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A BOA E A MÁ CONSCIÊNCIAS, A CULPA E A

INOCÊNCIA NAS TRÊS ORDENS DO AMOR


Em geral, fala-se em boa e em má consciência tão somente em relação à Lei
do Pertencimento, entretanto essas consciências ocorrem em relação às três leis
sistêmicas, como se verá a seguir.

Dentro da abordagem sistêmica há vários tipos de consciência: a boa (leve)


e a má (pesada) consciência, as consciências pessoal (que é aquela que serve ao
pertencimento e à sobrevivência pessoal), coletiva (é a que está a serviço da
sobrevivência do grupo como um todo e que dá a todos do sistema o mesmo direito
de pertencer, sem nenhuma exceção) e espiritual (a que acolhe a todos igualmente,
como são, independente do grupo a que pertencem). Nenhuma delas tem a ver com
a boa e a má consciência da moral, mas com o cumprimento ou com a violação das
três leis sistêmicas.

Assim, quando alguém segue estas leis, fica na boa consciência e quando as
viola se sente de consciência pesada. A boa consciência consegue-se com o amor
cego e má consciência com o amor iluminado.

Em relação à lei sistêmica do Pertencimento, fica na boa consciência


quem faz as coisas seguindo os valores, padrões e mandados de seu sistema, pois,
com isso, seu pertencimento fica garantido. Quem assim age sente-se inocente. Já
quem faz algo contrário a estes valores, padrões e mandados, sente-se de má
consciência, pois coloca em risco seu pertencimento ao próprio sistema. Nesta
condição, sente-se culpado.

Às vezes se julga alguém, cobra dele que seja diferente, que se corrija,
ignorando que ele faz o que faz regido por uma boa consciência da qual não pode
se desvencilhar com facilidade. Mudar para essa pessoa significa ficar de má
consciência, o que lhe é difícil. E se muda, logo sente a necessidade de pertencer
novamente, voltando a ser exatamente como era antes.

Bert Hellinger nos expõe isso da seguinte maneira:


Tão logo alguém se desvie daquilo que é válido em sua família,
em seu grupo, isto é, quando precisa temer que através de seus
atos coloca em jogo a sua pertinência, tem uma consciência
pesada. A consciência pesada é tão desagradável que faz com que
ele mude o seu comportamento de tal forma que possa pertencer
novamente. (HELLINGER, 2005, p. 67)

Como se vê, não só é difícil mudar, como difícil é também sustentar uma
mudança. Aqui se confirma que, realmente, o pertencimento é um imã poderoso
que faz com que aquele que pertenceu um dia ao grupo volte a reencontrar-se.

Em relação à Hierarquia/Ordem, a boa consciência se dá, em nível


pessoal, quando o pequeno, por um amor cego, quer fazer em lugar do grande. É o
caso, por exemplo, do filho que quer morrer pelos pais. Em nível da consciência
coletiva, estar no lugar do grande se dá com uma má consciência, pois essa
consciência não admite a interferência dos pequenos nos assuntos dos grandes.

Boa consciência ou inocência, na consciência coletiva, é cada um estar, no


próprio sistema, em seu lugar, apenas no seu lugar e totalmente no seu lugar.

Em relação à lei sistêmica do Equilíbrio entre o Dar e o Tomar, fica na


boa consciência, isto é, inocente, quem dá; e na má consciência, ou seja, culpado,
quem recebe. Alguns querem permanecer inocentes, de consciência leve,
importantes e superiores, não tomando ou não permitindo que o outro retribua o
que ele deu. Isso é feito com sacrifício da boa consciência do outro, pois quem só
recebe fica com a má consciência, sente-se culpado, pequeno, pesado, inferior.

Vê-se assim a razão pela qual Bert Hellinger diz que o relacionamento fica
abalado ou até termina quando não há equilíbrio entre o dar e o receber. Dá-se isso
porque ninguém consegue ficar por muito tempo na consciência pesada,
suportando as consequências que gera esta consciência. Ademais, até quem está na
boa consciência, por ter dado muito ou por não ter permitido que o outro o retribua,
sente-se incomodado com a situação, posto que, segundo Hellinger (2002, p. 30),
só o equilíbrio no dar e no receber traz a paz. Logo, quem, nesta situação, tem boa
consciência não tem a paz.
REFERÊNCIAL BIBLIOGRÁFICO

HELLINGER, Bert. Ordens da Ajuda. Patos de Minas: Atman, 2005. 1ª. ed. 211
páginas.

___ A Simetria Oculta do Amor: por que o amor faz os relacionamentos darem
certo. Tradução de Gilson César Cardoso de Sousa. 3ª. ed. São Paulo: Cutrix, 2002.
297 páginas.

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