Você está na página 1de 11

Educação Unisinos

19(1):77-87, janeiro/abril 2015


© 2015 by Unisinos - doi: 10.4013/edu.2015.191.07

Constituição de um ethos de formação


no Pibid/Unisinos: processos de
subjetivação na iniciação à docência

Constitution of an education ethos in Pibid/Unisinos:


Subjectivation processes in initial teacher training

Maria Cláudia Dal’Igna


mcigna@unisinos.br

Elí Henn Fabris


efabris@unisinos.br

Resumo: Este artigo apresenta parte dos resultados de duas pesquisas que têm como
objetivo descrever e analisar possíveis efeitos do programa de formação inicial de professores
Pibid, o qual visa promover a inserção de estudantes de licenciatura no contexto das escolas
públicas, contribuindo para o aperfeiçoamento de sua formação. Apoiando-se em dois campos
teóricos – Estudos Foucaultianos e Estudos em Docência –, o presente artigo examina como
se constitui o que nomeamos de ethos de formação: certo modo de ser e de agir resultante
de processos pelos quais cada um aprende a ver a si mesmo, a refletir sobre suas próprias
ações, a operar transformações sobre si mesmo. Os resultados mostram que esse programa de
formação inicial está implicado na fabricação de determinadas subjetividades, na medida em
que regula as relações de estudantes de licenciatura consigo mesmos, produzindo um modo
de viver o processo de formação. Ao mesmo tempo, esse ethos de formação cria condições
para o desenvolvimento de uma formação voltada para o cuidado de si mesmo e do outro,
possibilitando novas formas de produção de si e de relações com os outros.

Palavras-chave: formação de professores, iniciação à docência, subjetivação, ethos de


formação.

Abstract: This paper presents part of the results of two researches that aim at describing
and analyzing possible effects of Pibid, an initial teacher training program intended to promote
the insertion of teaching students in the context of public schools, thus contributing to the
improvement of their education. With the support of two theoretical fields – Foucauldian Studies
and Teacher Studies –, the paper investigates how what we have called education ethos has
been constituted: a certain way of being and acting as a result of processes by which one learns
to see oneself, reflect on one’s own actions and operate changes on oneself. The results have
shown that this initial training program is involved in the production of certain subjectivities,
as it regulates the relationships of teaching students with themselves by producing a way of
experiencing the education process. At the same time, this education ethos gives conditions
for the development of teacher education directed to one’s and the other’s care by enabling
new forms of production of the self and relationships with the others.

Keywords: teacher education, initial teaching experience, subjectivation, education ethos.


Maria Cláudia Dal’Igna, Elí Henn Fabris

A escrita constitui uma etapa -romana, Foucault procurou exami- mais especificamente, à formação
essencial no processo para o qual nar as condições de emergência e o inicial. Na segunda, descrevemos
tende toda a askêsis: ou seja, a funcionamento de códigos e prescri- e analisamos o processo de forma-
elaboração dos discursos recebidos
ções que constituem as práticas e são ção realizado pelo Pibid/Unisinos,
e reconhecidos como verdadeiros
em princípios racionais de ação. por elas constituídos. Práticas que ressaltando como a crítica radical
Como elemento de treinamento de permitem que cada um se relacione funcionou como um princípio de
si, a escrita tem, para utilizar uma consigo mesmo, efetuando por conta transformação e como condição
expressão que se encontra em Plu- própria uma série de operações sobre de possibilidade para a construção
tarco, uma função etopoiéitica: ela o seu corpo e a sua alma. Práticas a de um ethos de formação, chaman-
é operadora da transformação da partir das quais se constitui e emerge do de ethos de formação: certo
verdade em êthos (Foucault, 2010a,
a subjetividade. modo de ser e de agir, resultado
p. 147).
A escrita de si é uma condição de processos pelos quais cada um
para o cuidado de si, para uma ética aprende a ver a si mesmo, a refletir
Podemos dizer, de forma geral
e esquemática, que a produção de de si mesmo, uma transformação sobre suas próprias ações, a operar
Michel Foucault a partir do final dos discursos recebidos e reconhe- transformações sobre si mesmo,
dos anos 1970 e início dos anos cidos como verdadeiros em modos este processo amplia-se e cria uma
1980 está marcada pela investigação de agir e de ser. Partindo dessa cultura de pertencimento 4, uma
sobre como se estabelece a relação compreensão, estabelecemos uma “morada”, uma comunidade parti-
de cada um consigo mesmo. relação com a prática e a pesquisa lhada. Na terceira, tentamos mostrar
Dentre os cursos, os livros, as educacionais. as relações que os sujeitos que
conferências e as entrevistas publi- Pretendemos, com este artigo, participam do Pibid conseguem es-
cados nesse período, escolhemos analisar um programa de formação tabelecer consigo e com os outros,
um trecho do texto “A escrita de si”, inicial de professores 1 que está possibilitando entendê-lo como um
publicado em 1983, para destacar implicado na fabricação de determi- ethos de formação. Com essa pre-
como epígrafe deste artigo. Como nadas subjetividades. De modo mais tensão, examinamos algumas práti-
diz Foucault (2010a, p. 144), o texto específico, a partir de resultados de cas de si narradas por estudantes de
faz “parte de uma série de estudos duas pesquisas2, procuramos mostrar licenciatura que integram o Pibid,
sobre ‘as artes de si mesmo’, ou seja, como se constitui o que nomeamos chamados pibidianos5, as quais têm
sobre a estética da existência e o de “ethos de formação”3. permitido que cada um se relacione
domínio de si e dos outros na cultura Para isso, organizamos o tex- consigo mesmo durante seu proces-
greco-romana”. A série de estudos to em três partes. Na primeira, so de formação, efetuando por conta
referida pelo autor transformou-se, apresentamos a emergência do própria operações sobre si mesmo,
nos anos seguintes, na publicação Pibid/Capes como um programa modificando seus modos de agir e
do segundo e do terceiro volumes da estratégico que mobiliza um con- de ser, além de relacionar-se com os
História da sexualidade. Ao traçar junto de políticas educacionais, outros, o que possibilita que as prá-
uma genealogia da ética, estudando especialmente aquelas que se refe- ticas de si sejam atravessadas pela
a sexualidade na Antiguidade greco- rem à formação de professores e, cultura que circula naquele espaço.

1
Trata-se do Pibid/Unisinos – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), desenvolvido pela Universidade do Vale do Rio dos
Sinos (Unisinos) em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
2
Nossas reflexões partem de nossa atuação no Pibid/Unisinos – uma como coordenadora institucional, outra como coordenadora de gestão de
processos educacionais –, de nossa inserção na linha de pesquisa Formação de professores, currículo e práticas pedagógicas e no Grupo de Estudo e
Pesquisa em Inclusão (Gepi/Unisinos/CNPq). Além disso, este artigo apresenta parte dos resultados de duas pesquisas, intituladas, respectivamente,
“A relação universidade e educação básica na produção da docência contemporânea” (Fabris, 2011) e “Pibid/Capes: impactos de uma política de
formação inicial na construção da identidade profissional da pedagoga” (Dal’Igna, 2013). A primeira pesquisa contou com recursos das agências de
fomento CNPq – Edital Universal nº 14/2012 – e CAPES – bolsa de pós-doutoramento – Edital nº 38/2013. A segunda pesquisa contou com recursos
da agência de fomento CNPq – Edital Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas nº 43/2013.
3
Assumimos a grafia ethos, embora em alguns momentos o próprio autor que fundamenta parte desta discussão, Michel Foucault, tenha utilizado
êthos. Para os objetivos deste texto, consideramos que a forma ethos seria mais apropriada para os nossos argumentos. Desse modo, justificamos
a escolha pelo termo na segunda parte do artigo.
4
Com base na discussão desenvolvida por Kathryn Woodward (2012, p. 42), utilizamos o conceito de cultura como um sistema partilhado de
78 significação. “Cada cultura tem suas próprias e distintivas formas de classificar o mundo. É pela construção de sistemas classificatórios que a cultura
nos propicia os meios pelos quais podemos dar sentido ao mundo social e construir significados. Há, entre os membros de uma sociedade, um certo
grau de consenso sobre como classificar as coisas a fim de manter alguma ordem social. Esses sistemas partilhados de significação são, na verdade,
o que se entende por ‘cultura’”.
5
Nomenclatura utilizada pelos/as alunos/as bolsistas de iniciação à docência para fazer referência a uma identidade construída no âmbito do Pibid.

Educação Unisinos
Constituição de um ethos de formação no Pibid/Unisinos: processos de subjetivação na iniciação à docência

O Pibid no âmbito das profissional em que os professores ção inicial. Como mencionam Gatti,
políticas de formação atuarão (ou atuam). Barretto e André (2011), o sistema
inicial: das problemáticas Na pesquisa chamada A atrativi- formativo dos docentes no Brasil,
ao programa de iniciação dade da carreira docente no Brasil nos últimos anos,
(Gatti et al., 2010b), foram entre-
à docência
vistados mais de 1.500 estudantes [...] volta-se mais à expansão da ofer-
concluintes do Ensino Médio para ta dos cursos no formato existente,
Por que a formação inicial de especialmente à distância, sem críti-
professores, os planos de carreira, analisar as suas percepções a res-
ca e busca de alternativas formativas
as condições de trabalho e a valo- peito da carreira docente. Segundo
que melhor qualifiquem a formação
rização desses profissionais, entre a pesquisa, os jovens reconhecem inicial dos professores da educação
outros aspectos, ainda são desafios a importância da profissão e res- básica na direção de uma profissio-
para as políticas educacionais no saltam sua admiração pela função nalização mais eficaz, mais coerente
Brasil? Hoje, estudos e pesquisas desempenhada pelo professor, mas com as necessidades dos educandos
poucos consideram a docência e as demandas sociais do país. Não
têm mostrado que a mudança edu- basta titular professores em nível
uma opção profissional. Os baixos
cacional depende prioritariamente superior, é necessário e importante
salários, as péssimas condições de
dos professores e de sua formação. que a essa titulação corresponda
trabalho e a desvalorização social
Mas por que a formação está longe à formação de características de
são as principais justificativas profissionalidade consistentes com
de responder aos desafios impostos
apontadas pelos jovens para não o exigido, para o bom desempenho
pelo campo de atuação na sociedade
cursar uma licenciatura e rejeitar a em seu trabalho. Pelos dados cur-
contemporânea? O desenvolvimen-
carreira docente. riculares disponíveis sobre esses
to de algumas pesquisas sobre a cursos, estamos longe de uma polí-
A pesquisa realizada pelo Ins-
formação de professores no Brasil, tica de melhor qualificação real dos
tituto Paulo Montenegro (2010)
a profissão docente e a qualidade professores da educação básica. As
realizou 600 entrevistas com pro-
do ensino tem sido importante para normatizações existentes não estão
fessores da educação básica da rede sendo suficientes para garantir mi-
que possamos compreender melhor
pública das principais capitais do nimamente essa qualificação no que
essa situação.
país, com idades entre 25 e 55 anos se refere à formação inicial (Gatti et
Em 2008, foi realizada uma e formados há pelo menos um ano, al., 2011, p. 101-102, grifos nossos).
pesquisa intitulada Formação de para entender o que pensam sobre
professores para o Ensino Funda- a educação e como avaliam seu Neste momento, é importante
mental: instituições formadoras e nível de satisfação com a profissão fazer uma ressalva. Entendemos
seus currículos (Gatti et al., 2010a), docente. Os dados mostram certa que a qualificação da educação
a qual examinou os currículos dos insatisfação do professor com a básica passa necessariamente pela
cursos presenciais de Licenciatura situação de sua profissão e revelam qualificação de formação inicial,
em Ciências Biológicas, Língua Por- ainda uma contradição na forma de mas não pode estar restrita a ela.
tuguesa, Matemática e Pedagogia. lidar com sua formação: a maioria É preciso refletir sobre a situação
O objetivo foi obter um retrato da dos docentes brasileiros considera do professor no país, seus desejos e
proposta formativa nas instituições ter uma boa formação inicial, mas possibilidades pessoais, bem como
de Ensino Superior (IES). Os resul- afirma não ter preparo para atuar sobre a desmotivação que a maioria
tados indicam a existência de muitos em sala de aula, questionando a dos docentes apresenta em relação à
problemas na formação inicial ofe- eficácia de cursos de licenciatura. sua profissão e aos distintos planos
recida pelas instituições. A análise Há, segundo eles, uma dissociação de carreira. Também é necessário
dos currículos mostrou que os cursos entre as propostas formativas ofer- analisar a perda de prestígio social
apresentam um conjunto disperso de tadas pelas IES e as necessidades da profissão docente e o sentimento
disciplinas. A abordagem é genérica das instituições escolares. de desvalorização daí decorrente.
e superficial e ainda mantém a dico- As conclusões dessas pesquisas Por fim, é importante considerar que
tomia entre teoria e prática – não tem permitem-nos refletir sobre os a valorização da profissão também
como prioridade o “que” e “como” cenários da carreira docente e dos depende de um investimento do po-
ensinar, ou seja, poucas disciplinas cursos de formação inicial no con- der público na qualificação da escola
dos cursos referem-se aos conteúdos texto brasileiro. Fica evidente que, como um espaço de formação e de 79
de sala de aula. Por fim, parece haver para qualificar a educação básica, é pertencimento tanto para docentes
pouca articulação com o contexto preciso investir nos cursos de forma- quanto para estudantes.

volume 19, número 1, janeiro • abril 2015


Maria Cláudia Dal’Igna, Elí Henn Fabris

Mesmo concordando que uma como objetivo “fomentar a iniciação manda de Formação de Profissionais
conjunção de fatores deve ser con- à docência de estudantes das institui- do Magistério da Educação Pública
siderada para a qualificação da ções federais de educação superior do Rio Grande do Sul, em informa-
educação básica no Brasil, pensamos e preparar a formação de docentes ções apresentadas no Educacenso
ser importante chamar atenção para em nível superior, em cursos de e em estudos sobre a formação de
a questão específica da formação licenciatura presencial plena, para professores.
inicial, o que envolve refletir dire- atuar na educação básica pública” Com base nesses documentos, o
tamente sobre a formação inicial (Brasil, 2007, p. 1). Projeto Institucional Pibid/Unisinos
desenvolvida nas IES, em especial Esse primeiro edital contemplava formulou seus princípios pedagógicos:
as universidades. Trataremos das somente instituições federais. Em d esenvolvimento da atitude
questões relativas à formação inicial 2009, outro edital foi lançado e, além investigativa em todas as ações
a partir das experiências vividas no das federais, puderam participar as pedagógicas;
contexto do Programa Institucional instituições estaduais. Já em 2010, estímulo à corresponsabilização
de Bolsa de Iniciação à Docên- por meio do lançamento de mais um entre universidade e escola de
cia (Pibid). Antes disso, é preciso edital, foram contempladas também educação básica na formação
apresentá-lo. as instituições municipais e comu- docente;
O Pibid foi criado no contexto dos nitárias (instituições filantrópicas, superação da dicotomia teoria-
cenários descritos brevemente pelas confessionais e comunitárias, sem -prática nas ações pedagógicas;
pesquisas e sob essas condições de fins lucrativos). formação para o exercício do
possibilidade. A criação desse pro- Desse modo, em 2010, por meio magistério com ênfase no ensi-
grama de iniciação à docência está do Edital CAPES nº 018/2010, a no de qualidade.
relacionada às novas atribuições da Universidade do Vale do Rio dos E seus princípios metodológicos:
Coordenadoria de Aperfeiçoamento Sinos (Unisinos) submeteu sua pro- uso do ensino-pesquisa como
de Pessoal de Nível Superior (Ca- posta, contendo projetos de iniciação ferramenta metodológica;
pes)6. Entre as atribuições, cabe à à docência, e obteve aprovação. produção de material específico
Capes, em parceria com o Ministério O projeto institucional intitulado para a atuação pedagógica, no
da Educação e as IES, fomentar a Pibid/Unisinos: universidade e âmbito de cada subprojeto;
formação inicial e continuada dos escola na qualificação da docência ênfase em práticas pedagógicas
profissionais do magistério da edu- na educação básica entrou em vigor participativas, democráticas e
cação básica nos diferentes níveis. na referida instituição a partir de justas;
Pode-se dizer que o Pibid é uma agosto de 2010. Tal projeto contem- elaboração de planejamento para
das possibilidades de colocar em plava cinco cursos de licenciatura7: todas as ações pedagógicas;
ação essa atribuição. Entre os seus Ciências Biológicas, Física, Letras/ c riação de metodologias es-
objetivos, estão: incentivar a carreira Português, Matemática e Pedagogia. pecíficas, considerando as es-
do magistério; garantir a qualidade Para a construção do Projeto pecificidades dos sujeitos, as
da formação inicial de professores Institucional do Pibid/Unisinos condições das escolas e a área
nos cursos de licenciatura; elevar (Unisinos, 2010), foram conside- do conhecimento;
o padrão de qualidade da educação rados os critérios estabelecidos no uso de diferentes instrumentos
básica para a melhoria do Índice Edital CAPES nº 018/2010 e os de diagnóstico da realidade:
de Desenvolvimento da Educação documentos orientadores da Capes. entrevistas, observações, rela-
Básica (Ideb). Além desses subsídios, o projeto tórios, etc.;
A primeira Chamada Pública, institucional apoiou-se nos Projetos uso de diferentes instrumentos
lançada em 2007, operacionalizou o Político-Pedagógicos dos cursos de de registro de dados: questio-
Pibid como ação conjunta do Minis- licenciatura envolvidos no primeiro nários, diários de campo, gra-
tério da Educação e da Capes, tendo edital, no Plano Estratégico para De- vações de áudios e de vídeos.

6
Em 2007, a partir da Lei nº 11.502/2007, homologada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cria-se a chamada “Nova Capes”, que, além
de coordenar o alto padrão do Sistema Nacional de Pós-Graduação, também passa a fomentar a formação inicial e continuada de professores para
a educação básica. Tal atribuição é consolidada pelo Decreto nº 6.755, de 29 de janeiro de 2009, que instituiu a Política Nacional de Formação de
80 Profissionais do Magistério da Educação Básica. Para maior detalhamento, ver site da Capes, tópico “Sobre a Capes/histórico e missão”, em: http://
capes.gov.br/sobre-a-capes/historia-e-missao.
7
Atualmente, está em vigor o Edital nº 61/2013. Com isso, estão contempladas as nove licenciaturas ofertadas pela universidade, com 12 projetos
de iniciação à docência sendo desenvolvidos nas seguintes áreas: Ciências Biológicas, Ciências Sociais, Educação Física, Filosofia, Física, História,
Interdisciplinar/Educação Inclusiva, Letras/Espanhol, Letras/Inglês, Letras/Português, Matemática e Pedagogia.

Educação Unisinos
Constituição de um ethos de formação no Pibid/Unisinos: processos de subjetivação na iniciação à docência

A seguir, concentramo-nos em também de agir e de se conduzir que,


arte: e é a partir do horizonte da
mostrar os movimentos desenvol- tudo ao mesmo tempo, marca uma arte que se determina, no mais das
vidos até chegarmos à definição do pertinência e se apresenta como uma vezes, Bildung. Sobretudo, a pala-
que entendemos no Pibid/Unisinos tarefa” (Foucault, 2008, p. 342). vra alemã tem uma forte conotação
como “ethos de formação”. Examinando a relação entre ética pedagógica e designa a formação
e existência que acompanha a obra como processo. Por exemplo, os
A constituição de um do autor, Hermann (2008) explica anos de juventude de Wilhelm
ethos de formação que esse ethos não pode ser com- Meister, no romance de Goethe, são
seus Lehrjahre, seus anos de apren-
preendido como obediência restrita
dizado, onde ele aprende somente
Desde os primeiros momentos às regras, e sim como uma busca da uma coisa, sem dúvida decisiva:
da implantação do Pibid/Unisinos, estética da existência. Ainda confor- aprende a formar-se (sich bilden).
tivemos como desafio criar um me a autora, podemos dizer que “[...]
processo de formação próprio em uma educação ético-estética se cons- Na atualidade, tempo de cresci-
que estudantes de licenciatura, titui pelo reconhecimento da tensão mento e de ampliação de políticas
professores da educação básica e entre o eu singular e o nós (ethos neoliberais, o conceito de formação
professores universitários pudessem comum)” (Hermann, 2008, p. 19). tem sido cada vez mais atrelado ao
construir uma formação voltada Para ampliar nosso argumento, processo pelo qual se pode atingir
para o cuidado de si mesmo e do apresentamos um conceito de for- um conjunto de competências, um
outro, possibilitando novas formas mação que julgamos importante para processo pautado por rankings, um
de produção de si e de relações com compor essa definição do ethos de processo que forma sujeitos capazes
os outros – o que estamos chamando formação, o que temos entendido de empreender e de se tornar empre-
de “ethos de formação”. por formação. endedores de si mesmos.
Por ethos, entendemos certo O termo Bildung significa, ge- Com isso, observamos um declí-
modo de ser e de agir. Etimologi- nericamente, cultura e remete ao nio do conceito de formação como
camente, a palavra grega ethos é processo de aprender a formar-se, Bildung e uma ascensão do conceito
polissêmica, podendo significar um tomado como cultivo integral do hu- de formação como um posicio-
conjunto de hábitos – ethos-hábito mano, uma formação que é compos- namento estratégico de mercado.
– e de valores, ideias ou crenças, ta pelo exercício da transformação O que pretendemos mostrar é que
característicos de uma determinada de si. A explicação de Suarez (2005) esse conceito produz “formações
cultura – ethos-costume. É importan- ajuda-nos a tecer o argumento que aceleradas”, que podem ser com-
te referir que os gregos designavam queremos sustentar. A autora cita um pradas em pacotes e subsidiadas em
o hábito usando, ainda, a expressão artigo de Antoine Berman sobre a suaves prestações.
hexis, que denota um padrão de Bildung onde o conceito é analisado Na esteira desses significados, o
comportamento regular apresentado em uma dimensão pedagógica e de ethos de formação pode constituir-
por aquele que tem certo domínio forma articulada com a arte. Citan- -se como outra via de formação. Ao
de si. As palavras hábito e costume do Berman (1984), Suarez (2005, mesmo tempo, esse ethos envolve
também estão relacionadas com o p. 193) explica que: uma escolha e um pertencimento,
termo práxis, que descreve uma ação mas também uma atitude crítica, a
habitual, um costume, o ato de agir. A palavra alemã Bildung significa, qual pode funcionar como princípio
Na língua portuguesa, utilizamos a genericamente, “cultura” e pode ser
de transformação. Por isso Foucault
expressão prática para designar um considerada o duplo germânico da
aproxima ontologia e ethos, procu-
conjunto de ações aprendidas que, palavra Kultur, de origem latina.
Porém, Bildung remete a vários rando ressaltar a ontologia como
em geral, são automatizadas e se atitude, como ação, como prática.
outros registros, em virtude, antes
tornam habituais. de tudo, de seu riquíssimo campo Como explica o autor,
Em 1984, ao examinar um texto semântico: Bild, imagem, Einbil-
de Kant, Foucault descreve a Moder- dungskraft, imaginação, Ausbildung, Muitas coisas em nossa experiência
nidade como uma atitude ou, ainda, desenvolvimento, Bildsamkeit, fle- nos convencem de que o aconteci-
como um ethos, no sentido grego do xibilidade ou plasticidade, Vorbild, mento histórico da Aufklärung não
termo, ou seja, um modo de ser do modelo, Nachbild, cópia, e Urbild, nos tornou maiores; e que nós não o
sujeito. Essa atitude ou ethos carac- arquétipo. Utilizamos Bildung para somos ainda. Entretanto, parece-me 81
falar no grau de “formação” de um que se pode dar um sentido a esta
teriza-se como “[...] uma maneira
indivíduo, um povo, uma língua, uma interrogação crítica sobre o presente
de pensar e de sentir, uma maneira

volume 19, número 1, janeiro • abril 2015


Maria Cláudia Dal’Igna, Elí Henn Fabris

sentido, buscávamos ampliar esse criando espaços para que o Pibid


e sobre nós mesmos formulada por
Kant ao refletir sobre a Aufklärung. ethos de formação pelo princípio da seja assumido como um programa
Parece-me que esta é, inclusive, uma institucionalização, o qual pressu- de formação inicial por todas as
maneira de filosofar [...]. É preciso põe o comprometimento de quem licenciaturas e setores que trabalham
considerar a ontologia crítica de nós participa. Esse é um movimento que com os professores dos cursos de
mesmos não certamente como uma pode dar-se muito lentamente em al- graduação, pela universidade, pelas
teoria, uma doutrina, nem mesmo gumas instituições e de forma muito escolas e pelos órgãos municipais e
um corpo permanente de saber que específica nas instituições privadas. estaduais de educação.
se acumula; é preciso concebê-la
Em tais instituições, é preciso inves- Ressaltamos, ainda, o processo de
como uma atitude, um êthos, uma
via filosófica em que a crítica do que
tir em uma organização estrutural, a institucionalização da formação dos
nós somos é simultaneamente análise qual não é subsidiada pelo programa, nossos estudantes de licenciatura.
histórica dos limites que nos são co- pois é considerada contrapartida Elaboramos um projeto de forma-
locados e prova de sua ultrapassagem da instituição proponente. Outra ção que envolve encontros mensais
possível (Foucault, 2008, p. 351). questão que precisa ser avaliada são com todos os participantes do Pibid;
as horas para atuação no Pibid de esses encontros são desdobrados e
Assim, a participação no Pibid/ profissionais que já cumprem 40 ho- multiplicados em encontros com
Unisinos é condição necessária, mas ras na instituição (tanto nas escolas os coordenadores de área e seus
não suficiente, para garantir que os quanto nas universidades). Por fim, supervisores e com os próprios
estudantes de licenciatura estabele- a própria articulação entre órgãos e estudantes. Nos encontros, a coor-
çam uma relação com essa cultura setores precisa ser construída. Con- denação institucional, junto com
de formação e sejam por ela trans- sideramos que, ao aceitar o Pibid os coordenadores de área, procura
formados. É preciso disposição e como um programa da instituição, criar condições para o exercício da
comprometimento de cada um com o ele pode e deve funcionar como crítica permanente das práticas de
seu processo formativo; é preciso ser aglutinador das ações de formação iniciação à docência desenvolvidas9.
capaz de fazer a crítica de si mesmo entre as licenciaturas e a equipe de Como não pretendemos construir
para transformar-se e transformar o formação da instituição, pois a for- um modelo único de formação,
próprio processo. mação dos professores universitários formulamos princípios pedagógicos
Por outro lado, entendemos que das licenciaturas também pode ser e metodológicos, já referidos, que
esse ethos não pode estar circuns- potencializada por esse ethos de orientam cada subprojeto e que são
crito às relações que se estabelecem formação. desdobrados de diferentes formas
no grupo do Pibid/Unisinos. É Considerando tais questões, o em cada um.
preciso fazer com que ele seja assu- Pibid/Unisinos realizou muitas Além disso, temos sistematizado
mido pelas instituições formadoras reuniões com os gestores das licen- no Pibid/Unisinos alguns desafios
(universidade, escolas, secretarias ciaturas e da Unidade Acadêmica que devemos enfrentar se desejamos
de educação e Capes). Com essa de Graduação. Também investiu em que a crítica radical continue a nos
compreensão, desde as primeiras reuniões com gestores das secreta- indicar o que é preciso pensar e fa-
reuniões, enfatizamos que o progra- rias municipais e coordenadorias zer para que esse ethos de formação
ma não poderia ser personalizado estaduais. A partir dessa relação mais seja produzido em cada instituição.
ou territorializado. Ele precisava intensa e articulada, conseguimos A seguir, anunciamos esses desafios:
ser entendido como um programa organizar um evento nacional8 do f ortalecer a parceria com a
da Capes, das IES, das escolas e Pibid e das licenciaturas. Secretaria Municipal de Edu-
de todos os envolvidos. O progra- Acreditamos que a coordenação cação e com a Coordenadoria
ma precisava alcançar todos esses institucional, a cada dia, a cada Estadual de Educação;
sujeitos e também as secretarias semestre, precisa desenvolver um fortalecer a relação entre curso
municipais e coordenadorias. Nesse trabalho de articulação política, de licenciatura e práticas de

8
Trata-se do evento: I Encontro Nacional do Pibid/Unisinos e I Encontro das licenciaturas Unisinos, ocorrido em 22 e 23 de março de 2012. Ver
e-book produzido no seguinte endereço: http://anais.unisinos.br/pibid/I_PIBID.exe.
82 9
Em outro texto, examinamos o conceito de iniciação à docência. No âmbito do programa, criamos um conceito: “práticas desenvolvidas por Instituições
de Educação Superior (IES) em parceria com escolas de educação básica da rede pública de ensino, durante a formação inicial do/a licenciando/a,
com o objetivo de iniciá-lo/a na profissão docente, aproximando-o/a do cotidiano escolar para conhecer, problematizar, planejar, executar e avaliar
ações pedagógicas. As práticas de iniciação à docência são desenvolvidas sempre em conjunto com um/a professor/a regente e orientadas pelo/a
professor/a supervisor/a e pelo/a professor/a coordenador/a de área do Pibid” (Dal’Igna e Fabris, 2013, p. 9).

Educação Unisinos
Constituição de um ethos de formação no Pibid/Unisinos: processos de subjetivação na iniciação à docência

iniciação desenvolvidas nas Pibid, um espaço de querem desenvolver parcerias com a


escolas; transformação de si gente, ou a escola tem um evento, por
tornar o espaço da sala de aula e do outro10 exemplo, para promover, pede ajuda
universitária, das diferentes para o Pibid. Por quê? Em primeiro
licenciaturas, um espaço de re- lugar, porque nós somos o sangue
flexão das experiências vividas a) O pibidiano e a relação novo na escola, porque nós temos
nas escolas pelos/as alunos/as consigo mesmo o pique, pelas nossas ideias, pela
bolsistas; nossa criatividade, acho que esse é
o grande diferencial do pibidiano.
repensar as formas de elabo- Pesquisadora: Como é que você está
se constituindo, fala um pouquinho Porque a gente sempre, nós fazemos
ração dos subprojetos Pibid as nossas reuniões, a gente sempre
de cada curso, preservando o de ti...
Estudante do Pibid: [Eu estou] busca, quando a escola, por exemplo,
espaço de formação profissio- lança uma proposta para a gente, nós
preocupado com a aprendizagem
nal desenvolvido pelo curso do aluno principalmente. Todas as sentamos e pensamos em conjunto
de licenciatura, mas também práticas são bem planejadas e sempre como é que a gente pode fazer isso e
o espaço de ensino da escola preocupadas com a aprendizagem aquilo, e acho que este é o diferencial,
básica. Seria a oportunidade do aluno. Porque não é feito isso em a criatividade, o potencial também,
porque o pibidiano, em geral, para
de romper com as temáticas nenhum setor, não se observa isso na
ele, não existe algo impossível.
e trabalhar com os diferentes escola em geral. Conversa com outros
professores, nas práticas dos outros e Fonte: Entrevista, BolL, 03/06/2014.
focos de atuação do/a profis-
do meu supervisor, observo que isso
sional ou do currículo de cada Pesquisadora: Que mudanças você
não é uma prioridade. Então, eu cons-
curso. Essa medida poderia tituo a minha prática diferente nesse percebeu na sua formação a partir da
potencializar o diálogo entre sentido. Quando eu planejo alguma experiência do Pibid?
universidade e escola, sem fi- atividade, ela é sempre voltada para Estudante do Pibid: Ele me dei-
car refém da indefinição ou da a aprendizagem do aluno, preocupada xou mais crítico. Bem no início, eu
acreditava que qualquer atividade
definição a priori de propostas com isso.
prática era relevante; depois, eu vi,
pedagógicas. Fonte: Entrevista, BolF, 15/05/2013.
com o passar dos anos, que não é bem
Para reforçar esse argumento, assim e que em cada escola tu vais
acreditamos que a crítica sempre nos Estudante do Pibid: Eu sou alfabe-
conseguir fazer uma atividade e em
oferece novas frentes de trabalho, tizadora, e é isso que eu quero. Ele
cada turma também. As turmas vão
confirma a minha decisão lá em 2010 variando. Eu me tornei mais crítico e
novas possibilidades de inventar
de ter entrado na faculdade, ele vai eu acho que um pouco mais... Deixa
e reinventar a formação como um confirmando, cada dia que eu vou à
processo mais partilhado e solidário. pensar num termo... Não é acordado,
escola, assenta mais um tijolinho na mas, o que eu estou querendo dizer,
É esse processo que continuará a minha construção lá. Uma professora um pouco mais atento.
reforçar e ampliar o ethos de for- cuidadosa, reflexiva, muito reflexiva Pesquisadora: Eu queria agora que
mação. Quando esse ethos envolve sobre as minhas práticas, sobre a mi- a gente trabalhasse um pouco sobre
todos os participantes, vive-se outra nha postura, procurar errar o menos as características de ser professor,
condição: escolhemos viver o Pibid possível na sala de aula, e eu acho as características da docência. Que
que mais humana é o principal, me marcas de ser professor o Pibid vêm
em todas as suas potencialidades
tornou mais humana essa formação desenvolvendo, não só em ti, mas no
e limites, mas sempre anunciando da teoria e da prática juntas nesse grupo. Que tipo de professor é esse
novas possibilidades de reinvenção. caminho, percorrer juntas me tornou que o Pibid está instrumentalizando,
Essa condição pode transformar-se mais humana. está formando, que tipo de professor
em uma impossibilidade (para quem Fonte: Entrevista, BolP, 03/05/2013. da tua área?
acredita que a formação deve ter um Estudante do Pibid: Entendi. Pen-
ponto final, que é o ponto da perfei- Estudante do Pibid: Realmente ele sando no contexto geral, assim, e o
ção), mas também pode constituir- faz a diferença. O pibidiano faz a que sempre foi frisado para nós e
-se como possibilidade (para quem diferença na escola porque nós so- foi se criando ao longo... É assim, o
mos procurados por quase todos os professor crítico, como eu já havia
acredita que não existe ponto final
professores de todas as áreas, e eles falado antes.
nesse processo de formação).

83
10
Para realizar o exercício analítico, utilizamos os materiais referentes a duas pesquisas já citadas na nota de rodapé número 4 – Fabris (2011) e
Dal’Igna (2013), principalmente o material produzido a partir de entrevistas com bolsistas de iniciação à docência (estudantes de licenciatura) do
Pibid/Unisinos.

volume 19, número 1, janeiro • abril 2015


Maria Cláudia Dal’Igna, Elí Henn Fabris

Pesquisadora: Fala um pouquinho Estudante do Pibid: Não tivemos lá na sala de aula. No meu curso, eu
sobre esse crítico. Esse crítico quer momentos, assim, com a supervi- vejo pouca coisa que eu vou poder
dizer o quê? são, com a direção da escola para usar lá dentro. Sei lá, eu não consigo
Estudante do Pibid: Que é um conversar sobre ser professor, mas aproveitar aquilo que eu aprendo
professor que reflete muito sobre sua o que deu para entender e aprender aqui, lá dentro. E, às vezes, eu tenho
prática. Ele não repete simplesmente com a escola a respeito disso é que o impressão de que... Para que eu es-
o que existe, ele pode usar a mesma professor nunca pode ser uma coisa tou aprendendo isso? Eu me faço a
prática, mas pode trabalhar de “n” engessada. Ele não pode vir com uma mesma pergunta que os meus alunos
formas e refletir para a formação ideia de que ele vai fazer tal ativida- às vezes fazem. Para que serve isso
docente mesmo. Uma coisa também de com os alunos e em tal dia e vai aqui? Não é só o conteúdo pelo con-
que ficou muito forte é que a nossa ser certo que vai acontecer. Não, as teúdo, e aqui eu não quero aprender
formação é sempre continuada, nun- coisas são dinâmicas, muda ou não, só o conteúdo, eu quero saber para
ca para... Isso deu para perceber ao pode ser naquele dia ou não, enfim, que na vida se usa, para quê... Claro,
longo dos projetos. Por mais que a acho que, com a escola, eu consegui eu também tenho que fazer pesquisas,
gente fizesse um projeto que estava aprender isso. mas não é só calculadora.
ótimo, sempre tinha o que melhorar. Fonte: Entrevista, BolB, 09/05/2013. Fonte: Entrevista, BolB, 23/05/2014.
Então, a crítica sempre partia das
críticas construtivas, partia da co- Estudante do Pibid: Práticas que se Não seria suficiente só a teoria.
ordenação para a supervisão, e daí tornam muito repetitivas, formas de Mesmo tendo as disciplinas voltadas
para os pibidianos, como a gente trabalho pelas quais os alunos não se à docência, a prática é essencial. Eu
chama, e acho que isso se refletiu interessam. Na prática docente, que não ia saber por onde começar a
na nossa formação também, sempre eles não se interessam. De trabalhar planejar uma aula.
ser crítico, sobretudo naquilo que a formas diferentes ou, às vezes, de Fonte: Entrevista, BolB, 22/03/2014.
gente faz. chegar mais próximo ao aluno. Às
Fonte: Entrevista, BolB, 09/05/2013. vezes notamos que tem professores É o que eu tinha comentado... Acho
dando a sua aula e não se importam
que o curso, todos os cursos de licen-
se o aluno está aprendendo ou não.
ciatura carecem de uma disciplina
b) O pibidiano e a relação Então, essa questão de poder estar
que tivesse práticas na sala de aula,
próximo ao aluno. Tem práticas muito
com o outro: escola e então, as experiências que eu tenho
legais também, tem professores que
universidade se destacam. Isso é uma coisa que eu
com o curso são mais focadas todas
em teoria. Claro que eu aprendo a ser
posso levar para mim.
Pesquisadora: O que tu aprendeste... uma boa professora, mas algumas
Fonte: Entrevista, BolP, 16/05/2013.
agora vamos conversar para ver as coisas só o Pibid consegue propor-
tuas aprendizagens com a escola. cionar, o curso não.
Estudante do Pibid: Nos primeiros
Estudante do Pibid: Bom, da es- Fonte: Entrevista, BolL, 07/05/2013.11
anos, eu tenho maus exemplos. Na
cola, dos professores, eu observei
verdade, aprendi coisas que eu não
coisas que levo para minha vida. Para tornar a argumentação mais
quero levar para a minha vida, atraso
De professores, eu achei muito legal
de professores, má organização, não clara, apresentamos esses depoimen-
o trabalho que eles desenvolvem,
como também levo coisas que eu
organizam os planejamentos, não tos organizados em duas unidades de
sabem para que sala têm que ir, não sentido: o pibidiano e a relação con-
penso: “isso eu não quero fazer
sabem qual turma, não conhecem os sigo mesmo; o pibidiano e a relação
com os meus alunos”. Porque a
alunos, não sabem nada... Isso eu
gente observa coisas com que não com o outro: escola e universidade.
não quero.
concorda, então, também é um Na primeira, pode-se perceber como
Fonte: Entrevista, BolL, 07/05/2013.
aprendizado daquilo que a gente vê cada sujeito constitui-se nesse pro-
e não concorda.
Pesquisadora: E no curso? O que cesso de formação por meio de ações
Fonte: Entrevista, BolP, 16/05/2013.
poderia ser diferente? sobre si mesmo e a forma como cada
Estudante do Pibid: Bom, na escola,
Estudante do Pibid: O meu curso? sujeito age e reflete diante das situ-
Que tipo de professor? O meu curso ações. Na segunda, consideram-se
eu aprendi o que é ser professor e
não ensina a ser professor. O meu cur- também as relações estabelecidas
o que não é ser professor também,
so trabalha com listas de exercícios.
principalmente. com a escola, os professores e a
E é diferente do que eu quero fazer
Fonte: Entrevista, BolP, 11/04/2013. universidade. As situações relatadas
84
11
Agradecemos a Sabrine Hetti Bahia, bolsista de iniciação científica da Unisinos, pela colaboração nas transcrições do material de pesquisa que
utilizamos neste artigo.

Educação Unisinos
Constituição de um ethos de formação no Pibid/Unisinos: processos de subjetivação na iniciação à docência

mostram que o processo de forma- único de formação, para universi- que circula nesse espaço. Trata-se de
ção ocorre pela observação tanto de dades e escolas, como se fossem uma formação fundada em um ethos
práticas docentes positivas (bons iguais. Uma proposta de formação de formação para que se processe
exemplos), quanto de práticas do- de professores que deseja produzir sobre outras bases. Uma formação
centes negativas (maus exemplos). outros efeitos, outros modos de que não se baseie em modelos e
A dimensão formativa dos cursos de ser e de agir, não pode ser gestada exercícios de cópia e repetição de
licenciatura e do Pibid/Unisinos são por concepções dessa ordem. Esse teorias e práticas assumidas como
importantes, principalmente porque espaço de autoformação, de traba- desde sempre aí nem como as
oferecem ferramentas teóricas que lho sobre si mesmo, será sempre mais avançadas e inovadoras, que
possibilitam pensar o pensamento e muito reduzido ou inexistente nessa muitas vezes copiamos de países
as próprias práticas que observam. concepção de formação. É o que que julgamos mais desenvolvidos.
Esse exercício é importante também mostramos a seguir, com o material O que nos leva a dar centralidade
para compreender como as ferra- empírico que vamos detalhar, pois, a essa questão são alguns estudos
mentas teóricas podem ser utilizadas na nossa compreensão, é possível que vêm nos inspirando, bem como
quando os sujeitos estiverem em sala identificar uma tentativa inicial do dados das pesquisas que estamos
de aula e atuarem como docentes. Pibid em se constituir como um desenvolvendo.
Ao reivindicarmos uma forma- espaço de transformação de si e do
ção de professores composta pela outro, mas tal investimento ainda Estamos, assim, diante de mais uma
provocação advinda das lições do
condição potencial de um ethos de se apresenta de forma muito inicial,
agora Foucault professor: que sig-
formação, estamos nos filiando a ao menos no espaço em que nossa nificado pode ter, hoje em dia, uma
uma posição que valoriza a dimen- pesquisa se realiza. compreensão da pedagogia como
são política, porque essa formação Ao mesmo tempo em que proble- transformação de si mesmo, quando
produzirá transformações; valoriza, matizamos a maioria das propostas os poderes instituídos apregoam que
também, a problematização12, pois, de formação inicial e continuada de vivemos no melhor dos mundos e
sem tensionamentos que nos levem professores desenvolvidas no nosso somos livres para fazer o que bem
queremos de nossas vidas, bastando
a entender como as verdades foram país, queremos mostrar como essa
para isso apenas adquirir conheci-
construídas, não é possível viver a condição potencial de formação é mentos e competências? (Freitas,
formação como um ethos. Haveria pouco desenvolvida ou até mesmo 2013, p. 336).
possibilidade de um programa nacio- inexistente no âmbito da formação
nal como o Pibid, com proposta de docente. Como apresentamos na par- Aceitamos essa provocação para
iniciação à docência, potencializar- te inicial deste estudo, pesquisadoras pensar a formação de professores
-se como esse espaço? Acreditamos e pesquisadores da educação vêm que desenvolvemos em nosso país.
que esse programa ainda atua de se posicionando sobre as condições Uma formação de professores que
forma compensatória, pela forma de para uma formação de professores tem se pautado em modelos homo-
gestão (bolsas) e pela forma como se competente e eficaz, mas parece- geneizantes que atualmente se apre-
integra aos currículos das IES; por -nos que a questão que desejamos sentam embalados pelas verdades
outro lado, acreditamos no potencial assumir como central na formação das políticas neoliberais, as quais
de formação desse programa. de professores ainda não está sendo globalmente vêm direcionando a
Queremos nos posicionar junto abordada, ou seja, a necessidade de Educação em lugares tão diferentes
com outras autoras e autores de nos- criar espaços no interior dos pro- de forma tão unívoca.
so país, já citados neste artigo, que cessos de formação inicial que pos- Queremos trazer para a nossa ar-
se dedicam a analisar as condições sibilitem que cada um se relacione gumentação o relato de uma pesquisa
da formação de professores. Além consigo mesmo durante seu processo desenvolvida por Clarice Traversini
de todos os problemas nos cursos de de formação, efetuando por conta em 1998. Nesse estudo, a pesquisado-
formação amplamente analisados, o própria operações sobre si mesmo ra desloca-se até o município de Poço
que essas estudiosas e esses estudio- e modificando seus modos de agir das Antas, no Rio Grande do Sul, e
sos têm mostrado é que as políticas e de ser, além de relações com os procura investigar as razões pelas
públicas nos atingem de forma glo- outros, o que permite que as práticas quais tal município passa a ser apre-
bal e local, estabelecendo um padrão de si sejam atravessadas pela cultura sentado na mídia como um vencedor 85
12
Mais adiante, na última seção deste artigo, discutimos o que entendemos por problematização.

volume 19, número 1, janeiro • abril 2015


Maria Cláudia Dal’Igna, Elí Henn Fabris

ao conquistar naquele ano o “Oscar relacionar-se consigo mesmos para esforços para duvidar do já sabido.
da Alfabetização”. A pequena cidade constituírem-se. Isso exige um exame da própria
gaúcha de Poço das Antas atingira, no Com isso, queremos mostrar que, condição como sujeito imerso em
período, a marca de 100% de pessoas para que o Pibid possa constituir-se determinados problemas, os quais
alfabetizadas. como um ethos de formação, ele ele mesmo pode des-construir.
Os dados que a pesquisadora en- precisa compor-se por um espaço Antonio Nóvoa (2011, s.p.) tem
controu foram uma confluência de de formação em que todos possam abordado temas que podem integrar
condições culturais que produziram problematizar as verdades, todos se a formação de professores. Em nos-
esse índice elevado na alfabetização. sintam compelidos a buscar suas so entendimento, trata-se de fortes
Lá, naquele pequeno município, respostas, buscar outras formas de componentes para a criação de um
todos eram chamados a dobrar-se à condução, outras formas de conduzir ethos de formação. Ele afirma que
verdade da necessidade da alfabe- as crianças, jovens e adultos. Nesse
tização. Mas o que fazia com que espaço, há lugar para a criação e a a formação de professores deve: a)
100% dos habitantes se dobrassem a inovação. assumir uma forte componente prá-
Para sustentar esses argumentos, tica, centrada na aprendizagem dos
essa verdade? Lá, havia uma cultura
alunos e no estudo de casos concre-
que valorizava a leitura e a escrita, apresentamos alguns depoimentos
tos; b) passar para ‘dentro’ da profis-
e todos precisavam ser alfabetizados de estudantes do Pibid/Unisinos que
são, isto é, basear-se na aquisição de
para pertencerem àquela comunida- mostram como percebem esse espa- uma cultura profissional, concedendo
de. Podemos dizer que lá existia um ço de formação em que desenvolvem aos professores mais experientes
ethos, uma cultura que valorizava e relações consigo mesmos e com o um papel central na formação dos
produzia um modo de ser e de agir, outro na constituição do tornar-se mais jovens; c) dedicar uma atenção
professor nesse programa. especial às dimensões pessoais,
uma cultura com traços que mobi-
A condição potencial de forma- trabalhando a capacidade de relação
lizavam todos daquela comunidade e de comunicação que define o tato
para serem alfabetizados. Nas pala- ção seria a problematização, que
pedagógico; d) valorizar o trabalho
vras da autora: advogamos como parte imanente aos
em equipe e o exercício coletivo da
processos de formação; caso contrá- profissão; e) estar marcada por um
Em outras palavras, são as impli- rio, só podemos ter a formação no princípio de responsabilidade social,
cações entre a escola, a religião, os seu sentido etimológico, no sentido favorecendo a comunicação pública
valores e as práticas comunitárias, de colocar na forma, formatar em e a participação dos professores no
a imprensa, etc., que constituem a modelos já previamente selecio- espaço público da educação.
situação de sucesso produzida pelo nados e prescritos. Nesse sentido,
contexto cultural de Poço das Antas- O Pibid, como programa nacio-
nem toda cultura partilhada pode
-RS. Assim, o conhecimento de que
ser assumida como um ethos de for- nal de iniciação à docência, vem
a vida cotidiana das comunidades é
mação, pois podemos estar apenas se desenvolvendo de formas muito
produzida desse jeito, que ela é cons-
tituída por um modo de fazer profun- a reproduzir modelos e desenvolver distintas em todo o território nacio-
damente interessado, já que baseado competências que seriam, frente às nal e, como um programa orientado
em relações de poder e na ideologia, atuais demandas globais, facilmente pelas políticas públicas, não con-
é que pode ter efeitos sociais mais entendidos como uma formação de segue ficar distante das linhas que
amplos (Traversini, 2001, p. 36). professores com alta qualidade. homogeneízam. Porém, ele possui
Aqui, o conceito de problema- várias condições para funcionar
É preciso que a comunidade seja tização desenvolvido por Foucault na formação inicial de professores
interpelada e que adote uma posição. torna-se importante. Por proble- como um espaço rico de mobiliza-
O contexto, os rituais, as celebra- matização, ele entende “o conjunto ção, aglutinação, diferenciação e sin-
ções, os saberes, os conhecimentos das práticas discursivas ou não gularização. Parece-nos que o Pibid
mobilizam esse ethos. O que faz discursivas que faz alguma coisa pode buscar desenvolver-se a partir
com que todos se sintam interpela- entrar no jogo do verdadeiro e do da perspectiva da problematização e
dos, convidados ao pertencimento, falso e o constitui como objeto para fomentar um ethos de formação. Se-
é a cultura partilhada, mas ela só o pensamento” (Foucault, 2010b, ria uma problematização das verda-
se efetiva se houver uma relação p. 242). Tendo como ponto de parti- des estabelecidas, de uma constante
86 consigo estabelecida, ou seja, é da a problematização, os estudantes vigilância, para ser conduzido de
preciso disposição dos sujeitos para de licenciatura/pibidianos aprendem outros modos a partir do exercício
que estabeleçam uma maneira de a movimentar-se empreendendo que cada sujeito desenvolve consigo

Educação Unisinos
Constituição de um ethos de formação no Pibid/Unisinos: processos de subjetivação na iniciação à docência

mesmo e para decidir como pretende ao Programa Institucional de Iniciação GATTI, B.; BARRETTO, E.; ANDRÉ, M.
ser conduzido. Para a formação de à Docência – PIBID. Brasília: MEC/ 2011. Políticas docentes no Brasil: um
CAPES/FNDE, 12 de dezembro de 2007. estado da arte. Brasília, UNESCO, 300 p.
professores, essa é uma condição
Disponível em: http://www.capes.gov. HERMANN, N. 2008. Ética: a aprendizagem
que possibilitaria romper com os br/educacao-basica/capespibid/editais-e- da arte de viver. Educação & Sociedade,
modelos de programas formatados selecoes. Acesso em: 25/07/2013. 29(102):15-32. http://dx.doi.org/10.1590/
e buscar nos espaços das universi- DAL’IGNA, M.C. 2013. Pibid/Capes: impac- S0101-73302008000100002
dades, das instituições escolares e tos de uma política de formação inicial na INSTITUTO PAULO MONTENEGRO.
da vida social esses outros modos construção da identidade profissional da 2010. Ser professor: uma pesquisa sobre o
de ser conduzido na e pela educação. pedagoga (2013-2016). São Leopoldo, que pensa o docente das principais capitais
Programa de Pós-Graduação em Edu- brasileiras. In: FUNDAÇÃO VICTOR
Talvez este seja um dos grandes
cação, Universidade do Vale do Rio dos CIVITA (org.), Estudos e Pesquisas
desafios das instituições de formação Sinos, 20 p. [Projeto de Pesquisa]. Educacionais (2007-2009). São Paulo,
contemporâneas: encontrar outras DAL’IGNA, M.C.; FABRIS, E.H. 2013. FVC, p. 17-61.
formas para que os sujeitos possam Práticas de iniciação à docência no Pibid/ NÓVOA, A. 2011. Entrevista – profissão:
criar a sua palavra, a sua escrita, a Unisinos: processo em avaliação. In: VIII docente. Revista Educação, ago 2011.
sua docência. Com isso, a forma- do Congresso Internacional de Educação e Disponível em: http://revistaeducacao.
ção não será mais concedida, nem III Congresso Internacional de Avaliação. uol.com.br/textos/154/artigo234711-1.
São Leopoldo, RS. Universidade do Vale asp. Acesso em: 20/04/2012.
transmitida, nem apenas aceita ou
do Rio dos Sinos, 14 p. [Texto completo]. SUAREZ, R. 2005. Nota sobre o conceito
rejeitada; ao aceitar-se a verdade ou FABRIS, E.H. 2011. A relação universidade e de Bildung (formação cultural). Kri-
rejeitá-la, pode-se escolher a forma educação básica na produção da docência terion: revista de Filosofia, 46(112):191-
de ser conduzido por essa ou outras contemporânea (2013-2016). São Leo- 198. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-
verdades. Haverá, a partir da proble- poldo, Programa de Pós-Graduação em 512X2005000200005
matização, sempre a possibilidade Educação, Universidade do Vale do Rio TRAVERSINI, C.S. 1998. Reflexões sobre o
dos Sinos, 26 p. [Projeto de Pesquisa]. sucesso da alfabetização: a escola e o con-
da transformação. O que podemos
FOUCAULT, M. 2008. O que são as Luzes ? texto cultural de Poço das Antas-RS. Porto
desejar na formação senão a transfor-
In: M. FOUCAULT, Ditos & Escritos II. Alegre, RS. Dissertação de Mestrado. Uni-
mação de si e do outro? Esperamos Arqueologia das Ciências e História dos versidade Federal do Rio Grande do Sul.
que essa transformação seja marcada Sistemas de Pensamento. Rio de Janeiro, TRAVERSINI, C.S. 2001. Reflexões sobre
pela capacidade de problematizar o Forense Universitária, p. 335-351. o sucesso da alfabetização: a escola e
que é dito e pensado sobre os temas FOUCAULT, M. 2010a. A escrita de si. In: M. o contexto cultural de Poço das Antas-
educacionais e pela problematiza- FOUCAULT, Ditos & Escritos V. Ética, RS. Revista de História da Educação,
Sexualidade, Política. Rio de Janeiro, 5(9):23-38.
ção do próprio pensamento. Nesse
Forense Universitária, p. 144-162. UNISINOS. 2010. Projeto Institucional.
sentido, entendemos que o Pibid
FOUCAULT, M. 2010b. O cuidado com a Pibid/Unisinos: universidade e escola
oferece potencial para a pesquisa verdade. In: M. FOUCAULT, Ditos & na qualificação da docência na educa-
e a prática pedagógica pautadas Escritos V. Ética, Sexualidade, Política. ção básica. São Leopoldo, UNISINOS.
nesse ethos de formação como certo Rio de Janeiro, Forense Universitária, [Documento institucional não publicado].
modo de ser e de agir como docente, p. 240-251. WOODWARD, K. 2012. Identidade e
que vai ampliando-se e produzindo FREITAS, A.S. 2013. A parresía pedagógica diferença: uma introdução teórica e
de Foucault e o êthos da educação como conceitual. In: T.T. da SILVA (org.),
modos de vida em comum, o que
psicagogia. Revista Brasileira de Edu- Identidade e diferença: a perspectiva dos
tem possibilitado que estudantes de cação, 18(53):325-338. http://dx.doi. Estudos Culturais. 12ª ed., Petrópolis,
licenciatura, que passam por essa ex- org/10.1590/S1413-24782013000200005 Vozes, p. 7-72.
periência, construam uma noção de GATTI, B.; NUNES, M; GIMENES, N.;
pertencimento – a uma comunidade TARTUCE, G.; UNBEHAUM, S. 2010a. Submetido: 22/12/2014
pibidiana. É sob as condições desse Formação de professores para o Ensino Aceito: 29/12/2014
ethos que pibidianos e pibidianas são Fundamental: instituições formadoras e
seus currículos. In: FUNDAÇÃO VIC-
constituídos, por isso, é importante
TOR CIVITA (org.), Estudos e Pesquisas
que o Pibid possa ser espaço de for- Educacionais (2007-2009). São Paulo, Maria Cláudia Dal’Igna
mação e de exercício de pensamento. Universidade do Vale do Rio dos Sinos
FVC, p. 95-136. Av. Unisinos, 950, Cristo Rei, 93022-
GATTI, B.; TARTUCE, G.; NUNES, M.; 000, São Leopoldo, RS, Brasil
Referências ALMEIDA, P. 2010b. A atratividade da

BRASIL. 2007. Edital MEC/CAPES/FNDE.


carreira docente no Brasil. In: FUNDA-
ÇÃO VICTOR CIVITA (org.), Estudos e
Elí Henn Fabris
Universidade do Vale do Rio dos Sinos 87
Av. Unisinos, 950, Cristo Rei, 93022-
Seleção pública de propostas de pro- Pesquisas Educacionais (2007-2009). São 000, São Leopoldo, RS, Brasil
jetos de iniciação à docência voltados Paulo, FVC, p. 139-209.

volume 19, número 1, janeiro • abril 2015