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FURTO

(Rsbopo historioo e juridioo)


JOSÉ CAEIRO DA YATTA
Doutor em Direito pela Universidade de Coimbra

D O FURTO
(Esboço historico e juridico)

COIMBRA
ISIPRENSA DA UNIVERSIDADE
1906
Dignos Pares do Reino

~onselhei~oDoutor Ernesto Rodolpho Hinbe Ribeiro

Conde de Monsaraz
Disse~~taq8o
pura o coizcu~*so
ao micgisterio szu Faculdade
de Di~eitoda Uni7;er.gidade de
Coimb?.a.
Prefacio

IJm fecundo sopro de vida penetra as abstra-


cções da nGtaphysica e deixa ver as novas linhas
arehitectonicas do pensamento naturalista. A obser-
vação foi eollocada no fundamento de toda a inves-
tigação scientifica: a precedencia do methodo in-
ductivo, assignalada triumphaiitemente no estudo
das scieneias biologicas, afirmou-se nas sciencias
sociaes como poderoso elemento reformador.
E m opposição a PESSINA, que não duvidava attri-
biir as novas doutrinas positivas a um umornen-
taneo regresso do pensamento scientifieo 3 , VANKI
veio proclamar que aellas s%o o espirito mesmo
do pensamento moderno a .
Nos dominios da sciencia criminal, reduzida a
mero accidente, na expressgo de RIBOT:a preten-
dida autonomiccpsychica, e preterido o conceito mys-
tico do livre arbitrio, de que a escola classica in-
feria, com admiravel mas v20 esforço de Iogicn, a
legitimidade das penas expiatorias, pelo estudo das
anomalias organieas e psychicas, demonstrou-se
o perfeito deterrninismo dos actos volitivos, simples
e complexos, normaes e pathologicos. A lucta contra
o crime deixou de significar a reintegraçno de unia
ordem juridica abstracta; a pena tornou-se uma
arma positiva de defesa, em vez de instrumento
metaphysico de expiação.
Assim, reagindo contra a orientaçao das vigentes
O
legislações peilaes -que, ein substancia, traduzem,
ainda, o direito oriundo da revolução francêsa, a
actividade scientifica do nosso tempo veio mostrar INTRODUCQÃO
o* erros e perigos do velho syetenia penal e a socio-
logia, procurando determinar, equitativamente, a
responsabilidade do individuo. foi estudar o crime
sob aspectos antes desconhecidos. investigando a s
saas causas pliysicas, anthropologicas e sociaes.
Ningueni póde negar hoje as descobertas adqui-
ridas; e, se ellxs não ameaçatii a nossa legislação
criminal de urna transformaçZo completa, recla-
mani, pelo menos, a sua indispensavel reforma.

O presente estudo riso 4 senão, sob um aspecto


muito especial, a breve exposição de uma d'estas
numerosas niodificações a introduzir no nosso di-
reito penal, como mais evidente resultar& d a parte
complementar d'este trabalho sobre o aspecto socio-
logico do furto.
SZT;MYARIO:-I. - A propriedade e o conteúdo especifico do
direito ; a fórrna juridico-privada da pro-
priedade.
2. - O exercicio do direito de propriedade e os
limites da sancção civil,
3.-Differenças caracteriaticas entre as sancções
civis e penaes. As ~iolãçõesdo direito de
propriedade e a repressão penal.
4. - Crimes contra a actividade patrímonial;
seus elementos essenciaes.
- 5 , -Classificação dos crimes contra a actividade
patrimonial.
6. - Conceito do furto.

I. Assim como a a e ç ã ~das moleculas e das cel-


Iiilas se delimita e equilibra nos organismos indi-
vidunes: constituindo o seu priiicipio'morphologico,
assim tambem na sociedade humana a acção dos
individuos, delimitando-se rio espaço e no tempo,
dá origem aos elementos do direito e constitue -a
esphera juriclicn da vida social.
..
Em aqutllle n2inivllr;rn et?ticunl: a quc! IELLINEK
(1) funcpao de garantia do direito, a propriedade, que
e WUKDT ( 2 ) rediizetri o conteíido especifico e a
nina a~sociaçLoinscindivel, n l o slo senHo ao producto dss
experiencias utiiitarias da especie ~ ~ ~ ~ ~ Lei ~ feoria
1 1 ~ ~ 1
( 1 ) Ti;< saziai-efhische Bedeotttr~,~uon Besht, h+n;nl-echtu92d dt-ll'utila, Palcimu (Kernu Su:idron), 19(!O, pagg. 135 e
Strnfe, Wien (A. Holder), lb78, p:~g.43. 1371 rlclrrrniiiado oiiginsriariie~ite peIo poder do mais
( 2j Etftik, SQTTTGART (Ferdiiiand Ei~ki:),3 rzz~jbge,1903, forte e , rlepiiiir, pela efficaciu das leis em que se imperso-
t. II, pag. 201. Vid. VAXNI,Lezioni di ,/Xosof;u r7r:k diritto, iidisa 11 podcr social, na violaçfo das normas, que se refe-
Bologna (Nicola Zanicchellij, 1904, pag. 1 íld. Expri- rem &a coii<!ii:.ões essenciaes da sociedade, suscita srnti-
mindo analogo conceito, dá-lhe, todavia, maior IaGturlo VUN nieritos mais i~itensose violentas do que os qire acompanham
IHEKJN~: [ Z WInl~ Recht, Le'pzig (,Ureitkopll uiid Haitel) a I'iiIracção da Iri ilioral! menos estavelmente .organizados
1,393, t. r, pag. 4Yq, para qiieni o direito é adie Siclieruiig e menos profun!lainente rauicados na con~rienriados indi-
der Le6c71shedi~;nlyung~7i rJer Qcs~bkr:A~~t! in der Forni dts vidiios o . [S~xrclícii,Pfiynio7og;i:dcs Beckts, T t T r a(A'Tm~e'sche
~
Zwangsu. Assim, o Sr. n r . .J. P ~ n a o3 ~ ~ ~ 1 ' Da 1 ~ 5curii-
, 1884,
k. 21. k. I l o f - u ~ a ~ l ~uyi sd Tínii:areifufs R~rchba~adlzrng),
peteneiapenal i~teg.nar,io)aalsagmado i r Lijiorti~yrr/esr~, Coiui- Wien (To~plirz),1884,Iiag. 8341.
Lra (Imprensa da Universidade), 1903, pag. 5 e nota. Mas, I? na garantia d'essas coiidipnes esrencia~ee ii,disyensn-
quer entendamos com BAIN [ L u 4ErnotBons et Ia vo!ont&, veis d a eãistriicia e dcsinvo!viuibntci d;t sot:iaijade que con-
Paris (Fetix Alcan), 1885, ahap. xv], qria toda a repre- siste a fiincgho do direito. Vid. Bovro, Fi2usqfiir del «livitio,
sentação jiiridica derioa da projecçho intcrna da auctori- Napoli jl!:, AiifOeui), l8S5, capp. x e 11; GROPPILI,I l p ~ u -
dade exterior, que, por instincto imitativo, siirgt em n63 ; Clenln i7el fon.7atrrenl.i Inhi/weco de2 dir,lttu nel positivismo
quer pensemos, segriindo ~ ~ X C H ~ I I N[Dia S G~ltn<7hegl+& niocic.rno, Paite yciiiia, 'l'orino [Pratelli Bocca), 1905,
ilaa Eec71tlts u7ctZ der 31ur~tlu B Li?~Zelfu?ig ;?i J a , fit?idiu.rn pag. l i f j e segç. L ~ S L I EI~TEPHEN[The sclençe uf EtJtics,
~ec7atnphilvso~>7,iscJ1er JVeyk, Lejpzig (Uuri'ycliBuchb.), 1 k i 3 , London (Schmitb, Elder and C.O~,1888, pag. 19 e
2 a i ~ j a y e , pag. 58j7 que O conteudo do direito tem a s ~ ~ g . 1 ,euj:i concepçPo etico-juridica tantos vinculos de
sua origem no respeito pelo mais forte; quer, com ARI>~GO, a%riidade tem com a de ARDI^:^ _Vid. CESCA, La mo-
[LLZ m o r a b deipositivisti, upud Opere Jlilusojcl,a, Padova .rale n~.Zla~ : 7 r ~ s o j aseimt<h'ra, Veiona-Padova (Fratelli
(A. Draghi), 1887, 3.= ed., yag. 44: ~oiiairleremt,s a Druclier), 1886, pagg. 25 e ?E], aecentuando que a con-
idei:i do direito como producto de um processus ritlimico diicda huiuana depende do factor social e que a moralidade
de a<:~&es de rrear.c,õca, entre a consciencia dos inilividoos exprime as condiçEes necessarias mediante au quaes se
c s conericucia scicial; certo é que, dado que a ideia de mantem e progride a sociedade, faz derivar o fiindaineiito
devrr e a de direito, entre a s qiiaes e a correlativa saneçxo intrinsecs do direito das coiidi~õesessenciaes e irnprescin-
social, ba formou gradualmente, no eupirito do homem, diva!mente neeessarias da vida social. Tambem SCHAFFLE
STEIX (1) c o n s i d e r a o principal factor $33 e1-olu~20 levou ntrnvez dc nirrricrosos graus diiTerelioiaea, ao
jtitidica, que para Bovro !2') constitue uni eleriiento
i n u e p a r a r e l d o indiaiduo coruo organim~opi.ogree-
e.colz~zio?2ecconomicic, Torino (E. Loescher), 1881, paz.
s i v o , c que 81EXANIIEIZ(.~) c0110ca na. I ~ a s ede toda
11 e 4tg.I. A f u n q b biologica trunsforinadora e necessaria
a aggregiiq%osocietarin, r e p r e s e n t a . depois da iii- A conservasto da propria estriictirra faz nascer no individuo
tegridxde da ~ i r u l ~ l e<ti.uctura
ia orgaiiica, a condi- uma serie de tendeuciae organicas ou necessidades, que o
C". fundamental (1:~affirnlação da personrtlidndc impsllem a yrociirar os meios neccssarios i sua conserva-
individiial. ção. Coristataiido que estaaeiividntla biologica esta nu ra5Lo
Á evolu@ici mental que, tcrlilu por ponto de par- inversa tia maior coniplexidxde e dssii~rolvimentod a es-
tructura, ZIKO2 i n r [Propjyprktci ircdlijiclzcctle o propietà col-
tida aquella activitlndo e s p o n t a r i ~ a de u p p r o p r i a -
Eettica, Sorino (F1,atelli Kocca), 1398, pag. 3 e aegg.];
@ o : por A ~ r s r o ~ ~derioiiiitiarin
ms ctese i ~ ~ l t u ~(A),
'(ll ac.centúa, eom SERGI'L'oriyii~edei feliomeni psich;ei 6 E1
l o ~ osignlcrzio biologico, Torino (Fratelli Rucca), 1904,
(Struttzira e ettn det corpo ~ o c i a l e , ir1 Raocoltu Boccar~do, pag. 1411, a irnportancía do coucurso d a memoria na for-
Toriiio, 1884, scrie tarza, ~ ( $ 1 . ~ 1 1 ,parti: ri! pag. 6481, dis- mação do sentimento de propriedsda. E SCH~ATTARELLA
séra que n r,onc(!ito e a fiiu~çBodo d i r ~ i t ose ligani 6 5 in- [ípr.e$upYostide! dirZfto acientijco. Palerma (Liiigi Pedone
timas e pvofudas riccessi~~adas da vida colli-ctira a inai- Laiiriel), 1888, cd., pag. 145 e segg.], vê. no maior
ricliial. Vid. temliem CIUBALI,L u m.orule s i1 dliitfo tzell' poder de retenpão das inipressões rccel~idase na eonse-
esfye7~za tsoiica e 72e12a ~eaEtd pratica, Roma (Fratelli quente capacidade de previdaneia a causa do deaiuvol~i-
Bocca), 1807, pag. 3 e segg. ; UUGUIT, L'ktat, k dioit mento d'outo senlimento no homem. A fÚncçZo de appro-
ol.jccctif e6 lu lolpositiue, Paris (-1lbei.t Forilcinioing), 1901, yriaç.ão que, pelo predomiuio da âs~ociaqãomecanica dos
t. I, pag. 50 e segg. ; CARLE, L4 jil~-~fii(r 12el dirittu neblo eslados de consoiericra uu polo instincto, se trãduz, nos ani-
.?lato moderno, T?oliluiijprimo, sezione prima, Torino (Unione Uiars, pda, detcnp%o iuoniontanca da coiise, liga-ae, no ho-
tipografico-editricej, 1'303: psg. 'i6 e s e g g rneni, no principio d a aiitonomia do wpirito o revela-se no
(I) T,osr~, Lt:hgce etono7niche de214 ~osiitz<zioaesociole, dominio : « o ttriirual pode, diz B'TIRAGLII [Filosofia íJd dz'
Torino (Fratelli Bocea), 1902, png. 123, nota. ritto, Nalioli (A. Tessitore r: Figliu), 1903, 3.a ed., vo-
(2) Filosoja dei arifto, Bapiili, 1885, p:bg. 51. Cfi.. lume primo, pag. 2351, unir-se Q cousa por uni vinculo
PICCIO~E, Poacefto positiuo da2 diritto cli pl.op&súi,, Rolo-
pbysico, mas ti cunj~tncç2lomoriil, fiiridsruer~oda ~iroprie-
p a (Giuseppr. Civeli), 1890, p;ig f 7 . dade, essa &lhe interdicta pela natureza».
(3) BoraE Order uiirl pvoyre.ss., Londoil (P:tiil Frrnch), Por esseiicia, directamente opposto ao alteruismo, O sen-
1899, pag, 281 e seg. timento da propriedade, nriginai.iamente tradrizido na posse
(4) Yld. COGNETTI DE NARTIIS; l e forme pri,ltitiue de&
real da cousa, idealiza-se p ~ l asolidariedade; e , conser-
actual conceito d o direito de propriedade, corres- Da na, rlyinairiicu s o ~ i i i iiiiia
l força irresistivel que,
porideu, erii psrallelismo synchiono com a organi- urn uni dado aiornerito da evolu~ao,t o r n a i-ieces-
zação juridica e politic-a, um movimento progres- saria a pi.opr)ied;ide yi*ivitda c dissolve iliexuravcl-
sivo da propriedacle colleetiva para a individual (1). muntc: iL o l . g a ~ ~ i s a qeconouli~a
à~) das comiiluriidades
primitivas (1). $1 a lei ecoiioiuics fundaiuental d e

vando, cinhora, o seli fundo egoista, vae-se tornando, Como


diria SYENVER [P?*hicip& depsychologie, trad. par RIBOT et direittls individuncs dos direitas co!lectiros d'iirn:t coinmu-
F , ~ P I ? J . ~Paris
s, (Felix Lllca~r),1873, t. Ir; png. 605 e nidndt.. A Q U O S S ~ Jindn,~agrjessobre o direilu pessoal mos-
çègg; nosss dissertação iriaugiiral O Direito de p7-opriedade tram que a tgmilia surgiu do grupo dos a y m f i , que este
e u z~f2l;dud~i publica,. Das mproj>riaçijes, Z.Coimbra (Ini- veio a perder-se rntTe a3 ym!eq separadas, e qiie, por firri,
prensa da Universidade), 1906, pag. 5, nota], gradual- foi a gens stibati;~iida pclu indiriduo; c os estudos a c h a e s
mente representativo: não sO deixa de referir-se aos ob- parecein iridicar que tudo o progresso n'esla cransforms$lo
jectos que, em certo inodo, criados pelo esforço do indi- corrisponde a uma alteraçXo analoga na untirroza da pro-
viduo, elle assimila ir ~r0pri.i mas manifesta-se l~riedaiie.a
indepenclentemeilt de qualquer olijccto, concebendo o seu Ciimprc, todavia: notar, (!ou o ptuprio S L M Y F h :I~~ m e
valor abstractamente e iicando ligado a um simples sym- [Ef.~c?e8szw I-histoirt! ãu dioif, trad. de l'aiiglais, Paris
holo. 'De phenoliieno puramente biologino e de simples re- (Ernest Yliorin), lES9, pag. 3011, a p r o ~ a s c lprioridade
t a ~ etina,% ~ o facto da appropria~ãotrnnsfor~la-se,palo re. da appropriiiç8o priv:ida de alguns objectos incireis. Estes
conhecimento do poder publico, em phenomeno bio-juridico. objectos eram considerados, em certo inodo, corno escmrcvc
Vid. PUGLIA, Saggi d,i jlosoJia yitvidica, Saggio XI : 8.d LETOVI~NEAU /li:la prap,.le'?é, Paris (.Lecroeniar
!T..'iãod?~tion
t o diritfo d i ~ i r o j w i e f à ,Na.poli (E. Anfosei),
f o n d n n i ~ ~ ~dei et Bribk;~, lliiP9, pagi nd?pendencias directas dos ~ n d i -
1887, pag. 3 e segg.; P I ~ T RCKWIIE~TI: O n dirittu dipl.0- viduoa que lhe teriam co~ilniiinicadnalg~iniacousa (lu prupria
y r i e t d , Toriuo-Roma (L. Romo e C.), 1894, pag. 4 e rida c que os deviam acompanhar a l b u tumulo: aqui o
segg, gariilen paycliico da propried;ide iiidividualo. TTid. LAFAE-
jlj ROStcstetuunbo~que possuirnos, exreví: com a sua cua, L'orighe e. I'evoEirsione di..iEuPi.np~f~t& Palermo (Remo
habitual superioridade SUUNER ~ I A I[L'aacieft
~E d r k t con- Sandron), 1896, pagg. 128-131.
sidird tZu~tssts ralyorts wcee l'hisioiri! de lu sueibré prirni- (1) Panmte csta intriiiseca necessidade, tornam-se factos
tiw et mlec les idées n~udemes,trad. par COCRCELLESENE- inerainente accidei?ta?s os m?iom viol~niosqirc dct,armiri:i-
UIL, Paris (Gui1lai:iiiiii et 1874; pag. 256!, p~l-mittmu r:im, por vezps, a transipXo ri.: uma para outra fórma d.:
eorijeeturar qxie a propriedade privada, na forma em que propriedade (LETOCRNEAU, L ' d u ~ b ~ ~ tde i oEia~prq~i.,iiit!, cit:,
a conhecemos, se formo11gradiialruente, pala separaçzo dos I1:Ig. 47G c wgg.; LAF~ISGUE, L i o 1 i g i i ? e~ I'eaoluzio~ieclella
que depende s 1ii-riitii.d;t yrociuctiridade da, terra, qiie, como o b $ e r v a ~ . ~ ~ ç t (deterniinx,
l): 8ob :tpies-
s2o da l)opulaq%oe C!asnecessidaclcs crescciites, a
p ~ o p ~ i e $ r lcit.,
, p a g 11 aegg.) e rese!a-so infundada inteilsifitrar;ão Eii eiilt~ir:~por lima ecoiiomia mais
a eritir:a (10 saci:ilisiriu contra a iltegitimidade da pro- prodiictiva: d'onde a riecessidacle incvitnvel de lima
priedade privada. s e m b licito invocar, cornu f:ix L~rh:- re1:igS.o eco~iumii:o-juridimdo roltivndor cciiii o aó-
LETG iLle !a jo~oyridi et de Y L S ~ O T T I M yrijnitii:ea,
S l'ai-is
10. da approprinçg,~esc1upií.a. A propricilade irrdi-
(Felix Alcau), 1OCi1, 5 . ed., p:igg. 53-540], as pa<:ipi-
r~idunlmanifesta-se, a s s i m , por iim lado, indisso-
tadas e inc>mple:as gsnera1iza~u"t.ssociolugicas d8 SPKNCER.
Attribuindo ri f o r p s nrige~n proprierlade I>riv:ida d s Iiivelmeiite conuex;l. I I ~oriieni d a success%oIiisto-
terra, SPEXCER [P~inc;pez,"de sociv!ugie,, trad. par CAZEL- rim, com uma fhrnia, supcrior de u«natitriiyã.ti eco-
LES, Paris (ri-liu rilcan!, 1-98, t. IU, pag. 7L7 e seçg.) nomiea c com'urn mais alto grau da e\-olupão ~ocial,
vê, todavia, na cou~pletaiildiiicloalisa~ão Cesta um facto e, 11oroittro, rcr,lnrriaila. pelas exigencias da. conser-
conr:omitante rio progresso do indristrialismo s do triumpho v a y k c,ollectiva.
do rcgimen do i*ii%tr«cfzss sobre o do statws. Mas ainda pile
a primeira c\spljca$Hn, cniinciadn dc iama f6rins t.%i ahso-
Inia, ~ O F Y Overdiideir:~, u scgnrida. rtiidific:iri:~substancial-
2. Coníliç% yriinaria e iiidispeusitvel da troca.
mente o seu ralor, porqiie a ronq~iistst: a violencia se re- d a cli-vis50 r10 trabalho, d a nssociar;%o(21, a proprie-
duziriam a simples processos que a6 initio tradrieiriam uma dade, lia sua ~nefasocicil.f;irnl: como se exprii~ie
irlcluctavel ncccssidade siipcrior c, segundo o prciprio SPEY-
CBR, bcnt~ficz.2,ern oiitrn. obra ~+Tusllcc,trsd. par CAZEL- iiicompairrrel, purrce-nos o iueihor meio garantir e pilip-
LES, Paris ( C + U ~ ~ I ~et ~ IC.le:i,
U I ~ I190$,
L 3.a ea., p a g 11.0-120 petiiar apropriedade nacichnal do sóln. E por ia cl'rste frsc-
e 323-3201, o grande penrridor escreve que a propriedade rilinamento do si;lo que se for.ialecam e iniiltiplicam as
collecti~sdo çL~n,da trilu ou da aldeia pertence a unia raizes da rasa.
fiirnla eco~~omica irifrrior, iiimnciliav~l com a progressiva P s i a indii.iiciies l~ílliugraplii,:a>svbi-e fiintes t;conuuiícas,
diffe.renciay$o social, que 4 o principio niesmo da evulirção, philosoyhicau e ,j~iriclii.aa~ relativas ao prob!erria da pro-
revogando, sm face da Lcznd-grrestz'on,a these jQ siistentada priedade : FVau~eii,Ir'inrrdlegurrg dmpolibi~ehenülio?iuniie,
da propriedzcle colleotira e nacional do s d o . Vid. IIEKI~Y Lcipnig ((1. F. Winter), 3 au$oge, 1894, png. 180 e ieg-;.
GECKGE,The Lar~d.~ziestio?r,lJ~rr~-Ynrkínoribleday and klac (1) Gli studl; rli: HESRY- S U M X mala^
~ ~ e Ia di;tfrR,s
Cliirn C.O), 1001, pag. 7 e segg.; ALRREDE ' o u u & k ~ La , dtjlla j?asu&finrlcl &&o, Verona (Uo~iatoTedesclii), lSY2,
propriété soeiale et lu dim~cvaiie,Paris (Felix Alcan), 1904,
pag. 11 e segg. A proyriedads individual e hsreditaria,
criando cntre o individuo e o sdlo, uni mnciilo de um vigcr ('2) T A ~ I > EI-)sycàohgie
, écolioiiziyue, Paris (Fclix Ai-
can), 1902, pag.2%.
I,ESTER WARD(1'1, implica aqi~ellevinciilo entre a c o m o desinvolvimento do organismo j u r i d i c o , e s t e
pessoa c a co11sa que: n a sua conatr~~cçRo j~lridica, conceito classico de CIu»l.ir~iw/~,it imprecisa iierr-
os rornarios, transportaiido para o campo do di- schaft dos j u r i s t a s stllcm~cs(l), vem, pela cornbi-
reito privado as ideias que: como doutrina politicti, uaçiio de varias normas de direito pirbliço e pri-
TOCQCEVILLE (2) tão asperamente verberava, tra- vado, a soffrer liniitaç6es, comeqa a distinguir-se
~ U Z ~ I .no
R Ucoilceito
~ Iypico da plazcl i r ~.Te pcjlestns. diversos moilieiltos n a m a n i f e s t a ç ã o do direito de
O proprietario apparece-nos como modarntor et p~opriedade,adniittirido-se a separação entre m d n
aríiitci. dos seus bens; a sua ;xctivirttzds jiiridica p~oprietas,possessio e U S L I S , quer por vontlide do
abraça toda a coiisa e cada iiina das suas partes - doniini~c,cliier ii~depeiidentcirieritc d'cssa vontade.
q?i,al<beiparte, e extsrioriza-se em a*uelle
tola i.! i?]. E o propriíi e o n c ~ i t ojuridico d a posse sc~fl'repela
poclcr illiinitado que os romanos coiliprolieridia~ii infiueilein diis tlieorias m e d i e v a e s do diruito cano-
U Satlusz~i~
nas palavras ~ L . V L I , ~ W I C ~ et e que os cocli- nico e dos civilistas, Lima evolução que leva, b rlis-
g o s ~ioilcrilosençcrritm rias duas fsttçii1dai:les cle tinegão entre a posse iiatilra,l ou siixiples dctenqiio,
goso e disposipâo(3). Mas, ao niesmo tenipo ync, fiucdu delmdiu, pussassiu 1zata1~n2isje a posse juri-
dica {ciuilis possessio) (2).
Mas; qner ennsicieremos o direito de propriedade
( I j I'ure socioloyy, Nem-Pork ('l'he Diac Milla~iCom- na pleriitude dos pudores do do~?zinus,quer tenhs-
paiiy), 1903, pag. 274. mos em vista os varios momentos d'esse direito, a
(2) L'anc;en eniginie et Irr. Rério!?ition, Paris, 1869, pag. 1.
(3) Eacreve DEGUIT~ ' ~ t a let droit , objectif' et Ia lui
p o s i t i ~ ~Paris
, (Alhcrt Font~mcfiig),1901 , t. I, pag. 209:: (1) VAY RFirbi~r.~~,
,$'ociones fiulda~iieitlales &E de1.s-
«La propriét8, de qiaelque manière qiie i'oil onvia;ige, qu'on c7~ociiiiZ, trxr1. tle Nacaaeo DE Pa~k:rcin,bii~adrid(Hijos
lu prr!nn~ m so< abbstraction fuite de aon rnode d'acqnisi- cle Rciisj, 1901, pag. 204.
tion, q~i'on Ia consid&i.e ali poi~it de viio de scs modeu (2) Para a distincçlio entre a tmtUrliche?~Bdsif~ e ajtii-istk-
d'acqiiisition ou de transmission, n'ast pirs iin droit aiib- chen Besitz: Voa IHEI~IKG, Lu uolzrí~tad en Ia pgeésiotz,
jectif; elle n'est m6iiií. pas, pour parler toirt-k,-f:lit exu- vcra. de L ~ D O L F OPOSADA, Miladrid (Revista de: Legislucioi~),
ctemerit, uii poiivoir objectif, ellr. cst un fait, considérk B 1896, pag. 19 c Sexg. Vid. I'ite~i~ii.~, b'to~in cliriíto ilu-
un mouie~itdunnk de la vie d'un peuplecomrnc rin fait de Eiui~o, t. 17: fitoria dez divitlo p ~ i ~ a t oIbIiiaiio-Roma-Na-
,
solidarité, et par consbqiient comme une condition d'tin pou- pali (Uuiiiiie tipogiafico-editrice torinese), 1893, ed.,
voir objectif apparteriunt 1% í-ertai11t.svolontPs individuel- pag. 177 e ser&.
lesn. Via. nossa dissertafio cit., pagg. 31-39 e 395 e segg
funcção especifica que as cousas desempenham na norma juridica não seja effectivadn, já pela inccr-
sociedade, aqneIla e solidariedade das causas. no- teza da tutela concedida pelo direito a i ~ n ideter-
tada por DURKTTVIM ( I ) , torna necessaria, para rriiriacio iiiteresse, jlt pela iiloliservancia da norma
aquelle como para estes, a adopqHo d'outa dupla que consagra a mesma tnteIa, surge, corrio rim mo-
ordem de meios de prcite~çâoou de defeea. saric- mento da. actividade do eatncio, chronologica e con-
cionados em todas as legislapões : civis e penaes. ceitualmeiite posterior á hncç8o legislativa, a acti-
Vendo no uso iiidetarminndo das propiias cousas dade jurisdiceional (1).
trrn rtspecto dn liberdade do cidadko, a lei procura Escliiida a coricepçtto objectiva de CRIOVENDA (2),
proteger este uso em todas as suas rnuriifcststões; que, prc~cindindo da coilsider.ag%odos fins sub-
e p ~ r q u e GOUO
, garantia de fins ou tutela de inte- jec,tivos das pai.t,es: iiko ctlracteAza a actividade
resses, a norma juridica 6 irrefragavelmeiitc obii- jii~isdieciu~lr~l; a doutrina de IEI..LINEK(C~), que, as-
gatoria, nko se limita aquella a dete~minara acção
en droit pbnal, Paris (Artllur Rousseau), 1902, pag. 18 e
do iridividno, mas. transcendendo a siia vontade,
segg.
cumpre, indepeiidentemente d'aata, us fins que tem (1) Note-se que, na hrmapão historica do estado, a acti-
em vista gardritir (2). E>podei130 succeder que nnia vidade judiciai precedeu u legislatira: a tutela particrilar,
coiiceclirla iríis varios casos a determinados intsresses, e a
determinação gradual clo direito applicaveI a cada caso,
(1) De lu diuision (>ti tracaik social, Paris [,Vel?xAlcan), levou, dia Ilocco 1I.a rentejizn ciVil~,Torino (Fratelli Boe-
2." ed., 1902, pag. 84. c:ij, 1906, pag. 81,A tutela geral contida na nortrrla, A for-
(2) Vid. IELLLUEK, Sy~teín&r s?dhjekfiven S;ffenflichen m a @ ~d e um imperativo juridica uriirersal. :\ conipene-
Rechte, Frziburg ( J . C . B. JIohr), 1992, pag. 39 e segg. tração das f~lnc(;8eu lcgislativa e j~irisdíceiúnal 6, ainda
Kão é essencial ao coricelho do direito rjurc o uso da força hoje, visiveI no direito inglês. Vid. DICEF,l,n,frodv,ctio.nd
seja reservado a um orgRo superior e e s p e ~ i 6 ~(estUdo), o e droit eonstit~rtioa~tel,trad. pai BATUTet .JEzR,
1 ' é ~ ~ dd;u.
antes que cocfiado directamente iqiicllc, cujo9 interesses Paris (Giarrl et Brière), 1902, paz. 5 c segg.
são garaüiidos pí:lo direito: Cod. Uiv. port., artt. 359.O (2j Xaygi di tliritfo procesruale ci,vile, Eologna (Iiicola
ri." R.", 3(i7.",486.0, 2354.O, 2361.", 2368.0 e 2370; Cod. Zanicchellij, 1904, pagg. 7-9, nota 6 .
Pen., arti. d4.0,n S u5.", 4 6 . O e 3 i 7 . 0 V i d . Cod. Pzn. de (3) I)& B~cchtdcs ntodernen Staits, I, Allgemehae S t a -
1852, artt. 14.' n.' !i ea36,"Vid. GOXARIO CHIROXI, LO atsleltre, Berlin (KarI Heymanns), I fit10, pag. 579. Vid.
stato di mcessitd na$dil.irto p r i ~ o f o Torino
, (Fratelli Bocca), taubem Gesetz wid J-erordwng, Froibrrrg (J. C. B. lfohr),
1908, pag. 1 7 1 e seg.; & ~ A R C ~ A N DDe , E'itut ds necessifé 1887, pagg. 213-225.
sigiia á jurisdicç;to a funeçào de certificar as rcla- vidade judic:i:iria iepiesenh unia actividade com-
j ~ l ~ i d i cdtlvi~losas
~s o11 ~ o n t r o v c r spiete-
~~~ pletnentai., e liso de òiiiiples execri~Ao,uma segunda
rindo, arhitr:~riamerite: t,ullo o processo e x e c u t i ~ o; e autoliorna fhiina de tritela, que interveni iIilando
D I H-tutela
a formula de ? ~ ~ . ~ Y ~ R G (1) ~ dos direitos a t,iitelit legislativã re.mltoii pi:~,t,ic:itiie~ite
iileffi-
sutljectivos, iliconiputiçel eoni a hypotliese (Ia sim- citz (Ij.
ples incert,ex:~cls sxistelioja íle iini direito; ;t i.heo- Q L I ~ L Icstau
~ ~ Osaiicções civis se it:ve1:111linsi~fi-
rin de LAB-LYD (2j, qne ilegn A iuncçâo jurisdiccio- cientcs ptira a triteia do direito de pioliiiedade oii
na1 c,oiiteiído subst,a~cial proprio, prociirando cara- d a s suas ei\teriorizações pnrtic~ilares,torna-se ne-
cteriznl-a pclo org8o que a deçen~pcrihx, oii a d e cessaria a iuterveuçào do inagisterio prunit,ivo, como
DE PAI.U (Si), para giiem a jurisdieq%ose reduz B re- meio de ieiritegraçzo da c:onsciencia pati-imonial.
uolii+io de cc~ritrot-ereias,esqiiccendii qiie esfsd u i o
acompaiihaui necessa,iiariierite ri rsert:icio d'a,quella, (I) A~siin,com a theoria dos modos de adquisip80, ga-
ou a de MORTABA (4). qiie attrihue b jnrisdici;%o a rante a lei a origem e a transferencia da propriedade jCod.
civ., artt. 4.', 3S3.O, 474.O, 505.O, SGi.", 631.", lí23.",
resolng80 dos coriflictos entre voiitades snl3jectivne,
1735.' e 2289.O; fisticdos Jzri-idicue, Coirribra (I~npreiisada
o que neui sempre se verifica, ou entre normas ob- Tiniversidade), 190;:, pag. 672; QUAKTAI~OXE, 11 diritto
jeci.ivae, o que 6 inadrnissivel -certo 6 que a acti- ctgEI iclirnent;, Turino (Fratelli Bucca', 1384, yag. 60 e
segg.'~,ernqaauto com as acções posse3sorias mailtém t; as-
seg11ra ao possuidor o exercicio da posae [Cod. ci-i., urtt.
( l j C o ~ s odi cliritto gitidizia7-io civile, vol. I , Dell'ueiolie 486."-487."; Cod. de proc. civ., artt. 492.0-43i.0 e 2."
giudizia~iu cizile e dell'urdinum~.rifoy i u d ~ i z l u ~ ~ iBolonria
o, %s I .O e 3."; Sr. »r. Rin~rnoDE ~ ~ A G A L H ~ Ei tSl ,a i ~ t l ddas
vicola Zanicrhelii), 1898, pagg, 3:L-416. e ssewprocesso, Coircbra (França Amado):
ric5;iss p o ~ ~ e s s o r i u

(2) CAÙINEO,Lu m«nij'c~~tcizions rlella .c»lont? clello Stnto 1893, yagg. I , 6-S e 25 e segg.; Sr. Dr. DIASDA SILVA,
nei campo clel cliritto ammG~istl.ufivn, apiid Primo iruttcrto Processos rspecioes civis e co~nmerciaes e processo
conipleto di diritto unzministvafiz;~ ilalimio, Bliiauo (SoeietA Ciiiinlira (Irriprensa da liiiiversidade), 100U,pagg.377.380;
editrica libraria), IRCJ1, t. rLr, pagg. 8-12. Sr. Dr. GUILEIERXE ~ I O R E L ~ ~Insiituigões
A, do direito civil
(3) Teovia del titolo ezecutivo, Yapnli ('l'sssitorc e Fi- pu,rtf~guez,liv. 1x1, paz. 24 e scgg.] e com as acções, em
gliij, 1901, pag. 3, nota 2 e pag. 53 e segg. que se discute o dorriinin, visa a obter o reconhec.rmonto
(4) C'oni~i~enfariodei cotfiee e d d l e k g g i d t Z ~ ~ o c e d i r ci-
ia defiuitivrt do direitu c:ontroveiso, ptc. Iria. Blal.ri~or.o,Trat-
Gle, Mi1:ino (Leonardo Vallartlij, 1904, t. I, 3," ed., pagg. taío d i diritto gii~dizia7,iocivi!,? ifobiu120, l'tirinn [Fiatt?lli
16-20. Bucca:;. 1902, 6." e<l..vol. I , pag. 22 E srgg..l)raec. Iiag. 23.
Assim, d a saiicção civil shbe-sc b penal, mais lesivos do direito de proprieclade que devem ser
efficaz e energica. elevados A catrgoli;~c?,ecrinies.

3. D a determinaç20 pr4vilt dos limites entre o p r ~ s s 3 odtdic,to n~ntilral, qiii: definia Üa ofiensa faita etn
direito civil e o direito penal (i)depende a dos actos qiialqiirr occasiR;i i. eni qiialqiitii. lognr a uin deterrninailo
sentiiiierito iii?diii de piedade e prohidadrn, piorocnrn a s
(3) A noção technico-legal, commiimmente segtiida, con- eriticn s (1;: TAILIII~: [i.% Ph;?osnpI~fel ' i ~ z a i ~T,y(iii
, (.4. Storli.
sidera crime a acç2o a que o legislador applica iini:i pena. et C "I), 1902, 3.' ed., paz. 79 E segp. e 4131, que nccres-
Aaalogainente o definira CARKARA:Progrrrrr~mn dei corso crnt,:iva ,i drfiiii~Zode U a ~ o ~ a r , oenfiaqtiecendo-a.
, aliás,
d i diritto cl-i~niiaale,Parte generale, Fierifie (Fratelli Cam- a offensa opinião commuin de F"E;RKE [ S o c i o l ~ ~c3.z'ri~i-
ii~
melli), 1904, 'i."ed., pag. 211: «Ia infrwione della Iegge nirk, Torino [E'ratelli Boccaj, IctCiO, 4: ed.; p a g 1 2 5 e
dello Statb promulgata por proteggere Ia sicurezza dei st.gg.1, que vis nelln o defeito dí. ~ x p l i c a r iini:l pequena
cittadini, risultante da iin atbo externo dell'ooiuo, positivo parte dos pbenomenoa criminosos ; de VACCARO [Suggi cri-
o negativo, moralmente imputabiler. tici d l sociologia e d i crirninologiu, Torino (Fratelli Bocca),
Abrapada pelos criminalistas da escola claesica :com re- 1903: pagg. 173-1931, que nota a referencia a um ambiente
scrvxs por PF:SSINI: Elementi di diritlo penale, Napoli social, q u e representa uuia abstrac$o, uma delerminação
(Ricr.ar<toMarghieri de Gius), 1882, vol. r, pagg. 137-1391 logica á ideal, inspirada esciusivament~pelo alter~tisuio;
e, inoderuaxnente por VACCARO ICfenesi e ficnzioae dellr. de STUPPATO - ~ ~ t : x e r c i z ia?bitrario
o delle pi-oprie ragioni,
Zeggi ps.ntdi, Roma (Fratelli Bocca): 1869, pag. 175 e Veiona-I'adova (yrateili Drocker), 1896, pagg. 12-15:,
s~gg.j, tsl noçzo foi banida, pelos eucriptores do sociologia que n,io adinitte iiina moralidade media como indice e base
criminal, por defeituosa e empirica, j A que, se, o caiacter da subsistenaia do delicto de Pnihis jScknce piiiale et
vago e insuficiente da sr?gurangu e o criterio erroneo da di.oit p ~ e i t i ~ f13rusellea-Paria
, (Hriiylnnt-Christopl~c, Ma-
liberdade moral a torna. inncr!eita\rel, como nota M&RUCCI rrsc.q::, 1838, pngg. 78-79], que, baseado na historia do
;Lu ~iz~uuci $los?fin. de1 rliritto cririiina-. Roma (Ermanno direito e no r s t ~ i d o ria psycliologin dos povos, uffirina a
Lesclier e C.Oj, 19114,pag. 641, tem, por oiltro lado, o de- falta de iinifui.rnidacle e yermaiicncia dos sentimentos de
feito de se prestar h extensRo que Ilie dB F e a x c ~[Plzilo- piedade a probidade, etc. Ampliando a dzf nipãn de IAisz.r,
sophie droit péncll, Paris (Geriner-Eaillière), 1861, pag. [npud ÇTOPPA.IO, obi.. cit., pag. 16) que considera uacç0es
129 e segg.], que associa a lei positiva S lei moral. E s t u - pur~iveis as qua pertiirl~arn 3s coiidiç3e~ de vida de tim
darldo o eiime rio seu aspecto siilistancial, GARO'ALO :Cri- d:iilo puvu eru urri dado rnrirueiilor, e ied~izindon de Ri.:-
niinologia, Izeru. por JULIO DE MATTOS,S. Paulo (Tei- R R N ~ Y I ,que ctirisideravù c:ririie «i1 fùtto dell'uomo r~iolentc
xeira & IrinXoj, 1893, pagg. 1-51], lançando Bs disputas n fraudolento, clie infrangc i rapporti fondamentali della -o-
-da sciencia, erii urna elaboraçxo notavel de agudeza, a ex- ci<?i,olezzn, pruitiito (lalln 'legge e drtrrrninato da moti\ri
.*
que distinguira a jus-
Conio fizera HOBBES, tiça distributlva (civil) da justiça, viildica.tiva (pe-
n d j , corisider~r~do-~s initrkifestaç6es exterilas de uiri
identico principio raciorial, BENTHAM (1) veio sus-
tentar qiie os direitos e obrigapões e os delictos
antigiuridiçi i.d antisocialiu, FERKI(obr. cit., pag. 1361,
acceita, r:m s'ibstancia, a de COLAJANNI [ L u sociologia cri- s%o senào a lei civil e perial, considerada sob as-
minale, Catania (Filiplio Tropea;i, 1389, vo]. I, pag. 641, pcctos diffcrciitcs; c, sob uni perito de vista rigo-
3 que é rediictivel a abrayada, entre nós, pelo Sr. Di*. rosnineiitc ol~jcctivo,BIXDIXG (2) p r n c i i r a v a : poste-
Y W I ~ RNARTINS
O (obr. cit., pag. 7,): os factos criiiiinoso~ rioruciltc, clei~trn dos nioldes da escola clnssica,
representam sempre iim aataque ái condiçües de exi3tkrrria riepar to~L1 a ~liEel.e~lça s~11~stan~itll entrç lesa0 do
in,lividual ou social, determinado por mt~tivos antiaoeiaea
direito (uibil) o vi?Ia<;ãu de clireito (Iicnal). Xsts lni
ou immoraes, que o8endc a mor:~liciarlerueilia ds i r r i i daao
grupo collectivo>. Vendo ria voritada o elemento psycho-
a. escnlit po-itiv:z de direito perial que, p ~ l eboccn
logico necessario de qiialqirer figura crirniuosa, e consi- de FERRI (3): rnnis eiiergicainelire + eio defender n
derando insuhsistente a di~tiiic$?iode GAROFALU entre de-
licto iiatnral o legal, já que nBo póde fallar-se de crimc
f6rs das leis vigentes em deterininado tecop,s a logar LFues- cririlino2ogia iizodernn, Coimhra iA41meida Cahral), 1806,
SATI, Lo speriinentaZismo nel dirilfo pulale, Torino (P'ra-
pagg. 234-253.
telii Bocca), 1Y92,pag. 15 e scgg.;, parece-noe podetnios Sobre o conceito de dclicto riat~irul, coiitrsposto ao <lã
definir &mes -0s faotos voluntarios, rer-eladurrn de aiior- crirniiialidnde Icgal? vej;i-.se CARNEVAL~:, IL ~ic~titralismo
n,cl dh-ltto crirrti?zal, Prato, 1896, onde, especialmente a
malidade do agente, qiie se traduzem pela viidação do di-
reito que garante a organizaçzu juridics preexiutente. Vid. pag. 40 e seg:., faz agudas observaç5s;s sobre modifica-
RAOIJLu~ i.a G.~BSERTFI, D e s pifftcipeu sociologiques de Ia
çnes d<js conceitos racioiiacs que disciplinam a theoria do
c~iminologie, Paris (Criartl et BriBre:i: 1901, pag. 14 e fiirro, deduzidas do estado da conseiencia social moderna.
aegg. ( I j méorie das yeines et des i&conipeizses,extr. par ETL-
E N N U DUXONT, Paris (EIector Eoasangc), lFi5, 3.' ed.,
P a r a outras noqõcs do crime: HAHON,Uefeimiikismo e
repo~isabilidade,trod. por B ~ t - A o a l rLisboa
, (Rililiothera t. I, pag. 7 e segg.
d'educação nova!, 1900, pagg. 46-36; FERRI, obr'. cit., (2) STOPATTO, ohr. cit., ~ ~ a 3-3.
g.
pag. 125-143; XARCEEESINI, ilucora SUL delitto .r.~~!?crn7e, (3j Obr. cit., pag, 678. Tainbeni LLTTSE[ L u scierice
apud La Scz~olaPositiva nellu dottrinn e g i ~ ~ r i s y r ? l t t w ~ ~ a av point de qvcc philoaoyhiqrae; origine de l'idée de jtcstir~,
peizalt?, Roma (Fratelli Bocca), 1899, anno IX, pagg. Paris ~ D ~ d i e r )1873,
, Y.a ed., ysg. 339', baseando-se na
139-141 ; S r . Dr. AFFOXSOCOSTA,Chmmen!a~ioao Codiyo etymoiogia da palavra pena, esereoia qirs aos povosanti-
pannl poiif,ip~rêri, 1, I*ztl*odiicg(io,,Eseolns e p~incipios de gos consideravam o criilie como um fttçto prejudicial, que
dava logar n, repara$io: o crime 11d.o despertava no seu
equipollencia dos dois direitos, argiimentaildo com A:: penas revestem o ~ a r a r - t ede
r expiatorias e ci-
a sira, cririfiin?io nas pr.imit,irns phn.ses dn evoluqão vis, e mais exyiatoriss que civis, nXo porque ngo
hiima~in,e coni o facto de revestireili as pcrias, du- seja possivel n distincçiio er~t,reo direito civil e o
r ~ n t eiim lai..go peiiodo, iini carnetev quasi exolii- direito pcnttl, mas porque n iinperfeiç50 dos instru-
sivarrienie reparatorio ciii civil. E GEU~ZGES VIUIL(1) ~iieritnsde defesa social originou a confiis%o entre
reivindica para a escola italiana o merito de deiiun- a s duas f~incç6es.\i IieiiiE e a reparapSo n3o sc con-
ciar a sepurxção coiliu uiu erro eeuaiiravel, lirocla- furideiri com n iioy5n do direito perial e civil, por-
mando que a sa,~~cq%o civil te111ilin caracter d e in- que o falso criterio &cerca da siia funtqau nâo equi-
tercasc social c ~ m oa s:~iicç%openal. vale A uatural união das diias iiiaiiifest;l.çães da
Xlhs, se a doiitt~iande H u x ~ e~Bs L A T Hlevara ,~~ actividade juridica colIectiva. -
4 negaç8o cio direito perial, iediiziildo-o a uriin sim- E; a mtithesc entre as severissimau e cxccwsivas
ples ~ailcçttodas leis liao penttt.3 (81, :iafirriiaçiiu de penas co~.poraese as reyaraqses pecuriiasias ou de
~ E R R Icarece de fuildamento. As eomposiçÔes pe- caracter econoliiico e r)atii~noniadinostra a distinc-
ciiniarias tFain: e111iriuitos uusturnes de povos pri- $50, realizada na pratica, entre o direito civil c pe-
mitivos, aiitcs o caracter de trnnsacç80 on rlc siih- rial.
stituição á vindicta. que de reparação directa, (3). Assiill, rornper~docom a oriei~taç?iod a siia escola,
T3oso~r(1) fazia depcndcr aquella distincç5o do
espirito pe~isauientoalguti de vergonha, de culpa ruoraio. m:iior ou menor interesse social perante os actos
Assim L o ~ ~ ~ i i o so
:L'hori~ms c ~ i n ~ i n ePariu
l, (Felix Alcan), lesivos ilo direito de oiitrem; e, pondo em relevo v
1898, pag. 8.11. aspecto subjectivo qiie tbquelle entrevira, BRUSA ('2)
(1) Cours de droit crintiml et de sciewce plnitzntiaivr,
Paris (Arthiir Roiluseali), 1906, 3.* eil., premiar fascicille,
pag. 66. No mesuu sentido, o Ur. i l i r ' i t t r ~ ~ sua s SILVA,
Elementos de sociol(gio. cvimiorrl e Dlraifa penu7, Cuiinliru, chives d'anthropoiogie crirninals, L>70n-l'aris[Stor<+k,Mas-
(Typographia Democratica), 1903-1'304, pag. 56; S~r~iiouit son), 1398, t. xrir, pagg. 1%-177: Proal, Le crime e6 Ia
I ~ R R I SP ~, i i z c l p i i tli diritto e p r o c e d u i . ~ penale inglcse, peine, Paris (Felix Alcaii), 1899, 3.a ed., pagg. 524.326.
t r d . dall' arv. B a v r o ~ a ,Verona (Donat,>.Tedeschi e (1) Di utzu ~nrvvataut.ica positicistn s u l h ,frade ?ilnibile,
Figlio), 1898, pagg. 1-4. apud 1.a Scuola p o ~ i t i u a cit., 1894, anuo rv, pag. 1028
(2j CIVOLI,Manuale d i d i ~ i t t opanak, Milano ::Socicth e segg.
Mitrice libraria), 1900, png. 1300 e 1301. (2) STOYPKPO,
obr. cit., pag. 36 e 37.
(3) Vid. ~IAKAREWICE, &volution de Ecl peine? u p d A r -
faz consistir o criterio distinctivo rio K scntimcnto d a propried:rtile all-iein, p o r estes ~rieios, deve ser
pilhlico ricerc:t d a suffrciencia bu itis~ifficienciado necessariamente ~ c l i r i m i d a . Nem nos p a r e c e de
p r t i c i i l a r p n r a s e deferider c o r i t r ~os açtus lesi\oo s e g n i t :I opiiiiao cI'aqiielles qiie, lias iri;i.terias pii-
do seu direito, o u n a fórriia da fioiide oii da vio- r a m e n t e civis, rcduzeril tuda. a, violayao da, lei a
lericiir 3 . iiiiinomis~âo,eu1 cluarito vêem ilaj'of~i=cainclieid.tial o
Ambos o s criterios srin i~isiifãcieiites.Se. recnrilie- eleniento especifico do orirrie ( l j ? p o r y u a i i t , ~ .a14111
cendo a fragilida,de d a s u a d o u t i i n j , LOXOHI I.~COI.- d e que, ein ambos os casos, esta forqa se manifesta.
ria: l>osteriormeute. á «~ii.esiiimp~Xo do d;i.mrio seli- eril grau cguul: a ouliss5u nc%o c â r a c t e ~ i z atoda a
siveI A eolleutividadea p ii a caracterizar o s çrinics, violaC%oda Ici ciril (Y).
q u a n t o ao segundo. a fórrna (violenoia e frandej do Referir-rius-liemos, finalmeute, a o t5o segnido
tzeto 4 rnanifestan~entebase ii-iacceitavcl p a r a a criterio da repai.abilidade do dii.inrio. Nesta npi-
distincçno (1).Sem duvida, a f r a u d e ou a vlolei~cia ni2o (:3), todas as sa~icyõescivis seriain saiicqijes
caracterizam o s crimcs contra n propriedade / u t
ai nttd fiaurle clelinpuitu?;), mas nem toda u lcsitc~

(1) Vid. ~~ACTRAIX-CAVAGX~RI, L'ideole d-1 diritto,


(1) Bastaiia lemhrar que ha actos vinlentors, pinrltirtoi.t:s (+?nova iT,iiigi Snniholinii), 18$:3, pagg. 237-242.
de dsii~iiopntrimouial, que u4o coustituam crii~ie,imu co11- (2) Assirri, 6qiielle que nHo restitua a couea alheia, sa-
stituem crime diverso ilos qiie tPem por oljrcro :i at~tirid:itlr bendo qile nXo Ilio pertt.nl:e: sXo ii~iiiiislasas peuas cle
patrimonial: assim, o caso do liroprietario qtie repelle furto (Cod. civ., artt. 416.O, 42Ci.O; Cod. penal, artt. 4?S.",
d'iim predia, pela vialancin, o que d'ellr se apossára. vid. 42Xoj; aq~ielleque nLa a restitiie, para pazai.-se do pro-
Cod. civ., art. 436." Cod. peiial, artt. 41r).0e 472.'; Sr. prio oredito, arulorii saiba que a cansa riao lhe pertence,
Dr. DIASDA SILVA, Estt~dosobre a req?onsabilidade ciuil cominette s6 iima vio!aç%o da lei civil. T'id. Cod. civ.,
cnnileea c m n a CI~IJL~)>(L!, Coimbra (ImPreri3a da Uliiversi- art. :ii7.", n." 2 . O e 4."; Sr. Dr. DIASFLRREIKQ, Corligo
dade), 1886, t. I, p q g . 177-183; Sr. Dr. P E ~ ~ B I RDO A civil poiticg~tSs rtiznotatla, Coimbra i:Imprcnsa. da Uniuer-
VALLE,Ar~nrjtuçVes«o l i u ~ oprimeiro do codiyo p m n l por- sidadc), 1395,vo!. 11, pg. 9 2 ; COELEIO DA ROCHA, IVZS-
t z ~ g d s ,k'orto !M:ig:i[hLes e BIoniz), pagg. 168- 171. littlii;.ies de clireifo c i c i t pri~fihgaRs,Coimbra (Orcei), 1g57,
E, c10 U I ~ S I U O inodt), se ~ $ 1 lesar
1 ~ o pntrimonio tia tiii- r. r, 3 166, p:~g.112; Sr. Dr. G r r r i . n ~ ~ aMoa~rna,
r~. uG.
trem pela fraude, e, ~c;Iavia,ulo se tratar de crime contra. cit., liv. 11, pagg. 84 e 85.
a propriedatle, quuii00 os iuoios iisndos n?to sejam tncs (3) Vid, r)ir.~~o~;r?r:, De Za +aratit,~z cii>ile dcs ddits,
qae con$itoani a frrruds criniinosa (Cod. perial, art. 18."). Paris (Arthur Roiissea~i),1898, pag. I1 e segg. ; VIU-~L,
de reparaczo: para o direito penal ficariam os ou eni parte, 11Xo traiircendem 09 limites do direito
meios rep~essivos. civil f 1j.
Elas, se o direito cir-il é, com effeito, na maior Foi, porientiira, este i~ievitavelreciirso As sanc-
parte das suas sancqões, direito repa~atorio(l), @es penses qiie levou F o u r r , ~ É( 2~) ri iritegrai. a
cerfi, é qne muitas d'estas s8o consignadas com O penalidade iia. reparaçso, ao mesmo t,cinpo qiie
intuito dc prezienir directamente a violaq2o do di- TARDE (3) r i a tradilxidos veidndciros meios repres-
reito (2) ; e: por outro lado, violn~ijasha,que, c,ornü sivos eiii xlgarnas sancções civis.
o :irraricameiiro de niare,os rom o fim de usurpar A jiistiça peiial riil.u pódc, purdm, repoiisar sobre
propriedade alheia (Cod. pm,, art. 446.9, perfei- o conceito clã repnr~bilidadedo damuo: aeceitando
tamente reparaveis ito ~,uiltode vista economico, este criterio, que SPENCER (4) UZO repudia, tornar-
imyinitam, todavia, resporisabi1id:~cle cxiniirial (3): se-in a justiça civil e pe11i~Iora inerte, ora. incerta
e outras lcubes que, embora irrepaiaveis no todo e collfusa, e : ~ c c u s a ~ irim
~ a caractei. verdadeira.-
rnerile etripirico, que deve ser rejcitndo. Assim se
cfiegaxia a aberrações, como a de Ca~oermco(S),
obr. cit., pagg. 65-67 GAROUALO, -4. *.opuruçEo Ús a;cliinas --
do dclic!07 trad. d e JosL RENEVIDES, Lisboa ('l'avart.3
Caidosn e Irinrio), 1899, piig. 22 e segg.; GARRAUU, (1) Vid. Cod. civ., artt. 1336.', 1338.0, 1340.O ~les8o
Traiti théo7-tce et pratiyt~e&i, droit péliul f i o n p i n , Paris por imliericia ou negligenr.in do mandatario); 1033."-1036."
( L . Larose), 1901, 2.' ed., t, v, pag. 365. e Cod. do proc. eir., 3(i4.\ii.O 3.' jinsolv~nciacivil sern
(1) Tíid. (:od. civ., artt. 898." e 299.", 3F14."-487.0, dÓ!o), etc..
.",
ti56.O-666;, 637 .D-TO1 TOj,G-71í\.o, íí~3i).a-1045.0, 1016.*- c2) Lz sc;snce s'i(.i.u?c coilfempar~riize,Pariu (Ilachette),
1055.", etc. 1838, 2." ed., paE 399.
(2j Vid. Cod. civ., artt. 81Y.O e segg.; 853.O e segg.; (3) La ci.iri.ltnalité compavde, Paris (Fglix Aican), 1894,
E73." e segg.; 87fi.O e segg.; Y88.O e wgg.; 1096.' e 3." ad., psgg. 112 e 113.
segg., etc. (4) Bssais de ,moruZe, de scienee et d'inthbtiguo, trad. par
(3) Eeatò caso o furto, embora sqiiido do restituic8o B O U K ~ E AParisU , (Fhlix Alrarij, 1891, 3.x ed., png. 327
iuiliiediah (Cod. gen., artt. JY.", ciic. e 23.a, 75." e mtgg.
n."' 2 . O e 3 . O ) ; o arrancamento de marcos com o ijrri de (5) Rcatrisione cLel?e u2ion.i inci)n~i:fiabilii71 ~ o p p o r t u
usiirpar propriedade alhcia (Cod. pen., 31%.4.26."). Vid. ull'i?lte~essepicbblico e pi-ivrtto, apuii Sc?i,olu Positiva,
tambem art. d21.0, 5 1 . O , para o caso de tentativa de furto, (:i6., 1893, aniio TII: pag. 1071 e segg. RENE WORMS
sempre punida, i i l o ob2tantc a iueãistencia de damno. [Ar~iiuleu de l'bstit.ut intt~.~iacioianlr2r snciolugi~ Paris
jurisdiccioi~~l, 4,como lucidamente e s c r e v e L a ~ ~ r o -
que exclue clas snricções penacs o adnlterio, o ho-
La jl), o compleineiito necessario de roda a legislaçgo
miciclio e a. leszo uiilposi~, a diffhu~aqBo: as leaoes
organizadora da sociedade; nâo encontra o seu fun-
voliintctri:~.~,salvas as qualidades anthropologicas
damc~itr~ eni uma ordem a1)struct.a ou sobrehumana
do ageute, e os delictos contra a propriedade.
de ideias independent.es, mas em toda a organiza-
A criterio di1Fr:reiite iecoi.re.remos, pois, para
520 jiwidic:a. Brsirn, se relirinieni os crimes contra
distinguir os domirlios respectivos do il1ir:ito c,ivii
as instituipões e as liberdades politicas, porisso que
e da illicito peiial as saiicq6es civis das penaes.
preexiste a Carta constit~u.ciona1;se reprirnc o adu1-
Teudo clc corrimum o rcpresentaiem a rencq5o
terio, porque preexiste o direito de familis: se re-
coilt,ra a violngão do direito, a siia cara~,tcrist,ica
prime o furto, porque preexiste o direit,o de pro-
diflerencial cnci,iiii-a-se na natureza do direilo
priedade privada.
violado: aquellas respeitam á r;iolaçi"lo de direitos
coricrctos, de interesses jriiidicanieiiie; protegiclos,
como diria VQXIHEEIXG (1); estas são a rcacç5o Qiinndo n violação do direito de propriedade se
contra as offtmsas ctireetas B ordeui juiidica. r e a l i ~ a ,subtrahindo R cousa com um acto de domi-
O direito penit.1 hasea-se na necessidade de ga- nio sobre ella, com consciencia de sul-istituir-se a
rantir toc1;i 3 organizarao juridica, eiii que A soeic- quem legitituaiiierlle era d'elIa possuidor, o tila~me
datle liistoricnmentt: sc c,oncretiza: 6 esta neerssí- social, que tal acp8o provoca, legitima lima sancvgo
dade p o s i i t i k a que coristitue a sua iiaturcza e li~riites.
Tendo por Gm iuiir~ccliato a tutela do direito ria
sua integridade, a urgíinieaçko jiii-idico-crimiiial ( 1 ) Leaioni d i JiZosof?u morale, Roma (Aridisio), 1899
com a sua diipla ordem de tutcli~s-legislativa e a 1900, yag. 932 e scçg. Ligado-iie 3 sua noc;Wo de crime
-«ntiensa xos estados furtes e definidos da consciencia
col!autivau, DURKHEIN (&r. cit., yagg. 99-53) distingue as
sancpões restitutiras das repressivas, em rino surem aqircllas
(Giurd ei Brière:, 1898, t. IV, pag. 4891 pi.econisa a expiatorias, reduzindo-se a uma simples a r e ~ i l i s ssn étatn,
sti'uiuissâo excl~isivaL jiirisdie~Aopenal (10s crimes contrs c n3o faz~ndnparte d a cünsciencia collrctiva ou corres-
a ordcm publica. '7esse seritido, diz, se esbopx a evolirfWu. poiicleiido a estados kacos d'easa consciencia ; ao pauso que
(I) L'bprit &i, di-oit ronzain does Zcs di:~:í.rsi<sphuses dr! o direito rrpressiro corresponde ao coray80, ais centro da
trnd. par 0. DE 1 \ 1 ~ u r ~ ~ x a rParis
son ~J&velop~~smu,zt, r,~, conscirncia conimirin, dqirrl!es estadas fortes e definidos.
(Varemcq), 1888, 3.' ed., t,. IV, pag. 327 e segg.
30 Do furto

linquencia, a crueldade, mais do que a ausencia de


que, pela sua causa e pelo seu fim, s6 pode ser de
probidade, se reveIa por actos previstos como cri-
caracter repressivo.
mes pela lei penal.
O patrimonio privado e publico tem um conteúdo
essencialmente juridico e um destino social, porque BATTAGLIA, La dincti~~icade2 delitto, Napoli (Bruno Bat-
o primeiro satisfaz a s necessidades bio-psychicas taglia), 1886, pag. 404 e seg; COLAJANNI, SoeioEogiu cri-
da existencia, em proveito da sociedade, e o se- miliule oit., pag. 315; MICEELELONGO, Psicologia crimi-
gundo provê ás necessidades collectivas da mesma: nale, Torino (Fratelli Bocca), 1906, pag. 49; etc.], attribue
ambos tiiein earacter de juridicidade, porque legal- a causa unica da criminalidade ás condições economicas.
Seguindo uma via intermedia, VANKnm [Les euuses éco-
mente reconhecidos e protegidos nos seus oigãos
no~nipuesde la er~minulité,Paris (A. Maloine), 1903, pag.
constitntivos e no seu funccionamento. Toda a le-
10 e segg.) e FORNASARI DI VEBCE(Lu criminalitd e le
são que viola a actividade do patrimonio, pela sub- wieende economiche d'ltalia h 1 1873 a2 1890, Torino (Fra-
tracção dolosa do que constitue o seu conteúdo, telli Bocca), 1894, pag. 23 e segg.), distinguindo o me-
deve ser reprimida, porque, al6m do damno patri- thodo estatico do methodo dynamico no estudo da crimi-
monial, gera o social -a perturbação na segu- nalidade, mostram, o primeiro, que a concordancia entre as
rança commiim do goso de uma faculdade prote- oscillapões economicas e o movimento da criminalidade se
restringe aos crimes contra a propriedade, e o segundo que
gida. e sanccionada pela ordem juridica preexis-
não reflectem senXo fracamente as condições economicas ou
tente (1). são a estas absolutamente estranhos os crimes contra a reli-
gião e contra a segurança do estado, de falsidade, as bancar-
4. Dos dois desvios do senso moral a que, estu- rotas fraudulentas, as diffaama@eseinjurias,osincendios,etc.
dando o crime sob o ponto de vista sociologico, TARDE [La ph~losophiepénale, Lyon (Storck et C.ie),
GAROFALO (2) reduz o factor anthropologico da de- 1902, 3.' ed., pag. 349 e segg.) crê descobrir unia lei de
inversão que regularia as relações mutilas dos crimes
contra as pessoas e dos crimes patrimoniaes, segundo a
(1) Vid. OKTOLAN, Élén2ents & droit pinal, Paris, qual o augmento de uns traria necessariamente o decresci-
(Henri Plon), 1809, 2.=ed., pagg: 239-241 ; P ~ S S I NEle-
A, mento dos outros. Mas a estatistica não corrobora a pre-
menti di diritto cit., t. n, pag. 326. sampçzo de TARDE. Vid. BOSCO, Législation et statistiqae
(2) Ciiminologiu (h,pagg. 1840. Contra G A R O ~ ~ A L O , compuvée de q1se2ques infractions a lu loi pénale, Roine
qne nega toda a influencia de natureza economica sobl-e o (J. Bertero), 1900, pagg. 61 e 218 e segg.; DE FELICE,
crime, uma brilhante pieiade de escriptores [TUBATTI, &? Pdncipii di sociologiu criminole, Milano-Palermo-Napoli,
Alitto e lu puestione sociule, Milano. 1887, pag. 232; (Remo Sandron), 1902, pag. 85 e segg.
NRo disciitiremos a siipposta coi~respondeiicin
contra a actividade patrinionia.1 ( l j pela diniiniii<;%o
entre a deficencia do sentimento de probidade e os
das litilidados que pi.estii.in i1 iim individ~ioos ele-
c;i.irnes contra a actividade patrim«i~iiil,j:i, qiie elIit
iiientus act.ivos do patrimonio, ou o diimiio ( b ) , têm
se baseia em uma inadmissivel restricção e traris-
forniação da ideia de justiça (1): contentai~do-nos
com notar que neni sempre a improbidade tein I I) l'rtteiiuioa s I ' x ~ ~ < - P Lc~)m~numil~ente
%o us:i(ia -e?i?>le~
contra a yro~,i.~teduJc,inac~teilavrlscii.ntiticamente, já que
naqiielles a, siia ii1n.i~coriipleta n~anifestaçio.se-
o cii:iie B a leaio d*?iiin iiircirc? a r~ãud a i-o~isxq u e consti-
guindo uma evoliiçfio i ~ n a l o pA dos c~iimeseoiitra t t i e oijiicto da direito. YI-etLrivr1 seri8 a cieiioruinnçi,o -
a pessoa, os attentados B propriedade founni: entre- C!-irrrds cont~.i~ v direito de pr.opi.iedarle; tuas, Iiorque invol-
ta,nto, & niedida que a civilizaqào se indiistri:ilizava, vamos naqiiella expressão os momrntos diversos do di-
se tirbanizaía, como diz ARDE (2), perdendo o seti reita dsr prnpriedade, e , súbret~ido,au varias relayfies jii-
primitivo caracter de violencia (3), revestindo as ridicas que 6 2 podem estabclcce,r entre o liouem e a cousa,
fúrmas superiores da astueia e da fraude; e a esta como a s offtinrinsipusse, adoptaremos a expraas?to crinus
conka a actirirJuclei yuf~imoni<rl.
como que successiva espirit~inliz'açãodo crime cor-
Vid. sobre as relaç8as entre a ideia da pt.jsoa e a de
respondeu no canipo do- direito unia progressiva patrimonio: ~ ' L A S I ~ L , T ~ u i f LB E ~ ~ ~ I L / c Lde~ ) dl-oit
.~ eicil,
dikTere1i~ia~2o na dis~ipliriu.dou factos lesivos do Paris jCotillon), 1901, 3." ed., t. r, pag. 675 e segg. 'l'am-
patrimonio individ~ial. bem: >l-ii\lzrur, T ~ a i t a f ociel fu.rto e ilrlle ~ I : Q P . ~ Cszíe specie,,
Teremos oecasião dc \.crifica-la hiatoricamente: Toriiio (lynione tipografieo-editrice), 1905, Paiie sr.conria,
por agora diremos que casactcsizando-se os criincs vulriuiz st.c,ondo, aeziuiit: prima, pagg. 219 e 22(!.
(2) Kote-se: 1 . O que, quando se não verifique ou vonha
a vei.ificai., por qiinlquer fi~rina, a dimiuuifâo do llatri-
(1) Vaccano, Genesi e Lftrnzions drlk? deagi p ~ ~ ~ cit.: ale inoiiin d'outreiu, podir-se-ha ter iiuia acç'~u autijiiridic;~
yag. 163, nota. r e s p e i t a ~ t eAquelle, iuas não uin crime pstrinionial: tal o
( 2) I'rob Bmes de c~iniinalif6~ cpad drchires dJaiifh~.opo- caso em qiie se irnpcdisse o proprietario de se ?emir oii
logk ç ~ i n t i n s l kde criuzfnoZogic! at de psycholoyie izo~male dispVr da coiiu:~qui: Ihc per~ericti(Codigo penal, a r t . 829.');
et p ~ f h o l o y i ~ Lyon-Paris
~~e, (Storck-IIassou), 1808, t. nIu, X . Q u e a iibn rc.iilic;ty%uda dinlinui$io clú patrinio~iio
pagg. 4012-404; FKKRI, Sociologia ci.iiili?~ale cit.! pagg. de outrem n i o excliie srupre o crime patrimonial, que
284-290. exista desde que a rictibidaile oiiininosa a ella era dirigiria
(3) aAu dAh~~t, le tirigandage, les pillages avec violence (Cudigo perial, artt. 4 2 1 . O , S 1.O e 434." 2 2 . ~ ) ;
se rapproclirlit beoirt:orip d'exlikditions de grierre . . . a 3.0 que, ainda que reiiiicadn a c1imi1iiiic;ào do patri-
(Piinr, .Sçimce pinalc ~t dvoit poaifif cit., yagg. 77). inonio, liiiilr iikn i c ti atar de c r i i i i e , c u u o resiilta do qiie
3
como elementos essenciaes : a, qiix1id;~de de aliena
na cousn, que constitue objecto do acto anti-juri- ao exuggero de TOLO~MEI (I), que considera taes
dico (I). a nusenci;t de i:oiisentimcnto do ptoprieta- cquclli di çuloro çIic con discorsi tenuti i n piibblico
rio da cousn e o dúlo, isto é, a coiisciencia no auctor o cor1 scritti ccrçarlo di sco~~volgere i coricetti giu-
do acto anti-juridico das diiaa condições prece- i-idici della prolirieth~,poi.isso que elles não repre-
dentes jconscientia scele+. E devenios dizer que, se sentam, de fúrina alguma, lesiio do patiimonio de
não alargainos o conceito de crime patrimonial até outreiii. tambein nBo asseiltiinos d opiilizo de PAR-
xlasa (2), que não comprehende naquelIe conceito
as vi?lações do direito de propriedade litterai-ia,
cliss&mos icerca do3 actos anti-juridicos que (levem ser indostrial oii artistica (3).
qualificados crimes.
(1) Xeceasario 6 ; porbm, a<!centuaracozri MAGRI [EeaLi
contro lu pvoprietà, Livorrio (Ruff. Giusti), IE95, pag. 84
5, Se a lesiio do patrimonio d'outrem é a nota
e segg.: e G ~ ~ n a r [TvnitB rn théoriqtte et pl-ofGpe du droit commum de todos os crimes patrimoniaes, a causa
, Larose), 1901, 2.' ed., t. v, pagg.
g a i s(L.
y e ~ ~ a l ~ r a ~ ~Paris determinantc d'esta lesão c a sua maior OLI menor
367 r 3681: a poasibilidaile d e crime, rrlatirainente ao intensidade exercem, naturalmente, efficacia. sobre
proprio patrirnonio, nas h-ypotheses seguintes : 1 quando
.O a intensidade criminosa do facto. Assim, as legis-
do uso abusivo da propria coiisa possa resultar um ataqiie Itl~Oesdistiiigiieii~figuras varias 110s crirries patri-
(t segurança d'outrem, coiuo 110 caso de i11ce11dio da p r o p ~ i a
cousa [Codigo penal, art. 463.'; Sr. Dr. n u s FEBREIRA,
Codigo civil portugugu aririotado, Coimbra (Tniprensa da ( l j Uiritto e p ~ o c e d t ~ rpenuk,
a Padova, 1874, pag. 81.
Vnit-ersidadr.), 1894, vol. r, pag. 258; P O R G R R R ~ UZ T, ( 2 ) Progzammn del corso d i d i ~ i t t ocrinl-inale, Parte spe-
l ' a b ~ sde droit, Dijun (L TTenot), 1901, pagg. 25-37j 1 ciale, Firenze (Fratelli Caminelli), 1904, vol. rv, pag. 14.
2.O q i ~ ; ~ ~ ol dproprietario,
o em coiisequeneia de tima de- (O) Veja-se a iiosaa dissertac%n inailgiiral cit., pagg.
teruiinada relaçso juridica, não tenha a livre disposicão da 383-348. Ruccar,r.~~r (Tstifueioni di. dip-itto E pvoeedirrape-
res p ~ < o p ~ como
i a , ria hypolIiese de estar em peiihor ou d e , Rlilann, 1896, pag. 150 e si.gg.1 considera taes: a1.O
deposito (Codigo penal, art. 422.Oj ; ogiii piiblicazioiie arbitraria dell'opera dell'ingegiio aItrui
3 . O quando se trate de res commzlnis; a compropriedade senza permesso dell'autore o (li chi 10 rappresenta o di chi
irriprime A cotisa a que respeita o caracter de res ulinea, ha causo cla lui ; 2 . O ogni contrnffazione senza il sriddetto
poviuso que toda a dirnintiiçlo de valor; abrangari<loa cousa permesso ; 3 . O ogni violenza o minaccia diretta a d irnpedire
na sua totalidade, constitue um ataque ao direito do com. l'esercizio dell'industria, o a contraffarne i nomi, i inarchi,
propriet:irio. i bolli, a danno dell'inventore o de1 proprietario, o ad iru-
porgli arhitrariaiuente limiti e restrizioni~,
. r
mo;iit\ea. A causn imprilsivn do acto anti-.juridic@ Ka lesão de torlos ou de alguns dos dileiton
levou d distincr;20, j6. referidit por ERHARD (I), de inlluieiltts ao douiinio o b ~ e c t i \ o( I ) , bsiseniarri os
crirries de illegitinio locuplettiiiiento, consistentes escriptoies i ~ n ioutro ciiteiio de distincção.-a dos
11% appr.opriap?o da cousii d'oritrein l u ~ ~ ~ f a c i c n d i ~ por LOL-
crírrics p a t ~ i i n o n i a e s p ~ o p rei oin2p~'~plio,s;
causa, e de da!nno patrirrioiiial fd(iruncc.ln .i.njc~iilda-
tzl.,,i), que çe dirigem tt destpzu.iqfio t,oticl ou parcial
fifciado, a t~iirla,o ab:tsu de c o o f a n ~ a(cqip~*ol/i-icniur~e iii-
d'eetii coiisa. Nais graves, cm regrn, os criuie:: da
debita, na expressao enrrgica 31aJs italiurios], a app:.opriay%o
p"~ueiin categoria, pelo eleiirierito informador da de cousa desapparecida, s appiopriaç$~de trsouro, a ~ u b -
aqx"o cr.iminosal elles 1180 devem coilsidei*ar-se tracçso de dücuirientos prudozi<losem juizo, etc. 4 cate-
(21, A curic,epç?io
restrictos, corno quer IJCC.CEI,T,ATI goria dvu ciiuies ~ciritraa propriedade iirirnoliiiiaria abraça
trizteriai do lucro; « iinpiilso desiuttressado no a us~irpa$o jrt-nioi.2~d a luarcos: d e a r i o cle a;.i:a:, turbli-
sentido material e eeonoillico podei.&, em certos d e pms?; e o r i a i i i ~ ~vtclirnt.;iric~.
u Vjd, Fví;~rx,.T 11t.liffi
c0riti*o P ! ~ , C7unytZelo Il,cilf(ctu 1eor;t:ri v pi.n-
~ I . O ~ J T . ~ :1puc1
casos, valer coilio imia ntt,eriua~lte:poder& por
t i c u d i d f r l i f opsnale, puliL!. da PIETKO COGLIOI~O, 3Iila;io
vezes, excluir, como diz PXSSIE-4 (31, :I I ~ ~ : I I I C ~ da
~W
(Leoiiar.Jn Vallardi:): 1890, vol, Ir, pail. Ir? LI): pag. 21 e
acqão ciiniinoaa? mas nà.o a indole propriz do crime segg.; G - & r i t i ~ ~ rTraiti i, ~ h i w f y u eet pi.u(igire de d ~ ~pi- i t
patriruo~~ial e o seu caracter especifico de adquisi- i ~ c r ! , f i - c r ? i . $ a i s cit., t. T ? pag. 373 5 sbgg.; J ~ A R C H E ~ T ICom-,
çilo illegitiixa. I-, coliio, em uiiia c oiitra figura cri- yenclio di &I-itio poiale, Firenze ((i. Rarbèra), 19'31,pag.
rriiiiosa, s actividade do delinyuciitc: póde ~igitar-se 2'35; S . r o ~ k , ~Láaercizio ,i~, rrrbitroi-io deble propiie rugio?ai
no dnminiu da yiol-iriedade iriobilii~riaou ininiobi- cit., p:ig. 202 e segg.

1.iaii;i,
: ;I divei.sit i ~ n t ~ i i e zdo
a sujeito passir~odei1 (1) (:orno nota i ! a l : n a ~ a <Prugi.ctntrn<~cit., 1. iv, pag.
lnj, a a aggi.ess%oa n j i c a 0i.yjur~sildio i i direito siibjectivù
f o p r :L iitiia. i~lt,eriorcubdiyis80 (4).
de propiiriladn iiAu ljudt! ciiliai 11%{:lasse d a ckiuita
rnoniacs; assim, lia violel!cia, terillo por fi1n impedir quii
(I j ' D e p o n ~ / i Libar~ , aiiigularis, Lipsia, 1793: apud se faça testainenlo, a olij?cii\.iduda dci cti.iiiia e u l i certa-
fLur.~rar,Str E wa/o difu.r,to, IIode~a(Rlilo Cii~ipelli),1900, nietite iio jzrs dw/iiirrii, do clual faz par.lt. a faculil:de da tiis-
pag.. l i . p o s i f b ; mas, ao lado drsla: siii-giri iiina ulijar:tivid;irle
( 2 ) Is[iluilloni cll d i d t o e procdzu-a penrrle (c:it.; pag. 152. juridica diversa e preemiiiente sohre a qual se exteriorisa
(L;) Elei~ientidi c l i ~ i t pesc~b
t~ cit., t. 11, 1x1~. 185. a. aç$ü, e esta fa1.i incluir O criine nx categoria dos <:ri-
(4;)Na categoria dos crinies C U I I ~ I .a.~ mobi- mes contra a pessoa, ou, mais especialmente, nos crimes
liaiia coiiilii.ohcn~erriou esiriptoies o furto siniples e qiia- contra a liberdade individual,,.
38 Do furto

LINI(1) i i ~ c o r r e c t a i n e n t ea p p l i c a d x , c o m o v e r e m o s , aquella n o t x v e l d i v e r g e n c i a doiitrinal, que f a z i a


ao crime de firrto. duvidar ORIUL.~N (1) du v a l o r soientifico do d i r e i t o
penal i.oniano, v e i o reflectir-l-se na varia d e s c r i p q l o
6. A d i v e r s a e t y m o l o g i n nssignada 4 p a l a v r a juridiua rlo f'rii.tn 110 d i r r i t u penal couiparaclo. O
iiirto (S), p r o v o c a n d o , dcsde o direito roirtano, direito r o m a n o era extensivo, quanto A m a t e t i a l i -
d a d e do c r i m e , e liinitatiro, sob o p o n t o de vistil
d a iriten<;Zo db a g e n t e : se, por uin Iado, a d m i t t i a
(1) S u l mato diproprietd. cit., pagg. 14 e 13.
(2) aFurtum autem, assim se ie nas in~tihatioilr!~ (lib. IY, cllle o fiirto p o d i a c o n s i s t i r tia. rippi-opriaçzo d o itso
tit. r, $ 2, Do oliligationibus), uel n ji,,rro, id est nigio,
Jicttim est, quod clam et obscuro f t , et plerirruqcie not:ttj;
vel a jkai~de; wek <Lf e r e ~ ~ d oir1
, est aiifcrencio; vel a Oraeco 31 e 2 2 ; N n o ~ r ,IEer~ti contro la prop~iciricit., pag. 106;
sermone, qtii ?;par apyellant fures, imo etiam Graeci izi C R I V ~ ~ I . ~D~ei F ;t-rati
I , contio l n p~.op.i*ist?,Tiii-ino (Vnione
r& ?.F~:Y ?+x: dixeriintu. No Uigcsto (De f ~ i r t i ~tit. , 11, tipugrafico.editrice), 18R7, pagg. 13-10; ~ E S J A R D I N B ,
Dig., lib. 47, i) repetem-se as tres indicadas opiniões, a T~.aiiidtr ,!:o!, Paris (Pedone-T,atiriel), 1881, pagg. 65 e
primeira das quaes foi defendida por LABEO e a eegiiiida 66; C ~ R R A KProyranzatu
A, oir., pag. 18; & ~ A ~ I Z I N ITI-ut-
,
por SUINUS, comqiianto alguns escriptores julguem as tutci de1 j i w f o cit., yait. r, vol. i, pag. %C).
duas opiniões identicas, porque fraztde e ,furto significam (1) kléirients de .rid?-oity h ~ a l ,Paris (Hinri Pilor~), 1869,
o mesmo, isto R, modo occulto de lesar o direito pstrimo- 2." ed., pag. 26. Por roIisenso irnanime dos interpretes do
nial alheio. Embora o protileriia seja de indole eseencial- dirdito rouiauo, a mais antiga defiiliç3o do furto é a de
mente philologica, diremos que, com a maiovia dos escri. S,IBINO: aqui i*m alieriain adtreotat, ciIm i d se inrit,o do-
ptores, julgamos preferioel a opinião qiio faz d e ~ i v a frirtor mino facerejirdicare drberrt, h r t i te~ieturn,apud GELLIUS:
de auferre, correspondente ao grego ;z?c?::.), como a mais A\ oetes Atticne, 11, 18, 5 29). rias ,h~stinianih s t i t u t i ~ ~ ~ e s
logioa, pori~30O que ha de essericial no facto do furto é a encontrariiiis, riioditicada, a definiçlo de PAULUS:«fiirium
deslocnç5,o da couea, representando mera accidentalidade a est coritrectat,io rei fra~idolosa(lucri faciendi gratia), vcl
sua perpetraçxo de noite. E, al8rn de que o coriçeito juri- ipsiirs reí, r e l etiam i i ~ u 3ejils p o s ~ e a ~ i o ~ i i ~quod
v e ; Iege
dico da fraude não é exten3ivo apenas ao furto, sempre naturali pruhibitum ert ailmittere» ($ 1, Inst.., de ohl. quae
julgamos que, mais do que o elemento psyclologico do e x delicto: IV? I). Ginrus modela a sua definiç5o sobre a
crime, deva dar origem B sua signiticagão philologica a d e Sssrxus: afurtnin a u t ~ mEit.. . generxliter c~iiuquis
manifestaçLo smsivel e corporea, o acto material da abla- WIU alienam invito domino coiitrectato (111, 195); e UL-
Ç ~ O , em que se cuncretisa a cxecu$ío physica do facto cri-
PIANUS (fi.. 46, S 7, li. t. L. 47 ad Saliniimj diz-uus que
minoso. Vid. PUGLIA, Dditti contro Za p~opriet&cit., pagg. nfiir est qtii adtretnvit qirod invito domino se facere scivit».
ou da p o s s e d u m a c o u s a /furtttm i~szuve2 posstisgio- g~incloo n i a i o r oit menor alarnie ~irodiir,iclope1:is
nis), como nii subtracç2o da p r o p r i a coiisa /furtu.in violaçiiex da c o n s c i e n c i a p a t r i m u n i a l (L). p e r m i t t e -
reg; p o r o u t r o , exigia. couiu cleiricnto esscn~iald o - - , .

c r i m e de f u r t o , q u e o a g e n t e fosse d e t e r m i n a d o (1) Porque s4 nos occnpamns do fiirto sob o aspecto j u -


p e l o i n t u i t o dc l u c r o f l u c ~ i , j c ~ c l e i ~yratia].
di ri~lico,preteriirios o prolilema da compatibilidade ou incom-
No m o d e r n o d i r e i t o , o cotejo d a s varia.. f o i i n u l m patiLilirladcp d a no@o jnridica do fiirto çorn os priucipios
j u r i d i c a s d o f~iiii.to,q i i n ~ sempre
i de unin I n m c n t a v c l socialistas. Diremos, todavia, de passagem, que, nLo PX-
clriindo a forniiila. do sorialismo -- a I a conve~<sioue della pro-
iiriprecisão tcchrricu. e qile Liein r c f l e r t e m a hesitaq50
prielh privata od iudividirale doi niezzi di prodiizioiie, in
d o u t r i n a 1 (1i. m o s t r a - n o s , c o m o e l e m e n t o s consti-
proprietl collettiva e sociale~(RAE, IZ sociafismo contem-
tutiros d u f u r t o , o d o l o c o daiuno 1)atriruonial uiu- jubrarieo, pag 115) uma wpliera da afitividadã patriinonial
biliaiio, o p r i m e i r ~ ocios qnaes se revela na inteii~Ao mobiliaria iiidiridual, tambam a respeita] d'esta existe, roino
de a p p r o p r i a r jrenz sibi h a b ~ n d qa c o m a d'outi e m , nota FEZKI i i o yoiitiuu, Ec)rna, 1S94,
~ , ~ ~ ç i a l i ~e ~scie~tzu
s e m o conseritimeritu de cjliein lepitimaiiiente della, pag. 271, na possibilidade de actos anti-juridicos lesivos de
p ó d e dispbr {incito doutino); o s e g u n d o ria l e s ã o d o tal adhesão da cousa á pessoa?,. Jlas, ainda para as cousas
n8o siilitraliidus R coliectivizaçko, é de notar qiio, se a ali-
poder d e f a c t o , q u e o p r o p r i e t a r i o ou yosbuidur «u
sencia do sujeito passivo do crime tornaria absurda a con-
d e t o n t o r tciri * o b r e :i uousit, e x e r c i d a j6 p c l a sirnpilub
cepcXo do dolo do furts, concebi~el8 sempre lima violapão
amotis ou apmhensio, jA p e l a s u b t r a c ç à o ou pela paiiimtmial lirriit.atla ao uno illegitirito, com intuito de liicro,
~ i o l n c ã oda p o s s e , p e l a n m d a n y a do l o g a r dn couha. da cousa eoiumum? em prejuizo d'aquelle a quem esta fosse
E, se e s t a v a r i e d a d e de f o r m u l a s jnriclicns d e m o i i - temporarinnieiite assigii:ida, coiuo iristiiimento de trabaIlio
s t r a que d i v e r s o foi o s e n t i m e n t o d e p r o p r i e d a d e ou meio de prodiicçio. Teriamos asriin, na0 o fui-to da
tiiteliido nu siia rriaior ori nierior i n t e l i a i d ~ ~ dpclo
e coilsa, nias o farto d í ~liso; e , coriseqiieritem~iite,a iio$%o
do furto variaria não n a sira esa~iiciajiiii<lira mas simples-
l e g i s l a d o r , c o m a s a n c ç ã o e s p e c i a l d o f u r t o : se-
mente iin 1it:inif~.stop8o(10 <:ontaUdo rrinlini~mo.
Quanto ao aspecto psychologico do problema, inatlmiasi-
vel eniisidera!iior. a opiniào de BAKDINI (LE k g y i penali
(1) Vid. sobre as varias definicões de fiirto apresentaclas ~zellii societ:) i i ~ o d ~ r ~ iGeuov;t,
u, 1893, pag. 15 e eegg.),
pelos eecriptores: PCGLIA: Ue!itti coritvo 1~ pi-upistd < t i l . , para quem o fiirto é niima semplice forma delittuocla inven-
pag. 31; ki~la~rc!ir Lriixascir, DkhtnhE irnd Beleidigilrzg, t:itx dagli sfrirttatori pei* aseicorsrsi I yrotiotti de1 lavoro
Wien (Manz'sche H. und k. Hof-TerIags-una IiniversitSts- altrui '8: ji que, desde ESQIJIH~L e L~cinn'runu SAIJLI.~ ít
B ~ c h h u n d l u n ~ 1895,
), pag. 2 e segg. N L X ST\[OK~SAYAGC, TEED,~VESTPAL, se vem demons-
n o s tambeni desc.01)i.ir: como d i z L.\~I>IASCH (I), O furto na evoluç%ohistorica e na legislaça comparada
c o m o conceito jilridico coIiimun1 do crime de f u r t o § I."
# a a p p r o p r i a q ã o doloea d a coiisa a l h e i a , p e l a clilnI O furto na historih da direito
s e v i o l a p l i y s i c a m e n t e o p o d e r d e facto exercido
pelo seu l e g i t i m o d e t e n t o r > (2). S u x ~ a ~ i-
o : 7. - Sigiiificacãotiistoriua primitiva do fiirto
e a sua repressão.
S. - O furto no direito c,iiinGs; phases oaracte-
trando que á tendencia para o furto anda ailiada lima
risticaa.
fijrma especial de desordem or~aiiicae ysj-chita. 2. - C)a crimes contra :i actividade patrjrno-
E: se 6 de crer que a iiielhor rlist,ribuii;àu das riqiiezau, riial 110 direito indialio; parti~:d:irida-
aliminancio rnuitas causus suciaes cle tleliliqucncia, trarL :L des na repreaaãn do fiirto.
diminuição de furtos [GAROFALO,C ~ i n i i r ~ o Z o g~ii~t . ,pag. 10. - O reginien repressivo do furto no Egy-
yto; suavidade penal.
1% e se:%.), n.30 jil!gamos qiie uma traueforma$lo econo-
11. - O i'urto entre os hebreris; sancções civis
mica da sociedade consiga eliininar a delinqiiencia com iú- e penaes.
tuito de lucro, oa forma mais constante da egoarchias. 12. -0 furto na Persia; duplo oriterio ria pe-
E a siihstituip8o dos crimes cle fraude aos de violerioia, nalidade.
8: precisnmente, conio deixoii demonstrado N r c ~ ~ o i t(Lu o 13. - A 1)l.opricdade individual ua Grecin c a
t~anufo~mabion du c l i i i ~ l : ct Ta riviii.?c~tiolz modernu, npird repressão do furto.
1%. - O furto no direito romano; noção e re-
Lu Scuullr Pouifica cit., 1891, nnno 11: pag. Fti4), nmn
pressão do furto, siias modalidades,
consequencra do progresso social. Vid. TORTOIIT,SocioZo- phases da sua eroliiç5o.
yiu e di&o c o m ~ i ~ e r c i u lTorino e~ (Fr:itclIi Boecaj, 1895, lb. - O i'urto entre o~ poi70s germanicus; ùascs
I, pagg. 45-47; R r c s ~ ~ n LTn, snri~~Tismw ~ P Lha>*n:o)~N: (10 systema penal.
aceç lu, rlocfriiip Leonrirniyue Zihirah, Paris (l;i:lrd et Hi-iero), 16. - O furto 110 dirfiito canonico; predo~iiiiiio
dos elemantos eubjec.ti\~osna repressão
1904, pag. 303 e segg. 1 NASCHKR: Das Eigenth?~?)~ in
do furto.
uLkur>rr'Strr~frcchte, Rerlin und T.tipzig (Grorg W:~itan-
17. - 0 furto nas legislapócs penaes interme-
bach), 1893, pag. 152 e spgg.; (+AROFALO: La o ~ ~ j e r s t i l i o n dia3 das nações modernas; severidade
so&ulP.?te, Paris (FPlix AlranIr, 189c51n: pag. 245 e segg. penal.
(1) Iliel>.~hhBirnd Ee7eidigu.ng oit. pag. 10. -
1s. O furto e 2s reformas legislativas do se-
!2:j O u~zinius i u c ~ a ~ nLio ~ d i é elemento constante nau culo xvrr1.
definições do furto, o que bem se explica, visto que elle i:
antes uma ~ a r i e d a d edo dolo, um elcrùanto caracturiutico 7, Q i i a n d o falta a n o ç k historica da sociabili-
para distinguil-o do crimo patiinionial afhm - o damno, dade, é a b s u r d o fallar-se ilc normas c o e r c i t i v a s de
(to que um verdadeiro eleiiicnto su1)~ttmcialdo furto.
raracter juridico. SP, coinn escyerr: FERRI
(1) SO- Ljgnclo n e c e s s a r i a m e n t e A existencia da proprie-
ciedadc e direito s 8 o tcrrnos currclativos c conrrcr- dade, o conceito do f u r t o s u r g e como um g r o d u c t o
tiveis, é a o c y c l o hiatorico ein q u e s e deaiilr~olvee riecessarin e e s p o r ~ t a ~ i ed'aqiiella
ii constant,e e fhtaf
affiruia o saiitinierito da ,.rociabilid;tde, e eiii que, lei soeiril, segiliido a qual a actividade h l i m a n a s e
eorrelativainente, a noçgo do licito e do illicito s e r e v e l a s e m p r e sol) dois nspectils: d e iim lado- a
destaca das f o r m a s primitivas, fluctuantes e n t r e a p r o d ~ ~ c ç ãeo a cuiieervnç5o, d o o u t r o -u parasi-
coticep@o religiosa e a dtiça, q u e deveriios f a z e r tismo e a destrniçilu.
remoritar as nossas iiivestigaqfies s o h i e a elabora- X s s , se, conio diz P O L K ~ T Iclesde m u i t o c e d o
(11,
ção jtzridica d o f u r t o (2). se devia niariifesrar irm f o r t e s e n t i m e n t o d e repiz-
gitn.m:ia por todos o s actos de carttct,er destructivo,
(1) Sociologia cllnainale cit., pag. 537. que a ewpeiiericis e as pliases s u c c e s s i c a ~da, affe-
(2) Bssiiil, poi. allieio ao asyiecto j:iiiiliao d o frirto, pre-
terimos u estudo d'rste rios organisuios i~tferiurr-a.Desde
L U N G ~ ~que O Sdescobre
O, ao reino vegetal s i prii,ti alhori mente in t~ittaIa acsla unimalen. Viil. LOXBR~SO, L'homirre
deEh criminalitàn, a H O U ~ E Aque ~ , fiindã lia zoologia os cviini?i,c7cit., t , 1, pag. 1 e segg ; ~ T A N Z I N I , T i - ~ i f f ~de2 ~o
seus estiirlos psycbologicos; n, E s ~ r s a s ,qiic examina a s jiirto e de?lt v t r ~ i esele: s p c l r : cit., pag. 3 e sepg.; E'EREI?
analogias eritra as sociedades animaes e a evciedade hu- L'or,l?'cidiii ?2elE'nntrvpologia eriiiiiilnk., 18%: pagg. 13 e
mana; a COGNETTIDE ~ ~ . ~ R T I Ique S , vse encorilrar eiil1.e ?i?: Sucit~lugiu wkjilaule, pagg. 507-309. Sobre u valor
os aniiriaes as primitivas furrnas da evolugão scononiica; a. sociologico de t w n invcstigay.<">es, i-id. L o i i ~ Lu
~ , socicidoc/in,
LACASSAGNE, SPKN(:RR,I ~ R R H AROHAKES,
I, .?C~TNBTDER, ,li su(i conipito, le stlo 5-c~aula,i m o i i,scnktipiogreasi, l'aciova,
BUGHNER, PERKI, . C R I ~ ~ ~ . ~FKANZOLILJI,
KI, CSIIEKANO, 1BU1, Ipag 74; L'çt~.c~.girr rlettricn s ,i1 -fit,rtg, an.plrdBupple-
R O U S ~ Eetc.,
, affirma~seo sentimento da propriedade no mento a2la Bicç.istu PenaZe, Toriria (L-uionti tipograíieo cdi-
reino aniiual e o termo correlativo do filrlo. I A t ~ ~ ~ ~ ~trice], ~1897-1898,
~ ~.VI, yag. 1.52.
i
(L'<!wol~r.tio~Se lapro2,i-ii!é cit., pitgg. 25 t: 24) diz do furto (1) í L ssatiitzetito E Ea persona giz~ridicaorllu. scienerr. rlel
que «i1 eat iiifjnimeut rMpandu chez les aiiimauxr, notando, diriftii penule, Ccliue, l b 8 7 , 2." ed., pag. 218. K O ~ I C O W
tod:tvia, ein oi3ti.o lograr [L'iwuE~t.;o?tj t ~ - i d i y u edans lcs di- [Les gaspilloges des nociét& ?noder?zes, Paris (Félrs Alcan),
verses rncea hzlrnaines, Paris (L~crosnieret Bahé), 1S91, 1894, pagg. 103-12.51, vê no «erro ut&solizdonico~ a catisa
pag. 13!, que adaiis Ias souitt8s de foixrrcis ct d'a'noilles, grradora cio fi~rtu,do dolo e do parasitismo; 11ev:du rt elle,
n'y a point de crimint.l.~li; e MAGBI (,Beati coíziro la nl'hviiiiiie se trompe t.r& grossiEreint?iit en supliosant que
propnetd, Livorno (Raff. Giueti), 1896, pag, 7 j escrevo I'apprvpiistion dir Lien d'autrui demande rnuiris de fatigue
que ai1 furto è Ia forrua delittuosa che ?i ritrova chiara- et da Liai-ai1 pite li^. pri~du~tiou dirccten,
ctividade d e r i n i i ~fazer sentir como contraiias :to bolismo judiciario penal que, trazendo a separação
bem estar publico c ii~dividualr,certo P que a re- crit.re >L religiKo e o direito, deteririjiia n frxnsiqWo
press8o cio fui to. que, como ~ ~ e c ~ r $ Zéo ,c o e m do d a reacçzo lisychica (ineios sob~eiiataraes}e ptiy-
inicio da pi'ol)l*iedade, 6 6 reveste o caiactcr d e p u - sica (indiricIiinl e faiiiiliar.) p:iiba a poliiicn (guer-
ni@o qnaiido aquelles actcis ~ i n i ~ l e s u i e npiqjudi-
te reira e priilitivn) e provoca o appareciniento das
ciaes passaram a ser considerados inimoracs e foiirias i10 iiirlo.
vnriaí11ss~t~i:te
anti-jiiridico~.Iinpossivel 4 detei-aiinai o iriuinentn
eni q ~ i cse operori esta transfoimação n o conceito Eni ligeira synthese varnos tenta,r collier: ntra-
d o riirto: sabe-se apenas qiie foi o filrtu o primeiro vez da evoliiç;io do direito peilal, a pIiyaionoinia
a scr peisegiiido e a cunveiter-se em crjrric. já qiic juridicn do f ~ i r t o ,como iioçBo criminosa e repres-
o furto aos estrangeiros não era. nas sociedades s i m (i).
primitivas, como entre alguns dos selvagens
nctuaes, actu de destri~iqão,mas facto necessario de
rno~islrar~do agiidaiiieiilt. aquauto vago, iiidetei-luiriado ed
adqirisig5o e de luçta pela esisteilcin; e, se recor-
oinpirico siu lo si:opo di trovare neil'arto lu ricorifcrina dci
remos As tradiçòes e aos symbolos, cujn irnportan-
poatuiati scientilicin: ~ I A N SLes, criminels dnns l'a?-f et lu
ia pard a reconstitiiição dos ii~stitntosjuiidicos, é litfd~uture,Briixellzs (Larcier), 189.3, pag. 5 e segg. Vid.
posta em rclevo por FERREIGO (I) e S~MYE R
%!AI- MTCIIELE: LOXGO,Psicolugia or-iminu2~, Torino (Priitelli
BL (2). e, coni refereiicia ao crime d e furto, por Bocca), 1906, pagg. 3 e 5.
(3) e 312laxzrn1 (4). veremos que 6 o sym-
A~DREOSTI ( I ) O estudo do fiirto entre os povos selvagens foi, coni
(:sito diiviiloao, tentado recen~elnr-nte.Sabe-se que, na
maior parte das tribirs selvagens, a vida é mais impei-fei-
tnrntnto protegida do q u s a propriedade. Os tasma~ios,os
(1) Les lois psychologiqller dzi syr,/holis7ize, trnd. de I'ita- payaguas, oe peruvianos indigenas, admittem o a.bortn e o
lien, P;iris (F'blisBlc:iii), 1893, pagg. 33-35 e 186 e segg. infrtiiticidio e punem severamente o furto interiio; os tihe-
,
(2j Ancietz clroit cit pag. 25.5 e segg. tanos, itonamou, tnhitianos, neo-cstedonios, ~ie~.niittcin o
(3) Contribirto stol-iço-yizlridico a21u. teurica d(:l f i r t v , Ilomicidio dos vellios, ao mesmo tempo que punem o fut-to
(,~i>almaggiore
7.-, (6. C+ranata), 1902, pagg. 16 e 17. de armas e iitensilios de pesr:u. Eiitre outros selvngeiis,
(4) 'rrattato de2 furto cit., pai3iaprima, volumo eecondo, paririitta-so o hoiniuidio por sscrificio ou por rito fiinerario
pag. 992 e segg. Contra a corrente, tio seguida actual- (mongoes, nchantis, ~nexicarios), sl~jeit;indo-se:L penas
mente, d~ perscrutar o crime lias iritiiiyT;es d:i arte, de- crueis oa qiie fiiitam ciljectria incliapnnsav!~isi clcfcsa e
liticos, jiiiidicos e ecoliomicor do p o v o cliiurs, dil
8. A c,oiltinuidade l o n g a e i n i n t c i r u p t a , coiiio
s i n g u l a r iinportalicia :to c s t ~ i d ocvolulivu d o f ~ ~ r t o
iienliniri or1ti.o p o v o tt i ~ p r e s e n t a .110s i n s t i t ~ i t u spo-
na Cliinn.
Na iriais remot,a a n t i g u i d a d e c h i n e s a , a viiidicta,
suhsistt~icia do iiidividiio. Na Australia, ciijos indigenas, iilspirndora da justiça, rilaiiifestuca-se s o b a f o r m a
110 dizer de Fiiilici (Oniicidiu oit., yag. 611, u i u i i f:iniio b2iiLi~i.a d o t i ~ l i n o . Qii;~,nclon;lo s e potiia vei.ifici1.i.
maggios cunlo della vitn di iir. iiiimo, c h di ~ quella di iniia n i d e n t i d a d e d o mal, recorria-se, diz A s n r t ~ o z z {:I),
r
fa~.fallaii; na Seiii-gauiLiri, ~iiideé vulgaris:i~~ioo Iiomicidio As a r g u c i a s d a aizalngia; laclrrio diz-se eili c h i n & s
em Buinéo, onde C. uiii titulo rlc gloria ter commettido lua; irias tuo sigriilicn taii111*1ii f u g i r ; por corise-
uuitos homicidios; nas ilhas Fídji? onde o horniciíln i: con-
queiieia c,pi.tal-a.se as perrias ao I a d i à o .
siderado quasi uni hartie, Q punido sempre o fiirto contra
os membros do aggregado. O adulter-io é riiiiiidíi cijin a Em ~ ~ l e l iropirncii
o ~orriiriurii.ii;-L,l e i e religigo
pena de morte entre os mexicanos, peruvianos, n e u csle- c.ooperavam lia r e p r e s s ã o do f ~ ~ r t opi.in1eir.o
: com
dunios, hottencotes, como violaçXo do direito da proprie- a s sancçòes estabelecidas nas cinco penrLs, que, n a
dade que o niarido tem sobre a mi~lher. Os cafres a os opinião olitiniista d e C » s ~ r ~ c r ot e,r i a m extinguido
t>irmaiiios uâo punem o horriii~idio, iiias cTt-capitain o larlrno. a criuiiiialidade (2); depois coui o systerria perisl
Assim na Xova Zelandia. 5 x 0 piincm o furto oe veddliaa
de Ceylão, os Loscliirriaiios da Africa austral, us guahriri-
bos, os astluimiis da Goonlandia, em oestob casus, 0s tc.11- 21x1, I'r,q,lirietd I1idiriidurr7e o yvoprlctd c o l l ~ c t i ~ . acit., 3
guses, os bainbarav. O nystpma penal d'estes povos tra. p:igg. 33 e 31.
diiz-se, ralativaniente ao fiiito, no tn:iLo, s ~ duas b f6i.m.a.: (I) Le lcgci penali cicgEi m i t i c l i i i.hia~.si, Florenya, 1318,
o talilo eeonamico (pcrdn dos objectos roiibados~ o pcli- pag. 11. nEsta synoriiniin. C, n a jiluta obscrvayão de MAN-
tiuo (a~uputaçkode certos membros, ele.:, que correspon- ZISI (Fralialo dil J i l í , l o cit.; pag. Gd), rt.\eladorlt de que

dam aos dois intcrcsses da indeinriisaçLo e da prcvi,ricZo. a ~ ~ u n i $ L d mfurto


? entre os c l i i n r ~ crcmonta~ aos primiti-
Por ~ e z e 9 ,HS d i i a ~~ O P I U U Sonoontraru-se i.t.iiri;d:~s; vonteu~. vos tempos da sua civiiizaçào, porq~lea fuga dti ladrão
poranea oii alternadairierite, luas a primeira assume quasi scrin. csrtaincnte dctcrmiiiada pe!o intuito de escapar A re-
sempre o aspecto da coinposig5u. Vid. : , r ; l ' o r í ~ ~ ~ a L'é- c, acyio do lesado: da fa:iiilia oa do c l d i h i . Bicl. ~ E S J A R D I N S ,
volution de Za piopriéfi cit., pagg. 30-32, CiS e scgg.; T~.uitr? i . ,,i rha.i p , ; ~ , ~ ; , , ~E<giqlslirtlor~s
i~, de Z'u)~ti~c<ité,
L't%olutMi~juricliqz~e cit,., pag. 17 e jegg. ; B l a ~ z r ~ Tvat- r, Paris (Durand et Pedone-Lauri?:), 1881, pag. 1.
lato dd firto eit.: pngg. 31 -50 e s bibliograpliih nhi cit:ld:t; (2) Le Cfzorr-kin!~,,r ~ nrles ii7:res . s , t i ~ ; s des c h i r ~ o ; ~trad.
;
DE FELICE, Principii di sricio2ogia i:rir>~inalo,Il1il:ino-Pa- par Clannrr,, pag. 293, cit. p i r A s ~ r m o z z ~obr. , cit., pag.
lai,uio-Xapoli [Ren~oSaiidron), 1902, pagg. 33 e 34; Ziso 175. Eram: a morte: n ainpiitarXli das pernas, siibstituida
1
o~ganizadupor CFTITK, e111 que a: dureza d'aqiiellas providenciava-se largarricntc Bcerca do esanie dos
regras era mitigada., fr~c~rieiifernei-ite,
pcliz conipo- instrutnentos e ariiins 1isailrr.s lielo:: ladrues e tia.
sii;%o. deteriiiiiia~fiodo vidur do al)jecto do furto.
Mas o pavoroso augirierit,o dns crirncs eoiitra R Coni o apparecimeiito da propriedade indiviclrial
~iropriedade:que J f ~ s c r oatt.ribuia c& (231 A. C.) acceiitua-se, irioiucntancamentc, a. ae-
de cora980 dos que e.stã.0 ~irivaclosdo uso da pro- verid:ide penal; ]nas as peiias de niutilnç20, mnn-
priedade~(I), cm que se prertniluncia. a der~t~enya tidns senipre nos criii~eseoriirn :ta ycssoas, szo a
biblicx -prcq~tel*inopiaii~ nzuiti deliquer-wnt, c a. breve trecho (Kao-Toii: 2i)l; 12. C.), siibstitiiidaa
i~ieificaciado regirueri reliressivo eni vigor (2) leva- lia repress50 do furto peIas penas yecuriiarias, ex-
ram M o r r w ~ x(952 A. C.) a ordenar a compiIzxqAo cliiid(;s apenas o fiirio s:icrilegn e a recicli~a( 1 ) .
dc nuia uovn lei penal. Criava-se iimn niagistrs- Com os estalulos friridxmeritrtes de 1647 (Ta-
tura especial tendo a seu cargo a supcririte~idencia tsiiig-leii-lee), ainda em vigor, com ligeiras n~orlifr-
na repressno contra. os ladrões; reconhecia-se a cagGcs (2j, inicia-se iimn iiova pliase do direito pe-
todos o dircito dr: us 11iat:~r: oonio direito de legi- nal chinês, que, pelo que respeita ao furto, 6 a fiel
tiiiia defesa; organizava-se cuidadosamerttc a poli- coritini~nt;kcidu pcriodo aiiterior. Só qua,ndo o f~ii.to
cia dus rriercados, n ciijos iiisptctores competia lesa a fd religiosa ou c,oinprornette os niais vitaes
fazel-os prender c ac;out;Lr; prcsoi.avkt-se a pena interesses tlu e ~ t ; i ~ l o4, snbnicttido a rc1~rcssBorc-
de decaliitaqão para os auctores de furtos graves; 1ativ:~mcntesevera, recorrendo-se, todavia! rarn-
mente ao extremo silpplicio.
Tecl~rii~ainerite, o direito perial cliiriês accusa,
pela dos pbs no tempo dos Tcheo~i,a castraçzo, a ablasLo neste periorlo, i,elativaniente ao f~irto,notavel pro-
cio nariz F. a marca l i a fronte, por inçio de incisüiis.
( 1 ) Vid. PASQEALE? 1 reat; confro gli averi eu77 Jilx d i
lucro, Sapoli (Rlicheli d'Auriaj, lE!Y'i, pag. 30. (1) TTid. LOLLISI, Sz12 .reato d i - f u ~ t o ,Alodena jbldo Cnp-
(2) nTous l e peupleu
~ de ç e l l e dyilastie, graridu e l pe- pelli, 1900, pag. 1 9 ; -ALINE?*'&, I l i n ~ i t ie i,iod<$ea!ori
tits, assim se diz no Cho'hol~.IC;~i,iy, sont livrée au v i c ~ ;ils d~ZE'iiiqufobilitd,Sorino i:Fratelli Boccaj, 1394>t. I, yag.
soiil voleurs.. .A~ijoiir.dhui,le pzuple, rriême, volc 1es 38 e segg.
animalix destin6s aus c&réinoniesdes Esprits; il y a des ( 2 ) Vid. &llaxzr'rr, ii,attato de1 ,frirto cit., paçg. 66 a
juges qui Ies rayciivent e t qiii leu ~ n a r i g ~ ~eti t ;on ne leu 92; ~~IARCELLO FISZI,I filr.tl 2í~it:il(!gi,~t;, Torino (Fratclii
pirnit p:is». D~SJAKDIKS, l'ralté du VOZ cit., pag. 3. Bocca), 19íl3, pagg. 35-36.
..
gresso: aiigiiieiitani as g a r a n t i : ~do
~ accusado (per- Sob u aspecto jnridicn, revela-se I I ; ~Icgisli~y%o
segoiçAo de noite, detenqiio por fiinccioiiarios pu- iridiiinx irrii;L piofuncia corif~~aão relativamerite á
blico~:eto.); distingue-se, rniiiriciosamente, o furto iloção dos diversris ciirnefi e o ~ i t i an a.ct,ividzde pu-
elanrleatiiio do rioleritn; a tentativa do Curto con- trimonin.1, suhniettundn-se A sancq8o do furto factos
aiririaiado: a rc~idiva:o furto doniestico, :L CO-au- que! tia eJalriora~2.0teclmica do direito penal, furam
ctoria, a cumplicidade, o ezicoliriirieiito ; ~ern-seeni ctestacadi)~ cio coriceito jiiridico do furto, para
atteri(;.;io a eda.de e xs rninimz~scontingeneias do constituirem formas ciiniinosas especificas: assiut:
facto criminoso e, coiiio nioderador geral da pena- a npprc)l)riaq?to iridevida, o encohrii-i~ento, n
liclade por fiirto, atteiida-sc, af6r:i. o caso (lu fiirto fraude ( 1 ) . Alas, distingue-se já o roubo, subtra-
violento, ao valor do sei1 objecto. A cada passo eyRo da, coiisa corii viol?nc-ia, na piesei1ç:t do pro-
se manifesta a preoccapaçS.o d a justi(;* 1)ropnrciu- prietariu, do furto. q11c coinprcliende liao sb o caso
rii~duna legiãla.<;2opeii;tl chiricsa, que, aiitecipan- em qne R CDIISR 6. siihtrahidx, est,arido o proprieta-
do-sc á s 1cgislaçOes e~lropeias, conhece e deter- rio unserite, ui:is ta~rlbeui2iquelIe erri que sc iioga
miila, em geral, as circiini~titnci2.satteiiuaiites, a a cousn Tie se recebeu; como, qna,nto aos airctores
iiBo ret~oacti\~idadc, o dircito de itppcllaqão, o res- do furto, se distingire o ladrão pnblico, q u e obtem
peito da liberclzde individual, s accumril~qãoda.a dinheiro por meios fraiidillentos, do yiie se introd~iz
penas e o direito de graça. secretaniente em casa: abriiido passagem atravez
dum muro ou vive nas florestas.
9. No codigo rls DIaufi (.1fi1n/ivn i)hwmci, iS'ns!,~~c),
princip;il f-ntc do antigo dircito pena1 indiano, souveraiii perçoit lil r.evaiiii royal c-nns reiller iIa repreu-
as iiornias j1iridicn.s referentes B piotecç3.o cla pro- s i o n des voleurs, ses Btats sont agitis par des trouble3,
et lui-~riêmeesl exclu dii ahjoilr chleatee. Cfr. liv. rm,
priedade ci)r~f~~nclciu-sc C integram-se com os pre-
et. 313-347; liv. I r , 8t. 149.233.
ceitos etico-teocraticos: s o Isdo dn regra. nioral (1) Assiin, aquelle quc, por servi50 prcstsdo, acoeitu,
quecorisidera o respeití~da propriedade alheia iim com co~lliecimentoda causa, ul~jeitosrüiibaclos (liv. YIII,
dever de todos os homens, O preceito guc çoiifiii no st. ?idI)i, aqiielle yuo forncw vivi:rcs. inetruriientos ou
rei, pessnnlrriciite, a fuiioq:lo repressiva do furto (1). asylo ao ladrãci ou occiilta o s o l j r c t o s roubados (tiv. IX,
st. 273:!, SXO ~)~t~:idos ,tomo os !ailini:s. Nfio p:lgar uma.
(1) d l a ~ ~ ~ ~ u u - B h a i ~ n ~eil.
r ~fraiic.; . i / ~(Loiselei~r-
- i ~ ~ ~Paris ~~c, divida equivale a conirnetter ~ I I Ufurto clandestiiio li^. viir,
~~~slongcliamps),
1895, liv. vrr, ct. 6; 251.
11; iLoroqu'uil st. 49-50).
B gr:~vidade do furto varía segiindo- o vnior da gravaç3.o; o elemento colIectivo, o -;eu coefficierite
corieit e a qsirtIidndC: d o offenclido, attentlendo-se, m o r d a re1;itivo (1). dI&iiid'esta. pa.i~ticiilarida.de
por vezes, co~ljuiictanieilte. a est,es dois criterios. rla legislac,?io iiidiana! not,ada por BIASZ~NI (2j, pclx
Como fórma qualificada, do fiirto, ti de notar, corno qual a pcrfcita i~n~iik~biliilacle moral 4 coi~siderada
conscqnenc-ia do predominio politico dos Drahinanes como uma excep@o, é de notar cji~ouontril o priri-
no regirnen social da civiliza(;ko iridia.iia, a nuljtra- oipio da legislapao br:thiliailic,a. de qile a pena se
cq50 de oi1i.o n iim BraIimaiie [i], e, porveilt~irit atteníia na raz8o inversa da posi<;2.ciçoci:i,l do criirii-
eyiliparado áclaeIIa., o flagrarit,e delicto. Critcr-ios ~ I O P O , 1105 crimes de fiirto a pena pecriiiiaria 6 tanto
jiiridieos iinportaritts cri1111 tambein o tempo e a mais elevad;~qlianto iriais : t l h b a casta clo Iadr?io.
cnilsa, do fnrto, a iitilidadc (10s objectos roubados As penas applicareis ao furto tira.ni, em geral,
(instrainentos de triihalho, armas, aninlacs, medi- oorpoi.a.es: wE6i.n os casos referidos de fiirto qiiali-
ca,nieatos)e, nubretudo, a. intcnçso clolosn do aiictor. ficado, qiic conduziairi: iior~ii;iIriieiite,B morte do
A piena conecicnoia do mal querido dererminoc:~ IadrLo, prescrevia-se as i~intilações,que LETOCR-
aggravacgo da pena, que era 1jropurt:ionada A, ca,sta NBSC (3), c01fi plirnat: feliz, denoiilina penas e?*plqes-
;t que perkeiieiit o culpado. O elemento collecbivo sicas (4). Predoinina, pois, ;L sniiccão ethico-reli-
(curieideraçrto da casta) ao lar10 do iiidividual giosn, eurii o seu cortejo de trai~siliigra~òcs, n que
(coilrze~ienciarlo iriulcficiu), proclriziri um criterio muitas vezes se applict~rrina m a i s estrs.nhas fórilias
po~ideraciurda impiitabilidade moral, deriv;ido de de t.ali2u (5).
um facto especifico e de irrila.prcsninpçh penerica: Eni todos OS casos. poréoi, ein que o fin-to não
preaiime-se cluo: quanto mais alta E a casta do reveste: a.os ollios do legislador, p>:irticular gravi-
delinquente, tanto inaior 4 a siia irripiitabilidade, dade, nu qnanclo o ~ a l u da r coilsa, E inferior a de-
j B aggravada pela perfeita consciencia, do dólo. terminada sonima (em geral 30 ptriaíi), teni nppli-
Assim, esta 8 o coeficiente fixo e c,o1mnurn da ag-
(1) Trid. lib. r r n , st. 337-338.
íXj fiottclto dei furto cit., pagg. 165-166.
(1) Segrindo o texto origiilario dt: Brahiri, seria egiral (2) L'buolrcli~~r~ juvidipite cit., pag. 304.
em gravida.de ao firrto dc ouro o facto de roubar auriia (4) Vid. & ~ A G R T , Rcatl contr*o lu proprz"et8 cit., pagg.
rieatiirrt hurrians, uni cavallo, nrri campo)). Vid. CRIVEL-
65-67,
LARI, Dei reati cont1.o Iuproprictd cit., pagg. 7-8.
(5) ~ ~ E S J A K V I XTrrai!;
~, du uol cit., pag, 18.
c a ç a ~a pc.i~apcbcuni;iria. Eili :llgulis casos. ainda, periiiltteiil I~oje atfisiliar qiie tatnibem entrc os
o criterio da i7eqrienx inipi,rtailciii intrinseca do egypcigs ci furto era piiilido, se bem que, no con-
oljjec~ofulii~de-secolii v do \ d o r , dalido logar a trario dii clue as5evcr.a THONIS~ES (1): COIU n ~ u i t o
nina gradiiaqão dcpendenle da yiranfidada da coiisn m:zioi* 1)enigilitIade Ao qiie nos outiws povos. F,
furtada. que it diatribuiçso e a cir*gi~rrieaçiioda pioprie-
cfiide; ferreamente e;itabeleeids: encontrava i i x im-
10. Li~ool>~to S i c u ~ o(1; e AULOGELLIO(Sj a s - iiiobilicladr: it aiiit rniiis segura e eficaz priitecc20;
segui.airi ;i iriexistenuia, no E;ypt,o, da riornlas e 1120 se sentia. como cliz S I - ~ I Z ~('2):X Ta. necee-
repressivas do f ~ ~ r t oque , seria at6 ufficialinente sidade de recorrer á crileldaclc: penal para preser-
reconhecido. Mas estudos recentes feitos , por val-a d'aqtielIeu attentados, que, eni outros pa.izes,
~ i -papyro
f i f d ~ ~ ~ TIO 7 dtibott e a descoberta LIOS repiesciitnvlzni iirria seri:%atlie:isa d segurançz e c e
fragmentos referentes aos ritriaes funerarios (3) noniica. Assim, a peualidacle egypcia atteeta a esis-
tenrin. qiin.si mclii~ivg,da.8 penas de niutilay.$,o, TIC
variavam segundo o objecto: o valor e os meios
(1) RPI..mntiy., lib. 11, C. III: aLex praeteraa privotiiu
a.doptdos e as circiinistancias de terill?o, logar e
de Rribus aiiurl solo': Ac'gyytiiia haeç í.rat; jubehat eos
qui furari volohaiit, noinen srinm xpad piinripem sacer- PL'SSO?,. O coi~ceitoj~~l.iCli~~-rel)~'essi~~o do furto
dotum scribere, at,que e vcstigio furtiiii~ad e i i ~ üdt.ft:ri,c. revela.-se iildirectnnieiire ]-ia paseageiu do livro r l o ~
Simiiit~rqaibiis res filrto erepLa crat, ayucl euniem rei fuiicraes, relativa à. confisi;~oque u uicirto des7e
sublatae tempas diem et horam ~criberetenebantur. Boc fazer para purificar-se, qne bem a.ttesta O senti-
inodo facila invei!tii fui.to, qiii veiri aiiiisi~sct, Tiarta miil- mento jnridico da propricclade rio antigo
ctsbatiir parte, quae daretur furi. Satios latur esse legis
durit, ciim iiupussibile esset fiiria pruhiberi: potiiis ali-
cujus portiaiiis qiiam totiiis rei aiuissae hoinine~jactiiraru
patiii. obr. cit., pag. 67; ~)ICS,I.:ILI>ISR,
nhr. cit., pagg. 19-25;
(3) Noctes :~tticae,XI, c . 13, pag. 6: aApiid veterct9 ohr. ciE., pagg. 30-32; pessma, obr. c,it.,
PASQCALE,
Aegypiio"(rjuocl genuu liorriir!iinl constat et i11 ertibus re- r o l . U, pag. J89; llaszr.vr, obr. cit., pagg. 111-132.
perieiidis eolertie rst.it,iess, e t in cogiiitione ieruin inda- (1j j i i d i ~ I a 2 de
s i r ~ !'oj-~ga.nieatioiz
Éfzl.~?< ~ Z'm~citvzne
ganda sngnces) fruta o~uniafuisse 3cit.h e t i~l~iriniian. Eygpre, apud Beõr!cí hkfuriyc~a(31. dl-oit jG-anp<s e l itvtp«n-
(S) BRIGIXTI, i
7 jbio Eyitto, pag. 11. Vid. sobre ger, ld6S, pag. 2-14] e segg.
esta riiic"tRo: LVLLLNI, ohi. cit.? pagg. 18-19; ~~IAGRI, (,a) T?uttrt60 del Surto cit., pag. 121.
Egy~~to,
e qiiniito á cniisciencin social rej,iip.rinvnrrt
os mais graves criiiies patti~iiuriiaea--- o farto sn- c Lor,~l,ur {a), tauibe~no fcil-tu çacrilego: eni que se
crilego e o rural: nIo iiou lio ~iibatole sncre lornie u p p l i c a v ~.a, pcna ealiital, era nacliiellas iiltiirias
votive degli Dei, io i~oii110 sottrato i s:i<:ri paili que cr>iisisti.r.ri sancq2o noi-rnal do f~lrto.Yre~cre-
dei ternyli, io IIÜII ho fatto irsi~spazionerie-i cainpi ia o legi~ladvr,c 4 0 mti.xiilio ciiidaciu fbra posto
nltrui, io noii hn d ~ v i a t oI'ctcqu~da1 SILO C I I ~ S O , io na diaei~iliriaclçt hrtu de a.niruaes, o pagr~tuentoao
r i m 119 defraridsdo aIruiloa (1). lesxdci~ a titrilo de índemnizai$Xu, do driplo, do
quadraplii ou do ijniiltuylo do v d u i d a ciiiisa Ei~r-
11. Da caiacter erriirier~teuier~tetlieocraticu, a tail$(3), ;ilCrii da restituipRo d'est;n! parecenilo que
IegialaçBo hebritica considera. o furto: simultanea- a peiix do ytiiiltiiplo só era applicavel quarido con-
merife, les22o das rel~iqõescivis L infrt~cç20da lei coii,eceili cireiixnsta~~eiasaggrai7;tnt.es (6). Esta
divina. 1)'ayiii u ~ r i t tdiipln ardem ilc xançç0es: ct!jo fhrrnn ecounnilcii do tw.liHo, inielligei~teítpplica9A.o
principio geral e s t i i cousjg~indcino 13ecaIi,go: noi do prii~cipiobiblico - a OCLLEUIYL p t q g 0 ~ 2 ~ 1 0cEmte71~
,

hrtu~n <fncie~(2). p ~ odfri,te,. . , 1 (7) erx substitirida pela ftirmx eoor-


Sob o aspecto ji~ridieo,o systemz dri penalidade
moysaica. era basear10 no taliao, deconiposto no (1) L'ét:uli!tio>tj u ~ i c l i y t ~cit.,
z pag. 884.
extremo supplicio, na pena de mutilação e nas (3B I a ~ ~ i l i rTraftccto
; de[ jitrto cit., pag. 121;.
penas pecuniai-ias. {3j Elemeviti eit., rol. 11, pag. 189;M r i s ~ i n(~Repez-foive,
Excepti~adoo caso do furt,o de liomens, e! se- vlr. c(,/) e DSori.-iwn [Llea vols i / o m ~ ! i p ~ r o sPni.is
, (L. La-
I C ~ ~ F ?lS(39,
, pagg. 16 e 17J a f f i r m m , contra o que us textos
auctoiizam, qiie entre us hebroue e i c i ù t ro!ror Ecait con-
damn8 B niortn. Tid. UKSJAXD~NS, 7'raité d i ~uot cit.,
(I j Vid. ANUREOTSI,LYy~tiribufo ~ t o i ~ i ~ ~ . j ? i r l c ll:it.
i c o: pagg. 26-33, praec. png. 2 7 .
pag. 23. (4) Std T B ~ ~d iOf i i 1 . t ~cit., pag. 2Ci.
(2)Esodo, XX, 15, 17: uKon cuncupiscas domurn pro- (!>j < « ~ ' . k c r i ~ r uobserva
re, PASTOI<~.~T, ctit rlire!qiiefoie je
ximi tui, non desíde~atis uxoreru ejus, nuu servuui, rion septiiple, mnis cu mot np. signifie lias toiijoc~r#sept fojs In.
ancillain, iion buvein, iioii afiirium, iiec ouinia quatr illiuu valeur; il cst souvent piis iiidbfinimeni sn hcbrouu.
sunta. E em outrn Iogar (Lcvr~rco,xrx, 11;): uNon fa- (6) DESJARDIKR, Tvaitá d i ~v01 cit., pag. 28.
cictis furtum. Non mentiemini, nec decipiet uiiusqiiisqcre (i) Exouo, =ir. Vid. FIRELL O'REILLY,Diz ~ 2 CAEX ,
proximum suume. (Blrtnc-Hardel), 1378, pag. 3.
Cap. í-O furto na ecol,rçilo historica z ria legislaçhu eompura~Za 61
-..- ..-

~ i t i v ade servid5.o tenipo~arial ~ c s s o d no


, caso em gitiiria defesa a morte, em fiagraute, do ladrã,o
que n2ci se eff~ctiias:e, por parte do lesado. a res- nocturno.
tituição da coma fiirtitdn : obtiulla-sc ã~aiiii,me-
diante o tt-ctballio do ccinrleinnai-lo: o c~umpsinieilto 12. xa Persi:r, LOEOA~TEC). r ~ c o n h ~ c e i ~sem
r l o li-
pecuniario d a pena (1). HERODEB veio depois, conio initaçieú o direito cle propriedade, baseou o prin-
iiiforina SH~~XISSEX C2j1 ordenar T e o hebren con- cipio d a p e n ~ l i d a d esol>i.e:j duplo criteiio de ofienea
vsricido dc furto fosse veiididu como cscravo, ao B diviildade e L ordem social. SirriuIt;liiearriei~te
estr'angeiro. criine e pecrado, o fiir rr<>severanieitte punido:
Mas a haiicç50 religiosa tinha, eficacia para iiii- o aiictor do f~~iirto simples era obrigado á restitiri-
pedir a juridica e represeibz du furto, e ntt., coriio qão do duplo do va.1~1da cousa roubada, açoutailo
se I& na LEVITIC~O (3). O m r e p e n d i m e ~ i hc10 ladrZo, e inntilaclo; o de ftiito qunlilicttclo, errl ra&o do
nianifestndo n a confissno publica e eili ~ncrificios valor ou do modo por que era consuniniado, era
cxpiatorios. trazia n impnnidadc do d o . subinettido a. iigorosns pcrlns corporaes, qne rEie-
Mas, eui g;~rc?ritiado lesado, a ieenqão d a pena 81vain, pur vezcs, ao extremo s~~ppliclo. O mesmo
era siibordinadti, á restifiriçAo esponi:tnea da cuusa succeclia rio caso de ieiiicidencia [I).
roubada (4). Pur i~ltimo,devemos iio'ts que a le-
gislttç2"lo hcbrsica não piine, ein regra, os fiirtos 13. Ueude os tempos ~piiniitivos da c,ivilizap2o
minimos (E>), e cliie se rcyirtavn coi-nrrieitida em le- ltelleiiicn, n existe~ici:~ dc j>reccitos destiriadus a
-- L -. garantir a proprieda.de individual, repriniindo o
(1) Exono? xxr, 2 , XXII, 8 in fioe; D E ~ ~ E R O N O?~~~,
XV, fiirto, t': attesti~dit110s ~:iilioade IIoar~zoe dc HE-
12; GEX, 1 ~ x 132;
, JEREMIAS, SXXIV, 14 j JOSL'J~,
1'1, 1S, srorio (2). >Ias daciirnentaç&o historica. positiva d a
19.
repreiszo do furto sO a temos 113s legi~laç6csde
(2) .!?rude .wr Z'l~isioire c l r ~ d ~ o i tc.rini.inel, des peuples
wfiu'c~~s.Ri~ix~llas-Paris (CIiristophles Durand, Lai~rirl:!, Esparta e Athenas.
1869, t. 11, pag. 212.
(2) TI, 3. (1) PASQUSLE, Dei 13etrti cit., pagg. 23 e 29.
(4) LEVITICC), V I , 1-7. Vid. LOMBROSO: L'honlme cri- (2) Bid. DESJARDIXS, Tvaili du voz vil., yag. 36 e sepg. ;
mincl cit., t. I; pag. 88. Pocr,~~ ,
L'ei:o?xziona at,,ricn e siicilt$ca ryel d i ~ i t f oe de71ffi
(5) DBUTEKONPXIO, SVI, 19; XXVII, 19; Knoao, xãrr, proee.drii-rt peiiu2<; Iíessiiia CFraLelii Messiiia), 1832, pag.
25, Vid. Frszr, I ft~rtbprii:idegiccti cit., pag. 36. 56 . acgg.
OS auctores de crimes de furto, sem attenção á s
Legitimando, porventirrz, u m costume anterior,
circtirustancias do facto neni ao ~ib-jecto do filrto,
yiie M o ~ r ~ s y (1; u ~faz~ uderivar das tradições dos
e a oonstriicç5i> jiiridiea do fi~rtonas leis d e
orcteiiscs, a constitiiiqiio dc Lycurgo deixara iui-
SOLOY.
une O fiirto, iin informaç%odc XEI\OPHOBTE e PLC-
O conceito do fizrtu. ilti legislaçko reforn~ada pois
T.~RCHO(21, per~liit~illdo-o como niodu de ndyuiui-
SOLOX,Como. ineí1i:trite os di~ciirsosdos oradores,
q h 010s meios de snbbistenci:t; e ai5 r i a li>I~«t.ltese,
diegou até 116s, estc;nclia-se além do sigililicado
em que o auctor do f ~ i r t ofosse surpselieildido em
puran~entejiirldico. ;ibi:iilgerido o peenlato, a nii
flagrante delicto, eia siibniettido ás pena* de jejum
ga?tão dos tntores; niaa, n90 obstante estn impr-e-
e cie flagella~8o.
cisiiu fo~iilal,a represbiio c10 farto em seritiiio pio-
A perrnissao do fiii-to. explicnvel pela constitui-
prio deriva com siifficieiite exactidão da ~iibstancia
@o da propriedade e pela organizafio exclusiva-
dos f:ictos.
mente militar cle Espnrta, e que se iriarite~~e ai6
O criterio g e i d cla pena1id:zde cra a applicnyiio,
que, coni a a ~ c i i i n i r l a ~ xde
o riquezn~,se fez sentir
a tocio O furto, da pena pccui~iniia~, que, segilndo
a iiecessidade de garantir efkirfizniente o diveito tIe
BULOG L L L ~(I:, O ronsistia no pxgarriento de u m a
propriedade: repugnoli seilipre A coilrciencia athe-
somuia ~eprcsenent;itirado duplo do valor d a cousa
niense qiie, pela bocca de Pr,a-rÃo ( 3 ) energica-
roribads. i\Iab L)EAIOSTHETE~ (?), notalido a existen-
mente estigmatizava ti)das as viol.zr;fiesdo l~,itrimo-
eia de perias accessoiiws (3) para iodos 06 casos:
nio alheio.
A legislai;%o de dthenas apresenta dois moilien- s'est montrd fid>leu, e- a qne parece adherir D ~ ~ S J A R ~ I N S
tos na repressão do furto: o systema feroz de DRA- (ohr. cit , pag. 71t? proniiiicia-se aliertainente 31ilaxarxr
CON,p o r ~ e i i t u r ncompilnp5ti de r o ~ i i ~ m jiiridi~os
es obr eit., piig. l-kD), ~;s(~revcrido qiie a legi~la~wodraco-
anteliores (A), qiie pilne coni s pena de morte todos niana anou Tu il prodotto spontaneo di norme sorte da1
precedente costurno, ma fii opera soggzttiva di que1 faria-
tico aangui~iaiio,i l ciii nome suonb eempre nei secoli d'op-
(I) Esprit tles Iüis, liv. ã ~ i x cliap.
, 1s.
probrion.
(2) Vid. CI<~VELLARI, Dei r ç c ~ t i c o ~ t l . ultc p~ul;iieb?ccit.,
(1) AToct~sd t t i r ~ e ,lili. xr, c . 18, n. 5 .
pagg. 8 e 9.
(2)TTici. 3IAxz1'11, T,.ccttr~to rlalfrisfo cit., pag. 193.
(3j Legea, VIII.
(Sj P ~ s e r s l ,Eb,/~et'ti(Ii dtI~.ittopende cit., psgg. 19G
(4) Contra ssta opiniIol defendida pcjr THONISSEN, qiie
P 191.
falla <<deIa jiirisprirdence implacable i laquetlz I)xacolr
restringe a iiidioada por ctquelle nem sempre exa-
critne, determiiiavam a a.pplieaç*Xoda pena, de iilorte.
cto compilador ao caso de restitiiiqão do objecto
Havia casos espeçiaes de aggravaçho que shmente
do fuit.0; qiiarido riao sc effectunra esta restitiiição,
sc +arifiç:tvani cuni circumstant:ias peculiares de
era elevada, ao decuplo. E r a fi~ctlltat.ivaa applica-
uaiur iuipiitabiliclade politica do fucto, conio a
q b clãs penas cocp~l.aes;que incumbia. ao trihunal
pena de morte applicada aos que roubavam
popular.
fiuctos, cotii o intuito cle iiiipatlii. a in\~asâ,odos jar-
A bcriignidaclc do systemx de SOLON:saliente a
ailia. i.io caso dc furto dc-coiisas pukilioas, appli-
respeito du f~rrtosimples (I), cedia o logar a ex-
C~VSL-se, em regra, a pena de morto, excepcional-
e e s ~ i v origor, yiiai~dosc ilar:~ o concurso de cir-
.merite a penti. peeuniaria.
cuni~titnçii~s aggi.nv:tnte*. Assim, o v;~ioril;~cciilsa
Nos casos de furto corri violancia de furto no-
roubada (qiiitndo excederite a cirieocrita. ~1rac:lima.s)
cturrio, o direito utheriicnse perrnitte a morte do
o tempo em que era couii~iettidoo furto, o logar
ladi.50 por legitima defcsa., que cra: todavia, ,te-
(Iyceu, academia, gymnasios, bai~hos,agora) (2)
cessario provar perante o De$iI~iniun~.
e este combinado coin o valor, o objecto do furto
(escravos e bornelis livros; armas, apparelhos de
14. Poi~cospovos levaram t8,o lorige como os
navios, objectos de vestuurio, olijcctos sagrados):
romaIios o culto da propi-iedilde! rieilhunia legisla-
o emprego de certos meios (abertura dc muro],
Ç ~ U nos a p r e s e ~ ~ trim
a tao pcifcitu coi~~jnnctode
a.ilgrnentando a qiia~iitidade rialitral e politics do
disI>osic;õespara a repressão do furto.
Fazerido remontar As a11 taboas as primeiras
(I) O fiirro sirnlilr.~,com~iiett,idorni daniiio de iim par- leis relativas ao furto, a50 deaconhece~iioaque, re-
ticrilar, ~ 1 . 3 considi~i.adv pi;lo legislador nttico como tini preseritarido o C'aiinen ~Jcce:p,nz~;i~+nle;
verosirniluiente,
crinic cstranho :i oi~dcmpiihlica; n cirviimstaneia da vio- cuino notu La~uuccr( l ) , a c:odifiç>tqão dos C O S ~ I I -
lencia, iniplicnndo o pngxn~.:ntn do miilta ao estado, faz
considerril-o como fcsivo das coiidip4t.s de seçriranp geral. i l j Storin dei diritto pencck ?,umuno, Padiivw-Veruna,
ia) J ) I ~ I I O L T H I : X L C('coiitrn
I ' ~ ' I ~ ~ I O C K A T E S )<Si
: q ~ ~item
is u 1398, pag. 909. Sobre a originalidade das ZII taloas:
Lal~ieie,e lyc,eo, aiit acadeinia aut cyriosargo vestem, aut Pacc~roxr, Covso di dirifto roptiixno, rulume primo, Lu
lagiiuciilam, aud quidqiiain nlirid inininri pretii, aiit siipel- costilaiio~lt:e le f i ~ t i f i de1 dirifto, Innsbruck (CVagner),
tectilam e ggmoasiis, a:it púrtiibus srirripiierit bupra S 1905, pagg. 41-31; A & ~ ~ o s ~ Siitdi n o a , salta IegZã.lazione
drachmaa, huic quoque tilors poena eston. derernvivale, Torino, 1895, pag. 45 c: segg.
5
iries precederites, e~~ecinlniente
do direito f a m i l i a r , tado n.o ea,so r10 fitl-ru noçtiirno e ao do iiimifesto,
se p6de conjectiii.ar ciiii: a pro~ii-ieda.dcm o b i l i a r i a , quando liaja, reeinteiii:,ia do ofíerisar.
então, a v o r d a d c i r a f o r ç a economica da farriilio: N'ellas e n ~ ~ r i t ~ r i i r r ai odi5tiiiccão
s mn-
11oSji~~tuza.

fome já tiitelada coni o.s sanct;(>es d a vinllii:ta oii r n i , e r a fiindade não


n-;jl'csturn, L' ??E,: r i ? ( ~ ? z ~ s ~ iqiie
dn t r a u s a c ç S o a i n i g a ~ ~ i(mm~~fis8!io;l.
el Assim pense sobre a divciiii(2ade do lilodo de perpet.ração r10
MOAIAISEK (1). crime de furto! nias sobre a, accidentalii~aded a
h c ~ e i . ~ Hf oa m i l i a r ron1an;l qiie ieprescr~taiima. s u r l ~ ~ ' e zdo: ~ladvão c111flagrante, cum 1.$í~r.ti?)~ m-
cailsa genetica e unia fiinrc;%o iiitrgradora. da jiis- l e p n ~ neo dekskrit, ytro ckfewe eo die dea6inaae-
tiqn piiblicii, marca, pclit dipciI)lina. da nosa, a I'GI (Ij. 11 peiia tlo firrtum mctn~f;ísiz~m eriL a escra-
trnf~si@odu. prinziti\:n viildiota i r l d i ~ i d i ~para t~l a vidso para o bonleiii Iir-re, n prec@it'itatio e saxo prlra,
r e p r e s s ã o do estaclo; e [ d e proi:esso cvolutivo eil- o escravo; o ,fb,nec Y ~ z c ~ . ~ z $ ~ , Ç ~era ~ L s punido c0111a

c o i i t r x iirila forliia. stri.ticatrari~itoria~ I o q i ~ e nnas


te p c i ~do duplo (2j.
XII tn,boas p),eiti qiic o diioitu de vindicta 6 limi-
Si juri alien;is arbores cassit, i r ~siuglilas xxv aeria
luito.
(1) Romische Gi:nchlcht<, ~ L i ~ z 1E9!1,
i ~ , vol. r, c. xI, Si pro fure dainniiin decisu~uesuit, Siirti ne adorato,
t. I, pag. 106. Fcirtiiae rei arlerna :~urtoiittlseeto.
. . Na Tubula 11elicontrain-sc as prir,cipaei, d i z p o s i ~ f ~ n
(2) Xa Ziónlic P Z , qqlie tracta De cle2ictis:
relativas ac furto: Si tutur dolo iiialo girat vitriperatu, guandoqiie finita
Si tiox fiirli.iiii tkxit-, sino aliqiiin ri<.i.ísit ji1i.e cAParia edto. tiitela r x c i t , fuitiim daplioiia luitu.
Si lucem furtiim faxit, sifie aiiq~iieenrlo ipso :apsit \:r- Ka Tilbrila ,TIL coniplt:r~ieiito d'aqiiella:
beraior iliqu,:, eiii fiirtum fnotum esuit, adir:itor. Si seryiis seiente doinino furtuni faxit, 110xi;jmque no-
Serrris, virgis caesus, saso deicitor. xit, ntjxuo dedito.
Impiibea, Prnectores arbitratil rerberator, nciriamquo Vid. YASQUALE, Rcati, cit., p3g. ?I e segg.
i(I! GalUa, nr, %g 184, 289, 190. Contra a opinião de
Caiiita~~r [~Srtlveis on'yL7ii de1 f~i,rtotzuduc~,ap~idA rchiata
rlrbiiide si cnesi ekciiit, se fraude sato. giu~*icl.iic.i,diretti~ilaS,.rntiiii,Pisa (llrchiv. g i i i ~ i d i ~1572, ~j,
Lii furtum lance licioqiie coriceptritu escit, atyue
lit ma- rol. XX?, pag. 1 e sepp.2 sustenta CULLI$i"ld fartum
uifestiim vindicator. muslif~sfu~i?jque o fit~.tcl,n ~~iuni,jestioa era oaracteriisado
Si sdorat f~irto, qiiod ner: msnifestiiin eseit, dupliorie pela sorprezri i n j7c~gi-anti-e rião pela aridacia.
decidito. (?j ~ u r o 1 . n[E.?p/icntioi~
~ h h - t ~ i i ~ c ilt.~
l r : fi~stitirfes,pari$
..
O mesmo critcrio da prova inforintiva outras es-
triplo; nos dois nltimos: com a do furto dorues-
pecifieações do fi~rto:tissim v f u ~ ~ t u r cordccopdunl,
n
tico (1).
e non oxhibitu,m, respr.ctivament.e
obkatzlm,proh~ibib.c~-n
A acfio j b t i competia esclnsivainente ao doini-
nquelle cm que a res fitrticcl cra ci~coiicrndn nie-
nus; a transacção $aclio) entre o auctor do fiirto
diante a eerimjxiin pw lctnceln et biciurn ( I ) ; nu ein
e o lcsado cwc~liiiao direitn de acçâo. A resfitrtivn
i p c :I couszl cita o&recid>t lielo IadiRo a, tei.ceiro,
para que 1120 h s s c cricoiiti~uclalia p~.opiiacasa: OU
n5o podia scr íiClquiri(1a pc1a usucn~iir~ (2).
em que o presuinido auctor do h i t o impedia a
O rigor d(i direito rlec~iilvirnlfoi snavizado p ~ l a
equidade dos preferes. qiie, no\ seus editos, fisa-
gtrnestio da rssJ;cj,titia em siia casa, suhinetteildo-se,
rhni doze forrni~las p n t z os diversos caso3 de
voliint,zriarneiitc, ií saricy%o~ e n n l ;oii eni qiie elle
furto (3), prohibiiido a addictio in serlcitt~ta do ati-
L: cousa frirtnct:~: cnoori-
sc ~C,CUS:LV:L :I erit,r<:g:.nr.
ctor do furto (les Paetilicl) e a fiistigação (lex Yor-
i,i*nda, coin t.e+teaiuiihas, em sua casa. S o s dois
ria), que foi sribstituída pela pena pecuiiiaria (qua-
piiineiros casos, o furto era piiiiido com a pena do
druplo do valor da resjbtiva pnm o furhti~ma&-
f e s i t ~ n ~duplo
, p r a o nrc manife.stlcm, triplo pai.w as
rcstilritcs hyliothcses).
(I'loii), 1385, 12." ed., t. 11: yaç. 4271 explica a digersuça A appliçsç&o dos. criterios do direito p ~ i r a d oao
de penalidade pelo ainstitict grossier das penalitk prinii-
furto alargou a primitiva noçào, eomprehendendo
tives, qu'est de fraplier avec pli~sd'einportement le coii-
pable pris sur le fait, parce que Ia elilpahilit8 est alor~. n appropriutio izdebifa e o j"zfil,,.tz/nzpossessi~nis(4),
.
plus evidente. . o . r7id. VOXIIIERING, De I'esjwit d 7 ~droit
~iimo~~ , , , t, r, pag. 1%; ~s~ounnir.irr,
cit., L ' ~ v o Z ~ l i oju-
?~
ridiyrri? eit., pag 3G7. (1) Sob a penalidada 139 frirto domsitico: líci~a'ru,I)es
(I j Sobre esta cerimoiiia, que FESTUS assim explicara: vols dr>mestiqi~eseis.: pagg. 21-26.
nlance et liciu dicebatur apucl antiquos, qiiia qui furtum (2) Vid. Ftiasrx~,Ap?cnli a~clltrf e o ~ i udel .furto in di-
ibat queaiere in doino aliena: licio cinetus intiabat, lancein- 1.itfo rci,xailo nei saoi rapporti colla teoriu de1 possesso, aliud
qiie ante ociilns tcncliat piopt'r matriim familias, aut vir- Archivio giaridieo, 1891, t. s L v i i , pa,2. 423371.
giniiin praesentin~nn,divergmn os eiudit~is.\'id. ll;+r;zr~r, (3) Vid. o coiiirnentxrio rl'eesas formulas, cinco (Ias
Trrctt«to d ~ l f i t r f orit.,
, p a g , ~ 22f-225;
. GULI,I,Di'l furfuna quaes não contZeru modifieac,ão suhstnncial, em LANDUCCI,
co?icrpIi~niscco~zrloZe XII tuvole t Za Zrgi.slnzio~is~~osterio~c, Storia del dirifto p e ~ a d crornnno, r-it., pagg. 913-914.
apu(1 ~l?.chii:ioI l ; 7 ~ i i d j ~T U~] ., H X Z I I I , l~ag.107 C scgg. (4) Vid. sobre a origem r10 f7avtz1rn usus GFL possessioi~es
Muzio PAMPALOXI, Strcdi o~pi-oil deeEtto di fzwto, Torino
w Inei~riarefwriite no,+ Iiens da lieranqa jaccritc
ao rriesino teinpo qiia a s neeessi(1adea da pratica
começaram a alualar o velho priiioipio cle que rei com a criação do crin7ett exyilatae hr'~erlitaris;aper-
feiçga-se 8 do:itriri;i da l)artieil,a,q50 e clu encobri-
h e r e & r i ~ n e f i ~ f noiz ~ ~ .O conceito da partici-
~ ( ~ fit.
gaçto, e1abor:tdu 1eiit.ameiite ria primitiv:~ iioçBo rrieiit,o; rastririge-sc o direito de Ieg'itimn defesa
coniplera do furto, adq;iiiiu, poiico a pouco, cara-
nos casas de plir;r necessidade; regiilit-se o enco-
briineiltij e ~ ~ ' ~ I . I ~ : Lrnenos
-Bc i u c e ~ t ia~noçgo da ten-
cteres autoriomas, afirm;7ndo-sr: soh o :~spcctoda
tativa.
participaç8o physica (Ij. Falta, porem, ainda a
iio~5i.ode tent xt'iva. A (~ckiuT ~ T - U ~ (Y~I . I L ~ O ~ U I ~ Ldcatinada
LI~L, a evitar a
A discipliiiti jnridiux do f ~ ~ r complet,a-se
to sob o pena infamante do fiirto pe1a.s subtra,cqães entre
i n ~ p e ~ i oA. definir,$o de Psttiis rearrmp a. theorin conjiigw",uiiia-ritã o rriotriuior~io,e instituiu yre-
romana clo furto nesta iiltinia pllt~sc: c f i ; . t r f ? i , r r ~ CSI torio da condiçt2o~fic~;inn &o mi~iricios;tinenteregri-
conirectatin rei fiauhclom, Zztcri jirc%endigrcrtin,. vut lados; e! qiiaiito acv exa~*ciciod a üctio fijill~ii, qiie
Qsius, rei vez etinm iuics Ejrrs posae:sio?~ip~:e P . Ana-
era, sempre da coinpetcncia do iiitercsaacio (1): u
lysa-se minuciosaniente o elemento da curzrractrcrio; qual podia escolhei! ori a (zctio peilaiis e,]: f i ! , ~ t roir , a

manteni-se B lin1itaç20 do furto As ,.c7s nzobiles; condiclio ez ccczrso ju,rti, çondictii ~ ~ L ' I . : ~ . L ! C pelit.
L~ r~sti-
disciplinil-se o concnrso de delictos ; suppre-se tuic;%o da C O U S R , a lepis1ay:ia iiiiperial maiida ap-
plicar a yçna de fuito tanibeiii ex c?jFcio. pela juria-
(Fratelli Bocca), 1894, fzscicoto r, pagg. Il&lYL; &a- dicção delegada pelo iinperc~doraos prccesicles tias
nv~, Trattrifo dcb f w f o , cit., png. 207-300. proviiiei:ts.
(1) i? riu inicio do iinperio que csmega a ooinprelien- Na jiirisprudencia olaseica, a theoria, do furto E
der-so em alguiis crimes a hyp.putbcse da participação in- illustrada rios prirrieirí~esete titulcis do livro xxxrrI
tellectuai, obtendo-se, assim, o plenu conceito da cumpli- do Digesto:. k a esta, fonte de elabora(;2o jirridicti.
cidade. b cu& do10 nado; is c+im o ~ consilio
e dolo mrdo
r : furt,o que recorrerenios na inves-
dos c ~ i t ~ r l odo
fuctum sit- diz-se e m ~ariostextcrs: 1. 15; pr., D.! ad
leg. Jul. do adiilt., xr.vrn, 5;1. 1, g 1 ; i. 10, D. ad leg.
t i g a @ ~a~ialyticad'eafe estiido (2).
JiiI. maiest., xc~rrr,4.
O processo avnliitivo do pansanicnto jiiridjco romano,
Acerca do conceito lia participapão, fci superiormente illlis- [ l j .rFr;rli ailiem aclio ci cornliel.it, c:uiua iutsr%st rem
trado por Paarra~o~i, Siudi cit., fascicolo L[, r, Toritlo salvam essen 1s. 13, Insl., de ol~lig.q. e x del., iv).
(Fratelli Bocca), 1900, pagg. 3-15, (2j Do furlo cru direito rarnano occ:upsrr,-se, entre ou-
15. Ou prodncto de um estado mental inferior,
afaisant pen de eurnpie dc lu vie liiinisiric et benn- d e f i ~ t nrr~uiorne jiwtn ~n.ino'im,a,dmitiindo-se por
coup au contraire des valetrrs d'échangen, como vezes, urna terceira categoria, constitiiida pela siib-
quer LETOURVEAU ( I ) , oii, como pclilsn, SUVNER 1141- t r ã ~ r ; ã ode coiisas de valor iiiinimo (h,ui~zska).A
xe(2), cm virtirde c10 predominio da, propriedade pena corunitim era, crn regra, a pec,nriiaria (1): con-
mobiliaria sobre a imniobiliaria, o conceito do fiir- sistindo eni um miiltiplo do valor da cniisa roubada:
to entre os p o ~ o sgarlrianiçoi aprsaeiita iinia cx- que vtzrinva. nas diversas Icgisl~çGcsh a r b a ~ i c a s do
,
traordinaria amplitude. Comprehendia todos os cii- duplo ao quintiiplo e attinginífn, por vezes, no di-
uiep contra a actividaíle p:rtriini,nial, que se eoii- reito longol~arduu noniipla.
summaram com a s~~btracqfio occnlta cle cousa nio- Aléni do criterio do valor? qrie base2,va a dis-
vel alheia, exigindo-se, pala o fiirto erii surltido tincçgo referida, atteridia-se, yxrn ii delerniiiiaçWo
proprio (Diebetrthl, dieblicheç ATehrn~>i,,;, qiie rt consa d;t pena: 6s circnmstancias (30 logar (ourtis princi-
estivesse n a posse de algiiem íCTewere,i; qiiando a p k ; templos, nioinhos, fabricas), do tempo (em
appropriaçRo não lesava n Gt;..c:ere, siirgia a figura oceasi2.o de oalamiclade publica, etc.), do objecto
distinçta. da dotentio firtivcr, (Dieblichcs Behaltenj (3), (homens, vcstuario e orilan~ciitos dos cadaveres,
furto improprio. gado, arvores, eto.), do moclo de perpetração do

tras, as segainles nionngraphias: R K NDUCAMP, ~ Dtc V O E , cousa achada. Vid. PERTILE, Sto~.in dsl diritto cit., t. IV,
de Kuctlon f u d i ets droit 1-ornccin, Foiliers (Oiidin li'rbres), pag. li1 ; t. V, pag. 65% e nota í4j. Note-se qiie nam todas
1877, pag. ti e scigg.; SEVAFX, 2 t u d e sur Ee voz, Paris, as cor;sas constituiain, nEo obstante os reqcisitos indicados,
(Slphonse Derenne), 1378, pag. 9 e segg. ; Bozi~hltn,O u objt:r:to de filrto: ((siquis siiper Ires uvas de v i ~ i ealiena
~
t o l , Xorrleaux (1)iirerdier o1 C."), 1S76? pag. 20 e segg. ; tolerit, diz-se no %'ditzbi,lir Rofaris, coiiiponat solidos sex:
De {urtis en droit ~otiinin, Paris (Pichoti), 1877, p3g. i1 ilam si uuqiie trea toleiit, nulia sit ai culpan. D'aqui deriva
o segg.; Pnscaun, Dih fi,rt?~nten droif V U ~ I Z U ~Sancerre,
~L, RII~T.I~BANU O hodierno prsverbio allemão: rirei 8, j h i .

{Pigelet), 1853, pag. 12 e segg.; DESJIRUINS,ZS.uifé d u FIXZL, I jui.li cit., pag. 42.
aol cit., pag. 65 e segg. (1) 110 tempo de TACITO, nLo ohsfante o uso da forca,
( 1 ) t'bvolution juridt'que cit., pag. 437. era ella applioada aos ladrkes : «l)istinctiri poensruin e s
(2) Codijcatioa juridiyue cit., yag. 6, delicto ; proditoies et transfugas asboribus suspendunt 1 sed
(3) Assim, no caso de não restituiyâo ao proprietario de levioribus deliotis pro motlü yoenarum equoriim pecornm-
que nrimero conricti multancturr. (De mo?,. ysrrn., c. 12).
furto [coni violenoia, quer sobre as pessoas (1) - l i a s : do mesmo modo que no direito romano,
Ec~ub,RobLa~ia,iS;'chachz6rn, quer sobre a s cousas (211 modifica-se o conceito da repressão do fiirto, yiie
e da reincideilc,iiz, que aggt-avitvarn o cifnie (3). dc violaç2o do direito priv:ido passa a eer cuuside-
C ~ r r e s ~ ~ o r i d e n dsegui~do
o, uns (41,B iioç80 do rado corriu ( d e n s a a o berri publico; e , como conse-
furtzcri ,mcr1z$2ttt~nze recordando it crrldictio da Ieg-i~- qucticia Iogica: uladifics-se a liatiii4ezada pena, que
I,zy%o Oecei-nvival, nbraiigenrlo, segutido outros (5j, de repara$io pecuniaiia, ao lesado passa ás mais
tambem a hypothese do f~1rt.onoctrirno, o iilstituto
rigojwaas penas corporaes. Assim na Constit~~tio de
yerrnanieo do fcgungi, applic,nvel ao ladrgu surlire-
pace fencndn, de F r e d e ~ i c oI.
hendido in*/Zlzg?wnttl,cteis:~vt~-oá discreçzo do Ic-
sado, a niio ser que se resgatasse por dinheiro : a e t 16. A iio(;:io do fiirt.~!segundo o direito cano-
companat octira~inrusoilidos, hcr,,d ani,)i!re suno i r z ç w - nico, akraça toda. a iisarpa.yfio dolosa dos bens
rat pc~iculuma . Eram excluidos do fetyc!nyi a s mn- alheios : xfurti cniin uomine I~eneintelligitui. or~~nis
lheres livres {lnulier " f ~ ~ a n ~ y i non polcstj, os
esse illicitcc zasurptrtio vei (~lie~tue
P (I). Ao Ittdo d'esta siii-

.sez-vi wgii e os nuctores de fuitu de eotisa cujo V B - gularidade, salient~n-se o predomiiiio assignado ao
lor fosse iilfe~inra seis soldos (6). elemento siihjoctivo na, r.spyessão do furto: este,
antes dc ~ i i i u e 8, pcccada (2j e, como tal, perteiicc
(1) No primitivo direito germanico, a violencia, longe ao j h u m co~zscie?~tioe, baetaritlo o ~iinplesuJwtus
de aggravar o furto, fsxnava menos severa a sua sancpão. furamdi para prouocnr a penifel~.ticc.
E a ausencia da clandcgtinidade originava iim crime dis-
tiuato : a rapiria. Vid. PERTILE, Btoriu del divitto cit., t. v, (1) Curpus juiis calioi,,ici, Pais 2 , caiis:i xiv: quaest. V,
pag. 634, nota 107. g 15.
(8) aSi Ver0 ulsvem cfregerit aut adiilterarerit. . . v '
p j rNeque rrrulles, nequt. rn;isculorum cori(:iiluitores,ne-
( L . Sal., 12). Vid. ~IASCIIKE, D n a Eigenthum i n Gcil und
que fures, neque aiiari, iieqne ehrioii, naque nialedici, ne-
Sfrafiecht, Berliii uud Leipzid íCie0i.g TV;itenbaehj, 1395, que vnpaces reglium Dei pos~itlnliuilt>i. (Epist. r, ad Corz'ri-
pagg. 237-241. thios, cap. VI, 10;). D'aqui n justitica~Xo, pelos Yoiitores
(3) TTid.PASQUALE, Heati cit., pag. 65 e segg.; LETOUR- da Egreja, da represstlo leiga, porque iisi passim homiiies,
NEAU: L'é~olutionjuiidiytcs cit., pag. &!I.
aibi invicom furarentur, ~leriretliumaria ~ o c i ~ t a s iS. i . Ti10-
(4)ANDRBOTTI, Cw~f~ibuto ;i.tv?ico-gil~ridk) .
r i i . , yag. 91
MAZ, 9, 66, a. G j . Vid., sobre o systema penal ecelesias-
(5) MANZINL, Yqsa!tatodez furto cit., pag. 31. tico, ~ U G [ , I A , L'évoluzione sioricu e sc&,~,tiJica de1 diritlo e
(61 Vid. FINZ~, 1 ficrti cit., pag. 41 ; LOLLINI,8111
delln procadu~apemle cit,, pgg. Sj-90.
recrto d i furtu cit., pag. 27.
O direito canoilico distingue no furto a clandes-
O elemcnto juridico cãracteristico é o animz~sfu-
tinidade (occulte n7ferrqj d a visibilidade jvisibiliter
V C Y I I ~quc
11resuppOc no agente o estado de norma-
~~,
er+cr.ej; mas, em antithese coni o direito germa-
lidade ncccssario para proceder livremente : assim
nico, cori~i(1í:rtiw t : ~eumo mais ci.iminosa(l), nâo
prcsumc-sc o estado dc necessidade, e por conse-
pela violencia., que 1120 k seu elemento essencial,
quericia, esclue-se subjectivailiente o furto, na hy-
nias porqne s1111pUca offensa A pessoa.
pothese do furto por fome (1).
A l e n ~dn, l~mnitenti~,
a sancção do f ~ l ~ . t:~br>in-
o
Talubem o flrr~iosus, caonioisento de (1610, ficava
gia a restituiçAo da çousa subtrahida, ou: quando
impune (2). E é tambem o estado de necessidade
est- não fosse poasi\,el, w reparação pccuniaria do
que justifica a perrniselo, que já a legislação moy-
damno.
saica consignára, da iilorte do ladrão nocturno, que
&.Ias o furto podia aer aggravado na sua inteiisi-
emprega violeilcia, como a do ladrão diurno, n o
dãde objectiva pela qualidade da coiisa subtrahida,
caso de defesa d a propria rida (3).
pelo logar onde era commettido ou pelos nieios
adoptados para, n sim consunimação; e ainda se
attendia ao sujeito do crime, que, quando c1ei.ig.o;
(1,) al)iscipuios ciim per segrtes transaundo vellerent
spicas et ederent. ilisius, Christi vos innocentes vocat, f i c a ~ ~tamheni
a suhmettido B depositiu.
guia eoacti fmme hoc feceruntn. (Can. 26, de Consecr.,
dist. 5). Vid. tambem c . 2, x, dc ficrtis, V , 18; c. 3, x, rle 17. KR1egisIaqiio penal iriterinedia das naq8es
rcgulisjtcris, v, 41. F ~ ~ t r s n c c rtogjtirnava
o o fiirto por fome moderi~aspeaetram-se e coiifiindeni-se a s tradições
pelo consenso l>resiirnido do proprietario da cousa siibtta-
romanas e as coricepções do direito gei-manico e
hida: udebet credere dominum rei fiiratae permissuriimn.
canonico. -4 elaboraç,?~juridica do ftirto torna-se
Para CARRARA, o estado de iii-c.cssidade por fome exclue
o anin~us fpri-andi, poi.quc o noto tqm por fim a propria inteirainente pratica, e são os jurisconsiiltos qiie,
conserraçzo. Bid. Fmer, Tfuvti cit., pag. 37 e segg.
(2) Dasinvolverido o conceito romano do dolo, o direito NOCO R SOUSA,A legitima defesa izo direito petiul p v ~ f u -
penal ecclesiastico proc!amou que noli datzw pecúutum nisi jwidiccis, Coinibra (Iinprenja da IJni-
guzs, opud Efili~dos
zoluntarium, e, ao indicar o eleinento subjectivo necessario versidada), 190'3, pag. 294.
para a possibilidade do facto criminoso, serviu-se das pala- ( I j c<Poõnal+est c!c:c:iittc aiiferre ; sed ~nilltomaioris poe-
vras do2us et ~eie;e,lter(c. 22, r , de hom.; c. 6, X , dti,y'u- nae est visibiliter rriperc. . .B . (Can. 13, caus. 14, qi~aist.
riis, c. 18, x, de sint. ezcommunic., etc.). 5).
(3) P A S ~ U A L E , cit., pagg. 72-77; Sid. Sr. Ur. MAR-
Eeati
Cap. 1- 0 i u i . t o na euol,!gZolrisforica e 7ra ley?htnpfo unip parada 79
- -. -

verdadeii:~~ nuctoridades legislatit-as, véerri intro- dades, applicando-sc a Icx Julia de majestate, em
dizzir :tcliiellas numerosas e subtis distincyões e qua- todo v seu rigor, nXo s6 aos cases n'ella coiite~ii-
lificaq3es, qiie entBo apresenta a dolitritta do furto pladoa. ruas a Ii~potlreses1120 previstas, por espie-
-resultado tia não consideraç20 do fisyecti) psy- ciosos argiiiiiento~de :in,zlogirt. MEP~OCHIO ensinava:
chico do cririie e da consequcnte necessidade de rmrn r*yitr~?~cle deiicto puniendo, lata intarprefatio
adaptas aos princípios do direito :L grande diversi- tenwi debet . 3

dade das condiqões t~i:itei.ittes.Borina-se, assim, ajn- Assim, q irlirido, ou em resirltado das novas condi-
risprudencia dos doc/orcs (cizilisti, c/rr?zoni,~ti
e ri.tn+z~~- Cksecoonniic:is, como pensaLcinrs(lj, oupelariacee-
yzts jilrir), ou comn~unisoj~ifiiu,que diliante niais sibade de romper com iristitnic;iies que ugo se ada-
do dois seciilus, dominou a ..idrriiniatiaqIo da justiça ptavam ai, espirito nacioiial, rolrio quer BEKNEB!~),
penal (I) e que: no dizer de YUQT.IB(2); fez ainon- ou corno traducção de velleidndes inipeii:tlist:is, se-
dar di sangue le pih bcllc contrade di Europa,. gundo cleferide ~ I A ~ \ L [3j,
I E I as aspiraçijes unitarias
As penas pec~itilarias cedenl o logar ás corpo- eni rrr;tteria. dc direito penal se traduziram rias or-
raes (galés, bando, riiarcba, mutilaqâo, fustigaqBo, denanças e corrstituições, as varias legislações nacio-
morte) e a acção crimiual C sempre publica -qziia naes acolheram ayiiellns tiadiçõcs de severidade
cum firto cuncurrebat etiaaa ~$oiatiopnch (3). peiia.1.
A legitima defesa, jiistiiicadn pela doutrina c10 A ordenança de Lriiz rs de 1270 (Établk~emcnt
presumido consentiuiento do proprietario: liniitava- rie j'aiitt-louis), dcsciiranclo todo o criterio de diffe-
se á hypothese de fuito noctiiino e qiiundo: s6 por reriqn objectiva e subjectiva. e de proporcionalidade
morte cio seu auctul.. pudesse o lesado rchavcr o na repres~2odo i'ur.to: cio, conio diz M.INZINI(4),
objecto cio fiirto. Era amplissimu o systema das
oii.cunistancias aggravantes. (I) La soeiciloyie cit., pngg. 127 c 128.
A razão de Estado jiistificava todas as atroci- 12j Trattatc, di dCritlo paule cit., pag. 181.
(3) Tmftrito dtl furto cit., pag. 1196.
(4)Obr. cil., p g . 547.Artisticainente bella e psychologi-
'(1) SCLOPIG: D ~ t t auvctoritri yiudicicai-ia, Torino (Fon-
oailiente assaz a x p r e ~ s i vB~e,s t n riiiittalx dos &tablisssrrit?ills :
taria), 1842, pag. 5 e tiegg-.
e C d u i qui enlbve de forca I'hnbit o u Ia bsurse des pasdants
(21 L'é~;olvziones t o ~ i c ac ~cic7zfiJcacit., pag. 104.
sur Ia voie pilbliqiie ou dans les hain doit être peridu, eu.
(3) JULIC'SCLBILUS, 8enfes~fLurrrm, lih. r, 3 ful.tum7 n. 'i,
suite ti;iinS i.% qnrui d'ânt ou de chavnl); puie toils EGS
apiid PASQÇALE, BeurT contro gli al;e~lcit., pag. 78.
Cyp. I - 0 j r r : n acr evoLu$&ohistorica e »a Zqql~lu~do
comparada 83

asiatica que a doininaqNo tartaia transfundiu na em que a reptess%odo filrto se apresenta, qiinsi ex-
legisla~:iijpenal jbtissknia y.rrc.l;duJ, o fur- ~Iusivanientepiiblica o ciiniirial, e em q u e s%o evi-
to era punido, seguilcio os casos, cont o Uarcesc, doritos os vestigios das perias atrocis~iuiasd o direito
com a peno de rnutiln<Ro oii coin a. inIlicç?io do bysantino, sanccjnii:iv~~-se,ern regra, o crime de
grur/,do-k~?ute u reinci(1erici:t e o filrto ~ ~ i o l e n sem-
to fiirto c0111 a pena de f i i s ~ i g ~ ~ %
applicanda-se
o, a
pre sujeitos á pciia capi~al(1).Na Poloiiia, o furto, pena de morte ao tcrcciro furto e ainda xo segundo
origina.riamente ~epriniidosegili:do o critcrio do ta- e ao piimeiic, quando acoiupanhado do crime de
liao e~oaornico:foi, ileaclt: Cusiuiiro, o grande, p ~ i - irlcendio ou eomniettido eni I o p r privilegiado, o11
nido cont a pena capitai (2)). que tivesse por objecto rcs sirct-ccs uu pertencentes
O antigo dii,eilo Iiiiilga,rn priiiin. o f i i ~ t oconi a ao estado, ou, finalmente, quando fosse commet-
escr:~vidàue coin a 1~ci.d:~ de doterminado pcso da, tido eiu occasi5o de o,Jailiidade piiblicn (i).
p o p r i a carne; 110 caso de reii~cidencia,applicavn-
se n ~ ~ e ncxpit,:tl
n, (3). O ~ o c l i g ~diis
) sicte Partid~~.s 18. Esta c-ueldade para os crimes coiitra, ;lacti-
(1 265): qiic, em niaterin de imputabilidade, repre- vidade patriuioi~ial,tornada ainda iriais grave pela
senta riotai~elpiwgiesso sofiie n direito csi~onico, vendidade e ignoraricis CIOSjuizes, que, peores do
yiiiie o furto siniplcs com 1iia.rciL c reis ririnos rias que oa delixiquciltca, V ~ ~ A a,ppellidavn
E E de «bar-
gales, o segnildo com cem açoiites e galks perpe- h w e s en rober, e pelas iinperfeiçGcs do proceseo,
t u a ~ ,ii terceiro cciiii :t ~ilo:.te, pelia esta. tanibem mantem-se até As refoi.iiiaa legislativas da segundir.
applicavel ao furto eoiiimettido na via yi~blicaou nielitde do seciilo ã t r i r < 2 j . E, clrinrido, coni RXCCA-
com vinlr-nc:ia,(i), Xa IegislnçSci estatiitarin. italians,

tida vir, tit. 5, Iey 5). EgnaI preotito se lê ris Nuevn re-
(1) MA~;ZLSI,
i~,r!ic~d
f ot l J ~ i r i o cit., vol. i r , pagg. 643 ~ ao secuIo xrx.
copilaiion d'esta lei (1567): que v i g o r o ~até
a 663. Vid. Pacmco, C~al~rrcntci, Madiid, 1348, t . I, pag. i a .
(2;1 DE 3l,\r110,D e ( f i r f , ?cit., TO]. 1, paz. I()(<, ( I ) J)r: SIIIONI,Dcl furto e suu puta, pag. 18; PEE-
(3; I'fissrs,i: Rlrnioiti: r[; db.it10 pciralc cit., 701.11: psg. TJLE,Storia deel dirlttci itcrllulaa cit., t. v, pag. 256; l'rszr,
200. 1-fzv-ti Prhilrgiilti cit., pas. 59 t: segg-.
(4) Assiin, iiLo piine a acrivid.adt! crirninoaa qiie nBo se (2) aQuis eniu rio11 horrent, ciiziu indignado R~xazzr
tradiiza eiii actos, porcicie qlos priiuerou iuorimieiitoa que (Elemenfu jzcris criminnlzs: lib. iv, cap. xi, 5 81, videns
iuovcn e1 ccirnzon de1 hi;nie noii son en si1 poderu (Par- eum, qui plurzs :~bhtl~iii teriues, vilesque ites, aut semel
E'<zII.i - O.fi~rioria ~iuo!,r$ã~i
bL!ur.icn c Yrn legialuçi<o rvrr,l,ura(In 35
-. . -. -. -- -. . -. . ..

RIA (11, se a b r e c glorioso cyclo scientifico, e u i que,


c a n i profu~iduuierrtc:a s curidiqõea d a justivz puual,
corri a reintegraçzo dos direitos do individiio em
cerisurou-se, coriiv uni dos ruitis salierltes vicioa d o
vellio systertia, a prodig:~licl:ide das perias de um-
certam qiiandam pecuniae quantit~teiilfuratus est hodier-
iilaçLo e e x t r e ~ n osut)plicio, esliecir~Irrieriteeni iria-
nis legibiis Z<ry~~eo pi:niri?u. E, n a sua Utopia, escrevera
teria dç furto.
Taon.4~Bioauu: «dscerniii~tiirfurto horrii~da s~ipplieia
multo potiic ciiw provideiidnii~foret, iit aliqiiis osset prti- Propiigna-se? coino meio cle r e p r i m i r o furto r i 1
vei-itus vitae, ne criiquam sit tsin divn f u i ~ n d ipriniiini, delitto della rniseria e della clisperaxione D (I) a res-
riehinc pereundi necessitasu. ti.icçã6 da l i b e r d a d e ~ ~ c s ~ oc in~~I<)gnr
l, da t o r t i i ~ a ,
E, em concoldancia com AI.CIAT r: CLARTJS, KEXAXZI e que e r a abolidti.; e: ao riiesmo terlilio qiie xe rcIielle
I T ~ ~ ~ a ~ u s , P a ~esvrevi:i.:
r i < i z t api:ssiiu;~jani iiivaluit corrsii- a iniportarici;t excessiva lig.:d:z a o valor e n a t u r e z a
rtuclo ut niiriiriiarirrri rernm etiam fures morte plectanturn.
do ol>jecrii do furto, siibstitiie-se no conceito espe-
Vid. Pasqiiar,i.: I ieat7' contro gLi aueri cit., pag. 81 e
segg; SCFIUPFER, Storia del diritto italiano, Citti (li Cas-
cial da reiiicidencia, coiiin aggincaçZo excepcional
tello, 1895, pag. 630; CAILRAUD: T ~ a i t fAio?-iytce;
i sl p c c - o ii.o extreruo aiipplicio, a tlieuriit g e r a l
d o f i ~ r t ~atb
tique d e d m i t p&nalfia?zgai.e cil., t. I , pag. $6, nota 5. da reilicidencia IIG crime.
(1) Com o livro Uei di:litfi e tlclb ~ J W I ~ ijiililii.odo
?, eiii A b r a ç a d a s por Leopoldo, gran-duque da T o s -
1764. Vid. C l ~ s a ~ rC; A N , ~Ecccar.iffi
~, et 2e d r u 2 yiie'~iaZ, Es- c a n a (constituição d e 313 dc iiovcmbro dc i i 8 6 j í2),
sili, trari. par JULES LACOIKTA et C. D E L PCR; ~ Paris (Fir-
min Didot): 18P5, pag. 3 a segg. &Ias, já no eeeulo V I I ,
(1) BECS,IEIA,Dei deiifti e delle ye7ic, coi coninienti de1
uiu pre,cilrsiir - ( ~ X O T I ~ J :'De
S jure pucis uc bellij, e, mais
VOLTA~ILEet altri opuscoli interessanti (li rari autori, Bas-
tarde, THOXASIUS ( % z ~ t l t ~ & t i ojU&n , e naf~crnl- e M'OLF
sano, XDCCLSXXIX, tomo priincj pag. 104.
coiiiljatem, ern nome do clirtito iiatiiral, o formalismo es-
(2) nAlilriiamn finalmente riconosciuto, dizia P e ~ ~ r o
treito da jristiça repressiva e KAST e FICHTE pr'ojectaiii
LEOPOLDO no pi'eaiiibulo <ia sua ordenaliça sobre a refor-
sobre o eiripirismo feroz do direito prrial do seu teuipo a
ma dai leis liei,nes, clie Ia niitignzione delle pene coii-
Iiiz da IibercIade iriora!. Corno ern Fr;irii;:t os ericpclopadia-
giiinta coli Ia ~ i i i lcsilttir, \-igil;iriza pcr Fruva~iii.ele i,ee
tas, tambem, na Inglaterra, H r : v l i r n vii.i:i, calcando a
azioni, e rneditiritc la c~;lt.rriilicciizioiie dci proceesi o Ia
dnutriiia (1%I I U ~ Ui? BLOCKI::
S pi-atestar, liaselido r i < ) prin-
prontezzit e sicurtzza delia paria dei veri dclinclue~iti, in-
cipio do. iitilidad?, contra iis liorroi.es d:i dutitrinu da expia
vece di :wcrc3scr:i.e i1 i1uini:i.o dai dclitti lia consiílcr:tbilmente
@o. Vid. PEGLIA.7,'az:okczioi~i: ~ t o i * i e r i e . ~ c ~ P I ~ cit.,
.~~~Çu
diuiinirido i1 piil corrirnniii, r reiidiitu q u a s i in:riidifi gli :LI-
pag. 111 e megg. ; C*KEGOHALI, nelln l$>aru;ione dez datino
trin.
cit., papg. 4-6.
JosB 11 de Airstria (codigo gera,l d o s delictos e pe-
nas de 13 de janeiro cla 1 7 8 i ) ,F r c d e r i c o , o graiide,
(Direito g e r a l p r i ~ s s i a n od e 1 7 94) e Catharina i1 (1)
S.ynthese das I e ~ ~ 1 a ç Õ a ~
e s t a s i d e i a s q u e F a c n w (2)
~ ~denomiriava de c odiose
novith dei tenipi >, v i e r a m eIIas a irifoimar t o d a a - 13. - A ri?v~li~çio
SUM~IARIO: franei'sa e a nova phase da
u l t e r i o r olaborayãci hcieiitifica d o f u r t o ; c, p o r via jiiptiya periul. Sístema qiic seguimos
ilpsta 3yiit,Iirsclegialotiva.
da legislapWo da revo1uç:io f r a n c ê s a em q u e o in-
20. - Eleliiciitu i~iaierialr10 crime dc furto; cri-
dividualisrrto tr~iiiniplizi /;,z~~lZu~n cr.i,r,~eri. s i m Zege, tetios Iegiilntiros. Especialidades.
ag~llapoena sine lege, nemo dn?nnetur nisi pei- Zeggalc 21. -- F:ictol. psye,lmlogico do eriilie de furto;
eleineiitos que abraiigc. Diversidade das
judiciumj (3) fom.rii consigriadas tios codigos m o -
legislaqüs~.
dernos. 81.- A peiialidadc do furto e siins circurrislari-
cias modificnd<nras.
23.- Furto violeiito e circiitiistancias que in-
(1) Via. Instriactions udreosées par sa A l q e u f S l'lw~piru- fluem ii'csta qualificaç20.
trice de toutes les .Rtcsaies ri. Zct eo7>1.ri!isa.ion, etc., trnd. de 14.-Furto rnotlificado por ciicumat~neiasque
i'allemand, Peterabourg, YDCCLYIX. pagg. 33-40, não cnnstitiicm violencia: ct) criterio do
(2) 5'0 livro Note c osscr~:nziovzi.mil l t h ~ o<<Deidc7itti p. valor; b) criterio d a qualidade da oousa;
c! rritcrio da qualidade do auelor do
delle penei, que proviicou a soberba refuta~Bo de BECCA-
furto; rl! oritoriu do teiilpo; e, ci'iterio
RIA, lia Riupustu ad u l ~ os k t t o ehe ~ ' { n t i f u baDei delitti e
do lognr; f ! criterio rlos riieios de exe-
delk penes, upud 1)ei 73ditti e delle P e n e cit., t. rr. Sob o cucão.
aspecto juridico, salientaram-se, ~ i ucritica feita á obra cle
Bsccaara, J orr.?s~.(l:.airi de lu ligislnt>:oncviiizinelle de
19. Corri as reforrriiis l e g i s l a t i r a s da re\,oluç%o,
Frunee) e ~ I U Y A R DETVOCGLAXS (IZifu:u(iovz dia frçriti d u
delits ef des paines da Decctcriaj.
x inriovação espcculativa tvirioii-se, d e iinia ma-

(3) Sobre o movimento iudi\.idualista nli seculo XTIII e n e i r a decisiva, iririovuq5n acti1-a. e rwil. Reflectindo
a eua influen<:iu na revolii~ão frnni:t.su, \,.ia-se HESHY as d o u t r i n a s do contrncto suci;i!, í, co~ligocriiliirial
NICHEL, L'idh de l'Ét<ct, Paris (IIaclistte et C.ie), 1893, clc 2 5 rle s r t e r n b r o - - 6 de outiibr-o d e 171)1, o b r a
pay. 30 e segg. priricipa.1 da. Asseinbl6a ci~iistituinte,se i12o xccusa,
sob o aspecto teuhriici~,p r o g r e s s o sensivel a res-
peito da legislaç?io a n t e r i o r , distancia-se inimensa-
nicIite d'ella sob o polito cle vista hiimsnitnrio: para,
o furto simples prezcreve penas corieecionaes, liara tao claramente se revela, a infliicilcia. do dcspo-
o qualificado (roin ~riolcncia, em casa de habita- tismo iiliperinl e das doiitriiins ~ l t i l i t a r i ~dos tempo,
qão, domestico. etc.) estabelece a pena de oito a foi a prevenc%o dos crimes mediante o terror do
vinte e quatro annos de trabalho.; forçados. P e l t ~ castigo, determinrtildo-se a sua gravidade, ngo sob
primeira vez se deíiiiia c1ai:mierite o conceito d a o ponto de vista intriileeco da justiqa violada, luas
cumplicidade no furto; a tentatira 1150 era pii- sob o aspecto estrinseco do perigo social. Relativa-
riida (L). nientc tios ~ i i i i l e scontra m aotivida~lepatrimonial,
Jías a lei de 26 floreal anno v commii~oude traduzia-se essa orientaqào ein iim complicado sys-
novo a. pena de nioite par,i o furto qualificado, :tu- tome de penas quc vZc, desde a p r i a h eorr.eceiori~d
gmentando, em geral, as penas estabelecidas no até ao extreino snpplicio.
codigo de 1 7 9 1 : e. depois de successivas modifi- A partir dJest,e rnnmento, e porqrie, no movi-
cações, eni qiie s;io de notar a da lei de 22 Aoreal mento gcral da rcfvrrua d a lcis ~ peIiaes, salicnte 6
anno rv, que declarou piinirel, como o furto con- a, influencia do codigo de 18 10, coino foi consta-
siirnmado, a simples teiitativu; e Ici de 26 floreal, tado por OR~COLA'~ (l),deterrninnriilo at6, como fonte
anno v, quc restaurou a pena de morte para o furto legislativa, uma das correntes da, legislação penal
violento; R de 29 nivose auuo TI, que cstendcu esta europeia j2), procuraremos abraçar A S varias legis-
peria a qiiasi todas as liypotheses de fiii,to qirslifi- laqTjcs rio seu corijirriclo, su~~stitilirido A oiderri geo-
cado -foi priblicado o codigo de 1810, act~ial- graphica, B justapo.:icüo de leysislcc@es, corno lhe
inente em vigor (21, clitirria VONLISZT (3), o eorifiorito dos trysfeirinsju-
O pensamento dominante d'este codigo, em que

( I ) Coir~sde léyislutio~ijsdiiulci eonynrie: Paris (Joubert'),


(1) Vid. a secpgo ri, do titu10 11, parte 111, do citado co- 1841, pag. 39.
digo. Sobre as i-eformas penaes realizadas cm França TIO (5) Vid. sobre a influencia da codificacBo fraucSsa lia
periodo ri!voliicionai.io : PLTGLIA? L'cuu1r(iione storica e scien- legislnpXo dom wtnrlos cuiiipeiij: e ntuciiçauos, S ~ v n r t ~ z ,
t i f i a cit., pag. 133; F - ~ R E L LO'REILLT,DU v01 cit., pagg. Une nor~celleconception des études jz~i-idi~u~s, Paris (Che.-
06-46. valier-hrarescq, Piclioii), 15104: pag. 52.59.
(2) Sobrc lcgisla$io lieiial posterior ao codigo: GARRAUD, (33 Dii! 9t~i-afgexeetzgebz<li der Gegen%nrt in Bechts 2iev-
T?a;ti thdoriqtw eb p i - a t i p u ~d / < droit p i n d fi-anpuis cit., gleichel~derDarstellang, Berliri (Otto LieLimaiirij, 1894, I .
t. I, pag. 93-102. Rand, pagg. xxrr-XSV. Sohre a funcgzo do direito campa-
ridicns re1ati.i.o~no fiir.to! ~tteiidciidoj A ao seu c ~ ~ ~ - sideraremos estes separadainente. E, pois qiie a, da-
teádo, já ao aspecto technico. Faz-se sobresahir finição romana clo frirto iriforriiuu, airida que limi-
assim, como escreve o SY.Di.. ~ ~ R K O CF. OS~,USB (I), tada qiiltnto 6, intenção do agente, as defiiiiqões oii
os centros eiil volta dos qiiaes giavitam as legis- noções descriptivas do furlo nas luia pcriaes w n -
lações, mostra-se as teridenc;ias 13:i evolirçWo e evita- temporaneas (I), ligar-nos-hemos aos elemelitos
se repetiçijcs iriutcis e fastidiosas. naquclla contidos.
E recoiihecendo coni & ~ A X Z ~ (2)N I e PUOLIA (3),
contra Tçozzr (4); Trrc>nrAizISLVES JL~XIOB (5:):COSTA- 20.O priincirn clcuicnto C Ç F C ~ ~do H I -, a
C ~furto
RELU (6)> a impossibilidade da con~pz.raq%o,em forqa physica subjectiva nu elemerito material do
complexo, d;ls diversas iicsqUes dr~fiirt«, pela liete- ;rime, coiiiu se cxpriiueni os crillii~iitlistas~iioder-
rogeneidade dos seus elenieiitos coiisiiiutivos! con- nos, e que os romanos tradiiziam, como viinos, na
yaIa,vra ccrrat,;eciufio, nBo terri, nas moderiias le-
rado : Rooc~s, T r a i t i dr: droit ciril co?,q,aré, Paris (Che- gislac;ões, uma desigilaçtio exclusiva.
v:ilirr-Marcscq, Picholi)! 1900, pagg. 6 e 7 ; L a x u e ~ La ~, Descnnliecendo os dois iiioinantos que a lloqe,~
fonction d7~droit cicil comp11~6,.Paris [Cliard et Erière),
roinatia cricerrti, frei olienno npprehensio c uv~atiode
1903, pagg. R 15 r; 892 e scgg. ; 7-TUAT,,(,"ov,i.s de d ~ o i l
cviiizinel cit., pagg. 72 e 73; RAFAKLALTAMIRA, kzforia loco od iocum) (8, rim diiplo grupo de Iegislaqões
de1 derecho espariol, Madrid (Victoriaiio Suaree), 1903, pag. reduz ;L siil~st,i~.ncialid~dcobjc jcctiv:l do crime de furto
49 o eegg.
(1) Exeett~ão~~~~~ateri-itoi-ia1 dcts sti~tciigasciceis e Ç G ~ F E - (1) A nocio do furto falta no eodigo penal rla Diuamarca
merciaes, Cuirribra (Fraii<;ailmadu), 1993, pag. 64. (Aliilinrlelig borgediy Ntvafeloig, de li) de fevereiro de
(21 Il\.atfaio d e i f u ~ , f ocit., Parte seconda, vol. secondo, 1%6: oap. 23-26 (Tj~tieri og Nan); na lei penal sueca
seziorie tiriliia, pag. S. (Strafebgj cle 16 dr fevereiim de 1864; cap. xxrI; no
(3) Dtlitti coiztrrc Eu propriefà cit., pag. 41. codigo perisl sardo, de 1859; artt. ú96.0-639.0; na lei cri-
(4)I reati cmitro gEi atie1.i cit., pag 91 e aegg. minal de Hongkmig, de 1860: cap. 34-38; no antigo co-
(5) An,nofoqi?cs :.sfHooi.icns e prirticrrs oo eudigo c~inilirrrl, digo peusl napolitano; artt. 2107.u-460.U;Vid. Janz~sFITZ-
Rio de Janeiro (B. L. Garuier), 1333, t. ]:I, pag. 625 e ?r
Jama Sru~asa,d d i g ~ ~ t IJIQ çrinrir~,~ZZIW, LOII~OII
segg . (iilacmillaiu ;liicl Cw, 1883, third cditioii, p:.;.. 5 c: szgg,;
(Gj DeE furto, sfz~diodcElr legislacioni etrt.vp6e cu~nyarate T T m Li& uvd Cvitst-n, Dle Slrufgsse!zgeZ?~~rgcit., I Bnnrl,
a2 coáice del regno d'ltalin, C A T A X ~ A1870,
, pag. 161 i: pngg. 207 e 244; 11, Bana. pagg. 3:34-33s.
(2) RELIE, Thkor.ic d ~ codc
i ysiirrl cit., n.&2163.
Cap I- O jurto no ccotuçZn histoi-iea c m~legislação comparado 93

a cada uni cl?iiqiiellcd eletiieiitiis: f:izõadr> coiricidir


Xt~~c~fgssst~burl~. filic~1??61~eche~ WL%T7(?~yehan1!01i2 2.9.
o momento da s-I c i i n s u n l r n a ~ ?já~ ~ com
. a arnotio, IPI~i15';s): $ 333 ; o da Bulgaria, de 2 de fevereiro
com a siniplea niridailra alo logar da, coiisn: jA coin
de 1896 : $ 3 13 ;o hespanhol jCodigo2je~snl de E s -
a p u r a rei appi.e/zensío (1). pnBn, 18 de ,Ti~izio1876): art. 530.", n." ; o de
Ao primeiro grupo respeitairi o codigo peilal
Berne {i;f~aiieacf:bi!chfiir den ICnnfo7~Bci-n 0002 30.
austriaoo (f<r~serlirhcsPnte?i,t vcim 27. -$f<ti1852): Janz~nr18661): 2 0 9 ; o de Tiirgovia (h'frajie.sebbzach
5
5 171-1S9 1 u dc Friliuigo jPocZep<nal d~i.C'untmi~ fkr de72 hí~nfu~z. f l m i y a z ~~ v i10. 1868,
i ~ F~ÕI-LL~LP.
de F/-~~O.LL'IYJ f 874): liv. 111; tit. IX,
~ l i h1.ei. ja.~zt>ie;~
I í r ~ f ' t g e t r e f e n13. Jfai í866): $ 136 ; o de Glaris
a r t . 230.9 o de ScliaElia.risen fiSf~-ufiesetz.ft:i~-
den -(rSti.nfie$"t-"iurl~.~rh fiir d s n K(~:L~U?L GZQI.I(,S,
18 67) :
hlnntouz iSchcc#Bzrse~z c o m 3. ilpr21 2852): $ 209; o $5 129-133 ; n projcetu do codigo pe~ialdos E s B -
vorn 29. TVinter-
de T,iicei.iia jK~~irniizctZstiuij~e~ete~z dos Unidos (Y'exnE C'orlz o f fhe United States, 15.
,moont 1N60j: 5 1 9 1; o d e O b e i ~ ~ s . l ù (IC~iminab-
en
mcq IDOlj; o c,odigo hollandês (TVetboek van Stra-
trafgesch fU7.d m rcimfon DTiife7-zoc~lduz ob clem Wnld, fiecht, 3 . ~íiurz1881): a r t . 310.'; o d e Vaud (Cocle
zom 20. bFc'ei,aincinc~t7864): $ $ 99-104. Yinnl c l ~ c Cantofi de Táu.d, udopté par le &c<?id
-40 segundo, o eodigo peni~lda Columl-iiii (fidiyo C'or~seilla 18. Fdvi'ier 28dji): art. 269.' (1.).
peiznl de Ia iiepubliccc de C'olombia,,f 8 uctuh~zl:1890) :
art. 792.";o alleinão (Das Deutsche StraJqesetzbz~ch,
a
doutrina, ex;iggr.radanierite f(,i.ninlista: tizdu-
zidn nas 1egial~qOej:clus dois griipos indicados? eoii-
5
i. Jmzunr í 8 i i ) : 242; o hungaro ( I k . 3 ~c~z,q29~lriscJle trapõe-se a da c~blulio,porveiitnra excessivamente

(1) ~ I A Y U N ( ' T~ ~, a l h t oiEal fwrto (iit., y . ir, t. 11, pag.


(L) SEFYOURDARRIS(Pi.i~lei$iid i d;ritta e ~ P O C E ~ ~ L ? ' ~
8) dishiugue rias 1egisl:i~õt.spcriars tres critci-ios si~bstan-
penul e iriglese cjt., pag. 138) define o furto (lareeny) eni
ciaes qiianto ao ar:to material constitutivo do furto: ncri-
face da IegislaçXo ingl&sa: «l'iinpcesrssaiuento~voliintaria-
terio de1 sotrarre, d r l toglipre e dell'imposeessan~i.nto~,
mente iogiusto o frodolento, dei beni di altro, c ~ n 1% cri-
qiie Pu~.,I~TA (ídcltttf conbru 1iropr;rtii cit., pzlgg, 43 P 44)
minosa intcnzionr: di toglimne a gi~r-stoIa proprietAii. Com-
rcdi~ano li]-iineiro e ultiiiio. Xcnhirm dos systetuns corres- nlrntando a lvgiafa$~ irig1i:ea sol>rt. t i furto, (lia S~IIPTZ
poriiic porem Q diversid:ide legislativa. A ~ \ ~ Juslun as (An-
(al~udDif Sf~nfiiesetzge6?il>gcit., t. I, png. 659) qria iikein
liotc4;Zes cit., pag. 630) ~iot:r.a rliIt'crenpn. de expressões-
Teil des inglischen Stiafreclt hefi!ici~tsich in eirriein so
siibtrahir, :iporirr:tr, tomar, desviar, tirar, nas 14s q u e
chaotieclien Znstande rr-ii! die Bestirnmungsn ubei Diebstahi
enumera, sem, todavia, tentar o agrupamento Cestas. und Unteischlaguiig. . . 1).
Ccip. I - Cifi6~toiza E F O I U ~ ?.!1istoricn
~ e na Zegialagbo comparada 95

exigente, seguida por um terceiro grupo dc lrgis- Entre estes criterios extreinos, collocam-se as
lações: eili Iogar da aiiliplee remoção da consa, exi- leg.isl:r<;Ges q u e corliprehs~ideiliuseu1 uni yiiarto e
ge-se yae esta passe absolutamente para. ilrria, es- ultimo grupo. Se nzo bastava a. simples anzotio ou
phera diversa, dc actividade patrimonial. T a l o a mera cippvhe7~si0,ri,?o seria, purc-eritura, neces-
criterio accentuadameate iolii?rriiç;tri,qnt:, por via sario chegar ao cxaggei40cmpirico do criterio da .
da cxpressCu -subtracrj.ãu tla çouscr, foi ~ e g n i d opclo subtracção: e cl'alii o criterio iiileruiedio yiie se
codigo francês de 12 clefevereiro cle 1810, art. 379."; ndo~->toii,considernildo-sc como elemerito indispeii-
pelo do Hahti {Codgpinal ct ç~tdede inslruchitcil~cri- savel, mas siiflicieiite, para iiitegiar a subsistencia
~ninelle,l i uGut 1835): art. 324."; pelo do canta0 do ciinie do ftirto a vioIaç2o da posse, tradi~zida
de Valais (Code pénal du Cmaton de P70C/;?17ais; 26 n a niudança do logar d a cousa.
nlai Ih'S8j: art. 187." ;i,ulo belga jCudt?p6nal Iiol,ge, Naquella violaçZo reside o momento essencial
d u 8 juin 1867): art. 461." pelo do Equador jCyo- du furlo; e, para que l i i l s~icccda.,
basta que a eouss,
digo p & n d de 1(7. Rcpi~blicadel .Fcmarlus. de 6 d e i + com acto de doniinio, seja subtraliida á esphera de
nho de I 8 7 3 e 9 de setenzbro de l189üj: art. 497."; actividade ~ntrinirini:il do possiiidor. Assim o co-
de Genebra (C'ocle 2iAnal du Cn?iton d~ GenBw clu digo pcnai do cautiio dos Grisões (St~af>esetzbz!ch
21 odcibrc 1874); art. 31 6.'; do J a l ~ ã o(Code yénal Jiir deiz h 7~7ztriizI+raubiindcn mit Abschied ?)om 8.
(Icei-ho) prontulyué par b decrtif n . O 36 le 7.e ,inois Jrli 18:jl): ari.. 151.': ii lei yerii~ldo canta0 d e Ar-
de b 13.eawibe de ~ i e i g(1;4R~i),frndzlc~ion
i oflcielle): guvin (Teinlichos Strcc~'gesetz*fi~rdsn h7mton i l n r -
art. 366.'; pelo argentino, (Códiyo penal de la Ré- ynu~.i:cnz 11. .H;Jr)~lcr~g 5
1H;iÍj: 118.'; u codigo dc
yublictx. A,iye?i.tinu, snnccio?zado por Ir.y d ~ co?yreso l Tecino (C'ocllce penale delEa Repiliiub?ica e Cantone dei
ed 25 nociemli~qede 1856;):art.. 193.": de NeufchâteI 'I%cino, 25 gennitio ISi,?): art. 359."; o da Iridia
r.t CICi"11to?/.de LV-etdchd-
(C'odc ~ h ? l adel 10 Ilrj~j.ilhli!irj?.ie ingIesa (fndian penal code í85(i1: ij 378."; o do
tez, du. 12$cr,ler. 1831): art. 360.'; pelo brãsilciro Mexico /Codigo penal mexicnnn, '7 de diciembrc? da
(Codiyo pe.)aal dos Estados Unidos do Brsial, 11 de 1871j: art. 368.:; o da Ruaaia jiS'trc~fyesetzbzich,f'ii~
de ozrtubro de 18.90): w t . 330.": tle Zuiicli (;Str.crf- Rzcsslrnnd, Anyrife azrf dic Ftrnibgm~sordnz~ng; En-
yesefzb.rch J%Y den Iianton Zurich, 8. Junuar 1871): t~~:urfd<rs),
fiedaktioru kciw~.~t~Wsio~~,
18;4!5): art. 1644,';
5 1.62."; o d o lirago:iy (T,;d:(I(iP h ~ c l lde lu Repu- o do Cariadit (Cri>riivc.al r:u(le, 1892): art. 303."; o
blica O~ientalde1 17ru9'~la?y,de 17 de Enero 188.9): da, Noruega (AZmiaclelig boiyerlig Stl-afclov qf 22
ari;. 369." mai 1902): $ 257."
Ancentnandn qiie n e m senipic as legislaçCica ne- a s legisIaç6es a mc~bilidaded a cousa jl),
r~ucccoilstit~ic o objecto d o furto j
guem uni ciiteiio exclusivo (11, que, por vezes, se
2."-que, Aparte o codigo p e n a l do J a p ã o de
confiindc, n a doiltrinn, o segiiiido e q u a r t o crit,e-
rios (2j, q u e , d e n t r o d e c a d a g r u p o do legisliições,
1860 [nrt. 37l.':j, « d v Brasil de 11 de
n ã o se observa. absoluta identidade d e terminolo- oiitiibro de 1890 (art. 333.') e o proje-

gia ( 5 ) ) c qiic, corno u b s c r ~ aManz~sr(1)! s e p w cto federal suisso de rilar.(;o d e 1896


sume, e m dados casos, a contl.ectatio (51, riutareinos, (art. 72."), se exclue da noçso do furto
uir~clu, Giniiio B ruaterialiditde do eriine d e furto: o j i t ~ % / ~ spos.;fij.~iix~i.s
nz (2): cunseq iieticia
d o principio eommuin a todas as o u t r a s
I.? - q u e , iniplicita oti expressametite, e, n e s t e legislaç6esl de q u e a cousa, objecto do

ultinio caso! ainda em r d c r e n c i a gonc-


rica o11 especificadamente (6): exigem
(1) O cudigo penal d;i Noruega Í $237.') rtisp3t: ~ L I Eirna
supi.e~&o bens mtivcis se cornprcliende tqda a energia
produzida ou accniilulada, apta a dar 1112, calor ou mori-
(1) Assim, o codigo penal do canti'o de P'ribiirgo que mentou.
poderia, porventura, ser incluido no segundo e tcrcoiro (2) Como o codigo do Jlexico de ? de dezembro de
grupo; a o codigo penal do Uruguay, q11mién1 do terceiro, 1871 (urt. 369.7 e de Nr~ifcliàteide I2 de fevereiro de
poderia ser coinprehendido no quarto grupo.
(2) Vid. Pfissxaa, Elemati cit., t. 11; pag. 207. asuiiuils ao criine de fiirto a siibtracp?~de coiisa perten-
(3) Emprc.g:rm-se, por reaer, esprciuliuerite nas 1egi;isla- cente ai) aiu!tcir di; furto c(ist:lriJu ell:t r,in peiikior ou da-
çces do terceiro grapo, as palavias: fraudulentauienti, poGtto eui podei de algiiernv, oii a sua destriiiçio ou deu-
clunrlestinairie~itt.( o codigo ítu HuiLi ch~irtgu,siriiultaiie~i- cnmiiiho «e~tniidc~ pen1iorad.l ou depositiidn cm seu poder
mente, os dois adverbios), conscientemeiite, illicitamente. por ruandado da ,justican. A primeira das Iiypotlieses re-
(4) 'I7~rsttatode1 fwrto cit.: parte 11, vol. r i , pag. 13. feridas ciinstitric crime $14): g~ne~.L? no codigo pcnal allcrnlio
(5) Vid. codigo penal do Cliiir, rle 1 2 de noreiubro de de 1 de janeiro de 1571 1:s 281r.O) e no da Noruega de 22
1874 ( n i t . 464.L); Ipi criminal dt: Malta, de 30 de janeiro de iiiriio de 1902 ($ 280."). Qiinnto ao bfi~r.t7/.~i>. II,.S?LR, que,

de 1854 (art. 2TO.O). no direito roinano, nos apliarece sempre associado ao $ir-
tum p o s s e s s i ~ n k , v3ja-rje o codigo ~ S I I R I aliem80 ('$ 299.")
(6) O i:odigo ~ ~ e nd:ia l 7)iiiaiiiarra pr.ere, iio 5 334.O, hy-
e P a ~ r ~ a ~ o Btiadis r , soi2i.n k i ilclitto d; f~sr40 cit., p:rgg.
potheses particulares do furto. Via., tariibim, codigo penal
russo, :irt. 1644."
168-172 e nota 17 a p3g. 168.
G
furto, n5.o deve constitirir perteiiqa do nioinento da tentativa pnnicel varia segundo os
auctor d'este (1); afhra, pa,rn algnns co- criterios iiidicados; e , ii5o confi;lrido, porvcntura,
cIigos(Z), a liypot,hese da sua cumpro- na appIieaçâo iil tentativa de furto das regras ge-
priedade na consa; raes sobre O CO?ILLI.II:: e v rriri~lt-l..;~.e.rilutus,
li7'ori??~u~
3."ique, exceptnado o codigo penal allemão vieram alguns codigi~s íiiseiplinar especialmente
(5 291."): todas as 1cgiulai;Ges excliiem do ayuella figtira c~iiiiii?usa.Assliri: ao lado do cridigo
fiirto as res ~ t c h í i i t s(3). 11e1ml fraricêa, que equipara a tentativa de furto a o
f ~ i r t o consiimnia.clo iartt. 379."-40 1 ."), declai.ãm
Nâu ohstante infracçSio n~ato~*ial,
o E~ilto não aSiiella punivel o oodigo belga (art. 466.'), o do
ileeeesita, para n sim coneummaqRo, d e nin evcrito Haiti (art. 330.")o japoiiêe jart. 375.'), e o proje-
coilsecirtivo á acçso subjectiva. que egectira- cto do codigo russo de 1888 (art. 250.') (1).
mentc viole o direito de propriedade (4). Mas o F: clc notar k ainda o regimen da tentativa em
materia de furto violerito, limitaiido-se algiins co-
(I) Simplesuiente, se nota a diveraidatle da firriiula em- digos, ci>rrio o da Finlnndin cie 1889 jçap. XXXI), a
pregada: ecoiis:~ que n5o pcitenqa ao ladrâoii; .causa declaral-a punivel, dispondo antros: como o portu-
aIlleia9, acousa pertencente a V L I ~ I . ~ I Ü DU ,C O I I S ~d'outrrmn. '5
guês (ark. 434,". 2.7, yiie ellzi. ser5 piiriid;r. corrio 0
(2) As cousas peileiicentes e m parts ao agente do fiirto crime consummado com cii.c~imstniiciasa.ttcnnan-
podem constitiiir objecto deste crime no codigo da Dina- tes, e dec,lararido niitriis, cirini o c3eT;aiirl (art. 275?),
marca (art. 310.O), do Brasil jart. B34.@j7da Noruega
que ella 8 punida como o çrinic eoriauilirur~do,
(9 257.";1.
i 3 j Citiindo HARRIS,aniriua MAKZINI( l i u r t a t o d e l i ; ~ r f o
quando as violeneins foinin effecti\-xmente exerci-
cit., p. n, t. 11, pag. P3) que a com.ilion l a ~ ciliglêaa adinitte das C o ~ t r iLd i ~ pcssoae.
o fiivta de algiirnas cousas ntlllias. Certo é, porhrn, qiie
nada se encontra naquelle aiictor qiic atictliiize tal concfu- 21. Ilul~ttivaiiicilte ao factor psychologiçv do
são. Vid. STEPHLK, Digest qf the Ci-i~ninnELcur, Londnn, fi~rto,ao elemei-ito intencional especifico, indicado
1887, pag. 181. ria defirii<;%ode FALLLS pela erpress%o dolo r~~trlo,
(4) Assim o entendeu o codigo mexicano, qne expresaa-
mente declara eqiie o furto considera-se ço~ieuiliiuado...
u i ~ i dque
~ a cotlsa eeja tirada ao ladrão antes de a ter re- (I) Ireste caso, ta~ulreiii,o d i g o panal portugiiêe, art.
movido para oiitio lagar ou de a ter. abandonadoe. .iPI.", $ 1."
trectutici iniplicitanieilte roinprelienderia (1) ; oii, se-
dcconipol-o-Iieni«s. para que rriaia couiplcta rcstilte guindo unia viu ititeriiiedia, coriserra-se n rcfcreii-
a nossa indagq;io legislativa, nas dois elementos cia Lqnelle elemento differencial, alargando, toda-
quc elle ctbrange: a iiitçnq%u dç ~ornuicttcro forto via. c o n e i d ? r a ~ ~ e i l l ~L: ~aiia
l ~ t Iatitude
e~ (2). Corii cota
no agente d a ctsnr~ertatioe a falta de conseiltimento snlilc;ão, diz G a n ~ i c n(S), o nierci yroveito pecrinia-
persoki cujo direito 6 violtido. rio deixa de coilstitnir, como defenderam alguns
Qiianto ao primeiro eleiiiento, ao ani,rzus lucri dos iiitcrpretes do direito romano, ,L cseencia mesma
*facie)~dida defini$% voinxiin, qiie. diga-se de pas- d'esta inteiiq%o. Á falta d , consentimento do pro-
sagem, a lei sempre presiimc (l),uma triplice di- prietario da coixso, c*ai.acter communi ao frirto e aos
recqao desde logo se nos depara nas legislações: outros crimes contra a propiied:irlc. alludem es-
ou se lua1it6m, u» seu wtreito alcaricc, :i exprcss:Io pressainenle o ccdigo ~icricil toscano (art. 374."),
tradicioilal, o que, com expressão r &ria,se observa
em bem pouco niiriierosns legislaç6es (2); oii, iom-
pendo em absoluto com afolmula classiea, sc omittc (1) Assini os codigos: francGs (art. 3i!).0), hdga jai't.
a referencia ao dolo especifico do furto, que a eon- 461.'), rriexic.ano jnrt. 368.'!, da Republica Argentiua (art.
lSS."j, do cantko de Genebra (art. 3IF.\:, do Neiifchâtel
(art. 360.Sj, jayuiiba i(:iit. 366.@), do Canacli (art. 303.O).
(2) Apparece-nos a fórmula .I.»fie~içZo de cyioyi~iar-sei10
(1) Expr,eesaiiieiite, o c,odigo penal da Çulombia. declara codigo penal de Frihiirgo (art. 2330.0~,1iullandi.s jart. 310.9,
(art. 792.0) que ,,a iutençio de appropriar a cousa se rire- do 1l:qnadoi. (;trt 497.*:1, de Xrii.ich (E; lti9.")?alleiuiio (5
siime ntii prova em contrarios. 249.'), hungaro 5 333.'), projecto do codigo ponnl italiano
c2) Empregam a fórrnala oiiinio dc lucro os codigos: de 15 de abril de 18'iO, codigo do riintzo de Argovia
hespanhot (art. 5CiO.O); tosça~iu (,irt. :374.''1, du caritãu do (§ 1iS."~de Rchatt'haiis.iii (s
209.'): de Tiirgovia ( 5 IR6.'),
Tecino (art. 559.") e núriiegiiêr; ($ OB$.?j; a plirase para da Riilgnria <$ 313.01, de P:ind íait. 1S7."j. Como é facil de
flrur ync,:ito f~si;idiiptacl;i pt.1;~t:r~diguaiisti.is(tu (3 171.": ver, a maior parte das Jegislaç6es moderrias ligoli se, na
pelo projecto do coiligu italiane da 1970 e pelo3 prcjectos indicasao do fii11 do delinqiieiite, i rlefini@o dada por Pau-
de Zu~iurilrlliI%I882 r: 1 bdlí), dt: Suvc:lli e c3<: Pessina; a LU^, no Con~,,ilr!ntarirrs ar? Edicf~tm,emqiianto as Irgirita-
expressso «p~.oz.t.ital.-sevê-se no codigo cle Krlig~iay(art. ~ õ e sque iSepresentarn a segunda direcq%o indicada, 3egui-
369.'). C'uhzreuteirieritr corri :i fiiriliulu ado;itad;~, o ~oiligo ritm a drfinipi20 rlas l~is-titutio?~es .Tiirtir~iariF.
da Noriiega uão reconhece o eleme~itoobjectivo da impu- (3j T k t i théorig~ceet p l w t i ~ l ~drt
e druit pé~zal f t . ~ l t y / t i s
tabilidade na appropriayfo de pi~ocltictosiiatoraes de valor cit., t. v, pau" 408.
diinilluto.
102 Dn .?>*rto
-
.. .--
. -

h e s ~ a n l i o l(art. 530.9, huilgaro ( $ 34G.q1 do raii- de uma siibtracçã,~de objectou de primeira neces-
tko do T e a n o (art. 339."), brasileiro (art. 330.'), sidade pode scr cori3iderado pclos tribuna?$ como
mexicailo (art. 368.") e tndos os projectos do co- um motiva de irresporisnbilidade penal Eo delin-
digo peiinl Etaliaiio. Ma6 x oniiss5o nos deiriais co- yucnten ; etc. (I).
digos é justificada, j$ que, coriccirrúndo a rontade I? devemos ainda notar qiie os effeitos do dolo
do proprietxiio. nRo pode a appropriação das coii- especifico do furto poclern ser niodificados por u m
sas a este partericciltcs cunstitt~irf.icto crimiiiosn. evento posterior, como a restitiiiqão do objecto do
E 8 ellu certamente preferivel á forinnla -srm o furto ou a inclemnização do darnno que. afóra o pro-
conse»tinz~nfotZo p ~ ~ ~ z l i d o qiip,
i , , C O I ~eridente iin- jecto riisso de 1588 jart. 25.") e a lei iilg10sa. con-
perfeição technica., nos apparecc 110s cocligos no- duzem: ou á. eliininapiio da pena (codigo do Teci-
riieg:-14s ($ 255.") e aaustr~acn($ í 7 1 . 3 (1). no, urt. 368.'; de SeuichdteI, ait. 86,@;~ ~ u s t r i a c o ,
&Ias, riecessario 4 ter em coric;irleraq2o as espe- 3 187."), ori B sua diniinniç8o orr rediirç8o, scgui~do
cialidades que, no campo legislativo, apreseifia o varias coi~dicões concretas (codigo de Vaud. art.
elemento intericioainl do frirto: bastari inclicnr a 307.": do 3Sexie0, ait. 376.',1, o a sóii~cntoS sua re-
respeitnnte nos furtos d-etcrminnctos pela neceasi- 5
ducqãn (codigo de S u r g o ~ i a , 147."; do Japão,
dade - a nlales~~udu fio~zeslcircurilstailcia que, em- art. 86."; do Chile. art. 456.')(2).
bora prevista lia. part.e geral de cii~a,sii.otlos os oo-
digos, apparece regulada, com refereticia escliisiva 22. A peiin do furto nas actuaes legislações 8,
a,o crime de fiii.to, no codígo fie~panhoI(art. 531.', em regra, a de pris%o(3). Mas, para a gradoaqno
n." 5.O)!, qite commina o rninimo da pena ao crime
de fiirtii inferior a vinte peestas; no da Turgovia (1)Vid. Caassarx, La r e s p n ~ a b i l i t épinccl eb I'eafrSme

(' 146.9, que o aoiieidera como contrareilç50; izo Paris, 1900, pag. 22. Vid.
.~i~isere, tnmbern codigo penal
allemzo [$ 3C0.0;, austriaco de 1852 ($§ 46 f e 264 f j,
projecto fraiic&s de 1 6 de mar.Co de 1900, se-
cl~ilenode 1855 (8 2.@,n ~ t 10.",
. e tulgaro de 1896
11.' i'.")
gunclo o qual ao caso de estreiria miseria do auctor (art. 46.O).
--
(2) Circrimstanria especifica quò em alguns oodigos (de
(l'i Vid. ~ ~ L I Idelitti
A , c o s t ~ ola piopiiefd cit., pagg. Zuricrh, 170."; do Uruguay, art. 377.') leva, egualmente,
48-50; RXANZIXI, T ~ u l l a f ocJrlj"c<do ~ i t . ,Y . T I , t. TI, p g . A diminuipZo da pena, C a do furto entre conjngeu.
13 e segg. ; YOHLISZE,Die i V t ~ . u f g e s ~ t í g ~ bcit., ~ ~ ) ~t.g I, (3) A ~ ! T I inortt':!
~ C appli~a7'el ao fi~i.tonasleis penaes
XII, 111, $j 9, sec. n r , n.O 1: a. da Belgiea, Bulgaria, IIespaiilia, Meuieo, Servia, etc., foi
reneial do furto e do roubo. Siniplesmente, corno belga (:irt. 475.*), j;ipon&s (art. 380.'), Iieapitnhol
gradiiaq,%o (1:) iiiteiisiilade çriniinosa do frtvtu, ut- (ai*. jlfi.", n." I."];
tendem ás ciieurnstanciaa quc podciu acompanhar C,~I de leste6 peasoacs (Acerca das quaes azo oinis-
aquella, dando-se. pois, uma qiiaIifieaç%odentro da aos c)s codigos da Finlandja, Italict, E i i t i e Uru-
propl ia violenvi;~. Esta qri;~lific:at;$o (dcpred/r:ionc gmy) graves jl), .i:iolar$io (codigo penal jayoubs,
pz~ali+<rfr<ou ,yv~sinziono.n o codig o pei-ial italiano), art. 380."; portugiiês, n,rt. 43'i.Oj: restricqão da li-
que, aliâs, nem i36 da violencia deiiva (l), póde, berdade pcssoal (eodigo peual do cnntso dc Teci-
quanto a, esta, resultar: no, art. ,772.'' e; do Urligi~ay,art. 373.'; portn-
a) da eir~umstanciado hurnicidiu. çouítzinirnado p ê s , art,. 434.');
oii tentado, rliie iliiplicn a nggrnvaç8o da pena, c) d : ~O ~ ~ C L I ~ I S ~ Rda
I ~ reuriião
C~R de di-las o11 mais
desde n iriiriitna -pris8o cellular por oito annos, p e s s ~ a s por
, si~ilpIesaecordo on c:oiistitiiindo usso-
consignada ilo codigo portllgllhs (ait. 433.") ciaqão pj jpoirenturn s6 aB.o prevista no codigo
até á de morte, prescriptn, entre outros, no codigo da Ilungria e no projecto do c,ndigo para os Esta-
dos Unidos, de 1901). circn~netaiiciaque, por ve-
zcs, appa,rece combinada com (iutriis (codigo penal
gaui ROS beris a ameasa do ma1 provenieiite da oioleneia
psjycliics, liinitam a siia ~ a r i c $ X o áameaça de psrigo para liespanhol, art. 517.' ; belga,, zirt. 371." ; fi-nncês,
a pessoa, on codigos da Genebra (art. 319.0), allem8o (8 art. 382.': portugiiês, art. 431." 1.') : 5
249.Oj, 1iollnridê.s (art. 313.O), de Yei~fchLtnl(ar%.372.O). do porte de arnias, appareritei; nu oçcul tas -
cirçuin~tailciaque, eiii algii~iscodigos, appareee
«suspensio da voiitade iiiedisnte o emprego de substancias corribinacla enm ciiitras [franr:$~c,art. 381.'; hespa-
iiarcnticns OII outras, que teriliur'l por rt-si~ltarloa privaçlo
nhi~l,ait. 514."; pryecto rio cocligu russo de 15'88,
d o ixso doa s c ~ t i d o ~: sassim, o codiçn periiil c10 JayiBo ds
1880 íart. .?B3.'), projecto fcderal suisso de I896 (art. 76."),
o c011iga da IIungria de 1874 (5 34(L0j,o de Ne~ifcEiPtalde
1891 !SI%. 373,'j. (1'1LIgravidade da lesão ubo é exigida no codigo fran-
(11 Tid., por eseiuplo, o codigo peiial chileiio que, no cés iart. 3SZ.Oj t! liespanhol (art. 51C;.O, ii."' 2.', 3 . O e 4.').
31%. 436.", atte~id~ :i0 valor (:orno criterio para graduar a (S) São de iiotar, quanto A 'cpresslo das formas espe-
penaliiIn(1í~.Qii:into Q a~gravanteesj>ecial da recidiva, riues dr furto violeiito par ass,ciriacilo, 0 coiligo petial da
veja-se o nodigo pcinal allemdo (g 230.'j, da Noruega (5 Indiii IngtSsa (art. 335,"j e o da Servia ($9 244." 234."),
26,3.'), etc. relativameiite As ausocia~ijesdos Dac~iLtye Aiduechi.
art. 25."; belga, a.rt. 47 I ."; poi.tugu&s, art. 434.',
cumstan~iasreferentes ao valor e á. qualidade d s
5 I.");
cousn (quaritidade i~aturaldo furto) e 6 1)Pssoa. ao
e ) da ~ircilui~tilr1t:ii~ de ser c:olriiriettido o roi1130
tcrnpo, ao logar c ao modo dc ~xecnqBodo fui to
eni praças priblicas, estraclits, i3,lto inar? caminho de
(yuaniidade politics do furto).
ferro (codigo penal rillerri3o, 5 250.', mi.' 3.'; pro-
jecto s~iissode 1896, art. 76.") (1); a) C!rite~iodo ecllol*.-Ao contrario dos codigos
* f ) CIA simt11:~~ãu de oideiis e qualidndes oEciaes penacs fraiicds (art. 801.")e belga (:irt. 363."), que
(cricligij penal bclgii.: ait. 470.'; hullarirli!~,a p t . 312.", n%otem en3 corisidern~%oa q~~iianf.idede o1)jectiva
u." 3."; iirin~egiiês,5 26'1." 7l.O 4.L). dos c,rirnea coiitra a pi.oyi~.iedade,e, por consequen-
Quanto ao hirto com vicilcncia. riao cia, o valor do 01-jjecto do furto, as restaiite~Iegis-
ou simples, se assim rios poderrios expriniir, limita,r- laFCes attcndem ao ciiterio do valor para a. medida
nos-hemos a notar que, Aparte os codigos que pro- d a quantidade riat,ural do furto. )Ias, ao p ~ s s oque
curam rlefinil-o ein hnrnionia com os criterios sc- algiina c:odigos estabelecem um systerri:b de e r s c t n
giiidos pri,ia x rlet~ri~iiri:tçSodo r1610 especifico do gr;idilaçiio, segiiiido o qual: A medida y iie augmenta
furto (ani~>zin..c Ilicri f a c i e ~ r l i : cfidign cliileiio, art. o valor cio objecto du fuito, augnieritn, em uma re-
432."; llesl)ai~hril:art. 515.'; noritegiiês, 267." ; gra de proporqão crescenie, a peria de fiirtci (1); ou-
i.nt~z$o cle apyi~opi-iu;cioilliriin; riuetriaco, 5 1 9 O."; trospcicm de. parte ;~q~~ell;i.gradriaçSo e: fixalido iim
hringaro de 1878, $ 344.7 alleingo de 1 8 7 1 , 5 249.7: determinado vali-ir artiiigivel pelo furto, est:ibelci:eni
as 1çgisjaçGcs yresrippõeni a nuq2u clo furto, cunri-
unia diversa peilalidade para os mime> eigo abjecto
dcrando a violoncia uma qnaIificaq5o d'aquelle. fica áqiiem ori iilti*apasl;aayuella liiiha divieririà (2j;

24. Rest;i.-i~osfa.1I;i.rclo f i i ~ t onioililicado por cii-


ciinistaiic:i:is que iiso cionstitiiein violc~icia.N3,o im- (1) Segiierii i,af.e syateina: u codigci yt.nal li;-spanliol
plicam eniprego d'este p n c e s s o criniinoso a,s cir- (arl. 531.7, hr.nsileiro jait. 3:;0.3;), I ~ I B S ~ C B ('art,
~O 376.9,
ckiileriu (nrt,. GB.", n." 1."): p~rtiig~iâs (srt. 42L.O, u.'' 1."
a 1.:).
Neste caso, as rodigos: nnrdo (urt. 606,'), aii~tria~o
(1) G I ~ hxniifi
. SLHLY,LCCPii'atrrir, Paria íilithur
Roiihseau'!, 1902, pagg. 111- L42 ; JE~NYI:?! La P;rnte~-[e,
(C& 172.", 1'1'3.O e 17!i.Uj, hungarr) (s 331.'), de Turgiirja
($ 137.'jj de Vaiid (ortt. 270.0-9';3."j de ijcliaffhaiiscn
p.A ~.' I F(Artliiir ltonszeau): 190.3, pag. 1132 e segg.
( 5 210:), de Lucerna ( 5 2 1 2 , O j , de B+r~ie(9 210."), da
oiitros, emfim, seguindo um systema qiie representa E a, Iicterugcrieid;ide de iioi.iiias 1t.gislii.tivas riiianto
a conibiriacão ~ 1 0 3dois i l u t e r i o r e ~i~r ~ ~ ~ i l at égra-
n~ As circumstaricia.s inherentes h qualidade da consa,
duação proporcional sobre certa esralii de fraccin- qiie ii~flucrnsobre a iriipiitahi1irl:ide. d o firrto.
naiizeiito, e, repiridiizirido a distiriccião entre furto Porrii~erepresenta! simtiitaneaniente, vic~laçZodo
simples e qualificado, a que deti logar o systema direito de propriedade e offen~ndo seiitirnento +e-
a~nterioi.,abandonam e& rlistiiicçRo logo que o Iigioso, reprir~iiramas legislaçGes, com iiurrnas ri-
filrto ascenda a nlria sorrima. deteirninada (1). De- prosas, o furto sacrilego. $Tas unia de tres direcçoes
balde procurariainos, porkm, uniforniidade legisla- segue cada codigo : ou o furto 6 qualiGcado pela
tivn em qiialqiicr $estes hystenixs; bastiiri notar, simples circainstancia de ser corilmettiilo loco sacro
com referencia LZqi~ellíidistiricçAo. que, se, na deter- (codigo penal portitgaês, art. +126.', n.3 4.";codigo
niir~ac;:"todo valor qile niarca a traiisicão do f i ~ r t o do ca.iitào do Teeino, art. 365.' bj; ou se exige,
simples para o qiialific~iclo,os cucligos oscillam en- albm clu a.iiierior eirciin~staneia, a qilalidnde de
tre dez francos (codigo peilal de Neufchâtel de sacra IZCI resfirti-n [~odig-ipe11~1
~illeni&~),243.";lj;
1531, ait. 3Cifi." e begg.), e irezeriluù rablcis (codigu chileiio, art. 449."; portogii&s,ai.&.441.';; on, man-
penal russo, art. 26.'j, n a cieterminação do au- tcnclo-se a. primeira cirr?urnstancia, esteridc-su a
gmentn cle peilà n5o menores sxi? a s clirergericiae: qualificaç80 a cousas que nno revestem ayiiellaqria-
& pena de 11x1 anuo de prisEu, que, nas circumstrin- Iidadc jcodigo peilnl de Zuiicb, $ 163."; hiingoro,
cins dos n." 6.' e 7.' do ait. 426.', o codigo peiinl 5 336."](2).
portug~i&s curnuiirifi,pipa o furto c~ualificado,con-
trapiie-se a pena de morte do rodigo penal mexi- (1) Pela Carolinct bastava unia das duas circiirnstanciaç.
cano (artt. 376.' e '215.0. (2) Quanto ii legisla~lofrancdsa, deve notar-se que, em-
quanta pelas orden:inçns de 172-1 e 1127 era coiiiuinada
bj C?ritcrio dn gttalidcrde du causa.-KÃti menor a pcnx rl:, fogo para os IadrBsj sacrilegos, o codigo penal
de ISLO não mencitinciii fa; :iggi.nv:iritt, enlrarirlo o frirto
ssoriIago n:t riopiio corumuni do tiirto. d jurisprridencia
,\rg\nvtu 2arb. 119.':1, do HaFtí (art. 406.0j, ilc Xaiilcltâtel
suppria o silencio da lei, eq~ijpw~:ir~do, p a ~ aO Y effeitos da
(ait, 362.O, 18.Oj.
y~alifieaçHo,0 3 lugares consagracles aij cultc áa casas ha-
jlj Assim o oodígo iierial bulgaro {art. 134.'): torrcano
bitadas. E Yinterpretagzo
~ abiisiva rerrninoii com as mo-
(art. 3'77."1, a l p j çiiecn de 20 de jrinlio Je 1890 ($ a
dificayões Yda 1332 ao 3P5.O, alinca I.", do codigo penal.
lei servia de 17 de junho dc 1861.
Cap. I - O p ~ r t ona etiaizlgào Ristorica e na leg;sIaçio coinpavada 119

Talribem o furto dos anirnaes destinados i cultura, e n a lei liungara sobre econoniia c policia i.iira1
ao trabalho ag-ricola oii factores d e produc(;;o @os- j x ~ rdo anuo de 1804).
toricio) foi reprimido pela,s Iegislaçdcs corri s:~iicc;c'ies
espcciaes. Abandonado qriasi totalmcntc u criterio c) C,itei,iu da quulidude do auctur do furto. -As
tradicional da importnncia ou do numcro dos a ~ i i - qualidades pessuaes du iirictor do furto. que aggra-
nlaes sublr~liidos,prevalece, actnilln~eiite, eouio vam este, referein-se á p1riralid:~d~ de furtos - con-
qualificador, no systema do direito cunipsir:~cto,o d i ~ " iilbsc)luti~ou ielatira, ou á plui alidade de de-
criterio do logar. Assiin, o coiligo penal francês veres vicildclos pclo auctor do furto -relativa.
(art. 388.9, hollandês (art. 311.'j, da Bi~viorn(art. Quanto B pl~i~iilidadc de fiirtos, e abstrahiildo
218."), dinamarrlir@s($ ?29.",n." 1.9, ~iur~iegiiês de das l e g i ~ l ~ ~que,
~ õ ecouio
s ait;~liana,comprehendem
1904 ($ 2SS.", n."4.'). rricricauo de I871 (art. 351.', todos os criiiies lias disposiq6es gcracs sobre a
n." li), bra~ileiro(i~rt.331." 5 1."):de Neiifdiâtel, reincidencin, podemos destacar as legislações que
(art. 362.", 11.' 1.9). consideram a repressão da reincideneia em cada
Mas, além da especialidade do codigo penal da variedade do furto, das que, sem attender á varie-
Finlandia (c. 25, 5 2.", n.' li).?, que attende ao nn- dade de furtos, respeitam apenas ao facto da rein-
meio e qualidade dos aniniacr, prosciudirido, por çidcn~ia.eni geral.
completo, do logar do furto, mcrcee me~ic;aoo di- Entre as p~inieiras,referiremos especialmente a
reit.0 inglês tradicioi~al,qtie yuulilicoii como~fetelofi~, inglitsa (Lrnce~t,?! nct, 186 1, c. 96) ; relativamente As
por orna lei de 1861, os fcrae ,YL(IIIN.(L(:e clonlitae segundas, ilotaienios que, iiinas vezes, se attende
? z a t u . j 5da
~ ~legislsc;ko aiiterioi., piinindo com a pena s6 á primeira ieincidencia (codigo penal Iiolland&s
da deportaç,?~da trcs a qiiinze nnnos o aiictor do de 1881., art. 421."), oiitras S segiinda (codign pe-
furto de cnvalIrrst bois e carneiros. nal português, art. 421." $ 2.7 allemiio, F; 244.';
E, em ant,ithese com as disposições legislativas 5
aiistriaco? 170.O), oiitraa á segunda ou além d'esta
antecedentes, uin tratamento objectivamente privi- (codig-o penal Iiespanbol, art. 653.': n.' 3.'), outras
legiado os codigos estahelecein pnss o furto dc pro- ;L qualyiiçr grau de reincideneia (codigo pcriitl dit
ductos campestres, que 6 corisiderado simples con- 5
Ilina~narcade1866, 230." da Kor~iega,E; 265.3.
travenção no codigo penal franc6s jart. 475.', n.' Qnttrito A pluralidade de liessons! yuaIificaç%o
15.':: Iiespaiihol jart. 607."), ùnlgaro (art. 5214, ila expressti 11ii cjiiasi tcittilidade dos corligos, ~iotiwernos
lei nustriaca dc 3 de dezembro de 1552 (art. GO.'),
:i~xirticiiltiricl;i(lacle algiiinns legislapões que, iião em tempo de ciil~niitlade(incen dio, inttiidaç%o,uau-
especialnlcnte a necidei-italidaile da. re-
i.el~~.iiriii-rdo fragiu, trimiiltn, epidemia, etc.), prrblica fciidigo pe-
uni%,, exigem a circiiuistnncia dn nssociagAo orgoni- na.] fie Neiifciih,tr.I, a,rt. 3GS."; tlc) Jtip20 de 1880,
zada; assim, o cocligo pena.1 alleni%o (5 243.O), o art, Yui.'; ds Ilollarid:~.ide 1881, a.rt. 31 I.", n." S.'):
norriegiiSs ($ 259.'. n." i."). ou priblicfi nu piivadit (eodigo italis.no, art. 404.",
1iela.tiramente A ciscilnist:incia iiidicada e.rii 111- ri." 2."; auatri;~co,$ 174."; do iS~,rigii:iy,art. 3'i1.0,
timo Iogas, que abrange: pnrtieulai.rnente, o aiictor 17.O i?.*).
do furto domest,ic.o, Iiiiiitar-rios-hemos a indicar
a. te~idcncia das legisl:iqi7es, tl.,zdueirla rio rorligo i) C.r.itel-lo do lagar. - A vnrird:tde de condi~õoa
penal allernão, para excluir das circninstancias ag- e de nosultis ruIativas ao esiterio do loga,r deixa ver
grsvailt,es do furto n rlo abuso rle confiança domes- que: na generalidade doa casos, olIe n I o representa.
tica (i). seu.20 um conceito empirino e iiideterminado, abru-
$ando uni& rnult,iplicidade de elementos heteroge-
$1 C!Kte~i:odo ienipo. - Q~~alifica o furto : 1."a rieas, que si5 uma classifieaç%onmis seieutifica teria
circumstailcia de ser 11ratic:tdo de noite, oii qiia.ndo podido disciplinar convo11ieutement.e. Assim, e li-
esta circuinstancia irtiporte pi.e~uinpyAode perigo gnnrlo-nos apenas a . caracter
~ eutrinseco e acciden-
o i r aliirme publico (colljgo peria.1 austriaco, $5 r 73." tttl d o logar, notaremos que, ao ccintrario do cudigo
:1.176.> dobfexico, a.rt. 395,>lholIand&e,a.rt. Sll.'), petial mesicana jart. 38?.*:1, qire attazide ao ci-ite-
o t i quando faeilite a a c ç h criminosa {francês, xrt. i.iü ercl~isivodcl logar, esta circumstancin, corno
385.', n.' 1.'; allem%o,$ 2-13:, 11.' 7."; de Neiifch,S- ;i,ggraraiite da inipiit,abilirlacle do ailctor. c10 furto;
t e ] , art,. 362.n, n.' 8." de Fnrioh, 5 163.-; da 30- apparcce, eu). gcral, c»n*juugad coiu oiitras. Assim
ruega, 5 258.", n." S.") (2); 2."~ de ser co~iinettido a condição cio log,ir habitado (1)veni coniiesa A do

( ~ r t .371.', n.' 4,'";~, E POUCUB niais, a d e t e r m i u a ~ l ocon-


(I) de notar o rigor di, codigo penal do Uruguay, de
trata do tempo noctiiifno 6 deix;ida au juiz.
1689, que, no art. 371 ', declara que iiscia punido com
(1) A deterniina~ão d z yit por tal deva entender-se e
peiiiteiiciaria de 2 n 4 annos. . . : 2.G- o f ~ i r tcornmct-
~
feita, por meio de vardddeira dzscrip~%íiexp!icatir.;t, nos
tido aprovejtxndo-se cla hciliddde deiivada da3 relaç8es
codigos irieuicano [art. 338.") c hespanIioJ jart. 523.O). lia
..
doinrsticas . o.
geaerslidade dhs I~gi~Iuj8es alarga-se o conceito do Iogar
(i?)Aparte cs cndigos belga (art. 478.'j, da Uruguay
da Irabitaç3o até abr.aiiger rodo (1 lugar cercado por muros,
terripo i~octuino no cocligo fi.ancês jart. 385.', criiicLirso de cinco categoras de circnmst~ricias:tg-
ri." 2."); de Ziri.icfi ($ 1 F.?.'), de Neufchbtcl de 1891 grava iiotaveliiterite o ci.iriie ~ i corligo
o fiaiicês (3i.t.
(art. 362."; n." 8.0); cle se ayrrseiitar o ladrão ar- 3Sl."j e do Krrigiia,y (artt. 37 I.', F: 3 72.9.
inado, no corligo hcepnnhol (art. 52 1 .O),jnponks Separada,mentt?, o nrri~mhnriierrto,qiic o codigo
(art. 370."); a circumstai~cia rle ser o furto prati- fia,ncès (art. 394.") diritinguc em exterior e ii~terior,
c.ado eui est,rnd;is piiblicas, qiie, diga.-se d e passa- e que no direito inglês abrange tninhem n cscaIa-
geili, represerita urna qiialilicaqão qnc: poiicos co- da, 4, coilio esta, ic.giilad;i diversanie!lte 1za.s Iegis-
digosmanteni, remnos codigos y u ~ s i s e m p r ea1li:rdu lapGcu, scndo iriipossivel reduzil-as a grupos. E
: ioutras (codigo fraiicts! art. 333.'; do E-Iait.i, art. di~seiso6 o conceito do irrrouibarnento e da esta.-
3 f 8 . O , 11." 1."; do ~ ~ e x i c:tr5t..
o : 391.: portiiguCs, art. 1:~d:i rias vt~riaslegislações: notaicmos, entretanto,
426.", ri.' 2.'); e o criterio do lognr pnblico appa- quc, em uina formula syrithetica, o codigu do IJiu-
yece, iião pniicas vozcs. associado a.o da qrialidw,de g ~ ~ n(:~i.t.
y 37'2.', 7t.O i..) r:oiisidei.a h r t o com ar-
de consa (codigo do l'ecirio, ait. 365.' a ; do UYU-
gun5-, art. 370.'; li." 1."; do Brasil, art. 333.'), ao
.
rombanierito o qrre 6 praticado destruirido. demo-
lindo o rompendo de ciixlquier iuorln !os cercos 6
da religiosidnile do logar (cndigo do Tecii-io, art. cunstr~it.cioticsp~iestrispara Ia defcnaa de Ias per-
36á."b; du Urugiiay, n.i,t. 310.", n.' 2.'; poitugn&s, sonas 6 cTe las propi~iedadesu,e que, em geral, a
art. 4'26.", 11." S.."), e, a,iilda este, apparece no codi- escaliida. abi.:tlit o irigressn 1ii:)i. ri;'. siibterraiiea ou
go do lfexico (nrt. 381 .", n." I.") ligado ao da qile.- por q ~ i a l q i ~ epassagcm
r n%o destiiiada ao transito
lidnde da coiiso. oi.clina.iio.
Tambcin a. euprc;;sZo -emprcg-o LZC! CIILZVBS fal-
f ) Cridetio dos nzeius cle e x / i c ~ i ~ -
ã a C~rrilirelieil-
sas, foi. codigos alleiriRo (5 243.", n." 3.7,
demos nestc eriterio as cit.ciznistanciaa dc arrom- belga [art. 487."). hespaniiol (artt. 528.' e 529."):
hainentu, escalada, emprego dc cIrrtves Gilsas, porte d a i g a d a a. qii:tlqiier iiintroriiento apto 1ia.i.n obter
clc arma,s, uso dc disfarce, que, ou isolaclas ou con- a alie,,tui,a ileccssi~riay;ri,a ui.~iiirnc.ttc~ o furto, e pelas
c.oirerido duns ori mais circ~iriistanci,ts,forain pre- codigos pcrrtugiiês (i1,i.t. 42Ci.", n." 8."):de Keiifchã-
venidas na yliasi tot,a.lidade das legislaçòcs penaes. te1 (art. 362.", 11." 2.':1, de Zuridi [ $ I F3.O, ii." 3.9,
A corribiiiaçXo de duas das circiimstaiici;is referi- ás chaves veilt2adei1.a~que, por erro oir astricia, não
c1;l.s constitiic yt~nlifica$to especial no corligo de
sc ericoiitruiii nas i~iiiosdo ecti ~~ruprietario.
lieufchatel (nit> 364." e do Cliilc (art. 4-53.'); o Prevêeili :i circumstancia quaIificante do dis-
farce o codigo italiano (art. 404." 3." 3."), de NO-
ruega ($ 259.", 11." 3.") e clo Uruguay (art. 372.",
n." 5.a)5e, nesta qnalific~.ç%o, eompiehende-se, par
vezes, o furto praticado com iisiirpxqFio do titnlo ou
insignias de uin ftiiicoionario piihlico (corligo por-
tiiguGs, art. 246.")n." 7.'; do Giilgi~np,art. 372.",
n.' 6.'). O furto no direito português
Qualificam o furto, pelo emprego de armas: np-
parentes -os codigos da Dinamarca (5 229."; 11."
5.") e da Indiu TrigIê~x(sec. 382,"j; apparentes ou
Escorço bistorico do direito antigo
occultas -os codigos de Neilfchâ,tel (art. 362.",
ri." 6.O)),hiirigoro (,$ 337."), fralic0s (art. 385.", ri." SUMMARIO
: -?S. -h re1)ressáo do furto no direito pensl por-
4."); sem iefeiencia hqiieila ciircumstancia -os eo- tuguCs antarior ao rogimcn l i h ~ r a l .
26. -Influxo do movimento liberal de 1820
digos de Zurich ($ 168.": u.' ll."),ai~striaco($ sobrr: o systcma pciial. O crilrie de
174."), b e l p (art. 482.")) portngueg (srt. 426.", furto na legislacão anterior á actual.
n." i.") (i).
25. S e , C,OIIIO diz ROSEXI-ELD (L), o direito pe~rin-
siilar procede clas florpatas dit Germailia, a, f u s h
(1) Veja-se, para. estudo da I(~gi~laçfio comparada: VON
dtle r q a u híspino-romana c goda, que a homoge-
RAMNHAUER, Apergu colrtpa?'at$ de8 ~égis~tclionapb~~ia~su
de:
la Belgiplce, do lu Fruace, des Pap-Bcis et cb b 8 n z e neida.de Lrica d;i.s ~ 1 1 . 2 8iniititl~j~óes apresshira(S),
royale, apnd Xylirt ef ihe p.rowt?dinga ?f fhe 4. fh Session contribuiu par>&que, desde ninito cedo, as inatitiii-
of Él~eint. s l a t . Cong~ess,Londori, 1861, prg. 302; Crinles ~Gcsjjnridicils da psnins11l;i. i~risiiii~isserri yl~~siurio-
et dé2its eonlve la prqr2ét6 par czpid&, aptid iV&noiresda rriia. lirupria. Siibstituido o reginien da. peisona-
In Conimksior~pcmzalimnte dzc Congris intei-natignalde stn-
lidade pelo da territorii.ilidnrle do dii.eiLo, o coc1igi:i
tistipzto, Sairit-Pétersbuuig, 1876, yng. $29; Gosto, Lé-
gkhtion eE slalistipire conyai-i&de pu~lqur:sinfraciions 6 la
loipénal~,Rorne (l3i.i.tcro); ]RUO, p:rg. 226 e segg.
(1) M:IKZINI,fluitufo dez j'u.rto cit. P. 1: t. 11, pag. 5%.
(5) Sr. h.. T ~ ~ o r n rBILAGA,
r,~ A t'alr-ia Portu,qilijsa,
Porto (Erneeto Chardron), 1894: pagg. 262 e 263.
wisigothico, q u e tradiiz esta transforniaçZo, fica deiramente feroz da futura. legihlaC%o peilal portu-
constituindo o fundo priricip;ll da l c g i ~ l a liispa-
~o giiêsa. C e r t o que, e m materia d e furto, se encon-
~ i i c a ;e, persistindo atravez d a domiiiação a r a b e , trarn vestigios d o systeina g e r ~ r i a n i c od a coiiiposi-
\-erii a torriar-se lei ftiiid~irierital dos estridos d a ç?io (wehyeld)(l), como escreve o Sr. I)r. DIASDA
reconquista. ilssini, coin a forriiaçâo d a moilarchia SILVA
(-2) : mas, al8in d e q u c a reparação 8 extrema-
portugoêsa, fica elle vigorando nesta (1); e , i-efle- m e n t e excessiva ( 3 ) , transmittindo-se p a r a os lier-
etirido, predoniiriaritcuieiite, iius sulta disposiç8es o deirc-s a obrigação d e iiideizitiizar o d a m n o q u e o
eystemapetial d o s romanos, m u i t o contribuiu, como a a c t o r d o f u r t o teria d e pagtzr s e fosse vivo (4), o
j&n o t a v a MOSTESQUIEU
(S), p a r a o caractcr vcrda-
(I) O wehrgeld não 8 um castigo imposto pcla sociedade,
(I) . . . avigeliantaotern apud nos id temporis Wisigo- npnl uma multa sobre a criminalidade, mas o prepo do per-
thious Codex, Concilii Legionensis statuta grneratia auno dLo, o resgate da faidn. A iniilta (fnni!<)6 a reparaçzo yu-
1020 edita, Co~aceriais1050, et Ovetensis lll5n [Portu- blica ; a cornposiç2o a reparacão indiviclual . Sobre a disci-
gaZiae Montcmenta Hia-torica, Legea et consuetudines, vol. I, plina juridica do filrtn entre os povos gormanicos: FUSTEL
OIiGpone (Typis acadeinicis), n r u c c c ~ v pugg.
~, v11 e vrrr]. DE COULANGES, Histoi7.e des ircstitictions politiyites do l'an-
Vid. Sr. Dr. GANAHaaaos, Hi.*lo~En.d n admi?iisf~agão cienne F?.a~~ce,L'a,'ali ct Is dornaine surol, Paris (Hacliette),
n Puitugal lios secuIos XII a XT, Lisboa (Tm-
p ~ ~ b l i cem 1889, pag. 101; CESAECAXTU,Historia LTlticer~aZ,trad.
prensa Nnc:ionnl), 1885, tomo r, pag. 1 e segg.; AN~TOXID de ANTOXIOENSES?Rio de .Taiieiro-Lisboa (Silva Lobo),
CAETANO DO AMARAL, Xeworia I l l p a ~ aa ~~&tor*iu
da le- vol. vrr, pag. 213 e sega.
gisla$~ e eoetu.~t~es de Purtz~gol,irpud Itltrnorias da Acade- (2) Bstzrdo sobre a respo~~sabi~idude civil connma com. a
mia, t. vr, pagg. 127 e 155 e nota 61; Sr. DF. JGLIO DE crim*lul, Cuirnbra (Iuipretisa da Cniveraidade), 1886,
VILHENA,Ruças hisboricrts da Pe?iiv~strZuilierica, Coimbra, tomo I, pag. 52.
1373, pag. 70. (3) aCoiuulibet rei furtuiii, et quantaliliet yrctii aeuli-
(2) Esprit loiu, loc. cit. Vid. HEXKIQUICS SPCCO, ./)o matione taxatnm, ab ingenuo novies, a nervo vero ncxicn,
historia do direita oinzinnl gort?cg?râ,sdesde 0s iiiak ~cmotos ei qui perdidit sarcictur, e t titerque reuu c. flagelloruui
tenzpos, npiid Eecistc; de beçislação C dç j~trisp?.udencia, verberibu~eoerceatiii. Quod sit arit ingenuo desit unde
Uoiinlira (1mpreus;i da Univaraidade), li172: 4.' aniio, compiovnt, aiit doiiiinus ccirnponere prri servo iiun ~i111uat;
pag. 450 e segg., praec., paz. 486; COELHODA ROCHA, persona, quae se furti colitagio sordidavit, aervitura rei
Ensaio subi.c a historio d o gol?n-no A da ZegislncZo de Por- domino perennitcr siibiacchiti~(Tib. vrr, tit. rr, 1. XIII).
tugal, Coimbra (Imprensa da Universidade), 1843, 2.a ed,, (4) «Si quis furi mortuo in haereditatem, aut cx testa-
pagg. 26 c 26; VONLrsrr, Die Sti-ufgesefzgetitng dev mento, aut ex sanguinis propiriqiiitate siicoesserit; quia
Ge,qeenmad cit., 1. Band, pagg. 585 e 536.
Mas, erri v a r i o ~forncs, encontra-se consignaclo que, n legislac50 criminal toma grande incremento, re-

além d a çoiuposiç?io, sc c i : ~ r t a ~ a nais orelhits a o prime-se o crime de f u r t o m n i ~severamente q u e o


d e Iiomicidio (1); e, tentada, iilfructiferamente, pelo
nnctor do f ~ i r t ue, q u e , se reiiiciilia, os aleaidesriiari-
m c s m o nionarcha como, depois, por U. Affonso i ~ ,
davam matal-o (1:). E, em outros, diz-se que, a l e m
d e t e r d e p a g a r a o roubado o driplo d o valor do
a aboli@o dodireito de revindicta(2), q u e D. P e d r o r,
roiibo, C O I ~ Oreparaqzo, e i ~ o \ ~rezes
t: o mesino va,-
pdlas cartas de seguro, fortcincntc liiiiitaria. (31, con-
Ior, nietade cniuo iniilt:~ niiinieipal e nietade a o
fisco, como crtlumiiia oit ill~pustucriwiilal, o ladrâo rzeelictos e penas, Lisboa, ci~.io.cccxx~i, pag. 19. Sobre as
será sempre erifoicxdo ( 2 ) . p~ovidencias toinadns nas pretendidas côrtes de Lamego,
No meio d a variedade rloj: direitos lucaes s u r g e Acerca do fiirto, veja-se MELLUFREIRE: Resposta c6 censura
de Antonio Pereira Se Biyitei?.erlo, Lisboa, 1321 ; a pena
a legislaçao geral tradiieirido a uriidade n a c i o n ~ l .
de morte appliçava-se iueaiiio contra os fiirtos simples,
Analogo é o cspirito ~ I I P , a principio, niliiria esta mandando-sr, todavia, dar p i t o ao rei, a~iteada execupão
legisl:b<;2o (3)). No reinado de D. AfYooiiso 111. e m que da pedia.
( l j Vid. 3ilonarehia Lusitana, Lir. Xv, cap. 13; FREIRE
DE MELLO,Discurso ~ i t . ,pagg. 24 e 25; ANTONIO ENREY,
iniilta seja repartiria eguslt~t.uieeritre o auio ou a(-nhorio IIistorio cit., pap-g. 252 e 283.
do culpado e o fisco, sem se atterider h repuray8o do le- c2) Itegulada por I). Affonso rr, qrie ainipozera aos T o -
sado~). bres e f í o n ~ e ~ zb'i~is
s m obrign97ti) d+ virigareiii as injurias,
(1) V i d . Fora1 de Penaiuacôr de 1209 e de Santa Cruz para nXo sorBrn clegvadarlo~dos fhros d e cavalleiros, cos-
de Villariça de 1225, apud Portz~galiae dlonument<~IIisto- tume que se estendeu a todosn :Sorrsn PIXTO, LiçUes de
?-ictl, Leges et coiwitetudines, pagg. 659-541 e 601-605; direito erimiijal portugds, Coimbra <Iinprensa da Cniver-
SANTAROSA DE VITERDO,Eluçida~io, f . 11, pag. 185; sidade), 1801, pagg. 27 e 281. V i d . Sri,va FEILKAO, Theo-
S C ~ ~ A E ~ H;sforia
F E R : oit., t. r, png. 2.52 1 ~ s ~ o w EXNES,
ro riu do direido pcil.rd r ~ p l i c n d uuu Codiga ?&na[ portirg~~ls,
Histo~.i(ccle Po~.t?cyul,vol. r, Lislioo. (Rnipreza litteraria de Lisboa (Typograpltia Universal), 1836, vol. I, piigg. X L ~ I I
Lisboa), 1876, pagg. 130-135. e XLVIII.
(2) Em alguns foraes, como o de Freixo e Sùlraterrn. (3) Foi abolido o direito de revindicta por D. ilffonso V.
d ù Extremo, e~icontra.sea distincçào entre furto siniples Vid. Orden. Phizipp,, liv. v, tit. xrxxiri, 5 %cuxirr, cxurirr,
e lati.oçiiiio ; c:oiitra eute sliptiretmecoiuininado o jupplicio CKYX; PI~:REIB.~ x QOUSA,Chssea dos criínks, Lisboa
da for<*:t.Poitugcrlirrt: ~llonz~msnto &istot.icn: 1,egm et con- (TmpressXo regia), 18;30, paçg. 04-99; ~ I E L L FREIRE, O
sueti~di,ties,pagg. 508 e segg. I~lstiti,tiolaesj x r s ci-i~ninalis lusitani, Coliimbricae (Tj-pis
(3) Vid. FRANCISCO FXEIBF: DE > ~ E L L O ?Di.vel~rsosobre
acadeiniris), 1815, pagg. 49 e 50.
tinna a pena d e morte a ser zpplicxda aos auntores Li. indemnização. Conio nesta conipilagi?o, tambem
cio criinc de furto. c s se/rhoi. reg D.L&fonso v (Ordeiu-
nas O r d e n n ~ ~ do
Nas Siete Partidas de Aftoiiso x, que, no dizer @es Affonsiuas), c.jos reditccores trasladaram quaei
de Jlx~xus(lj,yoiico mais rcyrescntain do qire a litteralirieiite leis irlteii.as elas P(l,i.tid(~s
(1).6 v i s i v ~ l
collecção methodica das clecretaes, do codigo de a iiiíluencin do direito romano e canonico. ((0le-
JUBTINIAHO e (10 J)IC:EWO, C cuja aucturicladc, entre gislador? diz Cloer.~oDA K o c H A ( ~ )não , teve em
nCs, no eeculo xiv, E incontestarelj2), o fiirto 4 tani- vista tarito os firis das penas, como conter os ho-
heni. como 16.indiráinos, bxrharanieiite reprimido. mens por meio do terror e do sangue: o furto do
É puriido cu~ii:L ~ u o i t cindepcridentemente
, de pro- valor do iriarco de prata 8 piiilido coni pena d e
cesso, o ladrão preso i?~$ayrcznfe-- cnnjuncç8o do niortc Egual dontriiia 4 consignada nas Ojdena-
0.

instituto rurriauo-mihigodo do furto manifesto e do goes dlanl~dinlisa Pl~il$~incts.


paleogermanico do jegangi, e ao furto qiialificado Distingue-se nestas o furto proprio do Lfurtt~m
(inilitar, balnear., agricola, aulico) uyplica-se sem- usus et possts~sionis,deixando-se a. repressão d'estes,
pre a pena iiltima (3). Quanto aos eífeitos civis do que podia chegar i'L wlorte natural, ao arbitrio do
furto. o lesado podia f;izer valer os proprios direitos julgsdor (3); com pena egual á, do auctor do fiirto
tanto contra o lt.td&, çonio contra os seris Iierdei- B punido aqiielle qiie acoii-~praralgt~niaco~i3tl,que
ros, que eram obrigados 11 restitiiição in nafura oir rerosimiluientc parcytt, segundo a qualida4e d'ella
e do veudedor. que he furtada. ou que n5o he do
qne a vendeu (4); r i k ) +C cntabclccc distiiicq50 entre
( 1 ) E n ~ a y ohistol.lco c ~ i f i c osobve lu legislicio~z dr. tos fi&rt~ina mnnifes4?6?ne 7~eciilc~ni~fksh~?n, e n o e t u ~ n u me
rey~zosde Leon y C«stiEla, Afadrid, 18.34, # 319.
(2) R. 1 2 ~Povlugal ~ ~ y~ sv,s, codigos, Madrid, 1874,
pag. 3 e segg.
(3j vide Partido. v i r , tit. x, ley 1 e 2; tit. xrii, ley 1-8;
tit xrr, leg 22. Ma Partida \-I[, tit. ãxxi, ley 8, dispõe-se (i) Sr. Dr. C+a~fa f i n t n v i a cit., toin. r, pag. 68.
BARROS,
que nna apptica$ão da pena, o juiz d e v ~rünsiderar 3s pes- : (2) Eiisoio cit., $ 164, pag. 127.
soas qrie deve111 soffrel-a: de,ve pimir-ee mais severamente (3) (I~deli.i?h?z., iiv. v, tit. XYXVII, V I I I ; Philipp.,
o escravo do qiic o hointiui Iivr.c, este do que o fidalgo, o iit. LX, $ ~ 1 1 1 .Vid. taiulieni 0i.d. Pliilipp., liv. iv, tit. LvrIr.
adulto do quf: a crennça, o velho do que o adiillou. Tam- (4j Orden. Philip., li^. v , tit. i s , tr.
b e ~ n :Pacheco, Con~rnentoctit., t. i: p:~g.48. .(b) 3J~r.1-oFi:~iiin,I > i s i i t i ~ t i o n e scit., pag.. 68, nota ao
com a morte natural: riaqirelle, 9 que fôr pi ovado,
cemquanto as c,irciinista:iei;~s da guerra não per-
qiic eni caiiiinlio, ou no campo, erii qualqiier logar
n i i t t i ; ~criidar
~ de iima ilova recopilaqão)) (1):desdc
fhra de povoaçSo tomou por força, ou contra vun-
logo. no ei~itaiiti),se protesta cotitra a severidade
tade a ot1ti.a pessoa cons:i, qiie vaIia uiais de cem
das peuus e rigor processual. oA impzinidade ou
rt?is, e sendo de valia de cem réis para baixo, seja
o arbitrio da cnndernnaqko tornou-se, diz ~ ~ L Y A
açoutado e degredado para eeiripre para o Arazil a ;
FERRX~ (2). ilmit riecossidxde relativa : as leis pe-
a pessoa .iyiic toi~iarcoirsa por força, se a eousaassi
riacs c::~hii.amem desuso (3), mesmo sem ser dero-
tomada valer mais de mil rdiss (1); a pessoa que
.abri0 alg~iiiiaport;t, ori eritron eiri al&uiu;~casa,
que stava fcchada, per a porta, janella, telliado, 011
~ u d o As
, &fontes do dlr.~i+o,Rio de J:ineiro (Ribeiro dos
por qualquer outra maneira, e qite furtou meio
S:intos), lSCi3, pagg. 73-82. Xotemos as leia de 5 de
rriarco de prata, ou siia vi~liits(2); o saçrilegio - julho de 1636 (art. 42.'1, de 27 de julho de 1532, de
rei sacroe de loco sacro w?zt.recrac.tio(3); etc. A pena Filippc 11 e de G de deseml)ra de 1612, do Filippo iri, quo
de flagellsigão 8 conirninada a. cada passo (4). providenciam quanto aos feitos crimes. Vid. PERELRA E
Confirinadas por D. J o ã o ir- a s ordenações e Sousa, Primeirus linhas sobre o processo criminal, Lisboa
leis posteriores (5) proniulgadas pelos I{'ilippes, ('I'ypographia Lacerdina), 1806, 3." ecl., pagg. 201, nota
605 e 236-038, nota 368.
( 1 ) Lei da confiroiaç5o das G r d ~ ~ ~ u de ~ s de janeiro
ç õ 29
§ v. XBo se fala, nas Ordenrrçues, do furto domestico, nem
de 1643.
do fiirto (12 produt:tos c:arnpfsties, nem da tentativa de
(I) Thevriu do direito penal til., tom. I, png. 21. Vid.
furto.
P~~ilrtxa r: SOUSA, E s t o p i/& um ddiccioaurio j u ~ l d i c otheo-
(1) Ordmi. Philip., liv. v, tit. LYI ; O r d w . M u ~ L .iiv.
, V,
retieo (i prcttico, Lisboa (Typogrilpliia'Rollaudiari;t!, 1827,
lit. axxvIu.
tomo seg~indo,vb. furto.
(2j Orde,~.Philipp., liv. v, tit. LX, 5 r.
(3) Escreve MELLO FREIILE (Inutitiifio~u,~ cit., tit. I,
(3) O r d ~ i PhiZipp.,
. liv. v, I.S, 5 iv. Vid. PEI~EINA E:
Cj xIr, pag. 21): oblt hinc conseqtiitur, ut leg8s criminales
Sousn, Clanses dos crimes cit., Iiagg. 322-324.
pias justo sereriores ipsorum Imperantium voluntate, et
(4) Vid. Orden. PhiEipp., liv. V , tit. LX, $5 I, 11, I V ;
conuivw~tiayiiadarn, cuui iiiururn rion urgeant txsequutio-
tit. LXI, 5 I j liv. I, tit. LXV, 8 XXIY. Quanto ti pena pecu-
neu, auL per riun usiirn abrogatae videantur. Et tales apud
iiiai-ia, veja-se Orden. Yhilkp., liv. V , tit. LX, $8 11, VI;
nos sunt Ordd. lili. 5. tirt. 3, 13; 14, 15, 17, 19, 25, 26,
liv. 11, tit. L, pr.
( 5 ) C a ~ o m ooii. 01.1
\.tii<a, L't:zrlro de Eeyisla~ão conipn- 32, 36, 38, GU, i11 yrioc, 66; $5 7 e 10, 69: 70,79, 80,
82, 86, 5 3,'90, 92, 93, 94, 100, 101, 109, 123, 133, et
9
Cap. T f - ,fibrto no direito pai-tuguk 131

gadasn. E quando, á voz elocpierite de BECCARIA,


peri&l (das Or.dena$Ões, ~ a q u e l l einoristrrioso codigo,
qnc aggride vignrosameiite a ti9iplice fonte do di-
aonde foram a esmo copiadas as leis de C.II~IGULA
reito romano. do direito eanoriico e da au,do?.itcrs
e K E R O(11,
~ não se atreveu a proscrever a periu de
doctomrn (1), um inipi~lsoreforniador agita toda a
a Europa, reconheceti-se anecessidade de expurgar inorte para o crime de h r t o (2).
das nossas leis penaes ~aqriellasqiic se nchavani
26, A escola classica erguera, eni todo o niuildo
antipiitldas e, pela niudança d a s cousas, inuteis
civilizado, uma campanha contra as penas iilfa-
para u presente e futuro, (2j.
ina,ntes e contra todos os requintes de crueldade
D e s t a tentativa de refoiama, legielativa saí11 o
i n r ~ c ~ i t a ád sombra
~s do mysticismo d a edade media.
projecto de codigo crimiilai devido a h1~r.r.oFREI-
,4 revoluçgo francêsa viera tradilzir essas ideias
RE (3), qire, embom ~eagissecontra a barbaridade
em ftactos e, coriio ella, inspirado rio principio do
respeito e protecção h persoilalidade humana, o mo-
vimento liberal d e 1920 cilidou desde logo de ex-
plures aliae, de quibus suis Incis; qiiaa quidnm, ad powias pungir da nossa legislação penal s barbaridade
quod adtinet, injuatae sunt, et atroces, ne dicam ci\udeles, antiga, fazendo penetrar ilelln o espirito hnmani-
vix enim debihm seri-~ntporpoitionein)~. tsrio da epocih: aãsiiii a conatituiqito d e 23 d c se-
(1) Sambem, entre nós, o MARQUEZDE: PO~IRAL nyela
tembro de 1822 declarava * abolida a tortura, a
lei de 18 de agosto de 1769, fre restituir ás Leis Patiias
a dignidade e considerac%o,que ali: ali llie tinhani negado,
uns pela supersticiosa vcnrsraç8o 1119 professavam ao Di-
reito Roiriano e Canonico, outros pela comiliodidndc de re- publico de Port~igal,do Dr. PASCHOAL JOSE DF: DIELLO,
correr is opiniEes e arsstosn (Co~r.rroua RUCHB,h'waio Coimbra [Imprensa da Universidade), 1344, pag. 169 e
cit., 5 254, pag. 198). segg.
(2) Vid. Decretos de 31 de m a q o d t ~1773, de 12 de (1) Vid. Reldo~.io do decreto de 18 ds agosto de 1852,
janeiro de 1784 e de 3 de fttoerciro de 17.89, e o aviso de que cria uma coniinibs?io destinada a organizar os codigos
9 de fevereiro do m e m o anno. criminal e commercial.
( 3 ) Vid. C'digo c ~ m i n a intenfudo
l fifli?iha D.N a ('2) Vid. Codigo c+.iaainalcit., titulo XXXVI (Dos furtos).
ria; I, Lisboa (Thadeo Ferreira), c ~ o . i ~ c ~ ~ . x x2.a
i i rrri.,
, Além d'squella pena, commina-se n á proporpão da malioian,
pâg. xv. Vid tnmbeiu ~ ~ E J Rnoso S ~ ~ r o A70tasa, ao ti- ($ I.@),a de repsra~xopecuniaria, de grisso, degredo, tra-
tu20 111, Dos Jvizes e penas, do novo çodigo de direito balho nas obras publiras, galés, asout~se confisca$Lo de
tens.
Cup, rr- Oficrfo no direito portuquês 133

Inspirado ~ U doutrinas
S de Bosi-I, CHAUVEAU e
confiscação de bens, os açoites: o baraço e preg.50,
H~LLE,e tendo conio fontes legaes prineipalniente
a iirarca d e ferro quente, e todas a s mais penas
os eodigos franc8s de 1810 e hespaaliol de 1848,
criieis o11 infamantesi (1).
o riovo cocligo, que no livro Ir, titulo v, Dos c r i ~ n e s
Xas, eiri nbso11rt.a iricon~~atibilidnde coin um go-
contra a yrropriarlod~,e artt. 42 1."-444." se occupou
Terno monarchico estztvel e pcrmanente, a consti-
do [t~rtu c do roubo, accusa ainda notavel severi-
tiliqlo, separando-se theorimmente, eniconcepções
dade (1). Commjnava,-sc a pena do degredo tempo-
r~bstrnctap, do estado social preexistente, n8,o era
i.ni.io pnrs o aactnr de furto de valor siiperior a
ciavcl(2) t. restaurado, morneritaneamcntc, o re-
vinte mil reis e a de degredo perpetuo, no caso de
gimen absolrito, que fez renascer o antigo syatema
reincidencia (2). Para o crime de roubo a pena era
penal, veio s carta ccinstituciunal de 1826 n%u s6
a de traballios pliblicos no iiltrainar, teniporarios ou
abolir este, ]nas preceituar que se organizaria
perpetuos, segundo as circumstanci~is que iielle
((quanto antes, um codigo critrijilal fliridsdo rins so-
concorressem; yriando o roubo fosse comettido ou
lidas bases da justiça e equidade^ (3j. O Codigo
tentado, c;o~ieorrendoo crime de homicidio, seria
Penal do, Xrqdo Pnr.luguilsa, organizado em 1537,
applicada a pena de nior te (3). Declaravam-se ap-
por JOSE MASOELDA T T ~ e ~approvado ~ G ~ por de-
plicsveis as penas do furto ao quc fraudiileiltamente
creto de 4 de janeirn, mas n8o levada á execnç!io.
subtrahisse uma cousa que lhe pertencesse, estando
j5, não n-ieiicionnva entre as ~ C I I R Sa b turtiiras ou a s
elIa em pri111nr ou deposito; ao que, terido achado
crueldades de qualquer ordeni. Instava, entretanto,
quniqucr objecto pcrtcncentc a outrem. deixasse
a necessidacie d a reforma; mas os acolzteciineritos
fraiidulentan~entede o entregar n seu dono; ao
pliticos do tempo fizerarti diffeiir a pnblicaç8o do
pile filrtasse ulgiim processo ou parte d'elle, ou
novo codigo, qiie s6 em 10 de dezembro d e 1852
documento ou qualquer eseripto (4).
veio a appnrccer.

(1) EEVY'.IASIAJORDIO, Co?~zm~nfu+io czo codk~o~ e n a l


(1) Art. 1 1 . O
(2) SI. Dr. LOPFSPI~AT;A, &7hb(.(i0 de Lis e s?16sidios
portuyi~2s, Tisboa (Baptista IlirsntIa), 18.54, tomo 111, pag.
242.
para o estudo do direito co?adit7xionalportz~gz~ês,Coimbra
(2) Art. 421." s $ 3."
(Iinprensa da Univeraiciadej, 1894, vol. ir, pag. à ~ u .
íY) Art. 145.0; $8 1'7.0-19.'. r~d.SouSa PIETO, Li~8es (3) drtt. 433."-4.35.'
(4) Artt. 422."-424.@
de diiaeifo crirriinal yortzi.gi~êsvit., pag. 32.
Cap. 11- O furto no direito português 135
"..
A tentativa seria sempre punidati). O furtn sx- lular por qnatro; n de degredo tempoi'srio pela de
crilego cra punido com a pena de trahlzllios put)li- dois a oito anncis de prisão maior celliil~r(í).A
cos por toda a vida no ultramar. ou com o maximo dnraçZo niaxima da pcna de prisão correccional,
d a mesma pena temporaria (2). O furto clualificado que pelo codigo era de trcs annos, foi limitada a
era, ein regra, yuiildo com o degredo temporario (3). dois annoq (2). Dere. todavia, notar-se que, decla-
A lei de 1 de julho de 156 7, qiie orgailizou o ralido-se iio ;irt 64." dit lei dc 1 tle jullio de 1867
systema penifeneiario cntre nós, adoptando o re- qrie, erncliianto i ~ b oestivebse o111 inteire execução o
g i m e ~cellular
~ continuo e que. pode ciizer-se. foi regimen penitenciario, os reus seriam condeninados
antecipado pelo projecto de 2 0 de outiibro dc em alternativa nas peilas que, á excepção da pena
18G1(4'i1 siibstitriiu e peiin, de morte. que o codigo de morte, pelo ccidigo penal fossem appliraveis
dc IE52 applic,rv;t :icj crime de roubo, pela clc: pri- aos criwcs pr>~ticados,o auctor do crime de furto
s%ocellulitr perpetua; a de trabalhos piiblicos per- soKria pralicarueiite, dada a dificuldade do estx-
p e t u o ~pela de oito annos de prisão maior cellular, beleciniento do regime11 penitenciario, as penas do
seguida de degredo em Africa por tempo de doze codigo de 1852.'
annos; a de trabalhos priblicos tempor<~iios pela de A nova Refornia, Penal, approvada p o r decreto
prisLo maior celliilar por tr1.s snnob, ~cguicli~ de de 14 de junho de 1884, iriadificanilo o anterior
degredo em A f r i ~por ~ tempo de tres at6 dez an- system:, penal, abolia as penas perpetuas de pri-
nos; a de degredo perpetuo pela de degredo por são ce!lullar de trabalhos publicos e de degredo,
oito annos, precedida d a pena de prisão niaior cel- c a pcna de trabalhos publicos temporarios (codigo
de 1852) c6om a correlativa da lei de 1 dc julho de
1867 (art. 5.9 (3). A pena de inorte era substituida
(1) Art. 421.O, 5 2." pela pena de prisão maior celliilar por oito aIiIlos
(2) Art. U 1 . O seguida de degredo por vinte. com pris8o no Iogar
(3) Artt. 48ã.O-429."
(4) Vld. Corligo penal! portugu%, tomo I, Eslatot*io du
cun~misa(io, Lisboa (Imprensa Nacianal), 1861. Quanto ao
du comrniss?~, art. 252.' e, segg.
furtu, o l o t i i o 11, P.i*q'~elo
[I) Lei cit., artt. 1."-9.O
A pena de morte, incluida na La edição do projecto (art. (2) Lei cit., nrt. 33.'
$S."), desappareçeu &a edieão de 1864.
(3) drtt. 46."-48.'
Cap, IT- 0 fufurfo no direito portugues 137

do degredo até dois annos ou seiri clla coiifor~~ie


pareccsse ao juiz (1).
Para o effeeito das pexiat: ein ;clteri~ati\~a,substi-
Systema do direita português actual
tuia, em seritidu benigno, as penas do codigo pe-
nal d e 1352. A pena de mortc era siibstitiiida pela
pena Gxn de degredo por vinte e oito annos, com A nocão do furto
prisão no lngar do degredo por oito :idez nrrnos;
a de trabalhos piiblicos pcrpetiios l ~ e l apcna fixa de S ~ J I ~ I-
~ 27.
~ R-INoqão
~ : descriptiva do furto no codigo pe-
ria1 português.
degredo por vinte e cinco annos: a de degredo per-
28. -Força physrcci subjectiva do crime de fur-
petuo pcla pcna fisn de degredo por quinze an- to. Critica da doutrina aaulhida pelo le-
nos (2). A pena de degredo ~emporarioficava re- gislador português.
29. - O elemento subjectivo no crime de furto:
duzida ao rnaxiirto d e doze imnos(3). Relativxmente drílo generico e ~spprifico.
h pena de prisão corrcccional, niantcvc u liniite 30. -SujeEto paçsivn do iiirto.
rnaxinio de itirraq2ci eni dois atlnos t4). Estas penas -
31. Mobilidade e rriater~aIidadeda cousa, ob-
jecto dalesão pntrimnnia1. Furto de gaz
passaram para u codigo peiiitl ctm vigor, ayiyrovacio de illuminação e de energia electrica;
por decreto de 1 6 de setembro de 1886 (5). opinlóes divergentes.
32. - Coirea alheia. R@.? nvlliils. dc~dictac e

( I j Art. 49.O
(2) Art. FIO.', n."".', 2.' e 4," 27. Em um% noção desc~iptivado furto, o co-
(5) Art. 51.O digo penal portiiguks, inspirando-sc na tlieorix ro-
(4) Art. 57." msnista, nias dando-llie menor zlcai~ce, declara
(5) Artt. 4SL.0441.0 que comrnettc o crime de furto o agerite qiie pro-
algzbmn cousa p
cede szabtrahindo fiai~dulor~tument~
lhe tzãopertenca (art. 421.7 ((1).

(1) No@o analoga d o furto se encontra no codigo penal


militar ('VId. Cod. pen., artt. ló.O, 9 unico, n.js 2 . O e 16.';
Codiga de jiistica militar, approvailo por carta de lei de
Cap. I1 - O .furto nnn direito porhy& i39

ao crime, comi, diz ZEVY MARIAJoRD.Io(~), que o


Analysemos separadamente os elemeritos roristi- ageiite tenha posto a mâo sobre a ooiisa, e a tenha
tutivus do furto. coiilidos nesta no(;iXo (ai~htraq&o mudado de um logar 1lai.a outro; s e elln n?io foi
da cousa d'oz~trern-niaterialidede do crime ;ficczcdr! levada pelo nccitõado, poder8 existir n intenqzo,
-elemeuto iiit?riuionali. coriipletando-os com a re- mas o delicto 115.0 est8 ç o n s ~ r m i ~ ~ ~nalo d o ,ptssu,
fercnci;~no 1610 especifico, qur! o legiqlador portu- ainda de projecto>. Xein se trata de niera violaqão
da posso, corno parcce opinar DE M A G I(2;): ~ RO CS-
crever que iiil furt~i~ t r v i e r i ea1)pnnt.o apperia. i1 Ia-
28. Seguindo as legislaç6es do tei-ceiro grupo dro si & dcfinitivunicnte iiiiprisucesato della refur-
~ O n'ísiir~rliciido,
T o corligo penal portugu6s, repel- tiva, , mas de verdadeira siibstituiqâo de posse, que
Iiriilo u criterio da arnotio e o da apprcldensiu, faz s6 se veriGc:t quando 3 cousa, eLe da e,sphei.a ria
residir a forqa pliysiea su1)jectiva do crime de furto actividade e da disponibilidade do lesado para a do
n a subtrac@o. = N a u basta, pois. p a r a n existericia ladr50.
E descabido acharnos ci reparo dc CARRARA í3),
de que N seria absurdo querer fazer coincidir a con-
13 de maio de 1896, art. 1 2 3 4 . O , e: tarnhcm; artt. 158.O,
summa.c;no ilo fi1rt.o c:Cilri H adqiiiyiq%o do dririiinio
ltN.r', 162.", n.' %.O, 1B4.O, 185.0-189.0), iiiie, como es-
creve I71co [ F ~ w t o Iliiiilo
: yenuie milita?-e, aPud Digato
ictliauu, :tnno xr, 1897, vol. 11, pag. 1121) a proposito do
codigo penal italiano, não diEiire, esaeneialmente, quanto Na seg~indaeditão do proj?eto (ISHZ), falla-se: porem, de
ao ficrto, du cailigo penal conimuu, senão pela etipeciali- (iap~oprir<gãode cousas ou valores mobiliarius slheiosa
dade d t jurisdicpão. Bnalogemente se exprime o cocligo de art. 252.O). 1%.Keoist<t de lkgislu@a e d e jtiri,~prudeizciu,
jujtips da armada, appiovado por carta de lei de 1 de sa- t. xxv, pagg. 195 e 345; Beaistn do8 firibanues, t. I, pag.
teinbro de 1899, no :irt.. 199.QVid. tarnbern o çodigo pe- 62 e t. 3-, pag. 381.
nsl e disciplinar da ~narinhamercante pcittiiguêsa, hppro- (I) Conrnentario u~ codigo por.hguês cit., t . 111,
vado por carta de lei de 4 de ,jrillio de 1564, art. 19.*, pag. 236.
11." 13." [Sr. Dr. D ~ i , s ~ nDE n CA~J~ALLIO, ~$funzraldopro- (2) 1 1 monlwrto comrcniativo dez jwto apud Stipplt:~o~.manta
cesso crirrhinul murkrno, Cuiinbra (Imprensa da Unirorsi- alba Ilr:oiutu pe3~aZr ril., vol. 17, paga. 5-19.
dade) 1 8 9 8 , ~ o l .11, pagg. 306 e 3071. Em t e m o s identicos (3) Pfrograan~aclel corso d i dirito crlminnle cit., vol. IT,
aos rio eodigu penal vigcnte, se exprimia o codigo de 1858, png. 2 3 ; Llnea~ne.nti di praliclr l e g i ~ l r c t i ~penale,
a Toririo
termos que, coin mais a referrncis ao caracter mobiliarío (Fratelli Bocca), 1874, O~aerç.xr, pag. 229.
da C : O I I Y ~ , foram mantidos no projecto de 1S61 (art. 252.").
1W Do furto C'ap. 11 - O &rlo no direito portugu;~ 141
-. -- -.

por parte do ladrão, porqiie, n8o se adquirindo póde surgir a respeito dos codigos que, como o fran-
nunca o dominio da ~es~fifi~j-tiz;cc, todos os furtos se- cbs, punem cgiia~mezitea tentativa e o crime con-
riam acmpre tentados e niiiica consnnimados 1, jit qnc saniuiado(i). conio B ociosa para aqiiellcs que, como
não se tratit da ndyt~isiqaode dorriinio pelo Iadrâo, BUCCELLATI (3))entendem, embora com iini h l s o
inas rle c~ssacâo do domiuio por parte do lesado. critei io. que a tentativiz ciu não devc scr punida ou
'Mas: sc o fiirto d e çoiisururua pela passagem da cousa deve sel-o como o delicto perfeito, ou, coirio FER-
para a esphcra de actividade pntrimonial do ladrào, RI í3), GAROFAFALO (4) e, em geral a escola, positiva
e se, por outro lado, constitue elle rim delicto iiis- do direito penal, defendem, s~giiindoa doiltriiia
tantaneo e nSo um dclicto eontiniio, poiisso que su1)jectiva nllem,i ( 5 ) -, e attendeiido ,I riizrior ou
consist,e n a subtracção, isto 6, num facto, e 1120 na m5rior temibilidnde c energia offenaiva do delin-
possc, isto 8, num estado (1)-, póde uffereccr di&- quente, o11 a iusiisceptibiliilade de pniiiçdo dn ten-
culdade a cictcrniinaçiio do momento preciso cin tativa ou a siia eqiiipai,~~ao no crime coiisummado.
que se coristirrimn aqiielTn subtraccKn. A qiiestZo não N l o assini no codigo penal portugii6s. Snbanios,
pois, aos prii-icipios.
(1) No direito romano, adniittis-se a continiiidade do
furto pela posse: 47, Dig , de ftwtis, 267. No direito mo- Na historia do pensamento jiiridico doutrinal,
derno, eni que se reputa ciriine ou iiifracy?io <:»ntiniia a de- quatro tlieori;ta ttyparccerii quanto ;ao momerito cun-
tenção arbitraria de tima pessoa (Cod. pen., art, 330.O}, sumiilatiro do furto, á JefiniqSo da sua substaiicia-
não se considera tal a detençno :trbitraria de urna cousa.
lidade objectiva: n da aifiotio, x dit cipprehelzsio, a
COIUrazão diz GARI~AUD (ii.aité t h é o r i q ? ~e f~ pratique du
droáf p&noZ~frl.an~aiscit., t. v, pag. 396j que seria liara
desejar a rriodifica$o na qosliiicaçào de um crime que nos (I\ Grovaiuar PVRQUEDDU, B~clfentativo matnaia d i
ameaça cada vez mais e qii- traria tono consequencia uma f ~ i r f o ,apud Rirista Penale cit., vol. XXX, pag. 34; E ~ A R -
melhor protecçgo do3 iiileresses sociaes. Damais o furto CBETTI, Conq~ndiod i diritto pet~ctle cit., pag. 67.
continúa com a posse, porque est,a pnssr: continua a acti- (2) T s f ~ t v ~ bd~l zdkitto
i P proeedura peimle cit., pag. 366
virl;ide dclictuosa du agcntc. Vid. Dr. HENRIQUBS DA
e segg.
SII~VA, QueafXes praticas de r l i ~ ~ e i (penal
u inte~~l.aeionuZ, (3) Soctologia crilizi?anle çit., pagg. 702-705.
apud Estudos juvid<cus, Caimbra (lmprerisa d a Universi- (4) Cvirni~iologic~ cit., pag. 354 e 385.
dade), 190S, pag. 151 ; M~RLXD, Dss vols duhestiyues cit., (b) Vid. &fossa, Il fsatativo, Sassari (G. Desi!, 1896,
pag. 102 c segg.
pagg. 61-64.
Cap. 11- O furto no direito português 143

N ã o n o s dernorar.en~osn a refutaçzo d a primeira


da apropriação iIlegitima (subtracç2o) e a da, vio- theoria indicada, que faz consistir o m o m e n t o con-
la@ d a posse p e l a m ~ i d a n q ade logkzr da corisa s u m m a t i v o d o f u r t o n a traiisferencia d a c o i i ~ aao
(conáreçtcctio) (1). loco quo,fir deçti?~avcrut,e que, como irrespondivel-
, ~ derira de
m e n t e deixou demonstrado i l l o ~ n c r(l),
(1) Por vezes confundem-se os dois iiItimos systemns.
u m a inexacta intcrpretaçiio cios textos r o m a n o s e
WAECHTER(Della co~zs?rnzazionede2 furto, apiid hil~ocoar-
chivio di dirito criri~itaule,auiio 1840, t. XXI, pag. BOj, 141- da çonfus%o d n ubjectividade jiiridica d o furto,
Par,r.olimI (I1 codice pena.Ze cit. t. Iir, pag. 233) e I~ENEE scgorido n jirrispriidencia. r o n i a n s . com a s u a
apud IJcii.r.r'ri (Sulremto di fttrto cit., pag. 50) fazem eorres- l? tatnbeni a segunda,
p r o v a n o jurlr~nzmu?zy~stum.
ponder a palavra subtracçLo Lt contvecectutio dos romanos; rebtringindo-se A materialidade d a upprehm7sio rei,
mas grande C a dislaricia entre os dois concei~os.Lê-se, ao fa(.to de p ô r a m ã o s o b r e a cousa, c o m intenção
com effeito, no iragnienlo '21, yr., De furtis, 42, 2: uSi
d e aproprial-a illegitirnamente, p a r t e da, conside-
quis armarium quod tollere non potrl.;it aperriit et omnes
res qiiae ia eo erant eontreeluuerit atqur itn disccssorit,
raqão, erroneamente dedtizida da contrectatio dux
deinde reversus unam e s his absiukrit, et autetjuuin se re- romanos, d o f ~ i r t ocomo delictoformnZ~2), qiie unico
ciyeret qiio destinaverit deprehensus fuerit, ejusdttm rei et actoperficikw. Mas, triirmphantcrnentc, refirtoil CAR-
niaiiif~.sti~s et nec maiiifestua fur ariia. Emerge claramente RARA (3) tal doutrina, m o s t r a n d o yne .-elIa p r c t c r e
d'este fiagrnento qiie o acto de f~irt,oexpresso pelo verbo pela objectividade ideologicn o eveiito consurnma-
~~hstialejr'i, em contraliosi~ãoa contraeteaerif, é consummado
tivo d o facto crinLirioso eur que coiisiste s violsiqiio
rio rii,irnc:nto cm que o IatlrXo siibtrahiri a cousa á esphera
de actividade patrimouial do lesado, passando-a para a es-
do direito dc pusse e que represelita ;L objectividade
phera propria. De facto, wtc,re.ri*eubo equivale a contrecta- i m m e d i a t a do furto r .
Te, porque: se fonsein synouimos, o frsgmcnto depois de

ter dito aet onznes ~e.s puae ira eo want coiitrectrruem:ta, de- ( I ) Di:l if~onzeiiloconstamatico de1 fwrto, Pistoia (Cino),
veria dizer nfuevitn. Mas o jiirisconsiilto pnra poder decIa- 1870, png. 23 e segg. Para maior desinv~~lviilieiito d'esta
rar ladrão ta!, empregou o verbo ababu~e~it, sem duvida theoria, que tem a defenrtel-a Asauia, C+II:~~IANI e YUT-
para accentuar heili o couceito da subtracpão, e com razão
diz FERILISI (Di~ittopelaale i-onzuqjo, apird C'on~pbiotrat- pag. 26 e segg.
tccto feorico e pratico di di9,itco penale, pubI. da Pieh.0 C'o- (2) Programma deL corso d i d i r i t f o eri9riinaZe cit., vol. IV,
gliolu cit., rol. I, parte r, pag. 1.513 tche furium deriva da pagg. 20-22.
« ~ / . f e r ~il, eclie significa appanto asportazioneli. Vid. UEOR- (3) Vid. FEDERICO BENEVOLO, II tentafiuu, Torino (%o-
GES Ti~'irq-, De 2 ; c l b n fii,.ti en dvoit romatk, Paris (Mo- ne tipografiio-editrice), 1887, pag. 121.
quet), 1835, pag. 66 e segg.
C s p . U - O F L P ~ Oitn ilire::i, poi.ta0llC~ 145

i l z a i i ~ i ,eattts dtiita theorins, porque attcndiam a ci>natitiiitlrt pni dois termos: o ternio 0
P?/,)u, C R ~ R

circiixxistniici:~~ oii deficientes ou excessivas para e y/~.oílogai. onde a. C I ~ I I Ss e~ eiicontrav:i niites do


consii~n~rinçKo do delicto, tiveram poucos dcfcnsores f~irto)e o termo ad qtien~jlngnr para onde a, coiis:~
lia cloiitriiia moderiia do furto. Preridaino-nos, pois hi trausferida).
As duas ultimas. O fiirto coi~sidera-seconsuiiiiiiado logo que o la-
Pelo systenia da coiztreçtufio, delerilido por DE drâo, apprelienilerido a cousa: a transferiu para lo-
DLURO (1 ), CRIVF:LLABI p)?C.%RR.~EA (31, BUCCEL- gnr diKercilte; e , ciiiisistirido aru unia violrtcrio da
L9TI (4), MORET.T,T (5:),T o L o J ~ ~PUCCIOBI
I ( ~ ~ : (~),BA- posse de oiit.rem, riiio depende da continuaqão dn
PEVI (8>,CARDII(+NIBNI o), BEEXEB(1I),
[Y), hI,45~1~1(1 coiisn erii poder do larlt,%o,nias veiilica-se rio yri-
IVAECHTER (1 Sj, a esser~ciamaterial do furto r e s i d e ?miro niorízeiaio d a nrnotio (7). Blita, se, ein fiwe do
na vei nlienae ap~~rehensio e na amotio de loco in 20- nosso fiodigo, t:tl dniitrina, é ii~acceitavel, porisso
qiie A palavra suStracçXn (equivalente aos termos
ndti.ectare, 2oco?,~ove1*c, nmol;ere, tcillere, n7tfe1.re, de
(,I)U e l furto cit., pag. 7 e segg.
(2) Dei renti conti.0 k( proprietà cit., yag. 26 e segg.
que se servem iridifferciltei~icnteos jurisconsnltoçi
(3) Progc~urnn~adt.1 coi.so di Siritto crimi~aalcit., v01. ir, romanos, xproposito cluf~:~lrtcira) aritlaalli,~da,como
lmg. 26 e segg. ; Dez nzunzento co~wcwncrtiroclel .filrfo cpro- dei.iniriris dito: a idvi:i de stib~titili~i"Lo da posse do
Eusio7ze ctZ eorso acacleniico d i rlirito criminale, 18'70-1871), lutlr5ci 5 do lesado, tarxibern, no campo dontrinal,
Lucca (Giusti). l Y T O , pag. 5 e wgg. ella iios parece pouco segura. E; i s t o peIa razgo in-
(4) Istitwioni di d i ~ i t f aepioced7i~-rrprliolecit., gag. 229. tuitiva de qne uma mesma coilsa não pode per-
c3) De1 momento consz~n~crfiz-o rJclJUI.to c:it., pag. 266.
teiice~,ao iiiesriio tenlpi,, 30 ladrão e ao roubado:
(6) D i ~ i t t oe procedzcva pennle, Parte 6lusofica, Padova,
1874,apud P U G L ~ DelGti A, contro lu p~qoprieià, Firenze se o deliilqueute fôr descobcito ciiirlut~iiiuprocure
(Fratelli Cam~iielli),18'28, pag. 28 e segg. sair da casa e alxildoila a OOUR:L, cem0 sc poder&
(S:I Codiee peiaali. tosea~>oilluslrato cit., pag. 321.
(9) Elementi dt di7-itto criminabe, Vilano, 1882, $ lii37.
(1;) <i?Jonfd meçtieri, diz KUGCLLLATTI (Istiturloni dz
(10) l i ~ o t t n t r ,de1 j'irvto cif., Ir'. 11; vol. i r ; pag. 227 o
i7lriifo c pi.ocedc~ru peizalc cil., paz. l:ii:,;,, chc ia cosa ?]lu-
Sem. de1 ladro, poicliir
teriaínicnfe eritri iiclla sfir.a pafri//~u,~~iilZe
( 1 1 ) Trattato di diritto ye?laZe, trad. BERTOLB,Milano,
quando qiiesti smii~iveI:] cc.y;i da1 irgittimo possesso altrui
1592, pagg. 4-10 e segg. ~ w Lrla
r propi.;,?, usr,z nderisr:~naturaimoiite alla peraona
(12) DeE cons i6rnrnaz;ons del fiirto cit., pag. 273.
C qiii~~clientra nella st'cra p;rti.ir~i~niule de1 ladroo.
10
Cup. Ir- O .fi, to ?vi [lireito ~ i u r t z ~ g z d s 147

dizer, logici~rriente, coliio faz DE I f - i u ~ o(I), q n c RELIE ( l ) , ~IICCLA (2). LUCCIIISI (3j, JOUSL~X (4) e
a i n d a n e s t e c a s o h a t a viola@o pi<irt~.ald o d i r e i t o o u t r o s q u e , segiiinclo YESSIXA(51, v4em a s u b s t a n -
de p ~ m sobre ~ e a C O ~ I S ~?B c.ialid;tde obj,jrctiv:~ do f n r t o na i n t c g r a y ã o da cp-
Pôr a q u e s t b c q u i v s l e a resolvei-a. O s y s t e m a prchensio e cla cr,>,rot<o,consistinclo e s t e iiliimo ele-
da contrectubici c o n s t i t u e o i n i c i o d o m o m e n t o Coll- i n e n t o na. mirdniica de l o g a r , i s t o 4. da esphun de
sumrriativu d u f u r t o ;c o n s t i t u e a r e m o q ã o da, c u u s a . adic;idade do Zeyitiwlo doie)~torda cousu (6).
Milas e s t a 8 m e r o n c t o p r e p a r a t o r i o : o c r i m e 86 se Sem o terrniiuis ac-l p c m , n nmofio 6 incompleta;
integra c o m a s u b t r a c q ã o da c o u s a A a c t i v i d a d e pa- iricoruylcta a aluotio 4-0 c g u a l m e n t e a cuntrectcrlio;
trimoriial do r o u b a d o .
A s s i m , a t h e o r i a da s u l t r a c ~ ã c ,foi prefereilte- (1) Apiid Axnnh:o.rrr, CwzfrZbutu sfurico-glu.rldico cit.,
m e u t e acolhida p o r Pun~rlr(2), ZAN-RDELLI (3), MO- yag. 55.
1,IYIER (d), K L ~ E(2), X TITTM~NY ( G ) , 3 1 ~('i),~ ~ .AR-1 1121Trciitato sul fbrto, P I $ ~(Doinenico2 ~ ~ &Iacc.:irrone),
~ ~
R A c n (8), TRIBUT (g), ZIXCKLEE (lu), CH~UVEBU et 3397, pagg. 145 e 249.
-
-L.
L . (3) Elemanti d i p~oeeduropende, Yirenee juarbera),
7.
( l j De1 fuv.10 cit., pag. 1899, pag. 69.
(I)Delitti co~rtrolu p~opri'efo cit., pagg. 61 e segg., s (4) Lu justics ci.%jili>,eZbcit., t. I r , pag. ICG.
90 e segg. (5) h'lemsnti d i diritto psrzale cit., t. Ir, pagg. 211-213.
( 3 ) Reluzione dellu comj~~irsione dellim L'minera dei d e p - (6) l'nra tornar mais claro este coliceito, PESSXBA ad-
l a f i sril pi-~jettodi codice penule, Toiino, 1888. d ~ i zextiri~ilosqiie afastam c~ilal<li~(:r duvida, e aqui reyro-
(4) Lu íepi-issio?l du vol d'uprès Zes Zuis aizcierancs et Ia diizimíis: aSe si entra nella casa altrui a coiniuett~rvireato
jzwispricderzce du. Parlemaizt de Tuulouse, Toiilouse, 1868, di fitrto, i'uscita da1 lmir~idalla c::is,z è couriiziiirie neces-
png. 16 e segg. sarja perch6 i1 furto si dica consumato: se dite porsone
( 5 ) Rivlzta cJelle teor;& íelcctbce u7 ilelitfo d i .fzwto cit., (liiiiiirano nella rn+rIeiiima casa u a i11 diversa atuuza, I'iina
pag. 125. dellr- drie iicin coii;~iiilct verariieiilt! il hirto, se non qiiaiido
(6j Ayud WAECHTER, LleEZu cons~tmmazione de2 ft~rto porta Ia cosa fuori deila scanza nella qiiale essa era ripos-
cit., Ioc. cit. ta. Se due iildiuidui dirnoi.aiio nella medtsima stansn, CO-
(7) Rsutl ~ 0 1 ~ b ZU. o proprvietk cit., pag. 108 c scgg. me i compagni di uiia celia carceraria; o i convittori di un
(E) Z h i t é thkoripui! et pruttpue dti, dvoit pinal J i , a ~ ~ ç a i s collegio, il firrto piiii dirsi cnnsiiinato, quando lu cosa è
cit., t . V, pag. 399. totta da quell'augu~torecinto ove si contieiie tutto cit che
jY'I iYotion dc le s o ~ ~ s t ~ a d iço~$nr r n eéEdnle?kl cut~~titufif nppartienc a1 doi~iinusdi essa7 ad è portata ria nasciiide~~-
rZic vul, Paris (Heuri Jouve), 1004, pag. $2 e segg. dosi sia altroce, sia f1.a gli oggeiri stzssi de1 soitratoreii.
(10) Tfzdork du code penal cit., t. IV, lue. cit. ..
Cap. 11- 0 p~rto?to direito po>.luguês 149
----

inrompleta a contrect~itio, o furto ó imperfeito, e o meu estalajadeiro, roubarido-me o anel, o esconda


eiro grabc L pretender ver em t:~l hypothese um n a tuesn-ia casa eiii qiie Iiabito. 11';potliese quc, 71%
furto coiisummado. doutrina da siibtracçRo. n5o seria de hirto coilsum-
Mas esta doritrina teni siclo vivamente criticada. mado, porqile o objecto 1150 saíii ainda d:r minha
Assim DE ~ I A U H Orejeit:~-~~
(1) U O ~ L L Vvaga e indefi- espl~erade actividade. cliie, çt;rtainente, se estende
nida, porque não apresenta uni criterio niticlo e se- a toda c a s a . . . D. Mas esta rricica niio nos can-
guro para de~er.minarcm que ~ o n b i s>Lt espliesn
~ de vence, já porque para a deterrnii~açãodn esphera
actividade patriinoniaI dopropriettlrio da i.es furtiva, de actividade deveiti esamiilar-se, eni cada caço
e~qilecencloque. qualquer que seja a forniirla, ernpre- se a coiiaa s;~íiida d i ~ p ~ i l i b i l i d a ddoe roii-
~oil%ieto,
gada. seiripi e as contigencias varias da exaçoçãii do bado para do laclr5o: já porque. lia 2ij-pothese
frirto suscitnrilo difXci~ldadespara n deterniinaçso referida (I), se trata de esphcrn de actividade com-
do momento consnmruativo do fi,i to (2). Outros re-
pellem-a por jntrinsecaniente inexacta, já, quc dA
logar aos paradoxos mais graves: fazendo-se clepen- pag. 22), diz que, aqoaiiclo o IadrAo, pondo a m2o sobre
um rclogio, C: suipre!ieiidido auten q u e tenha rp~iseg~~ido
der, eni dados casos, a consumniq20 do orimc, iiiio
apoderar-se d'elle, nSo se trata de fitrto consummado:>,por-
do facto du Iadizo Ui't6 do ioiibado: ata1 o que sue-
que ai1 Isdro non è ancora perveiirito sd imposseseai~ide$-
cede] ia, diz uin escriptor (3), n a liypotl~csecin que ?ziti~;n,~~snle(1elI'oggatto Ct~rlivon .
( l j Invocando o exemplo referido, T T 7 ~ ~ c r n(De1Z.a
~a
cunsir~~mrre~oiie CARKARA
del,!j~vttlcit.), diz: 1*ep~od1il~il1<lr~
( 1 ) Dsl-fzcrbo cit., pag. 9. Tsniberii &IAXZI'~I (Frattato (Progmrnma de2 colao di dil-ilto ci.inainalc cit., pag. 2f),
del jwrfo cit., lcic. cit.), dia que ta no@o da e,sphera de que, com a tlieoris da subtinc~$o, se ooiifuiiclà a posse da
actividade patriinonial do lesado e do ladrão 6 puranieiile cousa com a posse da casa. Jlas, tal confiis80 nAo se dá,
icleologica ; ti5atase de uiua cleterrniiiaçiio concreta, em que visto que sit~i~lesriiente se siistenta que, eniquanto o ladr8o
fiada ha de juridico, a18111rla dcdiicçã» que ii jiiiz faz do não transpôs os limitcs da casa, não pode dizer-se que rs-
facto exairiiiiado a l i v ~ ~ ~ na~reciado. .
~ i ~ t e .11. teja consumiriada a i.iolaç3o do dir.aito de ~iropi.iedadt.,ou
p) Vid, Hossi, iLi.aité de $i.oit périmb, Pari* ji+iiillau- em termos mais gei:icP, da. relacào preexistente entre a
min et C.''), l2S5, 2.%ed., t. Ir; pag. 47 e segg. cousa e uua determinada pessoa. Trata 3" de crimes con-
(5) l ) ~ :~ I S U I ~ O ,7)ei fu.vto cit,, loc. cit. Mxs, este mesoio tra a actividxdz pat:.imoninl? diz cciiii razzo P~c;r.ra(Dc-
escriptor se mostra indeciso, quando, oriticando iim exem- litti coqztro Ea pi*oprietci cit., p. 57!, a qual tem Ljrmas di-
pfo de J ~ A K C I A(ri N Olitolo X de1 codice perzuie, Napoli, 1890, versas de manifestayio, e parece pouco exacto afirmar
Cap. 11- 0 furto ,to diveib porli~yi,& 161
-. -. - .- .-

miiin ao Iadr:'io e ao roribndo, c iieste caso, bnstsrlt fica perfeita com a sua apprehensso, coni a iriteti-
para n consirmmaqâo do furto que o auctor d'este, 9% cde a appi.opiiasi ( I ) , para se considerar con-
approprittiido-se d a cousa, a terilia sul~i~t-tthido A sunlmado o furto exige-se que a coiiea sáia da es-
disponibilidade propria. Em tal caso, seguiodo phcra de ai.tividatle d nqiielle it quem ella pertence.
tlleoria rliversu, adruitti~uosqrra Ii:cja furto consiim- Mal coinprehendcmos, porénl. tal objecqgo. Em di-
mado. reito civil, a oceirpaç8o terii Jogar quarido :Lcousa
Allega-se mais qiie ii riomt doiliriiia contradiz sQe da espliera clc actividade do proprietnrio, e, em
xbartarricntc us principias do direito l~en~cl, porque direito penal. sristent-ainos qiie o frii.to se rep~zta
confunde a objectividade juridica do crime com o co~iaiimmadoquando a cousa 4 subtrahida áquella
fini remoto que o ;agente tem em k i b t a - d i s l ~ ôli- ~. esphera de actividade: onde, pois, x antithese?
vremente da coma, pondo-a ao seu alcance. Mas E note-se que, se para as res nzhlliua basta a, sim-
notarenios, com P E S ~ I N . ~qiie 1180 se f a z consis-
(i), ples occupação, pz~i-aas res alterius, pelo contrario,
tir o mouicntu corisiimniativo do f i ~ r t orlt~couse,cu- estabelecem os codigoa, como garantia da posse
$50 da liberdade de dispor d a r e s jhrtica; mas n a e do douiinio, noriiias fissis e taxativas, que regu-
subtritc<;i'i,oda COLISU á esplieru do activicladc do lam a forma por que s e adqriireiil arjirellas coii-
deteiltor ou proprietario, qne é o fim inimedia.to sas (2).
q11e o deliricl~lentese pi.opGe corisegijir e qlie c ~ i i s - Iiie6caz julganios tambem a objecp50 ?e que
titirc, prt.cis;iincritc, ti objcutividadc juridica do esta doutrina 8 perigosa nas srias applicaqões. por-
crime do furto. que: dsveiido o furto dizer-se consunimado quando
Diz-se, niiida, cliae :I. t,lie.oiia. qrie defeiideriios est6 o IadrDo pôe n cousa eni I o p r seguro, a proprie-
em perfeita antithese corii os principias do direito dade dos cidi1d;ios fica exposta a ui;~isfrequentes
civil erii inateria de posse, pois que, ao passo yiie
scguild,3 estes a occupaq%oinat,erisl de uma cansa
(1) Vid. Sr. Dr. TEIXEIEA D'ABREU,Ligaes d6 cli,,eito
ciciiput.licgek, Coirnliii,a (Frarip Arnaiio), lSc)S, pag. I i)?.
que o furto se consumilia corn a viola~Xoda posse, pcrque, (2) Vid. Vou Iaeicta~, T e o ~ i ade la yüsQs!o~&,El Jtn-
em muitos casos, com u furto, viola-se u d~tl,ruluti)doniiriiu Jarnt'nto de ia p)rotscçif;n poceaork, vers. por AUOLFO 1'0-
qtle uma pessos t m solire a coiisa.. . SAI)^, Madrid (Revista de lagislacionj, 1894, pag. 15 t;
di d i ~ i t t oyenrtle cit., i. r i , prig. 312.
(1) Eb~~zeizti segg.
Cuy. 11- Ofurto no direito portugub 153

ataques dos iualfritnres, vist,o que miiitci difí'eieiite c?" da eoiisa, á esp?~ei.ade actividade patriiuonial
4 o iilc~inccda fi,l.l.ritilt~por riús cinprcgacla. do pi-opriet:trio, crcnioa eutz prefeiival (I).
Podefii: iix verrlade, dyzer-se rliit a ~as$f"lr~?ica iim yiirl medi,r.rn entre iz tlzeoria da conti-e-~
estri ei-ri lug.21~ scgiiro dc.de que ri 1;~drKotrxnsphs etutia e a dti cl.b?attiu: tiq~iaIli4triiiito rjgoros;i, esta,
os limites cla capa oncle coriinietteii o fiirto? Se: muito torninlistn (.2!. E foi ella a adoptada pelo
par:[ se considerar consiiiniria.rlo o f ~ i i t o , deves- ~ o d i g openal porttigtiSs.
semos esperar que o ladrào tivesse conduzido a
coiisa para Inga,r segurfi, a. maior parte dos fiirtos
(1) I)esnece?,snriob dizer que a diatincqão de CARRARA
corisumrn>~dos scrialil piinidos como tenttldus e a
(Proyramma de1 curso r/i rli.~-itfocriminaie cit., pagg. 28 e
resressão peiia! perderia de efficxcix. Bem dizia
29) antrc: a?i?otio iefiriitiv~(a que se faz da conea que se
~ $ I T T E R ~ I , ~ I P(I),
R qiie síi J jilstit a ilieoriii qiic de- quer fiirtarj e pieparatoria (a que i-espeitw :r causa que
clara consummaclo o furlo qnarido o ladra0 zha ri- servo para facilitar o furto do oritra) 6 perf;.itamente iniitil
rno3sa 1% cosa. o r e il d ~ l ' i l h ~ 41% f ~ cnetrjriira,
l e I'ha na no%a Llicoria, pnr isso 111'. C. i~xpo""i"el a confuu8o entre
prcsa i11 modo chc resta iottopostii. ;rIIa sua sola os actos preparatoriiis o11 cunrtitutiros da teritativa e os
disposizioner . que constitue:n a coiisumma~ãudo fiirto. JTicl. CRIVELLARI,
B8i ranti c o n t v ~la p?opr.ielG cit., pag. $3; ~ ~ ~ ~ Bzt- 1 x 1 ,
Etitre, pois. a. iloiitiiria qiie ccirisiclera colisriili-
luto tbe2,fui.t~ eit., p. r i , vol. 11, pagg. 233-235.
mada a leszo da actividade patrimonial do TOLI- (2) Nsta theorin recebe f~cundcte pratica appliea$io no
bado, qiiaiido, de facto, el!a. n2.0 teve niiiil:~lugg~r; caso ein que a avidez; do larli,ão seja dirigida a urna plura-
a guc a faz c011sistir O ~110incntnde corisammaçito lidade de coiisas. Assim, ri:+ hyIiotli+ae refevida por DE
do furto na appreheris8o cta cousti. corii interiqso de ~\~AURG jDel .fz~i.lo cit., pag. lii), T%'AEC~ITE~ [Dellu t o l i -
apprcipri:i.l-:i.; ;L qrre exige, p:irti a coiisiirnina~ãodo su»lnsione del j r ~ r l ocic., )?r. cit.) e &IORELLI (Det nlonle~to
consrcr~~atico de2 fzcrfo cit., loc. oit.), e m q r i r o age~itrpõe
fiirto, a trnnsfereiíeia da cousa poia o logar desti-
de parte, em r~iupreclio do i,oiibado, iima coirsa a que prn-
nado pelo :ciictoi dc-j Ilirto, cirtiirriistancia qnc 1120
tende reunir outras para as subtrakiii. J e rima SG vez, cao
ptde ter importanciil alguma juridica Faia oe fins basta a sinililas j~11~1;3o (i';iqktellas C O ~ I S ~para
S se ter o
~ ~ r i i ncl ;a. qiie rt:p~~t;i
d a icspori.ji~l~ili<l~~~t-1t: consun- crime cansirilinia:lo: a poss? destas ciolinas, qiie prrmane-
niado o crime dc fiiito quniido se realim rt sulitii~- cem sernpi-e na esphera (1% srtividirle patrimnnial do le-
sado, iiko sofire a!teraçao pelo facto do tcrarn mii~ladode
logar. 'Prata-se de simples prelimiriares do f~irto,de Tuara
prcpara@o, c!onscrrando a parte les~ida.a disponibilidade
Cap 11 - V furto iio d i ~ r i i oportz~g~lEs 1%
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M a s , s e o c o d i g o c o n s i g n o u a doutriila, x nosso 29. rr Qualquer yiie s e j a s o r i g e m , a essencia 0x1


ver, pruferivel? p o u c o feliz foi, t o d a v i a , c o m o tere- o r e s u l t a d o dos nossos .actosl diz STEPEIGN (I), para
m o s occasiào de ver: na fhrnlula que a d o p t o u . qiit: p o s s a m iuvolr?er a n o s s a rtis~~onsabiIidade6
ilec.essarin que, ria b a s e destas actas! exista a r o n -
ta.den. Este clemeiiti) i s i e d i i c t ~ i v a lque str enoont.ra
na origeni clc todat: as iufracções puriil-eis, é, yiianto
das cousaa. 31al se poder&, pois, susteutac, como fazem os i'~figilra juridicii 130 furti), designado 110 art. 421.'
oriticos da nossa theorio, que c:ida cima das couuas cons[i- dn codigo penal p o r t i ~ g i l t spclo arlverbio jirnudn-
tue, separadsmùnte, objecto de furto, que 38 COIISII~IIIIIIRcom
lentnrrcerzts, cor11 quel poticu cairtelosarncntc, o legis-
a simples approhenslo; e clem ellea em uma peliyuo de
I:cdor pirrteiideii i n d i c a r o elemento int,ei.~r.ioriaI,oii
principio, poiqua sendo a iiitençlo do ladrso dirigida mais
além do que o simples furto, uàii se pbdb logicaniálile dizer na. cx~ireseiicl?.»s erimirialistas, rc f o r p niox;a.I sul>-
que seja consumniadu o que: n:t iiit?uç%o do agente: s6 jeetiua do crime d e ftirto (2).
estava comecado.
Nem colhe o repara (te WAECHTEB, qoe procura apoio
rium ?r-ctsrio da doutrina o l i p o s t a - ~ í l i l l ~ ~ l t ( a y u&d~ R W E Y , (1) General .~ii7ijrif the crimititcl Ia% <n Eiz~lnnd., Loii-
Giorr~aiep~ i'a~~iini~~istrazio~~e ~fellilgiiestiziu del B g n o di doi1 (Nac miliari and C."j, 1863, pag. 76.
IV?c.i.temherg, t. m, png. Jj, dando, aliás, ao texto invocado (2) Pouco cautelloaarn~nte,dizemos, porqiie, se belo que
interpretapão qiie, por forina alg~iinn,eJlc auctorisa, de que se faca; por veeeu, coiucidrr os teruus dolo e fraude (VI-
a nouaa thcoria. n8o puderia ser applicada cqiiaiido i1 ladro DaL, C m c ~ j ire. drliit c?.ii,~isele (22 scicnee penifel~tinire cit.,
ino~miricisubito a sottrarre alln cilstodia del dorlibato de fase. 1, pag. l i 9 e segg., prnec. nota 1 e pag. 183j, coin-
siiigoir. cuae yigliatc! gcttrc~zdvlrfzro7-i d d l a $ T L P Aper T ~po- cidenci~qiie jà se pretendeu ver nas expi.essbes fratcd?!Za~a
s definiç,Zn rornan:~(lu fiirto (D~s.ranmss,
e ~ U J I L S i i ~ t ~ l uda
lersele piii i-otnodan~erite c sí~urainenterarir:ar siilla stralla
di natte tcm~io~i. Na ~ ~ c r d a od ~l:idr%:)
, i.xercerit~sobrz as T~(ri:té rlic 1191 cit,., png. 92 e nula 4 ; P c a r . ~ ~Delitfi , cnn-
causas que Ian<;:~va.psla janella um acto de dominio que o tri, la prl,pricrd eit., ],a,-. Si), w que: com iefeiencin It e s -
pxeij-20 i~>-0~~1iiiruct10~~ ~ ~art.
f i ~ i 1 1 d t : l ~ ur10 o 37P.O do codigo
pr0priet:irio çertaniento riRo exerceria; mas os setis actos
eram nirida actua preyal~atorios, porisso que podia ser rles- peiisI francês, ir geralrilente (1efrndici.z (Tid. G . ~ ~ A u D ,
çoberlu quando lançava fora 0 iiltirno objeci.~, i, neste . Trcrilr rhivriqile et prnlipte (lu rlroif pd7?ul fi,a?igrc& cit.,
caso, 1na1 se poderia dizer que se çoiisnmmar:i o furto de t. v, y a g 4Li7; JJaz-zr?ír, T~atatfudel faw-to ti:., p. 11,
otrjòct,os clric ficaram na disponibilidade do proprietaiio. rol, n, se%. r, p;ig. 211: Cnaux-~nirr t ~ É L I E ,TIGorie dti
Vid. ASUREOTTI,Cont?.iSt~fíi ~ f ~ ~ i e o - , u ullo ~ d ctoovico
o c ~ d e ~ r ~ cit., . pag. 26; EASETI,
r u l ~ o l 111, DIi delitdi c«nlro
de2 furto cit., pagg. 54 e 55. !a priir,i*ietù cit., ptg. %I;:, certo i: qnr (: terino fiaitdu-
Não constitue, pois, eriiile de furto n xnbtracç,2o SIC CELA ( I ) , Vrco (21, DE %I.LLTBO(3), LOLLIKI (41,
involiintaiin da coiisa xilieia, nem, pela inexisten- 1CI~snrar(5):Pircr,rx (6): srisfenta,-se, cnni excepção
cin do dolo ('rcilz~ntas~cebri.$~
pelo facto d e irttenq2o unica, do nosso coriheeiinciito, de KLIEX(71, qile
dirigida A viriliiqRo do direito de posse de oiitiein, R cnlpa, errt inai.sria d e iilrt.o, ewspa R swncr;%"to

se pbde conccbcr a figttra j t i r i d i ~ a do fiirto ciil- penal, porque: rio dizer do prirrieiro dos escriptoies
poso. indica.dos, r a im~>rudenciaIiumaiia s6 tein neces-
Dcsde CAKRAR~
(1) c Dlascr.rivo (2) u .&~AC;R%
(31, sidt~dc de ser i.cpririiidit quaiido seja c:tuaa de
darnilo n%orepara\-el, o que iiko tem logar qunrido,
p5i inwd5 ertuilcia, se siibtwhiu a ~ 0 1 1 6C{?~ outreni,
tosa, da definição romana, nio indicava o do!o generico do
pois que a reparaquo conipleta da imprudeneia com
fiirto, mas os meiow 1:" q11e este S P re?ilisít~:a,servindo
1mra distingilil-ii das uppropri:ipOes violerit:ta q u e ctiliiaui L: restili~iqaridn o)njepto (011 rio seu ~ a l o r a, j ~ i i l t ~ r e -
sob a ectio de vi 6~i12r~i'z1712 raptij?*?L?n (~!KI~HI?;I, Alpp?i?2tc mos) eliiliina o caiactcr l~ulitioodo ciiiricn. RL'CO-
sulba teoria Jsl f~rriocii., pag. 151) e iuvolveiido a ideia candí) qiie OS ensinauientos da. escola positiva yer-
de maliiiosa clandestiritdade; o dolo consistia ns ~ciantih niittcni dcfcnder o furto culposo jS:, iepelliliios a
frairdis e p~opusilurndelinq?ieiidi, ppre~,zlrcenilona elabo-
r a ~ ã oda jnrispriirlencis, esti: segundo t:lcmeiito ysycholu-
gico du crime, istri ti, o acta da resoIiiçáo criminosa: a ? i i a - (1) De2 .ficrfo cit., p:ig. S8.
I ~ f i t i udistingirif woEuntas e t propositarn dcl;n?~tentk>,.» (Dig. (2) F z ~ ~ fapuii
o , Digesto italia~locit,., pag. 1020.
47, 2, 53). E ests d.verso nlodo do apreciar a definiyk (3) De1 f x ~ t oçit., t. 11, p q g . 60 e 61.
rornana. rlo frirlo teru-se ~.eilec~idii na jiit.ispritclrn<:iafrs1i- (4) Sal v e d o d i filvto cit., pag. 67.
cêsa, onde já ee pretendeu resuscitai9, a proposito do eitddo (6) ri-attato rleEfi?-to tit., p. 11, vo!. 11, sei. I, pag. SE7.
artigo, o originario conceito da fraude no furto. Prcferivel (6) Dalitti ccinti,o b yrupi'iet6, cit., liagg ti6 e 67.
seria, pois, a exy~essfostlbli.nc@o d0703<z. Vid. CIRMI- (7) Rkcis!a d t l L ttortie ,,cloliie (rl rlr79to d i jisrlo cit.,
GXANI, Jz~ris c~-i1~i12cílis eleme~zta, Eotiia, 1829, $5 23 e pag. 123.
3egy. ; IIac~r,Rcati c o ~ ~ t i .lrr o prq,iieil$ cit., pagg. 112 e (S) Vid. AYGI~LLNI, Dei delitli colpo.4, Turino (Fratelli
113; M ~ I ~ A N Des D , cols doi~<~sfiq~ras cit , pag. 110-113; Bocca), 1 ROI, pag 39 e scgg ; FERRI, K~cioEn,qlu~rjli2i-
Kc?~isfrtd,: LegislncRo e ds jirrispn~dencicc, t. XV, png. 3%. nake cit., p a g (130 e sogg. EIesitantc entre u dotitrina czlss-
j l j P1~ograrr2,nu d ~ curso
l di dirltto e,~iiili~~ult.
cit., vol. IV, sica e a escola positiva, niostra-~rSTOPATTO, Lieaoztoplc-
p a g . 29. nihilc, Pacl~iv:i-Vero~in (Fi,alelli-Dr.iickei~,1893: pag. 104
(i)11 titolo s dei codictpenab itnlia/io cit., pag. 33. e segg. 13. tambeiu os estudos de PUGJ~TA, sobre :L psy-
( 3 ) %euti corlfro la proprietd cit., pag. 113. cliologia da. c,iil~lao sespoiisabilid~depenal da culpa, na
Cup. T I - O j i ~ r f onu direito pni-tugub 109
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dontrlila por cata propiigriadn qrianlo Q iriodifinn- O motivo deteriiiiiini-it,e d a acç8o sei;it, como diz
@o do dolo penal que sei-ia substituido, como cri- I LIW a i.?z(tice p s i c o l ~ ~ i c odo crinie, mas
C ~ Y T(1): 2

tcrio do eIerricnto snb.jectivo do crinir, pelo do GTYI n,?o o seu elemeiito subjectivo essencial, yiie s6 s e
ou do motivo dctorminante do facto criminoso (1). niariifcsta ria direcção da ericrgia volitiva consciente
jii ~ I I Pestes dois ~oefficientesou siio elemeritu5 dif- e norma1 para a pratica, do crime. O criterio, para
ferenciadorcs das especies crin~inosasou gradua- n68, fundarr~cntizl, clo dolo peual reside, pois, n a
dures da periaIiclnde, mas iiunca eseenciaes á uoçUo volii1it:iriedade da acç8o com a con~cicncia de
jiwidica do criilic no heu cont~Udosubjectivo. actuar cuiitra o direito, c s6me1ite a s suas iritensi-
Uma acçao é puilivel quando, t-ofun~arianiente ficações ou differeilciações podem consistir em uma
conimettida, Ieaa o11 póde lesar ilin direito prote- variedade especifica do seu motivo detcruiinamita.
Siirge, assim: 1-10 lado do dolo generico, o dolo es-
gido pela ordem Juridica: a natureza do motivo
deteiminante dn acçno, o seu valor etico-socixl sb pecifico, que, restringindo ao crinie de furto, reside
póde iiilluir sobro a. xprecit-lçiio da yuantidadd po- ila direcyão coriseieiite da vontade para x appro-
litica do crime e sobre a grnduaçzo da pena, mas priaçãu nnti-,jiiridica da cousa move1 alheia (ani-
não sobre a essencia juridica do facto c~imii~oso: vzzltn abi ho.be~udQ,com o intuito de tirar pro-
que é punirel desde que se verifique a esistei~cia reito dellu.
da vontade conacicnte da ciiniindidade do acto e Mas, SE, com PUGLIX (2) e CARR-ARA (3), entende-
dos seus effeitus e se rerifiqiie iiin facto, voluntn- iiios iiecessaria a distiricçXo do dolo c da intençao
~.iameiitepraticado, qne ronstitun, dainno effectivo d e prejudicar, porisso que, para que liaja dolo no
ou poteiicial, directo ou indirecto. furto, hasta que o 1adr..io saiba qiie a roilsa 8 d'ou-
trem, sem qiie seja necessario conhecer a quem
precisnmei~te pertence, e poi.clne a coiifus80 do
cit. L a seitola positica, 1808, atino vm, pag. 129; 1900,
; i m o x: pag. 577; e n Sr. I)r. PICORO ?/TAETIXS: Da pue-
brcl e da in~cilceneia no direito ci.iniincll porlzlgii&, Coini-
tira (E'iniiça Amado:), 10131, pag. 184 e nota 2. (ij Bneora dei ~ i i o v e l i t in d e i l i ? ~ g z ~ a1111tl
~ ~ e , 7i'e~;istni~ennle
cit., vol.LI: pag. 211.
Íl) I7id. sobre o inesmn aesiinil)to, entre outros, FL~EIAX,
T ~ n l f a f odi diritto pwclle, Milano (Yallardi), lLJ00; RES- ( I ) Delitfi eo?~tr.oEa propriefd cit., pag. 69.
[rano! Sogyetivisaio e oggetiuisviio nelEu ~ ' ç i m z udf:Z (dkitto (Jj Prayramiiir~JeE corso rZi rliisitto ci-irr~ianlccit., vol. W ,
pende, Moderia, 1895, pag. 5 e segg. pagg. 31-33,
' C Q ~TI-
. 0 , h r l o nu direito p~rtu*gu& 161

tiwi,iizu,c .izoccndi coma ii~t,criy.:"lo


de prej~tdicarlel-a- bemos que, não obstarite iniyrugi-iadnpor CHAUVEBU
ria & exclue-$o do dolo rin maior parte dos crimes ET H~LIL: (I), GARILAUI) (;2j C BLASCHE (3), tcm clla
~*uilt,ra,a propriedade, niio crnioa a ileceesidade, sido applicada, mais de unia vez, pelos tribirnaefi
prira a. iritcgr:tv$o do cri111e (Ie furto, do seli l n o t i ~ o francfises (4). %Ias,com razão, escrcvc BERNEIL (j),
deternliiiante, como silstcrita o priiiieiro dos eseri- cuja opiniilo recoll~eos sirffragios da generalidade
ptorcs iiidicados: o crima: coino cc!uceyçAo juridica dos escriptoics z~lleniâes,que «I'intenzionc de1 la-
siib-iectiva, 6 jk perfeito corxi a prova dc rein sibi dro P rivolta a d una i ~ y i u s t n :apprq3~ia,zione;che
h<rò~:,~di contra a voutadc do IcgiRirio detentor da 10 scopo di l1~7.or l o i i B sicl~iesto;ehc ainniet,tendo
cousa; o fim quc ci xeil se prop6e 6 iucliacrcrite 4 che i1 ladro dece esseie mosso a rubare dãllo scopo
esseiicia juiidica do crirrie. di lucro, si nscirebbe da1 osmpo giilridico, e che
. Nrio descuiilieceinos que a dciutiina qric rejeita- le folla &:i piccoli Iadri dovrebte aridare iinpii-
rlios tcnl por si a esci>l;l.criininal italiaria (1) e que nita B .
na ~ x o ~ r inagistratura
ia cla Ilnliiz é i~otavela con- A intenqsu do ladr%orl chegar a lima appropria-
i l anirnus
<rordaneia q11~11toao i e ~ o ~ l h e c i n ~ edo t~ lu- @o iqjiistst: qucr appropriar-sc da cousã, que sabe
cr.r,ridi conio ccndiczo necassaria do crime de furto pertencer a outrem, e cuja appropriação este n8o
e como criteriu dist,inctivo d o ci.irria das outras coascritiriu. Y"1 6 a ~ u c d i de~ta1 ~ 4 O liuiite de iri-
~ E e n s a acoiltra a actividade patriuionial como E ~ L - tençâo dolosa nesta materia (6). Nem se diga que

(1 ) P ~ o s r sElãt~ieiitirEi:&i~itto~enub
~, eit., t. I r : pag. 214; (1) Il'héoric: dlr rode pencil cit., t,. 111, png. 28.
C ~ r v e t ~ a fjel~ r , i,eatl eontio E? pi.opi.ictà cit., pagg- 36 e (2) TroilB thaol-iqile et prutipile du droit pé?icil f ~ u n ç a i s
36; Maoar, Xe0l.l conti.o Iuyiop~iaiiBcit., pag. 113 e LIRA- cit., t . v, pag. -108.
BIA e BBUBA,abi cilados; h I ~ ~ z i sZ'rattnto r, d,.ljurlo cit., (3) Apud Gax~arril,T ~ a i t éthioripue et pr.diptle d z ~droit
p. TI: vol. 11, scz. r, pagg 589-991; E , t s a v ~i )~e i rlditti pdnstlfruapuis cií., loc. cit., uofa 66.
co,~tr.o lu l~!,r~])rie12 cit., pagg. 25- 2 i ; C I V ~ L~Il,f u ~ i ~di ~ule (4) Vid. UEOEGES YID~LL, COILP-sde droit c~hnineded de
diritto penale cic., pagg. 1317- 1310; ~I.IRCHY:TTI, Cblnpell- ,
sçio~tct!pdnitcntiai~*ecit fase. r, pag. 183, iiota 1.
dio di dliátlo pri~ale cit., pug. 287. (5) Traftato tli diritfo penale cit., pagg. 441. Assim,
C ~ ~ z t r aL~cuaisr,
r alia suiti,ozio?ie rlellc cose 2,'
liito~,~i.o entre ciiitrou, METCR,SCUULZ,GRYER.
gyhorate e seqzsutrate, apud I l i v l s f a pmnlz cit., t. XXXIII, (6) TTid. La Sci~oEfrPositiva cit., 1906, anno xvr, png.
anno 1891: png 18. 448 e srgg. Coiu inzãii cbr:r,:vc I.icri !&RIA Joiiubo ( f i m -
1:
u e a r n c t e r i s t i c a diKereiieia1 d o f u r t o e d o d a m n o palavra co7~sn. Esta e q i r e s s 2 o abstracta, d e sig~ii-
c o n s i s t e n a d i v e r s i d a d e do fim a b s t ~ a c t o q u e o ficaçzo pssencialnierite j u r i d i c a . a f a s t a prra logo
a g e i ~ l ese pi.oli6e; A B e s s e n c i a m a t e r i a l que 6 iie- d o cloiiiinio d o f u r t o as G O U R ~ S~ , x ~ ~ ~ ~ - e o ~ n m e r c i z ~
c e s s a r i o ir buscar o c r i t e r i o diatirictivo: hn furt,o coino i ~ i s u s c e p t i v e i s de ~ i r o p r i e d a í l e y n r t i c a -
q i i a n d o h o u v e r s u b t r a c q ã o da c o u s a (i);damrio, l a r (1).
yiiarldii I i o i i ~ e rr1estrriii;Ao. Nqtniido qire, e n t r e a s c o u s a s que, uii p e l a sua
n a t r i r e z a o u por i n o t i v o s eticos, r e l i g i o s o s o11 poli-
30. O o b j e c t o i n i n i e d i a t o
ou siljeito passivo do ticos, o n o s s o í:odigo c i v i l aubtrkrhe As relngões do
furto 6 cle~igx*adon o codigr) ycn:rl p < ~ i . t i i g i ~ Opela
s direito p r i v a d o , conrpreIieiideilioa, contra a o p i n i z o
d e DERNBURG e L ~ M J ~ A(S), S COHc a d a v e r huniaiio,
cujo s o n e g a @ o c>u o~cnltaçãoo ~ o d i p o~ ~ ~por- i l d
~ l oeodiyo
m e ~ ~ t a ao yei~cr.2porttiyuês cit , t. 111, pag. 238):
«k necessarin qti.: o agente tenha a intençho de prirar db
cousa o dono coiitra vontade d'este. E advirta-se que 6 in- ( I j Codigo civil, srtt. 370.0-372.0. N3o pela razLo ad-
different,~o fim cilrrl qilf: vil<: prativou o furtri; basta. sii a ùuzida por ICASZINI(l:ru<tatodelfcjir~rocit.: p. ir, vol. ri,
intenção de privar da causa o sei1 dorio, pois nisto Q qrie sez. I, pag. 8dEj de qug alr: perscirie sono nggi oorisiderate
consiste o crime:). Vid. accord5o da Relaçto de Lisboa, vss &ru-conwirrcwmn, mas porrlue a noção jiii.idiea da
de 15 de abrii de 1839 (Gcxcata da Rtloir*o da LisLua; xir, couu:i implica a inesistencia de pcruonalitiade (vid. coiligo
pag. 722); de 4 de março de 1991 (Guzeta cit., v, pag. civil, art. 3fiY.0), na!) pbdc o Iiome~uconstituir, no moderno
3041, de [O dc junlio dr: l i 9 3 (Gazeta oit,., vrr, png. 18); direito, objecco de furto. A sujeição a aaphiveiro de homem
accordXo do Snprerno Tribona! de Jiistiça, de 19 de novem- livre (codigo penal, art. 32S.O), a retençlo em carccre pri-
bro de 1392 (.~~/?-isprtrdenc<~ doa 7!ribti)raes, III, pag. 1). vado (cudigo penal, nrl. 330.O), a subtraçpâo (li: rnenores
(1,) Di:iu~etraImriit+opposta :ilei G a doiitriaa clrfenclidx (rodigci penal, art. 319.0j,o rapco de qualquer mull~errom
no accordào da Rt;la@o do Porto, de i: de marco de 1893 fim dcshonasto (rodigo penal, art. :39:i."j, nPo representam
(l26uEst.z clo Fôro Poi.tuyuês, t. VIII, pag. 61), em qiie se crimes contra a actividade patrimonial irias crirnc,i contra
sustenta qiii: ~i1ãor o n s t i t ~ e86 crirue de furto o fiicto d : ~ a s pcissoas. E, porque conservam o caracter du todo, tam-
siihtracgio, mas tambem outros factos empregados para o bein as partes drstar:adas r10 orgariismij Iiiiuiano vivo são
rni,sino fim, visto u siibtracyi?~iito ser rriai* dii que :L aççzo insusceptiveia de furto, como tauibem, no entender cle V o r
de haver alguma cousa contra a vontade do seri dono». L I S(Lehrhuch
~ cit., pag. 444), as partes urtijiciaes, qiiando
Viil. :t~.cor~lãotlii Siipraruo Tiibiiria! (Ir: .Tusti~:i, de 12 de insepumuck d o corpo.
maio de 1815 jBez;is!a cit., t. virI, pag. 124). (a) Didbs:hul iind Yrlr.;rligir~z,yoit., pag. 21.
tiigiiês (11, diA.s, expi,essamentc cxclrie dos crimes qualidnile &A cnl-isa, mas ntnx r e l u ~ a oe11ti.e a cousa
contra a actividade liatrimoriia.l, julganios iriaceei- e a pessoa, p e l ~ciii>rlesta nssigiia. Brlriella rima dada
tavel a opi~iiso!por aynelles atietores defendidn~, litilidade ecoi~omicao11 ri~oral,iteal ou presirinida.
de que a cousa que constitne o si!jeito passivo do Todas as C O ~ I S : L ~ ,ainda i ~ à ooonstilriinílo bens, na.
furto deva t,er valor peciiniariainente apreciavel. accepgilo do codigo civil (I), nem tcrido, por con-
A ccinsidei.aS:%odo filrbo como crime lcsivo do secluericia, valor ol!jectivo, podem ser sabtraliidas
patrimoriio, econoinicarnente considerado, qiie le- a o doniinio de qricm a.s detinha,: e este estado ile
vou os esciiptores á cIistincçEo de valor I ~ P1160 B facto torna-se, penalmente, tinja relação jirriclica
valor de troca (2) e ieliniiiiuç20, por alguns pro- pó pela, r,ircilmst;rnc,ia de nãn esttir eni absoluta
piiguada, r10 doininio do furto das coiisas de valai. opposic;fio coiii o direito cyrie cstatiie geuericainente
iniriimo (3)) esyiiece o caracter e ris fine d a ttitcla sobre a proprieclade. E o direito penal hodierno,
penal, qae se destiila a assegurar t,odas as relaçõcs rejeitando o conceito escliisivamente politico, qiie
juridic,as, e eqiiece qiie o valor jriliciic:~, que a infi7rinQra n primeira phase d n siia coiietitiii@o
cousa. deve ter para que possa ser si4eito pa,eoivu suieritifica, e que tão perigosos conKintos originttrn
do furto, se aprecia eoiu uritarios purariieritc sub- entre o direito pena1 e a moi-a1 pnhlica (2): veio
j e ~ t i v u se relativos á pessoa do Icsado: iirio 8 lima R.ssentar: pela Iriocca de Vrco (?i,a, necessidade cle
coniprelicnd[:r rio furto anon solo i beni p R tr1nio- '

riiali, nia anche le cose trit.te in propriethn (4).


(I) Tyid. corligo perial, urt. 3 S B . O . Diverso B ii espiritii
que i~f0rrri.io 5 IGH.U du codigo penal allemLo.
(2) Vid. Pu~i.14,Dditti conti-o lu propi-iefd cit., pag. (1) si..Dr. ~ ~ U I L H E I ~h>~~o. n
~F~ i i l aí n, s f i f ? ~ i { i kdo
s di~cifu
130; PESSIKA, i2l~ztntk d i dirttto peniile iit., t. 11, pag. ~ U Y I P C ~cap.
Z ~ P11,
, 5 '38.
212; MAGUI,Reuki c o l i t ~ olu p~griet6. cit., pag. 116; CAB- i?! Vid. C+EBAUEII? UCJ*strr!!;-echblichc Gel~i~taxei,tia.ssr
~ G N A N J ,Elementn cit., pag. 259.
fiyt?i2sfdndtt;,Hrc:~lau, 1593; pag. 49 + segg.
(3) Lê-se ria Xov. LXIS: ((Qt1am~isres d? yiia agiliir (3) Furto cit , pagg. 972 e 973.
niiniina ~ideatiir,t,nineu justitiae ratio uou e.9 qu;irititate, (4) Assim, a coiitra a opiniAo de CARXAILA (Proyra~imza
eed sx ~ i i i si-egulis clehat existimari, liam tt quod diis vi- de2 cu.rsu di cltritto ci.i,;iijiale oit., t. 11': png. 34), G~nsxio
lissimuru videtiir, hoc aliie I~~ctiosissiiliirm e s t l ~ .Vid. Uü- (ECCI &i 'I;-ib!r~mll,aprile, 1870, 11.' %t>Oi, apud ~I,OLLISI,
TnY, Disse?-tatio dofgf;a~fo.rei min,7qiiae, pig. 310; LOLLIXI, &cl .>auto ?l f i i ~ t o cit., pag. G9), I k l l ~ u a o(Dei f u r t o
8ul veu6o cli $<?to cit., p:rg G9. cit., t. Ir, pag. 19; c PCGLIA (Deliiti C W Z ~ ? . O lu prop;eicl
Nesta doiitiii-ia. perfilhada pela j u r i ~ p r u d c n c i : t Como s e observa, n a s legislações penaes estrailgei-
francOea (11, parcoe ter-se i n s l i i i - d o , nxo o l ~ s t a n t e ras. que seguem o criterio d a subtracção, n ã o fxz
a opiiiino e m contrario d e SILVAFliaaão (Io) .
le- o codigo p e n a l poi.tilgiiês i.eferencia, p o r a n p w -
gislador port~ignCs(3). Aiia, a o caracter mobilinrio d o sojeito passivo d o
fiirto (1'1,N a s , p o r q ~ i e diflerentes sAo t ~ sfins da
31. Qnasi coristsnte ria evoIiiqZo legialativa e tiitcla patriinoiiial ~ i e i l a l ,n.20 (I: applicarcl, q n a i ~ t o
doutrina1 d a theoria d o f u r t o 6 o criterio da rriobi- aos eEeitos penaes, o criterio d a mobilidade ou
lidade da convt, objecto d a lesgo patrimonial (4). irumobilidndc das coL1sas c1n direito ciril: as cousas
moveis constituem objecto d o f u r t o $6 p o r q u e a
respeito d'ellas dri. a interrupç2o da posse cffeitos
eit., p:tg. 130), eiiten4crnos que a s1lhtracq3o de uma nota
especined. que dependem precisaniente da s u a mo-
d6 banco falsa, cartas particulares jvid. para a ahertzc~a
de cartas nii ~ a p e fecha~lo
l de outra pessoa, codigo penal,
ai%. 461.6;~,telegrammas, etc., póde constituir objecto de
lita est, diz-se na L. 2, tit. VI: de usucapionibus, qiiorun-
furto. E o mesino stistentauion a respeito de coueas qiie,
tendo por si mesmas iim det,errriiriaiio valor, nlo podem da111 veteruin sententia erristiniantium etiaut fu-iidi tocive
ser utilizadas pelo auctoi. do furto: neste caso a subtracção furt~irnfieri», e ~ ~ L P T A NpOi g : XT.CII: 2, 23) ohserra que
de titiilos de c.redito uüriiir;utivo~. «verum est, quod p!eiique probant: fundi iioniine furti
( 1 ) .GAHHACD, Tinitb théoriqice et pl.nt;l~te dtt droit riéi~nl agi noii p o s ~ c pela
~ , rnz% de qiic ;iiri:inobilis non nontre-
çta~itiirsed iiiradiintnr~).Nijte-s;., por$=, q~iz;,nas leis ro-
fiangnis cit., t . v, pagg, 382 e 383, nota 15.
( 2 ) Theoviu do direito pmliz1 ait , vol. rrrr, pag. PR e manas, SR fazia disti~lrfão entre ~ibjc~tosdestacado^ do
sç.gg. Vid. tauitierii LEVF>f- RIA Jo~olio,í i ? ~ i ? ~ l e l a t aao ~~io iirirriovcl, que constitniatu parte absolirtainzilte integrante
codigo penal p o r f u g ~ ~ érit,,s t. 111, pag. 249. a'& e c.bjectos que, pela sayiara@,u, :rdqiiiriarii in:lividua-
(3) Vid. cüdigo yeiial, art. 424.O; accordlo do Supremo lidade propria. A conlreifatio dos priuioiros n2o era assi-
TribiinaI de Justiga, de 20 da julho de 1900 (Gazeta d a miiad;~; ~ ofiirto, lioi.isso quo nXo eram i:on~id?radon,rigo
Rdaçiio de Lisboa, XIv: pag. 22-41; Revtkta de Legislagiio rosamente, couaas ruoveis (L. 7, 5 5 , Dig., qiiocl ~i nut
c de .hirispirccle?~cio, t. XXXI, pag. R G ; Zevi,cfir.do F ô ~ o c:Lrrl). Tal distiacçxo nlo encoritra nppticaç8o nas legisla-
Povtugit2s; t. vrr, pag. 173; O Direito, t. xxw, pag. 66. ções modernas.
(4) Sd no direito priinitivo se faz consistir o crime de (1) Biji, porveiitiira: por se dese-!ar colisarvar tal refe-
h i t o na i-ei ~ l i z ~ r «cimlirectntio,
e sein distingiiir o wii obje- rencia, expressa nn priinei1.a cdicÃo d o lirojja(.tn dc 1661,
ato; mas ria jurisrrudentia classica fixou-se, como criterio que, na segunda jlS64}, sa aubstltui~ia expre~sLos?tl>tvo-
essencial da contrectatio, o caracter de corisa movel: aabo- c@, pcla dc íippi.oyt.iuçào.
168 Do furto Cnp. I1 - - O f i ~ r f ono direito portzigi,F.~ 169
--

bilidnde e se c o n c r e t i z a m na diffic~i1rl;rdcde r e i v i n - R, da 1ioc50jnridica do firito. como da eroIiiç%o


dical-as. Nti accepçno material da palrxvra eoiisa, h i s t o r i r a do direito penal e da p r o p r i x l i n g u n p e n i
reside: pois. o c n r a c t e r j u r i d i c o de t:il c!eiiicnto n o teclinica, resiiltn qiie o o h j c c t o i111 fiirto 6 inscpa-
fiirto (lj. r a v c l do e l e m e n t o da inateri2lidade (1').p o r i s s o que.

jlj Assim, os nioveisyor natureza (codigo civil, art. 376.O) pag. 651 excluain (10 fiirt,o, cunaiderando-a o primeiro
podem constituir objecto de furto, porque sEo suuaeptivris criine de risui~pagto e o segundo de damiio, é de seguir,
de seram removidc~ir76 loco (C(! IUCLWA; C: a elles deveinos ern ftace (IR legisla$lo puituguBsu, a doutrina de 3 1 i ~
jantar os smn~;i:n.tex. Os moveis por disposiç2o da lei, i d o (T7et.i d e l i ~ conti.o
~i lu yroZ,i.idf&cit., pag. 15:) de que ((l'acqua
é, os direitos inhrrentes aos moveis por iat tu reza e que altriii, divenuta mobile mediante 17t?strazione,sia suscettiva
liso terihurn sido por lei immoliilinnrlüs (codigo civil., artt. di fiirto~,.Vid. Ti'eui.rta de L~egUIogZoe de J(trkpric(&neia,
375.O n.O 2 e 376.O), lino podem ser otjectu de fiirto, mas t;. xxrrr, pag. 153.
podem se1.o os documentos, os rnaniisr-riptos que constatani (1) Com razWo observa BERHER (Ti.attuto cit., pag. 440),
e proram aquelles direitos (PESSJKA,Elmer~tidi (li;-dto que enon imporia cbe Ia natura della cnPa sia piiittosto
pcnuZc cit,, L. Ir, pag. 208). kl:is? ncm todas as couças iin- in~ccanirao chimica, poichè tanto iiell'uiio quauto nell'altro
moveis, nos termos do codigo civil (artt. 37'4.O e 375.7, caso piiò averr Iiiogli Ia sottrazionc». Do facto do dever
slio excliiidas da nogão jiiridi<:a do fiirto: os imiuoveis por ser a coiisa niuval e corporea deriva que, se 6 inconcebir~el
natrireza qiie, como taea, n8o podam ser objecto de fiirto, o furto de entidades ii~i~ilalai<iaes, coiiio o pensairirrito sctieii-
adquiram tal capacidade pela mobiliza~Iode uiua determi- tifico iiii littcrnrio, as concepsões artisticas, a iniciativa eco-
nada pai-tn [BEBXER, Tr«t!ato cil., pag. 439); os imiuor-eis iiomica, o estado fi1ianeeii.o de ~ i m aeiripreu:i. iniliistrial, as
mediante a acção do honiem peIa sua n~obilizagãototal ou i~latirismilitares rle mcbilização, os proprios direitos, etc.,
parcial (Sr. Dr. TEIXEIRA D'ABREU,LiqZes da direito civil podem elles i.esn!tar de nina cousa corporea e, como tal,
portuguk, pag. 82 e segg.); os immoveis por disposi& da sirsceptivcl tlc filrto: aesiin, rolnu Jiiiiif;tinos, podz ser obje-
lei podem constitiiii., i escepç" dos conipi-ehecdidos i m o clo de furtu a siilitrac~kode doci~inentos,de manriscriptos,
n." 2 do art. 375.' do codigo civil, sujeito passivo c10 furto, da titulua de credito, obiipnçBes e urçaes sorinrs, rtc. Via.
.jL que sb por fie930 legal sIo alles nirbti.:tliidos i classe das CHABEAUET IIÉLIE, T/héoi.;e du cvdr peliole cit t. rrr, ,
coitsas moveis. Qiianto á appropriação dolosa de aguas par- p3g. 19; A S D R Ei'rT1, ~ Cgntr-ihi~fosfo,*ico jfsi.idieo c i t . , pag.
ticulares, que DE SAXCTIS ( F b ~ t no liilt,puzio~ied'ctcyt4u? 63. ,\lote-se qze, quaiico i subtrucp?Lo de ticulos au yorla-
apiid Jloaitqre deip-efoi.i, Fireiize, 1892, t. x s ~ v n.O , 6) e dor, diveigrin os c~ciiptores, inc1:iindo~a une (LIVJI-,
FRISIOLI[ATo:O1tf i t ~ t o12;: fi.ode d'acyri,~, rila dan~ielyylum(!ntu, M ~ i n i i ,HOLTZESHEIX) entre o3 crimes de burla, conside-
extratto da1 Rifoi-rrto gbiirlizin~ia, Xapoli :Tocca), 1398, ranrlo~aoulios ;I~'RF:IYF,WBE~~G~C, S C U X ~ ~a1311so
U H ~de~con, )
para a a p p r o ~ r i a ~ ãere1iisir:i
o d e iima cousn. pela sernpre ellx. corinexa no or$o e :i(>aninial que a
sua apprelieilsSo. neressario E que nquelIa respeite pi-odriz, icpreseiitu. coiiio n o t a Dr: ROBEETIS(1),
B propria qohstalicia da cousa, e 1150 se trate de uina riiera fuiicçSci da coiisa, recebeii? com as novas
um puro phenomeno d y n a i n i c o e separado da cousa descobertas industiines, fecunda ;i.pplicar,Bona tii-
de que provLm, de rima mera qualidade, insusce- tela penal das relações derivadas da. approprixção
ptivel de implicar a detenqso effectir a e o iiso real d o l o s a das coiisas q u e ee apreseiltain sob a ft5rma.
da cotrsa. de Aliidos. ?-J?~tecaço, n arrhtracçào do gaz tlc illii-
Mas, se 6 riccessario que a cousa seja rnateri;d m i n a g o e de energia electrica.
ou. antes, coiporea, de rejeitar é o aritigo conceito Mas, not.nvel 4 a divergencin, na. doutrina e na
da tangibilidade das cousas moveis, porisso que, juriaprrideiicia~ cli~ant~íi 5- prissibilidade de integrar
como escrevc CARRARA (11, o uso de nieios indire- a si1bt.racç.i.o d e energia. electiiea na fignra (10ftirto.
ctos n i o altera a esscncia do facto eriin~nosu. O
critci.io furidamcntal d n colisa move1 reside, p o i ~ ,
(I) Furto de egae?.gua geneticn, apud firo deZk Pt~ylEri,
antes ria ~ I K ~L i i t t t e ~ . i ? i l i ( h 011
c ~ i b ~ l s ( ' e l ) t i ~ ) i l ide
(~~d~
Trarii, 190.1, t. v; pag. 283 e segg. Esta opinião, defendida
ser ieniovida de uin piira outro Iogar. do que ria tainbern por B t ~ r ~ s()Se a aiposso concepire furto Si ener-
sua eontrectatio manual; e este principio. se niio @ri. yen&tica, apiid La Cr'iiisti-agiiadi-ria-ria, Catanzaro, 1904,
auctoriza a absurda hypothese d o fui to de energia aiino 5:; pagg 59-63 e 3Iaszrs1, Y'i-attnfo de2 j"7vto cit.,
genetica. porisso que, quer considerada, no seti ea- p. a,vul. Ir, W E . I , pugg. 355 e SaTj, foi impiigiiad;~por
tado r'lynnmico 011 iio riioinentn fiinccional, quer rio Xoito (bTt.'is~.tod'dndryio yaaeticrc, apiid Eùvo drlle P~lgZie
cit., t. v , png. lOi e segg.) com o aiguiiiento de qiii:
momeiito estatico ou na nova niatei.ia elaborada,
rl'energia genetica non ~iiii,annoverarsi ti.& i friltti civili
dell'aiiimalt?, ina 6 t i r i yrodoltu ehtr si separa da1 proilui;eiitc
e s e acqiiista ipso jzliz, come cosa a se aiauce, di~lproprie-
fiança, e integrando-a a maioria dos escript~reslia figiira tario dell'aiiimale. . . :I. Nas, nem a enslgia g6netic.a pbde
juridica do furto. Vid. L ~ s a a ,F ~ v i odi Zihretti di rispar- constituir, jiiridlca~ueiit~,o.jacio de posse, co!uo coiisa
v i i ~ ,apiid C;iustizMi pennk, 17599, t. v, pagg. 5i7-580; u ss, cxisteiitt, lia sua i~idi\.ic\oalidailejuiidica-suis %?iirro
Vrco, Fcwk~cit., pag. 975; P u a ~ i a ,Delitli confro Zapro- cii.i&us; iiem os tsslos do direiio rvuianu, eu1 q u e 5IOi:o se
pridd cic., pagg. 1 3 i j e 131. baseia, auctorizain a siia rrriiiclusPii. Vid., coni eíkito, IJL-
m a coiso cli di~i-ittoci-in~inulricit., t . IT,
( I j P r o g r ~ a ~ ~ 7de1 ~ r a s u s(Fr. 7, 5 3, Dig. 44, 2), P a u ~ r - s{Fr. 30 prini.,
pag. 36. Dig. 41, 3) e C.alr;s (Fr. 7, 1 1, Dig. 41, 1).
R.ejeitando, como inaceeitavel, a doiitriiin iiidi- parece in:ip~licavel A hypothese. ein que se trata
cada em segundo log:ir, porisso que, ao passo que de siibtracçãc> e nxo de defraudação do alheio,
u uso tem por pi.esupl)ost,oalisoiiito e indisperis:tvel sendo, 110 abuso de confinric;a, o objecto descnca-
a conscrvaçi?io da cousa, rio riosuo caso trata-se de iniiihado ou dissipado entrrgric ii disposíç"xo, com-
iIm vcrdadciro e proprio cunsiimo de energia ele- q~iantodeterininada. do deliriyriente (1).
ctric:a, c~iicL siibtraliidii As espe.culações do pro- Ficain, pois, c111 canipo, as duas hypotheses cori-
pietario, tarnI>crii jnlgaiiios pouco defensavel trarias.
aqiiella qiie sujeitii a siihtracç%o da energia ele- A iiiconciliabiIidade da puniç%) da subtracc;Zo
ctrica It disc,ipliria jiiridica do dainrio, jO porque dolosa de energia electrica com o conceito do furto
Salta em tal caso o urbi7n.cos nucendi, que caracteriza rias modernas legislações penaes, seria, no entender
o dnmno, mal poderido 11izcr-sc, como faz TYiri.- de FREU~EKTEAL, d e m o ~ ~ s t ~pela
a h ausencia do
~ ) qric nqueiri adtipta ao condnctor um oiitro
r r ~ jIj recliiisito da ~iinterialidade, da appropriaçBo dire-
fio para siibtrnliir a corrente, deterioia squeIle, por- cta, da co7af~ectf'1fioe atliltin, 1150 podcndo a electri-
que lhe faz perder uma das qualidades csscilciaes~,
já porque n soluçiio iiidicadn seria insufficicritc pai,a minliai* ou dissipar, em prejuizai di. proprietario ou possui-
tutelar as relaq8es qiie derivam clu Sacio cle tr:~rks- .
dor ou detrntor.. . cousa moi-~1.. qiie Ii+ja recebido.. .
porte da energis. electrica scm fios (2). Taiiiberii a para liso ou eiupirgo determiiiadoo, constitiiindo-se ua
doutriita propugnadn por STEKGLEIK, que, dignnios nobrign~3,ode rtislituir. . . raloi eciuiv:tlcntes e s e r i coii-
de passagem, menos viiliiaravel se apresenta eni demnndo Ps pcuae de fi~rto. Vid. çodigo penal italiano,
art. 413.O
&(:e da Ici perial portuguêsa, rlo cluc d e allemâ o11
(1) Vid. SILTAF ~ l i l l ã o , Theoria do divaito per~nl cit.,
it:~liari:i, Gne uqrielIe esevil~torterii erri vista j3), nos vol. vrn: yag. 110; Levr ~ ' I A R ~Jo~vZu, A Com~:zcntat*io
cit., t. In, 1)agg. 313-31 i ; EIrss~r~,uas S ~ c c o ,&digo p e -
(1) DLebstlihE ali. El'lak'?-f~?df8012d81.11 ,s~c?~Etl~Chadi- nal povlt~.q112s, Coiiribra [Imprensil. da Universidade), 1831,
.qtrly, apud l)ecrt>che ,Jz~i.isfa~~ Zeifirny cit., 1898, pag. 216. 6.;' ed., pag. 269. Tnmhern: DORIGS~, k t u d e de 70 la; c t
( 2 ) Virl. GALASSI, Lu f e l i ! g v r ~ ~seilza
(a jili s i1 codice pe- dc 2a j u ~ i s ~ ~ ~ d e n.VLI*. c e le délil c o ~ z s t ~ * r ~ cd'r?sçi~upuerie,
t(f
~ 7 e aliiid
, IZiuUta p e d e cit., aiirio LT~III, 1903, pngg. Paris (Arthur Rousscau), 1899, pag. 5;L ~ IDrs , élémenrs
283-239. e o m t i t i i f $ s du uul, dc 2;esir.oqzic~ieet de E'ubtrs d$ con-fance,
(311 Segundo o corligo ~ i e ~ iportugcibs
sl (art. 45;3.0), coin- Paria (Noquet,), 1888, pag. 63 e segg.; i?i.i:;~tad e Leqis-
mette criine dr aiiiieo de coiii;urip:i aaqiiell+ que desr~ica- ZaçEo e tZr: J z ~ r i s p ~ u d c o ct.i ~xxv,
, pag. 72,
cidade, por S L I ~nat~lreza,cailipaiar-se a iirii gaz, moveis siisccptiveis de posse, isto 6, que possam
iuils seilclo um estado, uma força, uma energia ino- ser deti(la8 ii:i sii:t inateiittliclnde ou individrialidade
-1ecular. Mas, alrlin de qne o irituito de abi.uiiger na juijdica, possani coiistitiiir objecto de furto)) (I).
i l o ~ ã ode furto a appropriação dolosa de energia
electrica Q visivel no codigo penal de Sem-York, 32. Dissiincis que o dolu no furto consiste ria
que definindo-o « tlie dolose apropriatiori of a, srti- iritenqzo de appropriar a cousa de outrem, e quo
ele of valourn, tosna nssiiii, o eleiiicilto objectivo tini dos principaes factores psyeliologicoa do dolo
da furto niaia dilct,il r: corripr.eIiensivu (11, a oliiriitlo 6 a consciericia de que a cousa, objecto da subtra-
coritrnria ii justificada pelos priilcipios geriteu do cçRo, não pertence no auetor d'estn. Tal a ideia
direiio sobre o fim da t,i~telrtpenal patriiiionid e contida rias espress6cs -causa puc lhe s ~ d pwteya
a
pela coi~sidera.çãode qiie o legislador, excliiii~clo e cousn alheio, qiie se encontram, respectir~airiente~
as coiisas que nz~Z10crintinentu,r loco e que sU exis- nos artt. 421.' e 4.32." (10 corligo penal portirgiiês.
tindo jwiS i7ateilectu 1150 podem ser sujeito p a s s i ~ o E, porque o legislador preteriu, a liroposito do
do f ~ ~ i . tqiiiz
o , coniprehender iio art. 421.' todas a s roubo, a formula mais precisa do art. 421.", deve-
coiisaa moveis que, tendo eristencia iiiateiial ou mos notar que com a expresszo cousa alheia não
jirriclica! cstão sujcitirs á cont~ecfutio,e rcçlaman~, se pretende significar qite niio possa accionar o
oon~e.queiiteincnte,a tutol:~ CIOrespectivo direito
de lirouriedade. ad Iogica du direito iuiporta, diz
CARILETTO (21, que s6ruente: 172~7s todas as consns vul. pag. 335. E nada impede, como diz G A L A S ~(La
11, I
lel~.qi.c$a senzu $1; e i1 codice L ~ ~ pag. 2Y4): que se
~ C I L C cit.,

actmitta o frirt,o de eiiei-gia electriua cqiisudci questa vime


(1) Merece referailcia csfiecisl a lei iiiglCsa de! 1882 raccoltn cuii pntariti iiiecc;luismi, regolaia uei moi 1110~-i-
(45, 46, Vict., c. 5u), sot>re illumiuapXo eleçlricn, que, ine~iti,e iniprigiuuuta iiel filo couilut,tore, clie segno vi-
com espiiito emin<:~itai~itintc pratico e positivo, consigiia, sibile e uon eiliiivoco de1 posaeseoii, e que, pelo contrario,
quanto d tlitcln periiii de anergia ele~ti'icic~ a disposiç,<ioes- seja axclnido %quando con un apparecchio speciala o con
pecial de: c!ne aqriarii illag;ilriit.~itcio t ~coiu iutençho da de- una mac<:hiua identiaa a quella dall'aEcio riceiente ritie-
fiãiidar sultiahc, dissilia, ctrsriu, abue:r ou usa da electri- ciase qualcano a sorprendare per via uno radio-telegrarnman,
cidade, B oirlpado de fuit,u siniples e, eomu tal, deve arr isto A, um eifeito da energia transuittida sem fios.
punidou. (1) Sr. »r. L O P EDA ~ SILVA,Reperfo~io juridicoporfu-
j(2; 1Zct f7ci.to r/i ebt~icitci,,apiid F'OYG itrtliu~io, 1901, g ~ bt. , rv, fase. VII, pag. 131..
12
da
a u ~ t o rd o furto yueliz i120 s e j a p r o p r i e t a r i o TES cominmes, cnilstitiic c r i m e d e fttrto. As ~ p nul- s
da siibtracçiio
coilsa, iiias s ó m e n t e q u e o a n c t o r &ilts,n5o l i o d c n d o cntrar r i o j~;itriniuiiio d o uma
n g o deve ser possuidor da, res ful.!il;n (1). Cor~se- pes-soa. determiiiacla 6enRo pelo facto da a p p r e h e n -
q u e i ~ c i ad o q u e fica d i t o é q u e , n e m a a p p r o p r i a - s?io oii (Ia. o c c a p a ç i k ~e ficarido, atil: entsci, s e m pro-
$20 d a s res nuEZius e d a s 1 . c ~ derelictne, compre- prietario: n à o p o d e m sei., como g e r a l m e n t e s e en-
hendeiido nesta exprees2o a s cousas voliintarla- siiia (11,s u j e i t o passivo di, furto.
rrierite a b a n d o n a d a s pclo seu p r o p r i e t a r i o , c o n i As ves derelictae t o r n a d a s nullizcs c?, p o r t a n t o , sus-
a interiçao de :LU d e i x a r A t3ibposiqlo d o prirnciro
o c c ~ i p a . u t eiieiii
, a de c o u s a proprirt (i?): n e m a d a s
(1) Note-se, porbm, qiie, qiranto aos animaos bravios que
nunca tireraui dono, que, seguuiio o codigo civil (artt.
(1) D'aqui a condtiskto, cxprcasa por B U C C E L L(h- .~~~ 384."-Ygci."), constitueni objecto de c a p e pesca, jiL ae
tuziorai c& diriltu e pr.acedu7.a p e n d e cit., pag. 34l\, de qiie ~ustentou(vid. C a i t ~ n n a ,Pro,grafr~7iinda1 eorso d i dilitto
constitue furto a sii'r)trncpào d a res fill-fica ao ladrxo; não c ~ i r n i ~ ~ cit.,
a l e t. IV, pagg. 4.3 e 44) que c:oncorrt.in os ele-
sí> poiqiie, cuirio obuerva MICELI (De7f ~ t ocit., pag. 381, mentos rlo furto no caso de caea em predio alheio, sem li-
no fiirto comini+ttido cem n sri\rtr.at:yi~od : ~ciousa ao l a d ~ ~ t o , c e n p du dono, e, recentemente, decidiu-se ache gli animali
~ i ~ se
i o offeiida um direito d'este, inas do proprietario ou fieri e sslvaggi custoditi in uu bosco chiuso e recinto ai
d'aquelles qiic, eiri nuuie d'este, a possuem (usuario, ueii- steccato iinn possono considcraisi .rcs ~~lrEtius, e perciò chi
friictuario, locatario, corninodatario, depositario, etc.); irias li prende i:d iiccide dentro il boscu viola i1 diritto di pro-
poiqi~cv direito penal, aii;ra qualquer preoccupaçâo patri- ~iristà,e commette url fiirton (Sanfenza de1 I2 cigosto 1884
monial, l)uIie, como escreve MAKZINI( T r u f t a t o LUfilrto della Caasnzicine di Fireliza, aliud Leyye cit., aiino 1885,
cit., 13, 11, "01. 11, SEZ. I, pag. 3371, os factos dolosos nas t. I, pag. 247). Vid. Gaitsacu, !!>.a%té fitboripiir: et yi-r~tipzie
pessoas que os coruuiettein, não c i n i.clacZo aos individuos, drr dl.oitpi,zal~r.a?icrciucit., L. v, pagg. *i,% a 403 e nota 51.
sujeitos passivos dos criruas, mas tenclo rili conuidzrapfio o Tal parecal C; poiCm, insusteiitavel. Desde que o a~iimal
fim social da reprejsio da daliuquelicia s a criuinalidadc se ei~cuutreno aeii iia~uralestado de libsrrlade, i: licito a
intiiiiaeca d a acl.80. quaiq!~sra siia appropria@o jcodigo civil, artt.. 363.", 384.'
j'2) (!um a cLxceligãcido c:isu do si.L. 428.910 eodigo pe- e 3ri5.0), sem comiuatter furto, aiii~iaque para aqueIle se
nal, que, coino sscreve o Sr. Ur. P i i u ~ i i l auo VALI,&(h- penetre no preclio aliieici inoiiu rlomi?io, ou se caco ou ~ i e s -
notncões ao liul-o primviro do codiyo yer~ulportcigii2s cit., que em tempo defeso, ou pur processos p~ohibidos.Ter-
paç. 473, anao 6 propria!neiite u m furto, como se mostra se-ha, neste caso, uma infracçXo das leis reguladoras da
no art. 421 .O, mas 6 equitiurado tio furto t.20 sómeute para caga e pceca, ou um crime de damriu, mas ~iuncao crime
a applicaçào da pena». d e furto.
..
L'ap. T I - D .furto no direito poitaguPa
---- 7-
181

ccptiveis de occupaqão, por nni Sttclo voluntario qiie (perdidas OU mtmviadas: c o d i g o civiI, artt. 405.",
faz n'ellas cousas uocuae Jo~niniii:ibnnclonadas : co- 413,"-421."), podem constituir objecto de f'wto, se
digo civil, artt. 404.", 411.' c 412."; thesouros:
artt. 422."-427.'3 (11, e as corisas P:uw,ae possessionis
giliridici 6 st~ric-ipa- ?'V"' centoiznrio dell'L5zibersLtiZ (li Bo-
g ~ 1888: , pag. 4 e segg., praea.? pagg. 8 a t6), r t s 4 ~ 1 -
j l j Discutiu-se lergarnente e ainda, por vezes, fazem Iiws qiie podeiri titrrini-si? siiji,ito passivo de occlcpação, por
raferencia os iiiotlernos cscriptores A questzc do furto de um facto voluntario ou fortuito, se levantou a cluv;dxii(:erca
C O U Y ~de ~ nai~fiagos, que Javor,r.:~us ( ~ d 1. 81, 1, de 40s (rasos erri que a Y U X a p p r o [ ~ r i ~ ~ POSFI.~
U u constituir crime
acquir. possess.) dizia que níizcigis pylo dqlerddae yicam pro de fnrto. Mas, se o thesnuro, abstractaluente considerado,
derdtctus hnbentzavi, 31au, airida na Lypu~liteedc al>snrIoiio d o r r p r e s e ~ t awiisa IILL~LLLLE, em se~iti~lo pi.oPi.in, porisso
da, cousa, e111raso d e perigo, wnl se poderá dizer que falta o qufi, não obstantr! eoiistittiir elie, 110 systeina do nosso co-
elemento da auoencia de consentiinenio do ptiroprj~tariopara digo civil, objecto de occupaçXu, s Iri declara-o pxtencente
integrar o crime de furto, como filzent alguns esc~.iptores, ao proprietario do predio onde ee encontra (codigo civil,
baseados, porventura, 110 principio de qiie c o a c ~ awl~tiitas art. 425.0),como o facto d a inveiiçao por parte de terceiro
famew est u r i l a n t ~ ,jd porque deve supyor-se no proprie- attrihrle r cate ,z propriedade do urn t c r p do mesmo (co-
tario a, esperanya de reciiperagBo, como, seguindo PAULUS digo civil, art. 424.'11, a Iei c r i a entre o achador e a couaa
(T,. 2, S ult., E. ad l e g e i i ~Rliodinm de jactii), escreve uma rolaçSio nnaloga á da adquisi-Zo da prapriedade por
H u e ~ a(apud PUGLIA, Delltti cont~olu proprietd cit., pag. occupay2o da i-es n u l l i b em sentidu proprio. Ora, se o in-
1321, jP porque, como silstent LOLLIBI (6712 rento d i p ~ r t o ventor se appropria. dos dois tersos pertencentes ao proprie-
cit.: pag. H31, o proprietario contincin exercendo o doiliinio tsrio, comuiette fiirto? (;<outraC E A ~ E AET U BBL~E que, no
sobre. a sua riousa, q u i nâo se exiiligire p d a eventualidade silencio do rodigo penai frances, eiltendem que a appropris-
de iiui caso rle forga maior. E 11Zo é necrssario dizer que $50 3:t tolslirlnrlc do Ilicsouio constitue çrirric de furto, pa-
nB;o podem coiiairlti~arFe dertlictae as cousas l a n ~ a d a sf6ia rece-nos preferivel a opirii%oesprtssa por CRIVELLARI (Dei
para pG1-as a aalr-o, em caso de incsndio, iniiridai;Lo, ruina reafi cnntro lu prol~rietct tit., pagg. 97-106) de qiic a a p
clã edificios, etc., aiitio, como veremos, a appropiiayEo de p r i a ~ & de
o tcdo o thesoiiro por parte do inventor não apre-
tnes ct:usam caiistitue fnrto qualificatlo. Vid. LA~IXASCII, senta o3 oaractere5 rsue~~ciaes do criillo do filrtr), porque
Diebstnhl urid BcE~ldLyu~iy cit., pag. 21 NSXZISI, T?-attalo aqiielle, rnedia,nte a contrietntio, n% viola a posse r i o pru-
dei f u ~ t o cit., p. rr, vol. 11, SPZ. r, pagg. 390-392. Taui- prietario do predio: tein 56 a o b r i g $ í o juridica de entre-
bem, quanto á entidade jtiridico-patiimonial pelou romanos gar dois iei.pos ao pi~oprjetar,io,que 36 póde invocar contra
denominada theaoura (vid. Pa~f~a~eh-r, I1 cu?dcetto giu~idico elle a acçSio civil. N ~ r njuigamos qiii a recusa do inventor
dcl rrso1.o TILI di>.itto t~?rna7ioc odie~no,estr. dagli 8tudi om entregar a parte que n2o lhe pertence apresente tal
Cap. 11 - O .furto d b . ~ l l oportuguês 183
- -
WJ

bein yiie se notem, quanto a estas, no campo doii- tcnçgo do acliador e na natureza especial do dolo
trinal e legislatir-o, profundas clivergeiicins entre de quem appropria a cou3a perdida que é preciso
os escriptores. i r perscrutar o criterio fundailiental cla distincçso
Abstraliindo da discuss2o d ~ condic;õcs
~ s em que do fnrto d a siinplcs ap~~royriaq%o dn coiisn perdida,
a eoirsa se deve coii9iderar perdida, que PFEIF- liuiitar-lios-liemns a dizer que da do~itiinarorua-
W K (I) liga a reprehensivel iiegfig.encia da parte ilista se apartou. iiesta ~iiateria.o codigo penal
do proprietario, que, para L ~ N \2), G ~ reside uo por tug118s.
tcrrno da materialidade da posse do proprietario, Qner n a hyputheae em que o ncliador deixoii de
que o u t ~ o sfazem del~eii(lerdo et.ililecirneiito da esitt-egar a nntrem o objecto achado, saberido que
cousa em um logar que ngo era destiilado para a elle era o acri durio, qiiei. no caso em que, ignot-an-
sua gnarrla j e yorirlo de p'irte, ainda, o exame do-se o c10110 da coiisa R C ~ I R ~ ~seL ,ileixaiain di: prn-
das coiidições cin quc a confia 6 achada, que ticai as ililigericias por lei prescriptas, temos i ~ b o
CHAUVEXU ET R E ~ I(3E1. CARRABA (4) e PUGLIA (5) iim verdadeiro furta(>.ooiiin siiccedia no direito ro-
com razao, preferem Aquella, porisso que B n a in- irititio (I), 1180 um crime de abuso de coniiailça,
como yreçeitri;trri ~.Ig171iscodigos rilodemos j2j! i ~ E o
carader de gravidade que justifiqiie a infliccFio de uma um frirto imp~oprio,como siluterita a escola al-
pena. Claro qiis o niesrno nbo dcfcnderiairios a proposito IcmB, nias ir111 facto piirlii-el, que, sómente pa.ra
do tlieuourü impi.sprio, isto é, o que nzo B achado só por a applicnção da paria, 6 ey~iiparadoao furto (3).
effcitü do acaso, em qiio d i v ~ r s o o elemento psychologico.
E jiilgamos comprehendida tal lrypulkese no nrt. 431.O cio
codigo penal. Cuntra esta opinigo, veja-se ALPI, ,gpp~o- (1) C);: romanos curisidarsvain a appropriacXo da cousa
p r i a z i o n e .iladshl:ta e j%c~to d l tesoro, aprid S ~ c ~ ~ l e ~ ldia
~ento perdida como um verdadeiro fiirto: aqiii alieriiiin quid j a -
Biuktu pmub cit., 1892, t. r, pag 43. cens Icicri facicndi c:riisa susiulit, furti ab~tringitur,sive
(1) Apud PUGLIA, Delitti contro lu prupristic cit., pug. sciat cujil~sit, si%-eigiioret; nihil eniin ad iiiiri~iandumf i ~ r -
74, nota. t u m Beit qiiod c:iljiis sit igiinruts (L. 43, 4, Ylg. ~ L ~ I I I ) .
(2) De fuilrto ferarum cit., pag. 1%. j2) via. FIORETTI, apud c9l?plefo trnftufufeo~icoe prcr-
(3) Thiorie du c8de pennb cit., vol. IU, n." 1926. tico di dir.i/ln peiinlr, pubbl. da Prsrrrio Uoe~ioLo,cit.
(4) P~ropammade1 cor:.o di diritio eriminnle cit., t. 17, (3) Codigo penal, art. 423.O; codigo civil, astt. 405.'-
pagg. 42-44. 410.", 41?1.~-4%1.~; Sr. Dr. TEIXEIRA D'ABREU, Liçaes de
( 5 ) Delitti contl-u la pi.oprietd cit., pagg. 74 e 75. diveito civil port?cyu8s cit., pag. 330.
Qiianto 6 siibtracçâo de consa propria (I), a dou- E no caso em que, consistiiido o direito de ou-
trina gerrri:mica, Lrsar (?) A fwnfe, siistenta qiie a trcin sobre a coiisa propria na mera detenprlo desta.
figura do furto 6 excluida pelo facto da, detonçgo, o proprietario sirbtriie a siia coiisa a terceiro que
a qiialyiiei. titulo, do objecto sri1)trahido. Mas, s lcgitimnmeiite a retem. cornrnette ofurturn possas-
mera relaçlo fiduciaria com a corisn de outrem nao sionis, de qirc os codigos iiiodernos, concordes
basta para constiluir a posse perial e. por cnnse- erri excIiii1-o do ambito do furto proprio, fizeram,
qucncia, a dctençso eliminadora do furto. a n t e s , por em gcral, iimx figiira especial dc criine patrimo-
vezes (3), representa circrirnstant.ia aggravante do ninl. Afastando-se d a doutrina pen:tl geriilaiiiea (I),
crime de furto; e, eni dados casos, 8 detenqXo, ex-
c l u i n d o o crime d e furto. não impede que, por in-
devida, a appropriay80 revista o caracter de facto dc furto, mas de abuso de confiança (corligo civil, artt,
pnnivel (4j. 1431.0-1451.0 c codigo yenul, art. 453,'j. O credor p i p u -
ratieio tem ra deteng30 puramente ncgativa da cousa rece-
bida cnl p r a n t i a , emquauto .judiciallilente nLo seja orde-
(1) Porrliie o direito ptmal attc~ndaa meras ielagõcs de nado que o peulor fique em poder d'elln em pngnrriento, e
facto: emquanto como taes e, prescindindo da sua adapta- atk a concorrençin do debito (codigo civil, art. 860."); e,
@o partiurilar aos fi:is do direito liri\,ndo, possn~ntei. exis- se dispae da cousa ou a aliena, ~offr<irb a sirrililas saneçZo
tencia jiiridica é necessario exçliiir do conceito da posse patrirnonial, afóra o caso em qoe, procedendo dolosaments,
tudo o que sqja iiico~ic.iliavelcom este estado de facto. corilraetler crime de a h n ~ ode confiariça ou de burla (codigo
Assim, não commrtfe fiirto, como nota I%frnr.~oiic?rr jnhr. penal, artt. 45U.O: n.' 1.0 e 453.Oj. l'ambsm o comniodato
cit., t . nr, pag. 235, aquelle qiie tem posse de facto, 19- trnrisfere, ein sentido penal, a posse da coiisa para o com-
gitima ou illegitinia, sobre n coiisa que coiiverto em pro- modatario e, conscquenteiucnte, eiiir~i~la O tit.1110 (10 fiii-to dra
veito proprio, a bastari seiripre a s i ~ i i ~ i edelenç8o-a
s siibLrac<~&o oorurriettida por este (todigo civil, artt. 1510.'-
Gercah~sctmdos juristas allzniães ( h n a ~ i i , T ~ u l t ~ tcit.,
o 1522." e codigo penal, art. 4.3."); e, dii mesmo niodu, a
pagg. 441 e 44-; Lrsa r, Lehrbz~ch oit., pag. 445); sem locaçlo trai~sfere pirfi o Iocatario unia posse sufficienta
qiie se c:x[ja o a~timuspousideirdi. para excluir o fcirtn da siihtracçX.o da ctiiisíi que ronstitue
(2) Lehrbuch cit., pag. 440. Vid. B s n r í ~ ~Trctttato
, cit., objecto de tu1 coritracto. Mas, a esLe respeito, duvidas siir-
pag. 440 e scgg. gem entre os escriptores: v e j a - s e - M ~ ~ z r ~ ! , Trattuio del
(3) Codigo penal, art. 425.' J t ~ r f ocit., p. rr, vol. rr, sez. I, pagg. 253-254.
(4) Assirri, o clepocit:~rio, qiie possue gcr;ilrucnt<: :icorisa (i ) KL~EN
Vid. ,
k'misinne cit., pagg. 232-238 e aiicto.
depositada, quando d'ella se approprie n8o cornmette crime rcs citados em a nota 76.
Cap. I1 - O .furto 710
-
direito portziguds
- - - - 187

snffragada por Lucc~rsr(li, que enitende que < a que reconhece nioficrtunz rei suae uin orii~iesui ge-
res p?=op~ia
póde, por coiidiq6es jilridicas, conside- neí-is, urila cspecie de ftirto iny,,;oprio, é dc j i c ~ e
rar-se aliena quando o pioprietario não tem a livre condendo a prefcrivcl (l),n8o E possivel defeiidel-a
disposição d'ell+»: por PHSPTNA (2;i, para quem o em face de um codigo roino o iiosso, qiie, na defi-
sproprietarío de coust~penhorada comniette, sub- n i @ ~do furto, refere o filoto criminoso á cousa d e
trahindo-a, o crime de furto, porque o seu direito outrem.
de doniinio 4 limitado ao colitraçto de pcillior~, Qiiancio o direito dc oiitrern sobre a coma pro-
por PAXPALO~I (3); qiie escreve que < oprogrietario pria n l o se limita 4 simples detenyào, d a n d o - ~ ea.
da, coiisa da.cla ein penhor, deposito, commods.to ou -elirnin,zq50 do direito concreto do proprichrio,
usufructo, não 4 o seu exoliisivo dontinzts, comn~et- como succede no usufrueto (a), a subtracção por
tendo o eriine de furto quando a slibtrae com mzi- a q u d l e de coiisas inoveia n%o fiirigiveis (3) consti-
~ n n sl'ltcruiadir, ri codigo peiial purtiigaês (4): sem tue: a nods« ver, crinie de furto, porisso que o usri-
o considerar tal, impõe as penas d e fiirto no caso frrictuario na0 é um simples possuidor, nias tem
de siibtrncç80 frai~dulentade cousa propria, qnando sobrc os bens sujeizos a iisulrncto uin direito r c d ,
ella esteja em penhor ( 3 ) ou deposito em poder de diatincto e independente clo do ?az~dv,s liroprietario,
algucin, o11 no de destriiipão oil dcçcaminho, qnando iim direito dc goso ci>nio o prcliprietario. E tizmbem
ella esteja penhorada ou depositada eIri seu poder o direito de uso, ainda qire niiu possa ter por obje-
por marida.rlo de just,iça. E, preverlindo disctissões cto seri80 bens immoveis, nLo excliie a ~ ~ s s i b i l i -
que pocleriar~i surgir em torno do art. 422.' do
codigo penal, deveremos dizer qiie, se a theoria

(1) I r d . L~LLLXI,
8zd r-eabo di fz~).tocit., png. 95; IT1co,
Fwr'urto cit., pag. 984; G a ~ ~ n c Truiti
o, th.6ori~uect pra-
(I) íntor7io ulla sottrclsiorre delZe cosepl.yynorate o seques- t+zcc dil droif pdnol fi.nagnis,, t. v, pag. 407 ; STOPPITO,
trnfc, aprid Rici.i-tn~~ennle cit., 18'31, t. xxrrrr, pag. I d - L'eserctzio arbitrwio dei16 proprie ragioni. cit., pag. BOCI c
t i !firittopeil~lccit., t. Ir, pag. 210.
(2) X l ~ i ? ~ e ndi sek3"g.g.
(3) Frtrto di posse c furto &i ilro, nprd Slicdi sopra 21 (2) Codigo civil, art. 2197.'
áelitto d i f i o t o cit., yagg. 136 e 137. (3) Codigo civil, art. 2209.O. A respeito das comas fitn-
(-i;i Art. 422.. giveis, E ociosa a diacilsuLlo, puiqile, qiwnto iz estas, tom
(5)Vid. c ~ d i g ocivil, ar?. 860.O, n." 2 . O o usiifructuario a yropriedaile piena e effectiva.
dade do furto quanto AS cousas que, moveis p o r nao phde coilstittiii. unL cririien, yorisso qiie, ápartc
a questão delicada de julgar da esistcncia do
natiirezw, foram por lei i~iiniobilizadasoii quanto
á s partes mobilizadas do imrnovel (1)) Ca~naiza(2) furto rio excesso de iiro, que irivolve a apreciaq5o
e I ~ ~ P A I , T .(3):
O ~notando
~ N I que os eodigos inoder- da posse e do dolo generico clo imputado e a deli-

nos n2ci prevêem o caso do furto de uso (41,v&cm mitaçao entre o facto licito e facto Illicito, eiitre a
esta figura juridica na siibtracq,20 de coiisn alheia, les8o puramente contractual e a lesão penal (l),
roncorreni no easo em qriest%oa 1ppã0 d a activi-
nHo c(->rrio fim de a appropriar, mas com o fim de
retirar d'ella nina d a d a utilidade, restituindo-a de- dade patrimoriial, a appropriação, cuilioi*a t~iripo-

poid. E, riii, verditdtl: rt iriterig;ici de restituir n cuiisa r a ~ i a ,de COIISR alheia e a falta de consentimento
n%od c r e cxcliiir o furto, coino n3o a exclue a e&- do proprietario.
otiva reskituieri.o do l e d o (5); e mal poder8 di- Quanto ás res contrfiunss, a que fizénios referencia,
as riiodei*nns legislaçCes, afastitndo-se do direito
zer-sc, com PCGLL~ (6): que .o abuso da posse
romano (I). concordam no principio de que o ca-

(1) Corligo civil, artt. 2?54,0-2261 .O


o uso indevido de uma cousa j4. precedentemente appro-
(2) Proyi.anim(~de1 coi.so del diritto c~iminalecit., t. IV,
pag. 40 e segg. priadai.
(3j IZ eodicepe~aaleitaliauo cit., t. Irr, pag. 236. ( l j O art. 22ói.O cio codigo civil preceitlia, de facto, que
jl) C o ~ uexcepçko rlo cadigo penal allemão, 5 290.O: ao usuario dos fructoa de IIIU predio não póde haver mais
nOffentliehe Pfandleiher; welehe die von ihnen in Pfttnd do que os necessaiios pni-a OS sen3 g a ~ t o se da sua familia)
gaiionirnensn Gegensi&udeunlielugt iii Gebrauci-Inehmen, quer esta se torne mais numerosa, quer menosn, o que iin-
merden mit Qefangniss bie ali iineni Jahre, ncbc~i~vi:lçlrani porta a determioaçAo do que i: sufficie~iti:otr siiyerfl~iopara
:i+ ni?cessiilaJes do iisuaiiu. USIIqursto s~tpm$lj[~to, appunto,
auf Geldstraf Liia zu ireunLundart Nark elkannet wer-
den kann, bestraftii. Vid. L i s z ~ ,Lshl-buch cit., pag. 128. diz Maxerxt (:Y'rnbtato delff.irto cit., t . cit., pag. 4 1 j , può
(3)L. 5, D. ui Lun. 1.upf.,-17,8. E m conti,ario se exprime c::iticra 1111 dalitto patriinoiiiale, giaccliè Ia cosa di cui si iin-
P ~ s u s Elemtnti
~, di divitto pmule cit., t. 11, pag. 216. possessa toglieudola (Ia1 Iuogo dove si trovavn entre i limiti
Vid. codigo penal, art. 3 9 . O , ciic. 19.= de1 slio diritto B cosa proyria e non altruia.
(6) Delittt cur~tro Iw proprieti? cit., pag. 4'72 e srgg., (Xj Pelas Icis rornitnas, asi socius crliiiwiiiii~rei furtiiin
que cita PESSIXA) CRAUTEAG ET UELIE?EEPXER e PUC- fecerit (potest enim communis rei fiirtum facerej indubiitae
CIOXT. Scgurido estc; <(:i appropriay?~indica a arbitraria
dicendiiui est, furti:tciiia~iem co~[ipt.t?re»(L.46,Dig. x ~ ~ i i ~ ) ,
apprehensâo da cousa alheia e exclue, por consequencia, o qiio trazia como conseqiiencia que a subtracção da corisa
Cap. 11-Gfurto ym direito yortuguêa 141
- .-
. .

r a c t e r de c o u s a c o m m u m e x c l u e a p r e s u n i p g z o d o os o u t r o s e l e m e n t o s e n t r a m s ó m e n t e n o c o n c e i t o
fiirto coiiiri~ettido p e l o e o r n p i o y r i e t a r i o , r e d u e i n - da p r o v a d o d o l o , c o n i o nos oirtros r i i m ~ s .
do-se a q u e s t z o (t indagação d o e l e m e n t o i n t e n c i o -
Como applicaçEin cl'estes p i i n c i p i o s , faz o c o d i g o
nal d a çirl)trncç5i~,isto C. s e esta foi f e i t a coin a. p e n a l portiigii4s (1) refereiicin, á socieclade conjn-

c o n s c i e n c i a de q u e s e e x e r c i a um direito. ou p e l o
c o n t r a r i o . com a. de um jllegitinio a?~i,nt~.q luc?-andi.
propriedade dos socios; mas propriedade excl~isivad a ao-
A rasno j u r i d i c a n o f u r t o da c o u s a c o m m u m , est&, cicd:lde. Vid. Vivas~'i;,'I',.allafo di dil.illo corn~~<e~eialti, To-
pois, n a appropriaçâo dolosa da cortsa que n ã o 4 rino jfratelli Boca), 1003, S." ed., vol. 11, pag. 14 e segg.
detida p e l o c o m p r o p r i e t a r i o , em p r q j n l z o d o o i i t r o Se o comproprií.tario, socio ou coherdeiro não detentor
c o m p r o p r i e t a r i o , a o qual se s i i b t r á e a r e s p e c t i v a se apprspria ds toda a cousn commum ou de toda a hc-
q u o t a pro irtdi,uiso. A siiriples cir.ciiiristançiit dia runs" indiiisn, não p8d.1 surgir duvida sobre a cxisiencia
p o s e plipsica. da. cousti r:ommun>, p e l o c o m p r o p r i e - do crime de furto, quando coucorra o elemento do dólo.
E o rnçsuiu pensamos, iiXo olietante o parecer e u uor.treriu
t a r i o , elimina a n o ç à o j u r i d i c a do f u r t o (1): tirdos
do I\'~ancla~o :I/ litoto 'I. da1 codiçs pende il~clillsr~vit.,
pag. 17); que sustenta que \(para a violação da posse con-
stitutira do fiirto 8 necessario que de verifique a siibtrac@o
uiov(3l pertcnc*c:ntr: a urna si~ci'-daJe, por 11:irte do socio,
conetituia crime de furto. liecouhecia-se, p o r h , a neces- de parte da cous:~que eao<ida os limitca da quota perten-
sid:ide cla priiv:i de q i ~ eu socin subir:rliiru e (!ousa coni cente ao subtractorii, de 1'1co (Fzcrto cit., pag. 90q1, de
do!o, prova que competia ao cornproprietario que se julgara PESSIBA (EEelir~~~t%LEI Jll-ittii yenule rit., i. Ir, png. 20R),
lesado: amrrito aiitsiu sdjectciiri ?si ita rlenum furti actiu- de CASSGTO(Ftwfo e c~ppr,q;~;aí;io?~& indelrita dellrs cosa
comn~tr.iic,Livorno, 1901), para quem ase il oondomino, so-
nem esse, si per fallaciaiu et dolo ma10 amovit, quis ciim
sine doto ma10 fecit furti n@ntenotur; et sane plerumque cio ou coerede sottrae della cosa commune o ereiiiti indirisa
credendiini est eilni qiii partis dominli? est, jure potins silu uila po~ziont:uon ~ i ~ p e r i o ralta c quotn rht: g:i spctta, iiun
v'%f ~ i r t o »a, respeito dos casos ern que o comproprietario,
uti qusm furti consilium inireo (L. 51, Dig. pro socio).
( 1 ) Assim, se a subtracpiu da prete~ldidaouuaa comuium socio mi. rohardciro se spproprirt si5 dc partr do eniiss com-
I U U : ~ , qsulqller qu-: seja a uatureza da. çclusa ou a quota
é imputada ao socio de tima sociedade commercial, este
ser& reli de furlo, s(: não dt.tinh:t a. (:ousit e do i ~ b ~ 8(10
0
pertencente ao auctor da subtracp%o.Vid. D i ~ e i t t.~ ,xiv,
confianpa, se a detinha (cocligo penal, art. 4.33.":), ainda que pag. 20.
inferior á alia quota siia a psrtc siiLtrahida dou fiiridoti no- (1) Brt,. 431.O, n.J 1.O. Vid. tambem art. 433.2 Sr. Dr.
ciaes, porqiie, nos termos do codigo commercial (art. 159.D) Dr.4a ~ E K I ~ E I B AC'ocligo
, cizii!portiiguÊs a7inatado cit., vol. I,
o patiimonio d e uma sociedade eo~umer.ci;tlIILO é i:urs- pag. 196; accordgo do Supremo 'E'ribiinal de J ~ i s t i ~ de a
Cap. 11- O -furto na direito part71gub 193
-

g a l , q u e p 6 d e dar l o p r a tinlit nniverstil oomrrii~-


e x d u e s imputaçãi, cio c r i i n e de fiii-to. Esta e x c l u -
n h ã o d e b e n s e n t r e os c o n j u p e s ;I): para. q u e a 6, na lei penal p o r t u g u & s a : egiia.lrneute esteri-
s u b t r a c ç ã o c o m m e t t i d a p e l o coiijuge e m prejiiizo didii, As s n b t r a c ç õ e s c i ~ u i r i i e t t i d ~pelo
s a.soeiidentc
d o o u t r o p o s s a iiiiyliear a a c ç s o crimilia1 de f u r t o ,
e m prejiiizo do desc,en(leilte (1).
4 necessario q u e Iiaja separaqtçBo d e p e s s o a s e b e n s .
E o sileiicio do codigo, qiiaiito á s u b t r a c ç % o , p e l o
{2), l e r a a
con-juge s o b r e v i v o , d a s I-es hr~edifariue (1) No pi.iní.il,io da iiiiliridiialidude d o patriinonio ou no
c o n s i d e r a r a q u e l l a coriio c r i m c d e f u r t o , s e b e m cundtimi~~iu reem CI!.~LFE~ZT E.P Hfi1.1~ (Théoiie du eode
q u e s e d e v a n o t b r q u e o f a c t o i 3 i ~c o n v i v e n c i a fa- p h u l cit., loc. cit.) a i a z k da e s c l u s ~ o ,que Faune baseia
m i l i a r antes da n i o r t e de u n i dos c o r i u p e s determi- em-uina razno politica ou de oyportunidade social, qual a
de evitar disaenç3es no seio da faiuilia e que N ~ i i c u ~ o
n a i h , a iriaior p a r t e d a s vezes: aquellct d e t e r q z o q u e
(ILtifolo x deE eodict?pci~rrle iraEbnv~ocit.), justifica coiii o
argumento de q u e o furto entri: Iisrruted é rim fu<:tulesivo
do diroito privaai,, mar nLí\procluctivo de danino sncinl « t i
1 d e agorio de 1896 (Gazeta da EeEagio de Lisboa, t. x, pulitico. C r e n t ~ sqne cada iima d'astas razües seja insiiti-
pag. 188). ciente para jo3tifii:ai. toilii~ os ios.~'idc! iznpunidade para
(1) Codigo civil, art. 11LS.O e segg. diiteruiinailo~vinculiis da sangria ou de part~nteson,urss
(2) No direito romano, a noç(to do furto riso ae c o n d e - qirr todas explicnu, ern os varias casos particula~es,a se-
r a l a applicavel ft subtracção das reu kereditwim, porisso rie de excepções estalirlecidas pela tiüutrina a pelas legis-
que niiigueh tinha d'ellas a posse. SOmênte com o rescri- lações. Viù. codigu panal, a:b. 431.O, $ 2 . O e aacordiio da
pto imperial de MARCOI~KSELIO foi introduzido o crltnsn RelacTro de Lisboa ds 2 da riovernbru de 1892 ( O Uirvito,
exfraordirtariu~umyilatae hereditcltis, devolvido ao conhe- t. xxvrrr, pag. 3 ~ 3 ) ;nccord&'o do Siipremo Tribunal de
ciirie~lto(10 2 ? l . a e f e ~ 1urbis,
~ ~ que tiril~a pleno srlitrio nu. J ~ i s t i p do 12 dc iiiai.$ci dr 1884 [Rccis-tn de Legialngùu e
a11pl;caç:o da pena; ao Iierdeiro f i c a v a reservada ou apoti- dc Jurzspiudencba, t. xxrir, pag. 491) e de 1 da agustu de
tin Iieiedifatie (írctio o~di*ml?acitilis) oii a ac~.'iocriminal
189ti (Guzetrr du EcZaçâo de Iisbria, t. x, psg. 21?8;; Rs-
(actio extraordi~lariaj,coiitra o auctor rlu sukiti.acçti, a &ta de Legislsh~âoc de J~rlsprirtl+7tcicr.,t. XXV: pagg. 25
qual não era; porém, adrnittids, nrui <.oittra o c'nnjiige so- e 39; L$Itindo leyrr.2 ejztdiciorio, t. ly, pag. 1561. Para a
brevivo, nem entre coherdeiros, para as <:rbi~s:isIisrerlita- evolirç&o do direito pcnal modvrnu sobre fiirto diimestico e
rias indivisas. Vid. D/~OX~ISEA,Di-oit yEnaE ~ o m a i n ,trad. extei1~2odo termo irfi~miliuu nos riossou codigos panars,
a , {Foiitcmoirig>, 1906, pag. 110; DE-
par I ) c ~ u e u ~ Paris ordinario e militar: Revistri de Legialaç20 e de .Turispru-
vres, Da ,sol entre ipotm, Paris (Giard et Brière), 1893, dencia, t. YXXV, pag. 5$9.
pag. 23 e segg.
Cnp. li- 0 ficr:u iw ( l i r ç i ~ op 0 r / 7 ~ u A i 96

mente A quantidade politica (dsmno mediatoj (I),


pela inflileucia q u e as circiiinstar~ciau que acorn-
5 2: p a n h a m o furto exercem sobre o aIarrne publico. E
Critorios juridicos das modificações do fiirto a s ZegislaçCes, teiido eui viula estas circumutilxicias
inodificadoras do furto, q u e r porque deiiotani maior
-?A. - Criterio? dete~riiinadoresda quantidade
SEMMAEIO: rtiidacia e maior energia aggressira no delinqnerite,
i i ~ t u ~etpolitica
l do £urto.
24. - Ilifluencin do valor do siljeito passivo do qiiw porque diminiict~io pnller d c f e n ~ i v od o offcn-
furto na. quaiitidade do crime. clido, cxpressaiucnte regularam o furto aggravado
:;á. - Oirciirn~taiiciasinlierentes á qiialihde da ou qualificado.
cuiisa, quc infiiiem na iniputabilidade
do furto. Seg~iirldoa cscola. classi<:a itali;ir~u:q ~ i c .na iii-
:!C.- Circumstilncias rclativar ao logar. dagação cios criterios determinadores d a qnnnti-
37. - O criterio qualificadi>rdo tempo. d,tde do c r i n i ~ ,disringi~iaa s ciiciiiiistancias ng-
38.- Modificaçúes do crime do firrto determi-
nadas gela quolidadr. do agente. graviintce (tas atteriiiaritcs - distincpão clne tão
39. - A qualilica~ãodo modo: a ) furto. civo debate provocou n o campo scientifico (2): o
40. - A qualificaçSo do niodo: h) roubo e es-

33, Seinpre que concorrain, em nuia fig~1i.acri- 430), o que distingue uiu f i f z t l o criminoso de outro; a pari-
tidada í: a diversa gravidade abstracta das variiis especieu
miiiosa, sein que algum facto de natureza especial
criminosas, o diffwerit(: prediirniriin ohstracto de um titulo
venha rnodificrtr o s e n caracter, os elementos que sobrc outro.. . ) i . \'ia. U A ~ ~ ~ F ACiin2inologin
LU, cit., pag.
acabamos de hd.icar, ter-se-lia o crinie de fiirto 313 e segg
simples. Mas, jh c ~ ~ ~(1) ~ . \ que o furto
a notava (2) Kcstliirando, a diversa luz, as iáeias da escola estoica
offereec uma infinita variedade de uirciimstaricias, (upeecata omnia suut :tequalia, nam, ct qui iiutem stadii~,
tanto e m relaçgo A quant,idade nirtural (damno im- et qui uno a cariapo abrst; apqua iiterqiie canopi iiori
est.. . i ) ,a escola positiva rlo direi10 eriiuirirrl nega, baseada
mediclto), pela indefiriida diversidade das coilsas
na classificaçao a~itliro~ologicn dos cieiinquentes, a legitimi-
qrie forniam o sei1 siljcito passivo, çuriio r e h t i v a - dada (1x1circumst:~ncias aggravanteu, couio (Ias atteniian
tes, defendida pela tscola pe~ialclusuiea. Vid. F B ~ ~ K T:
80-
ciologia crirni?~al& cit., pag. 7P2; WAFILUEIL~, Das Prineip
~ como d i c?i,.itto cvirnilzale cit., vol. Iv,
(1) P i o g ~ o m r nde2 dei. Irzdi~Uluulisimngf i z der Sfrof~echt~pfleqe,Wien, 1889,
paf;. 60. pag. 144 e segg., praeu. pag. 160.
..
codigo penal portugiiêã repi-iuie diver-sarucrite o GRI (1:)e NIGELI
( 2 ) irupugnarain, como destituida
flrrto simples e o nggravrido (1). K reflectindo a d e valor sí:ientifico, já q u e o furto a g g r a v a d o nzo
distincção, feita p o r nlgrins criminalistas e erri d- ci.a sen5o riirria sirbdivislo fictici?~d o
gniilns legislações, d a s circuuistai~ciasa g g r a v a n t e s coni o fim d e melhor proporcionar a p e n a a o de-
em ztggravaritcs propriamente ditas e yuaIi5c;tdu- Iietor, que nem 11%ti.:rdiy;to juriclic~eilcoatra~it
r a s (2:): expressamerite s d m i t t e o codigo o furto apoio? porisso que uo direito romano prevaleceu o
qualificado. sj-steina d e destacas d a ~ i o ç ã og e r a l d o furto aa
Ngo passou seui r~px1.oesta tripartiç8o d o f ~ i r t o : eiicis formas qualificadas, criando outras tantas es-
qac C.\RRAEA
(3)) I)AOLI(:4), ~ K D R L O T T I{5;, MA- pecies criniinosas, reguladas p o r normas proprias,
segundo n iniportancia. d a 1es;io pulitlca prodiizida.
(1;) 3 3 0 faz o codigo ref~reriaiuexpressa ao furto açgra- pclo crime patrimonial e a oEcnsa immcdiata ao
vado. Alas, como veremoa, admittiu clli- esla poiico arcri- direito r10 offendido. Mas! sem a c c e i t a . ~a doutrina
taveI distiiicçlo. E m iiiirltraria: SILVA FERRÃO) Theoria de C~IVEL~.ARI (4); p a r a quem o e m
(3) L: LOLLQT
do di,:i.eitr,j 1 e f i ~ l~ j t . , t. viu, png. 8.

(1: Reafi co?atro Za propi-ietd cit., pag. 115.


privada e comprehrridenJo todos os meios e relasõea qiic (2) Trutkxtu d i d i ~ i t t openi~lc r u l l ~qiiuZ(fifichc dr:l jL,rfo,
tornam a lesho de direito partieuiaruiente insidiosa ou vio- Pal?rmo jl)omeiiioo Alaccarone), 1897, pag. 30 e segg.
lenta, excliiida x rela~Lode pluralidade ilos direitos ciola- :.,) R~ílti~0itt1.0 711 prop?.iet~icit., pag. 139.
10

c103 lielo mvsirio facto criiiiiuouu; as aggravantes yrupria- (4) ~ 9 i-,:ob ,


~ 1 d i j*!crro cit aag. 95.Rocoid~ec:rdu o in-
wenle ditas, invotvendo taiubern a ilimiuuic;uudo poder de fiindado da claseifica$8o apontada, tentaram alguns crimi-
defesa privada, seriaili, por manos graves, drixadas, na iialistas anbsiituil-s por outrks: rioiaTel 2 ã d a ERHAED e
latitude da pena, i api*açiayZoílo jiiiz. 'Jestas se compro- P I ~ T . I & I(li],:
, ~ Ndistingiicni
~, o furto iiiy?-,1-oai?ndí.o preor-
hendt:i.i:i :i plur~lidadede direitas lauados pelo mesmo facto detrulo e o yuulijica120. JIas coriside~.dmoI-aiiiaccei[.avel,
anti-juridico. Vid. KRGSA, iS'r~ggiod i u n c ~dott~irzagenerob po~~ieso r11a~s premeditagRo é condicão essenc~ialdo furto,
dei reato, 'Corino, 1884, pag. 132. e, co~riolu], nUo se pócla [ornar. ~1x3- ~irc~u3taflcia :tggr:i-
(3) Pi*oqvarrtrurod d corso d i tli~ittoc ~ i n > i n acit.,
b voI..rv, \,ante. E, por outro lado, a natureza do fiirto asgravado
deperide rl:i a~c:id~iit.;~li~1u~.. de circumsta11~ia8que poderi1
oa não või.iL?ar-se; e, precisxniente, por esta accidentali-
dade estranha e independente da easencia juridica do crime,
vol. ir, pag. 16. irnpousivt.1 i. s i ~ l ) ~ a~ dregraa
r gcraea e n forinulau codifii:s-
(5) Contv.ibuto stor-i~o-~it~ridico
cit., pig. 69.
Cup. TI - O j%rlo 199
- -.direito purtugiiês
119
-

p r a t i c o i n d i c a d o justifica c a b a l r n e i ~ t etal spetema, pelas s e g ~ i i n t e scirciirnstarieias d o furto: valor e


e que .~XGIOLIYI (1 I v i r a i n e i l t e d e f e n d e , ligar-nos- q u s l i d n d ~da c o u s a , que infiuein iia q i l a a t i d a d e na-
helriuw a o sy-.tenia l e g a l (2). t u r a l do fiirto, piorisso qiic tcyirellcs e l e m e n t o s iii-
Antes passar ii a n a l j s e d e cada g r ~ i p od e t e g r x ~ i i o dairirio ni;tterilil, o logar, t e m p o , inoclo,
circiirnstancias t i g q r a v a i i t c s o11 rlartllGcadorns d o qualidade e i-iti~nerod e p e s s o a s (i).
eriine d e fuito, diremos, q u a n t o aos criterios de-
tcrrnii~adorcscla rliiautidade do f u r t o , que a reacçBo 34. Concentra.-se 110 uriierio 110 valor o d a m n o
da c o n s c i e n c i a social, d e t e r m i n a n d o unia. maia g r a v e patrimonial directo prodiizido pelo furto.
sancçiio r e p r e s s i v a p a r a r e s t a b e l e c e r a a e g n r a i i ç a , T r e s tlieoiins ela8orou o p e ~ i s r i m á n t ojuridico
p e r t u r b a d a pela l e s g o p a t r i m o n i a l nati11 a1 oii p o - doutrina1 qiiaiito iL inflriencia~d o v a l o r d o s u j e i t o
litica d o c r i m e , s e af-firmoi~qriasi c o n s t a n t e m e n t e

(I) Os criterios da repetiyão do furto R da sua consiim-


das as ciroiimstancias aggt-avantes, que podem acompanhar maazo in jcrgrariti, que vimou predoruinar iio deçinvolvi-
eute crime. Quanto As circiimsturiaias que, attenuando a niento historii:~ das circumstancias qiialificarloras d'este
força subjectiva do crime, dirniiiueni a sua imputabilidade, crirue, foram gradoaltnsnte ~tbandoriudos,coin c> progresso
4 yossiool siibmettel-as a regras pr~vi:ntivaq mas, pela tcchnii:~do direiiu peual, porisso que, se, com a elaboray8o
protoiforrne variedade do furto, nEo procuraram os legisla- jiiridica da noclo de rcincideucia, ci~ruciiiormapsv ss stan'e
dores enrimeral-as, e: indicâii(10 as priiicipaea que o tiggrs- e ger;il, api~lica~lel a todos os crimes, como circumstttncia,
vam (oodigo penal, urt. 429.O), dr:ix:iram :1s oiitias A apre- iiggravaiite dn imp:~tabilidadelioiitica d'aquelles, a noclo
c i a ~ ã odo magistrado, lios Iiinitss fixados peIa lei. Perante e s ~ e e i a ldii furto repetido perdeu a razLo de siir, a ligaçzo
esta iuipossiLili~iatit: de rrioootrar uma doutrina ger:il e cl:t c;gnii.:ln c i r c ~ m ~ i a n c no
i a procrsso, as fi3rma:idades pro-
constante sobre as circii:~~sta~ioias rnodilicndoras iIo furto, batoritis? fcz perder a yu,z eficiencia como eiemonto ciiri-
liinibur nos-heinos ;L P O P C O P ~ C ~algiinias das previstas no coiriitan~e de iio$o eesenci:~l ílii Eirto, pei-feito com os
iiodigc. elementos anbje,:iivo c. o$jeccivn inclicadoe. Vid. l l ~ c ~ i . ~ ,
(1) Agqr~ucunii e yual$ohe de2 frrrio, iip:irl Ln Sciiola Tratta!o di dlr.itk ~is~iicle s r t l l ~ p?inlilfiche dtE fitrlo cit.,
positilin cit., 1594, anuo rv, png. '740 e srgg.; 1893, pag. 11 e se%$.; O a e ~ a u o ,Tvrriti !hioiiqv~eetyrxtipue du
annu v, paz. 1.45 e segy. dioit pé?ial,frr~?l$aiscit., t. V, pag. 439; A~saf.nr,f i r t o
(2) ?;os pr~jectoad e 1861 e 1864 appareoc a rliatincç5o p u ~ E $ ~Liicca ~ ~ ~(9risakdi),
~ , 1ELjri, pag. 18 r segg.; LOL-
do furto em simples (nrtt. 253."-25~5.~)e qualific.sldo (artt. LINI, Aqgrtlija~~ti e y~cal[fichen ~ flu, ~ f o ,apiid iSuppEemento
236."-262."). Riw'ura Penabe cit., rx, 1901, fasc. v e vr.
C a p . T I - 0 firtn no direito p a f ! q & s 20 1

.
passivo do furto na. qiisntidade do ciiine. MAGRL (1): eA (11, P~ssma(2) e P u a ~ r a(3): rèem no valor d a
F I L . ~ ~(2): '~u SILVA
~ KF~iznlu
~ (3j e Li/tfi b h r i r ~ 9.2s fk~iiva o criterio de qualificapio do furto, con-
J o ~ u l o(4) impiigna.m IF distincc,ãn entre grande e sidni~ai~do~iqaelleem reln,q%oct,m o damno c,au-
pequeno furto e a inflncncja du critcrio do valor do sado ao offe~ididoe abstraliindo do lacro cio agerite.
ohjecto do fiirto no ealculo da penalidade, com o ERHARD (4). (?ARRARA (5), RO~WA~~YOSI (6) CRIVEL-
o que Falta n proparc;So eritre pcnn e
a r g o m e ~ ~ tile LARI (i), LOLLIXL ( 8 ) X r e ~ i(3)
, ~ clcferide~uL: de-
crime, quando se estabeleça um criterio fixo artifi- terminaçiio real e objectiva do valor da cousa como
cial, qiie dieting:~o grande do peqiieno tiirto, hin- ciiterio quantitativo do furto, cola a distincçno do
danclo-se tal distineção sobre o criterio da riqueza, direito de propriedade em abstracto e concreto,
por indole sempre rela.tiva.. Alkni de que, nbser-
va-se, k nccossario attenclcr R intenqão do ligente
e a que a represszo do furto visa á tutela do di- ( [ j Roafi col~troIa proprietd, ~filaiio,1899, pag. 115.
reito de pi~c~prieilade, ir~distinctosuh o poritv de i,2j Eloficcninli di tliritto per~alecit., t. 11, pag. 218.
vista abstracto. ( 5 ) Debilti eontro Ia propietii cit., pag. 544 e segg. Já
CARPZOT-ro (7'~actiea e ~ l a i i ~ i a l i sdefinia
j o ,jwrtitna p a ~ v z s m
CREM.AKI (5: e PAZZI (6:1, C.~RJT[C:SJAI
( 7 ) t: LAY-
valor variarneiite dztinirlo pelas leis, seguildo os diversos
(1) Rcc~ficontru ia propristii cit., pap. 11s c segg. costiiincs o rtindiçnes dos povos, r ensinava :justo t u w n
( d j S c i e k a ~7jeElul e g i a b ~ z i o ~Capolago,
i~, 1833, vo1. T:I~I? el cur)aiiiimi proebio Te-?rtastin~ur~du esta, e, sob a aiictoridade
pag. 233. Esw doi~tiiria fui corisigriad:~no art. 401 ."o de Boa&?r*;~o, opinava ~ U neccssario
E era csp~ctarccondi-
codigo penal fi-;inces, y;ie ficou constitirinrlo excepçao entre cfiolaein ejus c z ~ fiifum;t'uctun~
i estn.. prininaü menos seve-
as legislap6es priiaes ciinteuiporansau. T'id., rj~i:intii :iG cli- i~:irriiiiiti! quelu I~s:I.v:L 0 i i ~ ü(lu qllc o p(iLrc: i. que o cri-
reito i~iglêe,cm qilc, r.m ri:gra, o ralor não inhie no fiirto: terio do valor nAo podia basear-se na rr~tlo2uer.i.
H a z ~ i s P~Encip,>ii
, d i diritto aprocedurnyannle irrglese cit., (4,) ne.fltrti notione eit., psg. 145 e 3 % ~ .
pag. 14.5. 15) Progran?isic del c o ~ t wdi dlritto cri~ili~io/e cit., vol. IY,
(3) Theorirt do direito penttb cit., t. VIII, pagg. S e 9. pag. 66 e eegg.
(4) Co,wrn.e>ttario no codigo pevnl firirfugrlBs eit., t. 111, (6) Genesi dei d'iritto penub, Pr;ito, 18,12.
pagg. 242 e 243. (7;1 Dti ~ e c l ! irmtt-u lu pi-opi-íefa cit., pag. 107.
(hj DF. jura clBs,iir,ili, $, 151. (8) ALZrcofo d i fui.to cit., png. 139.
(6) All~iid.ANT>REO~.~,I, Contsibuto .?fosico-ghridico cit., (9) Trgttciio dl dirihto pawalc st~lIeqieal!Jcite de1 /%to
pag. 71. cit., pag. 47 e segg.
(7) Elementi d i dz'ritto srimi7aale, 5 1040.
sendo este v d o r conc~etoe reI;xtiro que constitue cada, ella n f i r m ~qrie A praporqão penal inferida
a iriateria do furto; com a necessidadc de medir dn, gravidade do damno niaterial se deve s~ibstitilir
pela impoitancia da lesno cnusi-i,dapclo agente a o printlpio da inveatigaç3.o cla idoneidade tlo agente
inteitqh Oeste e COLU a consideraçâo de que o le- criniinoac>r~;irn:t vida. snciitl rios clilferettt.es casos
gisIarl~~rnXo póde punir 56 a iritcnç50, qiiaiido nSo de delicto, dn adaptaç%o d a represts21:i6 siia espe-
seguida do um evento confornie (I); com o alarrne cial uatureza criminosa. Qilalqiier qiie seja, a dou-
social que va.ii>i,de intcnsiditde segundo o valor d o trina que adopt,emos (1);certo é que sobre a quau-
furto; e com o incentivo aos grandes crimes con- tidade do crime infliie a importancia do direito le-
tra a actividade patrimonial, que certamente deri- -sacio, e a importancia do direito lesado pelo fiirto
varia da repressão tiniforme liara os grandes e pe- nR,o póde ser esacta,nic.ritc cipt-ecit~dc,qurtndo se
quenos crimes de fiirto. prcsclnda, do valor cla coiisa. Assini, fora#m;em ge-
N2o 6 aqui o Iogar de expdr, parallelamente Bs ral, coiicn~clesas legislat;<">eseni ..ii~gnieiztai-a pena
doiitrinas juridicae conimuns, a doutrina d a escola além de nrn certo r..i.Ior, se bem qiie, relatiramente
86inente observaremos qire o prilicipio de B determinap8o do q u o , , t t u ~delimitativo
~ do furto
que o valor infliit: sobre s qnaiitidadl: dos crinies simples e q~iiilificado, seja tlotavel, conio já frisá-
patrim~niãescj por consequencitl, a siií~diversa
punibilidede, é contestado por esta escola. C'lle-
ga.iido, fiiiidaiuentalmente: As conclusões da escula
subjectivijtri, ria corrente enl lirinieiro lagar iudi- (I) Eteco~iheceildoquanto de aoceitavel ba nos ensina-
meiitos da escola classicn objectirs, repallimos, no emtanto,
a sria pretençio de caicular a energia criminosa do agente
(1) <<Qualunqiiesia i1 ~iarlsieroJ-t deliiiquento, quando pelo valor da couaa furtada. h de facto, evidente, como
niin B segiiito dall'iiirolairiento d'uii grande valore, non sacrtvc C+IR01'.41,0 nche un valore niolto elerato piiò occa-
piib, diz J ~ ~ C E L I (.Tro,ttufo$ s i dil-itta petlctle s7i76 pi~al<fi- aionalmante rcridcra lacli-o u n uorno íli iin:L clebole costitrl-
eht. drdfiwtv i:;[., pagg 61 e 5-), pilnil.si come a~itnrrdi zioiie psichica; con te?rderisa a1 fui-tí, assni rrinn,) svilappiite
t.urLu in qrieeta seuza rovesciare tiitta Ia dottrina della di q l ~ e l l oche, pcr dclinqueiiza conq~iiitao acqiiibita, riiba
acieiiza, e tiittn lateorira d d tentatiro; come ilon puii per 20 ceritt.aiinio. E nau 11c:acnnhccenios qni? o criterio bis-
putlirsi conie autore di furti di poco,quando a1 fino drl torico do valor, materialmente cont,r>bid<i e ~iiirrieriamenr~
delinqliente corrispose 1'eví.rrto col furt,o di an volore in- formolãdo no preceito positivo da lei, contravía o principio
genteu. racional e politico do furto,
moa, a divergeliria legislatira. No nosso codigo, e do niesino niodo o cjniilificado (I], c o m o , ein
o criterio arithmetico do valor, que m e r e c e u as
justas c e n s i l r a s de I~RKSA,A~ARCOKA e LLLEIZO
(I),
serve p a r a graduar a p e n a ti3 furto simplcs (2) ( l j Quando o fi~rtofrir comniettido com usuipaç%o ile
titulo, oii riniforma, ou irisignia c l ~ ialgiim einyireqiil<lnyu-
iilico, <:ivil oii rnilit:ti, ou all~hgnndoordcrn falsa dii qiial-
quer aut!t,oridnde riiibiina, ou coni :irronitia~ricrito, escala-
(1) Vid. JIAGRI, Reuti eontro Tnpropr?'ef<lrit.. pegg. 93 riiarito cii eli$vrs f:~lsxs: r111casa n3u hubiiatia, será piiriido
e 94; MICRLA,1rattuto di dirittopenaIr sulio y ~ ~ ( r l i j c hda1
e :uni as yz[ias seg(~lrates:
f i ~ ~ cit.,
t o pag. 66. aj se o valor da coiisa não exceder a lTJ$ClI?O reis: pri-
(5') (6) Se o valor da coilsa nAo exceder ;i 10$000 reis: são ztè um nnno e multa ate dois niêses;
prisão até scis mbsrs e niult~.até uni mês; b) 3 8 e ~ c r d e resta quaulia e não f5r superIcir a 40b000
b) se exceder a esta quantia e n?io f3r superior a reis: prisão correccioual ati: dois auiios e uiiilta a16
40$4N(! reis: p'i"~) :itb um arino e miilta at.8 seis mPães;
dois meseb; c) se exceder 4CJd000reis e nZo fôr superior a 1008000
c) se exceder a 40fiM10 reis e não fôr superior a reis: priszo maior cellu!ar de dois a oito amos, ou,
10(&OitO r&: prijio correccional ali: t r e j an- em alternativa, degredo temporario, coin multa at6
nos c iriiiltu atd seie ruêees (accordao da Refa- um anno riu ambos os casos;
ybo de Loanda de G de maio de 1808, apnd d j se exceder a lOOR000 reis: esta mestiia piirla 2iggi.a-
vada.
d;) se exceder a 100~000reis: pristzo maior cellular Quando o fiirto for. coiniueltido de noile, eiri casa habi-
de dois a oito aririos: em alternativa, de- tada ou clestiiiada a IiabitapSo, o11 em i.diticio priblico o11
gredo tcuipor~rio, com multa ati: uili a m o em destinado ao culto raligioao ou sm cemitorio o11 em estrada
ambos os casus (codigo penal, art. .F21.O, n.03 ou camirilio publico, sendo de objectos que por ellc foram
l.0-7.0; decreto de 15 de dezembro de 1894, trarisportatlos, ou por íliius ori mais possnas, se fii. acom
artt. 1." e 3.', % unico). panhado de quaIílriar das oiroi~mstanciasque tornam o firrtu
Vicl. accordão do Supremo Tribunal de Jiistica d e 19 qiialificudo, ser6 ptinido c o a a s penas seguintes:
de ftrereiro de 183.3 (O U%i-eito, t. XIX, pag. 35); accor- a) se o valor (ia coiisa nBu exceder a 10$OOC)reis: pri-
dão da Relacão do Porto, de 17 de maio da 1887 [.Revista são correccional ate dois aiinos e multa at6 seis
dos T'ih~~nnes, t. vr, png. 1 5 3 ; accordão do Tribuna! Sir- meses;
perior de guerra e marinha de 3 cle niaio da l3SS (Bole- h ) sc exceder esta quantia e n7Lo frir superior a 40&00
tim dos T~-ibunms,t. 111, yag. 510) reis: priszo maior callular de dois a oi1.o anuos ou,
dadas circiimstancia.~, do fiiito aggravado (I), que, c~uandu inferior a 500 ieis e nLo habi-

degredo, pelo ten~poque parecer aos juizes ícodigo penal,


em altertiativa, dcgri:do tr:inpor;~rio, com multa até
art. $25:).
uiri aiilio em auiboi: rin casos;
c) se exceder a 401000 reis e ii.iu fijr siil3t2rior :L 100~~0~30
2.' A yiirneir*cc reinciclencia do crime de furto st,i,'a ' 1)"-
reis: a nies:nn pena aggravada, e rianca irifc~.iorn nida:
cc) se o valor da cousa não exceder a 10:$C)00 reis: gri-
tr+s annos de prishú uiaior eelltilar ou, em aiterna-
são corrsccioiial de seis meses n um anno ou dois
tiva, a cinco alinos de degredo;
d) se exreder a 100d000 rriu: piisDo maior uellular por
niikes de multa;
bj se exceder a IOJ(J30 rcis a 11Bo f6r superior a 40$000
oito annas; oii, era alternativa, cuiii doze alirios d e
ri:is: ~jriunode um :idois annos e quatro mêses de
degredo jcodigo penal, artt. 426.0-428.0).
maIt:r ;
(1) 1 . O Os creados qur fortarem alguma coma perten-
c) se exceder a 40d000 reis e não fôr superior a 100J000
cente a setis anios o11 a qiialqiier pessoa na casa d e seus
reis: pris.30 de dois a tres annos e nove mêses de
amos ou na casa que os accimpanhareu ao tempo do furto ;
multa ;
os servidores aeralari:idos on iudividlios qiie trabalhem ha-
i~iti~nlirirnte na ti:ibitapso, ofticiria oii rstslir.leciliiento~ em
se escailer a ll)O$üW reis: prislo ceIlular nxo infe-
qiie aonirnetterain u curto; os est:itaj~dciroó o:i qiiaesqiler rior a quatro arilios 011, na alternativa, o degrado
pessoas qut. recolhem e sgasnlhnin outros por dinliciio, ou correspondeiite [decreto de I5 de dezerrrbio de
seus propostos, os barqiieiros, os recoveiros ou quaesquer
1894, art. 3.').
conductoieu oii seus propostos, ser30 litinidos: 3.' No caso de ~egiindaou mais rainc:idiinci~~:
(c) ae o ralür da cousa nso exceder a lO$OilO reis: pri-
a ) Y ? n u:ilor do fiirto f6r iilferior :i. 103000 reis: com a
são correccional ê millta corresporidente;
prii:i 11e yris^io ati: uin tiiino e IIIIIIVR &tB ii!n iuês;
E:) se ngo esceder a 40&000 reis neni fôr inferioy a I j se exceder a 10$000 reis e não fôr superior :t 10Ui5;lr00
reis: prisão maior cc-llalar de dois a. oito onrios, ou,
10&Úljlj reis: prisão âtS dois anilos e muita at8
seis meses;
orn alternatira, degredo t e ~ n ~ o r a r i o ;
c) se exceder a 406000 reis: prisão maior celtnlar de c) se excccler a 10080í)O reis: prialo maior celliilar por
qiia"to aiiiios, seguida de ilegredo por oito iiriiios,
doi3 a oito aiinris ou, sni alt-rnat~va, degredo tem-
porario e multa at8 u u anao, ein ambos os casos. ou, em alternativa, L; pena fixa de dcgredo por
E se se tratar de h r t o de oLjectos coriiiados para tt,ans- quinze ariIios (codigo penal, art. 42 I.", 5 2.").
porte, se estes se alterareiri caiu sulelsricins prejudici;ics A Wote-s* que a pena (ie pris20 corrt:(:(:ioiiaI, applicar~elao
~ a u d e ,ser4 tariibem iinposta a peiia de prisao nu lugar do crirua J e furto eiii materia de rzincidt:noia, nunca polle ser
t.,~,,.If - O furto 910 direito portl4~~1% 209
..

tual, 56 ter8 logar queixarido-sc o ofi'endido (1). ferencia ao momento em que o furto foi commet-
Quauto ao criterio da d e t e r n ~ i n a ~ aj uoi i d i c a do tido (1).
e l o r dacoiisa snl>tr~~hi<lir, erii q i l e Q oniisso o nosso E, coiltra I>UGLLA (2) e >~AGRX(~), que, baseados
~ o d i g o ,excluido o criterio eubjecti~~o,defendido ~ fe,-tur iiz in;ncoy?~itzem>
iio principio z " J l u r ~ 1 0 TLO>L ,
por b l ~ z (2))r yrie att,erirlin ao lucro obtido pelo s~istei.itnmqire não dcvc exigir-se no aiictor do
auctor do furto, consideran~os, cooi a geilcraIi- furto u co~itieciirieritodo valor da çousa s n b t r a t i d a ,
dadç i305 ci;ct.iptores, seus elementos intr.gr:zntes: entendemos, com 3Iosc111'ir(4) e Tuozzr (ij), que
o valor effcctivo, intrinseco e vciial do sujeito
do furto, sem atteilçilo aos damnos uloraes
cveritualrrieutt: prodiixiilns pelo furto e ao l-alor
os fins ein geral de determinada pessoa; e do grau de !tal
estimativo d a coiisa snbtraliicl;~(3): e a sua re- aptidão. Assini (?iitendido, o valor estimativo é sempre
eknomicamente a penalmente apreciarei. Indefiriida e im-
propia 6 u de~lomiriaçãods valor de iiso. Vid. N E U Y A ~ ,
eiih~titiiida pela de desterru. Vid. Sr. i)r. l'sii+:r~a'r?o -1wncettifoto,~d~~i~a~taIi dell'econorr~iasoçiule, apud Biblioteca
VALLE,A,i~i~otug?es ao l i i ; ~ opvUn~ii-odo corligo peziuE poiv- deZZ'ecunornlstu cit., srrie iii, vol. I s , pag. 184 e segg.;
tugu;s cit.: psgg. 268 e 369; acciirdlo do Sulii-~rrioTribu- Sr. J.)r. &TAI~NOCO I.:SOUSA, Scienciu eçor~urttiea,Coimbra,
nal de Justiça de 9 de agosto de 1592 (Xeiista de direito, 1905, pag. 683. Q ~ A C E R(Dei* Str.*frechtliche Schutz toer-
t. r, pxg. 2'iUj. fioser G.eYenstands,Rreslsii, 1895, pagg. 3-9, praec. pag. 8)
(I) Codigo art. 430.'; ur;curd%u da RelajiLo d o nota que, aqiiando o vaIor estimativo da co~isn,nRo raspeita
Porto de 22 de março de 1892 (Revistu de LegisEaçZo e de n6 ao itidiridno, iri;rs :i colleclividade, converte-se elle em
Ju1.isprrr&.rici<i, xsr, png. 123). verdadeiro e proyrio valor patrimonial . . .» .
í2)De eo gzrod interest cit., pa.g. 55. ( I ) Vid., quanto ao momento a qiie, entre os romanos,
(3) Tia. CIILKOKI.La colpa ?zcl d i ~ i t hciailr odierno, se attz~idiapara :i dateriiliuacAo do valor d a ~ 4 furtiua, s
vol. 11: C~lpueztra-contratt7tule. Torino (Fratelli Bocca), as opiniões divergentes de P A M P A L [Xtudi O ~ sopra i1 &i-
1887, pagg. 228. Se todos os escriptures (Bid. Ma~craxo, ritto diizcrto cit., pig. 140 nota (1); e ~ L A S Z I N I ( T v u f f a t o
I1 titolo x del codicepet~uleitaliano cit., pag. 429 a) con- del furto cit., t . cit., pag. S93).
cordam ein excluir o valor estimativo, diversa B a noy:io (2) Jjrlitfi coilbro 7a p ~ o p r i e f &cit., pag. 544 e segg.
d'este por elles defendida. ;l sciciiciw economica consiciera (3j Rcali c o n f i ~Eic p r o p i e t à cit., pag. 96.
tal o valor su,jectivo, em sentido lato, çoruposto de dois i*) i1 concetto del valoi.c nclla cosu rubutu, apud La
c l c m ~ n t o s :do facto de que iimn cousa 8 apta para satis- Scuola posifiva cit., 1900, anno x, pag. 111.
fazer patrimonialmente os interesjes, necessidades e todos (5j Coi.so cit., pag. 28'7, nota ('2).
14
deve o agente ter con1ieoirrie1lt.udo valor approxi- 35.- E n t r e as cii+euilistaneiasinhererites h qua-
niado d a cousa, porisso que, se a circiirnst~tncin. lidade d a cousa, qiie influem na i~riliiitnbilidadcdo
do valor, pelo modo por que fui legisl~itivamcnte furto, previstas pelo legislador portugilta, podemos
disciplinada, mostra os caracteres proprios das cir- incluir: a) n siilitracq50 de objectos sngrndos oii
cainstnricins rnudificadura~ da rcepoilsabilidade, em logar sagrado (1) 79 a de algum processo ou
por outro lado, considerada na sua essencia es- parte d'elle, ou qualqrier clocizmento, ainda quando
pecifica, iiifliie s011i.e a iriiytitabilidade, augniuil- si~btrahiilopor quem os tiver produzido cm juizo
taudo ou diiliiniliiido a qn:intid;ide politica do em qualqiier cniis:i, livro cte registo ou paite d'elle,
crime (1). e asubtracçRo, deecaminlio ou destruiçAo de pa-
Qi~xnto6, tent;itiva do firrtli yiic o nosso codigo peis ou qiiaesqiiep objectos depositados em deposi-
dcclara scmyre punivel ( 2 ) .julgamos a ellâ iriap- tos publicos 0x1 estabeleci~nentosencarregados pela
plicavel a qualificag80 do valor, iião poderido ter-sc lei de os guardar (2); c) a sal~tritcçlodc fructos
erri coiita. parli ~b ~ R c i t o sda aggravação penal, se-
não RS circumstan~iasaggritvailtes jA cuii~urntnadas
i10 inomento erri qiie se detem o ircr c ~ i n l i ~ a(3).
is
tuvi i1 problema si risolve faiiilmento, yer$:lib i1 si deter-
mina sui iiiezzi di trnnporto preparati dai ladro). Coin ra-
z l o escreve, porérn, iilrcti~a(?Fafutfo cit., pag. 'iUj, que
(1) h rlatural que, i i n . maior parte dos casos, tal oonhe- o & strano parlare di volo~iti e di coi~iisoeriz:t rli valore;
cimento se prasuina atA prova em colrtrario, do mesiiio qudluntlue fuestrro I:t volonts e Ia conoscenza det conte-
ruiido q u ~90 pl.OJllIn~ o dolo generico nos crimes. Vid. nuto clii volzvã roharsi, fiiicli& nori sono seguiie dall'attn
M I ~ E L ATvntatto
, di diritto yenirle suZZe qi~al<fichcdeEJtirto &i esrcuzioiie? cha determilia ciò che si prende, il giure
çit., pag. 69. pennlc non pub e non deve occuparssne)). Qiianto 6 aiialyse
(2j Art. 421.' 1.' S0bz.e os eleinentus da teiitativa do das f6rniau que piide revestir a qiiestão do valor: CARNARA,
crime de fiiito: acc. (10 Suyirt.iiiu Ti,ikiiin:il de; Jristica, de Progi~nii,n,c~de1 c o ~ s g Li; diritto c ~ i m i n u ?cit.,
~ rol. IV,
l i (1s oiiiubro de 1569 ( O I)i?.eifo, t . xxrá, pag. 84); sobre pag. 78 c segg. ; I,oi,i,rsr, Sul i.ectto d i $c?-to oit., pag,
a tentativa de criiue de furto iliferior a 10S000 r&is: decr. 140 e srçg.
de 15 de dazerribro ~ l c1894, art. 3." 3 uniúo, e O Dlreito, (1) Codigo psnal, artt. 441." 4 2 1 i . ~n.,O 4.". Vid. Sr.
t. Xx, pag. 334 Ur. DIASF~ria~rna, Codigc ciuiE porfuyuZs aalzt~otadocit.,
(3) E m contrario pensa CIL~VELLARI ( D e i ,reati cofiti.0 lu t. I , p g g . 2G3 a 26.1.
propviet2 cit., pag. 202) que escreve que ocirca il puas- (2) Codigo penal, art. 424.O $% 1.O: 3.' e 4.". Pócle +i
Cao. I I - 0 fiirto no direit? unrtrtmjs 213

eni t,erreuo alheio (1). Se: em harmonia com as Na doutrina d a escola classica italiana: para qiie
ti.ansfoi.niações do sentimento religioso, rariori o o furto podesse uet. qiialiíicado como sacrilego, esi-
conteúdo do sj-mbolo ou do objecto v e ~ l e r a d u , gia-se, eni harmonia coni o principio fr>riniilado
como significaç80 psychologica colfectiva, cons- pelo direito canonico :f i~vrurnrei saeírae de loco sa-
tante foi ria e v o l q ã o legislatira a qnaIifieaçiio do cvo,ueb ?roasacvus de ~(hcro,2:dsnc).ne íleno?%sacro (I),
fiirto sacrilego. E o criterio jiiridico foi sempre que o furto da ves sacra fozse commettido em logar
identico nas varias legislações: maior q~rantidade religioso. Mas ao criterio d ~conseu~*.tio
. do objecto
politica do crime que offendia o sentimento, radi- subtraliiclo subst.ituiii-se o do uso e dcstino d'aquelle
cado na. conscieneia collectiva, da divindade e do ao. culto, conservando-se sónieilte o criterio tradi-
culto (2). cional do logar, destinado ao seu exercicio. Accei-
tandn H distincç80, que CARRARA (2) defendia, d e
furto sacriIego proprio e improprio, o legislador
primeira ~ i s t aliarecri. qiir: deve i:onoorrer, neste caac, a poitiiguês, exigindo sempre a cu~idiçiiodo logar,
circumstancia do logar; 11Bo é, porem, esta, mes o farto
purie eoru a pena. de oito m n o s de priszo maior
d o estar a cousa n'rlle guardada que ia2 surgir a qualifi-
caç2o. Vid. &la~crano, Ii titolo x clel codice penal italiano cellular ou, em alternaiiva, com doze annos de de-
cit., pag. 44. gredo o furto em edi6cio destinado ao cn1t.o reli-
(1) Codigo penal, art. 430.', 55 1 .O o 2.0
(2) V i d . FERRINI, Zlivitto panab v m n n o ; feorie yenerali,
Milano (Huepli), 1899, pag. 1 5 i ; &IICEI,B, Traiutto d i di-
qitalificxclo referida do furto protige excli~sivnmenta o
vitto pena?< cit., pag. 8Y e segg. A iiiiica differença na evo-
sentimento iiiiivei.sal do culto, qualquer que acja a religiao
lu@o etico Listarica de tal rcpiess8o connisti: em qiie nas le-
professada pela iridividuo, B isto porque, coiiio diz AN-
gislapõ~sprimitivas dominava um conceito utilitario, apgl-:t-
DREOTTI i Cont~iButos t ~ r i c o-yii~u-iáicooit., pag. 15): a o la-
valido-se a pena d o furto sacrilcgo para afastar a vinganga
drlo saerilego viola, além da lesa0 patrimonial, aqile1le
divina, que ,zcoinpnnha sr:mpi.r: as fornias infsriores do seli-
vinculo iriiiino e eapirit.iial dt- verieiaçuo que liga os fieis
timentct religioso i X J . OLIVEIKA~IARTISS;iSyste111ados 111y-
Ls cousas que, nos 1og;tres sagrados, representam o sym-
thos veliyiozos, 1,islon (A. Rl, Pereira), 1835, ed.! pag.
bolo e ti.adiizeiu a funcção sensivel da fb; religiosas.
21 e segg.) ; enquanto no direito penal moderno o conceito
(1) L. si cont~cnzaz,3 17, 9, 4.
religioso, elevando-se ás formas inais ideaea do espirito,
(2j I'royvan~ma de1 corso didiritro crirninale cit., vol. tv,
exerceu uma infiuencia renovadora no criterio juridico da
pag. 103 e segg.
repreesto clos f a c t j ~vicla<o~.es do rliesmo, peIa qriui a
g i n s ~ 0,11 em cemiterio (1) jnon ancru.vz in s n ~ ~ eo ) figura jnridicn do peculato, atteiidendo-se excliisi-
manda applicar as penas de f'urto ou de roubo, no vainente á circ~~mstancia objectiva d a r~iolayicipa-
maxiriio d a sua aggi.avação, qnaildo as cousas fur- tiimoriial publica ( i ) . Foi a tcchnica do direito pe-
tadas oii roubadas em etlificio destinado ao ciilto, nal que elaboro11 a tlieoria dn peculato, destkacuil-
uir eni acto religioso, forem objectos sngrttdus (2). do-a da. do f1.1rtoe coilstil~iiridouma especie c~itni-
E insiibsietente julgninos 2. opinirio d c PUGJ,JA (3)) nusa proliria, firnda.cla em um criterio juridico rle
d e que o legislador teve ern vista, ri20 reprimir it reyresij:i'u diverso do do furto, isto ii., sulrire a viola-
offeerlsa rC divindncl~,iii:ts a. si1htracçk.o de coilsas ç2o da confitiiiqa yiiblica coiisnmm~tr~a pelo elnpre-
expostas 4 confiança publica: o criterio da qualifi- gnclo piihlico que subtralie o patriilionio mobi1i;i.-
c a ~ reside,
" ~ quanto a nós, n a prot,ecção do senti- rio de que, em raz8,o das suas funecões, tcm a
niento religioso collecii~o,cxt.eriorisado rios varios dispoiiibilidade legal e iriatcrinl. Assim, o peculato
eiiltos, piiblicameute professaclos, cr<a violaçao, proyrio foi, pelo iiosso codigo, classificado rios cri-
siippoi~dono seu atict,or i-i~aiordesprezo da S O C ~ ~ L - mes eont,ra a urdcrri e t~ranqirillidadepublica ('21,
bilidade e provocando maior alarine na conscieil-
cia 1x~blicta,toi-i~n,aqiielle poTiticaiiiei-tteiriais inipu-
tavel. Nem, a acceitarnios ~iqnelleparecer, haveria,
(1) oLa distinzione fra psciilato proprio cd irnproprio
por coniprel~endiclxna saiioç50 geral do fiirto de secondochi: oomm,csso da un prirato o da un piibblico fun-
couã:ts publicits, necei-sidade de criar unia qiialifi- xionario ilon è rotriana, diz L a s ~ u c c r(8ioiia de1 dii*i!to
cnq3io especial pa.ra o furto saerilego. pmuuEs rvr,rurLo çit., pag. 461, nota Sj ; sorse nel Medio Evo,
ebbe come tnntci :iltie disliiiziurii dei cluttori to acopo uma-
Coniprelieildida peloe escriptores no furto de nitario di sottrarre iina classe di rei ulle peiie piu grn-vi
de1 pecolato i, di a ~ t t ~ ? ~ uar qurl!e
le piU riiiti de1 fuiirloi.
coiiss publica, a siil-itrac~Wodas coiisas da s ~ g i i n d a
(3) Vid. Codigo penal, nrt. 31:3.U @Tudoo empregado
categoria foi, durante muito tempo. abiangida n a publico qiie em razáo das suas funcgões tiver em seu po-
der dinheiro, titulus de credito, ou effvitos iiloveis pertaii-
ceiittis aro Estado, 011 :L particulares, para guardar, diepen-
(1) Ctidigo penal, arti. 4 2 G . h . " .L0,423.O TI."4.", 3 i . O der ou adniinistrar, ou lhes dar o dcstirio Irg:tl, e algum
circ. 16.3 e 17.- d'estnu furtar, maliciosamente levar, oii deixar levar oii
(2) Codigo p a r ~ 1 ,art. d41.'' furtar, a outrem; ou applicai. a uso pioprio o11:ilheio, fai-
(3) Delitti eont?.o lu propvietri cit., pag. 167. .
taiido i app!icação ou ent.rega legal. . n . Vid. artt. 314.0,
pela ob~ieetividadejuridica de tal rrirne; P, pelo Pela. pequena g r a ~ ~ i d a dqiie
e apresenta, no ele-
coritrario, foi aggravado o furto das coiisas que, mento material con~ono intencional, coiisiderararn
ou por seu destino ou natiireza, oii pelo iogar onde as l ~ g i s l a ~ õ estrangeiras,
es ein todos os tempos (1).
se encout,i.am, albin do damiio patrimonial, viola com especial Iienipidadc, e, eg'.n:ilmente, a nossa
os bens sacias destinados n satisfazer necessidades nutiga e irioderntt Iegiutagão pena1 (21, o facto de
collectivas. Cotitrn MICELB(I) e MANZI~I (2), vemos,
p o r h , n a qualidade da consa, o rriterin predo-
(1) Vid. F~xer,I f ~ t r f pricilcgiati
i cit., pagg. 13-32. A
minante (3) nesta yiialificaglo do farto, já, que
~iniforniidadz:legislatira que, desde a legislaglo moysaica,
aquella implica urna maior quantidade n a t n ~ a 1da
se nota qiixnto i rapressao da figura juridica :I que nos
lesão-patrimonial (aiibti.aeç%orriateri:tl dn eousa) referimos, n%o representa a negaç2io das ideias de LORIA
epolitico-social. Assim o ei~tendeiiolegislador por- (Les bmes économiyues de I a c o ~ f i t i f u t i o gsociuLe~ cit-, pag.
tugirês (4). 155 e segg.) e GROPPAT.I ( S a g $ d d i sociologia, Milano,
1890, parte seconda?pag- 119 e segg.), de que adcive non a'&
variazione di norme lcgislativc, non c'&variazione di con.
3115.~e 317.'; Sr. Dr. DIASFLKKEIRA: Codigo depr.ocesso dizioni econoiniche di cui il diritto i1 riflesso necessarioo ?.
civil anizotado, Coiinbra (Xmpreiiss da Uliive~~sidttclaj, 1890, Via, CARFORA, ~T~~;7ogarr~~n.to in foízdo altrvi, aputl Uiqesta
t. 111, pag. 46. italiano cit., vol. s s ~ iparte
, rv, ITorino, 1900, pag. 412
(1) Tratatto di dbibto penale cit., pag. 53: uB da1l:i ciis- (e5tr.j; LAXXASCH, DiehstahE und Bekldiyuny cit., pag.
todia i11 que1 liiogo che la cos.z nssiime la s i i i qualitj ag- 28; R I G H ~ll, h d r u can?pest.tre,f i s t e b z o ~ o n é monfi (Fer-
graVatrice. . . n ral-ioschi-Cnsiilij, 183'3, pag. 15 e srgg.; RAZETTI, Dcl furfo
(2) T r a f t u f o d e l f u r f o (iit., t . c:it., p a g 448 e 449.
@) h-este sentido: ~fancraxo, I1 titolo x dez codict! pc-
.~laZeiialiugio cit., pag. .i?. Vid. C.~IKIC, k ' i i r t ~d'o,y!/etti ss-
cizmpastrs nella dottri~ane nella giurisprudertza, Toriiio,
1891, pag. 13 e segg. ; TARANTINI, SuLjtoto di-frt~ttipon-
denfi, Traili, 1325, pag. A e segg.
posti albnp~~bl/licaf'er?~, Torino, 1894, pag. 5 e segg.; Mos- (2) Nos projectos de 1861 e 1864, decIarava-se co*zt~a-
CHIXI,Furto di oggetti esposti 71.e7E.e , j e & e nei mcrctrti, apnd t:sn$o contra a prupriedado:
Ler SncoEn positivu cit., 1%-L, anno I V , pag. 077. Art. 4140." n.' 4 . O : aR?,spigar ou rebascar nos campos
(4) Quanto a penalidades, vid. art.. 424.O. Vid. are. do aiitna de rr.tir:rd:is â g ~ o l h e i t , a i~, ,nnt,on de nastcr o11 depois
Stipremo Tribunal de Justiça, de 28 de abril de 1891 (0 dii p6r do soln n.' 5 . O : ucolher fructou de propriedade
Direito, t . xxx, pag. E?' )20
d+ ,de jiillio de 1900 (Gozeta alheia, come~~do-os ali iursmou. Vid. Cndign penal, avt.
d a Relação de Lisboa, t. XIV, pag. 222 e Reõistu de Lliyis- 430.*,$9 1 . O e 2."; Bsçisia de legisla@o e d e j u r i ~ ~ r i ~ d m -
Zagão e de Jurisprudencir~,t. xxv, pag. 1191. cia, t, xsxrr, pag, 410; Retista de Direita c Jzr~G-pntrlev~-
21 8 Do furto .
- - Cap. I I - O .hirto no direito portu,qubs 219

colher, rehnficnr oii reepigar fructos ciu terreno Ahstanilo-se da, peiieralidxile d a s legislações, o
alheio: afóra o caso d e reincidcncin, commina O codigo pe~ialpoririguês cousiilera siifliciente a sim-
codigo-para a,y~rellea, p e n a d e reprcliens%o, parri ples eircuuista~iciado logar de habitaç80, p a r a qua-
este a de prisão a t é seis dias, exigindo-se, eiu nm- lificar o furto, 1120 seiiispira~ido,p a r a essa qualifica-
bos o s casos, queixa do offendido.
ç$o,na pres~irnpyzodo ~ e r i g pessoal,
o qtie implicaria
SL hypothese esclusiva da casa realmente habitada,
36.-As circumstaiicins relativas no lugar, que
rnas ria ideia da \iolay%o d o dorr~icilio o u iio facto
illfllli~llna quantidade politica do furto: respeitam,
d a iiupossiliiSidade da defesa privada (i). E, se, na
segundo a lei portugnêsa, a o f ~ ~ r coriiinettido
to em
casa habitada o u d e s t i ~ l a d aa habitaçko, ciii edifi-
cio p b l i c o ou dcstinaiiio an culto religioso. e m oe-
contre ou seja simplesmente deposta em iirn instituto pii-
n ~ i t e r i o ,ern l o ~ ~ eir m
. o e crn estrada oti c a a i i ~ i h o bliro, mas no facto m:~terial deve accresCbero du gilurtia
yirblico, neste ultimo r a s o quando se trate de obje- da roiisn. Vid. sohra a jntcirpretaç2c~.do art. 416.' coiri re-
ctos transportados pelo anctor du furto (1). fcra~icia aos e!emeiitos c~ciristi~utivoudo crime de furto:
acc. d a ReIagXo do Porto, de 20 do abril de 1856, apud
Reoista dos Tribrrnaes, t. VI, pag. 580.
(I) Via. BEI~TOLB, 5'1t.rto ~ u u l i j c a t opei7 t'aúifazione,
cio, 1." sbrie, n.@78, pag. 8 ; sdrie, ti.' 25, pag. 2 ; api~d,5"7cPPlcine??fonlEa R ; ~ i s t uritl~alcçit., t. r, 1892, pag.
Sr. L)r. TEIXEIRA L~EBELLO, C'odi.90 gefzal an7i~tad0,Porto 242. O rocligo perial i150 clrfi~ie:L casa lialiitada, liiuitaii-
(TSp. Guteuiberg), ad., pagg. 47 nota (1:)e 173 nota (1). do-se :I assirrii1:tr a tilla, sob o poriici de viala da aggravs-
(1) Codigo penal, artt. 426.' n.OS S.', 4.' e 5.': 428.*, @a d o furto, (ia ediiicios que, riUo sendo Iiabitados, são
434.O $ 1 . O e 435.O n.' I.', J4.", circ. 1 7 . a e 18.aTTid. desciiiados :ibabilsi;âo; Iicin distiiigue enlre a casa Laji-
tamhrm art. 425." n.OS 2.O e 3.0. TairiI,eru, qrinnto ao riirto tada pelo aitctor du furto e a que serve de liabitaçiio, mo-
dc p p e i s ou qwesquer objectos depositados erii deponitos me~itanea ou habitual, á victiina do furto ou a qualquer
p',,hlicos o u fisitrbdeeirrtentos e?ie;.rt.regcrdos de os guarda5 a outra pessoa: uelle a en yuur I i i ~ tde proteger, escreve
qtie já. nos referiliios, será aggravada a pena, segundo as BLANCRE (obr. eit., f. C, n.""Sj.O e 554), #une manigre
rrgras geraes (Codigo penal, art. 421." 8 3.'). E, com g6nérale Yhabitatioii, c'est-h-dire lo lieii destinh b 1s de-
Vrco (Fz~t+to cit., psg. 1032), DASEVI, (DeEitti c~i?ltr.o~CI. meure dós citojensr . th'a denominar;Do de casa Iiabitada
yroyrietLi cit., pag. 44) c & ~ i l a ~ l l(Reatt
r, contvo 10 proprietà
ou destinada a liahitaç5o e casa nHo habitada, a que sê re-
cit., pag. LíY), der~ernos notar qiie, para os sffeitoa da fere a lai penal, n$o pÓ.1~ çoinprehender-ss a casa eiu con-
aggravaçlo, não basta qiie a cousa materialmente se en- strue<;iio, destinada Squellem fins, e quando 15 accidental-
Caw. I I - O .Arlo no direito porfu.qttê*~ 28 1

qualificaç%o do furto em edificio publico oii reli- e juridica, por isso que, e,onio Beiii escreve B I m -
ZIXI (1),irioii si pub coricedere che lo Stato inoderno,
gioso? ein que, contra >IARCIAY~ (1) e XICELA (2),
jiilgamos comprchendidau as capellas particulares che è o dovrebbe essere ln.ico, s'incariichi di co-
deste fascende, che s'attengono priiicipaliriente alla
não accessiveis ao publico! predomina quer o in-
t,uito clc tiitelnr s s eousas publicas ou sagradas politica teocraticn, niinimaniente a1 ver0 e puro
nclle c,ontidzzs, cluel. o de punir inais gravemerite scntiinento religioso>. E tarnbem, quanto ao furto
audacia do criminoso, quanto ao furto commettido coininettido em 1oga.r ermo e estiada ou camiriho
eni cemiterio, eu-ja, repressão variori com as vicis-
publico, pronuriçiada é a teilcleriçia da doutrina e
situdes dos costumes funerttrios, veio este a assu- das IegisIaqGes para a elimiiiayão de tal qualifica-
mir earacter autonomo, quando, pela prohibiqkn dx 920, cuja raz8o de ser dcsappsreceu perante as
inhiinlx@n nos teuiplos! faltoti a defesa religiosa e facilidades, a rapidez e a segurança dos diversos
material Qiieestes xssegiiravanl(3). Alas seniolhante meios de transporte e communicaç,20 (2).
qiialificaç5o do furto carece dc solida base rnoral I)e notar Q que todas as circumstancias indica-
das não conçt,itueni, por si s6, circumstancias qua-
lificadoras do furto, 1150 tendo este cnracter seriao
mente occupada pelos operarios que nella trabalharam e
costuinavam dormir: para tal h~pothezeprevê o art. 421."
n.'V.O e 2.'~(Acc. d:t RelatZo do Porto, de 28 de maio
de 1901, apird Revista dos T~-iL?mcres> t. xs, pag. 10). E m t o f i ~ r l ocit., t. cit., pug. 471. Vid. IUPAL-
(1) i 7 ~ i ~ t u tde!
acc. de 13 de abri1 d e 1885, julgou o Supremo Tribunal LOXENI,obr. cit., pag. 241.
d e Ji~stiça (Revista de J.egislacEo e de .Turispritdcn&a, (2) X razão da severid:rde penal a que eram sut)iiiettiilos
t. ssrs, pag. 4G-i) que ao ser praticado o crime em casa os ladi-ões de estrada era dada, exactamente, pelos textos:
habitada nno 8 circiimstancia aggravanten. Vid. Sr. Dr. «Piablict: enii~iiafile e1 s i m melir et ye?4iczrloper itlneru com-
PEREIRA DO VALLE, I('urto si~rqlesu u qitalijcado a, apud m e ~ ~ ~NAii
i o . foi, ~ioi,aiirr: sUiuell~i?o tciuor e o perigo que
Estudos juridicos eit,, pag. 186 a segg. determinou a i n s ~ r ~ ãd'esta.o circuiustancia qualificadora
(1) I? r i f o i o x dek corlice pennle italirino cit,: pag. 50. iio codigo yrnal portiigiiê~,que, acolliendo o coiiceito laisgo
('2,) Tratatto d i diiitto ymzuls stille qualifi7~e de1 fiarto e cvmprahensivo do logar ermo, abrange, quanto a niis,
cil., pag. 93. ein contrario do qiie, em face r10 codigo francêa, sirstenta-
(3) HEL~NXEDINO CARSEIRO, .Eleme7ztos de direito cccle- varn CH~VEAU ot H $ L (~ l ' h l o r i e d u code petiaE cit., t , v,
siasfico português, Coiinhra [Imprensa da Universidade), yag. 2-13], ainda o furto c:orntuetticlo em caminho publico
Id96, 5.= od,, pag. 295 e sogg. juilcto d'urua habita@o ou mesmo airarhs de povoasões.
Caw. ?I- O Tur:o no direito vortuguês 22 3

coi~correridocorn oiitias cireiimstaiicias exterilas, Sem duvida, a lesrlo do ilii.ei~o6 ideiiticit, qrial-
que conipletam e prccisnm a ciiil-iii-lalidade(1 j. quer que seaja o tteniyo eu] q u e o fuito teilha sido
coinmettido: aias a menor defeaa liiivada e o maior
37. O ci.itei.io qirnlificndor do teriipo i~oc,tnriio, alarme social provocain justamente a intervenção
c ~ l j remota
t~ aniigiiidade e iiiiirersaliclade R indn- de urna uinior defesa piiblica, iudepeildeiitenieilte
gapgo Iiistorica ncis revela, e que F r ~ a ' r ~(~2 )~en r da identidade do direito violntlo. O facto isolado de
PAOLI(3) rcpellem coin a considcraç%o de qiie na que o furto seja cornmettido de noite, não constitue,
violação do direito nada influe o tempo eiu que foi de re?to, ein o nosso direito, causa de aggravaçLo
renlieadn,, foi tamlr~emacolhido pelo legislador por- do carinie. exigi~ido-seqiic h cireiimstaricia da noite
tuguês (4). acc:resc;aIri ontros criterios d e daut~ioirleiliato ou de
pluralidade de lesões juridicas consuiiiniadas pelo
furto: o facto de ser cominettido por duas ou mais
(1) o ~ I I Rse iiifere d:ts palavras do art. 423.' do co-
.
digo penal : <. . . quando for y iialificado . pelo concurso pessoas (1). ou cm e:Lsa lia7oitnda. o11 destiiia(1a 2t
de alguina o11 algizinas das circuuietanciaa seguiutes. . . » , hahitacãn, ou em edificio piiblico ou destinado ao
do art. 427.", em que, para a deteriuinagzo da pena, se culto religioso, o n cm cerriitario, o11 eni estrada o11
assoein Oquellas o critario do valor, e do art. 428.' que c a m i n h o pii blico, qiiaiito a objectos transportados
faz depender a npplieayão das perus uelle ro~lsignadaspara
pelo auctor do f ~ i i t o(2).
o furto comniettido de noita, em casa habitada ou desti-
natla n habitaçâo oii em ediiicio piiblico o11 destinado ao
ciiIto religioso nu eiii ccmiterio oii om estrada ou caminho
piiblicn, sendo dit oljer:tos ti.ansyortadoa pelo aiictor do doauni, previsto ria innii~rparte iEas legiulaç5es, iiBo se oc-
furto, do facto de ser u.companhado de qu<rlqi~erdtre oxtrus cupou o nosso legislador, qiis se limitou a considerar cir-
circlr.msta~tci«.ve n z ~ ~ n e ~ ~ ~nroc icoliyn
i ~ s 416.' cr1:ristanci~ aggiavantn irter sido coiiiiuettidn o ?.rime na
r
2 1 9cie1~zrcdellalejisla~ionecit., lib. rii: parte TI, cnp. 54. occasi8o de incendio, nnuf~,agio, terremoto, iiiii~ida$Xo,
(3) Xspozisione storiea e xriei2!$cu cit., png. 100. 3: obitu, yualqunr calamidade publica OLI desgraça particular
.junta: ao Ia cosa era rhiiisa ecl nllora i1 fuitn deve avve- do otfendidoi~(art. 3-I.', circ. 22.a). Via. A~i~iohía, I Ei-
nire rrisdiarite scaaso, o chiavr: falsa o calat ta rive stanno mi:i e n ~ o d i j c a f o ~deZl'i,~zptctatilifd
~i cit., t. rrr, pag. 704;
lc vere yualifithe; o fu lasciata aperta, e& aliora Ia notte OBTOI.AN,É~intents de d ~ o i t ~ i ~cit., ~ ( 1 t.1 I , 11.~"Y4 a
noli ac!creuce I'allarme nE i1 priicolo de1 reato, i1 quale 851.
disponde dall'incuria. de1 pi*uprietarioo. (1) Codigo penal, art. 423.',5 iinico.
(i) Codig-o penal, art. 4dG.', n."." Do fuitunz cubumi- ti) Codigo penll, art. $28." Veja-se, qiianto a penali-
E, repcllindo o criterio astranomico, illustrado
doukrii-ina da esciiridiio, snstentada por CEIVICL-
~ r cr DIITLLER
por C a a x i n ~ e (i) (2), que considerava
LARI (1) e AI.PJ(a), cliic climina.ria, eni dcsharmo-
noite o tcrtipn decorrido desde uma liora depois (10
iiia. cixii os fins da tlispohi!:âo de clne se trat,a., os
pbt do sol nt15 uma hora antes do nascimento, e que,
logares i1lu111in:idos :zrtificinlmente de noite; a, t,heo-
depcnderido essencialinente cla díversidxdc de esta-
ria do repouso noctilriio. cliie reroIhe os siiffr:igios
çOes, climas e logares, era manifestanierite indeferi-
savel; a hhenria dn crepuhciilo, defendida por
de C ~ B F C A~R ( 3e)LISZT BERNER (o. (5) e SCHUTZ (G),
que deixa sem solac,%o o problema do tempo no-
VOES(3),IMP 4L1,OtlENL (4) e CHAUVEAU ET I ~ É L I E
(5),
cturno - a lei pcnal portuguêsa abandoiion a de-
que, ~urisistindoem applicar ao crepusculo mntu-
,teriiiinaç%o d'esta circiiuistancia, de ordemphy~icit,
tino e vespertino os effeitos juiidicos do dia, esquece
á apreçiãç420 soberana do juiz.
que aqiialle 1150 6 senão uni momento astronomico,
Nos c~~sturncs loci~esilt.vorA este iiisyiirar-sc, ~ t -
aritlirueticamente calculavel c rigiilnuier~teiruniu-
tei~deridoao tcmpo de repouso, segundo aquelle~,
tavel, que, se póde auxiliar a investigac;80 judicia-
e preterindo, assim, o ct-iteiio astroriomico ou chro-
ria, nno póde servir de regra geral, porque n razão
riometrico por uma relngão psrcho-sociologice. (7).
eminentemente social cliz qi1alificag80 nem surge
coni o f:tcto, n>cri~mellte phhysicn, do crepusciilo; a
( I ) Dei 7-ur6tP ~ 0 1 ~ t l .loi ~pvgprk1A cit., pag. $37. ,
(2) Z'uqgrmurxnie della nodfe nel -fitrfo, esti.. da! Mowi-
dades, os n.0".0-4.u d'aste artigo, Sambem: Acc. do
t o ~ ecl& p~wfori,1896, pag. 17.
Supremo Tribunal de Buurra 6 l l ~ r i n h a ,de 24 de janairo
(3j Pvogvamnzc~dei curso di diritto crimi,ncck cit., vol. rv,
de 1893 (Revista dos Trilunues, t . xv, pag. 207); C) Di-
pag. 305 e segg.
reito, t. xxr, pag. 30; Rev. de Leg. e de Jtrr., t . xsrx,
(4) Lth~huchcit., pag. 255.
pag. 514; d o e . do Supreuio Tribaiial de Jiistiya, do 1 11%
(5j Ti-alfalo eit., pag. 45i).
&ri1 da 18!38 (fieecistu Je Dirtito e de .hiri.yrtrdencin,
)!( X I I C R L ~.7r«t!atc
, l e girccliJc!~e de1
d i d i r i f l o p e ~ ~ l t 9uEEe
1: sei-ie, 17, pag. 11).
frc.i-tocit.,1)ng329. ,
(1) Elenienti d i diiitto çriiiiir~uEecit., 8 1139.
R '110tf~?rie7cod;c~'
( T j 1%.F R L ~Li* I, ~ W L U apud
~ , L.cr~Scuola
(2) A p d n i r c ~ ~Truttafo
,~, d ; di~ittopenal~ sulEe pzhccli-
Posifir:rcit., 18:-I:;, armo 111, ?ag. 1031. -4 ciaterminag5o eon-
jche {lei! jii,rto cit., pag. 228.
crctn d o te,in»o uoot.ilrrio pelo jiiiz é ilsfcntiida, sntrâ outrue,
(Yj ANDKEOTTI, Cor~tg.ibzctostoi.ico-gito.idicocit., pag. 89. - ~

por Tuozai, ! h s « di diriito psnale cit., t. 11, pag. 32.1;


(4jObr. cit., t. 1x1, pag. 251 e segg.
B~AKCLANO, 11 litulo x de2 ~odice~ei~ale Italiano cit., pag. 86;
(5j ThJorie du code p h a l cit., t. ~II,~ S G .cit.
Vrço, .bruvto cit., pag, 1072; SOLIMEXS, La de$&ione
1.3
G L ~i1
. - O furto ~ E Odireito
- - - -poriugu&s 227

Quanto ao fnrto eorueçado de rioite e corisuniinado prega a cxptess%o «cor/~rr~ettido de noite# e não a de
de dia ou vice-versa, sustentain XERNER{~)e AEA- c c ~ n s u i u m a çtendo
~ ~ , em vista, certamente, abraçar
, a o inicio do crime, mas h siiii C ~ U -
HrkP) ~ I I CnEo
todos os moiiicntos do crime, airida os que, cnnsi-
snmmação deve referir-se a qiialificação do tempo, deiados por si, nào sejniii piiiiiveis, riias que. cori-
de ci!ia opiniào se apyruxiu~'~, GARRAUD ;S). para sid~rado.;no coiliplcso do iacto criminoso, earacte-
q u e m a ileterir~inaç?iodo tejnp7r.c dalicti s e ttcve rc- rizain o sei1 proc-hin c x ~ c ~ ~ t i tE,
+ of~zendo-se
. de-
ferir ao rrioiiierito da e ~ e c l i @ oda tentativa nit da pender ii rliiwlific:i$'io il,~cuils~ii~in~ic;Sodo furto,
consiimmaçiio do çrirne, cmqiitirito ~ I . ~ R C I(4) A ~e O incorret.-se-ia no R ~ B U Y ~de O punir o furto ten-

CAREARA(~) opinam que a qiiali6caç50 existe tanto s tada iiiais sevel-atii~ntedo que o consunimadii, na
no munieuto iriicial conlo uaqiielle em que u crime hgpcltlieo~ein que o ladrão fôsse si~rpreberididode
fica perfeito. Mas, a16m de que a existericia puni- noite. em casa, seu1 11cjder esprixr pelo dia para a
vel do fiirto comepa com a tentativa \6], B ncces- conbuiiiriia($o r10 fiiito.
snrio n,7o coiifrindir aqriella com n existeiicis da
q~~alific:~ç%o; cstabule~idon concurso dus elailieutos Com tima insidiosa iilcertezs de diccão, a que B
da noçAo do fiirto, deve passar-se aos elementos da neocssario dar unia lata intei.prera~:"Lo,qualifica o
qrialificar;lc, cl'aquelles inclcpeiidentes. 4 lei ern- codigo o furto q ~ ~ a i i dseu trata de objectos transpor-
tados por estrada ou caminho publico (1). O cri-
giuridica de1 ternpo di ~ t o t k ,seenndo i dettami clab giics pc- terio iufciriri:iclc,i d'est:~ qualificaç2o é o do menor
nitico, apud Cmsazione UnZco, xIr, 1900, pag. 513; Cas- poder de defesa privada dos bens (2). A critica feita
TELI.T, Jlelfbrto nottz~rnoncdla dotfrilia e ncllcc gi7siisyirlc-
denaa, Roma-Sorino-Firenze(Fiatelii Uocca), 1891, pag. 9
R aegg. !I) Codigo penal, art. n.O 5.O T7id. tauiberi art.
(1) Trattuto cit., yag. 451. 42.5.", 11: 4." c: 8 8.O
(S! Rin,cipii cit., p g . 315. r-) Escreve 31aazrs1 ( T ~ a t t a t odez fttrto cit., ~ U Y I I O[:it,,
(3) Ti-aité théoripiie et prtatiqrce dz4 di-oitphial f i a n ~ a i s pag. 481): aT~'ansi3, 1u preucc*iipazione, 10 spostamento
cit , t. v, pag 456. delle ordinarie abitudini di vita, Ia necessiti ùi p r t a r seco
(4) 11 titolo x de1 codicspenai italiano cit., pag. 87. le cose indispeiisaliili, prodotts da1 viepgiare, gsiierano uno
(5) P~~ogruittn~rzd.4 eor*so d i diiditto c~.it~linalacit., vol. IV, stato soggettivo e eoggettivo anormsle rispetto alla custodia
pag. 306. della proprieth, di cui ~oglionvyrokttare largamente i la-
(Bj Codigo penal, art. 42 t .O, 5 I , O drin,
Cup. IT- Ofurto ao direito port91gnêP 229

sob sgual s a n c ç % op e n a l : 1) o f u r t o c o m i n e t t i d o p o r
p o r BERNER (I) a o c o d i g o a l l e m ã o , que d e t e r m i n n
c li~riitao~ o b j e c t o s de t r a n s p o r t e , e por 3Taxaiar (2)
ao c o d i g o italiano, yize uú a b r ~ n g eos o i ~ j e c t o aper-
Iações o fiirto commattido por individuos ligadns ?o lesado
t e n c e n t e s a o s v i a j a n t e s , foi e v i t a d a pela lei p e n a l
pelo vinculo de pareiitesco, ao qual era, a principio, exclu-
p o r t u g u ê s a que, com a siia e x p r e s s ã o comlirehen- sivamente applicadn tal designa~ão: em breve, porém, ao
s i v a , c a i u n o c a n g g e r o opposto. infuitu~ slm!/iihzis ausncioir-se o facto da cohabitação em a
mesiiia casa. Mas, ainrla que, dosde entlo, cessasse a de-
38. A s g g r a v a p a o deteruiiriada p e l a q u a l i d a d e signar;:~: muito tiiffle~eiiteficou sempre a discipli~iajiiri-
d o a u c t o r do f u r t o a b r a q a , na lei p e n a l portiiguêsrt, -dica, vendo-se na constituição famiIiar, na communhão de
h y p o t h c s a s vai.ias q u e p o d e m o s referir á plurali- dest,ino doa bens e ainda na genese etico-peychologica da
d a d e d e d e v e r e s violados p a r aquelle, ii p l u r a l i d a d e acção - conuciencia do menor damno e do presumido con-
senso (T'IAZZI, b l y u n i t à , estvafto daId'Ei~cicl~~etlia
giuri-
dc p e s s o a s e á pliiraliiiatie de f u i tos.
dica itoEi(n2n, kTilaiio, 19(H), pag. 5): raeZo para a iinpu-
u) Sob o p r i m e i r o :~spcr.to,o nosso çodigci penal, nidade do furto entre parentes. Afastando-se do codigo
d e s p r e z a n d o o SJ-stcriiit preferivel d o codigo peiiai anstriaco, que subordina o inovimento da acção pe-
i t a l i a n o , q u e , eni um:%fói.niiila g e r a l e comprehensi- nal ao chefe de familia [AYUREOTTI, I! ainco!o dtI snngae
ra, faz n cnunciaçko syiitlieticn do conceito que ecl il codice penale italiuno, Roma (Tip. edic. del TIirTfto
irifcjrnia t o d a s as Iiypotheaes, seni i n d i c a l - a s (3), e iruliuno>,1901, pag. 19:, a codigo penal porlugilds, seg~iiniio
o allemlo (BERNEI:, Ti.clftufo ~ i t . , png. 165), faz deperidsr
reflectindo a d i s t i n c ç ã o d o u t r i n a 1 do fi~?sirlat?~s ou
a acçào criniirial Ao fiirto (quando pratiindo pela criruinoso
f u r t o d o m e s t i c o e m proprici e iniproliiio (41, a b r a n g e
contra seus ascendentes, irmãos, cunhados, sogros o11 gen-
ros, padrastuc, maclautrus o!i ciiteudos, tutores o11 nesi.1-c>)
(1) TI-attatocit., pag. 433. da queixa do offeiidiilo, (Vid. Acc. do Supreirio Ti-ituii:tl
(2j Truttota da1 Jlarto cit., tomo cit., p:ig. 4%. de Justip de 15 de março de 1859, apud Gozetu du na-
YJ,) -43-6.4.", ri." 1 . O : use i1 fatto aia cornmesso çon abuso Zaçno de Lisbou, t. I V , pag. 37) cessando o procaditnerito
della fidueia derivante da scanibievoli relszioiie &i uGcío, logo qu? w prejudicados o reqiieiram (coa pen., ai-tt. 431?,
di pi'estazione d'opera o di eoabitnziurle, anche tempoia- 3s 1." e 2.0, 438." e 125.", g# 3.' e 11."). Vid. Revista de
nea, fra il derubato e il colperolc, ~ u l l ecosa che in con- Leg. e de Jut-., t. xárv, pag. 534.
sequenza di tali relaziune siano i;laoUte od eeposte alla fede Mas, n.%ose coinprrhende porque muitos dos motivos de
di quest'ultirriu~. ordem inoral! que excluem ou limitam a peraegujção do
(4) Vid. ~IOIIAIII), nes reis dornestiyiies cit., pag. 67 e segg. furto entre parentes (convivencia, occasião, etc.), se con-
Sob tal nomen J'u9.i~corripretienrlem a doiitrina e as legis-
Cup. TI- O furto no direito parfuguês 23 l

Vendo, contra MARCIANO (L), n critcrio informa-


creados, de cousapertencente a seil.: amos o11 a qiinl-
doi d'esta circunistancia niodificadora do f~rrtoex-
quer pcssoa, na casa de seus amos, ou n a casa ein
clusivamente no principio moral do abuso de con-
que os acoiripnnfidreni no tempo do furto: 2)o com-
fiança (2), eni concurso com ri. leslo do patnmonio
mettido por qualqrier servidor assalariado ou qual-
aIlieio, jA qiie a maior facilidade eu1 çomnictter o
quer individiio qiie trahallie hnhituatmer-ite na ha-
furto representa ri;^, antes, causa de suavizac;%o pe-
b i t a ~ & oficiiin
~, oii estabelecimento eni que se
nal, potico jnstifieitrel rios parece a identidade de
commetter o fuito; 3) o furto coiurnettido por es-
repressão para a s indicadas f6rmas do furto. E mal
talajadeiros ou quaesquer pessoas, que recolham e
coniprehendemos como o legislador português que,
agasalhem outros por dinheiro, seus propostos, por
na classificaç%o das varias aggravantes, se giiioii
barqueiros, i.ecaveiros oii qiinesclner conductores
pelo criterio d t i pena, puna egrialme~ite o furto
oii seiis p~opostos,de todo o11 parte do q i l ~ ,por
commettido por um creado ou por um servidor assa-
esse titnlo, Ihes era confiado (1).
lariado, em yiie o principio essencialinente dtico,
vertam em causas de estraordinaria ee~eridade,quando se que inspira a repi'essh do f~iiirtocommettido por
trate de relações entre pes'oas que coiivivaili a ~itulodi- itrii creaclo, cede a siniples relaçrjcs de traballio.

verso do parentesco. Nem a qualifieaçâu de qlle tri~tamos. cuja re-


(1) Codigo penal, art. 42.1.O, n.OS 1."-4.O As tres ordens presszo se eleva, sob o inflrixo dos principias aris-
de relaçries designadas peln lei constituein iimn indicxy80 tocraticos, a estrao~dinariorigor, e qnc b f i c ~ (3) ~a
tnsatiua, nào cxtcnsiva a oiitras reln$$ijes. 'lem é ocioio
estabelecer este principio, corno parece a t T ~ c(Furto
o cit.,
defende peln protecçzo devida á propriedade -
pag, 10561,já que não subsiste a affirma@o de qne não
cquesta arca santa di ngni cirile ptogresson, tS de-
haja liyl~otheseque não efitre nas tres especies de rela93es fcnsavel, quer sob o liorito de vista da politica cri-
declaradas pela Ici. Baah attc?ider, para nos conrencermos
do contrario, :L rriultiplicidadc dsa relacões cúiitractuaes. O
furto ag~rnvado pclo nhiiso d+ funccões pitblica~, qne
(I) IL t i t o b x do c o d h penale ilaliui~rrcit., psg. 67.
( 2 ) Subre a distiiicq8u entre o abuso de coiifiança e o
fi~rtodoruestico, rej. AI.INENA,I limifi e i niodijedori
fcii previsto lios artt. S13."-317." du codigr, iitiiul. RRS-
dell'ii~ptrtobilitd cit., t . 171, pag. 641.
arguhs S ~ c c oCod.
, pen. poi'tugiiês cit., p:tgg. 232 e 253,
(3) Trnttato di d i ~ t t t openalb suEle pali$che drl f~crtv
nota 2; &eu. de Leg. e d e Jur., t . xsrv, pag 540; Jfundo
cit., prtg. 104.
legal e judiciario, t. v, pag. 2199.
232 Do furto Cap. 11- O ficrtu ng direito portv~,~;,& 233

minal, já qiie, como demonstra GROFS (I), n sua- Notnndn q u e a expressso d a lei <trabalhando
vizac;Xo d a repressâo pcnal do furto domestico
produziu, na Bllemanha, notavel decrescimento
moiiial, criterio seguro para resolver as iricertaa e iluctuan-
nesta rnodalici.ndeda rtctir-idade criminosa. quer sob tes qoest7ics da doutrina e da ji~rispradencia, provocadas
o aspecto moral. porisso que se exige de lima lei pela falta dc normas coiilplelas e codiScadas sobre o con-
de ordem cminenteinerite publica Lima fiincçgo es- tiacto de tt-abalho ( J ~Y~C(JNI<,
Y 7I conZ?'atto d i I ~ I L ' O IMi-
YJ,
tranha :i sua indole, qual a de procurar no rigor lano, 1 5 9 7 , pag. 5 (: wgg; CAUILLO C A T ~ G N A KLeI , carr-
penal, antes que na escolha ciiidacliisn dos bcrvi- tvciversie d?E Eauoro, Jiilano, 1900, pxg. 13 e segg.), repro-
ciuzimos, na parte refet,erite & theoria du frirto, a lei l>&a
dores, o meio de pt~rtcntira segurança dos bt.ns(;2).
$e 10 de março de 1900:
E, ao contrario da lei penal Crwli.-iiia.que acnllieii Artigo 1.': Apreseute lei discipliria o contracto pelo qiial
o conceito innorador da paridade de axnrçiio re- iim operario se ohrig,~a trabalhar sob n. niictoridade r di-
pressiva cIo furto para as sobtracçGes co~rir~iettirlas recp" (?e uin emprezario, rriedinnte remuneracno dada par
pelo operario em pre.jtoizo do pritriyo, oii vice- este, e calciilada quer em razLo da diira@o do trabalho.
versa, o nosso codigo ycrial, conservando-sc re- qiwr eiri proporç8o da qiiaritidaile, qualidade i valor do
fracti~rio6 elaborap5o IegiaIativa dos nossos dias, tral:tlho r~alizado,quer sigiiiido qiialqt~<:ruitira converiçlo
estabelecida entre as partes.
limita a qi~alifica~ãn clo filrto ao coziiiriettidu em
3.'-8.': 0 opcr;trio tom obrit;;icãti ilr; restituir eiii bom
prcjuizo do patrHo. csq~irce~ido que, sob o poiito de estado ao einprezai*io oe iitensi!ios e materias primas ii,?(?
~ i s t ada iniputabilidade politica, dignas de maior empregadas, q i lhe ~ ~forem confiadas.
protecç5o da lei yenal slio as f6rinas praticas do 11.' : O einpi.ezario 15 obrigado a dar ao operario, sctlva
trabalho hurriaiin. devendo aquella tntelxi. eficaz- estip~ilaçZoem contrario, on iiteneilios r? niatzi.iaes iiecrs-
mente o que constitue o patrinioiiio econo~nicodo sarios i realizagno do trabalho.
13.": O emprezariu iiZn wrn, em caso algi~m,o direito de
operario: o seli poder dc tl.r~b31ho;3j.
reter os iitensi[iue peintencentes ao operario.
33.': Os iiirrtri~mento~ iiicesaario~As orc~ipai:.keu peasoacs
da m i i l h ~ re os ~ i ~ o i eadquiridos
is rroiri o conciir~odo Fel1
(1) Handbueh wr L~izfersuchi~r~.~~sTachfer, Graz, 1899, saiario n i o podem, srm o seii consentimrnto, ser alienados
t. ir, psg. 678. a titulo oneroso ou gratuito, alugados nem :oiifindos, por*
1rS.1 Vid. ~ ~ A N Z I X I ,Trut!ato de1 fzri.Co cit., tomo cit., emprestimo, ao iuarido iVid. A'i-ch,iviocii dlritlo i?zdustriale
pag. 564. ~ , I Lrapporto a7 dir?:ftopen.aZe, t . rv, pag. 174).
(3) Porqric offerece, na3 relaci;es do direito peiial patri- A relx~30de trabalho toriia-se necessaria, conici nec,es-
Cap. 11- C/ ,@tu ?ir, direito prrrtu/,n8s 235
~

habitualiuente D abraça os trnbalhos intell ect,uaes, mente estranha á no@o da aggravante do furto,
cotiio os iuaberines {l),e que: q~iaiito6s circurustan- nas clnas Iiypotlleses indiçarlns (11,
cias que c:onstitrierii o hílliito, ri50 B necessario que T a n i b e m , lias casos de fLic711,1.zr7an~s
improjj~izt.s,a
o t,rnhalho se-ja contiiliio, se hem q u e 11'20 liaste qiie
q u e se refere o 11.' 4." i10 a ~ t 425.'
. do coùigo pe-
seja xccideiitnl(2): nbscrvnrcnios que ri, distinc~ilo nal, o abiiso de coiiliarip é o elciiicnt,~esset~ciale
ent,xe coliahitaq?io retii\)aida e grat,uita é a b s n l n t a -
predorriinailte de tal qiialiticny$o (2j.
bj [C) f u r t o cc~llactivo,istli 6, o comrnettiilo por
daas oil mais pessoas rliie, na actividade criminom
sariit. ii a eutiega ddi: ri:erisilioa e a. prestiiçso de ssrvi$oe dq fill.t~>!concorreln corno co-~uctoi-es 011 wmpli-
pelo opcrtlrio, e, por eonsequencia, toclo o fiirto em detri- cea, foi sempre crinsiderado coruo ftirto qriaiiticado.
mrntii cio opzrario oii do patrho ser4 sempre qiralificado Simplesmente variou o conceito da qiialificaç!io e
por abuw <de confiança, insita na riatiireza a no esyirit,~ a siia iuterpreta.qLto,qíic, nas primitivas legislações,
do coiibracto d y rrxlrllto. Piuvado o elemeuto intsnçioual
se baseava sobre a ma,terialidnde dn reiioiWo de
do crime, sorgiri a saucçãn enorgica repr*ssiva do fiirto :
a~siiii, o ~,inpre'ario, qiie rrtivir ahiisivaiuánte os instni-
mais pcssuas 1-13 cxccuçko do fiii*t,r>, euiqiia.ntu no
mcotos do operario, iiso puderli iiivocar s pras!inipçZo de iilotlerriu direito penal accresce ao elenieiito olije-
que prn~ndiaiioa Jiiuites do sei1 direita (Vid. ETO~'ATTO, ctivo de tal cjrcui11stnsir:ia 0 criterio p~ycliologicrJ
L'esercizio arbitrario daue p ~ ~ o j ~ v i w i a g icit.,
o ~ t i pag. 151 e
~ ~ g g . porq119
), será senipre considerado de r o i M, em face
da disyiusiçKo 40 att. lã." commsttendo, em tai c a s o j unia
suhtracçãú dolosn. do coiisaa rnoveis pertcncfintps no ope- i l j K O me51110 ser~tiilo: MLCELA,Troltahi rli divittn pe-
rario ; :issiru, o operario, que nBo reslitiia os instr~imentos n d e sitllz y*i~,!qic/re de! f2tr:o cit., pag. 111 Al.tnü~:r~r,
ao e~upresa~,io cri ss iiisteriau priinas riho irliliaadcs, c i m - Tnztfuto (!<:I fi,rto cit., t i ~ m oi ~ t . ,pag. 637. Lbntirr: Pu-
rnetteri, se a ma retengzo f6r doloia, um furtci qualificsdo (:LI.\, iklit:i i:rin&ruir/.proprietri. cit., pag. 139 e ssgg.
e nxo siinpies appropriayXo, poi~qi~i? a entre%&,obrigatoria ( 2 ) Assim, iio direito rornario, que prev~itanvs qiio,
r n~ccssnriano emprezurio, n5o S nunca voli~ntariarrlati. contra ' I I G U ! ~ ~crra?1~onc!r,
?, etc., s e porlia proceder
stcihiili~~.ri*,,
vaiumte á 1:atiircza ~ l aiel,i~%oebpecia! de triixalliu. <r d,:li( fv, Í ò e i a tratnca kloa propcjcs coiidusbvrts 011 hospe-
( l j Noriax~,Des zok doincsfiqnss cit., pagg. 199-293. d e i : ~ ~ ) , r:< y i i n r i d r ! ; ç t ~ i <qii:iridri a ~iihtracr,hoera r ~ u -
(9) G A R ~ A TGJ D i r ;,t á tJlioripirt et pv~it;qcce11u di,oit liin:naE mòttida por seus ~I.VI>»F.~US) e e2 y d u s i ciiiitruçfu (quarirlú
fiancais cit., t. vI pag. 4,471 RASEVI.Dti delifti contra la feito por qiis!qiier ind~vidriopor aquelles trmspoitado: hos-
p"'oprGJdcCit., pag. 60 e segg. p e d ~ ; etc.).
, Vid. L. I, D~IJ.,iaazl,L., cnlnp. ct ~tribic?.
Gap. I1- O f i i - o
no direito portiqi,ra 437
--- - ---

do accordo nriterior A consnniii-iaçSo do furto (1). E, A lei portuguesa coiisidei-a, qiialificitdo o furto
se o frintlarricrito coriiniurn da. especial repressão do q u a n d o comniett,ido 11 por drina ou mais pessoas N (li,
fiiito collcctivo reside no maior ala,rme social que declararido opplieavcie ris sancç6espznaes do artigo
elle provoca, iio nieiior poder de defesa privada e 428. "ao furto couinettido por ~luauoiri n i ~ pes- i
13% maior auclaeis e efficacia da actividade do la- soas, corn o concurso de d~iasou mais das circrim-
drão associado (21, diverso foi, lias legisla~ões,o stailcias enumeradas no art. 4 2 6 . ' ~í2) e comiui-
criterio iliimerico das pcssoas neccssarias para iiando a penn cle prisão maior crllnlar de dois a
constituir a quãlificaqão; cuja iiitcgraç,To depende: pito a i m o s , oii, em alt.erriativa, a yeua de ~ ) r i s â o
em algniis codigos. do coricurso dc outras eirciim- maior i,cmporaria, para o crime cIe roubo <com-
staucitc-s. rilcttido por ou mais pessoas2 (3).
Besta? pois, x siilioltnneiclade da acggo, que. que-
rida pelos agentes do crime, f;tz surgir ayiiclle
( 1 ) Opiriiio interxiedia entrc u deferidida por LOLLNI accortlci ininiedirato e instantaneo r i a acq:"lo que :(E-
(Agy~mcanfiu yuul</iliehe tlel fiirfu cit., pag. 25) e Pozzo- grava, a respcinsn.bilidade pen:J ; nccr?i.do que pSde
LIKI (I! ft~rt~o çommesso Ja tre ò yiz~pevsone riimite: SG sia
fibranger uno s6 os co-ri:us, como inesactairiente
rrecessirrio il prececlente concerto, apiid Rivista di &rit;o
pelaale e sociologia criniinale cit., t. 11, 1901, pag. 190), que >~firiilãrt~ IMPII,LOYENI (4) e CIYOXI(51, mas tan-i-
siisteutain a necessidade cio accordo anterior A execiipSo
do cririle e aque, defendida por Vrco (Alrtocit., pag. 1107),
se eatisraz com o facto material, piirn e siiiip!es, d o nu- (1) (:"digo penal, a1.t. 426.', ri." 3."
iriero (S'id. CALXE, pz;. i 2 numl.oro d e 7 b p e ~ -
A ~ r t oyz~~xl):fi~rtto gAI2odigu penal, art. -12S.O, mito.
sone: Toriiio, 1894, pag. 18; Rasr, IZ fzr,rto p~~al<fiercloper 1'8) Codigo penal, art. 4 3 5 . O , n.O 2." Quanto A pena eni
i1 Tianas1.o delle persour, Cesena [Fratelli Bettiiii;~, 1903, q u e incorre o vi>-reu, (lixe l i í ~ 6 iC O I I P O C A ~ O 011 sildw~idoOS
pag. 13). Coin razão, C A R I ~ ~(Piogrninmrc
KA de2 COI-sodi outros ou dado instriicçGes para o riiiilio ou dirigido a aiia
diritto criminnle cit., vol. IV, pag. 1391, advertia que exrcuçko, vej. cocl. peli., art. ,1.36." T d . , qiiaIito aos en-
nt'uniooe deve precedore o almeno essere volontxfia~nente coliitlorej de furto, o Acù. (1'3 Re1:tçàcl do Piortii: de l i d e
concomitante alla cuntiettnzione, e clie ir1 una parola occorre j a u t i r o d~ 1398 (Rsai$l« J o Pro p o ~ ( ~ c y + ! ;L.s , vir& pai;.
clie i ladri abbiano rubato a comune per un accordo avveniito Z2j; Sr. Dr. LOPPB DA SILVA, Repurto~ii)~ i t . ,t. IT,fitsr.
eu!l'atto o. vrr, pag. 1:jZ.
(2) ri11 numero delle pcrsone, diz Auxrrr, eostituisre (4) Obr. cit., png. 261.
per s.i lina violeiiza iniplicit:~perchb intimorisce. . .i). (5,) StrEEa yucll;J;.,a d'el liurnei-o ddle persom neE f u ~ t o ,
Cup. 11- O furt#i no direilu yortu.quêe 239

bcm os c u q l i c e s do furto, porisso que comuiettein pessoas só ser&dolosa e pui-iirel qiinrido seja,ni pe-
o furto n5o s6 os seiis auctores niateriaes ori rno- rialmerite iniputnvcis, o que lcva a excluir cl'aquella
raes (1), mas tambem tos que coriccrreram dire- os menores que 1irot;edereni setn discerriirnei-ito (1).
ctamente p;ii.;~facilitar ou pi.epaiai n execilqRo iios c) O coiiccito da reii~i:idericia como a ~ g r s ~ v a q i i o
casos eni qile, sem esse corkcurso, priilesee ter sido do fiii.tc>, a,peIias esboçado ito direito rornaiio da de-
coniiliettido o criuies (2). concurso qiie heai pScle caaancia firbiyeatu~n)(aj, ~ i i ~ o g r i itltcrioiu~entc
de tio
ser presLudo diiiarite o facto (3j. Coritra Vrco (J), direito estatuta.rio italiaiio, vindo R ser acolhido
sirstentanios, pordm, que a reui~iãode duas ou mais nos ruodernos codig.os periaes. Eritre elles, o codigo
' português, que commina especial e severa sanc~:io
para a segunda reincidei~r,iado crime de furto (3).
apud IV~ANZINI, n-nttufo de1 furto cit., Loriio cit., pag. 676; Vinciilada A ,zggravt~(;Zodo furto por rcincicleii-
R-~SI,IZ f i ~ f ogualifiato AI. il1~0nero delb pelaogte cit., cia e s t i a qirestgo delicada da distiueç2o entre a
pag. 4 e aegg. 11iiid:ide e a coritiiirra.çlo do ciirne. Porque os limi-
(lj Codigo pe~iaI,artt. 1 9 . O e 20.O tes d'este trabaIho não se conipadecem com a aii-
(211 Codig-o pt:nxl, art. 2 2 . O 1 i . O 2."
nuciosa aualpse de tal problema, limitar-n~s-hemos
(3) Com razão se jrilgou (Cussazi~neituSaan, 13 giu-
g~lol899j que tal qiialiíicaçLo anon viene meno sol perchè :I dizer yile os codigos I~oilieruosriao coilsiderani,

non siano materislmeute riunite ~iellostesso focale de1 para os effeitos da pena, crimes distiuctos os que
furt.~Ie tre persulie, inentra slavano due di esse iii un lo-
cale attiguo o couiunicarite, iri guisa da poter iu ogui is-
tantc prestai'e aiuto a1 compagnoi). 0 criterio mais se,orii70 (I) Codigo penal, artt. 43.O e 39.O rirc. 3.3
para di~tir~g!li~ UY to-rcud dos ctiml)!ices 6 foriiecido pela (2) TTi(id. .;~E'DRRoTT~, Cuntr&iafo sforico-giur;dico cit.,
clisLi~icçaoentre a c t o ~de execução e actos preparatorios: pagã. 78-82,
quem interi,eni na consuaiiriaçEo d o furto, cualquer que seja (3) Codigii yarial, xrtt. ,421.O 2.', 430." 5 3.O. O da-
a parte que nelia representa, 6 sempre co-reu; quem iiiter- creto de 15 de sstembro de 1394 pune especialmente,
veio precedentemeute, sem qcia u ~ i i aactivida(1c se exerga couio iiidiçirnus n caso $ c piiineii:~r+iricidaiic*i;i.Vid. acc.
no momeuta de consumma~ãodo crime, B simples ciim- do Supremo Yribunal de Justipa, de 6 de agosto de 1893
plice. (Eeuista dos l'?,ibunaes, t. s i v , pag. 186), e do 17 de ou-
( 4 ) TTid. ~ ~ ~ S C H I S I l, j c r t u prtal$catu per 7a reiig7ivne t ~ t. ãri, pag. 165); aci.. da Re-
tubru de 1896 ( R e ~ i s cit.,
di ire 6 plù persone, apud La Scv,ola positiua cit., 1891, laplo do Porto, de 15 (li; outubro de 1886 ( O Direilo,
anuo I, pag. 753. t. ãx, pag. 96).
240
--
Do furto
- --
das para o s casos de coiiciirso de circliinstan-
ctinstitueni uiolag80 da inesniii disposiç8o de lei,
cim (1).
eouimcttidos com act,os execirtiros dn niesnia reso-
Xvide~iteno iiosso eodigo o intuito de reprimir
~ , dufine
liic;?io criminosa il), c qiic, n;t i l o i ~ t r i t i se
a habitualidade criruinosa, que distingue o ladra0
cririie pi!iinaiiriite ao que eoiisistc cm u i i i ftxcto
d a maior parte dos outros deliizquentea (2j, enceptúa
criminoso que se proluiiga. aeiri iiiteri.npq%opor rriu
zuaior oii menor periodo d e teinpu, iirlpliea.i~douma
i n i n t e r r ~ ~ violapio
~ta dn lei penal ('2). Assim, p o r - .a
(1) Kotcmou q u e : 1." Entre as circirmstancias modifica-
isso que nRo violam a. mcsrntc di~posiq%ode lei, isto doias d o furto, lia :iIgurnas yrit; I I Z ~o qiiaiifio;iui nem -a:
gravam senão quando se c~inkiiiiarneutre si (assim o facto
6, n mesma noruin qrie estabelece uma sancç5.o pix-
de que o furto fai cominettido da noite não qualifica o
nitiva determillada em q~iaiitidade e qualidade, crime aen%o lios caso do art. .118.*), poderido dizer-st:, em
ti20 podem considerar-se coilio criuie. cotltiiiuado geral, qrie o furto só é aggravado- ou qiiaiiíicado pelo con-
os furtos sirnylcs e uggravados oii qiialiiicados, curso dc ~aririscir~uin~tancia-?. Casos ha, todavia, cuja
neni os aggravados e qualificados, nein qiislcliier gravidsde b bl qne, isolactos, inflilern sobre a c~iialiticaTZ~
dlaquclles e o roubo; mas, se se trata di: fiirtua do furto sobre a siia penalidade ; como na I ~ ~ p o t h e sdo e
aggravados ou qualificados, sendo diversas as cir- f$tc.coin violencia.
2.0-~liie a lei teve am consideraçzo o numero de cir-
eunista,ncias aggravuntea ou qni~lificaduras que
cuuistaücias concorrentes para estabelecer a siia nscala,
nelles concorrem, a relaç8o de continuaqão nso n5o R ? , I I ~ O licito ao juiz substituir as suas As combiuaç8ea
impede a al~p1icaçã.od;cs rcigrns geraes cstabeleci- legacs. A presenpi de u ~ u sliuva oiicumstanria 1i2o justi-
6c.a a aggravac3o da pena, senzo nos casos em que a lei
regulou os seus eífeitos : nzo hasta qim exista uma circiim-
( I j Para haver unidade de re@oluçãobasta a ,ts?i?dcrdd stancia nova de que u lei faz, erri geral, uma causa do
gene~ica,no sentido de resolii~ãoci!rii~)lern em relação aos aggravagno, tomando-se necessario qua ella tenha previsto
varios factos constitutiros do crime conrin~iado.Vid. PAU- o eeeito e calciiladu a corubiinuçXo soti.e a perididaric.
PALOKI, Sti~di6711 d~2it:od l ~ ; L T ~ cit.,
O I, yagg. 111 e 112. 3 . O - Cada circ~imstancia aggravante, mesmo em caso
Para T,nccaíxi, os eleiuentos d o crime continuado sLa nni- de concurso? ilai-r! r!rinseiv:u- os aiiiis caractiiirs proprios,
dade uu iileiicidaila de intcuc;u, de olijicto u de sujeito sendo nacessari,, varitiiar, para cada uma rl'ellas, se reune
passivo; liiuraliclitdt: de detrimiilasões, de a c ~ õ e se de 19- as condip0eu exigidas por lei. (Vid. Codigo peual, srtt.
sões. Vid. Codigo pen:~l,~irtt.:%.o, 36.0 e 38." 429.D, 34.", Y I .O).
(1)Vid. I ~ P A L L O X E87rl ~ I ,vecrto cowti~lrntcr,apiid Ei- (2) MAGRI, Arati coiitro liz proplietd uil., pag. 60 e
.uisrn pelzale cit., a m o xxr, 1887, png. 30% 10
Cap. I 1 - O w f i ~ ~ . tno
ù direito partiipCs 243
- .- - -
tIle da exclilsko consignada para os crimes de
preventivas d a sociedade. O d a m o ininiediato póde
fiirto, cujo objecto nAo c x c c d ~o valor de 500
p e r r n ~ ~ l c curuasirio,
cr u rnes'ila a qiiarltidadenatural,
réis (I), o caso ein qire taes oriil~esseja111 habituaes.
e atigmciltai, eiltretanto, a. ~~iinntidatle pici1itic.n do
danino cncdiato pelo niaior rtlai.mt: social produ-
39. -FLest,a-lios fallar da ultiuin yoalificaç,20 -
zido pela violaneia, qiie, quando empi.ezada con-
a do modo, de todas a. mais importante e a mais
gruvc. Conl razso 'l'oua~aiid(2) a considero a m~is tra a,s pessoas, cni~stitiieG roiibo (1); qnarido so-
perigosa, já como reveIadora de maior aridacia e bre i c ccitisn o fi~rtij clun,liíicaclo peIo modo. En-
sina-se comniummcrite cluc a qu;tlilic;ic;2u do rilodo
energia. eritiiiuosn do auctor c10 fiirto, já piii*Llue n
abrange exclnsivailiente o f'iiito c,oininet,tido com
indefinids variedade de meios por ncjuclle adopta-
a~roinbariiento,esciilnilieatu ou cliaves falsas (2);
dos chega, n,?o raro, 6 neutrnliznq.50 de todas a s
mas, sem iepctir as obeervaç6es de PAOLL (3) so-
precauqões do proprieta.rio e de todas as medidas
brc x exactidão d'aqiieile parecer, B facil consta-
tar q u e , nss circnnis-tauoiits relativa3 ao meio, po-
dem e rlevern comprehender-se n%ci só aqriellas,
segg. As theorias juridicas da socceseZo e accnmilaç2o de mas KS oircamstnncias que, irifliiiildo sobre a quan-
crimes (vid. codigo pena!, artt. 37." e 38.') são criticadas tidade politioa do fiirto, respeitam ao facto de ser
pela escola positiva, aiu qiiniito si vient: a dar iiiia specie
este conimcttido #com iisurpapZii de titulo, ou uni-
di seoilto al oo!pevole, per i1 iuaggiai. iiuuiaru di seali
coinniessis. Mas, praseindirido de outros mulivoa, cremos forrrie, ou insigrii:~de dgirm empregado piil~lico
que, tratando-s? de fiii-io continuaclo c i i de acciiniiilayEo civil ou iriilitar, oo allegando ordeiir fiilsa de qual-
de fuiirtis! a aaiisa da diinirioiçlo da pPna reaide no facto qiier a,act.oridade puhliçits (4), ou atrazpndo o cri-
de que o born exito do primeiro crime teve por cífeito
paralysar as rorcau inhilitoriaa, a reacção penal, Ora
qriand~i aqiielle resiiltado 6. dcst.rnido pela í'tfectira. impo-
sição da pena, niotiro suficieiite h a v e ~ ápara diminuir a
reprvse?iu proporcionalniente ii acpLii estiruiilsntn produzida (1) Codigo penal, :tst. q Y 2 . O
pelo born exito do primeira crime. . . 12) Codigu penal; art. 426." n.O 7."
( l j Codigo art. 430.'; O Direito, t. xrrr, pag. ( 5 ) Del7u necssuità di irlaatenevc -e~eElenostre leggi pe~ruli
161. i2 Eii~yzsayjogizo~-idicoituEiur20, apud Rivistu penala cit.,
pj Obr. cil., pag. 115. r, 1874, pag. 20.
(4) Todigo p?nal, a r t 4?i:.@11.~ Vid. art. 235.O
..
C'ap. 11- O JurLu direito porfuquLs 2 L5
- -
720
7 --

chado, riao l~abitado(I),iildependenteiiiente drl vio-


minoso oii ;t.lgi~rri dos criminosos iio inomeiito do
crinie armas npparentes ou oeçriltas~(1j, que não
leiiciri. ou da fraude n'elles irriplicita (2).
sKo seiiAo mcios de que se serve o agente para com-
iricttcr o furto. Birriylesrnente lia a distinguir, nas
(1) uA entrada em casa Iiabitada, coni arrombamento,
indicadas hj-potheses legaeu, 'os meios nloraes dos
escalamento ou cliares fals:ls b (:c~nsideradacomo violeri-
rnnteiiaes.
cia contra as pwsoas, s e ellas effectivamsnte estavam den-
- ali O arrombamento, o esoslarrierlto ciu o emprego tro nessa occssiãoi;. (Codigo penal, art,. 432: S iiriico). A
de cl-inces falsas, que a, lei define c>),
não são p r e - disposiçzo Icgíil c:orta a qirest~To, tlio debatida na Allema-
cistos e incrimiriadus SUI>KQ conlo ineios de intro- nha, originada pelas especiaes formas legislativas dos for-
ducgão, par:* comnietter um furto, eiil ~ C I D {e- ;L~ tos peiigosos, rle saber se o ineio adoptada para ço:iatitilir
rirria qiialifiuaçLü deva O L I n i o implicar o perigo dz pessoa,
a18m do da propriedade. Aqrielie pcide concorrer, mas nlio
constitue el+inento (14 q~alitica$ãodo modo. Tíid. Ificr:~.~,
/S.utatto (li ilfrifto p e n a I ~ sli?li! y?i.aEifich~ ~ Ff 7 iIv f 0 eit.,
(I) Clodigo penal, artt. 426." n." 1.' e 484.' 5 1.' e 4-15.'
11.' 1." pag. 2 i R e segg.; Sr. Dr. P~nxritaDO VALLE,Furto s h a -
(2) a E arrombainento o rompirncnto, fiactiira ou des- pbs o71 y u u l $ c ~ d d cit., pag. 186 e segg.; accordào da
truiyzo, cm todo ou em pitrte, de qualqite~construcç8o, ReIagâo do Porto, de 3 de fsver~icode 1293 ( E e ~ l s i uJus
lbihrozc~es,t , xr; p:ig. 269 c 223;); E,:i;isea de T,egiaEa~áoe
que servir a fechar ou iinpedir a ontrada exterior ou inte-
rioririeiite i l ; ~essa ou logar fecliaclo d'ella dependente, ou de Jzwispru,drncia, t. XXIX, pagg. 464 e 614 e t. x s s n r ,
png. 133; a;:c. do Siipic:inii Tri!~ii:iul ti(: Justiya do 1 da
uioveis destinados a guardar qiiaesqiii:r objeciuu. E esca-
lamento a iritroducç9o em casa ou logar fechado, d'ella de- abril de 1833 (Recita de Direito e de J?~l-i~pizc~l~nc<c~, 1.'
penticnto, por c*irn:~ dos telhudos, port:~s,paredes, ou de shric, n.O I:. pag. 11.
qaaesqoer coiistrucções; que sirvam a fechar a entrada oii (2)PRISS jdcie~~r.e p á ~ ~ u Eete r L i d yor%tij' cit., pag. 2%)
passageni, R bem assim por abertura subterranea não des- ubsútrn que o 1~gisl:idor~ ii;i cletci.iitina$ào (Ias ~irciiiustan.

tinada para. a eii~iada. tias aggravantes, considera antes o caracter abstracto


.São consideradas chaves falsas: I.", as imitadas, contra- d'estas ci:c!iiiistani.ias que o caiacter perigoso do delin-
feitas ori alteradas; 2.O as verdadeiras, existindo forttiita qiiciitt. : oluorno~~u-iioiish signsler comrue tixeiiiple que Uic
ou sobr~pticiainentefora dn poder de qiiem tiver o direito malhiureux qui, A Ia riie d'un pain siir le bane d ' ~ i n ecour
de au cistlr; S.", a3 gi~zua3ou qiiaeayuúr oiitros ilistrumen- de fenue clotiirAe, escalarle Ia cliitirro et vole poiir Ia pré-
tos gire possam servir para abrir fecliaduraso, (Codigo pe- mikre fois dans sa vic, commat tin vol qlialifi6, e'esl-A-&re
nal, art. 442.') un crime puni d e Ia réclusion. I1 est pourtant rnoins re-
Cap. 11- O furto ~ r o~lireilogiiirtyu& 247

3lrts, se ti d(.iiitriri;i riegiiida pelo leg:.isIa.dortem se aos nieios terideritcs a couscgiiir o trxiisporte da
n ~~Eritgiil-a o parecer de C-~art.lx.i( I ) , Cal;.lrri;'ia- cousa do logrir do furto.
sr (21, PVCC~ORI (3). BLIXCIIE (4) e CRIVELLXRL (j), Note-se, porérn, qlie 6 do fiin qiie se ~I~.OINJZ O
que sustutitaiil a i r i a p p I i ~ ~ ~ b i l i . de
i ~ ~tal
c 1q~l l i ~ l i f i ~ ~ - agento que cteriva a cr.iniiiialidude do meio ; e
ção, quando o emprego d'aqiielles nieios não tenha q u m irirto p6i-le ati: ser qodificado por liriia cir-
120' fim a neseeiiçAo do fiirto! mas sc destine a pro- cumst;iiicia relkitiva ao niodu, que se verifiqiie de-
ciirar saída do Iaclrno ou dn cousa do logar do pois cla sua consiiininaçko : assim, qiiuiido o IadrScj
fiiito, isto C., q~laiido,segiinrlfi clles, o frirto já es- npl~rehende i i i i ~ baliii fechado A oha\,e ptwa se
tava consuilimado, certo 6 que, como clcixamos irl- appr0pria.r do seu conteúdo, certamente tinha, con-
dioado a proposito do luoutenta d a corisnnim:~@odc~ tempoi.a,nea.nisnte, o iiltirito dc o arrombar, e este
eu ri.^), este nao se consuiiirria. si, coni a, crpl.~r.el~ensic, ~ ~ e t i s ~ u l c:iiiterior
l~to faz i-etrotraír ao inomento cio
~ e i mas
, com a ablatio ~ , e i ,no sentido ein que vi- f ~ ~ r too airoiubailieiito, aindri qiinndo feito ein
mos qne t,al express;i(s deve ser tonixdn. E o crite- oiit1.o 1üg:ir t- ~i~~~;teriornieritc (li. Neni se t r a t a ,
rio irispir;idor dlest,a yu:ilific;iqão, curisirtiiido ria cnl tal caio, tle uinn ficçxo iiindiriissivei eiri 111n-
menor eiiicacia da defesa privada, deve esterider- teria penal: a unidade ps~cholugieu do pensa-
iiieiito ci,irriirios» produz % unidade ontoiogica do
facto (2).
doiituLle rt uois ~ i i ~ r u t rqi:e s lu volriir k In tis&-iliii, lui,
ne se rend cnapable rliie da dClits, mais exerce iine véri-
table profe~sioni~. ùlas ü exemplo rino doinonsiin a indc- (1) Tiadnzindo as euigenoiaa da doiitriiia, coiisi;ii:i o
vi!ia inciiisltn da9 ~i~crinlstall~i;lpi i1~3l.:arl.?'ienire as aggra- cüdigo penal pu~tiig&:! ilila ::3. ~ulrtrac:r;Aodo rriovel fa-
*-antes do fi~rt,o. ch:ido, q i ~ cserre Q segiiraiiqa dos efieitos que contbm, e
(I) Y ~ o ; J I ' Lde1 I :c(i:.$rj I L ~ ei.iniiriale cit.: uol. ~ v ,
~ L ~di~dil.iilü commettida deniro da casa ou edificin, consi~lira-sefeiis
Ioc. cit. eor!~;L c:iri:iiinet:incin de arrornb~:aerito,ainda que o moi~el
(%) Ll611~rdt' di r2;i-Lt/n çriri~ii~n?t cit.: !o(:. eit. seja aberto OLI arrumha4o e m outro logarn (:ar*. 443.3
i:;;' Tl r i x l i i ~ptli?*~líin*~::111~7 c ~ L . pag.
? 27 1. iinicaj.
(.! i,!,cil., t. rI. n." 2 5 .
Ohr. (2) J i os romanos haviam proclamado a regra de que
~ i o nca:;tics r . L)a appfica-
(5) Dei q ~ a t !eontiv :a jvopl.irtà cit., pag. 309. Confi-a: n h1 111uJejic;i*c u l f t ~ i t a spsctah~r
s
GA~LRAUD, 'Tru3&tJ,!ci~igiir: c.t prcrtiyut: riu, rJ~oi(.li4ttoljYfi.oii- :Ao de tal priilcipio d hyput1lejz eu1 qiit.stão resiilta, diz
cit., i. v, pagg. 476 i: 477. MICELA(Tr(ttufto di Olilitto p ~ i n l f .s~~d~'e
: p~nlijiChede1 fwrto
Cap. I1- 0 fiirto rtn direito pnrff&{pê 249

Olriservarcnilis, por ultimo. que nti trcs cirçnrri- d a pa.rte do niictor, intenp&s de violencia, consti-
stancias refeiiclas sRo pela lei completain~ilteassi- tue elle circiirizsta~iciacjualiftcnrlora do furto, inde-
niilad,~+,dando logai. As IliesiniLs peliitIidctd~~e pendsiitemente do uso das mesmas armas, yitc
n%osenda inuriiliiriadas senão como actos tende~i- representa,, par seli lado, outra circiiiustaneia
tes n facilitar o fiirto, e que R lei puile, co~ilocrime aggravnnte, d'nrjtiella, d i ~ t i ~ i e t a .
szi,i gcr~eris,nui açto prepiiratorio, que tem por fim Q~lii.tltoA siniu!aç%o da qiinlidade de empregado
facilitar a fabricnc,?~ou ,zlternç?io de cliavcs faf- publico, qui~lifiuziçilo (pie, para C a ~ s o (Iji: r existe
sas (1). o iisn rl'elli~s(2) e: :tinda; o simples facto desde qrie t i l ca!pet*oíc si;isi preseiitnto sotto i1 ti-
dc a algnctn ser encontrada gaziía ou outro aitifi- t,olo di pribblico nfiiciale, e con qriesto ntezzo eon-
cio pa1.a abrir fec.hadurss (3). sumato i1 filrtoi, e c i ~ j aopiiiiAn MICEL.~ (2) defende
b) d ~ i ? ~ n r i utitcgoria
da de meios que qualificam com o argunier~tode que d o titulo verdadeiro se
o f ~ t respeita
o As duas circ~imst~anciãs qiie appro- torna falso desde qiie niio 4 iisailo no exercicio 1s-
xiniamos: aim~ilaçRo da. piialictaiie de empregxdo gii.imii das attiibuiçòes a elle iiihereiites n , peiisa-
piihlicc, e porte de armas, apparentes ou occultas. mos que o coriceito legal exclue o furto commet-
Bevelando o siillples ti~ctc~ do por-te de armas (1). tido pelo empregado publico: scrviudo-sc d'est,a
sua qualidade: jh porque, como nota111 Oriauv~auET
RI?I,IF:[3),a ~ i s u r p q i i ode titiilos, i~iiiforn~cs
ou in-
cit., p a g Sh-f), yne, ni:r!i ilirlito, não dese considerar-se s
materialiclade do facto ou da circuirisiancia que acoinpnnha
o crime, rntis n sua juridicidnde, isto 6, rt forca iiioral r caso ein qiie se iirerem empregado para matar, ferir ou
intellectivz que o pra~lusiue qiie, assi:u: Ihca imprimiu i:spttnt::ir- (:irk. l í S . O $ 3 8.' c. 3.'). yid. BIPKCUI,L'(ig-
sigriifiuação , j i i i i i l i c : ~ .. . L.. yi.aiic<,~!rcZeel?c~r~nncr i ~ e isiuyoli ~ c u t i , apud
Eivisfu perzule
(1 j C'odigo penal, art. 44-1." cit., 19:jO: p a g , 121 ; N ~ c o ~B0'71,
n Le ccrmi propriamente
(2.1 Ct~cligolleu:il, art. 413." n,O 2 . O dztte wli f f e t t i d d i i leygii penali, Tano i;SocietA trpogra-
(3) Codigo penal, art. 413.h.O 1." fica cooperativa;!, 18%, p;ig. 3 e aegg.
(4) O codigo ponnl rlcclara. cornpre1t~:iidiclos ria doilomi- (I) I~ICELS, Z'rattato cli diriftc pe~alt!sulle qualijche
iia@o rle armas, <[todos os instriimefitos cortaiites, perf1.1- del [t~i.:o cit., pag. 303.
rantes ou contunilens~s~, yreceitiia:ido, 1ior8rn, clne eaquel- (5') .T~nt*rftod l diritto pclzctla srclle q~~a!i$rhedal+furto
les odjector, qiio servircm habitlialinente para os usos eit., pag. 363.
ordinarios da vida, sJo r:orisiiierados amas s6mente no (?>j T/iéorie rJu cede penal çit., t. IV, yag. 80.
signias ou a allcgaqao de ordein fi~lsade qualquer 40.-0 roubo 4 xiiu rer.dadeiro e proprio f ~ ~ r t o ,
aiictoridiGie publica 6 beiii diff?rerite do facto de ci~ra.cterizndopela violencia. ciiie o aggiava mais
invoctir titiilo (pie ilqi~cllepertence, j6, porque se do que qiixfquer u:irra. oirc.uiiiùtr~i-leia:r12o se trata:
teria, eni tal caso: O crime de concuss2o! previsto neste cnsri, (te riiei.a lesão du direito jiat?irr~aiiia.l,
no art. 314.) do codigo penal (1j. K, porqile a mns a esta., que coiistlt,iie o ol~jectodo crirne, veni
raeso d e t:il qii;+Iificxq$ororisist.e, 11Xo jA i i i i virilcri- jnntm-se a. violnqão d o dircito á libcrd~deindivi-
cia nioral, c o i i ~prctcnde E'LCO ( d ) , mas na facili- du:il e, pril t e z a s , riu dii~eitciri in.tegridade pessoal.
dade em cornniet,ter o furto, pela riieiiol-probabili- d iuccrteza (Ia iiiopria segi.urnrii;a j,eseoal e a insuf-
dade de que a siispeita rec8ia sobre u seu anctor, fic,iente garerifia ( f fo~i1.c;~
~ privada, piara. n t~itclada
eutrrtdemos, n%o obstante u parecer contrario dc $)~"op'.icdad~ j:lsli6<:n2 tliz X i . i x ~ , ~jl),\ . a o aavero
MARCIAX~ (3) e 3L~1zrxr( 4 ) : qiie 11%'~basta para regimeii repl.essi\-o .das Ir-gisla.<;;Sce,yiraiito a. esta.
qiialifieai. o furto a. siiliplel; ~~i-ovn. rla aimillaçilri : circainataiici2i. agg~riv:~nLerlo f ~ u t o .il lei l)eual
cstn deve ser niclio para o furto e inal se ooiilpre- p o r t ~ l g ~ ~pi"i\:&
ê s a (1ii:~sf<>riliitsd~J;L.TI(~T,L ~ ) : o b ~ ? i . t t . ~ , i ~ ~ ~
henderia a existeneia de tal qiialificação nrr Iiypo- pani R* qLi:tes ~ I ~ . C S C , ~ E Ii~~C l e n t i ~~rcil~!idade
a (2) :
tliese, eiri qrie, esistiiict~~i ~ ~ tivesse
iu sido ern1)i.e-
gztda para corririletler u cri~riu.Nem se trata dc
ciiaumstanc,ias exciusivanieiite referentes á pessoa EEcZtriiitprtiiliiIit6, cit., t. m,
i,lj I limi!i e i nl~d(~iicr~tcir.i
do ren, mas do circumstancias materiaes inheren- pagg. 650-669.
(Vj O roiibo scri piinidii cn:n prissu -a:iiciv cellalar de
tes ao facto.
doia a oito aLi:i.;is. o u o i ~ iciltssnstiv;l, com degrrdn iomy~o-
raria, s ?:n a~ui>,is os c,iso., i:om multa até um a m o , es-
cepto nas hypotlicses segaiiii.es:
aj o roi~kii~coiniriutt!d~uu terilado, coi~currcndoo (*rimede
(I) oTudo o criipregado que ostorqiiir de nlgiinrx pessoa, Iiciiniciilio, eeri liiiiiida coiii :i pena de pi.iuWo i~iaior
por si ali por outreui, diliiieiro, ~ e r v i ~ o
ou; outra qualqiisr crllici;ii. LIrmr oito :iiirtoi, 9iigiiidu. rlc. clegrcdo por
cailua que lhe nâo seja devida, empregando ~iolericiasriu 1-ict? n r i n ~ ,c11iu lprir90 1111 lagar iio d d g r ~ d l l9th
a1iieat;aa.. .v . daiu annrJs? o11 seiu P ! ) x ! cniifoi.rná pere~,erno juiz,
(2)F7s~locit., pag. 1 109. ciu: em rillernntira: a pena iisa de d;.gr~clopor
(3) 12 tifo10 x dcl corlicp. pazale ifriiinnu cit.: p q . 130. vinte e alto aiiiios; coin prisaii n o logwr i10 degrsdo
(3) Bncrfatto cld f i w f o cit., ti cite?pag. 686. p r oito a dez aniius jcii&go prusl, artt. 433.0 e
Cap. 11- O furtu ao direita yortugicr"s 2.53

R subtracçKo de c o u s a alheia: que se commette com violeuciit oii aincagti. c o n t r a as pessoas (1) e ~1 ex-
t o r s ã o de assignatura ou entrega de qualqiler cs-

357 .O circ. 3.';1 no maximo da sua aggrauagU'o para


para o co-rea promotor clo roubo (codigo penal, segundo a gravidade dos i.eslltados da viola~cia,
nrt. 43Ç.O n.' 1."); com a pena do ~!ris'?omaior celliilar nurica inferior
bj o roiibo c-ommertido concorrendo rrinie de carcere tt cirico LUIIOY e q ~ ~ a t rmezes,
o ou? em alternativa,
privado (codigo penal, artt. 330."-335.Oj o u de vio- com prisão maior celliilnr por quatro annos, se-
lay2io (rodigo penal, art. 393.O), ou offensa corpo- guida d e degreda por oito, orr, cin alternativa, com
ral do ~ I I Crcsiilta ficar o offt.ndido privado da ra- a pena fixa de degredo por qiiinze annos (codigo
zão ou irripossi1,ilit:ido por toda a vida. de traba.- peiial, art. 434.O 8 1."); commiriando se para o co-
lhar ou qiir, eoninicttidn volii!itariamente, mas sem rau promotor do roubo a pt.n:i de prisSo maior crl-
intençxo de matar, ocrasione a rnortr; do offendido lular por seis annos, seguida de dez de degredo,
(codigo peniil, art. 3í31.' e 5 uiiico), s e r i punido oii, em alternativa, um:% aas peiiae fixas de de-
ciim L peria de prisxo inainr celliilar por seis annas, gredo por quinze anrios (codigo pen:~l, art. 436.O
seguida de drgri,do por dez, ou, ern altern:itiva, 8 3.'); a tentativa piiiiida coino no caso antece-
coin a peiia de degredo por viote :iiiuos (çodigo dente (corligo penal: artt. 431.' 2." o 436.' n.'
penal, art. -134.");excepto quanto ao co-reu pro- 4.9.
motor do roubo que surá punido c o u a pena de d) o roiibo comniettido por uma psgsoa s6, cuui armas,
oito aniios de prisão maior cellular, seguida de de- em Logar ermo, ou por duas ou mais psssoas, fóra
gredo por doze aniios, ou, em alternativa, com a dos casos anteriormente declarados1 s e r i punido com
penz fixa de degredo por vinte e cinco annos, mas a pena de pria.20 maior celliilar de dois a oito annos,
aggrilvada (codigo perial, ast. 4.76.": 2.'); a ten- ou, em altarnatira, r:om a da priuxo riiaior taiupo-
tativa ser& I , i i l ~ i ~001110
l ~ i) vi'iue ~ ( I I I s u ~ eu111
I ~ ~ ~ c ~ , raria (co,Iigo penal, xrt. -1-3J+'n . O S 1." e 2.0);com-
circumstanoias attsniiantes, nZo applicaveis ao iii- minando-se na segunda hypothes?, para o co-ren
dicado co-reu (codigo penal, artt. 434.O 8 2.O e 436." promotor do roiibo, a pena de prisno maior cellu-
n.O 4:). lar, nunca inferior a cinco annos e quatro meaes,
r) o roiiho commmettido em !ogar ermo, por (Iriaci ou oii, em alt~rnativa, s di. prisão mnior temporaria
mais pessoas, trazendo armas apparrntca o11 occi~l- nunca inferior a oito annos (codigo penal, art. 436.O
tas, quando da violencia rcsultar ferimcnto, contu- n.' 5.9.
são ou vestigio de qualquer sofii~irncnto,serA pn- (1) Codigo penal, art. 432.'
nido (com referencia a qualquer dos criminosos),
cripto oii titiilo, qiie roiitei~haoii prodiiza obi.iga- tanto n violcneia, pliysica corno s violcncin mo-
ção, ou dispoeiçâo: o11 desobrigaçgo (1). ral (\I).
Como inodaliditdr do frrrto, implica u ioilbo a Como aggwvailtes do roubo, communs tanihein
appropriaçio da causa dheia coin i t í z ~ i ~ z Zzic~onrii,
~is B extorsão especifica, coiisigna o çodigo o curiçurso
dcveiido notar-se qiie? cm face do clenicnto mo- do criine dehomicidio, de carcerc privado (L), tie \ io-
ral do ci.irne: decc corisidar:ir.-se o nieio por qiie laq?o, de offerisas cnrpnrLies, bciu como o rle ser o
aqnslle se verifica o ( 1 1 3 1 ~cnia:.cteric do fui.to, roubo c ~ m i n ~ t t i dpor
o uma. pessoa r6, em !ogsr
der~e,por isso, prnctiiar-se iiilicniiient,e 112 appro- ernio, por di~itsori mais pessoas. e, em logar ermo,
priaçxo, emquanto s6 o dolo geilericri jvoiltnde de por diiits u i ~inaió pessoas, trazendo armas appa-
commetter iini facto contrario A lei;) ee póde eiicoii- i-entes o11 occitltas.
trar n a violcncia,.
Entrc o rlolo gcnerico da vioIencia e o especifico Quanto ao crime de extorsão; ohxervnre~iii~s que,
deve existir um uc'io c.tiologiec) directo dc finali- ainda que elle represente uma especie de fiirto
dade e de tempo, qiie pode 11,il:i preceder a concium- commettido coiii vioiencin (3) e figure n:i nonieri-
inaç3o do furto: a \.irileticia. pode surgir ilo iriic,io
do fiirto, quando 6 predisposta para a sua execii-
@o; durante a execução do mesmo, qiiando se ein- (1) TTid. GAL~BAUD, T ~ a i ft hi b o , r i p e ef prc~tiy!cedzc c l ~ u i t
prega para vencer os ohst:tculos qiie se opphe L pén<tl -fvaiupia: cit., t. V, pag. 511:3. Qiiauto á qi~ostâode
stibirac(;ãc) da cotisn alheia; inirriedi;itairieiite dc- saber se a violencia constitue iima cirrumstancia pessoal,
pois da consnmrnar,8o do furto, para transportar a respeitantr excliisivarn;:ntc ao que a enlpregoil, o11 se, pe!o
contrario, representa u m a r.irciiiristsricin.real, iundific:~~lorn.
res,firt.!ii:u oii prciciiiai a impi~i~iclnde,
da cri~uiriali,lad<.i
do roiilio, para lotlos iis auctures e cum-
A riolelicia pode ser pliysiea {siinples a violenciar $ices d a infracçitu, aiiida que estrailliou ao facto da vio-
n a expressão le,rralj ou moral iamenqas); nao aggra- lencia, questão que se lig;t itlieoria dd ciiruplicidade, a
vando ns concliqcies da impi.itabilidade do rnitbo o jurisprudencia fi,ancêsa pronuncia-se no sentido do r a r na
fac,to de, iio ruesniu acto cririiirlciso, coiicorrere,rii violancia iirun i:iroiirn~tanria de facto, comnium a tùdos
os que nella participaram.
(2) DARSANTI, II ricattu, filililaiio jSociet2i aditrice libra-
(1) Codigo penal, art. 44t).O ria), 19Ci0, pag. 3 e segg.
(3) Larya 4 a controversia siiscjtarla, :I este respeito, na
datura do codigo penal sob a, riilsiicn arouboi), crime q i i ~110s: occiipn das infracções em que o le-
differe dn s1iltrnçc;ão frauduleiika pelo seu objecto, gialador portugacs o incliiiii: E o nttentndo ao di-
visto que o qiie é extorquido pelo agente B iirn ti- reito de que constitue o objectivo do
tulo jiiridico, contendo obrigttqão ou desobrigação: agente, iiCiu podeiido n ertorGo considerar-se con-
cujo vz~lor depende de certas el~eiiti~aiidades. E, snmrnada enlqiianto niio tiver logar a eritrega do
porqiie niedind, orrliiiari:iine~ltr,urri ilitervallo d e titiilo j 111idico cibtido por violeniiit. A assignatura
terripo eritre o meio criminciso pelo q u d o titiilo ou çntrega do titrilo c;oristitire. pois, O clemerito ma-
6 ottido e a prodircq9o dos cffeitos quc d'elle terial do crime; o elemeiito intencioiial resulta da
derivan], descabida aeliarnos a, nssiniilaçiio lega1 iiitiniidaçXo empregada couio meio e da. assigna-
dos crirnes de roubo e estorsWi7, eiii que s p ; : ~ , cj~iasi tura ou entrega do titrilo como fim.
sempre, possivel eritttr u prc~juizod'ella resultante
Por outro lado, s extorsão nzo tem log~tr,como o
roi~f-in,hzvito donzino: a ohten@o da assignaturn. ou
da ei~tregado titulo suppõe que o prcprio sigiiara-
rio foi lcvnclo a assignar oii eiitregar o cseripto oii
titulo, )Ias impossivel 6 destacar completamente o

doutrina francêsa: emquanto C H . ~ U V E ET A ~HET.IE(T/zéo?i~


de code pétza? cit., t. ~ i i ,n.' 2123) e í J ~ l c x i ~(Co'oirirn8n-
r
taire dzt cods~,dnalscir a ' u ~ 200;)
f. entendeu !lu+ s cxtctrsii?
an'est qu'tin ~ o C1O ~ U I ~AS l'aide dr: 1;i f ~ i c e dc
, ia riolence
ou de la contrainteu,. 3lar,vrrei [Bss!ci E:!!. l e c ~ z ' i i i ed'r;i:tor-
sion de t i t r ~ct ?r signnlures et str., /r? (Idlit !e choiitoga,
Paris [A. Pédone), lh9íi, pzg. 2S u segg.? s i i ~ t e n t sa di-
versidade essencial entre a ertorako e (i t;;rto. Na Iralia,
Xh-zrx~[ T i x f i u t o dsl Jz~rtn cii., t. eit., pag. 742) eairzvr
qiio nl'eleinerito de!la oontrettazioni?. . . uori rirnane ~scliiso
da1 fatto ~i'utiscori.wgiia cuarrtata. . . i . Vid. Roxo, L'n-
h!&w di foglio in binnco, Ttfilaiio, 1903, pag. I82 e segg.
Pag.
naes. -1% 0 furto na Persia; duplo criterio da
penalidade. - 13. A propriedade individual na
Grecia e a repressZo do furto. - l C . C) furto no
direito romano; nogão e repressxo dofurto, suas
~iiodalidades, phases da sua e~olução.- 15. O O furto no direito polhguês
furto entre os povos yermanicos; bases do sys-
teiixa penal.- 16. O iurto nu direito c~nonico;
piedo~riinioUos eiernentos siibjectivos na repres-
sgo do furto. - li. 0 furto nas legislações peiraes
Esoorço historico do àireito antigo
iiiteriiieriias (Ias naCSies utodernas; 8cvcridatlc pc-
nal. - 155. O iurto e a s reformas legislativas do Pag.
seenio rir11 ................................... 44 '%.-A repressão do furto na direito penal portugu6s
ariteriur un ragiinen liheral. - 2Ç. Influxo d o n o -
viinento liberal de 1820 suúre o systema penal.
O cr'ime (ia fiirto nn Irgislagão anterior á actual. 119
Synthese das legis&ões

19. -'A revoluCão francesa e a nova phase da justiqa


penal. Systema qiio soguimos nesta syritliese le-
Systema do direito português actual
gislativa - 20. Elemento material do crime de
furto ; criterios legislativos. Especialidades. -
21. Factor psyciioloyico do srímc dc furto; cle- 5 i."
inentoa que abrange. TJiversidade das legislações.
2% - 8 penalidade do firrto o siias cirriimetan- A noção d o furto
cias modificadoras. -23. Furto violento e cir-
cumstancias que influem nl?st.a qi!alific~i:.5o. - 37. - Nop5o descriptiva do furto no eodigo penal portu-
2k. Furto modificado lior ?rirouiiistniic?issque n5a guès. - 28. Furqa pliy siea subjectiva do crime de
constituem v i o l ~ n c i a :(6: critei'io do v a l ~ i r ;ta) cri- f~irto.Critica da cloutriria acolhida pelo legislador
twio dn q u ~ l i d a d ed s noiisa; e) criteri,> iIa quaii- portiigiiês. - - 98, O clerneuto çiibjectivo no criirie
dade do austor do furto; dj ariterio clu teuipo; cte furto: dólo generieo e especifico. - 80. Sujeito
ej criterio do logar; f ) cricrrio dos meios de exe- passivo do furto. -81. 3fotiilidade e niaterialidade
cução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 da cniisa, nhjecto da lesão patrimoniai, Furto dr:
gaz de illuriii~aç5uc de cnergia clectrica; opi-
niões divergentes. -32. Cousa alheia. Rea nld-
li-m,dweNetat! e co?i~m?r?w,s.. ................ 137
ERROS PRINCIPAES
Criterios juridicos das mcdificações do furte

Pag. 5 14 li'lw iToelilice), 1834 ehminr-se


8.- Criterios determinadores da quantidade natural e 7 3 trunsforuiadora traii~fr~rroadtirii
politica do furto. - 34. Influencia do valor do 17 9 priiuitivu punitivo
sujeito passivo do f u ~ t ona quantidade do crime. coiuo o arraiieanicnto de
-&L. Circiimntancias iiiliarent~s á q~ialiidadeda rnarcos com o fim de
cousa, que iiiflu+m na iniputaùilidade do furto. iisuzyar propriednde
-36. Circuinstaiiaias relalivas ao Iogar. - 37. O allieiu 1God. pen., art.
criterio qualificador do tcnipo - 55. ltodificafõcs 446 O ) elimine se
do crime de furto dcterniiiiadns pela qualitiade fnprit
espril
do agente. - 39. A qualificapáo ciu ruodo : a) iurlo deficencia deficienoia
- 40. A qualificacão do modo : b) roubo e cãtor- propi~tii &to
... ......
S ~ O 194 porisso yoriaso que
f r i ~o furto foi o f u ~ t oiutcruo
da de
drliqv~~r~lfil deZi~?yumrd
E E
10-11 eoncorrecem cuucorie~sern
24 contrtr confro
10 violencia de furte violenciu e de furto
8 an~iotarzcm antoteruri~
i1 Arcne 3-ccc
11-11 Lui~dgerzchtstird7tuny L~ind.gerashtuwdnuny
23 Ddi1t.i çurrtra J delitsi roi~fro
25 Cnmmeiilo?zus Cun~rnerifnriiini
1.3 na ua
acere~ccnte-se3 n o t ~17): I 1 codicepen<rl losmno: 1. v, psg 9.
155 I5 cautellosarneute cautelosauiente
156 18 do de
163 23 Diebrthol Dicbs?ahl
169 25 Casv~ar- Caarvv.au
192 1:' agouo ngonto
231 26 Caavian Cnaav~~r-
u 25 jiiileto junto