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Todo professor da Escola Dominical conhece esse texto de Romanos 12.

7, da
autoria do apóstolo Paulo: “…se é ensinar, haja dedicação ao ensino”.
Agora, apesar de estarmos acostumados com a tradução deste texto na versão
Almeida Revista e Corrigida (ARC), ou ainda com a tradução da Almeida
Revista e Atualizada (ARA), que é mais enfática ainda ao dizer “o que ensina
esmere-se no fazê-lo”, a verdade é que o texto original é bem mais sucinto, e diz
apenas assim, como bem traduziu a Nova Versão Internacional (NVI): “se é
ensinar, ensine”.
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Sei que alguns já acostumados com aquelas versões tradicionais poderão ficar
um pouco desgostosos com essa tradução mais literal do texto. Mas é assim
que é. O que não significa, claro, que a ideia de dedicação ou esmero esteja
descartada, pois tal empenho exigido do ensinador está implícito no texto e
contexto. Todavia, de modo bem direto o apóstolo está exortando sobre o
dever de cumprir cabalmente a vocação para que fomos chamados. É como se
dissesse: ocupe-se no ensino, faça o seu dever.
Há três aplicações que podemos fazer desse se é ensinar, ensine:
1. Não rejeite seu dom, ensine!
É normal que quando estamos iniciando nosso trabalho na obra do Senhor
sintamos um temor no coração, para não dizer “medo”, quanto ao que devemos
fazer. Servos de Deus no passado também sentiram esse “friozinho na
barriga”. Senão veja Moisés, Josué, Jeremias, Jonas, dentre outros.

Todavia, quando Deus dá dons para usarmos Ele também dá junto com o dom
a capacidade de exercê-los. O que recebeu o dom para ensinar não deve
rejeitar seu dom devido algum tropeço cometido, alguma falha pessoal ou
dificuldades de exercer sua chamada, mas precisa antes pedir a Deus que lhe
acrescente mais “ousadia, amor e moderação” (2Tm 1.7) ou sabedoria para fazer o
que tem de ser feito do modo mais adequado (Tg 1.5).
Não rejeite seu dom para virar cantor, músico, regente de coral ou missionário,
julgando talvez que tudo isso seja “mais fácil” que ser um mestre. Você pode
multiplicar talentos e agregar novos dons naturais ou espirituais ao seu
trabalho, mas não pode jamais largar aquilo que Deus pôs em suas mãos. Seu
dom é ensinar? Então, ensine!

2. Não negligencie seu dom, ensine!


Muitos professores aceitam de bom grado a vocação divina para o ensino,
porém, acabam negligenciando tão importante chamado. Pelo menos de três
formas nota-se esta negligência:
1. Quando negligenciam o seu próprio preparo intelectual;
2. Quando negligenciam o preparo da aula;
3. Quando negligenciam o conteúdo ministrado na aula.
O correto funcionamento do dom é um sinergismo, isto é, uma soma de forças
divina e humana buscando alcançar o mesmo fim. Deus chama, capacita e
provê os recursos necessários para a execução do trabalho, mas está sob
nossa responsabilidade sermos diligentes, nos aplicarmos e fazermos bom uso
dos recursos divinos e humanos que estão ao nosso dispor. “Não negligencie o
dom que há em ti”, foi a exortação de Paulo ao jovem líder Timóteo (1Tm 4.14,
NVI)

Precisamos nos qualificar continuamente (bíblica, teológica e culturalmente),


devemos nos aplicar ao preparo de um bom estudo durante a semana, mas
especialmente no momento da aula devemos nos ater ao nosso chamado:
ensinar! Podemos usar muitos métodos e técnicas variados, mas sempre
buscando comunicar com eficiência a palavra de Deus aos nossos alunos.

Cantemos para ensinar! Façamos dinâmicas de classe para ensinar!


Apresentemos um vídeo aos alunos para ensinar! Não para mero
entretenimento ou preenchimento do tempo vago. Seu dom é ensinar? Então
ensine! Faça o que deve ser feito!

3. Não perca o foco do seu dom, ensine!


Por último, cremos que as palavras de Paulo quanto ao dever de ensinar
também sugerem que devemos evitar a perda de foco em nosso trabalho. Ele
já havia alertado Timóteo quanto aos “embaraços desta vida” com os quais não
podemos nos envolver, se quisermos agradar ao Senhor que nos chamou
(2Tm 2.4).

Há muitas coisas querendo distrair-nos e distanciar-nos do dom para o qual


Deus nos chamou: indústria do entretenimento, internet, excesso de trabalhos,
relacionamentos amorosos, etc.; se não tivermos moderação na vida, essas
coisas acabam engolindo-nos por inteiro! É incrível como somos propensos a
colocar todas as coisas, mesmo o lazer, à frente de nossa vocação espiritual.
Até servimos numa igreja local, mas não com aquele empenho que a igreja
precisa e o nosso Senhor merece. Infelizmente há professores da EBD que não
são nem frios nem quentes, estão ali no meio termo da mornidão…

Há um outro perigo que nos ronda, mesmo dentro da igreja: o acúmulo de


cargos. Muitos professores perdem o foco do ensino porque embora tenham
sido vocacionados justamente para isso resolveram se sobrecarregar com
outras funções, daí acabam se fatiando entre muitos departamentos: música,
missões, assistência social, tesouraria, etc.

É bom nos disponibilizarmos para servir no que a igreja precisar; todavia,


precisamos ter foco naquilo que é nosso dom. Afinal, Deus não dá dons
supérfluos a ninguém! Ele não dá dons para desperdício. Você tem certeza que
foi chamado para ensinar? Isso arde em seu coração? Mesmo em meio à
temores e fracassos, você sente lá no íntimo que esse é o seu dom? Então,
ensine! Mãos à obra, caro professor!

Conclusão
Não permita que nada nem ninguém lhe prive daquilo que Deus preparou para
você. A vontade de Deus é boa, perfeita e agradável. Se em seu coração você
entende que Deus lhe chamou para o magistério cristão, então ponha sua
mente, seu coração, suas forças e seus recursos nisso! Seja o melhor que
você puder ser mediante o poder divino que está em operação no seu
interior. “Pelo poder que em nós opera…” (Ef 3.20). Sim, há um poder imenso
operando em você! Dê-lhe livre curso e seja o que Deus lhe capacita a ser!