Você está na página 1de 2

Equações Diferenciais

As palavras diferencial e equação certamente sugerem a solução de algum tipo de


equação que contém derivadas envolvidas. Mas antes de começar a resolver
quaisquer equações desse tipo, deve-se aprender algumas das definições básicas e
terminologia do assunto.

Definição 1. Uma equação contendo as derivadas de uma ou mais variáveis


dependentes, com relação a uma ou mais variáveis independentes, é considerada
uma equação diferencial (ED). Para falar sobre elas, classificaremos as equações
diferenciais pelo tipo, ordem e linearidade. Se uma equação diferencial contém
apenas derivadas comuns de uma ou mais funções em relação a uma única variável
independente, diz-se que é uma equação diferencial ordinária (EDO). Uma equação
envolvendo apenas derivadas parciais de uma ou mais funções de duas ou mais
variáveis independentes é chamada de equação diferencial parcial (EDP). Por
enquanto nossa discussão vai estar centrada nas EDO. Nosso primeiro exemplo
ilustra vários de cada tipo de equação diferencial.

𝒅𝒚 𝒅𝟐 𝒚 𝒅𝒚
Ex. 1: a) As equações 𝒅𝒙
= 𝟏𝟎𝒚 − 𝟏 e 𝒅𝒙𝟐
+ 𝒅𝒙 − 𝟖𝒚 = 𝟎 são exemplos de EDO. b) As
𝝏𝟐 𝒖 𝝏𝟐 𝒖 𝝏𝟐 𝒖 𝝏𝟐 𝒖 𝝏𝒖
equações + 𝝏𝒚𝟐 = 𝟎 e = 𝝏𝒚𝟐 − são exemplos de EDP.
𝝏𝒙𝟐 𝝏𝒙𝟐 𝝏𝒕

𝒅𝒚 𝒅𝟐 𝒚 𝒅𝟑 𝒚
Notação: As derivadas comuns 𝒅𝒙
, 𝒅𝒙𝟐
e 𝒅𝒙𝟑
podem se escrever também usando a

notação de Leibniz (′), como 𝒚′ , 𝒚′′ , 𝒚′′′. Nesta notação, as duas ED no Ex 1 a) podem
ser escritas como: 𝒚′ + 𝟏𝟎𝒚 − 𝟏 = 𝒆−𝟓𝒙 e 𝒚′′ + 𝒚′ − 𝟖𝒚 = 𝟎. Esta notação é usada para
𝒅𝟒 𝒚
denotar apenas as três primeiras derivadas; a quarta derivada, = 𝒚(𝟒) , ou
𝒅𝒙𝟒
𝒅𝒏 𝒚
derivadas de maiores ordens podem se escrever em forma geral como: = 𝒚(𝒏) .
𝒅𝒙𝒏

Classificação por ordem: A ordem de uma equação diferencial (EDO) é a ordem


da maior derivada numa equação.

𝒅𝒚 𝒅𝟐 𝒚 𝒅𝒚 𝟑
Ex. 2: a) 𝒅𝒙
= 𝟑𝒚 ⟶EDO de Primeira ondem b) 𝒅𝒙𝟐 + 𝟑 (𝒅𝒙) − 𝟓𝒚 = 𝒆𝒙 ⟶ EDO de
𝝏𝟒 𝒖 𝝏𝟐 𝒖
segunda ordem, c) 𝟒 𝝏𝒙𝟒
+ 𝟑 𝝏𝒙𝟐 = 𝟎 ⟶ EDO de quarta ordem.

Definição 2. Qualquer função 𝒇, definida em um intervalo 𝑰 e possuindo pelo menos


𝒏 derivadas que são contínuas em 𝑰, que quando substituída em uma equação
diferencial ordinária de ordem enésimo reduz a equação a uma identidade, é
considerada uma solução da equação no intervalo 𝑰. Em outras palavras, uma solução
de uma equação diferencial ordinária de ordem 𝒏 é uma função 𝒇 que possui pelo

menos 𝒏 derivadas e 𝑭 (𝒙, 𝝓(𝒙), 𝝓′(𝒙) … , 𝝓(𝒏) (𝒙)) = 𝟎 para todo 𝒙 em 𝑰. Dizemos que 𝒇
satisfaz a equação diferencial em 𝑰. Para nossos propósitos, também devemos
assumir que a solução 𝒇 é uma função real.

Ex. 3: Verifique se a função 𝒚 = 𝒙𝒆𝒙 indicada é uma solução da ED 𝒚′′ − 𝟐𝒚′ + 𝒚 = 𝟎 no


intervalo (−∞, ∞). Derivando para 𝒚 temos 𝒚′ = 𝒙𝒆𝒙 + 𝒆𝒙 e 𝒚′′ = 𝒙𝒆𝒙 + 𝟐𝒆𝒙 , substituindo
na equação diferencial:

(𝒙𝒆𝒙 + 𝟐𝒆𝒙 ) − 2(𝒙𝒆𝒙 + 𝒆𝒙 ) + 𝒙𝒆𝒙 = 𝒙𝒆𝒙 + 𝟐𝒆𝒙 − 𝟐𝒙𝒆𝒙 − 𝟐𝒆𝒙 + 𝒙𝒆𝒙 = 𝟎

Note, também, que cada ED possui a solução constante 𝒚 = 𝟎, definida em (−∞, ∞).
Uma solução de uma ED que é identicamente zero em um intervalo I é considerada
uma solução trivial e sempre se procura uma solução diferente da solução trivial.

Equações diferenciais de primeira ordem: Solução pelo método de equações


𝒅𝒚
Separáveis. Uma equação diferencial de primeira ordem da forma = 𝒈(𝒙)𝒉(𝒚) é
𝒅𝒙

chamada de separável ou ter variáveis separáveis.

𝒅𝒚 𝒅𝒚
Ex. 4. Das ED a) = 𝒙𝟐 𝒚𝟒 𝒆𝟓𝒙−𝒚 e b) = 𝒚 + 𝒄𝒐𝒔 𝒙. a) é separável mas b) não, note
𝒅𝒙 𝒅𝒙
𝒅𝒚 𝒅𝒚
que na primeira equação podemos fatorar 𝒅𝒙 = 𝒙𝟐 𝒚𝟒 𝒆𝟓𝒙−𝒚 como 𝒅𝒙 = (𝒙𝟐 𝒆𝟓𝒙 )(𝒚𝟒 𝒆−𝒚 ); isto
𝒅𝒚 𝒅𝒚
é 𝒅𝒙
= 𝒈(𝒙)𝒉(𝒚). Assim que se pode escrever 𝒑(𝒚) 𝒅𝒙 = 𝒈(𝒙); onde 𝒑(𝒚) = 𝟏/𝒉(𝒚). Agora
𝒅𝒚
se 𝒚 = 𝝓(𝒙) ⟶ 𝒅𝒚 = 𝝓′(𝒙)𝒅𝒙 é uma solução de 𝒑(𝒚) 𝒅𝒙 = 𝒈(𝒙), então teremos que

𝒑(𝝓(𝒙))𝝓′(𝒙) = 𝒈(𝒙) e por tanto:

∫ 𝒑(𝝓(𝒙))𝝓′(𝒙)𝒅𝒙 = ∫ 𝒈(𝒙)𝒅𝒙 ⟶ ∫ 𝒑(𝒚)𝒅𝒚 = ∫ 𝒈(𝒙)𝒅𝒙

∫ 𝒑(𝒚)𝒅𝒚 = ∫ 𝒈(𝒙)𝒅𝒙

Ou 𝑯(𝒚) = 𝑮(𝒙) + 𝑪 onde 𝑯(𝒚) e 𝑮(𝒚) são as antiderivadas de 𝒑(𝒚) e 𝒈(𝒚).

𝒅𝒚
Ex. 5: Resolver a equação diferencial de primeira ordem 𝒄𝒐𝒔 𝒙(𝒆𝟐𝒚 − 𝒚) 𝒅𝒙 = 𝒆𝒚 𝒔𝒆𝒏 𝟐𝒙 ,

com os valores de contorno 𝒚(𝟎) = 𝟎. Soluão:

𝒅𝒚 (𝒆𝟐𝒚 − 𝒚) 𝒔𝒆𝒏 𝟐𝒙
𝒄𝒐𝒔 𝒙(𝒆𝟐𝒚 − 𝒚) = 𝒆𝒚 𝒔𝒆𝒏 𝟐𝒙 ⟶ 𝒚
𝒅𝒚 = 𝒅𝒙
𝒅𝒙 𝒆 𝒄𝒐𝒔 𝒙

Antes da integração usamos a identidade trigonométrica 𝒔𝒆𝒏 𝟐𝒙 = 𝟐 𝒔𝒆𝒏 𝒙 𝒄𝒐𝒔 𝒙;Então.

∫(𝒆𝒚 − 𝒚𝒆−𝒚 )𝒅𝒚 = ∫ 𝟐 𝒔𝒆𝒏 𝒙 𝒅𝒙

𝒆𝒚 + 𝒚𝒆−𝒚 + 𝒆−𝒚 = −𝟐 𝒄𝒐𝒔 𝒙 + 𝑪

A condição inicial 𝒚 = 𝟎 quando 𝒙 = 𝟎 implica 𝑪 = 𝟒. Assim, uma solução do problema


de valor inicial é: 𝒆𝒚 + 𝒚𝒆−𝒚 + 𝒆−𝒚 = 𝟒 − 𝟐 𝒄𝒐𝒔 𝒙