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Dispositivos e paradigmas

A invenção das ciências modernas – Isabelle Stengers [1993]


A estrutura das revoluções científicas – Thomas Kuhn [1962]
Invenção das ciências modernas

• Isabelle Stengers (1949 - )

• Formada em química;
• professora em Filosofia da Ciência na Universidade Livre de Bruxelas

Vasta obra filosófica, incluindo


“A nova aliança” e "O Fim das
Certezas: tempo, caos e as leis
da Natureza", ambas em
coautoria com Ilya Prigogine;
(este recebeu o prêmio Nobel
de Química em 1977)
Invenção das ciências modernas

Destaco alguns pontos – o caráter social da ciência; as


ideias de prova, indícios e evidências

Como em qualquer outra atividade humana, na ciência


existem questões de poder, prestígio pessoal, lutas por
ascensão na carreira ou por recursos para financiar
seus projetos, além de crenças pessoais e de grupo.

A racionalidade científica não é pautada apenas por


questões lógicas e racionais

(Thomas Kuhn e Paul Feyerabend, por exemplo,


examinam essas questões)
Invenção das ciências modernas

Entretanto, uma certa crítica da ciência por uma parte da


sociologia, tende a desqualificar a ciência, inclusive a
própria sociologia (ou antropologia) como ciência.

A ciência inventa/ descobre fatos singulares, e nisso reside


toda sua força.

E faz isso por meio de dispositivos experimentais nas


ciências de laboratório – prova - e por meio de indícios(*) e
produção de evidências nas ciências de campo.

As ciências produzem narrativas sobre o mundo.


Para as ciências de campo, o texto é o equivalente
funcional do laboratório (Latour)

(*) em breve examinaremos o “paradigma indiciário” de Ginzburg


Invenção das ciências modernas

Trata-se de
“... uma montagem artificial, premeditada, produtora de
artis factum, de artefatos no sentido positivo. E a
singularidade desse dispositivo ... [que] permite que seu
autor se retire, que deixe o movimento testemunhar em
seu lugar” (p. 104)

O dispositivo (como mediador) não só explica, mas


impede qualquer outra caracterização – ou seja,
transforma em ficção as demais interpretações em
disputa.
Invenção das ciências modernas

O plano inclinado de Galileu


“O corpo em queda pela canaleta fazia soar as campainhas à medida que
passava por elas e estas podiam ser deslocadas ao longo do plano,
alterando o intervalo de tempo entre seus toques. Ajustando
cuidadosamente, conseguiu posicioná-las de forma que os intervalos
fossem idênticos, quando observou que as distâncias entre elas cresciam
de forma quadrática, o que deu base à sua Lei da Queda dos Corpos”

reconstituição do plano
inclinado de Galileu
Invenção das ciências modernas

• A bomba a ar de Robert Boyle

Sobre a possibilidade do
vácuo, ou seja, sobre a
natureza do ar, que Boyle
postulava como gás e que
Hobbes postulava como éter
Dispositivos - Ponto para reflexão

Qual dispositivo vou engendrar para que minha narrativa tenha


validade, para que não seja caracterizada como ficção?
A estrutura da revoluções científicas

• Thomas Kuhn (1922 - 1966)

• Formado em física, atua como físico teórico e em seguida como


historiador das ciências e como filósofo das ciências;
• professor em Harvard
A estrutura da revoluções científicas

o desenvolvimento típico de uma disciplina científica ocorre conforme a


estrutura:
Fase pré-paradigmática (criação de conceitos, elaboração de
teorias)
Ciência normal - opera segundo um paradigma; aplicação e
extensão de conceitos e teorias; resolução de “quebra-cabeças”
Anomalia – fatos/narrativas e eventos que colocam em cheque
conceitos/teorias, a partir de questionamentos e aprofundamentos da
ciência “normal”
Produção de novas teorias/conceitos
Crise - disputas acirradas, hipóteses concorrentes - emergência de um
novo paradigma
Revolução – conquista de hegemonia pelo novo paradigma
Nova ciência normal
Nova anomalia
Novas teorias
Nova crise
Nova revolução
A estrutura da revoluções científicas

PARADIGMA
Difícil definição (em Khun)
No dicionário (Aurélio online):
1 - Algo que serve de exemplo geral ou de modelo.
2 - Conjunto das formas que servem de modelo de derivação ou de
flexão.
3 - Conjunto dos termos ou elementos que podem ocorrer na
mesma posição ou contexto de uma estrutura.

Etimologia: Provém do grego παράδειγμα (parádeigma), que


significa "padrão" ou "exemplo", da palavra παραδείκνυμι
(paradeíknumi) significando "demonstrar“ (Wikicionário)
A estrutura da revoluções científicas

partes integrantes de um paradigma:


uma ontologia, que indique o tipo de coisa fundamental que
constitui a realidade;
princípios teóricos fundamentais, que especifiquem as leis gerais
que regem o comportamento dessas coisas;
princípios teóricos auxiliares, que estabelecem sua conexão com os
fenômenos e as ligações com as teorias de domínios conexos;
regras metodológicas;
padrões e valores que direcionem a articulação futura do
paradigma;
exemplos concretos de aplicação da teoria;
práticas e instrumentos de laboratório no caso das ciências
experimentais;
práticas e dispositivos para coleta/produção de dados nas ciências
de campo
Paradigmas - Pontos para reflexão

• O paradigma fordista-funcionalista em arquitetura


(máquina de morar, a forma segue a função, etc.)
• O paradigma fordista-funcionalista para as cidades –
cidade como máquina, as quatro funções na Carta de
Atenas
• O paradigma organicista para as cidades, para a
arquitetura – cidades e edifícios como “organismo
vivo”

• Quais os elementos válidos dos paradigmas


mencionados acima?
• Quais os fatos emergentes que apontam para novo(s)
paradigma(s) em arquitetura e urbanismo? Qual(is)
seria(m) esse(s) paradigma(s)?