Você está na página 1de 81
Ops i-TE81 VIONGOaY V perfodo posterior A abdicagio de Dom Pedro I é chamado de Regéncia porque nele o pais foi regido por figuras politicas em nome do imperador até a maioridade antecipada deste, em 1840. A principio os regentes eram trés, passando a ser apenas um, a partir de 1834. O perfodo regencial foi um dos mais agitados da hist6ria politica do pais também um dos mais importantes. Naqueles anos, esteve em jogo a unidade territorial do Brasil, e 0 centro do debate politico foi dominado pelos temas da centralizagio ou descentralizagio do poder, do grau de autonomia das provincias e da organizagio das Forgas Armadas. As reformas realizadas pelos regentes sio um bom exemplo das dificul- dades em se adotar uma pratica liberal que fugisse aos males do absolutismo. Nas condigGes brasileiras da época, muitas medidas destinadas a dar alguma flexibilidade ao sistema politico e a garantir as liberdades individuais aca- baram resultando em violentos choques entre as elites ¢ no predominio do -imteresse de grupos locais. Nem tudo se decidiu na época regencial. Podemos mesmo prolongar a periodizagio por dez anos e dizer que s6 por volta de 1850 a Monarquia centralizada se consolidou, quando as tiltimas rebelides provinciais cessaram. 162 HISTORIA DO BRASIL Um ponto importante a ser ressaltado para a compreensio das difi- culdades desse perfodo € 0 de que, entre as classes € os grupos dominantes, nfo havia consenso sobre qual o arranjo institucional mais conveniente para seus interesses. Mais ainda, ndo havia clareza sobre’o papel do Estado como organizador dos interesses gerais dominantes, tendo para isso de sacrificar em certas circunstancias interesses especificos de um detetminado setor social. A tendéncia politica vencedora apés 0 7 de abril foi a dos liberais mo- derados, que se organizaram de acordo com a tradigio magénica na Sociedade Defensora da Liberdade e Independéncia Nacional. Entre eles, havia uma alta proporgio de politicos de Minas, Sao Paulo ¢ do Rio de Janeiro, Havia também uma presenga significativa de padres e alguns graduados por Coimbra. Muitos eram proprietérios de terras e de escravos. Foram nomes de destaque entre os liberais moderados: Bernardo Pereira de Vasconcelos, magistrado mineiro educado em Coimbra; o Padre Diogo Feijé, nascido em Sio Paulo e futuro regente; e Evaristo da Veiga, responsavel pela edigdo no Rio de Janeiro da Aurora Fluminense, 0 mais importante jornal liberal de seu tempo. Na oposigio, ficavam, de um lado, os “exaltados”, ¢ de outro, os abso- lutistas. Os exaltados defendiam a federagdo, ou seja, a efetiva autonomia das provincias, e as liberdades individuais; alguns, como Cipriano Barata e Borges da Fonseca, eram adeptos da Republica. Os absolutistas chamados de “cara- murus”, muitos deles portugueses, com postos na burocracia, no Exército € no alto comércio, lutavam pela volta ao trono de Dom Pedro I. Os sonhos res- tauradores no duraram muito, pois Dom Pedro I morreu em Portugal em 1834, Nao faltavam apelidos depreciativos para os portugueses, variando ape-" nas de acordo com a época e a regio: “marinheiros”, “pés-de-chumbo”, “marotos”, “caramurus”, Em represdlia, eles chamavam os brasileiros de “cabras”. 4.1, AS REFORMAS INSTITUCIONAIS As reformas do periodo regencial, entre outros pontos, trataram de su- primir ou diminuir as atribuigées de 6rgdos da Monarquia e criar uma nova forma de organizagdo militar, que reduzisse o papel do Exército.