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Padre Candido Amantini

O grande exorcista de
Roma

Rodrigo da Silva Cardoso

2016

ISBN 9781370452644

Publicado com Smashwords


Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
O autor

Rodrigo da Silva Cardoso é formado em

Administração de Recursos Humanos pelo

Uniradial Estácio - SP. Escritor, casado e pai de

um casal. É pesquisador, católico e autor de

blogs e livros. Serviu no movimento da

Renovação Carismática Católica e foi

responsável pelo ministério de comunicação e

cura e libertação, sendo deste último formador

a nível regional na região Cotia, Diocese de

Osasco – SP.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
Sumário
Introdução .....................................................................4
CAPÍTULO I: Como ele se tornou exorcista? .......12
CAPÍTULO II: A prática do ministério de exorcista
......................................................................................18
CAPÍTULO III: Os longos anos como único
exorcista de Roma ....................................................27
CAPÍTULO VI: O caso da possessa do Papa.......31
CAPÍTULO V: Padre Gabriele Amorth ...................32
CAPÍTULO VI: O mestre especial...........................36
CAPÍTULO VII: Os últimos anos de ministério .....39
CAPÍTULO VIII: “Vá ao Padre Amorth ...................43
CAPÍTULO IX: O fenômeno do satanismo na
sociedade contemporânea .......................................45
CAPÍTULO X: As seitas satânicas ..........................48
Referências ...................................................................56

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
Introdução

E
m 22 de setembro de

1992 ele retornou para

a casa do Pai. Recebeu

os últimos sacramentos de seu confessor,

Padre Benigno enquanto estava plenamente

consciente e, assim, fez sua Páscoa morrendo

santamente em seu quarto, assistido pelos

membros da sua Congregação no Santuário da

Escada Santa. Já não exorcizava mais há

algum tempo. Quando chegavam até ele as

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
almas atormentadas pelo demônio ele dizia:

“Vá ao Padre Amorth. ” Interessante o

contraste, pois durante longos anos ele foi o

único exorcista de Roma e quando as pessoas

atormentadas procuravam ajuda da Igreja era

comum ouvir dizer: “Vá ao Padre Candido. ”

Foram muitos anos de muitas lutas

frente a frente com o demônio. Certa vez,

ensinou Padre Amorth que durante o ritual, a

oração que retomava o controle era sempre o

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
“Praetipio Tibi” (“Ordeno-te”). O demônio teme

o exorcismo, mas a santidade do exorcista

conta muito a favor do possuído. As palavras

adquirem especial poder quando o ministro

sagrado é um homem reto, íntegro, de oração

e acima de tudo, humilde. Assim era Padre

Candido Amantini.

Homem douto e muito agradável, era um

grande adorador de Jesus Sacramentado.

Muitas vezes, ao terminar um dia de longas

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
lutas com o demônio, era na capela junto do

sacrário que ele readquirira as forças. Iniciou

este duro ministério sob a tutela do Padre

Alessandro Coletti, exorcista da Diocese de

Arezzo que além de ser seu irmão de

Congregação tinha sido seu ex-aluno. E

durante muitos anos foi o único exorcista de

Roma, atendendo seu rebanho atormentado no

Santuário da Escada Santa.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
As pessoas reconheciam a santidade de padre

Candido. E o senhor o agraciou com carismas

especiais. Era comum atender entre 60 a 80

pessoas numa manhã. Impunha as mãos sobre

a cabeça de cada uma e, através dos dons do

Espírito Santo, dizia quem precisava voltar e

quem não tinha nada de espiritual. Esta

percepção foi-lhe dada pelo Senhor para que

ele pudesse discernir bem qual era o mal de

que a pessoas sofria. E acima de tudo, quem

eram as pessoas que estavam possuídas e

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
necessitavam do exorcismo, ou seja, da

intervenção da Igreja.

Em 1986, o Cardeal Ugo Poletti, vigário

de Roma o agraciou com um auxiliar: Padre

Gabriele Amorth recebera a nomeação para

exorcizar os possessos. Já se passavam anos

e o bispo não havia encontrado um sacerdote

para enviar para ajudar o Padre Candido, que

já não tinha mais a mesma vitalidade.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
Como disse ao Padre Amorth certa vez

o Cardeal Ugo Poletti: “Padre Candido é um

mestre muito especial. “ E São Pio de

Pietrelcina certa vez disse dele:

“A Escada Santa Santo tem um santo e

vocês vem a mim? “

Conta-se que não foram poucas as

vezes que Padre Candido viajou para fora do

Vaticano para atender casos difíceis e ensinar

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
o exorcismo. Em 1983, pediu ajuda ao Papa

João Paulo II para exorcizar um paciente.

Boa leitura!

O autor.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
CAPÍTULO I: Como ele se tornou
exorcista?

Padre Candido era professor em Roma.

Lecionava sagradas escrituras e hebraico. Era

muito apreciado como professor. Nasceu em

31 de janeiro de 1914. Seu nome de batismo

era Eraldo Ulysses Mauro Amantini. Gostava

de música, inclusive tocando na banda de sua

cidade.

Ao entrar para os Passionistas, em 26

de outubro de 1926 foi para o seminário menor

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
e desenvolveu sua vocação. Por volta de 1961

começou a ajudar um ex-aluno que era

exorcista e necessitava muito de auxílio com os

casos que tratava. O aluno era o Padre

Alessandro Coletti, exorcista da Diocese de

Arezzo.

No tempo em que Padre Alessandro

exorcizava, o exorcismo seguia sendo um tabu.

A Igreja procurava adequar-se aos tempos

modernos e o Concilio Vaticano II acabara de

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
galgar o seu lugar na Igreja. O progresso

deveria ser uma das vozes mais altas, porém o

exorcismo não exaltava o progresso.

Os possessos sempre existiram ao

longo da história da Igreja. E sempre houveram

exorcistas. Nomeados pela Igreja ou

escolhidos pelo próprio Deus.

O exorcismo nada mais é do que a

oração oficial da Igreja para expulsar dos

possuídos os demônios.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
Assim, o exorcista é o padre nomeado

pela Igreja para expulsar os demônios

utilizando-se do exorcismo. Mas Deus pode

escolher pessoas para expulsar os demônios e

dar a elas dons especiais para tal intento.

Também podem existir sacerdotes exorcistas

que também recebam de Deus o dom de

expulsar os demônios, como o saudoso Padre

Rufus Pereira.1

1
Padre Rufus Pereira era exorcista da ArquiDiocese de
Bombaim e foi vice-presidente da Associação Internacional
de Exorcistas. Faleceu em 2012.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
No caso de Padre Candido Amantini, ele

tornou-se exorcista ao ajudar o Padre

Alessandro Coletti, por volta do ano de 1961.

Pouco se sabe de sua nomeação. É

mais correto afirmar que ao participar dos

exorcismos e ver o sofrimento das pessoas

atormentadas pelos demônios ele tenha

querido ajuda-las e possa ter solicitado ao seu

bispo permissão.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
O fato é que Deus queria este ministério

ao Padre Candido. E enriqueceu-o ao longo

dos anos com dons e carismas especiais para

o exercício do ministério. A imposição de mãos

e o olhar para as fotos foram dons que ele

recebeu para discernir a possessão demoníaca

dos casos da medicina.

Padre Gabriele Amorth testemunhou

muitas vezes o Padre Candido discernindo

possessões através de fotografias.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
CAPÍTULO II: A prática do
ministério de exorcista

O ministério para exorcizar os

possessos é concedido pelo ordinário local, ou

seja, o bispo diocesano que segundo as

normas do direito canônico é o exorcista da

Diocese. De maneira peculiar os bispos não

costumam ser os exorcistas das Dioceses. Eles

escolhem, normalmente quando aparece um

caso, um sacerdote e lhe a licença ad casum

para que cuide daquela pessoa que se

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
apresenta. Em raras ocasiões, este padre

recebe a licença para mais de um exorcismo. É

necessário ver como as coisas andam. E muito

raramente, num tempo de muito pouca fé como

é o nosso, se consegue chegar a libertação de

uma pessoa com um único exorcismo. Após a

prática do primeiro exorcismo e a comunicação

do sacerdote com o bispo, este após analisar o

caso concede a licença para exorcizar aquela

pessoa quantas vezes forem necessárias. Mas

somente aquela pessoa.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
Quando surgem novos casos, o bispo

por prudência e por já ter experiência com

aquele sacerdote, lhe manda os casos para

análise. E assim, vai se “criando um novo

exorcista. ” O novo sacerdote designado ao

ministério é mandado a Roma para fazer o

curso dos exorcistas, promovido pelo Instituto

Sacerdos, no prestigiado Ateneu Pontifício

Regina Apostolorum. E quando retorna,

transforma-se em membro da Associação

Internacional dos Exorcistas (AIE) e recebe do

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
seu bispo a licença de exorcista oficial da Igreja

Católica Apostólica Romana para atuar nos

limites da sua Diocese. Este é o processo de

hoje.

Há bispos que se dispõe a exorcizar.

Pouquíssimos, quase inencontráveis.

Há bispos que dizem que todos os casos

devem ser submetidos a eles próprios para

análise e posterior tomada de decisão. Mas o

povo de Deus, carente de ajuda, nunca

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
consegue chegar até eles por causa dos

inúmeros compromissos que estes têm com as

Dioceses.

No tempo de Padre Candido, não havia

Associação de Exorcistas. A prática do

ministério era muito mais restrita do que é hoje.

Tanto que sua licença de exorcista em Roma

foi por longos anos a única permitida. E isso

faz-nos entender muito de sua santidade de

vida. Em um tempo em que o demônio quase

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
conseguiu fazer crer de que não existia, Padre

Candido com sua vida simples e devotada a

Nossa Senhora demonstrava o contrário.

Exorcizar os possessos não é tarefa

fácil. As pessoas têm reações violentas as

vezes. E o exorcista precisa de ajuda para

segurar os possessos. E não é fácil ter ajuda,

pois as pessoas tem medo. Padre Candido

durante muitos anos não teve auxílio de

ninguém a não ser o Senhor. Alguns simplistas

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
podem dizer que não era necessário ninguém

mais do que o Senhor, mas não podemos

tornar a prática exorcista algo inalcançável.

Claro que o ministério para exorcizar os

possessos deve ser concedido somente aos

sacerdotes, conforme orienta a Igreja.2 Mas os

exorcistas não devem estar sozinhos.

Precisam de auxiliares intercessores que os

ajudem no ministério.

2
CIC 1172.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
Padre Candido sofreu as dores solitárias

por anos a fio. Durante muitos anos era na

oração que ele se sustentava. As pessoas

subiam a escada santa e o encontravam ao fim

para receber a benção. E aos que precisavam

de “algo a mais”, era o exorcismo maior em

latim que era pronunciado com maestria, calma

e paz. Aqueles que conheceram Padre

Candido atestaram sua sabedoria, prudência e

firmeza de vida. Não havia nada que pudesse

tirar Padre Candido do sério.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
Seus filhos espirituais se multiplicavam

a medida que sua fama de santidade crescia.

Era um homem de Deus e sabia voltar o seu

olhar para quem realmente necessitava. Ao

longo dos anos o Senhor o agraciou com o

carisma especial de enxergar as pessoas

através das fotos. Eles as via e sabia se

precisavam de um médico, psiquiatra ou, até

mesmo, um exorcista. Seus dons eram

peculiares como o seu ministério.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
CAPÍTULO III: Os longos anos
como único exorcista de Roma

Por muitos anos em Roma, Padre

Candido Amantini foi o único exorcista

nomeado para atender os possessos.

O motivo é desconhecido, mas podemos

supor algumas coisas. Havia um tempo de

transformações constantes na igreja no tempo

de Padre Candido. Era tempo conciliar, as

mudanças estavam sendo implementadas

mesmo na forma como a Santa Missa era

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
celebrada, permitindo-se que se celebrasse até

mesmo na língua vernácula de cada país. E a

crença no demônio, por mais que não fosse

uma escolha, não era incentivada. Por essa

razão, quanto menos exorcistas, menos se

tocaria no assunto. E de certa forma, sempre

se incentivou na Igreja que a possessão

demoníaca é muito rara, quase impossível de

se encontrar e detectar. O próprio ritual romano

para o exorcismo diz isso. Por essa razão,

durante mais de 40 anos ele atendeu seu

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
rebanho atormentado em Roma e muitos deles

foram de muito sofrimento e solidão.

Os padres exorcistas muitas vezes são

deixados de lado em suas congregações. Eles

não são bem vistos e por vezes, são até

taxados de exagerados. Quando conseguem

um local para atender, logo são removidos

desses lugares por causa dos transtornos que

trazem junto com eles: gritos e escândalos que

incomodam. Para Padre Candido atender

essas pessoas em Roma num grande

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
santuário, somente através da benção da Igreja

que o aprovara. E sua fama de santidade já se

alastrara, pois até São Pio de Pietrelcina já

falara sobre ele certa vez dizendo: “a Escada

Santa tem um santo e vocês vem a mim? “

Não era fácil ser exorcista de Roma. Não

é fácil ser exorcista na Igreja.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
CAPÍTULO VI: O caso da possessa
do Papa

Sabe-se pouco sobre este caso.

Era um caso em que Padre Candido

Amantini estava trabalhando já há algum

tempo. E para o bem do possesso e permissão

de Deus, ele pediu o auxílio do Papa João

Paulo II.

Era o ano de 1983 e ao que se sabe o

Papa praticou exorcismo maior na mulher que

Padre Candido atendia, junto dele.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma

CAPÍTULO V: Padre Gabriele


Amorth

Em 1986, Padre Gabriele Amorth foi

visitar seu bispo.

O Cardeal Ugo Poletti era o vigário de

Roma. Era o bispo designado pelo Papa para

cuidar da Diocese de Roma. E tinha fama de

fazer valer sempre suas decisões. Foi uma

visita de rotina, pois assim Padre Amorth o

fazia sempre que podia. E o cardeal sempre o

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
recebia e conversavam de maneira cordial,

sem formalidades.

E em determinado momento da

conversa, falaram do padre Candido Amantini,

ao passo que o cardeal lhe perguntou:

“ – O senhor conhece Padre Candido? “

E Padre Amorth lhe dissera que sim.

Inclusive que o havia visitado no Santuário da

Escada Santa e conhecido a sala onde

praticava os exorcismos.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
Enquanto conversavam, o cardeal

sacou de sua caneta e uma folha de papel e

começou a escrever. E ao terminar entregou a

carta dobrada em um envelope ao Padre

Amorth. Quando este abriu o envelope, estava

escrito:

“Nomeio para exorcista da Diocese de

Roma o Padre Gabriele Amorth, da Pia

Sociedade de São Paulo. Ele deverá auxiliar o

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
Padre Candido, quanto for necessário. É o

que decido com efeitos imediatos.

Cardeal Hugo Poletti

Vigário Episcopal para a Diocese de

Roma”

E não houve discussão. E o cardeal

ainda lhe disse, finalizando a conversa:

“Padre Candido é um mestre especial. ”

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
CAPÍTULO VI: O mestre especial

Após o encontro com seu bispo e

nomeação do Padre Gabriele Amorth para

exorcista da Diocese de Roma, ele mesmo

contou em suas memórias que se consagrou a

Virgem Maria. E foi-se apresentar ao grande

exorcista de Roma.

Ao chegar e mostrar-lhe a nomeação,

Padre Candido não esboçou nenhuma reação.

Apenas lhe pediu que fosse para casa e

decorasse as 22 regras que estão no ritual

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
romano e em latim. Sem estas 22 regras na

ponta da língua, já começaria o exorcismo

derrotado.

Padre Amorth conta em suas memórias

que seguiu o conselho. Decorou as 22 regras

em latim e começou a exorcizar em casa.

Lia e relia o ritual, aprendendo as

fórmulas e orações para as pronunciar no

momento oportuno. E foram várias as ocasiões

em que esteve nos exorcismos de Padre

Candido e fazia pequenas intervenções. Até

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
que chegou o dia em que ele foi para a batalha

sozinho.

O que chama a atenção da preparação

de Padre Amorth foi o cuidado com que Padre

Candido o conduziu. Em nenhum momento o

abandonou, era o seu mestre, e muito especial.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
CAPÍTULO VII: Os últimos anos de
ministério

Já em 1986, quando Padre Amorth foi

até ele, a saúde de Padre Candido já não era

das melhores. Eram seus últimos 4 anos de

ministério, pois já estava há mais de 30 anos

exercendo o ofício de exorcista e necessitava

de descanso para cuidar da saúde. Nos últimos

anos as internações eram frequentes e tinha

muitas crises noturnas de sufocamento.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
De certa maneira, o envio de Padre

Amorth para ajudá-lo foi um presente de Deus

para premiar todo seu esforço ao longo de

tantos anos.

Foram muitas almas ajudadas. Mas nem

por isso os últimos anos de ministério foram

fáceis. Haviam muitas nações envoltas de

comunismo, inclusive a terra do Papa. E o

comunismo tem uma forte influência diabólica,

inclusive incentivando o ateísmo.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
Quanto mais se aumenta a falta de fé

das pessoas, mais o demônio encontra terreno

fértil para agir e destruir a humanidade.

Em 1989, a Rússia diz não ao

comunismo e o muro de Berlim cai.

Também na terra do Papa, a Polônia, as

coisas se encaminham e a opressão comunista

começa a dar lugar a liberdade.

Os últimos anos de ministério de Padre

Candido, já com o auxílio de Padre Amorth

foram muito difíceis, levando-se em conta que

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
a derrota do demônio já era iminente nos

países comunistas e sua saúde era frágil e

debilitada.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
CAPÍTULO VIII: “Vá ao Padre
Amorth

Debilitado pela doença, em 1990 Padre

Candido parou de exorcizar. Em pouquíssimos

casos ele intervinha e as pessoas que vinham

até ele as enviava ao Padre Amorth.

Foram momentos finais dolorosos. Mas

tudo que sabia sobre o exorcismo ele havia

ensinado ao Padre Amorth. Passava horas

absorto na oração e contemplação. O Padre

Amorth já estava exercendo o ofício de

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
exorcista há alguns anos e dedicava-se a

libertar os possuídos com muita insistência.

Mas sabia que seu mestre já estava se

preparando para a partir para a casa do Pai. O

próprio Padre Candido, quando tinha suas

crises de sufocamento falava da morte com

serenidade, sabendo que ela já se aproximava.

Padre Amorth herdou também os casos

que Padre Candido exorcizava. Alguns deles

foram acompanhados ainda por longos anos

até a libertação acontecer.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
Atualmente, a causa de beatificação de

Padre Candido está em curso na Congregação

para as Causas do Santos.

CAPÍTULO IX: O fenômeno do


satanismo na sociedade
contemporânea

Artigo de Giuseppe Ferrari, Secretário Nacional


do “Grupo d Ricercae de Informação sulle
Sette” Director Editorial da Revista Religione
nel Mondo.

Na sociedade hodierne estão a assumir

uma dimensão inesperada a adesão a seitas

satânicas, a participação nos ritos introduzidos

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
por elas, a evocação de entidades

demoníacas, o culto pessoal e solitário do

demônio, a afirmação de ideais provenientes

dos ambientes satânicos.

Antes de explicar em grandes linhas

aquilo que constitui o fenômeno do satanismo

contemporâneo é oportuno tentar defini-lo; o

que pode ser feito de um modo, por assim

dizer, geral, ou de um modo particular fazendo

referência específica e exclusiva a cada um

dos aspectos: teológicos, antropológicos,

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
psicológicos, jurídicos, sociológicos.

Procurando focar a atenção para uma definição

geral, podemos dizer que falamos de

satanismo quando nos referimos a pessoas,

grupos ou movimentos que, de forma isolada

ou mais ou menos estruturadas e organizada,

praticam de alguma forma o culto (ex.

adoração, veneração, evocação) daquela

entidade indicada na Bíblia com os nomes de

demônio, diabo ou Satanás. Esta entidade é

geralmente entendida pelos satanistas como

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
uma forma metafísica, ou um misterioso

elemento inato no ser humano, ou uma energia

natural desconhecida, que se evoca sob

diversos nomes próprios (por ex. Lúcifer),

através de determinadas práticas rituais.

CAPÍTULO X: As seitas satânicas

Artigo de Giuseppe Ferrari, Secretário Nacional


do “Grupo d Ricercae de Informação sulle
Sette” Director Editorial da Revista Religione
nel Mondo.

Os grupos e movimentos satânicos são

sem dúvidas diversos, alguns deles mantém

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
relações entre si, outros não; alguns grupos

são desconhecidos até mesmo pelos

frequentadores dos ambientes satânicos.

Algumas destas seitas têm uma existência

efêmera ou apenas virtual, outras com o tempo

cessam a atividade ou, em alguns casos,

continuam-na escondidas. Algumas agem

publicamente, outras de forma secreta.

Além disso, quase todas sofrem cismas

em cascata, isto é, um grupo divide-se num ou

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
mais ramos, que por sua vez, se dividem

noutros ramos assim por diante.

É, sem dúvida, nos EUA que se encontra

a maior concentração de grupos satânicos, que

poderemos chamar conhecidos, isto é, que

agem mais ou menos a descoberto, e é sempre

neste país que podemos encontrar as maiores

referências bibliográficas sobre o satanismo

contemporâneo. Entre os grupos conhecidos

que surgiram nos EUA e que ainda estão em

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
atividade, encontramos “Church of Satan”,

“Temple of Set”, “Order of the Black Ram”,

“Werewolf Order”, “Worldwide Church os

Satanic Liberation”, “Church os War”.

Entre aquelas que depois de alguns

anos parecem ter cessado a sua atividade,

encontramos: “Church of Satanic Brotherhood”,

“Brotherhood of the Ram”, “Ou Lady of Endor

Coven”, “The Satanic Orthodox Church of

Nethilum Rite”, “The Satanic Church”; além

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
destas exigem organizações para as quais é

difícil estabelecer se pararam ou não a

atividade, como por exemplo aquela chamada

“Ordo Templi Satanis”, cujos escritos têm uma

uma certa difusão através da Internet.

Outro grupo satânico que teve uma certa

notoriedade, depois da observação

participante do sociólogo americano William

Sims Bainbrige, é “The Process Church of the

Final Judgement”, nascido em 1965 na

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
Inglarerra e difundido em alguns países, de

modo relevante nos EUA, antes da sua cisão

em dois grupos diversos: atualmente “The

Process” é dado como extinto. Ainda na

Inglaterra, foi observada a presença de outras

duas conhecidas organizações satânicas:

“Order of the Nine Angels” e “Dark Lily”. Ao

mesmo tempo, na Nova Zelândia atua o grupo

“Ordo Sinistra Vivendi”, anteriormente

chamado “Order of the Left Hand Path”. Na

Itália entre as seitas satânicas de que se sabe

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
alguma coisa, porque de um ou doutro modo

passaram a ser conhecidas pelas notícias,

podemos citar: “Bambini di Satana”, “Chiesa di

Satana di Filipo Scerba”, “Chiesa Luciferina di

Efrem Del Gatto”, “Impero Satanico dela Luce

degli Inferi” ou “Seguaci del Maestro Lotian”.

Existem ainda alguns grupos que não

pretendem apresentar-se como satânico e que

afirmam, por exemplo, praticar ritos pagãos

para entrar em harmonia com as forças ocultas

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma
da natureza, mas com efeito, evidenciam

aspectos que podem permitir a sua inserção no

multiforme mundo do satanismo.

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Padre Candido Amantini: o grande
exorcista de Roma

Referências
Amorth, G. (30 de Outubro de 2002). L´exorcista della
Scala Santa. Padre Candido Amantini. Roma: II
Crocifisso. Fonte: ACI Digital:
www.acidigital.org.br

Amorth, G. (2008). Exorcistas e Psiquiatras. São Paulo:


Palavra e Prece.

Itália. (08 de Março de 2010). Padre Candido Amantini.


Fonte: Blog de Espiritualidade:
padrecandidoamantini.blogspot.com

Vilotta, D. P. (11 de Fevereiro de 2011). Postulação da


Causa da Causa dos Santos. Fonte:
Postulazione delle Cause dei Santi:
www.postulazionecausesanti.it

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