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LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

ELISANGELA SILVA VIEIRA


PERLIANE KAROLYNE DE SOUSA MOURA
STEFANY BEATRIZ JESUS DA SILVA
TATYANE RODRIGUES PIRES
THAIS RIBEIRO DO CARMO DE ARAUJO

A ESCOLARIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Uberlândia
2019
ELISANGELA SILVA VIEIRA
PERLIANE KAROLYNE DE SOUSA MOURA
STEFANY BEATRIZ JESUS DA SILVA
TATYANE RODRIGUES PIRES
THAIS RIBEIRO DO CARMO DE ARAUJO

A ESCOLARIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Trabalho de fixação de conteúdo, apresentado como


requisito parcial para a obtenção de média bimestral na
disciplina de Metodologia Científica, Educação de
Jovens e Adultos, História da Educação, Educação
Formal e não Formal (online), Didática, Práticas
Pedagógicas: Gestão da sala de aula

Uberlândia
2019
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1 INTRODUÇÃO

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino


muito complexa porque envolve dimensões que vão além da questão educacional, é
forma de compreender e referenciar a representação de uma teoria de uma política
pública educacional que tem como objetivo promover uma efetiva mudança no
cenário educacional do país dando oportunidade a pessoas que não tiveram acesso
à escolarização no momento adequado.
Este presente trabalho tem como finalidade nos proporcionar
esclarecimentos sobre a Educação de Jovens e Adultos ao longo da história e nos
fazer refletir sobre práticas pedagógicas para que essa modalidade de ensino seja
proveitosa e de sucesso.
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2 DESENVOLVIMENTO

Há muitos anos, muitos aluno de idade normal não possuíam a


oportunidade de terminar de concluírem seus estudos dentro da escola, e com isso
acabavam que não tinham oportunidade de trabalho e uma boa colocação no
mercado de trabalho, na verdade eram encaminhados aos trabalhos de menor
remuneração.
Mas com a evolução educacional foi possível a escolarização
daqueles que não tiveram a oportunidade de obter um ensino regular. Foi através de
Paulo Freire professor que lutava por um ensino de qualidade para Jovens e adultos
que obtivemos a conquista de ensino para eles. Paulo Freire defendia a ideia de que
a única forma de educar e proporcionar o conhecimento a esse público era atrelar a
educação ao dia a dia, a fim de facilitar a percepção dos educandos, diante dos
assuntos abordados na sala de aula. Mas foi com o passar dos anos que o ensino
conhecido como EJA foi se aperfeiçoando e com isso muitos alunos conseguiram se
formar no ensino superior e almejando várias oportunidades no mercado de
trabalho.
Contudo devemos nos lembrar que a história da educação surgiu lá
em 1958, após a chegada dos padres jesuítas. Vale lembrar que eles buscavam a
catequização de adultos e adolescentes, sendo eles colonizadores e nativos, porém
com as diferenças de cada grupo. Também não podemos descartar que os
portugueses traziam um vasto conhecimento de educação, porém próprio da
Europa. A educação de jovens e adultos (EJA) é notável no Brasil desde a época da
sua colonização, onde os Jesuítas se dedicavam a alfabetizar (catequisar) os índios,
tanto adultos quanto crianças numa grande ação cultural e educacional de espalhar
a fé católica junto com o trabalho de aprendizagem, mas com a chegada da família
real, e expulsão dos Jesuítas no século XVIII, a educação de adultos entra em
falência, pois a responsabilidade pela educação acabou ficando nas mãos do
império. Somente a partir da década de 1930 é que a educação de jovens e adultos
efetivamente começa a se destacar em todo cenário educacional do país, quando
em 1934, o governo cria o Plano Nacional de Educação que estabeleceu que é
dever do Estado o ensino primário integral, gratuito, de frequência obrigatória e
extensiva para adultos como direito constitucional.
Quando fala-se de Educação de Jovens e Adultos no Brasil pode ser
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uma coisa tão contemporânea, mas na verdade o processo educativo no Brasil,


nunca foi tão difícil de formar como a proposta para Educação de Jovens e Adultos,
Em 1920, surgiu questionamentos, com o que fazer sobre o Ensino para os Adultos
e o que o Estado deveria fazer, pois tratava-se de uma necessidade pública, e assim
se iniciou então a criação do Fundo Nacional de Ensino Primário em 1942 e junto
com ele programas para o ensino de adultos pois o Brasil possuía uma taxa
alarmante de analfabetismo e esse fundo tentava dar uma resposta a isso,
combatendo o analfabetismo adulto e infantil.
Em 1947, houve um bom movimento, que nos auxiliou muito o
desenvolver de um processo para o ensino de Jovens e Adultos no Brasil, foi o
Serviço de Educação de Adultos, o SEA, que por campo de atuação deveria se
preocupar com a educação do adulto e com ele criar um Curso Primário para
adultos, com profissionais capacitados. “(...) e lançamento fez que houvesse o
desejo de atender apelos da Unesco em favor da educação popular. (...)” (Paiva,
1987, p.178). Tem-se que deixar registrado que realmente os movimentos
populares, de grupos sociais como: sindicatos e outros foram os reais responsáveis
de surgir uma educação voltada para transformação, incluindo no processo
educacional e de modernização do país. A EJA levaria e leva aos poucos o sujeito a
uma transformação social ou cultural, como nas ideias de Paulo Freire.
Na década de 80, com o fim da ditadura militar e maior Liberdade da
sociedade, houve então uma abertura para que pudesse surgir novas contribuições
para as questões educacionais. A EJA passou por uma nova configuração e
buscando novas técnicas e metodologias para trabalhar. É preciso citar também o
Programa Mobral, que por tempos tentou à sua maneira formatar uma Educação a
Distância, e que na década de 80 acabou sendo substituído pela Fundação Nacional
para Educação de Jovens e Adultos, o Educar, que se considerava diferente, mas se
baseava em muitos de seus trabalhos.
A EJA também pode ser confundida, não raramente, com a
educação inclusiva. Nesse sentido, cabe aqui um novo esclarecimento. A partir da
Conferência Mundial de 1994 da UNESCO sobre Necessidades Educacionais
Especiais (Liga Internacional das Sociedades para Pessoas com Deficiência Mental,
1994) o ensino inclusivo é definido, num sentido mais amplo, como:
[...] a prática da inclusão de todos – independentemente de
seu talento, deficiência, origem socioeconômica ou origem
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cultural – em escolas e salas de aula provedoras, onde todas


as necessidades dos alunos são satisfeitas (KARAGIANNIS;
STAINBACK, W.; STAINBACK, S., 1999, p. 21).
Em 2008, a EJA, passou a fazer parte das Leis das Diretrizes e
Bases da Educação (LDB) e ficou conhecida como de Direito Público, o parecer
CNE CEB 11/2000, inclusive trata de esclarecer que a Educação de Jovens e
Adultos, não é uma forma de suprir a educação perdida e sim uma nova educação.
Sobre a LDB, a Lei nº 9.394, Haddad afirma, que essa lei “dedica a essa educação
de jovens e adultos uma seção curta e pouco inovadora”.
Embora que essas legislações tenham se mantido assistencialista e
bem populistas, com caráter compensatório, mas de uma forma de outra, essa nova
forma de educação passou a ser realizado de forma aceitável que a posição
marginal que ocupava antes.
A escola tem como função formar o indivíduo para que ele exerça
sua cidadania e participe das transformações diárias ao seu redor. Ser claro e
transparente com a função social da escola e do homem faz que seja essencial a
prática pedagógica devidamente competente e comprometida com as funções do
EJA, mostrando toda sua importância de existir perante a sociedade.
Na década de 90 o Brasil possuía 35 milhões de brasileiros que
viviam na pobreza absoluta, 30 milhões de analfabetos e mais de 20 milhões fora do
mercado de trabalho. Com isso foi criada a chamada “escola cidadã” que foi criada
para aumentar ainda mais o vínculo da educação com a sociedade, indicando uma
escola onde a pessoa aprenda mais e melhor, onde combatia a crise da baixa
qualidade de ensino. Essa transformação equivale a pôr em prática os princípios da
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional N.º 9394/96, que sustenta o
compromisso por excelência da escola brasileira com a construção da cidadania,
onde o educando não é só cidadão do futuro, mas é cidadão hoje.
O Brasil ainda encontra várias dificuldades em cima da educação de
jovens e adultos, em 2010 o Censo Demográfico contabilizou mais de 13 milhões de
jovens e adultos com idade acima de 15 anos que não sabem ler e escrever, e mais
de 16 milhões já haviam concluído o ensino fundamental, mas não terminou o
ensino médio.
É comum nas últimas décadas que pais com baixa escolaridade
lutem para que seus filhos possuam um ensino de qualidade, mesmo que os seus
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direitos a educação foram interrompidos. Paulo Freire sempre mostrou nos seus
interesses em conceber uma educação de igualdade, que fossem além dos ideais
de aprendizagem e do ensino. Deveria ser então concebida a partir de trocas entre
professor e aluno em suas relações culturais, no trabalho, na família e etc., “se
sempre confiamos no povo, sempre rejeitamos fórmulas doadas, sempre acreditar
que tinha algo a permutar com ele, nunca exclusivamente a oferecer-lhe”. (FREIRE,
2007, p.110).
Paulo Freire, com toda sua coragem e determinação, deixou uma
grande contribuição ao Ensino de Jovens e Adultos do que foi conquistado, as suas
ideias de práticas educacionais de igualdade, com sujeitos críticos, é a que hoje vem
sendo trabalhada na maioria das vezes na EJA.
Uma reflexão sobre a educação aponta para a educação de adultos
como resultado da ineficácia do Estado em garantir, por meio de políticas públicas
adequadas, a oferta e a permanência da criança e do adolescente na escola. Sendo
assim, as iniciativas em EJA, em sua grande maioria, caminham na marginalidade
do processo educativo brasileiro e as questões mais incisivas no tocante a esta
afirmação dizem respeito às propostas de governo criadas de acordo com as
necessidades políticas de cada sistema ideologicamente dominante.
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3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Não se pode refletir sobre a Educação de Jovens e Adultos sem


relacioná-la diretamente à forma como a sociedade está estruturada, a sociedade vê
a juventude e o adulto analfabeto como sinônimo de problema e motivo de
preocupação. O adulto analfabeto defronta-se com a sociedade letrada e necessita
de, no mínimo, saber enfrentar a tecnologia da comunicação para que, como
cidadão, saiba lutar por seus direitos, pois ao contrário, torna-se vítima de um
sistema que o excluí e que é pensado para poucos.
O ensino de jovens e adultos no Brasil passa por todos os
problemas vividos pela educação brasileira, o objetivo desta pesquisa é
compreender as metodologias sobre a EJA, porém o sucesso e os bons exemplos
das experiências de associações e de outros de governos mesmo como estaduais e
federais, serviram de exemplo para se estabelecer uma educação inclusive, mesmo
que fosse sem interesse do governo à época.
Assim, a Educação de Jovens e Adultos no Brasil, tem uma
formação muito mais social que a educação regular no Brasil, pois nasceu desde o
início de iniciativas populares e involuntárias e se estabeleceu quase por seu próprio
esforço e é necessário incentivo do governo ao JÁ, às pesquisas para o que Brasil
continue progredindo onde cada cidadão realize seus anseios.
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REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº. 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa Diretrizes e Bases para o
ensino de 1° e 2º graus, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília,
DF, 12 ago. 1971.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Biblioteca Central. Normas para


apresentação de trabalhos. 2. ed. Curitiba: UFPR, 1992. v. 2.

STRELHOW, T. B. Breve história sobre a educação de jovens e adultos no Brasil.


revista HISTEDBR On-line, Campinas, n.38, p. 49-59, jun.2010.

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Educação Popular. São Paulo, Brasiliense, 1984.

VIEIRA, M.C. Fundamentos históricos, políticos e sociais da educação de jovens e


adultos – Volume I: aspectos históricos da educação de jovens e adultos no Brasil.
Universidade de Brasília, Brasília, 2004.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987, 17º
Edição.

RIBEIRO, Vera Masagão, JOIA, Orlando, PIERRO, Maria Clara Di. Visões da
educação de Jovens e Adultos no Brasil. Cadernos Cedes, ano XXI, nº 55,
novembro/2001. Disponível em: www.scielo.be/pdf/ccedes/v21n55/5541.pdf>.
Acesso em 10/ 05/2019.