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Disciplina: Educação Matemática I

Discente: A.P.A.A.

LIVRO: INTRODUÇÃO A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA-MIORIN


INTRODUÇÃO E CAPITULO I
Na introdução do livro a autora inicia uma pequena abordagem no que será desenvolvido no decorrer
do livro. Sua intenção era estudar inicialmente a influência do Movimento da Matemática Moderna no Brasil,
mas acabou descobrindo a existência de outro movimento de modernização do ensino da Matemática, como
havia pouca informação sobre o assunto, acabou se aprofundando no assunto e escrevendo sua primeira
versão da história da Educação Matemática, onde apresenta um estudo histórico do ensino da Matemática,
orientado pelo eixo da modernização que pode fornecer elementos para o estudo da situação atual da
Educação Matemática e guiar para futuras propostas pedagógicas.
As primeiras manifestações da Matemática apareceram ainda no período Paleolítico, o ensino esteve
associado a produção e a medida que o conhecimento foi se ampliando e as condições sócio-político-
econômicas se transformavam, esse ensino começou a ter um desenvolvimento independente. O ensino da
matemática foi considerado uma ciência nobre, era reservada aos membros de uma classe privilegiada: os
escribas, os altos funcionários e os dirigentes no período das antigas civilizações orientais. Era uma ciência
desligada dos ofícios e das atividades manuais. Platão também reforçou o caráter nobre da Matemática, que
mesmo a considerando importante para o desenvolvimento dos indivíduos, só os privilegiados poderiam
estudar seus níveis mais elevado, os considerados “melhores de espíritos”, ou “mais talentosos”.
Para dominar a arte da palavra, os sofistas consideravam necessário saber discorrer sobre todos os
assuntos, inclusive sobre a Matemática, para ser um bom orador, teriam que conhecer pelo menos
elementos básicos da Matemática. Já a proposta platônica, era reforçar ainda mais o valor formativo da
Matemática, para desenvolver o pensamento humano, o raciocínio. E mesmo com suas diferenças sofistas
e platônicos concordavam em uma coisa, que a Matemática era um elemento formativo fundamental para
desenvolver o raciocínio.
As Origens
No período Paleolítico, o homem era totalmente dependente da natureza, as primeiras
representações conhecidas as pinturas rupestres, foram provavelmente realizadas por motivos mágicos. Já
no período Neolítico, o homem deixa essa dependência da natureza e passa a desenvolver a agricultura,
domesticar os animais, suas pinturas apresentam simetrias, congruências, que são indícios do início da
Matemática. O conceito de número surgiu, possivelmente da necessidade se estimar quantidade, seja de
animais, pessoas ou alimentos. E esses primeiros indícios de representações se dão no período Paleolítico,
como por exemplo ossos, pedaços de pau. Há indícios de que tábuas de multiplicação e da existência de
números primos por vola de 10000 a.C.. Essas informações são baseadas em evidências arqueológicas e em
estudos de antropólogos de tribos ainda existentes. Estudos específicos estão sendo realizados mais através
da Etnomatemática, que procura entender mais profundamente os conhecimentos matemáticos dessas
tribos.
Nesse tipo de sociedade ainda não existia uma separação do tipo de educação (em algumas ainda é
assim). Todos aprendiam com a prática, na convivência do cotidiano, aprendiam observando, ouvindo e
praticando, esse tipo de ensino “era para a vida e por meio da vida”, todos aprendiam da mesma maneira,
espontaneamente. Mas com o tempo surgiu a necessidade de haver uma educação diferenciada com o
aumento da população, surgem categorias de indivíduos: os que serão os funcionários, responsáveis pela
organização de determinadas tarefas da aldeia e os futuros dirigentes. A educação deixa de ser natural e
sem castigo e passa a ser intencional, sistemática, organizada, violenta e sapiencial.
Os tempos antigos
Com o surgimento das cidades, os seus governantes eram responsáveis pela administração de
questões básicas da comunidade, que era em principio em benefício de todos e depois passou a ser em
benefício próprio, não vejo muita diferença do que acontece nos dias de hoje. Com a necessidade de registrar
transações, quantificar, vemos surgir a escrita. As técnicas digitais e corporais também se tornaram
insuficientes para a realização de cálculos, o que levou a utilização de pedras para a realização desses
cálculos cada vez mais complexos, e a dificuldade de operar o ábaco surgem os especialistas em cálculo.
É nessas primeiras sociedades que podemos observar o surgir a diferenciação, ondem coexistem dois
tipos de educação: a educação técnica, dirigida a grande maioria, transmitida oralmente por meio da prática
(as classes operárias); e a educação para a minoria baseada na escrita, destinada a formação de futuros
dirigentes.
A antiguidade clássica
É na Grécia que começam a surgir mudanças e perspectivas em relação a Matemática e o seu ensino,
houve um retrocesso em relação ao ensino devido à desvalorização da cultura letrada. Tales de Mileto e
Pitágoras de Samos exerceram grande influência na educação Matemática, a Matemática grega era
desligada de questões práticas, e ligada a questões divinas. Os sofistas que eram homes críticos, surgiram
em meados do século V a.C., dariam o impulso para as futuras inovações pedagógicas. Eles destacavam o
uso da oratória, que era fundamental na formação de um político, um bom orador teria que saber falar sobre
qualquer assunto, que levavam a um conhecimento superficial. A profundidade dos estudos dependia da
proposta de cada sofista. E independente da profundidade com que desenvolviam os estudos matemáticos,
foram eles que popularizaram a Matemática. Mas foi no século seguinte, que Platão e Isócrates
apresentariam uma maneira clara, dessa nova pedagogia. Platão acreditava na existência de várias fases do
conhecimento, por isso preconizava que os estudos matemáticos deveriam ser desenvolvidos desde o nível
elementar, e não apenas no ensino superior, deveriam propor problemas adequados à idade das crianças, o
ensino deveria ser desenvolvido de maneira lúdica, por meio de jogos. Já Isócrates, propôs uma educação
diferente da Platão, baseada em estudos literários, abstratos e difíceis, desenvolvida de maneira superficial
e voltada para as coisas práticas. E com Platão e Isócrates que nasce a discussão pedagógica de qual tipo de
ensino é mais adequado a formação do estudante, os estudos científicos ou os literários? Essa discussão
discorre até os tempos atuais.
Após a morte de Alexandre, durante a época helenística, que a educação adquiriu uma forma clássica,
e a escola firmou-se como instituição. A educação helenística foi dividia-se em três períodos: o grau
elementar que durava dos sete aos quatorze anos, e que alguns homens livres e escravos conseguiam
completar, o ensino de Matemática no grau elementar era bem modesta, resumia-se em ensinar a contar, a
proposta feita por Platão, não foi seguida, a matemática não era nem um pouco atraente; E seguida vinha o
grau intermediário, que pretendia assegurar aos jovens uma sólida cultura geral, além dos elementos
necessários para um bom acompanhamento dos cursos superiores, apesar de Platão ter conseguido impor
teoricamente seu ponto de vista a respeito aos estudos matemáticos, foi Isócrates que conseguiu triunfar,
tornando-se o educador da Grécia, com seus estudos literários que dariam a orientação ao grau
intermediário; E finalmente para quem tinha condições e interesse em continuar os estudos, existia a
formação superior dividida em três tipos, a retórica, a filosófica e a médica.
Na época romana, as escolas de todos os níveis se multiplicaram, o ensino brutal começa se abrandar,
as classes a ser organizadas de acordo com o aproveitamento dos alunos, e os estudos matemáticos era
propiciado a uma minoria: os matemáticos profissionais e os futuros imperadores.
Vejo que infelizmente mesmo depois de muitos séculos, a educação desde o seu princípio não fica
muito longe de nossa realidade, onde as classes dominantes ainda são as mais privilegiadas. E a busca
incansável de uma melhor maneira de se passar o conhecimento ao próximo.