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OdisseiA ISSN: 1983-2435

Linguagem Verbal, Linguagem Visual: Reflexões teóricas sobre a


perspectiva Sócio-Semiótica da Linguística Sistêmico-Funcional
Verbal Language, Visual Language: Theoretical reflections on the
Socio-Semiotic perspective of Systemic-Functional Linguistics

Monica Maria Pereira da Silva *


monicamariaps@hotmail.com
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba

Danielle Barbosa Lins de Almeida**


danielle.almeida@gmail.com
Universidade Federal da Paraíba
___________________________________

RESUMO:
Pensar em funcionalismo como abordagem teórica que ampara a concepção de
linguagem é criar um espaço para discussão do que a língua e seu uso vêm
desencadeando no cenário linguístico. Neste sentido, o presente artigo apresenta
alguns dos conceitos voltados para a significação da relação texto-imagem no
contexto da Semiótica Social, e que diz, sobretudo, respeito aos seus aspectos
multimodais, buscando compreender o caminho percorrido até a efetivação da
concepção da multimodalidade. Para tal, abordaremos os fundamentos que
nortearam a categorização das metafunções desenvolvidas por Halliday (1978),
sistematizadas na Gramática Sistêmico-Funcional, basilares para a constituição da
Gramática do Design Visual (1996).
PALAVRAS-CHAVE: Funcionalismo. Semiótica Social. Multimodalidade. Gramática
do Design Visual.

ABSTRACT:
To think of functionalism as a theoretical approach that revolves around the
conception of language is to create a space for the discussion of how language and
its use have influenced the linguistic scenario. In this sense, the present article
presents some of the concepts involving text-image relationships in the context of the
field of Social Semiotics, by mainly focusing on its multimodal aspects, as a way to
understand the trajectory behind the development of the concept of multimodality.
The discussion will be mainly triggered by an introduction to the categorization of the
metafunctions developed by Halliday (1978), systematized in his Systemic-Functional
Grammar (SFG), prior to the construction of the Grammar of Visual Design (1996).
KEYWORDS: Functionalism. Social Semiotics. Multimodality. Grammar of Visual
Design.

*
Doutora em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística (Proling/UFPB) e
professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia da Paraíba.
**
Doutora pela Pós-Graduação em Inglês (PGI) da Universidade Federal de Santa Catarina (2006).
Atua como Professora do Departamento de Línguas Estrangeiras Modernas (DLEM) e na Pós-
Graduação em Linguística (PROLING) da Universidade Federal da Paraíba.

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vez, também é responsável pela seleção desses dispositivos, o que o torna um


receptor e um reprodutor social do discurso. Nesses dois polos em que o discurso se
configura, ora como objeto produzido, ora como objeto recebido, o contexto, a
vivência e as experiências sociais dos indivíduos têm influência direta na
compreensão e aceitação do que, inicialmente, foi articulado pelo produtor do
discurso e percebido pelo receptor, respectivamente.
Nesses termos, os estudos da Semiótica Social voltados para a
multimodalidade ganham força representativa a partir das pesquisas e publicações
de Hodge e Kress (1988). Amparados nas concepções de Halliday (1978), Hodge e
Kress tecem críticas ao pensamento da semiótica tradicional e propõem um olhar em
que a análise das estruturas seja feita a partir do prisma social no qual os
significados são construídos, considerando desde os processos de produção,
reprodução e circulação dos significados até os elementos sociais que perpassam os
agentes do discurso.
É importante destacar, também, que os estudos da Semiótica Social ganham
força e sustentação em razão da forte influência do trabalho publicado por Michael
Halliday (1978), intitulado, originalmente, de Language as social semiotic: the social
interpretation of language and meaning. Nele, o autor expressa claramente seu
pensamento funcionalista e estabelece bases teóricas que, mais tarde, serviram de
base para a teoria linguística da perspectiva funcional da linguagem. Assim, a
Semiótica Social tem como prisma para análise e entendimento do signo a
perspectiva funcionalista da linguagem.

1 A semiótica social e a multimodalidade

Em 1996, Kress e van Leeuwen, no livro publicado sob o título original


Reading Images: the Grammar of Visual Design ([1996] 2006), ampliaram as
discussões apresentadas por Halliday para os signos linguísticos verbais e incluíram
a essa vertente teórica o olhar para os dispositivos visuais, pensados como signos
não verbais aplicados a diferentes modos de comunicação, momento em que se
fortaleceu o conceito de multimodalidade. Nessa mesma perspectiva, Hodge e
Kress, em Social Semiotics (1988), retomaram as discussões acerca dos
direcionamentos teóricos para a ênfase dada à linguagem em outros sistemas
semióticos.
A partir dessa concepção, podemos ampliar nossa reflexão e compreender

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Além de investigar os recursos semióticos da língua, a Semiótica Social ocupa-se da


reflexão acerca do aparecimento e desenvolvimento de novos recursos semióticos
em contextos específicos, bem como contribuir para o desenvolvimento de novas
formas de uso dos recursos existentes. Os estudos dessa corrente têm sido
modificados e o foco de seu objeto vem saindo dos “signos” para o meio em que as
pessoas usam os recursos semióticos.
Entendemos que as regras semióticas pensadas na perspectiva da Semiótica
Social, diferentemente do Estruturalismo, não são determinadas por regras fixas da
língua. Assim, defendemos que, se a regra é pré-estabelecida pelo indivíduo, pode,
portanto, ser modificada por ele, uma vez que são normas naturais da linguagem.
Mesmo diante dessa flexibilidade para mudanças das regras, há duas condições
para que elas aconteçam. A primeira diz que toda e qualquer mudança é
determinada por alguém que tenha poder para modificá-la e que seja aprovada por
um grupo social. A segunda condição ocorre quando há diferentes tipos de regras e
formas de modificá-las, ou seja, não significa que, em alguma situação, uma
determinada regra do uso dos signos diante de peculiaridades de situações, pode
sofrer modificações. Assim, podemos constatar que a Semiótica Social não descarta
as regras, mas descreve como o uso semiótico ocorre em certos contextos,
explicitando e detalhando as regras nas quais são aplicadas. É importante ressaltar
que essas regras devem ser consideradas a partir do uso.

2 Multimodalidade e a gramática do design visual

A modalidade visual compõe seus sentidos por meio de uma sintaxe


imagética dentro de um contexto linguístico. O que é expresso na linguagem verbal,
produzido por meio de textos, por meio da escolha entre diferentes classes de
palavras numa estrutura sintática é, na composição visual, expresso por meio da
escolha entre diferentes usos, imagens, cores, layouts, ou diferentes estruturas de
composição. Isso comprova que os significados atribuídos aos textos são resultantes
da leitura do conjunto dos modos semióticos e da compreensão das modalidades
verbal e visual neles presentes.
Podemos observar os elementos visuais a partir de uma perspectiva
ideológica que permite reconhecer a transformação por que passa a sociedade, por
meio de representações impressas, por vezes indiretamente, na exposição de ideias
e ideologias como forma de manifestação social, cultural e histórica. Essa prática de

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refeitos; todos os modos, para realizar as funções sociais, são influenciados pelos
usos sociais, culturais e históricos; os significados dos signos derivados dos
recursos semióticos são regulados por normas e regras do grupo semiótico do qual
fazem parte, de acordo com a intenção e com o contexto em que o produtor do signo
está inserido.
Dessa forma, ao escolher um ou outro recurso multimodal, o produtor do texto
imprime sua intenção na mesma intensidade em que um vocábulo é determinado
para materializar um pensamento. Por essa razão, torna-se de fundamental
importância reconhecer esses recursos em seus diferentes modos de representação
para fins de análise e reconhecimento do texto como um todo.

3 Intersecções entre a linguística sistêmico-funcional e a gramática do design


visual

Halliday (1970, 1973a, 1973b, 1977, 1978) destina seus estudos a apresentar
uma proposta de funções da linguagem que são denominadas como metafunções,
as quais são a razão de a vertente teórica estar fundamentada na ideia de que a
teoria funcionalista deva ser não somente extrínseca, mas também que se reflita a
partir da organização interna da língua. Assim, a funcionalidade da língua é
construída com base na estrutura linguística e pela organização semântica e, como
não dizer, sintática.
Halliday (1978) nos apresenta a classificação das metafunções em função
ideacional, que está relacionada à expressão do conteúdo na qual os interlocutores
incorporam suas experiências do mundo real e é subdividida em experiencial e
lógica; em função interpessoal, que se refere ao posicionamento do falante e ao
papel comunicativo que este assume de forma a expressar tanto o mundo interno
quanto o externo do indivíduo e está subdividida em interacional e pessoal; e, por
fim, a função textual, que diz respeito ao texto, referindo-se à organização da frase
tanto na estrutura interna como dentro do contexto.
Baseado nessa classificação das funções enquadradas pela teoria da
Linguística Sistêmico-Funcional, Halliday (1978) constitui a Gramática Sistêmico-
Funcional (GSF) para categorizar o texto verbal nas metafunções já apresentadas.
Assim, a GSF passa a ser um instrumento para análise e compreensão da função da
linguagem a partir de um prisma sistêmico e funcionalista, embora Halliday tenha
esclarecido que os estudos, ora apresentados, são muito mais de caráter

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45
OdisseiA ISSN: 1983-2435

Ator Vetor Meta


Quadro 2 – Ação transacional.

Segundo Kress e van Leeuwen ([1996] 2006), os papéis de ator e de meta


podem alternar dentro do processo transacional, ou seja, os participantes podem
exercer funções de ator e de meta no mesmo processo narrativo. Esses papéis se
invertem quando o que era meta passa a ser ator e, por estabelecerem uma relação
de interação pela troca de papéis, são denominados como interatores. Por essa
razão, essa estrutura, também, pode ser chamada de bidirecional.

Há, ainda, casos em que as ações narrativas visuais apresentam apenas um


participante envolvido, de modo que a ação não é dirigida a nenhum outro
participante ou meta. Essa estrutura é chamada de não-transacional por apresentar,
assim, apenas o ator seguido de uma estrutura em que se é possível constatar o
vetor, no entanto, não apresenta a meta, e pode ser representada da seguinte
forma:

Ator Vetor
Quadro 3– Ação não-transacional.

Nesse sentido, a ação não-transacional se configura pela indefinição a que o


alvo se destina. Mesmo sem a presença de uma meta, podemos reconhecer uma
ação praticada pelo ator na perspectiva da narrativa.
Os processos de reação são definidos quando, uma vez estabelecida uma
ação, o participante toma como ponto de partida o seu olhar em direção a algo ou
alguém, um participante. Nesse caso, o participante não será considerado como
ator, e sim, como reator, por gerar uma reação à ação antes estabelecida. A reação
também pode ser transacional ou não-transacional, dependendo da verificação do
alvo do olhar, ou seja, quando é possível definir o alvo do olhar do reator, temos a
reação transacional e o alvo será considerado como fenômeno e não meta, como
nas ações.

Odisseia, Natal, RN, v. 3, n. 1, p. 36-56, jan.-jun. 2018 46


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47
OdisseiA ISSN: 1983-2435

Na representação conceitual classificacional, por não haver vetores, os


participantes estabelecem relação entre eles de forma taxonômica, ou seja, os
participantes são apresentados como representantes de um determinado grupo ou
categoria, definidos por características comuns aos elementos classificados e à
classe a que pertencem. Assim, ao realizar classificações, entende-se que exista,
pelo menos, um participante fazendo papel de subordinado e pelo menos outro
fazendo papel de subordinador.
No processo conceitual analítico, a relação entre participantes é
representada segundo uma estrutura que relaciona a parte com o todo. Por meio
dessa relação estabelecida entre esses componentes imagéticos, compreende-se
que a representação ocorre com base na definição de o todo como o portador e as
partes como atributos possessivos. Nesse processo, a leitura da imagem não requer
uma linearidade em relação aos atributos, uma vez que a disposição conceitual dos
elementos pode alterar o sentido de acordo com a escolha do leitor em tomar as
partes ou o todo como ponto de partida. Ainda, a representação conceitual analítica
pode ser subdividida em estruturada, quando há a presença de elementos
descritivos em relação às partes, ou desestruturada, quando não há especificação
da relação existente entre a parte e o todo.
O processo conceitual simbólico refere-se ao que o participante significa
ou o que ele é. Nessa representação, o participante representado é evidenciado por
meio de uso de recursos que dão destaque à classificação do participante como, por
exemplo, tamanho, fonte, iluminação, posicionamento na imagem como um todo.
Kress e van Leeuwen ([1996] 2006) definem esses recursos como sendo a relação
entre o portador, o participante representado, e os seus atributos, que podem ser
possessivos ou sugestivos. Nessa perspectiva, a imagem sugere algo, não
necessariamente o significado literal do participante, por isso é simbólico: sugestivo
simbólico.
A metafunção interativa é definida a partir da relação existente entre o
observador e o elemento observado componente da estrutura imagética. É por meio
dessa metafunção que identificamos os aspectos que permeiam a relação do
participante representado na imagem e o leitor, aqui considerado, também, como
participante, uma vez que se reconhece que há uma relação estabelecida, mesmo
que não explícita. Como meio de categorizar essa metafunção, quatro são os

Odisseia, Natal, RN, v. 3, n. 1, p. 36-56, jan.-jun. 2018 48


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49
OdisseiA ISSN: 1983-2435

leitor, observador da imagem. Observa-se que, quanto maior o plano de


enquadramento, ou seja, o plano aberto, maior o distanciamento e menor o nível de
intimidade entre os participantes.

Plano <
fechado
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...
Plano médio socia
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>
Plano aberto

Figura 3 – Esquema da relação do enquadramento e a distância social, adaptado da GDV (1996) (SILVA, 2016).
.

Nessa perspectiva, entendemos que, se o produtor do texto imagético tiver a


intenção de criar, estabelecer maior nível de envolvimento do observador com o
participante representado, a imagem terá maior aproximação no enquadramento,
sendo assim, uma imagem em plano fechado, e proporcionando, então, menos
distanciamento social entre os participantes. Para delimitar os pontos de
enquadramento, a GDV apresenta os seguintes parâmetros de representação do
participante na estrutura imagética:
• plano fechado (close shot): inclui retratar, aproximadamente, até a cabeça
e os ombros do participante representado;
• plano médio (medium shot): inclui a imagem até o joelho;
• plano aberto (long shot): corresponde a uma representação ainda mais
ampla, por exemplo, todo o corpo do participante.
A terceira categoria da metafunção interativa é determinada pela
perspectiva, ou seja, é expressa pelo ângulo em que os participantes
representados são mostrados na estrutura visual. Assim como as categorias de
análise citadas anteriormente, é por meio do ângulo em que o participante é
apresentado na imagem que se estabelece um maior ou menor nível de
envolvimento entre eles: o representado e o interativo; porém, neste caso, a relação
é permeada pelo poder que o representado exerce sobre o observador. Para fins de
análise, a perspectiva é classificada como ângulo frontal, ângulo oblíquo e ângulo
vertical, sendo eles:

Odisseia, Natal, RN, v. 3, n. 1, p. 36-56, jan.-jun. 2018 50


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).

53
OdisseiA ISSN: 1983-2435

Com base na perspectiva apresentada por Kress e van Leeuwen ([1996]


2006), entendemos que o grau de relevância de um determinado elemento em uma
composição imagética, ou seja, o seu valor informativo, é possível a partir da
disposição desse elemento no texto. Tomando o esquema apresentado na Figura 5
como base para nossas considerações, reconhecemos que a informação
apresentada no canto superior direito possui maior grau de relevância em relação
aos demais elementos. Dessa forma, o ponto A, representado na imagem, possuirá
maior valor informativo do que o ponto B. Por essa razão, ao dispor um elemento no
referido quadrante da imagem, o produtor do texto estará dando a essa informação
um alto valor informativo, como indica a seta que representa o grau de relevância
presente no esquema. Da mesma forma, ao distanciar desse ponto central e avançar
para a margem do texto, em especial, a margem do quadrante inferior esquerdo,
será atribuído a essa informação um baixo valor informativo.
Realizada pelos efeitos de tamanho, cores e localização no primeiro plano,
moldura distintiva e profundidade de foco, a saliência refere-se à ênfase dada a
certos elementos em relação a outros na imagem. Por isso, o grau de importância ou
relevância de uma determinada informação se dá em razão do uso desses atributos.
Assim, os elementos poderão ser realçados na medida em que são construídos,
tendo como artifício de produção a intensificação da cor, do contraste, da
superposição em relação a outros elementos, entre outros.
Nessa perspectiva, entendemos que a escolha de um ou outro artifício que
resulte na composição imagética a ênfase a um determinado elemento, pode ser
considerada uma estratégia do produtor da imagem, uma vez que, em relação à
estrutura do texto, a imagem propriamente dita, a relevância por que passa um
elemento, ocorre em razão da necessidade de chamar atenção a uma informação
considerada, pelo elaborador do texto, como mais importante em detrimento das
demais. Portanto, essa estratégia seria a força argumentativa para atribuir maior
grau de importância e, dessa forma, despertar no observador essa intenção do
produtor da imagem.
A estruturação diz respeito à presença ou à ausência de objetos interligados,
ou seja, é o nível de conexão entre os elementos da composição imagética. Por isso,
as identidades visuais podem se relacionar quando estão conectadas ou podem
estar separadas na medida em que não possuem mecanismos que possibilitem a

Odisseia, Natal, RN, v. 3, n. 1, p. 36-56, jan.-jun. 2018 54


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Recebido em 31/08/2017
Aceito em 18/01/2018
Publicado em 25/01/2018

Odisseia, Natal, RN, v. 3, n. 1, p. 36-56, jan.-jun. 2018 56