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1.

Introdução
O presente trabalho, realizado em grupo no âmbito da Unidade Curricular de Teoria
Sociológica, no segundo termo da graduação em Serviço Social da Universidade Federal de
São Paulo – UNIFESP, Campus Baixada Santista, tem por objetivo elaborar uma reflexão
sobre os principais conceitos elaborados por Èmile Durkheim e suas aplicações sobre as
formas de interpretação sociológica de uma dada realidade.

Para atingir este objetivo almejamos refletir e analisar o filme Chocolate (2000) do
diretor Lasse Hallström. No contexto da análise do filme buscaremos relacionar os principais
conceitos da obra de Durkheim, procurando estabelecer uma conexão entre estes e as
situações observadas na obra cinematográfica, buscando justapor situações da obra de
ficção, utilizando os aspectos do método funcionalista de análise sociológica.

Pretendemos explicitar, através desta reflexão, questões inerentes à sociologia


durkheiniana, em especial os conceitos de fato social, normal e patológico, coerção e coesão
social, socialização e divisão social do trabalho, solidariedade mecânica e orgânica.

2. Durkheim e o funcionalismo

David Émile Durkheim, nasceu na cidade de Épinal, na França, em 15 de abril de 1858


e faleceu no dia 15 de novembro de 1917 na capital Paris, é considerado o pai da sociologia
moderna, sendo um dos responsáveis por tornar a sociologia uma matéria acadêmica, sendo
aceita como ciência social e criador da Escola Sociológica Francesa. Juntamente com Karl
Marx e Max Weber, formam os pilares dos estudos sociológicos. Estudou as teorias de
Auguste Comte, Herbert Spencer e Kant, o que fez com que conferisse uma matriz científica
às suas teorias.

Muito influenciado por Comte e pelo contexto da Primeira Revolução Industrial onde
as instituições sociais apresentavam enfraquecimento e os questionamentos começavam a
surgir, Durkheim dedicou-se então a estudar a sociedade e a qual maneira estas poderiam
manter a sua integridade e coerência na era moderna, quando coisas como a religião e etnia
estavam tão dispersas e misturadas. A partir disto, ele procurou criar uma aproximação
científica para os fenômenos sociais.

Diferenciando-se do positivismo, Durkheim não pensava em impor uma ordem a


sociedade já que acreditava que sua organização estrutural era natural, funcionando
ordenadamente por si só. Isso fica patente na sua obra "Da Divisão do Trabalho Social"
(1893), onde estabeleceu as bases da sociedade comparando a um organismo vivo, onde
cada parte funciona como um órgão biológico que agiria de forma dependente, a que
chamou essa teoria de Funcionalismo. Assim, numa sociedade "doente", que ele
denominava de Anomia, a cura para o melhor funcionamento social seria a solidariedade
orgânica.

2.1 Os fatos sociais: coercitividade, externalidade e generalidade

No "As Regras do Método Sociológico" publicado em 1895, Émile Durkheim


estabeleceu as bases para a sociologia como ciência. Na obra "O Suicídio" (1897), avaliou
que o maior nível de integração social estava ligado aos índices de suicídio, que seriam
maiores quanto mais frágeis fossem os laços sociais. Também pesquisou assuntos sobre
religião, através do livro "Formas Elementares da Vida Religiosa", publicado em 1912.

Para Durkheim a sociedade é mais do que a soma de suas partes. Ao contrário de


Max Weber, ele não estava focado no que motivava as ações individuais das pessoas, mas
antes nos aspectos sociais comuns e exteriores ao indivíduo. O “espírito científico” deveria
nortear o trabalho do sociólogo, que o faria com distanciamento, objetividade e desprezando
os aspectos do senso comum. Como um homem do seu tempo, considerou que o primeiro
passo para proceder um estudo científico que obtivesse reconhecimento e validade seria
determinar claramente um objeto de estudo bem delimitado. Este objeto seria o Fato Social.

De acordo com o método determinado por Durkheim, os “fatos sociais” devem atender
a três características: coercitividade, exterioridade e generalidade. Ou seja, o fato social não
pode ser confundido com um padrão social. Seria antes um acontecimento ou ação relevante
para o funcionamento da sociedade. O fato social seria determinado pela coerção social, seja
ela consentida ou não, consciente ou não, fazendo os indivíduos se conformarem com as
regras impostas pela sociedade. O grau desta coerção estaria ligado as sanções, ou seja,
impedimentos que o indivíduo está sujeito quando busca se rebelar contra elas.

Não sou obrigado a falar francês com meus compatriotas, nem a empregar as moedas
legais; mas é impossível agir de outro modo. Se eu quisesse escapar a essa
necessidade, minha tentativa fracassaria miseravelmente. Industrial, nada me proíbe
de trabalhar com procedimentos e métodos do século passado; mas, se o fizer, é certo
que me arruinarei. Ainda que, de fato, eu possa libertar-me dessas regras e violá-las
com sucesso, isso jamais ocorre sem que eu seja obrigado a lutar contra elas.
(DURKHEIM, E. p. 4)

No fato social, Durkheim apresenta a divisão entre normal e patológico, analisada


através de sociedades que possuam o mesmo estado de evolução, se um fato é comum em
várias sociedades ele é considerado normal, a exemplo das festividades, mas se o fato é
algo que desestabiliza a ordem social como a violência, pode-se afirmar que é patológico.

Fato social é toda maneira de fazer, fixa ou não, suscetível de exercer sobre o
indivíduo uma coerção exterior, ou então que é geral em toda a extensão de uma dada
sociedade, embora tenha existência própria, independente das suas manifestações
individuais. (Lês règles de La méthode sociologique, p.14 apud ARON, 1999, p.327).

Durkheim apresenta as instituições como instrumento de organização da sociedade,


onde através de um conjunto de regras e condutas padronizadas socialmente, os indivíduos
que compõe aquele espaço representarão um coletivo. As instituições, portanto, apresentam
caráter conservador, seja a escola, a igreja, o governo, todas agem para a manutenção da
ordem vigente. Como justificativa, Durkheim coloca a possibilidade de uma sociedade sem
regras (estado de anomia) e de como isso pode ser desesperador ao indivíduo que para o
autor, tem necessidade de segurança, estabilidade.

2.2 Solidariedade social (mecânica e orgânica)

A solidariedade é dada para o autor por dois tipos de consciência: coletiva e individual,
onde todo indivíduo sofre influência do coletivo. “Os detalhes relativos ao que é preciso fazer,
e ao que é preciso crer, são impostos pela consciência coletiva”. (ARON, 1999, p.291)
Dentro do ponto de vista da sociologia dukheimiana uma sociedade só é capaz de
existir a partir do consenso dentre os indivíduos que compõe aquele coletivo. Esse consenso
se dá no processo de conformação da consciência individual à consciência coletiva e permite
dois tipos de solidariedade: mecânica e orgânica.
Tida como sociedade primitiva, a sociedade mecânica se constitui pela semelhança
entre seus indivíduos, não há divisão do trabalho, a consciência social é menor, os
mecanismos de coerção são exercidos de forma imediata, violenta e punitiva e se tratam de
sociedades menos desenvolvidas, mais simples. São nestes valores que se pode assegurar
a coesão social.
Solidariedade mecânica é usada por semelhança, os indivíduos
diferem pouco uns dos outros. “Membros de uma mesma
coletividade, eles se assemelham porque tem os mesmos
sentimentos, os mesmos valores, reconhecem os mesmos objetos
como sagrados”, a coerência se dá pela não diferença” (ARON,
1999, p. )
Já nas sociedades orgânicas, tidas como modernas por se tratarem de sociedades
industriais pode-se notar diferenciação individual, entretanto como característica primordial,
tem-se a divisão do trabalho, que torna a “individualidade dependente dos demais”, também
pode-se atribuir uma consciência social maior e o reconhecimento de sociedades mais
desenvolvidas. Na sociedade orgânica as diferenças sociais unem de qualquer forma os
indivíduos pela necessidade de troca dos serviços, dando a característica de
interdependência. Analogicamente ao corpo, os órgãos, apesar de suas diferenças, todos
apresentam função essencial para manter a funcionalidade da vida (ARON, 1999)

2.3 A divisão Social do Trabalho e a Anomia – a doença da sociedade

Outro conceito elaborado por Durkheim é o da Anomia. Trata-se, na sua concepção,


de uma consequência da divisão social do trabalho. Ao observar o aumento do número de
suicídios na sociedade moderna ele atribui a este fenômeno à desintegração das normas
sociais, fruto do crescente individualismo da sociedade industrial. Para fazer frente à essa
“doença” do organismo social considera essencial o papel das instituições que devem
promover a coesão social e a manutenção dos valores morais e da justiça como forma de
substituir às normas ultrapassadas das sociedades tradicionais.

"O direito e a moral são o conjunto dos laços que nos prendem uns aos outros e
à sociedade, que fazem da massa dos indivíduos um agregado e um todo coerente. É
moral, pode dizer-se, tudo o que é fonte de solidariedade, tudo o que força o homem a
contar com outrem, a pautar os seus movimentos por outra coisa diferente dos
impulsos do seu egoísmo e a moralidade é tanto mais sólida quanto estes laços são
mais numerosos e mais fortes." (Divisão do Trabalho Social, 1977, vol II: 195)

3. O filme Chocolate sob a ótica de Durkheim


O filme baseado na obra literária homônima de Joanne Harris, conta a história da
chegada da protagonista Vianne Rocher e sua filha Anouk, ao pequeno vilarejo fictício de
Lansquenet-sous-Tannes, França, em 1960. Sua chegada ao vilarejo se dá num domingo, no
momento em que se celebra a missa, e da qual participam os moradores, sob forte vigilância
do prefeito, o Conde de Reynaud.

3.1 O Conde Reynaud – Guardião da Tradição

O Conde nos é apresentado como um homem versado em história, paciente, que


acreditava na sabedoria de seus antepassados, que expulsaram os protestantes, ou seja, ele
“cuidava” do vilarejo, sendo o exemplo aos demais cidadãos, por meio do trabalho duro, da
modéstia e autodisciplina. Portanto, alguém cuja autoridade se baseia na tradição familiar e
religiosa.
Seu “cuidado” se expressa no extremo controle que exerce sobre a vida e as
atividades dos moradores. É ele quem recepciona os fiéis à porta da igreja e é também ele
quem escreve ou revisa os sermões que o padre Henri profere. Assim, embora formalmente
seu cargo seja apenas político, na prática ele personifica não apenas o poder político, como
também o acadêmico e o religioso. (SANTOS, s/a)

De modo sugestivo, e talvez um pouco simplista, Durkheim caracteriza


um dos tipos de solidariedade: o direito repressivo, que pune as faltas ou
crimes, e o direito restitutivo, ou cooperativo, cuja essência não é a punição das
violações das regras sociais, mas repor as coisas em ordem quando uma falta
foi cometida, ou organizar a cooperação entre os indivíduos.
O direito repressivo revela a consciência coletiva nas sociedades de
solidariedade mecânica, já que, pelo próprio fato de que multiplica as sanções,
manifesta a força dos sentimentos comuns, sua extensão e sua
particularização. Quanto mais ampla a consciência coletiva, quanto mais forte e
particularizada, maior será o número de atos considerados como crimes, isto é,
atos que violam um imperativo, ou um interdito, que erem diretamente a
consciência da coletividade. (ARON, R, 1999)

3.2 Os vilões – a representação dos fatos sociais


É interessante ressaltar o caráter anacrônico da vila que serve como cenário à
história, pois embora o filme se desenrole no final dos anos cinquenta, todo o ambiente
parece congelado em um tempo anterior, das vestimentas aos costumes dos habitantes.
Apenas o personagem do padre traz uma nota de modernidade através do seu apreço pelo
gênero musical em alta na época, o Rock’n Roll.
A violência simbólica é algo marcante e fica evidente nas diversas esferas e através
das homilias escritas pelo Conde, que representava a figura do controlador de todos os
passos dos moradores e para isso até escrevia os sermões do padre, que em suas
pregações impunha a passividade de seus membros e acabam por reduzir suas
possibilidades
Os moradores da cidade, segundo nos informa a narradora, “acreditavam em
tranquilidade. Todos os que viviam na cidade agiam segundo o que se esperavam deles. E
conheciam seu lugar na ordem das coisas.
Conforme exemplificado na frase da narradora “- Se você morou nesse vilarejo, você
entendeu quais eram as expectativas. Você sabia onde era seu lugar. E se você esquecia,
alguém o ajudava a lembrar.
-Se você via algo que não queria ter visto, você aprendeu a olhar para o outro lado. Se
por algum motivo você perdeu a esperança, você aprendeu a não pedir mais” (CHOCOLATE,
2000)
Quando desempenho minha tarefa de irmão, de marido ou de cidadão, quando
executo os compromissos que assumi, eu cumpro deveres que estão definidos, fora de
mim e de meus atos, no direito e nos costumes. Ainda que eles estejam de acordo
com meus sentimentos próprios e que eu sinta interiormente a realidade deles, esta
não deixa de ser objetiva; pois não fui eu que os fiz, mas os recebi pela educação
(DURKHEIM, E. p. 3)

Em linhas gerais o filme traça alguns exemplos das normatizações funcionais de uma
cidade que é abalada a partir da chegada de uma nova cidadã trazendo alguns conflitos,
podemos sentir de maneira considerável com o a violência de gênero se constitui e se
desenvolve através do poder normativo da religião, ciência e política. Poderes estes que
ficam evidentes nas personagens que participam de sua produção e manutenção ainda que
de formas diversas e em graus variados. Cada qual sabia exatamente até onde poderia ir e,
caso se esquecesse destas regras, rapidamente era lembrado. Era um local onde os
desiludidos aprendiam a não pedir mais.

3.3 Vianne, e os chocolates – entre a adaptação e a subversão da ordem


Vianne, destoa deste cenário “- (...) na alegria e na tristeza, na fome e na fartura, os
habitantes se apegaram às tradições” (CHOCOLATE, 2000), de acordo com as convenções
sociais, por ser mãe solteira, não convencional seja nas vestimentas às atitudes. Embora no
decorrer do filme veremos que ela também é prisioneira de sua própria tradição.
A nova moradora que não dava mostras de pretender seguir as convenções sociais
daquele ambiente mas estava presa às suas próprias tradições. Mulher, nômade, mãe
solteira características vitais que atraíram olhares condenatórios e que foram acentuados
com sua negação a participar do culto religioso logo em sua chegada
Não bastassem estes ingredientes para atrair a ira do poder político-religioso local, ela
lhe acrescenta mais um: a abertura de uma loja de chocolates, Maya, em plena Quaresma,
supostamente uma época de “abstinência, reflexão e sincera contrição”, conforme sermão do
padre proferido no domingo da chegada de Vianne ao vilarejo. (SANTOS, s/a)
Vulgarmente, o sofrimento é visto como o indicador da doença, e é certo
que, em geral, existe entre esses dois fatos uma relação, mas que carece
de constância e de precisão. Há graves diáteses que são indolores, ao
passo que perturbações sem importância, como as que resultam da
introdução de um grão de poeira no olho, causam um verdadeiro suplício.
Em certos casos, a ausência de dor ou ainda o prazer é que são os
sintomas da doença. (DURKHEIM, E. p. 52)

O chocolate, que na cultura dos maias tinha o poder de liberar desejos ocultos, vem
cumprir sua missão nas mãos de Vianne, que o ministra como remédio. Remédio para as
almas ou vidas aprisionadas do vilarejo, e controladora sobre os habitantes. Sobre todos os
habitantes, inclusive o padre. (SANTOS, s/a)

3.4 Os forasteiros ciganos – A anomia e a exclusão ou uma outra solidariedade


mecânica?
Em determinado ponto do filme chegam à cidade os ciganos, povo nômade que traz
alegria nas cores de suas vestimentas e mais livres e, por ser deste modo também, são
vistos com “maus olhos”. Ao começar a se relacionar com esse povo, a dona da chocolataria
acentua a tensão com o prefeito da cidade que decide dar um basta nisso, expulsando os
ciganos de “sua” cidade.
Para o Durkheim, a moral consensual deve ser mantida para a boa conduta dentro da
sociedade. O conceito de anomia, a não identificação com o mundo social, resulta no
afastamento ou na adaptação do sujeito, fato que foi demonstrado no filme quando a
população rejeita e até expulsa os forasteiros com o ‘’boicote a imoralidade’’ A repressão
para que não se desestabilize a funcionalidade da sociedade é realizada pelas instituições
que representavam a igreja e o estado aliados para manipular e conscientizar a população
da cidade a dificultar a estabilização da nova população.
É curioso observar, no entanto, que mesmo os nômades estão coagidos por fatos
sociais inerentes à própria estrutura da sua sociedade em particular, o que limita o romance
entre o personagem Roux, membro da comunidade cigana e a protagonista, representando
um segmento como esclarece Aron:

No vocabulário de Durkheim, um segmento designa um grupo social em que os


membros estão estreitamente integrados. Mas o segmento é também um grupo
situado localmente, relativamente isolado dos demais, que tem vida própria.
Comporta uma solidariedade mecânica, por semelhança, mas pressupõe
também a separação com relação ao grupo exterior. O segmento se basta a si
mesmo, tem pouca comunicação com o mundo exterior. Por definição, portanto,
a organização segmentária contradiz os fenômenos gerais de diferenciação,
designados pela expressão de solidariedade orgânica. (ARON, R. p.288)

3.5 A adaptação e a redenção


A trama do filme vai revelando, pouco a pouco, que a presença da chocolateria, ao
invés de contrariar as normas sociais estabelecidas, revela a verdadeira natureza dos
personagens. A vila, que nas cenas iniciais do filme aparece cinzenta e sombria, se torna
viva e com cores mais alegres. A bondade, a coragem, o afeto e a solidariedade vão
surgindo, não como um novo valor, mas como um valor anteriormente reprimido e libertado
pelas ações curativas da protagonista.
A reviravolta observada no final do filme vem revelar que afinal quem era o elemento
doentio daquela pequena sociedade era o Conde e seu aliado mais próximo, o violento Sr.
Serge Muscat. As tentativas infrutíferas de fazer deste personagem um novo homem, o
desespero crescente do Conde e o violento desfecho da visita dos ciganos proporciona a
redenção de todos. A adaptação do sujeito a sociedade é representada no filme a partir do
momento em que a dona da chocolateria, que vem de uma viagem longa com sua filha, abre
mão de seus conceitos individuais para se estabelecer na cidade. Deixando para uma
próxima vez sua missão de viajar com o vento para ajudar novos amigos, e assim encontra
um consenso entre a sociedade e sua identidade, passando a fazer parte e assumindo sua
função no corpo da cidade. Finalmente, até mesmo o nômade Roux parece renunciar à sua
vida de liberdades em nome de uma relação estável e familiar com Vianne na pequena vila.

4. Conclusão
As teorias de Durkheim fundantes da sociologia funcionalista é, com certeza, fruto de
uma época determinada. Vivia-se a revolução industrial e suas consequências. A sociedade
mudava com uma velocidade até então não experimentada pelo homem. Como derivação
direta do sistema capitalista em franca expansão surgiam questões sociais que exigiam uma
análise de outra ordem, mais organizada e eficaz.

O avanço das ciências naturais revolucionava as formas de pensar da época em que


Durkheim vivia. Mais do que enunciar teorias sobre a sociedade, era preciso desenvolver um
método que pudesse transformar o pensamento sobre a sociedade em uma ciência.
Objetividade, isenção científica, regras e métodos estavam na ordem do dia. É deste
contexto que deriva a sociologia, ciência e instrumento de busca de soluções para a nova
sociedade e seus problemas

Em função das particularidades do filme indicado para análise fomos encontrando


inúmeros elementos que poderiam se conformar no método de análise sociológica
inaugurado por Durkheim, o funcionalismo. No entanto consideramos que este método
poderia ser aplicado a qualquer outra situação social.

No entanto nos parece que a sociologia de Durkheim ter um caráter inegavelmente


conservador. Ao optar pelo esse método não há como escapar a uma visão marcadamente
positivista e estática da realidade. A considerar o pensamento funcionalista pouco ou nada se
poderá agir para transformar a sociedade, sendo a única tarefa do homem criar e manter
instituições que reproduzam os fatos sociais. A própria educação não passaria de uma
maneira de adaptar, combater rebeldias e formatar indivíduos ao que seria um ente superior,
com regras próprias e imutáveis pela ação individual ou coletiva: a sociedade funcional.