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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS DEPARTAMENTO DE FITOTECNICA

DISCIPLINA: Manejo de Doenças em Plantas FIT5611/D PROFESSOR: Robson Di Piero

GRADUANDA: Andria Paula Lima

13102644

RELATÓRIO DE AULA PRÁTICA CONTROLE FÍSICO

1.0 Introdução

A severidade das doenças de pós-colheita é incontestável, ocasionando consideráveis perdas na produção dos cultivos e é devido a isso que se procuram metodologias de tratamento alternativas para minimizar essas consequências, como a termoterapia e a exposição à luz ultravioleta UV-C. A forma de ação da termoterapia consiste na inativação térmica dos conídios dos patógenos geralmente em uma faixa de 40 a 70ºC e a imersão de frutos em água com uma temperatura de 50ºC tem sido adotada como padrão no controle dos agentes causais, aliado à esses benefícios a termoterapia também traz o melhoria na qualidade do fruto, principalmente na firmeza da polpa (BRITO et al., 2008). . Já pela radiação UV (254 nm), a propagação é diminuída ou erradicada pelo efeito germicida que atua pela desnaturação enzimática e desorganização da membrana plasmática (BARTNICKI et al., 2010). Os patógenos Penicillium expansum e Botrytis cinerea são responsáveis pelas doenças do Mofo Azul e a do Mofo Cinzento, respectivamente, e ocorrem comumente na cultura da macieira e videira. O objetivo dos experimentos foi avaliar a germinação dos esporos de Penicillium expansum submetido a diferentes tempos de termoterapia e a do Botrytis cinerea que foi submetido à radiação UV-C em diferentes tempos.

2.0 Material e Métodos

2.1 Efeito da termoterapia na germinação de Penicillium expansum

Para a produção de esporos foi feita uma suspensão em suco de maçã (4%) com 10 5 esporos/mL. O volume foi dividido em dois beckers, o primeiro mantido na temperatura ambiente (25ºC) e o segundo mantido à 50ºC em banho-maria, sendo retirado em diferentes tempos alíquotas para o cultivo controlado. São os tratamentos: Testemunha à 25ºC, suspensão mantida por cinco minutos, por 15 minutos e 30 minutos sendo essas à

50ºC.

Retirados 40 µL/tratamento, foram pipetados em lâminas escavadas e incubadas em placas de Petri à 25ºC por 20 horas. Após esse período de incubação em câmara úmida, foi avaliada a quantidade de esporos germinados, todos no microscópio no aumento de

10x.

2.2 Efeito da radiação UV-C na germinação de Botrytis cinerea

Para receber de forma direta e uniforme os raios UV, placas de Petri abertas contendo suspensão de esporos de Botrytis cinerea foram expostas por diferentes

tempos na câmara de fluxo. São os tratamentos: Testemunha (sem exposição), por 15, 30 e 60 minutos de exposição aos raios UV-C. Retirados 40 µL/tratamento, foram pipetados em lâminas escavadas e incubadas em placas de Petri à 25ºC por 20 horas. Após esse período de incubação em câmara úmida, foi avaliada a quantidade de esporos germinados, todos no microscópio no aumento de

10x.

2.3 Análise estatística

Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e se significativa, ao teste de Tukey a 5% de probabilidade.

3.0 Resultados e Discussão

Como pode ser visto na Tabela 1 e Figura 1, a radiação UV-C apenas reduziu a incidência de germinação do patógeno, sendo mais efetivo no tempo de 60 minutos de exposição. Concordando com CIA et al. (2009) que também verificou a diminuição do patógeno Colletotrichum gloeosporioides quando tratado com o mesmo tipo de radiação. Segundo CAMILI et al. (2004), o efeito do UV-C também foi benéfico pois diminuiu e teve um efeito germicida no B. cinerea, mas no crescimento micelial apenas retardou o desenvolvimento do mesmo.

Tabela 1. Quantidade de esporos germinados de Botrytis cinerea submetidos à radiação UV-C em diferentes tempos.

Tratamentos

Quantidade de esporos germinados*

Testemunha

95,00 c

15

minutos

80,25 bc

30

minutos

76,75 b

60

minutos

65,50 a

CV = 8,09%

*Médias seguidas pela mesma letra na coluna não são diferentes significativamente (Teste Tukey, p<0.05). 120,00
*Médias seguidas pela mesma letra na coluna não são diferentes significativamente (Teste Tukey, p<0.05).
120,00
Radiação UV-C x Germinação
c
100,00
bc
b
80,00
a
60,00
40,00
20,00
0,00
Testemunha
15 minutos
30 minutos
60 minutos

Figura 1. Quantidade de esporos germinados de Botrytis cinerea submetidos à radiação UV-C em diferentes tempos.

Já os resultados da termoterapia estão na Tabela 2 e Figura 2, que mostram a eficiência do método, pois paralisou e inviabilizou os esporos do Penicillium expansum

a partir dos 15 minutos de tratamento. Esses resultados corroboram com BRITO et al. (2008) que confirmou a diminuição da ocorrência de Fusarium sp. a partir dos 20

minutos

Já os resultados da termoterapia estão na Tabela 2 e Figura 2, que mostram a

eficiência do método, pois paralisou e inviabilizou os esporos do Penicillium expansum

a partir dos 15 minutos de tratamento. Esses resultados corroboram com BRITO et al. (2008) que confirmou a diminuição da ocorrência de Fusarium sp. a partir dos 20

minutos

Tabela 2. Quantidade de esporos germinados de Penicillium expansum submetidos à termoterapia em diferentes tempos.

Tratamentos

Quantidade de esporos germinados*

Testemunha

96,75 c

5 minutos

60,00 b

15

minutos

0,75 a

30

minutos

0,00 a

CV = 8,28

*Médias seguidas pela mesma letra na coluna não são diferentes significativamente (Teste Tukey, p<0.05). 140,00
*Médias seguidas pela mesma letra na coluna não são diferentes significativamente (Teste Tukey, p<0.05).
140,00
Termoterapia x Germinação
c
120,00
100,00
b
80,00
60,00
40,00
a
a
20,00
0,00
Testemunha
5 minutos
15 minutos
30 minutos

Figura 2. Quantidade de esporos germinados de Penicillium expansum submetidos à termoterapia em diferentes tempos.

4.0 Conclusão

O tratamento com UV-C apenas minimizou a germinação do B. cinerea e a termoterapia garantiu o efeito germicida a partir dos 15 minutos no P. expansum, mostrando que além de ter uma acessibilidade maior, o segundo método foi mais eficiente.

Referências Bibliográficas

BARTNICKI, V. A.; VALDEBENITOSANHUEZA, R. M.; AMARANTE, C. V. T. do; CASTRO, L. A. S. de; RIZZATTI, M. R.; SOUZA, J. A. V. de. Água aquecida e radiação UV-C no controle pós-colheita de Cryptosporiopsis perennans em maçãs. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 45, n. 2, p. 124-131, 2010.

BRITO, C. H.; COSTA, N. P.; BATISTA, J. L.; NASCIMENTO, L. C.; HERBERTH, D. O.; BARRETO, E. S. Termoterapia para o controle de patógenos em pós-colheita em frutos da cajazeira. Acta Scientiarum. Agronomy, v. 30, n. 1, p. 19-23, 2008.

CAMILI, E. C.; BENATO, E. A.; PASCHOLATI, S. F.; CIA, P. Avaliação de irradiação UV-C aplicada em pós-colheita na proteção de uva ‘Itália’ contra Botrytis cinerea. Summa Phytopathologica. 30:306-313. 2004.

CIA, P.; BENATO, E. A.; VALENTINI, S. D. T.; ANJOS, V. D. A.; PONZO, F. S.;

Radiação ultravioleta no controle pós-colheita de

Colletotrichum gloeosporioides em uva 'Niagara Rosada'. Bragantia, v. 68, n. 4, p.

1009-1015, 2009.

SANCHES, J.; TERRA, M. M

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