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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR

PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO


PARÁ

Processo nº 0009117-14.2016.8.14.0123

URGENTE RÉU PRESO!!!

CÂNDIDO LIMA JÚNIOR, brasileiro, casado, advogado,


inscrito na OAB/PA sob o nº 25.926-A e ÂNGELO SOUSA LIMA,
brasileiro, solteiro, inscrito na OAB/PA nº 26.226, ambos com
endereço profissional e eletrônico constantes no rodapé, onde
recebe notificações e intimações de estilo, vem, respeitosamente, à
presença de Vossa Excelência, com fulcro no art. 5º, LXVIII da
CF/88 c/c art. 647 e 648, VI do Código de Processo Penal,
impetrar ORDEM DE HABEAS CORPUS COM PEDIDO LIMINAR,
em favor de JOSE GONZAGA MONTEIRO BARRA NOVA,
brasileiro, casado, madeireiro, portador da cédula de identidade
RG n° 3358257 SSP/PA, inscrito no CPF n° 619.332.522-00,
residente e domiciliado na Vila Marabá, s/n, Luzilândia, Parque
Vila Marabá, no município de Novo Repartimento/PA, por estar
sofrendo flagrante constrangimento ilegal perpetrado pelo Juízo da
Vara Única da Comarca de Novo Repartimento/PA, conforme será
demonstrado a seguir:

I – DA SÍNTESE FÁTICA

A Polícia Civil de Novo Repartimento instaurou o


procedimento investigatório acima tombado para apurar supostos
crimes contra o meio ambiente praticado por diversos madeireiros
da região, bem como o suposto pagamento de propina a agentes
públicos em troca de vantagens e facilitações.

A priori, insta ressaltar de pronto que o Inquérito Policial


em questão se encontra eivado de diversas irregularidades
procedimentais, a saber, ausência de portaria instauradora do
Inquérito Policial, já que o Delegado responsável por
conduzir a investigação não assinou a Portaria de abertura
do Inquérito e a data da Portaria sem assinatura é de 31 de
janeiro de 2016 (posterior aos pedidos de interceptação
telefônica), ausência dos depoimentos dos supostos
denunciantes que justificariam a instauração da
investigação e, por fim, ausência das ordens judiciais para
quebra de sigilo telefônico e autorização de interceptação
telefônica e, consequentemente, das decisões judiciais de
prorrogação das interceptações telefônicas.

Não obstante, mesmo apesar de tamanhas falhas


procedimentais, falhas que, inclusive, tem o condão de gerar a
nulidade absoluta do procedimento investigatório, o Paciente,
ainda assim, foi preso no último dia 12/10/2017, sob a alegação
de que o mesmo teria pago propina a um fiscal da Secretaria do
Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS) para liberação de
caminhão que havia sido apreendido em 21/12/2017.

Ademais, todo o curso investigativo levado à cabo por


parte da Polícia Civil de Novo Repartimento foi conduzido
ilegalmente, notadamente porque os depoimentos dos dois
madeireiros que seriam denunciantes do suposto esquema de
corrupção NÃO EXISTEM, como se depreende do tombamento dos
autos em epígrafe.

E mais, as interceptações telefônicas foram efetuadas


antes mesmo da instauração do Inquérito Policial, visto que até o
presente momento NÃO EXISTE PORTARIA DE ABERTURA DE
INQUÉRITO ASSINADA PELO DELEGADO RESPONSÁVEL PELA
CONDUÇÃO DAS INVESTIGAÇÕES.

De outro norte, no que se refere às interceptações


telefônicas, estas tiveram como fundamento suposta denuncia
realizada por dois co-investigados, o Sr. MARCOS e o Sr.
VALDECI, que, de acordo com o Relatório de Investigação Policial,
teriam se dirigido até a Delegacia de Novo Repartimento/PA e
prestado depoimento denunciando o suposto esquema de
corrupção.

Ocorre que, tais depoimentos são inexistentes, conforme


pode-se depreender do tombamento dos autos epigrafados, e mais,
no mesmo Relatório foram anexadas diversas conversas e
transcrição de áudios de um grupo chamando
TRANSAMAZÔNICA, oriundos do aplicativo Whatsapp, que
supostamente teriam sido acessadas através de autorização dos
depoentes, o Sr. MARCOS e o Sr. VALDECI.

As informações colhidas através do aplicativo, o que


supostamente aconteceu no dia em que os supostos denunciantes
foram prestar depoimento para esclarecer o suposto esquema de
corrupção, são MANIFESTAMENTE ILEGAIS, dada a ausência de
tais depoimentos que justificassem tal medida.

Nesta alheta, todo o procedimento investigatório para


recolhimento de provas, que desde o início foi derivado dos
supostos depoimentos do Sr. MARCOS e Sr. VALDECI, que não
existem, DEVE SER INVALIDADO, isto porque as provas
recolhidas no grupo de Whatsapp são ILÍCITAS e, por
consequência, todas as provas decorrentes de uma investigação
que se iniciou ilegalmente TAMBÉM DEVEM SER
CONSIDERADAS ILÍCITAS.

Neste contexto, ao ser ilicitamente perpetrada a


interceptação telefônica do Paciente, fora interceptado trecho de
ligação na data de 27/12/2017, das 11:42:21 às 11:44:21 (Auto
Circunstanciado nº 01.189/2016, fls. 101), ocasião em que o
Paciente teria falado que pagaria R$ 2.500,00 (dois mil e
quinhentos reais) ao Júnior, e que este Júnior supostamente seria
o fiscal da SEMAS, e que a quantia seria paga para a liberação do
caminhão. Não merece prosperar tal afirmação. Explico.

Importa primeiramente dizer que o caminhão e a madeira


do Paciente, apreendidos pela Polícia Civil em 21/12/2016 e
repassados à SEMAS não foram liberados, ao contrário, o
Paciente foi autuado pela SEMAS (Auto de Infração nº
7001/09127 em anexo), oportunidade na qual fora nomeado fiel
depositário do caminhão (marca IVECO, placa NAR-5075, cor
vermelha, ano/mod. 2008, registrado em nome de José Erinaldo
de Oliveira), assim como a Igreja Assembléia de Deus fora
nomeada fiel depositária para a carga de madeira (madeira em
toras no total de 05 unidades).

Além de todos os vícios procedimentais e ilegalidades


acima expostas, a alegação de que o Paciente pagou propina a um
fiscal da SEMAS, de nome Ivan Júnior, para liberação de seu
caminhão apreendido é infundada por duas principais razões:

1- O CAMINHÃO E A MADEIRA DO PACIENTE NÃO


FORAM LIBERADOS, AO CONTRÁRIO, FORAM AUTUADOS
(AUTO DE INFRAÇÃO Nº 7001/09127 em anexo);

2- O FISCAL QUE FEZ A AUTUAÇÃO DO PACIENTE FOI


O SR. CÉSAR PLATON MAIA (SEMA/PA-MF: 5717209/1);
Desta forma, a alegação imputada ao Paciente de que o
mesmo teria pago propina ao fiscal da SEMAS Ivan Júnior para
liberação de seu caminhão e madeira apreendidas estão
totalmente desqualificadas, visto que, conforme atesta o Auto de
Infração anexo a este pleito exordial, TAL FATO NÃO OCORREU.

E mais, o Paciente atualmente se encontra detido no


Presídio da cidade de Tucuruí/PA, mesmo embora nunca tenha
sido ouvido no curso das investigações, jamais tenha sido
chamado para prestar esclarecimentos, e não existam motivos
suficientes para justificação do cárcere.

II – PRELIMINARMENTE

II.A – DA NULIDADE ABSOLUTA DO PROCEDIMENTO


INVESTIGATÓRIO POR AUSÊNCIA DE PORTARIA
INSTAURADORA DO INQUÉRITO

O art. 5º do Código de Processo Penal, ao tratar da


abertura do Inquérito Policial, dispõe, ipsis litteris, que:

Art. 5o Nos crimes de ação pública o


inquérito policial será iniciado:

I - de ofício;

II - mediante requisição da autoridade


judiciária ou do Ministério Público, ou a
requerimento do ofendido ou de quem tiver
qualidade para representá-lo.
Quando instaurado de ofício, o procedimento
investigatório deve ser aberto através de Portaria expedida pelo
Delegado de Polícia, ou seja, uma peça através da qual a
autoridade policial registra o conhecimento da prática de um
crime de Ação Pública Incondicionada, especificando, se possível,
o lugar, o dia e a hora em que foi cometido o delito, o prenome do
autor.

Cumpre dizer que a Portaria de abertura do Inquérito


Policial deve ser bem fundamentada, contendo fatos que
justifiquem a abertura de investigação policial, de tal sorte que a
ausência da respectiva Portaria implica na absoluta nulidade de
todo o procedimento investigatório.

Embora o Inquérito Policial seja um procedimento


dispensável ao oferecimento da denúncia, in casu, o que se verifica
é que o procedimento investigatório foi utilizado para embasar a
decretação de prisão preventiva do Requerente, mesmo embora
não hajam quaisquer fundadas razões que justifiquem tal medida.

A ausência de Portaria instauradora demonstra a


gravidade das falhas procedimentais cometidas pela autoridade
policial no curso das investigações, razão pela qual todos os atos
investigatórios devem ser totalmente anulados e o Requerente
posto IMEDIATAMENTE em liberdade, visto que sua prisão
representa uma afronta às garantias constitucionais da presunção
de inocência e do devido processo legal.
A Constituição Federal, em seu art. 5º, LIV, esboça o
fundamento jurídico do due process of law ou devido processo
legal que, atualmente, é considerado princípio fundamental e
norteador de todos os demais princípios constitucionais, com a
finalidade de reprimir abusos do Estado.

E mais, o devido processo legal se ramifica duas esferas,


a esfera formal (procedural due process of law) e a esfera
substantiva (substantive process of law), de tal forma que o
primeiro refere-se ao dever do juiz, enquanto representante do
Estado, de observar os ritos e a todos os aspectos que circundam
o processo, e o segundo trata de uma prestação jurisdicional justa
e adequada, em observância aos princípios da justiça e requisitos
intrínsecos da lei.

Alexandre de Morais, ministro do STF, ao abordar o tema,


leciona que:

“o devido processo legal configura dupla


proteção ao indivíduo, atuando tanto no
âmbito material de proteção ao direito de
liberdade, quanto no âmbito formal, ao
assegurar-lhe paridade total de condições
com o Estado – persecutor e plenitude de
defesa (direito à defesa técnica, à
publicidade do processo, à citação, de
produção ampla de provas, de ser
processado e julgado pelo juiz competente,
aos recursos, à decisão imutável, à revisão
criminal)”.

Desta forma, no caso em tela, o requerente não pode


permanecer encarcerado indiscriminadamente ao bel prazer do
Estado, isto porque existe um dever constitucional de observância
ao princípio do devido processo legal na persecução criminal,
tanto em caráter formal quanto em caráter material, o que não
acontece in casu.

II.B – DA AUSÊNCIA DOS DEPOIMENTOS QUE EMBASAM A


INVESTIGAÇÃO POLICIAL E AS INTERCEPTAÇÕES
TELEFÔNICAS

Insta ressaltar que, compulsando-se os autos do


procedimento investigatório epigrafado, percebe-se que toda a
investigação se suporta no depoimento de dois denunciantes, que
seriam o Sr. MARCOS e o Sr. VALDECI, co-investigados.

Ademais, o relatório policial alega ainda que na ocasião


em que os dois co-investigados prestaram depoimento para
denunciar o suposto esquema de corrupção, estes últimos
autorizaram a autoridade policial a ter acesso ao conteúdo do
grupo de Whatsapp TRANSAMAZÔNICA, que supostamente seria
um grupo criado entre os madeireiros da região para burlar a
fiscalização ambiental.

Contudo, tal autorização para acessar o aplicativo não


consta nos autos do procedimento investigatório e, desta maneira,
a obtenção das conversas e transcrição dos áudios do grupo foram
realizadas de maneira ILEGAL, em flagrante violação do direito ao
sigilo e à intimidade, constitucionalmente garantidos desde 1988.
Neste sentido, inclusive, é a jurisprudência dos Tribunais
Pátrios:

AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS.


INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS.
AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
ILEGALIDADE. RECONHECIMENTO PELO
TRIBUNAL DE ORIGEM.
PREJUDICIALIDADE DA IMPETRAÇÃO.
AGRAVO IMPROVIDO. 1. Por meio do
presente writ os impetrantes pretendem
o trancamento da ação penal em razão
da alegada inexistência de decisão
judicial que tenha autorizado as
interceptações telefônicas que
culminaram na prisão em flagrante do
paciente, eiva que foi inicialmente
rechaçada pelo Tribunal de origem em
julgamento de prévio habeas corpus. 2.
Por ocasião do julgamento dos recursos
de apelação interpostos pelos acusados,
entretanto, o Tribunal de origem
reconheceu que não há nos autos da
ação penal as decisões que autorizaram
as interceptações telefônicas
reclamadas, ou seja, reconheceu o
próprio constrangimento legal que lhe
foi atribuído na presente impetração,
embora não tenha dado a tal conclusão
os efeitos almejados pelos impetrantes.
3. Imperioso, portanto, o reconhecimento
da prejudicialidade da análise do mérito
deste remédio heróico, pois esta Corte
Superior de Justiça não se encontra
vinculada ao juízo proferido pelo
Tribunal de origem por ocasião do
julgamento do recurso de apelação, o
qual é diametralmente oposto ao contido
no acórdão objurgado. 4. Agravo
regimental improvido.
(STJ - AgRg no HC: 208789 SC
2011/0128261-9, Relator: Ministro
JORGE MUSSI, Data de Julgamento:
25/02/2014, T5 - QUINTA TURMA, Data
de Publicação: DJe 10/03/2014).

APELAÇAO CRIME. TRÁFICO DE DROGAS.


INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS.
AUSÊNCIA DE PROVA DA AUTORIZAÇÃO
JUDICIAL. DESCONSTITUIÇÃO DA
SENTENÇA. O caso dos autos não
permite concluir, com segurança, se a
interceptação era ou não legal, não se
tendo como saber se a escuta foi ou não
autorizada. E não se pode concluir,
desde logo, com base na ausência de
prova da autorização judicial da
interceptação telefônica, que a prova é
ilícita. Neste contexto, a sentença deve
ser desconstituída, determinando-se a
abertura de vista para o Ministério
Público, fixada a licitude da
interceptação telefônica como ponto
controverso. POR MAIORIA, SENTENÇA
DESCONSTITUÍDA, DE OFÍCIO. MÉRITO
PREJUDICADO. (Apelação Crime Nº
70052631819, Terceira Câmara
Criminal, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: Jayme Weingartner Neto,
Julgado em 01/02/2013)
(TJ-RS - ACR: 70052631819 RS, Relator:
Jayme Weingartner Neto, Data de
Julgamento: 01/02/2013, Terceira
Câmara Criminal, Data de Publicação:
Diário da Justiça do dia 09/04/2013)
Neste ínterim, percebe-se que as interceptações
telefônicas realizadas sem as devidas autorizações judiciais, assim
como prorrogadas também sem as devidas autorizações judiciais
se perfazem PROVAS ILÍCITAS, da mesma maneira que todas as
provas de decorram de tais interceptações também se constituem
de vícios.

Cumpre citarmos aqui, Nobre Desembargador, a doutrina


estadunidense da fruit of the poisonous tree ou “teoria dos frutos
da árvore envenenada”, que estabelece que todas as provas que
são obtidas como resultado de uma prova inicial ilícita também
são consideradas ilícitas, de tal sorte que não existem razões que
sustentem a prisão do Paciente, já que esta se baseou unicamente
nas gravações de conversas telefônicas ilegalmente realizadas,
DEVENDO ESTE SER POSTO IMEDIATAMENTE EM LIBERDADE.

II.C – DA INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA


REALIZAÇÃO DAS INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS

O art. 1º da Lei 9.296/1996 (Lei de Interceptações


Telefônicas) dispõe, in verbis, que:

Art. 1º A interceptação de comunicações


telefônicas, de qualquer natureza, para
prova em investigação criminal e em
instrução processual penal, observará o
disposto nesta Lei e dependerá de ordem do
juiz competente da ação principal, sob
segredo de justiça.
Desta forma, claramente expresso na legislação que as
interceptações e, consequentemente, prorrogações de
interceptações somente podem ser acontecer mediante ordem
judicial.

E mais, as autorizações judiciais devem ocorrer de forma


PRÉVIA ao acontecimento das interceptações telefônicas, não
sendo possível que estas últimas sejam validadas após terem sido
realizadas, sob pena de mácula às garantias constitucionais dos
investigados e ofensa ao princípio do devido processo legal.

Compulsando-se os autos do processo de quebra de sigilo


fornecidos pelo Juízo da Comarca de Novo Repartimento, verifica-
se de pronto a inexistência de mandados judiciais que autorizem
as respectivas interceptações telefônicas, de tal sorte que todas as
quebras de sigilo perpetradas são ilegais e, por isso, provas
ilícitas, que não tem o condão de justificar cárcere preventivo.

A autoridade policial não pode se furtar da observância


dos princípios constitucionais norteadores do processo penal,
ainda que em fase de inquérito, restando um dever constitucional
de observância ao devido processo legal.

Nesse ínterim, mais uma vez percebe-se o descuido e o


descaso com o qual foi conduzida a operação policial, de tal sorte
que a soltura do Requerente se perfaz em medida de absoluto
direito e se impõe no caso em questão.
III – DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS PARA A MANUTENÇÃO
DA PRISÃO PREVENTIVA

III.A- Da garantia de ordem pública e da ausência de fato


criminoso que justifique o cárcere

O Requerente não oferece quaisquer riscos à sociedade, ao


contrário, sempre foi pessoa bem quista no seio social, jamais
tendo se envolvido em qualquer prática ilícita ou delituosa, de
sorte que sua prisão tem natureza manifestamente ILEGAL e
ARBITRÁRIA.

Ademais, antecipar o cárcere do Requerente, mesmo


quando o mesmo sequer fora chamado a prestar esclarecimentos
e mesmo quando este se encontra preso por um fato que não
ocorreu, in casu, NÃO HOUVE LIBERAÇÃO DO CAMINHÃO
MEDIANTE PAGAMENTO DE PROPINA, até porque ele foi
autuado e o processo continua tramitando na SEMAS, estando o
Requerente listado como fiel depositário do caminhão e a Igreja
Assembleia de Deus como fiel depositária da madeira apreendida.

Desta forma, o suposto pagamento a um fiscal da SEMAS


de nome Ivan Júnior para liberação do caminhão e madeira
apreendidas JAMAIS EXISTIU, inclusive porque o fiscal
responsável pela sua autuação foi o Sr. CÉSAR PLATON MAIA
(SEMAS/PA-MF: 5717209/1), de tal sorte que a acusação contra
o Requerente se encontra eivada de ATIPICIDADE, razão pela
qual deve ser REVOGADA a medida de prisão preventiva e o
Requerente posto em liberdade, conforme comprovam os
documentos anexos.

III.B – Da conveniência da instrução criminal

O acusado não pretende e de nenhuma forma perturbará


ou dificultará a busca da verdade real, no desenvolvimento da
marcha processual, pois estará voltado, tão somente, a defender-
se da acusação que contra si foi imputada, estando certo de que
com a continuidade do labor diário chegará ao termo do processo
com a consciência de ter feito jus à confiança do Estado-juiz e da
sociedade.

Ademais, o Requerente é consciente de que a instrução


criminal é o meio hábil para exercer o direito constitucional do
contraditório e da ampla defesa, ATRAVÉS DA QUAL PROVARÁ
SUA INOCÊNCIA NO CURSO PROCESSUAL, razão pela qual não
se pode presumir que o mesmo se voltará contra o único meio
que possibilitará o exercício de sua defesa.

III.c – Da aplicação da lei penal

A prisão não deve prosperar sob o argumento de se garantir


a aplicação da lei penal, posto que o requerente possui trabalho,
endereço conhecido e jamais se furtará a se defender da
acusação que lhe é imputada, sendo que poderá e se
disponibilizará a ser localizado a qualquer momento para a
prática dos atos processuais, comprometendo-se a comparecer a
todos os atos do processo.

De mais a mais, é de singular interesse do acusado se


prontificar e disponibilizar-se para responder ao processo, uma
vez que a única forma de trazer à tona a verdade real dos fatos
para a aplicação justa da lei.

Destarte, no Estado Constitucional e democrático de


direito é que encontraremos o fundamento de validade do ius
puniendi, bem como suas limitações. É um Estado em que os
direitos humanos deverão ser preservados a qualquer custo,
como diz precisamente Norberto Bobbio, ‘o reconhecimento e a
proteção dos direitos do homem estão na base das Constituições
democráticas’.

A Carta da República de 1988, em seu art. 5º, dispõe,


ipsis litteris, que:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem


distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no
País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
LXV - a prisão ilegal será imediatamente
relaxada pela autoridade judiciária;
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela
mantido, quando a lei admitir a liberdade
provisória, com ou sem fiança;
1º - As normas definidoras dos direitos e
garantias fundamentais têm aplicação
imediata.

Destarte, constitucionalmente, assegura-se o direito da


liberdade ao acusado, já que é possuidor de todos os requisitos
legais e a prisão cautelar se caracteriza por ser medida de
exceção.

Neste sentido é o entendimento do TJ/RS:

HABEAS CORPUS. CRIMES CONTRA O


PATRIMÔNIO. ROUBO SIMPLES. ART. 157,
CAPUT, DO CÓDIGO PENAL.
DESNECESSIDADE DA PRISÃO PREVENTIVA.
PACIENTE PRIMÁRIO. CONDIÇÕES
PESSOAIS FAVORÁVEIS. APLICAÇÃO DE
MEDIDA CAUTELAR MENOS GRAVOSA.
POSIBILIDADE NO CASO CONCRETO. As
circunstâncias do caso concreto não
evidenciam a necessidade da segregação
cautelar do paciente, já que não
demonstrado o periculum libertatis, ou seja,
o risco que a liberdade do agente possa
ocasionar à ordem pública. No caso em
apreço, o paciente é jovem (18 anos) e
primário, não respondendo a nenhum outro
processo na seara criminal. Além disso,
comprovou endereço fixo e atividade laboral
lícita. Sendo assim, diante do contexto
fático, impõe-se a concessão da ordem de
habeas corpus, condicionada à medida
cautelar de comparecimento mensal em
Cartório para informar endereço e justificar
atividades, sob pena de revogação do
benefício em caso de descumprimento.
HABEAS CORPUS CONCEDIDO.
DETERMINADA A EXPEDIÇÃO DE ALVARÁ
DE SOLTURA NA ORIGEM. (Habeas Corpus Nº
70068174853, Quinta Câmara Criminal,
Tribunal de Justiça do RS, Relator:
LizeteAndreisSebben, Julgado em
24/02/2016)
HABEAS CORPUS. CRIMES CONTRA O
PATRIMÔNIO. ROUBO MAJORADO.
ART. 157, § 2º, INC. I E II, DO CP.
DESNECESSIDADE DA PRISÃO PREVENTIVA.
PACIENTE PRIMÁRIO. CONDIÇÕES
PESSOAIS FAVORÁVEIS. APLICAÇÃO DE
MEDIDA CAUTELAR MENOS GRAVOSA.
POSIBILIDADE NO CASO CONCRETO.
As circunstâncias do caso concreto não
evidenciam a necessidade da segregação
cautelar do paciente, já que não
demonstrado o periculum libertatis, ou seja,
o risco que a liberdade do agente possa
ocasionar à ordem pública. No caso em
apreço, dos agentes flagrados, o paciente é o
único primário e que não responde a
nenhum outro processo na seara criminal e
que comprovou endereço fixo e atividade
laboral lícita. Sendo assim, diante do
contexto fático, impõe-se a concessão da
ordem de habeas corpus, condicionada às
medidas cautelares de comparecimento
mensal em Cartório para informar endereço
e justificar atividades, e proibição de
ausentar-se da Comarca, sob pena de
revogação do benefício. HABEAS CORPUS
CONCEDIDO. DETERMINADA A EXPEDIÇÃO
DE ALVARÁ DE SOLTURA NA ORIGEM.
(Habeas Corpus Nº 70067328682, Quinta
Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: LizeteAndreisSebben, Julgado em
16/12/2015).
Vale dizer, não há mais como cogitar a liberdade
divorciada da justiça social, como também infrutífero pensar na
justiça social divorciada da liberdade.

Em suma, todos os direitos humanos constituem um


complexo integral, único e indivisível, em que os diferentes
direitos estão necessariamente inter-relacionados e
interdependentes entre si.

De outra ideia, é certo que a ordem pública não será


burlada e nem afetada com a soltura do acusado, pois não se
justifica nenhum argumento como o de que com a soltura
poderia voltar a delinquir, já que o mesmo é trabalhador, tem
residência fixa e meios lícitos de sobrevivência.

No caso em tela, vale ressaltar que não pode haver,


quanto aos pressupostos para a decretação da prisão preventiva,
qualquer tipo de presunção.

Ademais, a prisão cautelar deve ocorrer somente nos


casos em que é necessária, em que é a única solução viável -
ultima ratio - onde se justifica a manutenção do infrator fora do
convívio social devido à sua periculosidade e à probabilidade,
aferida de modo objetivo e induvidoso, de voltar a delinquir, o
que certamente não é o caso presente.

Dessa forma, ínclito Julgador, a REVOGAÇÃO DA


PRISÃO PREVENTIVA do acusado é medida que se ajusta
perfeitamente ao caso em tela, não havendo, por conseguinte,
razões para a manutenção do mesmo aprisionado.

Ademais, MM. Juiz, não se pode ignorar o espírito da lei,


que na hipótese da prisão preventiva ou cautelar visa a garantia
da ordem pública, ordem econômica, a conveniência da instrução
criminal ou, ainda, para assegurar a aplicação da lei penal, que
no presente caso, pelas razões anteriormente transcritas,
encontram-se plenamente garantidas.

Destarte, é notório que a revogação da prisão preventiva


atenderá aos ditames do ordenamento jurídico e possibilitará ao
Requerente o retorno de sua vida pessoal e a exercer seu direito
de defesa em liberdade.

III.d – Da primariedade e dos bons antecedentes do acusado

É necessário ressaltar que, tecnicamente, o acusado é


primário, haja vista que não possui em seu desfavor nenhuma
condenação penal transitada em julgado. Este, inclusive, é
raciocínio abordado por GUILHERME DE SOUZA NUCCI ao
ensinar sobre a “primariedade”:

Primariedade é a situação de quem não é


reincidente. Este, por sua vez, é aquele que
torna a cometer um crime, depois de já ter
sido condenado definitivamente por delito
anterior, no País ou no exterior, desde que
não o faça após o período de cinco anos,
contados da extinção de sua primeira
pena”.(Código de Processo Penal Comentado;
4ª ed.; ed. RT; São Paulo; 2015; p. 915).

Insta dizer, também, que o réu possui bons


antecedentes, pois como preleciona ainda GUILHERME DE
SOUZA NUCCI:

Somente é possuidor de maus antecedentes


aquele que, à época do cometimento do fato
delituoso, registra condenações anteriores,
com trânsito em julgado, não mais passíveis
de gerar a reincidência (pela razão de ter
ultrapassado o período de cindo anos)”. (Op.
Cit; p. 915).

Desta maneira, a defesa requer sua liberdade para que


possa responder adequadamente ao processo penal, e pela
aplicabilidade dobrocardo jurídico que impõe a presunção de
inocência até que se esgotem todos os recursos da ampla
defesa e contraditório.

Neste sentido alinham-se Américo Bedê Júnior e


Gustavo Senna (Princípios do Processo Penal: Entre o garantismo
e a efetividade da sanção), Aury Lopes Filho (Direito Processual
Penal e sua Conformidade Constitucional), Fernando da Costa
Tourinho Filho (Processo Penal), Paulo Rangel (Direito Processual
Penal) e Vicente Greco Filho (Manual de Processo Penal).

Destarte, diante do princípio constitucional da


presunção de inocência, cabe ao Estado acusador apresentar
prova cabal a sustentar sua denúncia, impondo-se ao magistrado
fazer valer brocado outro, a saber: allegaresineprobare et non
allegare paria sunt - alegar e não provar é o mesmo que não
alegar.

A certeza do direito penal mínimo no sentido de que


nenhum inocente seja punidoé garantida pelo princípio
humanístico e constitucional in dubio pro reo.

Tal princípio expressa o sentido da presunção de não


culpabilidadedo acusado até prova em contrário: é necessária a
prova, isto é, a certeza, ainda que subjetiva,da culpabilidade, não
tolerando a condenação e exigindo-se a absolvição em caso de
incerteza.

No sentido do exposto é a jurisprudência dos tribunais


brasileiros:

HABEAS CORPUS. TRAFICO. PRISÃO


PREVENTIVA. AUSENCIA DE
FUNDAMENTAÇAO IDONEA. OBJETIVA O
IMPETRANTE A CONCESSÃO DA ORDEM
PARA RELAXAR A PRISÃO CAUTELAR DO
PACIENTE, POSTO QUE PRESO EM
FLAGRANTE DESDE 23.02.2013, POR
SUPOSTAMENTE TER COMETIDO O
CRIME DE TRAFICO DE DROGAS
SUSTENTANDO A ILEGALIDADE DA
MANUTENÇÃO DA CUSTÓDIA CAUTELAR
EIS QUE DESPROVIDA DE
FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA A DECISÃO
QUE CONVERTEU A PRISÃO FLAGRANTE
EM PREVENTIVA, COM FUNDAMENTO NO
RESGUARDO DA ORDEM PÚBLICA E
PARA ASSEGURAR A APLICAÇÃO DA LEI
PENA, SEM, NO ENTANTO APONTAR
ELEMENTOS CONCRETOS A JUSTIFICAR
A SEGREGAÇÃO CAUTELAR DO
PACIENTE, BEM COMO NÃO FEZ
NENHUMA CONSIDERAÇÃO ACERCA DAS
MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA
PRISÃO, RAZÃO PELA QUAL ARGUMENTA
SER A MESMA NULA, O QUE TORNA
ILEGAL A PRISÃO DO PACIENTE. ORDEM
QUE MERECE SER PARCIALMENTE
CONCEDIDA. COM EFEITO, VERIFICA-SE
QUE DECISÃO QUE CONVERTEU A
PRISÃO EM FLAGRANTE DO PACIENTE
EM PREVENTIVA TEM COMO
FUNDAMENTO A GARANTIA DA ORDEM
PÚBLICA E A APLICAÇÃO DA LEI PENAL,
SEM BASEAR-SE EM FATOS
CONCRETOS QUE EVIDENCIASSEM A
NECESSIDADE DA PRISÃO CAUTELAR,
ALÉM DA VEDAÇÃO DE CONCESSÃO DA
LIBERDADE PROVISÓRIA CONTIDA NO
ART. 44 DA LEI Nº 11.343/06. CEDIÇO
QUE COM A ENTRADA EM VIGOR DA LEI
12.403/11 A DECRETAÇÃO OU A
MANUTENÇÃO DE UMA PRISÃO
CAUTELAR DEVE ESTAR EMBASADA
NÃO SOMENTE NA PRESENÇA DOS
REQUISITOS DOS ARTS. 312 E 313, DO
CPP, COMO TAMBÉM NA
DEMONSTRAÇÃO DA INSUFICIÊNCIA E
DESNECESSIDADE DA APLICAÇÃO DAS
MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA
PRISÃO CONTIDAS NO NOVO ART. 319,
DO CPP. CEDIÇO QUE A MANUTENÇÃO
DA PRISÃO EXIGE A PRESENÇA DE
ELEMENTOS QUE A JUSTIFIQUEM, NOS
TERMOS DO ARTIGO 312 CPP. SENDO
ASSIM, CABE AO JULGADOR
INTERPRETAR RESTRITIVAMENTE OS
PRESSUPOSTOS DO ART. 312 DA LEI
PROCESSUAL PENAL, FAZENDO-SE
MISTER A CONFIGURAÇÃO FÁTICA DOS
REFERIDOS REQUISITOS. E O QUE SE
CONSTATA É QUE O JUIZ AUTOR DA
DECISÃO NÃO INDICOU FATOS
CONCRETOS QUE PODERIAM ABALAR A
ORDEM PÚBLICA E TAMPOUCO
ESCLARECEU A CIRCUNSTÂNCIA QUE
ESTARIA A PREJUDICAR EVENTUAL
APLICAÇÃO DA LEI PENAL. DESSA
FORMA, VERIFICO AUSENTE A
IMPRESCINDÍVEL DEMONSTRAÇÃO DA
NECESSIDADE CONCRETA DA MEDIDA
EXTREMA, UMA VEZ QUE NÃO HÁ, NA
DECISÃO QUE CONVERTEU A PRISÃO
EM FLAGRANTE EM PREVENTIVA,
RAZÕES IDÔNEAS QUE EXPLIQUEM, NO
CASO CONCRETO, QUAISQUER DOS
REQUISITOS DA PRISÃO PREVENTIVA,
EM ESPECIAL A GARANTIA DA ORDEM
PÚBLICA E A APLICAÇÃO DA LEI PENAL.
DESTAQUE-SE QUE A DECISÃO
GUERREADA NÃO APRESENTOU
FUNDAMENTOS CONCRETOS PARA A
DECRETAÇÃO DA CUSTÓDIA
CAUTELAR, CONSTANDO DELA APENAS
AS GENÉRICAS EXPRESSÕES DA LEI.
NO TOCANTE À VEDAÇÃO LEGAL À
CONCESSÃO DE LIBERDADE
PROVISÓRIA CONTIDA NO ART. 44 DA
LEI 11.343/06, A MAIS RECENTE
JURISPRUDÊNCIA DO STF VEM
CONSIDERANDO-A INCONSTITUCIONAL
POR OFENSA AOS POSTULADOS
CONSTITUCIONAIS DA PRESUNÇÃO DE
INOCÊNCIA, DO DEVIDO PROCESSO
LEGAL, DA PROPORCIONALIDADE E DA
DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA.
EMBORA NÃO TENHA HAVIDO
QUALQUER PROVA DE PRIMARIEDADE,
BONS ANTECEDENTES E RESIDÊNCIA
FIXA, INEXISTINDO OS REQUISITOS
PARA DECRETAÇÃO DA PRISÃO
PREVENTIVA, NOS TERMOS DO ART.
310 DO CPP, NÃO HÁ RAZÃO PARA A
MANUTENÇÃO DA CUSTÓDIA. ASSIM, A
MOTIVAÇÃO MOSTRA-SE INSUFICIENTE,
POR GENÉRICA E ABSTRATA, FICANDO
NO MERO CAMPO DA POSSIBILIDADE E
NÃO DA INDISPENSÁVEL
PROBABILIDADE NORMATIVA. ASSIM,
NÃO RESTOU CARACTERIZADO QUE A
ORDEM PÚBLICA ESTEJA AMEAÇADA
PELA SOLTURA DO PACIENTE, QUE A
INSTRUÇÃO CRIMINAL SEJA AFETADA E
QUE A APLICAÇÃO DA LEI PENAL SEJA
PREJUDICADA. POR OUTRO LADO,
SALIENTE-SE, QUE NA HIPÓTESE EM
APREÇO, DIANTE DA APLICAÇÃO DO
BINÔMIO NECESSIDADE E ADEQUAÇÃO,
VISLUMBRO SEREM PLENAMENTE
APLICÁVEIS AS MEDIDAS CAUTELARES
ALTERNATIVAS À PRISÃO, PREVISTAS
NOS ARTIGOS 319 DO CÓDIGO DE
PROCESSO PENAL. NO CASO DO
PACIENTE PARECEM SER SUFICIENTES,
PARA O RESGUARDO DO PROCESSO, AS
MEDIDAS CAUTELARES PREVISTAS NOS
INCISOS I E V DO ART. 319 DO CPP.
DESTA FORMA, VISLUMBRA-SE
CONSTRANGIMENTO ILEGAL TENDO EM
VISTA A AUSÊNCIA DE
FUNDAMENTAÇÃO
CONSTITUCIONALMENTE LEGÍTIMA DA
DECISÃO QUE DETERMINOU A
SEGREGAÇÃO CAUTELAR DO PACIENTE,
FAZENDO A RESSALVA DE QUE O
ALVARÁ DE SOLTURA APENAS DEVE
SER EXPEDIDO CASO O MESMO NÃO
ESTEJA PRESO POR OUTRO MOTIVO.
CONCESSÃO PARCIAL DA ORDEM PARA
SUBSTITUIR A PRISÃO PREVENTIVA
DECRETADA EM DESFAVOR DO
PACIENTE, APLICANDO-LHE AS
MEDIDAS CAUTELARES PREVISTAS NOS
INCISOS I E V DO ART. 319 DO CPP,
BEM COMO PARA ASSINAR TERMO DE
COMPARECIMENTO A TODOS OS ATOS
DO PROCESSO PARA OS QUAIS FOR
INTIMADO E DE MANTER ATUALIZADO
SEU ENDEREÇO NOS AUTOS, SOB PENA
DE REVOGAÇÃO, SEM PREJUÍZO DE
SER NOVAMENTE DECRETADA SUA
PRISÃO CAUTELAR COM A
DEMONSTRAÇÃO CONCRETA DE SUA
NECESSIDADE, DEVENDO O MM JUÍZO
A QUO PROVIDENCIAR A INTIMAÇÃO DO
PACIENTE PARA ASSINAR TERMO DE
COMPROMISSO REFERENTE ÀS
CONDIÇÕES DAS MEDIDAS ORA
IMPOSTAS, DETERMINANDO A
EXPEDIÇÃO DE ALVARÁ DE SOLTURA,
SE POR OUTRO MOTIVO NÃO ESTIVER
PRESO. (grifos nossos)

(TJ-RJ - HC: 00179705720138190000 RIO


DE JANEIRO VOLTA REDONDA 1 VARA
CRIMINAL, Relator: SIRO DARLAN DE
OLIVEIRA, Data de Julgamento:
07/05/2013, SÉTIMA CÂMARA CRIMINAL,
Data de Publicação: 09/05/2013)

No contexto do que foi exposto, impõe-se iminente a


revogação do cárcere preventivo, isto porque a garantia de ordem
pública e de aplicação da lei penal são insuficientes para lastrear
a manutenção da prisão, não existindo indícios ou provas de
outros elementos que justifiquem a medida de segregação.

IV - DA LIMINAR

Outrossim, insurge-se necessária a concessão de


MEDIDA LIMINAR, uma vez que o Paciente já se encontra
custodiado, com DECISÃO DE PRISÃO PREVENTIVA determinada
desde o dia 12/12/2017, o que, além de prazo demasiado longo
ante a ausência de fundamentação legítima do decreto, implica em
passar as festividades do Natal na prisão, a evidenciar o que
emerge, no caso em voga, o periculum in mora.

Ademais a prisão preventiva, que reputamos abusiva, se


não revogada por LIMINAR, faz com que este remédio corra sérios
riscos de perder seu objeto com a iminência do recesso forense e a
eventual impossibilidade de inclusão na pauta antes do termo
final da prisão cautelar, pois, quando do retorno das atividades no
ano vindouro, já não se poderá corrigir a presente ilegalidade pelo
decurso do tempo.

A fumaça do bom direito que socorre o paciente, de


igual forma, é manifesta, diante das ilegalidades sobre as quais o
procedimento investigatório foi construído, além da configuração
inequívoca do constrangimento ilegal que suporta este pedido, eis
que, como exaustivamente demonstrado, a prisão do Paciente é
ilegal, pela absoluta ausência da imprescindibilidade e
cautelaridade, intrínsecas ao instituto da prisão preventiva.

V - DOS PEDIDOS

ANTE O EXPOSTO, é a presente impetração para


requerer seja oficiada a autoridade coatora, a fim de que esta
preste informações, intimando-se o Ilustre Membro do Ministério
Público para que se manifeste, assim como a concessão da
ORDEM DE HABEAS CORPUS em favor de JOSE GONZAGA
MONTEIRO BARRA NOVA, mantendo-se a liminar anteriormente
concedida, no intuito de que seja REVOGADA A PRISÃO do
paciente, devendo SER EXPEDIDO IMEDIATAMENTE O
RESPECTIVO ALVARÁ DE SOLTURA, nos termos do art. 648, IV,
do Código de Processo Penal.

Ângelo Sousa Lima

OAB/PA 26.226

Cândido Lima Júnior

OAB/PA 25.926-A