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Sexta-feira – (18.05.

2018)

At 25,13-21; Sl 102; Jo 21,15-19 – ἀγαπᾷς με; – Ἀκολούθει μοι (21,16b.19b)

O santo Evangelho nos recorda o último diálogo de Jesus com Pedro (Jo 21,15-19): é um colóquio cheio de
recordações para Simão, filho de João – é a memória desde que seu nome foi mudado, passa pelos
momentos de fraqueza – fragilidade comum a todos nós – até o “canto do galo”-a tríplice negação (Mc 14,66-
72; Mt 26,69-75; Lc 22,54b-62). Isto tudo para se traduzir num comportamento concreto: “segue-Me!” (21,19b)
– a chamada que Jesus faz a Pedro e cada batizado. – É muito importante aquecer esta experiência em
nosso itinerário, aprendizado constante de fazer memória do caminho realizado com o Senhor!
– O primeiro passo nesse itinerário dialogante com o Senhor é o amor. O amor é a espinha dorsal dessa
experiência: é a “gramática essencial para ser verdadeiros discípulos e amigos do Filho de Deus”. Ninguém
pode ser discípulo, se não ama. A partir desta relação construída diariamente no amor com o Senhor (=
relação de confiança e filial intimidade) é que se pode apascentar, cuidar, zelar os irmãos que o Senhor
nos confia. S. João fala de “cordeiros” e de “ovelhas”. Isto comporta diversos modos de cuidar, dependendo
dos destinatários: no início, é preciso cuidar dos principiantes; depois, daqueles que fazem progressos e vão
em frente. Em seguida está estreitamente relacionada com o encargo pastoral, a profecia do martírio de
Pedro (21,18-19). “Amar Jesus” está relacionado com dar a vida por Ele. – “Amas-me mais do que todos?” –
ἀγαπᾷς με πλέον τούτων;, “Amas-me...?” – ἀγαπᾷς με; e “ és meu amigo?” – φιλεῖς με; (21,15b.16b.17b).

– A bússola de um pastor.
Há uma bússola que orienta e certifica o itinerário de quem abraça o Senhor e O serve: é o “martírio”, é o
“carregar a cruz”: ser conduzido para onde não deseja. Oremos a Deus todos os dias para que esta bússola
nunca deixe de orientar nosso caminhar com o Cristo e, particularmente, o caminho dos pastores que Deus
confia a sua Igreja. Haverá provações, “humilhações”. Quantos fazem elogios quando se é pastor, tem-se um
cargo, depois falarão mal... Jesus diz a Pedro que ele deve se preparar para a cruz: “[...] te levará para onde
não queres” (21,18b). Vejamos o que acontece a Paulo (At 25,13-21). – Os espalhadores de cizânias: as
intrigas daqueles que se unem para acusar, perseguir, destruir, condenar (At 22,30; 23,6-11). Quantas vezes
instrumentalizamos os outros para desprezar alguém; ou somos transformados em massa a serviço de
ideologias – Fake News – lavagem cerebral, fofocas para difamar, excluir, condenar e dilapidar.
– O ofício de Pedro comporta provações. A consequência que deriva para a comunidade que ouve este
Evangelho é que não pode abandonar Pedro no momento da dificuldade. É preciso permanecer com ele, de
modo que se verifique também aqui a palavra de Jesus aos seus: “Vós sois os que perseverastes comigo em
minhas provações” (Lc 22,28). – Na comunidade primitiva, enquanto Pedro estava sob acusação e esperando
a sentença de condenação por parte de um tribunal humano, “uma oração subia incessantemente a Deus na
Igreja por ele” (At 12,5). Há uma profunda solidariedade de oração e de ânimos, sinal da fidelidade da Igreja
aos modos escolhidos por Jesus para a sua presença no mundo.

– Oração:
Oremos em família todos os dias pelos pastores que o Senhor confia à sua Igreja. Para que eles
experimentem e vivam o encargo pastoral que Jesus lhes dá mediante uma relação de confiança e filial
intimidade com o Senhor – e crescem sempre nessa intimidade: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te
amo” – Κύριε, πάντα σὺ οἶδας, σὺ γινώσκεις ὅτι φιλῶ σε (21,17). Tudo é graça, dom e presença de Jesus pela
força do seu Espírito. Oremos também para que o ministério que Deus confiou a Pedro e a seu sucessor – o
“primado do serviço e da caridade” na Igreja de Cristo (S. Inácio de Antioquia, Ad Rom., prefácio: ed. Funk, I,
p. 252) – seja vivido com amor ao “serviço da comunhão eclesial” (cf. LG, n. 18)
– O ofício de Pedro como guia das ovelhas do Bom Pastor – Cristo Jesus – terá de ser exercido à base do
amor ao rebanho, segundo as palavras de S. Ambrósio: “Cristo deixou-nos Pedro como vigário do seu amor”.
Não podemos esquecer que o chamado vem do Ressuscitado e a comunhão com Ele, mas o seguimento
continua sendo em direção ao martírio.