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Desalinhamento ocular pode ser reversível

O estrabismo é caracterizado pelo desalinhamento dos olhos e é mais

comum em crianças. Quando tratado precocemente pode devolver o desenvolvimento da visão. A correção de forma cirúrgica pode ser feita em qualquer idade sem a garantia do melhoramento da visão. O problema é considerado raro e afeta entre 5% a 10% dos brasileiros. Os sintomas e as consequências dos estrabismos são diferentes conforme a idade que aparecem e a maneira como se manifestam. A visão se desenvolve fundamentalmente nos 8 primeiros anos de vida, sendo os dois primeiros os de maior plasticidade sensorial.

Os estrabismos que aparecem antes dos seis anos de idade possuem um mecanismo de adaptação que faz com que haja supressão da imagem que cai no olho desviado e então a criança ou o adulto que ficou estrábico dentro deste período não apresenta visão dupla.

Nesses casos, se o desvio aparece sempre no mesmo olho (estrabismos monoculares), há diminuição da visão (ambliopia) do olho desviado. Em qualquer idade, as pessoas com estrabismos latentes (forias) terão queixas de cefaléia pelo esforço que fazem para manter os olhos alinhados, porque em situação de desvio há visão dupla. Outra consequência importante do estrabismo é o torcicolo (chamados de torcicolos oculares), isso é, para usar melhor os dois olhos a criança gira ou inclina a cabeça para uma dada posição. Os estrabismos apresentam um caráter hereditário irregular, ou seja, podem pular algumas gerações.

Outros estrabismos são conseqüências de algumas doenças, como diabetes, hipertireoidismo e afecções neurológicas.

Segundo a estrabóloga Kleidione Falcão Veiga, as causas do estrabismo ainda são desconhecidas. A pessoa pode já nascer com o desalinhamento dos olhos, pode adquirir devido ter a visão rebaixada em um olho, pela necessidade de grau alto de óculos que não se corrige e lesões na retina. Esses são os fatores mais conhecidos, porém há casos de estrabismo que não têm relação com nenhuma das alterações citadas. O que se sabe é que há ligação com o funcionamento neurológico.

O desalinhamento pode ser corrigido com a utilização de óculos para

evitar a refração. Mas o principal tratamento é a oclusão do olho dominante, o que faz com que a pessoa tenha que enxergar com o olho

que está torto. A principal complicação do estrabismo é o prejuízo à visão, mas isso não acontece em todos os casos.

Os estrabismos podem se apresentar de três maneiras:

Constantes: o desvio de um dos olhos é permanentemente observado e chamamos de monoculares quando é sempre o mesmo olho que desvia

e de alternantes quando é ora um e ora outro que desvia.

Intermitentes: ora os olhos estão alinhados e ora há desvio, sendo mais

freqüente nos estrabismos divergentes.

Somente os desvios latentes e os intermitentes pequenos é que são passíveis de serem auxiliados por exercícios chamados ortópticos. Os estrábicos devem ser examinados pelo especialista tão logo haja suspeita de desvio ocular.

Alinhamento e recuperação da visão

A estrabóloga explicou que quando a pessoa que possui estrabismo

alterna a visão entre os olhos, há grandes chances de a visão não ser afetada. O tampão oftalmológico é considerado o principal auxiliar para

o desenvolvimento da visão em olhos desalinhados. ‘‘Tampa o olho que

está retinho para desenvolver a visão daquele olho torto’’. A recomendação do uso do tampão pode ser de três a seis horas por dia quanto para o todo o dia.

Esse tipo de tratamento pode ser rejeitado pelos pacientes devido causar um desconforto em atividades sociais, por isso é melhor que os pais assim que percebam o problema procurem o médico para iniciar o tratamento. ‘‘O olho que está torto não desenvolve a visão, vai enxergar embaçado’’.

A recuperação do desvio dos olhos é feita em qualquer idade através de

cirurgia. Mas o desenvolvimento funcional do olho torto não é possível quando se tem uma procura tardia pelo tratamento. ‘‘Pode está

alinhado, mas não está funcionando’’, explica a estrabóloga. Ainda segundo ela, o processo cirúrgico é simples e a recuperação dura em média uma semana. Quanto aos riscos, consiste na infecção e, no caso de crianças, dificuldade em aplicar anestesia. Cada olho tem seis músculos que controlam a posição do olho. Durante a cirurgia, esses músculos são reposicionados.

O desvio pode aparecer novamente após a cirurgia. Conforme a médica,

isso pode ocorrer devido o desconhecimento da causa do desvio. ‘‘A gente só alinha, não retira a causa’’. A binocularidade, ou visão boa dos olhos, é o que mantém o alinhamento dos olhos. ‘‘Quando nós enxergamos com os dois olhos, tendemos a manter os olhos alinhados’’.

Problema não é hereditário

O estrabismo é mais comum entre crianças, mas também pode aparecer

na fase adulta em casos em que a pessoa tem necessidade de acrescentar grau no óculos e não faz e por adquirir uma doença neurológica. Conforme a médica, não há estudos que relacionem

estrabismo com fatores hereditários. A maior procura no consultório da estrabóloga é de crianças, quando são os adultos a grande preocupação é a estética.

O diagnóstico é feito através de exame oftalmológico. A médica explicou

que no caso de estrabismo é feito um teste de cobertura no qual é pedido para que o paciente fixe o olhar em um ponto. Se houver alteração do ponto de fixação existe um desvio. ‘‘O tratamento precoce é determinante para recuperar o desenvolvimento da visão. Em crianças em que não se perceba alteração nos olhos, a gente recomenda a primeira consulta ao oftalmologista aos três anos’’.

Ela também indicou o uso de óculos escuros com proteção ultravioleta tanto para adultos quanto crianças. ‘‘Estamos em uma cidade onde a incidência solar é muito forte, o óculos é como um protetor, tem que ser usado para evitar a exposição dos olhos’’.

Diário da Amazônia