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ROTURA PREMATURA DE MEMBRANAS OVULARES

INTRODUÇÃO
- Anatomia das bolsas das águas
- Ou Amniorrexe prematura
- Definição: Rotura espontânea das membranas amnióticas após 20 semanas de gravidez e antes do início de
trabalho de parto.
 RPMO a termo – acima de 37 semanas, sem trabalho de parto.
 RPMO pré-termo – abaixo de 37 semanas e acima de 20 semanas, sem trabalho de parto.
 RPMO viável - acima de 24 semanas.
- Chama-se período de latência prolongado se passa de 18-24h sem entrar em TP
- Ocorre em 10% do total de nascimentos e em 8% das gestações a termo, 3% das pré-termo e menos de 1%
no 2º trimestre
- Importância – parto prematuro, infecção materna, compressão do cordão, DPP, infecção neonatal, SARA,
enterocolite necrotizante, hemorragia intraventricular e sepse.

ETIOLOGIA E FRS
- Espontânea: causa mais comum
- Defeito da formação das membranas (deficiência ou malformação do colágeno)
- Enfraquecimento das membranas (inflamação e infeccioso  G. vaginallis, N. gonorrhoeae, E. coli,
Bacterioides spp, Enterococos
- Exposição da bolsa (incompetência istmocervical)
- Distensão da cavidade (gemelaridade, polidrâmnio)
- Iatrogênica:
- Cirurgias cervicais (cauterização etc)
- Procedimentos invasivos intrauterinos (Biópsia, amniocentese, fetoscopia)
- Risco de recorrência de 16 a 32% (mais relacionado quando paciente apresenta colo curto ou contrações
uterinas no segundo trimestre).
- Sexo, exame especular, exercício e paridade  Não têm relação
- FRs: Exames invasivos (amnio e cordocentese – risco de 1 a 2%); incompetência istmo-cervical; inserção
baixa de placenta; macrossomia; polidramnia; trabalho de parto prematuro; infecção genital (vaginose,
gonococo).
- FRs: tabagismo; sangramento vaginal; gestação múltipla; deficiências nutricionais; doenças maternas;
traumatismo; passado de parto prematuro.

DIAGNÓSTICO
- Diagnóstico clínico em 80-90% dos casos!
- Queixa de perda de líquido transvaginal, indolor e súbita.
- Padrão-ouro: exame especular com visualização de líquido fluindo pelo orifício cervical.
- Pode pedir para fazer Vasalva para ver melhor.
- Só faz toque vaginal em caso de conduta ativa (ou seja DU+). Risco de corioamnionite.
- Manobra de Turnier: expressão do fundo uterino e visualização do líquido escorrendo pelo OE do colo.
- Teste microscópico de cristalização da secreção cervicovaginal  cristalização em folha de samambaia ou
arboriforme
- Teste da Nitrazina  Teste para detecção de pH acima de 6 com papel de nitrazina  papel fica azul; atenção
porque pode ser positivo em casos de vulvovaginites
- USG: detecta oligodramnia [ILA < 5] (não é patognomônico); um ILA normal não exclui RPMO!; auxilia
na avaliação do bem-estar fetal; BAIXA ESPECIFICIDADE E SENSIBILIDADE
- Teste do azul do Nilo: detecta células fetais (coloração orangiófila)
- Aumento de alfafetoproteína na secreção vaginal
- Pesquisa de marcadores fetais ou anexiais (não tem no SUS) – AmniSure – Detecta PAMG-1 (alfa 1
microglobulina placentária) – é um teste rápido.
- DDX: Incontinência urinária, sudorese e Leucorreias

PROGNÓSTICO NO MEDCURSO

CONDUTA

TEM INFECÇÃO: INTERRUPÇÃO IMEDIATA


NÃO TEM: LÊ ABAIXO

Geral
- Tocólise: contraindicação relativa
- FEBRASGO: Se a paciente estiver em janela para realização de corticoide ou que necessita de
transferência (longe da maternidade que tem material para realizar o parto)
- VER UPTODATE
- Internação sempre
- Reposo relativo e pélvico (evitar relações sexuais, duchas vaginais, toque)
- Coleta de cultura de Estreptococo B-hemolítico
- Se positiva: trata!
- Penicilina G Cristalina 5 milhões de UI, IV (ataque) + 2,5 milhões de UI, IV, 4/4h.
- Afastar infecção: hemograma, PCR, VHS, SUM, URC
- Sempre HIV, VDRL, TS e Rh (rotina parto)
- Sinais vitais de 4/4h
- Dinâmica uterina
- USG: ILA, peso e vitalidade fetal

Entre 22-24 semanas


- Conduta controversa  Individualizar!
- Se conduta expectante:
- Hiper-hidratação 48-72h;
- Avaliar sinais infecciosos e começo de TP (febre, hemograma 2x/sem, contrações)
- Avaliar bem-estar fetal: biometria fetal de 15/15d, mobilograma, BCF 2x/sem
- Antibióticos: Ampicilina 2g IV 6/6h por 48h + Azitromicina dose única  Amoxicilina 500mg 8/8h por 5
dias.

Entre 24-33 semanas


- Conduta expectante
- Repouso
- Hidratação oral 3 a 4 L/dia; DU; SSVV 4/4h
- BCF 2 a 3x/dia
- Mobilograma
- CTG diária ou pelo menos 2x/sem
- PBF diário se ILA < 5 e 2x/sem se ILA > 5 cm
- Avaliação do ILA a cada 2 dias
- Antibiótico (Aumenta período de latência!)  Ampicilina 2g IV 6/6h por 48h + Azitromicina dose única 
Amoxicilina 500mg 8/8h por 5-7 dias.
- Corticoide: Betametasona 12 mg IM 24/24h por 2 dias ou Dexametasona 6 mg IM 12/12h por 2 dias.
- MS: 24-34 semanas / FEBRASGO: 24-32 semanas
- Profilaxia para GBS: SEMPRE INTRA-PARTO!  Amniorrexe > 18 horas; Parto prematuro; Febre quando
resultado de cultura desconhecido; Penicilina G Cristalina 5 milhões de UI, IV (ataque) + 2,5 milhões de UI,
IV, 4/4h.

>= 34 semanas
- Conduta ativa!  Interrupção da gestação
- Determinar via de parto (Se há corioamnionite, preferir sempre a via baixa)
- Indução: se colo imaturo  misoprostol; se colo apagado  ocitocina
- Sempre segue o trabalho de parto em qualquer idade se ele for espontâneo, se houver comprometimento fetal
e se houver sinais de infecção.
FLUXOGRAMA RECAPITULANDO (VIDEO MEDCURSO 05:50)

CORIOAMNIONITE
- Sinais de infecção: Hipertermia (T> 37,8ºC) + pelo menos 2 abaixo (MS, 2012)
- Taquicardia materna (> 100 bpm)
- Taquicardia fetal (> 160 bpm)
- Útero irritável ou doloroso à palpação
- Secreção purulenta pelo OE
- Leucocitose > 15.000 ou aumento de 20%
- TTO (3 esquemas para escolher):
- Ampicilina/Sulbactam 1,5/4 g IV 6/6h + Metronidazol 500 mg IV 8/8h
- Clindamicina 900 mg IV 8/8h + Gentamicina 240 mg/dia IV
- Ampicilina 2g IV 6/6h + Gentamicina 1,5 mg/kg IV 8/8h + Metronidazol 500 mg IV 8/8h

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