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FORMAS FARMACÊUTICAS

Operação farmacêutica propriamente dita

As operações farmacêuticas propriamente ditas são aquelas que se praticam com


o objetivo de transformar um fármaco numa forma farmacêutica.Assim, para obtermos
um pó a partir de uma droga de natureza vegetal teremos que a submeter, previamente, a
uma série de tratamentos, como a monda, secagem e divisão grosseira e só então ela
estará apta a ser pulverizada mediante um processo adequado. Além disso, para que o pó
a obter apresente as características de tenuidade requeridas, aquele terá que ser
submetido à tamisação.
Observa-se no exemplo dado que algumas das operações citadas precedem a
redução da droga a pó, ao passo que a tamisação só se aplica à droga já dividida.
Portanto é costume dividir as operações farmacêuticas, independentemente da sua
natureza em operações preliminares, operações principais e operações acessórias.Assim,
ao fazermos a pulverização de uma droga esta será a operação principal, enquanto que a
monda, a secagem e a divisão grosseira serão operações preliminares. A tamisação,
como é evidente, representará a operação complementar.
Consideradas na generalidade, as operações farmacêuticas propriamente ditas
podem dividir-se em dois grandes grupos: as operações mecânicas e as operações
físicas.
Entende-se por operações mecânicas todas aquelas que apenas modificam o
aspecto exterior das drogas sem no entanto alterarem o seu estado físico ou constituição
química .Conforme o objetivo a que conduzem, podem considerar-se dois
grupos:operações de separação e de divisão.

Triagem ou monda – é uma operação mecânica que se pratica para separar as


partes inertes ou alteradas que acompanham, por vezes as drogas principalmente as de
origem vegetal ou ainda para eliminar as substâncias estranhas fraudulentamente ou não
adicionadas àquelas
.
Tamisação- é uma operação destinada a separar, mecanicamente, através das
malhas de um tecido apropriado, partículas sólidas com diferentes dimensões.

.
Separação de sólidos de líquidos ou de líquidos imiscíveis

Decantação

Trata-se de uma operação mecânica que tem por fim separar um líquido
sobrenadante de um sólido ou de um líquido. Para que tal separação se possa realizar é
condição necessária que o sólido se tenha depositado, previamente, no fundo do vaso
contendo a mistura a decantar, ou, no caso de dois líquidos, que estes sejam imiscíveis e
se disponham em camadas perfeitamente separadas, de acordo com as respectivas
densidades.

Centrifugação
É uma operação destinada a separar sólidos de líquidos ou líquidos não miscíveis.
Efetua-se utilizando aparelhos especiais, as centrífugas, as quais fazem a separação, por
meio de força centrífuga, de duas ou mais substâncias de densidades diferentes devendo
um delas ser necessariamente um líquido.
Filtração

A filtração é a separação das partículas sólidas em suspensão num líquido por


efeito de uma pressão sobre uma superfície porosa, ficando o sólido retido e passando o
líquido através das aberturas do septo filtrante.

Pulverização- origina produtos muito mais finamente divididos, implicando muitas


vezes na obtenção de partículas com dimensões bem determinadas.
A pulverização pratica-se com o fim de reduzir uma substância a pó,
entendendo-se por pó do ponto de vista farmacêutico o conjunto de partículas sólidas
resultantes da divisão de uma droga, as quais apresentam dimensões variáveis de acordo
com a classe de pó, mantendo, porém, dentro de cada uma, grande homogeneidade.

DIVISÃO DE LÍQUIDO OU EMULSIFICAÇÃO

A divisão de um líquido em pequenas gotículas só pode realizar-se `a custa de


um intermédio, o qual terá a dupla finalidade de facilitar a divisão propriamente dita e
de manter as gotículas afastadas umas das outras interpondo-se entre elas.
Deste modo, a divisão de um líquido implica a formação de um sistema disperso
em que a fase interna ou dispersa será, necessariamente, representada pelo líquido
dividido, podendo a fase externa ser um sólido, um líquido ou um gás. Quando , porém,
ambas as fases são líquidas, o ato de dispersar uma na outra representa uma
emulsificação e pode originar um forma farmacêutica denominada de emulsão.

Emulsão

É um sistema heterogêneo constituído pelo menos por um líquido imiscível


intimamente disperso num outro líquido sob a forma de gotículas, cujo diâmetro em
geral excede 0,1 μ. Tais sistemas apresentam um mínimo de estabilidade, a qual pode
ser aumentada pela adição de certas substâncias, como os agentes tensoativos, sólidos
finamente divididos etc
Este conceito de emulsões distingui-se das demais por salientar que toda a
emulsão deve apresentar uma certa estabilidade, a qual constitui uma das propriedades
fundamentais destes produtos, além de se referir, ainda, a algumas substâncias capazes
de a tornarem mais duradoura e portanto aumentarem o período de vida destes sistemas
dispersos.
Só haverá emulsão quando um líquido estiver dividido em pequeníssimos
glóbulos no seio de um outro. Teremos, assim, que a fase que se apresenta dividida
constitui a fase interna, dispersa ou descontínua, ao passo que o líquido que rodeia as
gotículas da fase dispersa recebe o nome de fase externa, dispersante ou contínua. Além
disso, em quase todas as emulsões figura um terceiro componente, denominado agente
emulsivo, o qual concorre para tornar a emulsão mais estável, pois se interpõe entre as
fases dispersa e dispersante, retardando, assim, a sua separação, e que constitui a
interfase.
Como os dois componentes básicos de uma emulsão são a água e o óleo ou uma
substância lipossolúvel, poderemos classificar as emulsões em dois tipos distintos, de
acordo com a natureza da respectiva fase dispersa. Assim, se o óleo constitui a fase
dispersa estaremos perante uma emulsão óleo/água, O/A, sendo a emulsão do tipo
água/óleo (A/O) se se verificar o inverso.

Maceração

É uma técnica de extração em que a droga e o solvente são postos em contato,


durante certo tempo à temperatura ambiente, obtendo-se , deste modo, uma solução
extrativa denominada de macerado.
A maceração utiliza-se especialmente na extração de drogas com uma estrutura
pouco compacta e, por conseguinte facilmente permeáveis aos líquidos e quando os seus
princípios sejam solúveis a frio ou alteráveis pela ação do calor.

A digestão difere da maceração por ser executada numa temperatura de 35 a 40°C. Esta
circunstância incrementa nitidamente a capacidade extrativa do solvente, pois acontece
que a elevação da temperatura não só aumenta em regra, a solubilidade dos princípios
existentes na droga a extrair, como, também, favorece os fenômenos da difusão por
diminuir a viscosidade do solvente.

DROGA, FÁRMACO E MEDICAMENTO.

DROGA

Produto simples ou complexo que pode servir como matéria-prima de uso farmacêutico,
químico e outros. Assim fala-se do mel, da cera, da banha, da beladona, do fenol, do
cobre.

FÁRMACO

Todas as drogas utilizadas em farmácia e dotadas de ação farmacológica

MEDICAMENTO

Toda a substância que administrada convenientemente ao organismo enfermo possa


aliviar ou curar o se estado patológico.

Qualquer substância simples ou complexa que aplicada no interior ou no exterior do


corpo do homem ou do animal possa produzir efeito curativo ou preventivo.

Toda a substância ou conjunto de substâncias que se administrem com fins terapêuticos.

REMÉDIO

A palavra remédio é usada num sentido geral sendo aplicada a todos os meios usados
com o fim de prevenir ou de curar as doenças. Deste modo, são remédios não só os
medicamentos, mas também os agente de natureza física ou psíquica a que recorre na
terapêutica. A idéia de remédio não está ligada portanto `a composição farmacêutica que
constitui o medicamento.
Dependendo das circunstâncias e da quantidade administrada, um dado medicamento
pode tornar-se um veneno ou um alimento pode funcionar como agente de cura.

MEDICAMENTOS ALOPÁTICOS E HOMEOPÁTICOS

HIPÓCRATES, célebre medido, considerado como pai da Medicina, enunciou


duas teses que se aceitaram fundamental na arte de curar. O primeiro especificava: o
organismo cura a doença, o médico não é mais do que o seu intérprete auxiliando-º
A segunda teoria referia-se à aplicação dos medicamentos e era expresso por duas leis:
curar provocando uma ação diferente no corpo e curar provocando uma ação semelhante
no corpo.
Das duas leis citadas, nasceram dois sistemas terapêuticos, respectivamente
designados por alopatia e homeopatia. Os medicamentos utilizados nestes dois sistemas
tomam o nome de alopáticos e homeopáticos.
O conceito de Homeopatia foi introduzido em 1796 pelo médico alemão
SAMUEL HANEMANN. Baseado na lei de semelhança de Hipócrates, anunciou que
todo medicamento ativo provoca no organismo humano uma espécie de doença, tanto
mais peculiar, mais característica e mais intensa, quanto mais ativo é o
medicamento.Dizia ainda que deveria-se imitar a natureza, a qual às vezes cura uma
doença crônica por meio de outra doença que sobrevém posteriormente, na doença que
se pretende curar, deveria empregar-se um medicamento que fosse capaz de provocar
uma doença artificial semelhante a primeira.
Além desse princípios SAMUEL HANEMANN estabeleceu o princípio da
dinamização, o qual consiste em dividir ou diluir as substância medicamentosas com
matérias inertes de tal modo que seja possível graduar devidamente a potência da
contra-doença escolhida para curar a doença natural, de forma que somente chegue a
iniciar-se e não prejudique o corpo com desnecessária intensidade.