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APRESENTAÇÃO DE TEOLOGIA SISTEMÁTICA

I. Introdução: o tema clássico entre a teologia agostiniana e todas as formas de


semipelagianismo está concentrado no aspecto da ordem da salvação. Qual é a relação
entre regeneração e fé? A regeneração é uma obra monergística ou sinergística? A
graça da regeneração é operante ou cooperativa? Para uma melhor compreensão
vamos esclarecer primeiro o que significam os termos monergismo e sinergismo.
O monergismo é uma regeneração que é alcançada ou realizada por um simples
protagonista, Deus. Significa literalmente a obra de um. O sinergismo, por outro lado,
refere-se à obra que envolve a ação de duas ou mais partes. Trata-se de uma obra
conjunta. Usualmente, a graça assistente de Deus é vista como um ingrediente
necessário, mas dependente da cooperação humana para sua eficácia.
De acordo com a maioria dos reformadores, por causa da escravidão moral do
pecador não-regenerado, este não pode ter fé até que tenha sido mudado interiormente
pela obra operante e monergística do Espírito Santo. A fé é fruto da regeneração, não a
sua causa. Por outro lado, o semipelagianismo, defende que a regeneração é trabalhada
por Deus, mas somente naqueles que primeiramente responderam a Ele em fé. Neste
caso, a fé não é vista como fruto da regeneração, mas como um ato de vontade que
coopera com a oferta da graça de Deus.

II. Somos Todos Capazes [...].

O nome Pelagianismo tem sua origem a partir de um monge britânico que se


engajou num debate ardente com Agostinho na igreja primitiva. Presumivelmente
nascido na Irlanda, Pelágio se tornou monge e eunuco. Movido em sua alma, Pelágio
chamou a igreja para uma perseguição da virtude e até mesmo da perfeição moral.

Adolph Harnack dizia que Pelágio foi levado à ira por uma cristandade inerte,
que se desculpava de sua fragilidade da carne e a impossibilidade de cumprir os
mandamentos de Deus. De acordo com Harnack, Pelágio pregava que Deus não havia
ordenado nada impossível, que o homem possuí o poder de fazer o bem se assim o
desejar e que a fraqueza da carne é uma mera desculpa.

Para Pelágio Deus nunca ordena algo impossível para o homem realizar. De
acordo com essa perspectiva o homem faz o bem por si mesmo sem contar com a ajuda
de Deus. No entanto, temos um problema, por exemplo, se um pai mandasse seu filho
andar sem que este tivesse aprendido ele não conseguiria cumprir com essa ordem, pois,
neste momento e nesta condição em que seu filho se encontra ele não pode fazer o que o
pai pede sem que o pai o ajude. O filho pode andar [...] segurando a mão do pai. É como
se a criança tivesse o potencial para andar, mas não a capacidade de fazer isso sozinha.
Para Pelágio o homem tem tanto o potencial como a capacidade de fazer o bem se assim
ele o quiser.
O confronto de Pelágio e Agostinho foi devido a uma oração deste último que
dizia: “Concede o que Tu ordenaste, e ordena o que Tu deseja”. Em resposta Pelágio
levantou a seguinte questão: a assistência da graça é necessária para o ser humano
obedecer aos comandos de Deus? Ou esses comandos podem ser obedecidos sem essa
assistência? Para Pelágio a ordem para obedecer implica habilidade para obedecer.

Portanto se Deus ordena que as pessoas creiam em Cristo, então elas devem ter o
poder de crer sem a ajuda da graça. Se Deus ordena que os pecadores se arrependam,
eles devem ter a habilidade de se inclinarem a obedecer ao comando. Conforme Pelágio,
a obediência não precisa, de forma alguma, ser concedida.

Para pelágio, a natureza humana não requer graça para cumprir suas obrigações.
Através do Livre-Arbítrio, e por meio do seu próprio esforço o homem pode alcançar
tudo o que se requer dele na moralidade e na religião.

As Dezoito Premissas do Pensamento de Pelágio

1. Para Pelágio, a premissa dos mais altos atributos de Deus é a sua bondade e
justiça. Sem isso Deus não é Deus. É inconcebível um Deus que carece da
perfeição da bondade e da justiça.

2. Se Deus é completamente bom, então tudo o que criou é perfeitamente bom.


Toda a sua criação é boa incluindo o homem. Para Pelagio Adão foi dotado com
razão e Livre-Arbítrio. Essa liberdade é o bem supremo a honra e a glória do
homem. O livre-arbítrio consiste essencialmente na habilidade do homem de
escolher entre o bem e o mal. Essa habilidade é dada ao homem por Deus na
criação, e é um aspecto essencial da natureza constituinte do homem.

3. A terceira premissa de Pelágio é que a natureza foi criada não apenas boa, mas
incontestavelmente boa. Nisso Pelágio tinha toda a razão.

4. A quarta premissa diz que a natureza humana, como tal, é inalteravelmente boa.
Isto e, a essência constituinte do homem permanece boa. Em sua natureza
humana a essência não pode ser alterada. Ela só pode sofrer alternância
acidental, no entanto, esse acidente é exterior e não interior.

5. O mal jamais pode transformar em natureza. O pecado é sempre um ato e nunca


uma natureza.

6. O pecado só existe como resultado das tentações de Satanás e da concupiscência


sensual.

7. O homem pode ou tem a possibilidade de ser sem pecado.


8. Adão foi criado com livre-arbítrio e uma santidade natural.

9. Adão pecou por vontade própria. Ele não foi coagido por Deus ou por qualquer
outra criatura a cometer o primeiro ato de pecado. Esse pecado não resultou na
corrupção de sua natureza.

10. A primogenitura de Adão não herdou a morte natural e nem a morte espiritual.

11. Nem o pecado nem sua culpa foram transmitidos à sua descendência. Para
Pelágio não há conexão entre o pecado de Adão e o nosso.

12. Para Pelágio todos os homens são criados por Deus na mesma posição que Adão
gozava antes da queda.

13. O ato de pecar enfraquece a vontade. No entanto, esse enfraquecimento é


acidental.

14. A graça facilita a bondade. A graça de Deus faz com que seja mais fácil para nós
sermos justos. Porém, ela não é essencial para alcançarmos a justiça. O homem
pode e deve ser bom sem o auxilio da graça.

15. A graça fundamental que Deus dá é aquela dada na criação.

16. A graça dada por Deus na Lei, a graça da instrução e iluminação.

17. A graça é dada não apenas por meio da Lei, mas também por Cristo.

18. A graça de Deus é compatível com sua justiça.

Síntese: os mais altos atributos de Deus são sua retidão e justiça. Tudo o que Deus criou
é bom. Como algo criado, a natureza não pode ser mudada na sua essência. A natureza
humana é inalteravelmente boa. O mal é um ato que nós podemos evitar. O pecado vem
via armadilhas satânicas e concupiscência sensual. Pode haver homens sem pecado.
Adão foi criado com livre-arbítrio e santidade natural. Adão pecou por livre vontade. A
descendência de Adão não herdou dele a morte natural. Nem o pecado de Adão nem sua
culpa foram transmitidos. Todos os homens são criados como Adão era antes da queda.
O habito de pecar enfraquece a vontade. A graça de Deus facilita a bondade, mas não
necessária para se alcança-la. A graça da criação produz homens perfeitos. A graça da
Lei de Deus ilumina e instrui. Cristo trabalha principalmente pelo seu exemplo. A graça
é dada de acordo com a justiça e mérito.

III. O Desenrolar da Controvérsia


1) A controvérsia Pelagiana surgiu por volta de 411 – 412 em Cartago. Pelágio
ensinava que: Adão foi feito mortal e teria morrido se tivesse ou não cometido
pecado – que o pecado de Adão só trouxe prejuízo a ele mesmo e não a raça
humana – infantes, quando nascem, estão no estado em que Adão estava antes do
seu erro – que a raça humana não morre por causa da morte de Adão e do seu erro
e nem ressuscitará em virtude da ressurreição de Cristo – tanto a lei quanto o
evangelho admitem os homens no reino dos céus – mesmo antes do advento do
nosso Senhor, houve homens impecáveis, isto é, homens sem pecado – que o
homem pode estar sem pecado e pode facilmente manter os comandos divinos se
assim o desejar.

IV. Somos Incapazes de Obedecer [AGOSTINHO]

 Foi pelo mau uso do seu Livre-Arbítrio que o homem o destruiu e a si mesmo
também.

1. Antecedentes

Em [354] nasce em Tagaste, Numídia, África do Norte. [371] começa a estudar


retórica em Cartago. [386] converte-se ao Cristianismo. [387] batizado em Milão por
Ambrósio. [391] ordenado sacerdote em Hipona [África do Norte]. [396] torna-se bispo
único em Hipona. [400] termina de escrever as Confissões. [412 – 430] escreve
refutações ao pelagianismo. [413 – 426] escreve Cidade de Deus. [430] morre em
Hipona.
O ensinamento de Agostinho sobre a graça serviu de combustível para a
Reforma e moldou toda a teologia protestante por séculos. Agostinho é geralmente
considerado como o maior teólogo do primeiro milênio da história cristã, se não de
todos os tempos. De acordo com Warfield, “Agostinho estabeleceu a graça como
indispensável à vida cristã”. Agostinho via o homem como pecador e inteiramente
dependente de Deus para fazer o bem.
Desta maneira Agostinho busca responder a condição do homem como: o que é
necessário para o homem caído recuperar-se para o bem e para Deus? Para Agostinho a
resposta-chave para esta pergunta estava na graça de Deus.

Essa graça é livre porque não é merecida nem conquistada. É indispensável


porque é a condição necessária para a recuperação. É preveniente porque deve vir
ante que o pecador possa se recuperar. É irresistível porque é eficaz, executando o
proposito de Deus ao dá-la. É infalível porque essa liberação da graça é perfeita,
indefectível, sem falha. A dádiva é ligada ao proposito eterno de Deus e é intimamente
vinculada ao seu proposito da predestinação.

Essa visão deve ser interpretada sobre o fundamento que Agostinho tem a
respeito de queda. Pois, de imediato vemos aqui uma grande diferença entre a sua visão
e a visão de Pelágio. Agostinho definiu a humanidade como uma “massa de pecados”,
pelo pecado de Adão, toda a sua descendência foi corrompida e nasceu sob a
penalidade de morte, que ele havia atraído sobre si.

2. A Humanidade Antes da Queda

Para Agostinho, a humanidade tida como originalmente criada por Deus,


era boa e justa. Assim sendo, a vontade do homem era tanto livre quanto boa,
servindo a Deus com disposição e grande satisfação.

De acordo com Agostinho, a humanidade original tinha a tanto a


capacidade para pecar como a capacidade para não pecar se assim o quisesse.
Isto é, Adão tinha apenas a capacidade para não pecar e não a incapacidade de
não pecar. Apenas Deus possui esta incapacidade para não pecar. Apenas no céu
já com nossos corpos glorificados é que teremos essa incapacidade para não
pecar.

Essa incapacidade não se dá porque nos tornaremos divinos, mas sim


porque Deus nos preservará em estado de perfeição eternamente.

Na criação, Adão tinha a possibilidade, mas não a necessidade de pecar.


Agostinho aponta o orgulho à causa da queda. Aqui Agostinho descreve o
problema, mas não o explica. Esse é o grande enigma que continuaremos a
encarar sobre esse acontecimento.

Na queda Adão afetou a sua natureza moral. Mas não apenas a sua.
Também afetou a de toda a sua descendência, e é aqui que há um grande
contraste em Pelágio.

Pelágio argumentava que o pecado de Adão havia afetado apenas ele


mesmo. Por outro lado, Agostinho afirmava que o pecado de Adão afetou não
apenas ele, mas toda a sua posteridade.

De acordo com Pelágio, Adão agiu como um indivíduo e as


consequências da sua ação atingiram somente a ele mesmo. Para Agostinho,
Adão não agiu como um indivíduo solitário, mas como um representante da raça
humana. Portanto todos pecaram em Adão.

3. Consequências da Queda

Este tópico se divide em oito consequências da queda.


 A Primeira, desde que o homem foi criado com a possibilidade de pecar, ele teve
a capacidade de cair desde o começo. Ele foi criado bom, mas multável. Sua
condição era livre para tomar suas decisões sem ser influenciado.

 A Segunda, após a queda sua consequência foi à perda da liberdade. Na criação


o homem tinha de si mesmo uma inclinação positiva para o bem e para amar a
Deus. Embora fosse possível que o homem pecasse, não havia necessidade
moral para que agisse assim. Como resultado da queda, a vontade caída tornou-
se a fonte de mal em lugar de fonte do bem.

 A Terceira consequência é a obstrução do conhecimento, a capacidade


intelectual do homem era muito maior na criação do que após a queda. Na
criação o homem podia entender a verdade sem distorcê-la. A palavra intelectual
é derivada da palavra grega mente nouj. Após a queda nosso intelecto ficou
turvo e confuso e por isso ativo para cometer erros lógicos. Porém isso não quer
dizer que sempre cometemos erros lógicos.

 Temos dois fatores principais envolvidos aqui. Primeiro, é o enfraquecimento do


poder da mente e de sua faculdade de pensamento. Segundo, é a influência
negativa da predisposição pecaminosa e do preconceito, especialmente em
relação ao nosso entendimento do bem e de Deus.

 A Quarta consequência do pecado é a perda da graça de Deus. É possível perder


algo que nunca se teve? [Minha pergunta é para aqueles que são réprobos].
Deus provê ao homem uma graça assistente certa para o bem. Após a queda
Deus retirou da criatura essa graça assistente.

 A Quinta consequência do pecado é a perda do paraíso. Como resultado do


pecado Deus expulsou do paraíso (Éden) o homem. Também como
consequência disto o homem não gozou da presença imediata de Deus como
tinha antes.

 A Sexta consequência é a presença da concupiscência, [no que diz respeito a este


ponto Agostinho leva em consideração uma certa predileção para aquilo que é
sensual, como vemos em varias dos seus escritos relacionado ao assunto], no
entanto, não é a própria sensualidade, mas a inclinação a ela.

 A Sétima consequência do pecado é a morte física. Na criação o homem tinha


tanto a capacidade para morrer ou para não morrer. E ordenou o SENHOR Deus ao
homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do
bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás
[Gn 2,16,17]. Essa morte começou no momento em que transgrediram a ordem de
Deus.
 A Oitava consequência do pecado é a culpa hereditária. Isso significa que o
pecado original não é meramente uma ação, mas também uma condição
transmitida de nossos primeiros pais para cada um de nós.

 Conclusão, A doutrina do pecado original é central para o entendimento de


Agostinho tanto da graça quanto do livre-arbítrio. O pecado original faz com que
a graça seja necessária. O pecado original define a escravidão da vontade.

4. A Natureza do Livre-Arbítrio

Agostinho entendia a vontade como sendo uma faculdade que é parte da


natureza constituinte dada ao homem na criação. De acordo com Agostinho, para
ser capaz de uma ação moral, de virtude ou vício, um ser deve ser capaz de fazer
escolhas morais.

 Conforme Agostinho há sempre dentro de nós um livre-arbítrio, mas ele não é


sempre bom.

 Agostinho sempre insiste que nós sempre temos o livre-arbítrio. Para Agostinho,
o homem antes e depois da queda possui o livre-arbítrio.

 Agostinho define o livre-arbítrio como a capacidade de tomar decisões


voluntárias livres de coerção ou coação.

 É a automatização. A automatização refere-se às ações causadas pelo próprio


ser, não às ações causadas por forças externas. Essa libertada é uma condição
necessária ou um pré-requisito para o comportamento moral de qualquer tipo.

 No entanto, em alguns casos Agostinho parece negar esse livre-arbítrio à


vontade caído do homem. Quando o homem pecou por seu próprio livre-
arbítrio, neste caso, tendo o pecado sido vitorioso sobre ele, a liberdade da sua
vontade foi perdida.

 Este assunto deu muitas divergências, quando não visto sobre o entendimento
que Agostinho tinha sobre o livre-arbítrio.

 Quando falava de livre-arbítrio, ele queria dizer a capacidade de escolher sem


coação externa. Sendo assim, o pecador peca porque quer pecar e não porque é
forçado a pecar. Sem a graça, a criatura carece da capacidade de escolher a
justiça. Ele está sujeito os seus próprios impulsos pecaminosos.

 O pecador ainda tem um tipo de liberdade, a capacidade de escolher o pecado


que ele tem prazer em cometer.

 Conclusão, de acordo com Agostinho, o pecador escolhe o que deseja ou o que é


agradável a ele. Nesse sentido, o pecador ainda é livre para fazer o que quer.
Mas porque ele não tem desejo pela justiça, está em escravidão espiritual. Ele é
escravo de si mesmo, de seus próprios desejos pecaminosos.
5. Graça e liberdade

Em seu pensamento Agostinho via que para o pecador mover-se da


escravidão do pecado para liberdade da justiça, Deus precisa exercer sua graça.
E, também dizia ele que antes de ser redimido, o homem ainda não é livre para
fazer o que é certo. Essa capacidade vem pela graça mediante a fé.

 Para Agostinho a liberdade não vem da ação de alguém que é escravo do pecado.
O pecador não escolhe primeiro crer e, então, experimenta a libertação. Pois, a fé
que liberta é, ela mesma, um dom. Portanto é Deus quem prepara o coração para
crer.

 Frequentemente se diz que a visão de Agostinho é a de que Deus salva o povo


que não deseja ser salvo, ou que sua graça opera contra a vontade desse povo,
forçando-o a escolher e levando-o para o seu reino debatendo-se e gritando
contra a sua vontade.

 Porém, para Agostinho a graça de Deus opera no coração de tal modo que faz
com que a relutância anterior do pecado se transforme em boa vontade.

 A visão de Agostinho da graça que liberta está ligada à sua visão de


predestinação. Ele argumenta que Deus converte os desejos maus em desejos
bons. Chamando-nos assim para crermos Nele.

 Conclusão, para Agostinho esse processo não se dá por parte do homem que está
caído, mas de Deus. O nosso chamado não se dá porque cremos, mas somos
chamados para que possamos crer.

V. Somos Capazes de Cooperar: Semipelagianos

Essencialmente tanto os agostinianos como os semipelagianos tentem a


considerar o pelagianismo como uma heresia. O porta-voz do partido
semipalagiano foi João Cassiano, abade do monastério Massilia. Sua principal
reocupação era salvaguardar a universidade da graça de Deus e a
responsabilidade moral do homem caído.
Os semipelagianos tem a tendência de dar mais ênfase na liberdade e
responsabilidades humanas enquanto que Agostinho focava a graça e soberania
de Deus.

João Cassiano

1. De acordo com o pensamento de João Cassiano e seus seguidores, o ensino de


Agostinho sobre a predestinação mutila a força da pregação, reprovação e
energia moral.

2. Embora a graça de Deus seja necessária para a salvação e contemple a vontade


humana no fazer o bem, é o homem e não Deus, quem deve desejar o que é bom.
3. Deus deseja salvar todas as pessoas e a propiciação da expiação de Cristo está
disponível a todos.

4. A predestinação baseia-se na presciência de Deus.

5. Não existe um número definido dos eleitos ou rejeitados, desde que Deus deseja
que todos os homens sejam salvos, porém nem todos os homens são salvos.

6. De acordo com Cassiano, há tanto realidade da pecaminosidade quanto a


responsabilidade moral humana.

7. Cassiano também afirma a doutrina do pecado original na qual o homem é


decaído em Adão.

8. O livre-arbítrio não foi totalmente perdido em Adão. A vontade não foi destruída
e nem ele é moralmente impotente de forma completa.

9. É aqui que Cassiano rejeita o ponto de vista de Agostinho sobre a incapacidade


moral da vontade em se inclinar para o bem ou para Deus.

10. Completamente contra Pelágio, Cassiano que a graça é necessária para justiça.
Essa graça, no entanto, é resistível.

11. Na visão de Cassiano, a diferença-chave com Agostinho se encontrava na graça


irresistível.

12. Para Cassiano a vontade humana foi, de fato, mutilada pelo pecado, mas que
uma certa liberdade permaneceu nela.

Adolph Harnack resumiu o pensamento de João Cassiano da seguinte


maneira:

A graça de Deus é à base da nossa salvação; cada começo deve ser


traçado por ela, porquanto ela proporciona a chance da salvação e a
possibilidade de se ser salvo. Mas é a graça exterior, a graça interior é a que se
apodera do homem, aclara, purifica, santifica e penetra tanto na sua vontade
quanto na sua inteligência. A virtude humana não pode crescer nem ser
aperfeiçoada sem essa graça – logo, as virtudes dos pagãos são muito pequenas.
Mas o início das boas decisões, bons pensamentos e fé – entendidos como a
preparação para a graça – pode ser devido a nós mesmos. Consequentemente, a
graça é absolutamente necessária alcançarmos a salvação final [perfeição], mas
não tanto para dar a partida. Ela nos acompanha em todos os estágios do nosso
crescimento interior, e as nossas manifestações são inúteis sem ela, mas ela
apenas apoia e acompanha aquele que realmente se esforça [...] mesmo essa
[...] ação não é irresistível.
O novo Catecismo da Igreja Católica (1994) há um artigo que faz a
seguinte declaração:

A liberdade é o poder, arraigado na razão e na vontade, de agir ou não


agir, fazer isto ou aquilo, e assim realizar ações deliberadas sob a própria
responsabilidade da pessoa. A pessoa modela sua própria vida pelo livre-
arbítrio. A liberdade humana é uma força para o crescimento e a maturidade na
verdade e na bondade; ela alcança a sua perfeição quando dirigida a Deus [...].
enquanto a liberdade não se vincular definitivamente ao seu bem final que é
Deus, há a possibilidade de se escolher entre o bem e o mal e,
consequentemente, crescer na perfeição ou falhar e pecar. Essa liberdade
caracteriza propriamente os atos humanos. É a base para o louvor ou culpa,
mérito ou reprovação.