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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais

Campus Avançado Três Corações Curso de Especialização em Gestão


Estratégica de Negócios

RESENHA CRÍTICA APLICAÇÃO DE FERRAMENTAS DE


MELHORIA DE QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NOS
PROCESSOS PRODUTIVOS: UM ESTUDO DE CASO

Eduardo Bonetti

Referência da obra:
MAICZUK, Jonas; JÚNIOR, Pedro Paulo Andrade. Aplicação de ferramentas de melhoria de
qualidade e produtividade nos processos produtivos: um estudo de caso. Qualitas Revista
Eletrônica, v. 14, n. 1, 2013.

Credenciais do(s) autor(es) da obra:

Júnior é graduado em economia pela universidade federal de Santa Catarina (UFSC) e doutor em
engenharia de produção, também pela UFSC onde é professor adjunto, atualmente. Desenvolve
trabalhos nas áreas de engenharia econômica, gestão da inovação tecnológica, economia e
desenvolvimento.

Maiczuk é aluno de tecnologia em fabricação mecânica pela universidade tecnológica federal do Paraná
(UFTPR), com conhecimentos na área de produção e sistemas de qualidade.

Resumo do artigo:
O artigo discorre sobre a aplicação de ferramentas de qualidade integradas ao controle
estatístico de processo (CEP) em uma empresa do ramo cárneo a fim de atuar na melhoria do processo
produtivo dos embutidos. Para os autores, o CEP e as ferramentas de qualidade são pouco utilizados na
fabricação de embutidos sendo as variações na qualidade produzida devidas a mão-de-obra, materiais,
máquinas, medição, métodos e meio ambiente. As ferramentas devem atuar na melhoria do processo
produtivo, na estabilização do processo e na redução das perdas.
A qualidade é definida como a produção confiável, acessível e segura que atenda às expectativas do
cliente, a um preço que eles estejam dispostos a pagar. A gestão da qualidade é vista como um meio
de aumentar a competitividade da empresa, reduzindo a frequência dos erros, otimizando a produção
em termos de rendimento, capacidade e desempenho. A metodologia do CEP visa prever variações
do processo antevendo a tomada de decisões e, trazendo, assim, maior uniformidade na produção
com garantia de qualidade a um custo menor.
As ferramentas de qualidade são utilizadas para mensurar os dados baseando a tomada de
decisão em fatos e dados ao invés de opiniões. Para que as mesmas sejam eficazes é necessário que
sejam aplicadas corretamente. Para o estudo de caso foram utilizadas a Folha de Verificação, o
Brainstorming, o Diagrama de Pareto, o Diagrama de Causa e Efeito (Ishikawa), o Fluxograma e o
5W2H.
A Folha de Verificação é um formulário onde os itens a serem verificados já se estão impressos,
melhorando a clareza e a praticidade na coleta de dados. A avaliação dos resultados é uma etapa que
não agrega valor ao produto, por isso, a folha de verificação deve ser enxuta, simples e fácil de ser
utilizada pelos operadores.
O Diagrama de Pareto visa tornar aparente quais as causas de perda produtiva, tem maior
impacto sobre o processo. É útil sobremaneira quando há um número muito grande de problemas e
recursos escassos para resolvê-los.
O Diagrama de Causa e Efeito atua na identificação das principais causas de variação do
processo. Está integrada ao Brainstorming e normalmente é segmentada em Mão-de-obra, Máquinas,
Métodos, Materiais, Meio Ambiente e Medição (6Ms). O problema principal é subdividido em causas
principais.
O fluxograma representa de forma simples e ordenada as fases do processo de fabricação. Inclui
etapas de decisão e ação representadas por simbologia própria e, auxilia na visualização de etapas
desnecessárias à produção.
O 5W2H sistematiza um plano de ação visual onde são definidos métodos, prazos,
responsabilidades, objetivos e recursos. As relações de dependência entre as ações propostas, é
estabelecida.
O estudo de caso atuou na etapa de embutimento da fábrica de embutidos Ternovski, em
Imbituva – PR. O processo é basicamente manual, altamente dependente da mão-de-obra na qualidade
de produção. A empresa não possuía nenhum sistema de gestão. Na primeira etapa da implementação
houve um Brainstorming inicial e o mapeamento do processo por fluxograma. Essa etapa durou três
semanas. A segunda etapa teve início com a coleta de dados como horário de fabricação, quantidade de
perdas, e tipo de produto fabricado, via folha de verificação. Na terceira etapa foi desenvolvida uma
planilha de fechamento de mês, organizando e analisando os dados coletados na segunda etapa. Foi,
então, produzida uma folha de verificação de controle de problemas para obter frequência de falhas de
produção por tipo. Os principais problemas observados foram: produtos perdidos por rompimento,
produtos defeituosos, massa pouco homogeneizada, produto com ar, produto com má defumação. A
quarta etapa, identificou as falhas com maior recorrência por diagrama de pareto, sendo, os quatro
primeiros já citados, responsáveis por 82,89% das oportunidades de falha. A quinta etapa produziu o
diagrama de Ishikawa na procura pelas causas principais dos problemas encontrados. Foram
identificadas como causas principais a falta de treinamento dos operadores e a falta de manutenção
preventiva das máquinas. A sexta etapa formatou um plano de ação, após novo Brainstorming, usando
5W2H a fim de atingir a meta determinada. A responsabilidade pelas ações de treinamento ficou a cargo
do aluno pesquisador, técnico em fabricação mecânica, sem custo para a empresa. Os treinamentos
duraram três dias com duração entre 20 e 30 minutos por dia. A sétima etapa ficou a cargo da análise
dos resultados de melhoria. Foi observada uma redução considerável nas perdas, cerca de 66% de
redução, chegando a índices de 0,5% de perdas, com aumento da produção e redução no tempo de
trabalho.
Os operadores relataram a importância do fluxograma na visão global do processo. Os gestores
atentaram para a importância da qualidade no processo produtivo, vendo o CEP como preparador para
o crescimento da empresa e fornecimento para grandes clientes que demandam padrões de qualidade
mais rígidos.

Análise crítica do resenhista:

A utilização das ferramentas de qualidade integradas ao CEP, permite colher resultados


expressivos em qualquer tipo de processo produtivo. Permite que os colaboradores enxerguem as
oportunidades de melhoria, atuando preventivamente sobre elas. Importante ressaltar que o processo de
gestão da qualidade deve atuar de forma contínua para garantir menor variabilidade de processo,
entregando uma produção com segurança, homogeneidade e foco na expectativa do cliente.
Ferramentas como Diagrama de Pareto e Ishikawa são essenciais para tornar visíveis os defeitos com
maior impacto e as causas das variações, direcionando os recursos para ações eficazes na redução e
controle dos desperdícios. Pontos altos do estudo apresentado foi a participação dos operadores em
diversos Brainstormings propostos e a sua necessidade por treinamento. O fato de um dos pesquisadores
poder atuar no treinamento e manutenção da máquina de enchimento foi um diferencial que permitiu o
desenvolvimento da pesquisa acadêmica e a vantagem econômica para a empresa que não teve custo
para a implementação das melhorias. O artigo poderia ter se atentado para uma melhor apresentação
dos indicadores iniciais de falha fazendo uma comparação mais clara do percentual de melhorias obtido
em relação às falhas no processo de enchimento.