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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ

54ª PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE TERESINA-PI


CENTRAL DE INQUÉRITOS
GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA


CRIMINAL DA COMARCA DE TERESINA – PI.

Autos: 0027441-24.2015.8.18.0140
Indiciados: CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ E OUTROS (5)

DENÚNCIA

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ, por seus Representantes


adiante assinados, no uso de suas atribuições legais, nos termos do art. 41 do
Código de Processo Penal, com base no Inquérito Policial e demais autos anexos,
vem, perante V. Exa., apresentar DENÚNCIA, em desfavor de:

1- CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, vulgo "MOURA FÉ", brasileiro, nascido


aos 28/06/1959, natural de Simplício Mendes-PI, CPF n° 133.911.513-15, RG n°
232.229 SSP/PI, Superintendente da SEMAR-PI, residente e domiciliado à Rua Trinta
e Um de Março, n° 2609, bairro Planalto Ininga, Teresina-PI, filho de Antônio de
Sousa Moura e Ida Moura Fé;
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2- TIAGO MAXIMIANO JUNQUEIRA, brasileiro, nascido aos 29/04/1976,


natural de Ribeirão Preto-SP, CPF n° 253.780.638-76, RG n° 247076235 SSP/SP,
Engenheiro Agrônomo, residente e domiciliado à Rua Antônio Soares do Nascimento,
n° 50, bairro São Vicente, Regeneração-PI, filho de Manoel Maximiano Junqueira e
Maria Lilia Silva da Cruz Junqueira;

3- CARLOS ALBERTO DO PRADO TENÓRIO FILHO, vulgo ''BEBETO'',


brasileiro, nascido aos 09/07/1975, natural de João Pessoa-PB, CPF n° 535.824.113-
20, RG n° 1262289 SSP-PI, Empresário Agropecuarista, residente e domiciliado à
Rua Dr. Gilson Serra e Silva, n° 988, bairro Morada do Sol, Teresina-PI, filho de
Carlos Alberto do Padro Tenório e Maria Aparecida W. da Nóbrega;

4 - MARCELO DE BRITO MACHADO, brasileiro, casado, natural de


Parnaíba/PI, funcionário público, nascido aos 17/12/1974, RG nº 1.285.546 SSPPI,
CPF nº 578.491.023-04, filho de Pedro Machado Neto e Maria da Graça de Brito
Machado, residente à Rua Cel. Pacífico, nº 440, bairro São José, Parnaíba/PI;

5- IVONETA GONTIJO DOS SANTOS, brasileira, nascida aos 19/06/1951,


natural de Bom Despacho-MG, CPF n° 620.891.536-87, RG n° 4.621.099 SSP/PI,
Proprietária e Administradora da empresa Gontijo Brother Carvoaria, residente e
domiciliada à Av. Manoel Ribeiro da Fonseca, n° 141, bairro Centro, Guadalupe-PI,
filha de João Batista dos Santos e Maria Aparecida Moraes dos Santos;

6- FABRÍCIO NAPOLEÃO ANDRADE, brasileiro, nascido aos 13/04/1982,


natural de Teresina-PI, CPF n° 661.951.363-87, RG n° 2036638 SSP/PI, Auditor-
Fiscal Ambiental da SEMAR, residente e domiciliado à Br. 226, Km. 05, Condomínio
Vilage Joia, Quadra Ap. 01, Lote 02, Timon-MA, filho de Francisco das Chagas
Andrade e Verônica Napoleão Andrade;
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DOS FATOS

Trata-se de Inquérito Policial instaurado por Delegado de Polícia e membro do


GRECO - Grupo de Repressão ao Crime Organizado - em face de notitia criminis,
para apurar a prática de delitos no âmbito da SEMAR - Secretaria Estadual do Meio
Ambiente e Recursos Hídricos -, cuja autoria foi imputada a servidores públicos e
empresários.

Os crimes sob análise consistem em recebimento ilegal de vantagens a título


de pagamento de diárias, passagens, inserção de informações em sistema, para a
emissão de licenças ambientais sem a observância da documentação legal exigida.

Há indícios de recebimento de propina para agilizar o trâmite e aprovar


projetos de licenciamento ambiental sem a devida análise e apresentação da
documentação exigida, bem como indícios de pagamentos escusos para dar
prioridade à análise dos projetos de determinados empresários.

A participação na prática delitiva contou com a participação de servidores da


Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos - SEMAR e com
empresários que tinham interesse em processos ambientais em trâmite no órgão.

Visando a continuação da investigação, a Autoridade Policial, em 08/09/2015,


representou pela quebra do sigilo das comunicações telefônicas, telemáticas e de
dados dos investigados, o que culminou na elaboração dos Autos Circunstanciados
anexos.

Além disso, verificando indícios de práticas de crimes de corrupção passiva e


corrupção ativa, a Autoridade Policial representou pela quebra de sigilo fiscal e
bancário, que deram origem a Relatórios de Análise Técnica acostados aos autos.
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Cumpre observar que as interceptações telefônicas realizadas durante as


investigações revelaram diversas conversas com indícios de práticas delituosas
envolvendo os denunciados, tais como: o Superintendente da Secretaria Estadual do
Meio Ambiente e Recursos Hídricos - SEMAR, CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ,
FABRÍCIO NAPOLEÃO ANDRADE, auditor fiscal da SEMAR, FABRÍCIO
NAPOLEÃO ANDRADE, auditor fiscal da SEMAR, e os empresários: IVONETA
GONTIJO DOS SANTOS, TIAGO MAXIMIANO JUNQUEIRA, CARLOS ALBERTO
DO PRADO TENÓRIO FILHO, vulgo, "BEBETO", MARCELO DE BRITO
MACHADO e CÉSAR LUIZ BARROS MOURA FÉ, que necessitavam de
autorizações e licenças ambientais para a manutenção de seus empreendimentos e,
portanto, demandavam constantemente a atuação dos servidores da SEMAR.
Em análise das provas coletadas, constatou-se a existência de indícios de
condutas delituosas, conforme individualização a seguir:

1- CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ e TIAGO MAXIMIANO JUNQUEIRA:

No Auto Circunstanciado nº 010/GRECO/2016 (autos nº 0003572-


27.2018.8.18.0140, fls. 58 a 90), no dia 04/02/2016, às 09:42hs, um diálogo mantido
entre CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ e TIAGO MAXIMIANO JUNQUEIRA revela
que aquele atende aos interesses deste, resolvendo e orientando a respeito de como
proceder para obter êxito nas tratativas com o órgão ambiental.

O Denunciado CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ diz para TIAGO JUNQUEIRA


"...não tem saldo de pátio, nem autex CHAPADA GRANDE, só tem da (empresa)
Belo Horizonte." Então, o ora denunciado TIAGO JUNQUEIRA, indaga como deve
proceder e MOURA FÉ orienta-o a "...fazer como sempre faz...", afirmando que
"...tem trinta e poucos mil metros." Em seguida, TIAGO JUNQUEIRA responde que
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não conseguiu fazer e pede ajuda a MOURA FÉ. (Vide Auto Circunstanciado nº
010/GRECO/2016 (autos nº 0003572-27.2018.8.18.0140, fls. 58 a 90).

No Auto Circunstanciado nº 037/GRECO/2015 (autos nº 0003572-


27.2018.8.18.0140, fls. 25 a 57), no dia 07/10/2015, às 18:33hs, em outro diálogo,
TIAGO MAXIMIANO JUNQUEIRA relata a CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ
problemas quanto ao licenciamento em empreendimento do qual é sócio: "...outro
problema na carvoaria da Fazenda Belo Monte e que o fiscal FABRÍCIO esteve lá há
muitos meses atrás e dito que somente daria a Licença de Operação quando desse
o pedido de licenciamento do poço e CARLINHOS estava trabalhando descoberto na
carvoaria...", bem como este "...lhe pediu para vender um contrato DOF de 3.000
metros e que vendeu e ofereceu a lenha da (empresa) Belo Horizonte de onde ele tá
fazendo o carvão...".

Nessa interlocução, CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ respondeu que TIAGO


MAXIMIANO JUNQUEIRA precisava de uma licença de conversão. Este último, por
sua vez, respondeu-lhe que comprou uma área em cima da Chapada Grande, num
total de 250 (duzentos e cinquenta) hectares, porém já desmatou e tem o protocolo
de desmatamento. Em seguida, no diálogo captado, MOURA FÉ diz que deve ser
alguém que está mandando informação para o Ministério Público e que já respondeu
formalmente, bem como iria lá conversar pessoalmente.

Assim, MOURA FÉ, além de orientar o empresário TIAGO JUNQUEIRA


assume a defesa dele em face da atuação do Ministério Público.

Para esclarecer esse diálogo, foi intimado o auditor do IBAMA ADELQUIS


STANLEY MONTEIRO SANTIAGO (fls. 278), que assim se manifestou: "quanto ao
fato do empresário TIAGO MAXIMIANO JUNQUEIRA afirmar que "CARLINHOS"
estava trabalhando a descoberto, supostamente, pela conversa, há indícios de
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irregularidades, em face da ausência de Licença de Conversão (de lenha em


carvão), possuindo apenas Protocolo de Desmatamento" e que ora Denunciado,
CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, Superintendente da SEMAR, "deveria enviar uma
fiscalização para autuar e embargar a atividade, ao observar" o funcionamento sem
a devida licença, tanto do poço, quanto da conversão de lenha em carvão.

Pelo exposto, as orientações, os conselhos e a defesa do Superintendente da


SEMAR, CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, em relação a TIAGO MAXIMIANO
JUNQUEIRA, conduzem à conclusão de que MOURA FÉ se valia das próprias
funções, do cargo que exercia, para beneficiar TIAGO, podendo, inclusive, ter
recebido pagamento por isso.

No Relatório de Análise Técnica LAB-LD nº 00022/DINT/2018, à fl. 932 dos


autos, consta uma transferência bancária, datada de 13/05/2015, no valor R$
10.000,00 (dez mil reais), oriunda da conta da empresa Real - Regeneração
Agropecuária Ltda, que tem como sócio TIAGO MAXIMIANO JUNQUEIRA, para a
conta do Superintendente da SEMAR CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, revelando
indícios de recebimento de valores como contraprestação aos serviços prestados.
(Vide o RELATÓRIO DE INVESTIGAÇÃO Nº 045/2018/GRECO - autos nº 0003887-
55.2018.8.18.0140, fls. 09 a 34)

A empresa Real Regeneração Agropecuária LTDA, CNPJ nº 07.347.138/0001-


00, localizada no município de Regeneração/PI, foi iniciada em 25/11/2004, a partir
da aquisição de terras na região do Médio Parnaíba, da Fazenda Chapada Grande
com aproximadamente 20.000 (vinte mil hectares) e tem dentre seus sócios, TIAGO
MAXIMIANO JUNQUEIRA.

Aos 30/08/2018, fls. 163/173, dos autos principais nº 0027441-


24.2015.8.18.0140, volume II, do Inquérito Policial nº 006.464/GRECO/2015, apenso,
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em Termo de Interrogatório, o denunciado CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ revelou


que, no ano de 2010, foi contratado por TIAGO MAXIMIANO JUNQUEIRA para
produção de Relatório de Auditoria de Conformidade Ambiental e que a prestação
desse serviço não teria relação com a sua função de Superintendente da SEMAR,
bem como que tal função não é impedimento para que preste serviço na área como
profissional liberal, "...desde que não tenha relação com sua função na SEMAR, e
afirmou que não se recordava o valor, mas acreditava que tinha sido dez mil reais...".

Além disso, consta no Relatório Preliminar de Investigação Nº


086/GRECO/2018 (fls. 470 a 485 – volume III), resultante da análise do aparelho
celular do Denunciado CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, apuração de mensagem de
voz, aos 26 de Abril de 2017, através do aplicativo Whatsapp, enviada para o
auditor ambiental FABRÍCIO NAPOLEÃO ANDRADE, ora denunciado, na qual
aquele perguntou a este sobre a autuação realizada em uma das fazendas do grupo
REAL REGENERAÇÃO, de propriedade do Denunciado TIAGO MAXIMIANO
JUNQUEIRA.
Em resposta, FABRÍCIO NAPOLEÃO ANDRADE informou os motivos pelos
quais embargou e multou o empreendimento no valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil
reais), devido ao fato de ter realizado uma vistoria há aproximadamente um ano,
ocasião em que cobrou a apresentação de alguns documentos necessários à
liberação da licença ambiental, porém os responsáveis não apresentaram a
documentação exigida.

Após tal diálogo, em 16 de agosto de 2017, foi verificado contato entre


CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ e TIAGO MAXIMIANO JUNQUEIRA, no qual o
superintendente da SEMAR enviou-lhe um arquivo contendo Decisão de Anulação
da Multa de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), aplicada pelo auditor ambiental
FABRÍCIO NAPOLEÃO ANDRADE, ao que TIAGO MAXIMIANO JUNQUEIRA
agradece: “Dr. Moura Fé!!! Ganhei meu dia! Sem palavras! Muito obrigado! Grande
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abraço e bom feriado pra todos aí da família!”.

Além disso, impende frisar que a Análise Policial de Procedimento (fls.


880 a 890 – volume V), referente ao procedimento administrativo em que a
multa foi aplicada, concluiu que a sanção foi tornada nula sem que houvesse o
julgamento do mérito do Auto de Infração.

Assim, resta indubitável que o denunciado CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ,


para satisfazer interesse pessoal, atuou em favorecimento do denunciado TIAGO
MAXIMIANO JUNQUEIRA, ao proceder à anulação de multa imposta, em que pese
terem sido constatadas irregularidades por auditor ambiental.

Diante de todo o exposto, constatou-se que CARLOS ANTÔNIO


MOURA FÉ, valendo-se do cargo de Superintendente da SEMAR, agiu em prol de
terceiros, in casu, em favor de TIAGO MAXIMIANO JUNQUEIRA, para atender a
interesse particular deste, anulando uma multa no valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil
reais), devidamente aplicada por auditor ambiental, em troca de vantagem indevida
no importe de R$ 10.000,00 (dez mil reais).

Assim agindo,
a) CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ incorreu na prática do crime de corrupção
passiva, previsto no art. 317, § 1º1, do Código Penal; e
b)TIAGO MAXIMIANO JUNQUEIRA incorreu na prática do crime de corrupção
ativa, tipificado no art. 333, parágrafo único 2, do Código Penal.

1 Corrupção passiva
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em
razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003)
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar
qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional.

2 Corrupção ativa
Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003)
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2 - CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, CARLOS ALBERTO DO PRADO TENÓRIO


FILHO, vulgo ''BEBETO'', E MARCELO DE BRITO MACHADO

A relação entre CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ e o também denunciado


CARLOS ALBERTO DO PADRO TENÓRIO FILHO, vulgo ''BEBETO'', um dos
sócios da PLANAPEC PLANEJAMENTO AGROPECUÁRIA E CONSULTORIAS,
CNPJ nº 08.761.091/0001-90, também foi objeto de investigação.

CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, no período investigado, recebeu


transferências em sua conta bancária provenientes da conta do denunciado
CARLOS ALBERTO DO PRADO TENÓRIO FILHO, vulgo BEBETO, em troca de
favorecimentos, da obtenção de facilidades em procedimentos no âmbito da
Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hidrícos - SEMAR, configurando-
se a prática do crime de CORRUPÇÃO PASSIVA e CORRUPÇÃO ATIVA.
Do afastamento do sigilo bancário, analisando-se as transações bancárias
mais relevantes, restaram comprovadas as transferências de valores das contas da
empresa PLANAPEC em favor de CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, tendo este
recebido, entre 02/01/2012 e 03/01/2014, a quantia total de R$ 300.500,00 (trezentos
mil e quinhentos reais), diluída em 22 (vinte e duas) transações e, da conta pessoa
de BEBETO, a quantia total de R$ 13.500,00 (treze mil e quinhentos reais), em 03
(três) transações bancárias (Vide Relatório de Investigação nº 045/2018/GRECO, fls.
199 a 224, autos nº 0003572-27.2018.8.18.0140).

As transferências do montante de R$ 300.500,00 (trezentos mil e quinhentos


reais) ocorreram entre o período de 05/01/2012 e a 26/03/2013.

Frise-se que, a partir do dia 26/02/2013, ou seja, um mês antes da última


Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de
ofício, ou o pratica infringindo dever funcional.
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transferência realizada pela PLANAPEC para CARLOS MOURA FÉ, ele recebeu em
sua conta bancária, seguidamente, 03 (três) depósitos on-lines (sendo dois no valor
de R$ 1.500,00 e outro no de R$ 1.300,00) sem qualquer identificação do
remetente, situação que passou a se tornar corriqueira com o pretenso
propósito de burlar o sistema financeiro.

A partir daí, tornou-se comum MOURA FÉ receber depósitos fracionados e


não identificados, coincidindo com o período em que cessaram as transferências da
PLANATEC para a conta de CARLOS MOURA FÉ.

Durante o período abrangido pela quebra do sigilo bancário, os depósitos


fracionados e sem a identificação do remetente totalizaram 265 (duzentos e sessenta
e cinco), perfazendo o montante de R$ 950.382,33 (novecentos e cinquenta mil e
trezentos e oitenta e dois reais e trinta e três centavos).

Ressalte-se que CARLOS ALBERTO (BEBETO) manteve contato constante


com CARLOS MOURA FÉ, insistindo em resolver o problema de MARCELO DE
BRITO, que teve seu empreendimento fiscalizado por técnicos do IBAMA e aplicadas
penalidades administrativas relativas à renovação da AML (Autorização de Material
Lenhoso) do empreendimento, dentre outras.

Nesse sentido, BEBETO informou para MARCELO que tentaria regularizar a


situação da renovação sem a necessidade da vistoria in loco, devido ao tamanho da
área a ser vistoriada. Além disso, afirmou que contratou uma engenheira agrônoma
de nome "DAYSE" para realizar consultoria em projeto e conseguir a aprovação.
Verificou-se que "DAYSE" também manteve contato com CARLOS ANTÔNIO
MOURA FÉ para tratar da questão relativa ao empreendimento de MARCELO DE
BRITO MACHADO, em 11/10/2016, às 07:32hs. (Vide Auto Circunstanciado nº
065/GRECO/2016).
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Depreende-se dos diálogos analisados que CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ,


no exercício de sua função como Superintendente da SEMAR, não somente prestou
informações relativas a questões afetas ao Órgão, como também realizou
intermediações junto ao IBAMA, com o intuito de resolver problemas relativos, dentre
outros, à renovação da AML do empreendimento de MARCELO DE BRITO
MACHADO.

Observou-se em Auto Circunstanciado, em diálogo entre MARCELO DE


BRITO MACHADO e pessoa nominada como "LEONARDO" em que este informou a
prisão de CARLOS ALBERTO (BEBETO), tendo aquele (MARCELO) dito que:
“falou com ele ontem e agora não sai mais nunca meu negócio’’ e que CARLOS
ALBERTO (BEBETO) “estava fazendo pra mim sem ter a vistoria’’. Ao tempo em que
seu interlocutor respondeu: “...essas coisas a gente nem anda falando”.

Frise-se que MARCELO BRITO MACHADO também manteve contato com


CATHARINA TEIXEIRA CORTEZ e pessoa nominada nos autos como "DAYSE",
para que atuassem junto ao denunciado CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ em busca
da intervenção deste para o ajuste de sua produção no sistema DOF.

No dia 07/10/2016, às 10:36hs, MARCELO BRITO conversa com CATHARINA


e diz que falou com BEBETO, o qual teria ficado de conversar com MOURA FÉ, que
teria se comprometido a “jogar no pátio”, no entanto, nada teria sido resolvido.
CATHARINA justifica o atraso no fato de MOURA FÉ se encontrar viajando. Em
11/10/2016, às 07:32hs, “DAYSE” dialogo com MOURA FÉ a respeito do problema
de MARCELO BRITO, ocasião em que ele fala as providências adotadas (Auto
Circunstanciado nº 065/GRECO/2016, fls. 132 a 194 – autos nº 0003572-
27.2018.8.18.0140).
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Diante de todo o exposto, constatou-se que MOURA FÉ, valendo-se do cargo


de Superintendente da SEMAR, agia em prol de terceiros, in casu, em favor de
MARCELO DE BRITO, cedendo a verdadeiro tráfico de influência praticado por
BEBETO, em troca de vantagem indevida .

Assim agindo,

a) CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ incorreu na prática do crime de corrupção


passiva, previsto no art. 317, § 1º, c/c o crime de tráfico de influência, art. 332,
parágrafo único3, do Código Penal;

b) CARLOS ALBERTO DO PRADO TENÓRIO FILHO incorreu na prática do


crime de corrupção ativa, tipificado no art. 333, parágrafo único, do Código
Penal, c/c o crime de tráfico de influência, art. 332, parágrafo único, do CP; e

c) MARCELO DE BRITO MACHADO incorreu no tipo penal de tráfico de


influência, art. 332, parágrafo único, do CP.

3 - CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, IVONETA GONTIJO DOS SANTOS e CARLOS


ALBERTO DO PRADO TENÓRIO FILHO, vulgo BEBETO

A empresa de CARLOS ALBERTO DO PRADO TENÓRIO FILHO, vulgo


BEBETO, presta serviço de consultoria a empresas privadas, intermediando
processos de licenciamento ambiental junto à SEMAR, com estreita ligação e
relacionamento com o denunciado CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, então
Superintendente da SEMAR.
3 Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato
praticado por funcionário público no exercício da função:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário.
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Conforme mencionado acima, houve várias transações bancárias entre


BEBETO e CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, tendo este, inclusive, recebido
depósito em cheque em sua conta bancária, proveniente da conta daquele.

Depreende-se do Auto Circunstanciado nº 065/GRECO/2016 (autos nº


0003572-27.2018.8.18.0140, fls. 132 a 194), que MOURA FÉ (Superintendenteda
SEMAR) manipulou o Sistema DOF (Documento de Origem Florestal) pertencente ao
IBAMA, a fim de realizar ajustes técnicos que beneficiavam diretamente a empresa -
carvoaria que possui 06 (seis) filiais localizadas no sul do Piauí, município de
Jerumenha/PI, CNPJ nº 11.546.501/0001-94, tendo como sócia a também
denunciada IVONETA GONTIJO DOS SANTOS, com o auxílio de BEBETO.

Constam diversas ligações telefônicas entre os denunciados CARLOS


ANTÔNIO MOURA FÉ e IVONETA GONTIJO DOS SANTOS. Pelos diálogos, as
movimentações realizadas por CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ no sistema DOF
geraram benefícios financeiros e acobertaram ações indevidas no manejo de
matérias-primas produzidas nas carvoarias de IVONETA GONTIJO DOS SANTOS.

Após MOURA FÉ realizar ajustes no DOF, pede a IVONETA que faça a oferta
e verifique se deu certo, diálogo mantido no dia 28/09/2016, às 10:07hs. Às 10:53hs,
IVONETA confirma que deu certo. Às 15:17hs, IVONETA informa a MOURA FÉ que
"BEBETO" (CARLOS ALBERTO), havia dado entrada em mais "mil cento e oitenta"
e complementa dizendo que "seria metade disso aí mais mil" e que o dele (BEBETO)
ficou para amanhã. Neste sentido, CARLOS MOURA FÉ confirma os números
citados por IVONETA, dizendo "ele deu" e finaliza agradecendo com "obrigado".
Ressalte-se que, nessa mesma data, às 15:22hs, consta mensagem de texto
recebida por CARLOS MOURA FÉ do SAC do Banco do Brasil, informando depósito
bancário na conta bancária deste, no valor de R$ 14.300,00 (catorze mil e trezentos
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reais).

Já em diálogo com BEBETO, às 16:45hs do mesmo dia, IVONETA informou a


ele que "colocou o do doutor hoje", mas que "não dá pra fazer tudo de uma vez e
amanhã eu coloco o seu (BEBETO), e que fez um "cheque e colocou num envelope"
e que "ficou só dois mil metros".

No dia 30/09/2016, às 11:12hs, IVONETA manteve contato com BEBETO e


pediu-lhe que conferisse na sua conta o valor "colocado" no dia anterior.
Na mesma data, 30/09/2016, às 19:43hs, CARLOS MOURA FÉ e BEBETO
mantiveram diálogo a respeito de ter "dado certo o negócio da baixinha" (IVONETA),
levando-se a crer que se referia ao depósito de valores na conta de BEBETO.

A respeito desse fato, ADELQUIS STANLEY MONTEIRO SANTIAGO, auditor-


fiscal do IBAMA, foi ouvido pela Autoridade Policial e declarou que ao Órgão
Ambiental compete o lançamento do crédito de produto florestal (no caso, lenha) e
não o crédito de carvão, porque o detentor da licença é quem tem que converter à
medida que for produzindo o carvão, ou seja, transformando lenha em carvão. O
Superintendente da SEMAR, além de lançar indevidamente o crédito de carvão e
adiantar créditos, orientava o interessado a burlar o sistema (fls. 281 e 282 – volume
III).
Comprovou-se a realização de várias transações bancárias, mediante
transferências, da conta bancária da denunciada IVONETA GONTIJO DOS
SANTOS, em favor de MOURA FÉ, a seguir elencadas: na data de 01/07/2016,
valor de R$ 9.000,00 (nove mil reais); nas datas de 30/10/2014, 30/03/2015,
29/07/2016 e 24/08/2016, o valor de R$ 48.000,00 (quarenta e oito mil reais),
fracionado em quatro movimentações (conta bancária da pessoa jurídica pertencente
a IVONETA GONTIJO DOS SANTOS); nas datas de 22/04/2015 e 20/07/2015 (fls.
930), a quantia de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais) fracionada em duas
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movimentações (conta bancária da pessoa jurídica pertecente a IVONETA GONTIJO


DOS SANTOS - EPP).

Consta ainda, que da conta bancária de JUSCELINO GONTIJO, filho da ora


denunciada, IVONETA GONTIJO, foi efetuada transferência para a conta do ora
denunciado, CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, o valor total de R$ 22.500,00 (vinte e
dois mil e quinhentos reais), fracionadas da seguinte forma: na data de 22/12/2014, o
valor de R$ 13.500,00 (treze mil e quinhentos reais); 23/01/2015, valor de R$
9.000,00 (nove mil reais).

Em sede de interrogatório, indagada sobre a razão de ter realizado


transferências bancárias no importe de R$ 114.500,00 (cento e catorze mil e
quinhentos reais) em favor de MOURA FÉ, a denunciada IVONETA limitou-se a
responder que assim procedeu a mando de BEBETO, alegando desconhecer a
relação entre BEBETO e MOURA FÉ (fls. 236 a 239 – volume II).

Constatou-se também, 52 (cinquenta e dois) depósitos (alguns em dinheiro,


outros em cheques), creditados em contas de CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ,
acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), porém sem identificação dos depositantes.
(Auto Circunstanciado nº 054/GRECO/2016, fls. 831/840, Autos de Quebra de Sigilo
de Dados e Telefônico nº 0020852-16.2015.8.18.0140. Autos de Pedido de Prisão
Temporária nº 0003572-27.2018.8.18.0140 contendo os Autos Circunstanciado nº
065/GRECO/2016, fls. 135 e Relatório de Investigação nº 045/2018/GRECO, fls.
199/224).

Ao ser indagado sobre tais transferências bancárias, CARLOS ANTÔNIO


MOURA FÉ alegou que foi convidado para prestar assessoria à empresa
PLANAPEC, de propriedade do denunciado CARLOS ALBERTO (BEBETO) e o
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dinheiro recebido era repassado a ele.

Insta ressaltar que consta no Ofício n° 02/2018/NUIN-PI/DITEC-PI/SUPES-PI-


IBAMA, informação sobre 16 (dezesseis) processos de autuação em face de
infrações ambientais atribuídas a IVONETA GONTIJO DOS SANTOS, pessoa física
e IVONETA GONTIJO DOS SANTOS - EPP, pessoa jurídica.

Além das condutas ora mencionadas, constam outras atribuídas ao ora


denunciado CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, conforme se verifica no Auto
Circunstanciado nº 10/GRECO/2016, nos diálogos travados entre MARCELO DE
BRITO MACHADO (que possui um empreendimento na área agropecuária) com
CARLOS ALBERTO (BEBETO), aos 11/02/2016, às 09:45 e 12:05hs, constando que
este intermediou junto ao ora denunciado CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, para
efetuar movimentação no sistema DOF, ou seja, no intuito de realizar um
manejamento de "saldos" de "pátio" e "autex" (termo utilizado pelo sistema DOF para
identificar as Autorizações Ambientais emitidas pelos Órgãos ambientais) de um
empreendimento de responsabilidade de MARCELO MACHADO (fls. 135 e 208 do
AC nº 10/2016 e fls. 407/408 - vol. III).

Que, nesse intento, consta que CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ, no exercício
de sua função, tentou convencer servidores do IBAMA a realizar os ajustes
pretendidos, todavia estes se recusaram a atender tal solicitação sem que fosse feita
uma vistoria in loco na área de produção, localizada na região de Parnaíba/PI.

De acordo com o Relatório de Análise Técnica LAB-LD nº 00019/DINT/2018


(autos nº 0003887-55.2018.8.18.0140, fls. 35 a 92), a movimentação financeira do
denunciado CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ é incompatível com a renda declarada
à Receita Federal.
Destarte, verificou-se que CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ recebeu
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indevidamente transferências em sua conta bancária provenientes das contas de


IVONETA GONTIJO e de BEBETO e da empresa PLANAPEC, para, valendo-se de
sua condição de agente público, agilizar, resolver, orientar IVONETA em suas
demandas junto ao Órgão Ambiental.

Assim agindo,

a) CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ incorreu na prática do crime de corrupção


passiva, previsto no art. 317, § 1º, c/c o crime de tráfico de influência, art. 332,
parágrafo único, do Código Penal;

b) CARLOS ALBERTO DO PRADO TENÓRIO FILHO incorreu na prática do


crime de corrupção ativa, tipificado no art. 333, parágrafo único, do Código
Penal, c/c o crime de tráfico de influência, art. 332, parágrafo único, do CP; e

c) IVONETA GONTIJO DOS SANTOS incorreu na prática do crime de corrupção


ativa, tipificado no art. 333, parágrafo único, do Código Penal, c/c o crime de
tráfico de influência, art. 332, parágrafo único, do CP.

4 - FABRÍCIO NAPOLEÃO ANDRADE

FABRÍCIO NAPOLEÃO ANDRADE é auditor fiscal da SEMAR, tendo


mantido contato telefônico com vários interessados em procedimentos que
tramitaram na SEMAR, orientando-os em como proceder nos procedimentos
ambientais, combinando viagens para vistorias, recebendo valores para o custeio de
viagens, omitindo-se em agir quando defronte a uma infração ambiental.

Depreende-se das conversas telefônicas mantidas por FABRÍCIO NAPOLEÃO


que ele agia de maneira a facilitar e a agilizar o trâmite dos procedimentos
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ambientais em favor de determinadas pessoas, recebendo vantagens indevidas em


troca desse serviço.

Em 13/10/2015, às 14:36hs, em diálogo mantido com uma pessoa identificada


como “Raimundo”, este indaga a FABRÍCIO NAPOLEÃO se existe outro lugar para
vistoriar afora o dele próprio e o de “Alex”, sugerindo o percurso que FABRÍCIO
NAPOLEÃO deve fazer para chegar em Bertolínea, onde vai estar uma pessoa
esperando com um carro maior (Auto Circunstanciado nº 037/GRECO/2015 (autos nº
0003572-27.2018.8.18.0140, fls. 25 a 57).

No mesmo Auto Circunstanciado, em 14/10/2015, às 11:31hs, FABRÍCIO


NAPOLEÃO manteve conversa com homem não identificado (HNI), explicando que
não se encontrava na SEMAR, mas poderia passar lá para resolver a renovação de
(HNI), pois iria para São José dos Peixes e poderia passar por São Francisco. No
mesmo sentido, FABRÍCIO NAPOLEÃO conversa com “Duda”, orientando-o sobre
como conseguir uma licença, oportunidade em que “Duda” diz que vai mandar para
FABRÍCIO para que este ajude, no que FABRÍCIO diz que aguarda o interlocutor
para tomarem uma cerveja.

Entre os dias 14 e 20/10/2015, a respeito de despesas de viagem, FABRÍCIO


informou ao interlocutor de nome “Magno” que estava com o processo, após o que
“Magno” perguntou sobre a disponibilidade de FABRÍCIO, uma vez que arcaria com
os custos do carro e das diárias. Esse mesmo “Magno” vai até a SEMAR e chama
FABRÍCIO para sair e encontrar com ele lá fora.

Em outro diálogo, mas agora com um homem chamado “Joaquim”, que


revelou pretender fazer uma barganha com MOURA FÉ, mas que este não atendia o
telefone, FABRÍCIO o alertou de que MOURA FÉ não gosta de atender o telefone por
que está tudo grampeado, dizendo que “Joaquim” deveria ir a SEMAR conversar
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pessoalmente com MOURA FÉ (Auto Circunstanciado nº 010/GRECO/2016 (autos nº


0003572-27.2018.8.18.0140, fls. 58 a 90).

Já em 10/10/2016, às 10:19hs, em conversa mantida com uma pessoa


identificada como “Ricardo”, FABRÍCIO trata sobre a necessidade de uma
determinada área ser explorada após a obtenção da L.O. (licença de operação), mas
orienta “Ricardo” de que ele pode ir trabalhando e depois tirar a L.O. Nesse mesmo
dia, às 19:43hs, em diálogo com “Raimundo”, este ressalta que prefere que
FABRÍCIO seja o responsável pela realização de uma vistoria em um projeto da
Mafrense, em Passagem Franca, para “a gente fazer aquele ajuste que a gente faz
sempre” (Auto Circunstanciado nº 065/GRECO/2016, fls. 132 a 194 – autos nº
0003572-27.2018.8.18.0140).

Há outro diálogo entre FABRÍCIO NAPOLEÃO e “Ricardo”, no dia 13/06/2018,


às 19:42hs, no qual “Ricardo” narra para o auditor fiscal que existe uma área que foi
desmatada sem a prévia licença do órgão ambiental. FABRÍCIO diz “o senhor tem
contato comigo... na hora que o senhor der entrada é falar com o Assis; Assis passa
o número para o Fabrício que ele vai resolver pra mim … eu pego um carro aqui e
alugo ou vou lá por conta própria... a gente dá uma jeito... o que demora na
secretaria é a vistoria, e a gente indo lá olhando e fazendo o relatório com
documentação toda certinha, em quinze, vinte ou trinta dias tá com ela na mão.
FABRÍCIO continua dizendo que tem medo de mandar Ricardo passar o correntão,
por que pode chamar a atenção e o povo pode denunciar, daí, como o
desmatamento data de 2016 não é bom arriscar. Para finalizar, pede a “Ricardo” que
informe quando der entrada no processo, enviando o número para que possa agilizar
a liberação lá dentro da SEMAR, em ate 20 dias (Auto Circunstanciado nº
018/GRECO/2018, fls. 1581 a 1611, autos nº 0020852-16.2015.8.18.0140).

Impende frisar que, em sede de depoimento, a respeito do fato acima narrado,


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a testemunha ADELQUIS STANLEY revelou que FABRÍCIO NAPOLEÃO tomou


conhecimento de um ilícito ambiental e se omitiu da apuração devida, como também
orientou RICARDO a agir para regularizar o problema. O ilícito restou claro quando
Ricardo revelou a realização de desmatamento no ano de 2016 e FABRÍCIO o
orientou a dar entrada no processo, pelo que se depreende que o desmatamento foi
realizado sem a devida e prévia autorização.

Ressalta-se que FABRÍCIO programou uma viagem em que RICARDO o


receberia juntamente com a família na cidade de Muro Alto - PE. Nesse sentido,
ligações telefônicas e material apreendido na mesa de trabalho do denunciado, por
coasião do cumprimento de mandados judiciais de busca e apreensão: fotocópia de
e-mail impresso, referente ao código de reserva de uma viagem para Recife - PE, a
ser realizada em outubro, em nome de FABRÍCIO e familiares, corroborando
conversa mantida entre o FABRÍCIO e RICARDO (Vide fls. 466 e 467, volume III).

No dia 13/06/2018, às 19:42hs, Ricardo pergunta a FABRÍCIO a quantidade


de pessoas que virá para Porto de Galinhas, dizendo que vai organizar, enquanto
FABRÍCIO pede para ele dar entrada no protocolo para agilizar (Auto
Circunstanciado nº 018/GRECO/2018, fls. 1581 a 1611, autos nº 0020852-
16.2015.8.18.0140).

Afere-se dos autos que FABRÍCIO NAPOLEÃO recebeu valores oriundos de


JUSCELINO, filho de IVONETA GONTIJO. A justificativa apresentada por FABRÍCIO
foi no sentido de que “recebeu repasse para se dirigir até a fazenda para fazer a
vistoria, que serviu para pagar alimentação, hospedagem, motorista e combustível”.
Nesse sentido, ressalta-se transferência de R$ 2.000,00 (dois mil reais) oriunda da
conta de IVONETA realizada em 06/11/2014.

Convém evidenciar diversas outras transferências bancárias de pessoas que


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ingressaram com processos na SEMAR solicitando vistorias, licenças ambientais e


demais documentos relativos a procedimentos ambientais.

Nesse sentido, em decorrência da extração e da análise do notebook


apreendido em poder de FABRÍCIO NAPOLEÃO e do cotejo com as informações
obtidas pela quebra do sigilo bancário, constatou-se transferência bancária no valor

total de R$ 9.500,00 (nove mil e quinhentos reais), em três parcelas de R$ 3.500,00


(três mil e quinhentos reais), em 30/10/2013, R$ 3.000,00 (três mil reais), em
27/03/2014, e R$ 3.000,00 (três mil reais), em 08/07/2014. e outra no valor de R$
6.500,00 (seis mil e quinhentos reais), oriunda da conta de ITAMAR GONÇALVES
NÓBREGA, proprietário da fazenda Alta Floresta, localizada no município de São
José do Peixe-PI, em favor de FABRÍCIO NAPOLEÃO. Frise-se que, pelo Relatório
da Vistoria realizada na Fazenda Alta Floresta, o processo foi instaurado em
12/07/2013, tendo a vistoria sido realizada em 29/07/2013 (Relatório Preliminar de
Investigação nº 88-GRECO/2018, fls. 671 a 683 – volume IV).

Também se constatou que FABRÍCIO NAPOLEÃO recebeu de CARLOS


EDUARDO BORGES REBELO, “Duda”, proprietário da Fazenda Canto do Mel,
situada em Joaquim Pires – PI, a quantia de R$ 1.000,00 (um mil reais), em
28/11/2014, mesmo dia em que realizou a vistoria in loco. Por sinal, constam ainda,
diversos diálogos entre “Duda” e FABRÍCIO NAPOLEÃO, conforme acima
mencionado.

Com o mesmo modus, FABRÍCIO NAPOLEÃO recebeu a importância de R$


1.000,00 (um mil reais) de ALDY SOARES PESSOA FILHO, proprietário da Fazenda
Fortaleza Grajaú, localizada em Simplício Mendes, no dia 24/12/2014, sendo que
havia realizado vistoria no local em 17/12/2014.
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Assim, conforme análise do computador de FABRÍCIO NAPOLEÃO,


constatou-se a existência de diversos documentos que comprovaram que o mesmo
na qualidade de analista ambiental, realizou diversas vistorias em propriedades,
cujos proprietários realizaram depósitos e/ou transferências bancárias para a conta
bancária de sua titularidade, numa demonstração de que, valendo-se da própria
função, recebia esses valores para possivelmente agilizar o trâmite dos
procedimentos dos interessados na SEMAR - Secretaria Estadual Meio Ambiente.

Outrossim, em análise dos diálogos mantidos pelo denunciado FABRÍCIO,


constatou-se que o mesmo beneficiou empresários em troca de pagamentos de
gastos com viagens, diárias, honorários ou qualquer outro nome que se queira dar
aos valores indevidamente recebidos, dado que referentes ao exercício das próprias
funções de auditor fiscal. Além disso, tal agir leva à conclusão de que FABRÍCIO
NAPOLEÃO também poderia elaborar relatório favorável aos interesses de quem a
ele remunerava.

Além disso, também se constatou transação bancária entre FABRÍCIO


NAPOLEÃO e CARLOS MOURA FÉ, em 27/04/2012, quando este último lhe
transferiu a quantia de R$ 400,00 (quatrocentos reais) (Vide Relatório de
Investigação nº 045/2018/GRECO, fls. 09 a 34, autos nº 0003887-
55.2018.8.18.0140).

Isso demonstra a proximidade e a existência de vínculo entre os dois


denunciados, um Superintendente da SEMAR e o outro auditor fiscal ambiental do
órgão.

Importante evidenciar que, segundo Relatório de Análise Técnica, a


movimentação financeira de FABRÍCIO NAPOLEÃO ANDRADE é incompatível com
a sua renda declarada à Receita Federal (Vide Relatório de Análise Técnica LAB-LD
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nº 00019/DINT/2018, fls. 35 a 92 dos autos nº 0003887-55.2018.8.18.0140).

Assim agindo,
a) FABRÍCIO NAPOLEÃO ANDRADE incorreu na prática do crime de corrupção
passiva, art. 317, § 1º, do CP.

DA CONCLUSÃO
Isto posto, considerando-se a existência suficiente de indícios de autoria e
materialidade delitivas, este Órgão Ministerial apresenta a presente DENÚNCIA em
desfavor de: CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ e FABRÍCIO NAPOLEÃO ANDRADE,
pela prática dos crimes descritos no art. 317, § 1°, c/c art. 71, caput, do Código
Penal Brasileiro; TIAGO MAXIMIANO JUNQUEIRA, CARLOS ALBERTO DO
PADRO TENÓRIO FILHO, IVONETA GONTIJO DOS SANTOS, pela prática do crime
descrito no art. 333, parágrafo único c/c art. 71, caput, do Código Penal Brasileiro;
MARCELO DE BRITO MACHADO, pela prática do crime descrito no art. 332,
parágrafo único c/c art. 71, caput, do Código Penal Brasileiro, em cujas penas se
acham incursos.

Não se constata nos autos de investigação, documentos anexos, a


demonstração suficiente de indícios de autoria e materialidade delitiva em relação
aos citados:
a) “RICARDO”;
b) “ ITAMAR GONÇALVES NÓBREGA”;
c) CARLOS EDUARDO BORGES REBELO e
d) ALDY SOARES PESSOA FILHO.
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DOS REQUERIMENTOS
Assim sendo, REQUER a V. Exa.:
a) seja recebida a presente Denúncia, ordenando a CITAÇÃO dos acusados
para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias e, no caso
de não apresentação de resposta no prazo legal, seja-lhes nomeado defensor
para oferecê-la, concedendo-lhes vista dos autos por 10 (dez) dias (art. 396, e
§ 2º do CPP);

b) após as formalidades anteriores, seja designada dia e hora para a audiência


de instrução e julgamento (art. 399 CPP), ouvidas as testemunhas adiante
arroladas, e, ao final, seja julgada procedente a presente Denúncia,
condenando-se os acusados ao cumprimento das penas dos supracitados
dispositivos legais;

c) Além disso, se houver prejuízo aos ofendidos, requer que, ao proferir a


sentença condenatória, seja fixado valor mínimo para reparação dos danos
causados pela infração, nos termos do art. 387, IV, do CPP.

Ademais, REQUER a V. Exa.:

1- seja oficiado ao IBAMA para que apresente resposta ao Ofício nº


1365/2018/GRECO, datado de 06/09/2018, acostado às fls. 375 a 386, volume III, no
prazo de 30 (trinta) dias.

2- Ao GRECO, seja determinada a juntada de todos os autos de busca e


apreensão, com as respectivas análises, no prazo de 05 (cinco) dias.

3- Ao NÚCLEO DE INTELIGÊNCIA DA SECRETARIA DE SEGURANÇA


PÚBLICA, representado por seu coordenador Carlos César Camelo de Carvalho,
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ
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seja determinada a análise da evolução patrimonial dos denunciados, de acordo com


as informações obtidas em decorrência do afastamento dos sigilos bancário e fiscal,
no prazo de 30 (trinta) dias.

Pede Deferimento.

Teresina, 19 de Junho de 2019.


GIANNY VIEIRA DE Assinado de forma digital por
GIANNY VIEIRA DE
CARVALHO:304662 CARVALHO:30466261349
Dados: 2019.06.25 12:38:17
61349 -03'00'

GIANNY VIEIRA DE CARVALHO


Promotora de Justiça
54ª Promotoria de Justiça de Teresina

RÔMULO PAULO CORDÃO


Promotor de Justiça
Coordenador do GAECO

LUANA AZERÊDO ALVES


Promotora de Justiça
Membro do GAECO

SINOBILINO PINHEIRO DA SILVA JÚNIOR


Promotor de Justiça
Membro do GAECO
LENARA BATISTA Assinado de forma digital por
LENARA BATISTA CARVALHO
CARVALHO PORTO:01866221396
PORTO:01866221396 Dados: 2019.06.25 13:28:16 -03'00'

LENARA BATISTA CARVALHO PORTO


Promotora de Justiça
Membro do GAECO

SEGUE ROL DE TESTEMUNHAS:


MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ
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GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO

Autos: 0027441-24.2015.8.18.0140
Indiciados: CARLOS ANTÔNIO MOURA FÉ E OUTROS (5)

ROL DE TESTEMUNHAS:

1. ADELQUIS STANLEY MONTEIRO SANTIAGO, servidor da SEMAR, fls. 281/282;

2. JOSÉ RENATO ARAÚJO NOGUEIRA, servidor da SEMAR, fls. 368/370;

3. FRANCISCO JOSÉ DA COSTA MASCARENHAS, servidor da SEMAR, fls.


421/423;

4. NESTOR ALCEBÍADES MENDES XIMENES, fls. 244, volume I.

Teresina, 19 de Junho de 2019.


GIANNY VIEIRA DE Assinado de forma digital por
CARVALHO:3046626 GIANNY VIEIRA DE
CARVALHO:30466261349
1349 Dados: 2019.06.25 12:52:35 -03'00'

GIANNY VIEIRA DE CARVALHO


Promotora de Justiça
54ª Promotoria de Justiça de Teresina