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ASSALTO À PRESTAÇÃO...DE NOVO?

Prof MSc Ricardo Aureliano

Estava revisando alguns textos que escrevi em anos passados e encontrei um que foi
publicado no Jornal do Comércio no dia 03 de agosto do ano 2000 na coluna Opinião
que me parece permanecer atual e inalterado: a questão das milícias e seguranças
denominadas "turmas do apito", ou vigias noturnos.
Quer coisa mais irritante que você ir chegando em casa e ser abordado por uma
pessoa que se diz "segurança" e lhe cobra uma quantia em dinheiro?
Você se vê obrigado a pagar, coagido pelo medo de que se não o fizer, poderá ter
seu carro arranhado, ou se for assaltado não tem quem lhe socorra. Isso mesmo!
O dilema está estabelecido - se não pagar, poderá ser assaltado defronte sua casa e
ninguém viu nada. Se pagar, não há nenhuma garantia de que estará seguro. Ou
seja, paga ao assaltante, ou paga ao vigia semanalmente. E porque isso acontece?
O cidadão se vê às voltas com a situação da violência urbana e está descrente da
proteção do Estado. Então, passa a aceitar e sustentar milícias privadas que invadem
as ruas, na calada da noite, com seus coletes de “SEGURANÇA” , seus apitos e
SUAS ARMAS. É preciso que reflitamos sobre esses valores e sobre o que estamos
patrocinando.
Se o Estado não está cumprindo com qualidade a proteção que queremos, não será
com um erro que justificaremos outro.
Sejamos sensatos e reflitamos : Segurança Pública, segundo a Constituição Federal,
é dever do Estado, mas é direito e responsabilidade de TODOS. Ver segurança
pública apenas como caso de polícia é de uma miopia tremenda. A violência que aí
está não é só por causa da crise no aparelho policial.
Se analisarmos as causas dessa violência, vamos esbarrar em coisas que não foram
provocadas pela polícia, como: desemprego, falta de investimentos em educação que
gera uma mão de obra desqualificada, falta de opções de moradia, falta de políticas
públicas que compatibilizem bem estar social com desenvolvimento econômico,
dentre outras.
Quando falamos que segurança é dever do Estado, é preciso ver União, Estados, e
Municípios. Não adianta este último dizer que não tem nada a ver com segurança,
porque tem sim! Desde uma política de ocupação do solo urbano, o planejamento
adequado de um desenvolvimento urbano, com condições de moradia, saúde e
educação nas porções que lhe cabe.
Alem de tudo isso, qual o papel das Guardas Municipais? Por que uns municípios
têm, outros não?
Leia o artigo publicado na época e compare:
https://pt.scribd.com/document/410839684/Assalto-a-Prestacao#

PUBLICADO NO SITE EM 17 JUN 2019