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As fontes de direito são oriundas da natureza humana, fruto do espírito que reluz na consciência individual,

tornando-se capaz de compreender a personalidade alheia; são a materialização dos princípios e valores
morais de um povo de onde se deduzem princípios imutáveis da Justiça e do Direito Natural. Fontes do
direito são os meios técnicos de realização do direito objetivo podendo ser históricas (como o Digesto, as
Institutas do Direito Romano, as Ordenações do Reino) ou atuais (aquelas que o individuo se reporta para
afirmar o seu direito e o juiz para fundamentar a sentença) estando previstas no Art. 4º da Lei de Introdução
ao Direito Civil que estabelece a hierarquia entre as fontes onde a Lei é a fonte principal, sendo a analogia,
os costumes, a doutrina, a jurisprudência e os princípios gerais do direito as fontes secundárias ou
acessórias.

As Leis são o preceito jurídico escrito, emanadas do legislador e dotadas de caráter geral e obrigatório; são
todas normas gerais de conduta que disciplinam as relações de fato incidentes no Direito e cuja observância
é imposta pelo poder estatal e cuja aplicação respeita a hierarquia das leis de maior grau (Constituição
Federal, Leis Complementares e Leis Ordinárias) sobre as de menor grau (Decretos, Portarias e demais Atos
Administrativos).

Analogia é instrumento técnico ou método de interpretação utilizada com a finalidade de integração da lei,
ou seja, a aplicação de dispositivos legais relativos a casos análogos, ante a ausência de normas que regulem
o caso concretamente apresentado à apreciação jurisdicional.

O costume no direito é considerado uma norma aceita como obrigatória pela consciência do povo, sem que o
Poder Público a tenha estabelecido.

Doutrina é o conjunto de indagações, pesquisas e pareceres dos cientistas do Direito, é a análise filosófico-
científica dos conceitos e da aplicação da lei que acaba por contribuir para a evolução do direito.

A jurisprudência, em sentido amplo, significa a decisão ou o conjunto de decisões judiciais, e em sentido


estrito, significa o entendimento ou diretiva resultante de decisões reiteradas, constantes e pacíficas do Poder
Judiciário sobre determinado assunto. A jurisprudência não precisa ser sumulada para ser fonte. Não pode
ser confundida com a orientação jurisprudencial, que é qualquer decisão do Poder Judiciário que esclareça a
norma legal. Corresponde a uma série de acórdãos dos tribunais sobre a interpretação do mesmo preceito
jurídico e sua aplicação em face de casos análogos.

Os princípios gerais do direito consagram as verdades filosóficas perenes; são orientações normativas
integrantes da lei que ajudam a expansão lógica do direito; são postulados que se encontram implícita ou
explicitamente no sistema jurídico, compondo um conjunto de regras, constituindo-se na última salvaguarda
do intérprete, pois este precisa se socorrer deles para integrar o fato ao sistema; são a ratio iuris. Podem
não estar previstos no texto legal, todavia, todos são positivados, na medida em que possuem vigência
sociológica. Encontram-se no Artigo 5º da Constituição Federal, inseridos dentro do título dos direitos
e garantias fundamentais pela sua importância no ordenamento jurídico. Temos, por exemplo, o
princípio do respeito aos direitos adquiridos, o princípio proibitivo do enriquecimento ilícito, o princípio da
igualdade perante a lei, o princípio que veta às autoridades administrativas abusarem de seus poderes.

Assim, sendo o ordenamento jurídico composto por previsões distintas que ora qualificam valores, ora
qualificam condutas, os princípios e as regras não possuem fronteiras rígidas ou estanques, considerando-se
que o objeto do Direito é único e indivisível, pois toda regra deve contemplar um princípio e esse deve
conter certo grau de regramento e força normativa, conforme evolução histórica considerada. Na atualidade,
fala-se em Justiça principiológica ou em direito principiológico, presente nos julgamentos diários das
nossas cortes onde se torna mais frequente a invocação de um ou mais de um princípio em praticamente
todos os julgamentos. Assim, os princípios existem, são normas jurídicas cogentes de realidade
incontestável e, como proclama a melhor doutrina, critérios que orientam as decisões, não sendo meras
orientações políticas, mandamentos morais ou preceitos éticos, uma vez que o Brasil, ao adotar a
Constituição de 1988, se comprometeu em reger-se sob as normas do Estado Social de Direito.