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Filme blasfemo imagina Brasil

evangélico com drive-thru de oração


e “orgias santas”
Cineasta diz que filme retrata “projeto de poder” dos evangélicos.

24 horas atrás
em
27 de junho de 2019
Por
Michael Caceres
P U B L I C I D A D E
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Elogiado por críticos de esquerda, o filme “Divino Amor” é um ataque franco contra os evangélicos, ou aquilo
que o cineasta pernambucano Gabriel Mascaro chama de “projeto de poder evangélico”. Ele admite ter recorrido
a ficção cientifica e pornografia para a composição do projeto.

“Me inspirei em uma transformação que aconteceu no meu bairro, em Recife, e que me chamou a atenção pro
projeto de poder evangélico. Quis levar isso para o cinema. Acabei recorrendo ao sci-fi e pornografia, que
possuem estéticas pouco lembradas, mas que podem dialogar com essa história”, disse em entrevista coletiva,
segundo o site Esquina da Cultura.

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A trama se passa no ano 2027, quando os evangélicos dominam o cenário nacional. O Carnaval não é mais
comemorado, mas sim a Festa do Amor Supremo, onde os atores satirizam os evangélicos dançando contra a
luz a espera da vinda de um messias, em uma “rave de Cristo”.

O filme apresenta os evangélicos como cidadãos em busca de poder e influência política, impondo costumes
que acabaram por destruir a cultura do Brasil. Ao invés de apresentar uma obra demonstrando os trabalhos
sociais e as mudanças positivas que a sociedade viveria com maioria evangélica, o cineasta criou uma
caricatura do que seria o país gospel.

A atriz Dira Paes encara o papel principal, onde uma evangélica chamada Joana e cuida de divórcios, procura
dissuadir os casais da separação. Com a burocrata atuando contra a dissolução de casamentos, o autor procura
fazer uma crítica sobre a laicidade do Estado, insinuando que seria errado o uso da profissão para aconselhar
pessoas.

Quando alcança resultados em seus aconselhamentos, a personagem leva as pessoas que atende para um
grupo de apoio de casais, onde versículos de Coríntios são lidos — onde fala sobre o amor que tudo sofre, crê,
espera e suporta.

No grupo a terapia consiste em um marido transar com a mulher do outro, destrocando no momento em que vão
ter um orgasmo, cena avaliada pela crítica como “suingue do Senhor”. A personagem principal também luta
para ter um filho, orando constantemente por esse desejo, sem a resposta divina.

“Venho de uma família de classe média baixa da periferia do Recife. Para mim, foi muito significativo ver a
paisagem do meu bairro se modificando a partir de uma igreja evangélica e ver meus amigos de infância se
convertendo”, diz Mascaro.

No longa “Divino Amor”, os evangélicos avançam no campo político para difundir valores, mas tudo isso
apresentado de forma crítica, insinuando uma tomada do Estado para imposição destes valores, assim como
transformação e uso da cultura para mudar toda a nação.

As cenas mais fortes são de sexualização do cristianismo, introduzindo rituais profanos para o que o autor
chama de “manutenção da família cristã”. “Eles percebem no filme que a sexualidade é fundamental para a
manutenção da família cristã. E é importante pensar em práticas de erotismo para alimentar isso”, afirma
Mascaro.
Em entrevista a Folha de São Paulo, o cineasta afirma que os evangélicos tem um “projeto hegemônico” e são
capazes de “se apropriar da cultura pop, da sedução”.
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