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CONFLITOS, INTEGRAÇÃO E MUDANÇAS SOCIAIS.

O PAPEL DAS
NORMAS JURÍDICAS.
Petrolina, 15 de junho de 2019.

Lyndon Johonsons Barbosa Santana

Direito Turma A noite.

CONFLITOS, INTEGRAÇÃO E MUDANÇAS SOCIAIS. O PAPEL DAS


NORMAS JURÍDICAS.
Trabalho de resumo do capitulo 04, p.
82-127 do Livro de Ana Lucia Sabadell
curso de graduação em Direito.
Docente: Celso Frabnça.

Petrolina, 15 de junho de 2019.

Conflitos, integração e mudanças sociais: O papel das normas jurídicas.

O autor inicia o texto definindo sociologia, de modo geral como sendo a


“ciência da sociedade”, explanando que de forma mais objetiva é a ciência que examina o
comportamento humano no âmbito social, com interesse especial pelos comportamentos
existentes na sociedade.

Esses modelos acabam por tornarem-se os padrões da construção da


realidade social, e são importantes para compreender as relações sociais, em especial no
tocante as relações de conflito e das mudanças sociais. A ordem social não se realiza sem
que sujem conflitos relativos às regras sociais, e é neste ponto que a sociologia se
encontra com o direito, e o objetivo é estabelecer regras em comum, coerentes e
explícitas para o bom ordenamento social, é a sociologia jurídica que estuda este detalhe.

As principais teorias sociológicas modernas são do tipo macrossociológicas


(Sociologia que estuda a sociedade globalmente, em suas principais estruturas:
econômicas, ideológicas etc), ou seja, interessa-se prioritariamente pela interação pelo
complexo social como um todo, e não apenas, ou prioritariamente pela interação entre o
indivíduo e pequenos grupos.

São duas as principais teorias sociológicas neste âmbito (espaço que


circunda, rodeia, envolve; periferia), a funcionalista ou teoria da integração, que se divide
em varias correntes, essa teoria vê a sociedade como uma espécie de máquina que
distribui seus papeis sociais como sendo peças dessa máquina, que fazem que com que
ela funcione de forma adequada. E a finalidade é sua reprodução por meio deste
funcionamento perfeito. Ou seja, os indivíduos devem obedecer e respeitar essas regras e
objetivos para sua integração.

Quando ocorre alguma falha ou falta, esta teoria vê como sendo uma
disfunção e é o que gera o conflito. Toda mudança social por gerar um conflito é visto
como uma disfunção.

Esse seria o ponto fraco desta teoria, pois veria a sociedade como um
sistema harmônico e interpreta qualquer crise como uma disfunção, por isso essa teoria é
considerada uma teoria estática e que não consegue interpretar os processos sociais
fundamentais, fazendo apenas uma discrição superficial.

Outra teoria seria a do conflito social, tanto as marxistas quanto as liberais, vê


que na sociedade existem grupos sociais com interesses opostos, que se
encontrando em situação de desigualdade, e a ideologia de cada um sendo oposta
ou conflitante gera a crise e os conflitos de interesses, para essa teoria as crises e
mudanças sociais são consideradas normais, e a estabilidade seria uma exceção
dentro do contexto geral.

Segundo MARX: “o direito apenas confirma e fortalece as relações sociais, aplicando


regras a situações preexistentes. Marx observou que o direito desenvolvido na sociedade
capitalista estabelece normas universais e uniformes para normas universais e uniformes para
sujeitos desiguais, perpetuando assim as diferenças sociais, baseadas na exploração do
trabalho das classes populares pelos detentores de capital.”

Conceito de anomia.

O jurista sociológico trabalha com o conceito de anomia, que em si significa


ausência de lei, atualmente tem três principais interpretações, situação de transgressão das
normas, conflito entre normas que estabelecem exigências contraditórias e a falta de
normas em geral.

Mas também pode significar mudança social e permite assim estudar uma
situação transitória, por exemplo, o que aconteceu na década de 60 quando eram
contestados os padrões sexuais, morais, políticos e culturais da sociedade pelo
movimento hippie.
Três pensadores em especial estudaram a anomia, Guyau, Durkeheim e Merton.

Para Guyau, anomia é a rejeição o dogmatismo e as autoridades, especialmente as


religiosas. Indica a existência de uma moral desvinculada de regras sociais.

“O conceito da anomia é introduzido para indicar a existência de uma moral desvinculada


de regras sociais. Por esse motivo, define anomia como ausência de lei fixa e a considera como um
elemento positivo que liberta os indivíduos, em contraposição a qualquer lei que é considerada
como universal e oprime a liberdade individual.”

Para Durkheim, anomia é um estado de desregramento, falta de regulamentação,


uma situação na qual a sociedade não desempenha seu papel de moderadora das relações
sociais, não orienta nem limita a atividade do indivíduo.

Para Merton, anomia através de vários estudos constata várias etapas do processo
de anomia, que vai da conformidade com as normas sociais á rebelião contra essas regras
estabelecidas, e através da combinação dessas etapas, definindo de sociedade anomica
quando essa sociedade acentua a importância de determinadas regras ou metas sem
oferecer aos seus membros condições de chegar a elas, por exemplo define-se que deve
ser rico, mas nem todos podem ser ricos.

O estudo ad anomia é importante para o estudo do direito e da jurisprudência e


para a sociologia jurídica porque ela ´pode indicar a ineficácia jurídica:

1- O não cumprimento do preceito legal.


Quando o individuo aceita as normas apesar de aceitá-la (ineficácia não anômica ),
“A anomia é um estado de falta de objetivos e regras e de perda de identidade,
provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno.”

2- Descumprimento de norma que o individuo considera inadequada ou injusta.


Exemplo são os atos terroristas políticos.

Essa postura de comportamento anômico exige do Estado uma postura, que


vai desde endurecer as normas e manter a mesma normativa, realizar mudanças
legislativas revogando ou modificando normas para tentar harmonizar o direito e os
valores sociais, fazer propaganda moral ou intensificar a repressão.
Ao se estudar a anomia nota-se que o processo de integração social do individuo
não acontece sem que aconteça conflitos e problemas, devido as diferenças de opiniões e
de interesses, e essas transformações que se realizam por meio desses conflitos podem ser
totais ou parciais, lentas ou rápidas, é um processo dinâmico.

Fica evidente que as mudanças sociais relacionam-se com mudanças do direito.

Uma pergunta simples prova esse raciocínio, é o contexto social (sistema de


produção, cultura, interesses, ideologias, forças politicas, etc.), que determina o direito ou
é o direito que determina a evolução social?

Existem varias correntes que respondem de forma diversa a esta pergunta.

Tem a corrente que diz que é o contexto sociocultural quem dita as normas do
direito, ou seja, é a sociedade que dita o direito que lhe convém.

E outra vertente diz que o direito é um fator que determina os processos


sociais.A primeira é chamada de visão realista e a segunda de idealista.

O autor do texto considera ainda uma terceira, mediadora das duas primeiras,
onde o direito é um produto do contexto sociocultural, exercendo um papel tanto ativo
quanto passivo, determinando assim o contexto social, identificando as pressões do grupo
social que exercem poder e determinando as normas ou regras sociais harmonizadoras
dos conflitos e interesses.

O direito muda com a evolução histórica, e assim modifica as relações sociais. E


a tradição jurídica de cada pais determina seu grau e profundidade, mas a temporalidade
também influencia.

O ritmo de mudança do direito é dependente de fatores gerais, tipo da natureza


do sistema e da conformidade da sociedade ao qual se adequa, também ao grau de
conflito dos grupos sociais divergentes.

O sociólogo do direito consegue medir o impacto das normas jurídicas ao fazer


pesquisa de opinião, para saber o como se da os posicionamentos dos indivíduos frente às
normas, dai a importância dos conceitos abordados para a compreensão do verdadeiro
impacto do direito como fator de mudança social.
“Fundamenta-se na ideia de que uma vontade exprimida por meio de um mandamento.
Em posição contrária situam-se os autores que entendem que o direito é um fator determinante
dos processos sociais. Os autores que adotam esta perspectiva entendem que o direito possui a
capacidade de determinar o contexto social, de atuar sobre a realidade e de mudá-la. Por
exemplo, uma lei sobre um novo problema social, ou uma mudança nas normas promovida por
um novo governo, poderá conseguir impor aos membros de uma comunidade novos tipos de
comportamento. Dinâmico em outras palavras, o direito exerce um duplo papel dentro da
sociedade: ativo e passivo. Ele atua como um fator determinante da realidade social e, ao mesmo
tempo, como um elemento determinado por esta realidade. Dentro deste contexto identificam-
se as pressões dos grupos de poder que podem induzir tanto para que se dê a elaboração de
determinadas regras, bem como para que as regras em vigor não sejam cumpridas, levando a um
processo de anomia generalizado.O direito é, em geral, configurado por interesses e necessidades
sociais, ou seja, é produto de um contexto sociocultural. Isto não impede que o mesmo possa
influir sobre a situação social, assumindo um papel dinâmico. Em outras palavras, o direito exerce
um duplo papel dentro da sociedade: ativo e passivo. Ele atua como um fator determinante da
realidade social e, ao mesmo tempo, como um elemento determinado por esta realidade. Dentro
deste contexto identificam-se as pressões dos grupos de poder que podem induzir tanto para que se
dê a elaboração de determinadas regras, bem como para que as regras em vigor não sejam
cumpridas, levando a um processo de anomia generalizado.”