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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E DA EDUCAÇÃO - FAED


CURSO DE GEOGRAFIA

BETINA DE GASPER

POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES À OCUPAÇÃO HUMANA DO MEIO


FÍSICO DA BACIA DO RIO SERAFIM EM LUÍS ALVES - SC

FLORIANÓPOLIS - SC
2014
BETINA DE GASPER

POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES À OCUPAÇÃO HUMANA DO MEIO


FÍSICO DA BACIA DO RIO SERAFIM EM LUÍS ALVES - SC

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


ao Departamento de Geografia do Centro de
Ciências Humanas e da Educação - FAED, da
Universidade do Estado de Santa Catarina -
UDESC, como requisito para obtenção do grau
de Bacharel em Geografia.

Orientadora: Dra. Edna Lindaura Luiz.

FLORIANÓPOLIS - SC
2014
BETINA DE GASPER

POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES À OCUPAÇÃO HUMANA DO MEIO


FÍSICO DA BACIA DO RIO SERAFIM EM LUÍS ALVES - SC

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Geografia do Centro


de Ciências Humanas e da Educação - FAED, da Universidade do Estado de Santa Catarina –
UDESC, como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Geografia.

Banca examinadora:

Orientadora:
Professora Doutora Edna Lindaura Luiz
UDESC

Membro:
Professor Doutor Francisco Henrique de Oliveira
UDESC

Membro
Professor Doutor Jairo Valdati
UDESC

FLORIANÓPOLIS, 27/11/2014
A meus pais que me deram a vida, aos meus
professores e as pessoas boas que cruzaram meus
caminhos e deixaram suas marcas para sempre.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por ter me dado saúde e força para prosseguir em minha caminhada
e principalmente a meus pais, Armando e Dalva, que me ajudaram a superar as dificuldades
que encontrei durante meu caminho e sempre me apoiaram em minhas escolhas. São as
pessoas que mais amo neste mundo e o motivo de estar aqui agora.
À professora Edna que aceitou ser minha orientadora, auxiliando-me em meu
desenvolvimento e crescimento profissional e pessoal. Mais que somente professora e
orientadora, é uma amiga, uma pessoa especial, difícil de encontrar e que está sempre disposta
a dividir seu vasto conhecimento com as pessoas que estão ao seu redor. Foi minha segunda
mãe no decorrer do curso, muito paciente e acolhendo-me nas horas mais difíceis.
Agradeço ao professor Francisco por aceitar fazer parte de minha banca. Uma pessoa
indescritível. Está sempre comprometido com o que faz, além de me auxiliar com as regras
cartográficas, confecção e impressão dos mapas.
Ao professor Jairo, um artista incrível que aceitou fazer parte de minha banca, além de
dividir comigo seus conhecimentos sobre mapeamento Geomorfológico, cartografia temática
e suas experiências como professor e pesquisador.
À professora Amanda, que se encontra sempre disposta a ajudar outras pessoas.
Dividiu seus conhecimentos comigo, ensinando-me muito mais sobre Geologia do que eu
imaginaria, aceitando-me como monitora por diversas vezes e bolsista de pesquisa, além de
me ensinar a fazer um ótimo chimarrão.
À professora Mariane, uma pessoa incrível que contribuiu muito com as regras
cartográficas e também com a confecção e impressão dos mapas, além de me ensinar os
primeiros passos na cartografia.
Ao professor Ricardo por introduzir o pensamento dos Geossistemas e da Landschaft
na Geografia, que me auxiliou muito na confecção da presente pesquisa através do
entendimento das relações indissociáveis do meio físico.
À professora Maria Paula, alguém admirável e extremamente paciente que me
recepcionou no Laboratório de Geologia e Mineralogia; e à equipe do Laboratório que me
recebeu com o coração aberto: a Ana Carolina e a Elisa que compartilharam as experiências
sobre sua área de estudo, ensinando-me muito sobre a pesquisa; ao Daniel que está sempre
disposto a ensinar Pedologia a qualquer pessoa e me instruiu as regras para “matear”.
Agradeço todo apoio que tive da Paula, minha companheira na graduação inteira, uma
pessoa incrível e batalhadora que sempre esteve ao meu lado no decorrer do curso, parceira
nos trabalhos, estágios na escola e além de tudo uma ótima amiga.
À Pâmela que não esperava reencontrar na porta da escada e me acompanhou e apoiou
no decorrer do meu trabalho final, além de virar minha parceira de laboratório, almoços,
caronas e cafés. Uma pessoa maravilhosa que simplesmente consegue me acalmar.
À Jéssica, ótima parceira de pesquisas, uma pessoa muito centrada no que faz, com
competência e esforço difíceis de encontrar. Aos bolsistas do Geolab, que sempre estiveram
disponíveis para me socorrer caso surgisse alguma dúvida; principalmente ao Samuel que me
explicou sobre as unidades de paisagem e me ajudou com a composição dos Geodatabases e
ao Áthila que me auxiliou com a manipulação das ortofotos e mosaicos.
A oportunidade de estágio em empresa, que me auxiliou em meu crescimento
profissional onde pude aprimorar meus conhecimentos em cartografia, SIG e até aprender
sobre engenharia elétrica, além de conhecer ótimas pessoas.
Além de todas as pessoas boas que encontrei durante meu caminho, aos professores
que contribuíram para a minha formação profissional e aos colegas de curso, com os quais
pude aprender muito e compartilhar muitas experiências.
“Aquilo que nós mesmos escolhemos é muito pouco:
a vida e as circunstâncias fazem quase tudo.”

John Ronald Reuel Tolkien


RESUMO

A presente pesquisa definiu as unidades de paisagem da bacia do rio Serafim, afluente do rio
Luís Alves, no município de Luís Alves/SC, tendo como base as variáveis do meio físico e
posteriormente discutindo suas potencialidades e limitações frente à ocupação humana. As
unidades de paisagem funcionam como sistemas, possuindo estrutura e dinâmica específicas,
constituindo ambientes naturais diferenciados. A partir do conhecimento do meio físico pode-
se inferir se a ocupação humana local está adequada ou não as suas características e propor
usos mais adequados. A bacia do rio Serafim foi escolhida pelo conhecimento prévio da área
a partir do desenvolvimento de projetos de pesquisa e da vivência da autora. É uma área
pouco modificada pela atuação do homem, com extensa cobertura vegetal. Contudo, a
dinâmica do meio físico pode ser intensa, com a ocorrência de muitos movimentos de massa,
enchentes e erosões de margem, como no episódio de chuvas excepcionais de novembro de
2008. Para a definição das unidades de paisagem foram feitos levantamentos e mapas
temáticos das variáveis: Geologia, Relevo, Solos, Uso da Terra da bacia a partir de dados
secundários, interpretação de fotos aéreas e saídas a campo. As formas de relevo foram
utilizadas como parâmetro para individualizar as unidades de paisagem, pois elas dão
funcionalidade aos processos hidrológicos e influenciam a formação dos solos e são
influenciadas pela geologia local e pelo clima e todas estas variáveis condicionam a cobertura
vegetal nativa. A adequação à ocupação humana foi descrita através da sobreposição entre os
mapas de aspectos físicos juntamente com o mapa de uso da terra. Foram definidas quatro
unidades de paisagem: Fundos de Vale, unidade de Colinas, unidade de Morros e Montanhas
e unidade de Montanhas. A unidade Fundos de Vale contém as planícies. É sujeita a
inundações, fluxos torrenciais, assoreamentos e erosões de margem com migração lateral dos
canais. Apresenta a maior ocupação humana da bacia, com uso predominante de pastagem e
de moradias. A ocupação deve se adaptar aos processos fluviais para evitar desastres em
épocas de chuvas intensas. A unidade de Colinas tem relevo mais suave e apresenta muitos
anfiteatros que são cabeceiras de drenagem e por isso devem ser preservados. É possível a
ocupação por moradias nos topos e encostas mais suaves ou o uso por pastagens desde que
haja o manejo adequado. A unidade Montanhas e a unidade Morros e Montanhas apresentam
elevações com encostas com diferentes inclinações e topos angulosos e convexos. Apresenta
processos de movimentos de massa do tipo deslizamentos e corridas de detritos, além de
enxurradas e fluxos torrenciais nos rios, por isso é importante manter a cobertura de mata ou
utilizar esta área para silvicultura nas partes menos declivosas com cuidados de manejo.
Dentro dos resultados obtidos, observa-se que a área não deve ser ocupada de maneira não
planejada, pois apresenta muitas fragilidades e grande atuação dos processos morfogenéticos
em episódios de chuvas intensas.

Palavras-chave: Unidades de paisagem, Meio Físico, Bacia do rio Serafim.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 01 - Mapa de localização da bacia do rio Serafim - Luís Alves/SC ............................. 26


Figura 02 - Vila do Braço Serafim ........................................................................................... 29
Figura 03 - Temperatura média mensal e precipitação média mensal do município de
Blumenau/SC ......................................................................................................... 41
Figura 04 - Foliação Metamórfica criando erosão diferencial em rocha. Local: Braço Francês
............................................................................................................................... 45
Figura 05 - Afloramento Rochoso. Local: Braço Francês ........................................................ 47
Figura 06 - Detalhe de rocha do Afloramento Rochoso ........................................................... 47
Figura 07 - Intrusão de rocha em Falha ou Fratura. Local: Braço Francês .............................. 48
Figura 08 - Detalhe da Intrusão de Rocha em Falha ou Fratura ............................................... 48
Figura 09 - Bloco de Quartzito no leito do rio Serafim. Local: Braço Serafim ....................... 49
Figura 10 - Rio Serafim com leito rochoso instalado em vale encaixado. Local: Alto Serafim
............................................................................................................................... 51
Figura 11 - Banco de sedimentos provindos do desastre de 2008, no rio Serafim. Local: Braço
Serafim................................................................................................................... 52
Figura 12 - Colinas com anfiteatros e rupturas ao longo da encosta. Local: Braço Paula Ramos
............................................................................................................................... 54
Figura 13 - Cristas Erodidas. Local: Braço Serafim ................................................................. 55
Figura 14 - Compartimento de Montanhas. Local: Braço Serafim. ......................................... 56
Figura 15 - Rampas e Planícies Colúvio-Aluvionares com leito do rio Serafim à direita. Local:
Braço Serafim ........................................................................................................ 57
Figura 16 - Manto de alteração espesso em corte de encosta. Local: Braço Serafim .............. 60
Figura 17 - Morro do Cachorro ................................................................................................ 63
Figura 18 - Movimentação de Terreno, mineração de rocha e saibro. Local: Braço Serafim .. 66
Figura 19 - Rampas Colúvio-aluvionares e Planícies aluviais. Local: Braço Francês ............. 69
Figura 20 - Colinas ao fundo com leito de rio em primeiro plano. Local: Braço Paula Ramos
............................................................................................................................... 71
Figura 21 - Maciço com deslizamento na encosta. Local: Santana .......................................... 74
Figura 22 - Montanhas com encostas alongadas. Local: Braço Serafim .................................. 76
Figura 23 - Movimento de Massa em corte de encosta. Local: Alto Serafim .......................... 77
Figura 24 - Blocos Suspensos em corte de encosta. Local: Alto Serafim ................................ 78
Figura 25 - Quedas d’água. Local: Braço Serafim ................................................................... 78
LISTA DE TABELAS

Tabela 01 - Classes de uso da terra .......................................................................................... 36


Tabela 02 - Episódios de chuvas com mais de 100 mm diários - Luís Alves/SC .................... 42
Tabela 03 - Episódios com mais de 20 dias de escassez de precipitações - Luís Alves/SC..... 43
Tabela 04 - Classes de uso da terra na bacia do rio Serafim, Luís Alves/SC ........................... 63
Tabela 05 - Classes de uso da terra nas faixas das linhas de transmissão de energia elétrica e
do gasoduto ............................................................................................................ 67
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ANA Agência Nacional de Águas


APP Área de Preservação Permanente
CGSC Complexo Granulítico de Santa Catarina
DNPM Departamento Nacional de Produção Mineral
ELETROSUL Eletrosul Centrais Elétricas S.A.
GASBOL Gasoduto Bolívia-Brasil
EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
ENGEMAP Engenharia Mapeamento e Aerolevantamento Ltda.
EPAGRI Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina
GERCO Projeto Gerenciamento Costeiro
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
MDT Modelo Digital de Terreno
SDS Secretaria do Desenvolvimento Sustentável de Santa Catarina
TGS Teoria Geral dos Sistemas
URSS União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
WGS 84 World Geodetic System 1984
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 13
1.1 OBJETIVOS .............................................................................................................. 14
1.1.1 Objetivo Geral ............................................................................................................ 14
1.1.2 Objetivos Específicos ................................................................................................. 14
2 ANÁLISE INTEGRADA DA PAISAGEM E SUA APLICAÇÃO NOS
ESTUDOS DO MEIO FÍSICO ............................................................................... 16
3 LOCALIZAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DA ÁREA DE ESTUDO ............... 25
3.1 ASPECTOS DE OCUPAÇÃO HUMANA ............................................................... 27
4 MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................... 30
5 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .................................. 40
5.1 ASPECTOS CLIMÁTICOS DA BACIA DO RIO SERAFIM ................................. 40
5.2 ASPECTOS GEOLÓGICOS DA BACIA DO RIO SERAFIM ................................ 44
5.3 ASPECTOS GEOMORFOLÓGICOS DA BACIA DO RIO SERAFIM ................. 51
5.4 ASPECTOS PEDOLÓGICOS DA BACIA DO RIO SERAFIM ............................. 58
5.5 ASPECTOS DE USO DA TERRA DA BACIA DO RIO SERAFIM ...................... 63
5.6 UNIDADES DE PAISAGEM DA BACIA DO RIO SERAFIM .............................. 67
5.6.1 Unidade de Fundos de Vale........................................................................................ 68
5.6.2 Unidade de Colinas .................................................................................................... 71
5.6.3 Unidade de Morros e Montanhas ............................................................................... 72
5.6.4 Unidade de Montanhas ............................................................................................... 75
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................... 80
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 83
APÊNDICES ............................................................................................................. 86
I. MAPA PLANIALTIMÉTRICO DA BACIA DO RIO SERAFIM
II. MAPA DE DECLIVIDADE DA BACIA DO RIO SERAFIM
III. ESBOÇO GEOLÓGICO DA BACIA DO RIO SERAFIM
IV. MAPA GEOMORFOLÓGICO DA BACIA DO RIO SERAFIM
V. ESBOÇO PEDOLÓGICO DA BACIA DO RIO SERAFIM
VI. MAPA DE USO DA TERRA DA BACIA DO RIO SERAFIM
VII. MAPA DE UNIDADES DE PAISAGEM DA BACIA DO RIO SERAFIM
13

1 INTRODUÇÃO

A expansão e o adensamento da ocupação humana sobre os territórios de muitos


municípios brasileiros vêm aumentando nas últimas décadas, especialmente, após a
estabilidade econômica obtida pelo plano real na década de 1990. Juntamente com essa
expansão e adensamento está a ocupação de sítios naturais perigosos ou frágeis do ponto de
vista ecológico, além da degradação dos recursos hídricos, dos solos e do ar.
Segundo Guerra (1999), a degradação ambiental se manifesta através da poluição dos
recursos hídricos, queda da biodiversidade, erosão, entre outros. A erosão possui
consequências que não se limitam à quantidade de solo perdido e sim ao fato de que essas
perdas possuem reflexos na degradação física e na perda de fertilidade do solo (GUERRA,
1999).
De acordo com Christofoletti (1979) para evitar tais problemas, é importante conhecer
a dinâmica da natureza. Ainda como o autor, a natureza, por ser um sistema, funciona através
da matéria mobilizada em seu interior por meio da energia que lhe é fornecida e ela apresenta
diversas variáveis componentes que controlam e são controladas, possuindo estreita inter-
relação entre si.
A partir do conhecimento do ambiente e suas inter-relações é possível elaborar um
planejamento ambiental como estratégia para alcançar o desenvolvimento sustentável da
região e a manutenção da qualidade do ambiente físico, biológico e social, assim adequando
as ações humanas às características do meio. O planejamento surge pela necessidade de
organizar o uso e ocupação do espaço geográfico, compatibilizando este uso com a proteção
de ambientes ameaçados e melhoria da qualidade de vida das populações. Portanto, ele não é
feito a partir de uma leitura estática do ambiente, deve-se situar o presente, com base nas
ocorrências passadas para poder prever o futuro do espaço diagnosticado. É importante ter
conhecimento sobre o histórico da ocupação humana da região, dos ecossistemas presentes,
dos processos geológico-geomorfológicos que ocorrem ali, entre outros fatores. Com base em
uma análise integrada da paisagem é possível propor os usos mais adequados dos espaços e
evitar problemas como a degradação ambiental ou a criação de áreas de risco.
O município de Luís Alves, situado no vale do rio Itajaí, em Santa Catarina, apresenta
um quadro de baixa intervenção humana nos ambientes naturais, mas tem apresentado
crescimento econômico e uma mudança gradativa no tipo de exploração da terra. A
colonização do município iniciou em 1877, com a chegada de imigrantes italianos e
austríacos. Nessa época, a exploração da terra era de pequenas propriedades rurais com
14

produção de subsistência. Em meados do século XX, surgiram pequenas indústrias têxteis,


olarias, serrarias, comercialização de madeira e produção de cachaça. Atualmente, a
agricultura do município é significativa, sendo representada pelo cultivo de bananas,
palmeira-real, arroz e silvicultura. No setor de transformação está o ramo têxtil, madeireiras,
serrarias e há também uma siderúrgica.
O relevo do município representado pelo modelado de dissecação em morros e
montanhas com muitos vales encaixados e poucas áreas de planície leva a necessidade de
muitos cortes nas encostas para conseguir terrenos planos para rodovias e edificações. Isto
aumenta o risco de movimentos de massa, processos que são recorrentes no território do
município, juntamente com fluxos torrenciais e inundações.
O território da bacia do rio Serafim no município de Luís Alves apresenta estas
características de paisagem natural e da ocupação humana, por isso foi escolhida para o
presente estudo de caracterização e análise integrada das variáveis do meio físico visando
obter conhecimentos sobre as potencialidades e limitações deste ambiente físico em relação às
possíveis formas de exploração humana. Estes conhecimentos podem subsidiar o
planejamento do uso econômico do território, a gestão do meio ambiente, a gestão de áreas de
risco na bacia do rio Serafim.

1.1 OBJETIVOS

1.1.1 Objetivo Geral

Discutir as potencialidades e limitações do meio físico da bacia do rio Serafim em


Luís Alves, Santa Catarina em relação à ocupação humana.

1.1.2 Objetivos Específicos

 Caracterizar e analisar as variáveis do meio físico, sendo elas, geologia,


geomorfologia, pedologia;
 Delimitar e caracterizar, em termos de estrutura e dinâmica, as Unidades de Paisagem
que se encontram presentes na bacia do rio Serafim a partir do cruzamento das
variáveis do meio físico, com ênfase nas feições de relevo;
 Analisar o uso da terra para cada unidade de paisagem presente na bacia do rio
Serafim e relacioná-lo com as características naturais da bacia;
15

 Discutir e propor usos mais adequados para cada unidade de paisagem presente na
bacia, apresentando as suas potencialidades e limitações frente à ocupação humana.
16

2 ANÁLISE INTEGRADA DA PAISAGEM E SUA APLICAÇÃO NOS ESTUDOS


DO MEIO FÍSICO

Os estudos geográficos visando o conhecimento da organização espacial de


determinados locais possuem como pressupostos: a abordagem estratégica da visão espacial e
de conjunto de variáveis de diferentes naturezas (naturais, econômicas, culturais e políticas).
A visão integrada do espaço já se fazia presente na antiguidade grega, mas, ao longo
do tempo, foi desaparecendo e se passou a abordar a realidade de forma fragmentada
(TROPPMAIR; GALINA, 2006). No século XVIII, há uma tentativa de estudar a realidade
como um todo a partir do conceito de Landschaft, o qual começou a ser empregado por
pensadores na Alemanha. Este conceito era ambíguo e complexo e pressupunha que a
natureza pode ser vista como algo visual, total e unido, integrando todos os aspectos possíveis
(CHRISTOFOLETTI, 1983). O termo Landschaft “[...] existe desde a Idade Média, para
designar uma região de dimensões médias, em cujo território desenvolviam-se pequenas
unidades de ocupação humana.” (MAXIMIANO, 2004, p. 85). O período histórico estava
marcado pela combinação de ciência e arte; e também era influenciado pelo pensamento
aristotélico de que a natureza é absoluta, sendo que nada mais pode ser perceptível além dos
aspectos visíveis (CHRISTOFOLETTI, 1983). Esta é a Geografia da Paisagem, baseada na
percepção da natureza, seja ela nativa ou modificada por processos antrópicos
(CHRISTOFOLETTI, 1983).
Schmithusen (1963), apud TROPPMAIR; GALINA (2006), considera que o termo
Paisagem possui múltiplos significados, dependendo do enfoque do estudo a ser realizado:
 Ter apenas significado visual ou artístico (Landschaftsbild);
 Significar um espaço vivenciado;
 Ser um espaço limitado com determinadas características (ldiochor);
 Representar apenas o ambiente natural (Naturlandschaft);
 Corresponder ao espaço modificado e transformado pela ação do homem
(Kulturlandschaft).
E também, pode possuir o “caráter integrado (único) do espaço (Gesamtcharaktereiner
Gegend)”, que é o conceito de paisagem proposto por Alexander von Humbold
(SCHMITHUSEN, 1963 apud TROPPMAIR; GALINA, 2006, p. 82). A forma de abordar o
espaço como paisagem está intrinsecamente relacionada com a origem da Geografia como
ciência em meados do século XIX. Esta foi a primeira maneira de olhar o espaço geográfico
como um objeto de estudo de um ramo da ciência moderna. Humboldt foi um dos fundadores
17

da ciência geográfica e expressou interesse pelas formas da paisagem, a qual delimitava a


partir do tipo do solo, da vegetação e do clima, e também da influência destes componentes
sobre os seres vivos (TROPPMAIR; GALINA, 2006).
Para Bertrand (1972, p.141) a paisagem se define como:

“[...] o resultado da combinação dinâmica, portanto instável, de elementos físicos,


biológicos e antrópicos que, reagindo dialeticamente uns sobre os outros, fazem da
paisagem um conjunto único e indissociável, em perpétua evolução.”

Ressalta-se o fato de que os elementos não são jogados aleatoriamente na paisagem,


mas eles possuem uma organização e cada um tem seu lugar no espaço, como afirma
Christofoletti (1983, p. 04), a paisagem “[...] é considerada como sendo composta de
elementos geográficos que se articulam uns com os outros e os elementos podem ser do
domínio natural, humano, social ou econômico.”.
Este conceito continuou a ser utilizado na Geografia ainda no século XX como uma
descrição dos elementos que compõem os espaços geográficos, dando ênfase ora para os
aspectos culturais, ora para os aspectos naturais. Uma nova forma de abordagem da teoria da
paisagem foi criada com a incorporação da teoria dos sistemas após meados do século XX.
Esta incorporação trouxe novo fôlego ao conceito de paisagem.
A Teoria Geral dos Sistemas (TGS) tem aplicações nos mais diversificados meios,
sejam eles de natureza física, biológica ou até mesmo social. Conforme Christofoletti (1978),
esta teoria foi desenvolvida nos Estados Unidos, em 1929, com R. Defay, sendo que a partir
de 1932 foram propostas as primeiras aplicações pelo austríaco Ludwig von Bertalanffy.
A base desta teoria é a noção de que um sistema é um conjunto de elementos com
certas características e atributos que apresentam relações mútuas, o qual pode ser recortado de
um universo maior (todo). Nesta teoria, o conjunto ainda pode apresentar elementos com
relações externas a ele, mas, o mais importante é que o todo do conjunto é maior do que a
simples soma das partes, pois agrega também o conjunto das relações entre os elementos.
Christofoletti (1979) concluiu que os sistemas são esse conjunto, algo integrado que
não atua de modo isolado, portanto, funciona dentro de um ambiente e fazem parte de um
conjunto maior onde somente se as partes estiverem unidas, trabalhando em conjunto,
poderão representar a totalidade.
O universo de onde se extrai um sistema “[...] compreende o conjunto de todos os
fenômenos e eventos que, através de suas mudanças e dinamismo, apresentam repercussões
no sistema, e também de todos os fenômenos e eventos que sofrem alterações e mudanças por
18

causa do comportamento do referido sistema em particular” (CHRISTOFOLETTI, 1978, p.


03).
Para Christofoletti (1978), os sistemas são compostos por variáveis que possuem
qualidades e atributos, como tamanho, forma, número, fluxos, entre outros, sendo que os
fatores externos são responsáveis pelo fornecimento de matéria e energia para o sistema,
estabelecendo os parâmetros básicos para seu funcionamento. A circulação de matéria e
energia caracteriza as relações no interior do sistema. A matéria são as substâncias que
circularão pelo sistema. A energia representa as forças que se distribuem pelo sistema e que
produzem trabalho, sendo que os processos presentes no sistema só ocorrem em função da
energia que lhes é fornecida.
Os sistemas podem ser classificados de acordo com a maneira como matéria e
energia se distribuem no sistema ou para além dele, de acordo com Christofoletti (1978).
Desta forma, há os sistemas isolados, que se caracterizam por não sofrerem perdas e não
receberem energia e/ou matéria do ambiente externo a eles. Também existem os sistemas não
isolados, sendo aqueles que possuem relações externas e que recebem matéria e energia do
resto do meio onde estão inseridos. Os sistemas não isolados são divididos em dois tipos:
fechados e abertos segundo Bertalanffy (1977). Os sistemas fechados recebem esta
denominação porque trocam apenas a energia com o ambiente externo, sem entrada ou saída
de matéria. Os sistemas abertos mantêm fluxos contínuos de entradas e saídas de matéria e
energia. Christofoletti (1978) toma como um exemplo de sistema não isolado aberto, a bacia
hidrográfica. Justamente a bacia hidrográfica será a unidade espacial delimitadora utilizada
nesta pesquisa.
Todo sistema é constituído de uma estrutura e de uma dinâmica. Christofoletti (1974)
coloca que a estrutura dos sistemas é dada pelos elementos e suas relações, sendo os primeiros
a base do sistema. As características principais das estruturas são seu tamanho, grupo de
relações e quais são as variáveis independentes e dependentes, ou seja, quais controlam e
quais são controladas. Conforme a escala, os sistemas podem ser vistos como subsistemas ou
elementos de outros sistemas, assim estabelecendo as hierarquias. A escala gera problemas na
caracterização dos elementos do sistema, pois se chega a certo ponto em que as unidades do
sistema tornam-se indivisíveis (CHRISTOFOLETTI, 1978).
A dinâmica do sistema significa o conjunto de processos que produzem trabalho no
seu interior, gerando o funcionamento do sistema. Os processos fazem a energia e a matéria
circularem dentro do sistema ou entrarem e saírem dele se for o caso (sistemas não isolados).
19

Algumas vezes, a dinâmica do sistema pode ser alterada pela variação de entrada e/ou saída
de matéria e/ou energia, o que leva a um ajuste na própria estrutura.
A aplicação da teoria dos sistemas à realidade partiu de Bertalanffy, que propôs sua
utilização nas ciências biológicas (estudo dos organismos) e à Física (termodinâmica)
(CHRISTOFOLETTI, 1978). Daí surgiu o conceito de “ecossistema” na biologia, o qual é
utilizado até hoje. Na Geografia, a teoria dos sistemas foi incorporada nos anos 1960, quando
o geógrafo Sotchava com base em suas vivências, pesquisa e interpretação do espaço
geográfico da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), sua terra natal,
criou o conceito de Geossistema como sendo um Sistema Geográfico ou Complexo Natural
Territorial (TROPPMAIR; GALINA, 2006). A visão de Sotchava de Geossistema é regional e
muito ampla, devido à extensão de sua área de análise (TROPPMAIR; GALINA, 2006).
Conclui-se que os Geossistemas consistem da incorporação da Teoria Geral dos Sistemas à
teoria da Paisagem.
Para Sotchava (1977), os geossistemas correspondem aos ambientes naturais sendo
influenciados pelos fatores econômicos e sociais. Os fatores antropogênicos influenciam
diretamente na dinâmica da paisagem alterando o estado inicial do geossistema (ambiente
natural). Para este autor, é possível fazer uma hierarquização dos geossistemas a partir de
diferentes recortes espaciais, porém esta hierarquização não é ilimitada, pois suas subdivisões
se encerram quando as unidades espaciais não possuem mais interdependências. Os
geossistemas funcionam em diversas escalas, desde a planetária até as mais subdivididas,
onde ainda é possível que todos os seus componentes funcionem integradamente. A evolução
do geossistema ocorre de acordo com a dinâmica dos fatores em conjunto, ou seja, como é
preconizado na teoria dos sistemas.
De acordo com Troppmair e Galina (2006), os Geossistemas são sistemas de ordem
natural, unidades complexas e extensas que não atuam de modo isolado, mas sim
integradamente, possuindo certa homogeneidade em seus componentes. No seu interior
movimentam-se matéria e energia, sendo que o resultado da dinâmica entre suas estruturas,
fluxos e relações formam o ambiente natural. Tem como características fundamentais, sua
morfologia, dinâmica e exploração biológica.
Bertrand (1972) coloca que a paisagem é constituída de sistemas muito amplos e
ilimitados. O autor propôs categorias/taxonomia de estudo da paisagem, a partir da visão
sistêmica, definindo uma escala e sua localização no tempo e espaço, pois seus elementos
apresentam pouca variação, mas as combinações dos mesmos variam em escala temporal e
espacial.
20

Com base em estudos realizados por Tricart e Cailleux (1977), Bertrand define a
taxonomia da paisagem em seis categorias hierarquizadas: a Zona é o maior nível, abrangendo
áreas com mais de 10 milhões de km2; o Domínio é a segunda grandeza na escala que
compreende de 01 a 10 milhões de km2; a Região Natural compõe o terceiro nível
hierárquico, com 10 mil a 01 milhão de km2; Geossistema se faz presente na quarta ordem,
possuindo de 100 a 10.000 km2; a quinta ordem é representada pela Geofácies, que abarca
área de 01 a 100 km2 e por último encontra-se os Geótopos representando a sexta grandeza na
escala taxonômica da paisagem com menos de 1 km2 (VENTURI, 2006).

Bertrand (1978), apud TROPPMAIR; GALINA (2006), colocou a Teoria dos


Geossistemas em prática para as dimensões e escalas da França, consideradas pequenas em
relação à da antiga URSS analisada primeiramente por Sotchava. Bertrand (1978 apud
TROPPMAIR; GALINA, 2006) ressalta que além dos ambientes naturais, representados pelos
elementos bióticos e abióticos, os elementos presentes na sociedade, como as relações
históricas e econômicas, devem ser utilizados para o estudo do geossistema. Este autor
também coloca que o geossistema não pode ser analisado somente com a visão do presente,
pois como todo sistema, ele tem um funcionamento que leva a sua evolução ao longo do
tempo. Portanto, as análises geossistêmicas devem ser evidenciadas através das dimensões
temporal e espacial. Troppmair e Galina (2006) colocam que a visão de geossistema de
Bertrand estava também muito imbuída dos aspectos da sociedade humana, inclusive com a
dimensão cultural, o autor comenta que a análise geossistêmica deve ser realizada através das
diversidades.
Para Bertrand, os geossistemas são uma análise do território, do espaço, e para realizar
esta análise há três maneiras. O autor considera a maneira principal aquela que lida com
aspectos culturais construídos através de muito tempo. Outra maneira leva em conta a
dimensão naturalista, na qual se deve levar em conta a evolução da natureza bio-físico-
química e suas características. O outro modo de estudo diz respeito ao território dos homens
através da gestão do meio ambiente, sendo fundamentalmente socioeconômica
(TROPPMAIR; GALINA, 2006).
Christofoletti (1981) também ressalta que o funcionamento dos Geossistemas possui
interferência de atividades antrópicas e, por isso, deve-se levar em conta, além do sistema
natural, as influências de fatores econômicos e sociais sobre os fatores naturais.
Outra proposta de incorporação da Teoria dos Sistemas à Teoria da Paisagem foi
elaborada por Carl Troll em 1939, a “Ecologia da Paisagem” (landscapeecology), a qual
21

posteriormente veio a ser chamada de Geoecologia (RITTER; MORO, 2012). Bertrand (1972)
afirma que Troll lançou a base de um conceito de paisagem com enfoque na ecologia, a
“Landschaftsökologie”. Para Troll, as paisagens podem ser divididas em unidades análogas ao
ecossistema, os “ecótopos” (“landschaftzellen”), os quais reagrupam todos os elementos da
paisagem. A abordagem de Troll une os estudos precedentes de geógrafos e biogeógrafos, os
quais se faziam de modo fragmentado, além de incluir os fenômenos antrópicos com mais
relevância. Mas, ainda há imprecisão quando se trata da hierarquia dos ecótopos e falta
discussão sobre os recortes espaciais de análise.
A análise da paisagem atualmente é baseada na visão sistêmica, não como foi
conhecida por Bertrand, Sotchava ou Troll, mas se continua a utilizar elementos de cada uma
destas concepções. Troppmair e Galina (2006) consideram Paisagem uma unidade integrada,
concreta e única, do mesmo modo que cada Geossistema. A Paisagem é o resultado da
fisionomia e fisiologia do Geossistema, sendo formada pela estrutura, dinâmica e inter-
relações de determinada área. Conforme Rodriguez, Silva e Cavalcanti (2004), apud
CAVALCANTI; VIADANA (2007), é a partir da visão sistêmica que se idealiza a paisagem
como um sistema conexo em seus componentes, sendo que cada um deles não atua de forma
isolada.
Cavalcanti e Viadana (2007) ainda propõem a análise da paisagem como um sistema,
mas de modo que se deve caracterizar as diversas atividades humanas presentes no meio
ambiente, visando sua melhor distribuição no espaço, pois a paisagem nada mais é que a
consequência dos processos interagentes entre a cultura, economia e política. Portanto é a
distribuição dos fenômenos no espaço, com as atividades humanas e suas relações econômicas
e sociais, com o intuito de organizar o espaço da melhor maneira possível, sendo que:

“A paisagem é a fisionomia, a morfologia ou a expressão formal do espaço e reflete


a visão que a população tem sobre seu entorno, tendo como função suportar uma
identidade e servir de base para estimular a coesão existente dentro da sociedade e
sendo o fundamento da formação das identidades, integrando a linguagem científica
com o emocional e entre o saber geográfico e a identidade cultural.”
(CAVALCANTI; VIADANA, 2007, p.05)

Uma forma de diferenciar os novos estudos da paisagem com perspectiva sistêmica


dos antigos pressupostos geosisstêmicos é trabalhar com a terminologia de “Unidades de
Paisagem”. Venturi (1997) define o funcionamento das Unidades de Paisagem, análogo ao
dos Ecossistemas, mas possuindo dimensões mais definidas, assim são mais precisas ao
utilizar representações cartográficas. Para o autor, a utilização deste método de análise, pode
22

ser aplicada a diversas grandezas, tanto que áreas maiores podem ser desmembradas em
unidades menores para que sua dinâmica interna possa ser compreendida de melhor maneira.
As Unidades de Paisagem dedicam-se principalmente aos componentes e características do
meio físico e biótico, portanto as pesquisas em Geografia física e planejamento ambiental
muitas vezes são governadas por esta teoria.
Kiche (2006) chama a atenção ao fato que as unidades de paisagem são delimitadas
por meio das características presentes em seu interior e também daquelas que as diferenciam
do que está presente no ambiente em seu entorno. Esses aspectos de delimitação são
resultantes dos diversos fatores inter-relacionados que criam uma homogeneidade nestas
unidades.
Em sua delimitação, outro aspecto que se sobressai é a escala cartográfica na qual será
representada a realidade, porque dependendo do nível de detalhamento da escala, vários
elementos importantes componentes das unidades de paisagem podem passar despercebidos
(KICHE, 2006). As Unidades de Paisagem fornecem subsídios para os mais diferenciados
usos, como planejamento do território, avaliação de impactos ambientais, recuperação de
áreas degradadas.
Para Santos (2004), o planejamento fundamenta-se na interação e integração dos
sistemas que compõem o ambiente, possui como finalidade estabelecer relações entre estes
sistemas ecológicos e humanos, tendo por objetivo principal a integridade de seus elementos
componentes. Tem como função ordenar as atividades humanas no meio físico, resultando
assim em uma reorganização no espaço visando o melhor aproveitamento do espaço físico e
dos recursos naturais. (SANTOS, 2004)
O meio ambiente deve ser interpretado em relação à sua composição, estrutura,
processo e função, como um todo contínuo no espaço e para realizar o planejamento, o espaço
pode ser fragmentado para a análise mais especifica de seus componentes e depois novamente
integrado. Procura-se entender o meio de uma forma global iniciando pelos elementos
climáticos e geológicos, porque estes estão na base do sistema, e assim caminhando em
direção à ação do homem, pois este está inserido sobre o espaço físico.
Para a definição das unidades de paisagem é necessário limitar o número de variáveis
a serem utilizadas, pois como já foi colocado anteriormente, a paisagem engloba variáveis de
diferentes naturezas, como os aspectos bióticos, abióticos e da sociedade humana, aí incluindo
até aspectos culturais. Desta forma, não é possível trabalhar com todas as variáveis, pois a
paisagem (espaço geográfico) é muito densa.
23

Na presente pesquisa, as unidades de paisagem serão definidas somente a partir dos


elementos e relações do meio físico, ou seja, dos fatores e elementos abióticos que compõem
os ambientes naturais. Os aspectos humanos serão apenas estudados para evidenciar se a
exploração dos recursos naturais ou a ocupação do meio físico são ou não adequadas às suas
características e funcionamento.
Para a delimitação das Unidades de Paisagem a partir das variáveis do meio físico
serão utilizadas como base as diferenciadas formas de relevo, pois a geomorfologia
condiciona os diferentes processos do meio físico (formação de solo, erosão e deposição,
processos hidrológicos, entre outros). Conforme Ross (2001), as forças endógenas e exógenas
atuando de forma conjunta influenciam na dinâmica dos meios biótico e abiótico que estão
localizados na superfície terrestre. Para este autor, as formas do relevo são o resultado dos
processos naturais, funcionando como um sistema, elas também condicionam a ocorrência dos
fenômenos, portanto possuem relação estrita e indissociável de causa e consequência.
Para Troppmair e Galina (2006, p. 83):

“Os sistemas geográficos diretamente ligados a componente espacial estão, na


maioria das vezes, vinculados a compartimentação do relevo originando e refletindo
condições ambientais como clima, geologia, pedologia, hidrografia, gerando
interrelações diretas com a biosfera, modelando a paisagem.”

Tricart (1977) deixou uma significativa contribuição em relação ao funcionamento do


meio físico quando, baseado no princípio dos sistemas, define os ambientes ecodinâmicos. O
autor parte da concepção que elementos componentes dos ambientes naturais possuem
relações mútuas e interdependentes entre si e também ressalta a dinâmica destes ambientes a
partir dos fluxos de matéria e energia no seu interior. A partir do recorte do meio físico,
Tricart (1977) define três categorias ecodinâmicas, conforme o balanço entre as relações
morfogenéticas e os processos pedogenéticos, assim caracterizando os meios estáveis, os
fortemente instáveis e os meios em transição (intergrades).
Meios estáveis possuem evolução lenta e constante, resultante de relativa estabilidade
ambiental, sem mudanças climáticas e/ou atividade tectônica, com significativa formação e
evolução de solo e pequena atuação dos processos morfogenéticos (erosivos e tectônicos). Já
os meios instáveis são caracterizados por ter como elemento predominante em sua dinâmica, a
morfogênese, que domina todos os outros elementos pertencentes a este sistema, ou seja, as
formas de relevo estão sempre sendo modeladas e remodeladas, sem estabilidade para a
formação de espessos mantos de intemperismo e de solo. As causas de um meio instável são a
24

dinâmica terrestre interna, cujo seu resultado mais imediato são as deformações tectônicas, e o
clima que influencia diretamente esses meios. Os meios intergrades são sensíveis e
caracterizados por estarem em constante transição, passando gradualmente de ambientes
estáveis para instáveis e vice-versa (TRICART, 1977).
Tricart (1977) ainda coloca que os processos morfogenéticos e pedogenéticos se
alternam com frequência nos meios instáveis, pois eles estão na transição entre meios estáveis
e instáveis. O autor chama a atenção que um ambiente que se encontra em estado de
pedogênese (estabilidade) pode evoluir para morfogênese em pouco espaço de tempo
decorrente das atividades humanas. Drew (1994) confirma o fato, pois do ponto de vista
humano, as intervenções realizadas ao meio ambiente trazem benefícios, mas os processos e
estruturas naturais podem sofrer mudanças inesperadas, às vezes, havendo reações em cadeia
geradas pela ação antrópica. Essas ações descuidadas possuem diferentes intensidades,
dependendo da suscetibilidade a mudanças do sistema e da tensão aplicada ao mesmo pelo
homem (DREW, 1994).
Na presente pesquisa, as formas de relevo serão utilizadas como parâmetros
importantes na definição das unidades de paisagem, uma vez que condicionam os processos
geomorfológicos, de circulação da água e os de formação de solo, além de serem elas mesmas
influenciadas por estes processos. Também, o relevo em si é resultado da ação do clima sobre
as litologias, sedimentos e estrutura geológica.
Conhecendo o meio físico e suas inter-relações, torna-se recomendado fazer o
planejamento ambiental como artifício para alcançar o desenvolvimento mais equilibrado do
território e a manutenção da qualidade do ambiente físico, biológico e social, assim
adequando as ações humanas às potencialidades e limitações. O planejamento surge pela
necessidade de organizar o uso da terra, compatibilizar esse uso com a proteção de ambientes
ameaçados e melhorar a qualidade de vida das populações. Portanto, ele não é feito a partir de
uma leitura estática do ambiente, deve-se situar o presente com base nas ocorrências passadas
para pode prever o futuro do espaço diagnosticado.
25

3 LOCALIZAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DA ÁREA DE ESTUDO

O rio Serafim é um afluente da bacia do rio Luís Alves, o qual pertence a bacia do rio
Itajaí-Açu. A bacia do rio Serafim tem aproximadamente 55km² e está completamente
inserida na porção sudoeste do município de Luís Alves, entre as coordenadas 26º43’03” lat.
S, 49º02’09” long. W e 26º48’00” lat. S, 48º 54’47” long. W (Figura 01, p. 26).
O município de Luís Alves localiza-se no Vale do rio Itajaí, no estado de Santa
Catarina e possui uma área de 259,882 km². O acesso principal ao município é feito a partir da
Rodovia BR-470, de onde se acessa a Rodovia SC 413, a qual passa pelo centro
administrativo do município. Há um acesso secundário que é feito pela Rodovia SC 414 (Rua
Prefeito Wyllibald Van Den Bylaartdt), ligando o centro de Luís Alves a Gaspar. A bacia do
rio Serafim é cortada pela Rodovia SC 414.
No interior da bacia do rio Serafim existem diferentes comunidades que se distribuem
de acordo com os vales dos seus afluentes, localmente denominados de “braços”. Desta forma
na área pertencente a bacia estão as comunidades de Santana, Alto Serafim, Braço Paula
Ramos, Braço Francês, Braço Serafim, Braço Joaquim, Braço Costa, Ribeirão do Bugre e
Ribeirão da Onça. Esta ocupação seguindo os “braços” (afluentes) do rio Serafim é comum
para as outras partes do município de Luís Alves e remonta ao período de colonização
europeia na bacia do rio Itajaí no fim do século XIX.
26

Figura 01 - Mapa de localização da bacia do rio Serafim - Luís Alves/SC


Vegetação Arbustiva e Arbórea
27

3.1 ASPECTOS DE OCUPAÇÃO HUMANA

O território de Luís Alves foi primeiramente ocupado por colonos europeus no final
do século XIX, em maior número por austríacos do sul da Áustria, italianos do norte da Itália
(que na época pertencia ao domínio do Império Austro-Húngaro), além de alemães em menor
número (OLIVEIRA, 1997). Antes dessas correntes migratórias, habitavam a região os índios
Xokleng.
Os imigrantes europeus vieram em busca de novas oportunidades. O momento
histórico não era favorável na Europa, pois havia muitos problemas devido à anexação de
parte da Itália pelo Império Austro-Húngaro e de guerras pela unificação do restante do
território da atual Itália (OLIVEIRA, 1997). O clima de guerras na península Itálica resultou
na decadência das atividades rurais, perda de terras e sucessivas crises econômicas que
geraram desemprego e miséria, deixando as pessoas sem perspectivas.
Para agravar a situação, a revolução de 1848 atingiu toda a Europa e nesse momento
também houve a mudança da economia agrária para a industrial, marcando o fim da sociedade
camponesa europeia (GROSSELI, 1987). Peluso Júnior (1991) complementa que com o
desenvolvimento da indústria no continente europeu, a população se concentrou nos centros
urbanos, portanto as atividades rurais e as terras das montanhas foram abandonadas
progressivamente, mas as indústrias não conseguiram absorver toda a mão de obra ociosa.
Conforme Piazza (1994), como a mão de obra era abundante, a emigração era uma
oportunidade que ajudaria tanto a Itália na situação crítica que se encontrava, quanto os países
que receberiam estes imigrantes. O governo brasileiro precisava substituir a mão de obra
escrava africana, para tanto a imigração era a resposta, agregando ao fato de que as terras do
sul do Brasil possuíam povoamento escasso, segundo Bohn (2007). Os europeus preferiram a
parte Meridional do Brasil, pois esta região tem clima subtropical com tendência a temperado,
o que a torna mais semelhante à sua região de origem (OLIVEIRA, 1997).
Em novembro de 1877, os imigrantes austríacos, italianos e alemães chegaram ao
porto de Itajaí. Dos 311 colonos, 79 foram enviados para Luiz Alves, colônia recém-iniciada e
o restante foi dirigido para Brusque (OLIVEIRA, 1997). Segundo Piazza (1994), os colonos
italianos e austríacos ocuparam lotes em torno dos rios Luís Alves e de seu afluente Ribeirão
Braço do Norte, já os alemães ocuparam lotes às margens do ribeirão Máximo, outro afluente
do rio Luís Alves. Os imigrantes que aportaram em dezembro do mesmo ano, foram
encaminhados para as proximidades de outros afluentes do Luís Alves, os Ribeirões Serafim e
Máximo (OLIVEIRA, 1997).
28

Como não havia estradas, os colonos foram desbravando a região a partir do curso do
rio Itajaí-Açu por meio de barcos. A partir do rio Itajaí-Açu, os colonos alcançaram um
afluente da sua margem direita, o rio Luís Alves e encontraram sítios favoráveis para se
estabelecerem, onde constituíram pequenas vilas (OLIVEIRA, 1997). Um sistema de lotes
começando junto às margens dos rios, nos fundos de vale com planícies, foi adotado porque a
área é predominantemente composta por relevo de morros e montanhas. Os lotes eram
estreitos e se alongavam em direção às encostas (BOHN, 2012). Para sua subsistência, os
imigrantes tinham lavouras de feijão e milho e, posteriormente, plantaram cana, aipim e
tubérculos (BOHN, 2003). Peixes, caças e frutas silvestres eram abundantes e
complementavam a dieta destes imigrantes (BOHN E TANCON, 2008).
Oliveira (1997) coloca que entre 21 e 27 de setembro de 1880, houve uma inundação
no vale do rio Luís Alves que causou a morte de 25 colonos e fez com que se perdessem
plantações e algumas casas, as quais em sua maioria se situavam às margens dos rios e foram
arrastadas pela forte correnteza. Dos que sobreviveram ao desastre, muitos abandonaram a
colônia, mas os que ficaram construíram novamente suas casas em regiões mais altas e
voltaram a trabalhar, refazendo suas lavouras (OLIVEIRA, 1997).
Com o passar do tempo, a população foi aumentando principalmente por crescimento
vegetativo, comumente encontravam-se casais com média de dez filhos (BOHN E TANCON,
2008). A prosperidade da pequena vila de Luís Alves permitiu sua transformação em
município, em 21 de julho de 1958, sendo desmembrado do município de Itajaí (OLIVEIRA,
1997).
Atualmente, segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –
IBGE realizado no ano de 2010, a população de Luís Alves é composta de 10.438 habitantes,
sendo destes 5.383 homens e 5.055 mulheres. A densidade demográfica do município é
aproximadamente de 40 habitantes por km²; a maioria da população, 69%, está concentrada
na porção rural do município, enquanto 31% encontram-se instalados no núcleo urbano.
As principais fontes de renda do município atualmente vêm da plantação de banana e
dos produtos derivados da silvicultura, como madeira em tora para lenha e para a produção de
carvão vegetal (IBGE, 2013). Na produção pecuária, destacam-se os bovinos com finalidade
de venda de leite e derivados, também há diversas granjas criadoras de frangos para corte e
galinhas para a venda de ovos e criações de suínos em menor número, mas que também geram
renda para o município, assim como a venda de mel (IBGE, 2013). A lavoura temporária é
constituída principalmente por arroz, mandioca e milho em grão (IBGE, 2013). Também é
produzido palmito de palmeira real.
29

Na bacia do rio Serafim, há poucos aglomerados urbanos, sendo que a maioria da


população vive no meio rural (Figura 02, p. 29). A economia gira em torno da venda de
produtos coloniais derivados de leite, como queijos, manteiga, nata e ricota; ovos vermelhos
de galinhas criadas nos arredores de casa, além de bovinos e suínos para corte. Também há
pesque-pague e muitos açudes particulares onde são criados peixes para consumo próprio e
para serem comercializados.

Figura 02 - Vila do Braço Serafim

Foto: Betina De Gasper. Data: 27/10/2014.

No interior da área de estudo encontram-se muitos alambiques que merecem


destaque devido à qualidade de seus produtos, como as cachaças produzidas com melado
derivado da cana e envelhecidas em barris de carvalho e as inovações como cachaças de
banana. Com as bananas e as frutas encontradas na localidade, como carambolas, jabuticabas,
mamões, são produzidas geleias e doces caseiros, os quais são comercializados.
As características e a dinâmica do meio físico na bacia do rio Serafim interferem na
sua economia haja vista que as atividades são predominantes agrícolas e dependentes do meio
natural. O evento de cheias de rios e movimentos de massa nas encostas ocorrido em
novembro de 2008 por causa das chuvas excepcionais que aconteceram na época provocaram
muitas perdas e danos e causou sérios prejuízos econômicos. Muitas residências não puderam
ser mais ocupadas devido a estarem em áreas de risco de erosão de margens de rios, de
inundações e de movimentos de massa. Atualmente, qualquer chuva mais forte que ocorre na
região já retorna as preocupações dos moradores.
30

4 MATERIAIS E MÉTODOS

Para a presente pesquisa foram elaborados mapas temáticos e realizadas análises em


campo para compreender as características e relações das variáveis que compõem o meio
físico. Além disso, foi elaborado um mapa de uso da terra para verificar se o uso atual do
território da bacia do rio Serafim está sendo utilizado de acordo com as potencialidades e as
limitações do seu meio físico.
Os mapas temáticos foram elaborados com uso de materiais bibliográficos e
cartográficos disponíveis e também a partir de interpretação de fotos aéreas e observações de
campo. A análise integrada dos elementos do meio físico foi realizada a partir do
conhecimento de cada variável estudada e da leitura de bibliografia de apoio.
O Mapa Planialtimétrico (Apêndice I. MAPA PLANIALTIMÉTRICO DA BACIA
DO RIO SERAFIM, EM LUÍS ALVES - S.C) foi confeccionado a partir das curvas de nível,
extraídas a partir do Modelo Digital de Terreno (MDT) disponibilizado pela Secretaria de
Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS). O MDT foi gerado a partir das
fotografias aéreas com resolução espacial de 0,39 m, adquiridas através do Levantamento
Aerofotogramétrico do Estado de Santa Catarina (SANTA CATARINA, 2013), realizado no
período entre os anos de 2010 e 2013 pela ENGEMAP (Engenharia Mapeamento e
Aerolevantamento Ltda.). O MDT é um arquivo em formato raster que representa os terrenos
sem cobertura vegetal e possui precisão altimétrica de 1 metro e grid com resolução espacial
de 1 metro (composto por uma matriz com pixels de 1x1 metro).
Com o auxílio do software ArcGIS 10.1, foi confeccionado o mosaico do MDT, pois
este foi disponibilizado em 8 arquivos em formato Geotiff (imagem) e com referências do
Sistema de Coordenadas WGS 84 (World Geodetic System 1984). O sistema de referência
para SIRGAS 2000-UTM 22S, pois ele é o Datum ofocial brasileiro. A partir do MDT foram
extraídas Curvas de Nível com equidistância de 10 metros através da ferramenta Contour do
ArcMap, pois esta é a equidistância recomendada pelo IBGE para mapas em escala 1:25.000.
A partir da análise do comportamento das Curvas de Nível extraídas do MDT e da
rede de drenagem, também produto do Aerolevantamento, pode-se delimitar o contorno da
bacia do rio Serafim, que é a área de estudo.
O Mapa de declividade da bacia do rio Serafim foi gerado a partir do MDT
fornecido pela SDS, sendo utilizado para obter tal resultado o programa ArcMap do software
ArcGIS. Com o auxílio da ferramenta ArcTollbox, a declividade foi obtida através do menu
3D Analyst Tools, Raster Surface, onde se encontra a janela Slope. Nesta janela, foi colocado
31

como dado de entrada o MDT recortado conforme um retângulo com área maior do que os
limites da bacia para não interferir no processo de interpolação para geração da declividade
em graus.
Após a geração da declividade, a área processada foi recortada conforme os limites da
bacia do rio Serafim através do Clip que se localiza na ferramenta ArcTollbox no menu Data
Management Tolls, Raster e Raster Processing, onde se encontra a ferramenta Clip. Os dados
de entrada foram a declividade gerada a partir do MDT e o contorno da bacia do rio Serafim.
A partir do dado obtido foram escolhidos seis intervalos de classes para a declividade,
sendo eles: 0-10, 10-17, 17-25, 25-35, 35-45 e acima de 45 graus. Esta quantidade de
intervalos deu uma melhor resposta visual do comportamento das declividades presentes na
bacia em relação aos testes efetuados com outras quantidades e intervalos de classe. Dos
intervalos propostos, o valor de 17 graus foi escolhido para uma das classes devido a Lei que
dispõe sobre o Parcelamento do Solo Urbano1, que atribui o valor igual ou superior a 30% (17
graus) em que não é permitido o parcelamento do solo. O valor de 25 graus foi optado a partir
da Legislação do Código Florestal2, que indica as áreas de ocupação limitadas assim como o
valor de 45 graus que indica as Áreas de Preservação Permanente (APP) - em zonas rurais ou
urbanas - nas encostas com declividades superiores a 45 graus (100%).
O Esboço Geológico da bacia do rio Serafim foi feito a partir do “Mapa Geológico
da Porção Meridional do Cráton Luís Alves - SC.” em escala 1:200.000, confeccionado por
André Fornari (1998) em sua Tese de Doutorado. A partir deste mapa temático, foram
extraídos os tipos litológicos que ocorrem na bacia do rio Serafim, assim como os
lineamentos (falhas, fraturas e linhas de forma estrutural). Tal mapa foi georreferenciado
através do programa ArcMap do software ArcGIS, com o auxílio da grade de coordenadas da
base cartográfica digital do IBGE, onde se pode visualizar os limites municipais do estado de
Santa Catarina, além disso para o georreferenciamento foi utilizada a rede de drenagem,
obtida do levantamento aerofotogramétrico da SDS.
Foram compiladas do “Mapa Geológico da Porção Meridional do Cráton Luís Alves -
SC” de Fornari (1998), as litologias: Associação Enderbítica e Associação Máfico-
Ultramáfica com e sem Magnetititos. Para as áreas com sedimentos recentes encontradas na
bacia foi utilizado o Mapa Geomorfológico construído para a presente pesquisa. Estas áreas
seguiram os limites dos compartimentos de relevo Rampas e Planícies colúvio-aluvionares e

1
Lei que dispõe sobre o Parcelamento do Solo Urbano: Lei No 6.766, de 19 de Dezembro de 1979, disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6766compilado.htm
2
Lei nº 12,651, de 25 de Maio de 2012 – Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2012/lei/l12651.htm
32

Planícies Fluviais, das quais puderam ser extraídas respectivamente as áreas de sedimentação
recente Colúvio-Aluvial e Flúvio-Aluvial.
As falhas, fraturas e linhas de forma estrutural também foram extraídas a partir do
Mapa Geológico de Fornari, sendo que algumas Linhas de Forma Estrutural adicionais
puderam ser identificadas pela interpretação visual dos divisores e vales presentes no relevo
da região, com uso das ortofotos digitais da SDS da bacia do rio Serafim e das imagens
presentes no programa Google Earth.
Através do ArcCatalog, do software ArcGIS, foi criado um Geodatabase com
shapefile contendo as classes Associação Enderbítica, Associação Máfico-Ultramáfica,
Associação Máfico-Ultramáfica com Magnetititos, Sedimentos Colúvio-Aluvial e Sedimentos
Aluviais na forma de polígonos. As linhas de falhas e fraturas e linhas de forma estrutural
forma representadas como linhas, sendo que para a vetorização das feições foi utilizada a
ferramenta Editor presente no ArcMap.
O Mapa Geomorfológico da Bacia do rio Serafim foi elaborado na escala 1:25.000 a
partir da interpretação de fotos aéreas impressas de 1978, ortofotos digitais de 2010 e 2011,
Mapa Planialtimétrico da Bacia do rio Serafim, Mapa de Declividade da Bacia do rio Serafim,
visualização do programa Google Earth e o reconhecimento de campo.
As fotos aéreas impressas estão na escala 1:25.000 e são produto do
aerofotolevantamento do estado de Santa Catarina realizado em 1978. Estas fotos aéreas
foram obtidas junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), sendo
utilizadas três faixas de voo e totalizando 23 fotos:
 Fotos da Primeira Faixa: 17965, 17966, 17967, 17968, 17969, 17970, 17971, 17972;
 Fotos da Segunda Faixa: 17875, 17876, 17877, 17878, 17879, 17880, 17881, 17882;
 Fotos da Terceira Faixa: 17810, 17811, 17812, 17813, 17814, 17815, 17816.
As fotos aéreas apresentam recobrimento e foram interpretadas por meio de
estereoscopia, que segundo Loch et. al. (1998), é a visualização de um mesmo objeto por dois
pontos de vista distintos, sendo cada imagem captada por cada olho, resultando em uma
imagem em três dimensões (noção de profundidade), que é a visão estereoscópica.
A visão estereoscópica é obtida a partir do equipamento denominado estereoscópio,
que é composto por um par de lentes convexas em um suporte (MARCHETTI et. al., 1986). A
estereoscopia é alcançada através do estereopar, ou jogo de duas fotografias, que devem
possuir o recobrimento, que de acordo com Sphor (2009), deve ser de 60% horizontalmente e
30% lateralmente, sendo que para o desenho de uma foto específica são utilizadas as fotos
anterior e posterior a ela.
33

Para a composição das feições do relevo presentes na bacia do rio Serafim foram
desenhados overlays em papel vegetal das fotos nº: 17965, 17967, 17969, 17971, 17876,
17878, 17880, 17882, 17811, 17813, 17815.
Após a finalização da interpretação das fotos, os overlays foram retificados a partir da
drenagem, curvas de nível e contorno da bacia hidrográfica presentes no mapa
planialtimétrico, para a correção de distorções geradas pelo fato de que as fotos aéreas se
encontram em projeção cônica. A interpretação já retificada em um único overlay foi
digitalizada e georreferenciada no software ArcGIS conforme os limites da bacia hidrográfica
do rio Serafim.
Com o auxílio do ArcCatalog foi criado um Geodatabase com as diversas classes que
melhor representam as formas de relevo presentes na bacia que foram encontradas a partir da
visão estereoscópica das Fotos Aéreas na escala 1:25:000. Tais feições foram transcritas em
formato shapefiles, como pontos, linhas e polígonos, sendo que na forma de pontos estão
representados os Topos Angulosos, Topos Convexos, Selas, Ombreiras e Quedas d’água; na
forma de Linhas estão representados Divisores de Água, Cristas, Mudanças de Inclinação,
Movimentos de Massa Antigos, Terraços e Anfiteatros; na forma de polígonos encontram-se
as Cicatrizes de Movimentos de Massa recentes, Depressões Fechadas, Superfícies
Estruturais, Corpos d’água, Movimentação de Terra (cortes e aterros), Dissecação em Morros
e Montanhas, Dissecação em Montanhas, Dissecação em Colina, Fundos de Vale, Rampas
Colúvio-Aluvionares.
Para a vetorização das feições, detalhamento e retificação do overlay confeccionado
através da Estereoscopia, foi utilizada a ferramenta Editor presente no ArcMap. Além da
vetorização das feições encontradas pela fotointerpretação das fotos aéreas 1:25.000, novas
feições foram encontradas a partir da interpretação em vídeo das ortofotos digitais de 2010 e
2011. As feições também foram identificadas com auxílio do Mapa de Declividade, o Mapa
Planialtimérico, a visão em três dimensões obtida através do software Google Earth e o
campo realizado para reconhecimento do local. Com estes instrumentos de apoio também
novas feições foram encontradas.
A primeira etapa do mapeamento foi separar as planícies fluviais das áreas de encosta.
Esta separação foi feita a partir da forma observada nas fotos aéreas de 1978 e ortofotos de
2010 e 2011, das imagens do Google Earth, da drenagem e das curvas de nível. Neste
compartimento de planícies fluviais, foram identificados terraços, que são rupturas abruptas
de inclinação e quedas d’águas nos rios.
34

As áreas altas foram agrupadas de acordo com seu grau de dissecação pela drenagem,
forma e altura das elevações. Desta forma, foram encontrados três modelados de dissecação
na área de estudo: dissecação em colina, em morros e montanhas e outro apenas com
dissecação em montanhas.
Nestes compartimentos de dissecação são encontrados divisores com topos angulosos
e convexos, com selas entre eles e também divisores na forma de cristas. As cristas são
caracterizadas por divisores retilíneos, extremamente angulosos. Em alguns locais, é possível
ocorrer cristas dissecadas e por isso aparecem alguns topos e selas sobre ela. Depressões
fechadas presentes no topo das elevações foram identificadas visualmente nas ortofotos por
sua forma e pela cor mais escura em função de acúmulo de umidade.
Nas encostas, foram mapeadas ombreiras, que são setores com inclinações mais
suaves, criando uma espécie de degrau no caimento geral. As superfícies estruturais aqui
mapeadas são caracterizadas por setores da encosta com declividade muito acentuada, mas
que não chegam a formar uma escarpa, quase sem dissecação pela drenagem. Mudanças na
inclinação nas encostas foram delimitadas a partir do espaçamento entre as curvas de nível,
somadas a mudança de declividades que pode ser vista no mapa e a visão em três dimensões
do Google Earth. Estas mudanças de inclinação podem criar patamares nas encostas. Os
Anfiteatros possuem formas côncavas e estão inscritos nas encostas.
As feições erosivas relativas a possíveis movimentos de massa antigos que foram
desenhados através da estereoscopia precisaram do auxílio da anomalia das curvas de nível
para detectar seus locais exatos, devido à distorção da foto aérea e a presença hoje de
cobertura vegetal. As cicatrizes de movimentos de massa recentes foram delimitadas a partir
das ortofotos de 2010 e 2011 e da visualização de imagens históricas e em três dimensões
obtida através do Google Earth.
Outro compartimento de relevo mapeado na área de estudo foram as rampas e
planíceis colúvio-aluvionares. Estas são áreas mais baixas situadas em diferentes altitudes que
recebem sedimentos menos selecionados das encostas próximas.
Ainda foram mapeadas as feições corpos d’água e movimentações de terra. Os corpos
d´água são os açudes criados pelos proprietários rurais e lagos de pesque-pague e clube de
recreação. A movimentação de terra são os casos de desmonte de encostas, aterros e
terraplenagens dos terrenos.
O Esboço Pedológico da Bacia do rio Serafim, em Luís Alves, foi elaborado com o
auxílio do Mapa de Reconhecimentos de Solos do Projeto Gerenciamento Costeiro (GERCO),
do ano de 2003 e escala 1:100.000, obtido através do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
35

e Estatística) em formato .dgn. Este formato de arquivo foi convertido para .shp com o auxílio
do software ArcGIS e os polígonos que compunham cada classe de solo foram recortados
conforme o contorno da bacia do rio Serafim através da ferramenta Clip presente no
ArcTollbox do programa ArcMap, componente do software ArcGIS.
Apesar de o Mapa de Solos do IBGE servir como base do mapeamento, também foram
utilizados o Mapa Geomorfológico, Esboço Geológico e de Declividade confeccionados para
a presente pesquisa. Estes mapas serviram para auxiliar no detalhamento das informações
sobre as classes de solos da bacia do rio Serafim. Reconhecimento e pesquisa em campo
também foram feitos. As formas de relevo e as declividades condicionam a formação e o
desenvolvimento dos solos, além da geologia.
As informações obtidas de fontes secundárias e dos mapeamentos realizados na
pesquisa foram introduzidas no mapa base (Mapa Planialtimétrico da Bacia do rio Serafim)
em escala 1:25.000. No Esboço Pedológico constam 6 classes, sendo que entre estas, cinco
são compostas por associações de dois ou mais tipos de solos conforme o ambiente que estão
localizados. São elas:

 Cambissolos em áreas íngremes.


 Associação Argissolo Vermelho Amarelo Latossólico Álico e Cambissolo Álico para
formas de relevo mais suaves e com menores inclinações.
 Associação Neossolo Litólico Álico e Cambissolo Álico, nas áreas mais íngremes.
 Associação Cambissolo e Argissolo em ambientes de morros e montanhas.
 Associação Argissolo e Cambissolo, nas colinas.
 Associação Gleissolo, Neossolo Flúvico e Cambissolo nos fundos de vale.

Para a confecção do Mapa de Uso da Terra da bacia do rio Serafim, foram


utilizadas as ortofotos obtidas através do Levantamento Aerofotogramétrico realizado pela
SDS, no Estado de Santa Catarina.
Através da ferramenta Editor do ArcMap, presente no software ArcGIS, foram
vetorizados polígonos para a representação das classes de Uso da Terra. Em análise prévia,
foram definidas doze classes para representar o uso e ocupação da área de estudo, sendo elas:
Vegetação Herbácea, Vegetação Arbustiva e Arbórea, Vegetação Arbórea ou Floresta,
Silvicultura, Cultivos Agrícolas, Solo Exposto, Mineração, Corpos d’água, Área Urbanizada,
Rede Viária, Faixa de Servidão de Linhas de Transmissão e Faixa do Gasoduto; sendo que
36

estas duas últimas pertencem a uma classe de Uso da Terra específica, pois em seu perímetro
há utilização do meio com restrições Conforme mostra a Tabela 01:

Tabela 01 - Classes de uso da terra

CLASSE COMPOSIÇÃO DA CLASSE AMOSTRA

Vegetação Herbácea vegetação pioneira ou pastagem plantada

Vegetação Arbustiva e capoeirinha e capoeira com pouca densidade


Arbórea de indivíduos

Vegetação Arbórea ou
capoeirão, mata primária ou mata secundária
Floresta

plantação de Pinus elliottii e Eucalypthus


Silvicultura
ssp.

palmeira real, cana de açúcar, milho,


Cultivos Agrícolas
mandioca e bananeiras

em cicatrizes movimentos de massa e


Solo Exposto
desmontes de terra

Mineração mineração de rocha e saibro

Corpos d’água açudes construídos


37

área com densidade de edificações e


Área Urbanizada
arruamento

rede viária pavimentada, não pavimentada e


Rede Viária
caminhos para as casas

Faixa de Servidão de faixa de vegetação rasteira relativa a linha de


Linha de Transmissão transmissão de energia elétrica

faixa de vegetação rasteira relativa ao


Faixa do Gasoduto
gasoduto

Fonte: Interpretação das ortofotos do Levantamento Aerofotogramétrico do Estado de Santa Catarina, 2013.

Na classe Vegetação Herbácea estão incluídas a vegetação pioneira, que é o primeiro


estágio de regeneração após o desmatamento, abandono ou movimento de massa e as
gramíneas plantadas para a criação de animais. Estas classes foram agrupadas porque a
resposta delas na foto é muito semelhante, portanto torna-se difícil distinguir a vegetação
nativa da vegetação plantada.
A classe Vegetação Arbustiva e Arbórea é composta pelos estágios de regeneração da
Mata Atlântica capoeirinha e capoeira que foram agrupados em uma classe única porque é
difícil separá-las visualmente, uma vez que são estágios intermediários com respostas difusas
nas fotos aéreas. Os locais em que havia conjugação de porte herbáceo, arbustivo, e arbóreo
foram incluídos nessa classe.
A classe Vegetação Arbórea ou Floresta é composta por capoeirão, mata primária e
secundária, visto a dificuldade de identificar cada uma destas subclasses, pois possuem
resposta muito semelhante dos pixels. Tais diferenças só podem ser distinguidas devido ao
reconhecimento em campo.
A Silvicultura se destaca em meio ao restante da vegetação, pois geralmente as árvores
de reflorestamento são plantadas em sequências retilíneas e em porções geométricas do
terreno. Os Eucalypthus ssp. são mais altos que a maioria da vegetação que os rodeiam e os
Pinus elliottii possuem bastante homogeneidade em suas copas quando possuem maior porte,
38

mas quando ainda em estágio mais baixo podem ser confundidos com bananeiras devido à
visualização dos caminhos usados nas plantações.
Os Cultivos Agrícolas são compostos pelas lavouras permanentes de bananas e
palmeiras reais e também de lavouras temporárias como cana de açúcar, milho e mandioca.
As plantações de banana possuem resposta do pixel da banda infravermelha muito semelhante
aos Pinus elliottii, porém foi possível a diferenciação devido a leve rugosidade das bananas
nas imagens e a localização das plantações, que são mais próximas das vias; além também da
existência de caminhos sinuosos no interior das plantações, os quais são ausentes na classe
Silvicultura.
Áreas referentes a solo exposto são resultantes de movimentos de massa, onde ainda
não houve regeneração da vegetação no interior das cicatrizes e depósitos. Isto ocorre devido
ao solo ter sido degradado. A classe Solo Exposto também engloba cortes nas encostas e
terraplenagens para aproveitamento dos terrenos.
Outra classe de uso da terra é a de Mineração. Há duas áreas de mineração no local,
elas destoam do restante do solo exposto devido ao tamanho da área ocupada e sua forma
mais arredondada, desmontando as encostas. Também auxiliou no processo de mapeamento o
conhecimento prévio da área.
Os Corpos d’Água se configuram nos açudes construídos pela população local que
canaliza a água dos córregos através de canalizações para seu acúmulo em áreas embaciadas
naturais ou escavadas.
A área urbana é escassa, sendo somente vetorizadas as áreas que estavam visíveis na
escala proposta, portanto, as residências menores e mais isoladas não apareceram no Uso da
Terra.
A rede viária identificada foi dividida em três classes, sendo elas: estrada
pavimentada, estradas não pavimentadas e caminho para as propriedades, sendo que nas
estradas pavimentadas, somente a rodovia que corta a bacia é pavimentada. A diferenciação
ente estes tipos de vias foi possível devido à largura das mesmas e a cor delas na imagem,
sendo a estrada pavimentada em tom de cinza chumbo, as estradas não pavimentadas mais
finas e em tons de alaranjado. Os caminhos para as propriedades foram diferenciados por sua
espessura menor.
A área relativa à Faixa de Servidão das Linhas de Transmissão da Eletrosul é
discernível devido à vegetação mais baixa que destoa do restante do ambiente. As áreas
exatamente abaixo da Linha são mantidas em sua maioria por vegetação herbácea, arbustiva e
arbórea de pequeno porte, para evitar o contato com a Linha de alta tensão.
39

A Faixa relativa ao Gasoduto Bolívia-Brasil (GASBOL) é mais estreita que a das


Linhas de Transmissão, mas também se destaca por possuir vegetação rasteira e com raízes
pouco profundas para evitar qualquer acidente, como rompimento do gasoduto.
As Unidades de Paisagem da bacia do rio Serafim foram definidas através da
análise integrada dos componentes e das relações existentes no meio físico por meio do
cruzamento da geologia, pedologia, declividade em cada uma das unidades geomorfológicas.
Após a análise dos componentes do meio físico, os aspectos de ocupação humana foram
analisados de maneira integrada aos aspectos físicos para ver se esses usos atuais são
adequados as potencialidades e limitações do meio físico.
A nomenclatura atribuída a cada unidade de paisagem está relacionada com suas
características de relevo predominantes que as distinguem das outras unidades. Na área de
estudo foi possível detectar quatro unidades de paisagem:

 Unidade de Fundos de Vale – formada pela união dos compartimentos de relevo


Rampas e Planícies Colúvio-Aluvionares e compartimento de Planícies Fluviais;
 Unidade de Colinas – formada pelo compartimento de Colinas;
 Unidade de Morros e Montanhas – formada pelo compartimento de Morros e
Montanhas;
 Unidade de Montanhas – formada pelo compartimento de Montanhas.
40

5 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

As características do meio físico e o uso e ocupação humana da bacia do rio Serafim


serão apresentados a seguir a partir da discussão de cada variável em separado, porém quando
possível e necessário há inter-relações entre elas. As unidades de paisagem são discutidas em
seguida, utilizando as informações sobre cada variável para sua caracterização e dinâmica.
Problemas gerados pela ocupação humana por causa da falta de conhecimento dos ambientes
naturais, os quais são as unidades de paisagem, são apontados, bem como os usos mais
adequados.

5.1 ASPECTOS CLIMÁTICOS DA BACIA DO RIO SERAFIM

A bacia do rio Serafim está localizada no vale do rio Itajaí em área de clima
subtropical, com influência da proximidade com o mar, das menores altitudes e da latitude
subtropical. A região onde se encontra o estado de Santa Catarina está na área de encontro de
massas de ar tropicais e polares, mas outros sistemas atmosféricos também são responsáveis
pelos tipos de tempo, tais como vórtices ciclônicos, bloqueios atmosféricos, convecção
tropical, La Niña - El Niño e Complexos Convectivos de Mesoescala (MONTEIRO, 2001).
As temperaturas são mais baixas no inverno devido à declinação do sol no horizonte e
à influência da chegada de massas de ar polares e frias vindas das proximidades do continente
Antártico (MONTEIRO, 2001). De acordo com dados da estação meteorológica de Blumenau
(Figura 03, p. 41), a qual está próxima do limite da bacia do rio Serafim, pode-se concluir que
as temperaturas médias mensais variam de 15,6°C no mês de julho a 24,5°C no mês de
janeiro.
A precipitação mensal mínima na bacia ocorre no mês de julho com 63,4mm e a
máxima em janeiro como 191,9mm, a partir da análise da estação meteorológica de
Blumenau. As chuvas são mais abundantes nos meses de janeiro e fevereiro, entretanto em
setembro e outubro também há significativa quantidade de precipitações. Nos meses de verão,
as precipitações que caem na área de estudo estão mais ligadas à atuação da convecção
tropical, enquanto no inverno, as frentes frias podem influenciar mais a sua quantidade e
distribuição.
41

Figura 03 - Temperatura média mensal e precipitação média mensal do município de


Blumenau/SC

Fonte: Dados da Estação Pluviométrica de Blumenau. SANTA CATARINA, 1986.


Elaboração: Betina De Gasper.

Os dados referentes a precipitações diárias da estação pluviométrica localizada no


município de Luís Alves/SC - coordenadas 26º43’27” lat. S e 48º55’54” long.W - foram
retirados do site da ANA (Agência Nacional de Águas). Estes dados possuem início no ano de
1941 e terminam no ano de 2011, sendo que há diversas falhas em períodos diários e mensais
e nos anos de 2007 e 2008 não há nenhuma medição registrada pela estação.
Foram analisadas as precipitações que ocorrem no município de Luís Alves com
atenção especial para a ocorrência de chuvas excepcionais com precipitações maiores ou
iguais a 100 milímetros diários e também foram analisados períodos com mais de 20 dias
contínuos sem chuvas. Os eventos extremos de estiagens e de chuvas excepcionais provocam
mudanças no sistema - bacia hidrográfica. A análise dos episódios de chuvas é importante
para o conhecimento da dinâmica da bacia hidrográfica do rio Serafim, pois como a bacia é
um sistema aberto, necessita de matéria e energia para sua alimentação vindos de fora dele, o
qual são representados pela precipitação. As atividades humanas presentes no interior da bacia
também dependem diretamente das chuvas.
Sobre os episódios de chuvas com 100 mm ou mais, foi analisado o intervalo de 69
anos (1942 a 2011) e foram registradas 34 ocorrências, conforme mostra a Tabela 02. O ano
de 1960 apresentou a maior quantidade de episódios de chuvas excepcionais, sendo quatro
eventos, enquanto os anos de 1967 e de 1989 apresentaram três eventos de chuvas
excepcionais cada um.
42

Tabela 02 - Episódios de chuvas com mais de 100 mm diários - Luís Alves/SC


Chuva Chuva
Data Data
(mm) (mm)
17/02/1942 129,0 12/02/1967 130,0
26/11/1944 111,3 18/02/1967 151,3
24/02/1945 103,6 23/02/1967 173,8
15/02/1948 161,7 02/02/1970 215,0
17/05/1948 118,2 19/10/1978 118,0
28/03/1949 117,7 06/01/1983 131,2
02/03/1950 119,8 07/08/1984 125,0
25/01/1952 119,9 22/11/1985 123,4
26/02/1958 107,3 14/02/1987 145,0
19/01/1960 104,8 30/12/1987 128,0
02/03/1960 128,4 05/01/1989 100,0
28/11/1960 124,6 23/02/1989 145,0
29/11/1960 122,2 20/03/1989 104,0
01/01/1961 133,6 02/02/1992 130,2
23/02/1961 127,8 12/01/2002 100,3
19/03/1962 143,2 02/03/2003 102,9
07/04/1965 108,5 22/01/2011 112,5
Fonte: Estação Pluviométrica do município de Luís Alves/SC. ANA, 2014.

No município de Luís Alves há uma média de dois episódios de chuvas excepcionais


com mais de 100 mm a cada ano. A precipitação máxima em 24 horas foi registrada com 215
mm, no dia 02 de fevereiro do ano de 1970. Como há falhas nas medições, pode ter havido
episódios com maiores precipitações, como no ano de 2008 que foi muito chuvoso. Neste ano
choveu quase de maneira contínua desde setembro até final de novembro, sendo que no mês
de novembro houve dias também com chuvas muito intensas e foram registradas ocorrências
de movimentos de massa, enxurradas e inundações que geraram transtornos para a população
que ali reside. Através de dados da estação pluviométrica da EPAGRI (Empresa de Pesquisa
Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) do município de Blumenau, pode-se
estimar os valores das precipitações que ocorreram no mês de novembro de 2008. Nos dias 23
e 24 de novembro do ano de 2008 foram registradas precipitações com valores de 243,5 e
250,9 mm em 24 horas na estação de Blumenau.
Em contrapartida foram analisados no período de 1948 a 2010 eventos com mais de 20
dias de escassez de chuvas. Foram encontrados 36 episódios que possuem 20 dias ou mais
sem chuvas em um intervalo de 62 anos. Destes 36 episódios, 9 foram de 21 dias sem
precipitação e o maior período sem precipitação se deu no ano de 1963 (de 16/06 a 21/07)
com 36 dias sem precipitação. Ressalta-se que no ano de 1963, houve quatro episódios com
43

escassez de chuvas, período quase contínuo de 10 de abril a 15 de setembro, como mostra a


Tabela 03:

Tabela 03 - Episódios com mais de 20 dias de escassez de precipitações - Luís Alves/SC

Total de dias Total de dias


Intervalo Intervalo
sem chuva sem chuva
05/06/1948 - 02/07/1948 28 27/06/1974 - 20/07/1974 24
27/08/1951 - 15/09/1951 20 27/09/1974 - 23/10/1974 27
09/07/1951 - 06-08/1951 29 13/09/1976 - 03/10/1976 21
16/04/1952 - 06/05/1952 21 26/06/1977 - 15/07/1977 20
11/06/1953 - 03/07/1953 23 18/05/1978 - 07/06/1978 21
25/07/1953 - 23/08/1953 30 28/03/1978 - 29/04/1978 33
29/07/1954 - 20/08/1954 23 23/05/1980 - 19/06/1980 28
25/06/1960 - 17/07/1960 23 21/05/1983 - 10/06/1983 21
18/04/1960 - 14/05/1960 27 30/07/1985 - 20/08/1985 22
19/05/1961 - 11/06/1961 24 22/07/1986 - 11/08/1986 21
31/07/1962 - 19/08/1962 20 10/09/1994 - 30/09/1994 21
26/08/1963 - 15/09/1963 21 13/04/1995 - 05/05/1995 23
10/04/1963 - 02/05/1963 23 04/05/1996 - 07/06/1996 35
05/05/1963 - 02/06/1963 29 20/04/1997 - 13/05/1997 24
16/06/1963 - 21/07/1963 36 27/05/2000 - 16/06/2000 21
07/05/1963 - 28/25/1963 22 30/07/2001 - 20/08/2001 22
22/04/1968 - 15/05/1968 24 22/04/2006 - 16/05/2006 25
05/09/1974 - 24/09/1974 20 23/06/2010 - 12/07/2010 21
Fonte: Estação Pluviométrica do município de Luís Alves/SC. ANA, 2014.

A escassez de chuvas prejudica as atividades agrícolas, pois certas culturas necessitam


de chuvas regulares e as atividades ligadas à criação de animais, pois estes dependem
diretamente da água para irrigar a vegetação que lhes serve de alimento. Também as
comunidades que se localizam onde ainda há estradas não pavimentadas sofrem com a poeira
que invade as casas.
Assim como a escassez de chuvas causa problemas, seu excesso causa problemas
maiores ainda. O excesso de chuvas também prejudica os cultivos agrícolas, pois alguns tipos
de culturas exigem solos mais secos e se o solo fica encharcado, se perdem as plantações,
assim como os animais que possuem como pastagens as margens dos rios, e se estas ficarem
inundadas, os animais não têm onde pastar, assim como o alimento deles fica comprometido.
Os rios também sofrem processos de extravasamento de suas águas (inundações),
erosão de margens e assoreamento. Mas o maior problema gerado através do excesso das
chuvas é a saturação do solo que pode ocasionar movimentos de massa, com consequências
44

nas encostas onde ocorrem as rupturas e nos fundos de vales onde ocorre a deposição dos
sedimentos.

5.2 ASPECTOS GEOLÓGICOS DA BACIA DO RIO SERAFIM

Os terrenos que compõem a bacia do rio Serafim apresentam uma geologia


diversificada, pois esta é a região de afloramento do Complexo Granulítico de Santa Catarina
(CGSC). A denominação “Complexo Granulítico de Santa Catarina” foi feita por Hartmann et
al. (1979) segundo Fornari (1998), mas há outras formas de denominar esta geologia, como
“Domínio Luís Alves” atribuído por Siga Júnior (1995).
A área de estudo sofreu diversos eventos tectônicos ao longo do tempo geológico, pois
são rochas muito antigas, com bilhões de anos. Estes eventos tectônicos provocaram o
retrabalhamento das rochas originais, gerando um complexo litológico variado e singular,
composto por rochas dos períodos Arqueano e Paleoproterozóico (FORNARI, 1998). As
rochas do Complexo Granulítico de Santa Catarina foram datadas por Siga Júnior (1995)
através de diversos métodos radiométricos (Sm-Nd, Rb-Sr, U-Pb, Pb-Pb e K-Ar), encontrando
rochas com idades variando entre 2,6 bilhões e 01 milhão de anos.
Este autor discute a história geológica dos terrenos presentes no Complexo Granulítico
de Santa Catarina, dividindo-a em cinco eventos geológicos:
 O primeiro evento ocorreu anteriormente a 2,6 bilhões de anos, quando houve
diferenciação entre crosta e manto. Ainda ocorreram sucessivos acréscimos de
materiais do manto nas camadas mais superficiais.
 O segundo evento ocorreu ente 2,6 e 0,2 bilhões de anos. Neste evento, os terrenos do
CGSC passaram por metamorfismo regional da fácies granulito, com desenvolvimento
de paragêneses (recristalização) de ortopiroxênio.
 O terceiro evento está relacionado com o metamorfismo regional da fácies anfibolito.
Neste metamorfismo com migmatização houve desenvolvimento de bandamentos
gnáissicos e possivelmente adição de material superficial à crosta no período de 2,0 a
0,2 bilhões de anos.
 O quarto evento está relacionado com a estabilização tectônica regional devido ao
resfriamento da crosta. Isto se deu entre 1,9 e 0,2 bilhões de anos.
 O quinto e último evento descrito pelo autor ocorre entre 0,6 e 0,1 bilhões de anos e
trata-se da reativação de estruturas antigas, como as zonas de falhas - próximo às
zonas de contato com os outros domínios tectônicos.
45

Fornari (1998) coloca outra proposta de evolução geológica para as rochas que
compõem o Complexo Granulítico de Santa Catarina, ele cita que este complexo sofreu três
eventos de metamorfismo, sendo o primeiro de fácies granulito até fácies anfibolito, o
segundo de fácies xisto verde e o terceiro representado por metamorfismo por causa de
movimentos tectônicos com falhas e fraturas. O evento mais expressivo foi o de fácies
granulito, que gerou rochas com textura granoblástica poligonal por causa principalmente de
cristais de ortopiroxênio, clinopiroxênio e plagioclásio (FORNARI, 1998). A fácies anfibolito
foi gerada a partir do metamorfismo sobre rochas da fácies granulito e são representadas pelas
zonas de cisalhamento dúctil (FORNARI, 1998). No terceiro evento, ocorreu intenso
metamorfismo da fácies xisto verde, gerando fraturamentos e falhamentos. Como produto, o
metamorfismo gerou cloritas alongadas nos planos de falha com direção Norte-Sul e
Nordeste-Sudeste (FORNARI, 1998).
Diferentes litologias e estruturas resultaram destes eventos. No Complexo Granulítico
de Santa Catarina são encontradas as associação máfico-ultramáfica, associação enderbítica e
associação metassedimentar segundo Fornari (1998) mais falhas, fraturas, veios e foliações
metamórficas (Figura 04, p. 45). Na bacia do rio Serafim, em Luís Alves, podem ser
observadas as litologias da associação máfico-ultramáfica e associação enderbítica. (Apêndice
III. ESBOÇO GEOLÓGICO DA BACIA DO RIO SERAFIM).

Figura 04 - Foliação Metamórfica criando erosão diferencial em rocha. Local: Braço Francês

Foto: Betina De Gasper. Data: 27/10/2014.


46

A Associação máfico-ultramáfica encontra-se na parte central da bacia do rio


Serafim, sendo que a montante da bacia há esta mesma associação, mas com a presença de
magnetititos. O restante da área da bacia é composto por rochas da associação enderbítica,
com exceção dos fundos de vales, onde afloram os sedimentos recentes dos períodos Terciário
e Quaternário.
Nesta associação, estão rochas que possuem magmatismo e metamorfismo cogenético,
são elas piroxenitos, noritos, gabronoritos, gabros e magnetititos (FORNARI, 1998). Os
piroxenitos são formados basicamente por clinopiroxênio, ortopiroxênio e plagioclásio, tendo
como minerais secundários hornblenda, flogopita, actinolita e minerais opacos (FORNARI,
1998).
Os Noritos, Gabros e Gabronoritos estão expostos na forma de blocos nas encostas de
morros e montanhas, pois não possuem afloramentos contínuos (FORNARI, 1998). Fornari
(1998) comenta que áreas como as pedreiras de pequeno porte para exploração de
“macadame” que existem nesta zona do afloramento da Associação Máfica-Ultramáfica são
compostas por Noritos, Gabros e Gabronoritos. Esses tipos de rochas possuem como
composição mineral principal variações de salita a augita, ortopiroxênio (hiperstênio) e
plagioclásios (variando de andesina a labradorita), possuindo como minerais secundários
hornblenda, biotita, clorita, quartzo e minerais opacos que são representados por cristais
anédricos de magnetita, há também na forma de minerais acessórios o zircão e a apatita
(FORNARI, 1998). De acordo com Fornari (1998) o quartzo aparece nestas rochas em forma
de vênulas injetadas em diversos locais da rocha encaixante.
Os Magnetititos que ocorrem associados às rochas máfico-ultramáficas são
representados por rochas maciças compostas por 95% de magnetita, 3% de ilmenita e 2% de
plagioclásio e piroxênios, sendo que nestas rochas pode haver na parte interna de seus grãos
traços de hematita, sulfetos e lamelas de ulvoespinélio (FORNARI, 1998). Devido à
passagem de fluídos durante as reações metamórficas, os grãos de magnetita e ilmenita
possuem um pequeno grau de oxidação em suas bordas, formando hematitas (FORNARI,
1998).
Segundo Fornari (1998) a Associação Enderbítica ocorre em toda a parte ao sul do
Complexo Granulítico de Santa Catarina e é representada por afloramentos na forma de lajes
no interior da rede de drenagem, também presente na forma de matacões nas encostas dos
morros e montanhas, em diversos cortes nas estradas e algumas pedreiras (Figuras 05 e 06, p.
47).
47

Figura 05 - Afloramento Rochoso. Figura 06 - Detalhe de rocha do


Local: Braço Francês Afloramento Rochoso

Foto: Armando Felício De Gasper. Foto: Betina De Gasper.


Data: 27/10/2014. Data: 27/10/2014.

O autor coloca que a rocha predominante desta associação são os enderbitos, que são
rochas de composição intermediária que possuem composição mineralógica basicamente de
plagioclásio (andesina), quartzo, ortopiroxênio (hiperstênio), clinopiroxênio (augita) e
escassas granadas almandinas juntamente com anfibólios; como minerais secundários há
hornblenda e biotita e como minerais acessórios há zircão, apatita e opacos.
Charno-enderbitos também fazem parte da associação enderbítica. Estes foram
formados a partir dos enderbitos que tiveram sua composição modificada, com o aumento dos
minerais máficos, tanto que os charno-enderbitos podem possuir até 30% de sua composição
por minerais máficos (FORNARI, 1998). Também há presença de rochas trondhjemíticas
(composição plagioclásio, quartzo e até 2% de feldspato potássico) (FORNARI, 1998).
Conforme Fornari (1998), na associação enderbítica podem ser observados diversos
graus de recristalização das amostras e diferentes estruturas. Há estruturas gnáissicas,
migmatíticas, ígneas e miloníticas nestas rochas (FORNARI, 1998). A estrutura ígnea mostra
uma origem magmática para parte destas rochas, enquanto as estruturas gnáissica e
migmatítica revelam uma origem de metamorfismo regional. Na estrutura migmatítica, as
rochas possuem leucossoma tonalítico/trondhjemítico/granodiorítico e melanossoma
48

gabróico/gabronorítico (FORNARI, 1998). A estrutura milonítica tem origem no


metamorfismo dinâmico sofrido pelas rochas já retrabalhadas pelo metamorfismo regional.
No Complexo Granulítico de Santa Catarina ainda há rochas que foram criadas através
de metamorfismo dinâmico ou de atrito. Fornari (1998) encontrou amostra de tectonito que
foi gerado a partir de rochas de composição gabronorítica em zonas de cisalhamento dúctil. O
tectonito possui composição de quartzo em maior proporção, biotita, feldspato e granadas em
menor proporção.
Fornari (1998) coloca que a fácies anfibolito sofreu metamorfismo dinâmico com
percolação de fluídos nas zonas que ocorreu intenso cisalhamento. Como evidência deste
fenômeno, há anfibólios e biotitas estirados por deformação, que são frutos da transformação
do piroxênio por causa do contato com os fluídos percolados (FORNARI, 1998) (Figuras 07 e
08, p. 48).

Figura 07 - Intrusão de rocha em Falha ou Figura 08 - Detalhe da Intrusão de Rocha


Fratura. Local: Braço Francês em Falha ou Fratura

Foto: Armando Felício De Gasper. Foto: Betina De Gasper.


Data: 27/10/2014. Data: 27/10/2014.

Em zonas de cisalhamento dúctil, Fornari (1998) encontrou metamorfismo do tipo


metassomatismo, que transformou minerais da associação máfico-ultramáfica, como biotitas e
hornblendas que surgiram através da regressão de piroxênios.
49

As zonas miloníticas presentes na associação enderbítica, formaram-se em níveis


profundos da crosta, como Fornari (1998) coloca, há infiltração de fluídos nesta zona, assim
como piroxênios estirados estão presentes devido à condição dúctil. Nas rochas miloníticas,
há também textura granoblástica poligonal de plagioclásio e quartzo, gerada a partir do
processo de recristalização (FORNARI, 1998). Estes milonitos apresentam-se em faixas que
variam de poucos metros até no máximo 100 metros, sendo que em alguns lugares os
milonitos foram enriquecidos pela infiltração de fluídos, o que pode ter gerado veios quartzo-
feldspáticos. No leito do rio Serafim foi encontrado um bloco de quartzito. Fornari (1998)
coloca que no Complexo Granulítico de Santa Catarina, estes quartzitos podem ser originados
em zonas de cisalhamento (Figura 09, p. 49).

Figura 09 - Bloco de Quartzito no leito do rio Serafim. Local: Braço Serafim

Foto: Betina De Gasper. Data: 03/05/2014.

Em relação aos lineamentos presentes na área de estudo, Fornari (1998) encontrou


linhas de forma estrutural, falhas e fraturas. As linhas de forma estrutural indicam as foliações
metamórficas regionais e outras estruturas deformadas. As fraturas e falhas indicam tectônica
rúptil e dúctil com movimentação ou não de blocos.
Na bacia do rio Serafim encontra-se uma falha conjugada do tipo 120/60, a qual é
fruto de esforços compressivos. As direções destas falhas são NNE-SSW e ENE-WSW. Os
leitos dos rios Serafim e do Bugre se encaixaram nestas falhas conjugadas, conforme pode ser
50

observado no Esboço Geológico da Bacia do rio Serafim. O rio Serafim primeiramente segue
pela falha de direção NNE-SSW e quando as falhas se cruzam, ele passa a correr na direção
ENE-WSW. O rio do Bugre corre também na falha de direção NNE-SSW, mas no
cruzamento, ele alcança o rio Serafim, do qual é afluente. Há também uma linha de falha e/ou
fratura importante mapeada por Fornari (1998) presente na área central da bacia, a qual é
aproximadamente paralela à falha NNE-SSW citada anteriormente.
Na parte leste da bacia do rio Serafim, as linhas de forma estrutural possuem direção
preferencial de NNE-SSW, mas também há algumas linhas que cortam na direção NE-SW. A
porção oeste da bacia possui menos linhas de forma estrutural, sendo que as linhas existentes
mais expressivas possuem direção E-W e NNE-SSW.
Nos fundos dos vales e sopés de encostas presentes na bacia são encontrados os
sedimentos recentes, depositados no período Quaternário (Pleistoceno e Holoceno) (IBGE,
2002). São sedimentos colúvio-aluvionares e sedimentos aluviais.
Os Sedimentos colúvio-aluvionares são encontrados nas rampas colúvio-aluvionares
e nos fundos de vale dos rios de ordens inferiores. Estes sedimentos são constituídos de
areias, siltes e argilas, formando uma matriz mais fina para sedimentos mais grossos, como
seixos, cascalhos e até matacões (IBGE, 2002). Os fragmentos na matriz são angulosos,
indicando pequeno retrabalhamento por transporte e/ou tempo de exposição do depósito ao
intemperismo, pois com o tempo as arestas são arredondadas pelo intemperismo químico.
No evento de 2008, houve diversos deslizamentos, corridas de detritos e fluxos
torrenciais que produziram sedimentos das mais variadas granulometrias. Na base das
encostas estão os sedimentos coluvionares em maior quantidade, pois não são selecionados,
mas na medida em que se espraiam nas planícies estes sedimentos foram sendo selecionados
(alúvios), isso pode ser observado principalmente nos depósitos dos movimentos de massa.
Os colúvios dos movimentos de massa presentes nas cicatrizes e no sopé das elevações
atualmente estão sendo retrabalhados pela ação do escoamento superficial, deixando os
sedimentos mais selecionados.
Os Sedimentos aluviais são representados pelos depósitos de barra de canal, sendo
constituídos por finos como silte e argila, e também arenosos e clastos. Também há presença
nos leitos dos rios de matacões e blocos provindos das encostas a montante e laterais dos rios
por causa do evento do desastre de 2008.
51

5.3 ASPECTOS GEOMORFOLÓGICOS DA BACIA DO RIO SERAFIM

O relevo presente na bacia do rio Serafim possui alto grau de dissecação, as elevações
encontram-se em altitudes entre 60 metros na foz do rio Serafim e mais de 850 metros a
montante da bacia, no Morro do Cachorro (Apêndice IV. MAPA GEOMORFOLÓGICO DA
BACIA DO RIO SERAFIM).
A rede hidrográfica apresenta rios perenes e é densa. Ela reflete a estrutura geológica
presente na bacia. O padrão da rede de drenagem é dendrítico para os rios de ordens inferiores
e grosseiramente retangular para os rios de ordens maiores. Há vários segmentos de rios
retilíneos que seguem lineamentos estruturais. O próprio vale principal do rio Serafim se
instalou em lineamentos estruturais. Inclusive, no seu médio vale há um cruzamento de
lineamentos conjugados muito bem caracterizado, como pode ser observado no Mapa
Geomorfológico da Bacia do rio Serafim.
Nas encostas, os vales são incisos e apenas o rio principal e alguns rios de ordens
superiores é que apresentam vales com planícies, mesmo assim não são vales muito largos.
Há muitos casos de leitos rochosos, inclusive com ocorrências de quedas d’água/corredeiras
(Figura 10, p. 51). Isto indica a presença de rochas de maior resistência.

Figura 10 - Rio Serafim com leito rochoso instalado em vale encaixado. Local: Alto Serafim

Foto: Betina De Gasper. Data: 21/06/2014.


52

As Planícies Fluviais são áreas planas que acumulam sedimentos e estão sujeitas a
inundações, processos de assoreamento, fluxo torrencial e erosão das margens dos rios pela
migração lateral do canal. Muitos trechos de canais fluviais nestas planícies apresentam
padrão meândrico, mas em alguns locais, estes canais se encontram retilinizados por ação
humana como forma de evitar inundações. Os trechos de canal abandonado após a
retilinização permanecem como áreas úmidas e sujeitas a alagamentos. Há meandros
abandonados naturalmente pela divagação lateral do rio e devido a canalizações, mas que não
puderam ser mapeados devido às restrições impostas pela escala.
É possível observar a migração lateral dos canais com erosão de margens de um lado e
deposição de sedimentos do outro. Há diversos bancos de sedimento na forma de barra de
canal lateral. Estes bancos de sedimentos se tornaram mais significativos e com grãos
maiores, até com matacões, após o desastre de 2008, segundo observações de campo na época
e atualmente. Na ocasião, o rio apresentava bancos de sedimentos de diferentes tamanhos,
com muitos finos, mas atualmente houve uma lavagem gradativa dos finos e sobram apenas
os sedimentos mais grossos de areias, grânulos e blocos, principalmente nas laterais do canal
(Figura 11, p. 52).

Figura 11 - Banco de sedimentos provindos do desastre de 2008, no rio Serafim. Local: Braço
Serafim

Foto: Betina De Gasper. Data: 27/10/2014.


53

Há ocorrência de terraços nas planícies da bacia, marcados por quebras de declive.


Nem todos puderam ser mapeados na escala trabalhada na presente pesquisa. Os terraços
marcam as planícies de inundação anteriores e são constituídos por depósitos de materiais
grosseiros a finos, provindos da planície de inundação. Os terraços encontrados na área de
estudo estão presentes apenas de um dos lados da planície, o que talvez indique uma outra
origem para eles, além do rebaixamento do nível de base.
No seu baixo vale, junto à entrada da localidade Braço do Bugre, o leito do rio Serafim
está situado no sopé das encostas, com processo de erosão da margem. Isto provoca
movimentos de massa por retirada de suporte basal e o reafeiçoamento da encosta, tornando-a
mais íngreme. Este fenômeno também ocorre na localidade Braço Serafim.
Os fundos de vale do rio Serafim e seus afluentes são limitados por diferentes
compartimentos de dissecação com presença de elevações na forma de colinas, morros e
montanhas. Foram encontrados os seguintes compartimentos de dissecação na bacia do rio
Serafim: Compartimento de Colinas, Compartimento de Morros e Montanhas e
Compartimento de Montanhas somente.
O Compartimento de Colinas possui formas características que destoam do restante
do ambiente, como o arredondamento do topo das elevações. Apresenta elevações com altura
em torno de 60 m, com encostas convexo-côncavas e inclinações mais suaves. Sua ocorrência
na bacia do rio Serafim é no alto vale, junto das planícies fluviais dos afluentes Paula Ramos
e Santana, com menor ocorrência junto a planície do rio principal.
Em algumas colinas, é possível encontrar depressões fechadas (áreas embaciadas) em
seu topo. Elas apresentam formas irregulares e sua origem pode estar associada ao
cruzamento de fraturas, o que poderia condicionar mais intemperismo, com retirada de
solutos. Esta retirada de solutos poderia rebaixar o terreno no topo das colinas.
Em uma destas depressões, quando há chuvas intensas, a água acumulada no seu
interior extravasa da depressão e escoa pela encosta. Este fenômeno está provocando a
abertura de uma voçoroca na encosta.
Outra feição comum nas colinas é a presença de anfiteatros inscritos nas suas encostas.
Estes anfiteatros se configuram como cabeceiras de drenagem por concentrarem fluxos tanto
em superfície como em subsuperfície. Em alguns pontos, estes anfiteatros parecem resultados
de movimentos de massa provocados pela retirada da base da encosta por erosão fluvial
(Figura 12, p. 54).
54

Figura 12 - Colinas com anfiteatros e rupturas ao longo da encosta. Local: Braço Paula Ramos

Foto: Graziela Maziero Pinheiro Bini. Data: 02/05/2014.

O compartimento de relevo predominante na bacia do rio Serafim é o Compartimento


de Morros e Montanhas que se distribui pelas bordas da bacia em direção ao centro, onde se
encontra com o Modelado de Montanhas e com a planície do rio Serafim.
Segundo Hermann e Rosa (1991), os morros são elevações com alturas inferiores a
200 m e encostas convexo-côncavas, enquanto as montanhas são elevações que apresentam
amplitudes altimétricas superiores a 200 m com topos angulosos e encostas declivosas. Deve-
se chamar a atenção que na bacia do rio Serafim há especificidades das encostas e dos topos
dos morros e montanhas. Existem topos convexos e topos que podem estar na forma de cristas
(Figura 13, p. 55), as quais seguem lineamentos estruturais, enquanto as encostas podem
apresentar patamares caracterizados por mudanças de inclinação. Estas mudanças de
inclinação podem estar associadas a diferenças litológicas locais.
As declividades neste modelado variam de suaves até maiores que 45 graus e a
dissecação feita pela drenagem se mostra bem densa e incisa nas encostas, como pode ser
observado no MAPA DE DECLIVIDADE DA BACIA DO RIO SERAFIM (Apêndice II). Há
muitos anfiteatros neste compartimento, principalmente no terço inferior das encostas. Ao
longo das encostas há pequenos patamares, denominados ombreiras, que representam áreas
mais suaves rodeadas por setores mais íngremes.
55

Figura 13 - Cristas Erodidas. Local: Braço Serafim

Foto: Betina De Gasper. Data: 27/10/2014.

As formas denominadas Superfícies Estruturais se fazem presentes neste


compartimento. São caracterizadas por setores de encosta extensos com declividades elevadas
e pouca ou nenhuma dissecação pelos rios. A sua origem podem estar ligada com a erosão
recente da base das encostas pelos rios ou pela maior resistência ao intemperismo das rochas,
principalmente nos locais onde os divisores seguem lineamentos estruturais.
Feições erosivas relativas a possíveis movimentos de massa antigos – anteriores a
1978, que é a data das fotos aéreas que foram mapeadas – foram encontrados somente no
compartimento Modelado de Morros e Montanhas, assim como a maioria dos movimentos de
massa ocorridos em novembro de 2008, especialmente corridas de detritos e deslizamentos, se
localizam nas encostas que compõem este modelado. Os vales presentes no interior deste
compartimento ficaram assoreados pelos sedimentos provindos dos movimentos de massa
neste episódio. Estas ocorrências permitem inferir que este processo é muito comum na
dinâmica natural deste compartimento.
Outro compartimento gerado por processos de dissecação é o Compartimento de
Montanhas. Na área de estudo, ele encontra-se na área central da bacia onde é cortado pelo
fundo de vale do rio principal. Quando comparado ao restante das formas de relevo presentes
na bacia, este compartimento possui encostas muito longas, poucos topos (convexos e
angulosos). Neste compartimento de Montanhas, também há encostas com mudanças de
56

inclinação, porém estas são mais suaves e mais contínuas do que o que se observa no
compartimento de morros e montanhas. Esta mudança de inclinação nas encostas é
grosseiramente paralela ao fundo de vale do principal (Figura 14, p.56).

Figura 14 - Compartimento de Montanhas. Local: Braço Serafim.

Foto: Betina De Gasper. Data: 27/10/2014.

A densidade de drenagem diminui e a rede de drenagem é menos incisa. Os divisores


de água são contínuos e não apresentam muitas ramificações como no Compartimento de
Morros e Montanhas. Não se encontram selas e ombreiras com muita expressividade, assim
como não são desenvolvidos muitos anfiteatros, mas aqueles que se fazem presentes neste
modelado são mais extensos em termos de área do que no modelado de Morros e Montanhas.
No desastre de 2008, ocorreram movimentos de massa do tipo deslizamento rotacional
e corridas de detritos nas encostas deste Compartimento de Montanhas, apesar de não serem
tão numerosos quanto no Compartimento de Morros e Montanhas. Este processo do meio
físico é um dos processos modeladores deste compartimento, juntamente com o processo
fluvial e o pluvial, além do intemperismo.
O Compartimento de Rampas e Planícies Colúvio-Aluvionares aparece por toda a
bacia. Ele se constituiu nos fundos de vale de rios de ordens inferiores, com formação de
planícies alveolares, e também na transição entre as elevações e as planícies fluviais mais
desenvolvidas, configurando superfícies rampeadas.
57

Os fundos de vale presentes em altitudes maiores são menos incisos e extensos. Eles
recebem sedimentos menos selecionados das encostas laterais e dos trechos a montante dos
rios, criando uma forma de rampa para jusante. Estes sedimentos são produzidos por
movimentos de massa e enxurradas das encostas próximas, configurando colúvios e por
fluxos torrenciais nos rios. Alguns sedimentos nestes fundos de vale são retrabalhados
(selecionados) e se transformam em alúvios.
Neste compartimento, os sedimentos tendem a ser menos selecionados e mais grossos
que aqueles presentes em fundos de vales mais abertos de rios de ordens superiores. Os
processos mais comuns da dinâmica deste compartimento são o assoreamento e os fluxos
torrenciais.
As rampas estão na transição encosta-fundo de vale e são formadas por colúvios de
movimentos de massa e de enxurradas, às vezes com retrabalhamento dos sedimentos por
lavagem pluvial posterior. Muitas rampas não foram mapeadas nesta pesquisa por causa da
escala utilizada. A profundidade dos depósitos nas rampas pode variar. A base da encosta
mais íngreme pode ser um indicativo de menor espessura destes depósitos (Figura 15, p. 57).

Figura 15 - Rampas e Planícies Colúvio-Aluvionares com leito do rio Serafim à direita. Local:
Braço Serafim

Foto: Betina De Gasper. Data: 27/10/2014.


58

5.4 ASPECTOS PEDOLÓGICOS DA BACIA DO RIO SERAFIM

Os solos mais comuns na bacia do rio Serafim são o Cambissolo e o Argissolo


segundo IBGE (2003). Ainda são encontrados o Neossolo Litólico, o Gleissolo e o Neossolo
Flúvico, como pode ser visto no ESBOÇO PEDOLÓGICO DA BACIA DO RIO SERAFIM
(Apêndice V). Esta variação depende do material de origem, da posição no relevo, da
declividade do terreno, da profundidade do lençol freático e do tempo de alteração das rochas
e/ou sedimentos.
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA, 2006), os
Argissolos são solos forte moderadamente ácidos que possuem coloração avermelhada ou
amarelada, argilosos no horizonte A (ou superficial). Possuem horizonte B diagnóstico
textural que se encontra abaixo de qualquer horizonte superficial, que é caracterizado pelo
aumento do teor de argila provindo do horizonte superficial, sendo que sua transição
geralmente é visível; o horizonte B textural possui textura média a muito argilosa e atividade
baixa de argila (EMBRAPA, 2006).
Os Argissolos Vermelho-Amarelos que são originados a partir de rochas
metamórficas do Complexo Luís Alves na área de estudo são álicos (ricos em alumínio) e
ainda distróficos (com baixa fertilidade); possuem textura predominantemente argilosa
(IBGE, 2003).
A sequência de seus horizontes é representada por: horizonte A, horizonte E (eluvial),
horizonte Bt (B textural), horizonte C ou então A, Bt, C, que são facilmente identificados
devido à diferença de cor e textura entre eles (IBGE, 2003). De acordo com a EMBRAPA
(2004), o horizonte A possui espessura em torno de 30 cm geralmente com textura arenosa,
consistência solta e estrutura fraca na forma de grãos simples, a cor deste horizonte varia em
função da presença de matéria orgânica e óxidos de ferro (EMBRAPA, 2004). O horizonte B
textural tem estrutura pouco expressiva em blocos (subangulares e angulares). O horizonte C
possui menos argila que o anterior e cor mais pálida, assim como o menor desenvolvimento
de estruturas e menor coesão devido à presença de materiais rochosos (IBGE, 2003).
Na bacia do rio Serafim ocorre uma variação do Argissolo, a qual é mais profunda e
com menor diferenciação entre os horizontes, apesar de ainda apresentar o horizonte B
textural, é o Argissolo Vermelho-Amarelo Latossólico Álico, segundo o IBGE (2003).
Segundo a EMBRAPA (2004), a sequência dos horizontes do Argissolo Vermelho-
Amarelo Latossólico Álico é definida por A, B e C, sendo que o horizonte A possui espessura
de 20 a 40 cm com cor bruno a bruno-amarelada, textura argilosa, estrutura granular fraca e
59

consistência dura e firme a plástica e pegajosa. A transição do horizonte A para o B é clara. O


horizonte B possui textura argilosa e muito argilosa, cor bruno forte, estrutura fraca com
blocos angulares e subangulares, pouca cerosidade e consistência dura e friável e fracamente
plástica e pegajosa (EMBRAPA, 2004).
Os Cambissolos são solos pouco desenvolvidos, bem a moderadamente drenados,
variando de profundidade e que apresentam horizonte B incipiente que se localiza abaixo de
qualquer horizonte A ou horizonte H (turfoso) (EMBRAPA, 2004). Possui a sequência de
horizontes definida como: A, Bi (B incipiente), C ou então H, Bi, C. Estes solos possuem
certo grau de evolução, mas não alteram completamente os minerais primários que são de
mais fácil decomposição (micas e feldspatos) (EMBRAPA, 2004).
Os Cambissolos são desenvolvidos em relevo montanhoso ou a partir de depósitos
aluvionares e/ou coluvionares. Na bacia do rio Serafim, estes solos encontram-se em áreas
com declividades elevadas (entre 25 a 35 graus) nas encostas e também nos depósitos de
sedimentos presentes em fundos de vales e rampas que não tenham influência do lençol
freático junto da superfície.
Os Cambissolos originados a partir das rochas do Complexo Luís Alves possuem
textura argilosa a muito argilosa, com argila de baixa atividade (IBGE, 2003). Sua cor é
influenciada pelos materiais de origem e pela ação do clima sobre estes, por exemplo, na
região de Luís Alves este solo possui coloração amarelo-avermelhada a vermelha
(EMBRAPA, 2004).
Conforme o IBGE (2003), os Cambissolos localizados nas planícies são recentes,
(período Quaternário e época Holocênico) e são derivados de coberturas de recentes depósitos
aluvionares e coluvionares que variam de textura média a muito argilosa. Na área de estudo, é
muito comum observar fragmentos maiores de rochas, como cascalhos, grânulos e até
matacões no interior destes solos e na sua superfície.
O horizonte A destes solos é moderado ou proeminente húmico, pouco espesso ou
ausente em áreas muito declivosas, com textura variando de franco-arenosa a muito argilosa
com teores de silte elevados (IBGE, 2003). O horizonte B incipiente possui textura franco-
arenosa e mais fina, sendo marcado pela diferença de granulometria do horizonte A para o Bi
quando estes solos são desenvolvidos a partir de sedimentos aluviais (EMBRAPA, 2006). A
estrutura do horizonte Bi se apresenta em forma de blocos ou maciça, não apresentando
cerosidade (IBGE, 2003). Na realidade, a textura dos horizontes de um Cambissolo vai
depender muito ainda do material de origem, pois são solos em que os processos de
pedogênese são pouco desenvolvidos. Especificamente, na bacia do rio Serafim, há muito silte
60

desde a superfície nos Cambissolos, tanto naqueles derivados do manto de alteração quanto
naqueles derivados de depósitos (Figura 16, p. 60).

Figura 16 - Manto de alteração espesso em corte de encosta. Local: Braço Serafim

Foto: Betina De Gasper. Data: 02/05/2014.

É importante ressaltar que tanto para os Argissolos quanto para os Cambissolos


presentes na bacia do rio Serafim, apesar da pouca espessura dos horizontes superficiais (A e
B), o horizonte C é muito espesso, podendo alcançar mais de 10 metros de profundidade até
alcançar a rocha sã. É possível observar esta grande espessura do horizonte C em vários cortes
de encostas pela bacia e nas cicatrizes de movimentos de massa que ocorreram no desastre de
2008.
Os Neossolos Litólicos são solos minerais não hidromórficos, pouco desenvolvidos,
com horizonte A diretamente assentado sobre a rocha dura ou sobre horizonte C pouco
espesso ou sobre calhaus, pedras e materiais semi-alterados da rocha matriz (IBGE, 2003).
Eles são encontrados na bacia nas áreas de maior declividade e nos locais onde as rochas são
mais resistentes, especialmente aquelas formadas em locais de lineamentos tectônicos.
Neossolos Litólicos são rasos - espessura inferior a 40 cm - devido ao relevo
acidentado, sendo comum a presença de matacões em sua superfície, também como estão
próximos ao material de origem, estes solos sofrem constantes processos de rejuvenescimento
(por causa dos frequentes processos erosivos) (EMBRAPA, 2004). Possuem sequência de
61

horizontes: A sobre R (A sobre rocha pouco intemperizada), A sobre C, ou ACR (horizonte C


pouco espesso presente entre o A e R) (EMBRAPA, 2004). Suas características morfológicas
restringem-se basicamente ao horizonte A que varia normalmente de 15 a 40cm de espessura,
sendo predominantemente do tipo moderado ou proeminente; a textura varia de acordo com o
material de origem (IBGE, 2003). O horizonte C se encontra até 50 cm e é composto por
materiais fragmentários de rocha com mais de 2 mm de diâmetro, sendo que frações maiores
que areia compõem mais de 90% de sua massa total (EMBRAPA, 2006).
Neossolos Flúvicos são encontrados nas planícies fluviais e são formados por
deposições fluviais e sedimentos provindos das inundações e das encostas próximas. Estes
solos normalmente margeiam os rios (IBGE, 2003). São solos pouco desenvolvidos, ainda em
formação, pois o intemperismo não atuou tempo suficiente sobre os sedimentos aluviais e/ou
coluviais, com exceção do horizonte A (EMBRAPA, 2004).
De acordo com o IBGE (2003), possuem horizonte A normalmente do tipo moderado
e sob este, há camadas estratificadas que não tem relação entre si e possuem composição e
granulometria variadas. Variam muito de acordo com o local que se encontram, sendo que em
alguns casos apresentam o horizonte B incipiente desenvolvido, mas com pouca espessura.
Estes solos não possuem horizonte diagnóstico de subsuperfície e as camadas estratificadas
não consolidadas variam bastante de espessura (IBGE, 2003).
Os Gleissolos são solos hidromórficos que se formam a partir de sedimentos recentes
próximos aos cursos d’água e também em material colúvio-aluvial que sofre de alguma forma
influência do lençol freático, tendo estes sedimentos presença ou não de estratificação
(EMBRAPA, 2006). Estes solos são formados em materiais com teor de finos significativos e
com o lençol freático junto da superfície. Por causa da posição do lençol freático, são mal
drenados e por isso, possuem excesso de umidade. A expressiva gleização ocorre devido ao
ambiente com má drenagem que leva a redução e solubilização do ferro presente no solo, o
que resulta em camadas com cores acinzentadas, azuladas e até esverdeadas (EMBRAPA,
2006).
O horizonte Glei inicia seu desenvolvimento em menos de 40 cm da superfície, este é
muito mal drenado, assim resultando em um ambiente anaeróbico com permeabilidade muito
baixa que resulta neste ambiente redutor (IBGE, 2003). Eventualmente possuem textura
arenosa nos horizontes superficiais, contudo devem ser seguidos pelo horizonte glei – que
pode ser um horizonte C, B, E ou A - com textura franco-arenosa para mais fina (EMBRAPA,
2006).
62

De acordo com a EMBRAPA (2006), os Gleissolos possuem sequência de horizontes:


A-Cg (horizonte C gleizado), A-Big (horizonte B incipiente gleizado) -C, A-Btg (horizonte B
textural gleizado)-Cg, A-E (horizonte E)-Btg-Cg, A-Eg-Bt-Cg, Ag-Cg, H(horizonte
orgânico)Cg. Os horizontes superficiais possuem espessura entre 10 e 50 cm e colorações
cinzentas a pretas devido ao teor elevado de carbono (matéria orgânica). O horizonte B
quando se faz presente possui estrutura prismática composta por blocos angulares a
subangulares. O horizonte C possui estrutura maciça e quando seco, possui estrutura
semelhante à prismática (EMBRAPA, 2006).
Na bacia do rio Serafim podem ser observados Cambissolos sem nenhuma associação
com outros tipos de solos, mas eles também estão distribuídos por toda a área da bacia
associados a outras classes de solos, como Argissolos, Neossolos, Gleissolos.
A associação de Cambissolo e Argissolo localiza-se em áreas situadas em declividades
médias, em torno de 22 a 30 graus. Esta associação de solos distribui-se uniformemente ao
longo da bacia do rio Serafim. Na Associação Argissolo e Cambissolo, há predominância dos
Argissolos, sendo que esta associação encontra-se nas áreas de dissecação em colinas da bacia
do rio Serafim.
A associação dos solos Argissolo Vermelho-Amarelo Latossólico Álico e Cambissolo
Álico está presente na porção norte da bacia. Ocorre em áreas de declividades suaves, mas
possui alto grau de dissecação do relevo pela drenagem.
A associação ente Neossolo Litólico e Cambissolo Álico aparece no Esboço
Pedológico do rio Serafim somente nas áreas de altas declividades que superam os 45 graus,
sua maior proeminência encontra-se a montante da bacia, circundando a elevação mais alta, o
Morro do Cachorro com mais de 850 metros de altitude, que divide os municípios de Luís
Alves, Blumenau e Gaspar (Figura 17, p.63). A declividade desta Montanha é elevada,
portanto, no local se desenvolvem solos mais rasos e pedregosos, mas não constam
afloramentos rochosos.
A associação entre Gleissolo, Neossolo Flúvico e Cambissolo encontra-se nas áreas
dos fundos de vale da bacia do rio Serafim. Os dois primeiros são solos hidromórficos e estão
localizados nas proximidades dos rios, enquanto os Cambissolos ocorrem nas partes mais
altas e mais secas dos fundos de vale.
63

Figura 17 - Morro do Cachorro

Foto: Betina De Gasper. Data: 27/10/2014.

5.5 ASPECTOS DE USO DA TERRA DA BACIA DO RIO SERAFIM

A observação do MAPA DO USO DA TERRA DA BACIA DO RIO SERAFIM


(Apêndice VI) realizado mostra que a bacia ainda tem grande parte dos seus terrenos
recobertos com mata nativa, especialmente nas áreas de maior declividade, altitude e de difícil
acesso. Contudo, deve-se ressaltar que muitos terrenos nas elevações tem mata plantada, ou
seja, silvicultura de Pinus elliottii e Eucalypthus ssp.. A Tabela 4 apresenta a área ocupada
por cada classe de uso da terra encontrada na bacia do rio Serafim.

Tabela 04 - Classes de uso da terra na bacia do rio Serafim, Luís Alves/SC

Classe de Uso da Terra Área em km² Área em %


Vegetação Arbórea ou Floresta 34,66 62,78
Silvicultura 6,24 11,31
Vegetação Herbácea 5,90 10,70
Vegetação Arbustiva e Arbórea 4,42 8,01
Cultivos Agrícolas 3,15 5,70
Solo Exposto 0,47 0,85
Área Urbanizada 0,21 0,40
Corpos d'água 0,13 0,20
Mineração 0,02 0,05
Total 55,20 100
Fonte: Mapa de Uso da Terra.
64

A classe Vegetação Arbórea ou Floresta apresenta 62,78% da área total da bacia.


Compreende as subclasses Capoeirão, Mata Primária e Secundária, uma vez que é impossível
distingui-las a partir das fotos aéreas. O capoeirão é composto por árvores em diferentes
estratos, porém em campo é possível verificar que seus troncos não são tão grossos quanto os
da mata primária ou secundária, além disso, ele quase não possui tantas epífitas e lianas
quanto elas. A mata secundária representa o clímax da regeneração da mata atlântica após ter
sido alterada, porém não apresenta exatamente as mesmas espécies e associações de espécies
que a mata nativa primária.
Conforme Klein (1978), a região do Baixo Vale do Itajaí possui como cobertura
vegetal original a Floresta Tropical do Litoral e Encosta Centro-Norte. Neste domínio vegetal
predominam as matas de encostas com árvores de considerável desenvolvimento devido aos
solos profundos. Klein (1978) caracteriza esta mata por possuir cobertura arbórea muito densa
e fechada, sendo as árvores mais comuns a Canela-Preta (Ocotea catharinensis), Laranjeira-
do-mato (Sloanea guianensis), Tanheiro ou tapiá-guaçu (Alchornea triplinervia), Palmiteiro
(Euterpe edulis), Maria-Mole (Guapira opposita), Guamirim Chorão (Calyptranthes
strigipes), Pau-óleo (Copaifera trapezifolia), Peroba-vermelha (Aspidosperma olivaceum) e
Canela-fogo (Cryptocarya aschersoniana).
A presença na bacia de muitas áreas com capoeirões pode ser explicada pelo abandono
de antigas áreas agrícolas em virtude de êxodo rural a partir da segunda metade do século XX.
É possível observar em campo, áreas cobertas aparentemente com matas, mas que um olhar
mais atento no seu interior mostra troncos finos e com poucas espécies de estágio de clímax.
Outros estágios de regeneração presentes na bacia são a Vegetação Arbustiva e Arbórea
composta pela capoeirinha e a capoeira. A capoeirinha é o segundo estágio de regeneração da
vegetação, depois da colonização pelas espécies pioneiras. Neste estágio, a vegetação
arbustiva com algumas arvoretas infiltra-se nas áreas onde estão os estágios pioneiros. A
capoeirinha é caracterizada por ser a passagem da vegetação herbácea pioneira para a
arbustiva. No estágio de capoeira, há maior colonização por árvores e arvoretas, diminuindo a
insolação e por isso regredindo as espécies herbáceas. Na bacia do rio Serafim, o total de área
recoberto por estes dois estágios é de 4,42 km2, representando 8% da área.
A vegetação herbácea é a terceira classe mais expressiva no uso da terra, cobrindo
10,7% da área da bacia. Esta classe engloba tanto os estágios pioneiros de regeneração da
mata nativa (Floresta Tropical do Litoral e Encosta Centro-Norte de Klein) quanto às
pastagens plantadas para a criação de gado. Na interpretação visual das fotos aéreas e
conhecimento de campo, as pastagens ocupam maior área da bacia em estudo do que a
65

vegetação pioneira da cobertura nativa. Os estágios pioneiros aparecem atualmente no interior


das cicatrizes de movimentos de massa que ocorreram em 2008 e 2011 e em áreas onde os
cultivos permanentes como banana, silvicultura e palmeira real foram abandonados.
A silvicultura é composta por reflorestamentos de Pinus elliottii e Eucalypthus ssp..
Sobretudo são feitas as plantações em grandes áreas e em formas poligonais. As plantações
são encontradas ao longo das encostas, incluindo os topos de morro em alguns casos. Há
plantações de Pinus elliottii e Eucalypthus ssp. inclusive nas áreas de cicatrizes de
movimentos, o que mostra a pouca exigência destas espécies em termos de fertilidade e
organização de solo e o emprego de insumos. A silvicultura abrange 11,31% da área total da
bacia do rio Luís Alves, sendo a maior fonte de renda do município de Luís Alves. A madeira
é comercializada em tora, lenha e também é feito o carvão vegetal.
Os cultivos agrícolas podem ser divididos em lavouras permanentes e lavouras
temporárias que ocupam 5,7% da bacia do rio Luís Alves. As lavouras permanentes são
compostas por plantações de banana e palmeiras reais. A segunda maior fonte de renda do
município é composta pelas bananas, que são comercializadas em cachos, segundo o IBGE
(2013). As plantações desta fruta são encontradas ocupando da base até a média encosta das
elevações de morros e montanhas. Diversos produtos coloniais são produzidos a partir da
banana, como doces e cachaças. As plantações de palmeira real são mais localizadas nas
proximidades das moradias, mais exatamente no contato fundo do vale-encostas. A área de
plantação de palmeira real é menor do que a de banana e dela se extrai o palmito para
conservas que são comercializadas localmente e até exportadas.
As lavouras temporárias são feitas em áreas menores e com maior proximidade das
moradias, são compostas principalmente por cana-de açúcar, milho e mandioca. A cana-de-
açúcar é utilizada para a produção de melado e derivados, como a cachaça, que é um atrativo
da região. O milho serve como ração para os animais. As plantações de mandioca são em
menor número. Ela é utilizada para fazer farinha em engenhos da região.
O solo exposto na bacia em sua maioria é resultante das cicatrizes de movimentos de
massa ocorridos em novembro de 2008 e 2011 e seus depósitos. Abrangem também os cortes
feitos nas encostas e terraplenagens. A área total abrangida por está classe é de 0,85%.
Na classe mineração, há somente dois locais que podem ser visualizados devido a
escala 1:25.000. Ambos constituem exploração de rocha e saibro (horizonte de alteração) para
comercialização e para aterrar as vias que ainda não são pavimentadas. Uma das duas
extrações, localizada ao centro da bacia, está desativada e a vegetação vem se regenerando no
66

local (Figura 18, p. 66), já a outra localizada no divisor de águas da parte sudoeste da bacia
ainda está ativa. Juntas somam 0,05% da área total da bacia do rio Luís Alves.

Figura 18 - Movimentação de Terreno, mineração de rocha e saibro. Local: Braço Serafim

Foto: Betina De Gasper. Data: 27/10/2014.

Os corpos d’água encontrados na bacia são constituídos basicamente por açudes que
estão na sua maioria próximos das residências. Eles são utilizados para criação de peixes:
tilápias, carpas, traíras, piavas, etc. Há vários Pesque-Pague no interior da bacia do rio
Serafim, os mesmos podem ser identificados por possuírem os maiores açudes com
infraestrutura para receber um considerável número de visitantes.
No Uso da Terra da Bacia do rio Serafim, em Luís Alves, nota-se poucos aglomerados
urbanos, sendo os mais proeminentes localizados às margens da principal rodovia que corta a
bacia, a SC 414. Não foi possível detalhar a área urbana com precisão, pois a mesma é
composta por pequenas vilas, geralmente ao longo das estradas, ou então por casas isoladas
que não apareceriam na escala 1:25.000, mas o que se pode concluir é que o total de
população na Bacia é pequeno. A ocupação urbana com maior número de edificações e
quantidade de pessoas ocorre na localidade do Braço da Onça e também na localidade do
Braço Serafim. A área urbanizada total presente na bacia cobre apenas 0,4% do seu território.
As Classes de uso da Terra presentes nas faixas de servidão de linhas de transmissão
de energia elétrica e do gasoduto foram inseridas como classes especiais de uso da terra,
67

sendo que sua área total não foi contabilizada juntamente com as outras classes. Isto se deve
ao fato que nestas classes também há utilização dos terrenos, mas com certas restrições. A
Tabela 05 mostra a área ocupada por estas classes de uso da terra específico.

Tabela 05 - Classes de uso da terra nas faixas das linhas de transmissão de energia elétrica e
do gasoduto na bacia do rio Serafim, Luís Alves/SC

Classe de Uso da Terra Específico Área em km ² Área em %


Faixa de Servidão de Linhas de Transmissão 0,7 1,28
Faixa do Gasoduto 0,18 0,32
Total 0,88 1,6
Fonte: Mapa de Uso da Terra.

A faixa de servidão relativa às duas Linhas de Transmissão de energia da Eletrosul


(Centrais Elétricas S.A.) possui largura de 83 metros, sendo o uso da terra abaixo das linhas
de transmissão composto na sua maior parte por vegetação baixa (vegetação herbácea,
capoeirinha e capoeira), cultivos, solos exposto, açudes e até algumas áreas com silvicultura
de menor porte, nos locais onde o terreno entre as torres de energia paralelas é mais profundo.
A área total da faixa de servidão é de 0,706 km².
Faixa relativa ao Gasoduto abrange a área de 0,179 km² e percorre a bacia no sentido
sudoeste-nordeste, ela é estreita e sobre a mesma não há vegetação alta, somente rasteira
(mantido sempre o estágio pioneiro), devido ao fato de que as raízes de plantas maiores
podem perfurar os tubos do gasoduto e causar danos a área e a população. A faixa do
gasoduto está bem sinalizada no local com placas avisando sobre o perigo.
A rede viária é uma classe a parte, não é muito densa na bacia, na maioria das vezes
segue os cursos d’água, margeando os mesmos e sendo instalada no contato entre a base das
encostas e a planície fluvial. Podem ser identificados três tipos de vias: uma via pavimentada,
a rodovia SC 414 que liga o centro do município de Luís Alves até Gaspar; outro tipo de via
são aquelas não pavimentadas, as quais são as rodovias municipais e que saem da rodovia SC
414; além destas vias há os caminhos particulares que ligam as vias públicas às propriedades
mais afastadas.

5.6 UNIDADES DE PAISAGEM DA BACIA DO RIO SERAFIM

As unidades de paisagem são sistemas que possuem composição e estrutura


específicas, assim como processos e funções que estabelecem relações de causas e
consequências. Após discutir detalhadamente cada uma das variáveis do meio físico elencadas
68

nesta pesquisa é possível definir as unidades de paisagens ou ambientes físico-naturais que


compõem a bacia do rio Serafim (Apêndice VII. MAPA DAS UNIDADES DE PAISAGEM
DA BACIA DO RIO SERAFIM).
As unidades de paisagem foram delimitadas e caracterizadas a partir da análise
integrada dos componentes do meio físico e de suas relações, priorizando a geomorfologia,
pois as formas do relevo são condicionantes da dinâmica do meio físico, como os processos
hidrológicos, erosivos ou de sedimentação e formação de solos. Na bacia do rio Serafim
foram definidas quatro unidades de paisagem, a saber:

 5.6.1 Unidade de Fundos de Vale


 5.6.2 Unidade de Colinas
 5.6.3 Unidade de Morros e Montanhas
 5.6.4 Unidade de Montanhas

5.6.1 Unidade de Fundos de Vale

A Unidade de Fundos de Vale é ocupada pelo rio, suas planícies fluviais e rampas
colúvio-aluvionares que fazem a transição com as encostas próximas. A principal planície
fluvial da bacia está instalada em uma estrutura geológica de falhas e fraturas que
condicionam a direção do rio Serafim e do rio e de seu afluente, o rio do Bugre.
Esta unidade de paisagem é modelada em sedimentos recentes (colúvio-aluvionares e
sedimentos aluviais) provindos da erosão das encostas e retrabalhados através da dinâmica do
rio, que faz sua seleção e também da erosão do leito e de suas margens. Os sedimentos
colúvio-aluvionares estão localizados nas partes mais altas da unidade, as rampas colúvio-
aluvionares são compostos por grãos de tamanho argila até matacões angulosos provindos de
movimentos de massa ou outros processos de alta energia, como enxurradas, que passaram
por poucos processos de retrabalhamento. Os sedimentos fluviais são compostos, sobretudo
pelas frações mais finas que se localizam nas planícies fluviais. Estes sedimentos são
retrabalhados e selecionados pelo rio, mas quando há eventos de chuvas excepcionais e o rio
aumenta sua capacidade de erosão das margens, as planícies fluviais recebem mais
sedimentos finos e de tamanhos maiores, sendo que estes são empurrados para as porções
laterais dos rios, formando bancos de sedimentos (barras laterais).
Nos fundos de vale mais abertos, os rios adquirem formas meandrantes, espraiando-se
nas planícies e migrando lateralmente, o que tem como conseqüências a erosão da base das
69

encostas, como ocorre na confluência do rio Serafim com o seu afluente, o rio do Bugre. Os
rios com padrão meandrante erodem as margens de um lado e depositam os sedimentos no
outro, gerando bancos de sedimentos. Há retrabalhamento dos sedimentos provindos de
fluxos torrenciais e movimentos de massa, pois os rios a montante possuem capacidade para
erodir e carregar cargas em suspensão e até cargas de fundo por arraste e solapamento.
As rampas e planícies colúvio-aluvionares menores desenvolvidas em terrenos mais
altos, junto aos afluentes do rio Serafim, apresentam sedimentos menos selecionados, com
mais presença de blocos nos leitos fluviais e planície (Figura 19, p. 69). Nestes terrenos, as
formas rampeadas dominam em relação às formas de planície.

Figura 19 - Rampas Colúvio-aluvionares e Planícies aluviais. Local: Braço Francês

Foto: Betina De Gasper. Data: 27/10/2014.

Cambissolos são desenvolvidos nas áreas rampeadas modeladas em depósitos


recentes, pois estes terrenos são mais afastados do canal e, por isso, mais bem drenados. Os
solos destas áreas podem ser férteis, mas como apresentam muitos fragmentos rochosos de
diferentes tamanhos dificultam a prática agrícola, permitindo apenas o uso por pastagem. Nas
planícies dos rios ocorrem Gleissolos devido à presença do lençol freático e também se
desenvolvem Neossolos Flúvicos mais próximos aos canais a partir dos sedimentos provindos
das inundações periódicas.
70

A vegetação original que se instala nestes locais que possuem presença constante do
lençol freático e ocorrência de inundações é a Floresta Ombrófila Densa Aluvial (IBGE,
2012). Esta mata apresenta o dossel mais alto uniforme, com muitas plantas com raízes
tabulares e presença de palmeiras, inclusive palmitais (Gênero Euterpes). Também são
encontradas muitas lianas e epífitas, além de muitas plantas herbáceas (IBGE, 2012).
Os fundos de vale são utilizados principalmente para pastagens para o gado. Também
ocorrem os cultivos mais voltados a subsistência, como a mandioca, batatas, milho, feijão e
leguminosas, vegetais e verduras em geral, além de plantações comerciais de palmeiras, cana-
de-açúcar e bananas.
A maior parte da ocupação humana da bacia do rio Serafim encontra-se nesta unidade
de paisagem, principalmente nas áreas de transição fundos vale com as encostas. Isto desde os
primórdios da ocupação pelos imigrantes europeus, pois esta ocupação ocorreu ao longo dos
rios porque a vegetação original do restante do local, a floresta ombrófila densa, era uma mata
muito fechada para se desbravar inicialmente e também porque obtinham os peixes para sua
alimentação e a água para sobrevivência.
Os fundos de vales não são áreas propícias para a ocupação humana, pois são
constituídos pelas planícies dos rios e estão sujeitos a cheias quando chove localmente ou a
montante na bacia. As chuvas intensas geram vazões excepcionais que podem ganhar
velocidade, criando fluxos torrenciais com alta energia que provocam erosão de margem e
fundo do leito nos altos e médios vales. No baixo vale do rio Serafim, ocorrem inundações e
assoreamentos.
Os fundos de vale são as áreas mais baixas da bacia e recebem sedimentos das
encostas laterais, sendo que ao ocorrer um movimento de massa, a força gravitacional age
empurrando o material encosta abaixo e quanto mais próximo da base mais velocidade o
movimento de massa ganha. Em se tratando de corridas de detritos a situação ainda piora, pois
ao entrar no talvegue, elas ganham água e mais velocidade e devido ao manto de alteração ser
muito espesso na bacia, essas movimentações de terra possuem alta carga sedimentar. Estes
sedimentos ao chegarem nas planícies se espraiam nos vales que são abertos, e se acumulam
nos vales mais fechados, podendo causar soterramentos e perda de vidas humanas.
Por outro lado, os vales mais abertos, com planícies mais amplas, talvez é a área mais
apta para a ocupação humana na bacia, pois os rios não são de grande porte e possuem alta
carga sedimentar e estes sedimentos são importantes para dissipar a velocidade das águas
quando há fluxos torrenciais e enxurradas.
71

5.6.2 Unidade de Colinas

A Unidade de Colinas ocorre próximo dos fundos de vale mais abertos. Esta unidade é
bem caracterizada por suas formas arredondadas e encontram-se poucos exemplares bem
definidos na área da bacia do rio Serafim, concentrados no Braço Paula Ramos. As encostas
são suaves com declividades até 25 graus (Figura 20, p.71). Estas formas são modeladas sobre
enderbitos que se encontram muito alterados, criando um manto de alteração profundo.

Figura 20 - Colinas ao fundo com leito de rio em primeiro plano. Local: Braço Paula Ramos

Foto: Betina De Gasper. Data: 27/10/2014.

É possível que as formas arredondadas desta unidade tenham relação com o


modelamento dos processos geomorfológicos difusos (escoamento superficial difuso, rastejo)
sobre este manto de alteração mais profundo. Contudo, processos com mais energia atuam
nesta unidade, criando os anfiteatros que são observados em muitas encostas. Estes anfiteatros
podem ser cicatrizes de movimentos de massa antigos já reafeiçoadas, ou antigas ravinas e
voçorocas. Outra origem para esta feição é a alteração diferencial, talvez a presença de mais
fraturas ou foliações metamórficas. Outra feição que pode ser gerada por alteração diferencial
são as depressões fechadas presentes no topo das colinas. Algumas, inclusive, acumulam água
em períodos chuvosos.
Nesta unidade, ocorrem solos do tipo Cambissolos e Argissolos. Mesmo os
Cambissolos apresentam o horizonte C muito espesso por causa da grande alteração das
72

rochas. Deve-se tomar cuidado em deixar os Argissolos expostos sem cobertura vegetal, por
causa da existência do gradiente de textura entre horizontes A e B, o que lhe confere
suscetibilidade à erosão pela chuva.
A cobertura vegetal atual nas unidades de colinas é caracterizada por pastagens
plantadas para criação de gado. Também pode ocorrer plantações de Pinus elliottii e
Eucalypthus ssp., árvores típicas da silvicultura na bacia do rio Serafim, sendo que suas
sementes são facilmente carregadas pelo vento e, por isso, torna-se uma contaminante
biológica.
Devido ao pisoteio do gado, pode-se observar degraus nas encostas das colinas, os
terracetes, mas também essas estruturas podem ser derivadas de processos de rastejo, que são
movimentos de massa lentos. Os anfiteatros presentes nas encostas destas colinas são locais
frágeis, pois concentram água em superfície e subsuperfície e por isso sua ocupação por
moradias ou outro tipo de edificação ou a realização de cortes é desaconselhada.
O uso residencial nesta unidade é escasso, pois estas áreas são mais afastadas em
relação às pequenas vilas da bacia. Os acessos presentes são vias não pavimentadas, o que
pode gerar problemas de locomoção em momentos de chuvas intensas. É importante que a
cobertura vegetal seja mantida nesta unidade, mesmo que seja a cobertura de pastagens
plantadas, pois esta vegetação protege o solo de processos erosivos como escoamento
superficial e salpicamento. Contudo, esta unidade ainda pode receber mais ocupações por
moradias na bacia, pois tem terrenos menos íngremes, sendo os topos destas colinas locais
aprazíveis para a instalação de residências, só é preciso melhorar as vias de circulação local.
A realização de cortes nas encostas para a ocupação por edificações deve ser evitada, sugere-
se as construções em desnível.

5.6.3 Unidade de Morros e Montanhas

A Unidade de Morros e Montanhas está presente na maior parte da área da bacia do rio
Serafim, desde as partes mais altas a montante da bacia, nos divisores laterais, seguindo até as
proximidades da foz do rio. Esta unidade é caracterizada por possuir elevações na forma de
morros e montanhas com alto grau de dissecação e encostas íngremes.
A maior parte de seus terrenos são modelados sobre enderbitos, sendo que na porção
central da bacia, esta unidade é modelada sobre a associação máfico-ultramáfica e a montante
da bacia, os terrenos que compõem a unidade são compostos pela associação máfico-
ultramáfica com magnetititos.
73

Nesta unidade pode-se observar muitos topos angulosos e convexos intercalados por
selas. Muitas destas feições seguem lineamentos estruturais gerados a partir do
retrabalhamento tectônico intenso das rochas, formando divisores em cristas. A litologia
também condiciona as mudanças abruptas de inclinação nas encostas, partindo de
declividades suaves para muito íngremes ou vice-versa. Há casos mapeados em que essas
mudanças de inclinação geram patamares nas encostas, como na localidade do Braço do
Bugre, na porção setentrional da bacia do rio Serafim.
Desta forma, os morros e montanhas possuem encostas com declividades variando de
suaves até altas, com mais de 45 graus. As maiores declividades se encontram nas superfícies
estruturais presentes nesta unidade de paisagem, as quais são amplas áreas de encostas
caracterizadas por altas declividades e pouca incisão da drenagem.
Diferentes associações de solos se encontram nesta unidade, variando de acordo com a
declividade dos terrenos e secundariamente com a geologia local, sendo predominante a
associação entre Cambissolos e Argissolos nas áreas com declividades entre 17 a 35 graus. As
áreas com predominância de Cambissolos apenas aparecem espalhadas pela bacia nas
declividades de 35 a 45 graus, provavelmente por causa desta inclinação estes solos são mais
rasos, inclusive o horizonte C. A associação entre Argissolos Vermelho-Amarelos
Latossólicos Álicos e Cambissolos Álicos se faz presente na porção norte da bacia, nas
proximidades dos patamares nas encostas, onde as inclinações dos terrenos são menores e por
isso, os solos são mais desenvolvidos. E a associação entre Neossolos Litólicos e Cambissolos
Álicos se encontra em áreas onde as declividades são altas (acima de 45 graus). Nesta
associação, é importante manter a cobertura vegetal, pois solos rasos tem menor capacidade
de armazenamento de água, o que poderia gerar escoamento superficial mais significativo em
momentos de chuvas intensas.
Conforme já fora relatado, em novembro de 2008, as chuvas intensas e ininterruptas
causaram a saturação do solo, provocando movimentos de massa. A maioria dos movimentos
de massa, principalmente do tipo corridas de detritos e deslizamentos, ocorridos na bacia do
rio Serafim, foram deflagrados na unidade de Morros e Montanhas (Figura 21, p. 74).
Anfiteatros de pequeno a grande porte são feições comuns nas encostas desta unidade
atualmente e também foram mapeados a partir das fotos aéreas de 1978. Estes anfiteatros
podem indicar a ocorrência de antigos movimentos de massa, pois poderiam ser cicatrizes
reafeiçoadas. A presença destes anfiteatros mostra suscetibilidade à ocupação humana, uma
vez que como já foi colocado acima, nestas feições ocorre acúmulo de água em superfície e
subsuperfície, o que pode ser ruim para a instalação de edificações e infraestruturas. Os
74

anfiteatros também podem se configurar em cabeceiras de drenagem e por isso devem ser
preservados.
Nesta unidade de paisagem de Morros e Montanhas encontra-se ainda a cobertura
vegetal original, a Floresta Tropical do Litoral e Encosta Centro-Norte, contudo, já bastante
modificada, com a presença hoje de estágios de sucessão. A mata primária ou de clímax
secundário deve ocorrer apenas nas áreas mais íngremes, pois os primeiros colonos usavam a
mata para tirar madeira e as encostas onde ela se desenvolvia para os cultivos agrícolas e a
criação de gado. Atualmente, avançam nesta unidade as plantações de Pinus elliottii,
Eucalypthus ssp., bananas e cana de açúcar.

Figura 21 - Maciço com deslizamento na encosta. Local: Santana

Foto: Betina De Gasper. Data: 27/10/2014.

A ocupação por residências ocorre dispersa por esta unidade, sendo que as casas se
localizam distantes uma das outras e a maioria delas não podem ser mapeadas no Mapa de
Uso da Terra da Bacia do rio Serafim devido ao detalhe da escala. Esse tipo de ocupação se dá
nas áreas onde as declividades são menores. Mesmo assim, a realização de cortes nas encostas
para a construção de moradias é comum. Isto é um problema, pois aumentando a inclinação
de um trecho da encosta, aumenta a suscetibilidade a movimentos de massa, além da erosão
pela chuva na parede do corte, podendo gerar ravinas e voçorocas.
75

É importante manter a vegetação para recobrir o solo desta unidade de paisagem para
evitar processos erosivos (movimentos de massa, escoamento superficial e salpicamento),
mesmo que ela seja composta por plantações de Pinus elliottii e/ou Eucalypthus ssp., que
devem ser manejadas com cuidado para não degradar o meio ambiente. Nas áreas onde há as
superfícies estruturais e mudanças de inclinação abruptas nas encostas é necessário que a
cobertura vegetal nativa seja mantida (floresta), pois é um tipo de vegetação adaptada àquele
ambiente.
A maioria da população da bacia reside nos fundos de vales, mas necessita de recursos
hídricos que vêm das áreas mais altas que são os morros e montanhas. Atualmente, os
moradores locais utilizam a água das nascentes, que chega diretamente nas residências quase
sem nenhum tratamento ou armazenamento. Muitas propriedades que englobam as encostas
possuem suas nascentes e os próprios moradores realizam a canalização de água. É importante
manter a vegetação nativa, pois com ela preservada, ocorre a infiltração da água da chuva e
seu armazenamento nos aquíferos, os quais quando afloram, formam as nascentes. A
biodiversidade e os recursos hídricos se manterão com a presença da cobertura vegetal nativa
nesta unidade de paisagem.

5.6.4 Unidade de Montanhas

A Unidade de Montanhas localiza-se na porção central da bacia do rio Serafim, junto


ao fundo do vale do rio principal (Serafim). Possui como característica principal elevações
altas na forma de montanhas com encostas muito amplas e alongadas. Há pouca dissecação da
drenagem, muitos divisores de água são contínuos, o que pode indicar antigas cristas
degradadas (Figura 22, p. 76). A rede de drenagem tem canais alongados e retilíneos que
seguem lineamentos estruturais. O menor grau de dissecação e as encostas mais alongadas e
amplas desta unidade é o que a distingue da unidade de Morros e Montanhas, que possui
encostas mais curtas e vários topos.
A unidade de Montanhas possui influência da falha conjugada descrita anteriormente,
tendo conformação paralela ao fundo de vale do rio principal, o mesmo ocorre com as suaves
mudanças de inclinação presentes nas encostas laterais do vale principal.
As encostas possuem declividades que variam de suaves a altas (em torno de 45 graus)
em alguns pontos. As declividades mais íngremes ocorrem de forma mais pontual
principalmente onde há mudanças na inclinação dos terrenos. Estas mudanças de inclinação
podem ser causadas por diferenças na litologia local, como presença de diques ou veios que
geram patamares nas encostas.
76

Na porção central desta unidade de paisagem, aparecem rochas da associação máfico-


ultramáfica e no restante ocorre a associação enderbítica. Devido a presença das falhas e
fraturas podem ter sido originadas especificidades na litologia gerando rochas mais resistentes
ao intemperismo, paralelas ao falhamento principal. Sobre todas estas rochas desenvolvem-se
solos de variados tipos, sendo a maior parte compostos pela Associação entre Cambissolos e
Argissolos. Também há Cambissolos nas áreas com declividades média-altas. A associação
entre Neossolos Litólicos e Cambissolos Álicos está presente nas áreas onde as declividades
são altas.

Figura 22 - Montanhas com encostas alongadas. Local: Braço Serafim

Foto: Betina De Gasper. Data: 27/10/2014.

Como resquício do evento de novembro de 2008, ainda podem ser vistas as cicatrizes
referentes aos movimentos de massa ocorridos. Pela grande amplitude das encostas e pela
forma característica das cicatrizes destes movimentos de massa, que são alongadas e possuem
seus depósitos espraiados nos fundos de vale, formando leques aluviais, pode-se inferir que
estes movimentos de massa são do tipo corrida de detritos. Muitas corridas de detritos se
juntaram nos talvegues com os rios e ganharam velocidade, arrastando o que havia pela
frente.
Como são áreas mais altas e de mais difícil acesso, a vegetação original, Floresta
Tropical do Litoral e Encosta Centro-Norte, ainda é mantida em maior extensão nesta
77

unidade, mas também há casos escassos de plantações de Pinus elliottii e Eucalypthus ssp.. É
importante a manutenção da vegetação original, pois se estas áreas ficarem com solo exposto
estarão sujeitas a erosões por causa da atuação do escoamento superficial, salpicamento e
movimentos de massa. Estes últimos, mesmo com a cobertura vegetal de mata, ocorreram nas
encostas, o que ocasionou o desastre de 2008.
A unidade de Montanhas é pouco habitada e utilizada para atividades agropastoris,
mas se houver adensamento da ocupação humana, principalmente com edificações e
infraestrutura nestes locais, será necessário a abertura de novas estradas e para isto precisará
de novos cortes nas encostas que poderão causar movimentos de massa. Quando a rodovia
principal que passa pela bacia do rio Serafim foi pavimentada, foram realizados vários cortes
nas encostas próximas, e até hoje, a maioria deles encontra-se sem estruturas de contenção,
sujeitos a frequentes movimentos de massa (Figura 23, p. 76). Matacões também podem
ocorrer nos cortes e muitos deles por causa da erosão da chuva ficam suspensos. Estes
matacões ficam sujeitos a rolamentos e/ou tombamentos, podendo causar acidentes (Figura
24, p. 76)

Figura 23 - Movimento de Massa em corte de encosta. Local: Alto Serafim

Foto: Google Earth.


78

Figura 24 - Blocos Suspensos em corte de encosta. Local: Alto Serafim

Foto: Google Earth.

Na área também há quedas d’água em terrenos particulares que criam paisagens muito
bonitas que devem ser preservadas (Figura 25, p. 77). Contudo, em época de verão, estas
áreas são muito procuradas como balneários, o que gera vários problemas, pois ocorrem
invasões a propriedades particulares e acúmulo de lixo. Estes locais possuem potencialidades
para o turismo, mas isto deve acontecer de maneira controlada e com fiscalização para que
não ocorra mais o que vem acontecendo nestes últimos anos.

Figura 25 - Quedas d’água. Local: Braço Serafim

Foto: Armando Felício De Gasper. Data: 2005.


79

A área de montanhas, assim como a de morros, é uma paisagem de excepcional


beleza, com sua mata e suas cachoeiras, e como ainda está bem preservada tem grande
potencial para ecoturismo, ou criação de algum parque que vise a sua preservação para
conciliar as atividades turísticas (trilhas para visitação de cachoeiras, conhecimento de fauna e
flora) com a preservação da natureza e principalmente dos recursos hídricos. As populações
que moram nas vilas situadas nos fundos de vales ou em suas proximidades se utilizam da
água que vem das encostas desta unidade.
80

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa identificou quatro unidades de paisagem através das


características do meio físico (geologia, relevo, solos). A partir das formas de relevo foram
definidas quatro unidades: unidade de Fundos de Vale, unidade de Colinas, unidade de
Morros e Montanhas e unidade de Montanhas. Após o cruzamento das variáveis do meio
físico foram discutidas as características de cada unidade, para conhecer as potencialidades e
limitações para a ocupação humana. A relação destas características das unidades com a
ocupação atual que elas recebem foi feita com a análise do uso da terra presente na bacia.
A bacia do rio Serafim, em Luís Alves – SC caracteriza-se por ser naturalmente um
meio instável, pois desde sua ocupação são relatados problemas com as cheias dos rios que
causaram perda de vidas, além da ocorrência de movimentos de massa nas encostas em
diferentes épocas, como no desastre de 2008 e também pela presença de cicatrizes recentes na
interpretação das fotografias aéreas do ano de 1978. Os movimentos de massa não afetam
apenas as encostas, mas também os fundos de vale. Eles provocam o entulhamento dos leitos
com sedimentos de diferentes tamanhos, podendo provocar até represamento e mudanças do
traçado dos rios. Por isso, os ambientes naturais (unidades de paisagem) da bacia do rio
Serafim são muito dinâmicos.
A unidade de paisagem Fundos de Vale, onde o lençol freático não está tão próximo
da superfície apresenta solos (Cambissolos, Gleissolos) com certo grau de fertilidade, pois são
formados através dos sedimentos provindos das encostas, por isso esta área possui
potencialidade para a agricultura de cultivos para subsistência, como já ocorre atualmente.
No fundo de vale do baixo vale do rio Serafim, onde a planície é mais extensa,
encontra-se atualmente a maior parte da ocupação por moradias e atividades agropastoris da
bacia e talvez esta seja a área mais propícia para a ocupação humana. As cheias do rio neste
local não são tão frequentes e há áreas para o rio extravasar em vazões maiores, porém há
pontos com ocorrência de erosão marginal, especialmente na curva côncava dos leitos. Os
trechos de vales mais encaixados e incisos são áreas mais problemáticas, pois se localizam
muito próximos das encostas e recebem alta carga sedimentar destas em períodos de chuvas
torrenciais, além do aumento da vazão do rio.
A unidade de paisagem Colinas apresenta-se mais favorável à ocupação humana em
função de serem elevações com menores amplitudes altimétricas, com topos convexos e
encostas com declividades suaves. A maior parte deste ambiente já é ocupado por pastagens
81

para o gado. O pisoteio do gado trás como consequência a formação de terracetes nas encostas
das colinas, mas talvez este ainda seja o melhor tipo de ocupação para esta unidade. Contudo,
não devem receber ocupações os anfiteatros inscritos nas suas encostas, pois são áreas de
acúmulo de água, em alguns casos podem até ter se originado de cicatrizes de antigos
movimentos de massa suavizadas. Inclusive, há casos de movimentação lenta dos materiais
dentro dos anfiteatros. Estes devem ser preservados como cabeceiras de drenagem.
Estas áreas possuem declividades suaves, o que é propício para a ocupação humana,
mas deve-se atentar ao fato de o solo ser profundo nas colinas e os cortes devem ser evitados,
pois desestabilizam as encostas, por este motivo é indicado que moradias sejam construídas
em desnível nas encostas.
A unidade de paisagem de Morros e Montanhas é a porção com maiores restrições da
bacia do rio Serafim quanto à ocupação humana, pois as declividades são altas nesta unidade
e o solo é profundo, tanto que foi nesta unidade que ocorreram com mais frequência
movimentos de massa em novembro de 2008 e também nela foram encontrados diversos
anfiteatros atuais e feições erosivas antigas.
Esta unidade necessita da presença de recobrimento vegetal a fim de não deixar o solo
exposto aos fenômenos erosivos, sendo mais recomendada a manutenção da vegetação de
floresta nativa, pois já está adaptada as condições impostas pelo meio físico e permite a
manutenção da biodiversidade e da infiltração da água da chuva, o que mantém nascentes e
rios. Como outra forma de manter a cobertura vegetal nestes ambientes, a silvicultura também
pode ser positiva para esta unidade, pois além de proteger o solo dos fenômenos erosivos gera
renda para a população local, mas o manejo deve ser feito com cuidado a fim de evitar
degradação ambiental. Também é possível a exploração vegetal sustentável de espécies da
mata nativa, como orquídeas, palmitos e bromélias.
A unidade de paisagem de Montanhas é a área da bacia do rio Serafim que se encontra
sob menor intervenção humana, portanto possui a maior parte da vegetação nativa. São áreas
altas que apresentam encostas alongadas, com diferentes graus de inclinação e mais difícil
acesso. Esta unidade possui diversas limitações para a ocupação humana, que deve ser
evitada, para tanto deve haver controle nas intervenções humanas no local, pois cortes em
encostas para a abertura de vias e instalação de infraestruturas poderão gerar desestabilização
das encostas e exposição de rochas nestas que podem rolar ou tombar causando acidentes.
A vegetação nativa deve ser mantida, assim como na unidade de morros e montanhas a
fim de evitar os processos erosivos. As paisagens desta unidade também são muito bonitas e
devem ser mantidas e possuem potencialidade para o turismo ecológico que deve ser realizado
82

de maneira controlada. Porções desta unidade poderiam ser transformadas em unidades de


conservação por sua riqueza paisagística e biodiversidade, além da proteção oem relação aos
processos geomorfológicos.
O resultado da presente pesquisa sobre as potencialidades e limitações da bacia do rio
Serafim a partir do estudo da dinâmica do meio físico fez um diagnóstico dos ambientes
naturais que compõem o território da bacia e produziu mapas temáticos de solo, geologia,
relevo, declividade e uso da terra. Estes dados podem auxiliar na gestão do território, com
subsídios para a elaboração de plano diretor, planejamento ambiental e turístico, além de
gestão de áreas de risco, uma vez que a área sofre com fenômenos naturais de alta energia, e
gestão de recursos hídricos.
83

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86

APÊNDICES

I. MAPA PLANIALTIMÉTRICO DA BACIA DO RIO SERAFIM

II. MAPA DE DECLIVIDADE DA BACIA DO RIO SERAFIM

III. ESBOÇO GEOLÓGICO DA BACIA DO RIO SERAFIM

IV. MAPA GEOMORFOLÓGICO DA BACIA DO RIO SERAFIM

V. ESBOÇO PEDOLÓGICO DA BACIA DO RIO SERAFIM

VI. MAPA DE USO DA TERRA DA BACIA DO RIO SERAFIM

VII. MAPA DE UNIDADES DE PAISAGEM DA BACIA DO RIO SERAFIM


698000 699000 700000 701000 702000 703000 704000 705000 706000 707000 708000

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Alto Serafim
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7036000
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I. MAPA PLANIALTIMÉTRICO DA BACIA DO RIO SERAFIM


0
50
- LUÍS ALVES/SC
55

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65

65
Bacia Hidrográfica Rodovia Pavimentada
300

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Rede Hidrográfica Estrada não Pavimentada


7035000

7035000
Curvas de Nível Santana - Localidade
Fonte:
Santana Curvas de Nível e Rede Hidrográfica:
- SANTA CATARINA, Secretaria do desenvolvimento Sustentável:
Levantamento Aerofotogramétrico do Estado de Santa Catarina.
400

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC


7034000

7034000
50
Centro de Ciências Humanas e da Educação - FAED
0
Departamento de Geografia - DGeo
550

Escala Gráfica Elaboração: Datum Horizontal: Projeção:


500 450

60
0
Betina De Gasper e Edna Lindaura Luiz SIRGAS 2000 UTM
55

0 0,2 0,4 0,8 1,2 1,6 2


0

Km Data: Meridiano Central: Fuso:


500
DEZEMBRO/2014 - 51 22 Sul
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698000 699000 700000 701000 702000 703000 704000 705000 706000 707000 708000

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Localização da área de estudo

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II. MAPA DE DECLIVIDADE DA BACIA DO RIO SERAFIM


7036000

7036000
- LUÍS ALVES/SC
Legenda: Bacia Hidrográfica
Classes de Declividades da Bacia do Rio Serafim (Graus) Rede Hidrográfica
0 - 10 25 - 35 Rodovia Pavimentada
10 - 17 35 - 45
7035000

7035000
Estrada não Pavimentada
17 - 25 45 - 88,5 Santana - Localidade
Fonte:
Santana MDT com Resolução Espacial de 1 metro:
- SANTA CATARINA, Secretaria do desenvolvimento Sustentável:
Levantamento Aerofotogramétrico do Estado de Santa Catarina.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC


7034000

7034000
Centro de Ciências Humanas e da Educação - FAED
Departamento de Geografia - DGeo
Escala Gráfica Elaboração: Datum Horizontal: Projeção:
0 0,2 0,4 0,8 1,2 1,6 2 Betina De Gasper e Edna Lindaura Luiz SIRGAS 2000 UTM
Km Data: Meridiano Central: Fuso:
DEZEMBRO/2014 - 51 22 Sul
695000 696000 697000 698000 699000 700000 701000 702000 703000 704000
698000 699000 700000 701000 702000 703000 704000 705000 706000 707000 708000

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Localização da área de estudo

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Alto Serafim
III. ESBOÇO GEOLÓGICO DA BACIA DO RIO SERAFIM
- LUÍS ALVES/SC
Legenda:
7036000

7036000
Rede Hidrográfica Bacia Hidrográfica

Rodovia Pavimentada Associação Enderbítica

Estrada não Pavimentada Associação Máfico-Ultramáfica

Falhas e Fraturas Associação Máfico-Ultramáfica - Magnetititos

Linhas de Forma Estrutural Sedimentos Colúvio-Aluvionares


7035000

7035000
Santana - Localidade Sedimentos Aluviais
Fonte:
Santana - FORNARI, 1998 - Mapa Geológico da Porção Meridional do Cráton Luís Alves. Escala 1:200.000;
- Mapa Geomorfológico da Bacia do rio Serafim:
elaborado para o presente Trabalho de Conclusão de Curso.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC


7034000

7034000
Centro de Ciências Humanas e da Educação - FAED
Departamento de Geografia - DGeo
Escala Gráfica Elaboração: Datum Horizontal: Projeção:
0 0,2 0,4 0,8 1,2 1,6 2 Betina De Gasper e Edna Lindaura Luiz SIRGAS 2000 UTM
Km Data: Meridiano Central: Fuso:
DEZEMBRO/2014 - 51 22 Sul
695000 696000 697000 698000 699000 700000 701000 702000 703000 704000
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Localização da área de estudo

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IV. MAPA GEOMORFOLÓGICO DA BACIA DO RIO SERAFIM
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Fonte:

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- SANTA CATARINA: Fotografias aéreas de 1978. Escala 1:25.000;


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- SANTA CATARINA, Secretaria do desenvolvimento Sustentável:


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Santana Levantamento Aerofotogramétrico do Estado de Santa Catarina.


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- Mapas Planialtimétrico e de Declividade da Bacia do rio Serafim:


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elaborados para o presente Trabalho de Conclusão de Curso.


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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC


7034000

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Centro de Ciências Humanas e da Educação - FAED
Departamento de Geografia - DGeo
Escala Gráfica Elaboração: Datum Horizontal: Projeção:
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0 0,2 0,4 0,8 1,2 1,6 2 Edna Lindaura Luiz e Betina De Gasper SIRGAS 2000 UTM
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DEZEMBRO/2014 - 51 22 Sul


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Localização da área de estudo

7043000

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V. ESBOÇO PEDOLÓGICO DA BACIA DO RIO SERAFIM


- LUÍS ALVES/SC
Alto Serafim Legenda:

Bacia Hidrográfica Rede Hidrográfica


7036000

7036000
Cambissolo Rodovia Pavimentada

Associação Cambissolo e Argissolo Estrada não Pavimentada

Associação Argissolo e Cambissolo Santana - Localidade

Associação Argissolo Vermelho-Amarelo Latossólico Álico e Cambissolo Álico

Associação Neossolo Litólico e Cambissolo Álico


7035000

7035000
Associação Gleissolo, Neossolo Flúvico e Cambissolo
Fonte:
- IBGE: Mapa de Reconhecimentos de Solos: Projeto Gerenciamento Costeiro (GERCO), 2003.
Santana Escala 1:100.000.
- Mapa Geomorfológico da Bacia do rio Serafim:
elaborado para o presente Trabalho de Conclusão de Curso.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC


7034000

7034000
Centro de Ciências Humanas e da Educação - FAED
Departamento de Geografia - DGeo
Escala Gráfica Elaboração: Datum Horizontal: Projeção:
0 0,2 0,4 0,8 1,2 1,6 2 Betina De Gasper e Edna Lindaura Luiz SIRGAS 2000 UTM
Km Data: Meridiano Central: Fuso:
DEZEMBRO/2014 - 51 22 Sul
695000 696000 697000 698000 699000 700000 701000 702000 703000 704000
698000 699000 700000 701000 702000 703000 704000 705000 706000 707000 708000

µ
Localização da área de estudo

7043000

7043000
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ARGENTINA

Bacia do
ESTADO DE SANTA CATARINA rio Serafim

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VI. MAPA DE USO DA TERRA DA BACIA DO RIO SERAFIM


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