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A Fé que Ilumina a Razão –

Questões sobre a obediência à


Igreja
6 anos ago
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by Veritatis Splendor
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A Igreja Católica sempre ensinou que a Fé é a luz que ilumina a Razão humana,
dando-lhe direção, orientando a inteligência para o Sumo Bem que é o próprio
Deus. A relação entre a Fé e a Razão é também a submissão desta em relação
aquela. Isso pode parecer estranho num primeiro momento, especialmente
para a mente do homem contemporâneo que considera que a razão deve estar
orientada para o que lhe parece certo e evidente (cientificismo).

Porém esta mentalidade cientificista ou racionalista do homem e do mundo é


um erro que a própria experiência o prova. O processo natural do ser humano é
adquirir conhecimento e desenvolver-se pelo ato de fé. Não se trata aqui de fé
religiosa, pois o simples ato de aceitar ou receber algum ensinamento como
verdadeiro, por causa da autoridade de quem o ensina ou transmite, sem ter
em conta a veracidade do que foi transmitido, isso é um ato de fé. Assim o faz
a criança quando aprende a falar com seus pais, quando aprende os números
com sua professora primária, ou a geografia no ensino fundamental. Fazemos o
mesmo quando acatamos que um produto é de boa qualidade porque vimos um
selo emitido pela autoridade certificadora (no caso o INMETRO), ou quando
obedecemos às regras do trânsito (que não foram estabelecidas por nós, mas
pelo DENATRAN).

Em todos esses casos, somos beneficiados pela nossa fé nas legítimas


autoridades. Nem todos compreendem bem as condições e variáveis que são
consideradas para se estipular a velocidade máxima de uma via. Poucas
pessoas tiveram acesso ou compreenderam tal formulação. Porém o trânsito
funciona porque todos tiveram fé. De outra forma, nem todas as pessoas
compreendem porque determinados produtos precisam ser confeccionados por
determinado conjunto de matéria-prima, ou deva suportar determinadas
condições adversas para serem considerados de boa qualidade. É bem provável
que um número reduzido de pessoas tenha tal ciência. Entretanto, por causa da
fé todos são beneficiados.

Veja também A Graça, a fé, as obras e a salvação


Agora imagine essas relações sob uma ótima cientificista ou racionalista.
Imagine se as pessoas só obedecessem às regras de trânsito se estivessem
convencidas de que os pressupostos, métodos e a conclusão que deram origem
a elas, foram adequados. Que uma criança só aceitasse que dois vem depois do
um após argumento convincente da professora, ou ainda que o aluno só
aceitasse que o ensino do professor de Geografia de que a capital do Amazonas
é Manaus, após prova bem documentada? O mundo seria um verdadeiro caos.

É óbvio que algumas questões de nossa vida exigem a investigação, a reflexão


e o argumento convincente quando, por exemplo, devemos nos certificar que
estamos fazendo um bom negócio, que tal pessoa é adequada para ocupar
determinada função e etc. Porém, a Autoridade que existe para o bem comum,
não pode ser um bem sem a fé dos súditos. Assim como os Pais não são
capazes de formarem bem seus filhos, sem que estes lhe sejam obedientes. É
imprescindível que fique claro que estamos tratando aqui das legítimas
autoridades, e não de qualquer tipo de submissão a grupo ou pessoa.

A ordem na qual Deus estabeleceu e criou o mundo é segundo da ordem que


existe no céu. Logo, se existe no mundo criado legítimas autoridades que
através de seu ensino (magistério), regras (jurisdição) e ordens (governo)
promovem o bem na sociedade dos homens em diversas matérias como o
trânsito, comércio, educação, saúde, urbanização, convivência social etc., qual
é a instituição que irá promover o bem comum em relação às coisas eternas?

Ora, se o Divino Criador facilitou a conquista dos bens temporais estabelecendo


autoridades em assuntos terrenos (pois toda autoridade vem de Deus ), não
poderia deixar de nos assistir nas conquistas dos bens espirituais ou eternos.
Por isso mesmo nos deu a Igreja para que dela recebêssemos a doutrina, a
graça e a disciplina. Todos estes três bens nos orientam ao Sumo Bem que é o
próprio Deus.

Veja também Sinais para Reconhecer a Religião Revelada

Como dissemos no início deste artigo, a Fé ilumina a Razão humana orientado-a


ao Sumo Bem. Obviamente a Razão humana é limitada, porém muitas vezes ela
pode dilatar-se sob a orientação da Fé. O estudo das obras e da vida dos
grandes santos e doutores católicos nos mostram que em sua maioria, não
eram capazes de compreender certos ensinamentos da Igreja num primeiro
momento. Contudo, sua obediência ou assentimento a esses ensinamentos não
estavam condicionados à clara compreensão dos mesmos. Do contrário não
estariam obedecendo à Igreja, mas à suas próprias cabeças.
Os erros do cientificismo e do racionalismo têm em um de seus afluentes a
confiança demasiada do homem em si mesmo, nos seus próprios recursos e
esforços. E esta demasiada confiança acaba tornando-se o precipício da alma
de muitas pessoas estudiosas e inteligentes, como foi para Tertuliano, Ário,
Nestório e tantos outros heresiarcas.

Ora os heresiarcas estavam convencidos de que seus erros eram a Verdade,


porém, afastaram-se da Verdade por confiarem demais em si mesmos. O
mesmo ocorreu com John Huss, Lutero, Calvino, Tazzel Russel, Ellen White,
John Smith e outros pais do Protestantismo.

Um caso recente e digno de nota é do ex-diácono Francisco. Ficou muito


conhecimento no meio católico e também protestante por sua rejeição da fé
protestante e adesão ao catolicismo, motivado por um milagre de Nossa
Senhora (história que ele negou depois ser verdadeira).
Escreveu muitos livros em defesa do catolicismo e combate do protestantismo.
Chegou a apresentar um programa na TV Século XXI. Mais tarde motivado
pelos estudos acerca do Concílio Vaticano II e seus desdobramentos dentro da
Igreja Católica decidiu retornar ao Protestantismo tendo já gravado diversos
vídeos combatendo a fé católica. Em um deles, ele afirma que Lutero e Calvino
não entenderam bem a Ceia do Senhor e por isso formularam doutrinas
equivocadas sobre o assunto, como a doutrina da Consubstanciação. Ora, a
confiança do Sr. Francisco em si mesmo foi tão grande que julgou-se mais
capaz de entender o Evangelho que os Pais da Reforma Protestante. Fica aqui a
pergunta: porque o Sr. Francisco é mais inteligente ou foi mais iluminado que
Lutero ou Calvino? No início deste mês de março recebemos a notícia (1) de
que faleceu em comunhão com a Igreja Católica, o que se presume pelo fato
de que antes de morreu recebeu todos os sacramentos da Igreja.

Veja também A interpretação das escrituras segundo a igreja

E quantos de nós não são tentados a incorrer no mesmo erro? Quantos de nós
são infalíveis? É por estas e outras que eu prefiro continuar nas promessas de
Cristo, que além de nos dar a Igreja para nos orientar nas coisas eternas,
garantiu que as portas do inferno JAMAIS prevalecerão contra ela (cf. Mt 16,18-
19).
Notas
(1) Diácono Francisco de Almeira Araújo Morre aos 72 anos. Disponível em
http://www.diocesedeanapolis.org.br/2012/home-pagina-inicial/3-gerais/2717-
diacono-francisco-de-almeida-araujo-morre-aos-72-anos.html.