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TÉCNICAS DE ANÁLISE EM

DEMOGRAFIA HISTÓRICA

LOUIS HENRY
LOUIS HENRY

TÉCNICAS DE ANÁLISE EM

DEMOGRAFIA HISTÓRICA

Tradução de
Altiva Pilatti Balhana
e
Jayme Antonio Cardoso

UNIVERSIDADE F E D E R A L DO PARANÁ
CURITIBA
1977
Prefácio
As diretrizes assumidas quando da organização, em 1959, do
Departamento de História da Universidade Federal do Paraná,
conduziram suas atividades científicas e didáticas para a adoção de
algumas Unhas de pesquisa voltadas para a história econômica e
social, objetivando reconstituir um quadro tanto quanto possível
completo da sociedade e da economia paranaense.
Nesse quadro reclamava especial interesse a demografia
histórica, visando ao estudo quantitativo da população e das
estruturas sociais do Paraná. Para atender a este objetivo foi
iniciado um trabalho sistemático de levantamento de fontes, a fim
de localizar, conhecer e coligir documentação de base adequada
aos estudos retrospectivos da população.
Nesse sentido foram levantadas listas de habitantes, matrícu-
las de escravos, listas de milícias, listas de votantes, mapas gerais da
população, bem como foi concedida particular atenção aos
arquivos paroquiais cujas séries de registros de batismos, casamen-
tos e óbitos, constituem as fontes principais dos estudos já
divulgados ou em preparo sobre a população do Paraná.
Embora não completada essa etapa preliminar, foi possível,
com os dados colocados em evidência, passar à utilização das
informações de caráter demográfico em etapas de análise e
elaboração parciais.
Algumas formulações básicas puderam ser estabelecidas,
relativamente à formação da população do Paraná e às suas
transformações, orientando o Projeto departamental "História
Demográfica do Paraná". Este Projeto integrou vários estudos
sobre a população do Paraná tradicional e sobre os contingentes de
imigrantes internacionais e nacionais que alteraram a composição
do quadro demográfico paranaense.
Esta Unha de pesquisa tem sido fecunda e já propiciou a

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realização de quase uma vintena de trabalhos. Foi ela também que criatividade de Louis Henry para resolver os desafios, impostos à
embasou boa parte das atividades didáticas dos Cursos de História sua inteligência pela diversidade da documentação de base,
na Universidade Federal do Paraná. utilizável em demografia histórica, existente no Brasil.
Assim, quando em 1970 o Departamento de História
A metodologia, bem estruturada por Louis Henry, para a
começou a estruturar seu programa de estudos pós-graduados, a
demografia histórica imprimiu notável impulso aos estudos das
demografia histórica foi colocada entre as primeiras opções
populações do passado na França e em muitos países europeus,
ofertadas no curso de Mestrado com área concentração em
asiáticos e americanos nas duas últimas décadas.
História do Brasil.
A divulgação desses recursos metodológicos em língua
A escolha representou, de um lado, a preocupação de
portuguesa trará, certamente, maior possibilidade de desenvol-
consolidar as pesquisas sobre a população paranaense, proporcio-
vimento para as pesquisas de demografia histórica no Brasil.
nando-lhes maior fundamento teórico e metodológico, bem como,
A edição deste livro é realizada pela Coordenação do Mestrado
melhores condições técnicas de realização.
em História, apoiada em recursos destinados pela Coordenação do
De outro lado, significou o propósito deliberado de formar
Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior — CAPES, do
pesquisadores neste novo ramo da História, ainda pouco presente
Ministério da Educação e Cultura, aos Cursos de Pós-Graduaçãoem
na historiografia brasileira.
História da Universidade Federal do Paraná.
Para bem efetivar tais metas, na oportunidade da organização
dos cursos de pós-graduação, o nome do Professor Louis Henry,
internacionalmente reconhecido e acatado como a mais competen- Altiva Pilatti Ba lhana
te e operosa autoridade nesta área especializada de estudos, foi
indicado e escolhido para integrar o corpo docente do Mestrado,
na qualidade de Professor Visitante. Sua pronta aquiescência em
vir conhecer o Brasil a convite da Universidade Federal do Paraná,
para animar os estudos em demografia histórica, ministrando
cursos e orientando projetos de pesquisa, consolidou a implanta-
ção regular da disciplina no ensino superior brasileiro.
O livro "Técnicas de Análise em Demografia Histórica", que
está sendo publicado, representa outro importante passo para o
mais amplo desenvolvimento dessa especialidade no Brasil, onde
imensos acervos documentais na sua quase totalidade jamais
explorados estão à disposição dos interessados em estudos
demográficos.
O "Manuel Brésilien", como carinhosamente o intitula Louis
Henry, resultou do curso por ele ministrado em Curitiba, no verão
de 1974. Elaborado a partir das notas de aula, do autor e dos
alunos do curso, as quais foram por mim reunidas, traduzidas e
ordenadas em redação preliminar, foi a mesma posteriormente
revisada e ampliada pelo autor em Paris. Na elaboração final do
texto, contou com a colaboração do Professor Jayme Antonio
Cardoso, do Departamento de História.
Grande parte dos exemplos que aparecem no presente volume
constituem algumas das inúmeras soluções encontradas pela
13
4
SUMÁRIO

5 11
Introdução
Listas Nominativas 13
Exploração de uma só lista nominativa 18
Estado da população 21
Cor e status 21
Sexo 22
Idade 23
Pirâmide de idades / 24
Sexo e idade 27
Sexo, idade e estado civil 29
Família e Domicílio 29
Família 29
Domicílio 32
Profissões 34
Movimento natural da população 34
Natalidade 35
Fecundidade 38
Envelhecimento da população 41
Nupcialidade 42
Registro Civil 47
Problemas técnicos de levantamento e ordenação de dados 47
Exploração sumária dos registros paroquiais ou civis
sem reconstituição de famílias 51
Movimentos sazonais 57
Masculinidade de nascimentos 59
Freqüência de nascimentos ilegítimos e de crianças expostas . . . 60
Relação dos nascimentos legítimos com casamentos 61
Nupcialidade 61
Freqüência do celibato definitivo 61
Idades indeterminadas 62
I dades dos recém-casados 64
Classificação dos primeiros casamentos por geração 65
Idade média ao primeiro casamento 66
Idade mediana 67
Idade modal 68 E s t u d o da nupcialidade após a reconstituição de famílias 111
Classificação dos primeiros casamentos por perfodos 68 Observações 114
Casamentos e recasamentos 70 Recasamentos 114
Origem e migração 70 Freqüência do recasamento segundo a idade quando da viuvez . . 115
Residência dos noivos 71 Avaliação dos recasamentos perdidos 115
Distâncias entre residências anteriores 73 Comentário 121
Mortalidade 74 Intervalo entre a viuvez e o recasamento 121
Mortalidade infantil 74 E s t u d o da mortalidade a partir da reconstituição de famílias 123
Mortalidade de crianças de menos de 5 anos 75
Relações entre os quatro índices 124
Mortalidade segundo a categoria social, a cor e a condição . . . . 75
Cálculo da probabilidade de morte 126
Observação 75
Mortalidade de adultos 126
Assinaturas 76
Tábua de mortalidade mais forte 128
Nomes e sobrenomes 76
Tábua de mortalidade mais fraca 130
Profissões 77
Mortalidade provável 131
Estudo da fecundidade dos casamentos a partir da reconstituição Saídas de observação 131
das famílias 81 Exemplos com entradas e saídas 133
Escolha da localidade 81 Mortalidade das crianças 135
Extensão dos levantamentos 81 Avaliação dos óbitos perdidos 138
Obstáculos à reconstituição das famflias 82 Repetição de nomes 139
Alguns pontos importantes desta reconstituição 82 Outros procedimentos 141
Nascimentos ilegítimos antes do casamento 83 Lista de confirmação 141
Falecimento de filhos casados 83 Padrinhos e madrinhas 143
Emprego de colchetes e de parênteses 83 Listas nominativas de recenseamento 143
Data do casamento dos filhos 83 Observação importante 144
Falecimento dos pais 84
Estatísticas do Registro Civil e Recenseamentos 145
Classificação das fichas 84
Taxas brutas de natalidade, nupcialidade e mortalidade 145
Fim de observação 84
Ordem de grandeza 146
Categoria de fichas 86
Cálculo das taxas de fecundidade legi'tima 88 Crescimento natural 147
Migrações líquidas 148
Idade da mulher ou duração do casamento 88
Estudo da mortalidade 148
Anos-mulheres 88
Cálculo das probabilidades de morte 149
Cálculo do número de anos - mulheres 89
Caso de um recenseamento 149
Fecundidade corrigida 94
Caso de dois recenseamentos 149
Avaliação dos nascimentos perdidos 94
Passagem das taxas às probabilidades de morte 150
Disposições práticas 96
Exemplo 151
Distribuição dos nascimentos perdidos 99
Correção do sub-registro 153
Sub-registro de óbitos de crianças batizadas provisoriamente . . . 100
Utilização das fichas E F 102 Recenseamentos na ausência de Registro Civil 155
Comparação com as famílias M F 103 População fechada 155
Taxas por períodos 105 População aberta 155
Emprego de Listas Nominativas 107 Listas nominativas 156
Correções 108 Mortalidade dos adultos 156
Listas nominativas qüinqüenais 109 Anexo • 159
Caso de uma única lista nominativa 110
Validade da avaliação dos óbitos perdidos 159
8
9
Introdução

A experiência tem mostrado que um manual de demografia


histórica responde imperfeitamente às necessidades dos pesquisa-
dores sobretudo quando a análise dos fenômenos está pouco ligada
ao tipo de documentos disponíveis. Na França, é certo, no período
que foi mais estudado, século X V I I I , tudo ou quase tudo decorre
dos registros paroquiais, e as listas nominativas desempenham
apenas papel menor; não é a mesma coisa no século X I X , para o
qual freqüentemente há disponibilidade ao mesmo tempo de
registro civil e de listas nominativas. Fora da França, outras
situações são encontradas. Em particular, é possível a existência de
séries mais ou menos contínuas de listas nominativas anuais.
A análise deve ser adaptada à diversidade de situações. Esta
adaptação coloca problemas técnicos que são normalmente da
competência do demógrafo. É, portanto, ele que deve indicar ao
pesquisador de demografia histórica, arquivista, historiador,
geógrafo, as vias a seguir em cada caso.
Os documentos utilizados, listas, registro civil ou outros, rara-
mente são perfeitos, seja porque eles contêm erros ou porque
incompletos, seja porque certos fatos lhes escapam em decorrên-
cia, sobretudo, de deslocamentos (migrações, mobilidade).
Daí, surge um segundo problema, o dos procedimentos que
permitem, quando é possível, corrigir os erros, preencher as
lacunas, ou, em último caso, contornar as dificuldades. Tais
procedimentos, muitas vezes bastante técnicos, são também eles da
competência do demógrafo. É, pois, a ele que compete, em
minúcias, na medida do possível, nas diversas situações, corrigir os
resultados aparentes, isto é, aqueles obtidos a partir de dados não
corrigidos.
Adaptar a análise ao tipo de documentos leva a expor sucessi-
7
Louis Henry Técnicas de Análise em Demografia Histórica

vãmente aquilo que deve ser feito com cada tipo; mas a ordem na
qual são tratados pode variar e, provavelmente, não há solução
perfeita.
Inicia-se geralmente pelo estudo apenas das listas nominativas
isoladas. Poder-se-ia, à primeira vista, pensar que, em seguida,
seriam estudadas várias listas nominativas consecutivas. Porém,
nesse caso, são obtidas soluções aproximativas, enquanto que a
reconstituição de famílias permitiria soluções precisas. Em virtude

Listas Nominativas
disto parece preferível passar do caso em que existe apenas uma
lista nominativa para o caso em que há apenas o registro civil, ou o
registro civil associado a uma lista nominativa, utilizada somente
para fixar uma data de fim de observação.
O caso das listas nominativas consecutivas, sem registro civil, No que concerne às listas nominativas, o INED*não possui
vem em seguida e, finalmente, a situação mais favorável, ou seja, modelos de fichas para levantamento dos dados. Os dados das
quando se dispõe ao mesmo tempo de registro civil e de listas listas utilizadas na pesquisa sobre a população da França, antes de
nominativas. Esta ordem é a adotada neste livro. 1830, foram arrolados empregando as folhas de levantamento
nominativo dos registros paroquiais porque o número das listas era
demasiado pequeno não havendo necessidade de impressos
especiais.
Para o Brasil, é preciso criar um modelo que permita o
levantamento ordenado das informações das listas nominativas dos
séculos X V I I I e X I X . Para a exploração de listas de habitantes de
Paranaguá,1 porexemplo, foi criada uma ficha, cujo modelo vem a
seguir.
No preenchimento desta ficha, são utilizados os seguintes cri-
térios:
1. Cabeçalho da ficha:
a. Ano de . . . — Ano do recenseamento ou da composição
da lista nominativa de habitantes.
b. Vila de . . . — A qual pertence a família ou o domicílio
recenseado.
c. . . . Cia. de Milícias — Como a finalidade primordial da
elaboração das listas nominativas de habitantes prendia-
se às necessidades da formação dos corpos militares, as
próprias "Cias. de Milícias" determinavam uma divisão
geográfica do território da Vila e assim podem ser

* Institut National d'Études Démographiques, Paris.

1
MEQUELUSSE, Jair. A população de Paranaguá, no final do século XVIII,
segundo as Listas Nominativas de habitantes. Curitiba, 1975. Dissertação de Mestrado
(mecanografado) 109 p.

12 13
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

utilizadas para melhor precisar a localização dos


domicílios.
d. Local . . . — Em termos geográficos, a jurisdição de cada

I
s

1 Principal

Escravos
o J
"Cia. de Milícias" é subdividida em "esquadras" que, na !

Total
ã
O < 5 2 i
í o i o o
parte urbana da Vila, correspondem a um setor sob a t- Q

responsabilidade de um "cabo de esquadra", enquanto


o
que na zona rural a correspondência de "esquadra" é 1»
£»

com a "localidade", também sob a responsabilidade de Ü

um "cabo".
e. Domicílio . . . — Número correspondente ao domicílio .t
1

na lista nominativa em questão, com a finalidade de a.

facilitar eventual confrontação dos dados.


f. No canto superior direito da ficha deve constar a i3
indicação do número de seqüência dado pelo pesquisa- 1
z
dor ao domicílio dentro da "Cia. de Milícias" ou da
" V i l a " , conforme for o caso, para facilitar a ordenação 0

8
8

do conjunto de fichas correspondentes. 1


a.
S O H I Id

2. Corpo da ficha:
0
o
a. Primeira coluna: SOBRENOME.
Linha 1: Sobrenome do chefe do domicílio. ll
0
Linha 2: Sobrenome da esposa do chefe do domicílio, o £

que é bastante raro nas listas, salvo quando ela própria é


o chefe do domicílio por ser viúva ou emancipada. « ü
Z
Linhas 3 a 10: No que diz respeito aos filhos do chefe
i
do domicílio, constantes do recenseamento, praticamen- •o

te não aparece o seu sobrenome, utilizando-se portanto


esta parte da ficha para indicar a idade calculada da mãe
NOME
quando do nascimento do filho respectivo.
Linhas 11 a 17: Sobrenome dos indivíduos não
pertencentes ao núcleo principal da família, aparentados
ou não, com o chefe do domicílio, mas que coabitam no âQAVUOSS

mesmo domicílio, sendo todos pessoas de condição


SOBRENOME

livre. 01N3WI3SVN O V
'avwva 30V0I
M
Linhas 18 a 24: Utilizadas para eventuais observações 0
u-
<
complementares, uma vez que os escravos não traziam >
oc

sobrenome enquanto tal. SOOV03H0V


1
o

b. Segunda coluna: NOME. - CM f*)| I ifl j to I r» I co s1 s 1 5 |s5 I £


3

Nome próprio de cada indivíduo pertencente ao


domicílio, sendo:
Linhas 1 a 10: Correspondendo ao núcleo principal do
13 13
Louis Henry Técnicas de Análise em Demografia Histórica

domicílio e congregando normalmente o chefe do para indicar respectivamente as cores branca, parda ou
domicílio, sua esposa, assim como seus filhos solteiros mulata, e negra ou preta.
presentes ao domicílio à época do levantamento h. Oitava coluna: PARENTESCO.
censitário.
Linhas 11 a 17: Indicativo de eventual parentesco das
Linhas 11 a 17: Correspondendo aos agregados do
pessoas agregadas ao domicílio em relação ao chefe do
núcleo principal e congregando tanto núcleos secundá-
domicílio como, por exemplo, filha casada, genro, sogra,
rios, como pessoas livres isoladas que coabitam o
etc.
domicílio.
j. Nona coluna: N A T U R A L I D A D E .
c_ Terceira coluna: IDADE. Indicação do local de nascimento de cada pessoa do
A idade em anos completos de cada um dos indivíduos domicílio, utilizando-se o símbolo a quando o nasci-
relacionados como pertencentes ao domicílio, à data do mento ocorreu na própria Vila ou em seu território.
recenseamento. j. Décima coluna: PROFISSÃO.
d. Quarta coluna: ANO DO NASCIMENTO. Indicação da profissão de cada um dos membros do
O ano calculado do nascimento de cada um dos domicílio, sendo, entretanto, em geral, indicada nas
indivíduos relacionados no domicílio, a partir da idade e listas somente a ocupação do chefe do domicílio, esó
do ano do recenseamento. algumas vezes a de outros membros.
I. Décima-primeira coluna: REGIMENTO MILfCIAS.
e. Quinta coluna: SEXO.
Indicativo da qualificação militar de cada homem do
Indicação do sexo de cada pessoa relacionada no
domicílio, quando for o caso.
domicílio, pouco indicado nas listas utilizadas, mas
facilmente identificável pela utilização de nomes especí- m. Décima-segunda coluna: T O T A L I Z A Ç Ã O .
ficos para cada sexo, não havendo quase equívocos na 1. Total do núcleo principal.
indicação. Utilização nas fichas das letras f e m para 2. Total de indivíduos agregados ao domicílio, sejam
indicar o sexo feminino e masculino. ou não aparentados.
3. Soma dos itens 1 e 2, representando o total de
f. Sexta coluna: ESTADO C I V I L . pessoas livres no domicílio.
Indicação do estado civil de cada pessoa relacionada no 4. Total de indivíduos escravos pertencentes ao
domicílio, porém sempre inexistente em relação ao domicílio.
chefe do domicílio e sua esposa, ou aos filhos menores 5. Soma dos itens 3 e 4, representando o total geral
de 13 ou 14 anos, por considerar o responsável pela de pessoas que pertencem ao domicílio, coabitando
elaboração da lista nominativa óbvia esta indicação, independentemente da condição social.
sendo entretanto indicada para as demais situações.
Utilização das letras s, c, v e x, para indicar respectiva-
Com a utilização destas fichas, há possibilidade de racionalizar
mente solteiros, casados, viúvos e indeterminados. a
coleta de dados das listas nominativas, ao ordenar os dados
fornecidos pelas mesmas, para cada família, em uma ficha
g. Sétima coluna: COR. Padronizada, tornando os dados mais facilmente manejáveis
Indicação da cor da pele de cada um dos indivíduos 'nclusive para várias outras finalidades, além das específicas de
pertencentes ao domicílio. Utilização das letras b, p e n ordem demográfica.

12 13
Louis Henry Técnicas de Análise em Demografia Histórica

EXPLORAÇAO DE U M A SÕ LISTA N O M I N A T I V A

Após o arrolamento dos dados da lista nominativa em fichas,


ou de outra forma,estabelece-se manualmente ou por intermédio de
cartões perfurados, quadros estatísticos que dão a classificação,
seja de pessoas, seja de famílias, ou de domicílios, conforme
características diversas.
Procede-se do mesmo modo com listas de outra natureza, co-
mo listas eleitorais ou de matrícula de escravos, desde que conte-
nham um mínimo de informações.
Para as pessoas, as características indicadas nas listas nominati-
vas são geralmente sexo, estado civil, idade, profissão e outras. Para
as famílias, um dado importante é o número de filhos, vivendo com
os pais segundo a idade. Quanto à composição dos domicílios,
todas as informações que permitem caracterizar a sua estrutura são
importantes, número de habitantes, presença de agregados,
escravos, número, cor, idade, estado civil dos mesmos, e outras.
Algumas listas trazem informações sobre o número de animais,
plantas cultivadas, e renda familiar.
Nas páginas seguintes estão reproduzidos, uma folha de lista
nominativa e um mapa geral de habitantes, estabelecido a partir
das informações das listas nominativas. Este mapa é pouco
utilizável, tal como se apresenta no original. Para explorar os seus
dados é necessário estabelecer quadros semelhantes ao referente à 'tjc/n*
população branca de Curitiba, em 1822 1 .
De qualquer modo, é preferível estabelecer os quadros a partir
de listas existentes do que utilizar os mapas gerais da época.
Realmente, é mais fácil apreciar a qualidade de uma lista do que de
um quadro. Na falta de lista, trabalha-se com os mapas gerais,!
lembrando sempre que eles podem conter mais erros que a lista a
partir da qual foram elaborados.
'tt /S/^s t
A análise dos quadros informa, sobretudo, o estado da tS/Sfy > i f.
população, mas pode dar também informações sobre certos
aspectos do movimento da população.

1
H E N R Y , L. e B A L H A N A , A.P. La population du Parana depuis le X V I Ile siècle.

L
Population, Paris. 1975. Numéro spécial, p. 157-186.

18
19
Louis H e n r y
Técnicas de Análise e m Demografia Histórica

Curitiba — 1 8 2 2 , População branca classificada


por sexo, idade e estado civil

GPc/íCs/>!
A m b o s os
Grupos Sexo Masculino Sexo Feminino
?ÇK9S
de casa- viú-
sol- sol- casa- viú-
'l'cre/J idade
teiros dos vos
Total
teiras das vas
Total Total

"-"õ^T 618 618 628 628 1 246


5 - 9 551 551 505 505 1 056
10-19 599 90 689 535 191 2 728 1 417
20-29 167 361 1 529 165 360 18 543 1 072
30-39 27 270 4 301 47 238 32 317 618
f- ^'ÚÇzá^ ëZMe : î 40-49 16 215 11 242 49 187 39 275 517
50-59 7 143 16 166 27 81 54 162 328
.. .' Í.
60-69 6 68 15 89 10 33 29 72 161
Ù.Om"çs Sc-fèc/^a af^UAv), 70-79 2 13 6 21 5 19 24 45
_ ß/l-ZCU 80-89 3 3 6 3 2 6 11 17
90-99 4 4 3 3 7

U&fatuy t6,A> da/j MJ&JVJ Y Total 1 993 1 163 60 3216 1 974 1 092 202 3 268 6 484
:
. * • 4
3
fò^âoZcu Gn/ífmrfx
Juticu c/lme- ts ^ t

ESTADO DA POPULAÇAO

A análise consiste, sobretudo, em estudar os diversos compo-


nentes da população e em estabelecer as relações existentes entre
eles e com o conjunto.

Cor e status

Em um País onde existiu escravidão e onde a mestiçagem foi


intensa, a população estava subdividida em categorias, segundo a
cor e a condição social. No Brasil, por exemplo, eram distinguidas
Principalmente três cores, brancos, pardos e negros, e duas
condições, livres e escravos.
Como os brancos eram todos livres, havia cinco categorias, ou
^ja, brancos, pardos livres, pardos escravos, negros livres e negros
^cravos. De início, devem ser extraídas dos quadros as proporções
e
cada cor, de cada condição, de cada categoria, sendo necessário,
tarr
n
ibém, comparar a freqüência da escravidão entre pardos e
egros.
12
21
Técnicas de Análise em Demografia Histórica
Louis Henry

arSo do número de indivíduos de um sexo com o numero


Exemplo: Paraná, 1822. COfTiP
Zídoos do outro sexo, ou com o total da população. A taxa de
* .Hnidade exprime a proporção de homens na população total.
M
Livres Escravos Total A razão de masculinidade indica a relação entre o numero de
Brancos * e o de mulheres, e a quantidade de homens para cada 100
17 626 —
17 626 h
°The es é expressa sob a forma de índice. Este índ.ce de
Pardos 8 115 1 811 9 926
artigo por sexo é mais utilizado que a taxa de masculinidade.
Negros 617 3 905 4 522
Total 26 358 5 716 p P m o l o Em 1822, no Paraná, a repartição por sexos, para
32 074
brancos, livres de cor e escravos, era a seguinte:

Livres de
Brancos Escravos
A repartição proporcional correspondente é a seguinte: cor

Livres Escravos 8 743 4 039 2 868


Total Sexo masculino
8 883 4 693 2 848
Brancos 55,0 —
55,0 Sexo feminino
Pardos 25,3 17 626 8 732 5716
5,7 31,0 Total
Negros 1,9 12,1 14,0
Total 82,2 17,8 100,0 A razão e a taxa de masculinidade correspondentes são:

Além disso pode ser comparada a repartição proporcional de Razão de masculinidade 98,4 86,1 100,7
pardos e negros entre livres e escravos. Taxa de masculinidade 0,496 0,463 0,502

Livres Escravos Total


Assim, obtidas
Pardos 81,8 18,2 100,0
8743
Negros 13,6 86,4 100,0 98,4= 100 X etc
8883

13
Sexo 0,496 = etc
17626
0 estudo da distribuição da população, por sexo, apresenta
especial interesse porque o desequilíbrio entre os sexos tem
Idade
conseqüências demográficas não descuráveis. Por exemplo, na
situação local, onde atualmente são estudadas algumas populações
imigradas, é muito importante verificar se a estrutura por sexo era A distribuição da população, por idade, é outra característica
equilibrada no início da sua instalação no Paraná. demográfica de importância fundamental. Ela é feita geralmente
0 desequilíbrio dos sexos, nesses casos, teria ocasionado que Por anos de idade ou grupos de idade que podem ser quinquenais,
muito precocemente ocorressem casamentos mistos. Também, em decenais, ou grandes grupos de idade. Através da repartição em
relação à população escrava, o problema merece atenção. A 9randes grupos de idade, pode ser obtida com rapidez uma visão
d
distribuição, por sexo, da população é fornecida geralmente pela a estrutura da população.
41
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Atualmente, são utilizadas três modalidades de classificação


em grandes grupos de idade: As idades são representadas sobre o eixo vertical, e os efetivos
o eixo horizontal. Estes efetivos são aqueles do grupo de
idades que figuram na tabulação, quando se trata de um único tipo
0 — 1 9 = jovens
2 0 - 5 9 = adultos , nrupo de idade.
60 e mais = velhos Quando o q u a d r o compreende classes desiguais de idade to-
a-se como efetivo aquele grupo menor. Assim, por exemplo, quan-
0 — 1 4 = crianças H as faixas etárias passam de cinco para dez anos ou mais, os efeti-
15 — 64 = pessoas de idade ativa vos decenais devem ser divididos por dois para transformá-los em
65 e mais = inativos qüinqüenais.

grupos de idade efetivos


0 — 1 9 = jovens
20 — 64 = pessoas de idade ativa 40-44 38
65 e mais = inativos 45-49 42

50-59 95
Escolhido o tipo de classificação, calcula-se o número de pes-
soas de cada grande grupo, relacionando-o a um número total re-
dondo, geralmente 1.000. 60-69 59

Exemplo: Curitiba, 1822. Ambos os sexos.


70-79 22

Grandes grupos Números Por 1 000


de idade 80 e mais
absolutos ao total
Jovens: 0 - 1 9 anos 3719 574
Adultos: 20 - 59 anos 2535 391 Quando, nas faixas etárias mais elevadas, os efetivos são
Velhos: 60 anos e mais 230 35 apresentados globalmente, o procedimento é o mesmo. No
Total 6484 exemplo acima, admitindo que o grupo etário 80 anos e mais não
1000
vai além de 94 anos, ele contém três grupos qüinqüenais, portanto,
o efetivo médio de cada grupo qüinqüenal é de 7 3, ou seja, de:
Pirâmides de idades
80 - 84 = 7 4- 3 = 2,33
Os grandes grupos de idade dão apenas visão sumária da repar- 85 — 89 = 7 3 = 2,33
tição por idades da população. A pirâmide de idades permite visão de
90 — 94 = 7 3 = 2,33
conjunto sem perda de minúcias. Ela é equivalente a um duplo
histograma, um para cada sexo, onde o eixo das freqüências á
Em seguida, cada grupo de idade é representado na pirâmide
horizontal em vez de ser vertical. Seu nome origina-se da forma em
Por retângulo cuja superfície é proporcional ao efetivo desse grupo
camadas superpostas. Para a confecção da pirâmide de idades, de
idade. A observância desta regra permite traçar corretamente a
geralmente são utilizados os números absolutos; porém, quando há
Pirâmide quando a classificação dos grupos de idade não é
possibilidades de fazer comparações,é preferível empregar números
uniforme. Se os efetivos na abscissa são de grupos qüinqüenais, o
relativos, partindo de 10.000 mais comumente.
efetivo a relacionar para um grupo decenal é obtido dividindo por
25 13
Técnicas de Análise em Demografia Histórica
Louis Henry

dois o efetivo desse grupo. Para evitar erros, o mais simples seria: caracterizadas por baixa fecundidade e fraca mortalidade,
a) Tratar cada grupo qüinqüenal como se ele fosse constituído de apresentam formas ogivais.
cinco classes iguais, cujo efetivo comum é obtido dividindo por A causa dessa mudança será vista mais adiante.
cinco o efetivo do grupo.
b) Tratar cada grupo decenal como se ele fosse constituído de dez ÇPXO e idade . . . . . . . .
classes iguais de dois grupos qüinqüenais do mesmo efetivo. A pirâmide de idades justapõe os dois sexos em um grafico.
c) Não separar por traço as classes de idade fictícias assim Não constitui análise de repartição por sexos e idades combinadas.
constituídas. Esta última regra permite distinguir o caso em que há Esta análise é assegurada pelo estudo das variações com a idade da
22 pessoas no grupo 70 — 79 anos do caso em que, sendo a razão de masculinidade.
classificação qüinqüenal, ter-se-ia 11 pessoas no grupo 70 — 74 A razão de masculinidade é calculada para cada grupo de ida-
anos e 11 no grupo 75 — 79 anos. No primeiro caso, não há traço de e o resultado é representado por um gráfico.
de separação entre os dois grupos de cinco anos fictícios e iguais Nas populações fechadas, a razão de masculinidade depende da
enquanto que, no segundo, há um, pois se trata de grupos reais, diferença de mortalidade entre homens e mulheres. Nas popula-
iguais por acaso. ções abertas, ele depende, além disso, da diferença de mobilidade
entre ambos os sexos.
0 quadro a seguir dá a razão de masculinidade da população
branca de Curitiba, em 1822. No gráfico, foi acrescentada a razão
de masculinidade de uma população fechada, sendo a mortalidade
da tábua tipo das Nações Unidas correspondente a uma esperança
de vida ao nascer, de 30 anos, ou seja:

Nascimento 105,0
0 - 4 anos 102,4
5 - 9 anos 102,5
1 0 - 1 4 anos 102,8
1 5 - 1 9 anos 103,3
2 0 - 2 4 anos 104,0
2 5 - 2 9 anos 104,7
3 0 - 3 4 anos 105,6
3 5 - 3 9 anos 106,1
40—44 anos 105,8
4 5 - 4 9 anos 104,0
I000 500 500 I000
Efetivos absolutos dos grupos qüinqüenais
5 0 - 5 4 anos 101,0
5 5 - 5 9 anos 97,1
6 0 - 6 4 anos 92,9
6 5 - 6 9 anos 88,5
15 7 0 - 7 4 anos 83,8
As pirâmides etárias das populações antigas, caracterizadas por
grande fecundidade e grande mortalidade, apresentam formas 7 5 - 7 9 anos 79,0
triangulares clássicas. As pirâmides etárias das populações moder- 8 0 - 8 4 anos 74,2
41
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Curitiba, 1822. População branca


As flutuações aleatórias são visivelmente importantes. Os nú-
Grupos de idade Razão de masculinidade ros são pequenos ou bem pequenos, em particular nas faixas etá-
me
0 - 4 98,4 rias mais altas, mesmo reunindo, como acima, vários grupos de ida-,
5 - 9 109,1 de Ao nascimento, a razão de masculinidade é, em média, da ordem
10-19 94,6 DE 105. Sempre que a relação se afasta demasiado dessa média, o
20-29 97,4 levantamento de registros de nascimentos pode ser suspeito de
30-39 95,0 incompleto, pelo menos em relação a um sexo. Nas populações de
40-49 88,0 tipo antigo, a razão de masculinidade diminui rapidamente já no
50 - 59 102,5 primeiro ano de vida, em virtude da grande mortalidade de
60-69 123,6 meninos no início da vida. No período de procriação há uma
70-79 ligeira tendência de recuperação, em virtude da mortalidade
80-89 81,6 feminina por ocasião do parto. Em seguida, a razão de
90-99 - masculinidade decresce porque a mortalidade masculina é mais
acentuada nas idades elevadas.
A interpretação dos resultados é dificultada:

— pelas variações aleatórias que permanecem sensíveis mesmo


quando a população total tem vários milhares de habitantes;
R.M.
— pelos erros das idades declaradas, os quais são, em geral, maiores
para o sexo feminino, para o qual a atração das idades redondas
é mais freqüente. Ocorre também que os jovens do sexo
masculino declaram uma idade falsa na esperança de escaparás
obrigações militares;
— pelas migrações, em geral, mais numerosas para os homens que
para as mulheres, o que pode modificar a razão de masculini-
dade em certas idades ou em certas gerações.

Sexo, idade e estado civil

A distribuição da população segundo sexo, idade e estado ci-


vil, é utilizada principalmente para estudar a nupcialidade, o que se-
rá feito mais adiante.

F A M Í L I A E DOMICILIO

Família

A família biológica é composta pelos pais e filhos. Por esta


e
'nição de família, o número de famílias é igual ao número de
° a s a ' s acrescido pelos viúvos e viúvas com ou sem filhos. As listas
"opinativas f ° r n e c e m a relação de filhos que vivem com os pais.
44
16
Técnicas de Análise e m Demografia Histórica
Louis H e n r y

As estatísticas modernas, ao contrário, referem-se aos filhos


F R E Q Ü Ê N C I A DE F A M Í L I A S SEM F I L H O S S E G U N D O A IDADE
sobreviventes, estejam ou não vivendo com os pais. DOS C H E F E S DE FAMÍLIA
A diferença entre estas duas definições é pequena se forem Fanrn'
1 i a s

considerados apenas os filhos mais jovens, por exemplo, os filhos lOOOi

menores de 14 anos.

Um quadro que pode ser elaborado para estes dados é o se.


guinte:

N ú m e r o de f a m í l i a s c o m o n ú m e r o indicado
Idade d o
de filhos com menos de 14 anos
chefe da 500
f a m Mia n.° médio
0 1 2 3 4 e mais total
d e filhos

menos de
484 399 99 18 - 1 000 0,65
2 5 anos
25-34 297 369 216 100 18* 1 000 1,20

* c o m 9 9 filhos

0L
0 Anos

N Ú M E R O M É D I O DE F I L H O S POR F A M Í L I A S E G U N D O
Cálculo para n ú m e r o médio de fi
A IDADE DO CHEFE DE F A M Í L I A
Menos de 2 5 anos: De 2 5 - 3 4 anos Filhos
484 x 0 = 0 297 x 0 = 0
399 x 1 = 399 369 x 1 = 369
9 9 x 2 = 198 2 1 6 x 2 = 432
18 x 3 = 54 1 0 0 x 3 = 300
99
651 - M 0 0 0 = 0,65
1 200-M 000 = 1,20

Um exemplo francês: Séculos X V I I I e X X .

Idade d o Freqüência de N ú m e r o m é d i o de
chefe de famílias sem filhos filhos por f a m í l i a
famflia L a Goulafridre França La Goulafrière França
(anos) 1 7 9 4 (1 0 0 0 ) 1946 1794 (1 0 0 0 ) 1946

menos de 2 5 500 484 0,5 0,65


25-34 273 297 1,1 1,2
3 5 - 4 4 143 351 2,1 1,3
45-54 310 730 1,3 0,45
55-64 867 Anos
945 0,5 0,07
6 5 e mais 944 994 0,06 0,01

17
Técnicas de Análise em Demografia Histórica
Louis Henry

Domicílio LaGoulafrière, 1 7 9 4 :
_ Um 91
15
O domicílio é constituído por um grupo de pessoas vivendo ern _ Vários
3
_ Nenhum (solteiro)
comum sob a autoridade do chefe da unidade domiciliar, ou um _ Indeterminado
5
grupo de pessoas que vivem sob um mesmo teto ou habitação. Para Total , 114domicflios

caracterizar os domicílios não existem regras absolutas pois os Distribuição dos 91 domicílios com um só chefe de família:
3
— viúvo, ou viúva morando só
mesmos podem apresentar composições as mais variadas. É sempre _ casal, com ou sem filhos, viúvo o u viúva com filhos 85
3
necessário bastante cuidado para classificá-los sem ambigüidades, — outros casos
91
Também, há necessidade de adaptações às condições locais, Distribuição dos 15 domicílios com vários chefes de família:
sobretudo no caso de listas nominativas, porque a caracterização !• - um ou vários filhos casados morando com seu pai,
12
dos domicílios é menos precisa. No Brasil, é conveniente fazer sua mãe, ou ambos
3
— outros casos 15
atenção, na classificação do domicílio, ao número de pessoas livres
que o compõem, aos domicílios com ou sem agregados, aos laços A a d a p t a ç ã o desses quadros ao Brasil, deverá ser feita levando-

de parentesco dos agregados com o chefe do domicílio e outras se em consideração a redação das listas nominativas. Por exemplo,
características. de início poderá ser feita a classificação dos domicílios em duas
Na França, a classificação era feita a partir dos laços de união categorias: "sem agregados" e " c o m agregados"
entre os membros do domicílio e chefe do mesmo, os quais po-
diam ser os seguintes:
Curitiba - 1798. Composição dos domicílios por número de che-
— laços de família: casal, filhos, ascendentes, outros parentes.
fes, segundo a presença de agregados .
— outros laços: amigos, domésticos, pensionistas, sublocatários.
O domicílio pode compreender vários grupos de pessoas ou
Números absolutos Números proporcio nais
Categoria
núcleos, distinguindo-se o núcleo principal e núcleos secundários. sem
com sem com
do Total
Um núcleo principal, não acompanhado de núcleos secundários, é Total
agregados agregados
domicílio agregados agregados
chamado núcleo único e o domicílio correspondente é qualificado
de simples, enquanto que os domicílios de vários núcleos são Um chefe de
811 890 863
família 279 580 859
qualificados de múltiplos. Os núcleos principais limitam-se à
família conjugal e, quando acrescido de outras pessoas, torna-se Dois ou mais

um núcleo de estrutura complexa. chefes de


105 24 52
família 36 16 52
Resumindo, os domicílios podem ser simples ou múltiplos, e
seus núcleos principais podem ter uma estrutura simples ou comple- Sem chefe
84 86 85
xa. Quando se trata de listas nominativas é necessário distinguir o de família 29 56 85

chefe do domicílio que, normalmente, é cabeça de lista. Talvez Total 344 652 996 1 000 1 000 1 000

seja preferível distinguir os domicílios pelo critério do número de


chefes de família que pode ser um ou mais, nenhum, ou Nota-se que a proporção de domicílios com um só chefe de
indeterminado. Em cada uma dessas categorias os domicílios família é apenas um pouco menor nos domicílios com agregados
podem ainda ser classificados pela presença ou ausência de do
que nos domicílios sem agregados, o que significa que os agrega-
agregados ou escravos. O domicílio é "vertical" quando é dos são quase todos solteiros ou de estado civil indeterminado.
constituído por duas famílias (avós, pais e filhos) e "horizontal"
quando é composto de várias famílias de irmãos casados. 1
SCHAAF, Mariza Budant. A população da Vila de Curitiba, segundo as Listas

L
Exemplo de distribuição dos domicílios pelo número de che- 7 0ni
'nativas de habitantes 1786-1799. Curitiba. 1974. Dissertaça~o de Mestrado
fes de família: (nrleca
nograf a d o ) 1 6 6 p

32 33
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Observe-se agora qual é o número de domicílios com escravo, c 0 pstuda a natalidade e fecundidade, a nupcialidade e a
segundo a categoria do domicílio. meSrTiaS
dade
m
° r t | J m a lista nominativa pode dar apenas indicações sobre a
Curitiba - 1785. Composição dos domicílios por número de chefes
i dade fecundidade e nupcialidade. Uma lista apenas não pode
segundo a presença de escravos1.
e n h u m a indicação sobre a mortalidade, pois que as variações
Categoria Números absolutos Números proporcionais
da p o r t a l idade têm pouco efeito sobre a forma da pirâmide das
do com es- sem es-
idades.
com es- sem es-
domicflio Total
cravos cravos Total
cravos cravos
Natalidade
U m chefe de
família 85 418 503 169 0 mais simples índice concernente aos nascimentos é a taxa
831 1 ooo
Dois ou mais bruta de natalidade, o u seja, a relação entre o número de nascidos
chefes de vivos de um ano e a população média deste mesmo ano.
família 18 49 67 269
Na classificação de uma população por grupos de idade, as
731 1 ooo
Sem chefe crianças de 0 - 4 anos representam os sobreviventes das crianças
de famflia 11 14
nascidas nos cinco últimos anos; as crianças de 5 - 9 anos
25 440 560 1 ooo
representam os sobreviventes das crianças nascidas entre 5 e 10
Total 114 481 595 191 809 1 OOO anos antes da data em que f o i organizada a lista nominativa.
Profissões À primeira vista, não se pode avaliar estes nascimentos, pois
que não se conhece a mortalidade. Mas, tem-se muitas vezes uma
A classificação dos chefes de família segundo a profissão tem idéia do estado sanitário da população estudada, pela época e lugar
particular interesse para a história econômica e social. Deve ser em que ela vive.
adaptada à situação local, porém deve permanecer suficientemente Para o século X V I I I , por exemplo, é preciso levar em conta
pormenorizada para se ter idéia exata da vida da população
uma mortalidade infantil da ordem de 250 por 1 000, senão mais
estudada. Sob este aspecto, os mapas gerais são insuficientes, pois
elevada, e uma mortalidade a 1 - 4 anos e 5 - 9 anos mais alta
eles não precisam as atividades. Uma sociedade agrícola compreen-
que se imagina a partir das observações feitas há uns cem anos, em
de sempre um certo número de artesãos e é sempre importante
diversos países.
precisar se eles trabalham a madeira ou o ferro, se eles se ocupam
de construção ou da conservação de casas, se eles têm por função A partir das tábuas-tipo de mortalidade de Coale e Demeny 1 ,
vestir ou calçar os habitantes etc. N
as relações Po. 4
e 9
têm os seguintes valores:
A exploração das listas nominativas deve permitir completar Mortalidade
os mapas gerais existentes. / /
infantil N/Pq _ 4 N/P5-9
por 1 000
M O V I M E N T O N A T U R A L D A POPULAÇÃO (1) (2)

200 1,30 - 1,38 1,40- 1,58 1,55- 1,58


As estatísticas do movimento natural da população dizem 225 1,35- 1,44 1,48- 1,72 1,66- 1,72
respeito aos nascimentos, casamentos e óbitos. A partir das 250 1,40 4 - 1 , 5 2 1,55- 1,87 1,77 - 1,87

275 1,45- 1,60 1,63-2,02 1,90-2,02

300 1,51 - 1,68 1,72 - 2 , 2 1 2,05-2,21


N , M a l 9 n ê S ManCÍnÍ de A popula
NomiLl° H :l " *ão d8
Curitiba segundo as Listas Re9i0nal m o d e l life tables and stable
1966* P ° P u l a t i o n s ' P r i n c e t o n University Press,
ízCafado,. :rn,es-1765"1785-curitiba-1974- Disserta
-°de Mestrad
°
19
Louis Henry
r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Usando a população de 0 - 4 anos para avaliar J 1 7 5 0 - 1 7 5 4 : 4 928 000


nascimentos, poder-se-á tomar o valor médio 1,46. Para 250 p S a 1 7 5 5 - 1 7 5 9 : 5 204 000
1 000, a distância entre valores extremos e esta média é de 4°/' calcular as taxas de natalidade é preciso ainda avaliar a
Mas, como não se conhece exatamente a mortalidade i n f a n t i l
T i o média de 1750 - 1754 e 1755 - 1759. Para este último,
arrisca-se em realidade a um erro mais forte: se, por exemplo est P P
° ta se com a população de 1760, pois o crescimento de uma
mortalidade se situa entre 225 por 1 000 e 275 por 1 000, e q u e s COnt
tome o coeficiente 1,46, pode-se errar em 10% por falta'e em g ! | ão européia do passado é bastante lento, podendo ser
por excesso. desprezada a variação resultante de 2 anos e meio.

As crianças de 5 - 9 anos são, muitas vezes, melhor p


1760 = 25,7 milhões t
recenseadas que as crianças de 0 - 4 anos; mas a imprecisão do 0 número médio anual de nascimentos de 1755 - 1759 é
coeficiente a utilizar (coluna 1) é maior, pois que, para 250 p 0r igual a 961 (4 805 * 5); donde uma taxa bruta de natalidade por
1 000, a distância dos valores extremos à média, 1,71, atinge 10%
Todavia, as tábuas-tipo leste e oeste não são muito convenientes 1 000, de
para o passado, uma vez que, por elas, a mortalidade a 1 - 4 anos 961 = 37,4
e 5 - 9 anos é muito fraca em relação à mortalidade infantil, 25,7
Limitando-se às tábuas norte e sul (coluna 2) a margem se réduz. Para 1750 - 1754 é preciso avaliar a população.
Exemplos: Sabe-se que este período foi isento de crises de mortalidade.
A população deve ter aumentado; mas, na época, a taxa anual de
a) França-1760
crescimento não deve ter ultrapassado em muito a 5 por 1 000.
Crianças de 0 - 4 anos: 3 291 000
A população média de 1750 - 1754 seria, pois, de 0,9625 x
Crianças de 5 - 9 anos: 2 640 000
25,7 = 24,7, pois há 7,5 anos do meio deste período a 1760
Os nascimentos de 1755 - 1759 e de 1750 - 1754 são (0,9625 = í - 0,005 x 7 , 5 ) £ H II/ f í •~ "3 /fl . ^ '
avaliados supondo-se a mortalidade infantil da época próxima de Donde as taxas tènataíidade de 1750 - 1754, k W *
250 por 1 000.
36,6 por 1 000 - g L = 38,9 por 1 000
Assim, obtém-se:
24,7
sendo a segunda, a priori, mais verossímil.
(kl-tt*. 04 N =
1 7 5 5 - 1759 1-46 x 3 291 0 0 0 = 4 805 000 b) Paraná - População branca - 1822
Crianças de 0 — 4 anos: 3 384
N
hí (tft • J i 1 7 5 0 - 1754= 1,71 x
2 640 0 0 0 = 4 514 000 Crianças de 5 - 9 anos: 2 993
População total: 17 626
ou
Do que se tira:
N = 1 82 x 2 6 4 0 0 0 0 4
1 7 5 0 - 1754 ' = 804 000
^1818 — 1822 = 1.46 x 3 384 = 4 941
1
Os valores exatos são :
N
1813-1817- 1.71 x 2 9 9 3 = 6 1 1 8

ou
í.
N
Paris, n°'spécial, n f v ^ b S . p! "" ^ * 1 M
° à
1813-1817= 1.82 X 2 993 = 5 447

36
• t W o .Orr C e ^ j E U m 37
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

A população é mais difícil de ser avaliada que a da França MuItiplicando-se a relação precedente, de cada lado, por
pois o crescimento pode ter sido mais rápido, e não seria exager( ela se torna:
considerá-lo de 1% ao ano. M2O - 24 '
Com este crescimento, a população média de 1818 — 182j x M = I NN,
f 2 0 - 24 2 0 - 24 20 - 24
teria sido igual a

Por outro lado, o número total de nascimentos em 1750,


0,975 x 17 626 = 17 185 [ o * j } r jz= 1 - 2.JT
N, é igual à soma dos números
e a de 1813 - 1817 igual a
N-I5- 19 ' n20-24 '
0 , 9 2 5 x 17 6 2 6 = 16 304 [o.*zt*l~ JjK O.ol]

As taxas de natalidade correspondentes são 57,5 por 1 000 correspondendo aos grupos de idade das mães,
em 1818 - 1822, 62,8 por 1 000 ou 66,5 por 1 000 em 1813-
1817; estes dois últimos valores são pouco verossímeis, pois N = N15 _ + N 2 0 _ 24 + N
2 5 - 29 + + N
4 5 - 49
19
ultrapassam a todos que foram observados.
Em conclusão, a avaliação dos nascimentos, e depois a da Substituindo N , N , etc., por sua expressão em f e
taxa de natalidade a partir do número de crianças de 0 — 4 anose, 15-19 20-24
a fortiori, de 5 — 9 anos, conduzem somente a ordens de grandeza, M, obtém-se
Mas, nem por isso é resultado que se despreze: a repartição por
idades da França em 1760 indica que a natalidade era média paraa N = f
15-19 x M
15-T9 + f
20-24 x M
20-24 +
- " + f
45-49 x M
45-49
época, enquanto que àquela do Paraná corresponde uma natalidade
muito elevada. As quantidades M são conhecidas pela classificação da
população por sexos e por idades; N é avaliado a partir do efetivo
Fecundidade
das crianças de 0 — 4 anos. Pretende-se avaliar a fecundidade
A taxa bruta de natalidade é um índice grosseiro, pois acumulada, 2 f , que com as taxas qüinqüenais é igual a
engloba pessoas que não podem ter filhos, isto é, crianças e uma
parte de velhos, e os que podem tê-los. Quando há possibilidade,« + 5 f4/ 5 - 4 9
5 f
preferível substituí-la por outros índices, em particular por taxai 1 5 - 19 + 5 f
2 0 - 24 +

de fecundidade geral por idade. O conjunto dessas taxas pode ser


resumido pela sua soma, ou fecundidade acumulada. Dividindo 5N por 2 f, obtém-se a igualdade
A taxa de fecundidade geral das mulheres de, por exemplOi
20 — 24 anos, em 1750, é igual à relação entre o número de 5N ; ü l 5 - 1 9 x M 1 5 - 1 9 + 5 f 2 0 - 2 4 x M 2 0 - 2 4 + --- + 5 f 45 - 4 9 x M 4 5 - 4 9
nascimentos em 1750 provenientes de mulheres de 20 — 24 anos® 2f 5f . + 5 45-49
f
15-19 + 5f20-24 + '
o número médio dessas mulheres em 1750. O que se escreve:

N 0 termo à direita da igualdade é uma média ponderada dos


20-24
f efetivos M, sendo os coeficientes de ponderação as taxas f.
20-24 M
20-24 Designe-se M a esta média; a relação precedente é escrita,

sendo que f designa a taxa, N e M designam os números n

L
nascimentos e de mulheres. 2f
39 L 57
Louis Henry
Técnicas de Análise em Demografia Histórica

a qual, multiplicada à esquerda e à direita por 2 f, será


A história das gerações sucessivas nas sociedades tradicionais
mais ou menos a mesma. Por conseguinte, a fecundidade
5 N= Mx Z f cumulada de um período ordinário é mais ou menos igual ao
número de filhos por mulher sobrevivente aos 50 anos em cada
ração. Donde o interesse deste índice.
e dividindo-se a seguir, à esquerda e à direita, por M Este índice tem a vantagem de não depender da distribuição
da população por idades. Mas o desconhecimento do valor exato
da idade média das mães introduz um erro quando os efetivos
diminuem com rapidez na medida em que a idade aumenta. Assim,
M
no Paraná, se a idade média de fecundidade é 27,5 anos em vez de
30 o denominador é 686 em lugar de 626, a fecundidade
completa cai a 7,2 filhos por mulher.
As pirâmides de idades das populações antigas são geralmente
Se, entre os filhos, são contadas somente as meninas, a
regulares e os extremos dos degraus estão em linha reta, ou quase
de 15_a 50 anos ou de 20 a 45 anos. fecundidade completa é obtida multiplicando pela proporção de
meninas ao nascimento. Toma-se correntemente 0,485 e o produto
M é, então, o efetivo do grupo de 5 anos de idade, centrado
obtido é chamado taxa bruta de reprodução feminina. Nesse caso é
sobre a idade média das mães, definido a partir das taxas de
fecundidade. igual a 7,9 x 0,485 = 3,83.
• T ( c ^ ^ P ^ ^ y - i j j i
Na ausência de qualquer outra informação, se pode tomar 30
anos como idade média das mães, e, em conseqüência, tomar a
media de M 2 5 _ 2 g e de M 3 Q _ 3 4 , ou a metade da média de Envelhecimento da população
M e de M ara
2 0 - 29 3 0 - 39 ' P M. Donde, finalmente.
Nos dois últimos séculos, a distribuição da população por
idades sofreu grandes modificações com o aumento da proporção
de velhos e a diminuição da proporção de jovens. Este fenômeno,
S f # o u
MM T+T 5 M —
+ M chamado envelhecimento da população, foi mais precoce na
2 5 - 29 30 - 34 2 0 - 29 3 0 - 39
França.
Como o fenômeno acompanhou uma evolução caracterizada
5 N é dado diretamente pela avaliação dos nascimentos a Por uma redução da mortalidade seguida, com intervalos de
partir do número de crianças de 0 - 4 anos. duração maiores ou menores, de uma baixa de fecundidade,
Exemplo: Paraná. População branca. freqüentemente o envelhecimento foi atribuído à baixa da
No Paraná de 1822, o efetivo das mulheres do grupo mortalidade. Entretanto, isto não é correto, porque a simples
quinquenal, centrado sobre 30 anos, é igual a redução da mortalidade, como ela se produz, isto é, sobretudo às
'dades jovens, quase não produz alterações na distribuição etária
1 4 9 4 + 1012 _ __ _ e
uma população. O que realmente a modifica é a baixa da
4 626 fe
cund idade.
N
o quadro seguinte são comparadas as perspectivas de
O número de nascimentos foi avaliado em 4941, donde População na qual a mortalidade diminui como o fez na Europa
• átimos 150 anos, isto é, sobretudo nas idades jovens. De um
quando a fecundidade não se altera à situação inicial, e de
,a r
626 ° , as perspectivas quando a fecundidade diminui.
22
22
Louis Henry
Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Influência de uma baixada mortalidade e de uma baixa de fecund


dade sobre a repartição por idades. mulados mais facilmente no quadro da demografia histórica
Diversos autores do século X V I I I e também autores mais
o S têm afirmado que o celibato definitivo era muito
Grupos de idade
B m
° e n t e no passado. Algumas reflexões, entretanto, colocam em
0 — 4 anos 18 2 5 0 r
19 4 1 0 8 020 . H a n c ia que a proporção de celibatários depende ao mesmo
5 — 9 anos 14 5 2 0 15 720 7 880
10 - 14 anos 12 280 12 8 7 0
tempo da nupcialidade e da mortalidade. Esta proporção pode ser
7 790
1 5 — 1 9 anos 10 530 forte com uma mortalidade fraca, mas também forte com uma
10 570 7 700
2 0 - 2 4 anos 9 040 8 680 7 540 m o r t a l i d a d e bastante elevada porque muitos jovens morrem antes
25 - 29 anos 7 720 7 130 7 360
30 - 3 4 anos 6 520 d e ter tido tempo de casar. A mortalidade é um fenômeno
5 750 7 150
35 — 39 anos 5 430 4 680 perturbador cujos efeitos devem ser separados daqueles da
6 930
4 0 — 4 4 anos 4 440 3 870 6 740 nupcialidade. Do mesmo modo, a mobilidade também coloca
4 5 - 4 9 anos 3 560 3 090
5 0 - 54 anos 2 750
6 420 problemas semelhantes aos produzidos pela mortalidade, pois
2 450 5 990
55 — 5 9 anos 2 010 1 900
aqueles que saem da paróquia ou região estudada antes do
5 430
60 anos e mais 2 950
3 880 15 0 5 0 casamento, são elementos perdidos. Assim, para estudar a
Conjunto 100 0 0 0 100 0 0 0 nupcialidade pura, separada dos efeitos perturbadores da mortali-
100 0 0 0
População total 100 000 2 385 000 dade e da mobilidade, duas questões fundamentais devem ser
303 000
ievadas em consideração:
A : população estável de inicio: natalidade 50 por 1 000 mortali-
dade 30 por 1 000, fecundidade acumulada 7, esperança de
1? Qual seria, na ausência de mortalidade e de mobilidade, a
vida ao nascer 33 anos.
proporção de pessoas de cada sexo que não casam?
B: 100 anos mais tarde: mesma fecundidade, esperança de vida ao
nascer 66 anos.
2? Qual seria, nas mesmas condições e para cada sexo, a distribuição
C: 100 anos mais tarde: fecundidade acumulada 2, esperança de
vida ao nascer 66 anos. segundo a idade dos primeiros matrimônios?

A justificativa é a que, quando a fecundidade não muda há


uma relação constante entre os nascimentos de um ano e o número Tais questões justificam-se porque é sabido que existem pessoas
de mulheres de idade próxima aos 30 anos. Esta relação é que não casam mesmo sobrevivendo até idades elevadas e, de outro
independente da mortalidade. Quando a mortalidade baixa a 'ado, porque em geral aqueles que casam o fazem mais ou menos
proporção de recém-nascidos que sobrevivem aumenta, e a relação ; cedo.
de crianças de menos de um ano ou de menos de cinco anos com A freqüência do celibato definitivo é correntemente substitu í-
a
referencia às mulheres de 30 anos também aumenta. A baixa da Pela freqüência do celibato aos 50 anos. Juntando "antes de 50
anos
mortalidade sem a baixa de fecundidade tende, pois, a aumentara às questões 1 e 2 formuladas acima obtém-se as duas
proporção de jovens na população. questões correspondentes.
0 quadro da população por sexo, idade e estado civil, permite
Nupcialidade calculo da proporção de celibatários, de casados e de viúvos de
sexo e grupo de idade.
n. No quadro que segue é apresentada a população livre do Para-
O estudo da nupcialidade apresenta problemas semelhantes, em 1
As 822, bem como o conjunto das proporções por 1 000.
quer se trate de populações antigas ou modernas, porém eles são Cr|
9nças, todas solteiras, não foram consideradas.
42
43
Louis Henry

População livre, por sexo, idade e estado civil


Paraná em 1822
r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

gm uma sociedade tradicional, caso do Brasil no início do sé-


XIX as gerações sucessivas têm mais ou menos as mesmas
°cterísticas demográficas e, entre outras, a mesma nupcialidade.
Cara
Grupos de idade
Sexo masculino Sexo feminino do esta condição e as duas precedentes são preenchidas, é
Solteiroi Casados Viúvos Total Solteiras Casadas Viúvas U
2318 269
fvel calcular a idade média ao primeiro casamento antes dos
4 2591 2311 633 10
10 - 19 anos
895 104 ; 1000 781 216 3
^ S S g n o S (resposta à questão 2) a partir das proporções de
20 - 2 9 anos 648 1183 13 1844 827 1406 celibatários nas idades sucessivas em anos. Quando se dispõe dessas
78
351 642 7 1000 358 608 34 proporções somente por grupos de idade, em princípio, os
173 1001 37 1211 327
30 — 39 anos 1057 160
143 827 30 1000 212 684 104
cálculos só fornecem resultados corretos se os efetivos das gerações
80 799 58 937 225 632 que compõem cada grupo de idade são quase iguais.
4 0 — 4 9 anos 181
85 853 62 1000 217 609 174 Na prática, obtém-se, entretanto, resultados suficientemente
50 — 59 anos 47 509 88 644 122 292 205
73 790 137 1000 197 472 aproximados mesmo quando esta condição não é preenchida.
331
6 0 anos e 61 383 135 579 117 156 269 Se as proporções de celibatários são designadas pela letra C
mais 105 662 233 1000 216 288 496 (com um índice de grupos de idade ou a idade dade considerada) e a ida-
de média ao primeiro casamento pela letra ijter-se-á: ,ï>
Considera-se que a freqüência do celibato definitivo é igual à com os grupos qüinqüenais:
proporção de solteiros aos 50 anos sob as seguintes condições:

- mesma mortalidade para solteiros e conjunto da população da


mesma idade; . 1^0 ,+5
,=
( C
10-14 + C
1 5 - 1 9—+ - - - + C
45-49)- 4 0 C
50
1
- mesma mobilidade para solteiros e conjunto da população da °50
mesma idade.
e com os grupos decenais:
A primeira condição é quase sempre preenchida para todas as
populações; a segunda não o é, a menos que as migrações sejam 10(C +
1 0 - 19 + C 2 0 - 29 • • •+ C
4 0 - 49» " 40 C
50
pouco importantes. i = 10 +
1 C
No Paraná, e mais geralmente no Brasil, a avaliação da freqüên- " 50
cia do celibato definitivo pela proporção de celibatários aos 50 anos
e melhor, portanto, para o sexo feminino, menos móvel, do que pa- Para a população livre do Paraná foram obtidos os seguintes
ra o sexo masculino. resultados:
A proporção de celibatários aos 50 anos é obtida calculando-se
a media das proporções, seja aos 45 - 49 anos e 50 - 54 anos seja Sexo masculino Sexo feminino
aos 40 - 49 anos e 50 - 59 anos. Operando, assim, foi obtido' P ara
C 0,895
os homens o seguinte: 10-19 0,781
C
20 - 29 0,351 0,358
r _ 85 + 73
= 79 1 0 0 0 C
50 2 P- 39 - 39 0,143 0,212
C
40 - 49 0,085 0,217
e para as mulheres:
Total 1,474 1,568
c 5 0 = ?lZ±i2? = 2 0 7 p 1 0 0 0 C
50 0,079 0,207

44
45
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Donde, para os homens:

i = i n x 10x 1,474-40x0,079 11 F«
1 -0,079 Õ92T"22'6

e para as mulheres:

,= 1 n x 10x 1,568-40x0.207 7,40 _ 1 Q ,


IU
Õ793"19'3
Registro Civil
1 -0,207

Sob esta designação são englobados o registro civil dos nasci-


mentos, casamentos e óbitos e o seu equivalente religioso,o registro
paroquial dos batismos, casamentos e sepultamentos.
A exploração dos dados de registro civil permite, por si só, u m
certo número de estudos, os quais são relativamente sumários
quando a exploração não chega à reconstituição de famílias.
As técnicas de arrolamento das atas de registro civil foram
minuciosamente descritas em manual já publicado na França. 1
Estas técnicas são relembradas neste trabalho apenas para assi-
nalar algumas adaptações ao caso do Brasil.
Os arrolamentos podem ser anônimos ou nominativos, porém,
serão tratados apenas estes últimos, pois na sua primeira parte são
idênticos aos arrolamentos anônimos.

PROBLEMAS TÉCNICOS DE L E V A N T A M E N T O
E O R D E N A Ç Ã O DE DADOS

0 problema das técnicas de coleta e ordenação dos dados é


muito importante na pesquisa. Antes de efetuar um levantamento é
Preciso construir um ou mais quadros para que a coleta seja feita
de modo ordenado.
Quando se trata de arrolamento de dados d o registro civil, an-
t r o s ou modernos, a coleta pode ser feita em fichas nominativas ou
em
folhas de levantamento abreviado, nominativas ou anônimas.
'' As fichas nominativas constituem um conjunto composto por
es
modelos de fichas, chamadas fichas de ata, uma para batismos,

Fl
deré E U R Y M . et H E N R Y L. Nouveau manuel de dépouillement et d'exploitation
,at
civil ancien, 2 e m e édition, Paris, Editions de l ' I . N . E . D . , 1 9 7 6 . 182 p.
25
Técnicas de Análise em Demografia Histórica
Louis Henry

outra para casamentos e outra para óbitos. Elas são destinadas,


apresentar de forma ordenada os dados essenciais das atas 0 J de Levantamento Nominativo Abreviado
Folha
registros de batismos, casamentos e óbitos.
A ficha de batismo é rosa, a de casamento é branca, e a de ó b j
t o é verde. A adoção de cores diferentes para cada t i p o de registr0 píflOOlA* RELAÇÃO Of PARENTESCO

não foi arbitrária e destina-se a facilitar o manuseio das mesmas. 4.I


vantagens da utilização das fichas nominativas decorrem de qg6
elas permitem reunir maior número de informações sobre cada um
dos indivíduos registrados, por exemplo, nome dos pais, avós {OJp
marido ou mulher, padrinhos, testemunhas e outras. Elas tambérrí
facilitam a classificação por ordem alfabética e a reunião, para
cada indivíduo, dos dados dos três tipos de registro, com relativa
facilidade.
As folhas de levantamento abreviado, sobretudo as anônimas,
facilitam a coleta mais rápida de maior número de dados para
grandes períodos. Cada folha refere-se a um ano e comporta a
transcrição de quarenta registros. No alto da mesma, são indicados
o nome da paróquia, freguesia ou vila, e a data (ano) em que foram
efetuados os registros. Assim, para cada ano, é elaborada uma
folha dos registros de batismos, casamentos e óbitos, separadamen-
te ou não, conforme se apresentam nos livros correspondentes.
A folha é pautada duplamente, com linhas cheias e pontilhadas
alternadas. Em cada linha cheia são transcritas as informações dos
registros de batismos e óbitos. Para os casamentos, são utilizadas
duas linhas cheias, uma para cada cônjuge e unidas estas linhas por
uma chave.
Nas entrelinhas pontilhadas, no caso de levantamentos nomina-
tivos, são feitas anotações suplementares, e nos levantamentos
anônimos é anotada a codificação que deve ser registrada em
QMJOVXO i&tnun
vermelho.
As folhas devem ser preenchidas legivelmente com tinta preta yuAUa.
-»Vv^^yM* p.FBfiH/fNDEi,
ou azul preta.
Uma regra geral é não usar lápis, porém as palavras ou partes de IS&faf t/üb"*"** ^h* 7UUA*Q.jfallut*.PENTE&DO
palavras sobre as quais se tem dúvida, pela dificuldade de leitura, rScLfrwff VufaH*»*. Wa, àk Lo ÍOL/f, Cfp*'»"*- fra*^
j ^ ^ . i ^ a v « , oh OHMES,
HS c6>ßu,mJt VJiuKtioa.
devem ser escritas a lápis, na expectativa de esclarecimento
dlMUOl f X , 1J*UO"<C,<»(*«» * /30ÄS4S
posterior.
Cada folha de levantamento é dividida em colunas numeradas, \jrfojl yuwuit C0fífíBfJ) 0*1*1*. fe.fie.iRR
nas quais são feitas as seguintes anotações:
V^rf«butj
fofvtdMA, {.(fr****.,'*»"
f j, ^/AMM <* A*fyd*> C
HP6R^ ^
^^Mctl
1. Data — anota-se o dia e mês da cerimônia registrada, isto é, batis-
mo, casamento e sepultamento, nos registros paroquiais,
ou nascimento, casamento e óbito, nos registros civis.
26
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

2. Ata - anota-se o t i p o de registro com as letras iniciais b para Profissão — anota-se por extenso a profissão dos nubentes e
batismos, c para casamentos e s para sepultamentos, e bs falecidos. Nos registros de batismos ou óbitos de
para batismo e sepultamento no mesmo registro. menores de 15 anos, anota-se entre parênteses a
3. Sexo — anota-se o sexo com as letras iniciais m para 0 profissão do pai da criança.
masculino, e f para o feminino, Quando não é possível H Assinaturas — anota-se a ocorrência de assinatura com a letra
determinar o sexo, sobretudo de batizandos e falecidos inicial maiúscula A, e O para a ausência.
usa-se um x.
12 Nome, sobrenome, relação de parentesco - anota-se o nome
4. Legitimidade — anota-se com as letras iniciais I para os legítimos
dos batizandos e o nome e sobrenome de seus pais; o no-
e j para os ilegítimos (j e não i porque se distingue me e o sobrenome dos nubentes e de seus pais ou de seus
melhor da letra I).
cônjuges anteriores (no caso de recasamento); e o nome
5. Estado civil — anota-se com as letras iniciais S para solteiros c e sobrenome dos falecidos e de seus pais ou de seus côn-
para casados e V para viúvos. Nesse caso, sempre letras juges vivos ou falecidos. Os sobrenomes são sempre ano-
maiúsculas. O ideal é empregar letras diferentes para tados em letras maiúsculas de imprensa. Nomes de pes-
significar cada convenção, mas não sendo possível pode soas já falecidas são precedidas de uma cruz. No Brasil, é
ser mantida a utilização da mesma letra, como no caso importante que o nome do batizando seja sempre
da convenção S para solteiros e s para sepultamentos. seguido pelo nome e sobrenome dos seus pais porque
6. Idade — anota-se o número de anos, meses ou dias. Os anos mesmo que o sobrenome que ele venha a adotar em
adulto não seja o dos pais ele será sempre identificado
devem ser registrados em anos completos. A idade é
pela filiação, por exemplo: João, Joaquim da S I L V A ,
anotada em meses para as crianças de 1 mês até 11 meses,
Maria de FREITAS. Na anotação dos nomes é recomen-
fazendo seguir ao número a letra inicial da unidade de
dável utilizar abreviaturas para ganhar espaço e tempo.
tempo, por exemplo, dois meses anota-se 2m. A idade é
anotada em dias quando é inferior a um mês, do mesmo 13. e 14. Cor e Condição social - Para os casamentos, inscreve-se
modo o número é seguido da letra inicial da unidade de nas colunas a cor e a condição social de cada esposo.
tempo; por exemplo, 28 dias anota-se 28d. Para os óbitos, a cor e a condição do defunto. Para os
7. Geração — anota-se a data do nascimento em cifras quando ela nascimentos se deve inscrever, abreviadamente, primeiro
for mencionada nos registros de batismo para os a cor e a condição social do pai, em seguida as da mãe.
batizandos, de casamento para os nubentes e de óbito Observação: no decorrer do levantamento nenhuma operação de
para os falecidos. cálculo é realizada.
8. Origem — anota-se o lugar do nascimento usando a convenção»
quando a paróquia de origem é a mesma em que foi
realizado o ato do batismo, do casamento ou do
sepultamento e o nome da paróquia, freguesia ou vila de
origem quando for o caso.
9. Residência — anota-se o lugar de residência, usando a convenção EXPLORAÇÃO S U M Á R I A DOS REGISTROS P A R O Q U I A I S
a , quando é a mesma do local em que foi realizado o OU C I V I S SEM R E C O N S T I T U I Ç Ã O DE F A M Í L I A S .
ato, ou o nome do local de residência quando f o r o caso.
Quando se tratar de habitat disperso é conveniente A utilização dos dados vitais extraídos dos registros paroquiais
0u
anotar o nome do lugar (fazenda, sítio ou chácara) para civis permite obter uma primeira série de resultados que são de
precisar a residência. 9rande interesse para o historiador. Tais resultados preliminares
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

referem-se ao movimento anual ou decenal de nascimentos,1 róquia de Nossa Senhora da Luz de Curitiba: 1movimento anual
batismos, casamentos e óbitos do Século X I X .
casamentos e falecimentos, mortalidade infantil, movimentos
sazonais de concepções, casamentos e óbitos, idade e estado civil
dos falecidos, idade média dos recém-casados, freqüência de
Anos Bâtis. Cas. Óbit. Anos Bâtis Cas. Óbit.
nascimentos de ilegítimos, de batismos de enjeitados, de recasa-
1800 266 48 85 1850 419 51 106
mentos, de nomes e sobrenomes, de ocorrência de assinaturas nas 1801 284 75 86 1851 320 74 125
1802 330 60 112 1852 440 78 132
atas, distribuição da população ativa por grupos de profissõese 1803 335 40 114 1853 480 99 120
outras características. 1804 326 61 110 1854 702 271 175
1805 297 40 170 1855 657 126 125
1806 309 34 261 1856 669 128 280
Para estudar as flutuações de nascimentos, casamentos e faleci- 1807 385 48 69 1857 692 146 124
1808 315 56 60 1858 689 224 175
mentos, os dados levantados devem ser ordenados cronologicamen- 1809 335 45 85 1859 650 137 129
252 34 111 1860 661 89 125
te, mês por mês, em cada ano civil e construídos quadros para as 1810
614 107
1811 318 42 50 1861 65
séries anuais das três categorias. Com estes resultados são traçadas 1812 270 59 34 1862 601 55 152
1813 258 61 75 1863 * 624 86 201
as curvas que evidenciam as flutuações do movimento de 1814 253 64 48 1864 600 83 152
nascimentos, casamentos e óbitos. Na interpretação desses 1815 279 55 34 1865 680 104 178
1816 305 54 57 1866 697 129 201
resultados numéricos e gráficos, devem ser observados os anos de 1817 378 43 64 1867 602 121 189
100 281
forte mortalidade e procuradas referências oficiais na correspon- 1818 357 73 203 1868 685
1819 359 144 100 1869 708 129 246
dência das autoridades, nas atas de órgãos públicos, ou outros 1820 342 69 80 1870 742 129 250
1821 374 76 80 1871 481 80 165
tipos de informações relativas à ocorrência de epidemias, crises de 1822 369 92 123 1872 603 164 162
subsistência, ou outras razões para a elevação da mortalidade. Deve 1823 367 81 113 1873 630 92 233
1824 415 72 90 1874 641 113 177
ser verificado se há correlação entre as altas de mortalidade e 1825 374 81 159 1875 663 119 222
baixas de casamentos e nascimentos, ou melhor, de concepções.2 1826 389 71 152 1876 570 95 322
1827 333 51 148 1877 721 105 208
1828 435 93 128 1878 590 74 305
249
As curvas que representam as séries cronológicas de nascimen- 1829 448 69 141 1879 467 95
1830 498 69 100 1880 646 80 141
tos, casamentos e falecimentos, com seus pontos altos e baixos, 1831 433 60 213 1881 737 117 131
1832 461 83 108 1882 850 134 310
evidenciam uma evolução a longo termo chamada tendência, que 1833 354 63 123 1883 876 165 406
pode ser melhor demonstrada substituindo-se as séries anuais por 1834 417 72 123 1884 927 180 179
1835 408 51 108 1885 1055 221 208
séries de médias decenais. Para obter esta média o total dos da- 1836 473 90 146 1886 1131 229 305
1837 1887 1141 207
dos de uma década é dividido por dez. É aconselhável estabele- 1838
480 89 128 325
456 69 226 1888 1010 248 369
cer períodos decenais a partir de zero a nove. 1839 452 82 117 1889 965 202 362
1840 462 73 79 1890 1017 172 457

...
1841 450 71 84 1891 1287 214 642
A tradução gráfica deste quadro mostra que flutuações impor- 1842 476 99 91 1892 1304 219
...
1843 591 119 104 1893 1252 206
...
...
tantes subsistem nas séries de registro civil mesmo quando analisa- 1844 450 104 140 1894 1306 135

dos por decênios. 1845


1846
514
472
71
57
90
113
1895
1896
1377
1383
262
224 ...
1847 479 97 1897 1356 196 184
Exemplo: 1848
118
194 230
516 101 129 1898 1283
1849 393 104 83 1899 1203 166 225
-

1
Ou apenas de batismos, se não se conhece também o número de crianças fale-
cidas sem o batismo.
2 BALHANA, A. P. L'évolution démographique de Curitiba au X I X e
siècle.
O número de concepções de um ano é igual à soma do número de nascimentoso e L
'Hi,t,
outubro a dezembro deste ano, 1770 por exemplo, e de janeiro a setembro do ano Rechei
ler
che Scientifique, C N R S , nP 5 4 8 , p. 1 4 3 - 1 6 5 .
seguinte, 1 7 7 1 .

53 L 57
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

I 825 I 850 1875 1900


I 800

Neste caso, as linhas de tendência já aparecem no gráfi-


co que representa as médias decenais. Quando se trata
de populações pequenas pode não ocorrer assim. Como exemplo,
Paróquia de Nossa Senhora da Luz de Curitiba: médias decenais de podem ser tomadas as médias decenais de nascimentos de
batismos, casamentos e óbitos. Século X I X . Sainghin-en-Mélantois, aldeia do norte da França.

Sainghin-en-Mélantois
Decênios Batismos Casamentos
Número médio Número médio
1800 1809 318,20 50,70
eríodo de Período de
1810 1819 302,90 61,90
nascimentos nascimentos
1820 1829 384,60 75,50
1830 1839 443,20 1680 28,6 1770 26,9
72,80
1840 1849 480,30 1690 22,3 1780 34,5
89,60
1850 1859 571,80 1700 25,7 1790 40,7
133,40
1860 1869 1710 21,4 1800 38,3
647,20 96,10
1870 1879 610,80 1720 28,3 1810 44,4
106,60
1880 1889 933,80 1730 28,7 1820 52,6
178,30
1890 1899 1276,80 1740 28,3 1830 55,7
198,80
1750 33,0 1840 53,0

Médias desconhecidas JJ760__ 32,8

53 L 57
Louis H e n r y r Técnicas de Análise e m Demografia Histórica

Se é decidido representar a tendência por dois segmentos de


Nascimentos em 10 anos
600r- ,,m de 1700 a 1779 inclusive, outro de 1780 a 1849 inclusive,
rpta, ui" . .
duas retas devem ser traçadas de maneira que a soma dos
&
cimentos lidos sobre estas retas no meio de cada decênio,
j 3 S 1705 a 1845, seja igual ao número total de nascimentos
500 457 Ponto médio de 1780 a 1849 inclusive
bservados de 1700 a 1849 inclusive. U m meio simples de fazê-lo é
°assar cada segmento de reta pelo p o n t o médio do período (1740
281 para 1700 - 1779, 1815 e 457 para 1780 - 1849) e fazê-los
c r u z a r e m - s e no limite dos dois períodos, seja na vertical do início

de 1780, em um p o n t o situado aproximadamente ao meio do


corredor", no interior do qual situa-se a olho a linha quebrada
das médias decenais (no gráfico, a curva está em traço cheio, as
retas de tendência em tracejado, os limites do " c o r r e d o r " em
300-
tracejado fino).

281 Ponto médio de 1700 a 1779 inclusive


Movimentos sazonais.

Também os movimentos sazonais podem ser estudados nas sé-


ries de batismos, casamentos e falecimentos.
Quando é estudado o movimento sazonal dos batismos é

J
interessante estabelecer a correlação com o mês de concepção, o
que permite obter com o mesmo q u a d r o , também, o movimento
sazonal das concepções.
1700 1750 1780 1800 IIÍ: Para estabelecer os períodos satisfatórios para o estudo dos
movimentos sazonais, alguns critérios devem ser levados em
O gráfico que representa este quadro mostra que as flutuações consideração. No caso de batismos e falecimentos as alternativas
mais significativas permanecem. Unindo os pontos baixos e altos são as seguintes:
das flutuações residuais, obtém-se duas linhas, cuja média é a linha Para populações menores de 500 pessoas é necessário que o
de tendência. O mesmo tratamento pode ser dado às séries de Período seja de 100 anos, para populações de 500 a 1 500
casamentos e falecimentos, o que permite estabelecer comparações habitantes, bastam 50 anos, e para populações superiores a 1 500
diversas. É interessante sobretudo comparar os nascimentos e habitantes, períodos de 20 anos são suficientes.
falecimentos para visualizar o crescimento da população. As linhas
de tendências podem ser paralelas; quando são verificadas discor-
dâncias de tendências, devem ser procuradas explicações para as Po < 500 pessoas - 100 anos
mesmas. 500 < Po < 1.500 pessoas - 50 anos
A tendência aparece sob as flutuações residuais constituídas Po > 1.500 pessoas - 20 anos
de duas partes, uma e outra mais ou menos retas, uma de 1700 3
1779, de inclinação bastante fraca, e outra a partir de 1780, de Em lugar da população, pode ser considerado o número anual
inclinação nitidamente mais evidenciada. na
scimentos, e nesse caso a regra é a seguinte:
30 1
30
Louis H e n r y

menos de 20 nascimentos por ano


entre 20 e 60 nascimentos por ano
60 nascimentos por ano e mais
100 anos
50 anos
20 anos
r N0VIMENT0
Técnicas de Análise e m Demografia Histórica

MENSAL DE CONCEPÇOES E NASCIMENTOS

A adoção dessas regras para os casamentos conduziria muit0!


seguidamente a adotar períodos de 100 anos, o que tornaria muit0
difícil o estudo das mudanças. Por conseguinte, se deve tomar
períodos mais curtos, porém, é preciso perguntar se as mudanças
aparentes são estatisticamente significativas.
Exemplos de tabulação e curva de movimentos sazonais de
batismos e concepções (França):

—-
Nascimentos em
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Concepções em: Total
Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar

Números
abso- 58 71 82 75 54 49 51 62 64 65 78 73 781
lutos
Divisor 31 28,25 31 30 31 30 31 31 30 31 30 31

Números 2,10 2,60 2,35 25,70


1,87 2,51 2,64 2,50 1,74 1,64 1,63 2,00 2,13
diários
Números A M J J / S O N D M
propor- 86 118 123 117 81 77 77 93 99 98 121 110 1200
I I I I I I I Meses
cionais I I
I 1 I
M M N D
Nascimentos
Divisor: número médio dos dias dos meses. No caso do mês de
fevereiro, para um período de 20 anos adota-se 28 dias e um Masculinidade de nascimentos
quarto (28,25), salvo se este período contém os anos 1700, 1800
ou 1900 que não foram bissextos. Para estudar a distribuição dos sexos ao nascimento, emprega-
Os números proporcionais são calculados por 1200 (12 meses). se sobretudo a razão de masculinidade igual a
No movimento sazonal dos falecimentos é necessário separar os
N m
óbitos dos adultos daqueles infantis. As crianças são, por exemplo* 100
N f
mais sensíveis ao calor, enquanto que os velhos o são ao frio. Pode
ser feito um estudo à parte da mortalidade para os menores de 1
sendo N m o número de nascimentos masculinos, e N f o número
ano, de 1 — 4 anos, de 5 a 14 anos, e depois de 15 anos junto com
de nascimentos femininos.
os adultos. Para os nascimentos e falecimentos não é necessário
A razão de masculinidade dos nascimentos afasta-se pouco de
estudar o movimento diário, pois se nasce e morre em todos os dia* 1
° 5 em todas as populações, É necessário ainda que o número de
da semana. Para os casamentos é interessante verificar quais os dia5 n
ascimentos observados seja suficiente. O quadro seguinte fornece,
preferidos no passado e quando mudaram as preferências pois ist0
conforme o número de nascimentos, os limites que raramente a
pode revelar mudanças de costumes.
razão de masculinidade pode ultrapassar, se o seu valor verdadeiro
O teste do x 2 pode ser empregado para as distribuições saz°' e 105.
nais, a fim de verificar se as diferenças são significativas.
59
58
Louis Henry
Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Número de Limites da razão de Proporção de crianças expostas:


nascimentos masculinidade 5 9 4 / 5 3 3 6 = 11,1%
100 86 128,5
400 95 116 Proporção provável de ilegítimos:
900 98 112 1 5 , 2 + 11,1 = 26,3%
1600 100 110,5
2500 101 109,5 Para fazer comparações segundo a cor e a condição social, de-
3600 101,5 108,5 ve ser considerada apenas a cor e a condição social da mãe, mesmo
4900 102 108 para as crianças legítimas.
6400 102,5 107,5
8100 102,5 Relação dos nascimentos legítimos com casamentos
107,5
10000 103 107
Esta relação é a única medida aproximativa da fecundidade que
32
Quando os dados fogem nitidamente desses limites, o registro pode ser feita sem reconstituição de famílias. Os nascimentos
de batismo ou de nascimentos está incompleto, ao menos para um legítimos de cada período, de pelo menos dez anos, são divididos
dos sexos. Quando o registro é postergado, é preciso ficar na pelo número de casamentos do mesmo período.
expectativa de uma masculinidade muito baixa, se as crianças
mortas nos primeiros dias ou primeiras semanas não são Exemplo: Curitiba, 1810 - 1819
registradas, pois a mortalidade é mais forte nessas idades para o número de nascimentos legítimos: 1765
sexo masculino. número de casamentos: 629
relação dos nascimentos com casamentos = 2,8.

Freqüência de nascimentos ilegítimos e de crianças expostas


A evolução deste índice deve ser interpretada com precaução.
Pode, por exemplo, diminuir porque baixou a fecundidade ou
é obtida fazendo a relação dos nascimentos ilegítimos com o
porque a duração das uniões diminuiu em decorrência de um
total de nascimentos. Este cálculo é feito para períodos de pelo me-
aumento da idade ao casamento ou de um aumento da
nos dez anos.
mortalidade. Além disso, os casamentos tardios após nascimentos
Exemplo: Em Crulai, no período 1750 - 1759, para 1658 de várias criancas, freqüentes no Brasil, diminui a relação prece-
dente.
recém-nascidos, houve 15 ilegítimos. Nesse caso a
proporção de ilegítimos é 15/1658 = 0,9%.
N
"Pcialidade
Quando há crianças expostas em grande número, como em
Curitiba, o número mais provável de nascimentos ilegítimos è 0 registro civil permite por si só, estudar diversos aspectos da
nu
próximo da soma de nascimentos ilegítimos propriamente ditos e Pcialidade. Os principais são:
de crianças expostas.
^reqüência do celibato definitivo
Exemplo: Curitiba, 1770 - 1799: 5336 nascimentos; 813 nasci-
mentos ilegítimos propriamente ditos; 594 criança5
A freqüência do celibato definitivo, sob certas condições, po-
expostas.
'. Ser considerada como mais ou menos igual à proporção dos sol-
Proporção mínima de ilegítimos:
pr ° S 9 ° S ^ a n o s - E s t a ® m a i s o u m e n o s ' 9 u a l e m c a d a geração à
8 1 3 / 5 3 3 6 = 15,2% çao dos solteiros entre as pessoas mortas aos 50 anos e mais.

73
Louis H e n r y Técnicas de Análise e m Demografia Histórica

Em princípio o cálculo desta proporção deve ser feito por g^.


pos de gerações; porém, se há indícios de que a freqüência do celiba. Solteiras Casadas Viúvas
Casadas Indeter-
Total
Idade ou viúvas minado
to variou pouco no decorrer do período, esta proporção pode ser
calculada em um período longo, por exemplo 1750— 1799, em ve? 250 250
menos de 15
de em um grande grupo de gerações. 100 102 50 12 13 277
15-49
50 188 225 18 12 493
Encontra-se neste cálculo duas dificuldades, devidas à indeter- 50 e mais
minação de uma parte das idades ao falecimento e à indeterminação 400 290 275 30 25 1020
Total
de outra parte das situações matrimoniais. Se uma ou outra destas Crianças 12 12
Adultas 14 20 25 4 4 67
indeterminações for m u i t o freqüente, o cálculo é impossível.
Indeterminada 15 4 19

Total 441 310 300 34 33 1118

Neste caso, é possível operar de diversos modos. O mais natu-


Idades indeterminadas ral é adotar um procedimento equivalente ao precedente.
As mulheres de idade indeterminada e de estado matrimonial
Para trabalhar por gerações, é necessário levantar as indetermi- conhecido são distribuídas por grupos de idade como o são as
nações antes de estabelecer os quadros. O mais simples é atribuir a mulheres do mesmo estado matrimonial e, em ú l t i m o caso, da
cada defunto de idade indeterminada, a idade mencionada na ata mesma categoria de idade, cuja idade é conhecida.
mais próxima relativa a uma pessoa com as mesmas características Quanto às quatro mulheres de idade e estado matrimonial
que aquelas mencionadas para o defunto de idade indeterminada. indeterminados, elas são distribuídas como aquelas da coluna
Essas características são o sexo, o estado matrimonial, a cor e a total, levando-se em conta se f o r necessário o caso da grande
condição social e, às vezes, a grande categoria de idade, pois categoria de idade à qual elas pertencem.
acontece que sem conhecer a idade é possível saber quando se trata Isto dá, para os defuntos de 50 anos e mais, os seguintes
de uma criança ou de um adulto. resultados:
Quando uma característica é indeterminada, não se a leva em
conta na procura da ata mais próxima. Assim, se o estado
matrimonial é indeterminado, não se procura, pois, a ata mais
V Cou V
próxima de uma pessoa de estado matrimonial indeterminado e
toma-se a ata mais próxima de uma pessoa correspondente às 14X 50 188 18 ^ 12
20 X 25 X 4 X
outras características, qualquer que seja seu estado matrimonial, j 150 290 275 30 25
Este procedimento é legítimo quando a proporção de idades
15 X ^ 493
indeterminadas não varia demais com a idade em cada categoria. 4 X
400 1020
Esta condição não é verdadeiramente bem preenchida e °
procedimento não deve ser aplicado a não ser quando a proporção
4,7 20,5 2,4 1,9
de idades indeterminadas é pequena. 1.3
1.9 1,9
É possível, evidentemente, proceder d o mesmo modo quando Ô
a operação é feita por períodos. Neste caso, é também conveniente
estabelecer um quadro com as idades indeterminadas e reparti-la5 de
onde o total
em seguida.
V Cou V I Total
Eis um quadro imaginário relativo às mulheres falecidas erfl
1750 - 1799. 245,5 20,4 15,8 527,6

62 CcUc^o 63
£( I i - t ^ v - t
Louis H e n r y

sário fazer hipóteses sobre o conteúdo da coluna "indeterminado"


1. Nenhum dos indeterminados é celibatário, a proporção
r
Resta avaliar a proporção de celibatários, para o que é necej.

^
levando-se
Técnicas de Análise e m Demografia Histórica

em conta as características do marido e da esposa.1


Classificação dos primeiros casamentos por geração

celibatários é igual a
56 6
' = 10,7% Considere-se,em primeiro lugar,a situação favorável na qual as
527,6 idades são indicadas na totalidade dos registros. Nesse caso,
2. Todas as mulheres de estado indeterminado são celibatárias, a c l a s s i f i c a - s e os primeiros casamentos por geração.

proporção correspondente é igual à * Tome-se como exemplo os primeiros casamentos de mulheres


de Sainghin-en-Mélantois nascidas em 1760 - 1779, do quadro
« g ^ - z g . « ^ 1
abaixo.

3. A tais hipóteses extremas, é possível adotar uma hipótese


Idade
intermediária mais provável. Os defuntos de estado matrimonial Produto Produto Casamentos
Idade Casamentos diminuída acumulados
(1) x (2) (2) x (4)
indeterminado são mulheres isoladas, celibatárias ou viúvas, e de 18 a.
elas se distribuem entre as duas categorias como as mulheres das (1) (2) (3) (4) (5) (6)

quais a condição a que pertencem são conhecidas. 18 3 54 0 - 3


Para calcular esta distribuição é necessário ainda avaliar o -4 76 1 4 7
19
2 10 12
número de viúvas na categoria C ou V. É suposto que a 20 5 100
22
21 10 210 3 30
proporção de viúvas nesta categoria é a mesma que no conjunto 22 15 330 4 60 37
/
de mulheres casadas ou viúvas. O número procurado é então: 23 14 322 5 70

2 4 / 384 6 96
M
245,5 7 105 82 1
20,4 x = 11,5 25 15 375
189,3 + 245,5 26 14 364 8 112 96
27 13 351 9 117 109
O número de celibatários entre os casos indeterminados é então: 28 9 252 10 90 118
29 8 232 11 88 126
56,6 30 4 120 12 48 130
65 15,8 x = 2,9 13 91 137
31 7 217
56,6 + 2 4 5 , 5 + 11,5
32 8 256 14 112 145

Daí a terceira proporção de celibatários 33 3 99 15 45 148


34 2 68 16 32 150
56,6 + 2,9 35 _ 17 - 150
1 M / o 36 36 18 18 151
527,6 1
37 3 111 19 57 154
Observação: a proporção de casos indeterminados é muitas vezes 38 1 38 20 20 155
39 39 21 21 156
alta para o sexo masculino; é portanto inútil fazer os cálculos 1
40 — 22 - 156
acima quando a margem de incerteza é demasiado grande. 41 41 23 23 157
1

Idade dos recém-casados 48 1 48 30 30 158

Total 158 4.123 1.279


Esta idade não é sempre indicada nos registros de casamento. 0
que vem em seguida somente se aplica às situações em que 3
maioria das idades é indicada para os celibatários (elas o são mais L 57
É preciso em particular levar e m conta o estado matrimonial d o cônjuge, pois uma
raramente indicadas para os viúvos e viúvas). As idades nã° rriu|
h e r solteira, por e x e m p l o , que casa c o m u m viúvo é em geral mais velha, que uma
indicadas são atribuídas ao azar, pelas idades das atas próxima*- mu|
h e r solteira que casa c o m u m h o m e m solteiro.
Louis Henry

Idade média ao primeiro casamento

Em geral, é calculada diretamente a partir de quadro análog0


r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

É possível substituir as idades completas por grupos de idade.

ao precedente,sem eliminar a influência perturbadora damortalida. Idade Média


Produto
Faixas Número de Idade Idade Média
de. 0 resultado é um pouco inferior a aquele obtido após menos 17,5
Etárias casamentos Média menos 17,5 ( 2 ) x (5)
dividida por 5
eliminação da mortalidade.
(2) (3) (4) (5) (6)
As idades do quadro são em anos completos. A idade média (1)

das mulheres que se casam em cada idade é igual em anos completos 15-19 7 17,5 0 0 0
5 1 60
mais 0,5. O cálculo pode ser feito do seguinte modo: 20-24 60 22,5
25-29 59 27,5 10 2 118
18,5x3 + 19,5x4 + 20,5x5 + . . . 30-34 24 32,5 15 3 72
35-39 6 37,5 20 4 24
que se escreve também 40-44 1 42,5 25 5 5
45-49 1 47,5 30 6 6
18 x 3 + 0,5 x 3 + 19x4 + 0,5 x 4 + 20 x 5 + 0,5 . . .
Total 158 285
isto é
1 8 x 3 + 1 9 x 4 + 2 0 x 5 + . . . + 0,5 x 158
quando se divide por 158, para obter a média, o produto 0,5 x 158 285 x 5 = 1425
será 0,5.
1425 + 158 = 9,0 + 17,5 = 26,5 idade média ao 19 casamento.
Para calcular a média é, portanto, suficiente fazer a soma dos
produtos de cada idade em anos completos pelo número de
primeiros casamentos correspondentes, dividir esta soma pelo
número de primeiros casamentos e acrescentar 0,5.
O que dá

Idade mediana
4123
+ 0,5 = 26,1 + 0 , 5 = 26,6
158
A idade mediana é aquela que divide as casadas em dois grupos
Também é possível substituir a idade por um número iguala de efetivos iguais. Aqui, se deve ter 79 casamentos antes da idade
esta idade diminuída de um certo valor, a idade menor do quadro mediana e 79 depois. Tem-se 67 casamentos antes do 25?
em particular. aniversário e 15 casamentos dentro do 259 e do 26? aniversário. A
diferença entre 79 e 67 é 12, e supondo que os casamentos são
A expressão é escrita então
uniformemente distribuídos dentro de cada ano, resulta que a 12
(18,5 x 3 + 0 x 3) + (18,5 x 4 + 1 x 4) + (18,5 x 5 + 2 x 5 ) + . . . casamentos corresponde uma fração de ano igual a 12/15 (regra de
três).
seja

(0 x 3) + (1 x 4) + (2 x 5) + . . . + 18,5 x 158 A idade mediana ao primeiro casamento é portanto:

A parte esquerda desta expressão é igual a 1279 cuja divisão


por 158 25 + ^ 1 = 2 5 , 8

É possível também fazer o cálculo a partir da classificação por


1 2 7 9 ru
+ 1 8 , 5 x 1 ^ = 8 , 1 + 18,5 = 26,6 9 Pos de idade.
158
67
35
Louis H e n r y r Técnicas de Análise e m Demografia Histórica

idade Casamentos [j, primeiros casamentos de mulheres em 1674 — 1742.


Casamentos
acumulados
1 5 - 19 7 7 Idade Idade
Casa- Pro- Pro- Casa- Pro- Pro-
menos menos
20-24 60 67 mentos duto duto Idade mentos duto duto
Idade 16
16
25-29 59 126 (7) (7)x(6) (9) (7) x (9)
(2) (2) x (1) (4) ( 2 ) x (4) (6)
(1)
80 0 - 34 2 68 18 36
16 5
7 119 1 7 35 2 70 19 38
17
12 216 2 24 36 3 108 20 60
18
• 42
13 247 3 39 37 2 74 21
19
Total 158 20 18 360 4 72 38 2 76 22 44

10 210 5 50 39 1 39 23 23
21
21 462 6 126 40 1 40 24 24
22
Há 67 casamentos antes do 25.° aniversário, 126 antes do 30p 23 14 322 7 98 41 1 41 25 25
576 8 192 42 - - 26 —
aniversário. Nesse caso, admite-se que os casamentos são uniforme- 24 24
16 400 9 144 43 - - 27 -
25
mente distribuídos nos 5 anos que separam o 25P do 30° 10 220 44 1 44 28 28
26 22 572
aniversário. Assim, a idade mediana é 27 6 162 11 66 45 - 29 -

8 224 12 96 46 ! 46 30 30
28
29 6 174 13 78 47 - - 31 -

25 + 5 x = 25 + 1 = 26 30 8 240 14 112 48 - - 32 -

31 3 93 15 45 49 1 49 33 33

32 3 96 16 48
Idade modal 33 3 99 17 51

Total 216 5.307 1.851


A idade modal ao primeiro casamento é a idade na qual a
freqüência dos primeiros casamentos é máxima. Isto muitas vezes é
difícil definir com precisão.
Conforme o quadro, é aos 24 anos completos que há maior Mesmo que todas as gerações tenham a mesma distribuição de
número de casamentos. idades ao primeiro casamento, a distribuição de idades dos
recém-casados de um período, em geral difere da distribuição de
Classificação dos primeiros casamentos por períodos idades ao primeiro casamento das gerações, em virtude das
variações do número de nascimentos.
Através de quadros análogos aos precedentes é possível calcu- Para que estas duas distribuições sejam idênticas é necessário
lar também uma idade média e uma idade mediana. que a população seja estacionária, fato que nunca acontece.
O quadro seguinte é relativo aos casamentos de mulheres sol- Entretanto, se os nascimentos não variam brusca e rapidamente, a
,d
teiras, realizados em Crulai de 1674 a 1742, e fornece os elementos ade média, calculada a partir da distribuição por idade dos
de cálculo da média que é igual a: Primeiros casamentos de um período, pode ser considerada como
Um
valor aproximado da idade média ao primeiro casamento de
uma população, desde que haja razões para admitir que o mesmo
0,5 = 24,6 + 0,5 = 25,1 Var
'a muito lentamente de uma geração à outra.
Para evitar confusões é aconselhável denominar idade média
ou a
° Primeiro casamento,aquela relativa a um grupo de gerações,e de
'uade média dos solteiros casados em - . . àquela que se refere a um
^ + 16,5 = 8 , 6 + 1 6 , 5 = 25,1 Período.

36
Louis Henry

Casamentos e recasamentos
r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Um erro cometido com bastante freqüência é estudar as mi-


racões a partir da origem de todos os noivos, quer residam ou não
Classificando os casamentos segundo o estado anterior d0s
pa paróquia. Este estudo tem outros objetivos.
noivos são obtidos quadros análogos ao seguinte:
Um primeiro quadro a ser feito poderá ser o seguinte:
Estado civil dos noivos. Crulai 1674 — 1742
Lugar de nascimento Maridos Mulheres
1
Marido
-
Mulher
solteiro Total
viúvo indeterminado Paróquia de casamento
solteira 436 92 1 529
viúva 41 23 64 Outras Paróquias do Paraná
indeterminado 5 1 4 10

Total 482 116 5 603


Brasil

Países estrangeiros

Com os dados em números absolutos deste quadro, podem ser


elaborados outros em números relativos, assim, por exemplo:
Um exemplo mais pormenorizado quanto à origem dos noivos
édado pelo quadro na página seguinte, relativo à paróquia de Santa
Marido Felicidade que inclui nascidos no exterior e no Brasil.
Mulher Total
solteiro viúvo

solteira 73,7 15,5 89,2


viúva 6,9 3,9 10,8 Residência dos noivos
Total 80,6 19,4 100,0
0 estudo da residência dos noivos é interessante para conhe-
cer os costumes em relação ao casamento; por exemplo, local de
realização da cerimônia, paróquia do noivo ou da noiva, freqüência
de casamentos entre pessoas de paróquias vizinhas ou distantes, e
outros aspectos.
Origem e migração É possível combinar a residência anterior dos noivos como no
quadro seguinte.
O estudo da origem, isto é, lugar de nascimento dos cônjuges,
permite o estudo dos movimentos migratórios e é de particular
interesse para os países de grande imigração, c o m o o Brasil. Neste
estudo, são considerados somente os cônjuges que residem na Marido
Mulher
paróquia estudada. Para eles a diferença entre esta paróquia e a pa- Da paróquia De fora Total
róquia de origem é um indício de migração entre o nascimento e a
Da paróquia 179 171 350
idade ao casar. Assim, a proporção entre as moças residentes em
Curitiba que casaram em 1810 - 1819, daquelas nascidas em Para- fora 15 3 18
naguá, é um índice de migração de Paranaguá para Curitiba ao fina1
Total 194 174 368
do século X V I I I e início do século X I X .
55 L 71
Louis H e n r y
Técnicas de Análise e m Demografia Histórica

•8
52
Podem ser deixados de lado os casamentos de duas pessoas
tranhas à paróquia. Entre os outros casamentos, 179 unem
«oas da paróquia, 186 são casamentos mistos, sendo 15
zg t| Mulheres estranhas para 171 homens de fora da paróquia, É
i?
necessário explicitar o significado dessa diferença.
Il
•Oi
Cada localidade tem intercâmbio com as localidades vizinhas, e,
SE
em média, o número de homens de uma localidade A que casa com
mulheres de uma localidade B é igual ao número de homens da
1
l o c a l i d a d e B que casa c o m mulheres da localidade A .

Assim, é possível admitir que se 186 mulheres da paróquia ca-


sam com pessoas de fora, 171 casam na sua paróquia, e 15 na paró-
quia de seu marido.A conclusão é que o costume da localidade e da
região faz com que 92% das mulheres que casam com u m estranho,
o façam na paróquia em que elas residem; ou melhor, que 92% dos
casamentos mistos são celebrados na paróquia da mulher. Este
estudo deve ser feito somente com os casamentos de solteiros, pois
os viúvos tendem a casar mais freqüentemente em paróquias de
fora.

Distâncias entre residências anteriores

0 quadro seguinte informa sobre as distâncias entre residências


anteriores dos cônjuges.

Residência dos Números Números


cônjuges absolutos relativos
Mesma paróquia 179 49
paróquias limítrofes 105 29
* «- «-
Paróquias não
40 11
limítrofes próximas
" Ifl Kl N ^
paróquias distantes 41 11
Total 365 100
? o -2
-K .n. 53 Ío -Q s
S
5 I I II II I?s I I Ö
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nsvya
41
i
^SÄÄÄta-- " -
c
co,oniais fecundidade e descendência c m u m a região cada u m a das localidades dos pares A , B compreendidos nesta
desem
tori° P e n t l a ao mesmo t e m p o o papel de A e de B. Se a região é grande quase
os os pares A , B, estão aí compreendidos e há em média igualdade de intercâmbio.
38
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

É possível também introduzir as distâncias em quilôm 1.977 Falecidos de menos


"Batizados 382
tros (de centro a centro) entre as localidades.
de 1 ano

Residência dos Falecidos não Falecidos não


Números 57 57
cônjuges absolutos
% batizados batizados

2.034 Total 439


Mesma paróquia Tntal
De 5 a 10 k m
De 10 a 15 k m T.M.I. 216 por mil = 21,6%
Mais de 15 k m
É possível decompor a mortalidade infantil em duas partes: a
Total mortalidade neonatal, relação do número de óbitos de menos de
um mês com o número de nascimentos, e a mortalidade
post-neo-natal, relação do número de óbitos de 1 a 11 meses
completos com o número de nascimentos.
Mortalidade
Mortalidade de crianças de menos de cinco anos.
A primeira tábua de mortalidade, aquela de Halley para a cida-
de de Breslau, foi calculada a partir somente da classificação por
Uma medida aproximativa da probabilidade de morte.entre o
idades dos óbitos de Breslau de 1687 - 1691. Este método só é
nascimento e o q u i n t o aniversário - expressa por 5 q 0 - é obtida
utilizável para uma população estacionária, isto é, em situaça~o
da seguinte maneira: dividir os óbitos de crianças de menos de
quase nunca encontrada. É necessário seguir a-regra seguinte:
cinco anos de um período, 1760 - 1779 por exemplo, de início
quando se dipõe apenas de estatísticas do registro civil, somenteé
possível estudar a mortalidade de crianças, crianças de menos de pelo número de nascimentos deste período, em seguida, pelo
um ano, e a rigor, crianças de menos de cinco anos. número de nascimentos do período de mesma duração e que
começou cinco anos antes, no exemplo 1755 - 1774. Se os dois
resultados se aproximam, sua média é um valor aproximado de
590-
Mortalidade infantil
Mortalidade segundo a categoria social, a cor e a condição
Assim, é denominada a mortalidade de crianças de menos de
um ano. É medida pela taxa de mortalidade infantil. É necessário, neste caso, que as características de cada criança
Em demografia histórica opera-se, na prática, sobre períodos sejam definidas do mesmo m o d o ao nascer e ao morrer. Esta
de ao menos dez anos.
condição em geral não é preenchida. Na medida do possível, as
A taxa de mortalidade infantil deste período é, então, mais ou
comparações entre categorias serão feitas após a reconstituição de
menos igual à relação do número de óbitos de crianças de menos
farrílias.
de um ano deste período ao número de nascidos vivos do mesmo
período. Não deve ser esquecido que o número de nascidos vivos é
igual à soma do número de batizados e do número de crianças Observação
mortas antes de terem sido batizadas. A disposição do cálculo é
como segue: O sub-registro é geralmente mais importante para os óbitos que
Para os nascimentos e os casamentos, e os óbitos infantis são ainda

L
Exemplo: Período 1690 - 1739 m
ais suscetíveis de sub-registro que os outros.

74 75
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Sem a reconstituição de famílias é d i f í c i l corrigir este sub- ' • • sa por adaptações locais (traduções de nomes de imigrantes)
gistro. Porém, se a taxa de mortalidade infantil encontrada é m u í ^outras variáveis que atuam na evolução dos nomes.
baixa (menos de 150 por 1 000 antes da metade do século XIX
mesmo 200 por 1 000 no Brasil), é bastante provável que ocó?Ü profissões
sub-registro de óbitos.
O estudo da distribuição da população ativa por categorias
rofissionais é igualmente importante, e oferece elementos de
Assinaturas pr
á)jse sócio-econômica bastante interessantes. Em geral, as
O estudo de freqüência de assinaturas,que permite conhecer 0 Yiformações dessa natureza não são m u i t o habituais nos registros
nível de instrução das populações estudadas, é feito com base no de nascimentos, casamentos e falecimentos. Quando os dados a
levantamento das assinaturas existentes nos registros de casa- respeito existem, é suficiente utilizar a relação das profissões
mentos. mencionadas em uma categoria de registros, pela ordem, óbitos,
casamentos e batismos ou nascimentos. A escolha pode ser feita
Exemplo: Freqüência de assinaturas dos cônjuges 1770 - 1779 adotando a relação que contenha menos lacunas ou menor número
de indeterminados. As atas de casamento são, em geral, as mais
Marido Mulher
completas a esse respeito, as de óbito tendem a exagerar, para
A O indeterm. Total mais, a categoria profissional do defunto. Na falta de outras
informações podem ser utilizadas aquelas referentes às profissões
A dos pais dos batizados. A distribuição da população segundo a
profissão pode ser feita de diversas maneiras. Primeiro, peio elenco
O
de ocupações relacionadas, por exemplo, agricultor, ferreiro,
indeterm. pedreiro, comerciante, advogado e t c . . . Segundo, pelo exercício
Total profissional em determinado ramo de atividade, qualquer que seja
a ocupação propriamente dita. Nesse caso são classificados na
O quadro acima é complementado por o u t r o em números mesma categoria os diferentes profissionais que exercem suas
proporcionais por mil, verificando-se onde ocorre maior concentra- atividades naquele setor, empregados de indústrias metalúrgicas, de
ção. indústrias gráficas, de indústrias de panificação etc. . . Uma
terceira classificação pode ser feita tentando, através da atividade
Nomes e sobrenomes exercida, distribuir a população em níveis sócio-profissionais.
Nesse caso, a classificação depende do trabalho exercido, do ramo
O estudo da freqüência de nomes e sobrenomes é de grande de atividade no qual é desenvolvido, da qualificação requerida, do
significação por vários motivos. Primeiro, porque permite conhecer nível hierárquico ocupado e de outros fatores.
os processos de extinção e renovação dos sobrenomes de família Tanto as profissões individuais, como as atividades coletivas e
a
em determinada paróquia ou período. Segundo, porque possibilita hierarquia social, têm sofrido muitas modificações no decorrer da
a verificação das variações ortográficas que sofrem os sobrenomes história, razão pela qual é difícil atribuir uma classificação
no decorrer do tempo, por adaptações aos costumes locais, por satisfatória para todas as épocas. De outro lado, as atividades
equívocos de pronúncia (sobrenome de imigrantes) ou por outras i m a n a s são cada vez mais numerosas sendo necessário adotar
formas de evolução. Variações também no número de sobrenomes amplificações para obter certas visões de conjunto. Na demografia
adotados correntemente pelas pessoas. Finalmente, permite anali- histórica, também são necessárias algumas simplificações, especial-
sar a freqüência do uso de nomes, observadas as diferentes mente quando se trata de listas nominativas, pela falta de precisão
das
influências exercidas por fatores de ordem histórica, literária, informações apresentadas.
55 L 77
Louis Henry

a)
Exemplos de categorias sócio-profissionais:

França de 1954 - 1962


Falecimento
Tecelagem.
_ confecção.
_ Couros e peles.
Técnicas de Análise em Demografia Histórica

1P - Profissões liberais e quadros superiores. _ Madeiras.


2P - Dirigentes da indústria e do comércio (englobando - papel
artesãos). _ comércio.
3P - Quadros médios (classe média assalariada). __ Transportes, m a n u t e n ç ã o .
4 P - Empregados (comerciários, bancários etc.). _ saúde, cultos, limpeza corporal.
5P - Operários. _ Serviços domésticos.
6P - Agricultores independentes.
Os conteúdos dessas rubricas, qualquer que seja a relação, não
7P - Assalariados agrícolas.
sio plenamente satisfatórios. As distribuições proporcionais por
8P - Pessoas de serviço (cabeleireiros, enfermeiros, domésti-
grandes grupos de atividades parecem atender melhor que as
cos etc.).
relações pormenorizadas.
9P - Outras categorias (clero, exército, polícia, artistas etc.),
Exemplo: Maizières (Calvados).

— Agricultura 40
b) França do Antigo Regime — Antes de 1800 23
— Construções e pedreiras
1P- Nobreza. — Equipamentos e manutenção 5
2P - Clero e ensino. — Alimentação 8
3P- Magistrados, burgueses, estudantes. — Têxteis 13,5
4P - Comerciantes. — Quadros, comércio etc. 10,5
5P - Profissões liberais (salvo magistrados), industriais, Total 100,0
quadros administrativos, oficiais.
6P - Mestres (corporações), rendeiros, trabalhadores, sub- Estes exemplos devem ser adaptados às muitas situações seme-
oficiais. lhantes ou condições peculiares diversas.
7 P - "Companheiros", meeiros, artesãos, soldados, agricul-
tores, escreventes, empregados.
8P Aprendizes, escriturários, operários, jornaleiros, cria-
dos.
9P Pessoal doméstico.
10P- Mendigos, inválidos.
1 1 . - Artes e espetáculos, pequenos serviços.
A classificação por ramos de atividades adotada pelo INED
para pesquisa sobre a população da França, é a seguinte:

— Agricultura e pesca.
— Alimentação (padeiros, açougueiros e t c . . . ) .
— Metalurgia.
— Vidraçaria, cerâmica, porcelana.
— Minas e pedreiras.
— Construções e trabalhos públicos.

84V78
LouisHenryrTécnicas de Análise em Demografia Histórica

Estudo da Fecundidade
dos Casamentos a partir da
Reconstituição das Famílias

A reconstituição das famílias é feita a partir dos levantamen-


tos nominativos (em fichas ou em folhas de levantamento
abreviado), cujas regras encontram-se no Nouveau Manuel de
dépouillement et d'exploitation de l'état civil ancien. Foram
efetuadas algumas modificações na 2? edição.
Insista-se em alguns pontos: os registros de casamento podem
ser levantados diretamente sobre as fichas de família. É bom,
entretanto, fazer ao mesmo tempo um levantamento sobre as
folhas, limitando-se à primeira coluna (no caso de registros
separados) ou às duas primeiras colunas (no caso de registros não
separados) para dispor de uma lista cronológica dos casamentos.
Quando surgem dificuldades na reconstituição, em virtude da
ocorrência de homônimos ou de mudanças de nomes, haverá
interesse em levantar nas entrelinhas das folhas nominativas, todas
as informações suplementares sobre os laços de parentesco
encontrados nos registros, tais como avós, tios, tias, irmãos, irmãs,
primos dos batizandos, tios, tias, irmãos, irmãs, primos dos noivos,
filhos, filhas, genros, noras dos falecidos.

Escolha da localidade

Quando não há motivos imperiosos que determinem a escolha


d
e uma localidade em vez de outras, dar-se-á preferência para
aquelas nas quais os registros indicam sempre o sobrenome e o
nome do pai e da mãe dos jovens que se casam.

Extensão dos levantamentos

Quando se pretende reconstituir as famílias, por exemplo do


Período de 1750 a 1800, é interessante arrolar os batismos a
42
r
Louis Henry
Técnicas de Análise em Demografia Histórica

55
partir de 1720 e os casamentos até 1830, para melhor conhecer as - arrolados, denominados nascimentos perdidos, e representam
idades dos cônjuges no início e para ter um meio de preencheras
pape\ importante na avaliação dos mesmos.
lacunas eventuais dos nascimentos, ao final.

Nascimentos ilegítimos antes do casamento


Obstáculos è reconstituição das famílias
Eles são arrolados sobre uma ficha diferente da ficha na qual é
A herança dos nomes parece ser uma condição necessária à
notado o casamento. Para assegurar uma ligação entre estas
reconstituição das famílias, mas não o é. Para reconstituir uma
fichas, anota-se a data do casamento sobre a primeira (no lugar da
famíl ia é suficiente que os nomes e sobrenomes dos pais sejam
data de recasamento) e anota-se na segunda ficha, em observação,
mencionados nas atas de batismo, sob a condição de que estes
o número de nascimentos ilegítimos com a data do primeiro e do
nomes sejam estáveis. Não há inconveniente que, ao se tornar
adulto, o filho adote um nome de família diferente daquele de seu último.
pai. A menção dos pais nos registros de casamento para os noivos
solteiros é útil para corrigir os resultados, mas a sua ausência não
Falecimento de filhos casados
impede a reconstituição de famílias.
Para abreviar a reconstituição das famílias, a data de
Alguns pontos importantes desta reconstituição
falecimento dos filhos que já casaram pode deixar de ser transcrita
na coluna destinada ao falecimento dos mesmos.
Preto e vermelho. Na coluna das datas de nascimento dos filhos
anota-se em preto a data do nascimento, ou na falta desta a do
batismo, cujo registro f o i levantado na paróquia estudada. Nos Emprego de colchetes e de parênteses
outros casos as anotações nesta coluna serão feitas em vermelho:
isto é,as anotações referentes aos filhos cuja existência é conhecida São inscritos entre colchetes ou entre parênteses, conforme o
através de um registro de óbito, de casamento, menção em uma grau de certeza, as identificações incertas ou indiretas. Os
lista qualquer e não pelo seu registro de nascimento ou batismo; é colchetes indicam que a informação é certa ou quase certa, os
um nascimento reencontrado por uma referência posterior. parênteses indicam que ela é presumida. Na medida do possível, o
Quando esta referência indica a data de nascimento ou permite emprego do lápis deve ser reservado às anotações provisórias.
que ela seja calculada (caso de falecimento com poucos dias), esta
data reencontrada é anotada em vermelho. Nos outros casos 82
Data do casamento dos filhos
anota-se também em vermelho, apenas o ano de nascimento (ano'e
mês para as idades ao morrer, dadas em meses) o b t i d o subtraindo
do ano do casamento ou falecimento à idade mencionada. Por Na coluna correspondente, são anotadas as datas de primeiros
exemplo, para uma criança morta em 1751 aos nove anos anota-se casamentos cujo registro mencione o sobrenome e o nome do pai e
a data 1742. Quando a idade necessária a este cálculo não é da mãe do filho que se casa, ou pelo menos o sobrenome e o nome
referida, situa-se o nascimento da melhor forma entre ou após os d° Pai, se esta informação é suficiente para estabelecer a relação
de
outros filhos e anota-se a data presumida (ano) em vermelho e ste filho com seus pais. Quando se supõe haver identificado um
r
entre parênteses. ecém-casado, embora o nome e sobrenome de seu pai e de sua
m
ãe ou apenas de seu pai não estejam mencionados no registro de
Em suma, tem-se dois tipos de nascimentos, os nascimentos c
asamento, a data do casamento é anotada entre parênteses
arrolados, anotados em preto nas fichas de família, e os
'Presunção) ou entre colchetes (quase certeza). Esta regra é
nascimentos reencontrados inscritos em vermelho. lrT1
Perativa e é melhor não anotar estes casamentos que esquecer os
Estes nascimentos reencontrados são uma parte dos nascimentos 43
colchetes ou os parênteses.
r
Louis Henry
Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Falecimento dos pais


cimento, de casamento, para fixar a data de f i m de observação,
A data do falecimento dos pais pode permanecer desconhe ue em' o fazendo as famílias fecundas seriam favorecidas
por
cida, e neste caso é conveniente anotar no lugar correspondente ^ a n t o que as famílias estéreis seriam desfavorecidas.
enq
lápis, porque se trata de anotação provisória, as informações sobre A data de f i m de observação é a data do f i m de união, se esta
a sobrevivência dos pais fornecidas pelas datas de óbitos ou de casa- brevém antes do f i m do período durante o qual são arrolados os
S
mento dos filhos. Para fazê-lo, são utilizados os sinais de notaçjfo asei mentos, ou a data do ú l t i m o dia deste período se este é
usados pelos genealogistas, isto é, antes de 1750 anota-se / 1750 "nterior ao f i m da união. Tal anterioridade é conhecida pelo
após 1750 anota-se 1750 /. Portanto, quando se tem uma anotação falecimento ulterior do cônjuge que morre antes ou pela menção
1764/1775, sabe-se que a pessoa em questão morreu entre estas do marido e da mulher em uma lista nominativa posterior ao f i m
duas datas. Quando um cônjuge é declarado viúvo no seu óbito e a de observação, porém não por registros relativos aos filhos.
data de falecimento do o u t r o é desconhecida, faz-se a mesma Exemplos:
operação, porém se faz o traço de separação oblíquo a tinta.
A - Em 25 de outubro de 1783 morre Catarina R I B E I R A e o
registro de sepultamento menciona que ela é mulher de Joaquim
Classificação das fichas
de SOUZA' este, portanto, sobreviveu à sua mulher e isto se sabe
independentemente da existência de filhos ou de um recasamento.
As fichas são classificadas em ordem alfabética pelo
Anota-se nesse caso 25.10.1783 nas quadrículas "Data de f i m de
sobrenome do marido, é possível também fazer a classificação pela
observação" e "Data de viuvez" do marido (modelo atual de fichas).
ordem alfabética da trama dos sobrenomes, e segundo a pronúncia
do sobrenome. A trama de um sobrenome é constituída pela letra B - Aos 18 dias de março de 1795 morre Pedro da S I L V A , com
inicial (excetuando-se H) e as duas consoantes não mudas que 35 anos de idade e este registro é anotado na ficha da S I L V A
seguem. A trama de FREITAS, por exemplo, é FRT. Este Pedro - F R E I T A S Maria. O nome da mulher não estando
procedimento evita as desclassificações oriundas das variações mencionado no registro de sepultura, a identificação é incerta e a
limitadas às vogais. Assim, F R E I T A S , FRETAS, F R I T A S são data 18.03.1795 é anotada entre parênteses na quadrícula "Data
classificadas juntas. de falecimento" do marido.

Fim de observação Em seguida pode ocorrer que:

D - Maria F R E I T A S deu à luz a um filho póstumo, mencionado


A fecundidade é medida relacionando um número de no registro de batismo como f i l h o ou filha do falecido Pedro da
nascimentos a um número de anos de presença. Na ausência de
SILVA. Nesse caso a data 18.03.1795 é anotada na quadrícula
recenseamentos regulares, esta presença só pode ser presumida. Ela
"Data de viuvez" da mulher, mas esta data não é anotada na qua-
se estende do início ao final da observação, e os "vazios" devidos
drícula " F i m de observação" porque é uma data conhecida apenas
às ausências temporárias são preenchidos pela avaliação dos
Pelo nascimento de um filho. A operação será a mesma se a morte
nascimentos perdidos. O início da observação, na maioria das
de Pedro da S I L V A f o r confirmada por um falecimento ou casa-
vezes, é o casamento. O f i m da observação deve ser fixado de
mento de um de seus filhos.
modo a não privilegiar as famílias mais fecundas em d e t r i m e n t o
daquelas que o são menos.

- Maria F R E I T A S casa novamente na paróquia e o registro de


Por conseguinte, se é estudada a fecundidade do conjunto dos Ca
samento menciona que ela é viúva de Pedro da S I L V A . A data
casais, compreendidos os casais estéreis, não devem ser utilizadas 18
03.1795 é, nesse caso, anotada na quadrícula " F i m de
jamais informações sobre os filhos, data de nascimento, d e

V
°bservação", porém não naquela correspondente à "Data de
84
78
Técnicas de Análise em Demografia Histórica
Louis Henry

aracterísticas são obtidas quatro grandes categorias de fichas:


viuvez porque ao proceder assim estariam sendo favorecidas as
situações de viuvez seguidas de recasamento em detrimento MF
' Q ^ a n d ^ o período estudado é longo, pode ser subdividido em
daquelas que não o foram. Isto falsearia o estudo da freqüência de • épocas de casamento. Para cada uma, deve ser feita a
recasamentos. Var
+ribuição das fichas nas grandes categorias acima. Para isto e
d S
3) — Maria F R E I T A S é mencionada como viúva de Pedro da ' pssário avaliar a época do casamento das fichas E.
S I L V A em uma lista nominativa ou de cobrança de impostos, ou Quando se tem apenas nascimentos, opera-se como se o casa-
em ato no qual ela figura como testemunha, madrinha ou a outro nto precedesse de um ano ao nascimento mais antigo. Quando
t í t u l o , desde que não seja um acontecimento relativo a seus filhos. T m disso é conhecido o ano de nascimento exato ou aproximado,
A data 18.03.1795 torna-se data de f i m de união e data de viuvez, Z marido da mulher, ou dos dois, pode ser estimado o ano do
c a s a m e n t o ' j u n t a n d o a idade média ao casar ao ano de nascimento.

4) - Maria F R E I T A S morre na paróquia. A data 18.03.1795 Quando os anos de nascimento do marido e da mulher dao
torna-se data de f i m de união e data de viuvez. resultados discordantes, decide-se pelo melhor a partir do conjunto
de informações disponíveis.
5) — Maria F R E I T A S deixa definitivamente a paróquia sem mais
No caso extremo e raro de uma data de falecimento sem ida-
ser mencionada em nenhum documento. As duas quadrículas
"Data de f i m de observação" e "Data de viuvez", permanecem de, fixa-se a idade que falta em 60 anos.
vazias. As fichas MF desempenham um papel preponderante no estu-
do da fecundidade e o rendimento da reconstituição de famílias é
C) — O período estudado termina a 31 de dezembro de 1799, medido pela relação entre o número de fichas MF e o total de fichas
porém há perspectiva de prosseguir o levantamento posteriormen- M.
te. De o u t r o lado, existe uma lista nominativa de 1802. A data 31 Eis um exemplo:
de dezembro de 1799, nesse caso, é a data de f i m de observação Amostra de 10 aldeias do Noroeste da França.
para todos os casais que existiam antes de 1800 e são relacionados
na lista de 1802. Fica entendido que estar relacionado em 1802 Categoria
Categoria Conjunto
significa que o marido e a mulher figuram um e outra na lista O
F
como vivos presentes na paróquia estudada. Esta data de
observação, 31.12.1799, é anotada a lápis uma vez que ela cessará M 959 588 1547
de ser " D a t a de f i m de observação" no momento em que 797
E 368 429
prosseguir o levantamento.
1327 1017 2344
Conjunto
Categorias de fichas
"rendimento" da reconstituição de famílias.
Duas datas representam u m papel fundamental na subdivisão
É possível também comparar os casamentos ao f i m de união (o
das fichas em categorias: a data do casamento e a data de fim de
número destes é igual àqueles de fins de observação, se o f i m do
observação. Uma e outra podem constar ou faltar na ficha.
Período estudado encontra-se longe, como no caso do exemplo
São denominadas fichas M aquelas nas quais consta a data do
acima, cujo término é 31 de dezembro de 1829). A relação no
casamento do casal; as outras são denominadas fichas E, o que
significa que o casamento f o i realizado no exterior, isto é, f o r a da exemplo citado é:
paróquia.
MF + EF é 1327 = 8 5 8 %

L
As fichas com data de f i m de observação são d e n o m i n a d a s fi*
MF + MO 1547
chas F (fechadas); as outras fichas O (abertas). Por combinação des-
87

86
Louis Henry
r Técnicas de Análise e m Demografia Histórica

Uma questão a elucidar é porque mais de 14% dos casamentos


nascimentos -pelo número de anos. O número de nascimentosé
ficam sem data de f i m de união. As razões podem ser emigração de aquele dos filhos nascidos de mulheres pertencentes ao grupo de
casais, sub-registro de óbitos de adultos, falta de indicação sobre o idade ou ao grupo de duração de casamento considerado. O
estado civil dos falecidos. número de anos é a soma dos tempos passados pela mulheres
Em seguida, as fichas MF e MO são subdivididas segundo o nestes grupos de idade ou destes grupos de duração do casamento.
conhecimento ou não da data de nascimento da mulher. Quando a
É denominado número de anos-mulheres para assinalar que ele
data do seu nascimento é conhecida, as fichas são M F 1 e MOV
depende ao mesmo tempo do número de mulheres e do número de
quando o ano é avaliado a partir da idade da noiva, mencionada no
anos que cada uma passa em um grupo de idade ou de duração do
registro de casamento, as fichas são MF2a e M 0 2 a ; se a partir da
casamento.
idade mencionada no registro de sepultamento as fichas são MF2b
e M 0 2 b ; e quando não há condições de saber o ano de nascimento Cálculo do número de Anos — Mulheres
da mulher, as fichas são M F 3 e M 0 3 .
As idades,sendo calculadas em anos completos,opera-se como
Cálculo das taxas de fecundidade legítima se as idades exatas fossem todas iguais às idades em anos completos
aumentados de 0,5. Para a duração de casamento é adaptado o
É efetuado essencialmente a partir das fichas MF. mesmo procedimento, resultando que, para uma mulher que casa
Antes de entrar nos pormenores práticos deste cálculo, devem aos 20 anos e morre aos 4 5 anos, ao f i m de 24 anos de casamento,
ser traçadas as suas grandes linhas. são creditados 4,5 anos no grupo de idade 20 — 24 anos, 5 anos
nos grupos de 25 - 29, 30 - 34, 40 - 44 anos e 0,5 no grupo
Idade da mulher ou duração do casamento. É possível calcular as
45 — 49 anos, e para a duração de casamento 5 anos nos grupos de
taxas de fecundidade legítima seja a partir da idade da mulher, ou
0 - 4 a 15 - 19 anos e 4,5 anos no grupo de 20 - 24 anos de
a partir da duração do casamento. A t é o presente f o i preferencial-
duração.
mente usada a idade da mulher nas populações antigas e a duração
Se, em vez de morrer, a mulher tomada como exemplo tivesse
do casamento nas populações atuais. Provavelmente será utilizada
ficado viúva aos 45 anos, se poderia operar como acima, (e nesse
a duração do casamento em ambos os casos, pois como as
caso seria preciso deixar de lado os nascimentos póstumos), ou
mulheres são subdivididas conforme sua idade ao casar, é possível,
então operar como se a mulher só saísse do estado de casada nove
por meios gráficos convenientes, aproveitar simultaneamente o
meses exatamente após a morte de seu marido. A escolha é difícil
efeito da idade e o da duração do casamento. Idades e durações
porque os dois procedimentos têm vantagens e inconvenientes.
sempre aparecem sob a forma de grupos de cinco anos de idades
Uma simplificação possível, e que evita a escolha, é deixar de
1 0 — 1 4 anos ou 15 — 19 anos a 45 — 49 anos para idade da
lado as frações dos grupos de idade, salvo no grupo de idade
mulher. 1 De 0 — 4 anos ao ú l t i m o grupo de duração do casamento
correspondente ao ato do casamento. A mesma regra aplicada às
no qual as mulheres mais jovens não atingiram ainda os cinqüenta
durações do casamento faz com que todas as durações sejam de 5
anos, ou seja 35 — 39 anos para as mulheres casadas aos 10 — 14 a
nos. Esta é uma simplificação que pleiteia pelo emprego das
anos, 30 — 34 anos para as mulheres casadas aos 1 5 — 1 9 anos,
durações do casamento.
25 — 29 anos para as mulheres casadas aos 20 — 24 anos etc. . .
Os nascimentos que ocorrerem após o ú l t i m o grupo de idade
de duração do casamento, observado por inteiro, são considera-
Anos — Mulheres
dos fora de observação.
A taxa de fecundidade é calculada dividindo o número de
Os nascimentos póstumos fazem sempre parte dessa categoria.
Exemplo: a ficha a seguir, em parte imaginária, indica a maneira de
1
O grupo de 1 0 - 1 4 anos só deve ser levado em consideração se os casamentos fazer os cálculos.. A idade da mãe e a duração do casamento são
antes dos 15 anos forem relativamente numerosos. Ca|
culadas em anos completos e anotadas em coluna própria sobre
46
89
Louis Henry
Técnicas de Análise em Demografia Histórica

a mesma linha que o nascimento correspondente. 1 Para 0s nascimentos reencontrados, quando há somente o ano presumido
!* do nascimento, calcula-se a idade e a duração do casamento como
I s . 1
s e o nascimento houvesse ocorrido a 1P de janeiro do ano
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ï; S presumido; em todos estes casos, a idade e a duração são anotadas
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1 Quadro 1 M u l h e r e s casadas aos 15-19 anos
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4i4» ....5 0 ?,5 1 0,5 0 5 0 2.5 0
1
Para fazer o cálculo de, por exemplo, a idade, o primeiro passo é subtrair o ano d°
nascimento da mãe do ano de nascimento d o filho. E m seguida compara-se estas datas enfl
»4 5 3 •i 3 •i 3 •> 1 •i 2 5 5 3
M 1 s 2 •) 11 5 1 5 1 1 r> 2 5 0
dias e meses. Se a data de nascimento do filho é posterior o u igual àquela da mãe, a idade
3 10-14 11 5 2 5 3 5 1 0,5 1 5 0 4,5 1
em anos completos é igual ao resultado da subtração,se a data do nascimento é anterior»
idade procurada é inferior de 1 ao resultado da subtração. Para o primeiro fi" 10 '
15.1» 3 "j O 5 01 5 2 5 0
1766—1745 = 2 1 , é novembro,portanto posterior a maio, assim 21 como idade da
30.34 0 3.5 1 4.5 0 •) 0 4,5 0
em anos completos. Para o 4 ? nascimento levantado 1775—1745 = 3 0 , o mês é feverw®
35-J» J L . Jö__ 5 0
3M4
portanto anterior a maio, assim 2 9 anos como idade da mãe em anos completos.
Total ... ei e 12, 5 4' 41 4-
114
47
Louis Henry
Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Uma vez calculadas as idades e as durações, são preenchidas as


colunas da esquerda, permanecendo a distinção entre nascimentos
Folha de cálculo levantados, anotações em preto, e os nascimentos reencontrados,
a n o t a ç õ e s em vermelho. Assim, explicado o m o d o de fazer as
Casamentos de 17+0-1769 Fichas MF, a n o t a ç õ e s sobre a duração dos grupos de idade e das durações elas
próprias» para os nascimentos, é suficiente contar nas colunas da
idade da mãe e duração do casamento, aqueles que se situam em
cada grupo de idade. Desse modo, 21, 23, 24 pertencem ao grupo
20 - 24 anos, anota-se 3 sobre a linha 20 — 24 anos na coluna
destinada ao número de nascimentos.
O quadro I reproduz as colunas de esquerda de 6 fichas de fa-
mília de mulheres casadas aos 15 - 19 anos e de 7 fichas de mulhe-
res casadas aos 20 — 24 anos (a 3? destas últimas é aquela da ficha
dada como exemplo).
O conteúdo dessas colunas é transportado, à razão de uma li-
nha por família, sobre uma folha de cálculo análoga a que é
apresentada na página anterior. Foram deixadas de lado as frações
dos outros grupos de idade , exceto a do casamento e todas as
frações dos grupos de duração do casamento. Os nascimentos
correspondentes foram anotados na coluna fora de observação, de
maneira que totalizando, obtém-se a mesma soma por adição
vertical e por adição horizontal. Notar que a última ficha, na qual
o casamento durou menos de 5 anos, é conservada, embora ela
nada represente sobre a fecundidade.
A freqüência destas rupturas precoces pode ter interesse. Por
outro lado, é preferível colocar em um só quadro todas as fichas de
uma mesma categoria.

Como as durações de vida conjugal observadas são uniforme-


mente de 5 anos em todos os grupos de duração do casamento, é
inútil conservar a coluna A.M. É suficiente que, ao anotar os
nascimentos em cada grupo de duração, se conte o número de
''nhãs preenchidas multiplicando por 5. Assim, 35 é igual a 7 x 5,
a 5 x 5 e 10 a 2 x 5. O mesmo procedimento é empregado para
outros grupos de idade além daqueles de casamento, é preciso
p r e v e r com bastante cuidado 0 referente à mulher que não tem
llhos
em determinado grupo de idade ou de duração do
sI casamento observado completamente, e de nada anotar para os
9rupos de idade ou de duração que não são observados por
c
°njpleto, salvo, se há nascimento, na coluna " f o r a de obser-
Va
Ção '. £ cômodo anotar ao mesmo tempo, com tinta vermelha,
92
48
Louis H e n r y r Técnicas de Análise e m Demografia Histórica

os nascimentos reencontrados, isto evita outra manipulação das Dois documentos posteriores são convenientes: os registros de
fichas. samento e as listas nominativas. Para os registros de casamento a
Preenchida a folha de cálculo, é feita a adição das colunas. pa. c
o n d i ção é que o sobrenome dos pais dos noivos seja neles
ra as durações, esta operação consiste em adicionar tantas vezes 5 tencionado, e para as listas nominativas que os laços de
quanto há de cifras na coluna. Na prática, opera-se como f 0 j arentesco com o chefe da família sejam indicados ou possam ser
indicado no parágrafo precedente.
determinados sem erro. É necessário que a identificação seja
segura. Esta segurança é obtida mais freqüentemente pelas atas dos
Fecundidade corrigida casamentos do que pelas listas nominativas. Nestas últimas
ocorrem maiores variações na indicação dos nomes, os quais são
Para calcular a fecundidade corrigida, deve ser acrescentado diferentes daqueles registrados nas atas de batismo. Assim, pode
aos nascimentos levantados o número de nascimentos perdidos, ocorrer que seja lançado como filho, cujo nascimento não foi
avaliados como é indicado no parágrafo seguinte. O número de levantado, uma criança inscrita na lista com outro nome, e que

anos-mulher pelo qual é dividido o novo total de nascimentos é o esteja a uma idade que permita inseri-la em uma série de
mesmo que para a fecundidade aparente, aquela que corresponde nascimentos levantados.
apenas aos nascimentos levantados. Se, por exemplo, nas famílias constituídas por casamentos do
período 1740 - 1769, são encontrados 3 casamentos de filhos
cujo nascimento não foi levantado, por 30 cujo nascimento foi
Avaliação dos nascimentos perdidos
levantado, e que o número de nascimentos levantados nessas
famílias seja 90, o número de nascimentos perdidos está para 90,
Denomina-se nascimento perdido todo o nascimento que não
como 3 está para 30, isto é, 9, décima parte de 90.
foi levantado nos registros da localidade ou localidades estudadas,
Na prática pode haver dificuldade se a menção dos pais nas
qualquer que seja o motivo, inexistência de registro, perda ou
atas de casamento for nitidamente menos freqüente em certos pe-
destruição do registro, deslocamento temporário da família ou
ríodos do que em outros; como são utilizados apenas os casamen-
mesmo esquecimento da pessoa que arrolou os dados.
tos cujas atas contêm essa menção, a relação entre os casamentos e
Uma parte desses nascimentos é reencontrada por menções
os nascimentos perdidos varia com a freqüência desta menção. Se a
ulteriores; os nascimentos reencontrados fazem parte, contudo,
freqüência dos nascimentos perdidos varia na mesma proporção,
dos nascimentos perdidos, mesmo que sua data seja perfeitamente
operando globalmente, a avaliação dos mesmos seria de má quali-
conhecida, graças, por exemplo, a um registro de casamento.
dade.
Entre os nascimentos perdidos assim definidos, não constam
Segue um exemplo imaginário relativo às famílias constituídas
aqueles provenientes da inexistência de registro de uma criança
Por casamentos de 1740 - 1769. Os nascimentos são classificados
que foi batizada em caráter de urgência e morreu sem receber o n
° decênio no qual ocorreram e supõe-se que os nascimentos
suplemento das cerimônias do sacramento. Será necessária,
portanto, uma correção suplementar para a ausência de registro de
Decênio Nascimen- Casamento de filhos Nascimen- Cl
crianças falecidas em tais condições. de nasci- tos levan- cujo nascimento é tos per- NI
O princípio do procedimento de avaliação é o seguinte: 3 mento tados levantado perdido didos

relação entre os nascimentos perdidos e os nascimentos l e v a n t a d o s NI Cl Cp Np

em um grupo de famílias determinado, é a mesma que a relação 1740- 1749 140 30 6 28 0,214
1 ?
5 0 - 1759 290 90 18 58 0,310
obtida por um documento posterior, independente do registro de
1760 — 17ß9 320 120 12 32 0,375
batismo ou de nascimento, entre as pessoas nascidas nessas 1 7 7 0 - ! 779 190 80 8 19 0,421
famílias cujo nascimento não foi levantado e aquelas cujo 1 7
80- 1789 40 20 2 4 0,500

nascimento foi levantado. 980 340 46 141

49 123
Técnicas de Análise em Demografia Histórica
Louis Henry

perdidos constituem um quinto dos nascimentos levantados antes


de 1760 e u m décimo após.
a
S i n o a N O N t t V O f f l ' - N f f l O O ' - j
À direita figuram os nascimentos perdidos, obtidos aplicando õ

a avaliação a cada década e adicionando-as. É, igualmente, o núme-

Cp
ro exato a partir das hipóteses. A avaliação global é 133, obtida
5
assim:
z
W. ^
N 4 6 4 6 a
e - - Np K = 9 8 0 x O
980 3 4 0 340
õ
b
É bom, em conseqüência, examinar se a relação Cl/NI entre os
z
casamentos de filhos cujo nascimento é levantado e os nascimentos

7
1

2
4
levantados, varia o u permanece mais ou menos constante (sem

1790-1819

Cp

171
24
20

61
66
considerar as flutuações aleatórias). Neste ú l t i m o caso, é suficiente

Cl
a avaliação global; no outro, é preferível a avaliação por decênios

514
56

96
193
169
NI
seguida de adição.

8
4
2
2

-
-
1770-1789

Cp

101
48
34
15
Disposições práticas

-
4
Cl

423
186

3
123
76

35
NI
Na prática, monta-se u m quadro anájogo ao quadro 2, no qual

9
1

1
5
2
figuram como exemplo, os números NI, Cl e Cp observados em

1740-1769

Cp

233
71

37
81
31

2
11
Saint-Aignan (Loire-Atlantique), aldeia de uma amostra utilizada

Cl
pelo INED para estudar a fecundidade. Para calcular os nascimen-

976
322
289

2
192
39
132
NI
tos perdidos nas uniões de 1740 — 1769 a avaliação global obtida
é: a - I - I I
CN

1720-173

158
39
39

5
75
Cl
976x^5=37,7

665
154

2
179
27
303
NI
I

Cp
1 1 1 1 I I
90-1719
Para a avaliação por decênios, podem ser utilizados os Cl e Cp CM o CM r - OI 1
o

Cl
n O) r» CN
da coluna 1 7 4 0 - 1769 (2? avaliação), o u aqueles d a c o l u n a total
10
i r Pt n to O) T-
(3? avaliação): z cn O r-. iß o
T- N CM ci

11
dO

4
3

-
2? avaliação 3? avaliação
1670-1689

153
78
Np
25

40
10
Decênio NI Cp/Cl Np Cp/Cl
IO

-
1 7 4 0 - 1749 132 2/31 8,5 3/70 5,7

646
302

5
134

162
43

1750 - 1 7 5 9 289 1/71 1/76 3»


IN

4,1
1760 - 1 7 6 9 322 5/81 19,9 5/81 19,9
s S/ / / 3

1810-1819
1790-1799

1820-1829
1780-1789

1800-1809
1770-1779
1760-1769
1730-1739
1740-1749
1750-1759
1720-1729
11,1
1700-1709
1690-1699

1710-1719
1680-1689
1670-1679

1 7 7 0 - 1779 192 1/37 5,2 3/52 C


®

Total
1 7 8 0 - 1789 39 0/11 — 2/59 1,3 C

1790 - 1 7 9 9 2 0/2 - 5/56 0,2 1


•5 / /
, A 1
o /
Total 37,7 42,0 I I
41
50
Louis H e n r y Técnicas de Análise e m Demografia Histórica
1

Quadro 3 Neste caso, as três avaliações são de modo geral equivalentes.


Classificação dos nascimentos reencontrados Teoricamente, a melhor é a segunda; porém, para pequenas
l o c a l i d a d e s , a 3? pode ser preferida, porque os valores C p / C l estão
segundo a idade da mãe e a idade da mãe ao casar
m e n o s sujeitos às flutuações aleatórias.
Ficha MF1, M F 2 a e M F 2 b
Distribuição dos nascimentos perdidos
Idade da Idade da mãe Idade da m i e
mulhar ao fora fora
catar 15- 20- 25- 30- 35- 40- 45- de Total 15- 20- 25- 30- 35- 40- 45-
Depois de avaliado o número de nascimentos perdidos, é
de Total
obs. obs necessário distribuí-los entre os diversos grupos de idade ao
c a s a m e n t o e de idades da mãe ou de duração do casamento.
Adota-se a hipótese de que os nascimentos perdidos se distri-
buem da mesma forma que os nascimentos reencontrados, que são
uma fração dos nascimentos perdidos.
Casamentos de 1670 1689 Casimentos de 6 9 0 - 1719 De início, é necessário estabelecer um quadro de distribuição
menos de 20 _ 1 2 2 _ 1 _ 1 7 1 1 dos nascimentos reencontrados segundo o grupo de idade ao casar
20-24 - 1 _ 1 _ _ 3 _ _ _
25-29
30-34
^ < —
_
2 _
_ _
2
_ _
4
_
> 2
_
1
_
3 e o grupo de idade da mãe, ou o grupo de durações do casamento.
Para isto, é suficiente levantar as cifras inscritas em vermelho
35 e mais 2 1 3 ^
Total 17
sobre as linhas de totais da folha de cálculo. O quadro correspon-
5
dente apresenta-se como abaixo.
Idade da mãe
Idade da
Fora
Mulher ao 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49
de Total,
casar anos anos anos anos anos anos anos
obs.
Casamentos de 1720 - 1739 Casamentos de 1740 - 1769
1 5 - 1 9 anos 1 1 1 3
menos de 20 — 1 1 _ _ _ 1 3 3 ! 4 20 - 24 anos 3 1 1 5
2 0 - 24 - 3 - _ _ _ 3 6 1 3 n ? 6 25 - 29 anos
25-29 1 1 - - _ _ 2 1 4 1 _ _ 6
30-34
35 e mais
> 30 - 34 anos " X T
1
y 1 1 35 e mais X
Total 11 17 Total 8

Prosseguindo com Saint-Aignan como exemplo (Quadro 3),


as mulheres casadas aos 20 — 24 anos, possuem os seguintes valo-
res em número de anos-mulher e de nascimentos:
Casamentos de 1770 - 1789 Casam entos de 1790 - 1819
Idade da Taxa
_ NI Np N
menos de 20 1 1 1 _ 1 4 1 1 2 jjãejanos) corrigida
20-24 3 1 1 _ _ _ _ 5 y 1 _ 1 _ _ 2
25-29
30-34
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X
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7
1
1
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6
2
72 2,2 74,2 0,398
124 6,7 130,7 0,379
35 e mais / _ 1 _ 1
13
108 108,0 0,332
Total 15
63 4,4 67,4 0,275
25 25,0 0,139
1
1.0 0,007
6_ 6,0
399 13,3 412,3

98 99
Louis H e n r y r Técnicas de Análise e m Demografia Histórica

Tome-se a 2? avaliação dos nascimentos perdidos, 37,7;

6 x 37,7 A parte riscada representa os anos vividos pelos casais casados


17 1740 - 1 7 6 9 , no período em que houve sub-registro de
falecimentos de crianças batizadas provisoriamente.
isto é, 13,3 vão para as mulheres casadas aos 20 — 24 anos e Esta parte riscada representa a seguinte proporção de tempo
distribuem-se entre as idades da mãe, como 1, 3, 0, 2, 0, 0, 0,
passado em cada grupo de durações:
(neste caso não há nascimentos fora de observação entre os
nascimentos reencontrados, mas se os houvesse dever-se-ia levá-los Grupo de durações Proporção
em conta na distribuição dos nascimentos perdidos). (7/12)
0 - 4 58%
5 - 9 42% (5/12)
Sub-registro de óbitos de crianças batizadas provisoriamente
1 0 - 14 25% (3/12)
1 5 - 19 8% (1/12)
Para a França, a operação adotada é como no seguinte
exemplo: a proporção das sepulturas de crianças que haviam sido 20-24 0% —

batizadas em caráter de urgência e que morreram sem receber o


suplemento das cerimônias do sacramento, devia ser da ordem de O grupo de idade do casamento pertence inteiramente ao
3% dos nascimentos. Suponha-se que ela tem um valor desta grupo de durações 0 - 4; o seguinte está à cavaleiro sobre 0 - 4 e
ordem a partir de 1760 e que antes era somente de 1% devido a
5 - 9 e assim por diante, donde as proporções seguintes para os
sub-registro. Neste caso, é necessário aumentar de 2% os
sucessivos grupos de idade entre as mulheres casadas aos 20 - 24
nascimentos anteriores a 1760 e deixar imutáveis aqueles
anos e as correções a aplicar:
posteriores a esta data. Admitindo que os casamentos são
uniformemente distribuídos no tempo, pode ser construído um Grupo de idade Proporções Correções
gráfico de Lexis como segue.
20 — 24 anos 58% 1,16%
25-29 anos 50% 1,00%
30 - 34 anos 34% 0,68%
3 5 - 39 anos 16% 0,32%
Duraçao do casamento
40 - 44 anos 4% 0,08%
A /
// // A
12 triângulos, dos quais 1 riscado 45 - 49 anos 0%

/ / / // 12 triângulos, dos quais 3 riscados

Donde as novas taxas corrigidas:



á
/ / 12 triângulos, dos quais 5 riscados

M
1740 1750
/ 1760
//
1770 1780 1790
12 triângulos, dos quais 7 riscados Grupo de
idade
Taxas
precedentes
A
adicionar
Novas taxas
corrigidas
Época do casamento 20 - 24 anos 0,398 0,005 0,403
25 — 29 anos 0,379 0,004 0,383
30 — 34 anos 0,332 0,002 0,334
35 - 39 anos 0,275 0,001 0,276
40 - 44 anos 0,139 0,139
111
101 1 111
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

A coluna " A adicionar" é obtida multiplicando-se a taxa pe|a jdade da mulher no qual ocorreu este nascimento. Em conseqüên-
correção em %, do quadro precedente. cia, são observados apenas grupos de 5 anos de vida conjugal.
A ficha anexa fornece um exemplo de família EF. Os
Utilização das fichas EF resultados dos cálculos à esquerda são transportados para as
m e s m a s folhas de cálculo utilizadas para as famílias M F , sendo
Até aqui, não foram utilizadas as fichas EF no estudo da feita à mão a indicação EF em vez de MF, e "mulheres mães aos"
fecundidade legítima. Entretanto, há interesse em usá-las para no lugar de "mulheres casadas aos".
saber quais as diferenças entre as famílias as mais sedentárias, A idade da mulher ao entrar em observação deve ser levada
aquelas das fichas MF, e as famílias que o são menos, aquelas das em consideração, pois, de outro modo, as comparações com as
fichas EF. As famílias cuja mobilidade é maior, continuarão, fichas MF não seriam válidas.
todavia, a escapar dessas comparações porque podem não ter Os cálculos são efetuados como para as fichas MF e obtém-se,
nenhum nascimento na paróquia na qual terminam sua vida.
por exemplo, a fecundidade 1 aos 30 - 34 anos das mulheres que
A utilização das fichas EF obedece aos mesmos princípios tiveram um filho na localidade considerada aos 25 — 29 anos.
empregados com as fichas MF, sendo que para as primeiras a data
de entrada em observação não é mais a data do casamento e sim a
primeira data através da qual a família manifesta sua presença na
localidade, numa lista nominativa, a morte de um filho, o Comparação com as famílias MF
nascimento de um filho, etc.
Na prática, dois casos somente devem ser levados em A fecundidade acima é aquela das mulheres que foram
consideração, aquele de uma lista nominativa, 1 e aquele do fecundas até 25 - 29 anos pelo menos, enquanto que a
nascimento de um filho. 2 fecundidade aos 30 — 34 anos das mulheres das famílias MF é
aquela de todas as mulheres deste grupo de idade, nele compreendi-
a — Lista nominativa. Em geral, a data das listas não é
das aquelas que cessaram de ser fecundas antes de 25 — 29 anos ou
conhecida, razão pela qual toma-se como data de entrada em
que jamais o foram.
observação, 1P de janeiro do ano seguinte ao qual a lista foi
Por conseguinte, não se deve considerar satisfatória a
estabelecida. Assim, com uma lista de 1794, toma-se 1? de janeiro
comparação de taxas de fecundidade das famílias EF com aquelas
de 1795 como data de entrada na localidade para as famílias EF
já calculadas para as famílias MF. É preciso calcular a fecundidade
que constam da lista. Os cálculos são feitos do mesmo modo que
das famílias MF nas mesmas condições das famílias EF, isto é, c o -
para o casal que entra em observação pelo casamento.
mo se a data do casamento fosse desconhecida.
b — Nascimento de um filho, A data de nascimento do Assim, a fecundidade das famílias MF será calculada
primeiro filho nascido na localidade serve de data de entrada em tomando-se como data de entrada em observação, sucessivamente,
observação quando não há lista nominativa, caso bastante mais os nascimentos aos 15 - 19, 20 - 24, 25 - 29, 30 - 34, 35 anos e
freqüente em certos países ou em certas épocas. Este n a s c i m e n t o é mais. Os resultados deste cálculo serão comparados, obedecendo a
excluído do cálculo da fecundidade. igualdade de idades da entrada em observações com os re-
A exclusão do nascimento que serve de origem é a s s e g u r a d a e sultados obtidos através das fichas EF.
os cálculos são simplificados, deixando-se de lado o grupo de
Poderá ser considerada apenas a fecundidade aparente, que será comparada à
fecundidade aparente das fichas M F . Isto na suposição de que os nascimentos perdidos
têm
a mesma proporção nas duas categorias. Não sendo satisfatória esta hipótese, é
possível pensar nos róis de impostos, porém eles não indicam se a mulher é ainda
"ecessário calcular os nascimentos perdidos também para as fichas E F ; nesse caso,
viva.
atentar para que os nascimentos perdidos considerados tenham ocorrido após a entrada
2 erri
É tão pouco freqüente o caso em que a primeira manifestação da presença de uma observação; os nascimentos ocorridos anteriormente não serão contados, nem como
n
família é o óbito de uma criança em tenra idade, que se pode desprezá-lo. ascimentos perdidos, nem como nascimentos reencontrados.

111
103 1 111
Louis Henry TrTécnicas de Análise em Demografia Histórica

Taxas por períodos

A demografia histórica desenvolveu-se em uma época na qual


s o uso quase exclusivo da análise transversal era objeto de críticas
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fundamentadas. De o u t r o lado, a análise longitudinal é mais fácil
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que a análise transversal quando se parte da reconstituição de
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interessante saber em que momento esta mudança se produziu.
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V < Para responder a esta questão, é preciso voltar à análise transversal,
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o isto é, calcular as taxas de fecundidade por períodos de observação
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e não mais por períodos de casamento.
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Esses períodos de observação serão normalmente bastante
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evidência de que a evolução f o i mais rápida em certos períodos. De
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período deve começar ao início da Revolução e se faz o início em


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o 1790. Enfim, é inútil subdividir os períodos nos quais é sabido que
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não há ocorrências relevantes. Na França, por exemplo, a
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fecundidade quase não se altera no meio rural antes dos
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casamentos de 1770 — 1789; nesse caso serão considerados os
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lo períodos, antes de 1770, 1770 - 1789, 1790 - 1809 etc,
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para as épocas de casamento. A experiência revela que este modo


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de cálculo é complicado, pois obriga a introduzir os décimos do
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ano de presença ou, no m í n i m o , dos quartos de ano quando o
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limite de período corta o grupo de idades em que houve o
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casamento. É preferível, pois, calcular taxas de fecundidade por
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1 duração de casamento, deixando de lado as frações de grupos
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qüinqüenais de durações.
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. A operação é feita como no exemplo seguinte: a ficha da
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Página seguinte é de um casamento de 1766 que dura 27 anos e
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que se situa assim sobre os três períodos: antes de 1770,
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I 2 1 de 20 anos.
Na parte esquerda da ficha são feitos a lápis traços que
Se
Param os períodos e anota-se na coluna à esquerda do sexo dos
filhos, quase vazia, a duração de casamento em 31 de dezembro do
ultimo ano de cada período, no caso 3 anos e 23 anos. Esta mulher
Passa, portanto, 3,5 anos no grupo de durações 0 — 4 anos no
Período anterior a 1770; no período 1770 - 1789 ela passa 1,5

111
105 1 111
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

anos no grupo de durações 0 — 4; 5 anos nos grupos de durações


de casamento 5 — 9, 10 — 14 e 15 — 19 anos; 3,5 anos no grupo
de durações 20 — 24 anos; no período 1790 — 1809 ela passa 1,5
anos no grupo de durações de casamento 20 — 24 anos. O tempo
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O passado no grupo de durações de casamento 25 — 29 anos não é

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se
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Em seguida, procede-se ao transporte das cifras para folhas
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o iguais àquelas que servem para o cálculo das taxas longitudinais,
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agora com a complicação de transportar as informações de uma
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ficha para duas ou três folhas ao mesmo tempo, c o m o no exemplo
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escolhido.
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As demais operações de cálculo são feitas como no
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tratamento longitudinal. Se, a proporção de nascimentos perdidos
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1 . varia sensivelmente de um período a outro, é necessário calcular as
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o taxas de fecundidade corrigidas; de o u t r o modo, a evolução é
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2 2 • en apreciada apenas com as taxas aparentes.
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O cálculo de nascimentos perdidos já foi feito por período;
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por períodos de observação, idades ao casamento da mulher e
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Como estas taxas por período prestam-se sobretudo para
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observar a difusão da limitação de nascimentos, é desnecessário
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calculá-las para todas as idades ao casamento. Basta fazê-lo para as
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mulheres casadas aos 20 — 24 anos ou para o c o n j u n t o das
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r* O mulheres casadas antes dos 25 anos.
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Uma vez que se sabe como calcular as taxas de fecundidade, é
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O observador deve começar pelo caso para o qual existem
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listas anuais cobrindo pelo menos cinco anos, ou seja, um m í n i m o
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de seis listas consecutivas. Por exemplo, aquelas do final dos anos
1 S ! 1I 1 1 1 î
3 S 1 I I ilij 1789 a 1794 inclusive; comparando as listas sucessivas, é possível
conhecer quais filhos nasceram no ano findo e a idade da mãe ao
seu nascimento. Por exemplo, uma mulher casada que tinha 19
a
nos em 1789 e teve dois filhos aos 21 e aos 23 anos no período
de 1790 — 1794. Estas observações são anotadas em quadro
análogo ao seguinte:
111
105 1 111
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Nascimen- Idade da mãe [ j ^ Filhos não inscritos nas listas


tos em 5 15 - 19 20-24 25 - 29 30 - 34 35 - 39 40-44 4 5 - 49 Quando a proporção de filhos não inscritos é moderada, os
anos AM N AM N AM N AM N AM N AM N AM N
2 0,5 0
erros decorrentes podem ser negligenciados. De fato, os filhos não
4,5 2
1 0,5 0 3,5 1 i n s c r i t o s em uma lista, são, em grande parte, reencontrados nas
2 1,5 1 3,5 1 listas seguintes.
2 4,5 2 0,5 0
1 3,5 1 0,5 0
Se, porém, não há lista nominativa para além do período estu-
1 2,5 1 0,5 0 d a d o , por exemplo, não além de 1794,é preciso tentar avaliar o erro
2 3,5 2
1
1,5 0 devido a esquecimentos, na lista do final de 1794, de filhos vivos
2,5 1 2,5 0
0 1,5 0 3,5 0
nascidos neste ano.

A mulher tomada como exemplo aparece na primeira linha. A


duração da observação não é sempre de 5 anos, porque certas
mulheres só aparecem no decorrer do período, em seguida ao seu Listas nominativas qüinqüenais
casamento. Outras desaparecem no correr do período, por
migração, falecimento ou viuvez, o que envolve os mesmos Para listas nominativas espaçadas de cinco anos é estabelecido
problemas que para as fichas de família. A solução adotada é a o mesmo quadro do caso precedente, mas, neste caso, são perdidos
mesma, deixar de lado, ao final da vida conjugal ou de período de todos os filhos nascidos e falecidos entre as duas listas. Quando há
presença, as durações inferiores a 5 anos. Assim, uma mulher que uma medida da mortalidade, mesmo aproximativa, é possível
ficou viúva em 1792, não aparece no quadro acima. avaliar o total de nascimentos da seguinte maneira: o número de
sobreviventes a u m ano, por 1 000 ao nascimento, sendo designado
por S j , o número de sobreviventes aos 5 anos por S 5 , o número de
Correções
filhos recenseados é igual à
a — Filhos nascidos e falecidos entre duas listas
N
Os filhos nascidos e falecidos no ano que separa duas listas [ 500 + 2,5Sj + 2S s ]
5000
nominativas não constam de nenhuma das duas. Perde-se assim
uma fração dos nascimentos igual a uma fração da mortalidade 111
infantil, compreendida entre 2/3 e 3/4. Para as populações antigas, Dever-se-á multiplicar o número de filhos recenseados de me-
3 / 4 é mais conveniente. Sendo a mortalidade infantil nesse caso nos de 5 anos por
freqüentemente compreendida entre 200 por 1 000 e 300 por
1 000, as listas nominativas deixam passar de 15% a 22,5% dos 5000
nascimentos. 500 + 2,5S! + 2S s
Na falta de qualquer informação numérica sobre a mortalidade
dos filhos, a escolha deve ser feita conforme a época e o clima. De Para ter uma idéia do que isto representa, pode ser utilizada a
qualquer modo, se os dados são tabulados com base em 18% de tábua de vida da O N U de nível 20 (vida média igual a 30 anos),
subestimação se pode estar seguro de não incorrer em erro s u p e r i o r assim ter-se-á S, = 755 e S5 = 630. O denominador é 3648 e o
c
a 5% sobre as taxas de fecundidade corrigida. Entretanto, um °eficiente 1,37. Logo, o número de nascimentos perdidos é da
0|
esforço deverá ser feito no sentido de avaliar a mortalidade i n f a n t i l "dem de 40% dos nascimentos conhecidos, com a mortalidade
c,Ue
a partir das observações fornecidas pelas próprias listas (ver s o b r e se pode esperar seja encontrada no século XVi11 e início do
este assunto o capítulo sobre mortalidade). século X I X .

105 1 111
Louis Henry rTécnicasde Análise em Demografia Histórica

Há outro risco de erro por esquecimento de filhos de menos de


5 anos. A comparação de duas listas nominativas permite, em larga
medida, corrigir este erro. Se, com efeito, nas famílias q U e
constam das duas listas, n% dos filhos de 5 — 9 anos da segunda
lista não consta na primeira entre os filhos de 0 — 4 anos, a
fecundidade calculada a partir dos filhos de 0 — 4 anos deve ser
dividida por
Estudo da Nupcialidade após a
Reconstituição de Famílias
n
100

para eliminar o erro devido aos esquecimentos de filhos de menos Já f o i explicado que o estudo da nupcialidade tem por
de 5 anos. objetivo essencial determinar a freqüência do celibato definitivo,
bem como a repartição por idades dos primeiros casamentos nas
gerações ou grupos de gerações.
Caso de uma única lista nominativa
Presentemente, a reconstituição das famílias em nada auxilia
o estudo do celibato definitivo. Este é equiparado à proporção dos
Este caso foi abordado em capítulo anterior,sendo necessário
solteiros aos 50 anos, nas populações fechadas, e é calculado seja a
avaliar os nascimentos dos cinco últimos anos para calcular a taxa
partir de uma classificação da população segundo o sexo, idade e
de natalidade. Esta avaliação é efetuada sem conhecimento da
estado civil, seja a partir de uma classificação semelhante de óbitos
mortalidade pois uma lista nominativa isolada não fornece
sucessivos de gerações.
informações sobre a mortalidade. Escolhe-se uma mortalidade
Para o estudo da repartição por idades dos primeiros
parecida de acordo com a época e o clima e calculados os
casamentos, a reconstituição das famílias, sempre ú t i l , pode ser
coeficientes pelos quais se multiplica o número de filhos
indispensável. Com efeito, nas atas de casamento dos registros
sobreviventes para obter os nascimentos.
paroquiais, raramente é dada a idade dos recém-casados, provavel-
Para avaliar a fecundidade são utilizados os mesmos.O riscode
mente porque o ritual romano de 1614 não o pedisse. Quando é
escolher uma mortalidade m u i t o distante da realidade é pequeno.
indicada, esta idade é apenas aproximativa.
O pior a temer é uma deficiente enumeração de filhos de baixa
A reconstituição das famílias permite conhecer a idade de
idade. Com uma única lista não há meios de efetuar a correção.
uma importante proporção de recém-casados, seja porque as datas
de seus nascimentos são conhecidas pela ficha de família de seus
Pais, seja porque esta idade é avaliada a partir do registro de seu
falecimento, quando morrem na paróquia estudada. Quanto às
idades que constam do registro de casamento, a reconstituição das
famílias melhora a precisão de uma grande parte dentre elas.
Nos primeiros trabalhos de demografia histórica, parecia
natural utilizar apenas as idades mais precisas no estudo das idades
30
casamento, que se encontravam nas fichas MF 1 e MO 1 (M I e
M 'V nas notações anteriores).
Esta eliminação das idades aproximativas introduz um erro
Sls
temático por ausência, mesmo que a nupcialidade seja indepen-
dente do lugar de nascimento, na paróquia estudada e fora dela: as
105
1 111
Louis Henry
r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

pessoas de idade aproximativa são, com efeito, pessoas nascidas em


aceitável de que o erro é o mesmo para as mulheres nascidas fora
outro lugar 1 , que chegaram à paróquia em idades diversas, algumas
da paróquia, a verdadeira idade média das moças de idade
na infância, outras à idade adulta. A esse movimento de entrada
aproximativa é 22,3, superior ainda àquela das moças de idade
corresponde um movimento de saída de pessoas nascidas ná
exata.
paróquia; desses dois movimentos de sentidos opostos, 2 resulta
que a proporção das pessoas nascidas na paróquia diminui na Quais fichas utilizar? A idade média ao casamento nas
medida em que a idade aumenta e que a proporção das pessoas gerações, ou a idade média dos recém-casados de uma certa época,
nascidas fora aumenta com a idade. pode ser calculada a partir das fichas MF ou do conjunto das fichas
MF e MO. As fichas MF têm a vantagem de conter apenas uma
Com oportunidades iguais de se casarem, uns e outros, a
proporção, geralmente desprezível, de idades desconhecidas para
idade média dos recém-casados nascidos na paróquia do casamento
é inferior à idade média dos recém-casados desta paróquia e as mulheres; já não se dá o mesmo com as fichas MO. Quando o
nascidos fora dela. vigário não menciona a idade dos noivos, a idade do homem é
desconhecida numa grande parte das fichas M O e a das mulheres na
A este erro sistemático acrescentam-se as diferenças eventuais
quase totalidade do conjunto das fichas M 0 2 e M 0 3 , porque as
de idade ao casamento entre a população sedentária e a população
móvel. Muitas vezes essas duas populações representam meios fichas M 0 3 são mais numerosas.
sociais diferentes, cujos comportamentos podem ser diferentes. Para Gargas, por exemplo, nos casamentos de 1740 — 1769,
Como exemplo, eis a repartição das moças casadas em tem-se 118 fichas MO das quais 110 correspondem a casamentos
1740 — 1769 em Gargas (Vaucluse), a partir das fichas M F : de solteiras, 83 são M O j , 2 são M 0 2 e 25 são M 0 3 . Das 8 fichas
restantes, 6 correspondem a casamentos de viúvas e 2 a casamentos
de mulheres de estado matrimonial indeterminado; sendo pequeno
Idade Fichas M F 1 Fichas M F 2
o número destas em comparação ao número de casamentos de
(idade exata) (idade aproximada)
solteiras, pode operar-se como se os primeiros casamentos
1 5 — 1 9 anos 18 3 conhecidos como tal, fossem representativos do conjunto dos
20 - 24 anos 27 9 primeiros casamentos de 1740 — 1769.
25 — 29 anos 5 2 A repartição por idades dos primeiros casamentos é a seguinte
30 — 34 anos 3 2 para as fichas M O ! :
35 anos e mais 0 0 10 — 14 anos 1
Total 53 16 1 5 — 1 9 anos 22
2 0 — 2 4 anos 45
Idade média 21,8 23,4 12
2 5 - 2 9 anos
3 0 — 3 4 anos 3
Para as mulheres cuja data de nascimento é conhecida, a 35 anos e mais 80

comparação entre a idade exata ao falecimento e a idade 83


TOTAL
22,1
mencionada no registro de sepultura indica que esta última Idade média
ultrapassa a idade exata de 1,1 ano, em média. 3 Na hipótese
A proporção das fichas M 0 2 e M 0 3 é igual a 27/110, ou seja,
1
Foram deixadas de lado as gerações nascidas antes da data de início do 0,245, enquanto que nas fichas MF a proporção das MF 2 e M F 3 é
levantamento dos nascimentos,
igual a 18/71, ou seja 0,253. Estas proporções diferem pouco.
2
Foram deixadas de lado as migrações de retorno que são inexistentes ° u Como, de outro lado, 22,1 e 21,8 são médias vizinhas, neste caso
deprez fveis.
poder-se-ia restringir os cálculos das médias a partir das fichas M F j
3
Para se chegar a este resultado, estabelece-se um quadro da diferença entre a idade e M F 2 : o que daria como idade média das solteiras recém-casadas,
exata ao falecimento e a idade mencionada no registro. A seguir, calcula-se a média dessa
diferença, admitindo-se que as 16 fichas M F 2 são representativas das 18
fichas M F 2 e M F 3 :
105 1 111
Louis H e n r y
Técnicas d e Análise e m Demografia Histórica

5 3 x 2 1 , 8 + 1 8 x 22.3 _ , ft freqüência do recasamento segundo a idade quando d a viuvez


71
0 cálculo completo, mais correto, é o seguinte: Fixa-se o período, ou os períodos de viuvez para os quais se
quer estudar a freqüência. No exemplo que segue, 1750 — 1799,
a - Idade média do conjunto das moças r e c é m ,
nascidas em Gargas: "Asadas para cada sexo, estabelece-se um quadro como o seguinte: conta-se
c o m o recasamentos no próprio lugar apenas aqueles das fichas em
5 3 x 2 1 , 8 + 8 3 x 22.1 _ que a data de viuvez está transcrita (Ver pp. 84 a 86).
136 ~ '
b - Idade média do conjunto das outras mocas casaria Idade à Número
Dos quais recasados no lugar
Recasamentos
em om 1800
em mnn
Gargas: às 16 fichas MF 2 juntam-se 2 fichas M O ? 1 a ^ ^ viuvez de viúvos
1750-1799 e depois
presumidos
Total
anos, 1 a 30 - 34 anos: a idade média do conjunto das » Menos de 30 anos 3
recem-casadas é igual a 22,5 após correça~o por subtração d e 1 3 0 - 39 anos 5
40 - 49 anos 14
9de m é d i a é atribur
MC" Síf d a ao conjunto das fichas MF 50 - 59 anos 12

MF3, M 0 2 , M 0 3 , e m n ú m e r o d e 4 5 . 6 0 - 6 9 anos 12
10
70 anos e mais
c — Idade média do conjunto: Indeterminada 17

Total 73
136 X 22,0 + 45 X 22,5 .
181
Os recasamentos presumidos foram realizados fora da
Observações
paróquia; se eles são bastante numerosos, o que não é o caso deste
59 exemplo, podem servir para repartir os recasamentos perdidos,
1. Para os homens sempre será preciso fazer o cálculo após a avaliação dos mesmos.
completo, pois as fichas MF e MO contêm, umas e outras, homens
de idade indeterminada.
Avaliação dos recasamentos perdidos
2. Quando a proporção de estado civil indeterminado é Uma parte das pessoas que se tornam viúvas em uma
importante, contenta-se em calcular a idade média dos recém- determinada paróquia se casa novamente fora dela, seja porque
casados de menos de 50 anos (ou a idade média ao casamento, se estabelecem residência em outra paróquia, seja porque preferem
te.to por gerações), todos os casos de estado civil confundidos. 0 evitar brincadeiras de mau gosto com as quais são importunados
resultado e mais aproximativo que acima, pois o conjunto das viúvos e viúvas que recasam. Alguns recasamentos perdidos são
tichas M 0 3 tem uma repartição por estado civil diferente daquela conhecidos, sem que suas datas sejam conhecidas, porque o esposo
das fichas M F 2 , viúvos e viúvas indo casar fora de suas paróquias recasado é facilmente identificado ou porque um registro posterior
mais frequentemente que solteiros e solteiras. (registro de óbito em particular) indica se ele casou mais de uma
vez.
Recasamentos Os recasamentos reencontrados fazem parte dos recasamentos
perdidos, e como para os nascimentos, a avaliação dos recasamen-
A reconstituição das famílias permite estudar, em princípio: tos perdidos é feita sobre o conjunto, reencontrados e não
- a freqüência dos recasamentos segundo a idade e viuvez; reencontrados. A exploração dos recasamentos conhecidos deve
ser efetuada apenas sobre os recasamentos na paróquia. Do mesmo
- o intervalo entre viuvez e recasamento.
modo que para os nascimentos reencontrados,pois os nascimentos
Dificuldades sérias apresentam-se na prática porque uma reencontrados ficam constantemente separados dos nascimentos
importante proporção de recasamentos são realizados numa •evantados.
paroquia diferente daquela em que ocorreu a viuvez.
Assim, ao estudar a freqüência de recasamentos dos homens

131
Louis Henry TrTécnicasde Análise em Demografia Histórica

que se tornaram viúvos em determinada paróquia (designada p e | a Pe_^a p [e J±_


letra a) em 1700 — 1749, estes recasamentos podem ter sido p P R
e~ a e~Ra
celebrados em a. ou fora, no período 1700 — 1749 ou a partir de
1750. Designa-se os recasamentos de 1700 — 1749 pela letra P (0 s
ou ainda,
recasamentos posteriores a 1700 — 1749 pela letra p, os totais p e | a
letra S, estas letras sendo seguidas do índice a ou do índice e
segundo tenham sido celebrados na paróquia ou fora dela, confor- Ü£=ü® e - =
p
me o quadro seguinte: a pa R
a r
a
Recasamentos 1700 - 1749 1750 e após Total
Por outro lado, os intercâmbios entre uma aldeia e suas
na paróquia Pg pa Sg vizinhas são, salvo exceção, equilibrados, de sorte que R e deve ser
igual a P e . Como P g e R g são iguais por definição, as relações
fora da paróquia Pe pe Se
P a , p a , S a são conhecidos e é preciso avaliar S e que é
desconhecido. — e —
p R
Para estudar a freqüência de recasamentos, é necessário que a a a
distinção entre o primeiro casamento e o recasamento seja
indicada. Esta condição deve ser preenchida para os recasamentos são iguais, de sorte que é possível escrever:
celebrados em a. durante 1700 — 1749 e se pode classificar esses
recasamentos conforme a viuvez haja ocorrido em 1700 — 1749 Pe_Pe = =

(letra R) ou antes de 1700 (letra r), sendo o total representado p P R r S T


a a a a a a
pela letra T. Empregando-se os mesmos índices a e e que acima,
obter-se-á o quadro seguinte:
Do que resulta:
viuvez 1 7 0 0 - 1749 antes de 1700 Total
+ S T + T T
Se a e a
na paróquia Rg
T
^a a ^a
fora da paróauia Re
Tem-se, pois, o total dos recasamentos S e + S g consecutivos à
Total T
viuvez no período 1700 - 1749, na paróquia estudada,
Neste quadro sempre se conhece R a , que é igual a P a , e o multiplicando-se S g pela relação
total T. Se estudados também os recasamentos consecutivos à
viuvez, antes de 1700, r g será conhecido; caso contrário poderá ser
avaliado, como se verá mais adiante. Conhece-se, portanto, T g , e T 0

como T é conhecido, obtém-se T e pela diferença.


Nos dois quadros, a relação entre o número de recasamentos T / T a é assim o coeficiente pelo qual é preciso multiplicar o
designados por uma letra minúscula e o número de recasamentos número de recasamentos na paróquia para se ter o total.
designados por uma letra maiúscula deve ser a mesma em cada Se, por exemp lo, T a = 102 T = 120, este coeficiente é igual a
linha, pois o fato da viuvez e recasamento ocorridos ou não na
mesma localidade tem pouca influência sobre a fração dos 1 2
° - 1 1R
recasamentos ocorridos após o período de viuvez considerada. TÕ2_
As fórmulas são, portanto:
60 1 111
Louis Henry TrTécnicas de Análise em Demografia Histórica

Avaliação de r g . Os recasamentos r g , em relação à viuvez anterior a portanto, é igual a 32/9 = 3,55, o que é m u i t o grande.
1700, desempenham o mesmo papel que os recasamentos p g em De início, suponha-se que as idades indeterminadas à viuvez
relação à viuvez anterior a 1750. se repartem como as outras; se lhes atribui, por conseguinte,
Se a população variou pouco de 1700 a 1750, ou melhor
ainda, se o número de óbitos de adultos é mais ou menos o mesmo 32 x 17
nos 5 ou 10 anos que precedem 1700 e 1750, r g é tomado igual a 73
Pa-
Se a população, ou melhor ainda, o número de óbitos de recasamentos, ou seja, 7,5; resta portanto 24,5 para as idades
adultos mudou nitidamente do fim do século X V I I à metade do conhecidas, das quais 9 são já atribuídas. Sendo presumidos dois
século X V I I I , r a será igual a p a / k , sendo k a relação entre a recasamentos de homens que ficaram viúvos antes dos 30 anos,
população de 1750 (ou o número de falecimentos de adultos, por atribui-se mais 2 recasamentos a este grupo de idade à viuvez;
exemplo, de 1745 - 1749) e a população de 1700 (ou o número como, desta maneira, encontra-se tanto recasamento quanto
de falecimentos de adultos de 1695 - 1699); não há necessidade viuvez, resta distribuir 13,5 recasamentos entre os outros grupos
de k ser conhecido com grande precisão. No entanto, será preciso de idade. Na ausência de qualquer indicação, pode presumir-se
evitar tomar como limites (aqui 1700 e 1750) do período de que a proporção dos recasamentos decresce linearmente de 100%,
viuvez, os anos que seguem m u i t o de perto uma grande crise de antes de 30 anos, a 0% à 70 - 79 anos; isto daria os seguintes
mortalidade, sendo as crises seguidas de intensificação imediata de números de recasamentos:
casamentos.
O coeficiente T / T g não convém necessariamente a todas as Idade à Recasamentos Recasamentos Resto
viuvez hipotéticos conhecidos Resto corrigido
idades de viuvez; ocorre, em particular, que multiplicando a
freqüência dos recasamentos entre os viúvos jovens (menos de 30
30 — 39 anos 4 3 1 1,2
anos) por este coeficiente, ultrapassa-se a 1, o que é impossível.
40 — 49 anos 8,4 4 4,4 5,1
Para contornar esta dificuldade, é possível calcular o
50 — 59 anos 4,3 — 4,8 5,6
coeficiente de correção para cada grupo de idade ao recasamento;
em seguida, seria avaliado para cada grupo de idade à viuvez; mas 60 — 69 anos 2,4 1 1,4 1,6
a pequenez dos números em jogo em cada grupo de idade criaria Total 19,6 8 11,6 13,5
uma nova dificuldade.
O resto 11,6 é menor que 13,5, número de recasamentos a
Provavelmente, o melhor é atribuir aos r e c a s a m e n t o s de cada
distribuir. O mais simples é repartir os 13,5 como os 11,6 o que
sexo a acrescentar, a repartição por idades dos recasamentos de
conduz à última coluna.
pessoas estranhas à paróquia observada em 1700 — 1749.
Chega-se ao quadro seguinte:
Estes procedimentos pressupõem que a idade dos noivos seja
conhecida mesmo quando eles residem fora da paróquia, condição Idade à Números de Dos quais Freqüência do
que é preenchida somente quando a ata de casamento indica a viuvez viúvos recasados recasamento
idade dos noivos. Sendo este caso pouco freqüente na França, menos de 30 anos 3 3 100%
antes de 1793, e provavelmente em muitos países, muitas v e z e s se 30 — 39 anos 5 4,2 84%
é obrigado a fazer uma repartição empírica dos recasamentos a 40 - 49 anos 14 9,1 65%
acrescentar. No caso mais favorável, é possível reparti-los como o 50 — 59 anos 12 5,6 47%
são os recasamentos presumidos. 60 - 69 anos 12 2,6 22%
No exemplo da página 115, foram arrolados 32 r e c a s a m e n t o s 70 anos e mais 10 0 0%

em 1750 — 1799, e r g é nulo assim como p a . O coeficiente T/Ta< Total 56 24,5

61 1 111
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Bem entendido, há uma certa arbitrariedade na maneira de n o exterior; reparte-se, por conseguinte, 15,4 recasamentos como
repartir os recasamentos perdidos. Os resultados são apenas estão repartidos os 12, donde os recasamentos por idade à viuvez e
plausíveis; certamente seria possível modificá-los, e isto seria para as proporções de viúvos recasados:
acrescentar o número de recasamentos após a viuvez antes de 50
Idade Número Dos quais recasados Freqüên-
anos e mais. As conclusões não seriam modificadas sensivelmente:
ò de no no Total cia dos reca-
quase sempre, os homens recasam quando se tornam viúvos antes viuvez viúvos lugar exterior samentos
de 40 anos e m u i t o freqüentemente ainda quando a viuvez ocorre Menos de 30 anos 11 8 2,6 10,6 96,4%
aos 40 — 49 anos. 30 — 3 9 anos 29 18 2,6 20,6 71,0%
40 — 4 9 anos 29 7 6,4 13,4 46,2%
O exemplo precedente mostra as dificuldades que se pode
50 — 5 9 anos 36 5 2,5 7,5 20,8%
encontrar quando os recasamentos perdidos são m u i t o numerosos. 23 1 1,3 2,3 10,0%
60 - 6 9 anos
Eis aqui um o u t r o exemplo para 1750 — 1799, relativo a 70 anos e mais 11 - - — 0,0%
4 4,0 16,7%
Dampierre-sous-Bouhy, uma aldeia do departamento da Nièvre. Indeterminada 24 -

Total 163 43 15,4 58,4 36,5%

Idade Número Dos quais recasados no lugar Recasa-


à de em em 1 8 0 0 no mentos pre-
viuvez viúvos 1750-1799 e depois Total
A proporção de idades indeterminadas à viuvez é suficiente-
sumidos
mente grande para alterar um pouco os resultados; seria possível
Menos de 30 anos 11 8 8 2
3 0 — 39 anos 29 17 1 18 2 atenuar este inconveniente atribuindo a cada viúvo de idade
4 0 - 4 9 anos 29 7 7 5 indeterminada a idade quando do falecimento de sua mulher,
50 — 59 anos 36 5 5 2
quase sempre conhecida, acrescida da diferença da idade média
6 0 - 6 9 anos 23 1 1 1
70 anos e mais 11 entre marido e mulher.
Indeterminada 24 4 4

Total 163 42 1 43 12

P = 42
a Pa=1 S a = 43 Comentário
por outro lado, tem-se que r g = 0
Os dois exemplos apresentados mostram que se pode
O número T de homens viúvos recasados em 1750 — 1799 é enfrentar situações bastante diferentes de uma região para outra e,
igual a 57; c o m o T a = P g + r g = 42 o coeficiente às vezes, talvez, de uma aldeia a outra.
Será preciso, portanto, usar de prudência na interpretação
T dos resultados obtidos para uma aldeia isolada; não é um motivo
para se deixar de lado esse assunto, pois a reunião das observações
feitas numa amostra de aldeias de uma região, dará resultados mais
pelo qual é preciso multiplicar S a para se ter S, é igual a seguros.

%# 1
<36
111
Intervalo entre a viuvez e o recasamento
Tem-se, pois, S = 43 x 1,36 = 58,4, ou seja, 15,4 r e c a s a m e n -
tos fora de Dampierre-sous-Bouhy. Estabelece-se um quadro semelhante ao que segue, provenien-
A q u i há 12 recasamentos presumidos, que foram c e l e b r a d o s te de o u t r o estudo.
105 1 111
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Duração de viuvez
em anos completos Homens Mulheres
0 41 5
1
Estudo da Mortalidade a partir da
22 3
2 5 6

Reconstituição de Famílias
3 10 5
4 2 2
5 1 3
6 2 1
7 1 A reconstituição de famílias permite:
2
8 1 _ - de um lado, medir a mortalidade das crianças com maior
9 1 precisão do que quando se dispõe apenas de quadros de
10 e mais 3 7 nascimentos e de óbitos, classificados por idades;
Total 88 35 — de outro lado, determinar a mortalidade de uma parte da
população casada, ao menos aproximadamente, mesmo que uma
Observação: parcela das datas de falecimento seja desconhecida.
Dos 10 e mais: homens - 12, 13, 17. É chegado, pois, o momento de dar as indicações indispensá-
mulheres - 10, 3 vezes 11, 14, 2 vezes 18. veis sobre a medida da mortalidade e os índices utilizados. Em
primeiro lugar, coloque-se diante do caso de uma população
fechada, isto é, sem migrações.
Os intervalos médios entre viuvez e recasamento são 2,14
para os viúvos, 5,5 para as viúvas; os intervalos medianos são
respectivamente 1,14 e 3,7. 1P — Probabilidade de morte. Numa geração, a probabilidade de
morte a uma certa idade x é igual à relação entre os óbitos à idade
x, em anos completos, e o número de pessoas desta geração que
atingiram o x° aniversário. É designado p o r q x .

2P — Sobreviventes à idade x. é o número, C x , de sobreviventes ao


x° aniversário na geração considerada para um efetivo inicial £0
(número de nascimentos) igual a um múltiplo de 10, 1 000,
10 000 ou 100 000; em demografia histórica toma-se geralmente
um efetivo igual a 1 000.

3P — Óbitos à idade x. É o número, d x , de óbitos entre o x° e o


(x + 1)° aniversário, na geração considerada, sendo o efetivo inicial
o mesmo que para os sobreviventes.

4P — Esperança de vida à idade x . É a média das durações vividas a


Partir do x ° aniversário pelas pessoas da geração considerada e que
atingiram esse x° aniversário. É designada por e x .
134
135
Louis Henry

A o invés de estudar a mortalidade para cada ano de idade, ela


pode ser estudada por grupos de idade. É o que se faz em
T r Técnicas de Análise e m Demografia Histórica

A esperança de vida se exprime em função de números de so-


breviventes £ x . Observe-se como calcular a esperança de vida ao
demografia histórica.
n a s c i m e n t o : o número de anos vividos entre 0 e 1 ano exato é igual a
Para um grupo de x anos a partir do x° aniversário, a
probabilidade de morte, designada n q x , é a relação entre os óbitos «o + «i
entre o x ° e o (x + n)° aniversário e o número de pessoas que 1 x
atingiram o x° aniversário. Os óbitos da tábua entre esses dois
aniversários são designados por p d x .
o número de anos vividos entre o 5 ° e o 10° aniversário é igual a
Via de regra, adota-se a seguinte repartição: menos de um
ano, 1 — 4 anos, e a seguir grupos de 5 anos a partir do 5P 5 v«S +«10
aniversário. As probabilidades de morte correspondentes são q 0 , 2
4^1/ 5Ps• • • • 5Qx' e o s óbitos, d 0 , 4 d l í s d s , . . . 5 d x . Será visto
mais tarde que certos dados obrigam à repartição por grupos de
e assim por diante; 1
dez anos, a partir de determinada idade.
tem-se, portanto:
Relações entre os quatro índices + £
e0 - L[*SL±*1 +4fo » ) + 5( g » ) + S^SLput) + ...]
l
«0 2
Para uma proporção q 0 de recém-nascidos que morrem antes
do primeiro aniversário, a proporção daqueles que atingem o 2,5£j +4,5g s + 5(£ 1 0 + « 1 S + • • •)
primeiro aniversário é de 1 — q 0 . De maneira análoga, 1 — 4 q j éa = 0,5 +
proporção das crianças vivas no seu primeiro aniversário e que
atingem o quinto aniversário; e assim por diante. Por conseguinte, Para a esperança de vida aos 20 anos, escreve-se de maneira
escreve-se
análoga,
= f i 0 (1 - q 0 ) , £s (1 _ 4 q i ) , £ 1 0 = C5 (1 - 5 q s )
e2o = _ L [ 5 ( ^ - ^ 4 + 5 ( h l l h o ) + . . . ]
x2 o Z Í
donde.

C5 = f i 0 ( 1 - q 0 ) (1 - 4 q i ) ou seja.

« i o = « o ( 1 - Q o ) (1 - 4 d i ) (1 - S q S ) e
5(g 2 S + « 3 0 + « 3 5 + • • • )
2 o = 2,5 +
«2 0

A diferença de dois números de sobreviventes é igual aos


óbitos da tábua no grupo de idade correspondente.

H = P Ç
— X 1
As £ pessoas vivas à idade exata x+n, viveram n anos desde seu x ° aniversário;
nux x x + n x+n r
as (C - £ ) que morreram entre as idades exatas n e x+n viveram em média n / 2 anos;
x x+n
0
donde. total é

d0=«o-«i, 4 di=«1-»5, sd 5 =«s - « 1 0 ' e t c -


1
111
64 1
Louis Henry
r Técnicas de Análise e m Demografia Histórica

Os óbitos e as esperanças de vida são calculados a partir d em conta a mortalidade, sem o que haveria erros sistemáticos
sobreviventes que, por sua vez, são calculados a partir H graves. Portanto, não se pode tomar os cônjuges das fichas M F , ou
EF, estando a definição ligada aos fins de união e por
probabilidades de morte. Basta, portanto, saber calcular estas n J * conseqüência aos óbitos.
Mara
chegar a aqueles.
Nada impede, no entanto, definir uma categoria pelos lugares
Cálculo da probabilidade de morte de nascimento dos cônjuges. No caso de Crulai foi possível
conservar apenas a categoria dos homens nascidos e casados em
1.° Sem migrações Crulai e a das mulheres nascidas e casadas em Crulai com um
Designe-se por V x o número de sobreviventes ao x ° homem também nascido em Crulai; em cada categoria havia fichas
aniversário da geração ou, de modo mais geral, do grupo de MF e MO. Não é certo que se pudesse fazer m u i t o mais, pois as
gerações estudado, e por n D x o número de óbitos neste gru Do fichas E não contêm informações suficientes sobre os pais para que
entre o x ° e o (x + n)° aniversário. se possa definir, independentemente dos óbitos, categorias em que
Por definição, a probabilidade de morte n q x é dada p e | a a proporção das datas desconhecidas era pequena.
rei aça o Presuma-se o caso de homens das fichas MF e MO que
nasceram no lugar, e que se tome apenas aqueles que se casaram a
25 — 29 e 30 — 34 anos (na prática, é preciso tomar todos aqueles
que se casaram antes de 35 ou 40 anos; é para simplificar a
explicação que se limita aqui a dois grupos de idade). O
2P Com migrações levantamento das idades ao falecimento, conduziu ao seguinte
quadro:
Designe-se por n l x (imigração) o número de pessoas entradas
I d a d e ao f a l e c i m e n t o
entre as idades exatas x e x + n; por E x (emigração) o número de
Idade ao
saídas entre as mesmas idades exatas. Neste caso, a fórmula que dá casamento
25-29 30-34 35-39 40-49 50-59 60-69 70-79 80 anos Desco-
Total
e anos anos anos anos anos anos anos e mais nhecida
n^x '
25 - 29 anos 8 20 20 49 45 36 25 7 22 232

D 3 0 — 3 4 anos - 8 18 36 50 40 27 9 15 203
n x
q =
n x j r

x 2 2
Os 37 homens cuja idade ao falecimento é desconhecida,
Quando for possível, é melhor aplicar esta última fórmula viveram pelo menos até seu casamento. Além disso, sabe-se que
apenas a partir da idade de 5 anos.
muitos dentre eles eram vivos ao nascimento, ao falecimento ou ao
casamento de um f i l h o , tenham eles sobrevivido à sua mulher ou
Mortalidade de adultos tenham sido mencionados em documentos diversos em data
posterior a seu casamento.
Numa monografia de paróquia, mesmo extensa, é possível Sabe-se ainda, por documentos semelhantes, que 29 desses
estudar apenas a mortalidade de uma parte dos adultos ou seja, homens haviam já morrido antes de uma certa data. Com essas
daqueles que pertençam às categorias de pouca mobilidade, para informações suplementares, f o i elaborado o quadro seguinte, em
que a proporção dos óbitos que faltam seja fraca. que se denominou idade mínima ao falecimento a idade mais eleva-
Esta condição exclui os solteiros. Limitar-se-á, pois ao estudo da em que o homem considerado está vivo, e idade máxima a idade
das pessoas casadas ou viúvas. mais baixa em que este homem é mencionado como já falecido. A
Por o u t r o lado, as categorias devem ser definidas sem levar idade mínima é a idade mais baixa em que este homem pode estar
135
134
Técnicas de Análise em Demografia Histórica
Louis Henry

As idades foram repartidas em classes de dez anos de idade a


morto ou "saído" de observação, a idade máxima e a idade mais nartir de 40 anos; como as probabilidades de morte são calculadas
elevada em que ele pode estar morto. rnais por grupos de 5 anos, é preferível restabelecer os grupos de
cinco anos.
td ade 25-29 30-34 35-39 40-49 50-59 60-69 70-79
80s Desco- Se não for possível retomar a exploração, que se supõe a mais
mais nhecida Total
simples, deve repartir-se os óbitos no interior de cada grupo de 10
M fnima 2 4 5 9 9 6 2 - 0 37 anos, de maneira a haver uma variação tão contínua quanto
Máxima - - 1 5 13 8 2 - 8 37
P SSÍ
° Com o auxílio de um gráfico, 1 chega-se assim aos números de
Considerando-se a idade mínima como uma idade ao óbitos da coluna (3) do quadro a seguir:
falecimento, tem-se todos os elementos para construir uma tábua
de mortalidade extrema, a mais forte possível. Com a idade
máxima as coisas não são tão simples; restam casos, aqui 8, dos
quais não se tem a idade máxima. Supor que esses homens
atingiram 80 anos conduz a valores impossíveis das probabilidades Probabi-
de morte nas idades elevadas. É preferível supor que esses homens Óbitos Denomi- lidade
Idade Entradas Presentes
Óbitos de morte
atingiram o limiar da velhice, 60 anos. (anos)
Entradas
acumu- acumu- nadores
lados p. 1 0 0 0
Tem-se, então, todos os elementos para construir uma outra ladas
(4) (5) (6) (7)
tábua de mortalidade extrema, a mais f r a c a , . . . mas, apenas até (1) (2) (3)
116 86
55 — 59; será necessário completá-la a 60 anos e mais, o melhor 25-29 232 435 10 435 0
425 222 323,5 99
possível. 30-34 203 203 32
393 393 393 109
35-39 43
Se essas duas tábuas não estiverem muito distantes uma da 45 350 350 350 129
40-44
outra, ter-se-á um conhecimento suficiente da mortalidade da 305 305 305 161
45-49 49
256 256 256 203
categoria de adultos em questão. 50-54 52
204 204 204 255
55-59 52
152 152 152 289
60-64 44
108 108 108 352
65-69 38
70 70 70 457
70-74 32
Tábua de mortalidade mais forte 75-79 22 38 38 38 579
16 16 16 688
80-84 11
5 5 5 1000
O número total de óbitos em cada grupo de idade é a soma 85-89 5

do número de óbitos propriamente ditos e do número de idades


mínimas desse grupo, o que dá:

25 - 29 anos 10
30 — 34 anos 32
35 — 39 anos 43
40 — 49 anos 94
50 — 59 anos 104
60 — 69 anos 82
l 0 gráfico permite subdividir cada grupo de dez anos em do,s grupos d e c n c o a n o s ,
70 - 79 anos 54 de maneira a assegurar o máximo de continuidade; deste m o d o !94 fo,
80 e mais 16 duas partes, 45 e 49, levando-se em conta que o número de 6b,tos em cinco anos cresce
de 3 5 - 3 9 anos (43 óbitos) a 5 0 - 5 9 anos (52 óbitos em méd,a por 5 anosl.
Total 435 66
Louis Henry
Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Probabi-
Entradas Óbitos
Óbitos Idade Denomi- lidade
601 Entradas acumu- Óbitos acumu- Presentes
(anos) nador de morte
ladas lados
p. 1 0 0 0

25-29 232 435 8 435 0 116 69


30-34 203 203 28 427 224 325,5 86
35-39 39 399 399 399 98
40 - 44 42 360 360 360 117
I 45-49 48 318 318 318 151
50-54 54 270 2 70 270 200
55-59 54 216 216 216 250
6 0 e mais 162 162
h""

I 25 35 40 <5 50 55 60 65
Mortalidade provável

As duas séries de probabilidades de morte são transportadas pa-


70 75 80 85 90 ra o gráfico a seguir. Elas estão bastante próximas em 50 e 55 anos,
Idade de sorte que se poderia prolongar graficamente a série mais fraca por
simples extrapolação gráfica, o que, na prática, pode ser
dispensado.
De fato, parece que os pontos representativos das duas séries
ficam compreendidos (exceto para 25 anos, e por muito pouco)
entre as curvas das probabilidades para o sexo masculino das
Nao se esta diante do caso de uma população fechada, pois tábuas-tipos das Nações Unidas de nível 10 (e0 = 25) e de nível 20
que ha entradas a 25 - 29 anos e a 30 - 34 anos. Para aplicar a (e0 = 30). Como os pontos se aproximam ora de uma das curvas,
fórmula da página 126, é necessário antes calcular os números Vx ora de outra, pode concluir-se que as tábuas das Nações Unidas
de presentes ao início de cada grupo de idade. Este número é representam bem a mortalidade observada, e que, com as
igual a soma daqueles que faleceram nesse grupo e após, subtraído observações disponíveis, apenas se pode dizer que a mortalidade
da soma daqueles que entraram neste grupo e após.
dos homens adultos casados da população estudada, é intermediá-
É, por isso, que cada linha da coluna "Presentes" é a ria entre aquela do nível 10 e aquela do nível 20 das tábuas das
diferença dos "Óbitos acumulados" e das "Entradas acumuladas" Nações Unidas.
da mesma linha. Para calcular o denominador, resta acrescentar a
É possível também atribuir a esses homens adultos a
metade das entradas, ou seja, 116 a 25 - 29 anos e 101 5 a 30 - 34
mortalidade da tábua tipo do nível 15 (e0 = 27,5), mas sem perder
anos. A probabilidade de morte por mil é obtida dividindo-se o
de vista que esta é uma estimativa.
numero de óbitos pelo denominador e multiplicando-se o
resultado da divisão por 1 000.

Saídas de observação
67
Tábua de mortalidade mais fraca
Em muitos casos a idade mínima é, de fato, a idade mais
baixa em que o homem pode ter deixado a localidade estudada. Se
O quadro que segue corresponde ao precedente, mas se detém se soubesse que as partidas são todas ou quase todas definitivas, a
a o0 anos e mais.
tábua de mortalidade mais forte seria então obtida considerando as

67
Louis Henry
Técnicas de Análise em Demografia Histórica

P r o b a b i l i d a d e (96o)
500 idades mínimas como idades de saída de observação e não como
P R O B A B I L I D A D E S DAS TÁBUAS DE M O R T A L I D A D E FORTE E FRACA idades ao falecimento.
Contudo, é de se temer que as saídas sejam, e em proporção
não depreciável, seguidas de retorno em caso de sobrevivência; e o
não retorno, em conseqüência, uma presunção de falecimento
precoce.
Salvo caso excepcional, é preferível, no momento, tratar a
idade mínima como uma idade ao falecimento, para obter a tábua
de mortalidade mais forte.
Tábua tipo nível 10
No entanto, dever-se-á introduzir saídas de observação devido
+ + M o r t a l i d a d e mais forte a recasamentos. Cada cônjuge deve ser contado uma só vez; para
tanto, podem não ser levados em conta os segundos casamentos.
© © M o r t a l i d a d e mais fraca Pode ser decidido, também, que toda pessoa casada duas vezes na
mesma localidade, entra em observação por seu primeiro casamen-
to, e entra de novo em observação pelo recasamento se as caracte-
rísticas do novo cônjuge são aquelas fixadas. Este procedimento
tem a vantagem de suprimir indeterminações, como é demonstrado
no exemplo seguinte.

Exemplo com entradas e saídas

Este exemplo diz respeito às mulheres nascidas em Cuise-la-


Motte (Oise) e casadas nesta aldeia, em 1740 — 1769, antes da
idade de 40 anos, e com homens que ali habitavam. As mulheres
que, dentre essas, casaram-se de novo com homens que não
habitavam Cuise-la-Motte, estão definitivamente fora de observa-
ção pelo recasamento. Ora, essas mulheres são aquelas cuja data de
falecimento é quase sempre ignorada, donde a vantagem assina-
lada.
O quadro de dados é o seguinte:

68
Louis Henry r Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Idade Não é necessário acumular separadamente os óbitos e as


Entradas Óbitos Idade Idade""
(anos) Saldas
mínima saídas, donde a coluna "saídas e óbitos acumulados". O número
máxima
1 5 - 19 6 de presentes é obtido subtraindo as entradas acumuladas do
20-24 39 1 2 conjunto de saídas e óbitos acumulados.
25-29 25 2 2
30-34 17 8
Para calcular o denominador, acrescenta-se aos presentes a
2
35-39 6 3 2 1
metade das entradas e subtrai-se a metade das saídas, assim:
40-44 5 1
45 - 49 2 2
50-54 3 = 0 +| 25,5 = 6 + ^ 53,5 = 42 + ^ - |
4 1
55-59 4 1
60-64 11
65-69 16 É evidente que, com números tão pequenos, as probabilidades
2
70-74 11 divagam ao efeito do acaso. Numa monografia paroquial, por
75-79 7
8 0 e mais conseguinte, o estudo direto da mortalidade só deverá ser tentado
3
Desconhecida 6 se os efetivos forem suficientes.
6
Total 93 83 10 6 6

Os obitos das mulheres saídas de observação podem ser


conhecidos, mas não figuram neste quadro se esta saída não for Mortalidade das crianças
seguida de uma entrada (recasamento em 1740 - 1769 com um
homem que habite Cuise-la-Motte). Estuda-se a mortalidade das crianças até 10 anos, ou a rigor
Os óbitos de idade desconhecida a fazer constar são aqueles 15 anos, a partir das informações que figuram na parte inferior das
das mulheres que não saíram de observação e cuja data de fichas de família.
falecimento e desconhecida. Neste caso, elas são em número de 6-
Os problemas de entrada e saída de observação são
nao se tem idade máxima de nenhuma.
particularmente importantes neste caso. Em primeiro lugar, a
Como da maneira precedente, a tábua de mortalidade mais observação diz respeito apenas às crianças nascidas no próprio
forte e obtida supondo que a idade mínima é a do falecimento; a local e cujo nascimento foi arrolado (data de nascimento, escrita
tábua de mortalidade mais fraca é obtida supondo que as 6 em preto, na ficha).
mulheres atingiram 60 anos. Em seguida, a observação é definida de maneira que não haja
Eis o início dos cálculos para a primeira: "saídas" no intervalo de idades de que se determina a mortalidade,
para evitar de introduzir no cálculo das probabilidades de morte
termos corretivos que, como foi visto, são inconvenientes antes de
5 anos de idade.
Idade Saldas
Probabi- Para tanto, quando uma família sai de observação num
Entradas
Entradas Presen- Denomi- lidade
(anos) acum.
Óbitos Saldas e Óbitos intervalo de idades da criança, esta sai de observação no começo
tes nador de morte
acum.
p. 1 000
deste intervalo, mesmo que ela morra no próprio lugar antes da
15- 19 6 93 0 93
saída de observação de sua família.
0 3 0
20-24 39 87 3 93 6 25,5 118 As datas de saída de observação da família são as seguintes:
25-29 25 48 2 2 90 42 37
30-34 53,5
17 23 8 2 86 63 70,5 113
1P Fichas fechadas (MF e EF): data de fim de observação ou
35-39 6 6
40 - 44
4 2 76 70 72 55 data de falecimento do cônjuge sobrevivente, se esta for anterior
5 1 70 70 72
69,5 ao fim do período abrangido pelos arrolamentos de nascimentos.
134
135
Técnicas de Análise em Demografia Histórica
Louis Henry

2.° Fichas abertas (MO e EO): data de falecimento do pai ou


da mãe, se esta data for conhecida; 1 na sua falta, data de
nascimento da última criança nascida na localidade estudada.
Os intervalos de idades em questão, são os intervalos J
S
°
1

Î3
clássicos: menos de um ano, 1P ao 59, 5? ao 10P, 109 ao 15P i s 1 o
<

aniversário. Calcula-se a idade de cada criança na data de saída da !


o •§
>
l i
5 •§
• -o §
0 j;
família, escrevendo-a a lápis na coluna e.c., ou na coluna à
1 2

esquerda de "sexo", quase vazia.2 z


1-8
1
z

Para as crianças falecidas antes de 15 anos, compara-se esta .3 5


: s 1
idade com a idade ao falecimento e conserva-se a do falecimento se i1
este ocorrer num intervalo de idades inferior àquele em que se deu 1

a saída de observação. Ë
3
S
I o
z
Desta maneira, no exemplo da página 137, são conservados os ä 5
í .
quatro primeiros óbitos registrados, mas são deixados de lado os 3 °

outros dois, pois que tanto os óbitos como a saída de observação 1 -a 4


ocorreram no mesmo intervalo de idades. 1 c*- > 0 - \
Para evitar qualquer erro na tabulação, apaga-se as idades à a
0
i ** Vi
P - in N t <M O

saída de observação quando a idade ao falecimento é conservada,3 Oi


z
«o
í*.
r*-
lo s f
rv
iv
•M
tõ 0 0
r*- 1 E o-
tv
e as idades ao falecimento não conservadas são suprimidas com um 1
< ã o> O <ó
ai
£ O
risco a lápis. No exemplo, para que as duas operações sejam O
< O
0
ri Ö
0 o
1 01 <\i
w <N W
efetivas, as idades que deveriam ser apagadas são também
sS cr. rr ^ OQ
O CC
suprimidas. O
«o
o.
NB r * P v
r*- r - r>
c*
Tv
f v Où
r*-
0 s
Na tabulação, a contagem para a ficha tomada como exemplo 1
ir, Z <5
0
O cvi (Tl xf-
0 O Si O
o O 1 o O
é feita da seguinte maneira: ríS
<
CQ "6 0 <51
Õ
Ó sr <õ TO
og z O O «1 M

1 * !
• $\ ji| 1
I I I ! 1
Idade Óbitos Saídas de observação j s . s - : S O H 1 1 i
á ' 3 t
menos de um ano I M
Î

1 — 4 anos I L 4•= i-s j f


:
5 — 9 anos U L
Î H
1 0 - 1 4 anos 1
1
Ï
u !
15 anos e mais 2

o f i
£ 1
<Ï i X i
:
< i
=>
S 6
1
1
î
3
!
S
JJ
jj
»
3
{J
«
J
^
2
J 3 S 5 S S 2 I i i 1
o

1
Salvo se o registro de sepultura indicar que o falecido não habitava na localidade
estudada; este caso é pouco freqüente.

2
Também se pode escrever uniformemente 15 para as crianças cuja família está
ainda presente quando elas atingem o seu 15.° aniversário.
3
Para evitar de escrever e apagar, se pode fazer mentalmente o cálculo e a
comparação; mas, para tanto, é preciso estar treinado no cálculo de idades.

136 141
Louis Henry TrTécnicasde Análise em Demografia Histórica

O quadro final apresenta-se da maneira seguinte: acontecimento, familiar ou exterior; falecido antes, vivo, de
<l
destino ignorado.
Óbitos Saídas Saídas Probabi- Quando as crianças desta última categoria são em proporção
Óbitos e
Idade Óbitos acumu- de obser- acumu- saídas acu-
lidade de desprezível, os óbitos perdidos também o são. Apresenta-se muito
morte p,
lados vação ladas mulados raramente este caso e, devido à emigração, pode haver uma forte
1 000
menos de 1 ano 117 195
proporção de destinos ignorados sem que a proporção dos óbitos
30 415 610 192
1 - 4 anos 65 78 96 319 397 164
perdidos seja elevada.
5 - 9 anos 10 13 96 223 236 42 O falecimento de uma criança introduz modificações nos
10 - 14 anos 3 3 63 160 163 18
15 anos e mais 160 intervalos entre nascimentos, quando isto ocorre nos primeiros
Total 195 445
meses; mesmo menos precoce, torna mais freqüente a repetição
dos mesmos nomes numa família.
As crianças cuja família sai de observação quando elas têm, Dessas duas conseqüências do óbito de uma criança, a
por exemplo, 1 0 — 1 4 anos, estão em observação apenas até o fim primeira tem sido utilizada para avaliar os óbitos perdidos; até
do grupo 5 — 9 anos; daí a diferença de uma linha entre as saídas e recentemente, a segunda havia sido apenas mencionada como
as saídas acumuladas. suscetível de fornecer um procedimento de avaliação desses óbitos.
A soma dessas saídas acumuladas e dos óbitos acumulados No momento, ela é vista como mais conveniente que a
inscritos na mesma linha, é o denominador da probabilidade de primeira, a qual tem o sério inconveniente de ser aplicada apenas
morte. Assim, a 5 — 9 anos tem-se como denominador 236, isto é, aos óbitos dos primeiros meses, inconveniente tanto mais grave
soma de 223 e de 13. As famílias dessas 236 crianças estavam que, conforme estudos recentes, o sub-registro dos óbitos de
presentes na localidade ao 10° aniversário de nascimento dessas crianças se estende bem além do primeiro ano de idade. É por isto
crianças, quer tenham atingido esse aniversário ou morrido a 5 — 9 que aqui é apresentado apenas o procedimento de avaliação dos
anos. Dividindo-se 10 por 236 obtém-se a probabilidade de morte, óbitos perdidos a partir da repetição dos nomes.
42 por 1 000. O anexo 1 indica sob quais condições os diversos procedimen-
tos de avaliação dos óbitos perdidos dão bons resultados.
Observação: As 30 crianças, cujas famílias saíram de observação
quando tinham menos de um ano, não são levadas em conta
em nenhum cálculo de mortalidade. Elas figuram no quadro para Repetição de nomes
permitir a verificação de que o número total de crianças é bem
aquele da categoria da qual se quer estudar a mortalidade (crianças Cada criança que tem um irmão mais novo do mesmo sexo
de certos grupos de gerações, por exemplo). que ela, é classificada:
1? — se é viva, morta ou de destino ignorado ao nascimento
Avaliação dos óbitos perdidos desse caçula;
2P — se esse irmão mais novo recebeu o mesmo nome que ela
Muitas vezes o registro dos óbitos de crianças é falho; por ou um nome diferente.
outro lado, são perdidos óbitos por destruição ou perda de
Essa classificação pode ser feita separadamente para cada sexo,
registro, destruição de folhas, esquecimento de quem arrola, não
mas isto parece ser dispensável, haja vista a quase constância da
identificação, e também por deslocamento temporário da criança
ou da família. A proporção de óbitos assim perdidos pode ser razão de masculinidade ao nascimento. 1
elevada, e se deve sempre tentar avaliá-los. Assim, obtém-se um quadro análogo ao seguinte:
É sempre possível classificar as crianças em três c a t e g o r i a s ,
1
Para o caso de gêmeos opera-se como para os nascimentos diferentes, exceto que
em relação a um de seus aniversários, ou à data de um
não são comparados entre eles quando são do mesmo sexo.

71 1 111
Técnicas de Análise em Demografia Histórica
Louis Henry

relação entre o total dos óbitos e o número de óbitos conhecidos é


Nome do Destino do mais velho ao igual a
mais novo nascimento do mais novo
Vivo Falecido Ignorado , ou seja, 1,444
Total

Idêntico 12 61 28 101 O intervalo entre o nascimento de uma criança e o mais


Diferente 2213 340 311 2864 próximo irmão mais novo do mesmo sexo é mais ou menos igual à
média da soma de dois intervalos sucessivos entre nascimentos, que
Total 2225 401 339 2965 é, pois, da ordem de 5 anos. Multiplicando o número total de
óbitos de crianças registradas, de menos de 5 anos, por 1,444,
Entre as crianças de destino desconhecido há uma proporção
tem-se uma estimativa do número de óbitos ocorridos, de crianças
a que são crianças já falecidas, e uma proporção (1 - a) que são
de menos de 5 anos.
crianças sobreviventes; e supõe-se: 1) que as crianças de destino des-
Esta idade de 5 anos é aproximativa, e bastante, podendo a
conhecido, que são na realidade já falecidas, não diferem em nada,
soma de dois intervalos sucessivos variar entre 4 anos e 6 anos.
para a repetição dos nomes, das crianças que se conhece como fale-
Para atenuar este inconveniente, a avaliação pode ser feita em
cidas; 2) que as crianças de destino desconhecido, que são na reali-
dade vivas, não diferem em nada, para a repetição dos nomes, das situações que diferem pelo intervalo de tempo que separa o
crianças que se conhece como vivas. nascimento considerado daquele do caçula de mesmo sexo. Podem
ser fixados os casos seguintes, por exemplo:
Designando-se por v, m e i a freqüência da repetição quando
o mais velho for, respectivamente, vivo, morto e de destino — nascimentos consecutivos, de mesmo sexo.
ignorado, tem-se:
— nascimentos de mesmo sexo separados por apenas um
nascimento de outro sexo.
i = a m + (1 — a) v
— nascimentos de mesmo sexo separados ao menos por dois
donde nascimentos de outro sexo.

Todavia, para operar desta maneira, é preciso dispor de um


m —v número bastante grande de observações, o que não é sempre o
caso.
No exemplo acima, tem-se:
Outros procedimentos
i = 8,26% v = 0,54% m =15,21 %
Estes procedimentos parecem diferentes do precedente, tais
donde como foram apresentados até aqui, pelo fato de que as crianças
mortas não aparecem explicitamente. Basta modificara apresenta-
ção para que a aparente diferença desapareça.
1=
HÍ" 0 , 5 2 6
Listas de confirmação
Multiplicando-se 339 por 0,526 obtém-se 178, que é o
número das crianças de destino desconhecido, falecidas antes do Às vezes, estas listas são encontradas nos registros paroquiais.
nascimento de seu irmão mais novo de mesmo sexo; o número Em virtude das dificuldades de deslocamento da época, a
total desses óbitos eleva-se, portanto, a 579 (401 + 178) e a confirmação era dada de tempos em tempo, de sorte que se pode

140 141
Louis Henry
Técnicas de Análise em Demografia Histórica

encontrar nas listas idades que vão de 6 anos a mais de 20 anos informações posteriores sobre elas, que possam estar no registro.
Entretanto entre os católicos, as idades mais freqüentes s ? 0
4 5 Sao Se uma criança estiver seriamente doente no momento da
vizinhas de 10 anos.
confirmação, é bastante diminuta a probabilidade de que ela figure
Neste caso, a verificação tem por objeto as criancas cujo ann na lista; e bastante maior a de que não seja de destino
de nascimento precede o ano de confirmaça~o de 8 a 12 anos ! desconhecido em razão dos riscos de falecimento em curto prazo,
cuja família está presente na paróquia à data da confirmação
provocado pela doença.
conforme os critérios de presença definidos para o estudo H
0 da O erro devido a esta ligação é desprezível, exceto quando há
mortalidade das crianças.
epidemia, o que se perceberá por um acúmulo de óbitos na época
Estas crianças são classificadas em três grupos: vivas na data da confirmação.
da confirmaçao, já falecidas, destino desconhecido, conforme a s
informações extraídas dos registros de catolicidade ou de outro Padrinhos e madrinhas
documentos, e cada grupo em duas categorias: inscritos na lista de
seguinTe: Ça0 ® ^ mSCrÍt0S
" Constrói
"se u m
^ d r o semelhante ao As crianças de 10 a 15 anos, cujas famílias estão presentes
podem ser mencionadas nos atos de batismo como padrinhos ou
madrinhas de um irmão ou de uma irmã, de um primo, de uma
Destino prima, de um sobrinho, de uma sobrinha, ou de outras crianças.
Vivos Desconhecido Esta menção poderia ser utilizada da mesma maneira que a
Falecidos
inscrição nas listas de confirmação. Mas, se não se limitasse à
Inscritos 101 25 0 família próxima, a cada vez ter-se-ia um grande número de crianças
Não inscritos 16 7 não mencionadas para um número pequeno ou mesmo muito
pequeno de crianças mencionadas; além do mais, a identificação
Total 117 32 —
dos padrinhos e madrinhas seria difícil, quando não impossível.
Se este procedimento for tentado, será prudente ater-se ao
É inútil transcrever aqui o número dos falecidos não inscritos, caso em que a criança seja padrinho ou madrinha de um irmão ou
pois que a proporção m, dos falecidos inscritos, é sempre nula de uma irmã. Será necessário, então, arrolar sistematicamente os
As frequencias de inscrição na lista, são: padrinhos e madrinhas mencionados como irmãos ou irmãs da
criança batizada.
V = 86,3% i = 78,1% m = 0%
Listas nominativas de recenseamento
donde,

O caso em que se dipõe ao mesmo tempo do registro civil e


, - 78,1 - 8 6 , 3 8,2 de pelo menos um recenseamento, é tratado mais adiante. Mas,
como não se utiliza o recenseamento para calcular a mortalidade
das crianças de menos de um ano, e às vezes de menos de 5 anos, é
O número de crianças de destino desconhecido que, na data agora que convém mencionar o emprego das listas nominativas
da confirmaçao, são falecidas, é avaliado, pois, em
para avaliar os óbitos perdidos.
Procede-se como para as listas de confirmação, mas com
0,095 X 32 # 3 vários grupos de idade: menos de um ano, 1 — 4 anos, 5 — 9 anos,
1 0 — 1 4 anos.
~ . E s t e „ c á l c u l ° é f e i t 0 supondo-se que a inscricão ou a Dispondo-se de listas escalonadas no tempo, por exemplo, a
nao-inscriçao na lista, para as crianças vivas, é independente das cada cinco anos, podem ser avaliadas as perdas por não ter havido
142 73
TrTécnicasde Análise em Demografia Histórica
Louis Henry

registro ou deslocamento, ao mesmo tempo por período e por


grupo de idades.

Observação importante

A mortalidade estudada a partir da reconstituição das


famílias não se estende nem a todas as idades da vida, nem a todas
Estatísticas do Registro Civil
as situações matrimoniais. Os solteiros escapam à observação a e Recenseamentos
partir de 15 anos, se não de 10. Além do mais, esta mortalidade é a
de coorte (pessoas nascidas ou casadas no decorrer de um mesmo
período).
O estudo dos fenômenos demográficos contemporâneos é
Combinando idade ao casamento com época do casamento, efetuado, em grande parte, pela combinação de dados tirados do
se pode definir, mais ou menos, os grupos de gerações para os registro civil e de dados fornecidos pelos recenseamentos.
quais se calculou a mortalidade dos adultos, e tentar calcular a
mortalidade das crianças nos mesmos grupos de geração. No entanto, como é quase impossível esperar do recensea-
Neste caso, é preciso ainda estimar a mortalidade nas idades mento tantas informações como do registro civil, esta combinação
em que ela escapa às investigações. O "Manuel de démographie torna-se mais difícil na medida em que evolui a análise.
historique" indica como proceder, nas páginas 129-131. 1 Em certos aspectos, particularmente o da fecundidade,
resulta daí o emprego de métodos que se assemelham aos da
demografia histórica.
É por isto que, neste capítulo, é reduzida ao m í n i m o a
combinação do registro civil e dos recenseamentos. Ela será
desenvolvida apenas para estudar a mortalidade.

Taxas brutas de natalidade, nupcialidade e mortalidade

A taxa bruta de natalidade é igual à relação entre o número


de nascimentos de um ano e a população média desse ano. Quando
se tem a população de 1P de janeiro e de 31 de dezembro, toma-se
a média aritmética. Quando se tem apenas uma cifra de população,
ela é tomada como população média se a variação do número de
habitantes de uma localidade, de uma região, de um país, for
muito pequena para introduzir um erro sensível. Exemplo:

Paraná 1822

População 32 074
Nascimentos 1 538
C o n f o r m e as indicações dadas anteriormente,página 129,não se apresenta mais o
Taxa de natalidade 1 538
problema da passagem das probabilidades de morte decenais para as probabilidades qüin- = 48 p. 1 000
32 074
qüenais, também mencionado nessas páginas do " M a n u e l " .
111
74 1
Louis Henry Técnicas de Análise em Demografia Histórica

Em geral, são contados apenas os nascidos vivos. Quando s~


35 a 40 por 1 000 nos séculos X V I I e X V I I I , sendo que ali o
utilizadas estatísticas antigas, é necessário que elas registrem es °
casamento é menos geral e menos precoce que no resto do mundo.
distinção, nascidos vivos e nascidos mortos.
Excepcionalmente, ela poderia ser bem mais baixa em caso de
No caso do Paraná, para 1822,os nascidos mortos são registra
nupcialidade muito fraca. É o caso da Islândia no início do século
dos nos quadros de algumas vilas e não o são em outras. Ora, segun-
XVIII. Nos dias atuais, as taxas de natalidade da maior parte dos
do o contexto, esses nascidos mortos não podem ser unicamente
países da Europa ocidental situam-se entre 15 por 1 000 e 20 por
natimortos. É possível esclarecer tal situação através do levanta-
1 000.
mento dos registros paroquiais da época.
Para a mortalidade, é preciso distinguir a mortalidade comum
Para a taxa aqui calculada, foram considerados todos os nasci-
e as grandes mortalidades devidas às epidemias graves e grandes
mentos registrados nos quadros.
fomes. Bem entendido, persiste uma certa arbitrariedade na
Quando uma população é classificada por cor e status, é
distinção, de sorte que a taxa bruta de mortalidade comum é
interessante calcular uma taxa de natalidade para cada categoria.
apreciada apenas aproximativamente: pode ser situada em torno de
Para o Paraná de 1822, obtém-se as seguintes taxas:
30 por 1 000 para as populações européias antigas.
Categoria da população Em período de epidemia grave, de peste em particular, as
Branca 39 p . 1 0 0 0 taxas podiam atingir valores muitas vezes mais elevados. Eis aqui,
Livre de Cor 70 p. 1 0 0 0
por exemplo, taxas para Amsterdam em ano de peste no século
Escrava 4 2 p. 1 0 0 0
Total 48 p. 1 0 0 0
XVII:

1636 140 por 1 000


A categoria livre de cor é, em grande parte, de mestiços, eos 1655 125 por 1 000
nascimentos que lhe são atribuídos são em parte das crianças das 1664 170 por 1 000
quais ou o pai ou a mãe não pertence a esta categoria, o que
explica porque a natalidade desta seja muito mais elevada do que Atualmente, na maior parte dos países subsiste apenas a
as das outras categorias. mortalidade comum, exceto em tempo de guerra. Na Europa
Em conseqüência, é melhor não calcular taxa bruta de ocidental a taxa bruta de mortalidade varia de cerca de 8 por
natalidade para as diversas "categorias" de uma população que é 1 000 a cerca de 12 por 1 000.
em parte mestiça. A taxa bruta de nupcialidade para os países do Terceiro
Mundo não é conhecida, não sendo ali registrado o casamento. Na
A taxa bruta de nupcial idade é igual à relação entre o número
de casamentos de um ano e a população média. Calculou-se Europa ocidental ela é mais fraca que na Europa oriental; por
também a relação entre os recém-casados e a população média, que 1 000, os valores extremos são um pouco superiores a 5 na Irlanda,
é o dobro da taxa precedente. da ordem de 11 na URSS. As mais comuns são de 7 a 8.
Para o passado se pode citar a taxa de nupcialidade da França
A taxa bruta de mortalidade é igual à relação entre o número
de óbitos de um ano e a população média. antes da Revolução como igual, em média, a 8,5 por 1 000 em
1740 - 1789. Era mais alta que hoje em virtude de incidência
maior de recasamentos.
Ordens de grandeza

Na ausência de limitação de nascimentos, a taxa de natalidade


Crescimento natural
é normalmente elevada. Nos países do Terceiro-Mundo, onde o
casamento é geral e precoce, correntemente ela se situa entre 45
A taxa de crescimento natural é a diferença entre a taxa de
por 1 000 e 55 por 1 000. Na Europa ocidental, é mais baixa, de
natalidade e a taxa de mortalidade, é mais comumente expressa
146 147
Louis Henry Técnicas de Análise em Demografia Histórica

por 100 do que por 1 000. Desta maneira, a uma taxa de anos de um lado, e de outro, de um recenseamento, 5 anos ou 10
natalidade de 40 por 1 000 e uma taxa de mortalidade de 30 p 0 r anos entre dois recenseamentos.
1 000, corresponde uma taxa de crescimento natural de 1 por 100 No primeiro caso, obtinha-se séries longitudinais de probabili-
dades de morte; neste, obtém-se séries transversais que dizem
Migrações líquidas respeito a gerações diferentes. A seguir, pode-se passar, certamen-
te, do transversal ao longitudinal e vice-versa, mas é necessário um
As migrações líquidas de um período, isto é, a diferença entre trabalho suplementar.
imigração e emigração, podem ser avaliadas se for conhecida a
população do início e do fim do período, bem como o número de Cálculo das probabilidades de morte
nascimentos e de óbitos no período, o que supõe a existência de
ao menos dois recenseamentos. Dos diversos procedimentos existentes, retenha-se apenas o
Designando-se por P 0 a população no início do período, por mais simples, aquele que consiste em calcular as taxas de
P, a população no fim do período, por N os nascimentos, por D os mortalidade por idade e passar às probabilidades de morte
óbitos, por I a imigração líquida, tem-se: correspondentes, com a ajuda de uma tábua.

I = (Pi - P0) - (N - D) Caso de um recenseamento

Se há excedente de emigração, I é negativo. São utilizados os óbitos de um período de vários anos a


Para avaliar desta forma o saldo migratório de um período, é cavaleiro com o recenseamento, por exemplo, em França, os seis
necessário que os recenseamentos sejam suficientemente precisos e anos de 1898 a 1903 para a tábua de mortalidade estabelecida a
que o registro dos nascimentos e dos óbitos seja mais ou menos partir dos resultados do recenseamento de 1901.
completo. Em demografia histórica, haverá interesse em tomar um
Em demografia histórica, raramente estas condições são período bastante amplo, 5 anos de um lado e de outro, para se ter
preenchidas. um maior número de óbitos observados.
A taxa de mortalidade aos 20 - 24 anos, por exemplo, é
obtida dividindo-se o número de óbitos aos 20 - 24 anos do
Estudo da mortalidade período em questão, 1740 - 1749, por exemplo, pela população
de 20 - 24 anos no início de 1745, e em seguida dividindo o
O estudo da mortalidade a partir do registro civil e de resultado pela extensão do período que, para o exemplo, é 10,
recenseamentos, diz respeito a todos os grupos de idade a partir de
para obter uma taxa anual.
1 - 4 anos. Porém, é a partir de 5 - 9 anos que a combinação do
Exemplo:
registro civil e do recenseamento desempenha um papel insubsti-
tuível, uma vez que a mortalidade anterior a 5 anos pode ser População 2 990
estudada a partir do registro civil sozinho, mesmo sem reconstitui- óbitos em 10 anos 382
ção das famílias. Taxa 382 1 12 g 1 0 0 0

Por outro lado, o objeto imediato do estudo não é o mesmo 2 990 10


de ate aqui. A mortalidade dos adultos que se procura atingir a
partir da reconstituição das famílias, é a de coortes, por exemplo, Caso de dois recenseamentos
a dos homens casados em 1740 - 1769, cujos óbitos ocorreram de
1740 a 1830 e mesmo além. Aqui, ao contrário, trata-se da São utilizados os óbitos do período de vários anos civis que
mortalidade de um período bem determinado, por exemplo, 5 mais se aproxime do intervalo entre recenseamentos. Desta

148 146 148


Louis Henry Técnicas de Análise em Demografia Histórica

maneira, para recenseamentos efetuados no início de 1831 e de Para uma diferença de 1 p. 1 000, A é igual a 4720, diferença
1836, são utilizados os óbitos de 1831 a 1835 inclusive. entre 63091 e 58371; para uma diferença de 0,8 p. 1 000, A é
A taxa de mortalidade é obtida dividindo-se o número de igual a 0,8 X 4720 = 3776.
óbitos, por exemplo, aos 20 - 24 anos em 1831 - 1835 pela
A probabilidade de morte s q x que corresponde à taxa 12,8 p.
metade dos efetivos do grupo 20 - 24 anos dos recenseamentos de
1 000 é igual a
1831 e de 1836, e, a seguir, dividindo o resultado por 5.
Exemplo: .058371 + .003776 = .062147

Efetivo em 1831 240 Donde, após arredondada, a probabilidade de morte 5q2o

Efetivo em 1836 284 igual a 62 p. 1 000.


Metade 262
Óbitos 1831 - 1835 6

Exemplo
A taxa de mortalidade aos 20 - 24 anos é
O exemplo a seguir é uma aplicação das regras d o cálculo
acima; mas, os óbitos são os de um ano apenas, 1822. Como os
± x 1 - 4,6 p. 1 0 0 0 quadros de recenseamento dão a população por grupo de cinco
anos ( 5 - 9 anos) e de dez anos (10 - 19, 20 - 29, . . . ) , os
cálculos para a tábua 2 e tábua 3 de Reed e Merrell acham-se
Passagem das taxas às probabilidades de morte reunidos num mesmo exemplo. A classificação dos óbitos por
idades não permite o cálculo de 4 q j ; como o sub-registro dos
óbitos de crianças é flagrante, os resultados deste cálculo teriam
Para tanto, se tem utilizado as tábuas de Reed e Merrell. 1 A sido sem valor.
tábua 1 concerne à probabilidade 4 q t , do 19 ao 5P aniversário; a
tábua 2, às probabilidades qüinqüenais 5 q x ; a tábua 3 às
probabilidades decenais 1 0 q x -
Para obter-se a probabilidade de morte aos 20 - 24 anos,
Idade População Óbitos Taxa anual aqx p. 1 000
correspondente à taxa de mortalidade de 12,8 p. 1 000, lê-se na
tábua 2: 62
5 - 9 2993 38 12,7
smx s qx A 10-19 3681 19 5,1 50
20-29 2782 26 9,3 89
30-39 1851 24 13,0 123
.012 .058371 4720 40-49 1390 22 15,8 148
.013 .063091 50-59 861 25 29,1 258
60-69 441 19 43,1 360
70-79 161 13 80,7 576
1 80-89 68 9 132,3 768
P R E S S A T , Roland. L'analyse démographique: concepts, méthodes, résultats. Paris,
Presses Universitaires de France, 1969. 3 2 1 p. 90-99 20 8 400,0 995

146 150
Louis H e n r y
Técnicas de Análise e m Demografia Histórica

u 0 mero de
em número
b
de V Í V e n t e S C
° r r e S p o n d e n t e s P ° r 1 000 aos 5 anos são Correção do sub-registro

Idade Combinando-se classificações por idades dos óbitos e da


a^x ^ x Sobreviventes população, como para o Paraná de 1822, sem ter feito ou sem
5 0,062 poder fazer uma reconstituição das famílias, a correção do
0,938 1000
10 0,050 sub-registro dos óbitos não pode ser feita, pois esta correção é
0,950 938
20 0,089 0,911 baseada em comparações no âmbito da família. Como a
891
30 0,123 reconstituição das famílias é sempre limitada a algumas localida-
0,877 812 des, é necessário procurar escolher as localidades de maneira que
elas sejam uma amostra representativa do conjunto mais vasto que
Com as estatísticas permitam atingir.
Este procedimento não pode ser aplicado a um número
9 3 8 pequeno de localidades. Neste caso, será necessário reconstituir
= 1000x0,938
891
= 938x0,950 uma amostragem representativa das famílias de todas as localida-
8 1 2
= 891x0,911 des. Por exemplo, as famílias cujo nome comece por uma letra ou
conjunto de letras, cuja freqüência seja mais ou menos a mesma
em todas as localidades e em todos os meios.

a o J w T 8 5 K Ó r m U l a S 0 6 C á , C U , ° d a s e s P e r a n <? a s ^ vida são dadas


o l t í r T e n t e S à S Í d a d e S m Ú l t Í p , a S d e 5 ' h á -teresse em
completar o quadro precedente. Faz-se por minterpolação ter
nnr
graf.co ou cálculo. Por cálculo, obtém-se: P ° , a Ç a o < P°r

ldade
Sobreviventes
5
1 000
10
938
15
915
20
891
25
852
30
812

152
162
LouisHenryrTécnicas de Análise em Demografia Histórica

Recenseamentos na ausência
de Registro Civil

Sabe-se que não se pode dizer nada sobre a mortalidade


quando se dispõe de apenas um recenseamento. Observe-se o que
pode ser feito com dois recenseamentos com alguns anos de
intervalo.

a — População fechada

Seja a o intervalo entre os dois recenseamentos; a população


P x x + 4 do grupo de idade (x,x+4) torna-se aquela P x + a x + a + 4 , do
grupo de idade x+a, x+a+4. Exceto às idades muito baixas e às
idades muito elevadas, tem-se aproximadamente,

P
1 — x+a,x+4+a
a ^ x + 2,5 = P
x,x+4

E assim se pode calcular a série das probabilidades de morte


aqx + 2^5 de x = 5 até x = 70.

b — População aberta

Quando há emigração, a diferença entre P x x + 4 e P x + a x + a +4


é maior que o número de falecimentos; quando há imigração
acontece o contrário. Se as migrações são bastantes fortes, e sua
importância não é conhecida ou avaliada, a comparação entre
recenseamentos sucessivos não permitirá a obtenção de um valor
aproximado da mortalidade. Uma dificuldade a mais é provocada
pela atração das idades arredondadas; ela é tal que, mesmo com
uma população fechada, dever-se-á tomar precauções e começar
por eliminar o melhor possível os efeitos desta atração.

155
Louis Henry Técnicas de Análise e m D e m o g r a f i a Histórica

c — Listas nominativas N i = R X y N x y (1 - 5qx) (1 - sq'y)

Quando se dispõe de duas listas nominativas com alguns anos


de intervalo, as dificuldades precedentes podem ser superadas ou n2 = R x y N x y (1 - 5qx) 5q'y

atenuadas. Como se compara pessoas e não mais efetivos, a


coerência das idades está assegurada; certamente, restam erros N3 = R x y N x y (1 - 5 q ' y ) 5qx
sobre as idades, mas eles são os mesmos para os dois recenseamen-
tos, se for atribuído a cada recenseado o ano de nascimento corres-
. S x+5 , S
'y+5 _ *
pondente à idade que ele tinha ao primeiro recenseamento. pois - ç — = 1 - 5qx , -c; 1- 5q y
a x o y

Por outro lado, é possível estudar a mortalidade nas famílias


presentes aos dois recenseamentos, se puderem ser identificadas. Do que resulta:

Mortalidade dos adultos SQ'Y


N 2 =

N I
Para simplificar, supõe-se que as duas listas tenham sido
estabelecidas com 5 anos de intervalo.
5 Q X
Designe-se por N x y o número inicial de famílias em que o NA =

N , 1 - S Q X
marido tem a idade exata x e a mulher a idade exata y.
Cinco anos depois, resta
donde:
5
x+5 S' y+5 famílias em que o marido e a mulher estarão
N
xy s. S\ vivos; = N 3
s q
x N 3 + N J
s
x+5
Nx famílias em que a mulher terá falecido;
y sv 5 q'
s
n'
q
-
y N 2 + N ,

Na prática, utilizam-se idades em anos completos, e então


Nxy — 5qx famílias em que o marido terá falecido.
obter-se-á 5 q x + 0 5 5 q' v + o,5 c o m grupos de idade o índice à
y
direita de q será a idade ao meio do grupo de idade.
S e q designam os sobreviventes e as probabilidades de morte do A hipótese de que a probabilidade de não emigrar é
sexo masculino, S' e q' referem-se ao sexo feminino, nas famílias independente do destino da família é mais aceitável quando o
onde ao menos um dos cônjuges sobreviveu. O número dessas homem fica viúvo do que quando a mulher fica viúva, pois que a
famílias que estão presentes é uma fração destas, tanto mais fraca mulher está sujeita a emigrar após o recasamento ou por falta de
quanto a emigração seja importante. Suponha-se que esta fração recursos, a ser levada a reaproximar-se de parentes que moram em
seja independente ao destino da família e seja designada por R x y outra localidade.
Assim, é a mortalidade das mulheres a que será avaliada com
Cinco anos depois, para os efetivos N l f N 2 , N 3 das três menor erro, se for possível identificar bem os homens que ficaram
categorias de famílias presentes na localidade do primeiro viúvos entre dois recenseamentos: provavelmente será necessário
recenseamento, tem-se as relações: que as listas nominativas mencionem o sobrenome de família das

146 157
Louis Henry Técnicas de Análise em Demografia Histórica

mulheres, pois sem isso se arrisca a deixar passar os óbitos das


mulheres cujos maridos se casaram de novo com uma mulher de
nome idêntico, e mais ou menos da mesma idade que a primeira.
Por outro lado, escapam à observação os casais cujos
cônjuges, ambos, faleceram; para que a mortalidade calculada seja
a do conjunto da população recenseada, é preciso que a
mortalidade do marido e a da mulher sejam independentes. Não o
é no caso de uma epidemia; também não o é se a população se
compõe de ao menos duas subpopulações proporcionalmente
importantes, tendo mortalidades muito diferentes. ANEXO
Neste último caso é necessário estudar separadamente as duas
subpopulações e agrupar os resultados com os coeficientes de Validade da avaliação dos óbitos perdidos
ponderação correspondente à composição da população (e não à
composição das famílias que foram observadas). As fórmulas dadas na página 140, são aplicáveis a uma
Em conseqüência, é necessário que o intervalo entre população homogênea; como na prática todas as populações são
recenseamentos não seja muito grande, nem muito pequeno. Se o heterogêneas, é necessário saber em quais condições essas fórmulas
intervalo é pequeno, os resultados são aleatórios em virtude do são aplicáveis às populações heterogêneas.
pequeno número de óbitos; se o intervalo é grande, grande é a A avaliação dos óbitos perdidos deve ser iniciada a partir da
proporção de casais dos quais o marido e a mulher são falecidos. repetição dos nomes.
Atenha-se a intervalos de 5 a 10 anos. Toda população pode ser considerada como a soma de
Em resumo, dois recenseamentos ou duas listas nominativas subpopulações homogêneas: designe-se por Vj, Mj, lj os números
podem ser utilizadas, na ausência de registro civil, para avaliar a de crianças da subpopulação j, que estão, respectivamente, vivas,
mortalidade no intervalo; as condições de aplicação (população mortas e de destino ignorado por ocasião do nascimento da criança
fechada, identificação segura, ausência de epidemia, homogenei-
seguinte do mesmo sexo; por V j , nrij, ij, as freqüências de repetição
dade da população) são contudo rigorosas e será conveniente usar
dos nomes correspondentes.
de bastante prudência no emprego deste método.
Ij é a soma de dois números, o dos óbitos perdidos, Oj, e o
das crianças sobreviventes cuja emigração precoce impediu o
conhecimento de seu destino, Ej.
As mesmas letras V, M, I, O, E, v, m, i, designam as
quantidades análogas na população tomada em seu conjunto, e
tem-se:

V = 2 Vj M = 2 Mj I = 2 Ij O = 2 Oj E = 2 Ej

v e m são as médias ponderadas

2vj Vj 2mj Mj

~ V ' '
146 159
Técnicas de Análise e m Demografia Histórica
Louis H e n r y

dos Vj e rrij. Tem-se Dj = Mj + Oj


O número de nomes repetidos entre as crianças de destino
e Mj = rj Dj Oj = (1 — rj) Dj
ignorado da subpopulação j é ij lj; e Ij é igual à soma de rrijOj e de
VjEj, visto que os Oj são já falecidos e os Ej vivos ao nascimento
seguinte de mesmo sexo. Tem-se pois: donde, escrevendo D = 2 D j

£m:r:Dj Smj(1 - rj)Dj


.= = ^ ( m j O j + Vj Ej) = 0 m > + Ev >
m
d - M
' I O+ E 0+ E

(D - M ) S m i r i D j - M S m j P , + M S m j r j D j
designando por m' e v' as médias ponderadas m m =
- ' " M (D - M)

2 m Sv E
i°i c i j,
O numerador se simplifica e torna-se:

D E n r y j D j - MSnrijDj
O número estimado de óbitos perdidos é igual a âl com

mas M = SMj = S r j D j

m —v Portanto, a diferença acima se escreve:


A margem entre este número e o verdadeiro valor O é igual a
D S n y j D j - SrjDjSnrijDj
l ( i v )
O _ ~ = 0 ( m — v) — (O + E) ( i - v )
m — v m —v ou ainda, designando-se por mr, Fe m as médias, ponderadas pelos
falecimentos verdadeiros, dos rrij e rj:
escreve-se o numerador:
D 2 (mr - m .7)
Om - ( O + E)i + Ev = Om - Om' - Ev' + Ev = 0 ( m - m ' ) + E(v - V)
O que significa que m - m' é nulo se os mj e os rj são
Por conseguinte, a avaliação dos nascimentos perdidos será
independentes.
sem erro se m = m ' e se v = v'.
A repetição dos nomes é, normalmente, pouco freqüente Esta condição é preenchida se os r j são todos os mesmos, isto
é se a freqüência do sub-registro é a mesma para todo mundo.
quando a criança sobrevive; portanto as freqüências Vj são
Normalmente é o que ocorre com uma localidade, pois mesmo que
pequenas, e igualmente suas médias v e v' e a fortiori a diferença
houvesse exceção para alguns notáveis, ela representaria apenas
v — v' destas. Portanto, é o termo em m — m' que tem maior
uma fração desprezível do conjunto.
importância.
Para se perceber bem o que ele representa, são i n t r o d u z i d o s Num grande conjunto de localidades de uma mesma região
os óbitos Dj e as proporções rj dos que são registrados. cultural, a freqüência do não-registro pode variar de uma

161
160
Técnicas de Análise e m D e m o g r a f i a Histórica
Louis H e n r y

a avaliação dos óbitos perdidos para o conjunto difere sensivelmen-


localidade a outra conforme o zelo do vigário.
te da soma das avaliações para duas ou várias categorias sociais.
Devido à unidade dos costumes, a freqüência de repetição dos
nomes é a mesma de uma localidade a outra em cada categoria Observe-se agora como as coisas se apresentam quando se
social; a freqüência do conjunto varia de uma localidade a outra parte de uma lista de confirmação ou de uma lista nominativa de
somente se a estrutura sócio-profissional não for a mesma. Para recenseamento. Utiliza-se mais o método direto do que a extensão
que haja dependência da freqüência do sub-registro e da freqüência do método precedente.
da repetição dos nomes, será necessário então que estejam em Em cada subpopulação j tem-se o quadro seguinte:
relação à diligência dos vigários e à estrutura das localidades.
É bem verdade que se afirmou que o clero era mais Menção posterior ao recenseamento

consciencioso nas grandes localidades do que nas pequenas; sim não


conforme a experiência dos levantamentos, esta afirmação parece
r
bastante fraca. Recenseados Rj j
Portanto, aplicar-se-ia a avaliação dos óbitos perdidos ao Não-recenseados nj N
j
conjunto das localidades; por prudência, se poderá fazer uma
avaliação para o conjunto das pequenas e médias localidades e uma N
j é a soma de dois termos: o número de
outra para as grandes.
crianças já falecidas, O y e um número, e j ( que está para nj assim
Nas cidades, evitar-se-á de reunir duas ou mais paróquias. Os
párocos são diferentes, de sorte que a freqüência do sub-registro como rj está para Rj
pode variar de uma para outra; a estrutura social pode igualmente
e
variar muito de uma paróquia a outra, os rj e os nrij podem ser, i=lL
então, largamente dependentes. nj Rj
I-.
Retorne-se ao termo em v — v'. Opera-se exatamente da
donde e: = n: J_
mesma maneira que para m — m' introduzindo a probabilidade Sj
J R
de que uma criança que está viva ao nascimento seguinte de i
mesmo sexo, saia de observação em seguida, por emigração. Para
O número total O de óbitos perdidos é dado por:
que v — v' seja nulo, é preciso que os Sj e os Vj sejam
independentes. Desta vez, trata-se de duas características sociais, a
mobilidade e a repetição dos nomes, e elas podem muito bem estar O = 2(Nj — nj J j - J - N - S n j i
ligadas. ' n
j J

A avaliação dos óbitos perdidos pela repetição dos nomes será


tanto melhor quanto esta repetição for rara quando a criança N sendo igual a SN:
estiver viva ao nascimento do caçula de mesmo sexo e que a
A avaliação de O, Ô, é feita a partir do quadro de conjunto
mobilidade seja pouco variável de uma categoria social à outra.
Esta condição não será preenchida quando a população estudada
compreender ao mesmo tempo cultivadores proprietários, muito Menção posterior

sedentários, e de rendeiros ou colonos, dos quais muitos ficam sim não


apenas alguns anos no mesmo lugar. r = 2 r
Recenseados R = £ Rj j
Quando a repetição dos nomes é bastante freqüente,
quando o irmão mais velho está vivo, e que a mobilidade varia de Não-recenseados n = 2 nj N = LNj
uma categoria social à outra, será prudente, portanto, examinar se
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Louis H e n r y Técnicas de Análise e m Demografia Histórica

ô = N - n . L são normalmente pequenas, ou muito pequenas, o que atenua


sensivelmente os erros devidos às suas diferenças eventuais.

Assim, volta-se ao procedimento pela repetição dos nomes;


O erro de avaliação O — Ô é igual a ilação
aqui, todos os nij são nulos e a relação
r- 2 r- R;
J
2n 2 n Rj
i RT- i ER) + nj

é o equivalente dos v; dizer que as relações

que também pode ser escrito ü


Ri
n 2 n
i i
2
R7ri - Z-R] 2
são pequenas, significa que
R
j
Com a primeira expressão, o erro será nulo se as relações Rj + nj

IR L
j
é vizinho de 1, e que as diferenças dos equivalentes dos Vj são
pequenas, condição de nulidade do termo em v na avaliação pela
repetição dos nomes.
são constantes; o que é pouco provável, pois esta relação é um
índice de migrações e, como já foi visto, estas podem variar
bastante de uma categoria social à outra.
Com a segunda expressão, o erro será nulo se as relações

são constantes, isto é, se a ausência de uma criança numa lista de


recenseamento ou de confirmação é também pouco mais ou menos
freqüente em todas as categorias. Esquecimento do recenseador,
erro de cópia ou de arrolamento, impedimento de ser confirmado
— ausência, doença, despreparo — são, a priori , muito mais
independentes do meio social do que a probabilidade de emigrar.
Por outro lado, as relações

R
j

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