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CAVALCANTE, CLAUDIA V.

A importância da sociologia da infância e as práticas


pedagógicas: a criança como sujeito histórico e de direitos. Caderno de artigos:
infâncias, adolescências, juventudes e famílias – desafios contemporâneos. 1ª. Ed. –
Goiânia: Gráfica e Editora América, 2014 – Publicação CONANDA.

O artigo pretende mostrar a visão da sociologia sobre a criança e a infância, visto


que esses conceitos variam de acordo com o contexto onde essa categoria se constitui.
Desta mesma forma a concepção dos educadores frente à infância determina se estes
serão impositivos ou colaborativos com os alunos. Para uma pratica pedagógica
contemporânea é necessário que os professora fazem uma analise etnográfica e
interpretativa para que esteja disposto a ouvir o que as crianças tem a dizer sobre a
relação pedagógica.

Na idade media a criança até os 7 anos é considerada como irracional e após essa
idade é considerada como um adulto e passa a compor a sociedade adulta como um mini
adulto. Na idade moderna com a influencia da igreja católica, passa a cuidar e preparar ela
para a vida por meio de instituições criadas com esse intuito de formar futuros adultos. Na
idade contemporânea há o aprimoramento na maneira de organizar e oferecer educação a
sociedade e a idade passa a ser usada como regulador da sociedade tendo as crianças,
adolescentes, adultos e idosos. O sentimento de infância surgiu apenas na Modernidade
com o interesse de formar o adulto necessário para atender o modelo de sociedade da
época.

Na idade média independe da classe social haviam diferentes formas de


aprendizagem em todas as famílias. A ausência de cuidados com a higiene e a saúde das
crianças ocasionavam uma alta taxa de mortalidade e ainda haviam os infanticídios
cometidos pelas famílias que queriam crianças mais saudáveis e resistentes. Família era
uma formação social e não sentimental e por isso não existia amor materno. A morte das
crianças eram muitas vezes considerada como alivio e era comum que as crianças fossem
enviadas para outros para famílias educa-las e retornavam aos sete aos para compor a
vida familiar e do trabalho. No século 17 as igrejas exigiram do poder publico em não
aceitar o infanticídio de forma passiva e por isso passou a ser papel das amas e parteiras o
cuidado com o bebê. Passasse a ter maior zelo pelas crianças quanto saúde surgindo com
isso um sentimento de infância. As crianças passam a ser tratadas como um bicho de
estimação sendo paparicadas e ao final do século 17 surge o sentimento de apego.

A educação surge como meio de controle da infância primeiramente pela família e


depois pelas instituições a fim de prepara-los para a vida adulta. A relação adulto e criança
passa a ser modificada e com isso passa a existir a diferenciação de infância e vida adulta.

Com a defesa de que é preciso ter o controle dos “humores endoidecidos” das
crianças sugere-se o desenvolvimento da moral contento o espirito de disciplina, o espirito
de abnegação e autonomia da vontade criando-se normas e prescrições para realização
desses três elementos. A partir da idade moderna as crianças passam a ter horários,
alimentação considera adequada para a idade e delimitação das participações da vida
coletiva.

Recapitulando na idade Média não existia separação entre criança e adulto, na


idade moderna passa-se a ter a visão de infância como fragilidade e necessidade de
proteção e na idade contemporânea a criação de escolas e o desenvolvimento de uma
pedagogia especifica para escolarizar as crianças.

Hoje ao nascer as crianças são inseridas em uma família e logo após são iniciadas
em instituições de ensino. Nessa instituições entram em contatos com adultos que tem o
papel de educa-las e cuidá-las e então as relações passam a ser profissionais e familiares.

A sociologia da infância visa estudar a infância na perspectiva da própria criança e


não pelo olhar do adulto ou pelas lembranças que o adulto tem sobre sua infância. É
preciso considerar a infância como uma condição de criança, pois o conjunto de vivencias
vividas por elas é muito mais do que uma representação dos adultos sobre essa fase da
vida e sendo assim é necessário que os adultos compreendam a forma como a criança
aprende uma vez que o aprender é singular e intransferível. É importante compreender
que as estruturas de pensamento se organizam em um processo continuo que inclui desde
organizações sensorial e motoras até organizações lógicas sofisticadas, que ao longo do
desenvolvimento produzem as informações necessárias para lidar e participar do mundo,
bem como as formas de interpretar essas informações.

Os professores são responsáveis para mediar uma mobilização dos alunos para a
aprendizagem, precisam compreender o processo de cada aluno de aprendizagem para
media-los no seu processo de autonomia e na relação que eles estabelecem com o saber e
se não tiver essa consciência os demais processos estarão suscetíveis a falha por ter sido
queimado a etapa principal. A forma como o educador vê a criança determina a forma
como ele vai se relacionar com ela. Ouvir as crianças pode ser uma das estratégias eficazes
para mantê-las na escola. É inegável a necessidade de compreender a criança como ser
histórico e de direitos. Não há como generalizar a compreensão da infância, em vista de
que existem diferentes infâncias de acordo com cada contexto.