica: os padrões contemporâ-
neos de competição internacional não constituem anomalias efêmeras, Outra forma ainda de se dividir regionalmente o espaço brasileiro para
mas foram gerados gradualmente ao longo de várias décadas em decor- melhor estudá-lo é aquela que reconhece três grandes complexos regio-
rência da dicotomia acima referida, entre custos de informação e de trans- nais, ou regiões geo-econômicas, no país: a Amazônia, o Nordeste e o
porte. Portanto, a menos que os padrões contemporâneos de competição Centro-Sul. Trata-se de três unidades grandes, onde aparecem inúmeras
venham a ser redefinidos por outra revolução tecnológica, as metas da diversidades locais dentro de cada complexo regional, mas que, apesar
integração regional continuarão a ser prioritárias para o Brasil. disso, possuem características importantes em comum no seu interior. E os
limites de cada complexo regional, como se observa pelo mapa a seguir,
COMÉRCIO EXTERIOR não coincidem totalmente com os limites estaduais.
Os maiores parceiros do Brasil no comércio exterior são a União
Europeia, os Estados Unidos da América, o Mercosul e a República O NORDESTE
Popular da China. O complexo regional do Nordeste vai desde a porção leste do Mara-
nhão até o norte de Minas Gerais, abrangendo pouco menos de 20% do
O Brasil é a 10° maior economia mundial, de acordo com os critérios território nacional. Nessa grande região vivem uns 30% dos habitantes do
de Produto Interno Bruto diretamente convertido a dólares estadunidenses, Brasil, constituindo uma área de repulsão populacional, que desde o final
e está entre as 7 maiores economias mundiais em critérios de "purchasing do século passado vem fornecendo migrantes para as demais regiões. Mas
power parity". Em Outubro de 2007 foi divulgada uma pesquisa da ONU, durante vários séculos (XVI a XVIII) esse complexo regional abrigou a
em que mostra os melhores países para se investir do mundo. O Brasil grande maioria da população do Brasil-colônia e, até 1763, a capital políti-
ficou em 5º lugar, atrás apenas da China, Índia, Estados Unidos e Rússia. co-administrativa na cidade de Salvador.

O primeiro produto que moveu a economia do Brasil foi o açúcar, A ideia que temos hoje sobre o Nordeste, como uma grande região di-
durante o período de colônia, seguindo pelo ouro na região de Minas ferenciada no espaço brasileiro, é recente, datando do final do século XIX e
Gerais. Já independente, um novo ciclo econômico surgiu, agora com o inícios deste. Nos períodos anteriores havia vários “nordestes”, áreas
café. Esse momento foi fundamental para o desenvolvimento do Estado de bastante diferentes, com economias regionais relativamente isoladas umas
São Paulo, que acabou por tornar-se o mais rico do país. das outras: a região açucareira da Zona da Mata, centralizada em Recife e
Olinda; o sertão pecuário, servindo como complemento da Zona da Mata; a
Apesar de ter, ao longo da década de 90, um salto qualitativo na região do Maranhão e arredores, onde durante muito tempo houve até uma
produção de bens agrícolas, alcançando a liderança mundial em diversos administração colonial diferente da do restante do país; e as áreas que
insumos, com reformas comandadas pelo governo federal, a pauta de hoje correspondem ao Ceará e Piauí, que durante séculos de nossa histó-
exportação brasileira foi diversificada, com uma enorme inclusão de bens ria poucas ligações tiveram com as demais áreas que atualmente com-
de alto valor agregado como joias, aviões, automóveis e peças de põem o Nordeste do Brasil.
vestuário.
Foi com o processo de integração nacional, realizado a partir da indus-
Atualmente o país está entre os 20 maiores exportadores do mundo, trialização do país e sua concentração em São Paulo, que o Nordeste
com US$ 160,6 bilhões (em 2007) vendidos entre produtos e serviços a passou a ser encarado como uma grande região com traços em comum e
outros países. individualizada no conjunto do Brasil. Essa industrialização coincidiu com a
decadência econômica das áreas nordestinas e o refluxo demográfico
Em 2004 o Brasil começou a crescer, acompanhando a economia dessa região, que passou a ser fornecedora de mão-de-obra para as
mundial.Isto se deve a uma política econômica adotada pelo estado, ainda demais. O Nordeste, no século XX, passou a ser reconhecido como uma
assim, as taxas de juros e a política tributária é considerada abusiva. No "região-problema", área decadente que necessitava de um planejamento
final de 2004 o PIB cresceu 5,7%, a industria cresceu na faixa de 8% e as governamental para se desenvolver.
exportações superaram todas as expectativas.
Mesmo hoje, quando se reconhece o Nordeste como uma grande regi-
O Brasil é visto pelo mundo como um país com muito potencial assim ão com problemas em comum, ainda se pode perceber que há enormes
como a Índia, Rússia e China. A política externa adotada pelo Brasil disparidades econômicas e naturais entre diversas de suas áreas. As
prioriza a aliança entre países em desenvolvimento para negociar com os principais áreas ou unidades que compõem o complexo regional do Nor-
países ricos. O Brasil, assim como a Argentina e a Venezuela vêm deste brasileiro são:
mantendo o projeto da ALCA em discussão, apesar das pressões dos 1. Meio-Norte ou Nordeste ocidental - Formado pelos Estados do Ma-
EUA. Existem também iniciativas de integração na América do Sul, ranhão e Piauí, é uma área de transição entre a Amazônia e o
cooperação na economia e nas áreas sociais. Nordeste, com índices de pluviosidade elevados na porção oeste,
que diminuem para o leste e para o sul. Expande-se aí a Zona dos
A DIVISÃO INTER-REGIONAL DO TRABALHO E DA PRODUÇÃO Cocais, área de vegetação peculiar com seus babaçuais. E uma
unidade economicamente pobre, com o extrativismo vegetal (ba-
 Centro-Oeste: baseia-se principalmente na agroindústria. baçu) e uma agricultura tradicional de algodão, cana-de-açúcar e
 Nordeste: baseia-se normalmente em indústrias, petróleo e arroz. As cidades, como São Luís, mostram em suas paisagens
agronegócio. Políticas de incentivos fiscais levaram várias arquitetônicas as lembranças de um esplendor econômico passado
indústrias para a região. O turismo é bastante forte. e uma decadência presente.
 Norte: baseia-se principalmente em extrativismo vegetal e 2. Sertão - Área de clima semi-árido que constitui o interior dessa
mineral. Merece destaque também a Zona Franca de Manaus, pólo grande região. É a área conhecida como ''Polígono das Secas'',
industrial. onde aparece a vegetação de caatingas e onde os índices de plu-
viosidade são baixos e irregulares, com a ocorrência periódica de
 Sudeste: possui parque industrial diversificado e sofisticado
secas. Ela abrange a maior parte da área do Nordeste, mas aí vive
com comércio e serviços bem desenvolvidos. Destacam-se as
uma pequena parcela de sua população total, pois seus índices de
regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo
densidades demográficas são os mais baixos.
Horizonte como os principais centros econômicos do Brasil.
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A principal atividade econômica do Sertão é a pecuária, que é extensi- fibra utilizada para fabricar tapetes, bolsas, cordas etc. ). Locali-
va e de corte. Os brejos, locais mais úmidos por estarem em encostas e zam-se ainda, nessa região, algumas cidades que desempenham
vales fluviais, são as principais áreas agrícolas do Sertão, com o cultivo do o papel de capitais regionais, como Campina Grande (PB), Caru-
milho, feijão e cana-de-açúcar. Em algumas áreas, como no Vale do Cariri aru (PE) e Garanhuns (PE).
cearense, cultiva-se o algodão de fibra longa, de altíssima qualidade,
denominado seridó. Nas áreas litorâneas do Ceará e Rio Grande do Norte O CENTRO-SUL
pratica-se a extração do sal, exportado principalmente pelos portos de Abrangendo quase 1/3 do território brasileiro, o complexo regional do
Macau e Areia Branca (RN). A cidade de Fortaleza, de crescimento rápido Centro-Sul estende-se desde a parte sul de Goiás, juntamente com o Mato
e recente e com alguma industrialização, destaca-se como centro diretor Grosso do Sul, até o extremo meridional do Brasil, incluindo, portanto, o
da vida dessa parcela da grande região, sendo receptora de grandes Sudeste. Nessa grande região vivem cerca de 2/3 dos habitantes do país e
contingentes de migrantes oriundos do interior. se concentra a maior parte dos recursos econômicos nacionais represen-
tados por instituições como: indústrias, agropecuária (das mais modernas),
O fato que mais marca o Sertão nordestino, para a imprensa e a opini- bancos, mercado de capitais, comércio, universidades etc. Trata-se assim
ão pública em geral, são suas secas. Elas são conhecidas desde o século da parte do território nacional mais intensamente ocupada pelo homem.
XVI, tendo sido registrado dessa época até 1985 um total de 41 secas,
doze das quais ocorreram no século XX. Algumas duram um ano, outras Dessa forma, o Centro-Sul é a grande região que possui maiores con-
dois ou três, e apenas uma durou seis anos, no século XVIII. Recentemen- trastes internos. As maiores disparidades regionais, os grandes contrastes
te, de 1979 até 1984, ocorreu uma violenta seca, que fora até prevista em são, de fato, obra do homem e não da Natureza. Comparada ao Centro-
meados da década de 1970 por um estudo realizado em São José dos Sul, a Amazônia pode ainda ser considerada bem mais homogênea. No
Campos pelo CTA (Centro Tecnológico da Aeronáutica). O governo fede- Centro-Sul localiza-se a megalópole brasileira, o ''centro econômico'' do
ral, desde a época do Império, vem adotando uma política de combate aos país, mas também se encontram nesse complexo regional áreas pouco
efeitos da seca, tendo por base a construção de açudes para represar os industrializadas e com uma agricultura tradicional.
rios locais, fazer um reservatório de água e tentar tornar perenes os rios
temporários. No Centro-Sul aparecem cinco das nove áreas metropolitanas do Bra-
Em 1909 foi criada a Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS), sil: São Paulo e Rio de Janeiro, as duas metrópoles nacionais; e Belo
mais tarde transformada em DNOCS (Departamento Nacional de Obras Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, três metrópoles regionais. Aí também se
Contra as Secas) e incorporada à Sudene em 1959. localiza Brasília, a capital político-administrativa da nação. O grau de
urbanização dessa enorme região é bem maior que o da Amazônia ou do
Esse combate aos efeitos das secas no Nordeste não resolveu o pro- Nordeste, observando-se também uma rede urbana mais integrada, com
blema, mas beneficiou grandes proprietários de terras, denominados maior densidade de cidades, isto é, maior concentração de cidades, em
“coronéis”, e políticos ligados ao partido no poder. Os açudes, normalmen- relação ao espaço. A divisão territorial do trabalho entre as diversas áreas
te construídos com recursos públicos em grandes propriedades particula- que compõem o Centro-Sul do país é bem desenvolvida, com intensos
res, acabam sendo controlados pelo fazendeiro, que só permite se abaste- fluxos de mercadorias pelo espaço geográfico. As rodovias mais movimen-
cerem nesses locais as pessoas que lhe interessam. E as verbas federais tadas do Brasil aí se localizam, bem como os principais portos e aeropor-
que chegam para combater o efeito das secas são distribuídas para políti- tos.
cos ligados ao partido do poder, que as usam, muitas vezes, em proveito
próprio e para garantir votos. É por esse motivo que se criou a expressão Apesar de existirem inúmeras áreas ou regiões diferenciadas dentro
“indústria da seca”, para referir-se aos interesses econômicos e políticos de do Centro-Sul, e de as transformações aí serem muito grandes, podem-se
grupos que lucram com as secas. Esses grupos procuram divulgar ao reconhecer as seguintes unidades que se individualizam nesse conjunto
máximo a imagem de uma seca exagerada, que exigiria constantes recur- regional (a ordem de numeração dessas regiões ou unidades é aleatória,
sos financeiros do restante do país para ajudar os flagelados. não implicando qualquer classificação em graus de desenvolvimento):
3. A Zona da Mata ou Litoral oriental - Estende-se desde o Rio Gran- 1. A Megalópole ou “centro econômico” do Brasil - Área que abrange a
de do Norte até a Bahia. E uma área de clima tropical úmido, onde, Baixada Santista, onde se localiza o principal porto do país, além
às vezes, em cidades como Recife, são comuns as enchentes. Aí de inúmeras indústrias, como as siderúrgicas, petroquímicas etc. ;
estão concentrados a maioria dos habitantes da grande região a Grande São Paulo, Campinas e Paulínia; a Grande Rio de Janei-
Nordeste, com a ocorrência de elevadas densidades demográficas ro e cidades ao longo da rodovia Presidente Dutra, principal eixo
e cidades populosas. Ela compreende as seguintes subunidades: de ligação entre as duas metrópoles nacionais. Nessa área domina
- A Zona da Mata açucareira - Estende-se do Rio Grande do Norte a atividade industrial, com os estabelecimentos fabris mais moder-
até a parte setentrional da Bahia, onde predominam as grandes nos do país. Mas aí aparece também o ''cinturão verde'' de São
propriedades agrícolas que praticam a monocultura canavieira vol- Paulo (que abastece até o Rio de Janeiro), área hortigranjeira ao
tada para a exportação do açúcar. Os maiores problemas nordes- redor da cidade de Moji das Cruzes. Nessa área localiza-se igual-
tinos estão mais nessa área do que no Sertão: aí domina a pobre- mente uma zona de pecuária leiteira, nos diversos municípios que
za, as cidades são cheias de favelas ou ''mocambos'', a mão-de- compõem o Vale do Paraíba, área ao redor da rodovia Dutra (e do
obra em geral é mal remunerada e boa parte dos trabalhadores ru- rio Paraíba do Sul) que abrange terras dos Estados de São Paulo
rais recebe menos que o salário mínimo. e do Rio de Janeiro.
- O Recôncavo Baiano - Área ao redor de Salvador, onde se extrai 2. Zona da Mata mineira - Na porção sudeste desse Estado, onde se
boa parte do petróleo nacional. Há, aí, uma incipiente industrializa- destaca a cidade de Juiz de Fora. Trata-se de área agrícola e de
ção que vem crescendo desde os anos 70, mas também com idên- pecuária leiteira, que abastece principalmente a Grande Rio de Ja-
ticos problemas de submoradias, pobreza e mão-de-obra com re- neiro, além de Belo Horizonte.
munerações baixíssimas. 3. Quadrilátero Ferrífero - Área vizinha a Belo Horizonte, onde se des-
- O sul da Bahia ou Zona do Cacau - Engloba as cidades de Ilhéus e tacam as cidades de Sabará, Congonhas, Santa Bárbara e Maria-
Itabuna. Nessa área predomina a monocultura cacaueira voltada na, além de Ouro Preto. Trata-se da região que mais produz miné-
para a exportação. O cultivo desse produto é feito de forma som- rio de ferro no Brasil, cuja riqueza mineral se escoa por ferrovia até
breada, já que o cacaueiro é uma planta que se desenvolve bem à o porto de Vitória-Tubarão, no Espírito Santo, de onde é ex-
sombra de árvores de maior porte. portada. Aí se localizam também inúmeras indústrias, notadamente
4. O Agreste - Área de transição entre o Sertão e a Zona da Mata, siderúrgicas.
correspondendo de forma geral ao planalto da Borborema. O que 4. Triângulo Mineiro - Área sudoeste do Estado de Minas Gerais, onde
caracteriza o agreste é o fato de possuir, ao lado de áreas mais sobressaem as cidades de Uberlândia e Uberaba. Essa é uma re-
úmidas na parte leste, outras áreas de clima semi-árido e caatin- gião agrícola e pecuarista, com gado de corte.
gas na parte ocidental. Predominam nessa região as pequenas e 5. Porção sul de Goiás - Áreas vizinhas a Goiânia, Anápolis e Brasília.
médias propriedades e pratica-se uma policultura com o cultivo do É uma região agrícola que se destaca pelo cultivo do arroz e da
algodão, do café e do agave ou sisal (planta da qual se extrai uma soja.

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6. Grande Belo Horizonte - Área de grande dinamicidade industrial, cas, as menores do país. E a economia regional tem por base as ativida-
com empresas automobilística, metalúrgica, têxtil etc. des primárias: a agropecuária, que constitui o setor econômico mais impor-
7. O Sul do país - Área que abrange os três Estados meridionais do tante há duas décadas; o extrativismo vegetal, que foi a atividade básica
Brasil (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e na qual dessa região até umas duas décadas atrás; e a mineração, atividade muito
também pode-se incluir a maior parte do Estado de São Paulo, que promissora devido às grandes reservas minerais ainda pouco exploradas.
possui inúmeras características em comum com esses três Esta-
dos: forte presença de imigrantes e seus descendentes, agropecu- A agricultura possui na juta, na pimenta-do-reino e na malva seus três
ária moderna, grande número de cidades médias com indústrias produtos comerciais mais importantes. A juta e a malva são plantas que
etc. Pode-se mencionar, dentro dessa parte sul do país: produzem fibras utilizadas na indústria têxtil. Elas são cultivadas nas pro-
- A Campanha Gaúcha ou região dos pampas - Área onde apare- ximidades de Belém e Manaus. A pimenta-do-reino, que juntamente com a
cem as cidades de Bagé, Uruguaiana, Santana do Livramento e juta foi introduzida na região pela colonização japonesa, é cultivada em
Santa Maria. E uma região de pecuária moderna, com gado sele- Tomé-Açu (PA) e na Zona Bragantina, área localizada entre Belém e
cionado, e de agricultura com técnicas mais adequadas, destacan- Bragança (PA).
do-se o cultivo de trigo, soja e arroz.
- O Vale do Itajaí - Em Santa Catarina, onde estão as cidades de A pecuária, normalmente extensiva e de corte, teve um grande cresci-
Blumenau e Brusque, além de Joinvile, mais ao norte. É uma área mento a partir de 1970, quando se intensificou o processo de derrubada da
de colonização alemã, onde predominam pequenas e médias pro- floresta para plantações de capim, visando à criação de gado para expor-
priedades agrícolas, que praticam a policultura associada à pecuá- tação de carne. Essas exportações não se desenvolveram tanto quanto era
ria. Localizam-se aí inúmeras indústrias têxteis, alimentícias e ou- esperado mas mesmo assim o capim substituiu a mata em enormes tre-
tras. chos da Amazônia, espalhando-se por grandes propriedades de terras.
- A região serrana do Rio Grande do Sul - É uma área de coloniza- Algumas dessas propriedades, adquiridas por grupos econômicos do
ção italiana e principal centro vinícola do país, cujas videiras são Centro-Sul do país - representados, às vezes, até por empresas multinaci-
cultivadas nas cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi e Caxias do onais -, permanecem até hoje ociosas, à espera de sua valorização futura.
Sul. A criação de búfalos, já tradicional na ilha de Marajó, tem sido melhorada
- O Vale do Ribeira - Na parte sudeste do Estado de São Paulo, ao ultimamente com a utilização de técnicas mais modernas.
redor do rio Ribeira de Iguape. Trata-se da área menos desenvol-
vida desse Estado, praticamente sem indústrias e onde se destaca O extrativismo vegetal, ou coleta florestal, tem na borracha seu pro-
a agricultura, principalmente a banana e a cultura do chá, introdu- duto mais importante - responsável pela fase áurea da Amazônia, entre
zida por imigrantes japoneses. 1870 e 1910, com as grandes exportações da borracha natural, extraída da
- O norte do Paraná - Aí se destacam as cidades de Londrina e Ma- seringueira. Após esse período, a região sofreu um acentuado declínio
ringá, na qual o café foi a grande riqueza até os anos 70 e, com a econômico em razão da diminuição das exportações, ocasionada pela
erradicação desse produto, há atualmente a forte presença de ou- concorrência dos seringais do sudeste asiático. Durante a Segunda Guerra
tros cultivos (algodão, trigo, amendoim, soja etc.). Mundial sobreveio um novo impulso dessa atividade, devido às dificuldades
- O interior de São Paulo - Área que desde os anos 80 vem cres- norte-americanas em buscar esse produto no sudeste da Ásia. Mas a
cendo bem mais que a Capital e seus arredores. Existem aí inúme- euforia durou pouco, e com o fim da guerra a situação se normalizou e as
ras cidades médias com razoável parque industrial e intensa ativi- exportações brasileiras de borracha voltaram a decrescer. Embora pratica-
dade agropecuária (cana-de-açúcar, principalmente, mas também da de forma rudimentar, a extração da borracha ainda é uma atividade
laranja, algodão, uva, figo, milho, tomate, amendoim, café etc.). significativa na região, principalmente no Estado do Acre.
Podem-se mencionar aqui as capitais regionais de Ribeirão Preto,
São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Bauru, Piracicaba, Outros produtos extrativos fornecidos pela floresta e que possuem cer-
Sorocaba e outras. ta importância econômica na Amazônia são a castanha-do-pará e as
- O Vale do Tubarão, em Santa Catarina - Área produtora de carvão madeiras. A castanha é produzida principalmente pelos Estados do Acre e
mineral e que inclui as cidades de Tubarão e Criciúma. Pará, e a extração de madeiras vem se intensificando ultimamente através
8. Outras áreas do Centro-Sul - Existem ainda outras partes dessa re- do desmatamento. Multiplicaram-se as serrarias no sul do Amazonas e do
gião, mais difíceis de serem individualizadas ou que sofrem gran- Pará, em Rondônia e no norte de Goiás e Mato Grosso, a tal ponto que
des transformações na atualidade. Pode-se mencionar: algumas espécies de plantas começam já a escassear.
- O norte do Rio de Janeiro e o Espírito Santo - Constitui a