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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRA 1

António Filipe Garcez José

? !!! Olhe que nãaoo,


olhe que nãaaooo !!!!

DIREITO PROCESSUAL CIVIL


Universidade Autónoma de Lisboa
Ano lectivo 2005/2006

Aulas teóricas: …......................................Dr. Manuel Tomé

Aulas práticas:………………..................Dr. Alfredo Mendes

Bibliografia :
Curso de Processo de Execução – Dr. Fernando Amâncio Ferreira
Textos do Doutor Manuel Tomé Soares Gomes

Apontamentos e resumos do curso, não isentos de eventuais erros ("errare


humanum est") "destilados" por António Filipe Garcez José, aluno n° 20021078,

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FENÓMENO PROCESSUAL CIVIL

O fenómeno processual civil reconduz-se esquematicamente a uma


relação sócio-jurídica que tem ...

por um lado, o ...

- Estado-Administrador da Justiça,
soberanamente representado pelo Tribunal, depositário da função
jurisdicional, por sua vez incarnado na figura do juiz.

Por outro lado, o ...

- Cidadão,
demandante ou demandado, pretensamente titular dos interesses
conflituantes ou não, protegidos pelo manto do Direito Civil e do
Direito comercial

Elementos estruturantes

1. Elementos polarizadores

- A função jurisdicional
erigida em meio de tutela, a tutela judiciária.

- O direito de acção civil


Direito que é o instrumento activador da tutela judiciária.

2. Elemento aglutinador

- O processo,
Enquanto relação jurídica ou instância, através da qual se
opera a síntese do exercício da função jurisdicional com o
exercício de direito da acção judicial.

A relação processual é uma relação triangular

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Quais são, então, os 3 pilares da relação processual civil ?

- o poder jurisdicional

- o direito de acção

- o processo equitativo

O ordenamento sistemático do nosso Código de Processo Civil


Inspirou-se deste esquema ternário (Chiovenda) e distribuiu a ....

relação processual civil pelos 3 primeiros livros :

LIVRO I – Da Acção (arts. 1° a 59°)

LIVRO II – Da Jurisdição (arts. 61° a 136°)

LIVRO III – Do Processo (arts 137° a 1510°)

RELAÇÃO PROCESSUAL CIVIL

Dever de cooperação Dever de recíproca correcção


Tribunal
Direito de Direito de
Acçã Poder Defesa
o Jurisdicional
Dispositivo Inquisitório Dispositivo

Base dialógica

Contraditório
Autor Igualdade das partes Réu

Dever de boa fé processual

Processo judicial
É a sequência de procedimentos dos interessados e do tribunal com
vista à adopção de uma providência jurisdicional, num caso
concreto

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ESTRUTURA DA RELAÇÃO PROCESSUAL CIVIL
Parte activa
Requerente, demandante, autor,

Sujeitos Parte passiva


Requerido, demandado, réu, executado

Tribunal

Direitos processuais

Poderes-deveres processuais
ESTRUTURA Conteúdo
Deveres processuais

Ónus processual

Mediato
O bem sob litígio

Objecto Pedido
A providência judicial requerida
Imediato Causa de pedir
Os factos que fundamentam a
acção

Tutela definitiva
Tutela declarativa
FIM – Realização do interesse de tutela judiciária Tutela satisfativa
Tutela cautelar

NECESSIDADE INTERESSE BEM


DE TUTELA

Quanto ao tribunal
Art. 22°LOFTJ e 267°/1 CPC
NATUREZA – Direito potestativo
Quanto ao réu
Art. 267°/2 CPC

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ELEMENTOS DA RELAÇÃO PROCESSUAL CIVIL

I – SUJEITOS

II – OBJECTO

II – CONTEÚDO

SUJEITOS

 O TRIBUNAL

 AS PARTES

As partes tomam a designação genérica de ...

- requerente / requerido

A designação específica de :

- demandante / demandado, (acções contenciosas)

- autor / réu, (acções declarativas)

- exequente / executado, (acções executivas)

- embargante / embargado, (embargos de terceiro)

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OBJECTO

 OBJECTO MEDIATO

 OBJECTO IMEDIATO

Objecto mediato
O bem sob litígio

Objecto imediato
O pedido e a causa de pedir

- O pedido
É a providência judicial requerida

- A causa de pedir
São os factos que fundamentam a acção

Pedido

Importa destacar duas vertentes :

A vertente substantiva

- a afirmação do efeito jurídico pretendido

- a descrição do objecto material litigioso

Exemplo: - Numa acção de reivindicação pede-se o reconhecimento do direito de


propriedade sobre determinada coisa e a condenação do réu a restituí-las ao autor.

Efeito jurídico pretendido


O reconhecimento do direito de propriedade e a prestação de restituição da coisa
emergente da sequel (art. 1311°CC)

Descrição do objecto material litigioso


A descrição da coisa em litígio, do bem.

A vertente processual

- O tipo de actividade que se pede que o tribunal desenvolva


para actuar o efeito pretendido (arts. 4 e 45°/ CPC) (A
actividade declarativa de reconhecimento e de decretação do comando
condenatório.)

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Causa de pedir

A causa de pedir é integrada pelo ...

- substracto fáctico
A alegação dos factos que servem de fundamento à pretensão

- perfil normativo
O enquadramento jurídico susceptível de conduzir ao efeito
pretendido

CONTEÚDO

Conteúdo
O conteúdo da relação processual é constituído pelas posições
recíprocas que se estabelecem entre os respectivos sujeitos e pelo
feixe de vínculos que os entrelaçam.

Pode considerar-se as seguintes categorias :

 Direitos processuais - Os poderes que a lei confere às partes


de agirem no quadro da relação processual

 Poderes-deveres processuais - Os poderes funcionais


conferidos ao tribunal e à secretaria, como órgão auxiliar, de
actuar no domínio da relação processual, praticando os actos
que são da sua esfera de competência.

 Deveres processuais - Condutas exigidas às partes sob pena


de sanção ou até de cumprimento compulsivo

- dever de boa fé processual – 266°-A,


- dever de cooperação para a descoberta da verdade – 266° e
519°/1/2).

 Ónus processual - Necessidade de a parte observar


determinado comportamento, estabelecido no seu interesse, cuja
omissão não importará qualquer medida de cumprimento
compulsivo nem sanção, mas apenas a ocorrência de uma
desvantagem. (ex: ónus de contestar – art. 490°/2, ónus do impulso
processual – arts. 265°/1, 285°, 291°)

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Estrutura dinâmica da relação processual

Estrutura dinâmica
A relação processual desenvolve-se pela prática de actos
processuais correspondentes ao exercício dos direitos das partes
e dos poderes-deveres do tribunal, da observância dos ónus
processuais e que se ordenam por fases que visam a obtenção de
uma providência judicial.

Este dinamismo evolutivo tem como eixos indutores os ...

Princípios da ...

Auto-responsabilidade das partes


Com este princípio quer-se significar a incumbência que impende
sobre as partes do impulso inicial e subsequente processo, sob
pena de suportarem as desvantagens . (264°/ e 265°/)

Preclusão
Significa a impossibilidade de impugnar uma decisão judicial, por
via de recurso ou de reclamação, por terem já decorrido os
respectivos prazos ou por se terem esgotado os recursos que a lei
admitia. (arts.145°/3e 489°/)

Actividade subsidiária do juiz


No desenvolvimento da instância, assiste ao juiz ...

3 tipos de poderes processuais

- o poder de impulso ou de direcção


Que o habilita a ordenar o que se mostre necessário ao
seguimento do processo (art. 265°/1)

- O poder de disciplina processual


Que visa a remoção dos obstáculos ao regular andamento do
processo e do que for meramente impertinente ou dilatório, bem
como assegurar a manutenção da ordem na realização dos actos
processuais (arts.154° e 265°/1)

- o poder de suprimento de vícios processuais


(art. 265°/2)

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Economia processual (art. 137°)
Este princípio veda aos agentes processuais a prática de actos
inúteis .

A este princípio devem ser associados os princípios da ...

- Adequação processual (art. 265°-A)

- Cooperação judiciária (art. 266° e 519°/1/2))

Poder de iniciativa
Poder de iniciativa das partes (direito de acção / direito de defesa)

 Na configuração do objecto do litígio (arts. 3, 3°-, 264, 27° a


275°

 Iniciativa probatória (arts. 342° e ss. do CC; arts. 303°/1, 512°,


519° , 523° , além de outras normas mais específicas)

 Impulso processual subsequente (arts 265°/1 e 285°)

Poder de iniciativa do juiz

 Poder-dever de proferir despacho e sentença sobre as


matérias pendentes (art. 156°/1)

 Poder-dever de cooperação quanto à configuração do litígio


( arts. 266°/2, 508°/1/b e 508°/3, 954°/4)

- poder inquisitório quanto à actividade probatória


(arts. 264°/2, 265°/3, 380°/4, 514°, 511°, 1017°/5, 1409°/2,
e art. 572° do CC.)

 Poder-dever de sanação de falta de pressupostos


processuais e suprimento de irregularidades (arts. 24°, 25°,
33°, 40°, 31°/4, 314°/3, 265°/2, 508°/1/a, 508°/2, 812°/4, 820°/2)

 Poder de direcção processual (art. 265°/1)

 Poder de disciplina processual (arts. 154°, 456°, 519°/2, 532°,


650°/2/a, b, c, d, e)

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Processo executivo e processo declarativo
ARTIGO 817º CC
Princípio geral

Não sendo a obrigação voluntariamente cumprida, tem o credor o


direito de exigir judicialmente o seu cumprimento e ...
de executar o património do devedor, nos termos
declarados neste código e nas leis de processo.

ARTIGO 4.º
Espécies de acções, consoante o seu fim

1. As acções são declarativas ou executivas.


2. As acções declarativas podem ser de simples apreciação, de condenação ou constitutivas.
Têm por fim:
a) As de simples apreciação, obter unicamente a declaração da existência ou inexistência de
um direito ou de um facto;
b) As de condenação, exigir a prestação de uma coisa ou de um facto, pressupondo ou
prevendo a violação de um direito;
c) As constitutivas, autorizar uma mudança na ordem jurídica existente.

3. Dizem-se acções executivas


aquelas em que o autor requer as providências adequadas à
reparação efectiva do direito violado.

O credor tem à sua disposição duas acções:

- Acção de cumprimento
- Acção de execução

Acção de cumprimento
A través desta acção o credor logra o reconhecimento de um direito
a uma prestação e a intimação do devedor para que cumpra.

Exemplo: uma vulgar acção de dívida

À acção de cumprimento corresponde o processo declaratório

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O processo de declaração
É utilizado para se obter o reconhecimento de um direito real ou de
um direito de crédito e a condenação do réu a realizar certa
prestação, por violação do dever jurídico correspondente.
(arts. 467° a 800°)

Acção de execução
Através desta acção, perante a proibição da auto-defesa e a não
satisfação efectiva do seu direito, o credor obtém a realização
coactiva da prestação não cumprida.

Exemplo: Acção de divórcio, com condenação de um dos


ex-cônjuges a prestar alimentos ao outro (art. 470°/2)

Á acção executiva corresponde o processo executivo

O processo de execução
É utilizado quando proferida sentença condenatória, se impõe
proceder à sua efectivação, extraindo coactivamente ao devedor a
respectiva prestação ou um seu equivalente patrimonial.

Princípio da tutela jurisdicional


Impõe a intervenção dos órgãos jurisdicionais após a resolução do
conflito, a fim de ser dado adequado cumprimento ao decidido na
sentença.

Sem a execução a sentença condenatória não teria eficácia

 Há uma estreita relação entre a função jurisdicional de


declaração e a de execução, sendo esta o complemento natural
daquela.

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ACÇÃO EXECUTIVA

Acção executiva
A acção que tem por fim exigir o cumprimento duma obrigação
estabelecida em título bastante, ou substituição da prestação
respectiva por um valor igual do património do devedor.

Fundamento da execução
Que direitos se faz valer por meio do processo
executivo ?

 Direito de acesso aos tribunais (art. 20°/1 CRP,


que se configura como um dos subprincípios concretizadores do
princípio de Estado de direito democrático (art. 2° CRP

 Direito a um processo de execução,


Direito a que, através do órgão jurisdicional, se efective a sanção
contida na sentença condenatória proferida pelo tribunal ou que a
lei considera integrada no título executivo negocial.

 Direito de acção executiva


tem a mesma natureza que o direito de acção declarativa, sendo
como este um direito autónomo e independente do direito
substancial.
Basta ao credor estar munido do título executivo para poder
exercitar a acção executiva.

no processo executivo também há lugar a uma ...

actividade jurisdicional declarativa


No decurso da qual se examinam certos pressupostos especiais
específicos e se viabiliza um debate sobre o direito subjectivo
material para o qual se solicita a tutela jurisdicional executiva.

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PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS
(da acção executiva

Função da acção executiva


A acção executiva tem por função realizar, através de elementos do
património do devedor ou, excepcionalmente, de terceiro, a tutela
judiciária de direitos ou pretensões substantivas, já definidas
em título idóneo, cujas prestações se mantêm insatisfeitas.

A acção executiva supõe :

 Um direito ou pretensão constante de título executivo


 A insatisfação da correspectiva prestação
 Responsabilidade patrimonial do devedor ou de terceiro

O Direito de acção (art. 2°/2 CPC)


Poder jurídico de requerer a execução judicial do património do
devedor (art. 817° CC), ou excepcionalmente, de terceiro (art. 818°
CC), para satisfazer um direito ou pretensão certificado em título
idóneo das espécies previstas no artigo 46° do CPC.

Autonomia da acção executiva


Para existir direito de acção judicial basta que se afirme em juízo a
existência de um direito ou pretensão tutelável pelo direito
substantivo.

 O direito de acção é simultaneamente concreto e autónomo

Concreto
Concreto porque se reporta, afirmativamente, a uma situação e a
efeitos singulares.

 A concreticidade é lhe dada pela singularidade do seu


objecto: o pedido e a causa de pedir.

Autónomo
Autónomo porque não depende da existência do direito afirmado,

 O direito que se pretende satisfazer por via de acção


executiva encontra-se certificado no título executivo.

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Pode verificar-se desconformidade entre o título executivo e a


realidade jurídica que lhe está subjacente ...

nos casos de:

- Execução com base em situação ainda não transitada de que


se interpôs recurso com efeito meramente devolutivo.

- Execução pendente com base em sentença objecto de


recurso extraordinário de revisão ou de oposição de terceiro.

- Execução de sentença transitada, mas em que surjam factos


extintivos ou modificativos supervenientes nos termos do art.
814°/g)

Resumindo :

Para que exista direito de acção executiva ...

... é necessário :

- A apresentação do título executivo

Para que a execução atinja o seu fim ...

... é necessário :

- Que o título não seja destruído ou considerado desconforme


com o direito substancial subjacente

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ESQUEMA ESTRUTURAL DO DIREITO DE ACÇÃO EXECUTIVA

Objecto
O direito de acção executiva tem por objecto a ...

 Pretensão executiva,

Que compreende uma ...

Vertente substantiva
a prestação acertada, atestada ou certificada no título executivo

e uma ...

Vertente processual
As providências jurisdicionais adequadas à satisfação da prestação
acertada (penhora, venda e pagamento coercivo; apreensão e entrega da coisa)

 Causa presumida

- o fundamento do direito da acção executiva traduz-se na causa


presumida pelo próprio título.

Conteúdo

O conteúdo
O conteúdo do direito de acção executiva compreende o complexo
das posições jurídicas que assistem ao exequente no
desenvolvimento da relação processual.

Pressupostos processuais gerais

 Personalidade judiciária e capacidade judiciária

 Legitimidade processual, aferível em face do título.(arts. 55° e ss.)

 Patrocínio judiciário (art. 60°)

 Interesse em agir

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 A competência do tribunal (arts. 90° a 95°)
Pressupostos processuais específicos

Pressuposto formal (arts. 45° e ss.)

 Título executivo

Pressupostos substanciais (art. 802°)

 Certeza
 Exigibilidade da obrigação exequenda
 liquidez

Espécies de acções executivas (art. 45°/2)

A acção executiva pode assumir uma destas espécies:

- Pagamento de quantia certa (arts. 550° a 558° CC)


- Entrega de coisa certa (art. 827° CC)
- Prestação de facto (arts. 828° e 829°)

Pagamento de quantia certa


Quando a obrigação exequenda consista numa obrigação
pecuniária.

Obrigações pecuniárias
Constituem uma espécie de obrigação genérica com regime próprio
(arts 550° a 558° CC) e ...

distribuem-se por 3 modalidades

- Obrigações de quantidade (arts. 550° e 551° CC)


As que têm por objecto determinada quantia em moeda com
curso legal no País .

- Obrigações de moeda específica (arts. 552° a 557° CC).


São aquelas em que as prestações serão efectuadas em
quantidade determinada, num género de moeda.

- Obrigações em moeda estrangeira (art. 558°CC)

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Designadas também por obrigações valutárias, são as que têm
por objecto montantes pecuniários expressos em moeda
estrangeira.
Entrega de coisa certa
Tem por base uma obrigação de “dare” coisa que não dinheiro,
fungível ou não fungível, seja essa obrigação emergente de relação
de crédito, seja ela correspondente a direito real.

 É uma modalidade de execução específica por contraposição


à execução por equivalente em que se traduz a execução
para pagamento de quantia certa.

Prestação de facto
Tem por objecto a prestação de “facere” ou ”non facere” - facto
positivo ou negativo -, fungível ou infungível.

TÍTULO EXECUTIVO

Título executivo
Pressuposto processual específico da acção executiva, pelo qual se

- define o objecto da execução


- aferem os titulares da obrigação exequenda
- delimita a intervenção dos órgãos executivos

Espécies de títulos executivos

ARTIGO 46.º
Espécies de títulos executivos

1 - À execução apenas podem servir de base:

a) As sentenças condenatórias;
b) Os documentos exarados ou autenticados por notário que
importem constituição ou reconhecimento de qualquer obrigação;
c) Os documentos particulares, assinados pelo devedor, que
importem constituição ou reconhecimento de obrigações
pecuniárias, cujo montante seja determinado ou determinável por
simples cálculo aritmético, ou de obrigação de entrega de coisa ou
de prestação de facto;
d) Os documentos a que, por disposição especial, seja atribuída
força executiva.

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2 - Consideram-se abrangidos pelo título executivo os juros de


mora, à taxa legal, da obrigação dele constante.
Há duas grandes categorias de títulos executivos...

- Títulos Judiciais
- Títulos extrajudiciais

Títulos Judiciais
Aqueles que são produzidos em juízo ou em instância equiparada
(tribunais arbitrais e julgados de paz)

Dentro desta categoria temos as ...

 Sentenças condenatórias nacionais ou estrangeiras


(art. 46°/a) e 49°/1 CPC)

 Decisões judiciais equiparadas (art. 48°/1 CPC)

 Decisões arbitrais nacionais ou estrangeiras (art. 48°/2 e


49°/1 CPC)

Títulos Extrajudiciais

 Títulos negociais

- Documentos exarados ou autenticados por notário

- Documentos particulares

 Títulos criados por disposição especial

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TÍTULOS EXECUTIVOS JUDICIAIS

Sentenças condenatórias

Sentença condenatória (relevante como título executivo)


É aquela que condena o réu no cumprimento de uma obrigação
patrimonial...

ou seja, ...

condena o réu na realização de uma prestação que pode ser de


pagamento de quantia em dinheiro, de entrega de uma coisa móvel
ou imóvel ou de uma prestação de facto positivo ou negativo.

Sentença constitutiva
A sentença constitutiva é título executivo sempre que contenha
implícita, pela natureza do objecto da acção, uma ordem de praticar
certo acto ou de se realizar a mudança a que a acção visava (acções
de demarcação, divisão de coisa comum, partilhas judiciais, de preferência, etc.)

Sentenças homologatórias
Quando versem sobre transacção, confissão do pedido, partilha de
bens ou divisão de coisa comum, elas relevarão como título
executivo se as obrigações delas decorrentes forem de pagamento
de quantia certa, de entrega de coisa certa ou de prestação de facto
positivo ou negativo, equivalendo às sentenças condenatórias
(arts. 814°/h), e 301°) Para saber se uma sentença
proferida em acção diversa de
Resumindo ... acção de condenação contém uma
condenação implícita
equivalente a sentença
condenatória, para os efeitos do
artigo 46°/a), haverá que se tomar
em conta o seu contexto no plano
da respectiva fundamentação .
Capito ?!!

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ARTIGO 47.º
Requisitos da exequibilidade da sentença

1. A sentença só constitui título executivo depois do trânsito


em julgado, salvo se o recurso contra ela interposto tiver efeito
meramente devolutivo.

2. A execução iniciada na pendência de recurso extingue-se ou


modifica-se em conformidade com a decisão definitiva comprovada
por certidão. ...

As decisões intermédias podem igualmente suspender ou


modificar a execução, consoante o efeito atribuído ao recurso que
contra elas se interpuser.

3. Enquanto a sentença estiver pendente de recurso, não pode o


exequente ou qualquer credor ser pago sem prestar caução.

4 - Quando se execute sentença da qual haja sido interposto


recurso com efeito meramente devolutivo, sem que a parte
vencida haja requerido a atribuição do efeito suspensivo, nos
termos do n.º 3 do artigo 692.º, nem a parte vencedora haja
requerido a prestação de caução, nos termos do n.º 2 do artigo
693.º, o executado pode obter a suspensão da execução, mediante
prestação de caução, aplicando-se, devidamente adaptado, o n.º 3
do artigo 818.º.

5 - Tendo havido condenação genérica, nos termos do n.º 2 do


artigo 661.º, e não dependendo a liquidação da obrigação de
simples cálculo aritmético, a sentença só constitui título executivo
após a liquidação no processo declarativo, sem prejuízo da imediata
exequibilidade da parte que seja líquida e do disposto no n.º 6 do
artigo 805.º.

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Requisitos de exequibilidade (da sentença condenatória)

- Trânsito em julgado

- Liquidação prévia da sentença condenatória genérica não


dependente de simples cálculo aritmético.

1 - Trânsito em julgado

 Em regra, para que as sentenças condenatórias tenham força


executiva necessitam de transitar em julgado (art. 47°/1)

Noção de trânsito em julgado


Significa que a sentença não é susceptível de recurso ordinário ou
de reclamação nos termos dos artigos 668° e 689° (art. 677°)

 Tem força executiva a sentença que tenha sido objecto de


recurso com efeito meramente devolutivo (ressalva do art. 47°/1)

 A apelação tem efeito suspensivo da execução (art. 692°/2/3)

 Tem efeito suspensivo da execução a sentença de 1ª instância


que decrete o despejo de arrendado urbano (art. 57°/2 RAU)

 A revista só tem efeito suspensivo em questões sobre o estado


das pessoas (art. 723°)

 Os recursos extraordinários, de revisão e de oposição de


terceiro, não têm efeito suspensivo da execução (arts. 774°/4 e
781°/3

Execução provisória
Quando tenha sido interposto recurso da sentença com efeito
meramente devolutivo, a parte vencedora pode instaurar a
execução provisória, com base no traslado (arts. 693°/1, 724°/2-
2ª parte e 90°/3)

Noção de traslado
Designação tradicional da certidão das peças do processo que vão
servir de base à execução.

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Execução iniciada na pendência do recurso ...

- altera-se, modificando-se ou extinguindo-se, em conformidade


com a decisão final transitada (art. 47°/2)

- As decisões intermédias podem também suspender-se ou


modificar-se, consoante o efeito atribuído ao recurso delas
interposto (art. 47°/2, in fine)

- Enquanto estiver pendente o recurso, o exequente ou


qualquer credor não pode ser pago sem prestar caução (art.
47°/3)

- O executado pode obter a suspensão da execução de


sentença com recurso ainda pendente, prestando caução.

- Havendo venda executiva, se a sentença exequenda for


anulada ou revogada, aquela venda ficará sem efeito, como
determina (art. 909°/1/a))

2 - Liquidação prévia da sentença condenatória genérica não


dependente de simples cálculo aritmético

 Nos casos em que o tribunal profira condenação genérica, nos


termos do art. 661°/2, se a liquidação da obrigação não
depender de simples cálculo aritmético, a sentença só se
torna exequível após a liquidação no processo
declarativo, mediante o procedimento previsto no art.
380°/3/4, sem prejuízo da imediata exequibilidade da parte
que seja líquida (art. 47°/5)

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Âmbito da oposição à execução

Esta oposição tem o âmbito restrito e taxativo definido no art. 814°...

Artigo 814.º
Fundamentos de oposição à execução baseada em sentença

Fundando-se a execução em sentença, a oposição só pode ter


algum dos fundamentos seguintes:

a) Inexistência ou inexequibilidade do título;

b) Falsidade do processo ou do traslado ou infidelidade deste,


quando uma ou outra influa nos termos da execução;

c) Falta de qualquer pressuposto processual de que dependa a


regularidade da instância executiva, sem prejuízo do seu
suprimento;

d) Falta ou nulidade da citação para a acção declarativa quando o


réu não tenha intervindo no processo;

e) Incerteza, inexigibilidade ou iliquidez da obrigação exequenda,


não supridas na fase introdutória da execução;

f) Caso julgado anterior à sentença que se executa;

g) Qualquer facto extintivo ou modificativo da obrigação, desde


que seja posterior ao encerramento da discussão no processo de
declaração e se prove por documento. A prescrição do direito ou da
obrigação pode ser provada por qualquer meio;

h) Tratando-se de sentença homologatória de confissão ou


transacção, qualquer causa de nulidade ou anulabilidade desses
actos.

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Decisões judiciais equiparadas a sentenças condenatórias

ARTIGO 48.º
Exequibilidade dos despachos e das decisões arbitrais

1. São equiparados às sentenças, sob o ponto de vista da força


executiva, os despachos e quaisquer outras decisões ou actos da
autoridade judicial que condenem no cumprimento duma obrigação.

2. As decisões proferidas pelo tribunal arbitral são exequíveis


nos mesmos termos em que o são as decisões dos tribunais
comuns.

Exemplos :
As decisões previstas nos artigos: 154°/5, 519°/2, 537°, 629°/4 CPC

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TÍTULOS EXECUTIVOS EXTRAJUDICIAIS

TÍTULOS NEGOCIAIS

Títulos negociais
Os que decorrem de acto da vontade das partes, nos termos
previstos na lei.

Documentos exarados por notário

Noção legal (art. 46°/b))


São títulos executivos os documentos exarados por notário,com as
formalidades legais, que importem constituição ou reconhecimento
de qualquer obrigação

Documentos autênticos
São documentos autênticos, nos termos conjugados dos
arts.363°/1/2 e 369°/1 do CC, os documentos exarados por
notário, com as formalidades legais, dentro do círculo de
actividades que lhe é atribuído pelo art. 4° do CN.

Requisitos de exequibilidade
Em regra, os documentos exarados por notário, com as
formalidades legais, não carecem de qualquer outro requisito de
exequibilidade.

Excepto, quando nesses documentos ...

- se convencionarem prestações futuras para a conclusão


do negócio (contrato de abertura de crédito, contrato de fornecimento)
ou ...

- seja previsto a constituição de obrigações futuras


(constituição de hipoteca voluntária, por contrato ou negócio unilateral, para garantir
obrigação futura ou condicional (686°/2, e 712° CC)

nesse caso ...

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tem de ser provado que alguma prestação foi realizada para
conclusão do negócio, ou que alguma obrigação foi constituída na
sequência da previsão das partes.
Tem de ser provado por....

- documento adminicular, passado em conformidade com as


respectivas cláusulas (extractos da conta-corrente dos depósitos efectuados
em execução do contrato de abertura de crédito, as facturas reportadas aos contratos
singulares de compra e venda realizados em execução do contrato-quadro de
fornecimento)

ou na falta desse clausulado, por exibição de ...

- documento complementar revestido de força executiva


própria (letra de câmbio ou cheque emitidos em titulação da obrigação futura
previamente garantida por hipoteca constituída mediante escritura pública)

ARTIGO 804.º
Obrigação condicional ou dependente de prestação

1 - Quando a obrigação esteja dependente de condição


suspensiva ou de uma prestação por parte do credor ou de
terceiro, incumbe ao credor provar documentalmente, perante o
agente de execução, que se verificou a condição ou que se
efectuou ou ofereceu a prestação.

2 - Quando a prova não possa ser feita por documentos, o


credor, ao requerer a execução, oferece as respectivas provas, que
são logo sumariamente produzidas perante o juiz, a menos que este
entenda necessário ouvir o devedor; neste caso, o devedor é citado
com a advertência de que, na falta de contestação, se considerará
verificada a condição ou efectuada ou oferecida a prestação, nos
termos do requerimento executivo, salvo o disposto no artigo 485.º.

3 - A contestação do executado só pode ter lugar em oposição


à execução.

4 - Os n.ºs 7 e 8 do artigo 805.º aplicam-se, com as necessárias


adaptações, quando se execute obrigação que só parcialmente seja
exigível.

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Âmbito de exequibilidade
Os documentos exarados por notário podem consistir em....

- documentos constitutivos (da obrigação exequenda)


Quando deles constem os negócios jurídicos, contrato ou negócio
unilateral, que servem de fonte ou de causa a essa obrigação

- documentos recognitivos (da obrigação exequenda)


Quando deles apenas conste a declaração de reconhecimento ou
confissão da obrigação, sem indicação da respectiva causa, a qual
se presumirá “juris tantum” , por força do art. 458°/1 CC.

 Os documentos exarados por notário, com as formalidades


legais, têm um âmbito de exequibilidade plena
na esfera negocial das partes ... e ... dentro dos limites da lei,
nos termos do art. 45°/2 CPC.

Âmbito da oposição à execução


A oposição à execução baseada em documentos exarados por
notário tem um âmbito alargado ou latitudinário (art. 816°)

O executado pode invocar ...

- os fundamentos especificados no art. 814° ... e ...

- Todos os meios de defesa por impugnação ou por excepção


que lhe seria lícito deduzir em sede do processo de
declaração (arts. 342° CC, e 487°, 493° a 496° CPC)

Mas... tratando-se de um documento autêntico, com força


probatória reforçada, ... presume-se....

quanto à força probatória formal - a autenticidade do documento,


a qual pode ser ilidida mediante prova em contrário (art. 370°/2 CC)

Quanto à força probatória material – o documento autêntico faz


prova plena (art. 371°/1 CC), só podendo ser ilidida com base na
falsidade (art. 372° CC)

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 O ónus da prova incumbirá ao executado/oponente (arts. 546°
e ss CPC) sem prejuízo do seu conhecimento oficioso (arts.
370°/2 e 372°/2 CC)
Documentos autenticados por notário

Noção legal (art. 363°/1 in fine/3 CC e art. 150°/1 CN)


São documentos particulares, assinados pelas partes, em que estas
confirmam o seu conteúdo perante o notário, o qual lavrará o
respectivo termo de autenticação, com as formalidades legais
exigidas.

Requisitos de exequibilidade

Valem os mesmos requisitos quanto aos documentos autênticos


exarados por notário.

Âmbito de exequibilidade

 Os documentos autenticados por notário podem servir de


título executivo, (art. 45°/2 ) desde que seja lícito aos seus
outorgantes dispor sobre os direitos ou obrigações ali
plasmados.

 Os documentos autenticados têm a força probatória dos


documentos autênticos, mas não os substituem quando a lei
exija documento desta natureza para a validade do acto
(art. 377° CC)

 Quando o documento autêntico for exigido somente para prova


do negócio jurídico causante – documento ad probationem –
esse documento não pode ser substituído por documento
autenticado de que conste apenas uma confissão tácita, mas já o
poderá ser no caso de se tratar de uma confissão expressa
(conjugando os arts. 364°/2, 377° 1ª parte, e 458°/2 CC)

Âmbito da oposição à execução

Valem aqui as considerações já expendidas para os documentos


autênticos (art. 377°CC)

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Documentos particulares assinados pelo devedor

Noção legal
Os documentos particulares escritos devem ser assinados pelo seu
autor, ou por outro a rogo, se o autor não souber ou não puder
assinar (art. 373°/CC)

 A assinatura é um requisito essencial do documento particular


para efeitos probatórios (arts.373° a 379° e 368° )

 No domínio da acção executiva, a assinatura do documento


particular é um requisito essencial para o qualificar como
título executivo (art. 46° CPC)

Todavia...

 Os documentos particulares não assinados podem relevar como


princípio de prova documental (arts. 366° e 380° a 382° CC e art.
44° do C. Com.)

Âmbito de exequibilidade dos documentos particulares

Estão excluídos do âmbito de exequibilidade:

- Os documentos que importem constituição ou reconhecimento


de dívida a liquidar, que não por simples cálculo aritmético
(art. 805°/4)

- Os documentos que importem constituição ou reconhecimento


de obrigação para cujo negócio causante a lei exija
documento “ad substancionem” ou “ad probationem” mais
solene.

Para efeitos de exequibilidade, os documentos particulares podem


consistir em:

- documentos constitutivos (da obrigação exequenda)

- Documentos recognitivos da obrigação exequenda (458°/1 CC)

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A obrigação constante do título pode ser:

- obrigação pura
Dependem de interpelação (arts. 805°/1 CC, 662°/2/b), 662°/3
CPC)

- obrigação já vencida
em data certa ou por interpelação extrajudicial (art. 812°-
A/1/c) CPC)

- obrigação condicional
quando sujeita a condição suspensiva (arts. 270° e ss CC)

- obrigação sujeita a termo suspensiva


Nos termos previstos no art. 278° e 279° do CC;
quando ainda não tenha decorrido o tempo estipulado, a
obrigação exequenda carece de exigibilidade (ver os arts.780°
e 781° CC)

 Do documento recognitivo
devem constar os elementos subjectivos e objectivos da obrigação
exequenda; sujeitos e conteúdo da obrigação, objecto da prestação,
que retratem a certeza do direito dado à execução, postulada pelo
título executivo, em termos de tornar dispensável a prévia acção
declarativa.

 O documento recognitivo
não tem eficácia constitutiva da obrigação, mas apenas modifica o
seu regime probatório, fazendo presumir ”iuris tantum” a existência
do negócio que lhe serve de fonte.

Âmbito de oposição à execução

A oposição à execução baseada em documento particular não


autenticado tem um âmbito alargado ou latitudinário, já que o
executado pode deduzir todos os meios de defesa que lhe era
permitido em sede de processo declarativo.

Mas...

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Mas ...

Há que ter em conta as regras de repartição do ónus da prova


específicas dos documentos particulares

Quanto à força probatória formal

- assinatura não reconhecida presencialmente por notário


A impugnação da assinatura pelo devedor/executado, faz
recair sobre o exequente o ónus da prova da autoria do
documento dado à execução (art. 374° CC)

- Assinatura reconhecida presencialmente por notário


Incumbirá ao devedor/executado a arguição da falsidade
desse reconhecimento (art. 375°/2 CC)

Quanto à força probatória material

Uma vez estabelecida a autoria do documento, considera-se:

- que o documento faz prova plena quanto à atribuição das


declarações nele contidas ao seu autor (sem prejuízo do
constante nos artigos 376°/2 e 378° CC)

- que estão provados os factos constantes do documento, na


medida em que sejam contrários ao interesse do declarante
(ver os arts. 376° e 360° CC)

Nos documentos recognitivos

presume-se a prova da relação fundamental, recaindo sobre o


devedor/executado o ónus de provar a inexistência insubsistência
dessa relação (sem prejuízo do constante no art. 374° CC)

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Nos títulos de crédito

- nas relações imediatas


Incumbe ao obrigado cartular a prova das excepções
fundadas na relação causal ou extracartular (arts. 10° e 17°
da LULL e 13° e 22° da LURC

- Nas relações mediatas


Está vedado ao obrigado cartular invocar contra o portador do
título as excepções da relação causal, salvo com fundamento
em que esse portador adquiriu o título de má fé ou, ao
adquiri-lo, cometeu falta grave em detrimento do devedor
(arts. 10° e 17° “in fine” LULL, e arts. 13° e 22° LURC);
Ao devedor cartular é lícito impugnar a assinatura que lhe é
atribuída nos termos gerais já anteriormente referidos.

Dispensa de citação prévia à penhora

Na execução baseada em documento particular não autenticado,


pode haver dispensa legal de citação prévia do executado à
penhora (arts. 812°- A/1/c)/d), e 812°- B/1)

.. .continua no próximo
episódio !!

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