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IBGE

TÉCNICO EM INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS


E ESTATÍSTICAS

Simulado
Língua Portuguesa
Geografia
Matemática
Conhecimentos Sobre o IBGE

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CONSELHO EDITORIAL: Bruno Pilastre e João Dino

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AUTORES

BRUNO PILASTRE

Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília.


Professor de Redação Discursiva e Interpretação de
Textos.
Autor dos livros Guia Prático de Língua Portuguesa e
Guia de Redação Discursiva para Concursos pela editora
Gran Cursos.

ROBERTO VASCONCELOS

Engenheiro Civil formado pela Universidade Federal de


Goiás, pós-graduado em Matemática Financeira e Estatística.
Leciona exclusivamente para concursos há 18 anos, minis-
trando: Matemática, Raciocínio Lógico e Estatística. Autor
dos livros Matemática Definitiva para Concursos e Raciocínio
Lógico Definitivo para Concursos pela editora GranCursos.

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Í N D I CE G E RAL

SIMULADO.......................................................................................................................................................7

LÍNGUA PORTUGUESA ................................................................................................................................13

GEOGRAFIA ................................................................................................................................................109

MATEMÁTICA...............................................................................................................................................127

CONHECIMENTOS SOBRE O IBGE..............................................................................................................261

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SIMULADO COMENTADO

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LÍNGUA PORTUGUESA 5 presente na cultura brasileira: o linguístico”. A reda-
(Comentários do autor Bruno Pilastre) ção acima poderia ter sido extraída do editorial de
uma revista, mas é parte do texto O oxente e o ok,
(TÉCNICO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO/ FUB/ CESPE) primeiro lugar na categoria opinião da 4.ª Olimpíada de
Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, realizada pelo
1 Estação do ano mais aguardada pelos brasileiros, o verão 10 Ministério da Educação em parceria com a Fundação
não é sinônimo apenas de praia, corpos à mostra e pele Itaú Social e o Centro de Estudos e Pesquisas em
bronzeada. O calor extremo provocado por massas de
Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC). A
ar quente ― fenômeno comum nessa época do ano,
autora do artigo é estudante do 2.º ano do ensino médio
5 mas acentuado na última década pelas mudanças cli-
em uma escola estadual do Ceará, e foi premiada
máticas ― traz desconfortos e riscos à saúde. Não se
trata somente de desidratação e insolação. Um estudo 15 ao lado de outros dezenove alunos de escolas públi-
da Faculdade de Saúde Pública de Harvard (EUA), o cas brasileiras, durante um evento em Brasília, no
maior a respeito do tema feito até o momento, mostrou último mês de dezembro. Como nos três anos anterio-
10 que as temperaturas altas aumentam hospitalizações res, vinte alunos foram vencedores ― cinco em cada
por falência renal, infecções do trato urinário e até gênero trabalhado pelo projeto. Além de opinião
mesmo sepse, entre outras enfermidades. “Embora 20 (2.º e 3º anos do ensino médio), a olimpíada destacou
tenhamos feito o estudo apenas nos EUA, as ondas de produções em crônica (9.º ano do ensino fundamental),
calor são um fenômeno mundial. Portanto, os resultados poema (5.º e 6.º anos) e memória (7.º e 8.º anos). Tudo
15 podem ser considerados universais”, diz Francesca regido por um só tema: “O lugar em que vivo”.
Domininci, professora de bioestatística da faculdade e
principal autora do estudo, publicado no jornal Jama, Língua Portuguesa, 1/2015. Internet:<www.revistalingua.uol.com.br>
(com adaptações)
da Associação Médica dos Estados Unidos. No Brasil,
não há estudos específicos que associem as ondas de
No que se refere aos sentidos, à estrutura textual e aos
20 calor a tipos de internações. “Não é só aí. No mundo
aspectos gramaticais do texto, julgue os itens a seguir.
todo, há pouquíssimas investigações a respeito dessa
relação”, afirma Domininci. “Precisamos que os colegas
de outras partes do planeta façam pesquisas seme- 7. Os trechos “especialista no assunto” (ℓ. 2 e 3), “o lin-
lhantes para compreendermos melhor essa importante guístico” (ℓ.5) e “primeiro lugar na categoria opinião
25 questão para a saúde pública”, observa. da 4.ª Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o
Futuro” (ℓ. 7 a 9) exercem a mesma função sintática,
Internet: <www.correioweb.com.br> (com adaptações). a de aposto.

Com relação às ideias e às estruturas do texto acima, 8. O elemento coesivo “mas” (ℓ.7) inicia uma oração co-
julgue os itens que se seguem. ordenada que exprime a ideia de concessão em uma
sequência de fatos.
1. Os elementos presentes no texto permitem classificá-lo
como narrativo. 9. Na linha 18, caso o travessão fosse substituído por
dois-pontos, não haveria prejuízo para a correção gra-
2. Mantêm-se a correção gramatical e o sentido original matical do texto.
do texto ao se substituir “há” (ℓ.19) por existe.
10. O termo “o brasileiro” (ℓ.3) exerce a função de sujeito
3. Seria mantida a correção gramatical do período caso
da oração em que se insere.
o fragmento “Estação do ano mais aguardada pelos
brasileiros” (ℓ.1) fosse deslocado e inserido, entre vír-
(TÉCNICO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO/ FUB/ CESPE)
gulas, após “verão” (ℓ.2) feitos os devidos ajustes de

maiúsculas e minúsculas.
1 A língua que falamos, seja qual for (português, inglês...),
não é uma, são várias. Tanto que um dos mais eminentes
SIMULADO

4. Os acentos gráficos das palavras “bioestatística” e “es-


pecíficos” têm a mesma justificativa gramatical. gramáticos brasileiros, Evanildo Bechara, disse a res-
BRUNO PILASTRE

peito: “Todos temos de ser poliglotas em nossa própria


5. O termo “aí” (ℓ.20) tem como referente “Brasil” (ℓ.18). 5 língua”. Qualquer um sabe que não se deve falar em
COMENTADO

uma reunião de trabalho como se falaria em uma mesa


6. O emprego da vírgula após “momento” (ℓ.9) explica-se de bar. A língua varia com, no mínimo, quatro parâme-
por isolar o adjunto adverbial, que está anteposto ao tros básicos: no tempo (daí o português medieval, renas-
verbo, ou seja, deslocado de sua posição padrão. centista, do século XIX, dos anos 1940, de hoje em dia);
10 no espaço (português lusitano, brasileiro e mais: um por-
(TÉCNICO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO/ FUB/ CESPE) tuguês carioca, paulista, sulista, nordestino); segundo a
 escolaridade do falante (que resulta em duas varieda-
1 “O preconceito linguístico é um equívoco, e tão nocivo des de língua: a escolarizada e a não escolarizada) e
quanto os outros. Segundo Marcos Bagno, especia- finalmente varia segundo a situação de comunicação,
lista no assunto, dizer que o brasileiro não sabe portu- 15 isto é, o local em que estamos, a pessoa com quem
guês é um dos mitos que compõem o preconceito mais falamos e o motivo da nossa comunicação ― e, nesse

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caso, há, pelo menos, duas variedades de fala: formal (VÁRIOS CARGOS / FUB / CESPE)
e informal. A língua é como a roupa que vestimos: há
um traje para cada ocasião. Há situações em que se 1 Neste ano, em especial, alguns cargos que tradicional-
20 deve usar traje social, outras em que o mais adequado é mente já são valorizados devem ficar ainda mais requi-
sitados. São promissores cargos ligados à ciência de
o casual, sem falar nas situações em que se usa maiô ou
dados, em especial ao big data e aos dispositivos móveis,
mesmo nada, quando se toma banho. Trata-se de normas 5 como celulares e tablets. Os novos profissionais da
indumentárias que pressupõem um uso “normal”. área de tecnologia ganham relevância pela capacidade
 Não é proibido ir à praia de terno, mas não é normal, de aprofundar a análise de informações e pela criação
25 pois causa estranheza. A língua funciona do mesmo de estratégias dentro de empresas. A tendência é que,
 modo: há uma norma para entrevistas de emprego, audi- à medida que esse mercado se desenvolva no Brasil,
ências judiciais; e outra para a comunicação em compras 10 aumentem as oportunidades nos próximos anos. Em
no supermercado. A norma culta é o padrão de linguagem momentos de incerteza econômica, buscar soluções
que se deve usar em situações formais. A questão é a para aumentar a produtividade é uma escolha certeira
para sobreviver e prosperar: nesse sentido, as empre-
30 seguinte: devemos usar a norma culta em todas as situ-
sas brasileiras estão fazendo o dever de casa.
ações? Evidentemente que não, sob pena de parecer-
mos pedantes. Dizer “nós fôramos” em vez de “a gente Veja, 7/1/2015, p. 55
(com adaptações)
tinha ido” em uma conversa de botequim é como ir de
terno à praia. E quanto a corrigir quem fala errado?
35 É claro que os pais devem ensinar seus filhos a se Com referência aos sentidos e às estruturas do texto
expressar corretamente, e o professor deve corrigir o acima, julgue os itens a seguir.
aluno, mas será que temos o direito de advertir o balco-
15. No texto, o uso das formas verbais no modo subjunti-
nista que nos cobra “dois real” pelo cafezinho?
vo em “desenvolva” e “aumentem”, ambas na (ℓ.9-10),
Língua Portuguesa. Internet: <www.revistalingua.uol.com.br> reforça a ideia de hipótese conferida ao substantivo
(com adaptações).
“tendência” (ℓ.8).

De acordo com o texto acima, julgue os seguintes itens. 16. Na linha 11, para a construção de sentidos do texto, a
forma verbal “é” está flexionada no singular para con-
11. De acordo com o contexto, estaria também correto o cordar com o núcleo do sujeito, “produtividade”.
emprego do sinal indicativo de crase em “quanto a”
(VÁRIOS CARGOS / FUB / CESPE)
(ℓ.34).

1 O eixo norteador da gestão estratégica de recursos


12. O pronome “outra” (ℓ.27) está empregado em referên-
humanos é a ênfase nas pessoas como variável determi-
cia ao termo “A língua” (ℓ.25).
nante do sucesso organizacional, visto que a busca pela
competitividade impõe à organização a necessidade
(VÁRIOS CARGOS / FUB / CESPE)
5 de contar com profissionais altamente qualificados, aptos
a fazer frente às ameaças e oportunidades do mer-
1 O fator mais importante para prever a performance de
cado. Essa construção competitiva sugere que a gestão
um grupo é a igualdade da participação na conversa.
estratégica de recursos humanos contribui para gerar
Grupos em que poucas pessoas dominam o diálogo têm vantagem competitiva sustentável por promover o
desempenho Pior do que aqueles em que há mais troca. 10 desenvolvimento de competências e habilidades,
5 O segundo fator mais importante é a inteligência social produz e difunde conhecimento, desenvolve as rela-
dos seus membros, medida pela capacidade que eles ções sociais na organização. A gestão deve ter como
têm de ler os sinais emitidos pelos outros membros objetivo maior a melhoria das performances profis-
do grupo. As mulheres têm mais inteligência social sional e organizacional, principalmente por meio do
que os homens, por isso grupos mais diversificados 15 desenvolvimento das pessoas em um sentido mais
SIMULADO COMENTADO

10 têm desempenho melhor. amplo. Dessa forma, o conhecimento e o desempe-


Gustavo Ioschpe. Veja, 31/12/2014, p. 33 nho representam, ao mesmo tempo, um valor eco-
(com adaptações) nômico à organização e um valor social ao indivíduo.

Valdec Romero. Aprendizagem organizacional, gestão do conhecimento e


Julgue os itens seguintes, referentes às ideias e às es- universidade corporativa: instrumentos de um mesmo construto.
truturas linguísticas do texto acima. Internet: (com adaptações)

13. Em todas as ocorrências de “têm” no texto (ℓ. 3, 8 e 10) Julgue os itens subsequentes, relativos às estruturas
linguísticas e às ideias do texto.
é exigido o uso do acento circunflexo para marcar o
plural. 17. Na linha 4, a forma verbal “impõe” exige dois comple-
mentos: um, introduzido pela preposição “a” ― por
14. Com o uso do pronome masculino “eles” (ℓ.6), ex- isso, o acento indicativo de crase em “à organização”
cluem-se da argumentação as mulheres, razão pela ―; e outro, sem preposição ― de que decorre o não
qual são citadas no período final do texto. uso da crase em “a necessidade”.

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18. As expressões “eixo norteador” (ℓ.1) e “fazer frente” 23. No desenvolvimento argumentativo do texto, admite-se
(ℓ.5) demonstram que o texto se afasta do nível de for- a substituição de “no aprendizado” (ℓ. 2) por para o
malidade da linguagem, aproximando-se do registro aprendizado.
coloquial ou oral.
(FCC – METRÔ SP – Técnico Segurança do Trabalho)
(VÁRIOS CARGOS - FUB / CESPE) Leia o texto abaixo para responder às questões de nú-
meros 24 a 28.
1 Se observarmos as nações desenvolvidas, verificare-
mos que elas se destacam em termos de produtividade 1 O criador da mais conhecida e celebrada canção
total dos fatores, ou seja, são países que tornaram sertaneja, Tristeza do Jeca (1918), não era, como se
as economias mais eficientes e produtivas e contam poderia esperar, um sofredor habitante do campo,
5 não só com a eficácia das máquinas e dos equipa- mas o dentista, escrivão de polícia e dono de loja
mentos de seu parque industrial, mas também com 5 Angelino Oliveira. Gravada por “caipiras” e “sertane-
o acesso a insumos mais sofisticados e adequados, jos”, nos “bons tempos do cururu autêntico”, assim
com mão de obra bem educada e formada, infra- como nos “tempos modernos da música ‘america-
estrutura adequada e custos justos de transação. nizada’ dos rodeios”, Tristeza do Jeca é o grande
Cledorvino Belini. O Brasil depois das eleições. exemplo da notável, embora pouco conhecida, fluidez
In: Correio Braziliense, 2/1/2015 (com adaptações).
10 que marca a transição entre os meios rural e
urbano, pelo menos em termos de música brasileira.
Julgue os próximos itens, relacionados às ideias e às
 Num tempo em que homem só cantava em tom
estruturas linguísticas do texto acima.
maior e voz grave, o Jeca surge humilde e sem vergo-
nha alguma da sua “falta de masculinidade”, choroso,
19. No desenvolvimento textual, subentende-se que a for-
 melancólico, lamentando não poder voltar ao passado e,
ma verbal “são” (ℓ.3) remete a “elas” (ℓ.2), ou seja, “as
15 assim, “cada toada representa uma saudade”. O Jeca
nações desenvolvidas” (ℓ.1).
de Oliveira não se interessa pelo meio rural da miséria,
das catástrofes naturais, mas pelo íntimo e sentimental,
20. Para a retomada de ideias na organização das ora-
e foi nesse seu tom que a música, caipira ou sertaneja,
ções do texto, admite-se, após “fatores” (ℓ.3), a substi-
ganhou forma.
tuição da vírgula por ponto e vírgula.
20 “A canção popular conserva profunda nostalgia da
(VÁRIOS CARGOS / FUB / CESPE) roça. Moderna, sofisticada e citadina, essa música foi e
é igualmente roceira, matuta, acanhada, rústica e sem
1 Um estudo da Universidade da Califórnia, em Davis – trato com a área urbana, de tal forma que, em todas
 EUA, mostra que a curiosidade é importante no essas composições, haja sempre a voz exemplar do
 aprendizado. Imagens dos cérebros de universitários 25 migrante, a qual se faz ouvir para registrar uma
 revelaram que ela estimula a atividade cerebral do situação de desenraizamento, de dependência e
5 hormônio dopamina, que parece fortalecer a memó- falta”, analisa a cientista política Heloísa Starling.
ria das pessoas. A dopamina está ligada à sensa-  Acrescenta o antropólogo Allan de Paula Oliveira:
ção de recompensa, o que sugere que a curiosi- “foi entre 1902 e 1960 que a música sertaneja surgiu
dade estimula os mesmos circuitos neurais ativados 30 como um campo específico no interior da MPB. Mas,
 por uma guloseima ou uma droga. Na média, os se num período inicial, até 1930, ‘sertanejo’ indicava
10 alunos testados deram 35 respostas corretas a 50 indistintamente as músicas produzidas no interior do
 perguntas acerca de temas que os deixavam curiosos e país, tendo como referência o Nordeste, a partir dos
27 de 50 questões sobre assuntos que não os atraíam. anos de 1930, ‘sertanejo’ passou a significar o caipira
Estimular a curiosidade ajuda a aprender. 35 do Centro-Sul. E, pouco mais tarde, de São Paulo.
Planeta, dez/2014, p. 14
Assim, se Jararaca e Ratinho, ícones da passagem do
(com adaptações) sertanejo nordestino para o ‘caipira’, trabalhavam no
SIMULADO

Rio, as duplas dos anos 1940, como Tonico e Tinoco,


BRUNO PILASTRE

A respeito das ideias e das estruturas linguísticas do trabalhariam em São Paulo”.


texto acima, julgue os itens subsecutivos.
(Adaptado de: HAAG, Carlos. “Saudades do Jeca no século
COMENTADO

XXI”. In: Revista Fapesp, outubro de 2009, p. 80-5.)


21. A retirada do termo “o” em “o que sugere” (ℓ.6) pre-
serva a relação entre as ideias, bem como a correção 24. . ...’sertanejo’ indicava indistintamente as músicas pro-
gramatical do texto, com a vantagem de ressaltar o pa- duzidas no interior do país... (último parágrafo)
ralelismo com o período sintático anterior. Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a for-
ma verbal resultante será:
22. Em um uso mais formal da língua, as regras de co- a. vinham indicadas.
locação pronominal do padrão culto permitem que o b. era indicado.
pronome átono em “que não os atraíam” (ℓ. 11) seja c. eram indicadas.
também utilizado depois do verbo, sob a forma de nos, d. tinha indicado.
ligada ao verbo por um hífen. e. foi indicada.

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25. Os pronomes “que” (1o parágrafo), “sua” (2o parágrafo)  A obra do zoólogo-compositor retrata as contradi-
e “a qual” (3o parágrafo), referem-se, respectivamente, ções da metrópole. São Paulo, nos anos 1960, já era um
a: estado que reunia parte significativa do PIB brasileiro. No
a. exemplo − Jeca − composições meio da multidão de migrantes, imigrantes e paulistanos,
b. fluidez − Jeca − voz exemplar do migrante 10 Vanzolini usava a mesma lupa de suas pesquisas para
c. Tristeza do Jeca − homem − canção popular observar as peculiaridades do dia a dia urbano: uma
d. exemplo − homem − voz exemplar do migrante briga de bar, a habilidade de um batedor de carteira
e. fluidez − homem − canção popular e, em Capoeira do Arnaldo, os fortes laços que unem
campo e cidade.
26. Substituindo-se o segmento grifado pelo que está en- 15 Em 1967, Paulo Vanzolini lança o primeiro LP. A
tre parênteses, o verbo que se mantém corretamente história desse disco é curiosa. Foi o primeiro trabalho
no singular, sem que nenhuma outra alteração seja fei- feito pelo selo Marcus Pereira. A música Volta por cima
ta na frase, está em: estava fazendo muito sucesso. Só que o já lendário
a. ...cada toada representa uma saudade... (todas as Vanzolini ainda não tinha disco autoral e andava irritado
toadas) 20 com as gravadoras por ter sido preterido pelo ameri-
b. Acrescenta o antropólogo Allan de Paula Oliveira... cano Ray Charles na escolha da confecção de um
(os antropólogos)... LP. Aos poucos, Marcus Pereira ganhou a confiança
c. A canção popular conserva profunda nostalgia da do compositor, que acabou cedendo ao lançamento
roça. (As canções populares) do LP Onze sambas e uma capoeira, com arranjos de
d. Num tempo em que homem só cantava em tom 25 Toquinho e Portinho e participação de Chico Buarque,
maior e voz grave... (quase todos os homens) Adauto Santos, Luiz Carlos Paraná, entre outros. As
e. ...’sertanejo’ passou a significar o caipira do Cen- músicas eram todas de Vanzolini: Praça Clóvis, Samba
tro- -Sul... (os caipiras do Centro-Sul) erudito, Chorava no meio da rua.
30 Vanzolini não era um compositor de muitos par-
27. Considere as frases abaixo para responder à questão.
ceiros. Tem músicas com Toquinho, Elton Medeiros
e Paulinho Nogueira. Só mesmo a pena elegante do
a) Como faziam parte de um mesmo contexto, para o
crítico da cultura Antonio Candido para sintetizar a
sertanejo não havia razão para separar “sertanejo”
obra de Vanzolini: “Como autor de letra e música ele
de “caipira”.
35 é de certo modo o oposto da loquacidade, porque não
b) Não se sabe ao certo como e quando precisamente
espalha, concentra; não esbanja, economiza − traba-
a música country passou a ocupar o lugar da músi-
lhando sempre com o mínimo para atingir o máximo”.
ca sertaneja.
Mantendo-se o sentido original e a correção, os termos (Adaptado de DINIZ, André. Almanaque do samba. Rio de
Janeiro, Zahar, 2012, formato ebook).
sublinhados acima podem ser substituídos, respectiva-
mente, por:
29. ... ele conciliava as noites de boemia com a rotina de
a. Uma vez que − de que modo
professor, pesquisador e zoólogo famoso.
b. Contanto que − conforme
c. Quando − de que maneira
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o
d. Visto que − conforme
e. Contudo − o que grifado acima se encontra em:
a. Tem músicas com Toquinho, Elton Medeiros e Pau-
28. ...... do preconceito ...... é objeto a música caipira, ....... linho Nogueira.
sua linguagem, vez ou outra, afastar-se da norma cul- b. As músicas eram todas de Vanzolini.
ta, ela é hoje reconhecida como uma das mais respei- c. Por mais incrível que possa parecer...
tadas manifestações musicais do país. Mantendo-se d. ... os fortes laços que unem campo e cidade.
a lógica e a correção, preenche as lacunas da frase e. ... porque não espalha...
SIMULADO COMENTADO

acima, na ordem dada, o que está em:


a. Em razão − a que − por 30. Em conformidade com o contexto, afirma-se correta-
b. Em virtude – a que – em razão de mente:
c. A despeito − em que − embora a. O termo Vanzolini em Só que o já lendário Vanzoli-
d. Não obstante − de que − embora ni ainda não tinha... (3o parágrafo) pode ser isolado
e. Apesar – de que – por por vírgulas.
b. O travessão em ...porque não espalha, concentra;
Considere o texto abaixo para responder às questões não esbanja, economiza − trabalhando sempre...
de números 29 e 30. (último parágrafo) pode ser substituído por ponto
final, fazendo-se as devidas alterações entre mai-
1 Não há melhor representante da boemia paulis- úsculas e minúsculas.
tana do que o compositor e cientista Paulo Vanzolini. c. No segmento As músicas eram todas de Vanzoli-
Por mais incrível que possa parecer, ele conciliava as ni: Praça Clóvis, Samba erudito, Chorava no meio
noites de boemia com a rotina de professor, pesquisador da rua..., (3o parágrafo) os dois-pontos introduzem
uma enumeração.
5 e zoólogo famoso.

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d. No segmento ...para sintetizar a obra de Vanzolini: 16. C. De fato, o modo subjuntivo expressa a ação ou
“Como autor... (último parágrafo) os dois-pontos in- estado denotado pelo verbo como um fato irreal, ou
troduzem uma ressalva acerca do que se afirmou simplesmente possível ou desejado, ou que emite
antes. sobre o fato real um julgamento. Assim, há compatibi-
e. Em ...para observar as peculiaridades do dia a dia lidade entre a ideia de hipótese conferida ao substan-
urbano: uma briga de bar... (2o parágrafo), os dois tivo “tendência” e a forma verbal no modo subjuntivo.
pontos podem ser substituídos por ponto e vírgula, 
sem prejuízo do sentido original. 17. E. “produtividade” não é núcleo do sujeito.

18. C. O verbo “impor”, na construção em questão, é
GABARITO COMENTADO bitransitivo. O objeto direto é “a necessidade” e o
 objeto indireto é “a organização”: impor a necessi-
1. E. Trata-se, na verdade, de um texto expositivo. dade à organização.
 
2. E. O verbo “há” (l. 19) deve ser substituído pela forma 19. E. Pelo contrário. As formas as expressões em ques-
“existem”, a qual passa a concordar com “estudos tão são formais.
específicos” (l. 19). 
 20. C. A cadeia referencial da primeira parte do período com-
3. C. A expressão nominal em questão é um aposto, o partilha o mesmo sujeito semântico. Nações desenvol-
qual pode, sim, ser deslocado para a posição poste- vidas = elas = sujeito elíptico da forma “são”.
rior ao nome a que faz referência (verão). 
 21. C. A substituição é possível, uma vez que o ponto e
4. C. Ambas são proparoxítonas. vírgula assinala pausa mais forte que a da vírgula e
 menos acentuada que a do ponto – o que é compatí-
5. C. De fato, o referente locativo da forma “aí” é Brasil. vel com a construção em questão.
 
6. E. O termo em destaque faz referência ao nome 22. E. Ao se retirar o termo “o”, a expressão adquire valor de
“estudo” (l. 7). Não se trata, então, de adjunto adverbial. oração subordinada adjetiva. Nesse caso, “que sugere...”
 fará referência apenas ao nome “recompensa”, o que
7. C. De fato, os trechos destacados são expressões de modifica a relação entre as ideias do texto.
natureza substantiva que se referem a outra expres- 
são de natureza substantiva ou pronominal. 23. E. A partícula negativa “não” é atrativa.
 
8. E. O elemento coesivo “mas” inicia, no texto citado, 24. C. São formas intercambiáveis.
uma oração coordenada que exprime ideia adversa- 
tiva. 25. C. As músicas produzidas no interior do país eram
 indicadas. A forma verbal (auxiliar + particípio) deve
9. C. O travessão pode ser substituído por dois-pontos concordar com o sujeito sintático “As músicas produ-
e por vírgula, inexistindo prejuízo para a correção zidas no interior do país”.
gramatical. 
 26. B. Todas as formas pronominais em questão são
10. C. A oração em questão é “o brasileiro não sabe por- expressões anafóricas. Assim, é correto afirmar que
tuguês”, cujo sujeito é “o brasileiro”. O predicado é retomam os antecedentes citados, inexistindo incon-
“não sabe português”. sistência na relação que-fluidez, sua-Jeca e a qual-voz
 exemplar do migrante.
11. E. A forma verbal “corrigir” é refratária à presença 
de artigo. Assim, impossibilita-se o emprego do sinal 27. E. Não há mudança na forma verbal, uma vez que o
indicativo de crase (pois não há fusão de dois a). termo grifado é objeto do verbo – inexistindo possibi-
 lidade de concordância.
SIMULADO

12. E. Não há referência anafórica à expressão “A língua”. 28. A. A opção (A) é a mais adequada, o que comprova
BRUNO PILASTRE

No trecho em questão, a reconstrução da ideia é a a reescritura do trecho: Uma vez que faziam parte
seguinte: “A língua funciona do mesmo modo: há de um mesmo contexto, para o sertanejo não havia
uma norma para entrevistas de emprego, audiências razão para separar “sertanejo” de “caipira”.
COMENTADO

judiciais; e outra (NORMA) para a comunicação em  Não se sabe ao certo de que modo e quando precisa-
compras no supermercado.” mente a música country passou a ocupar o lugar da
13. música sertaneja.
14. C. Na primeira ocorrência, a forma “têm” concorda com 
“Grupos” (l. 3); na segunda, concorda com “eles” (l. 6); 29. E. A melhor construção é a seguinte: Apesar do pre-
na terceira, concorda com “mulheres” (l. 8); na quarta, conceito de que é objeto a música caipira, por sua
concorda com “grupos mais diversificados” (l. 9). linguagem, vez ou outra [...].
 
15. E. Não há exclusão, uma vez que, no texto, o pro- 30. B. A noção de tempo e modo é o pretérito imperfeito.
nome “eles” faz referência a termos como “grupos” e 
“membros”, dos quais incluem as mulheres. 31. C. É, sim, uma enumeração (aposto enumerativo).

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LÍNGUA PORTUGUESA

S U M ÁRI O

ELEMENTOS DE CONSTRUÇÃO DO TEXTO E SEU SENTIDO: GÊNERO DO TEXTO (LITERÁRIO E NÃO


LITERÁRIO, NARRATIVO, DESCRITIVO E ARGUMENTATIVO); INTERPRETAÇÃO E ORGANIZAÇÃO IN-
TERNA............................................................................................................................................................63
SEMÂNTICA: SENTIDO E EMPREGO DOS VOCÁBULOS; CAMPOS SEMÂNTICOS; EMPREGO DE TEM-
POS E MODOS DOS VERBOS EM PORTUGUÊS............................................................................................58
MORFOLOGIA: RECONHECIMENTO, EMPREGO E SENTIDO DAS CLASSES GRAMATICAIS; PROCES-
SOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS; MECANISMOS DE FLEXÃO DOS NOMES E VERBOS..........................42
SINTAXE: FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO; TERMOS DA ORAÇÃO; PROCESSOS DE COORDENAÇÃO E
SUBORDINAÇÃO; CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL; TRANSITIVIDADE E REGÊNCIA DE NO-
MES E VERBOS; PADRÕES GERAIS DE COLOCAÇÃO PRONOMINAL NO PORTUGUÊS; MECANISMOS
DE COESÃO TEXTUAL....................................................................................................................................49
ORTOGRAFIA.................................................................................................................................................14
ACENTUAÇÃO GRÁFICA...............................................................................................................................28
EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE...............................................................................................54
PONTUAÇÃO.................................................................................................................................................61
ESTILÍSTICA: FIGURAS DE LINGUAGEM. REESCRITA DE FRASES: SUBSTITUIÇÃO, DESLOCAMENTO,
PARALELISMO; VARIAÇÃO LINGUÍSTICA: NORMA CULTA...........................................................................84

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PARTE 1 – GRAMÁTICA DICA PARA A PROVA!
CAPÍTULO 1 – FONOLOGIA
Os certames costumam avaliar esse conteúdo da se-
ORTOGRAFIA OFICIAL guinte forma:

Iniciamos nossos trabalhos com o tema Ortografia 1. O vocábulo cujo número de letras é igual ao de fone-
BRUNO

Oficial. Sabemos que a correção ortográfica é requisito ele-


BRUNO PISLASTRE

mas está em:


mentar de qualquer texto. Muitas vezes, uma simples troca a. casa.
de letras pode alterar não só o sentido da palavra, mas de b. hotel.
PILASTRE

toda uma frase. Em sede de concurso público, temos de c. achar.


estar atentos para evitar descuidos. d. senha.
Nesta seção, procuraremos sanar principalmente um e. grande.
tipo de erro de grafia: o que decorre do emprego inade-
quado de determinada letra por desconhecimento da grafia
Resposta: item (a).
da palavra.
Antes, porém, vejamos a distinção entre o plano
Palavras-chave!
sonoro da língua (seus sons, fonemas e sílabas) e a
representação gráfica (escrita/grafia), a qual inclui sinais Fonema: unidade mínima das línguas naturais no nível fonê-
gráficos diversos, como letras e diacríticos. mico, com valor distintivo (distingue morfemas ou palavras com
É importante não confundir o plano sonoro da língua significados diferentes, como faca e vaca).
Sílaba: vogal ou grupo de fonemas que se pronunciam numa só
com sua representação escrita. Você deve observar que
emissão de voz, e que, sós ou reunidos a outros, formam pala-
a representação gráfica das palavras é realizada pelo sis- vras. Unidade fonética fundamental, acima do som. Toda sílaba
tema ortográfico, o qual apresenta características especí- é constituída por uma vogal.
ficas. Essas peculiaridades do sistema ortográfico são res- Escrita: representação da linguagem falada por meio de signos
gráficos.
ponsáveis por frequentes divergências entre a forma oral
Grafia: (i) representação escrita de uma palavra; escrita, trans-
(sonora) e a forma escrita (gráfica) da língua. Vejamos três crição; (ii) cada uma das possíveis maneiras de representar por
casos importantes: escrito uma palavra (inclusive as consideradas incorretas); por
I – Os dígrafos: são combinações de letras que repre- exemplo, Ivan e Ivã; atrás (grafia correta) e atraz (grafia incor-
reta); farmácia (grafia atual) e pharmacia (grafia antiga); (iii)
sentam um só fonema.
transcrição fonética da fala, por meio de um alfabeto fonético
II – Letras diferentes para representar o mesmo fone- ('sistema convencional').
ma. Letra: cada um dos sinais gráficos que representam, na transcri-
III – Mesma letra para representar fonemas distintos. ção de uma língua, um fonema ou grupo de fonemas.
Diacrítico: sinal gráfico que se acrescenta a uma letra para
conferir-lhe novo valor fonético e/ou fonológico. Na ortografia do
Para ilustrar, selecionamos uma lista de palavras para português, são diacríticos os acentos gráficos, a cedilha, o trema
representar cada um dos casos. O quadro a seguir apre- e o til.
senta, na coluna da esquerda, a lista de palavras; na coluna
da direita, a explicação do caso. EMPREGO DAS LETRAS

Exemplos Explicação do caso EMPREGO DE VOGAIS


Temos, nessa lista de palavras, exemplos de dígra-
Achar
fos. Em achar, as duas letras (ch) representam um
Quilo As vogais na língua portuguesa admitem certa varie-
único som (fricativa pós-alveolar surda). O mesmo
Carro dade de pronúncia, dependendo de sua intensidade (isto é,
vale para a palavra quilo, em que o as duas letras
Santo
(qu) representam o som (oclusiva velar surda). se são tônicas ou átonas), de sua posição na sílaba etc. Por
Exato Nessa lista de palavras, encontramos três letras haver essa variação na pronúncia, nem sempre a memó-
Rezar diferentes (x, z e s) para representar o mesmo ria, baseada na oralidade, retém a forma correta da grafia, a
Pesar fonema (som): fricativa alveolar sonora.
qual pode ser divergente do som.
Mesma letra para representar fonemas distintos. A
Xadrez Como podemos solucionar esses equívocos? Temos
letra x pode representar cinco sons distintos: (i) con-
Fixo
soante fricativa palatal surda; (ii) grupo consonantal de decorar todas as palavras (e sua grafia)? Não. A leitura e
Hexacanto
[cs]; (iii) grupo consonantal [gz]; (iv) consoante frica- a prática da escrita são atividades fundamentais para evitar
Exame
tiva linguodental sonora [z]; e consoante fricativa erros.
Próximo
côncava dental surda.
Para referência, apresentamos a lista a seguir, a qual
não é exaustiva. Em verdade, a lista procura incluir as difi-
Há, também, letras que não representam nenhum
culdades mais correntes em língua portuguesa.
fonema, como nas palavras hoje, humilde, hotel.

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E ou I? imbuir júri
imergir (mergulhar) linimento (medicamento
Palavras com E, e não I. imigrar (entrar em país untuoso)
estrangeiro) meritíssimo
acarear encômio (elogio) iminente (próximo) miscigenação
acreano (ou acriano) endireitar imiscuir-se parcimônia

LÍNGUA PORTUGUESA
aéreo entonação inclinar possui(s)
ante- entremear incorporar (encorpar) premiar
antecipar entronizar incrustar (encrostar) presenciar
antevéspera enumerar indigitar privilégio
aqueduto estrear infestar remediar
área falsear influi(s) requisito
beneficência granjear inigualável sentenciar
beneficente hastear iniludível silvícola
betume homogêneo inquirir (interrogar) substitui(s)
boreal ideologia intitular verossímil
cardeal indeferir (negar) irrupção
carestia legítimo O ou U?
cedilha lenimento (que suaviza)
cercear menoridade Palavras com O, e não U.
cereal meteorito
continue meteoro(logia)
de antemão nomear abolir mochila
deferir (conceder) oceano agrícola ocorrência
delação (denúncia) palavreado bobina pitoresco
demitir parêntese (ou parênte- boletim proeza
derivar sis) bússola Romênia
descortinar passeata cobiça(r) romeno
descrição preferir comprido (extenso, longo) silvícola
despender prevenir comprimento (extensão) sortido (variado)
despensa (onde se quase concorrência sotaque
guardam comestíveis) rarear costume tribo
despesa receoso encobrir veio
elucidar reentrância explodir vinícola
embutir sanear marajoara
emergir (para fora) se
emigrar (sair do país) senão Palavras com U, e não O.
eminência (altura, exce- sequer
lência) seringueiro acudir lucubração
empecilho testemunha bônus ônus
empreender vídeo cinquenta régua
cumprido (realizado) súmula
cumprimento (saudação) surtir (resultar)
Palavras com I, e não E. cúpula tábua
Curitiba tonitruante
aborígine diferir (divergir) elucubração trégua
acrimônia dilação (adiamento) embutir usufruto
adiante dilapidar entabular vírgula
ansiar dilatar (alargar) légua vírus
anti- discrição (reserva)
arqui- discricionário ENCONTROS VOCÁLICOS
artifício discriminar (discernir,
atribui(s) separar) EI ou E?
cai dispêndio
calcário dispensa (licença) Palavras com EI, e não E.
cárie (cariar) distinguir
aleijado ceifar
chefiar distorção
alqueire colheita
cordial dói
ameixa desleixo
desigual feminino
cabeleireiro madeireira
diante frontispício

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peixe reivindicar Palavras-chave!
queijo seixo
queixa(r-se) treinar Vogal: som da fala em cuja articulação a parte oral
reiterar treino do canal de respiração não fica bloqueada nem constrita
o bastante para causar uma fricção audível. Ou cada uma
das letras que representam os fonemas vocálicos de uma
Palavras com E, e não EI.
língua. Em português são cinco: a, e, i, o, u, além do y,
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

acrescentado pelo Acordo Ortográfico da Língua Portu-


adrede ensejar, ensejo
guesa de 1990.
alameda entrecho
PILASTRE

Semivogal: som da fala ou fonema que apresenta


aldeamento (mas aldeia) estrear, estreante um grau de abertura do canal bucal menor do que o das
alhear (mas alheio) frear, freada vogais e maior do que o das consoantes, e que ocorre no
almejar igreja início ou fim da sílaba, nunca no meio (as mais comuns
azulejo lampejo são as semivogais altas fechadas i e u, em pai, quadro,
bandeja lugarejo pau); semiconsoante, vogal assilábica.
calejar malfazejo Ditongo: emissão de dois fonemas vocálicos (vogal
caranguejo manejar, manejo e semivogal ou vice-versa) numa mesma sílaba, carac-
carqueja morcego terizada pela vogal, que nela representa o pico de sono-
cereja percevejo ridade, enquanto a semivogal é enfraquecida. Além do
cortejo recear, receoso ditongo intraverbal – no interior da palavra, como pai,
despejar, despejo refrear muito –, ocorre em português também o ditongo inter-
drenar remanejo verbal, entre duas palavras (por exemplo, na sequência
embreagem sertanejo Ana e Maria), que exerce papel importante na versifica-
embrear tempero ção portuguesa.
enfear varejo Tritongo: grupo de três vogais em uma única sílaba.
Hiato: grupo de duas vogais contíguas que perten-
cem a sílabas diferentes (por exemplo: aí, frio, saúde).
OU ou O?

Palavras com OU, e não O. EMPREGO DE CONSOANTES


agourar pouco
arroubo pousar De modo semelhante ao emprego das vogais, há algu-
cenoura roubar mas consoantes – especialmente as que formam dígrafos,
dourar tesoura ou a muda (h), ou, ainda, as diferentes consoantes que
estourar tesouro representam um mesmo som – constituem dificuldade adi-
frouxo cional à correta grafia.
lavoura
A lista a seguir é consultiva.
Palavras com O, e não OU.
Emprego do H: com o H ou sem o H?
Haiti herbáceo (mas erva)
alcova halo herdar
ampola hangar herege
anchova (ou enchova) harmonia hermenêutica
arroba haurir hermético
arrochar, arrocho Havaí herói
arrojar, arrojo Havana hesitar
barroco haxixe hiato
cebola hebdomadário híbrido
desaforo
hebreu hidráulica
dose
hectare hidravião (hidroavião)
empola
hediondo hidro- (prefixo = água)
engodo
hedonismo hidrogênio
estojo
Hégira hierarquia
malograr, malogro
Helesponto hieróglifo (ou hieroglifo)
mofar, mofo
hélice hífen
oco
hemi- (prefixo = meio)
posar higiene
hemisfério
rebocar Himalaia
hemorragia
hindu
herança

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hino homogêneo O fonema /s/: C, Ç ou S ou SS ou X ou XC?
hiper- (prefixo = sobre) homologar
hipo- (prefixo = sob) homônimo Palavras com C, Ç, e não S, SS, ou SC.
hipocrisia honesto
hipoteca honorários à beça ceia
hipotenusa honra absorção ceifar

LÍNGUA PORTUGUESA
hipótese horário abstenção célere
hispanismo horda açaí celeuma
histeria horizonte açambarcar célula
hodierno horror acender (iluminar) cem (cento)
hoje horta acento (tom de voz, cemitério
holandês hóspede símbolo gráfico) cenário
holofote hospital acepção censo (recenseamento)
homenagear hostil acerbo censura
homeopatia humano acerto (ajuste) centavo
homicida humilde acervo cêntimo
homilia (ou homília) humor acessório centro
homogeneidade Hungria aço (ferro temperado) cera
açodar (apressar) cerâmica
O fonema /ž/: G ou J?
açúcar cerca
açude cercear
Palavras com G, e não J.
adoção cereal
afiançar cérebro
adágio garagem agradecer cerne
agenda geada alçar cerração (nevoeiro)
agiota gelosia
alicerçar cerrar (fechar, acabar)
algema gêmeo
alicerce cerro (morro)
algibeira gengiva
apogeu gesso almaço certame
argila gesto almoço certeiro
auge Gibraltar alvorecer certeza, certidão
Bagé (mas bajeense) gíria amadurecer certo
Cartagena giz amanhecer cessação (ato de cessar)
digerir herege ameaçar cessão (ato de ceder)
digestão impingir aparecer cessar (parar)
efígie ligeiro apreçar (marcar preço) cesta
égide miragem apreço ceticismo
Egito monge aquecer cético
egrégio ogiva arrefecer chacina
estrangeiro rigidez arruaça chance
evangelho sugerir
asserção chanceler
exegese tangente
assunção cicatriz
falange viageiro
ferrugem viagem babaçu ciclo
fuligem vigência baço ciclone
balança cifra
Palavras com J, e não G. Barbacena cifrão
Barcelona cigarro
berço cilada
ajeitar lisonjear caça cimento
eles viajem (forma verbal) lojista cacique cimo
encoraje (forma verbal) majestade caçoar cingalês (do Ceilão)
enjeitar majestoso caiçara Cingapura (tradicional:
enrijecer objeção
calça Singapura)
gorjeta ojeriza
calhamaço cínico
granjear projeção
injeção projetil (ou projétil) cansaço cinquenta
interjeição rejeição carecer cinza
jeca rejeitar carroçaria (ou carroceria) cioso
jeito rijeza castiço ciranda
jenipapo sujeito cebola circuito
jerimum ultraje cê-cedilha circunflexo
jesuíta cédula círio (vela)

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cirurgia maçada (importunação) Palavras com S, e não C, SC, ou X.
cisão maçante
cisterna maçar (importunar)
citação macerar adensar falso, falsidade
cizânia maciço adversário farsa
coação macio amanuense imersão
cobiçar maço (de cartas) ânsia, ansiar impulsionar
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

cociente (ou quociente) maçom (ou mação) apreensão incompreensível


coerção manutenção ascensão (subida) incursão
coercitivo menção autópsia insinuar
PILASTRE

coleção mencionar aversão insípido


compunção muçulmano avulso insipiente (ignorante)
concelho (município) noviço balsa insolação
concertar (ajustar, har- obcecação (mas obsessão) bolso intensão (tensão)
monizar) obcecar bom-senso intensivo
concerto (musical, acordo) opção canhestro intrínseco
concessão orçamento cansaço inversão
concílio (assembleia) orçar censo (recenseamento) justapor
conjunção paço (palácio) compreensão mansão
consecução panaceia compulsão misto, mistura
Criciúma parecer condensar obsessão (mas obce-
decepção peça consecução cação)
decerto penicilina conselheiro (que aconselha) obsidiar
descrição (ato de des- pinçar conselho (aviso, parecer) obsoleto
crever) poça, poço consenso pensão
desfaçatez presunção consentâneo percurso
discrição (reserva) prevenção consertar (remendar) persa
disfarçar quiçá contrassenso Pérsia
distinção recender contraversão persiana
distorção recensão controvérsia perversão
docente rechaçar conversão precursor
empobrecer rechaço convulsão pretensão
encenação remição (resgate) Córsega propensão
endereço resplandecer defensivo propulsão
enrijecer roça defensor pulsar
erupção ruço (grisalho) descansar recensão
escaramuça sanção (ato de sancionar) descensão, descenso recensear, recenseamento
escocês soçobrar (descida) remorso
Escócia súcia desconsertar (desarranjar) repreensão
esquecer sucinto despensa (copa, armário) repulsa
estilhaço Suíça, suíço despretensão reverso
exceção taça dimensão salsicha
excepcional tapeçaria dispensa(r) Sansão
exibição tecelagem dispersão seara
expeço tecelão dissensão sebe
extinção tecer distensão sebo
falecer tecido diversão seção (ou secção)
fortalecer tenção (intenção) diverso seda
Iguaçu terça emersão segar (ceifar, cortar)
impeço terço espoliar sela (assento)
incerto (não certo) terraço estender (mas extensão) semear
incipiente (iniciante) vacilar estorno semente
inserção viço estorricar senado
intercessão vizinhança excursão senha
isenção expansão sênior
laço expensas sensato
liça (luta) extensão (mas estender) senso
licença extorsão série
lucidez extrínseco seringa
lúcido falsário sério

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serra Síria grassar progresso
seta sismo idiossincrasia promessa
severo sito, situado imissão promissor
seviciar submersão impressão promissória
Sevilha subsidiar ingressar regressar, regressivo
Sibéria subsistência insosso remessa

LÍNGUA PORTUGUESA
Sicília suspensão insubmissão remissão (ato de remitir)
siderurgia tensão (estado de tenso) interesse remissivo
sigilo tergiversar intromissão repercussão
sigla Upsala (ou Upsália) macrossistema repressão, repressivo
Silésia utensílio massa ressalva(r)
silício versão messe ressarcir
silo versátil, versáteis messiânico ressentir
sinagoga microssistema ressequir
Sinai missa ressonar
Singapura (Cingapura) missionário ressurreição
singelo mocassim retrocesso
singrar necessidade russo (da Rússia)
sintoma obsessão sanguessuga
opressão secessão (separação)
pássaro sessão (reunião)
Palavras com SS, e não C, Ç.
passear sessar (peneirar)
passeata sobressalente (ou sobres-
Abissínia concessão passeio selente)
acessível condessa passo sossego
admissão confissão permissão submissão
aerossol cossaco pêssego sucessão
agressão crasso pessimismo sucessivo
amassar (massa) cromossomo possessão tessitura
apressar (pressa) demissão potássio tosse
argamassa depressa pressagiar, presságio travessa
arremessar depressão pressão, pressionar travessão
assacar dessecar (secar bem) processão (procedência) uníssono
assassinar devassar procissão (préstito) vassoura
assear dezesseis professo verossímil
assecla dezessete profissão vicissitude
assediar digressão progressão
assentar discussão
assento (assentar) dissensão Palavras com SC, e não C, Ç, S, SS.
asserção dissertação
asserto, assertiva (afir- dissídio
mação) dissimulação abscesso descentralização
assessor dissipar abscissa descer
asseverar dissuadir acrescentar descida
assíduo dossiê acrescer, acréscimo discente
assimetria ecossistema adolescente discernimento
assinar eletrocussão apascentar disciplina(r)
Assíria emissão aquiescência discípulo
assolar empossar (dar posse a) aquiescer efervescência
aterrissagem endossar ascender fascículo
atravessar escassear ascensão fascismo
avassalar escassez asceta florescer
avesso escasso condescendência imisção (mistura)
bússola excessivo consciência imiscível
cassar (anular) excesso cônscio imprescindível
cassino expressão convalescer intumescer
cessão (ato de ceder) fissura crescente irascível
comissão compasso fosso crescer isóscele(s)
compressa fracasso descendência miscelânea
compromisso gesso descender miscigenação

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nascença reminiscência estremar (dividir, separar) inesgotável
nascer renascença estremecer justapor, justaposição
néscio rescindir estrutura misto
obsceno rescisão esvaecer mistura
onisciência ressuscitar esvair-se teste
oscilar, oscilação seiscentésimo
piscicultura seiscentos
BRUNO

Palavras com XC (entre vogais), com valor de /s/.


BRUNO PISLASTRE

piscina suscetível
plebiscito suscitar
prescindir transcendência
PILASTRE

exceção excepcional
recrudescer víscera
excedente excerto
remanescente
exceder excesso
excedível exceto
Palavras com X, e não S, SS.
excelência excetuar
excelente excipiente
apoplexia êxtase, extático excelso excitação
aproximar extensão (mas estender) excentricidade excitar
auxílio extenuar excêntrico inexcedível
contexto externo (exterior)
exclusivo extirpar O fonema /z/: Z, S ou X?
expectador (que tem extraordinário
esperança) extrapolar Palavras com Z, e não S.
expectativa extrato
expender extremado
expensas extroversão abalizado assaz
experiência inexperiência abalizar atemorizar
experimentar inextricável acidez aterrorizar
experto (sabedor) máxima aduzir atriz
expiação próximo, proximidade agilizar atroz
expiar (pagar, remir) sexta agonizar atualizar
expirar (morrer) sextante agudez(a) audaz
explanar sexto (ordinal) ajuizar automatizar
expletivo sintaxe alcoolizar autorizar
explicar têxtil, têxteis algazarra avalizar
explícito texto algoz avareza
explorar textual alteza avestruz
expoente textura altivez avidez
expor Amazonas avizinhar
amenizar azar
americanizar azedar
Palavras com S, e não X.
amizade azeite
amortizar azeitona
adestrar esplanada
anarquizar azimute
contestar esplêndido
andaluz azul, azuis
destreza esplendor
Andaluzia baixeza
destro espoliação
antipatizar baliza
escavar espontâneo
apaziguar banalizar
esclarecer espraiar
aprazar barbarizar
escorreito espremer
aprazível bazar
escusa(r) esquisito
aprendizado bazuca
esdrúxulo estagnar
arborizar beleza
esfolar estático
arcaizar bel-prazer
esgotar estender, estendido
aridez bendizer
esgoto esterno (osso)
Arizona bezerro
esôfago estirpe
armazém bissetriz
espectador (que vê) estrangeiro
aromatizar Bizâncio
esperteza estranhar
arrazoado bizantino
esperto estrato (camada)
arrazoar bizarro
espiar (espreitar) estratosfera
arroz (-al, -eiro) braveza, brabeza
espirar (soprar, exalar) estrema (marco, limite)
aspereza burocratizar

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cafezal desprezar foz loquaz
cafezeiro destreza fraqueza lucidez
cafezinho dez frieza luz
cafuzo dezembro fugaz maciez(a)
canalizar dezena fuzil(eiro), fuzilar madureza
canonizar dezenove galvanizar magazine

LÍNGUA PORTUGUESA
capataz dezesseis gaze magnetizar
capaz dezessete gazear magreza
capitalizar dezoito gazeta maldizer
caracterizar diretriz gazua malfazer
carbonizar divinizar generalizar martirizar
cartaz dizer gentileza materializar
categorizar dizimar giz matiz(ar)
catequizar (mas cate- dízimo gozar, gozo matriz
quese) dogmatizar grandeza mazela
cauterizar doze granizo menosprezar
celebrizar dramatizar gravidez mercantilizar
centralizar dureza harmonizar meretriz
certeza duzentos higienizar mesquinhez
chafariz dúzia hipnotizar mezinha (remédio)
chamariz economizar honradez militarizar
cicatriz(ar) eficaz horizonte miudeza
circunvizinho eletrizar horrorizar mobilizar
civilizar embaixatriz hospitalizar modernizar
cizânia embelezar hostilizar monopolizar
clareza embriaguez humanizar moralizar
climatizar encolerizar idealizar morbidez
coalizão encruzilhada imortalizar mordaz
colonizar enfatizar imperatriz motorizar
comezinho enraizar impureza motriz
concretizar entronizar imunizar mudez
condizer escandalizar indenizar nacionalizar
conduzir escassez individualizar nariz
confraternizar escravizar indizível naturalizar
conscientizar especializar industrializar natureza
contemporizar espezinhar induzir Nazaré
contradizer esquizofrenia infeliz nazismo
contumaz esterilizar inferiorizar neutralizar
corporizar estigmatizar inimizar nitidez
correnteza estilizar insipidez nobreza
cotizar estranheza inteireza noz (fruto da nogueira)
cozer (cozinhar) estupidez intelectualizar nudez
cozido esvaziar internacionalizar obstaculizar
cozinhar eternizar intrepidez oficializar
cristalizar evangelizar introduzir ojeriza
cristianizar exteriorizar inutilizar organizar
crueza familiarizar invalidez orizicultura
cruzada fazenda ironizar ozônio
cruzar, cruzeiro fazer jaez palidez
cupidez feliz(ardo) jazida parabenizar
czar (tzar) feroz jazigo particularizar
deduzir fertilizar juiz, juízes pasteurizar
delicadeza finalizar juízo paz
democratizar fineza (delicadeza) justeza penalizar
desautorizar firmeza largueza pequenez
desfaçatez fiscalizar latinizar permeabilizar
deslizar (escorregar) flacidez lazer perspicaz
deslize fluidez legalizar pertinaz
desmazelo formalizar ligeireza placidez
desmoralizar fortaleza localizar pluralizar

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pobreza sistematizar Palavras com S, e não Z.
polidez sisudez
popularizar socializar
aburguesar carmesim
pormenorizar solenizar
abusar, abuso casa(r)
prazer, prazeroso solidez
aceso casamento
prazo sordidez
acusar, acusativo casebre
preconizar sozinho
BRUNO

adesão, adesivo caserna


BRUNO PISLASTRE

prejuízo suavizar
afrancesar caso
pressurizar Suazilândia
agasalhar casual
presteza Suez
PILASTRE

aguarrás casuísta
prezado (estimado) surdez
aliás casulo
primaz(ia) sutileza
alisar (mas deslizar) catálise, catalisar
privatizar talvez
amasiar-se catequese (mas cate-
produzir tenaz
amnésia quizar)
proeza tez
analisar, análise centésimo
profetizar timidez
ananás César
profundeza tiranizar
anestesia cesariana
pulverizar topázio
apesar de chinês
pureza torpeza
aportuguesar cisão
quartzo (ou quarço) totalizar
após coesão
racionalizar traduzir
aposentar coeso
raiz, raízes tranquilizar
apoteose coisa
rapaz trapézio
apresar colisão
rapidez trazer
aprisionar comiserar
rareza trezentos
ardósia conciso, concisão
razão tristeza
arquidiocese conclusão
razoável triz
arrasar consulesa
realeza turgidez
arrevesado contusão
realizar tzar (ou czar)
artesanato, artesão convés
reconduzir uniformizar
ás (carta, aviador notável) cortês
redondeza universalizar
asa cortesia
reduzir urbanizar
Ásia coser (costurar)
refazer utilizar
asilar, asilo crase
regozijo vagareza
asteca crise
regularizar valorizar
atrás cútis
reluzir vaporizar
atrasar, atraso decisão
reorganizar vasteza
através decisivo
responsabilizar vazante
avisar, aviso defesa
revezar vazar
azul-turquesa demasia
reza vazio
baronesa descamisar
ridicularizar veloz
basalto descortês
rigidez Veneza, veneziana
base(ar) desídia
rijeza Venezuela
Basileia desígnio
rispidez verbalizar
basílica desinência
rivalizar verniz
besouro desistir
robotizar vez
bis(ar) despesa
robustez vezo
bisavô detrás
rodízio vileza
Biscaia deusa
rudez(a) viuvez
bisonho diagnose
sagaz vivaz
brasa diocese
satisfazer viveza
brasão divisar
sazão vizinho
Brasil divisível
secularizar vizir
brasileiro divisor
sensatez volatizar
brisa doloso
sensibilizar voraz
burguês, burguesia dose, dosar
simbolizar voz(es)
busílis duquesa
simpatizar vulcanizar
Cádis eclesiástico
sincronizar vulgarizar
campesino empresa
singularizar xadrez
camponês empresário
sintetizar ziguezague(ar)

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ênclise inglês ourives(aria) resistir
enésimo intrusão, intruso ousar, ousadia resolução
entrosar invasão, invasor país resolver
envasar invés paisagem resultar
enviesar irlandês parafuso resumir
erisipela irresoluto paralisar retesar
retrovisor

LÍNGUA PORTUGUESA
escocês irrisão Paris
revés, reveses
escusa(r) irrisório parmesão
revisão, revisar
esôfago isenção pás (plural de pá)
saudosismo
esotérico isolar pau-brasil Silésia
esquisito Israel pesadelo síntese
eutanásia japonês pêsames sinusite
evasão javanês pesar, peso siso
exclusive Jerusalém pesquisar sisudo
êxtase jesuíta pisar sobremesa
extravasar Jesus Polinésia sopesar
extremoso jus português sósia
falésia jusante pôs (verbo pôr) surpresa
fantasia(r) lápis precisão suserano
fase lesão, lesionar precisar teimosia
televis(ion)ar
ferro-gusa lesar, lesivo preciso
televisão
finês lilás presa
tese
finlandês liso presente(ar) teso
formoso lisonja preservar tesoura
framboesa lisura presidente tesouraria
francês losango presídio tesouro
frase lousa presidir torquês
freguês luso presilha tosar
frisa(r) magnésio princesa transação
friso maisena profetisa transatlântico
fusão maltês profusão transe
fuselagem marquês prosa transido
fusível masoquismo prosaico transistor
fuso mausoléu prosélito trânsito
trás
gás mês quadris
traseira
gasogênio mesa querosene
través
gasolina mesário quesito três
gasômetro mesóclise quis, quiseste, quiseram tresandar
gasoso Mesopotâmia raposa trigésimo
gaulês mesquita raso tris
gêiser mesura rasuro trisavô
gelosia metamorfose reclusão turquesa
gênese (ou gênesis) Micronésia recusa(r) usina
genovês milanês repisar uso
Goiás misantropo repousar, repouso usufruto
gris, grisalho miséria represa(r) usura
groselha misericórdia represália usurpar
vasilha
guisa montanhês requisição
vaso
guisar, guisado montês requisitar
vesícula
guloso mosaico requisito
viés
heresia Mosela rés
vigésimo
hesitar música rês
visar
holandês Nagasáqui rés-do-chão
viseira
ileso narcisismo resenha
visionário
improvisar nasal reserva
visita(r)
reservista
incisão, incisivo náusea visível
residência
inclusive norueguês visor
residir
incluso, inclusão obesidade, obeso xis (letra x)
resíduo
indefeso obséquio resignar
infusão obtuso resina

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Palavras com X, e não Z ou S. rouxinol xarope
roxo xavante
exagero exigir seixo xaxim
exalar exíguo, exiguidade taxa (tipo de tributo, tarifa) xenofobia
exaltar exílio, exilar taxar (impor taxa) xeque (árabe)
exame, examinar exímio taxativo xerife
exangue existir trouxa xícara
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

exarar êxito, exitoso vexado xifópago


exasperar êxodo vexame xiita
exato exonerar vexar xingar
PILASTRE

exaurir, exausto exorbitar xá (da Pérsia) xis (letra x)


execução, executar exortar xadrez
exegese exótico xampu
exemplo exuberante Xangai
exequível exultar
exéquias exumar Palavras com CH, e não X.
exercer inexato
exercício inexaurível achacar, achaque cheque
exército inexistente achincalhar chicória
exibir, exibição inexorável ancho chicote
anchova, ou enchova chimarrão
O fonema /š/: X ou CH? apetrecho chimpanzé ou chipanzé
archote chique
Palavras com X, e não CH. arrochar, arrocho chiqueiro
azeviche choça
abacaxi enxovia bacharel chocalho
afrouxar enxugar belchior chofre
almoxarife, almoxarifado enxurrada beliche choldra
ameixa enxuto bolacha chope
atarraxar (tarraxa) esdrúxulo bolchevique chuchu
baixa faixa brecha chumaço
baixada faxina broche churrasco
baixela faxineiro brochura chusma
baixeza feixe bucha chute, chutar
baixo frouxo cachaça cochichar, cochicho
bauxita graxa cacho cochilar, cochilo
bexiga guanxuma cachoeira cocho (vasilha)
caixão haxixe cambalacho cochonilha
caixeiro Hiroxima capacho colcha
caixote lagartixa caramanchão colchão
capixaba laxa cartucheira colchete
coxa laxante chá (planta, infusão de concha
coxear lixeiro folhas) conchavo
coxo lixívia chácara coqueluche
deixar lixo chacina cupincha
desleixado luxação chacoalhar debochar, deboche
desleixo luxar (deslocar) chacota desabrochar
elixir Luxemburgo chafariz desfechar
encaixe luxo chafurdar despachar, despacho
encaixotar luxúria chalaça ducha
enfaixar malgaxe (de Madagascar) chalé encharcar
enfeixar mexer chaleira encher
engraxar, engraxate mexerico chamariz enchova (ou anchova)
enxada mexilhão (molusco) chambre escabeche
enxaguar mixórdia chaminé escarafunchar
enxame orixá charada escorchar
enxaqueca paxá (governador turco) charco esguicho
enxergar praxe charlatão espichar
enxerir puxar charolês estrebuchar
enxertar relaxado, relaxar charque(ar) fachada
enxofre remexer charrua facho
enxotar repuxar, repuxo charuto fantoche
enxovalhar rixa(r) chávena fechar, fecho

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fetiche pecha Palavras com CC, CÇ, e não X.
ficha pechar
flecha(r) pechincha cocção fricção
frincha penacho cóccix (ou coccige) friccionar
gancho piche, pichar confecção infe(c)ção
garrancho ponche confeccionar infe(c)cionar
garrucha prancha

LÍNGUA PORTUGUESA
convicção inspe(c)ção
guache rachar defecção retrospe(c)ção
guincho rancho dissecção se(c)ção
iídiche rechaçar, rechaço fa(c)ção se(c)cionar
inchar ricochete(ar)
fa(c)cioso
lancha rocha
ficção
lanche salsicha
linchar sanduíche Encontros consonantais
luchar (sujar) tachar (censurar, acusar)
machado tocha
Por encontro consonantal consideramos o agrupa-
machucar trapiche
mochila trecho mento de consoantes numa palavra. O encontro consonan-
nicho trincheira tal pode ocorrer na mesma sílaba (denominado encontro
consonantal real) ou em sílabas diferentes (denominado
O complexo /ks/: X ou CC, CÇ? encontro consonantal puro e simples).

Palavras com X, e não CC ou CÇ. Vejamos exemplos de encontros consonantais:


br – braço
afluxo oxidar, óxido bm – submeter
amplexo oxítono cr – escravo
anexar, anexo paradoxal, paradoxo bj – objeto
asfixia(r) paralaxe gn – digno
axila(r) paroxítono pt – réptil
axioma perplexidade,
bórax perplexo Dígrafos
clímax pirex
complexidade,complexo profilaxia Denominamos dígrafos o grupo de duas letras usadas
conexão, conexo prolixo para representar um único fonema. No português, são dígra-
convexidade, convexo proparoxítono fos: ch, lh, nh, rr, ss, sc, sç, xc; incluem-se também am,
córtex proxeneta an, em, en, im, in, om, on, um, un (que representam vogais
crucifixo reflexão nasais), gu e qu antes de e e de i, e também ha, he, hi, ho,
duplex reflexibilidade hu e, em palavras estrangeiras, th, ph, nn, dd, ck, oo etc.
durex reflexivo É importante observar a distinção entre encontro con-
empuxo reflexo sonantal e dígrafo:
fixar, fixação refluxo (i) o encontro consonantal equivale a dois fonemas; o
fixo saxão dígrafo equivale a um só fonema.
flexão, flexibilidade saxônio (ii) o encontro consonantal é formado sempre por duas
flexionar sexagenário consoantes; o dígrafo não precisa ser formado necessaria-
flexível sexagésimo mente por duas consoantes.
fluxo sexo, sexual
heterodoxia sílex
heterodoxo telex Palavra-chave!
hexágono telexograma
Consoante: som da fala que só é pronunciável se forma sílaba
índex tórax
com vogal (tirante certas onomatopeias, à margem do sistema
inflexível tóxico
fonológico de nossa língua: brrr!, cht!, pst!). Esta definição fun-
intoxicar toxicologia cional é válida para o português, mas não para outras línguas,
látex toxina em que há sons passíveis de pertencer à categoria das conso-
léxico triplex antes ou à das vogais. Diz-se de ou letra que representa fonema
marxismo xerox (ou xérox) dessa classe. Do ponto de vista articulatório, há consoante
marxista quando a corrente de ar encontra, na cavidade bucal, algum tipo
maxila, maxilar de empecilho, seja total (oclusão), seja parcial (estreitamento).
nexo
obnóxio
ônix
ortodoxia, ortodoxo

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Separação silábica
2º. São divisíveis no interior da palavra as sucessões de duas
consoantes  que não constituem propriamente grupos e igual-
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa afirma que
mente as sucessões de m ou n, com valor de nasalidade, e
a Separação Silábica (Base XX – Da divisão silábica) faz-se,
uma consoante:
em regra, pela soletração, como nos exemplos a seguir:
→ ab-dicar → ét-nico
abade: a-ba-de → Ed-gardo → rit-mo
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

bruma: bru-ma → sub-meter


→ op-tar
cacho: ca-cho
→ sub-por → am-nésico
malha: ma-lha
PILASTRE

→ ab-soluto → interam-nense
manha: ma-nha
→ ad-jetivo → bir-reme
máximo: má-xi-mo
→ af-ta → cor-roer
óxido: ó-xi-do
→ bet-samita → pror-rogar
roxo: ro-xo
→ íp-silon → as-segurar
tmese: tme-se → ob-viar → bis-secular
→ des-cer → sos-segar
Assim, a separação não tem de atender: → dis-ciplina → bissex-to
1. aos elementos constitutivos dos vocábulos → flores-cer → contex-to
segundo a etimologia: → nas-cer → ex-citar
a-ba-li-e-nar → res-cisão → atroz-mente
bi-sa-vô → ac-ne → capaz-mente
de-sa-pa-re-cer → ad-mirável → infeliz-mente
di-sú-ri-co → Daf-ne → am-bição
e-xâ-ni-me → diafrag-ma → desen-ganar
→ drac-ma → en-xame
hi-pe-ra-cú-sti-co
→ man-chu → Mân-lio
i-ná-bil
o-bo-val
su-bo-cu-lar 3º. As sucessões de mais de duas consoantes ou de m ou
su-pe-rá-ci-do n, com o valor de nasalidade, e duas ou mais consoantes
são divisíveis por um de dois meios: se nelas entra um
2. ou à estruturação morfológica da palavra: dos grupos que são indivisíveis (de acordo com o preceito
in-fe-liz-men-te (1º), esse grupo forma sílaba para diante, ficando a con-
soante ou consoantes que o precedem ligadas à sílaba
anterior; se nelas não entra nenhum desses grupos, a
A separação silábica ocorre quando se tem de
divisão dá-se sempre antes da última consoante. Exem-
fazer, em fim de linha, mediante o emprego do hífen, a
plos dos dois casos:
partição de uma palavra. Vejamos alguns preceitos par-
→ cam-braia
ticulares em relação à separação (segundo a Base XX → ec-tlipse
do Acordo Ortográfico de 1990):  → em-blema
→ ex-plicar
1º. São indivisíveis no interior da palavra, tal como ini- → in-cluir
cialmente, e formam, portanto, sílaba para a frente as → ins-crição
sucessões de duas consoantes que constituem perfeitos → subs-crever
grupos, ou seja, aquelas sucessões em que a primeira → trans-gredir
consoante é uma labial, uma velar, uma dental ou uma → abs-tenção
labiodental e a segunda um l ou um r: a-blução, cele- → disp-neia
-brar, du-plicação, re-primir, a-clamar, de-creto, de-glutição, → inters-telar
re-grado; a-tlético, cáte-dra, períme-tro; a-fluir, a-fricano, → lamb-dacismo
ne-vrose. → sols-ticial
Com exceção apenas de vários compostos cujos prefixos → Terp-sícore
terminam em b, ou d: → tungs-tênio
→ ab-legação
→ ad-ligar
→ sub-lunar 4º. As vogais consecutivas que não pertencem a ditongos
→ em vez de decrescentes (as que pertencem a ditongos deste tipo
nunca se separam: ai-roso, cadei-ra, insti-tui, ora-ção,
→ a-blegação
sacris-tães, traves-sões) podem, se a primeira delas
→ a-dligar não é u precedido de g ou q, e mesmo que sejam iguais,
→ su-blunar separar-se na escrita:

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PROSÓDIA (BOA PRONÚNCIA)
→ ala-úde
→ áre-as
A prosódia é a parte da gramática tradicional que se
→ ca-apeba
dedica às características da emissão dos sons da fala, como
→ co-ordenar
o acento e a entonação.
→ do-er Observe algumas orientações em relação à posição da
→ flu-idez sílaba tônica:

LÍNGUA PORTUGUESA
→ perdo-as
→ vo-os 1. São oxítonas (última sílaba tônica):
→ cateter
O mesmo se aplica aos casos de contiguidade de diton- → faz-se mister (= necessário)
gos, iguais ou diferentes, ou de ditongos e vogais: → Nobel
→ cai-ais → ruim
→ cai-eis → ureter
→ ensai-os
→ flu-iu 2. São paroxítonas (penúltima sílaba tônica):
→ âmbar
→ caracteres
5º. Os digramas gu e qu, em que o u se não pronuncia, → recorde
nunca se separam da vogal ou ditongo imediato (ne-gue, → filantropo
ne-guei; pe-que, pe-quei), do mesmo modo que as com- → gratuito (ui ditongo)
binações gu e qu em que o u se pronuncia: → misantropo
→ á-gua
3. São palavras que admitem dupla prosódia:
→ ambí-guo
→ acróbata ou acrobata
→ averi-gueis
→ Oceânia ou Oceania
→ longín-quos → ortoépia ou ortoepia
→ lo-quaz → projétil ou projetil
→ quais-quer → réptil ou reptil

USO DA LETRA MAIÚSCULA INICIAL


6º. Na translineação de uma palavra composta ou de uma
combinação de palavras em que há um hífen, ou mais, se 1. nos antropônimos, reais ou fictícios:
a partição coincide com o final de um dos elementos ou → Pedro Marques
membros, deve, por clareza gráfica, repetir-se o hífen no → Branca de Neve
início da linha imediata:
→ ex- -alferes 2. nos topônimos, reais ou fictícios:
→ serená- -los-emos ou serená-los- -emos → Lisboa
→ vice- -almirante → Atlântida

3. nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológi-


Apesar de relativamente complexas, as regras enume- cos:
radas na Base XX do Novo Acordo Ortográfico possuem um
→ Adamastor
elemento em comum, a saber:
→ Netuno
→ Toda sílaba é nucleada por uma vogal. 4. nos nomes que designam instituições:
→ Instituto de Pensões e Aposentadorias da Previ-
Tradicionalmente, observamos essas regras, as quais
dência Social
são simplificadas:
5. nos nomes de festas e festividades:
Regra Exemplo → Natal
Não se separam os ditongos e tri- foi-ce, a-ve-ri-guou. → Páscoa
tongos. 
→ Ramadão
Não se separam os dígrafos ch, lh, cha-ve, ba-ra-lho, ba-nha,
nh, gu, qu. fre-guês, quei-xa 6. nos títulos de periódicos, que retêm o itálico:
Não se separam os encontros con- psi-có-lo-go, re-fres-co
→ O Estado de São Paulo
sonantais que iniciam sílaba. 
Separam-se as vogais dos hiatos.  ca-a-tin-ga, fi-el, sa-ú-de 7. Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais
Separam-se as letras dos dígra- car-ro, pas-sa-re-la, des- ou nacionalmente reguladas com maiúsculas, iniciais ou
fos rr, ss, sc, sç e xc. -cer, nas-ço, ex-ce-len-te mediais ou finais ou o todo em maiúscula:
Separam-se os encontros con- ap-to, bis-ne-to, con-vic- → FAO
sonantais das sílabas internas, -ção, a-brir, a-pli-car → ONU
excetuando-se aqueles em que a
→ Sr.
segunda consoante é l ou r.
→ V. Exª.

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USO DA LETRA MINÚSCULA INICIAL → h (8h = oito horas. Quando houver minutos: 8h30min
ou 8h30)
1. ordinariamente, em todos os vocábulos da língua nos → P (Fósforo – símbolo químico)
usos correntes;
3. São mantidos os acentos gráficos, quando existirem:
2. nos nomes dos dias, meses, estações do ano: → pág. (página)
→ segunda-feira → séc. (século)
→ outubro
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

→ primavera 4. É aconselhável não abreviar nomes geográficos:


→ Santa Catarina (e não S. Catarina)
→ São Paulo (e não S. Paulo)
PILASTRE

3. nos bibliônimos (nome, título designativo ou intitula-


tivo de livro impresso ou obra que lhe seja equiparada) (após → Porto Alegre (e não P. Alegre)
o primeiro elemento, que é com maiúscula, os demais vocá-
bulos podem ser escritos com minúscula, salvo nos nomes ACENTUAÇÃO GRÁFICA
próprios nele contidos, tudo em grifo):
→ O senhor do Paço de Ninães ou O senhor do paço Quatro diacríticos (sinal gráfico que se acrescenta a
de Ninães. uma letra para conferir-lhe novo valor fonético e/ou fono-
→ Menino de Engenho ou Menino de engenho. lógico) compõem a acentuação gráfica: o acento agudo, o
acento grave, o acento circunflexo e, acessoriamente, o til.
4. nos usos de fulano, sicrano, beltrano.
Vejamos, em síntese, as características de cada um.
5. nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas):
1. o agudo (´), para marcar a tonicidade das vogais a
→ norte, sul (mas SW = sudoeste)
(paráfrase, táxi, já), i (xícara, cível, aí) e u (cúpula, júri,
6. nos axiônimos (nome ou locução com que se presta miúdo); e a tonicidade das vogais abertas e (exército,
reverência a determinada pessoa do discurso) e hagiônimos série, fé) e o (incólume, dólar, só);
(designação comum às palavras ligadas à religião) (opcio-
nalmente, nesse caso, também com maiúscula): 2. o grave (`), utilizada sobretudo para indicar a ocorrên-
→ senhor doutor Joaquim da Silva cia de crase, isto é, a ocorrência da preposição a com
→ bacharel Mário Abrantes o artigo feminino a ou os demonstrativos a, aquele(s),
→ o cardeal Bembo aquela(s), aquilo;
→ santa Filomena (ou Santa Filomena)
3. o circunflexo (^), para marcar a tonicidade da vogal
7. nos nomes que designam domínios do saber, cursos e
a nasal ou nasalada (lâmpada, câncer, espontâneo), e
disciplinas (opcionalmente, também com maiúscula):
→ português (ou Português). das vogais fechadas e (gênero, tênue, português) e o
(trôpego, bônus, robô);
COMO ABREVIAR
4. e acessoriamente o til (~), para indicar a nasalidade
1. Comumente, as abreviaturas são encerradas por (e em geral a simultânea tonicidade) em a e o (cristã,
consoante seguida de ponto final: cristão, pães, cãibra; corações, põe(s), põem).
→ Dr. (Doutor)
→ Prof. (Professor) A seguir há as principais regras apresentadas pelo
Novo Acordo de 1990. É uma tabela muito importante, a qual
2. Mas os símbolos científicos e as medidas são abre- deve ser estudada cuidadosamente.
viados sem ponto; no plural, não há s final:
→ m (metro ou metros)
Assunto O acordo de 1990

Alfabeto O alfabeto é formado por vinte e seis (26) letras:


→ a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z

Sequências conso- O acordo de 1990 afirma que, nos países de língua portuguesa oficial, a ortografia de palavras com consoantes
nânticas “mudas” passa a respeitar as diferentes pronúncias cultas da língua, ocasionando um aumento da quantidade de
palavras com dupla grafia. Pode-se grafar:
→ fato e facto (em que há dupla grafia e dupla pronúncia).
→ aspecto e aspeto (dupla pronúncia e dupla grafia).

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Acentuação gráfica Primeiramente, observa-se que as regras de acentuação dos monossílabos tônicos são as mesmas das oxíto-
Oxítonas nas.
São assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas que terminam nas vogais tônicas abertas a, e, o, e com
acento circunflexo as que acabam nas vogais tônicas fechadas e, o, seguidas ou não de s:
→ fubá
→ cafés
→ bobó

LÍNGUA PORTUGUESA
→ mercês
→ babalaô

As palavras oxítonas cuja vogal tônica, nas pronúncias cultas da língua, possui variantes (ê, é, ó, ô) admitem
dupla grafia:
→ matinê ou matiné
→ cocô ou cocó

São assinaladas com acento gráfico as formas verbais que se tornam oxítonas terminadas em a, e, o, em virtude
da conjugação com os pronomes lo(s):
→ dá-la
→ amá-la-ás
→ sabê-lo
→ dispô-lo

É assinalado com acento agudo o e das terminações em, ens das palavras oxítonas com mais de uma sílaba
(exceto as formas da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter, vir e seus derivados, que são
marcadas com acento circunflexo):
→ também
→ parabéns
→ (eles) contêm
→ (elas) vêm

Acentuação gráfica São assinalados com acento agudo os ditongos tônicos éi, éu, ói, sendo os dois últimos (éu, ói) seguidos ou não
Paroxítonas de s:
→ fiéis
→ réus
→ heróis

Não se usa acento gráfico para distinguir oxítonas homógrafas:


→ colher (verbo)
→ colher (substantivo)

A exceção é a distinção entre pôr (verbo) e por (preposição)

São assinaladas com acento gráfico as paroxítonas terminadas em:


a) l, n, r, x, ps (e seus plurais, alguns dos quais passam a proparoxítonas):
→ lavável
→ plânctons
→ açúcar
→ ônix
→ bíceps

As exceções são as formas terminadas em ens (hifens e liquens), as quais não são acentuadas graficamente.

b) ã(s), ão(s), ei(s), i(s) um, uns, us:


→ órfã(s)
→ sótão(s)
→ jóquei(s)
→ fórum
→ álbum
→ vírus
→ bílis

O acento será agudo se na sílaba tônica houver as vogais abertas a, e, o, ou ainda i, u e será circunflexo se houver
as vogais fechadas a, e, o.

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Observa-se que as paroxítonas cuja vogal tônica, nas pronúncias cultas da língua, possui variantes (ê, é, ô,
ó) admitem dupla grafia:
→ fêmur ou fémur
→ ônix ou ónix
→ pônei ou pónei
→ Vênus ou Vénus

Não são assinalados com acento gráfico os ditongos ei e oi de palavras paroxítonas:


BRUNO
BRUNO PISLASTRE

→ estreia
→ ideia
→ paranoico
PILASTRE

→ jiboia

Não são assinaladas com acento gráfico as formas verbais creem, deem, leem, veem e seus derivados: des-
creem, desdeem, releem, reveem etc.

Não é assinalado com acento gráfico o penúltimo o do hiato oo(s):


→ voo
→ enjoos

Não são assinaladas com acento gráfico as palavras homógrafas:


→ para (verbo) para (preposição)
→ pela(s) (substantivo) pela (verbo) pela (per + la(s))
→ pelo(s) (substantivo) pelo (verbo) pelo (per + lo(s))
→ polo(s) substantivo polo (por + lo(s))

A exceção é a distinção entre as formas pôde (3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo) e pode
(3ª pessoa do singular do presente do indicativo).

Observação 1: assinalam-se com acento circunflexo, facultativamente, as formas:


→ dêmos (1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo)
→ demos (1ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo)
→ fôrma (substantivo)
→ forma (substantivo; verbo)

Observação 2: assinalam-se com acento agudo, facultativamente, as formas verbais do tipo:


→ amámos (pretérito perfeito do indicativo)
→ amamos (presente do indicativo)
→ louvámos (pretérito perfeito do indicativo)
→ louvamos (presente do indicativo)

Oxítonas e Paroxí- São assinaladas com acento agudo as vogais tônicas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas que constituem
tonas o 2º elemento de um hiato e não são seguidas de l, m, n, nh, r, z:
→ país
→ ruins
→ saúde
→ rainha

Observações:
1) Incluem-se nessa regra as formas oxítonas dos verbos em air e uir em virtude de sua conjugação com os
pronomes lo(s), la(s):
→ atraí-las
→ possuí-lo-ás

2) Não são assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de
ditongo crescente:
→ baiuca
→ boiuna
→ feiura

3) São assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de ditongo
crescente:
→ Piauí
→ tuiuiús

4) Não são assinalados com acento agudo os ditongos tônicos iu, ui precedidos de vogal:
→ distraiu
→ pauis

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Não se assinala com acento agudo o u tônico de formas rizotônicas de arguir e redarguir:
→ arguis
→ argui
→ redarguam

Observações:

LÍNGUA PORTUGUESA
1) Verbos como aguar, apaziguar, apropinquar, delinquir possuem dois paradigmas:
a) com o u tônico em formas rizotônicas sem acento gráfico:
→ averiguo
→ ague

b) com o a ou o i dos radicais tônicos acentuados graficamente:


→ averíguo
→ águe

2) Verbos terminados em -ingir e -inguir cujo u não é pronunciado possuem grafias regulares.
→ atingir; distinguir
→ atinjo; distinguimos

Acentuação gráfica Todas as palavras proparoxítonas são acentuadas com acento gráfico:
Proparoxítonas → rápido
→ cênico
→ místico
→ meândrico
→ cômodo

Trema O trema (¨) é totalmente eliminado das palavras portuguesas ou aportuguesadas:


→ delinquir
→ cinquenta
→ tranquilo
→ linguiça

O trema é usado em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros com trema:


→ mülleriano, de Müller

Hífen O hífen é usado em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares.

O Acordo de 1990 observa que são escritas aglutinadamente palavras em que o falante contemporâneo perdeu a
noção de composição:
→ paraquedas
→ mandachuva

Emprega-se o hífen nos seguintes topônimos:


- iniciados por grã e grão: Grão-Pará
- iniciados por verbo: Passa-Quatro
- cujos elementos estejam ligados por artigo: Baía de todos-os-Santos

Os demais topônimos compostos são escritos separados e sem hífen: Cabo Verde. As exceções são: Guiné-
-Bissau e Timor-Leste.

Emprega-se o hífen em palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas:


→ couve-flor
→ bem-te-vi

Emprega-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando encadeamen-
tos vocabulares:
→ ponte Rio-Niterói

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Hífen – síntese das regras do uso do hífen no caso de prefixos e falsos prefixos

Primeiro elemento Segundo elemento


aero di ili/ilio mono psico a) iniciado por vogal igual à vogal final do 1º elemento
agro eletro infra morfo retro b) iniciado por h
(‘terra’) entre intra multi semi
alfa extra iso nefro sobre
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

ante foto lacto neo supra


anti gama lipo neuro lete
arqui geo macro paleo tetra
PILASTRE

auto giga maxi peri tri


beta hetero mega pluri ultra
bi hidro meso poli
bio hipo micro proto
contra homo mini pseudo

ab ob sob sub iniciado por b, h, r


co (‘com’) iniciado por h (a ABL sugere eliminar essa letra, passando-se a grafar,
assim, coerdar, coerdeiro, coipônimo etc.)
ciber iniciado por h, r
inter
super
nuper
hiper
ad iniciado por d, h, r
pan a) iniciado por vogal
b) iniciado por h, m, n [diante de b e p passa a pam]
circum a) iniciado por vogal
b) iniciado por h, m, n [aceita formas aglutinadas como circu e circum]
além sem qualquer (sempre)
aquém sota
ex (“cessamento ou “estado anterior”) soto
recém vice
pós sempre que conservem autonomia vocabular
pré
pró

Apresentamos, agora, uma lista com os vocábulos Botânica e zoologia Ervilha-de-cheiro


importantes registrados pelo Vocabulário Ortográfico da Eucalipto
Língua Portuguesa – VOLP. Fique atento, estudante, para a Abóbora-menina Feijão-verde
grafia de cada um desses vocábulos nas diversas áreas (por Água-de-coco Girassol
exemplo, “casa e alimentação”, “botânica e zoologia” etc.). Alcateia Jiboia
Lembre-se: consultar o dicionário é um ótimo exercício de Andorinha-do-mar Leõezinhos
enriquecimento de vocabulário. E esse é um bom material Baleia-branca Louva-a-deus
para Produção Textual! Bálsamo-do-canadá Malmequer
Batata-doce Nucleico
Casa e alimentação Geleia Pera (fruta)
Beija-flor
Linguiça Pica-pau-amarelo
Bem-me-quer
Antessala Líquido Romãzeira
Bem-te-vi
Apart-hotel Malpassado Sagui
Azeite-de-dendê Micro-ondas Bico-de-papagaio (planta)
Semi-herbáceo
Café com leite Moo (1ª pessoa do sin- Boca-de-leão
Vaga-lume
Café da manhã gular de moer) Cão de guarda
Xiquexique
Café-expresso Muçarela Cobra-capelo
Zoo
Claraboia Pão com manteiga Cobra-d’água
Coa/coo (1ª pessoa do Pão de mel Colmeia
Ciência e tecnologia
sing. de coar) Pé de moleque Couve-flor
Copo-d’água Proteico Dente-de-leão
Androide
Dona de casa Sala de jantar Erva-doce
Ano-luz
Enxágue Subalimentado Erva-do-chá Antirrandômico

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Asteroide Superproteção Sino-japonês Lesa-ortografia
Coaxial Turma-piloto Socioeconômico Língua-mãe
Decibéis Vice-reitor Subfaturar Linguista / Linguística
Eletro-ótica Supereconômico Lusofonia
Gêiser Transporte Superestimar Mais-que-perfeito
Giga-hertz Superestrutura Onomatopeia

LÍNGUA PORTUGUESA
Humanoide Aeroespacial Superotimismo Pós-tônico
Infravermelho Antiaderente Ponto de exclamação
Interestelar Antiaéreo Geografia Ponto de interrogação
Macrossistema Antiderrapante Ponto e vírgula
Megawatt Antioxidante Açoriano Ponto final
Microbiologia Autoescola Acriano Sociolinguístico
Microcomputador Autoestrada Afro-asiático Verbo-nominal
Micro-onda Autopeça Afro-brasileiro Verborragia
Microssistema Equidistante Afrodescendente
Microssegundo Interestadual Afrodescendência Livros
Paleozoico Interligação Africânder (natural da
Intermunicipal África do Sul) Anti-herói
Peso-atômico
Micro-ônibus Africâner (idioma) Autoajuda
Politécnico
Para-balas Além-fronteiras Autobiografia
Sequência
Para-brisa Além-mar Coautor
Superaquecimento
Para-choque Anglo-saxão Coedição / Coeditor
Ultravioleta
Para-lama Anhanguera Corredator
Seminovo Aquém-oceano Ex-libris (português) / Ex
Educação
Sobrevoo Baía de Todos-os-Santos libris (latim)
Supersônico Belo-horizontino Haicai
Antiacadêmico
Voo Cabo-verdiano In-oitavo
Antieducativo
Cidade-satélite In-quatro
Antipedagógico
Economia Circum-navegação Kafkiano
Autoaprendizagem Coreia do Norte / Coreia Lesa-poesia
Autoinstrução do Sul Machadiano
Agroaçucareiro
Bem-criado Guiné-Bissau Minidicionário
Agroalimentar
Circum-escolar Agroexportador Guineense Não ficção
Coeducação Agroindustrial Grã-Bretanha Reedição / Reeditar
Ex-aluno Agropecuária Grão-Pará Reescrever / Reescrita
Ex-bolsista Anglo-americano Inter-regional Releem
Ex-diretor Anti-inflacionário Inter-relação Releitura
Extracurricular Autorregulação Mato-grossense
Extraescolar Autossustentável Méier Cultura
Hiperativo Coprodução Norte-ameriano
Interescolar Covariação Polo Norte / Polo Sul Afro-brasileiro
Leem Contrassenha Piauí Afrodescendência
Livre-docência Eletrossiderurgia Santa Rita do Passa- Água com açúcar (român-
Malcriado Entressafra -Quatro tico)
Mal-educado Franco-suíço Sauipe Anti-herói
Multidisciplinar Hidroelétrica /hidrelétrica Semiárido Alto-astral
Pós-gradução Hiperdesenvolvimento Sul-africano Alto-relevo
Pós-doutorado Hiperinflação Sul-americano Autopromoção
Pós-adolescente Hipermercado Timor-Leste Autorretrato
Pré-escolar Hiperprodução Trás-os-Montes Autossatirizar
Pré-requisito / Prerrequisito Infraestrutura Baixo-astral
Pré-seleção / Presseleção Macroeconomia Idioma Baixo-relevo
Pré-vestibular Macroestrutura Benfeito
Pseudoprofessor Maxidesvalorização Anglo-brasileiro Celuloide
Semiaberto Megaempresa Bilíngue Cinema-verdade
Semianalfabeto Mega-hotel Dois-pontos Contra-harmônico
Semi-interno Megainvestidor Hífen Contrarregra
Sub-bibliotecário Microssistema Hifens Estreia
Sub-diretor Pro labore (latim) Iberorromânico Epopeia
Pró-labore (português) Indo-europeu Estoico

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Faz de conta Pan-americano Consideramos importante apresentar, neste momento,
Herói Paraolimpíada / Parao- a seguinte lista com palavras que costumam suscitar
Heroico límpico dúvidas de grafia ou sentido. As bancas examinadoras
Hiper-realista Paraquedas / Paraque- costumam avaliar essas distinções. Por isso, faça uma lei-
Inter-racial dista tura atenta das explicações e dos exemplos.
Introito Pentacampeão
Leiloo (verbo leiloar) Peso-pesado / Peso-pena Absolver: inocentar, relevar da culpa imputada:
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

Meia-entrada / Peso-pluma O júri absolveu o réu.


Mestre-sala Pingue-pongue Absorver: embeber em si, esgotar:
Minissérie O solo absorveu lentamente a água da chuva.
PILASTRE

Ponta-esquerda / Ponta-
Neoexpressionista -direita (jogador)
Neo-helênico Pontapé Acender: atear (fogo), inflamar.
Neorrealismo Semifinal Ascender: subir, elevar-se.
Neossimbolista Tiro de meta
Odisseia Vice-campeão Acento (sinal gráfico; inflexão vocal):
Plateia Vocábulo sem acento.
Preanunciar Segurança Assento (banco, cadeira):
Pré-estreia Tomar assento num cargo.
Pré-história Antifurto
Pró-romano Antissequestro Acerca de (sobre, a respeito de):
Reco-reco Antissocial No discurso, o Presidente falou acerca de seus planos.
Reveem À queima-roupa A cerca de (a uma distância aproximada de):
Samba-canção Autorretrato O anexo fica a cerca de trinta metros do prédio princi-
Superexposição Bomba-granada pal. Estamos a cerca de um mês (ou ano) das eleições.
Super-revista Causa mortis
Tabloide Há cerca de:
Cessar-fogo
Ultrarromântico I – faz aproximadamente (tanto tempo):
Delinquência / Delin-
Videoarte Há cerca de um ano, tratamos de caso idêntico.
quente
II – existem aproximadamente:
Ensanguentado
Moda Há cerca de mil títulos no catálogo.
Guarda-costas
Guarda-floretal
Alta-costura Acidente (acontecimento casual; desastre):
Guarda-nortuno
Antissimétrico A derrota foi um acidente na sua vida profissional.
Liquidar
Bem-apanhado O súbito temporal provocou terrível acidente no parque.
Quebra-quebra
Bem-arrumado Incidente (episódio; que incide, que ocorre):
Tenente-coronel
Bem-vestido O incidente da demissão já foi superado.
Blêizer
Direito
Chapéu-panamá Adotar (escolher, preferir; assumir; pôr em prática).
Chiquê (afetação) Dotar (dar em doação, beneficiar).
Abaixo-assinado
Cor-de-rosa
Ab-rogar
Feiume Afim (que apresenta afinidade, semelhança, relação
Abrupto / Ab-rupto
Feiura (de parentesco):
Guarda-joias Ação (Brasil e Portugal) Se o assunto era afim, por que não foi tratado no
Hiper-requintado Acionar (Brasil e Portugal) mesmo parágrafo?
Joia Álibi A fim de (para, com a finalidade de, com o fito de):
Laquê Anteprojeto O projeto foi encaminhado com quinze dias de ante-
Minissaia / Microssaia Apaniguado cedência a fim de permitir a necessária reflexão sobre sua
Prêt-à-porter Apaziguar pertinência.
Tomara que caia Apto
Véu Arguir Alto (de grande extensão vertical; elevado, grande).
Arguição Auto (ato público, registro escrito de um ato, peça pro-
Esporte Assembleia cessual).
Autodefesa
Antidoping Autoincriminação Aleatório (casual, fortuito, acidental).
Arco e flecha Averiguar Alheatório (que alheia, alienante, que desvia ou per-
Asa-delta Aviso-prévio turba).
Centroavante Bom-senso
Contra-ataque Coabitar / Coabitação Amoral (desprovido de moral, sem senso de moral).
Esteroide Coerdar / Coerdeiro Imoral (contrário à moral, aos bons costumes, devasso,
Hiper-resistente indecente).

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Ante (preposição: diante de, perante): Augurar (prognosticar, prever, auspiciar):
Ante tal situação, não teve alternativa. O Presidente augurou sucesso ao seu par americano.
Ante- (prefixo: expressa anterioridade). Agourar (pressagiar, predizer (geralmente no mau sen-
Anti- (prefixo: expressa contrariedade; contra). tido)):
Os técnicos agouram desastre na colheita.
Ao encontro de (para junto de; favorável a):

LÍNGUA PORTUGUESA
Foi ao encontro dos colegas. Avocar (atribuir-se, chamar):
O projeto salarial veio ao encontro dos anseios dos Avocou a si competências de outrem.
trabalhadores. Evocar (lembrar, invocar):
De encontro a (contra; em prejuízo de): Evocou no discurso o começo de sua carreira.
O carro foi de encontro a um muro. Invocar (pedir (a ajuda de); chamar; proferir):
O governo não apoiou a medida, pois vinha de encon- Ao final do discurso, invocou a ajuda de Deus.
tro aos interesses dos menores.
Caçar (perseguir, procurar, apanhar (geralmente ani-
Ao invés de (ao contrário de): mais)).
Ao invés de demitir dez funcionários, a empresa con- Cassar (tornar nulo ou sem efeito, suspender, invali-
tratou mais vinte. dar).
Em vez de (em lugar de):
Em vez de demitir dez funcionários, a empresa demitiu Carear (atrair, ganhar, granjear).
vinte. Cariar (criar cárie).
Carrear (conduzir em carro, carregar).
A par (informado, ao corrente, ciente):
O Ministro está a par do assunto. Casual (fortuito, aleatório, ocasional).
Ao par (de acordo com a convenção legal): Causal (causativo, relativo a causa).
Fez a troca de mil dólares ao par.
Cavaleiro (que anda a cavalo, cavalariano).
Aparte (interrupção, comentário à margem): Cavalheiro (indivíduo distinto, gentil, nobre).
O deputado concedeu ao colega um aparte em seu
pronunciamento. Censo (alistamento, recenseamento, contagem).
À parte (em separado, isoladamente, de lado): Senso (entendimento, juízo, tino).
O anexo ao projeto foi encaminhado por expediente à
parte. Cerrar (fechar, encerrar, unir, juntar).
Serrar (cortar com serra, separar, dividir).
Apreçar (avaliar, pôr preço):
O perito apreçou irrisoriamente o imóvel. Cessão (ato de ceder):
Apressar (dar pressa a, acelerar): A cessão do local pelo município tornou possível a rea-
Se o andamento das obras não for apressado, não lização da obra.
será cumprido o cronograma. Seção (setor, subdivisão de um todo, repartição, divi-
são):
Área (superfície delimitada, região). Em qual seção do ministério ele trabalha?
Ária (canto, melodia). Sessão (espaço de tempo que dura uma reunião, um
Aresto (acórdão, caso jurídico julgado): congresso; reunião; espaço de tempo durante o qual se rea-
Neste caso, o aresto é irrecorrível. liza uma tarefa):
Arresto (apreensão judicial, embargo): A próxima sessão legislativa será iniciada em 1º de
Os bens do traficante preso foram todos arrestados. agosto.

Arrochar (apertar com arrocho, apertar muito). Chá (planta, infusão).


Arroxar (ou arroxear, roxear: tornar roxo). Xá (antigo soberano persa).

Ás (exímio em sua atividade; carta do baralho). Cheque (ordem de pagamento à vista).


Az (esquadrão, ala do exército). Xeque (dirigente árabe; lance de xadrez; (fig.) perigo
(pôr em xeque)).
Atuar (agir, pôr em ação; pressionar).
Autuar (lavrar um auto; processar). Círio (vela de cera).
Sírio (da Síria).
Auferir (obter, receber):
Auferir lucros, vantagens. Cível (relativo à jurisdição dos tribunais civis).
Aferir (avaliar, cotejar, medir, conferir): Civil (relativo ao cidadão; cortês, polido (daí civilidade);
Aferir valores, resultados. não militar nem, eclesiástico).

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Colidir (trombar, chocar; contrariar): Descrição (ato de descrever, representação, definição).
A nova proposta colide frontalmente com o entendi- Discrição (discernimento, reserva, prudência, recato).
mento havido.
Coligir (colecionar, reunir, juntar): Descriminar (absolver de crime, tirar a culpa de).
As leis foram coligidas pelo Ministério da Justiça. Discriminar (diferençar, separar, discernir).

Comprimento (medida, tamanho, extensão, altura). Despensa (local em que se guardam mantimentos,
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

Cumprimento (ato de cumprir, execução completa; depósito de provisões).


saudação). Dispensa (licença ou permissão para deixar de fazer
algo a que se estava obrigado; demissão).
PILASTRE

Concelho (circunscrição administrativa ou município


(em Portugal)). Despercebido (que não se notou, para o que não se
Conselho (aviso, parecer, órgão colegiado). atentou):
Apesar de sua importância, o projeto passou desper-
Concerto (acerto, combinação, composição, harmoni- cebido.
zação): Desapercebido (desprevenido, desacautelado):
O concerto das nações... Embarcou para a missão na Amazônia totalmente
O concerto de Guarnieri... desapercebido dos desafios que lhe aguardavam.
Conserto (reparo, remendo, restauração):
Certos problemas crônicos aparentemente não têm Dessecar (secar bem, enxugar, tornar seco).
conserto. Dissecar (analisar minuciosamente, dividir anatomica-
mente).
Conje(c)tura (suspeita, hipótese, opinião).
Conjuntura (acontecimento, situação, ocasião, cir- Destratar (insultar, maltratar com palavras).
cunstância). Distratar (desfazer um trato, anular).

Contravenção (transgressão ou infração a normas Distensão (ato ou efeito de distender, torção violenta
estabelecidas). dos ligamentos de uma articulação).
Contraversão (versão contrária, inversão). Distinção (elegância, nobreza, boa educação):
Todos devem portar-se com distinção.
Coser (costurar, ligar, unir). Dissensão (desavença, diferença de opiniões ou inte-
Cozer (cozinhar, preparar). resses):
A dissensão sobre a matéria impossibilitou o acordo.
Costear (navegar junto à costa, contornar):
A fragata costeou inúmeras praias do litoral baiano Elidir (suprimir, eliminar).
antes de partir para alto-mar. Ilidir (contestar, refutar, desmentir).
Custear (pagar o custo de, prover, subsidiar):
Qual a empresa disposta a custear tal projeto? Emenda (correção de falta ou defeito, regeneração,
Custar (valer, necessitar, ser penoso): remendo):
Quanto custa o projeto? Ao torná-lo mais claro e objetivo, a emenda melhorou
Custa-me crer que funcionará. o projeto.
Ementa (apontamento, súmula de decisão judicial ou
Deferir (consentir, atender, despachar favoravelmente, do objeto de uma lei):
conceder). Procuro uma lei cuja ementa é “dispõe sobre a proprie-
Diferir (ser diferente, discordar; adiar, retardar, dilatar). dade industrial”.

Degradar (deteriorar, desgastar, diminuir, rebaixar). Emergir (vir à tona, manifestar-se).


Degredar (impor pena de degredo, desterrar, banir). Imergir (mergulhar, afundar (submergir), entrar).

Delatar (delação) (denunciar, revelar crime ou delito, Emigrar (deixar o país para residir em outro).
acusar): Imigrar (entrar em país estrangeiro para nele viver).
Os traficantes foram delatados por membro de quadri-
lha rival. Eminente (eminência) (alto, elevado, sublime).
Dilatar (dilação) (alargar, estender; adiar, diferir): Iminente (iminência) (que está prestes a acontecer,
A dilação do prazo de entrega das declarações pendente, próximo).
depende de decisão do Diretor da Receita Federal.
Emitir (emissão) (produzir, expedir, publicar).
Derrogar (revogar parcialmente (uma lei), anular). Imitir (imissão) (fazer entrar, introduzir, investir).
Derrocar (destruir, arrasar, desmoronar).
Empoçar (reter em poço ou poça, formar poça).

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Empossar (dar posse a, tomar posse, apoderar-se). Induzir (causar, sugerir, aconselhar, levar a):
→ O réu declarou que havia sido induzido a cometer
Encrostar (criar crosta). o delito.
Incrustar (cobrir de crosta, adornar, revestir, prender- Aduzir (expor, apresentar):
-se, arraigar-se). → A defesa, então, aduziu novas provas.

LÍNGUA PORTUGUESA
Entender (compreender, perceber, deduzir). Inflação (ato ou efeito de inflar; emissão exagerada de
Intender (exercer vigilância, superintender). moeda, aumento persistente de preços).
Infração (ato ou efeito de infringir ou violar uma norma).
Enumerar (numerar, enunciar, narrar, arrolar).
Inúmero (inumerável, sem conta, sem número). Infligir (cominar, aplicar (pena, castigo, repreensão,
derrota)):
Espectador (aquele que assiste qualquer ato ou espe- → O juiz infligiu pesada pena ao réu.
táculo, testemunha). Infringir (transgredir, violar, desrespeitar (lei, regula-
Expectador (que tem expectativa, que espera). mento, etc.)):
→ A condenação decorreu de ter ele infringido um
Esperto (inteligente, vivo, ativo). sem número de artigos do Código Penal.
Experto (perito, especialista).
Inquerir (apertar (a carga de animais), encilhar).
Espiar (espreitar, observar secretamente, olhar). Inquirir (procurar informações sobre, indagar, investi-
Expiar (cumprir pena, pagar, purgar). gar, interrogar).

Estada (ato de estar, permanência): Intercessão (ato de interceder).


→ Nossa estada em São Paulo foi muito agradável.
Interse(c)ção (ação de se(c)cionar, cortar; ponto em
Estadia (prazo para carga e descarga de navio anco-
que se encontram duas linhas ou superfícies).
rado em porto):
→ O “Rio de Janeiro” foi autorizado a uma estadia de
Judicial (que tem origem no Poder Judiciário ou que
três dias.
perante ele se realiza).
Judiciário (relativo ao direito processual ou à organi-
Estância (lugar onde se está, morada, recinto).
zação da Justiça).
Instância (solicitação, pedido, rogo; foro, jurisdição,
juízo).
Liberação (ato de liberar, quitação de dívida ou obrigação).
Libertação (ato de libertar ou libertar-se).
Estrato (cada camada das rochas estratificadas).
Extrato (coisa que se extraiu de outra; pagamento,
Lista (relação, catálogo).
resumo, cópia; perfume).
Listra (risca de cor diferente num tecido).
Flagrante (ardente, acalorado; diz-se do ato que a
pessoa é surpreendida a praticar (flagrante delito)). Locador (que dá de aluguel, senhorio, arrendador).
Fragrante (que tem fragrância ou perfume; cheiroso). Locatário (alugador, inquilino).

Florescente (que floresce, próspero, viçoso). Lustre (brilho, glória, fama; abajur).
Fluorescente (que tem a propriedade da fluorescência). Lustro (quinquênio; polimento).

Folhar (produzir folhas, ornar com folhagem, revestir Magistrado (juiz, desembargador, ministro).
lâminas). Magistral (relativo a mestre (latim: magister); perfeito,
Folhear (percorrer as folhas de um livro, compulsar, completo; exemplar).
consultar).
Mandado (garantia constitucional para proteger direito
Incerto (não certo, indeterminado, duvidoso, variável). individual líquido e certo; ato de mandar; ordem escrita expe-
Inserto (introduzido, incluído, inserido). dida por autoridade judicial ou administrativa).
Mandato (autorização que alguém confere a outrem
Incipiente (iniciante, principiante). para praticar atos em seu nome; procuração; delegação).
Insipiente (ignorante, insensato).
Mandante (que manda; aquele que outorga um mandato).
Incontinente (imoderado, que não se contém, descon- Mandatário (aquele que recebe um mandato, executor
trolado). de mandato, representante, procurador).
Incontinenti (imediatamente, sem demora, logo, sem Mandatório (obrigatório).
interrupção).
Obcecação (ato ou efeito de obcecar, teimosia, cegueira).

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Obsessão (impertinência, perseguição, ideia fixa). Recrear (proporcionar recreio, divertir, alegrar).
Recriar (criar de novo).
Ordinal (numeral que indica ordem ou série (primeiro,
segundo, milésimo, etc.)). Reincidir (tornar a incidir, recair, repetir).
Ordinário (comum, frequente, trivial, vulgar). Rescindir (dissolver, invalidar, romper, desfazer):
→ Como ele reincidiu no erro, o contrato de trabalho foi
Original (com caráter próprio; inicial, primordial). rescindido.
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

Originário (que provém de, oriundo; inicial, primitivo).


Remição (ato de remir, resgate, quitação).
Paço (palácio real ou imperial; a corte). Remissão (ato de remitir, intermissão, intervalo;
PILASTRE

Passo (ato de avançar ou recuar um pé para andar; perdão, expiação).


caminho, etapa).
Repressão (ato de reprimir, contenção, impedimento,
Pleito (questão em juízo, demanda, litígio, discussão): proibição).
→ O pleito por mais escolas na região foi muito bem Repreensão (ato de repreender, enérgica admoesta-
formulado. ção, censura, advertência).
Preito (sujeição, respeito, homenagem):
→ Os alunos renderam preito ao antigo reitor. Ruço (grisalho, desbotado).
Russo (referente à Rússia, nascido naquele país;
Preceder (ir ou estar adiante de, anteceder, adiantar-se). língua falada na Rússia).
Proceder (originar-se, derivar, provir; levar a efeito,
executar). Sanção (confirmação, aprovação; pena imposta pela
lei ou por contrato para punir sua infração).
Preeminente (que ocupa lugar elevado, nobre, distinto). Sansão (nome de personagem bíblico; certo tipo de
Proeminente (alto, saliente, que se alteia acima do que guindaste).
o circunda).
Sedento (que tem sede; sequioso).
Preposição (ato de prepor, preferência; palavra invari- Cedente (que cede, que dá).
ável que liga constituintes da frase).
Proposição (ato de propor, proposta; máxima, sen- Sobrescritar (endereçar, destinar, dirigir).
tença; afirmativa, asserção). Subscritar (assinar, subscrever).

Presar (capturar, agarrar, apresar). Sortir (variar, combinar, misturar).


Prezar (respeitar, estimar muito, acatar). Surtir (causar, originar, produzir (efeito)).

Prescrever (fixar limites, ordenar de modo explícito, Subentender (perceber o que não estava claramente
determinar; ficar sem efeito, anular-se): exposto; supor).
→ O prazo para entrada do processo prescreveu há Subintender (exercer função de subintendente, dirigir).
dois meses. Subtender (estender por baixo).
Proscrever (abolir, extinguir, proibir, terminar; dester-
rar). Sustar (interromper, suspender; parar, interromper-se
→ O uso de várias substâncias psicotrópicas foi pros- (sustar-se)).
crito por recente portaria do Ministro. Suster (sustentar, manter; fazer parar, deter).

Prever (ver antecipadamente, profetizar; calcular): Tacha (pequeno prego; mancha, defeito, pecha).
→ A assessoria previu acertadamente o desfecho do caso. Taxa (espécie de tributo, tarifa).
Prover (providenciar, dotar, abastecer, nomear para
cargo): Tachar (censurar, qualificar, acoimar).
→ O chefe do departamento de pessoal proveu os Taxar (fixar a taxa de; regular, regrar).
cargos vacantes.
Provir (originar-se, proceder; resultar): Tapar (fechar, cobrir, abafar).
→ A dúvida provém (os erros provêm) da falta de leitura. Tampar (pôr tampa em).

Prolatar (proferir sentença, promulgar). Tenção (intenção, plano; assunto, tema).


Protelar (adiar, prorrogar). Tensão (estado de tenso, rigidez (deriv.: tensionar);
diferencial elétrico).
Ratificar (validar, confirmar, comprovar).
Retificar (corrigir, emendar, alterar): Tráfego (trânsito de veículos, percurso, transporte).
→ A diretoria ratificou a decisão após o texto ter sido Tráfico (negócio ilícito, comércio, negociação).
retificado em suas passagens ambíguas.

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Trás (atrás, detrás, em seguida, após). (II) Porquê: a forma porquê é substantivo e equivale
Traz (3ª pessoa do singular do presente do indicativo (é sinônimo) a causa, motivo, razão. É acentuada por ser
do verbo trazer). uma palavra tônica:
Não sabemos o porquê da demissão de José.
Vestiário (guarda-roupa; local em que se trocam [equivale a: Não sabemos o motivo/a causa/a razão
roupas). da demissão de José]

LÍNGUA PORTUGUESA
Vestuário (as roupas que se vestem, traje).
(III) Por que: a forma por que (com duas palavras) é
DISTINÇÕES utilizada quando:
1. significa pelo qual (e flexões pela qual, pelas quais,
Distinção entre a, à, há e á pelos quais). Nesse significado, a palavra que é pro-
nome relativo.
(I) a. A palavra a pode ser: Não revelou o motivo por que não compareceu à aula.
1. Artigo feminino singular: [Não revelou o motivo pelo qual não compareceu à
Eu comprei a roupa ontem. aula]
A menina mais bonita da rua.
2. equivale a por qual, por quais. Nessas formas, a for-
2. Pronome: ma que é pronome indefinido.
Mara é muito próxima da família, mas não a vejo há Ela sempre quis saber por que motivo raspei o cabelo.
meses.
3. a forma por que é advérbio interrogativo. Nessa estru-
3. Preposição: tura, é possível subentender uma das palavras moti-
Andar a cavalo é sempre prazeroso. vo, causa, razão.
Por que [motivo] faltou à aula?
(II) à. A palavra à (com o acento grave) é utilizada
quando ocorre a contração da preposição a com o artigo 4. a forma por que faz parte de um título.
feminino a: Por que o ser humano chora.
João assistiu à cena estarrecido.
[assistir a (preposição) + a cena (artigo feminino)]. (IV) Por quê: a forma por quê (com duas palavras e
acentuada) é usada após pausa acentuada ou em final de
(III) há. A palavra há é uma forma do verbo haver: frase.
Há três meses não chove no interior do Pará. Estavam no meio daquela bagunça sem saber por quê.
[Há = faz]
Não há mais violência no centro da cidade. Distinção entre acerca de e cerca de
[Há = existe]
Na BR040 há muitos acidentes fatais. (I) A locução acerca de equivale a a respeito de,
[Há = acontecem] sobre. Por exemplo:
Nós, linguistas, pouco conhecemos acerca da origem
(IV) á. A palavra á é um substantivo e designa a letra a: da linguagem.
Está provado por á mais bê que o vereador estava [= sobre a origem da linguagem – a respeito da
errado. origem da linguagem]

Distinção entre porque, porquê, por que e por quê (II) A locução cerca de tem valor de aproximada-
mente, quase:
Estes são os usos das formas porque, porquê, por Cerca de duas horas depois da missa o pároco faleceu.
que e por quê: [= aproximadamente duas horas depois – quase
duas horas depois].
(I) Porque: a forma porque pode ser uma conjunção
(causal ou explicativa) ou uma pergunta que propõe uma Distinção entre ao encontro de e de encontro a
causa possível, limitando a resposta a sim ou não:
Ela reclama porque é carente. (I) A locução ao encontro de possui o significado equi-
[conjunção causal] valente às expressões em direção a, a favor de. Veja os
Ela devia estar com fome, porque estava branca. exemplos:
[conjunção explicativa – equivale a pois] Os vândalos saíram ao encontro dos policiais, que
O preso fugiu porque dopou o guarda? fechavam a avenida.
[pergunta que propõe uma causa possível, limitando a [= em direção a]
resposta a sim ou não] Com a decisão da Presidente Dilma, o governo vai ao
encontro das reivindicações da população.
[= a favor de]

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(II) A locução de encontro a é antônima à locução ao Na oralidade, o fenômeno é comum em formas seme-
encontro de. De encontro a significa choque, oposição, lhantes à palavra mas:
sendo equivalente à forma contra. Observe a frase a seguir: faz/fa(i)z;
O caminhão perdeu os freios e foi de encontro ao paz/pa(i)z;
carro do deputado. nós/nó(i)s.
[= contra]
A decisão do governo foi de encontro aos desejos do É preciso, porém, distinguir as duas formas, pois na
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

Movimento Passe Livre. frase O país é rico, mais a gestão pública é ineficiente há
[= contrariou] inadequação, uma vez que se deve utilizar a forma mas: O
país é rico, mas a gestão pública é ineficiente.
PILASTRE

Distinção entre aonde e onde A distinção das duas formas é a seguinte:

(I) A forma aonde é a contração da preposição a com do (I) A palavra mas é conjunção que exprime principal-
advérbio onde. Emprega-se com verbos que denotam movi- mente oposição, ressalva, restrição:
mento e regem a preposição a (verbos ir, chegar, levar): O carro não é meu, mas de um amigo.
Aonde os manifestantes querem chegar?
[verbo chegar]. (II) A palavra mais é advérbio e traduz a ideia de
Os investigadores descobriram aonde as crianças aumento, superioridade, intensidade:
eram levadas. Ele sempre pensa em ganhar mais dinheiro.
[verbo levar]. Ele queria ser mais alto que os outros.

(II) O advérbio onde é utilizado com verbos que não Distinção entre se não e senão
denotam movimento e não regem a preposição a:
Onde mora o presidente da Colômbia? (I) A forma se não (separado) é usada quando o se
[verbo morar] pode ser substituído por caso ou na hipótese de que:
Os investigadores descobriram onde o dinheiro era Se não perdoar, não será perdoado.
lavado. [se não = caso não. É conjunção condicional]
[verbo lavar] Se não chover, viajarei amanhã.
[se não = na hipótese de que não]
Distinção entre eminente e iminente
Também há o uso da forma se não como conjunção
Os adjetivos eminente e iminente são parônimos condicional, equivalendo a quando não:
(são quase homônimos, diferenciando-se ligeiramente na A grande maioria, se não a totalidade dos acidentes de
grafia e na pronúncia). trabalho, ocorre com operários sem equipamentos de segu-
rança.
(I) O adjetivo eminente tem os seguintes significados: [se não = quando não]
1. muito acima do que o que está em volta; proeminente,
alto, elevado: (II) A palavra senão (uma única palavra) possui as
A torre eminente é a mais fotografada. seguintes realizações:

2. que se destaca por sua qualidade ou importância; ex- 1. É conjunção e significa:


celente, superior: (a) de outro modo; do contrário:
O mestre eminente era seguido por todos. Coma, senão ficará de castigo.
(b) mas, mas sim, porém:
(II) O adjetivo iminente, por sua vez, tem o seguinte
Não obteve aplausos, senão vaias.
significado:
2. É preposição quando equivale a com exceção de,
Iminente: o que ameaça se concretizar, que está a
salvo, exceto:
ponto de acontecer; próximo, imediato:
Todos, senão você, gostam de bolo.
O desabamento iminente é o que mais preocupa as
autoridades.
3. É substantivo masculino e significa pequena imperfei-
O edital iminente deixa os candidatos ansiosos.
ção; falha, defeito, mácula:
Não há qualquer senão em sua prova.
Distinção entre mas e mais

Para concluir nossos estudos sobre Fonologia, vamos


Na escrita, é muito comum haver a troca da forma mas
ler uma reportagem sobre o Acordo Ortográfico, a qual foi
pela forma mais. Os estudantes produzem frases como:
publicada no dia 28 de dezembro de 2012, no jornal Folha
O país é rico, mais a gestão pública é ineficiente.
de São Paulo.

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GOVERNO ADIA PARA 2016 INÍCIO DO ACORDO ORTOGRÁFICO Diplomacia

O governo federal adiou para 2016 a obrigatoriedade A decisão é encarada como um movimento diplomático,
do uso do novo acordo ortográfico. A decisão foi publicada uma vez que o governo, diz o Itamaraty, quer sincronizar as
mudanças com Portugal.
nesta sexta-feira no "Diário Oficial da União".
O país europeu concordou oficialmente com a reforma
A implantação das novas regras, adotadas pelos seto- ortográfica, mas ainda resiste em adotá-la. Assim como o

LÍNGUA PORTUGUESA
res público e privado desde 2009, estavam previstas para o Brasil, Portugal ratificou em 2008 o acordo, mas definiu um
próximo dia 1º de janeiro. período de transição maior.
A reforma ortográfica altera a grafia de cerca de 0,5% Não há sanções para quem desrespeitar a regra, que é,
das palavras em português. Até a data da obrigatoriedade, na prática, apenas uma tentativa de uniformizar a grafia no
Brasil, Portugal, nos países da África e no Timor-Leste.
tanto a nova norma como a atual poderão ser usadas.
A intenção era facilitar o intercâmbio de obras escritas no
O adiamento de três anos abre brechas para que novas idioma entre esses oito países, além de fortalecer o peso do
mudanças sejam propostas. Isso significa que, embora jor- idioma em organismos internacionais.
nais, livros didáticos e documentos oficiais já tenham ado- "É muito difícil querer que o português seja língua oficial
tado o novo acordo, novas alterações podem ser implemen- nas Nações Unidas se vão perguntar: Qual é o português que
tadas ou até mesmo suspensas. vocês querem?", afirma o embaixador Pedro Motta, represen-
tante brasileiro na CPLP (Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa).

(Folha de São Paulo)

(Folha de São Paulo)

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BRUNO
BRUNO PISLASTRE
PILASTRE

(Folha de São Paulo)

CAPÍTULO 2 – MORFOLOGIA Em morfologia, dois processos são importantes: a


flexão e a derivação.
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
Flexão: processo morfológico que consiste no emprego
Neste capítulo estudaremos, de modo esquemático, o de diferentes afixos acrescentados aos radicais ou aos
assunto morfologia/morfossintaxe. É um assunto importante, temas (nominais, verbais etc.) das palavras variáveis para
o qual é recorrentemente cobrado em concursos. Observamos exprimir as categorias gramaticais (número, gênero, pessoa,
que a abordagem a seguir é predominantemente linguística. caso, tempo etc.).
Iniciamos a exposição com a noção de morfema. Nas
línguas humanas, um morfema é a menor unidade linguís- Derivação: processo pelo qual se originam vocábulos
tica que possui significado, abarcando raízes e afixos, formas uns de outros, mediante a inserção ou extração de afixos.
livres (por exemplo: mar) e formas presas (por exemplo:
sapat-, -o-, -s) e vocábulos gramaticais (preposições, conjun- Kehdi (1993) classifica os seguintes tipos de morfemas
ções). Observe que, em algumas palavras, pode-se identificar em português:
duas posições de realização dos sufixos:
Classificação de caráter formal Classificação de base funcio-
Prefixo (antes da raiz) Raiz Sufixo (depois da raiz) (destaque para o significante) nal (destaque para a função
in- feliz -mente dos morfemas)
infelizmente aditivo: fazer – refazer. radical
subtrativo: órfão – órfã. afixos
Há técnicas para identificação da estrutura mórfica das alternativo: ovo – ovos. desinências
palavras. Vejamos duas: reduplicativo: pai – papai. vogais temáticas
de posição: grande homem – vogais e consoantes de liga-
Teste de comutação: método comparativo buscando a homem grande. ção
detecção das unidades significativas que compõem a estru- zero: casa – casas.
tura das palavras. cumulativo: amamos (-mos =
desinência número-pessoa).
música – músicas
vazio: cafeZal.
amavam – amaram

Segmentação mórfica: possibilidade ou não de divisão A fórmula geral da estrutura do vocábulo verbal portu-
de palavras em unidades menores significativas. guês é a seguinte (Camara Jr., 1977):
Sol
Mar T (R + VT) + SF (SMT + SNP)
deslealdade → des- leal -dade [em que T (tema), R (radical), VT (vogal temática), SF
(sufixo flexional ou desinência), SMT (sufixo modo-tempo-
Palavras-chave! ral), SNP (sufixo número-pessoal)]

Morfema: a menor parte significativa que compõe as palavras. A flexão verbal caracteriza-se na língua portuguesa
É um signo mínimo. pelas desinências indicadoras das seguintes categorias gra-
Radical e afixos: o radical é o morfema básico que constitui maticais: (a) modo, (b) tempo – em um morfema cumulativo
uma palavra de categoria lexical (substantivo, adjetivo, verbo e –, (c) número, (d) pessoa – em um morfema cumulativo.
advérbio); os afixos são morfemas presos anexados a um radical
(prefixos e sufixos).

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Modo: refere-se a um julgamento implícito do falante a
passo que o particípio é de aspecto concluso ou perfeito. O valor
respeito da natureza, subjetiva ou não, da comunicação que do pretérito ou de voz passiva (com verbos transitivos) que às
faz. Indicativo, subjuntivo e imperativo. vezes assume, não é mais que um subproduto do seu valor de
Tempo: refere-se ao momento da ocorrência do pro- aspecto perfeito ou concluso.
cesso, visto do momento da comunicação. Presente, preté- Entretanto, o particípio foge até certo ponto, do ponto de vista
rito (perfeito, imperfeito, mais-que-perfeito), futuro (do pre- mórfico, da natureza verbal. É no fundo um adjetivo com as

LÍNGUA PORTUGUESA
sente, do pretérito). Tempos compostos: auxiliar (ter e haver) marcas nominais de feminino e de número plural em /S/. Ou
+ particípio. em outros termos: é um nome adjetivo, que semanticamente
expressa, em vez da qualidade de um ser, um processo que
nele se passa. O estudo morfológico do sistema verbal portu-
As formas nominais do verbo são: infinitivo (-r), gerún- guês pode deixá-lo de lado, porque morfologicamente ele per-
dio (-ndo) e particípio (-do). tence aos adjetivos, embora tenha valor verbal no âmbito semân-
Sobre as formas nominais, Camara Jr. (1977) pronun- tico e sintático.
cia-se da seguinte maneira: O gerúndio, ao contrário, é morfologicamente uma forma verbal.

Resta uma apreciação semântica, nas mesmas linhas, das cha- Depreensão morfológica (como identificar morfemas)
madas formas nominais, cujos nomes tradicionais são – infinitivo,
gerúndio e particípio. Aqui a oposição é aspectual e não tempo- A técnica de depreensão é simples: se tivermos
ral. O infinitivo é a forma mais indefinida do verbo. A tal ponto, uma forma verbal a ser analisada, procedemos à comutação
que costuma ser citado como o nome do verbo, a forma que de ao mesmo tempo com o infinitivo impessoal e com a primeira
maneira mais ampla e mais vaga resume a sua significação, sem pessoa do plural do tempo em que se encontra o verbo. O
implicações das noções gramaticais de tempo, aspecto ou modo. infinitivo sem o /r/ apresenta o radical e a vogal temática. A
Entre o gerúndio e o particípio há essencialmente uma oposição primeira pessoa do plural exibe a desinência [-mos] (SNP
de aspecto: o gerúndio é <imperfeito> (processo inconcluso), ao
ou DNP). O que sobrar será a desinência modo-temporal.

Exercício: indique nos quadros em branco a VT, os SMT e os SNP.

Indicativo VT SMT SNP Pretérito VT SMT SNP Subjuntivo VT SMT SNP


Presente imperfeito Presente
Amo Amava Cante
Amas Amavas Cantes
Ama Amava Cante
Amamos Amávamos Cantemos
Amais Amáveis Canteis
Amam Amavam Cantem

As categorias verbais Verbos notáveis

A categoria de tempo Antes de estudar alguns verbos notáveis da língua por-


tuguesa, é importante que o estudante saiba da existência de
A categoria de tempo constitui uma relação entre dois duas características dos verbos: ser rizotônico ou arrizotônico.
momentos: momento da comunicação e momento do pro- Rizotônicos: são as estruturas verbais com a sílaba
cesso. tônica dentro do radical.
Em português: passado x presente x futuro. Arrizotônicos: são as estruturas verbais com a sílaba
tônica fora do radical.
Tempos simples:
I – Presente: simultaneidade entre momento da comu- Arrear
nicação e momento de ocorrência do processo.
II – Passado ou pretérito: anterioridade entre o mo- Verbo irregular da 1ª conjugação. Significa pôr arreio.
mento da ocorrência do processo e o momento da Como ele, conjugam-se todos os verbos terminados em -ear.
comunicação (o processo que se está enunciando Variam no radical, que recebe um i nas formas rizotônicas.
ocorreu antes do momento da fala). Presente do Indicativo: arreio, arreias, arreia, arrea-
III – Futuro: indica relação de posterioridade. O proces- mos, arreais, arreiam.
so ainda vai ocorrer, é posterior à fala. Presente do Subjuntivo: arreie, arreies, arreie, arree-
mos, arreeis, arreiem.
Tempos complexos: ocorrem quando há dois proces- Imperativo Afirmativo: arreia, arreie, arreemos, arreai,
sos. Além de estabelecer relação entre os dois processos e arreiem.
o momento da comunicação, deve-se estabelecer relação Imperativo Negativo: não arreies, não arreie, não arree-
entre os dois processos entre si. mos, não arreeis, não arreiem.

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Pretérito Perfeito do Indicativo: arreei, arreaste, Imperativo Negativo: não anseies, não anseie, não
arreou, arreamos, arreastes, arrearam. ansiemos, não ansieis, não anseiem.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: arreara, arre- Pretérito Perfeito do Indicativo: ansiei, ansiaste,
aras, arreara, arreáramos, arreáreis, arrearam. ansiou, ansiamos, ansiastes, ansiaram.
Futuro do Subjuntivo: arrear, arreares, arrear, arrear- Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: ansiara,
mos, arreardes, arrearem. ansiaras, ansiara, ansiáramos, ansiáreis, ansiaram.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: arreasse, arreas- Futuro do Subjuntivo: ansiar, ansiares, ansiar, ansiar-
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

ses, arreasse, arreássemos, arreásseis, arreassem. mos, ansiardes, ansiarem.


Futuro do Presente: arrearei, arrearás, arreará, arrea- Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: ansiasse, ansias-
remos, arreareis, arrearão. ses, ansiasse, ansiássemos, ansiásseis, ansiassem.
PILASTRE

Futuro do Pretérito: arrearia, arrearias, arrearia, arre- Futuro do Presente: ansiarei, ansiarás, ansiará,
aríamos, arrearíeis, arreariam. ansiaremos, ansiareis, ansiarão.
Infinitivo Pessoal: arrear, arreares, arrear, arrearmos, Futuro do Pretérito: ansiaria, ansiarias, ansiaria,
arreardes, arrearem. ansiaríamos, ansiaríeis, ansiariam.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: arreava, arreavas, Infinitivo Pessoal: ansiar, ansiares, ansiar, ansiar-
arreava, arreávamos, arreáveis, arreavam. mos, ansiardes, ansiarem.
Formas Nominais: arrear, arreando, arreado. Pretérito Imperfeito do Indicativo: ansiava, ansiavas,
  ansiava, ansiávamos, ansiáveis, ansiavam.
Arriar Formas Nominais: ansiar, ansiando, ansiado.
 
Verbo regular da 1ª conjugação. Significa fazer descer. Haver
Como ele, conjugam-se todos os verbos terminados em -iar,
menos mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar. Verbo irregular da 2ª conjugação. Varia no radical e nas
Presente do Indicativo: arrio, arrias, arria, arriamos, desinências.
arriais, arriam. Presente do Indicativo: hei, hás, há, havemos, haveis,
Presente do Subjuntivo: arrie, arries, arrie, arriemos, hão.
arrieis, arriem. Presente do Subjuntivo: haja, hajas, haja, hajamos,
Imperativo Afirmativo: arria, arrie, arriemos, arriai, hajais, hajam.
arriem. Imperativo Afirmativo: há, haja, hajamos, havei,
Imperativo Negativo: não arries, não arrie, não arrie- hajam.
mos, não arrieis, não arriem. Imperativo Negativo: não hajas, não haja, não haja-
Pretérito Perfeito do Indicativo: arriei, arriaste, arriou, mos, não hajais, não hajam.
arriamos, arriastes, arriaram. Pretérito Perfeito do Indicativo: houve, houveste,
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: arriara, arria- houve, houvemos, houvestes, houveram.
ras, arriara, arriáramos, arriáreis, arriaram. Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: houvera,
Futuro do Subjuntivo: arriar, arriares, arriar, arriar- houveras, houvera, houvéramos, houvéreis, houveram.
mos, arriardes, arriarem. Futuro do Subjuntivo: houver, houveres, houver, hou-
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: arriasse, arriasses, vermos, houverdes, houverem.
arriasse, arriássemos, arriásseis, arriassem. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: houvesse, houves-
Futuro do Presente: arriarei, arriarás, arriará, arriare- ses, houvesse, houvéssemos, houvésseis, houvessem.
mos, arriareis, arriarão. Futuro do Presente: haverei, haverás, haverá, have-
Futuro do Pretérito: arriaria, arriarias, arriaria, arriarí- remos, havereis, haverão.
amos, arriaríeis, arriariam. Futuro do Pretérito: haveria, haverias, haveria, have-
Infinitivo Pessoal: arriar, arriares, arriar, arriarmos, ríamos, haveríeis, haveriam.
arriardes, arriarem. Infinitivo Pessoal: haver, haveres, haver, havermos,
Pretérito Imperfeito do Indicativo: arriava, arriavas, haverdes, haverem.
arriava, arriávamos, arriáveis, arriavam. Pretérito Imperfeito do Indicativo: havia, havias, havia,
Formas Nominais: arriar, arriando, arriado. havíamos, havíeis, haviam.
  Formas Nominais: haver, havendo, havido.
Ansiar  
Reaver
Verbo irregular da 1ª conjugação. Como ele, conjugam-
-se mediar, remediar, incendiar e odiar. Variam no radical, Verbo defectivo da 2ª conjugação. Faltam-lhe as formas
que recebe um e nas formas rizotônicas. rizotônicas e derivadas. As formas não existentes devem ser
Presente do Indicativo: anseio, anseias, anseia, substituídas pelas do verbo recuperar.
ansiamos, ansiais, anseiam. Presente do Indicativo: ///, ///, ///, reavemos, reaveis,
Presente do Subjuntivo: anseie, anseies, anseie, ///.
ansiemos, ansieis, anseiem. Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
Imperativo Afirmativo: anseia, anseie, ansiemos, Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, reavei vós, ///.
ansiai, anseiem. Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///.

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Pretérito Perfeito do Indicativo: reouve, reouveste, restante dos tempos, tem conjugação regular, ou seja, segue
reouve, reouvemos, reouvestes, reouveram. a conjugação de qualquer verbo regular terminado em -er,
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: reouvera, como escrever.
reouveras, reouvera, reouvéramos, reouvéreis, reouve- Presente do Indicativo: provejo, provês, provê, pro-
ram. vemos, provedes, provêem.
Futuro do Subjuntivo: reouver, reouveres, reouver, Presente do Subjuntivo: proveja, provejas, proveja,

LÍNGUA PORTUGUESA
reouvermos, reouverdes, reouverem. provejamos, provejais, provejam.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: reouvesse, reou- Imperativo Afirmativo: provê, proveja, provejamos,
vesses, reouvesse, reouvéssemos, reouvésseis, reou- provede, provejam.
vessem. Imperativo Negativo: não provejas, não proveja,
Futuro do Presente: reaverei, reaverás, reaverá, rea- não provejamos, não provejais, não provejam.
veremos, reavereis, reaverão. Pretérito Perfeito do Indicativo: provi, proveste,
Futuro do Pretérito: reaveria, reaverias, reaveria, rea- proveu, provemos, provestes, proveram.
veríamos, reaveríeis, reaveriam. Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: provera,
Infinitivo Pessoal: reaver, reaveres, reaver, reaver-
proveras, provera, provêramos, provêreis, proveram.
mos, reaverdes, reaverem.
Futuro do Subjuntivo: prover, proveres, prover,
Pretérito Imperfeito do Indicativo: reavia, reavias,
provermos, proverdes, proverem.
reavia, reavíamos, reavíeis, reaviam.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: provesse, pro-
Formas Nominais: reaver, reavendo, reavido.
vesses, provesse, provêssemos, provêsseis, proves-
sem.
Precaver
Futuro do Presente: proverei, proverás, proverá,
Verbo defectivo da 2ª conjugação, quase sempre usado proveremos, provereis, proverão.
pronominalmente (precaver-se). Faltam-lhe as formas rizo- Futuro do Pretérito: proveria, proverias, proveria,
tônicas e derivadas. As formas não existentes devem ser proveríamos, proveríeis, proveriam.
substituídas pelas dos verbos acautelar-se, prevenir-se. Infinitivo Pessoal: prover, proveres, prover, prover-
As formas existentes são conjugadas regularmente, ou seja, mos, proverdes, proverem.
seguem a conjugação de qualquer verbo regular terminado Pretérito Imperfeito do Indicativo: provia, provias,
em -er, como escrever. provia, províamos, províeis, proviam.
Presente do Indicativo: ///, ///, ///, precavemos, preca- Formas Nominais: prover, provendo, provido.
veis, ///.  
Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///. Requerer
Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, prevavei vós, ///.
Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///. Verbo irregular da 2ª conjugação que significa pedir,
Pretérito Perfeito do Indicativo: precavi, precaveste, solicitar, por meio de requerimento. Varia no radical.
precaveu, precavemos, precavestes, precaveram. No presente do indicativo, no presente do subjuntivo, no
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: precavera, imperativo afirmativo e no imperativo negativo tem con-
precavera, precavera, precavêramos, precavêreis, pre- jugação idêntica à do verbo querer, com exceção da 1ª
caveram. pessoa do singular do presente do indicativo (eu requeiro);
Futuro do Subjuntivo: precaver, precaveres, preca- no restante dos tempos, tem conjugação regular, ou seja,
ver, precavermos, precaverdes, precaverem. segue a conjugação de qualquer verbo regular terminado
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: precavesse, preca- em -er, como escrever.
vesses, precavesse, precavêssemos, precavêsseis, pre- Presente do Indicativo: requeiro, requeres, requer,
cavessem. requeremos, requereis, requerem.
Futuro do Presente: precaverei, precaverás, preca-
Presente do Subjuntivo: requeira, requeiras,
verá, precaveremos, precavereis, precaverão.
requeira, requeiramos, requeirais, requeiram.
Futuro do Pretérito: precaveria, precaverias, precave-
Imperativo Afirmativo: requere, requeira, requeira-
ria, precaveríamos, precaveríeis, precaveriam.
mos, requerei, requeiram.
Infinitivo Pessoal: precaver, precaveres, precaver,
Imperativo Negativo: não requeiras, não requeira,
precavermos, precaverdes, precaverem.
não requeiramos, não requeirais, não requeiram.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: precavia, precavias,
Pretérito Perfeito do Indicativo: requeri, requereste,
precavia, precavíamos, precavíeis, precaviam.
Formas Nominais: precaver, precavendo, precavido. requereu, requeremos, requerestes, requereram.
  Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: requerera,
Prover requereras, requerera, requerêramos, requerêreis,
requereram.
Verbo irregular da 2ª conjugação que significa abas- Futuro do Subjuntivo: requerer, requereres, reque-
tecer. Varia nas desinências. No presente do indicativo, no rer, requerermos, requererdes, requererem.
presente do subjuntivo, no imperativo afirmativo e no impe-
rativo negativo tem conjugação idêntica à do verbo ver; no

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Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: requeresse, Futuro do Subjuntivo: colorir, colorires, colorir,
requeresses, requeresse, requerêssemos, requerês- colorirmos, colorirdes, colorirem.
seis, requeressem. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: colorisse, colo-
Futuro do Presente: requererei, requererás, reque- risses, colorisse, coloríssemos, colorísseis, coloris-
rerá, requereremos, requerereis, requererão. sem.
Futuro do Pretérito: requereria, requererias, reque- Futuro do Presente: colorirei, colorirás, colorirá,
coloriremos, colorireis, colorirão.
BRUNO

reria, requereríamos, requereríeis, requereriam.


BRUNO PISLASTRE

Infinitivo Pessoal: requerer, requereres, requerer, Futuro do Pretérito: coloriria, coloririas, coloriria,
requerermos, requererdes, requererem. coloriríamos, coloriríeis, coloririam.
PILASTRE

Pretérito Imperfeito do Indicativo: requeria, reque- Infinitivo Pessoal: colorir, colorires, colorir, colo-
rias, requeria, requeríamos, requeríeis, requeriam. rirmos, colorirdes, colorirem.
Formas Nominais: requerer, requerendo, reque- Pretérito Imperfeito do Indicativo: coloria, colorias,
rido. coloria, coloríamos, coloríeis, coloriam.
Formas Nominais: colorir, colorindo, colorido.
Verbos defectivos 1  
Falir
Colorir
Verbo defectivo, da 3ª conjugação. Faltam-lhe as
Verbo defectivo, da 3ª conjugação. Faltam-lhe a 1ª formas rizotônicas do Presente do Indicativo e as formas
pessoa do singular do Presente do Indicativo e as formas delas derivadas. Como ele, conjugam-se:
derivadas dela. Como ele, conjugam-se os verbos: aguerrir (tornar valoroso)
abolir adequar
aturdir (atordoar) combalir (tornar debilitado)
brandir (acenar, agitar a mão) embair (enganar)
banir empedernir (petrificar, endurecer)
carpir esbaforir-se
delir (apagar) espavorir
demolir foragir-se
exaurir (esgotar, ressecar) remir (adquirir de novo, salvar, reparar, indenizar,
explodir recuperar-se de uma falha), renhir (disputar)
fremir (gemer) transir (trespassar, penetrar)
haurir (beber, sorver)
delinquir Falir
extorquir
puir (desgastar, polir) Presente do Indicativo: ///, ///, ///, falimos, falis, ///.
ruir Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
retorquir (replicar, contrapor) Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, fali, ///.
latir Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
urgir (ser urgente) Pretérito Perfeito do Indicativo: fali, faliste, faliu,
tinir (soar) falimos, falistes, faliram.
pascer (pastar) Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: falira, fali-
ras, falira, falíramos, falíreis, faliram.
Colorir Futuro do Subjuntivo: falir, falires, falir, falirmos,
falirdes, falirem.
Presente do Indicativo: ///, colores, colore, colori- Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: falisse, falisses,
mos, coloris, colorem. falisse, falíssemos, falísseis, falissem.
Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///. Futuro do Presente: falirei, falirás, falirá, faliremos,
Imperativo Afirmativo: colore, ///, ///, colori, ///. falireis, falirão.
Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///, ///. Futuro do Pretérito: faliria, falirias, faliria, faliría-
Pretérito Perfeito do Indicativo: colori, coloriste, mos, faliríeis, faliriam.
coloriu, colorimos, coloris, coloriram. Infinitivo Pessoal: falir, falires, falir, falirmos, falir-
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: colorira, des, falirem.
coloriras, colorira, coloríramos, coloríreis, coloriram. Pretérito Imperfeito do Indicativo: falia, falias, falia,
falíamos, falíeis, faliam.
1
Diz-se do verbo que não apresenta todas as formas do paradigma a que Formas Nominais: falir, falindo, falido.
pertence.

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Processo de criação de palavras (derivação) Vejamos a definição de cada uma delas:

A derivação é o processo pelo qual se originam vocá- Substantivo


bulos uns de outros, mediante a inserção ou extração de Classe de palavras com que se denominam os seres,
afixos. Pode ocorrer por: animados ou inanimados, concretos ou abstratos, os estados,
Processo Exemplificação
as qualidades, as ações.

LÍNGUA PORTUGUESA
Qualquer morfema susceptível de ser antecedido por
Prefixação ou sufixação: Infeliz (prefixação: in- + feliz)
outro da classe dos determinantes, compondo com ele um
Felizmente (sufixação: feliz +
-mente)
sintagma nominal.

Prefixação e sufixação: Infelizmente (prefixação e sufi-


Adjetivo
xação).
Que serve para modificar um substantivo, acrescentando
Derivação imprópria: forma- Passagem do substantivo pró-
uma qualidade, uma extensão ou uma quantidade àquilo que
ção de palavras por meio da prio para o comum (barnabé,
ele nomeia (diz-se de palavra, locução, oração, pronome).
mudança da categoria gra- benjamim, cristo), de substan-
matical sem a modificação da tivo comum a próprio (Oliveira, Palavra que se junta ao substantivo para modificar o seu
forma. Leão), de adjetivo a substan- significado, acrescentando-lhe noções de qualidade, natu-
tivo (barroco, tônica), de subs- reza, estado etc.
tantivo a adjetivo ou apositivo
(burro, rosa, padrão, D. João Verbo
V), de verbo a substantivo (o Classe de palavras que, do ponto de vista semântico,
fazer, o dizer).
contêm as noções de ação, processo ou estado, e, do ponto
Derivação parassintética: aclarar < claro de vista sintático, exercem a função de núcleo do predicado
formação de palavras em que entardecer < tarde das sentenças.
se verifica prefixação e sufixa-
Nas línguas flexionais e aglutinantes, palavra perten-
ção simultaneamente.
cente a um paradigma cujas flexões indicam algumas cate-
gorias, como o tempo (que localiza ação, processo ou estado
Derivação regressiva: cria- abalo, de abalar
em relação ao momento da fala), a pessoa (indica o emis-
ção de um substantivo pela eli- saque, de sacar
sor, o destinatário ou o ser sobre o qual se fala), o número
minação de sufixo da palavra
derivante, e acréscimo de uma (indica se o sujeito gramatical é singular ou plural), o modo
vogal temática. (indica a atitude do emissor quanto ao fato por ele enunciado,
que pode ser de certeza, dúvida, temor, desejo, ordem etc.),
Derivação própria: forma- livraria, livreiro < livro
ção de palavras por meio da infeliz < feliz a voz (indica se o sujeito gramatical é agente, paciente ou, ao
adição de sufixos derivacio- mesmo tempo, agente e paciente da ação), o aspecto (for-
nais a um radical. nece detalhes a respeito do modo de ser da ação, se é unitá-
Aglutinação: reunião em um aguardente por água + ardente ria, momentânea, prolongada, habitual etc.).
só vocábulo, com significado pernalta por perna + alta
independente, de dois ou mais Advérbio
vocábulos distintos; ocorre Palavra invariável que funciona como um modificador
perda de fonemas e especial- de um verbo (dormir pouco), um adjetivo (muito bom), um
mente de acento de um dos outro advérbio (deveras astuciosamente), uma frase (feliz-
vocábulos aglutinados.
mente ele chegou), exprimindo circunstância de tempo,
Justaposição: reunião, em laranja-pera modo, lugar, qualidade, causa, intensidade, oposição, afirma-
uma só palavra com signifi- porta-malas ção, negação, dúvida, aprovação etc.
cado independente, de pala- madrepérola
vras distintas que conservam, cantochão
Pronome
cada uma, sua integridade
fonética. Palavra que representa um nome, um termo usado com
a função de um nome, um adjetivo ou toda uma oração que a
As classes de palavras segue ou antecede.

Há dez classes de palavras em português:
Preposição
1) Substantivo Palavra gramatical, invariável, que liga dois elementos
2) Adjetivo de uma frase, estabelecendo uma relação entre eles.
3) Verbo
4) Advérbio Artigo
5) Pronome Subcategoria de determinantes do nome. Em português,
6) Preposição é sempre anteposto ao substantivo.
7) Artigo
8) Numeral Numeral
9) Conjunção Diz-se de ou classe de palavras que indica quantidade
10) Interjeição numérica.

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Conjunção
Vocábulo ou sintagma invariável, usado para ligar uma
oração subordinada à sua principal, ou para coordenar perí-
odos ou sintagmas do mesmo tipo ou função.

Interjeição
Palavra invariável ou sintagma que formam, por si sós,
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

frases que exprimem uma emoção, uma sensação, uma


ordem, um apelo ou descrevem um ruído (por exemplo:
psiu!, oh!, coragem!, meu Deus!).
PILASTRE

A seção a seguir tem por objetivo proporcionar a você,


estudante, uma técnica eficaz de identificação das classes
A definição semântica não é suficientemente adequada
gramaticais mais importantes.
para definir substantivo, adjetivo e verbo.

Identificação das classes gramaticais


Caminho teórico mais coerente: explicações de cará-
ter formal e sintático (e morfossintático).
Iniciemos pela forma como as palavras são classifica-
das morfologicamente:
Os critérios mórfico (ou formal) e sintático para
Forma: define-se segundo os elementos estruturais
classificação morfológica
que vierem a compor ou a decompor paradigmaticamente
as palavras.
Tais ocorrências envolvem “cortes verticais” no eixo
Função: conforme a posição ocupada no eixo sintag-
paradigmático? Envolve elementos estruturais das palavras
mático.
(gramemas dependentes, como desinências, afixos etc.)?
Sentido: depreende-se da relação entre ambas as
coisas, associado quase sempre a fatores de ordem extra-
Explicação mórfica: flexão e derivação.
linguística.
→ Substantivo
→ gato/gata
→ Adjetivo
→ moral/imoral/amoral
→ Verbo
→ Explicação sintática:
→ Advérbio
→ Personagem esquisita – um bonito personagem
→ Este pires – muitos pires.
Palavra-chave!
Quais palavras (independentemente de serem seres
Sintagmático: diz-se da relação entre unidades da língua que se
ou não) se deixam anteceder pelos determinantes?
encontram contíguas na cadeia da fala e não podem se substituir
mutuamente, pois têm funções diferentes (por exemplo, em céu Não é função popular impedir reajustes de preço na
azul e eles chegaram, a relação entre céu e azul, e entre eles e próxima temporada.
chegaram).
Paradigmático: relativo a ou que pertence a uma série de unida- → função
des que possuem traço(s) em comum e que podem se substituir → (os) reajustes
mutuamente num determinado ponto da cadeia da fala; asso- → (o) preço
ciativo.
→ temporada

IMPORTANTE: A força substantivadora dos determinantes é tão grande


que pode transformar qualquer palavra de qualquer outra
A língua não funciona em relação a um único eixo (paradigmático
categoria em substantivos.
ou sintagmático).
Adjetivo
Fator sintático (posição horizontal) Somente as palavras que são adjetivos aceitam o
sufixo –mente (originando, dessa forma, um advérbio).
→ homem grande/grande homem
→ funcionário novo/novo funcionário IMPORTANTE:
Todo adjetivo é palavra variável em gênero e/ou número e
Mudança no eixo paradigmático também altera a cons-
deixa-se articular (ou modificar) por outra que seja advérbio.
trução de sentido, ainda que a classificação permaneça inal- ou
terada. É adjetivo toda palavra variável em gênero e/ou número que se
deixar anteceder por “tão” (ou por qualquer intensificador como
→ Este é o romance mais bonito de Jorge Amado. bem ou muito, dependendo do contexto).
→ Este é o barco mais bonito de Jorge Amado.

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Como exercício, encontre os adjetivos nestas sentenças: Oração é uma frase, ou membro de frase, que contém
um verbo (ou locução verbal 2). A oração pode ser coorde-
→ Não é função _____ popular___ impedir reajustes de nada ou subordinada:
preço na _____ próxima___ temporada. O João chegou e já se sentou.
→ Ele não é _____ homem para isso. O governo afirmou que as políticas públicas serão mais
eficazes.

LÍNGUA PORTUGUESA
A resolução está organizada a seguir:
O período é uma frase que contém uma ou mais ora-
Não é função (tão) popular(es) impedir reajustes de ções. Inicia-se por letra maiúscula e encerra-se por ponto final
preço na (tão) próxima(s) temporada. (ou equivalente).
Ele não é (tão) homem para isso.
A ordem dos termos
IMPORTANTE:
Em português, as sentenças são organizadas na ordem
Constatar a flexão e a articulação com o substantivo são
(direta):
procedimentos fundamentais para distinguir o adjetivo do
advérbio.
Sujeito – Verbo – Objeto (complemento) – Adjuntos

Verbo O governo investiu R$ 100 milhões em educação no ano


O verbo, na língua portuguesa, constitui a classe de passado.
maior riqueza formal e, por esse critério, torna-se facilmente
identificável. Vozes do verbo
Apenas os verbos articulam-se com os pronomes pes-
soais do caso reto (Eu, Tu, Ele/Ela, Nós, Vós, Eles/Elas). Vozes são a forma em que se apresenta o verbo
para indicar a relação que há entre ele e o seu sujeito. Em
Advérbio língua portuguesa, há três tipos de voz: ativa, passiva e refle-
No eixo sintagmático: articula-se com verbos, adjetivos xiva. Vejamos a definição de cada uma:
e advérbios.
1. Voz ativa
→ Ela fala bem. Voz do verbo em que o sujeito pratica a ação (por exem-
→ Ela parece extremamente cansada. plo, João cortou a árvore)
→ Ela fala muito bem.
2. Voz passiva
Voz do verbo na qual o sujeito da oração recebe a inter-
IMPORTANTE:
pretação de paciente, em lugar da de agente da ação verbal
É advérbio toda palavra invariável em gênero e/ou número (por exemplo, Pedro foi demitido)
que se deixa anteceder por TÃO (ou por bem, ou por muito,
dependendo do contexto). 2.1. Voz passiva analítica
Voz passiva com o verbo principal na forma de particípio
e com verbo auxiliar (ser, estar, andar etc.) recebendo as
CAPÍTULO 3 – SINTAXE
indicações de tempo, modo e concordância.
O sujeito equivale ao objeto direto da ativa correspon-
SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO
dente, e o sintagma agentivo, opcional, vem precedido de por:
O cocheiro foi mordido (pelo cavalo).
Frase, período e oração
2.2. Voz passiva sintética
Frase é a construção que encerra um sentido com-
Voz passiva com o verbo na terceira pessoa construído
pleto, podendo ser formada por uma ou mais palavras, com
com o pronome apassivador se, sem indicação do agente.
ou sem verbo, ou por uma ou mais orações; pode ser afirma-
Por exemplo:
tiva, negativa, interrogativa, exclamativa ou imperativa.
Não se encontrou nenhum vestígio de vinho no copo.
Vejamos alguns exemplos:
Vendem-se livros usados.
→ Pare!
→ Fogo!
3. Voz reflexiva
→ Parada de ônibus.
Voz com verbo na forma ativa tendo como complemento
→ Vendem-se casas.
um pronome reflexivo, indicando a identidade entre quem pro-
→ A Maria disse que o João voltará amanhã.
voca e quem sofre a ação verbal:
→ O governo não dará continuidade à política de sane-
amento básico.
→ Os dirigentes chegaram? 2 Conjunto de palavras que equivalem a um só vocá-
→ Isso é um absurdo! bulo, por terem significado, conjunto próprio e função grama-
→ Adicione duas xícaras de leite. tical única. O João vai chegar cedo.

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Feri-me. Este é um carro que tem muita força e que pode
Eles se prejudicaram. alcançar grande velocidade.

O sujeito Nessa última frase, coordenamos dois sintagmas adje-


Sujeito é termo da oração sobre o qual recai a predi- tivais derivados.
cação da oração e com o qual o verbo concorda. Pode ser: Por fim, é também importante destacar que ambas as
formas são perfeitamente aceitáveis, pois nenhuma das
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

I – Indeterminado: frases fere a integridade sintática do sistema linguístico. A


→ Pedro, disseram-me que você falou mal de mim. escolha entre ambas é uma questão estilística.
→ Precisa-se de empregados (índice de indetermina-
PILASTRE

ção do sujeito). Concordância Nominal e Verbal


→ Vive-se bem aqui (índice de indeterminação do sujeito).
A exposição dos conteúdos a seguir (Concordân-
II – Impessoal: cia Nominal e Verbal, Regência Verbal e Nominal e Rela-
Há bons livros na livraria. Faz frio. Chove. ções de Coordenação e Subordinação entre orações e entre
termos da oração) será baseada nas orientações do Manual
III – Explicitado lexicalmente: de Redação da Presidência República. Optamos por essa
→ O sol é um astro luminoso. abordagem pelo fato de a obra de referência (Manual da
Presidência) ser objetiva, sintética e completa.
IV – Explicitado pronominalmente:
→ Eu estudo no colégio Dom Pedro II. Concordância

V – Desinencial: Concordância é o processo sintático segundo o qual


→ Brincamos todos os dias na praça. certas palavras se flexionam, na sua forma, às palavras de
que dependem.
As formas pronominais retas (as quais ocupam a posi- Veremos que essa flexão ocorre quanto a gênero e
ção de sujeito) são as seguintes: número (nos adjetivos – nomes ou pronomes), números e
→ 1ª pessoa (singular ou plural): eu – nós. pessoa (nos verbos). Iniciemos pela Concordância Verbal,
→ 2ª pessoa (singular ou plural): tu – vós. mais extensa.
→ 3ª pessoa (singular ou plural): ele – eles.
Concordância Verbal
Paralelismo sintático
A regra geral para a concordância é a seguinte: o verbo
Paralelismo sintático é a identidade de estrutura numa concorda com seu sujeito em pessoa e número.
sucessão de frases. Vejamos a frase a seguir: Se o sujeito for simples, isto é, se tiver apenas um
O esforço é grande e o homem é pequeno. núcleo, com ele concorda o verbo em pessoa e número.
Vejamos os exemplos:
Nessa frase, há uma simetria estrutural entre as duas → O Chefe da Seção pediu maior assiduidade.
orações. Ambas são estruturadas por um verbo de ligação e → A inflação deve ser combatida por todos.
um predicativo do sujeito. → Os servidores do Ministério concordaram com a
Segundo Azeredo (2008), paralelismo sintático é a proposta.
perfeita correlação na estrutura sintática da frase. Como a
coordenação é um processo que encadeia valores sintáticos Quando o sujeito for composto, ou seja, possuir mais
idênticos, presume-se que os elementos sintáticos coorde- de um núcleo, o verbo vai para o plural e para a pessoa que
nados entre si devam apresentar, em princípio, estruturas tiver primazia, na seguinte ordem: a 1ª pessoa tem priori-
gramaticais similares. Portanto, a coordenação sintática dade sobre a 2ª e a 3ª; a 2ª sobre a 3ª; na ausência de uma
deve comportar constituintes do mesmo tipo. e outra, o verbo vai para a 3ª pessoa.
É muito importante observar que o paralelismo sintático → Eu e Maria queremos viajar em maio.
não se enquadra em uma norma gramatical rígida. É possí- → Eu, tu e João somos amigos.
vel construir sentenças na língua que não seguem o princí- → O Presidente e os Ministros chegaram logo.
pio do paralelismo:
Este é um carro possante e que alcança grande velo- Em concursos públicos, há certas estruturas recorren-
cidade. temente cobradas. Vejamos, a seguir, algumas questões
que costumam suscitar dúvidas quanto à correta concordân-
Veja que nessa frase coordenamos termos de nature- cia verbal.
zas distintas: um sintagma adjetival básico (possante) e um
sintagma adjetival derivado (que alcança grande veloci- a) Há três casos de sujeito inexistente:
dade). Respeitar-se-ia o princípio do paralelismo se a frase 1. com verbos de fenômenos meteorológicos:
tivesse a seguinte estrutura: Choveu (geou, ventou...) ontem.

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2. em que o verbo haver é empregado no sentido de d) O substantivo que se segue à expressão um e
existir ou de tempo transcorrido: outro fica no singular, mas o verbo pode empregar-se no
Haverá descontentes no governo e na oposição. singular ou no plural:
Havia cinco anos não ia a Brasília. → Um e outro decreto trata da mesma questão jurí-
dica.
Para certificar-se de que esse haver é impessoal, Ou:

LÍNGUA PORTUGUESA
basta recorrer ao singular do indicativo: Se há ( e nunca: → Um e outro decreto tratam da mesma questão jurí-
*hão) dúvidas... Há (e jamais: * Hão) descontentes... dica.

3. em que o verbo fazer é empregado no sentido de e) As locuções um ou outro, ou nem um, nem outro,
tempo transcorrido: seguidas ou não de substantivo, exigem o verbo no singu-
Faz dez dias que não durmo. lar:
Semana passada fez dois meses que iniciou a apura-
ção das irregularidades. → Uma ou outra opção acabará por prevalecer.
→ Nem uma, nem outra medida resolverá o pro-
blema.
IMPORTANTE:
→ Fazem cinco anos que não vou a Brasília. (Inadequado) f) No emprego da locução um dos que, admite-se
→ Faz cinco anos que não vou a Brasília. (Adequado) dupla sintaxe, verbo no singular ou verbo no plural (preva-
lece este no uso atual):
São muito frequentes os erros de pessoalização dos verbos → Um dos fatores que influenciaram (ou influen-
haver e fazer em locuções verbais (ou seja, quando acompanha- ciou) a decisão foi a urgência de obter resultados concre-
dos de verbo auxiliar). Nestes casos, os verbos haver e fazer tos.
transmitem sua impessoalidade ao verbo auxiliar: → A adoção da trégua de preços foi uma das medidas
→ Vão fazer cinco anos que ingressei no Serviço Público.
que geraram (ou gerou) mais impacto na opinião pública.
(Inadequado)
→ Vai fazer cinco anos que ingressei no Serviço Público.
(Adequado)
g) O verbo que tiver como sujeito o pronome relativo
quem tanto pode ficar na terceira pessoa do singular, como
→ Depois das últimas chuvas, podem haver centenas de concordar com a pessoa gramatical do antecedente a que
desabrigados. (Inadequado) se refere o pronome:
→ Depois das últimas chuvas, pode haver centenas de desa- → Fui eu quem resolveu a questão.
brigados. (Adequado) – ou:
→ Fui eu quem resolvi a questão.
→ Devem haver soluções urgentes para estes problemas.
(Inadequado) h) Verbo apassivado pelo pronome se deve concordar
→ Deve haver soluções urgentes para estes problemas.
com o sujeito que, no caso está sempre expresso e vem
(Adequado)
a ser o paciente da ação ou o objeto direto na forma ativa
correspondente:
→ Vendem-se apartamentos funcionais e residências
b) Concordância facultativa com sujeito mais próximo:
oficiais.
quando o sujeito composto figurar após o verbo, pode este
→ Para obterem-se resultados são necessários sacri-
flexionar-se no plural ou concordar com o elemento mais
fícios.
próximo.
→ Venceremos eu e você.
Compare:
Ou:
Apartamentos são vendidos Vendem apartamentos
→ Vencerei eu e você.
Resultados são obtidos Obtiveram resultados
Ou, ainda:
→ Vencerá você e eu. Verbo transitivo indireto (isto é, que rege preposição)
fica na terceira pessoa do singular; o se, no caso, não é
c) Quando o sujeito composto for constituído de pala- apassivador pois verbo transitivo indireto não é apassivá-
vras sinônimas (ou quase), formando um todo indiviso, ou vel:
de elementos que simplesmente se reforçam, a concordân- → *O prédio é carecido de reformas.
cia é facultativa, ou com o elemento mais próximo ou com a → *É tratado de questões preliminares. Assim, o
ideia plural contida nos dois ou mais elementos: adequado é:
→ A sociedade, o povo une-se para construir um país → Assiste-se a mudanças radicais no País. (E não
mais justo. *Assistem-se a...)
Ou então: → Precisa-se de homens corajosos para mudar o
→ A sociedade, o povo unem-se para construir um País. (E não *Precisam-se de...)
país mais justo. → Trata-se de questões preliminares ao debate. (E
não *Tratam-se de...)

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i) Expressões de sentido quantitativo (grande número CONCORDÂNCIA NOMINAL
de, grande quantidade de, parte de, grande parte de, a
maioria de, a maior parte de, etc.) acompanhadas de com- A regra geral de concordância nominal é a seguinte:
plemento no plural admitem concordância verbal no singular adjetivos (nomes ou pronomes), artigos e numerais con-
ou no plural. Nesta última hipótese, temos “concordância cordam em gênero e número com os substantivos de que
ideológica”, por oposição à concordância lógica, que se faz dependem:
com o núcleo sintático do sintagma (ou locução) nominal (a → Todos os outros duzentos processos examinados...
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

maioria + de...): → Todas as outras duzentas causas examinadas...


→ A maioria dos condenados acabou (ou acabaram)
por confessar sua culpa. Vejamos, a seguir, alguns casos que suscitam dúvida:
PILASTRE

→ Um grande número de Estados aprovaram (ou


aprovou) a Resolução da ONU. a) anexo, incluso, leso: como adjetivos, concordam
→ Metade dos Deputados repudiou (ou repudiaram) com o substantivo em gênero e número:
as medidas. → Anexa à presente Exposição de Motivos, segue
minuta de Decreto.
j) Concordância do verbo ser: segue a regra geral → Vão anexos os pareceres da Consultoria Jurídica.
(concordância com o sujeito em pessoa e número), mas nos → Remeto inclusa fotocópia do Decreto.
seguintes casos é feita com o predicativo: Silenciar nesta circunstância seria crime de lesa-pátria
(ou de leso-patriotismo).
1. quando inexiste sujeito:
→ Hoje são dez de julho. b) a olhos vistos é locução com função adverbial, inva-
→ Agora são seis horas. riável, portanto:
→ Do Planalto ao Congresso são duzentos metros. → Lúcia envelhecia a olhos vistos.
→ Hoje é dia quinze. → A situação daquele setor vem melhorando a olhos
vistos.
2. quando o sujeito refere-se a coisa e está no singular
e o predicativo é substantivo no plural: c) possível: em expressões superlativas, este adjetivo
→ Minha preocupação são os despossuídos. ora aparece invariável, ora flexionado (embora no portu-
→ O principal erro foram as manifestações extempo- guês, moderno se prefira empregá-lo no plural):
râneas. → As características do solo são as mais variadas pos-
síveis.
3. quando os demonstrativos tudo, isto, isso, aquilo → As características do solo são as mais variadas pos-
ocupam a função de sujeito: sível.
→ Tudo são comemorações no aniversário do muni-
cípio. REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
→ Isto são as possibilidades concretas de solucionar
o problema. Em gramática, regência sinônimo de dependência,
→ Aquilo foram gastos inúteis. subordinação. Desse modo, a sintaxe de regência trata das
relações de dependência que as palavras mantêm na frase.
4. quando a função de sujeito é exercida por palavra ou Dizemos que um termo rege o outro que o complementa.
locução de sentido coletivo: a maioria, grande número, a Numa frase, os termos regentes ou subordinantes
maior parte, etc. (substantivos, adjetivos, verbos) regem os termos regidos
→ A maioria eram servidores de repartições extintas. ou subordinados (substantivos, adjetivos, preposições) que
→ Grande número (de candidatos) foram reprovados lhes completam o sentido.
no exame de redação.
→ A maior parte são pequenos investidores. Termos Regentes Termos Regidos
amar, amor a Deus.
5. quando um pronome pessoal desempenhar a função insistiu, insistência em falar.
persuadiu o Senador a que votasse.
de predicativo:
obediente, obediência à lei.
→ Naquele ano, o assessor especial fui eu.
cuidado, cuidadoso com a revisão do texto.
→ O encarregado da supervisão és tu. ouvir música
→ O autor do projeto somos nós.
Como se vê pelos exemplos acima, os termos regentes
Nos casos de frases em que são empregadas expres- podem ser substantivos e adjetivos (regência nominal) ou
sões é muito, é pouco, é mais de, é menos de o verbo ser verbos (regência verbal), e podem reger outros substanti-
fica no singular: vos e adjetivos ou preposições.
→ Três semanas é muito. Em concursos públicos, sabemos que as dúvidas mais
→ Duas horas é pouco. frequentes quanto à regência estão relacionadas à necessi-
→ Trezentos mil é mais do que eu preciso. dade de determinada palavra reger preposição, e qual deve
ser essa preposição.

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Vejamos, a seguir, alguns casos de regência verbal Comparecer
que costumam criar dificuldades na língua escrita – e, (Comparecer a (ou em) algum lugar ou evento):
claro, são constantemente cobradas em provas. → Compareci ao(ou no) local indicado nas instruções.
→ A maioria dos delegados compareceu à (ou na)
Regência de alguns verbos de uso frequente reunião.

LÍNGUA PORTUGUESA
Anuir Compartilhar
(Concordar, condescender: transitivo indireto com a (Compartilhar alguma (ou de alguma) coisa):
preposição a): → O povo brasileiro compartilha os (ou dos) ideais
→ Todos anuíram àquela proposta. de preservação ambiental do Governo.
→ O Governo anuiu de boa vontade ao pedido do sin-
dicato. Consistir
(Consistir em alguma coisa (consistir de é angli-
Aproveitar cismo)):
(Aproveitar alguma coisa ou aproveitar-se de alguma → O plano consiste em promover uma trégua de
coisa): preços por tempo indeterminado.
→ Aproveito a oportunidade para manifestar repúdio
ao tratamento dado a esta matéria. Custar
→ O relator aproveitou-se da oportunidade para emitir (No sentido usual de ter valor, valer):
sua opinião sobre o assunto. → A casa custou um milhão de cruzeiros.
(No sentido de ser difícil, este verbo se usa na 3ª
Aspirar pessoa do sing., em linguagem culta formal):
(No sentido de respirar, é transitivo direto): → Custa-me entender esse problema.
→ Aspiramos o ar puro da montanha. Aspirá-lo. (Eu) custo a entender esse problema.
(No sentido de desejar ardentemente, de pretender, [é linguagem oral, escrita informal, etc.]
é transitivo indireto, regendo a preposição a): → Custou-lhe aceitar a argumentação da oposição.
→ O projeto aspira à estabilidade econômica da [Como sinônimo de demorar, tardar – Ele custou a
sociedade. Aspira a ela. aceitar a argumentação da oposição – também é lingua-
→ Aspirar a um cargo. Aspirar a ele. gem oral, vulgar, informal.]

Assistir Declinar
(No sentido de auxiliar, ajudar, socorrer, é transitivo (Declinar de alguma coisa (no sentido de rejeitar)):
direto): → Declinou das homenagens que lhe eram devidas.
→ Procuraremos assistir os atingidos pela seca
(assisti-los). Implicar
→ O direito que assiste ao autor de rever sua posi- (No sentido de acarretar, produzir como consequ-
ção. O direito que lhe assiste... ência, é transitivo direto):
(No sentido de estar presente, comparecer, ver é → O Convênio implica a aceitação dos novos preços
transitivo indireto, regendo a preposição a): para a mercadoria.
→ Não assisti à reunião ontem. Não assisti a ela. [O Convênio implica na aceitação... – é inovação sin-
→ Assisti a um documentário muito interessante. tática bastante frequente no Brasil. Mesmo assim, aconse-
Assisti a ele. lha se manter a sintaxe originária: implica isso]
(Nesta acepção, o verbo não pode ser apassivado;
assim, em linguagem culta formal, é incorreta a frase): Incumbir
→ A reunião foi assistida por dez pessoas. (Incumbir alguém (incumbi-lo) de alguma coisa):
→ Incumbi o Secretário de providenciar a reserva
Atender das dependências.
→ O Prefeito atendeu ao pedido do vereador. (Ou incumbir a alguém (incumbir-lhe) alguma coisa):
→ O Presidente atendeu o Ministro (atendeu-o) em → O Presidente incumbiu ao Chefe do Cerimonial
sua reivindicação. preparar a visita do dignitário estrangeiro.
Ou
→ O Presidente atendeu ao Ministro (atendeu a ele) Informar
em sua reivindicação. (Informar alguém (informá-lo) de alguma coisa):
→ Informo Vossa Senhoria de que as providências
Avisar solicitadas já foram adotadas.
(Avisar alguém (avisá-lo) de alguma coisa): (Informar a alguém (informar-lhe) alguma coisa):
→ O Tribunal Eleitoral avisou os eleitores da neces- → Muito agradeceria informar à autoridade interes-
sidade do recadastramento. sada o teor da nova proposta.

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Obedecer Por regra, a crase somente ocorre antes de palavras
(Obedecer a alguém ou a alguma coisa (obedecer- femininas determinadas pelo artigo a(s) e subordinadas a
-lhe)): termos que requerem a preposição a. Portanto, dois fatores
→ As reformas obedeceram à lógica do programa de são determinantes. Vejamos:
governo.
→ É necessário que as autoridades constituídas obe- (i) Deve haver um termo que requer a preposição a.
deçam aos preceitos da Constituição. → Ele assistiu à cena.
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

→ Todos lhe obedecem. [verbo assistir rege a preposição a (assistir a)]


→ Todos os manifestantes estão fazendo uso do direito
Pedir
PILASTRE

à liberdade de expressão.
(Pedir a alguém (pedir-lhe) alguma coisa): [o nome direito exige a preposição a]
→ Pediu ao assessor o relatório da reunião.
(Pedir a alguém (pedir-lhe) que faça alguma coisa): (ii) A crase ocorrerá antes de palavras femininas deter-
[“Pedir a alguém para fazer alguma coisa” é lingua- minadas. Há, aqui, duas exigências:
gem oral, vulgar, informal.] → Ele assistiu à cena.
→ Pediu aos interessados (pediu-lhes) que (e não
*para que) procurassem a repartição do Ministério da Saúde.
Nessa frase, percebemos que cena é palavra feminina
(exigência (i)) e é determinada (ou seja: dentre um grande
Preferir
universo de cenas, alguém assistiu a uma cena específica,
(Preferir uma coisa (preferi-la) a outra (evite: “preferir
determinada) (exigência (ii)).
uma coisa do que outra”):
→ Todos os manifestantes estão fazendo uso do direito
→ Prefiro a democracia ao totalitarismo.
à liberdade de expressão.
Vale para a forma nominal preferível:
Isto é preferível àquilo (e não preferível do que...). Nessa frase, liberdade é palavra feminina e está
determinada (ou seja: dentre todas as formas de liberdade,
Propor-se fala-se da liberdade de expressão).
(Propor-se (fazer) alguma coisa ou a (fazer) alguma
coisa): RELAÇÕES DE COORDENAÇÃO E SUBORDINA-
→ O decreto propõe-se disciplinar (ou a disciplinar) o ÇÃO ENTRE ORAÇÕES E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO
regime jurídico das importações.
Tipos de Orações e Emprego de Conjunções
Referir
(No sentido de ‘relatar’ é transitivo direto): As conjunções são palavras invariáveis que ligam ora-
→ Referiu as informações (referiu-as) ao encarregado. ções, termos da oração ou palavras. Estabelecem relações
entre orações e entre os termos sintáticos, que podem ser
Visar de dois tipos:
(Com o sentido de ter por finalidade, a regência origi-
nária é transitiva indireta, com a preposição a. Tem-se admi- a) de coordenação de ideias de mesmo nível, e de
tido, contudo, seu emprego com o transitivo direto com essa elementos de idêntica função sintática;
mesma acepção): b) de subordinação, para estabelecer hierarquia entre
→ O projeto visa ao estabelecimento de uma nova ética as ideias, e permitir que uma oração complemente o sentido
social (visa a ele). Ou: visa o estabelecimento (visa-o). da outra.
→ As providências visavam ao interesse (ou o inte-
resse) das classes desfavorecidas. Por esta razão, o uso apropriado das conjunções é de
grande importância: seu emprego indevido gera imprecisão
EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE
ou combinações errôneas de ideias. Esse é o ponto mais
avaliado em concursos públicos, uma vez que a substitui-
Crase designa, em termos de gramática normativa, a
ção de uma conjunção por outra pode ocasionar mudança
contração da preposição a com o artigo a(s), ou com os pro-
de sentido e incorreções.
nomes demonstrativos a(s), aquele(s), aquela(s), aquilo.
Observe as frases abaixo:
Períodos Coordenados e Conjunções Coordenativas
→ Ele foi à padaria.
[Ele foi a (preposição) + a (artigo) padaria]
→ Ninguém chegou àquele nível de compreensão. De acordo com a tradição gramatical, as conjunções
[Ninguém chegou a (preposição) + aquele (pronome coordenativas unem elementos de mesma natureza (subs-
demonstrativo) nível (...)] tantivo + substantivo; adjetivo + adjetivo; advérbio + advér-
bio; e oração + oração). Em períodos, as orações por elas
É muito importante observar que o acento grave ( ` ) introduzidas recebem a mesma classificação. Vejamos, nos
indica o fato linguístico crase. quadros a seguir, cada uma delas:

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Aditivas: relacionam pensamentos similares. São 3. objetivas indiretas:
duas: e e nem. A primeira une duas afirmações; a segunda, → A liberação dos recursos depende de que o Minis-
duas negações: tro a autorize.
→ O Embaixador compareceu à reunião e manifestou o
interesse do seu governo no assunto. 4. predicativas:
→ O Embaixador não compareceu à reunião, nem → O problema do projeto foi que ninguém previu
todas as suas consequências.

LÍNGUA PORTUGUESA
manifestou o interesse de seu governo no assunto.

Adversativas: relacionam pensamentos que se opõem As orações subordinadas adjetivas desempenham a


ou contrastam. A conjunção adversativa por excelência é função de adjetivo, restringindo o sentido do substantivo a
mas. Outras palavras também têm força adversativa na rela- que se referem, ou simplesmente lhe acrescentando outra
ção entre ideias: porém, todavia, contudo, entretanto, no característica. São introduzidas pelos pronomes relativos
entanto. que, o (a) qual, quem, quanto, cujo, como, onde, quando.
→ O piloto gosta de automóveis, mas prefere deslocar-se Podem ser, portanto:
em aviões.
→ O piloto gosta de automóveis; prefere, porém, des- a) restritivas:
locar-se em aviões. → Só poderão inscrever-se os candidatos que preen-
cheram todos os requisitos para o concurso.
Alternativas: relacionam pensamentos que se
excluem. As conjunções alternativas mais utilizadas são: ou, b) não restritivas (ou explicativas):
quer...quer, ora...ora, já...já. → O Presidente da República, que tem competência
→ O Presidente irá ao encontro (ou) de automóvel, ou exclusiva nessa matéria, decidiu encaminhar o projeto.
de avião.
IMPORTANTE!
Conclusivas: relacionam pensamentos tais que o
Observe que o fato de a oração adjetiva restringir, ou não, o
segundo contém a conclusão do enunciado no primeiro.
substantivo (nome ou pronome) a que se refere repercute na
São: logo, pois, portanto, consequentemente, por con-
pontuação. Na frases de (a), acima, a oração adjetiva especifica
seguinte, etc. que não são todos os candidatos que poderão inscrever-se, mas
→ A inflação é o maior inimigo da Nação; logo, é meta somente aqueles que preencherem todos os requisitos para o
prioritária do governo eliminá-la. concurso. Como se verifica pelo exemplo, as orações adjetivas
restritivas não são pontuadas com vírgula em seu início. Já
Explicativas: relacionam pensamentos em sequência em (b), acima, temos o exemplo contrário: como só há um
justificativa, de tal modo que a segunda oração explica a Presidente da República, a oração adjetiva não pode especificá-
razão de ser da primeira. São: que, pois, porque, portanto. lo, mas apenas agregar alguma característica ou atributo dele.
→ Aceite os fatos, pois eles são o espelho da realidade. Este segundo tipo de oração vem, obrigatoriamente, precedido
por vírgula anteposta ao prenome relativo que a introduz.
Períodos Subordinados e Conjunções Subordinativas

As conjunções subordinativas unem duas orações As orações subordinadas adverbiais cumprem a


de natureza diversa: a que é introduzida pela conjunção função de advérbios. As conjunções que com mais frequ-
completa o sentido da oração principal ou lhe acrescenta ência conectam essas orações vêm listadas, em quadros,
uma determinação. ao lado da denominação de cada modalidade. As orações
Vejamos, a seguir, as orações subordinadas desenvol- adverbiais são classificadas de acordo com a ideia expressa
vidas (isto é, aquelas que apresentam verbo em uma das por sua função adverbial:
formas finitas, indicativo ou subjuntivo) e as conjunções
empregadas em cada modalidade de subordinação: 1. Causais: porque; como, desde que, já que, visto,
As orações subordinadas substantivas desempenham uma vez que (antepostos).
funções de substantivo, ou seja, sujeito, objeto direto, → O Coronel assumiu o comando porque o General
objeto indireto, predicativo. Podem ser introduzidas pelas havia falecido.
conjunções integrantes que, se, como; pelos pronomes → Como o General havia falecido, o Coronel assumiu
relativos, que, quem, quantos; e pelos pronomes interroga- o comando.
tivos quem, (o) que, quanto(a)(s), qual (is), como, onde,
quando. De acordo com a função que exercem, as orações 2. Concessivas: embora, conquanto, ainda que, pos-
são classificadas em: to que, se bem que, etc.
→ O orçamento foi aprovado, embora os preços esti-
1. subjetivas: vessem altos.
→ É surpreendente que as transformações ainda
não tenham sido assimiladas. 3. Condicionais: se, caso, contanto que, sem que,
→ Quem não tem competência não se estabelece. uma vez que, dado que, desde que, etc.
→ O Presidente baixará uma medida provisória se
2. objetivas diretas: houver necessidade.
→ O Ministro anunciou que os recursos serão libe- → Informarei o Secretário sobre a evolução dos acon-
rados. tecimentos contanto que ele guarde sigilo daquilo que ouvir.

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4. Conformativas: como, conforme, consoante, se- 7. Advérbios (não seguidos de vírgula)
gundo, etc. → Aqui me sinto bem.
→ Despachei o processo conforme determinava a
praxe em vigor. 8. Gerúndio precedido da preposição em
→ Em se tratando de política...
5. Comparativas: que, do que (relacionados a mais,
menos, maior, menor, melhor, pior); qual (relaciona- 9. Frases interrogativas iniciadas por um vocábulo inter-
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

do a tal); como ou quanto (relacionados a tal, tanto, rogativo


tão); como se; etc. → Quem te falou isso?
→ Nada é tão importante como (ou quanto) o respeito
PILASTRE

aos direitos humanos. Mesóclise

6. Consecutivas: que (relacionado com tal, tão, tanto, A mesóclise é a colocação do pronome oblíquo átono
tamanho); de modo que, de maneira que; etc. entre o radical e a desinência das formas verbais do futuro
→ O descontrole monetário era tal que não restou outra do presente e do futuro do pretérito.
solução senão o congelamento. Veja, como exemplo, as duas ocorrências de mesó-
clise:
7. Finais: para que ou por que, a fim de que, que, etc. → Amar-te-ei para sempre.
→ O pai trabalha muito para (ou a fim de ) que nada → Procurar-te-ei por toda a minha vida.
falte aos filhos.
O uso da mesóclise está, também, condicionado a
8. Proporcionais: à medida ou proporção que, ao pas- duas condições:
so que, etc. (i) quando a próclise não for obrigatória (mesóclise
→ As taxas de juros aumentavam à proporção (ou proibida); e
medida) que a inflação crescia. (ii) não houver sujeito expresso, anteposto ao verbo
(mesóclise facultativa).
9. Temporais: quando, apenas, mal, até que, assim Como exemplo:
que, antes ou depois que, logo que, tanto que, etc. → Não se aplaudirão vandalismos.
→ O acordo será celebrado quando alcançar-se um [mesóclise proibida]
entendimento mínimo.
→ Apenas iniciado o mandato, o governador decretou → A corrida te animará.
a moratória da dívida pública do Estado. Ou:
→ A corrida animar-te-á.
COLOCAÇÃO PRONOMINAL [mesóclise facultativa]

Próclise Ênclise

Na próclise o pronome pessoal oblíquo átono ocorre A ênclise é a colocação do pronome pessoal átono
antes do verbo. Usa-se a próclise quando há (principais depois do verbo. Ocorre nos seguintes contextos:
casos):
1. No imperativo afirmativo
1. Palavras e sentido negativo (jamais, não etc.) → Levanta-te agora!
→ Jamais te enganei.
→ Não me esqueças. 2. No infinitivo impessoal
→ Aguardar-te é sempre cansativo!
2. Pronomes indefinidos
→ Alguém te ligou ontem. 3. No gerúndio
→ Conhecendo-nos, desfez a cara de desgosto.
3. Pronomes relativos
4. Em orações que vêm após uma vírgula
→ O guarda que me chamou atenção foi aquele.
→ Por ser diretor da escola, ofereceu-nos duas vagas
para nossos filhos.
4. Pronomes demonstrativos
→ Aquilo me incomoda.
5. Em início de frase
Mostrei-lhe todos os meus bolsos.
5. O numeral ambos
→ Ambos o recusaram.
Vejamos, por fim, alguns tópicos importantes em sin-
taxe. Observamos, mais uma vez, que esses conteúdos são
6. Conjunções subordinativas
recorrentemente solicitados em provas de concurso público.
→ Era tarde quando me avisaram.

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O verbo HAVER e o verbo TER Nessa frase, os dois substantivos (atriz e beleza)
estão relacionados pelo pronome relativo cujo. O substan-
O uso de ter em vez de haver não é condenado na lin- tivo atriz é possuidor de algo (qualidade) designado pelo
guagem popular, na comunicação informal. Assim, é comum substantivo beleza.
ouvirmos frases como: O mesmo raciocínio se aplica às frases seguintes:
→ Hoje não tem feira. → Os alimentos a cujos benefícios todos os espor-

LÍNGUA PORTUGUESA
→ Tinha sujeira em toda parte. tistas recorrem.
→ Tinha uma pedra no caminho.
→ A terra cujas riquezas haviam extraído.

Na linguagem culta formal, é preferível:


Observe que na frase Os alimentos a cujos bene-
→ Hoje não há feira.
→ Havia sujeira em toda parte. fícios todos os esportistas recorrem o pronome cujo
→ Havia uma pedra no caminho. é precedido de preposição pelo fato de o verbo recorrer
exigir tal forma (recorrer A).
Uso da conjunção CONQUANTO É importante observar que não há artigo entre o pro-
nome relativo cujo e seu consequente. Deve-se evitar,
A conjunção conquanto introduz uma oração subordi- portanto, a forma abaixo:
nada que contém a afirmação de um fato contrário ao da → Era uma atriz cuja a beleza todos admiravam.
afirmação contida na oração principal, mas que não é sufi-
ciente para anular este último. Equivale às formas embora, Usos da palavra QUE
se bem que, não obstante. Exemplos:
→ Não concorreu ao prêmio, conquanto pudesse fazê-lo. 1. A conjunção que: tem a função de enlaçar as orações
→ Conquanto a bibliografia camoniana encha uma de um período composto:
biblioteca, pouco sabemos ao certo acerca da bibliografia → A população saiu às ruas depois que o escândalo
do imortal poeta. foi noticiado.

Apesar de não ser uma conjunção usual, essa forma é 2. O expletivo que: diz-se que são expletivas as palavras
muito cobrada em concursos públicos. Também vale a pena ou expressões que, embora não necessárias ao sen-
utilizá-la em sua produção textual. tido da frase, lhe dão realce, lhe transmitem ênfase. O
que é utilizado em frases como as seguintes:
Uso de PARA EU – PARA MIM
→ Desde muito que Rui de Nelas meditava em casar
a filha.
É comum ouvirmos frases como a seguinte:
→ Deus que nos proteja e retempere as nossas
→ Meu pai comprou o a cartolina para mim fazer o
cartaz. forças.
→ Imprevidente que fui, isto sim.
Essa frase, porém, é considerada inadequada pela
norma culta, uma vez que a forma mim (forma oblíqua 3. O pronome relativo que: é precedido de preposição
tônica do pronome pessoal reto da 1ª pessoa do singular quando esta é exigida pelo verbo da oração iniciada
eu) é sempre regida de preposição. por esse pronome:
Desse modo, em frases como Meu pai comprou o a → Era magnífica a mata a que chegamos.
cartolina para mim fazer o cartaz deve-se utilizar a forma → A criança escolheu a fruta de que mais gostava.
pronominal eu: Meu pai comprou a cartolina para eu fazer
o cartaz. Nessa frase, o pronome eu é sujeito do infinitivo Usos da palavra SE
que o acompanha.
A forma mim deve ser usada como complemento: 1. O pronome apassivador se: o pronome se é usado na
→ Ele entregou a bola para mim. construção passiva formada com verbo transitivo. Nes-
sa construção, o verbo concorda normalmente com o
Nessa frase, mim é complemento da preposição para sujeito. Observe os exemplos:
(e não é sujeito de alguma forma infinitiva). → Alugou-se a casa.
→ Alugaram-se as casas.
Uso do pronome relativo CUJO
2. O índice de indeterminação do sujeito se: o pronome
O pronome relativo cujo relaciona dois substantivos, se pode tornar o agente da ação verbal indefinido. Na
um antecedente e outro consequente, sendo este último construção em que há o índice de indeterminação se,
possuidor de algo (qualidade, condição, sentimento, ser o verbo concorda obrigatoriamente na 3ª pessoa do
etc.) designado pelo primeiro. Pode equivaler às formas de singular. Veja os exemplos:
que, de quem, do/da qual, dos/das quais. Vejamos os → Trata-se de fenômenos desconhecidos
exemplos a seguir: → Precisa-se de marceneiros.
→ Era uma atriz cuja beleza admiravam.

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CAPÍTULO 4 – SEMÂNTICA E ESTILÍSTICA É, por exemplo, um sentido figurado o de vapor ou de
vela como equivalentes de navio; mas ninguém entenderá o
DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO sentido próprio de corpo gasoso numa asserção como – “o
vapor encalhou”, da mesma sorte que – “uma frota de cem
Discutiremos, agora, um aspecto relevante: a distinção velas” é logo interpretada como de cem navios de vela e não
entre denotação e conotação. cem velas literalmente ditas nos cem respectivos mastros, o
Antes de diferenciarmos denotação e conotação, cite- que implicaria num número muito menor de embarcações.
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

mos, com nossas próprias palavras, a definição do linguista Analogamente, um viajante pode comunicar que – “já vai
F. Saussure para signo linguístico: entrar no vapor”, sem a menor possibilidade de sobressaltar
seus amigos pelo temor de vê-lo morrer sufocado.
PILASTRE

Palavra-chave!
Signo linguístico é a unidade linguística constituída pela união Tipos de linguagem figurada
de um significante e um significado.

A linguagem figurada pode ser essencialmente de dois


Quando ouvimos ou lemos a palavra cachorro, reuni-
tipos:
mos, em um nível mental, o significante (imagem acústica)
ao significado (a noção “mamífero carnívoro da família dos
1. Emprego de uma palavra para designar um conceito
canídeos”):
com que o seu conceito próprio tem relação:
a) da parte para o todo, como cabeça em vez de rês;
/k/ /a/ /x/ /o/ /r/ /o/ (som) b) do princípio ativo para a coisa acionada, como va-
Cachorro (grafia) por em vez de navio;
→ c) de continente para conteúdo, como copo para uma
determinada porção de água;
d) de símbolo para coisa simbolizada, como bandeira
indicando partido político ou a pátria;
e) de instrumento para seu agente, como pena na
↓ ↓ acepção do escritor;
SIGNIFICANTE SIGNIFICADO f) de substância para objeto fabricado, como ferro cor-
respondente a espada ou punhal;
Nessa relação entre significante e significado, per- g) de elemento primordial em lugar de todo um conjun-
cebemos que a semântica da palavra cachorro corresponde to, como vela resumindo o navio de vela; etc.
aos semas específicos e genéricos, isto é, aos traços semân-
ticos mais constantes e estáveis. Estamos diante da denota- A todos estes empregos dá-se o nome de metonímia.
ção:
2. Emprego de uma palavra com a significação de outra,
Palavra-chave! sem que entre uma e outra coisa designada haja uma
Denotação é a relação significativa objetiva entre marca, ícone, relação real, mas apenas em virtude da circunstância
sinal, símbolo etc., e o conceito que eles representam. A deno- de que o nosso espírito as associa e depreende entre
tação é o elemento estável da significação da palavra, elemento
elas certas semelhanças.
não subjetivo e analisável fora do discurso (contexto).

Se, ao exprimirmos nosso pensamento, tornamos explí-


Quando há semas virtuais, isto é, só atualizados em
determinado contexto, estamos diante da conotação. Por cita a associação, temos o que se chama uma comparação
exemplo, podemos afirmar que “o namorado de Fulana é em gramática. Diremos, então, que – A é como B, A parece
muito cachorro”. É claro que não caracterizaremos este B, A faz lembrar B.
homem como um “mamífero carnívoro da família dos caní- Podemos, porém, na base de uma semelhança, taci-
deos”. Na verdade, nesse contexto, em que há elementos tamente depreendida, substituir no momento da formulação
subjetivos, queremos dizer que o namorado de Fulana porta- verbal, uma palavra pela outra, e empregar B para designar
-se como um cachorro, que desconsidera os sentimentos de A. É o que se chama a metáfora.
sua parceira (ou das mulheres) e age por instinto. Percebe- Assim, porque assimilamos mentalmente a ação de
mos, então, que há inserções de informações semânticas à governar à de dirigir a marcha de um navio, construímos a
palavra cachorro, a qual está situada em um contexto dis- frase metafórica – “Franklin Roosevelt foi um magnífico piloto
cursivo. da nação norte-americana” – substituindo por piloto (B) uma
palavra A que realmente corresponderia às suas funções.
FIGURAS DE LINGUAGEM
Funções da linguagem
Figuras de linguagem e linguagem figurada
Função referencial (ou denotativa ou cognitiva):
Desviar uma palavra da sua significação própria, o que Aponta para o sentido real das coisas dos seres. É
tem em gramática o nome de linguagem figurada, é um fenô- quando a intenção é dar destaque ao referente, assunto, ou
meno normal na comunicação linguística. contexto.

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Função conativa (ou apelativa ou imperativa): Formas Variantes
Centra-se no sujeito receptor e é eminentemente per- Admitem mais de uma forma de grafia.
suasória. É quando a intenção é dar destaque ao receptor → Catorze – quatorze
da mensagem. → Cociente – quociente

Função emotiva (ou expressiva): Hiperonímia

LÍNGUA PORTUGUESA
Centra-se no sujeito emissor e tenta suscitar a impres- Entre vocábulos de uma língua, relação que se esta-
são de um sentimento verdadeiro ou simulado. É quando a belece com base na menor especificidade do significado de
intenção é dar destaque ao próprio emissor.
um deles.
Em suma, é qualquer palavra que transmite a ideia de
Função fática (ou de contato):
um todo. Ela funciona como uma matriz, á qual estão vincu-
Visa a estabelecer, prolongar ou interromper a comuni-
ladas as filiais.
cação e serve para testar a eficiência do canal. É quando a
intenção é dar destaque ao canal.
Hiponímia
Função metalinguística: Designa a palavra que indica cada parte ou cada item
Consiste numa recodificação e passa a existir quando a de um todo.
linguagem fala dela mesma. Serve para verificar se emissor
e receptor estão usando o mesmo repertório. É quando o Sinonímia
código é posto em destaque, quando a mensagem se des- É a relação que se estabelece entre duas palavras ou
tina a esclarecer ou fazer uma reflexão. Portanto, quando mais que apresentam significados iguais ou semelhantes.
um poema fala do ato de criar poemas, um filme tematiza o
próprio cinema, observa-se a função metalinguística. Antonímia
É a relação que se estabelece entre duas palavras ou
Função poética: mais que apresentam significados diferentes, contrários.
Centra-se na mensagem, que aqui é mais fim do que
meio. Opõe-se à função referencial porque nela predomi- Polissemia
nam a conotação e o subjetivismo. É quando a intenção é É a propriedade que uma mesma palavra tem de apre-
dar destaque à própria mensagem, para o modo como o sentar vários significados. Veja os exemplos:
texto é organizado.
→ Ponto
Palavras homônimas e parônimas
1. ponto de parada (1):
Costuma tomar o ônibus naquele ponto.
Homônimas
2. Livro, cartão, folha, onde se registra a entrada e
São palavras que têm a mesma pronúncia e, às vezes,
a mesma grafia, mas significação diferente. Podem ser saída diária do trabalho:
homófonas heterográficas, homógrafas heterofônicas e Esqueceu-se de assinar o ponto; Bateu o ponto na hora
homógrafas homófonas (homônimas perfeitas). Veja: exata.
3. Unidade que, nas bolsas de valores, exprime a varia-
1. Homófonas heterográficas (homo = semelhante, ção dos índices:
igual; fono = som, fonema; gráfica = escrita, grafia; Estes papéis subiram cinco pontos em um mês.
hetero: diferente): mesmo som (pronúncia), mas com
grafia dife­rente. → Linha
→ Concerto (sessão musical) – conserto (reparo) 1. Fio de fibras de linho torcidas usado para coser,
→ Cerrar (fechar) – serrar (cortar) bordar, fazer renda etc.
2. Sinal elétrico que porta as mensagens enviadas por
2. Homógrafas heterofônicas: mesma grafia, mas pro- meio de tal sistema de fios ou cabos, ou contato ou conexão
núncia diferente. entre aparelhos ligados a tal sistema:
→ Colher (substantivo) – colher (verbo) A linha está ocupada; O telefone não está dando linha.
→ Começo (substantivo) – começo (verbo) 3. Serviço regular de transporte entre dois pontos; car-
reira: linha férrea;
3. Homógrafas homófonas: são iguais na escrita e na O fim da linha dos ônibus interestaduais fica próximo do
pronúncia. centro da cidade.
→ Livre (adjetivo) – livre (verbo livrar)
4. Fut. os cinco jogadores atacantes; linha de ataque.
→ São (adjetivo) – são (verbo ser) – são (santo)
Ambiguidade
Parônimas
Ambiguidade é a propriedade que apresentam diversas
São as palavras parecidas na escrita e na pronúncia,
mas com significação diferentes. unidades linguísticas (morfemas, palavras, locuções, frases)
→ Cumprimento (saudação) – comprimento (extensão) de significar coisas diferentes, de admitir mais de uma lei-
→ Ratificar (confirmar) – retificar (corrigir) tura. A ambiguidade é um fenômeno muito frequente, mas,

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na maioria dos casos, os contextos linguístico e situacio- Ambíguo:
nal indicam qual a interpretação correta. Estilisticamente, é → Depois de examinar o paciente, uma senhora
indesejável em texto científico ou informativo, mas é muito chamou o médico.
usado na linguagem poética e no humorismo.
A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de iden- Vejamos como essa frase pode se tornar clara:
tificar-se a que palavra se refere um pronome que possui mais → Depois que o médico examinou o paciente, foi cha-
de um antecedente na terceira pessoa. Pode ocorrer com: mado por uma senhora.
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

a) pronomes pessoais: Léxico-semântica: Neologismos, Estrangeirismos e


Ambíguo:
PILASTRE

Empréstimos
→ O Ministro comunicou a seu secretariado que ele
seria exonerado.
Palavras-chave!
Vejamos como essa frase pode se tornar clara:
→ O Ministro comunicou exoneração dele a seu secre- Neologismo: emprego de palavras novas, derivadas ou forma-
tariado. das de outras já existentes, na mesma língua ou não. Atribuição
de novos sentidos a palavras já existentes na língua. Unidade
Ou então, caso o entendimento seja outro: léxica criada por esses processos.
→ O Ministro comunicou a seu secretariado a exonera-
ção deste. Estrangeirismo: palavra ou expressão estrangeira us. num
texto em vernáculo, tomada como tal e não incorporada ao léxico
da língua receptora; peregrinismo, xenismo.
b) pronomes possessivos e pronomes oblíquos:
Ambíguo: Empréstimo: incorporação ao léxico de uma língua de um termo
→ O Deputado saudou o Presidente da República, em pertencente a outra língua. Dá-se por diferentes processos, tais
seu discurso, e solicitou sua intervenção no seu Estado, como a reprodução do termo sem alteração de pronúncia e/ou
mas isso não o surpreendeu. grafia (know-how), ou com adaptação fonológica e ortográfica
(garçom, futebol).
Observe-se a multiplicidade de ambiguidade no exemplo
acima, as quais tornam virtualmente inapreensível o sentido Neologismo
da frase.
Vejamos como essa frase pode se tornar clara: Desenvolveremos este assunto com base em Azeredo
→ Em seu discurso o Deputado saudou o Presidente da (2008). Segundo o autor, qualquer língua em uso se modi-
República. No pronunciamento, solicitou a intervenção fede- fica constantemente. Um aspecto ilustrativo dessa proprie-
ral em seu Estado, o que não surpreendeu o Presidente da dade é a criação de novas formas lexicais ou acréscimos de
República. novas acepções a formas lexicais já existentes. Ao conjunto
de processos de renovação lexical de uma língua se dá o
c) pronome relativo: nome de neologia, e às formas e acepções criadas ou absor-
Ambíguo: vidas pelo seu léxico, neologismos. O autor observa que a
→ Roubaram a mesa do gabinete em que eu costu- introdução, assimilação e circulação de neologismos estão
mava trabalhar. sujeitas a fatores históricos e socioculturais. Vejamos alguns
exemplos:
Não fica claro se o pronome relativo da segunda oração
a) criações vernáculas formais (neologismos morfológi-
se refere a mesa ou a gabinete, essa ambiguidade se deve
cos): bafômetro, sem-terra, sem-teto, debiloide, demonizar.
ao pronome relativo que, sem marca de gênero. A solução é
b) criações vernáculas semânticas (neologismos
recorrer às formas o qual, a qual, os quais, as quais, que
semânticos): secar (causar má sorte, azarar), torpedo (men-
marcam gênero e número.
sagem curta por meio de celular).
Vejamos como essa frase pode se tornar clara:
→ Roubaram a mesa do gabinete no qual eu costumava
Estrangeirismo
trabalhar.

Se o entendimento é outro, então: A neologia compreende também criações vernáculas


→ Roubaram a mesa do gabinete na qual eu costumava e empréstimos de outras línguas, os estrangeirismos. Veja-
trabalhar. mos os tipos de estrangeirismos:
a) xenismos: o estrangeirismo conserva a forma grá-
d) oração reduzida: fica de origem, como em mouse, carpaccio, rack, drive-in,
Ambíguo: personal trainer.
Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o funcionário. b) adaptações: o estrangeirismo se submete à morfo-
logia do português, como em checar, randômico, banda.
Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima, c) decalques: há tradução literal do estrangeirismo,
deve-se deixar claro qual o sujeito da oração reduzida. como em alta costura (do francês haute couture), centro-
→ O Chefe admoestou o funcionário por ser este indis- avante (termo do futebol, equivalente ao termo inglês cen-
ciplinado. ter-forward).

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
d) siglas/acrônimos: emprego das iniciais das palavras na separação entre orações coordenadas não unidas por
constitutivas da expressão estrangeira, como em PC (per- conjunção coordenativa e para indicar suspensão maior que
sonal computer), CD (compact disc). a da vírgula no interior de uma oração.

Empréstimo 9. Travessão (–)


Empréstimo é a incorporação ao léxico de uma língua É importante não confundir o travessão com o traço de

LÍNGUA PORTUGUESA
de um termo pertencente a outra língua. O fenômeno dá-se união ou hífen. O travessão é um sinal constituído de traço
por diferentes processos, tais como a reprodução do termo horizontal maior que o hífen. O travessão pode substituir
sem alteração de pronúncia e/ou grafia, como em know- vírgulas, parênteses, colchetes e serve, entre outras coisas,
-how (conhecimento de normas, métodos e procedimentos para indicar mudança de interlocutores num diálogo, separar
em atividades profissionais, especialmente as que exigem título e subtítulo em uma mesma linha e assinalar expressão
formação técnica ou científica), ou com adaptação fonoló- intercalada.
gica e ortográfica (garçom, futebol).
10. Parênteses ((parênteses))
Os parênteses indicam um isolamento sintático e
PONTUAÇÃO
semântico mais completo dentro do enunciado.
Significado dos principais sinais de pontuação
11. Colchetes ([colchetes])
Os colchetes são utilizados para isolar, quando neces-
1. Ponto parágrafo (§)
sário, palavras ou sequência de palavras elucidativas dentro
O ponto parágrafo indica a divisão de um texto escrito.
de uma sequência de unidades entre parênteses. Também é
Essa divisão é verificada pela mudança de linha, cuja função
conhecido como parênteses retos.
é mostrar que as frases aí contidas mantêm maior relação
entre si do que com o restante do texto.
12. Aspas (“aspas”)
É o sinal gráfico, geralmente alceado (colocado no alto),
2. Ponto final (.) que delimita uma citação, título etc. Também é usado para
O ponto final é o sinal de pontuação com que se realçar certas palavras ou expressões.
encerra uma frase ou um período.
13. Chave ({chave})
3. Ponto de interrogação (?) A chave é usada em obras de caráter científico. Indica,
O ponto de interrogação é utilizado no fim da oração, usualmente, a reunião de itens relacionados entre si for-
a qual é enunciada com entonação interrogativa ou de incer- mando um grupo.
teza.
Emprego dos sinais de pontuação
4. Ponto de exclamação (!)
O ponto de exclamação é utilizado no fim da oração A seguir, apresentamos os principais empregos dos
enunciada com entonação exclamativa. Também se usa o sinais de pontuação. Tomamos por base teórica o Manual de
ponto de exclamação depois de interjeição. Redação da Presidência da República.

5. Reticências (...) 1. Aspas


As reticências denotam interrupção ou incompletude As aspas têm os seguintes empregos:
do pensamento ou hesitação em enunciá-lo.
a) usam-se antes e depois de uma citação textual:
6. Vírgula (,) → A Constituição da República Federativa do Brasil, de
A vírgula indica pausa ligeira e é usada para separar 1988, no parágrafo único de seu artigo 1° afirma: “Todo o
frases encadeadas entre si ou elementos dentro de uma poder emana do povo, que o exerce por meio de repre-
frase. sentantes eleitos ou diretamente”.

7. Dois-pontos (:) b) dão destaque a nomes de publicações, obras de arte,


intitulativos, apelidos, etc.:
O sinal de pontuação dois-pontos correspondente,
→ O artigo sobre o processo de desregulamentação foi
na escrita, a uma pausa breve da linguagem oral e a uma
publicado no “Jornal do Brasil”.
entoação geralmente descendente. A sua função é preceder
→ A Secretaria da Cultura está organizando uma apre-
uma fala direta, uma citação, uma enumeração, um esclare-
sentação das “Bachianas”, de Villa Lobos.
cimento ou uma síntese do que foi dito antes.
c) destacam termos estrangeiros:
8. Ponto e vírgula (;)
→ O processo da “détente” teve início com a Crise dos
O sinal de pontuação ponto e vírgula assinala pausa Mísseis em Cuba, em 1962.
mais forte que a da vírgula e menos acentuada que a do → “Mutatis mutandis”, o novo projeto é idêntico ao
ponto. Emprega-se, por exemplo, em enumerações, para anteriormente apresentado.
distinguir frases ou sintagmas de mesma função sintática, d) nas citações de textos legais, as alíneas devem
estar entre aspas:

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
→ O tema é tratado na alínea “a” do artigo 146 da Os sinais de pontuação, ligados à estrutura sintá-
Constituição. tica, têm as seguintes finalidades:
a) assinalar as pausas e as inflexões da voz (a
Atualmente, no entanto, tem sido tolerado o uso de entoação) na leitura;
itálico como forma de dispensar o uso de aspas, exceto b) separar palavras, expressões e orações que,
na hipótese de citação textual. segundo o autor, devem merecer destaque;
c) esclarecer o sentido da frase, eliminando am-
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

IMPORTANTE! biguidades.
A pontuação do trecho que figura entre aspas seguirá as regras
PILASTRE

gramaticais correntes. Caso, por exemplo, o trecho transcrito 1. Vírgula


entre aspas terminar por ponto-final, este deverá figurar antes A vírgula serve para marcar as separações breves
do sinal de aspas que encerra a transcrição. Exemplo: de sentido entre termos vizinhos, as inversões e as
→ O art. 2º da Constituição Federal – “São Poderes da intercalações, quer na oração, quer no período.
União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, A seguir, indicam-se alguns casos principais de
o Executivo e o Judiciário.” – já figurava na Carta anterior. emprego da vírgula:

a) para separar palavras ou orações paralelas jus-


2. Parênteses
tapostas, isto é, não ligadas por conjunção:
Os parênteses são empregados nas orações ou
expressões intercaladas. Observe que o ponto-final vem → Chegou a Brasília, visitou o Ministério das Rela-
antes do último parêntese quando a frase inteira se acha ções Exteriores, levou seus documentos ao Palácio do
contida entre parêntese: Buriti, voltou ao Ministério e marcou a entrevista.
→ “Quanto menos a ciência nos consola, mais → Simplicidade, clareza, objetividade, concisão
adquire condições de nos servir.” (José Guilherme Mer- são qualidades a serem observadas na redação oficial.
quior).
→ O Estado de Direito (Constituição Federal, art. 1º) b) as intercalações, por cortarem o que está sinta-
define-se pela submissão de todas as relações ao Direito. ticamente ligado, devem ser colocadas entre vírgulas:
→ O processo, creio eu, deverá ir logo a julga-
3. Travessão mento.
O travessão (–) é empregado nos seguintes casos: → A democracia, embora (ou mesmo) imperfeita,
ainda é o melhor sistema de governo.
a) substitui parênteses, vírgulas, dois-pontos:
→ O controle inflacionário – meta prioritária do
c) expressões corretivas, explicativas, escusativas,
Governo – será ainda mais rigoroso.
tais como isto é, ou melhor, quer dizer, data venia,
→ As restrições ao livre mercado – especialmente
ou seja, por exemplo, etc., devem ser colocadas entre
o de produtos tecnologicamente avançados – podem ser
muito prejudiciais para a sociedade. vírgulas:
→ O político, a meu ver, deve sempre usar uma lin-
b) indica a introdução de enunciados no diálogo: guagem clara, ou seja, de fácil compreensão.
→ Indagado pela comissão de inquérito sobre a pro- → As Nações Unidas decidiram intervir no conflito,
cedência de suas declarações, o funcionário respondeu: ou por outra, iniciaram as tratativas de paz.
– Nada tenho a declarar a esse respeito.
d) Conjunções coordenativas intercaladas ou
c) indica a substituição de um termo, para evitar pospostas devem ser colocadas entre vírgulas:
repetições: → Dedicava-se ao trabalho com afinco; não obti-
→ O verbo fazer (vide sintaxe do verbo –), no sentido nha, contudo, resultados.
de tempo transcorrido, é utilizado sempre na 3ª pessoa do → O ano foi difícil; não me queixo, porém.
singular: faz dois anos que isso aconteceu.
→ Era mister, pois, levar o projeto às últimas con-
sequências.
d) dá ênfase a determinada palavra ou pensamento
que segue:
e) Vocativos, apostos, orações adjetivas não-
→ Não há outro meio de resolver o problema – pro-
mova-se o funcionário. -restritivas (explicativas) devem ser separados por
→ Ele reiterou suas ideias e convicções – energica- vírgula:
mente. → Brasileiros, é chegada a hora de buscar o
Pontuação relacionada à estrutura sintática entendimento.
→ Aristóteles, o grande filósofo, foi o criador da
Esta é uma seção muito cobrada em concursos públi- Lógica.
cos. O domínio da pontuação em contexto sintático é funda- → O homem, que é um ser mortal, deve sempre
mental para a resolução de diversas questões. pensar no amanhã.

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f) a vírgula também é empregada para indicar a dia 1º de janeiro de 2013: Objetividade, concisão e come-
elipse (ocultação) de verbo ou outro termo anterior: dimento. No artigo, o autor observa que há em nossa Jus-
→ O decreto regulamenta os casos gerais; a porta- tiça excesso de argumentos desimportantes, de linguagem
ria, os particulares. redundante e com adjetivos demais e de mesuras desmedi-
[A vírgula indica a elipse do verbo regulamenta] das. A leitura do texto se faz importante pelo fato de ressal-
→ Às vezes procura assistência; outras, toma a ini- tar a importância da linguagem em nossa sociedade.

LÍNGUA PORTUGUESA
ciativa.
[A vírgula indica a elipse da palavra vezes] Objetividade, concisão e comedimento

g) nas datas, separam-se os topônimos: Não poderia ter sido mais feliz a receita para o aper-
→ São Paulo, 22 de março de 1991. feiçoamento da Justiça brasileira formulada pelo ministro
→ Brasília, 15 de agosto de 1991. Joaquim Barbosa, em seu objetivo, conciso e comedido
discurso de posse na presidência do Supremo Tribunal
IMPORTANTE! Federal. Para o novo presidente da Corte Suprema, pre-
cisamos de uma Justiça "sem firulas, sem floreios e sem
É importante registrar que constitui inadequação usar a vírgula
rapapés".
entre termos que mantêm entre si estreita ligação sintática – por
Firulas são argumentos artificialmente complexos,
exemplo, entre sujeito e verbo, entre verbos ou nomes e seus
usados como expediente diversionista, para impedir ou
complementos.
retardar a apreciação da essência das questões em jul-
→ O Presidente da República, indicou, sua posição no
assunto. (Inadequado) gamento (o mérito da causa). Apegos a detalhes formais
→ O Presidente da República indicou sua posição no sem importância é um exemplo de firula.
assunto. (Adequado) Floreios são exageros no uso da linguagem, oral ou
escrita. Expediente empregado em geral no disfarce da
falta de conteúdo do discurso, preenche-o de redundân-
2. Ponto e vírgula cias, hipérboles e adjetivações.
O ponto e vírgula, em princípio, separa estruturas E rapapés são mesuras desmedidas que mal escon-
coordenadas já portadoras de vírgulas internas. É também dem um servilismo anacrônico. Todos devemos nos tratar
usado em lugar da vírgula para dar ênfase ao que se quer com respeito e cordialidade, dentro e fora dos ambientes
dizer. Exemplo: judiciários, mas sempre com o virtuoso comedimento.
→ Sem virtude, perece a democracia; o que mantém o Firulas, floreios e rapapés são perniciosos porque
governo despótico é o medo. redundam em inevitável desperdício de tempo, energia e
→ As leis, em qualquer caso, não podem ser infringi- recursos. Combater esses vícios de linguagem, por isso,
das; mesmo em caso de dúvida, portanto, elas devem ser tem todo o sentido no contexto do aprimoramento da Jus-
respeitadas. tiça.
O oposto da firula é a objetividade; o contrário dos
3. Dois-pontos floreios é a concisão; a negação dos rapapés é o comedi-
Emprega-se este sinal de pontuação para introduzir mento. A salutar receita do ministro Barbosa recomenda
citações, marcar enunciados de diálogo e indicar um escla- discursos objetivos, concisos e comedidos. São discursos
recimento, um resumo ou uma consequência do que se afir- que, aliás, costumam primar pela elegância.
mou. Exemplo: É uma recomendação dirigida a todos os profissio-
→ Como afirmou o Marquês de Maricá em suas Máxi- nais jurídicos: magistrados, promotores e advogados.
mas: “Todos reclamam reformas, mas ninguém se quer Precisam todos escrever e falar menos, para dizerem
reformar.” mais.
Arrazoados jurídicos e decisões longas são relativa-
4. Ponto de interrogação mente recentes.
O ponto-de-interrogação, como se depreende de seu Nas primeiras décadas do século passado, elas
nome, é utilizado para marcar o final de uma frase interro- ainda eram escritas à mão. Isso por si só já estabele-
gativa direta: cia um limite (por assim dizer, físico) aos arroubos. Os
→ Até quando aguardaremos uma solução para o pareceres de Clóvis Beviláqua, o autor do anteprojeto
caso? do Código Civil de 1916, tinham cerca de cinco ou seis
laudas.
5. Ponto de exclamação Depois, veio a máquina de escrever. Embora tenha
O ponto-de-exclamação é utilizado para indicar sur- tornado a confecção de textos menos cansativa, ela
presa, espanto, admiração, súplica, etc.
também impunha limites físicos à extensão. No tempo
do manuscrito e da datilografia, o tamanho do texto era
COMPREENSÃO (OU INTELECÇÃO) E INTERPRETAÇÃO DE
sempre proporcional ao tempo gasto na produção do
TEXTOS
papel.

Iniciamos nossos trabalhos com o artigo de Fábio


Ulhoa Coelho, publicado no jornal Folha de São Paulo no

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VIII – Se o enunciado mencionar tema ou ideia principal,
O computador rompeu decididamente este limite.
deve-se examinar com atenção a introdução e/ou a
Com o "recorta e cola" dos programas informatizados de
conclusão.
redação, produzem-se textos de extraordinárias dimen-
IX – Se o enunciado mencionar argumentação, deve
sões em alguns poucos segundos.
pre­ocupar-se com o desenvolvimento.
Os profissionais do direito não têm conseguido resis-
X – Tomar cuidado com os vocábulos relatores (os que
tir à tentação de fabricar alentados escritos abusando
remetem a outros vocábulos do texto: pronomes
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

dos recursos da informática. Clientes incautos ainda são


relativos, pronomes pessoais, pronomes demons­
impressionáveis e ficam orgulhosos com a robustez das
trativos etc.).
peças de seu advogado.
PILASTRE

Claro, há questões de grande complexidade, que Proponho, como exercício, aplicar os “Dez mandamen-
exigem dos profissionais do direito maiores digressões tos” à leitura do texto de Ulhoa.
e fundamentações, gerando inevitavelmente textos mais Vejamos, agora, como Bechara define compreensão e
extensos. Tamanho exagerado nem sempre, assim, é interpretação de texto:
sinônimo de firula, floreio ou rapapé. Mas é um bom indi-
cativo destes vícios, porque os casos realmente difíceis Compreensão ou Intelecção de Texto
correspondem à minoria e são facilmente reconhecidos
pelos profissionais da área. Não se justifica grande gasto Consiste em analisar o que realmente está escrito,
de papel e tinta na significativa maioria dos processos ou seja, coletar dados do texto. O enunciado normalmente
em curso. assim se apresenta:
Pois bem. Se a receita do ministro Barbosa melhora → As considerações do autor se voltam para...
a Justiça, então a questão passa a ser a identificação → Segundo o texto, está correta...
de medidas de incentivo ao discurso objetivo, conciso e → De acordo com o texto, está incorreta...
comedido. A renovação da linguagem jurídica necessita → Tendo em vista o texto, é incorreto...
de vigorosos estímulos. → O autor sugere ainda...
Alegar que estimular maior objetividade fere o → De acordo com o texto, é certo...
direito de acesso ao Judiciário ou à ampla defesa é firula. → O autor afirma que...
Lamentar que a concisão importa perda de certo tempero
literário das peças processuais é floreio. Objurgar que o Interpretação de Texto
comedimento agride a tradição é rapapé.
Se a exortação do ministro Barbosa desencadear, Consiste em saber o que se infere (conclui) do que está
como se espera, a renovação da linguagem jurídica, a escrito. O enunciado normalmente é encontrado da seguinte
sua posse na presidência do Supremo Tribunal Federal maneira:
se tornará ainda mais histórica. → O texto possibilita o entendimento de que...
→ Com apoio no texto, infere-se que...
(Fábio Ulhoa Coelho. Objetividade, concisão e comedimento.
→ O texto encaminha o leitor para...
Folha de São Paulo 1º de janeiro de 2013)
→ Pretende o texto mostrar que o leitor...
Após a leitura do texto de Fábio Ulhoa Coelho, veja- → O texto possibilita deduzir-se que...
mos o que Evanildo Bechara nos diz sobre como analisar
um texto: Três erros capitais na análise de textos

Os dez mandamentos para a análise de textos: Para o gramático, há três erros capitais na análise de
textos: extrapolação, redução e contradição.
I – Ler duas vezes o texto. A primeira para tomar con­
tato com o assunto; a segunda para observar como 1. Extrapolação
o texto está articulado; desenvolvido. É o fato de se fugir do texto. Ocorre quando se interpreta
II – Observar que um parágrafo em relação ao outro o que não está escrito. Muitas vezes são fatos reais, mas
pode indicar uma continuação ou uma conclusão que não estão expressos no texto. Deve-se ater somente ao
ou, ainda, uma falsa oposição. que está relatado.
III – Sublinhar, em cada parágrafo, a ideia mais impor­
tante (tópico frasal). 2. Redução
IV – Ler com muito cuidado os enunciados das questões É o fato de se valorizar uma parte do contexto, dei-
para entender direito a intenção do que foi pedido. xando de lado a sua totalidade. Deixa-se de considerar o
V – Sublinhar palavras como: erro, incorreto, correto texto como um todo para se ater apenas à parte dele.
etc., para não se confundir no momento de respon­
der à questão. 3. Contradição
VI – Escrever, ao lado de cada parágrafo, ou de cada É o fato de se entender justamente o contrário do que
estrofe, a ideia mais importante contida neles. está escrito. É bom que se tome cuidado com algumas pala-
VII – Não levar em consideração o que o autor quis dizer, vras, como: “pode”; “deve”; “não”; verbo “ser” etc.
mas sim o que ele disse; escreveu. (Bechara, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa.
Rio de Janeiro, 2006). (Com adaptações)

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Assunto, tema, tese, título, ponto de vista, argu­ Elementos da Narrativa
mentação
Os elementos que compõem a narrativa são:
Quando vamos escrever uma redação, precisamos → Foco narrativo (1º e 3º pessoa);
saber qual o assunto que desejamos abordar. Os assuntos → Personagens (protagonista, antagonista e coadju-
são praticamente infindáveis: família, sexo, amor, dinheiro, vante);
estudo, violência, guerra, desemprego, política, senado, cor-

LÍNGUA PORTUGUESA
→ Narrador (narrador-personagem, narrador-observa-
rupção, igreja, fé, ateísmo, enfim.
dor);
O tema e o título são, com muita frequência, empre-
→ Tempo (cronológico e psicológico);
gados como sinônimos. Contudo, apesar de serem partes
de um mesmo tipo de composição, são elementos bem dife- → Espaço.
rentes. O tema é o assunto, já delimitado, a ser abordado;
a ideia que será por você defendida e que deverá aparecer Foco Narrativo
logo no primeiro parágrafo. Já o título é uma expressão, ou
até uma só palavra, centrada no início do trabalho; ele é uma Cada uma das histórias que lemos, ouvimos ou escre-
vaga referência ao assunto (tema). vemos é contada por um narrador.
Tese: assim como todo assunto pode ser limitado a um Nos exercícios de leitura, assim como nas experiências
tema específico, o tema por sua vez também pode e deve de escrita, é fundamental a preocupação com o narrador.
ser restringido a uma tese ou proposição. Grosso modo, podemos distinguir três tipos de narra-
Ponto de vista: é associada à ótica. Pode ser na ótica dor, isto é, três tipos de foco narrativo:
de uma criança, de um adulto, de uma mulher; de uma → narrador-personagem;
pessoa letrada, de um explorado ou do explorador.
→ narrador-observador;
A argumentação é um recurso que tem como propó-
→ narrador-onisciente.
sito convencer alguém, para que esse tenha a opinião ou o
comportamento alterado.
O narrador-personagem conta na 1ª pessoa a história
TIPOLOGIA TEXTUAL da qual participa também como personagem.
Ele tem uma relação íntima com os outros elementos
Por tipologia textual (ou tipo textual) entende-se uma da narrativa. Sua maneira de contar é fortemente marcada
espécie de construção teórica definida pela natureza linguís- por características subjetivas, emocionais. Essa proximi-
tica de sua composição (ou seja, os aspectos lexicais, sintá- dade com o mundo narrado revela fatos e situações que um
ticos, tempos verbais, relações lógicas, estilo). narrador de fora não poderia conhecer. Ao mesmo tempo,
Apresento, a título de caracterização e distinção, quatro essa mesma proximidade faz com que a narrativa seja par-
tipologias importantes para a produção textual: narração, cial, impregnada pelo ponto de vista do narrador.
descrição, dissertação e argumentação. O narrador-observador conta a história do lado de
Para essa obra, seguirei a classificação de Othon M. fora, na 3ª pessoa, sem participar das ações. Ele conhece
Garcia, o qual distingue a dissertação da argumentação. todos os fatos e, por não participar deles, narra com certa
Para o autor, como veremos, uma e outra possuem caracte-
neutralidade, apresenta os fatos e os personagens com
rísticas próprias.
imparcialidade. Não tem conhecimento íntimo dos persona-
Narração gens nem das ações vivenciadas.
O narrador-onisciente conta a história em 3ª pessoa.
A narração é o ato de contar, relatar fatos, histórias. Ele conhece tudo sobre os personagens e sobre o enredo,
Neste ato, involuntariamente, respondemos às perguntas: o sabe o que passa no íntimo das personagens, conhece suas
quê, onde, quem, como, quando, por quê. Nas histórias, emoções e pensamentos.
há a presença de personagens que praticam e/ou sofrem
ações, ocorridas em um tempo e espaço físico. A ação é O Enredo
obrigatória. Isso significa que não existe narração sem ação. O enredo é a estrutura da narrativa, o desenrolar
O núcleo da narração é o incidente, o episódio, e o que a dis- dos acontecimentos gera um conflito que por sua vez é o
tingue da descrição é a presença de personagens atuantes. responsável pela tensão da narrativa.
Veja-se o trecho abaixo, em que Sahrazad narra uma
história ao rei: Os Personagens
Os personagens são aqueles que participam da
Disse Sahrazad: conta-se, ó rei venturoso, de parecer bem orien- narrativa, podem ser reais ou imaginários, ou a personifica-
tado, que certo mercador vivia em próspera condição, com abun- ção de elementos da natureza, ideias, etc.
dantes cabedais, dadivosos, proprietário de escravos e servos,
Dependendo de sua importância na trama os per-
de várias mulheres e filhos; em muitas terras ele investira,
fazendo empréstimos ou contrariando dívidas. Em dada manhã, sonagens podem ser principais ou secundários.
ele viajou para um desses países: montou um de seus animais,
no qual pendurara um alforje com bolinhos e tâmaras que lhe O Espaço
serviriam como farnel, e partiu em viagem por dias e noites, e O espaço onde transcorrem as ações, onde os
Deus já escrevera que ele chegaria bem e incólume à terra para personagens se movimentam auxilia na caracterização dos
onde rumava; [...]. personagens, pois pode interagir com eles ou por eles ser
(Livro das mil e uma noites – volume I – ramo sírio) transformado.

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O Tempo Discurso indireto livre: é uma combinação dos dois
A duração das ações apresentadas numa narrativa anteriores, confundindo as intervenções do narrador com as
caracteriza o tempo (horas, dias, anos, assim como a noção dos personagens. É uma forma de narrar econômica e dinâ-
de passado, presente e futuro). mica, pois permite mostrar e contar os fatos a um só tempo.
O tempo pode ser cronológico (fatos apresentados na
ordem dos acontecimentos) ou psicológico (tempo perten- Enlameado até a cintura, Tiãozinho cresce de ódio. Se pudesse
cente ao mundo interior do personagem). matar o carreiro... Deixa eu crescer!... Deixa eu ficar grande!...
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

Quando lidamos com o tempo psicológico, a técnica do Hei de dar conta deste danisco... Se uma cobra picasse seu
flash back é bastante explorada, uma vez que a narrativa Soronho... Tem tanta cascavel nos pastos... Tanta urutu, perto
de casa... se uma onça comesse o carreiro, de noite... Um onção
volta no tempo por meio das recordações do narrador.
PILASTRE

grande, da pintada... Que raiva!...


O narrador pode se posicionar de diferentes maneiras
Mas os bois estão caminhando diferente. Começaram a prestar
em relação ao tempo dos acontecimentos - pode narrar os atenção, escutando a conversa de boi Brilhante. 
fatos no tempo em que eles estão acontecendo; pode narrar (Guimarães Rosa. Sagarana. Rio de Janeiro, José Olympio,
um fato perfeitamente concluído; pode entremear presente e 1976.)
passado, utilizando a técnica de flash back.
Há, também, o tempo psicológico, que reflete angústias Descrição
e ansiedades de personagens e que não mantém nenhuma
relação com o tempo cronológico, cuja passagem é alheia à A descrição é o ato de enumerar, sequenciar, listar
nossa vontade. Falas como "Ah, o tempo não passa..." ou características de seres, objetos ou espaços com o objetivo
"Esse minuto não acaba!" refletem o tempo psicológico. de formar uma imagem mental no leitor/ouvinte. As carac-
terísticas podem ser físicas e/ou psicológicas (no caso de
A Gramática na Narração seres ou elementos antropomórficos).
Num texto narrativo, predominam os verbos de ação: Descrever é representar verbalmente um objeto, uma
há, em geral, um trabalho com os tempos verbais. Afinal, a pessoal, um lugar, mediante a indicação de aspectos carac-
narração, ou seja, o desenrolar de um fato, de um aconteci- terísticos, de pormenores individualizantes. Requer obser-
mento, pressupõe mudanças; isso significa que se estabele- vação cuidadosa, para tornar aquilo que vai ser descrito um
cem relações anteriores, concomitantes e posteriores. modelo inconfundível. Não se trata de enumerar uma série
Ao optar por um dos tipos de discursos, organizamos o de elementos, mas de captar os traços capazes de transmitir
texto de forma diferente. Os verbos de elocução, os conecti- uma impressão autêntica. Descrever é mais que apontar, é
vos, a pontuação, a coordenação ou a subordinação passam muito mais que fotografar. É pintar, é criar. Por isso, impõe-
a ter papel relevante na montagem do texto. -se o uso de palavras específicas.
Ao transformar o discurso direto em indireto (ou vice-versa), Veja-se a descrição a seguir, em que Tchekhov des-
realizamos uma grande alteração na arquitetura do texto. creve uma paisagem:

Discurso direto: o narrador apresenta a própria perso- Depois das propriedades dos camponeses, começava um bar-
nagem falando diretamente, permitindo ao autor mostrar o ranco abrupto e escarpado, que terminava no rio; aqui e ali, no
que acontece em lugar de simplesmente contar. meio da argila, afloravam pedras enormes. Pelo declive, perto
das pedras e das valas escavadas pelos ceramistas, corriam tri-
lhas sinuosas, entre verdadeiras montanhas de cacos de louça,
Lavador de carros, Juarez de Castro, 28 anos, ficou desolado, ora pardos, ora vermelhos, e lá embaixo se estendia um prado
apontando para os entulhos: “Alá minha frigideira, alá meu escor- vasto, plano, verde-claro, já ceifado, onde agora vagava o reba-
redor de arroz. Minha lata de pegar água era aquela. Ali meu nho de camponeses.
outro tênis.”  (Anton Tchekhov. O assassinato e outras histórias)
                (Jornal do Brasil, 29 de maio 1989).
Dissertação
Discurso indireto: o narrador interfere na fala da per-
sonagem. Ele conta aos leitores o que a personagem disse, A dissertação tem por objetivo principal expor ou
mas conta em 3ª pessoa. As palavras da personagem não explanar, explicitar ou interpretar ideias, fatos, fenômenos.
são reproduzidas, mas traduzidas na linguagem do narrador. Na dissertação, apresentamos o que sabemos ou acredita-
mos saber a respeito de determinado assunto. Nessa expo-
Dario vinha apressado, o guarda-chuva no braço esquerdo e, sição, podemos apresentar, sem combater (argumentar),
assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encos- ideias de que discordamos ou que nos são indiferentes. Ou
tando-se à parede de uma casa. Foi escorregando por ela, de
seja, eu posso discorrer (dissertar) sobre partidos políticos
costas, sentou-se na calçada, ainda úmida da chuva, e descan-
com absoluta isenção, apresentado os diversos partidos
sou no chão o cachimbo.
Dois ou três passantes rodearam-no, indagando se não estava políticos em totalidade, dando deles a ideia exata, fiel, sem
se sentindo bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, mas não tentar convencer o meu leitor das qualidades ou falhas de
se ouviu resposta. Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele partido A ou B. Não procuro, nesse caso, formar a opinião
devia sofrer de ataque. de meu leitor; ao contrário, deixo-o em inteira liberdade de
(Dalton Trevisan. Cemitério de elefantes. Rio de Janeiro, Civili- se decidir por se filiar a determinado partido.
zação Brasileira, 1964) No excerto a seguir, de Gilberto Amado, observamos
que o autor apenas mostra certas características do Brasil.

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Não há, em nenhuma parte do texto, recursos argumentati- Distinção entre Prosa e Poema
vos que visam ao convencimento do leitor (característica da
argumentação). Observe: Por Prosa entende-se a expressão natural da linguagem
escrita ou falada, sem metrificação intencional e não sujeita
No seu aspecto exterior, na sua constituição geográfica, a ritmos regulares. No texto escrito, observamos o texto em
o Brasil é um todo único. Não o separa nenhum lago interior, Prosa quando há organização em linha corrida, ocupando

LÍNGUA PORTUGUESA
nenhum mar mediterrâneo. As montanhas que se erguem dentro toda a extensão da página. Há, também, organização em
dele, em vez de divisão, são fatores de unidade. Os seus rios parágrafos, os quais apresentam certa unidade de sentido.
prendem e aproximam as populações entre si, assim os que Esta obra é organizada, por exemplo, em prosa.
correm dentro do país como os que marcam fronteiras.
Já o poema é uma composição literária em que há carac-
Por sua produção e por seu comércio, é o Brasil um dos
raros países que se bastam em si mesmos, que podem prover
terísticas poéticas cuja temática é diversificada. O poema
ao sustento e assegurar a existência de seus filhos. De norte a apresenta-se sob a forma de versos. O verso é cada uma das
sul e de leste a oeste, os brasileiros falam a mesma língua quase linhas de um poema e caracteriza-se por possuir certa linha
sem variações dialetais. Nenhuma memória de outros idiomas melódica ou efeitos sonoros, além de apresentar unidade de
subjacentes na sua formação perturba a unidade íntima da cons- sentido. O conjunto de versos equivale a uma estrofe. Há
ciência do brasileiro na enunciação e na comunicação do seu diversas maneiras de se dispor graficamente as estrofes (e os
pensamento e do seu sentimento. versos) – e isso dependerá do período literário a que a obra
(Gilberto Amado. Três livros)
se filia e à criatividade do autor. Veja dois exemplos:

Argumentação

Na argumentação, procuramos formar a opinião do


leitor ou ouvinte, objetivando convencê-lo de que a razão (o
discernimento, o bom senso, o juízo) está conosco, de que
nós é que estamos de posse da verdade.
Caso eu seja filiado a determinado partido político e
produza um texto em que objetivo demonstrar, comprovar
as vantagens, a conveniência, a coerência, a qualidade, a
verdade de meu partido (em oposição aos demais), estou
argumentando. Em suma, argumentar é convencer ou tentar
convencer mediante a apresentação de razões, em face da
evidência de provas e à luz de um raciocínio coerente e con-
sistente.
O texto a seguir, de autoria de Sérgio Buarque de
Holanda, é um exemplar de texto argumentativo. Perceba
(Ronando Azeredo)
que o autor posiciona-se em relação aos fatos e defende
uma tese. O autor claramente procura convencer o leitor.
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas von- No mínimo que fazes.
tades particularistas, de que a família é o melhor exemplo. Não Assim em cada lago a lua toda
existe, entre o círculo familiar e o Estado, uma gradação, mas Brilha, porque alta vive.
antes uma descontinuidade e até uma oposição. A indistinção (Ricardo Reis)
fundamental entre as duas formas é prejuízo romântico que teve
os seus adeptos mais entusiastas durante o século décimo nono.
Na seção seguinte apresentaremos os elementos do
De acordo com esses doutrinadores, o Estado e as suas insti-
tuições descenderiam em linha reta, e por simples evolução da
texto argumentativo.
Família. A verdade, bem outra, é que pertencem a ordens dife-
rentes em essência. Só pela transgressão da ordem doméstica Argumentação
e familiar é que nasce o Estado e que o simples indivíduo se faz
cidadão, contribuinte, eleitor, elegível, recrutável e responsável, Condições da argumentação
ante as leis da Cidade. Há nesse fato um triunfo do geral sobre
o particular, do intelectual sobre o material, do abstrato sobre A argumentação deve ser construtiva, cooperativa e
o corpóreo e não uma depuração sucessiva, uma espiritualiza-
útil. Deve basear-se, antes de tudo, nos princípios da lógica.
ção de formas mais naturais e rudimentares, uma procissão das
A argumentação deve lidar com ideias, princípios ou fatos.
hipóstases, para falar como na filosofia alexandrina. A ordem
familiar, em sua forma pura, é abolida por uma transcendência.
(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil) Consistência dos argumentos – evidências

Para finalizar esta seção, realizo a distinção entre A argumentação é fundamentada em dois elementos
Prosa e Poema. principais: a consistência do raciocínio e a evidência das
provas. Tratamos, nesta seção, do segundo aspecto: a evi-
dência das provas.

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Há cinco tipos mais comuns de evidência das provas: O testemunho
os fatos, os exemplos, as ilustrações, os dados estatísti-
cos e o testemunho. Vamos conhecer cada um em síntese: A evidência por testemunho é composta por uma afirma-
ção fundamentada, por um depoimento, uma comprovação. É
Os fatos um fato trazido à composição por intermédio de terceiros. O
testemunho por autoridade é um recurso que possui alto valor
Os fatos constituem o elemento mais importante da argu- de prova. Se, em minha produção, defendo que o sistema de
BRUNO

transporte público no Brasil precisa de planejamento estratégico


BRUNO PISLASTRE

mentação (bem como da dissertação).


É possível afirmar que só os fatos provam, convencem. (longo prazo), posso trazer a voz (realizações, propostas, ideias)
Porém, é importante lembrar que nem todos os fatos são irrefu- de uma autoridade no assunto. No caso do tema proposto (trans-
PILASTRE

táveis. O valor de prova de certos fatos está sujeito à evolução porte público), posso citar as propostas de Jaime Lerner, arqui-
da ciência, da técnica e dos próprios conceitos utilizados. teto e urbanista brasileiro que propôs a abertura de vias exclusi-
É claro que há fatos que são evidentes ou notórios. Esses vas para os ônibus urbanos na cidade de Curitiba-PR, na década
são os que mais provam. Afirmar que no Brasil há desigualdade de 70.
social é um fato, por exemplo.
A proposição
Os exemplos
Por proposição entende-se a expressão linguística de
Os exemplos são caracterizados por revelar fatos típicos uma operação mental (o juízo) composta de sujeito, verbo
ou representativos de determinada situação. O fato de o moto- (sempre redutível ao verbo ser) e atributo. Toda proposição
rista Fulano de Tal ter uma jornada de trabalho de 12 horas diá- é passível de ser verdadeira ou falsa. A frase a seguir é uma
rias é um exemplo típico dos sacrifícios a que estão sujeitos
proposição:
esses profissionais, revelando uma das falhas do setor de trans-
porte público. → O sistema educacional no Brasil é ineficiente.

As ilustrações Segundo os critérios de produção textual, a proposi-


ção deve ser clara, definida, inconfundível quanto ao que
A ilustração ocorre quando o exemplo se alonga em nar- se afirma ou nega. Outro fator indispensável é o fato de que
rativa detalhada e entremeada de descrições. Observe que a toda proposição tem de ser argumentável. Isso quer dizer
ilustração é um recurso utilizado pela argumentação. Não deve, que frases como
portanto, ser o centro da produção.
→ Todo homem é mortal.
Imagine um texto argumentativo que procura comprovar,
por evidência, a falta de planejamento habitacional em algumas Não são argumentáveis, pois essa afirmação é uma
cidades serranas. Nessas cidades, há construções irregulares verdade universal, indiscutível, incontestável.
próximas a encostas. Essas encostas ficam frágeis em épocas É indicado, também, que a proposição seja afirmativa
chuvosas. É possível, assim, ilustrar essa situação com um caso e suficientemente específica para permitir uma tomada de
hipotético ou real. No caso da ilustração hipotética, é necessário posição contra ou a favor. Não é possível argumentar sobre
que haja verossimilhança e consistência no relato. Registro que
generalidades como:
o valor de prova da ilustração hipotético é muito relativo.
Um caso real, o qual pode ser citado no texto-exemplo, é
→ A maioridade penal
o da família do lavrador Francisco Edézio Lopes, de 46 anos. → O SUS
Edézio e seus familiares, moradores do distrito de Jamapará,
em Sapucaia, no centro sul-fluminense, procuraram abrigo no Proposições vagas ou inespecíficas não permitem
carro durante o temporal e acabaram arrastados pela enxurrada. tomada de posição. Assim, apenas a dissertação (isto é,
Todos morreram.
explanação ou interpretação) cabe a esses temas. Caso se
Observe, mais uma vez, que a ilustração tem a função de
queira realizar uma argumentação, faz-se necessário deli-
ilustrar a tese e deve ser clara, objetiva, sintomática e obvia-
mente relacionada com a proposição. mitá-las e apresentá-las em termos de tomada de posição,
como em:
Os dados estatísticos → Deficiências do SUS na promoção de ações de pre-
ventivas à população
Os dados estatísticos também são fatos, mas possuem
uma natureza mais específica e possuem grande valor de con- Assim, a proposição acima é passível de argumen-
vicção, constituindo quase sempre prova ou evidência incontes- tação, pois admite divergência de opiniões (O Ministro da
tável. Quanto mais específico e completo for o dado, melhor.
Saúde – José Padilha – terá uma opinião diferente da apre-
Ademais, é importante que haja fonte, pois os dados não
surgem naturalmente. Assim, afirmar que o índice de analfabe- sentada por um paciente, o qual escreveu o texto com o
tismo por raça no Brasil é de 14% para os negros e 6,1% para título “Deficiências do SUS na promoção de ações de pre-
os brancos é diferente de afirmar que a Pesquisa Nacional por ventivas à população”).
Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro Observe, por fim, a importância de o autor do texto
de Geografia e Estatística (IBGE) em 2007, revela que índice de definir, logo de início, a sua posição de maneira inequívoca
analfabetismo por raça no Brasil é de 14% para os negros e 6,1%
(isto é, de modo que o leitor saiba exatamente o que se pre-
para os brancos. A segunda proposição é mais convincente, pois
há referência explícita à fonte. tende provar). No caso do título sobre o SUS, sabe-se que o
autor procurará demonstrar as deficiências do SUS no que
concerne à promoção de ações preventivas da população.

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A conclusão → mensagem rápida, geralmente sobre as impressões
de viagens;
A conclusão da argumentação “surge” naturalmente das → ilustrado com imagem em um dos lados; do outro,
provas apresentadas, dos argumentos utilizados. A conclusão espaço para texto e endereço do destinatário;
é caracterizada por ser um arremate (isto é, o último detalhe → texto curto, assunto livre;
para finalizar ou concluir algo) – por isso, não é uma simples → apresenta vocativo e assinatura;
→ verbos geralmente no presente do indicativo, lingua-

LÍNGUA PORTUGUESA
recapitulação ou mero resumo. A conclusão consiste, desse
modo, em pôr em termos claros a essência da proposição e a gem varia de acordo com os interlocutores, podendo estar
entre o coloquial, o casual ou o informal.
sua comprovação, realizada por meio dos argumentos.
Carta Pessoal
GÊNEROS TEXTUAIS
Gênero textual pelo qual nos comunicamos com
A palavra gênero sempre foi bastante utilizada pela lite- amigos e familiares dando notícias, tratando de assuntos de
ratura com um sentido especificamente literário, identificando interesse comum, de forma mais longa e detalhada. Trata de
os gêneros clássicos – o lírico, o épico, o dramático – e os assuntos particulares e tem uma estrutura padrão que deve
gêneros modernos da literatura, como o romance, a novela, ser obedecida. Características:
o conto, o drama, etc. → comunicação geralmente breve e pessoal, de
Mikhail Bakhtin, no início do século XX, se dedicou aos assunto livre;
estudos da linguagem e literatura. Foi o primeiro a empregar → estrutura composta de local e data, vocativo, corpo e
a palavra gêneros com um sentido mais amplo, referindo-se assinatura; às vezes, também de P.S.;
também aos tipos textuais que empregamos nas situações → a linguagem varia de acordo com o grau de intimi-
cotidianas de comunicação. dade entre os interlocutores, podendo ser menos ou mais
Então, os gêneros textuais são os diferentes tipos de formal, culta ou coloquial, e, eventualmente, incluir gírias;
texto que produzimos, orais ou escritos, que trazem um con- → verbos geralmente no presente do indicativo;
junto de características relativamente estáveis. Pelas carac- → quando enviada pelo correio, a carta é acondicio-
nada em um envelope, preenchido adequadamente com o
terísticas, identificamos o gênero textual em seus aspectos
nome e o endereço do remetente e do destinatário.
básicos coexistentes: o assunto, a estrutura e o estilo.
A escolha do gênero não é sempre espontânea, pois
Receita
deve levar em conta um conjunto de parâmetros essenciais,
como quem está falando, para quem se está falando, qual é Gênero textual que apresenta duas partes bem defini-
a finalidade e qual é o assunto do texto. das - ingredientes e modo de fazer, que podem ou não vir
Por exemplo, ao contarmos uma história, fazemos uso indicadas por títulos. Algumas receitas apresentam outras
de um texto narrativo, para instruirmos alguém sobre como informações, como o grau de dificuldade, o tempo médio
fazer alguma coisa (fazer um bolo, montar uma mesa, jogar de preparo, o rendimento, as calorias ou dicas para decora-
certo tipo de jogo) fazemos uso do texto instrucional; para ção. Forma ou estrutura mais ou menos padronizada, com o
convencer alguém de nossas ideias, fazemos uso de textos objetivo de melhor instruir o leitor. Características:
argumentativos; e assim por adiante. → contém título;
Assim, quando falamos em gêneros textual, estaremos → normalmente apresenta uma estrutura constituída
fazendo referência também à receita, à carta pessoal, ao de: título, ingredientes e modo de preparo ou fazer;
bilhete, ao telegrama, ao cartão postal, ao e-mail, ao cartão → no modo de fazer os verbos são geralmente empre-
postal, ao cartaz, ao relatório, ao manual de instruções, à gados no imperativo;
bula de medicamento, ao texto de campanha comunitária, → pode conter indicação de calorias por porção, rendi-
ao convite. mento, dicas de preparo ou de como decorar e servir;
→ a linguagem é direta, clara e objetiva;
Todos esses tipos de texto constituem os gêneros tex-
→ emprega o padrão culto da língua.
tuais, usados para interagirmos com outras pessoas. São os
chamados gêneros do cotidiano.Eles trazem poucas varia-
O texto de campanha comunitária
ções, muitos se repetem no conteúdo, no tipo de linguagem
e na estrutura, mas são de grande valor para a comunicação Tem o objetivo de informar, conscientizar e instruir a
oral ou escrita. população de uma comunidade sobre assuntos ou aconte-
cimentos do momento. Visa, muitas vezes, convencê-la a
Qualidades e características dos gêneros textuais participar de algum evento ou colaborar com donativos, tra-
do cotidiano balho voluntário, etc. Características:
→ apresenta título chamativo, comumente persuasivo;
Cartão Postal → geralmente é ilustrado;
→ apresenta estrutura variável, esclarece em que con-
Mais conhecido como postal, é utilizado por turistas ou siste a campanha, a finalidade, o que fazer para participar;
pessoas em viagem para dar, por meio da ilustração uma → linguagem clara, objetiva e persuasiva, dentro do
ideia do lugar que está visitando e, ainda, enviar a parentes e padrão culto da língua;
amigos uma mensagem rápida com suas impressões sobre → emprega as funções referencial e conativa, con-
a viagem, os passeios, novos amigos, os lugares. Caracte- forme seu objetivo;
rísticas: → usa verbos no imperativo.

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O Cartaz Deliberação informal Narrativa mítica
Diálogo argumentativo Notícia
Gênero textual normalmente composto por imagem e Diário íntimo Novela fantástica
texto. Tem por objetivo informar e instruir o leitor sobre um Discurso de acusação Piada
assunto que diz respeito à população em geral. Texto e Discurso de defesa Relato de uma viagem
imagem visam persuadir ou convencer o leitor, sensibilizá-lo Editorial Relato histórico
e conscientizá-lo do que se está divulgando. Características: Ensaio Reportagem
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

→ informa, instrui e persuade o leitor sobre algum Ensaio Resenha crítica


assunto; Fábula Testemunho
→ texto em linguagem verbal curto, para leitura rápida; Histórico Textos de opinião
PILASTRE

→ presença de título para atrair o leitor e definir o assunto Lenda


do cartaz; Narrativa de aventura
→ linguagem verbal clara, direta, objetiva e concisa, ade- Narrativa de enigma
quada aos objetivos da campanha e ao público que se destina;
→ emprega, geralmente, o padrão culto formal da língua; Modelos de Gêneros
→ identificação simples por meio de logotipo do órgão,
entidade ou empresa responsável pela mensagem veiculada. Nessa seção, é importante que você, estudante, tenha
acesso ao maior número de textos, de gêneros. Além dos
Relatório textos abaixo, leia jornais, revistas, sites especializados etc.
Boa leitura!
Gênero textual que tem por objetivo expor a investigação
de um fato estudado, de um acontecimento ou de uma expe- Crítica
riência científica. Características:
→ pode servir-se de descrições, de enumerações, de Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013 – Folha de São Paulo
exposições narrativas, de relatos de fatos, de gráficos, de Crítica: Restaurante
estatísticas etc.;
→ pode ou não seguir um roteiro preestabelecido; Casa no Itaim dá show de pratos insossos
→ apresenta, normalmente, introdução, desenvolvi-
mento e conclusão; em alguns casos, pode apresentar outras 'Malabarismos' do Benihana para encantar clientes tentam distrair a
atenção do que deveria ser essencial: a comida
partes, como folha de rosto, sumário, anexos;
Josimar Melo, Crítico da Folha
→ a linguagem é precisa, objetiva, de acordo com o
padrão culto e formal da língua; admite, no entanto, a pes- De cara, no novo Benihana – uma "steak house" japonesa,
soalidade. especializada em teppan (produtos na chapa) –, a primeira pala-
vra que me veio à mente foi: prestidigitação. A arte de movimentos
Bilhete rápidos com uma mão para distrair a atenção dos truques de ilusio-
nismo da outra.
Gênero textual breve, prático e objetivo que tem a função Um restaurante de teppan tem chapas em que carnes (ou o
de transmitir informações pessoais, avisos e mensagens de que for) são rapidamente cozidas – eventualmente na presença dos
comensais.
natureza simples. Características:
É o caso do Benihana, que acrescenta o show de prestidigita-
→ estrutura formal parecida com a carta: destinatário, ção: os chefs do teppan manejam (ou tentam) espátulas, projetam
texto (mensagem), despedida e remetente e data; ovos para o ar, lançam saleiros no chapéu, vibram seus instrumen-
→ mensagem breve e simples, tanto na forma quanto tos para encantar a plateia.
no conteúdo; Encantar e também criar a ilusão. Porque a comida que pro-
→ a finalidade deve ser prática e objetiva, geralmente duzem não tem gosto. O espetáculo tem o encanto que distrai a
coisas do dia a dia; atenção do que deveria ser essencial: a comida.
→ linguagem informal; Pior é que mesmo este encanto é relativo. Alguns malabaris-
tas precisam de mais treino (ou os proprietários precisam cobrar
→ usado, normalmente, entre familiares, amigos e cole-
metade do preço – que é bem caro! – para que os clientes assistam
gas.
aos treinos dos atores).
Mas o espetáculo ser sofrível (mesmo que bonito, quando os
Tipos de Gêneros escritos e orais chefs acertam) é até o de menos. O problema é que a comida não
tem gosto, é também só aparência.
E isso, tanto nas mesas abastecidas pela cozinha quanto
Adivinha Carta de solicitação
naquelas com a chapa e o teatro. Camarões, vieiras, frango e filés
Anedota ou caso Conto são insossos, por mais que acrescentem a tal manteiga com alho.
Artigos de opinião Conto de fadas Em defesa da casa, deve-se admitir que os frutos do mar têm
Assembleia Conto maravilhoso bom cozimento (embora sem gosto); mas não é o caso das carnes
Autobiografia Crônica esportiva – mesmo quando perguntam o ponto desejado.
Biografia Crônica Literária Talvez a falta de gosto (que tentam amenizar, sem sucesso,
Biografia romanceada Crônica social com molhos) venha da origem do restaurante: uma rede americana
com 78 casas (não exatamente um restaurante artesanal japonês).
Carta de Leitor Curriculum vitae
Carta de reclamação Debate regrado

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Ou porque os inúmeros sócios no Brasil são ligados a baladas ou a Eu nunca saberia por que meu sonho terminal fora aquele, eu
restaurantes de rede, não de gastronomia. desmoronando junto com um prédio de lata. Mas nossas expli-
Mas a filial brasileira não sentirá um arranhão por esta crítica. cações morrem com a gente.
Como qualquer filial de casa americana aqui, está lotada de No fim do sonho me espatifei no chão do saguão e esperei
clientes deslumbrados. Que talvez até acreditem em outro gesto que o prédio caísse nas minha costas. Em vez disso, ouvi a voz
do dr. Alberto Augusto Rosa me perguntando se eu sabia onde
diversionista: o menu de prestidigitador, em que está escrito (em
estava. “Hospital Moinhos de Vento”, arrisquei. Acertei. Lá jun-
inglês, que chique!) que a carne é classificada pelas autoridades

LÍNGUA PORTUGUESA
taram as minhas partes, me espanaram e me mandaram para
americanas, que o chef é japonês etc... O que talvez seja ver- casa. E eu não disse para ninguém que deveria estar morto.
dade na matriz, mas não na filial tupiniquim.
Luiz Fernando Verissimo
PS: é uma "japanese steak house", mas tem um balcão de sushi Publicado em 03 de janeiro de 2013
na entrada, que, apesar da alga molenga do temaki, tem sushis
bem passáveis.
→ Benihana Crônica (2)
→ Endereço r. Amauri, 517, Itaim bibi, tel. 0/xx/11/3078-2549
→ Funcionamento de segunda a quinta, das 12h às 15h e das
19h à 0h; sexta e sábado, das 12h à 1h; domingo, das 12h às Depois do almoço
23h.
Depois do almoço, minha mãe sempre nos orientava a não fazer
→ Ambiente japonês estilizado
qualquer espécie de barulho enquanto estivesse fora. Naquela
→ Serviço estabanado, devido ao grande movimento época, ela trabalhava como manicure e meu pai estudava. Só
→ Vinhos limitado, mas razoável; vários saquês estudava. Ele teve de tomar essa decisão depois de ter feito
→ Cartões a, d, m e v diversas tentativas – todas frustradas - de conseguir emprego
→ Estacionamento manobrista, R$ 20 estável após demissão coletiva na Radiobrás – resultado dos
→ Preços entradas, de R$ 11 a R$ 35; pratos principais, de R$ desmandos do presidente Collor. Meu pai ficou estudando em
25 a R$ 119; sushis e sashimis, de R$ 47 a R$ 175 (três pes- tempo integral por dois anos, enquanto minha mãe segurava as
soas); sobremesas, de R$ 8,50 a R$ 16,50 pontas. E nós, os filhos, apenas fazíamos silêncio.
Lembro-me do momento em que meu pai recebeu a notícia de
que havia passado em segundo lugar no concurso para Técnico
Crônica (1) Legislativo do Senado Federal. Eu não fazia a mínima ideia do
que isso representava. Apenas percebi as mudanças em nossa
vida. Minha mãe reduziu a carga de trabalho e nos mudamos
Desmoronando após o primeiro mês de trabalho do meu pai. E mudamos para
melhor, é claro. Por ser muito nova, pude apenas associar os
O prédio de lata estava desmoronando e eu estava dentro fatos: ter passado em um concurso e mudança de vida. O cálculo
dele, desmoronando também. Caía de bruços como um super- era simples.
-herói que esqueceu como voar, com a cara virada para o chão, Mal sabia ela que essa lembrança mudaria o curso de sua vida.
ou para o saguão do prédio, que se aproximava rapidamente. Os estudos formais foram concluídos e já estava decidida: não
Se eu me espatifasse no saguão, certamente morreria, pois prestaria vestibular para a Universidade após o término do
seria soterrado pela lataria em decomposição que acompa- Ensino Médio. A imagem de seu pai estudando em uma situação
nhava meu voo. O fim do sonho seria o meu fim também. Mas adversa estava forte em sua mente. Ela, agora, poderia estu-
a queda era interrompida, a intervalos, como naquelas “lojas dar com todo o apoio da família – pelo tempo que desejasse. E
de departamento” em que o elevador parava, o ascensorista mesmo que não tivesse essa condição – utilizar o tempo e as
abria a porta e anunciava: “Lingerie”, “adereços femininos” etc. condições necessárias –, lutaria para conseguir o seu objetivo:
Levei algum tempo para me dar conta que aquelas paradas não
ser uma servidora pública.
eram só para interromper o terror da queda. Eram oportunida-
Entrou na fila após ter concluído o Ensino Médio. Sabia que
des de fuga. O sonho me oferecia alternativas para a morte, se
conquistaria o emprego público – se procedesse da maneira
eu fizesse a escolha certa. Ou então me dava um minuto para
correta e não desistisse (se saísse da fila, teria de retornar ao
pensar em todas as escolhas erradas que tinham me levado
início). Optou por um cargo no poder Legislativo. Mas faria outras
àquele momento e à morte certa: os exageros, os caminhos não
provas, pois sabia que passar para outro órgão – de outro poder
tomados e as bebidas tomadas, as decisões equivocadas e as
indecisões fatais, o excesso de açúcar e de sal, a falta de juízo – não a impediria de conquistar o seu objetivo.
e de moderação. Não posso afirmar com certeza, mas acho que Um ano e meio de estudo e sempre no quase. A motivação
ouvi o ascensorista fantasma dizer, em vez de “lingerie” e “ade- estava indo embora quando seu pai lê uma manchete de um
reços femininos”: “Desce aqui e salva a tua alma” ou “Pense no jornal, a qual informava que no segundo semestre daquele ano
que poderia ter sido, pense no que poderia ter sido...” As paradas um novo edital para concurso para o Senado Federal seria lan-
não eram para diminuir o terror, as paradas eram parte do terror! çado – com previsão de 180 vagas, nível médio e superior. O
Eu não tinha tempo nem para a fuga nem para a contrição. E o ânimo estava revigorado.
saguão se aproximava. Decidi me resignar. É uma das maneiras O concurso estava confirmado e o tempo parecia curto. Porém,
que a morte nos pega, pensei: pela resignação, pela desistência. confiava em seus quase dois anos de estudo. Naquele período
Meu corpo não me pertencia mais, era parte de uma representa- procurou os melhores livros, os melhores cursos e professores;
ção da minha morte, o protagonista de um sonho, absurdo como utilizou também as melhores estratégias e teve o apoio de todos
todos os sonhos. Talvez a morte fosse sempre precedida de um os familiares e amigos. O seu pai estava sempre por perto. Mas
sonho como aquele, uma súmula de entrega e renúncia à vida, ainda assim o nervosismo era inevitável.
mais ou menos dramática conforme a personalidade do morto. O dia da prova chegou e a imagem de seu pai estudando é reavi-
Um sonho com anjos e nuvens rosas ou um sonho de destruição, vada. Pensa em tudo o que pode conquistar caso seja aprovada
como eu merecia. naquele concurso: a estabilidade, a carreira, a possibilidade de
estudar e, claro, constituir uma família com a segurança necessária.

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Sabe da responsabilidade e se concentra em cada item, em cada Belmiro percebeu que, do mesmo modo que D. Quixote, voraz
enunciado. Pensa em seu pai. Aos 20 anos Sofia é a mais nova leitor de romances de cavalaria, havia entrado tão intensamente
servidora concursada do Senado Federal. Hoje pai e filha assis- naquele mundo, naquele desejo de ser “cavaleiro andante”, que
tem à Instalação da Primeira Sessão Legislativa Ordinária da 54ª havia parcialmente perdido a noção da realidade. Ele já estava
Legislatura. Os dois se olham e sabem exatamente o que o outro se preparando para uma batalha contra moinhos inexistentes.
pensa. Ficam em silêncio. Pelo seu desejo intenso, vestia a armadura sem haver uma bata-
(Bruno Pilastre de Souza Silva Dias) lha real. Era servidor mesmo antes de sê-lo.
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

Além do estado de esclarecimento, a mente de Belmiro foi ilumi-


nada pela seguinte passagem (diz ele que é a mais motivadora
da sua vida), na qual D. Quixote fala que venturoso é “aquele a
PILASTRE

Crônica (3) quem o céu deu um pedaço de pão, sem que fique obrigado a
agradecê-lo a outro que não o próprio céu”. Essa era a essência
do funcionalismo público. Belmiro estava em estado de catarse.
D. Quixote A ilusão acabou. Belmiro percebeu que para vencer a batalha
deve estudar muito. Mas também percebeu a importância da lei-
No início, pensou que seria uma reação natural, um processo tura da literatura, das artes.
necessário pelo qual tinha de passar. À semelhança de Dom Qui- Hoje Belmiro acorda e vê, ao lado de sua cama, o seu crachá de
xote, o desejo de viver o que almejava era intenso, a ponto de servidor público do Ministério Público da União.
confundir e não mais definir a tênue linha que separa o real – (Bruno Pilastre de Souza Silva Dias)
presente - do futuro possível. E o seu desejo maior era o de ser
aprovado em um grande e concorrido concurso.
A primeira apostila ele comprou em uma banca de jornal. O con- Editorial
tato inicial com o conteúdo foi duro, seco, sem qualquer afeti-
vidade. Depois veio o primeiro curso preparatório. A partir daí
Sábado, 05 de janeiro de 2013 – Folha de São Paulo
o relacionamento ficou mais fluido. Conheceu a 8.112, a 8.666,
Editorial: Descrédito
a Constitucional e a Gramática. Mas mal sabia ele que haveria
O governo Dilma Rousseff coloca sob risco um patrimônio da polí-
uma batalha, a primeira batalha, a prova do concurso.
tica econômica brasileira conquistado a duras penas ao longo de
De modo inesperado e surpreendente, todas as suas amigas
quase duas décadas. Trata-se da confiança dos agentes privados
e amigos do curso o abandonaram naquele dia tão importante.
nas ações e nos compromissos assumidos pelas autoridades.
Não sabia onde estavam a Constitucional, o Texto e a 8.112.
A manobra contábil, nos últimos dias de 2012, para maquiar o
Não soube o porquê do abandono. Apenas foi para sua casa,
fiasco na meta de poupança pública – o chamado superávit pri-
decidido a mudar o rumo da sua vida. Estudaria para um único
mário – é decerto o golpe mais ostensivo na credibilidade do
concurso, iria se preparar para apenas uma batalha.
governo. Coroa uma série de atitudes voluntariosas que puseram
Estudou muito. O desejo de conquistar a vaga no órgão era tão
em segundo plano a perseguição de objetivos centrais da política
intenso que a sua existência era dedicada àquele propósito. Foi
econômica.
aí que os sonhos tiveram início. E com eles a sua peculiar idios-
O superávit primário deveria ser algo simples de entender e atin-
sincrasia.
gir. O setor público compromete-se a gastar uma quantia a menos
No primeiro sonho, acordava e via, na cabeceira da sua cama, o do que arrecada de impostos. Contabilizam-se os desembolsos
tão desejado crachá com a sua foto ao lado do timbre do órgão. em ações típicas do Estado – pagar a servidores, fornecedo-
O poder simbólico do objeto era tamanho que ele não se con- res, aposentados, beneficiários de programas sociais etc. Ficam
teve. Explodiu de felicidade. E acordou. de fora, numa conta à parte, as despesas com juros. Com isso,
A reincidência do símbolo era constante. Noite após noite lá garante-se que o endividamento público fique sob controle.
estava o crachá, em sua cabeceira. Porém, quando ornava o seu Em 2012 os governos federal, estaduais e municipais obrigaram-
pescoço com o seu objeto de consagração, acordava imediata- -se a economizar juntos o equivalente a 3,1% do PIB, quase R$
mente. A reincidência do sonho era tão grande, foi tão longa, 140 bilhões. Em anos ruins, a administração federal pode acionar
que podia até controlá-lo. Num ato desesperado, com o intento o recurso, previsto na regra geral, de subtrair dessa conta desem-
de não sair da situação de servidor, decidiu não mais colocar o bolsos com o Programa de Aceleração do Crescimento. Abatidos
crachá em seu pescoço. esses gastos, a meta cairia para 2,3% do PIB.
A sua decisão teve uma consequência muito peculiar. Após des- Mesmo assim, fechada a conta de novembro, a poupança ao
pertar, enquanto se preparava para ir ao curso preparatório, viu longo do ano, de 1,9% do PIB, não cumpria o objetivo. Então o
sua imagem refletiva no espelho. O susto foi tão grande que governo federal deslanchou em dezembro uma operação mera-
não pode olhar novamente para a superfície refletora. Via na mente contábil para alcançar os R$ 19 bilhões restantes e dissi-
imagem algo semelhante a uma moldura, um crachá, idêntico mular o fracasso.
ao do sonho. No lugar da foto, a sua imagem. E o fenômeno não Forçou Caixa Econômica Federal e BNDES a pagarem R$
ocorria somente no espelho do seu banheiro, mas em qualquer 7 bilhões em dividendos ao Tesouro. Num só mês, esses dois
superfície refletora. bancos estatais enviaram à Fazenda o equivalente a 35% de
Aquela ilusão durou um longo tempo. O tão desejado concurso todos os dividendos transferidos nos outros 11 meses.
era anunciado, mas nunca confirmado. Seis mil vagas, diziam Além disso, transferiram-se para o Tesouro R$ 12,4 bilhões do
os jornais e sites especializados. Preparava-se para a batalha Fundo Fiscal de Investimento e Estabilização – instrumento
com leituras e mais leituras, exercícios e mais exercícios. Nunca criado em 2008 que serviu, na prática, para financiar a Petrobras
se questionou sobre a sua insólita ilusão. Até que um dia o seu com dinheiro do contribuinte.
amigo Texto comentou sobre um tal Engenhoso Fidalgo D. Qui- Tanta criatividade contábil, embutida numa teia de decretos
xote da Mancha. Resolveu conhecer tal obra. feitos para não criar alarde, foi inútil para o objetivo original do
Conto agora o resultado dessa leitura, pois ela gera grandes con- superávit primário – economizar despesa do governo. O setor
sequências. público não poupou um tostão com isso.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
A incapacidade de controlar os gastos de acordo com o pactu- M.L. – Não acho que seja universal (“em todo mundo”) a tendên-
ado na lei orçamentária já seria um fator de desgaste para a cia a “corrigir” obras literárias. Mas mesmo que fosse – judeus e
confiança no governo. Mas a tentativa de enganar o público com prostitutas excluídos da obra de Shakespeare, escravos negros
toscos malabarismos fiscais vai cobrar um preço ainda mais ele- expulsos da Bíblia e das Mil e Uma Noites, homossexuais bani-
vado. dos da obra de Dante – eu seria contra. Também discordo de
incluir “ressalvas” (como notas de rodapé, anotações & similares

LÍNGUA PORTUGUESA
) em livros. Elas manifestam uma vontade disfarçada de “geren-
Entrevista (1) ciar” a leitura, impondo certos significados (e proscrevendo
outros) aos leitores. Mas as atuais – e a meu ver equivocadas –
denúncias ao racismo de Lobato são uma boa chance para uma
Entrevista / Marisa Lajolo
pesquisa sobre leitura: crianças e jovens que leem Caçadas de
Monteiro Lobato e o racismo
Pedrinho, ou outras obras infantis lobatianas, opinam que o livro
Por CartaCapital em 02/10/2012 na edição 714
incentiva atitudes racistas? Leitores afrodescendentes sentem-
-se ofendidos quando leem as histórias do Sítio? Que tipo de
Íntegra da entrevista concedida à Carta Capital nº 716, 21/9/2012,
cidadão forma a frase final de  Caçadas de Pedrinho, na qual
da qual a edição da revista aproveitou trechos. Marisa Lajolo é
Tia Nastácia, tomando o lugar de Dona Benta em um carrinho,
doutora em Letras e professora titular do Instituto de Estudos da
proclama: “Agora chegou minha vez. Negro também é gente,
Linguagem, da Unicamp
sinhá...” (p.71). Será que a voz da própria Tia Nastácia, no livro,
não é mais convincente do que rodapés e advertências?
Alguns dizem que censurar o livro de Monteiro Lobato (em dis-
cussão por aqui nos últimos dois anos) é uma forma de recal-
car o racismo ao invés de enfrentá-lo. Seria essa uma forma Entrevista (2)
de combater o racismo apenas no âmbito simbólico, uma forma
de a sociedade lavar as mãos censurando um livro enquanto
deveria investir na promoção de igualdade social concreta (via Às 20h46 desta segunda-feira, 27 de outubro de 2014, a presi-
políticas públicas)? A senhora concorda? dente Dilma Rousseff nos acompanha ao vivo em Brasília e nos
Marisa Lajolo – Discutir as denúncias relativas a Caçadas de concede uma entrevista agora.
Pedrinho me parece uma boa chance de se discutir leitura no
Brasil. Respeito quem acha que a obra é racista, mas também William Bonner: Presidente, parabéns, boa noite. Muito obrigado
espero que respeitem opiniões contrárias. Em matéria de inter- pela sua presença.
pretação de arte, não acredito em verdades absolutas. Capitu Patrícia Poeta: Boa noite, presidente. Parabéns.
traiu ou não traiu Bentinho? Bentinho tinha ou não um caso Dilma Rousseff: Boa noite, William. Boa noite, Patrícia. Boa noite,
com Escobar? Os deuses mitológicos presentes em Os Lusía- vocês que nos acompanham aqui essa hora.
das ofendem o cristianismo? A questão é contemporaneíssima:
a arte pode ironizar valores religiosos? Tais questões não se William Bonner: O Brasil viveu, ontem, o momento mais impor-
resolvem com leis. Resolvem-se com diálogo e com qualidade tante de qualquer democracia, que é a vitória de um candidato
de educação, para o que são necessários professores bem for- pela maioria absoluta dos votos, numa eleição livre. Foi uma
mados e bem remunerados. campanha agressiva de ambas as partes e com o resultado mais
O que deve ser feito com uma literatura com traços preconceitu- apertado da história da nossa República. E no seu discurso de
osos, no caso, racistas? Ela deve ser modificada como objeto- ontem, a senhora disse que é preciso reconciliar a nação. Que
-documento, preservada na íntegra, oferecida com ressalvas? passos a senhora vai dar nesse sentido, presidente?
Como lidar com casos como Huckleberry Finn e Caçadas de Dilma Rousseff: Olha, William, eu queria te dizer que eu acredito
Pedrinho? que a democracia, ela é um dos mais importantes fatores para
M.L. – Deve ser preservada na íntegra. Se acreditamos – como que um país não só possa mudar, mas o faça de forma pacífica e
acredito – que livros articulam-se intimamente ao momento ordeira. Nesta eleição, mesmo com visões contraditórias e posi-
social em que foram escritos, alterar textos – ainda que com as ções contraditórias, havia algo em comum no conjunto das pes-
melhores intenções – é muito ruim. É como retocar uma fotogra- soas e dos sentimentos que elas tinham: a busca por um futuro
fia para “corrigir” o passado. A Rússia stanilista fez isso, “apa- melhor para o Brasil. E eu acho que essa busca é a grande base
gando” Trotsky de inúmeras fotos. Conheço a edição de Huckle- para que nós tenhamos uma união. Numa democracia madura,
berry Finn em que a palavra “nigger” foi substituída pelas palavra união não significa unidade de ideias, ou uma ação monolítica
“slave”. Me pergunto que a diferença de sentido a substituição conjunta. Significa muito mais a abertura, a disposição para dia-
da palavra acarreta... logar, a disposição para construir pontes, a disposição para que
Ao contrário de Twain, que era um defensor da igualdade racial, nós possamos garantir de fato o que uma eleição sempre exige
um antirracista notório, Monteiro Lobato é reconhecidamente um na democracia: mudança. Nós temos de ser capazes de garan-
autor com tintas racistas – para alguns, era um eugenista. Isso tirmos as mudanças que o país precisa e exige. Juntamente com
faria do livro uma situação distinta da de Twain?  as reformas que o país precisa e exige. E isso fica muito claro
M.L. – Minha opinião é diferente. Não acho que a posição assu- nessas eleições. Eu acho que é essa a base comum entre nós.
mida pelo narrador lobatiano manifesta atitudes que possam E aí, a grande palavra nesse momento é diálogo. É dialogar com
ser consideradas “racistas”, isto é, não creio que a obra literá- todas as forças. As forças sociais, as forças produtivas, de todos
ria lobatiana expresse ou propague atitudes de agressão e de os segmentos. Do segmento industrial, da agricultura, de servi-
desamor a negros. ços, do setor financeiro. E também com todos os clamores da
Em todo o mundo, tais demandas tendem a ser aceitas e as população. A população quer continuar melhorando de vida. E aí,
obras, modificadas ou ao menos vendidas com uma ressalva. nós temos um compromisso, William, que é assegurar que nós
O Brasil está tentando se inserir nesse cenário globalizado, em tenhamos um país mais moderno, mais inclusivo, mais produtivo.
respeito a legislações e acordos internacionais dos quais faz E que tenha como base valores fundamentais. E aí, nós temos
parte? um compromisso, William, que é assegurar que nós tenhamos
um país mais moderno, mais inclusivo, mais produtivo.

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Patrícia Poeta: Presidente, falando aí de futuro, o presidente E quem acha que vai ganhar. E essas posições, elas não se
reeleito não tem tempo de esperar a posse para tomar as medi- coadunam. Nós fizemos uma grande reforma tributária com o
das necessárias. Na economia, há desafios importantes, como, Supersimples. Inclusive, universalizamos pra micro e pequeno
por exemplo, a inflação, o baixo crescimento. São desafios que empreendedor toda a legislação de unificação, simplificação e
demandam decisões e que demandam sinalizações da senhora redução de tributos. E ampliamos a universalizar um conjunto de
para aumentar a confiança do empresário e do consumidor. Que pessoas que passaram a ter direito a esse processo de simplifi-
medidas a senhora vai tomar para enfrentar esses problemas? A cação, que eu acho que é o início da reforma tributária. Eu tenho
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

política econômica vai mudar? E, se sim, em que direção? a convicção que o Brasil precisa de uma reforma tributária. Pre-
Dilma Rousseff: Olha, eu inclusive externei ontem que eu não cisa de simplificar tributos. É impossível continuar com a sobre-
ia esperar a conclusão do primeiro mandato para iniciar todas posição e com a guerra fiscal. Nós, eu acho que reduzimos e
PILASTRE

as ações no sentido de transformar e melhorar o crescimento muito a guerra dos portos. Mas a guerra fiscal ainda permanece.
da nossa economia. Agora, o que eu quero dizer também é que Patrícia Poeta: Presidente, antes de a gente encerrar...
outra coisa que eu disse que eu vou praticar, eu vou abrir o diá- Dilma Rousseff: E é um dos desafios que eu vou ter de encarar.
logo com todos os segmentos. Eu acho que a palavra-chave Patrícia Poeta: Entendi. Antes de a gente encerrar, qual é a
agora é diálogo. Eu quero dialogar com setores empresariais, mensagem que a senhora gostaria de deixar aqui para os brasi-
com setores financeiros, com o mercado, fora do mercado, para leiros que estão nos assistindo neste momento?
discutir quais são os caminhos do Brasil. Acho que nós temos de Dilma Rousseff: Olha, a minha mensagem é a seguinte. Eu
passar por esse processo. acredito que depois de uma eleição, nós temos de respeitar
Patrícia Poeta: Presidente, falando aí de futuro, o presidente todos os brasileiros. Os que votaram em mim e os que não vota-
reeleito não tem tempo de esperar a posse para tomar as medi- ram em mim. E respeitá-los significa abrir e construir, através do
das necessárias. Na economia, há desafios importantes, como, diálogo, pontes para que nós possamos juntos fazer com que o
por exemplo, a inflação, o baixo crescimento. São desafios que Brasil tenha um caminho de crescimento, um caminho de futuro.
demandam decisões e que demandam sinalizações da senhora Isso significa um Brasil moderno, mais competitivo, mais inclu-
para aumentar a confiança do empresário e do consumidor. Que sivo, eu falei isso ao longo de toda a campanha. Acho que esse
medidas a senhora vai tomar para enfrentar esses problemas? A Brasil é o Brasil da solidariedade. É o Brasil que dá importância
política econômica vai mudar? E, se sim, em que direção? também à criação de oportunidades. E também um Brasil focado
Dilma Rousseff: Olha, eu inclusive externei ontem que eu não na educação, na cultura, na ciência e na inovação. Agora, que
ia esperar a conclusão do primeiro mandato para iniciar todas cuide das pessoas. Em especial dos mais pobres e daqueles
as ações no sentido de transformar e melhorar o crescimento que são segmentos que mais emergiram nos últimos 12 anos:
da nossa economia. Agora, o que eu quero dizer também é que as mulheres, os jovens e os negros. E pra isso tudo, nós preci-
outra coisa que eu disse que eu vou praticar, eu vou abrir o diá- samos de nos dar as mãos e caminhar juntos para construir esse
logo com todos os segmentos. Eu acho que a palavra-chave futuro que todos nós queremos.
agora é diálogo. Eu quero dialogar com setores empresariais, Patrícia Poeta: Presidente, muito obrigada pela entrevista aqui
com setores financeiros, com o mercado, fora do mercado, para ao vivo no Jornal Nacional e, mais uma vez, parabéns pela vitó-
discutir quais são os caminhos do Brasil. Acho que nós temos de ria de ontem.
passar por esse processo. William Bonner: Sucesso no novo mandato, presidente.
William Bonner: Presidente, a senhora falou já em... Ah, desculpe. Dilma Rousseff: Muito obrigada, Patrícia. Muito obrigada. Boa
Dilma Rousseff: Eu pretendo colocar de forma muito clara, noite a todos.
muito clara, quais são as medidas que eu vou tomar. Agora, não
é hoje.
Patrícia Poeta: Quando será? Infográfico
Dilma Rousseff: Antes do final do ano. Eu vou fazer isso entre o
mês, este mês que inicia na próxima semana.
William Bonner: A senhora mencionou que vai promover "gran- Sábado, 22 de Dezembro de 2012 – Folha de São Paulo
des reformas" e já falou inclusive na reforma política, aqui Infográfico: Por dentro da Biblioteca Nacional
mesmo nesta entrevista. E aí despertou a nossa curiosidade
para saber se entre as reformas que a senhora pretende promo- Marco Aurélio Canônico
ver está a tributária, por exemplo, que é reclamada aí há tanto Roberta Jaworski (infografia)
tempo, por tanta gente.
Maior instituição do gênero na América Latina, a Biblioteca
Dilma Rousseff: Olha, William, se tem uma coisa que eu pro-
Nacional, sediada em um edifício de 102 anos, no centro do Rio,
curei fazer foi a reforma tributária. Inclusive tem até, ainda hoje,
chegou ao limite de sua degradação física neste ano.
no Congresso, tem toda uma legislação sobre ICMS. Mas eu
Biblioteca Nacional é criticada por descuidar de acervo
acredito que nós agora temos de fazer essa discussão a fundo.
Aumento de ações dificulta avaliação, diz Fundação Biblioteca
Por quê? Nós fizemos uma série de reformas. Até fomos muito
Nacional
criticados por isso.
Vazamentos e infiltrações atingiram seu acervo, instalações
Dilma Rousseff: Olha, William, se tem uma coisa que eu procu- elétricas precárias e má conservação geral puseram em risco usu-
rei fazer foi a reforma tributária. Inclusive tem até, ainda hoje, no ários e funcionários, que foram à rua protestar.
Congresso, tem toda uma legislação sobre ICMS. Mas eu acre- Em setembro, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, anun-
dito que nós agora temos de fazer essa discussão a fundo. Por ciou verbas de R$ 70 milhões para o prédio. Apesar de os reparos
quê? Nós fizemos uma série de reformas. Até fomos muito criti- emergenciais estarem em andamento, o prazo para conclusão é
cados por isso. Nós eliminamos, por exemplo, reduzimos e deso- 2015.
neramos a tributação sobre folha de pagamento.
Tentamos, inclusive, fazer uma discussão sobre PIS/Cofins. Tem
no Brasil um conflito redistributivo. Quando se começa a discutir
uma reforma tributária há quem perde, quem acha que vai perder,
não é nem necessariamente que vai perder, acha que vai perder.

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Criada em 1810, a Biblioteca Nacional começou com acervo de
cerca de 60 mil peças trazidas de Portugal pela família imperial.
Seu prédio atual foi inaugurado no dia do centenário da institui-
ção.
Projetado para abrigar 400 mil volumes, há muito superou sua
capacidade: tem cerca de 9 milhões de itens, entre livros, peri-

LÍNGUA PORTUGUESA
ódicos, fotos, gravuras, mapas e objetos. Anualmente, recebe
cerca de 100 mil obras.
Um novo prédio, que vai abrigar a coleção de periódicos, está
sendo reformado, sem data de inauguração. A biblioteca rece-
beu mais de 31 milhões de visitantes neste ano, até outubro
-salto em relação a 2011, quando foi visitada por 22,5 milhões.
Ela é controlada pela Fundação Biblioteca Nacional, que tem em
seus quadros cerca de 700 funcionários.

Notícia

Sábado, 05 de janeiro de 2013 – Folha de São Paulo


Quebra de sigilo de Rosemary chegou a ser avaliada
De Brasília

O pedido de quebra do sigilo telefônico de Rosemary Noro-


nha foi avaliada por Ministério Público e Polícia Federal, mas
acabou descartado como forma de evitar atraso na Operação
Porto Seguro.
O raciocínio é que a existência de suspeita sobre políticos
que possuem foro privilegiado forçaria a investigação a ser reme-
tida para outras instâncias da Justiça.
Ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São
Paulo, Rosemary foi denunciada sob a acusação de participar de
esquema de venda de pareceres em órgãos do governo federal.
Ela tinha contatos com ministros, governadores, prefeitos e
congressistas. A Folha apurou que os investigadores também já
sabiam que Rosemary era íntima do ex-presidente Lula.
Segundo concluíram a procuradora Suzana Fairbanks e
o delegado da PF Ricardo Hiroshi, a possível transferência de
parte do inquérito para outras instâncias do Judiciário ocorreria
no momento em que já havia comprovação da participação de
Rosemary em crimes.
A quebra de sigilo do e-mail também não foi requerida pela
mesma razão. Deixou-se que esse material fosse recolhido na
ocasião da busca e apreensão.
Agora, as novas informações podem originar outros inqué-
ritos sem prejudicar a primeira fase da investigação.
A Polícia Federal informou, por meio de nota, que "relações
pessoais de qualquer investigado são irrelevantes do ponto de
vista policial" e justificou que o delegado se utiliza de critérios
técnicos para embasar sua decisão de "representar ou não pelo
afastamento do sigilo das comunicações de cada investigado".
Em depoimento no Senado para explicar a Operação Porto
Seguro, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou
que não houve "blindagem" a Rosemary, que é filiada ao PT.
"Se no caso tivesse sido feita a blindagem política, que blin-
dagem malfeita! Porque foi feita uma busca e apreensão na Pre-
sidência, e ela foi enquadrada em três crimes."
Em entrevista quando a operação foi deflagrada, a procura-
dora Suzana Fairbanks disse que soube pelos jornais da relação
entre Lula e Rosemary e que "não existe necessidade de quebra
de sigilo telefônico com investigação a fatos pretéritos".
A Procuradoria-Geral da República informou ontem que
ainda analisa se abrirá novas investigações sobre o envolvi-
mento de políticos.

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Reportagem Coerência e coesão textuais

Quando falamos em Coerência textual, devemos ter


Estadão.Edu
em mente a noção de Integração:
Empregos
Domingo, 8 de Dezembro de 2013
Palavra-chave!
Engenharia de Software
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

Curso está em processo de reconhecimento Integração: é o conjunto de procedimentos necessários à arti-


culação significativa das unidades de informação do texto em
Segundo o professor do curso de engenharia de software função de seu significado global.
PILASTRE

Paulo Meirelles, a Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira (Azeredo, 2008)


instituição a oferecer essa graduação no País. “No momento, o
curso está em processo de reconhecimento pelo MEC, iniciado É a partir da integração que as frases que compõem o
após a formação da primeira turma, o que ocorreu em junho texto se distribuem e se concatenam a fim de realizar uma
deste ano.” combinação aceitável (possível, plausível) de conteúdos.
Meirelles diz que o ciclo básico é formado pelos três primeiros Quando a articulação significativa depende de algum conhe-
anos dos cinco que o curso tem. “Após o básico, os estudantes cimento externo (por exemplo, a cultura dos interlocutores
passam a ter disciplinas específicas. Nosso objetivo é formar e a situação comunicativa), a integração recebe o nome de
alunos que sejam capazes de resolver dificuldades reais. Eles Coerência.
são preparados para pensar como resolver problemas por meio
Isso quer dizer que, em um nível intratextual (nível
da construção e implantação de soluções computacionais.”
interno ao texto), as partes do texto (frases, períodos, pará-
O professor acrescenta que a engenharia de software se con-
centra nos aspectos práticos da produção de um sistema de
grafos etc.) devem ser solidárias entre si (isto é, estar inte-
software, enquanto a ciência da computação estuda os funda- gradas), para assim se chegar ao significado global do texto.
mentos teóricos dos aspectos computacionais. Em um nível externo ao texto (cuja construção de sen-
Meirelles conta que o estágio é obrigatório nos dois últimos tido está relacionada aos conhecimentos de mundo do pro-
semestres. Segundo ele, boa parte dos alunos tem caracterís- dutor e receptor do texto), a articulação significativa depende
ticas de liderança e podem comandar equipes, além de fazer a da “normalidade” consensual do funcionamento das coisas
gestão de projetos, bem como implantar soluções. do mundo (isto é, devem ser coerentes).
“Eles são preparados para tomar decisões gerencias e técni- Parece-nos claro que as noções de integração e de coe-
cas”, conclui. rência estão diretamente interligadas: não se atinge a coe-
O professor afirma que o mercado de trabalho para esse pro- rência sem haver a integração das partes do texto.
fissional está ótimo tanto no Brasil quanto no resto do mundo.
Todas as informações contidas em um texto são distri-
“O cenário para a criação de startups é muito promissor para
buídas e organizadas em seu interior graças ao emprego de
os recém-formados, já que o mercado é muito carente nessa
área.” Meirelles diz que boa parte dos estudantes deseja
certos recursos léxicos e gramaticais (conjunções, preposi-
empreender. “Muitos querem criar uma startup antes de procu- ções, pronomes, pontuação etc.). Esses recursos são utiliza-
rar emprego convencional ou prestar concurso público.” dos em benefício da expressão do sentido e de sua compre-
Empreender é justamente uma das possibilidades futuras do ensão. Vejamos um exemplo:
aluno do nono semestre da UnB Athos Ribeiro. “Penso em Contratei quatro pedreiros; eles vieram esta manhã
fazer mestrado e doutorado mas, ao mesmo tempo, tenho von- para orçar o serviço.
tade de empreender. Hoje, minha única certeza é de que quero
trabalhar com software livre”, garante. Nessa frase, verificamos o uso da forma pronominal
Ribeiro está fazendo estágio há dois meses no laboratório de eles (terceira pessoal do plural) e a flexão verbal vieram. A
software livre da UnB. “Nosso trabalho consiste em contribuir
forma eles vieram faz referência a outro elemento, presente
com a evolução das ferramentas de software. No momento,
na primeira oração (Contratei quatro pedreiros). Sabemos
estamos construindo a Noosfero, uma rede social que está
que a forma pronominal eles refere-se ao sintagma nominal
sendo implantada em alguns órgãos do governo.”
Antes, ele fez estágio em outro laboratório da UnB, onde con- quatro pedreiros.
tribuiu para a implantação de ferramentas de software livre no A esse processo de sequencialização que assegura (ou
Ministério das Comunicações. O estudante diz que optou por torna recuperável) uma ligação linguística significativa entre
essa formação pela vontade de empreender e ver a diferença os elementos que ocorrem na superfície textual damos o
que seu trabalho pode produzir na sociedade. nome de Coesão textual.
Segundo ele, no entanto, sua grande experiência está por vir. Ambos os processos (coerência e coesão) são muito,
“A partir de fevereiro vou estagiar durante um ano no Natio- mas muito importantes mesmo!
nal Institute of Standards and Technology (NIST), nos Estados
Unidos. Vou trabalhar com segurança.” Critérios de textualização
Ele diz que vai aproveitar a oportunidade para levar um sof-
tware brasileiro que a turma da UnB ajudou a desenvolver, que Coesão
é destinado à análise estática de códigos. “O NIST tem um
banco de dados com ferramentas de vários países. Segundo Koch, o conceito de coesão textual diz res-
Mas eles não têm nenhum software livre e nenhum software
peito a todos os processos de sequencialização que assegu-
brasileiro. Vou tentar implantar nosso software lá.”
ram (ou tornam recuperável) uma ligação linguística signifi-
cativa entre os elementos que ocorrem na superfície textual.

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Formas de coesão referencial pronominal: → conclusão: logo, assim, portanto
Endófora (correferência resolvida no plano textual) > → adição: e, bem como, também
pode ser > anáfora (retrospectiva) ou catáfora (prospectiva). → disjunção: ou
Exófora (referência a um elemento contextual, externo → exclusão: nem
ao texto). → comparação: mais do que; menos do que

Operadores Organizacionais:

LÍNGUA PORTUGUESA
Capítulo LXXI
I – de espaço e tempo textual:
O Senão do Livro
→ em primeiro lugar
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele
me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns
→ como veremos
magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai → como vimos
um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepul- → neste ponto
cro, traz certa contracção cadavérica; vício grave, e aliás, ínfimo, → aqui na 1ª parte
porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de → no próximo capítulo
envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração directa e II – metalinguísticos:
nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são → por exemplo
como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, → isto é
resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e → ou seja
caem. → quer dizer
(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas) → por outro lado
→ repetindo
Catáfora e Anáfora → em outras pala­vras
→ com base nisso
As palavras catáfora e anáfora referem-se a dois recur-
sos coesivos que têm por função conectar os elementos pre- Textos exemplificadores de coesão e coerência: O
sentes em uma frase. Show (1) e (2)
Na catáfora, faz-se uso de um termo ou locução ao final
de uma frase para especificar o sentido de outro termo ou
locução anteriormente expresso. Por exemplo, veja a frase O Show (1)
a seguir: O cartaz
O desejo
A viagem resumiu-se nisto: comer, beber e caminhar.
O pai
O dinheiro
No exemplo acima, a forma nisto antecipa as informa-
O ingresso
ções especificadas após os dois-pontos; e, consequente-
O dia
mente, as informações após os dois-pontos especificam o A preparação
sentido do termo anteriormente expresso (nesse caso, nisto). A ida
Já a anáfora é o processo pelo qual um termo gramati- O estádio
cal (principalmente pronomes) retoma a referência a um sin- A multidão
tagma anteriormente usado na mesma frase. A expectativa
→ Comeram, beberam, caminharam e a viagem ficou A música
nisso. A vibração
[nisso = comer, beber e caminhar] A participação
→ Fui à Avenida Paulista no dia do protesto. Lá, fui alve- O fim
jado nas costas. A volta
[lá = Avenida Paulista] O vazio

Formas de coesão sequencial


O Show (2)

Sequenciação parafrástica Sexta-feira Raul viu um cartaz anunciando um show de


Antonio Candido avaliou a obra de Machado de Assis. Milton Nascimento para a próxima terça-feira, dia 04.04.1989,
Por ter sido (a obra) avaliada (por ele, Antonio Candido), a às 21h, no ginásio do Uberlândia Tênis Clube na Getúlio Vargas.
obra foi amplamente difundida e estudada. Por ser fã do cantor, ficou com muita vontade de assistir à apre-
sentação. Chegando a casa, falou com seu pai para comprar o
Equivalência ingresso. Na terça-feira, dia do show, Raul preparou-se, esco-
Antônio Candido avaliou a obra de Machado de Assis. lhendo uma roupa com que ficasse mais à vontade durante o
A obra de Machado de Assis foi avaliada por Antônio evento. Foi para o UTC com um grupo de amigos. Lá havia uma
Candido. multidão em grande expectativa aguardando o início do espetá-
culo, que começou com meia hora de atraso. Mas valeu a pena:
Processos de coesão conectiva a música era da melhor qualidade, fazendo todos vibrarem e par-
Operadores Argumentativos: ticiparem do show. Após o final, Raul voltou para casa com um
→ oposição: mas, porém, contudo vazio no peito pela ausência de todo aquele som, de toda aquela
→ causa: porque, pois, já que alegria contagiante.
→ fim: para, com o propósito de
→ condição: se, a menos que, desde que

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Coerência Podemos afirmar que hoje há um consenso quanto ao
fato de se admitir que todos os textos comungam (dialogam)
A coerência é, sobretudo, uma relação de sentido que se com outros textos; quer dizer, não existem textos que não
manifesta entre os enunciados, em geral de maneira global e mantenham algum aspecto intertextual, pois nenhum texto
não localizada. Observe a distinção entre coesão e coerência: se acha isolado.
coesão é caracterizada pela continuidade baseada na Quando produzimos um texto, sempre fazemos refe-
forma; rência a alguma outra forma de texto (um discurso, um docu-
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

coerência é caracterizada pela continuidade base­ada no mentário, uma reportagem, uma obra literária, uma notícia
sentido. etc.). Em nossa produção ocorre, portanto, a relação de um
texto com outros textos previamente existentes, isto é, efeti-
PILASTRE

Textos vamente produzidos.


Vejamos, em síntese, dois tipos de Intertextualidade
Incoerência aparente (Koch, 1991):

Subi a porta e fechei a escada • intertextualidade explícita: como no caso de cita-


Tirei minhas orações e recitei meus sapatos.
ções, discursos diretos, referências documentadas
Desliguei a cama e deitei-me na luz
Tudo porque
com a fonte, resumos, resenhas. Esse tipo de inter-
Ela me deu um beijo de boa noite... textualidade é utilizado em textos acadêmicos e não
ocorre com frequência em textos dissertativos/argu-
Incoerência narrativa mentativos (em sede de concurso público);

Exemplo 1. • intertextualidade com textos próprios, alheios


ou genéricos: alguém pode muito bem situar-
Havia um menino muito magro que vendia amendoins numa -se numa relação consigo mesmo e aludir a seus
esquina de uma das avenidas de São Paulo. Ele era tão fraqui- textos, bem como citar textos sem autoria especí-
nho, que mal podia carregar a cesta em que estavam os pacoti- fica, como os provérbios.
nhos de amendoim. Um dia, na esquina em que ficava, um moto-
rista, que vinha em alta velocidade, perdeu a direção. O carro
O parágrafo
capotou e ficou de rodas para o ar. O menino não pensou duas
vezes. Correu para o carro e tirou de lá o motorista, que era um
homem corpulento. Carregou-o até a cal­çada, parou um carro e Nesta seção, apresentaremos o parágrafo, o qual será
levou o homem para o hospital. Assim, salvou-lhe a vida. tratado como uma unidade básica de composição. Isso sig-
nifica que podemos estruturar e analisar o texto a partir da
Exemplo 2. medida do parágrafo.

Lá dentro havia uma fumaça formada pela maconha e essa Conceito de parágrafo
fumaça não deixava que nós víssemos qualquer pessoa, pois
ela era muito intensa.
Meu colega foi à cozinha me deixando sozinho, fiquei encostado
Segundo Othon M. Garcia, em sua obra Comunicação
na parede da sala e fiquei observando as pessoas que lá esta- em Prosa Moderna, o parágrafo é uma unidade de compo-
vam. Na festa havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, sição constituída por um ou mais de um período, em que se
pretas, amarelas, altas, baixas etc. desenvolve determinada ideia central, nuclear, à qual se
agregam outras, denominadas secundárias, as quais são
Incoerência argumentativa intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decor-
rentes delas. Vejamos essa lição em uma ilustração:
Se o texto parte da premissa de que todos são iguais
perante a lei, cai na incoerência se defender posteriormente
o privilégio de algumas categorias profissionais não estarem
obrigadas a pagar imposto de renda.
O argumentador pode até defender essas regalias, as não
pode partir da premissa de que todos são iguais perante a lei.

Incoerência descritiva

Vida no Polo Norte: palmeiras, camelos, cactos, estradas


poeirentas e muito calor.

Intertextualidade O parágrafo como unidade de composição

Segundo o Dicionário de análise do discurso, Intertex- Esse conceito de parágrafo aplica-se a um texto padrão,
tualidade é uma propriedade constitutiva de qualquer texto e o regular. Pode haver, a depender do gênero textual, da natu-
conjunto das relações explícitas ou implícitas que um texto ou reza da produção e sua complexidade, diferentes formas de
um grupo de textos determinado mantém com outros textos. organização do parágrafo.

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Estrutura do parágrafo
Forma de produzir o tópico Exemplo
frasal
O parágrafo é materialmente indicado na página pelo
pequeno afastamento da margem esquerda da folha. Essa Declaração inicial: o autor O Estado não é uma ampliação
distinção gráfica do parágrafo é significativa, pois facilita ao afirma ou nega alguma do círculo familiar e, ainda menos,
coisa logo de início. Em uma integração de certos agrupa-
escritor a tarefa de isolar e depois ajustar convenientemente
seguida (no desenvolvi- mentos, de certas vontades par-

LÍNGUA PORTUGUESA
as ideias principais de sua composição, permitindo ao leitor mento), apresenta argu- ticularistas, de que a família é o
acompanhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes mentos para fundamentar a melhor exemplo.
estágios. asserção.
Uma dúvida que surge quando estudamos a composi-
Definição: é método pre- Estilo é a expressão literária de
ção do parágrafo é a sua extensão. Se a produção textual
ferentemente didático e faz ideias ou sentimentos.
trata de um assunto cuja complexidade exige que o desen- uso da linguagem denota-
volvimento de determinada ideia central seja desdobrado tiva.
em mais de um parágrafo, isso é justificado. Do mesmo
modo, essa mesma ideia central (de grande complexidade) Divisão: também é pro- O silogismo divide-se em silo-
cesso didático. Apresenta gismo simples e silogismo com-
pode ser desenvolvida em um único parágrafo, o qual terá
o tópico frasal sob a forma posto.
uma extensão maior em relação à composição com pará- de divisão ou discriminação
grafos desdobrados (divididos). Percebemos, então, que a das ideias a serem desen-
extensão do parágrafo dependerá da natureza de sua ideia volvidas.
central (se complexa ou simples) e do tratamento do escritor
em relação à sua divisão. Em sua redação discursiva, recomendo o uso da decla-
ração inicial, a qual deve ser desenvolvida, preferencial-
O tópico frasal mente, em voz ativa, na ordem direta, na modalidade afir-
mativa e em períodos curtos.
Vejamos, agora, o que caracteriza o tópico frasal e
como o domínio de sua estrutura facilita a análise do pará- 2.5.4. Formas de desenvolvimento do parágrafo
grafo – e, consequentemente, do texto.
O parágrafo organiza-se em introdução, desenvolvi- No desenvolvimento do parágrafo explanamos a
mento e conclusão: ideia principal, apresentada no tópico frasal. Devemos fun-
damentar de maneira clara e convincente as ideias que
a introdução é composta, na maioria dos casos, por defendemos ou expomos. Apresentamos, a seguir, seis
dois períodos curtos iniciais. Nesses períodos, há a expres- formas de desenvolver o parágrafo. É bom que você, estu-
são, de maneira sumária e sucinta, da ideia núcleo – é o dante, conheça cada uma, pois isso proporcionará mais
que chamamos de tópico frasal. Na obra Raízes do Brasil, autonomia em sua leitura.
Sérgio Buarque de Holanda nos apresenta o seguinte tópico
frasal:
Forma de desenvolver o Características
parágrafo
O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda
Enumeração ou descri- Ocorre quando há a especifica-
menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas von-
ção de detalhes ção da ideia-núcleo por meio da
tades particularistas, de que a família é o melhor exemplo.
apresentação de pormenores,
detalhes.
Nele, observamos a declaração sobre o que (não)
Confronto O confronto é caracterizado
caracteriza o Estado. Ao enunciar logo de saída a ideia- quando há o contraste (baseado
-núcleo, o autor garante, por meio do tópico frasal explícito, nas dessemelhanças) e o paralelo
a objetividade, a coerência e a unidade do parágrafo, defi- (baseado nas semelhanças).
nindo-lhe o propósito e evitando digressões impertinentes; Há, ainda, a antítese (oposição
de ideias isoladas) e a analo-
→ no desenvolvimento há a explanação mesma da gia (semelhança entre ideias ou
cosias, procurando explicar o
ideia-núcleo. Não se pode omitir, no desenvolvimento, algo
desconhecido pelo conhecido, o
que foi apresentado no tópico frasal. Também é pertinente
estranho pelo familiar).
não desenvolver novas ideias (secundárias) sem haver cor-
Analogia e comparação A analogia caracteriza-se por
relação direta com a ideia-núcleo; ser uma semelhança parcial que
sugere uma semelhança oculta,
→ a conclusão, dentro do parágrafo, é mais rara, prin- mais completa.
cipalmente nos parágrafos mais curtos e naqueles em que a Na comparação, as semelhanças
ideia central não apresenta maior complexidade. são reais, sensíveis.
Citação de exemplos Pode ser didática, em que a cita-
Após apresentar a estrutura básica do parágrafo, ção de exemplos assume uma
forma de comprovação ou eluci-
vejamos esquematicamente as diferentes maneiras de se
dação.
produzir o tópico frasal:

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Causação e motivação Pode-se apresentar sob a forma (iv) Adição, continuação: Além das locuções adverbiais
de razões e consequências ou além disso, (a)demais, indicadas na coluna à esquerda,
causa e efeito. outrossim, ainda mais, também as conjunções aditivas,
Definição É um método preferentemente ainda por cima, por outro como o nome indica, “ligam,
didático e faz uso da linguagem lado, também – e as conjun- ajuntando”.
denotativa. A definição é feita ções aditivas (e, nem, não
de acordo com o tópico frasal, só... mas também etc.)
BRUNO

(v) Dúvida:
BRUNO PISLASTRE

havendo a natural ampliação que O leitor ao chegar até aqui – se


é típica do desenvolvimento. talvez, provavelmente, pos- é que chegou – talvez já tenha
sivelmente, quiçá, quem adquirido uma ideia da relevân-
PILASTRE

Coesão entre as ideias do parágrafo e entre parágrafos sabe? é provável, não é cia das partículas de transição.
certo, se é que;
Precisamos, agora, juntar as peças, ou seja, reunir os (vi) Certeza, ênfase: Certamente, o autor destas
de certo, por certo, certa- linhas confia demais na paciên-
períodos dentro do parágrafo (intraparagrafal) e os pará-
mente, indubitavelmente, cia do leitor ou duvida demais do
grafos dentro do texto (interparagrafal). Para interligá-las,
inquestionavelmente, sem seu senso crítico.
faz-se uso das partículas de transição e palavras de referên- dúvida, inegavelmente, com
cia. Adotaremos o quadro proposto por Othon M. Garcia, em toda a certeza;
sua obra Comunicação em Prosa Moderna. (vii) Ilustração, esclareci- Essas partículas, ditas “explica-
mento: tivas”, vêm sempre entre vírgu-
Itens de transição e pala- Exemplo por exemplo, isto é, quer las, ou entre uma vírgula e dois-
vras de referência dizer, em outras palavras, -pontos.
(i) Prioridade, relevância: Em primeiro lugar, é preciso ou por outra, a saber;
em primeiro lugar, antes de deixar bem claro que esta série (viii) Propósito, intenção,
mais nada, primeiramente, de exemplos não é completa, finalidade:
acima de tudo, precipua- principalmente no que diz res- com o fim de, a fim de, com
mente, mormente, princi- peito às locuções adverbiais. o propósito de, proposital-
palmente, primordialmente, mente, de propósito, inten-
sobretudo; cionalmente – e as conjun-
(ii) Tempo (frequência, Finalmente, é preciso acrescen- ções finais;
duração, ordem, suces- tar que alguns desses exemplos (ix) Resumo, recapitula- Em suma, leitor: as partículas de
são, anterioridade, poste- se revelam por vezes um pouco ção, conclusão: transição são indispensáveis à
rioridade, simultaneidade, ingênuos. A princípio, nossa em suma, em síntese, coerência entre as ideias e, por-
eventualidade): intenção era omiti-los para não em conclusão, enfim, em tanto, à unidade do texto.
então, enfim, logo, logo alongar este tópico: mas, por resumo, portanto;
depois, imediatamente, fim, nos convencemos de que as (x) Causa e consequência:
logo após, a princípio, ilustrações são frequentemente daí, por consequência, por
pouco antes, pouco depois, mais úteis do que as regrinhas. conseguinte, como resul-
anteriormente, posterior- tado, por isso, por causa
mente, em seguida, afinal, de, em virtude de, assim, de
por fim, finalmente, agora, fato, com efeito – e as con-
atualmente, hoje, frequen- junções causais, conclusi-
temente, constantemente, vas e explicativas;
às vezes, eventualmente, (xi) Contraste, oposição,
por vezes, ocasionalmente, restrição, ressalva:
sempre, raramente, não pelo contrário, em contraste
raro, ao mesmo tempo, com, salvo, exceto, menos
simultaneamente, nesse – e as conjunções adversa-
ínterim, nesse meio tempo, tivas e concessivas;
enquanto isso – e as con- (xii) Referência em geral: Este caso exige ainda esclareci-
junções temporais; os pronomes demonstrati- mentos. Com referência a tempo
vos “este” (o pais próximo), passado (ano, mês, dia, hora)
(iii) Semelhança, compa- No exemplo anterior (valor ana- “aquele” (o mais distante), não se deve empregar este, mas
ração, conformidade: fórico), o pronome demonstra- “esse” (posição intermedi- “esse” ou “aquele”. “Este ano
igualmente, da mesma tivo “desses” serve igualmente ária; o que está perto da choveu muito. Dizem os jornais
forma, assim também, do como partícula de transição: pessoa com quem se fala); que as tempestades e inunda-
mesmo modo, similarmente, é uma palavra de referência à os pronomes pessoais; ções foram muito violentas em
semelhantemente, analo- ideia anteriormente expressa. repetições da mesma pala- certas regiões do Brasil.” (A tran-
gamente, por analogia, de Da mesma forma, a repetição vra, de um sinônimo, perí- sição neste último exemplo se faz
maneira idêntica, de con- de “exemplos” ajuda a interli- frase ou variante sua; os pelo emprego de sinônimos ou
formidade com, de acordo gar os dois trechos. Também o pronomes adjetivos último, equivalentes de palavras ante-
com, segundo, conforme, adjetivo “anterior” funciona como penúltimo, antepenúltimo, riormente expressas (choveu):
sob o mesmo ponto de vista palavra de referência. “Também” anterior, posterior; os nume- tempestades e inundações.)
– e as conjunções compara- expressa aqui semelhança. No rais ordinais (primeiro,
tivas; exemplo seguinte (valor catafó- segundo etc.).
rico), indica adição.

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Tipos de frases Organização tópica

A denominação elegância nos dá a ideia de bom gosto, Veremos, nesta seção, as formas de se organizar o
garbo. A frase bem construída pode passar essa impressão. tópico discursivo.
Mas a sua construção deve ter estilo, algo que individualiza No texto escrito, é necessário um processo enuncia-
a obra criada. Nas palavras de Othon M. Garcia, estilo é a tivo mais calculado, na base de suposições sociocognitivas

LÍNGUA PORTUGUESA
forma pessoal de expressão em que os elementos afetivos e planejamento de maior alcance. Assim, deve haver uma
manipulam e catalisam os elementos lógicos presentes em distribuição calculada (planejada) da informação na frase.
toda atividade do espírito, nesse caso a escritura de frases. Vejamos, então, quais são os componentes informacionais
Na importante obra Comunicação em prosa moderna, da frase:
o autor supracitado enumera algumas estruturas frasais que,
se bem utilizadas, podem ser apresentadas com garbo, ele- → tema: traz a informação sobre a qual é falado, ou
gância. seja, a informação dada;
As principais modalidades estilísticas frasais são as → rema: traz o que se diz sobre o tema, conhecida
seguintes: como informação nova.

a) Frase de arrastão: sequência cronológica de O tema (também chamado tópico ou dado) traz a
co­ordenações, arrastando a ideia, pormenorizando o pensa- informação dada ou relativamente conhecida e o rema traz a
mento. São muito utilizadas na linguagem infantil e empre- informação relativamente nova ou desconhecida, tendo em
gadas por autores contemporâneos para denunciar uma vista o caráter informacional do fluxo comunicativo.
humanidade que perdeu a ca­pacidade de hierarquizar ideias, Apresentaremos, nas subseções seguintes (de 2.6.1.
imitando o homem medieval, que tinha dificuldades em cons- a 2.6.5.), cinco estruturas básicas de progressão (ou seja,
truir perío­dos subordinados. Leia-se o exemplo: a relação entre o tema e o rema na construção textual
→ O julgamento iniciou e juiz deu a palavra ao advo- mediante o fluxo da informação). O domínio desses esque-
gado e este apresentou sua tese com entusiasmo, mas os mas (estruturas) por parte do escritor é fundamental para a
jurados não aceitaram a legítima defesa e condenaram o réu. articulação eficaz das ideias no texto.
Por fim, lembramos que não há predomínio absoluto de
b) Frase de ladainha: é a variante da frase de arras­tão, uma forma de progressão (sequenciação) em um texto. No
sendo construída com excesso de polissíndeto da conjun- geral, as formas de progressão aparecem misturadas com o
ção e, sem, no entanto, dar à frase tom retórico de gradação predomínio (não absoluto) de uma dessas formas.
(crescente ou decrescente). Em síntese, devemos ter em mente que, em relação ao
assunto Organização tópica, os textos progridem em suas
c) Frase entre cortada: também chamada de frase subunidades de maneira ordenada e não caótica.
esportiva, é muito curta. Em excesso, esta cons­trução usada
como recurso estilístico literário para apontar a incapacidade Progressão linear simples
de o homem pensar, torna­-se estilo picadinho, impróprio ao
discurso jurídico. Vejamos:
→ O réu entrou na sala. Estava abatido. Sentou-se.
Colo­cando as mãos na cabeça. Ela estava abaixada. Ele
parecia desanimado. Ele previa o resultado adverso. Ele
esperava a condenação.

d) Frase fragmentária: variante da frase entrecor­tada,


apresentava rupturas na construção frásica, com incomple-
tude sintática.
Exemplo de Progressão linear simples:
→ Condenado o réu, será encaminhado a presídio de
A fonologia estuda os fonemas de uma língua. Os fonemas
segurança máxima. são as unidades componenciais mínimas de qualquer sistema
linguístico. Todo sistema linguístico tem pelo menos entre vinte e
e) Frase labiríntica: é o excesso de subordinações, sessenta sons. Estes sons...
dividindo-se a frase em ideias secundárias que, por sua vez.
Também se partem, afastando-se da ideia nuclear. Vejamos: Progressão com um tema contínuo
→ O Direito é a aplicação da lei que é imperativa, não
convidando seus subordinados a obedecer a ela, por exigir
seu acatamento, sendo a norma jurídica à vontade do orde-
namento jurídico.

f) Frase caótica: também apelidada de fluxo do cons­


ciente, da linha psicanalítica. É a estrutura frásica desorga-
nizada, sem logicidade semântico-sintática, bastante empre-
gada na literatura contemporânea.

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Exemplo de Progressão com um tema contínuo: Resumo de textos
Os seres vivos habitam a Terra há milhares de anos. Seres
vivos ainda não foram encontrados em outros planetas. Eles são Segundo a NBR 6028:2003, resumo é uma “apresenta­
uma forma superior de seres na natureza, mas estão ameaçados ção concisa dos pontos relevantes de um documento”. Uma
de desaparecer com o aumento da poluição humana. apresentação sucinta, compacta, dos pontos mais importan­
tes de um texto.
Progressão com tema derivado (temas que são deri- ou
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

vados por hipertema) Resumo é uma apresentação sintética e seletiva das


ideias de um texto, ressaltando a progressão e a articulação
delas. Nele devem aparecer as ideias principais do autor
PILASTRE

do texto.
O resumo abrevia o tempo dos pesquisadores; difunde
informações de tal modo que pode influenciar e estimular a
consulta do texto completo.
Formalmente, o redator do resumo deve atentar para
alguns procedimentos:
→ ser redigido em linguagem objetiva;
→ evitar a repetição de frases inteiras do original;
Exemplo de Progressão com tema derivado: → respeitar a ordem em que as ideias ou fatos são
Os animais dividem-se em várias classes. Os animais ver-
apresentados;
tebrados são em geral os maiores fora d’água. Os animais mari-
nhos são os maiores de todos. Já os insetos são os menores
animais que a natureza tem. Finalmente, o resumo:
→ não deve apresentar juízo de valorativo ou crítico
Progressão com um rema dividido (desenvolvimento (que pertence a outro tipo de texto, a resenha);
com um duplo tema ou múltiplo) → deve ser compreensível por si mesmo, isto é, dis­
pensar a consulta ao original.

Como resumir:
→ Leitura completa do texto;
→ Análise do texto, sublinhando as partes mais impor­
tantes;
→ Elaborar um esquema das ideias principais do texto;
→ Produzir texto com suas próprias palavras. Não
copiar.

Exemplo:
Exemplo de Progressão com um rema dividido: Informação central x Detalhes referentes a ela.
O corpo humano divide-se em cabeça, tronco e membros.
A cabeça é uma parte muito especial por abrigar o cérebro. O
tronco abriga a maioria dos órgãos vitais. Os membros servem Como ocorre todos os anos, os amigos de Maria, fun­cionária de
para nosso contato com as coisas e manipulação direta dos obje- uma importante firma, fizeram, na sala do gerente de vendas,
tos à nossa volta. uma grande festa durante a tarde de ontem, em comemoração
a seu aniversário.
Progressão com salto temático
Eliminar, quando não for uma informação fundamental:
→ Características de Maria;
→ Referência de lugar;
→ Referência de tempo;
→ Causa do fato;
→ Frequência.

Resultado:
→ Os amigos de Maria fizeram uma grande festa para
ela.
Exemplo de Progressão com salto temático:
A polícia militar nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo Resumo de ideias
foram mostradas em sua verdadeira face nos últimos dias de
junho deste ano. Nesta época, viu-se algo profundamente depri- Ideia central → Encontra-se na Introdução.
mente. Conta-se que há muitos anos atrás, quando ainda havia Argumentos (somente os mais importantes, principais).
escravidão, qualquer coisa que desagradasse ao senhor era tra- → Em cada parágrafo deve haver um argumento. Você
tada com violência e espancamento.
deverá encontrá-lo.
→ Eliminar ideias secundárias e exemplificações.

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Assim, o resumo é uma condensação fiel das ideias Paráfrases e suas modalidades
ou dos fatos contidos no texto. Resumir um texto significa
reduzi­-lo ao seu esqueleto essencial sem perder de vista Em linguística, a paráfrase é uma maneira diferente de
três ele­mentos: dizer algo que foi dito; é uma frase sinônima de outra. Quando
→ Cada uma das partes essenciais do texto; parafraseamos, reescrevemos reservando as ideias originais.
→ A progressão em que elas se sucedem; A paráfrase pode ser feita por:
→ A correlação que o texto estabelece entre cada uma

LÍNGUA PORTUGUESA
dessas partes. a) Substituição lexical (relações de sinonímia):
→ Embora dissesse a verdade, ninguém acreditou em
Variação linguística: sistema, norma e uso seu discurso.
→ Conquanto dissesse a verdade, ninguém acreditou
(Baseado na obra de CAMACHO, R. A variação lin- em seu discurso.
guística. In: Subsídios à proposta curricular de língua Portu-
guesa para o ensino fundamental e médio. São Paulo, 1988.
b) Inversão dos termos da oração ou das orações do
(Com adaptações))
período:
→ Grande parte de nossas vidas transcorre em salas
A variação de uma língua é a forma pela qual ela difere
de aula.
de outras formas da linguagem sistemática e coerente-
→ Em salas de aula, grande parte de nossas vidas trans-
mente. Uma nação apresenta diversos traços de identifica-
corre.
ção, e um deles é a língua. Esta pode variar de acordo com
alguns fatores, tais como o tempo, o espaço, o nível cultural → Irei ao México quando me formar.
e a situação em que um indivíduo se manifesta verbalmente. → Quando me formar, irei ao México.

Conceito c) Transposição da voz ativa para a voz passiva e vice-


-versa:
Variedade é um conceito maior do que estilo de prosa → Walter Sousa elogiou a obra de Machado de Assis.
ou estilo de linguagem. Alguns escritores de sociolinguística → A obra de Machado de Assis foi elogiada por Walter
usam o termo leto, aparentemente um processo de criação Sousa.
de palavras para termos específicos, são exemplos dessas
variações: d) Transposição do discurso direto para o discurso indi-
→ Dialetos (variação diatópica), isto é, variações fala- reto e vice-versa:
das por comunidades geograficamente defi­nidas. → O aluno disse:
→ Idioma é um termo intermediário na distinção dia­leto- - Estou com dúvida, professor.
linguagem e é usado para se referir ao sistema comunicativo → O aluno disse ao professor que estava com dúvida.
estudado (que poderia ser chamado tanto de um dialeto ou
uma linguagem) quando sua condição em relação a esta dis- e) Substituição da oração adverbial, substantiva ou adje-
tinção é irrelevante (sendo, portanto, um sinônimo para lin- tiva pelas classes gramaticais correspondentes ou vice-versa:
guagem num sentido mais geral). → A moça escorregou porque ventava. (oração adver-
→ Socioletos, isto é, variações faladas por comu­ bial causal)
nidades socialmente definidas. → A moça escorregou por causa do vento. (locução
→ Linguagem Padrão ou norma padrão, padroni­zada adverbial causal)
em função da comunicação pública e da edu­cação. → Desejo que você silencie. (oração substantiva)
→ Idioletos, isto é, uma variação particular a certa → Desejo o seu silêncio. (substantivo)
pessoa. → Ela é uma pessoa que tem convicções. (oração adje-
→ Registros (ou diátipos), isto é, o vocabulário espe- tiva)
cializado e/ou a gramática de certas atividades ou profissões.
→ Ela é uma pessoa convicta. (adjetivo)
→ Etnoletos, para um grupo étnico.
d) Substituição de orações desenvolvidas por reduzidas
Variações como dialetos, idioletos e socioletos podem
e vice-versa:
ser distinguidas não apenas por seu vocabulário, mas
→ É importante que o trabalho seja prosseguido.
também por diferenças na gramática, na fonologia e na ver-
(oração desenvolvida)
sificação. Por exemplo, o sotaque de palavras tonais nas lín-
guas escandinavas tem forma diferente em muitos dialetos. → É importante prosseguir o trabalho. (oração reduzida)
Outro exemplo é como palavras estrangeiras em diferentes
socioletos variam em seu grau de adaptação à fonologia Perífrases e construções perifrásticas (Circunlóquio)
básica da linguagem.
Certos registros profissionais, como o chamado legalês, A perífrase é definida como uma frase ou recurso verbal
mostram uma variação na gramática da linguagem padrão. que exprime aquilo que poderia ser expresso por menor
Por exemplo, jornalistas ou advogados ingleses frequente- número de palavras; circunlóquio. Temos, por exemplo, as
mente usam modos gramaticais, como o modo subjuntivo, seguintes expressões para ilustrar o que é uma perífrase.
que não são mais usados com frequência por outros falan- → “A última flor de Lácio” – Língua Portuguesa.
tes. Muitos registros são simplesmente um conjunto espe- → “O país do Futebol” – Brasil.
cializado de termos. → “A dama do teatro brasileiro” – Fernanda Montenegro.

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→ “Bruxo do Cosme Velho” – Machado de Assis. reflete uma visão de mundo determinada, necessariamente,
vinculada à do(s) seu(s) autor(es) e às sociedade em que
A análise do discurso vive(m).
Texto, por sua vez, é o produto da atividade discur-
Análise do discurso – ou análise de discurso – é uma siva, o objeto empírico de análise do discurso; é a constru-
prática e um campo da linguística e da comunicação espe- ção sobre a qual se debruça o analista para buscar, em sua
cializado em analisar construções ideológicas presentes em superfície, as marcas que guiam a investigação científica. É
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

um texto. É muito utilizada, por exemplo, para analisar textos necessário salientar, porém, que o objeto da análise do dis-
da mídia e as ideologias que os engendram. A análise do curso é o discurso.
discurso é proposta a partir da filosofia materialista, que põe (CHARAUDEAU, P; MAINGUENEAU, D.
PILASTRE

Dicionário de Análise do Discurso. São Paulo: Contexto, 2004.)


em questão a prática das ciências humanas e a divisão do
trabalho intelectual, de forma reflexiva.
Vícios de linguagem
De acordo uma das leituras possíveis, discurso é a prá-
tica social de produção de textos. Isto significa que todo dis-
Por Vícios de linguagem entende-se: os desvios
curso é uma construção social, não individual, e que só pode
cometidos pelos usuários da língua, às vezes por desconhe-
ser analisado considerando seu contexto histórico-social,
cimento das normas ou por descuido. Entre os vícios de lin-
suas condições de produção; significa, ainda, que o discurso
guagem, cabe menção aos seguintes (cf. Bechara, 2009):

Nome Conceituação Exemplo


O solecismo é um erro de sintaxe. Abrange diversos Eu lhe abracei (por o).
domínios: a concordância, a regência, a colocação e
Solecismo a má estruturação dos termos da oração. Esse erro, A gente vamos (por vai).
comumente, torna a sintaxe incompreensível ou impre-
cisa. Tu fostes (por foste).
Em oposição ao solecismo (que diz respeito à constru- gratuíto por gratuito
ção ou combinação da palavra), o barbarismo é o erro
no emprego de uma palavra. Inclui erro de: pronúncia rúbrica por rubrica
Barbarismo (ortoepia), de prosódia, de ortografia, de flexões, de sig-
nificado, de palavras inexistentes na língua, de forma- cidadões por cidadãos
ção irregular de palavras.
areonáutica por aeronáutica
Caracteriza-se pelo emprego de palavras, expressões doméstico (voo) por nacional
e construções alheias ao idioma que a ele chegam por
empréstimos tomados de outra língua. Para nós, brasi- marketing
Estrangeirismo leiros, os estrangeirismos de maior frequência são os
francesismos ou galicismos, anglicismos, espanho- entretenimento
lismos e italianismos.
adágio

aquarela
Ambiguidade é a propriedade que apresentam diversas O homem bateu na velha com a bengala.
unidades linguísticas (morfemas, palavras, locuções,
frases) de significar coisas diferentes, de admitir mais O guarda conduziu a idosa para sua residência.
de uma leitura. A ambiguidade é um fenômeno muito
frequente, mas, na maioria dos casos, os contextos lin- O cadáver foi encontrado perto do banco.
Ambiguidade ou anfibologia guístico e situacional indicam qual a interpretação cor-
reta.
Estilisticamente, é indesejável em texto científico ou
informativo, mas é muito usado na linguagem poética
e no humorismo.
Eco É a sucessão de palavras que rimam entre si. Não dão explicação para a demissão do João.

A estilística Assim como é variável na abrangência do conceito de


estilo, variável há de ser a própria concepção de Estilística.
Para compreender bem a estilística, recorreremos à mais Há, de fato, uma estilística em sentido amplo e uma estilística
recente obra de José Carlos de Azeredo, Gramática Houaiss em sentido restrito. Em sua acepção ampla, entende-se por
da Língua Portuguesa (PubliFolha, 2008). Estilística o estudo dos diferentes usos – isto é, estilos – da
Segundo o autor, a estilística pode ser considerada uma língua segundo a situação e a finalidade do ato comunicativo;
teoria da construção do sentido, na medida em que se baseia
Assim entendida, trata-se de uma disciplina que consiste em
na premissa de que o que um texto significa é modelado pelas
um método de análise de textos e pode ser considerada uma
escolhas linguísticas – de ordem léxica, gramática, fonética,
variedade de Análise do Discurso.
gráfica e rítmica – feitas por seu enunciador.

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Recursos estilísticos Figuras de palavras

Todo texto deve apresentar a forma que convém às As figuras de palavras (ou tropos) referem-se à signi-
intenções de quem o enuncia. Segundo este postulado, a ficação das palavras, desviando-se da significação que o
linguagem de um texto não é uma mera roupagem de um consenso identifica como normal.
conteúdo, mas a única possibilidade de que esse conteúdo

LÍNGUA PORTUGUESA
‘se apresente’ ao leitor. E para tanto contribuem todos os Figuras de sintaxe
dados do evento sociocomunicativo: quem enuncia, a quem
o enunciado interessa, o que é relevante dizer, que efeitos O desvio estilístico nas figuras de sintaxe ocorre na
de sentido são pretendidos, que estratégias discursivas e organização sintática da frase.
textuais podem conduzir a esses efeitos. Isso provoca uma
variação da modalidade da linguagem, em consonância Figuras de pensamento
com as funções que a ela atribuímos no processo de comu-
nicação. O desvio se dá no sentido geral da frase, no entendi-
É necessário compreender que os valores afetivos e mento total da mensagem. Essas figuras manifestam seu
estéticos da linguagem são realçados em função de certos rendimento no desacordo da relação de verdade entre o
procedimentos de organização da matéria verbal que a que se diz literalmente e a realidade da qual se fala. Assim,
caracterizam. Esses procedimentos – denominados recur- é fundamental o conhecimento do referente, para a perfeita
sos (ou traços) estilísticos - se observam em todos os apreensão do sentido que se pretende atribuir ao enun-
planos e níveis da arquitetura da língua. São recursos fôni- ciado.
cos, arranjos sintáticos, modulações rítmicas, criações mór-
ficas, combinações insólitas, paralelismos, notações gráfi- Figuras fônicas
cas etc. Todos esses, além de outros, recursos de estilo
amplificam o sentido da frase, fazem o ‘modo de dizer’ a O desvio ocorre na organização da camada sonora da
pedra de toque de todo o processo de interpretação e com- linguagem, explorando o potencial expressivo dos fonemas.
preensão de um texto. Os sons da linguagem, assim como outros sons,
podem provocar sensações agradáveis ou desagradáveis.
Figuras de linguagem Não é por outra razão que Charles Bally afirma a existência
de “uma correspondência entre os sentimentos e os efeitos
Podemos definir figuras de linguagem como formas sensoriais produzidos pela linguagem”.
simbólicas ou elaboradas de exprimir ideias, significados,
pensamentos etc., de maneira a conferir-lhes maior expres- Artigos e textos diversos
sividade, emoção, simbolismo etc., no âmbito da afetividade
ou da estética da linguagem. Portanto, é interessante ter Os textos a seguir são produções de minha autoria.
em mente que as figuras de linguagem não valem por si Neles, vocês poderão ter acesso a informações/orientações
mesmas, como elementos autônomos sem qualquer rela- relacionadas à área de concurso público. Boa leitura!
ção com a semântica do texto. [...] Como as palavras, as
figuras de linguagem não significam isoladas, independen-
Saramago e atualidades
tes; sua significação emana das combinações de que elas
participam nos contextos situacional e linguístico de sua Em provas de concurso público quase não se percebe a impor-
ocorrência. Como elas estão inseridas na macrossemântica tância (o valor, a relevância) da literatura. Com o recente faleci-
do texto, sua capacidade de expressar uma significação mento do escritor José Saramago, o papel das obras literárias
não depende só delas, o que torna inócuo o seu inventá- nos certames retorna à cena, devendo ser discutido.
rio, o seu mero reconhecimento sem que se tenha a devida Considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento inter-
nacional da prosa em Língua Portuguesa, José Saramago nos
competência linguística para perceber a sua funcionalidade
fala sobre a atualidade de modo muito particular. O seu texto,
no amplo complexo da textualidade. Desse modo, é preciso pautado no estilo oral, gera certo desconforto à primeira leitura.
ver a terminologia que as identifica – e que a muitas pes- A utilização de frases e períodos longos, não seguindo a pontua-
soas causa justificado desconforto, quando não perplexi- ção tradicional - bem como seus parágrafos, os quais ocupariam
dade ou rejeição – um instrumental para o reconhecimento capítulos inteiros de outros autores -, destoa do tradicional.
técnico do fato estilístico, e não o objetivo da análise. A temática de suas obras também é rica e diversa. No entanto,
As figuras de linguagem podem atuar a área da há um elemento regular na obra de Saramago, a historicidade.
Ao resgatar episódios fundamentais da história portuguesa, re-
semântica lexical, da construção gramatical, da associação
-criando mundos em seus livros, relativiza os critérios de histori-
cognitiva do pensamento ou da camada fônica da lingua- cidade. E aqui a relação temporal/atemporal se faz presente. A
gem. Assim, temos o que tradicionalmente se denomina de história, temporal e marcada, é trabalhada em textos com temá-
figuras de palavras, figuras de construção (ou de sintaxe), ticas atemporais, revelando o caráter cíclico de diversas ações
figuras de pensamento e figuras fônicas. Dicionários de arte humanas.
poética e manuais de retórica dão conta da grande varie- Esses elementos possibilitam uma diversidade de questões a
dade dessas figuras, às vezes apartadas por diferenças serem cobradas em provas de concursos.
sutis.

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Primeiramente, em relação à Língua Portuguesa, não há dúvida 9. No trecho “os seus astrônomos comissários apercebidos de
de que o trabalho inovador de José Saramago permite uma sorte luxuosos instrumentos” (R.16-17), o vocábulo “apercebidos” tem
de questões relacionadas a: pontuação; reescritura de textos; o sentido de providos.
tipologia textual; estrutura do parágrafo; e, claro, compreensão e 10. Como a oração “E do amanho (...) portentosa” (R.8-13)
interpretação de textos. expressa uma explicação do termo “terra” (R.12), o autor do texto
Além da Língua Portuguesa, o aspecto histórico da obra do autor poderia ter optado pelo emprego da vírgula após esse termo.
português autoriza a elaboração de questões de atualidade. O 11. No período “Regulavam as culturas; poliam as gentes; aformo-
BRUNO

seavam a terra” (R.21-22), o sujeito das orações é indeterminado.


BRUNO PISLASTRE

caráter temporal de seus textos permite frutíferas ligações com


a nossa realidade contemporânea, justamente por ser a história
(FUNIVERSA PCDF 2008)
cíclica.
Texto II, para responder às questões de 13 a 15.
PILASTRE

Esses elementos possibilitam uma diversidade de questões,


Porque num exército que persegue há o mesmo automatismo
mas não necessariamente serão cobrados. As bancas são tradi-
impulsivo dos exércitos que fogem. O pânico e a bravura doida,
cionais e não há grandes possibilidades de algum texto de Sara-
o extremo pavor e a audácia extrema, confundem-se no mesmo
mago estar presente nos próximos certames. Procura-se, neste aspecto. O mesmo estonteamento e o mesmo tropear precipitado
artigo, demonstrar o potencial da literatura – e sua importância entre os maiores obstáculos, e a mesma vertigem, e a mesma
– nos concursos públicos. nevrose torturante abalando as fileiras, e a mesma ansiedade
Analisando provas anteriores, percebe-se a presença de auto- dolorosa, estimulam e alucinam com idêntico vigor o homem que
res canônicos da literatura brasileira – principalmente após início foge à morte e o homem que quer matar. É que um exército é,
do século XX. Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Guimarães antes de tudo, uma multidão, “acervo de elementos heterogêneos
Rosa e Machado de Assis são sempre autores em potencial. em que basta irromper uma centelha de paixão para determi-
Textos desses escritores já foram utilizados em diversas provas. nar súbita metamorfose, numa espécie de geração espontânea
Para ilustrar a maneira como o texto literário pode ser cobrado, em virtude da qual milhares de indivíduos diversos se fazem um
estas duas provas serão exemplares. As provas – CESPE 2008 animal único, fera anônima e monstruosa caminhando para dado
e FUNIVERSA 2008 – selecionaram talvez o autor mais traba- objetivo com finalidade irresistível”. Somente a fortaleza moral de
lhado em provas de concurso, Euclides da Cunha. um chefe pode obstar esta transfiguração deplorável, descendo,
lúcida e inflexível, impondo uma diretriz em que se retifique o
(CESPE MMA 2008) tumulto. Os grandes estrategistas têm, instintivamente, compre-
Tal é o rio [Amazonas]; tal a sua história: revolta, desordenada, endido que a primeira vitória a alcançar nas guerras está no debe-
incompleta. lar esse contágio de emoções violentas e essa instabilidade de
sentimentos que com a mesma intensidade lançam o combatente
A Amazônia selvagem sempre teve o dom de impressionar a
nos mais sérios perigos e na fuga.
civilização distante. Desde os primeiros tempos da Colônia, as
Euclides da Cunha. Os Sertões. 39.ª ed. Rio de Janeiro:
mais imponentes expedições e solenes visitas pastorais ruma-
Francisco Alves, 1997.
vam de preferência às suas plagas desconhecidas. Para lá os
mais veneráveis bispos, os mais garbosos capitães-generais, QUESTÃO 13
os mais lúcidos cientistas. E do amanho do solo que se tentou Assinale a alternativa que apresenta reescritura gramaticalmente
afeiçoar a exóticas especiarias, à cultura do aborígine que se correta do fragmento “Somente a fortaleza moral (...) se retifique
procurou erguer aos mais altos destinos, a metrópole longínqua o tumulto.” (linhas de 15 a 18), sem alteração do sentido original.
demasiara-se em desvelos à terra que sobre todas lhe compen- (A) Apenas a fortaleza moral do chefe pode deter esta transfigu-
saria o perdimento da Índia portentosa. ração deplorável, descendo, lúcida e inflexível, impondo diretrizes
Esforços vãos. As partidas demarcadoras, as missões em que se retifique o tumulto.
apostólicas, as viagens governamentais, com as suas frotas de (B) Somente a fortaleza moral de um chefe pode obstar esta trans-
centenas de canoas, e os seus astrônomos comissários aperce- figuração deplorável, descendo, lúcida e rígida, impondo diretrizes
bidos de luxuosos instrumentos, e os seus prelados, e os seus em que se retifiquem o tumulto.
guerreiros, chegavam, intermitentemente, àqueles rincões soli- (C) Somente a fortaleza moral de um chefe pode obstar esta trans-
tários e armavam rapidamente no altiplano das “barreiras” as figuração deplorável, lúcida e inflexível, descendo e impondo uma
tendas suntuosas da civilização em viagem. Regulavam as cul- diretriz em que se retifique o tumulto.
turas; poliam as gentes; aformoseavam a terra. (D) Somente a força moral de um chefe pode dificultar esta transfi-
Prosseguiam a outros pontos, ou voltavam — e as guração deplorável, descendo, lúcida e inflexível, impondo diretriz
malocas, num momento transfiguradas, decaíam de chofre, 25 que retifique o tumulto.
volvendo à bruteza original. (E) Apenas a fortaleza moral de um chefe pode obstar esta deplo-
rável transfiguração, descendo, lúcida e inflexível, impondo uma
Euclides da Cunha. À margem da história.
diretriz em que o tumulto seja retificado.
Obra Completa, v. 1, p. 256 (com adaptações).
QUESTÃO 14
Em relação ao texto II, assinale a alternativa correta.
Com relação ao texto acima, julgue os seguintes itens.
(A) É incorreto o uso da vírgula depois de “audácia extrema”
(linha 3), pois esse sintagma é sujeito do verbo “confundem-se”
6. De acordo com o texto, impressionados com a região ama-
(linha 4).
zônica, representantes da Igreja, do Estado e da Ciência tenta-
(B) Na linha 3, “o extremo pavor e a audácia extrema” é aposto
ram dominar a terra e a cultura indígena, mas não foram bem-
do sintagma “O pânico e a bravura doida” (linhas 2 e 3).
-sucedidos.
(C) Na linha 4, a palavra “se” é partícula apassivadora.
7. Segundo o texto, a história do rio Amazonas é incompleta,
(D) Manter-se-ia o mesmo sentido da estrutura original, caso o
porque a natureza é indomável, apesar dos esforços da “civili-
advérbio “Somente” (linha 15) fosse posposto ao verbo “obstar”
zação em viagem” (R.20-21) representada por missões apostóli-
(linha 16).
cas, por expedições governamentais e por cientistas.
(E) Não são de mesma natureza sintática as expressões “o
8. No segundo parágrafo, “suas” (R.6) refere-se a “Colônia” (R.5)
extremo pavor e a audácia extrema” (linha 3) e “‘acervo de ele-
e “lá” (R.7), ao “rio [Amazonas]” (R.1).
mentos heterogêneos (...) irresistível’” (linhas de 10 a 15).

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QUESTÃO 15
Observe que o índice de retenção do conhecimento é de 85% quando
De acordo com as relações argumentativas e construtivas do texto
ensinamos. A prática de exercícios (75%), aliada ao ensino, poten-
II, assinale a alternativa correta.
cializa sobremaneira a nossa aprendizagem. Observe, também,
(A) O sentido proposto pelo sintagma “automatismo impulsivo”
que o índice de conhecimento retido é relativamente baixo quando
(linha 2) relaciona-se exclusivamente, no aspecto semântico, com
apenas assistimos a uma palestra (aula) e lemos (conquanto sejam
o pânico que se observa tanto no exército que persegue quanto
atividades importantíssimas e indispensáveis).

LÍNGUA PORTUGUESA
nos exércitos que fogem.
(B) Quando o autor diz que “um exército é (...) uma multidão”
E então, prontos para formarem grupos de estudo? Espero que sim!
(linhas 9 e 10), ele se refere principalmente ao número de pessoas
que há tanto nesta quanto naquele.
(C) O que caracteriza um exército, tanto no ataque quanto na fuga, As contribuições da linguística para a avaliação em concur-
é o domínio das emoções que lhes organiza as fileiras. sos públicos
(D) A significação do sintagma nominal “uma diretriz em que se reti-
fique o tumulto” (linhas 17 e 18), objeto direto do verbo “impondo” Qual é o papel dos conhecimentos teóricos advindos dos
(linha 17), aponta para a organização que corrige a desordem nas estudos acadêmicos no processo de avaliação em concursos
guerras. públicos? Para ser mais específico, qual é influência da linguística
(E) O sintagma “lúcida e inflexível” (linha 17) concorda anaforica- na elaboração de provas de concurso público? Para responder a
mente com o sintagma “transfiguração deplorável” (linhas 16 e 17). essas perguntas, faz-se necessário esboçar um panorama dos
estudos sobre o fenômeno da linguagem.
Os primeiros estudos sobre linguagem originam-se em
Técnicas e Estratégias de estudo – Professor Bruno Pilastre. Panini, no século IV a.C. Esse autor elaborou quatro mil estro-
fes, ou “Sutras”, as quais relatam, de maneira resumida e sim-
Proporei, neste texto, uma atividade para melhorar o seu desem- bólica, os fenômenos linguísticos do sânscrito. O objetivo central
penho, candidato(a), nos estudos para concursos públicos. A ativi- desta obra era preservar a língua, salvá-la das variações, pois
dade será denominada Aprenda ensinando. os deuses se sentiriam ofendidos caso a linguagem não fosse
Sempre orientei meus alunos a formarem grupos de estudo. Sim, “pura”.
o seu colega pode ser o seu apoio, ser um aliado. Além de apren- Os gregos e os latinos também participaram desse pro-
der com ele, você pode ensiná-lo – e esse é o ponto central de cesso. Os primeiros centravam-se na filosofia, na lógica. O foco
nossa técnica. eram os elementos do discurso, a estrutura da gramática. A figura
Imagine a seguinte situação: um grupo de estudos é formado por central desses estudos é Dionísio de Trácia, no século II a.C.
quatro alunos. Alternadamente, cada um dos integrantes é, a cada A proposta era diferenciar ‘certo’ do ‘errado’, impondo o dialeto
dia da semana, um “professor” de determinado conteúdo. Para ático. De modo semelhante, os latinos - século II a.C - trabalha-
conduzir a “aula” (sim, exposição oral, semelhante a um profes- ram a noção de correção, impondo a maneira “correta” de se
sor), o aluno teria de elaborar um material (espécie de plano de expressar.
aula), com os principais tópicos da matéria. Além disso, proporia Após um grande caminho nos estudos linguísticos o grande
exercícios e resolução de questões anteriores. Esse aluno seria nome da linguística, o suíço Ferdinand de Saussure (primeira
o condutor da atividade, abrindo espaço, sempre que possível, a metade do século XX), revoluciona o estudo dos fenômenos lin-
contribuições e dúvidas dos colegas. Imaginaram essa situação? guísticos, formando as bases para o estudo científico da lingua-
Eu asseguro que, após essa atividade, o aluno “professor” dificil- gem.
mente se esquecerá do conteúdo ministrado. E os colegas farão A partir dessa revolução surgem as escolas linguísticas,
o mesmo (serão professores), em momento oportuno, de acordo cada uma contribuindo com novas pesquisas e descobertas. As
com a organização do grupo. principais escolas são:
Sugiro a seguinte organização para a atividade, a qual é flexível:
Estruturalismo: pauta-se na descrição das estruturas lin-
Cada aluno do grupo deve alternar as disciplinas ministradas, guísticas. Percebe-se, nos estudos estruturalistas, que não há
apenas uma língua, mas várias.
procurando diversificá-las (1ª semana, Gramática; 2ª semana,
Gerativismo: representa a capacidade linguística humana
Direito Administrativo; 3ª semana, Informática; e assim suces-
por meio de um sistema formalizado de regras, ditas universais.
sivamente).
Funcionalismo: função de comunicação é central. As rela-
As disciplinas da semana também devem ser alternadas, evitando
ções entre semântica, sintaxe e pragmática são destacadas.
repeti-las.

Após apresentação do desenvolvimento dos estudos sobre


Baseio-me, nesta atividade, na teoria de Edgar Dale (1969), o qual
linguagem, é importante pensar sobre o histórico do processo
propõe a seguinte pirâmide de aprendizagem:
avaliativo em provas de concursos públicos. Fazer uma divisão
entre os anos 80 e os anos 90/2000 pode evidenciar, por con-
traste, as contribuições dos estudos linguístico para esse pro-
cesso.
Nos anos 80 as provas eram centradas no conceito de cor-
reção gramatical. Julgavam-se, predominantemente, itens com
construções incorretas. Havia grande ênfase em ortografia e
acentuação. As frases avaliadas eram descontextualizadas, fora
do seu ambiente natural, o texto.
Nos anos 90/2000, por outro lado, inicia-se uma nova
maneira de cobrar o conteúdo de Língua Portuguesa. Frases e
palavras passam a ser analisadas de maneira contextualizada,
com foco na reescritura, na análise linguística direcionada à com-
preensão textual, devendo o candidato observar os valores de
verbos, nomes, preposições, conjunções e pronomes.

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A linguística nas provas de concursos públicos Como diz o autor na Explicação necessária, “a pensar com efi-
cácia e objetividade, e a escrever sem a obsessão do purismo
É possível perceber, portanto, grande influência da linguística gramatical mas com a clareza, a objetividade e a coerência indis-
nas provas de concursos públicos. pensáveis a fazer da linguagem, oral ou escrita, um veículo de
Após análise contrastiva dos processos avaliativos, observa- comunicação e não de escamoteação de ideias”. Destaque para o
-se a centralização em estruturas funcionais da língua: quais são capítulo referente à teoria do parágrafo. Indicado para estudantes
as implicações do uso de certas estruturas? Quais sentidos são com um bom conhecimento em produção textual.
decorrentes delas. Caso haja alguma substituição (lexical, estrutu-
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

ral), haverá alteração de sentido? Lições de textos: leitura e redação, de Platão e Fiorin.
Além desses elementos, é possível perceber que: Ótima coletânea de textos analisados e comentados com
A cobrança textual baseia-se na análise de produções dis- base em estudos atuais de linguística. Fácil sem ser superficial,
PILASTRE

cursivas críticas, contextualizadas. O candidato não deve apenas pode ser utilizado individualmente, prescindindo de professor.
saber depreender sentidos de frases. Deve, antes, compreender
as relações discursivas presentes no texto. Os elementos coesi- Técnicas de Redação: o que é preciso saber para bem
vos, as informações implícitas, a coerência textual, a intertextuali- escrever, de Lucília H. do Carmo Garcez.
dade, tudo é avaliado de modo integrado.
O livro de Lucília Garcez é marcado pela desconstrução de
A avaliação de provas discursivas é marcada por dois auto-
mitos que cercam o ato de escrever. Após a desconstrução inicial,
res em destaque: Ingedore Koch e Othon M. Garcia. Exemplo:
propõe a produção da redação a partir do sujeito que a compõe.
critérios da banca CESPE. > Coesão e Coerência; Estrutura do
Provoca, portanto, uma mudança de atitude do leitor em relação
Parágrafo. Há grande ênfase na construção/organização das
à escrita. A prática também é um dos focos do livro. O aluno, ao
ideias. O valor da correção gramatical é muito menor (importante
acompanhar as páginas da obra, consegue praticar a escrita de
para a correta expressão das ideias).
forma lúcida e sempre enriquecedora.
Panorama atual
A Coesão Textual, de Ingedore Villaça Koch.
É claro que ainda há, em grande parte, cobrança de estru- Nos editais, um dos tópicos mais recorrentes é a Coerência
turas consideradas “certas ou erradas”. A correção gramatical Textual. Nesta obra a autora identifica os mecanismos essenciais
(pautada na gramática normativa) tem a sua finalidade. O servidor do texto e, a partir deles, analisa com atenção as classes de pala-
público deverá atuar com em um contexto específico. Há, portanto, vras e de sentenças, os processos de ordenação e de retomada
a necessidade de o candidato conhecer as estruturas corretas da do tema, os conectivos, os tempos verbais, entre outros fenôme-
linguagem, pois naquele contexto a norma culta é imperiosa. nos. Além de contribuir muito para a interpretação de textos, pro-
É necessário, portanto, ter a consciência de que há contex- porciona uma enorme gama de instrumentos para a prática de
tos diversos de usos linguísticos. E o contexto de uso da lingua- redação.
gem em concursos públicos é o formal. Mas não um mero purismo
desprovido de reflexões e inovações linguísticas. A qualidade da A Coerência Textual, de Ingedore Villaça Koch e Luiz
avaliação em língua portuguesa é fundamental para selecionar Carlos Travaglia.
candidatos mais aptos ao cargo. A linguística, portanto, tem papel Outro tópico cobrado com freqüência nos certames. Na obra
fundamental neste processo. a autora faz clara exposição sobre a constituição dos sentidos nos
textos e seus fatores, como os elementos linguísticos, o conheci-
mento do mundo, as inferências, a situação. Os exemplos escolhi-
O mapa da mina
dos facilitam a exemplificação da complexa propriedade da coe-
Por diversas vezes o candidato fica perdido diante da diver- rência textual.
sidade de obras de Língua Portuguesa que versam sobre produ-
ção e interpretação de textos. Também há o problema da superfi- Dicionário de dificuldades da Língua Portuguesa, de
cialidade das obras existentes no mercado. Isso acaba por gerar Domingos Paschoal Cegalla.
uma estagnação no desenvolvimento e uma limitação das possibi- Para quem produz com frequência este dicionário será de
lidades de crescimento. grande valia. De fácil consulta e leitura, a obra foi feita para todos
Caso você tenha uma orientação prévia, os caminhos ficam aqueles que desejam falar e escrever sua língua com acerto. Uma
mais tranquilos, pois não perderá tempo percorrendo perigosas importante orientação: quem produz textos deve sempre revisar a
veredas. A proposta deste artigo é a de apresentar obras de refe- sua produção. Para que esse trabalho seja bem realizado, a con-
rência nos assuntos produção e interpretação de textos. sulta do Dicionário de dificuldades é imprescindível.
O roteiro aqui apresentado pressupõe a autonomia no
estudo. A bibliografia indicada será específica para quem já tem Dicionário Houaiss de Sinônimos e Antônimos, Instituto
certo conhecimento do conteúdo. Desse modo, existe a possibi- Antônio Houaiss.
lidade de crescer, aumentando a qualidade da leitura e a habili- O trabalho com a sinonímia é muito importante na produ-
dade de produzir textos de alto nível. Portanto, a intenção é fazer ção textual, pois, por meio da utilização de sinônimos, você pode
o aluno progredir em seus estudos. exprimir necessidades, idéias e sentimentos com um melhor voca-
É claro que estar presente em cursos, palestras e aulas é bulário. No Dicionário de Sinônimos e Antônimos encontramos
algo fundamental. Mas grande parte do aprendizado ocorre nos 20.158 entradas com mais de 196 mil sinônimos e mais de 90 mil
estudos individuais. antônimos. Cada entrada é subdividida em acepções e cada acep-
A seguir há um guia básico para aprofundar o nível de ção relaciona seus próprios sinônimos e antônimos. Os verbetes
conhecimento em análise e produção de textos. A seleção teve contam ainda com classificação gramatical, indicação dos usos
como critério a qualidade, a profundidade, a facilidade de acesso das palavras e exemplos extraídos da língua.
às obras (todas ainda são editadas) e o didatismo de cada uma.
Espero que esse artigo possibilite um caminhar mais rico e
Comunicação em prosa moderna, de Othon Moacyr autônomo nos estudos de vocês, estudantes.
Garcia.
Obra referência em produção de textos. Aqui o autor pro- Bons estudos!
cura ensinar não apenas a escrever, mas principalmente a pensar.

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Referências QUESTÕES DIVERSAS

Bibliografia FUNIVERSA
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AZEREDO, J. Escrevendo pela nova ortografia: como usar as regras EMBRATUR/ INTERMEDIÁRIO
do novo acordo ortográfico da língua portuguesa. 2008.

LÍNGUA PORTUGUESA
BECHARA, E. Estudo da língua portuguesa: textos de apoio. 2010. Texto I, para responder às questões de 1 a 4.
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cia da República. Brasília: Imprensa Nacional, 1991. 1 O hábito de viajar é antigo. No século XVII, as
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FIORIN, J. As astúcias da enunciação: as categorias de pessoa, lucros, empregos e divisas para numerosos países.
espaço e tempo. 1996. Apenas na década de 50 do século XX é que o hábito
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como exercício de lazer para milhões de pessoas. A
KOCH, I. A coesão textual. 1993.
atividade turística é, portanto, produto da sociedade
KOCH, I. A inter-ação pela linguagem. 1992.
capitalista industrial e desenvolve-se sob o impulso
KOCH, I. A coerência textual. 1990.
de motivações diversas, que incluem o consumo de
KOCH, I. & TRAVAGLIA, L. A coerência textual. 2009.
15 bens culturais. No entanto, o turismo não é somente
KOCH, I. & TRAVAGLIA, L. Texto e coerência. 1989.
uma atividade econômica, e sim um fenômeno social
KOCH, I. Argumentação e linguagem. 1984.
com base cultural, histórica e ambiental. O pragma-
KOCH, I. O texto e a construção dos sentidos. 2008.
tismo econômico induz a uma visão reducionista,
LUFT, C. Dicionário prático de regência nominal. 2010. que desconsidera a complexidade desse fenômeno.
LUFT, C. Dicionário prático de regência verbal. 2008.
Adriana Pisoni da Silva. O saber-fazer do turismo na revitalização de
MARCUSCHI, L. Produção textual, análise de gêneros e compreen-
sítios históricos urbanos: um estudo das praças e da alfândega na
são. 2008. cidade de Porto Alegre/RS. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) –
MARTINS, D. & ZILBERKNOP, L. Português Instrumental. 2009. Faculdade de Arquitetura, UFRGS, Porto Alegre, 2006, p. 25
MEDEIROS, J. Redação científica. 2009. (com adaptações).
SAVIOLI, F. & FIORIN, J. Manual do candidato: português. Fund. Ale-
xandre de Gusmão. 2001. 1. Com base nas ideias e nos fatos gramaticais do texto
SAVIOLI, F. & FIORIN, J. Para entender o texto: leitura e redação. 2009. I, assinale a alternativa correta.
a. O texto, certamente, consta da parte final, na con-
Sítios clusão, do original. Isso pode ser comprovado pelo
BBC Brasil: http://www.bbc.co.uk/portuguese/ uso de “portanto” na linha 12.
Caros Amigos: http://carosamigos.terra.com.br/ b. Um indivíduo qualquer de classe média baixa que
Carta Capital: http://www.cartacapital.com.br/ se dispusesse a viajar pelo mundo, segundo o tex-
Folha de São Paulo: http://www.folha.uol.com.br/ to, em 1810, já teria à sua disposição os serviços
Le Monde Diplomatique Brasil: http://www.diplomatique.org.br/ de empresas de turismo de tradição.
Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/ c. O emprego das aspas na linha 2 sugere reprodu-
PCI Concursos – Provas: http://www.pciconcursos.com.br/provas/ ção de expressão comum da sociedade brasileira,
Rádio CBN: http://cbn.globoradio.globo.com/home/HOME.htm que carrega conteúdo ideológico.
Revista Piauí: http://revistapiaui.estadao.com.br/ d. A popularização do turismo, ao longo do tempo,
VOLP: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23 criou empecilhos para aqueles que eram educados
para aprender línguas e costumes de outros povos,
Sítios das bancas examinadoras adotadas nesta obra na compra de obras de arte e nas visitas aos monu-
CESPE: http://www.cespe.unb.br/ mentos da Antiguidade.
CONSULPLAN: http://www.consulplan.net/portal/consulplan.php e. O pragmatismo econômico, que explodiu como ati-
ESAF: http://www.esaf.fazenda.gov.br/ vidade de lazer para milhões de pessoas, induz a
FCC: http://www.concursosfcc.com.br/ uma visão reducionista, que desconsidera a com-
CESGRANRIO: http://www.cesgranrio.org.br/inicial.aspx plexidade do turismo.
FUNRIO: http://www.funrio.org.br/
2. Assinale a alternativa que apresenta reescritura de
parte do texto I com preservação do sentido original e
manutenção da correção gramatical.
a. Em meados do século XIX, passou a ser organiza-
das as viagens por profissionais (linhas 6 e 7).

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
b. Somente na década de 50 do século XX é que o 5 ainda elevados na fase mais recente. É o que deixam
hábito de viajar foi transformado (linhas de 8 a 9). transparecer as informações da tabela a seguir, quando
c. com geração de lucros, empregos e divisas para se calcula a mortalidade por anos de estudo da mãe.
países populosos (linhas 7 e 8).  Embora haja clareza de que tem havido redução
d. as “boas famílias” determinavam que seus filhos do número de mulheres sem instrução no país, tan-
finalizassem a educação com viagem, para apren- 10 to em termos absolutos quanto em relativos, é bom
der idiomas (linhas de 1 a 4). mencionar que, do total de mulheres de 15 a 49 anos
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

e. e explodiram como atividade de lazer para milhares analfabetas ainda existentes no país, que eram 3,5
de pessoas (linhas 10 e 11). milhões em 1996, 63% eram nordestinas e represen-
tavam cerca de 20% do contingente das mulheres em
PILASTRE

3. Assinale a alternativa que apresenta reescritura de fra- 15 idade fértil da região. Ou seja, são exatamente essas
se com alteração de sentido em comparação com a mulheres, juntamente com parcelas de outros segmen-
original: “No entanto, o turismo não é somente uma tos de mulheres um pouco mais instruídas, que estão
atividade econômica, e sim um fenômeno social com à margem não só dos benefícios econômicos, mas
base cultural, histórica e ambiental” (linhas de 15 a 17). também da maioria dos serviços básicos de saúde.
a. O turismo, por conseguinte, não é uma atividade
econômica, mas sim um fenômeno social com Taxa de mortalidade infantil média, segundo anos
base cultural, histórica e ambiental. de estudo da mãe Brasil – 1986/1995
b. O turismo, entretanto, não é somente uma ativi-
dade econômica, e sim um fenômeno social com
base cultural, histórica e ambiental. Anos de estudo da mãe Taxa de mortalidade infantil (%)
c. No entanto, o turismo não é somente uma atividade Menos de 1 93,0
econômica; é, sim, um fenômeno social com base
cultural, histórica e ambiental. de 1 a 3 70,0
d. No entanto, o turismo não é somente uma atividade 4 42,0
econômica, e sim um fenômeno social com base
histórico-cultural e ambiental. de 5 a 8 38,0
e. Entretanto, o turismo não é tão-somente uma ati- de 9 a 11 28,0
vidade econômica, e sim um fenômeno social com
base cultural, histórica e ambiental. 12 ou mais 9,0

IBGE – Departamento da População e Indicadores Sociais. Rio de


4. Com relação à frase “O pragmatismo econômico induz Janeiro: IBGE, 1999 (com adaptações).
a uma visão reducionista, que desconsidera a comple-
xidade desse fenômeno” (linhas de 17 a 19), assinale 5. Assinale a alternativa correta quanto ao texto II.
a alternativa correta. a. Apesar de tratar de tema de caráter científico, o
a. O termo “pragmatismo” é sinônimo de especulação autor deixa entrever sua emoção ao lidar com re-
de conteúdo teórico-ideológico. flexões acerca de mortalidade infantil; assim, pre-
b. Uma “visão reducionista” é o mesmo que uma domina no texto a linguagem conotativa, com me-
perspectiva redundante. táforas, ironias e paradoxos.
c. Se a frase em estudo fosse o título mais destacado b. O sinal indicativo de crase na expressão “à mar-
de uma seção de um jornal, o “O” inicial, o “a” an-
gem”, linha 18, é consensualmente opcional, se-
terior a “uma visão” e o “a” que precede “complexi-
gundo a perspectiva dos gramáticos.
dade” poderiam ser indiscutivelmente eliminados,
c. Os trechos das linhas de 8 a 10 e de 17 a 19 podem
para deixar a frase mais sintética.
ser reescritos, respectivamente, pelas seguintes
d. A introdução de uma vírgula após a palavra “econô-
construções: tem ocorrido redução do número
mico” é inadequada: essa inserção não é aceitável,
de mulheres sem instrução no país, tanto em
ainda que se deseje fazer breve pausa para mar-
termos absolutos e relativos e que estão à mar-
cação de ênfase.
gem não só dos benefícios econômicos, porém
e. A frase original poderia ser adequadamente rees-
da maioria dos serviços básicos de saúde.
crita assim: O pragmatismo econômico que des-
d. A frase É o que deixa transparecer as informa-
considera a complexidade desse fenômeno induz
ções da tabela a seguir, quando se calcula a
a uma visão reducionista.
mortalidade por anos de estudo da mãe rees-
creve corretamente a original das linhas de 5 a 7.
Texto II, para responder às questões 5 e 6.
e. O fragmento das linhas de 8 a 15 é um longo perío-
1 Os diferenciais de mortalidade entre os distin- do, que, para maior clareza, poderia corretamente
tos estratos sociais, que eram altos durante as déca- ser subdividido. Uma redação possível seria:
das de 70 e 80 do século XX, quando se consideram Existe clareza de que tem havido redução do
renda, educação ou saneamento básico, mantêm-se número de mulheres sem instrução no país,
tanto em termos absolutos quanto em relati-
vos. Apesar disso, é bom mencionar certos fa-

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tos. Em primeiro lugar, o número de analfabetas b. O verso 4 estaria corretamente reescrito com a se-
brasileiras de 15 a 49 anos era de 3,5 milhões guinte estrutura: Se houverem estrelas nos céus,
em 1996. Em segundo, 63% do total de mulhe- refleti-las.
res de 15 a 49 anos analfabetas ainda existen- c. O verso 6 estaria correto e preservaria o sentido
tes no país eram nordestinas. E, finalmente, original com a seguinte reescritura: Porque o rio as
esse percentual representava, à época, cerca nuvens são água.

LÍNGUA PORTUGUESA
de 20% do contingente das mulheres em idade d. O termo “las”, que aparece no verso 4 e no 7, re-
fértil da região. fere-se, respectivamente, a “trevas” e a “nuvens”.
e. Os verbos no infinitivo são empregados, no texto,
6. Com relação às informações do texto II, assinale a al- com valor de imperativo (modo que indica ordem,
ternativa correta. pedido, conselho).
a. Os dados estatísticos expostos no texto compro-
vam que a escolaridade da mãe tem importância GABARITO
inexpressiva na taxa de mortalidade infantil, se
comparada à carência de saneamento básico da
1. c
família.
2. b
b. Os índices atuais de renda, educação, saneamento
3. a
básico e mortalidade infantil nos diversos estratos
4. d
sociais são pouco preocupantes na perspectiva do
5. e
poder público brasileiro.
6. c
c. A taxa de mortalidade infantil dos filhos das mães
7. d
de menor instrução é superior a dez vezes o va-
8. e
lor da taxa de mortalidade dos filhos das mães de
maior instrução.
SES-DF/ SUPERIOR
d. Mesmo na situação em que as mães têm um ní-
vel educacional mínimo (quatro anos), o índice de
Texto I, para responder às questões de 1 a 4.
mortalidade infantil do grupo é mais de cinco vezes
superior ao de crianças de mães com mais de doze
O sabão que aqui lava não lava como lá
anos de instrução.
e. O índice de analfabetismo da população feminina
1 A tendência de adaptar produtos para atender às
brasileira tem-se mantido estável nos últimos trinta
particularidades de um país começou nos anos 1950
anos.
com a indústria automobilística e tornou-se crucial
depois da globalização. Hoje, multinacionais do setor
Texto III, para responder às questões 7 e 8.
5 de bens de consumo lideram os investimentos nessa
direção. A medida é estratégica quando se trata de con-
Ser como o rio que deflui
quistar mercado em países emergentes, onde a classe
Silencioso dentro da noite.
média ainda alarga suas fronteiras. No Brasil, nada
Não temer as trevas da noite.
menos do que 20 milhões de pessoas foram alçadas à
Se há estrelas nos céus, refleti-las.
10 classe C nos últimos três anos, dando novo contorno à
E se os céus se pejam de nuvens,
sociedade de consumo. Isso é o que compensa os altos
Como o rio as nuvens são água,
gastos com aquilo que o jargão do marketing chama de
Refleti-las também sem mágoa
segmentação. O processo pode ser simples, como a
Nas profundidades tranquilas.
adição de açúcar à receita de um biscoito, ou implicar a
15 completa transformação de um produto. Tudo para con-
Manuel Bandeira. O rio. In: Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: templar hábitos ou até condições climáticas que variam
Aguilar, 1967, p. 334.
de um país para outro. No Brasil, a tarefa é tanto mais
difícil quanto mais necessária. Por sua dimensão con-
7. No texto III, as expressões “deflui” (verso 1) e “se pe-
tinental, muda quase tudo de uma região para outra.
jam” (verso 5) têm sentido de, respectivamente,
20 O segmento de bens de consumo abarca alimen-
a. decai e se envergonham.
tos, bebidas e produtos de higiene e limpeza — basi-
b. se enche e se constituem.
camente tudo o que se encontra em um supermer-
c. decola e se escondem.
cado. Ele é composto, grosso modo, de quinze grandes
d. corre e se enchem.
empresas no mundo. Apenas duas dessas compa-
e. se detém e se apresenta.
25 -nhias globais, a Procter & Gamble e a Unilever, produ-
zem mercadorias tão variadas como sorvete, xampu,
8. Assinale a alternativa correta a respeito da estrutura
detergente, ração para cachorro e pilha. Ambas estão
semântico-sintática do texto III.
esparramadas por mais de uma centena de países e,
a. A construção “refleti-las”, empregada duas vezes
juntas, faturam algo como 140 bilhões de dólares por
no poema, equivale a refleti + as (ou seja: refleti
30 ano — quase o mesmo que todo o setor de eletrônicos.
(tu) + as).

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 A Nestlé criou, em 2005, um leite em pó exclusi- 2. Assinale a alternativa correta com relação ao texto I.
vamente para o Nordeste, ao qual adicionou vitaminas a. O título do texto é explicitamente desenvolvido no
que são deficientes na alimentação local, e ainda o quinto parágrafo do texto.
embalou em saco plástico, para baixar o preço. Com b. É correto afirmar que o texto I é literário, com pre-
35 tais ajustes, já vende nessa única região brasileira dominância de metáforas, o que se constata já no
quantidade de leite em pó equivalente à que con- título.
some a população inteira de um país como o México. c. Os dados numéricos apresentados no texto são
 No Brasil, não há algo como um perfil único do
BRUNO
BRUNO PISLASTRE

inevitavelmente precisos.
consumidor brasileiro. Além das disparidades de ren-
d. A segmentação dos produtos de consumo pauta-
40 da, é preciso levar em conta os hábitos regionais e
-se, sem exceção, em longos processos de alta
PILASTRE

a diversidade do clima — coisas que não se acham,


complexidade.
por exemplo, em países menores e culturalmente
mais homogêneos. Para uma empresa como a e. Sabendo que o título do texto remete a um poema
L’Oréal, a maior do mundo no setor de produtos de bastante conhecido na literatura brasileira, é cor-
45 beleza, isso significa produzir uma variedade quatro reto afirmar que o desconhecimento acerca desse
vezes maior de xampus e condicionadores do que poema impede o entendimento adequado do texto.
em outros países. Só para cabelos cacheados, há
cinco variações. A velha expressão “ao gosto do fre- 3. Assinale a alternativa em que a alteração feita mantém
guês” nunca fez tanto sentido no mundo dos negócios. a correção gramatical de passagens do texto I, segun-
50 O exemplo do sabão para lavar roupas ajuda a do a linguagem formal.
entender por que uma empresa global como a Unile- a. adeqúa-se bem na realidade (linha 70).
ver precisa adaptar um mesmo produto para vendê- b. oram alçadas em classe C (linha 9-10).
-lo em diversos países. No Brasil, Omo: em nenhum c. equivalente à qual consome a população (linha 36-37).
outro lugar a espuma é tão abundante — um sinal para d. No Brasil, não tem algo como um perfil único do
55 os brasileiros de que a roupa será bem lavada. A cor consumidor (linhas 38 e 39).
azul, outra particularidade local, é associada à limpeza, e. coisas que não se encontram, por exemplo, em pa-
uma vez que, por muito tempo, se usou no país o anil íses menores (linhas 41 e 42).
para alvejar as roupas. Na Argentina, Ala: a ausên-
cia de espuma é uma adaptação ao tipo de máquina 4. O termo ao qual se refere o “que” ou o “onde”, no
60 de lavar mais comum no país. Como o aparelho tem
texto I, está corretamente determinado em
uma abertura na frente — e não em cima, como os
a. “onde a classe média ainda alarga” (linhas 7 e 8),
modelos brasileiros —, a espuma poderia transbordar
em que “onde” = “mercado” (linha 7).
e estragar o aparelho. Na China, Omo: produz pou-
quíssima espuma. A ideia é facilitar o enxágue, uma b. “Isso é o que compensa” (linha 11), em que “que” =
65 verdadeira obsessão para os chineses, que temem “sociedade de consumo” (linha 11).
que os resíduos do sabão na roupa causem alergia. c. “que são deficientes” (linha 33), em que “que” = “vi-
Na Inglaterra, Persil: a versão líquida domina o mer- taminas” (linha 33).
cado inglês e o de outros países europeus. Conside- d. “altos gastos com aquilo que o jargão” (linhas 11 e
rada mais simples de usar e sem deixar pó no chão, 12), em que “que” = “jargão” (linha 12).
70 adéqua-se bem à realidade de pessoas que costumam e. “equivalente à que consome” (linha 36), em que
lavar a própria roupa. Em El Salvador, Xtra: quase nin- “que” = “região brasileira” (linha 35).
guém tem máquina de lavar, daí o sabão ser em barra
e redondo — feito para deslizar num tipo de tanque Texto II, para responder às questões 5 e 6.
horizontal e sem ondulações, o mais comum no país.
75 Dado o apreço por perfumes na América Central, a 1 Antigamente, o sonho de se formar em medi-
concentração deles no sabão é a mais alta do mundo. cina agregava mais que a vocação de curar: invaria-
Renata Betti. In: Veja, 24/6/2009, p. 134-8 (com adaptações). velmente representava o início de uma carreira sólida,
financeiramente próspera e de grande estabilidade.
1. Assinale a alternativa que interpreta corretamente in- 5 O tempo passou, e a realidade, agora, surpreende
formações do texto I. os médicos contemporâneos com novas exigências que
a. No Brasil, por volta de 20 milhões de pessoas atin- extrapolam o âmbito da saúde. Quem quiser a sonhada
giram a classe C nos últimos três anos, em virtude prosperidade precisa entender o mercado, conhecer
da segmentação de bens de consumo. seu público-alvo e adotar medidas para obter e fideli-
b. A globalização foi decisiva na segmentação de 10 zar pacientes. Em resumo, praticar marketing médico.
bens de consumo por parte das multinacionais.
 A manutenção do profissional, de seu consultório
c. O sabão em pó Omo recebe nome diferente em
ou clínica é, sim, um negócio. E precisa ser encarada
cada país onde é vendido, para evitar a identifica-
como tal, sem preconceitos ou medos. A palavra negócio
ção do produto pelos consumidores.
d. O povo inglês é mais trabalhador que os demais, não é sinônimo direto de exploração mercantil, tampou-
já que as pessoas costumam lavar a própria roupa. 15 co exclui os conceitos de ética, dedicação e humanismo.
e. A L’Oréal, a maior empresa do mundo, produz Ao contrário: médicos que entenderam o que é, de fato,
cinco variações de xampus e de condicionadores o marketing aplicado à atividade que desenvolvem pas-
para os consumidores de seus produtos em todos saram a dar a seus pacientes um atendimento melhor.
os países.  Ampliar o relacionamento com os pacientes, me-

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
20 lhorar a comunicação, oferecer mais e melhores servi- b. Na linha 12, o “sim” sugere que há pessoas contrá-
ços, adotar práticas de gestão que agilizem e facilitem o rias à ideia de que a manutenção, pelo profissio-
atendimento são algumas das ações que compreendem o nal, de seu consultório ou de sua clínica seja um
famoso “marketing médico”. Quando isso é feito de forma negócio.
criteriosa e ética, os resultados são sempre positivos.
c. Na linha 14, a palavra “tampouco” pode ser corre-
25 Na prática, toda vez que o médico se coloca no lugar
tamente grafada como tão pouco.
do paciente e dispensa a ele o tratamento que gostaria

LÍNGUA PORTUGUESA
de receber, já está trabalhando bem o seu marketing. Se d. Na linha 17, o acento grave do “à” pode ser retira-
está disposto a esclarecer diagnósticos e tratamentos, do, sem prejuízo gramatical para a frase.
sem usar a complexa terminologia a que está acostu- e. Na linha 26, o pronome “ele” cria ambiguidade ir-
30 mado; se assume uma postura de quem está servindo o recuperável, pois nem o contexto é capaz de es-
paciente com seu conhecimento, e não com a arrogân- clarecer se esse pronome se refere a “médico” ou
cia de quem detém o poder da cura… bem, está aqui a “paciente”.
alguém que sabe aplicar a base do marketing médico.
 As demais medidas surgem como consequência
35 de quem realmente está disposto a prestar um aten- GABARITO
dimento eficaz e marcante. E, aí, vale aplicar ferra-
mentas já consagradas, estudar um pouquinho de 1. b
marketing e administração e buscar suporte espe- 2. a
cializado. Além disso, usar a criatividade: telefone- 3. e
40 mas para o paciente atendido nos plantões, bus- 4. c
cando informações acerca de possíveis melhoras
5. d
da sua saúde durante o tratamento, tirando dúvidas
6. b
relativas às medicações indicadas; envio de cartões
de aniversário, entre outras. Atitudes simples assim
45 fazem que o paciente se sinta prestigiado e estabele- PCDF/ SUPERIOR
cem um novo nível no relacionamento com o médico.
 Quando o paciente e o médico se comuni- Texto para responder às questões de 1 a 4.
cam bem, há mais clareza, mais confiança, me-
lhores resultados no tratamento e, consequen- 1 (14/11/2010) Considerada ponto-chave em todas
50 temente, maior fidelidade e novas indicações. as investigações criminais, a perícia técnica vem
 Afinal, o paciente tem inúmeras opções de pro- ganhando destaque nos últimos anos por conta dos
fissionais proporcionadas pelo plano de saúde. Em
crimes de grande repercussão e que parecem ser de
um primeiro momento, irá buscar aquele que, de al-
guma forma, for mais conveniente a ele, seja pela 5 difícil solução. Além disso, seriados que mostram poli-
55 proximidade geográfica seja por indicação rece- ciais ou peritos que utilizam ciência e tecnologia para
bida. Mas, se não gostar do atendimento que rece- desvendar casos complexos também ajudam a aumen-
ber, voltará, sem pestanejar, ao catálogo até encon- tar o interesse pela área. Sérgio Vieira Ferreira, 51 anos,
trar o médico que, de fato, cativar sua fidelidade. foi o perito que atuou em um dos crimes mais famosos
Internet: <www.acertomedico.com>. Acesso em 31/3/2011. 10 na história recente do país. Ele estava de plantão na
noite da morte da menina Isabella Nardoni, em março
5. De acordo com o texto II, assinale a alternativa correta. de 2008, e foi o primeiro perito a chegar à cena do crime,
a. Negócio e exploração mercantil são termos que se
o apartamento de Alexandre Nardoni, condenado com
confundem, uma vez que se baseiam em algo co-
mum: a falta de ética profissional. base na acusação de ter jogado a filha pela janela.
b. Novas indicações do bom médico pelo paciente a 15 Entrevistado hoje, Ferreira explicou que um
amigos e conhecidos são causas de maior confian- perito não pode se envolver com nenhum caso.
ça e de maior fidelidade do paciente. “Somos policiais técnicos. É necessário coletar
c. A demonstração, por parte do médico, da arrogân- provas técnicas. Não se pode emocionar. Tem casos
cia de quem detém o poder da cura cria no pacien- difíceis que, como ser humano, você tem que dar
te certo temor e admiração, o que gera fidelidade. 20 aquele breque. Mas vamos fazer o serviço e cole-
d. Há várias estratégias que o profissional pode ado-
tar o que tiver para coletar”, afirmou. “Não estamos
tar para pôr em prática o marketing médico.
e. O uso da complexa terminologia médica no trato aqui para condenar nem inocentar, mas para dar
com o paciente leva-o à idolatria do profissional, subsídios para que se tenha investigação honesta”.
pois o que não se entende gera respeito; assim, o  Diretor do Núcleo de Perícias em Crimes contra
médico deve usar tal técnica como base do marke- 25 a Pessoa da Polícia Técnica de São Paulo, José Antô-
ting profissional. nio de Moraes comenta: “Tem gente que entra, fica
três meses, e depois não quer mais voltar. Não pode
6. Assinale a alternativa que apresenta declaração cor- se envolver emocionalmente com o crime. Isso não é
reta, segundo a norma-padrão, acerca de passagens
frieza, é profissionalismo. A perícia é imparcial. Não
do texto II.
30 importa se os vestígios ajudarem a defesa ou a acu-
a. Na linha 1, o “se” pode ser retirado, sem prejuízo
sação. O processo tem dois tipos de prova, a testemu-
gramatical para a frase, pois aproxima a escrita da
nhal e a técnica. Pessoas mentem, vestígios jamais”.
fala informal praticada pelos brasileiros.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
 Pontes, da ABC, diz que há demanda para preen- d. Por isso, policiais ou peritos que utilizam ci-
chimento dos cargos em concursos públicos para ência e tecnologia para desvendar casos com-
35 peritos criminais. “Tem bastante gente interessada. plexos também ajudam a aumentar o interesse
Tenho recebido estudantes e graduados interes- pela área. (linhas de 5 a 8)
sados sobre onde tem concurso. Isso é efeito CSI,
e. A perícia é imparcial, embora não tenha ne-
que tem feito uma divulgação enorme da perícia”,
comenta, citando o seriado de TV norte-americano. nhum valor o fato de os vestígios ajudarem a
defesa ou a acusação. (linhas 29 a 31)
BRUNO

Adílson Pereira, do laboratório da Polícia Téc-


BRUNO PISLASTRE

40
nico-Científica de São Paulo, comenta que há seme-
lhança entre a realidade da perícia e as séries de 3. Assinale a alternativa que interpreta adequadamente
televisão que atraem os jovens para a profissão.
PILASTRE

ideias do texto e está correta do ponto de vista gra-


 “A consultoria para esses seriados é muito boa. matical.
45 Os equipamentos são os mesmos de que dispomos. a. A perícia técnica considera ponto-chave todas as
 Evidentemente nos seriados mostram os produ- investigações criminais.
tos ‘top de linha’. As técnicas utilizadas são pare-
b. Os seriados também ajudam a aumentar o interes-
cidas. A diferença é que lá eles fecham os episó-
dios em 40 minutos. Aqui, não recebemos o roteiro, se pela área.
50 é uma incógnita. Não dá para fechar em 40 minutos, c. Ferreira, perito, do crime da menina Isabella Nar-
às vezes demora seis meses para fechar um caso.” doni, afirma que a perícia é imparcial.
 Moraes, do Núcleo de Crimes contra a Pessoa, concor- d. O efeito CSI usa técnicas parecidas com as da pe-
da: “CSI realmente mostra o trabalho que se faz. CSI rícia brasileira.
americana é um pouco diferente porque o perito é policial. e. A impressão digital informa tecnicamente a cor dos
55 Aqui o perito aparece só depois que o crime acontece.” olhos do autor do crime.
 O perito Sérgio Ferreira, que atuou no caso da menina
 Isabella Nardoni, não concorda tanto assim: “Lá dá tudo
certo, colhem a impressão digital e sabem até a cor dos 4. Assinale a alternativa que apresenta estrutura integral-
olhos da pessoa. Coisas que não têm nada a ver. Mas mente registrada em linguagem formal.
60 é Hollywood. Tem que ter magia”, comenta, aos risos. a. “Tem casos difíceis que” (linhas 18 e 19)
Internet: <http://g1.globo.com> (com adaptações). Acesso em 10/12/2011. b. “você tem que dar aquele breque” (linhas 19 e 20)
c. “Tem bastante gente interessada” (linha 35)
1. Assinale a alternativa que interpreta adequadamente d. “estudantes e graduados interessados sobre onde
ideias do texto. tem concurso” (linhas 36 e 37)
a. O processo criminal caracteriza-se por dois tipos de