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O desafio de Moro no Senado

O ministro precisa dizer com clareza se as mensagens


que lhe são atribuídas são falsas e, caso verdadeiras,
explicar por que não comprometem sua imparcialidade
19/06/2019 07h15 Atualizado há 3 horas

O ministro da justiça Sérgio Moro durante evento do 154º aniversário da


batalha naval do Riachuelo na sede da Marinha, em Brasília, no último dia
11/6 — Foto: Adriano Machado/Reuters

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, enfrenta hoje o primeiro desafio


político concreto no escândalo das mensagens trocadas entre ele e
procuradores da Operação Lava Jato. Responderá às perguntas dos
senadores da Comissão e Constituição e Justiça do Senado.
Desde que que o escândalo veio à tona, dez dias atrás, a atitude de
Moro flutuou. No início, negou impropriedades, mas não a autencidade
das mensagens. Seu discurso mudou no meio da semana passada,
depois que vestiu a camisa do Flamengo ao lado do presidente Jair
Bolsonaro.
Naquele mesmo dia, viera à tona uma nova mensagem atribuída a
Moro, revelando confiança no ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal
Federal (STF). “In Fux we trust”, dizia Moro, segundo a mensagem, ao
procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato.
Ao contrário das demais mensagens, esta não foi publicada no
site The Intercept, mas revelada no programa "O É da coisa", do
jornalista Reinaldo Azevedo na rádio BandNews, pelo editor-executivo
do site (até agora, o Intercept não publicou reportagem sobre o
episódio).
No dia seguinte, Moro concedeu uma entrevista ao jornal O Estado de
S.Paulo e passou a contestar veladamente a autenticidade das
mensagens publicadas. “Não tenho como confirmar a veracidade”,
voltou a afirmar ontem no programa do apresentador Ratinho, no SBT.
Desta vez, Moro não estará nem no programa do Ratinho, nem no
jogo do Flamengo, nem na Marcha para Jesus (convidado pelo
deputado e pastor Marco Feliciano, ele lamentou não poder
comparecer ao evento). Estará diante dos senadores da República e
terá a oportunidade de esclarecer enfim o que sabe o que lhe é
atribuído nas mensagens.
As dúvidas que ainda persistem são simples e não deveriam deixar
margem a tergiversação. Primeira: as mensagens são autênticas?
Segunda: vieram mesmo da invasão ilegal do programa Telegram no
celular de um procurador? Moro não terá como responder à segunda,
mas tem obrigação de esclarecer a primeira.
Há uma diferença entre ele afirmar que “não tem como confirmar a
autenticidade” ou que as mensagens não são autênticas. A primeira
frase é uma manobra política para desacreditar a revelação. Tenta
lançar uma cortina de fumaça e semear a dúvida, mas é aquilo que o
diretor de redação do Washington Post Ben Bradlee chamava, no auge
do caso Watergate, de “non-denial denial” – uma negativa que não
nega.
Se as mensagens são falsas, se houve mesmo manipulação como os
procuradores e Moro têm dado a entender, cabe exibir onde e
comprovar como (ainda que ele afirme não usar o Telegram há mais
de dois anos). Bastaria uma só prova de falsidade para pôr em xeque
o lote em poder do Intercept. Até agora, ela não veio.
Na falta, a pressão sobre Moro persistirá diante do conteúdo que veio
à tona. Mesmo que juridicamente as mensagens não tenham valor e
que a maioria das conversas trate de assuntos corriqueiros, é preciso
muita benevolência para não ver nelas nada de criticável. No mínimo,
põem em questão a imparcialidade que Moro sempre proclamou na
Lava Jato.
O assunto voltará à tona na terça-feira que vem, quando deverá ser
retomado, no STF, o julgamento de um pedido da defesa do ex-
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alegando parcialidade de Moro.
Dos ministros cujo voto ainda está em aberto, a dúvida paira sobre
Celso de Mello. Se ele decidir acatar o pedido, Lula poderá ser solto.
São inegáveis os méritos de Moro – entre os quais levar à cadeia, pela
primeira vez na história brasileira, tanto empresários corruptores
quanto políticos corruptos. É inegável também a responsabilidade
penal de Lula, condenado com base em provas referendadas por
outros nove juízes, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4)
e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A confusão em torno da possibilidade de libertação de Lula não deve
ofuscar o principal: o risco que paira sobre todos os demais processos
da Lava Jato, caso o STF aceite o argumento da parcialidade. Moro
tem muitas explicações a dar, mas o país não pode recuar dos
avanços no combate à corrupção.
Se está mesmo em curso uma campanha para salvar os corruptos,
Moro tem hoje a oportunidade de desacreditá-la. Precisa, porém,
deixar de lado a ambiguidade das negativas que não negam e
examinar, no mérito, cada conversa e situação que lhe é atribuída.
Afirmar – sim ou não – se é verdadeira ou falsa. Se verdadeira,
oferecer sua versão para o contexto e explicar por que não
compromete sua imparcialidade. Não é tão difícil assim.
Marinha dos EUA diz que fragmentos
de minas apontam para o Irã em
incidente com navios petroleiros
Segundo os militares, as minas têm notável semelhança
com as iranianas. Os Estados Unidos já haviam
acusado o Irã pelo incidente com os petroleiros, no dia
13 de junho, no Golfo de Omã. O país persa nega
responsabilidade.
Por Reuters
19/06/2019 09h48 Atualizado há 51 minutos

Um dos navios petroleiros que foram supostamente atacados no dia 13 de


junho no golfo do Omã. — Foto: Isna/Handout via Reuters

A marinha dos Estados Unidos mostrou, nesta quarta-feira (19),


fragmentos de minas e um ímã que afirmou ter retirado de um dos
navios petroleiros que foram danificados no Golfo de Omã na semana
passada. Segundo os militares, as minas têm notável semelhança
com as iranianas.
"A mina limpet [tipo de mina que é presa ao alvo por ímãs] que foi
usada no ataque é reconhecível e também tem uma semelhança
marcante com minas iranianas que já foram exibidas publicamente em
paradas militares", disse Sean Kido, comandante de um grupo de
tarefas que cuida de explosivos e resgates na marinha dos Estados
Unidos.
Kido falou com repórteres em uma instalação da marinha perto do
porto de Fujairah, nos Emirados Árabes, cidade que é banhada pelo
Golfo de Omã.
Os objetos, que os americanos afirmam ter retirado do navio japonês
"Kokuka Courageous", foram supostamente colocados ali pela Guarda
Revolucionária do Irã, de acordo com a marinha.
A empresa dona do "Kokuka Courageous" havia afirmado que o navio
foi danificado por dois “objetos voadores”, mas a marinha rejeitou essa
possibilidade.
"O dano no buraco da explosão é consistente com um ataque de mina,
e não com um objeto voador externo atingindo o navio", disse Kido. O
comandante também acrescentou que havia furos de pregos visíveis
no casco que indicavam como a mina estava presa ao navio.
Na semana passada, militares americanos já haviam divulgado um
vídeo que, supostamente, mostrava a guarda iraniana removendo uma
mina que não explodiu do "Kokuka Courageous". No dia 13 de junho,
a embarcação foi danificada junto com outro navio, norueguês, no
Golfo de Omã. O Irã nega qualquer envolvimento no incidente.

Feminicídio é o termo usado para denominar assassinatos de


mulheres cometidos em razão do gênero. Ou seja, quando a vítima é
morta por ser mulher. No Brasil, a Lei do Feminicídio, de 2015,
estabelece que, quando o homicídio é cometido contra uma mulher, a
pena é maior. De acordo com o Mapa da Violência de 2015, último
levantamento quantitativo nacional sobre o assunto, o Brasil é
considerado o 5º país do mundo com maior número de feminicídios.
Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas
(ONU), só em 2017, foram 4.600 casos, ou seja, entre 12 e 13
mulheres são mortas todos os dias. Veja também Lei Maria da Penha
e Lei do Feminicídio: qual a diferença para a mulher?... - Veja mais em
https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2018/08/21/o-que-e-
feminicidio-entenda-a-definicao-do-crime-que-mata-
mulheres.htm?cmpid=copiaecola

é o termo usado para denominar assassinatos de mulheres cometidos


em razão do gênero. Ou seja, quando a vítima é morta por ser mulher.
No Brasil, a Lei do Feminicídio, de 2015, estabelece que, quando o
homicídio é cometido contra uma mulher, a pena é maior. De acordo
com o Mapa da Violência de 2015, último levantamento quantitativo
nacional sobre o assunto, o Brasil é considerado o 5º país do mundo
com maior número de feminicídios.

O feminicídio é o homicídio praticado contra a mulher em


decorrência do fato de ela ser mulher (misoginia e menosprezo pela
condição feminina ou discriminação de gênero, fatores que também
podem envolver violência sexual) ou em decorrência de violência
doméstica. A lei 13.104/15, mais conhecida como Lei do
Feminicídio, alterou o Código Penal brasileiro, incluindo como
qualificador do crime de homicídio o feminicídio.
Tipos de feminicídio
A Lei do Feminicídio não enquadra, indiscriminadamente,
qualquer assassinato de mulheres como um ato de feminicídio. O
desconhecimento do conteúdo da lei levou diversos setores,
principalmente os mais conservadores, a questionarem a necessidade
de sua implementação. Devemos ter em mente que a lei somente
aplica-se nos casos descritos a seguir:
 Violência doméstica ou familiar: quando o crime resulta da violência
doméstica ou é praticado junto a ela, ou seja, quando o homicida é um
familiar da vítima ou já manteve algum tipo de laço afetivo com ela.
Esse tipo de feminicídio é o mais comum no Brasil, ao contrário de
outros países da América Latina, em que a violência contra a mulher é
praticada, comumente, por desconhecidos, geralmente com a presença
de violência sexual.
 Menosprezo ou discriminação contra a condição da mulher:
quando o crime resulta da discriminação de gênero, manifestada pela
misoginia e pela objetificação da mulher.

A violência contra a mulher, muitas vezes, acontece na própria casa da vítima e é praticada por um
familiar.
Quando o assassinato de uma mulher é decorrente, por exemplo,
de latrocínio (roubo seguido de morte) ou de uma briga simples entre
desconhecidos ou é praticado por outra mulher, não há a configuração
de feminicídio. O feminicídio somente qualificará um homicídio nos
casos descritos nos tópicos acima.
Leia também: Participação feminina no mercado de trabalho
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Objetivo e a importância da Lei do Feminicídio
Em razão dos altíssimos índices de crimes cometidos contra as
mulheres que fazem o Brasil assumir o quinto lugar no ranking
mundial da violência contra a mulher, há a necessidade urgente de
leis que tratem com rigidez tal tipo de crime. Dados do Mapa da
Violência revelam que, somente em 2017, ocorreram mais de 60 mil
estupros no Brasil. Além disso, a nossa cultura ainda se conforma
com a discriminação da mulher por meio da prática, expressa ou
velada, da misoginia e do patriarcalismo. Isso causa a objetificação
da mulher, o que resulta, em casos mais graves, no feminicídio.
A imensa quantidade de crimes cometidos contra as mulheres e os
altos índices de feminicídio apresentam justificativas suficientes para
a implantação da lei 13.104/15. Além disso, são necessárias políticas
públicas que promovam a igualdade de gênero por meio da educação,
da valorização da mulher e da fiscalização das leis vigentes.

O patriarcalismo e a misoginia são fatores por trás dos altos índices de violência contra a mulher no
Brasil.
Feminicídio reprodutivo
Os tipos de feminicídio são, basicamente, aqueles apresentados pela
lei (em decorrência da violência doméstica e da misoginia com ou sem
violência sexual). Porém, a pesquisadora Jackeline Aparecida Ferreira
Romio, doutora em Demografia pela Unicamp, qualifica em sua
pesquisa outro tipo de feminicídio, o feminicídio reprodutivo, que
decorre de abortos clandestinos feitos em clínicas ilegais ou por meio
de métodos caseiros.
Essa polêmica classificação de Jackeline Romio é importante por
chamar a atenção para o fato de que o feminicídio também decorre,
estruturalmente, de um sistema legal que imprime a misoginia na
forma de controle social sobre a mulher. A proibição do aborto é
uma forma de controlar o corpo e, concomitantemente, de manter um
certo tipo de poder sobre as mulheres, além de não ser uma medida
eficaz contra a prática.
O que vemos, em geral, é que a proibição legal não cessou o número
de abortos cometidos, mas fez com que as mulheres procurassem as
clínicas ilegais, geralmente locais sem condições sanitárias mínimas
para realizar qualquer procedimento de saúde, ou as aborteiras, que se
utilizam de métodos caseiros igualmente perigosos.
Leia também: O que é feminismo?
Lei do Feminicídio
A Lei 13.104/15, mais conhecida como Lei do feminicídio, introduz
um qualificador na categoria de crimes contra a vida e altera a
categoria dos chamados crimes hediondos, acrescentando nessa
categoria o feminicídio. Confira a lei:
Feminicídio (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
VI – contra a mulher por razões da condição de sexo feminino:
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da
Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força
Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em
decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente
consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
§ 2º-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino
quando o crime envolve:
I - violência doméstica e familiar;
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Aumento de pena
§ 7º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a
metade se o crime for praticado:
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto;
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta)
anos ou com deficiência;
III - na presença de descendente ou de ascendente da vítima.” (NR)
Art. 2º O art. 1º da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, passa a
vigorar com a seguinte alteração:
“Art. 1º
I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de
grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente, e
homicídio qualificado (art. 121, § 2o, I, II, III, IV, V e VI);
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação.
Brasília, 9 de março de 2015; 194º da Independência e 127º da
República.
Também houve alteração da seção dos crimes hediondos (lei nº
8.072/90) por meio da lei 13.104/15, que colocou o feminicídio na
mesma categoria desses crimes, o que resultou na necessidade de se
formar um Tribunal do Júri, ou o conhecido júri popular, para julgar
os réus de feminicídio.
Pena para os crimes de feminicídio
Por se tratar de uma forma qualificada de homicídio, a pena para o
feminicídio é superior à pena prevista para os homicídios simples.
Enquanto um condenado por homicídio simples pode pegar de 6 a 20
anos de reclusão, um condenado por feminicídio pode pegar de 12 a
30. Isso iguala a previsão das penas para condenados por homicídio
qualificado e feminicídio.

A pena para crimes de feminicídio pode chegar a 30 anos de prisão.


Feminicídio no Brasil
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), entre
2007 e 2011, ocorreu, em média, um feminicídio a cada uma hora e
meia no Brasil, o que resultou em um total de 28.800 feminicídios
registrados no período. O Mapa da Violência de 2015 aponta a
ocorrência de 13 feminicídios por dia no Brasil contra os 16
apontados na amostragem do IPEA de 2007 a 2011.
A maior parte desses crimes é praticada por homens que vivem ou
viveram com a vítima, sendo namorados, parceiros sexuais ou
maridos. Além dos altos índices de feminicídio, existem ainda muitos
casos de estupro e lesão corporal gerada por violência doméstica.
Diante de tantos dados de crimes cometidos contra as mulheres e do
fato de o Brasil ocupar o quinto lugar no ranking de violência contra a
mulher (ficando à frente de países árabes em que a Lei Islâmica é
incorporada no sistema legal oficial), é necessário pensar a origem de
tanta violência.
Leia também: O mundo árabe e o direito das mulheres
Como afirmam algumas teorias feministas, a origem dessa violência
está na cultura patriarcal e misógina que ainda permeia a nossa
sociedade. Esse tipo de cultura somente pode ser revertido com
políticas que promovam a educação, a igualdade de gênero e a
fiscalização da lei, além de leis, como a Lei Maria da Penha e a Lei
do Feminicídio, que criminalizam e propõem punições específicas e
mais severas para quem pratica crimes de violência contra as
mulheres.

Por Francisco Porfírio


Professor de Sociologia

Feminicídio
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Memorial para uma mulher morta no Chile em 2007

Femicídio ou feminicídio é um termo de crime de ódio baseado no gênero, amplamente


definido como o assassinato de mulheres, mas as definições variam dependendo do
contexto cultural.[1] A autora feminista Diana E. H. Russell foi uma das primeiras a usar o
termo e atualmente define a palavra como "a matança de mulheres por homens, porque
elas são mulheres". Outras feministas colocam ênfase na intenção ou propósito do ato que
está sendo dirigido às mulheres especificamente porque são mulheres; Outros incluem a
morte de mulheres por outras mulheres.[2]
Muitas vezes, a necessidade de definir o assassinato de mulheres separadamente
do homicídio em geral é questionada. Os críticos argumentam que mais de 80% de todos
os assassinatos são de homens, então o termo coloca demasiada ênfase no assassinato
menos prevalente de mulheres. Além disso, o estudo do femicídio é um desafio social.[3]
Um termo alternativo oferecido é generocídio que é mais ambíguo e inclusivo. No entanto,
algumas feministas argumentam que o termo perpetra o tabu do sujeito do assassinato de
mulheres. Feministas também argumentam que os motivos para femicídio são muito
diferentes do androcídio, que vai além da misoginia, criando um clima de terror que gera a
perseguição e morte da mulher a partir de agressões físicas e psicológicas dos mais
variados tipos, como abuso físico e verbal, estupro, tortura, escravidão sexual,
espancamentos, assédio sexual, mutilação genital e cirurgias ginecológicas
desnecessárias, proibição do aborto e da contracepção, cirurgias cosméticas, negação da
alimentação, maternidade e esterilização forçadas. Em vez estarem centrados na violência
nas ruas, grande parte dos feminicídios acontece em casa.

Índice

 1Definição
 2História
o 2.1Brasil
 3Características do feminicídio
o 3.1Tipos
 4Ver também
 5Referências
 6Ligações externas

Definição
Parte da série sobre o

Feminismo
História[Expandir]

Sufrágio[Expandir]

Variações[Expandir]

Vertentes religiosas[Expandir]

Por país[Expandir]

Conceitos[Expandir]

Teoria[Expandir]

Aspectos culturais[Expandir]

Portal Feminismo

 v
 d
 e

Há autoras e autores que se baseiam na terminologia usada por Jill Radford e Diana
Russel, em Femicide: The Politics of Woman Killing, de 1992.[4] Marcela Lagarde,
antropóloga e feminista mexicana, utiliza a categoria feminicídio, que significa assassinato
de mulheres (termo homólogo ao homicídio), mas acrescentando a ele uma significação
política: a de genocídio contra as mulheres.[5]
O feminicídio constitui uma categoria sociológica claramente distinguível e que tem
adquirido especificidade normativa a partir da Convenção de Belém do Pará, a Convenção
Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, adotada pela
Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) em 09 de junho de
1994 e ratificada pelo Brasil em 27 de novembro de 1995.
Segundo Rita Laura Segato, a tentativa de Marcela Lagarde de separar as duas definições
não foi efetiva, tendo em vista que os dois termos são usados indistintamente nos
trabalhos sobre o tema. De maneira política, as duas categorias, femicídio e feminicídio,
têm sido utilizadas para descrever e denunciar mortes de mulheres em diferentes
contextos sociais e políticos.[6] Há autores que consideram “feminicídio” como uma variante
de “femicídio”, tendo em vista que a definição inicial é bastante abrangente.

História
Empalamento de uma mulher valdense em Piemonte em 1655

A expressão femicídio – ou femicide como formulada originalmente em inglês – é atribuída


a Diana Russell, que a teria utilizado pela primeira vez em 1976, durante um depoimento
perante o Tribunal Internacional de Crimes contra Mulheres, em Bruxelas. Posteriormente,
Diana Russel e Jill Radford escreveram o livro Femicide: the politics of woman killing que
se tornou uma das principais referências para os estudiosos do tema.[4]
A categoria “femicídio” ou “feminicídio” ganhou espaço no debate latino-americano a partir
das denúncias de assassinatos de mulheres em Ciudad Juarez – México, onde, desde o
início dos anos 1990, práticas de violência sexual, tortura, desaparecimentos e
assassinatos de mulheres têm se repetido em um contexto de omissão do Estado e
consequente impunidade para os criminosos, conforme denúncia de ativistas políticas.[7]
Em relação à bibliografia disponível sobre a temática do feminicídio, grande parte do
material é composta de relatórios feitos por ONGs feministas e agências internacionais de
defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional, e outras. São trabalhos cujo
objetivo é dar visibilidade a essas mortes e cobrar dos Estados o cumprimento dos
deveres assumidos na assinatura e ratificação de convenções e tratados internacionais
para a defesa dos direitos das mulheres. Na América Latina, as duas principais
convenções são a Convenção de Belém do Pará (OEA, 1994) e a Convenção sobre a
eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres (1979).[carece de fontes]
Brasil

Em solenidade no Palácio do Planalto, a ex-presidente Dilma Rousseff sanciona a Lei do


Feminicídio

O Feminicídio é crime previsto no Código Penal Brasileiro, inciso VI, § 2º, do Art. 121,
quando cometido "contra a mulher por razões da condição de sexo feminino".[8] O §2º-A, do
art. 121, do referido código, complementa o supracitado inciso ao preceituar que há razões
de condição de sexo feminino quando o crime envolve: I - violência doméstica e familiar (o
art. 5º da Lei nº 11.340/06 enumera o que é considerado pela lei violência doméstica);[9] II -
menosprezo ou discriminação à condição de mulher. O feminicídio foi incluído na
legislação brasileira através da Lei nº 13.104, de 2015.
Características do feminicídio
 São mortes intencionais e violentas de mulheres em decorrência de seu sexo;
 Não são eventos isolados na vida das mulheres, porque são resultado das diferenças
de poder entre homens e mulheres nos diferentes contextos socioeconômicos em que
se apresentam e, ao mesmo tempo, condição para a manutenção dessas diferenças.
Para a qualificação de femicídios é necessária a superação de duas dificuldades: a
equiparação entre os femicídios e os popularmente chamados de crimes passionais e a
demonstração de que as mortes de mulheres são diferentes das mortes que decorrem da
criminalidade comum, em particular das mortes provocadas por gangues e quadrilhas.
Uma das grandes dificuldades para se qualificar os crimes de gênero é a falta de dados
oficiais que permita se conhecer o número de mortes de mulheres e os contextos em que
elas ocorrem. Outra dificuldade é a ausência da figura jurídica “femicídio” na grande
maioria dos países, inclusive no Brasil.[7]
Femicídios ou feminicídios devem ser distinguidos dos crimes de gênero que são
praticados contra a mulher em ambientes privados, por abusadores conhecidos de suas
vítimas. A exploração das causas e dos contextos em que são cometidos esses crimes e a
identificação das relações de poder que levam ao seu acontecimento.
Tipos

 Feminicídio íntimo: aqueles crimes cometidos por homens com os quais a vítima tem
ou teve uma relação íntima, familiar, de convivência ou afins. Incluem os crimes
cometidos por parceiros sexuais ou homens com quem tiveram outras relações
interpessoais tais como maridos, companheiros, namorados, sejam em relações atuais
ou passadas.
 Feminicídio não íntimo: são aqueles cometidos por homens com os quais a vítima
não tinha relações íntimas, familiares ou de convivência, mas com os quais havia uma
relação de confiança, hierarquia ou amizade, tais como amigos ou colegas de
trabalho, trabalhadores da saúde, empregadores. Os crimes classificados nesse grupo
podem ser desagregados em dois subgrupos, segundo tenha ocorrido a prática de
violência sexual ou não.[7]
 Feminicídio por conexão: são aqueles em que as mulheres foram assassinadas
porque se encontravam na “linha de fogo” de um homem que tentava matar outra
mulher, ou seja, são casos em que as mulheres adultas ou meninas tentam intervir
para impedir a prática de um crime contra outra mulher e acabam morrendo.
Independem do tipo de vínculo entre a vítima e o agressor, que podem inclusive ser
desconhecidos.[7]
 Transfeminicídio: também chamado de transfemicídio e travesticídio, se enquadra
dentro do termo transgenerocídio, que se caracteriza como uma política disseminada,
intencional e sistemática de eliminação da população trans, mulheres trans e travestis,
motivada pelo ódio e nojo