Você está na página 1de 28

Arantes foi um dos mais importantes intelectuais ligados ao Partido dos Trabalhadores

(PT) até romper com o partido, em 2003.

O campo popular precisa mirar sua política para além da próxima eleição.

Para analisar a vitória do candidato da extrema direita nas eleições deste ano, é preciso
questionar, inicialmente, qual é o tipo de regime que vivemos desde o fim da ditadura militar
(1964-1985). Uma "democracia de baixa intensidade" (ARANTES, 2018) [analogia com
guerras de baixa intensidade] ou "democracia racionada" (SECCO, 2018) [denominação do
Marighella]?

“Por um lado, eu acho que eu não começaria discutindo pela questão da democracia
para entender o fenômeno Bolsonaro. Não é que tenhamos uma democracia ruim, incompleta,
de baixa intensidade, racionada, assim por diante, que tornou possível a vitória dele. Teria sido
possível uma vitória do outro lado e, nem por isso, eu iria desqualificar porque a democracia
não é intensiva, digamos assim. Eu acho que a boa pergunta seria que regime é esse no qual nós
vivemos desde o fim da ditadura?”

Segundo Paulo Arantes, o Brasil está ingovernável e o pilar desse contexto é o


renascimento da política como luta. "O prisma para se entender o que ocorreu agora é o
renascimento da política. Nós não imaginávamos. Quando eu digo nós, eu estou falando,
sobretudo, da esquerda. Nós estávamos completamente anestesiados com um tipo de esquerda
que se consagrou com a abertura [pós ditadura], dos anos 1990 em diante, que é uma esquerda
que pensa em governo e não se imagina fora dele, uma esquerda para governar. Essa é a grande
novidade do petismo e, portanto, gestionária", argumenta o filósofo.

“De tal maneira nós estávamos impregnados por essa ideia que nós, de certa maneira,
tínhamos abandonado a ideia clássica de política como conflito social canalizado em torno de
algumas grandes expectativas – e nos aferramos à ideia de gestão, governo e administração. E
eu acho que estava subentendido que não haveria mais política. No fundo, era isso: a política
tinha se resumido na disputa dos fundos públicos e políticas orçamentárias alternativas e como
encaminhar esses fundos através de políticas públicas conquistadas ou implementadas através
de negociações com o Congresso, lobbys e assim por diante”.

A ideia de eleição ou alternância de poder praticamente era uma rotina sem nenhum
significado político. Isto é, por mais acirrados que fossem os embates nas campanhas eleitorais
que acontecessem de dois em dois anos – e dá uma ilusão de mobilização em torno de projetos,
mas são projetos de poder em disputa eleitoral. E isso não muda estruturalmente nada. Se a
gente imagina a alternância do FHC e Lula, a política econômica basicamente tem um fundo
comum. Tanto é que se tira e põe o [Henrique] Meirelles, que é pau para toda obra. Nós
achávamos que não haveria mais inovação política, que seria representada pelos dois projetos
que se alternavam, tucanos, ortodoxia e um governo social, digamos assim. Mas o pano de
fundo era o mesmo. Nós, nos anos 1990, definimos quais eram os dois projetos em disputa e, a
partir disso, eles poderiam se alternar sem que houvesse nenhuma quebra, nenhum tipo de
ruptura.

O que, de certa maneira, indica que nós havíamos desistido da ideia de política enquanto
transformação ou como conquista, luta. Ora, a direita reinventou isso. Nós estamos
presenciando um retorno da política pela extrema direita, se nós imaginarmos que havia um
bloco só de centro-direita e centro-esquerda que convergia ao centro e a política era uma
variação macroeconômica em torno disso e uma maior intensificação ou não de programas
sociais compensatórios, emancipatórios.

Do ponto de vista do rumo nacional a ser disputado, nada mais poderia ocorrer. E eis
que de maneira surpreendente, a partir de 2013, aparece uma nova direita. E essa nova direita
dá um trança-pé e contorna a centro-direita e a centro-esquerda ao mesmo tempo, o que faz com
que ambas apareçam configurando um só establishment. Então, o lulismo está sendo
defenestrado assim como o tucanismo, porque são identificados como parte do establishment.
Não é apenas demagogia populista contra o sistema porque eles foram identificados como tal,
são governos. E a grande reviravolta que aconteceu foi contra o establishment. E em condições
que nem a esquerda mais exasperada poderia imaginar.

Como o senhor avalia o papel das fake news nesse contexto?

Por mais que se fale em financiamento externo ou fake news, isso é absolutamente
irrelevante. O fato de que um pequeno grupo folclórico, até então, de extrema direita conseguiu,
por uma espécie de sexto sentido, enxergar alguma coisa diante de si e, pelo simples faro, dizer
'é a nossa hora' e contornar um sistema político e de financiamento de campanha, contornar os
grandes partidos políticos, golpear a mídia e fazer quase 60 milhões de votos. Em cinco anos.
Exatamente de 2013 a 2018. Essa é a novidade.

Ora, em função dessa grande novidade, que é uma ameaça, a pergunta pela democracia
fica prejudicada. A pergunta é: o que estamos entendendo por democracia quando nós
entendemos essa grande vitória política da extrema direita como uma ameaça à democracia?
Que democracia existia antes que nos estão ameaçando? E, se nós ganhássemos, que tipo de
democracia era essa que permitiria esse tipo de vitória?

Então, eu acho que não raciocinaria nestes termos. Eu disse de maneira clara e fazendo
uma tirada, se existe alguma política leninista no Brasil neste momento, ela foi feita pela
extrema direita. Havia uma vanguarda informal. Eles se organizaram, interpretaram um
movimento de rebelião de massas que foi 2013, disseram para aqueles que foram às ruas qual
era o programa deles (que eles não sabiam ao certo qual era, não era apenas corrupção), o que
eles estavam buscando, por que eles estavam indignados, por que a corrupção os deixava
naquele estado, o que significava os megaeventos… E, em três anos, derrubaram a presidenta.
Souberam surfar num golpe malogrado. O impeachment era golpe de centro-direita clássico
que não deu o que eles imaginavam, que era reconduzir e abreviar essa alternância que estava
se prolongando demais. Eles aproveitaram a primeira chance para encurtar o caminho. Mas
quando eles atalham o caminho, é outro bloco que entra e leva a rapadura.

Isso é uma coisa inacreditável. Ninguém imaginava que isso pudesse acontecer. E
aconteceu só que não é um grupo organizado. É um grupo exaltado, com princípios mais
exóticos e anti-democráticos possíveis e que não sabe bem o que quer, em termos
programáticos. Eles não têm programa de governo. É qualquer coisa que abra para a economia
de pilhagem, que vai acontecer. É como se fosse um conglomerado de lobbies que vai disputar
anos de poder econômico, que vai se desmanchando.

E o pano de fundo, a trilha sonora da extrema direita que garante o apoio popular e de
massas eleitoral para esse projeto que não existe. Se perguntarem qual é o programa de governo
deles, ninguém saberia dizer.

Esses movimentos se sustentaram, nos últimos cinco anos, pelo discurso de ódio e por
um antipetismo latente. Como eles vão conseguir, no governo, se sustentar sem projeto de
governo? Eles vão conseguir permanecer sustentados apenas por esse ódio e alimentando esse
inimigo? O Bolsonaro em sua primeira entrevista, por exemplo, não abriu mão do projeto de
tipificar movimentos como o MST como terroristas…

Tudo aparece como uma catástrofe de tal envergadura que temos a tendência de falar
em um antes e depois. Claro que há um antes e um depois. E o que vem por aí não se sabe
direito. Mas acontece que não há uma ruptura com o que tinha antes. Quando se fala em
criminalizar os movimentos sociais, há quanto tempo nós falamos em criminalização dos
movimentos sociais? E há quanto tempo nós estamos em uma coalização democrática popular?
Não é preciso acrescentar nenhuma legislação nova para enquadrar qualquer movimento social.

É uma intensificação de coisas que já vinham ocorrendo por um período histórico. Não
houve, nenhum momento, talvez nos fins dos anos 1980 – talvez até 1987 no caso do MST em
que ele fosse considerado um protagonista social construtivo, que a ruptura dele era encarada
como um benefício geral para o país, com reforma agrária, entre outras coisas. Isso foi um breve
instante em que isso ocorreu. Fora esse breve instante, eles sempre foram criminalizados,
massacrados. Massacre de camponeses ainda é uma coisa recorrente no Brasil. De modo que,
quando dizem que agora haverá uma tipificação penal em que movimento social passa a ser
terrorista e uma ocupação passa a ser um ato de terror e será reprimido como tal; do ponto de
vista dominante, isso sempre foi encarado assim. Nosso temor é que essa ameaça se cumpra de
maneira mais intensificada e mais generalizada. É uma diferença de grau para o que tinha antes,
mas não uma mudança qualitativa, que antes não havia e agora tem. [RELAÇÃO ENTRE
QUANTIDADE E QUALIDADE]

Eu acho que a resistência se equivoca um pouco achando que é tudo absolutamente novo
e nós estamos desarmados. Nós já estávamos desarmados há muito tempo. Algo que é novo é
essa nova direita nas ruas, há cinco anos, e com um eleitorado de 60 milhões que optou pela
figura do ódio, raiva, preconceito.

O senhor tem evitado caracterizar esse movimento como fascista, mas afirmou que
estamos em um período em que monstros aparecem. O Mano Brown, em um comício, deu
uma declaração parecida e disse que viu "muito dos seus se tornarem monstros". Como
podemos caracterizar esse fenômeno?

Raiva, ódio, rancor, ressentimento não nascem por geração espontânea. Há uma
matéria-prima que estava fermentando na sociedade brasileira há muito tempo e nós não
queríamos enxergar. Se nós computarmos os quase 60 milhões de votos do bolsonarismo, teria
um número irrisório de pessoas que estariam dispostas a violar, linchar, matar, estuprar,
humilhar e barbarizar.

O que é mais assustador é que o Bolsonaro não enganou ninguém. Ele fala disso há
muito tempo. E agora passou a ser verossímil. Ele não está enganando ninguém e não há razão
[para] achar que seja apenas bravata. Então, por que que as pessoas não ligam para isso? Como
não são 60 milhões de fascistas, o que significa uma maioria esmagadora de pessoas para as
quais esse discurso não conta, não afeta, que podem ficar indiferentes a isso, simplesmente virar
o rosto para o outro lado? Isso é o que eu acho mais terrível. Não é o fato de que o fascista seja
um brutamontes e vá barbarizar – é da natureza dele, não pode fazer nada que não seja isso. O
mais assustador é que haja essa imensa maioria que vira a cara para o outro lado e fica
indiferente. E não é apenas por medo. Eu não diria cumplicidade porque as pessoas ficariam
horrorizadas se assistissem a um ato de selvageria, com pessoas sendo oprimidas e massacradas.
Mas isso não as afeta nessa vontade de ser indiferentes a um horror que é anunciado. Significa
então que tudo é possível.

As comparações históricas são muito complicadas, mas no entre-guerras na Alemanha


as pessoas tendiam a virar o rosto para o outro lado. Havia uma espécie de consentimento. E
isso é o mais aterrorizante.

Ou chegamos a um ponto que nós não entendemos mais como uma pessoa pode
raciocinar friamente, articuladamente e racionalmente quando votam e aderem [à campanha de
Bolsonaro]. Eu não falo dos apoiadores fanáticos, mas aquele que faz o voto estratégico no
Bolsonaro e diz que não concorda com homofobia, racismo, xenofobia. Se deve imaginar que
a vida se tornou tão invivível que, mesmo alguém que fala coisas horríveis, eu tendo a dar um
desconto porque eu quero mudar, não dá mais para viver desse jeito. Então, mesmo que Fulano
diga que vai fazer todos os horrores que ele promete, eu acho que isso ainda não está na altura
do preço que eu estou pagando pela minha vida cotidiana, como assalariado, desempregado,
precarizado, esculachado de tudo o que é jeito. Tornou-se invivível para dois terços da
população. É uma reação que pede algum tipo de mudança.

E, nessas circunstâncias, quem sofre diretamente é o establishment, de qualquer campo


político. O antipetismo não é que as pessoas sejam burras, reacionárias, fascistóides. É como
se dissessem: "Você não enxerga pelo que estamos passando e ainda nos chamam de burras e
reacionárias? Nossa vida, independente de governo, tem sido uma desgraça". As políticas
compensatórias, que é o jargão oficial, elas são, de certa maneira, insensíveis para o
padecimento geral dos assalariados, daqueles que estão na engrenagem social. Elas protegem
quem está fora, mas fecha os olhos para quem está dentro do olho do furacão. E isso é
considerado intolerável e o fato de perseguirem, por exemplo, desvios da norma sexual, isso,
para eles, não vai alterar nada. É apenas um bode expiatório para qual você canaliza tudo aquilo
que te angustia. E esse tipo de curto-circuito não funciona mais e as pessoas sabem disso – e
isso que é o espantoso porque o bolsonarismo não está escondendo nada. Eles estão dizendo o
que eram. Mesmo durante dois meses intensos de campanha. O enigma está aí. E enquanto a
gente não decifrar isso vamos tomar no lombo mais uma bela temporada.
E o senhor tem uma pista?

Eu não tenho nenhuma pista que seja razoável. A gente leu quilômetros de sociologia
sobre a realidade contemporânea brasileira. Mas não explica. Todo o repertório clássico de
psicologia das massas para decifrar o que seria um fascismo contemporâneo, não há como
encontrar uma descrição razoavelmente coerente.

É complicado imaginar por que as pessoas fizeram este tipo de aposta. Estamos
realmente desnorteados e nenhuma explicação clássica satisfaz. É claro que eu posso descrever
o que é bolsonarismo, da ditadura militar, posso falar da lei de anistia que não aconteceu. Mas
tudo somado não dá para explicar nessa conjuntura que virou pelo avesso em cinco anos.

Outro fenômeno que aconteceu nessas eleições é o voto em Lula – que até então liderava
as pesquisas de intenção de voto no primeiro turno – terem se convertido em votos para o
Haddad, mas também em nulos, brancos e uma parcela se reverteu também para Bolsonaro.
Quem é esse eleitorado?

Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Os dados e mapas eleitorais ainda não foram
totalmente desagregados… É difícil entender o que é uma revolta conservadora, dentro da
ordem – que é uma das definições clássicas do fascismo. É um voto, para usar uma terminologia
de uma socióloga americana, dos insurgentes contra os entrincheirados. Chegar ao ponto de
você considerar um beneficiário de um programa como Bolsa Família como um entrincheirado,
como um privilégio, não é fácil de entender isso. Eu não me contento com as explicações que
estão circulando por aí. É um nó. Estamos fazendo uma entrevista sobre um beco sem saída.

Nós encontramos situações que são análogas ao que foi o fascismo histórico que é uma
reação de autoproteção da sociedade. A gente não está conseguindo explicar absolutamente
nada.

Então, existem 60 milhões de pessoas que nós temos que ganhar. E qual o caminho para
dialogar com essas pessoas que, muito provavelmente, uma parcela delas será a primeira a sentir
e ser atingido por algumas medidas desse governo?

Pois é. Como a decepção vai ocorrer rapidamente porque ele não vai entregar nada do
que prometeu, vai ocorrer uma grande frustração e uma migração para o outro campo. Só que
esse campo só se manifesta em movimentos eleitorais. O problema da esquerda é que ela está
calculando que por mais que essa derrota eleitoral, por mais acachapante que seja, ela é
recuperável. Seguramente, o vencedor vai enfiar os pés pelas mãos e não vai conseguir entregar
o que prometeu. E eu digo: o Brasil está ingovernável, este é um problema fundamental.

Nós continuamos a investir na frustração possível de um eleitor que vai ocorrer,


fatalmente, daqui a dois anos. Nós estamos pensando em termos eleitorais e partidários – os
eleitores possíveis para implementar nossas políticas que são bem ou mal sucedidas. Nós não
pensamos jamais o que foi o que aconteceu lá atrás para nós perdemos desse jeito, esse outro
jeito que nós imaginávamos ser possível fazer nos fins dos anos 1980 e 1990 que era política
de massa. Nós continuamos apostando nisso, não no fundamento insurrecional por assim dizer
– com toda a cautela possível – desse voto.

E ele foi um voto de protesto, óbvio que foi. Foi um voto para varrer do mapa tucanos,
petistas. Mas nós estamos pensando que precisamos recuperar isso enquanto gesto eleitoral e
não o que apareceu ali, que não é para ser trabalhado como uma massa uniforme, para mobilizar,
fazer as velhas políticas antigas dos movimentos sociais. Nós não sabemos o que fazer, mas há
uma coisa se preparando aí. E vai mudar.

O que PT e companhia está pensando em fazer? Exatamente o que foi feito nesses
últimos cinco anos. Isso significa que a OAB, tribunais, ministérios públicos estão aí para conter
a onda violenta que vem aí, esse rescaldo do fascista que ganha alguma coisa e se sente
empoderado. E no médio prazo, o que nós vamos fazer? Exatamente o que eles fizeram e nós
vamos repetir porque essa é a lógica: ninguém vai mais governar. Daqui a seis meses ou um
ano, está correndo um processo de impeachment.

Então, nós começamos pela desestabilização via oposição e essa desestabilização é fácil
fazer porque temos setores organizados, no nosso campo, que podem por areia na máquina
pelos erros que eles vão cometer. Inevitavelmente, eles vão enfiar os pés pelas mãos com a
Previdência, na nova reforma dentro da reforma trabalhista. Isso posto, nós começamos no
Congresso a desarticular a base parlamentar deles, inviabilizar o governo e, quando a mídia
também mudar (a Folha já mudou).

Mas a mídia é tucana, não é bolsonarista, ela simplesmente está tirando a lasquinha dela
e mostrando que está disposta a qualquer coisa, inclusive um governo delinquente como o
bolsonarismo. Mas, se não der certo, eu os rifo. Então, como essa maré vai virar, nós podemos,
regimentalmente como está na Constituição brasileira, impichá-lo, como eles fizeram conosco.
Mas isso não resolveria a crise política, não?

A encrenca brasileira é essa: abriu-se a porteira da absoluta ingovernabilidade no Brasil.


É o que ficou claro na greve dos caminhoneiros, quando os militares se apavoraram, porque
viram que não tinham um efetivo para controlar aqui, as milícias tomaram conta em boa parte
e o conflito para onde vai a conta, ficou migrando. Não há mais nenhum tipo de acordo de
concertação social entre as várias categorias sociais, empresários, bancos, agronegócio… Não
há mais acordo possível. Ficou claro isso nos últimos cinco anos. Tanto é que ocorreu o
impeachment, que era absolutamente desnecessário. [GOVERNO DE MILÍCIAS]

Havia a possibilidade de um rearranjo da casa, como foi no fim da ditadura, para o


campo que pode ser chamado de democrático, que vai da extrema esquerda até a centro direita,
e repactuarmos alguma coisa depois nos moldes da Constituição de 1988. Como foi no fim da
ditadura. Mas o que nós temos agora é um comportamento destrutivo da classe dominante
brasileira que está apostando todas as fichas em tirar sua castanha do fogo com o braço da
delinquência fascista. Ferre-se o resto. E isso é realmente o inacreditável. Houve várias chances
de acordo desde que se instaurou a crise da Era Lulista. Mas eles resolveram puxar o tapete,
fazer o impeachment e abrir a porteira do inferno. Um caos político e social.

Você acompanhou a trajetória do PT, desde o seu início. E agora, se encerra um


capítulo para o partido. Quais são as perspectivas para o partido?

Encerra, mas não encerra. O futuro do PT não é dos mais terríveis não. A perspectiva
deles não é desoladora, nós é que estamos agoniados e aflitos. Eles têm a primeira bancada no
Congresso, governadores no Nordeste, militância e um partido estruturado. O PSL é um partido
socialmente desqualificado. Não há nenhuma força no campo popular capaz de substituir o PT
com verossimilhança e como alternativa de poder e voto. Então, eles pensam, nós estamos no
caminho. Enquanto não aparecer nada que nos suplante enquanto alternativa de poder e política
social, por inércia, toda a política progressista de esquerda no Brasil cai no nosso colo. É
inevitável. Não é ganância, sede de poder hegemônico. Eles querem sempre hegemonizar tudo,
mas não podem fazer de outro jeito. O PT está atravessado no meio do caminho e a esquerda
que está à esquerda do PT não ofereceu nenhuma alternativa credível. Para eles, a perspectiva
não é ruim não. Eles podem, inclusive, perfeitamente ganhar a prefeitura daqui a dois anos.

E aí continua o jogo e isso é o mais incrível dessa conjuntura. Nós estamos aqui
agoniados e o empenho deles é normalizar toda a situação. Não é que eles estão dizendo que o
Bolsonaro seja bonzinho, normalizado que ele possa ser, assimilado, incorporado e será
amansado se colocarmos uma focinheira nele durante quatro anos. Eles estão se comportando
como se isso fosse possível, então é o que basta. Se disputa eleição, as instituições, o sistema
eleitoral e o TSE estão aí, então nós vamos fazer uma campanha que nós sabemos que vai ser
feita na mídia social, não mais com financiamento direto. E nós podemos voltar ao poder e
continuar a não sair. Isso é o inacreditável.

Nós estamos ainda, por assim dizer, na era Geisel. Trata-se de neutralizar os dois
extremos. E como se neutraliza um dos extremos? Fingindo que ele não é um extremo,
procedendo normalmente para a próxima campanha eleitoral.

Você citou um texto de um colunista da Folha dizendo que o Bolsonaro é o anti-


Geisel. A gente está nessa era Geisel, mas vem o Bolsonaro e ganha?

Ele é o anti-Geisel, não o anti-Lula. Todo o comportamento do petismo, do lulismo é


impedir qualquer tipo de radicalização, dizendo "nós não somos nenhuma ameaça ao
ordenamento jurídico, ao poder estabelecido, nós acatamos" [postura da Mouffe]. O Lula foi
vítima de uma injustiça política, um erro judiciário, mas há duas outras instâncias ainda para
corrigir esse erro. Ele não fugiu do país, não foi embora, não chamou a insurreição, acatou às
leis, mas com o desejo de que seja feita a justiça porque é inocente e foi condenado sem provas.
Isso é dizer: "não temos nada a ver com esse extremo, cedo ou tarde o bolsonarismo vai cair".
Essa assombração social não vai refluir, esse é o problema. E ele se comporta como se fosse
um acidente de percurso e a normalidade vai continuar a imperar, com todas as instituições e
partidos. Vão, finalmente, reconhecer que o PT não é nem um bicho de sete cabeças, nem um
extremista, não é radical, é uma alternativa de governo que está se revezando há muito tempo.

Com relação à academia, a gente viu, nas últimas semanas, uma perseguição com
relação a alguns manifestos e o senhor chegou a ser citado pelo próprio Bolsonaro nessa
questão do Haddad, dizendo que o senhor era um doutrinador marxista. Qual é o papel
da universidade nesse sentido? Quais são as ameaças para a produção do conhecimento
em um governo Bolsonaro?

Por enquanto, é pura especulação. O que a extrema direita faz, além de aprontar,
aterrorizar e atemorizar? Só sabem fazer isso. Por exemplo, as grandes escolas da Universidade
de São Paulo (Direito, Politécnica e Medicina) já são conservadoras, com professores titulares
conservadores, que têm seus próprios centros de financiamento e fundações, então já é de
direita.
Bom, então o que eles vão fazer? Vão pegar as três unidades que são caracteristicamente
de esquerda na Universidade de São Paulo (Filosofia, ECA e Educação). Eles podem fazer
piquetes para atemorizar professores e alunos, vai haver denúncia em sala de aula. O que eles
querem é que nós fiquemos aterrorizados, mas há uma espécie de inércia estrutural da
instituição universidade pública, as particulares não vão mexer, porque é um comércio, eles não
vão aterrorizar um comerciante que está vendendo seu produto e tem quem consuma
pacificamente.

Quando começam essas ameaças, a opinião pública fica escandalizada, mas nem tanto,
e passa. Aí, sim, começam as políticas do dito desmonte das universidades públicas, ou as
políticas educacionais que vão aparecer, como o ensino a distância, que são lobbys
funcionando, que vêem fronteiras de acumulação na educação do ensino básico e médio.

Do ponto de vista ideológico, não é uma reversão. Por exemplo, na minha faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras, uma parte dos meus colegas são tucanos razoáveis, não são nada
de extrema direita, pelo contrário. O que eu vou fazer com eles? Não faz sentido.

Acontece que existem muitas novas federais perdidas pelo Brasil afora que são mais
vulneráveis a esse tipo de guerrilha, de expedição punitiva, de atemorização, mas vai interferir
na contratação de professores, nos concursos públicos? Bom, nem a ditadura conseguiu fazer
isso. Abre um edital para contratação de professores de Sociologia na Universidade do Cariri,
o MBL vai lá impugnar o concurso, colocar quadros? A gente está muito atemorizado com isso,
com aquela avalanche de mandados da Justiça Eleitoral na última semana e nos dois últimos
dias de campanha, achando que isso vai ser o cotidiano das universidades nos próximos quatro
anos. Elas serão atemorizadas, têm todo o debate sobre o Escola Sem Partido, etc.

A universidade vai ficar nesse embate ideológico para alimentar a excitabilidade na


esfera pública brasileira. Mas, em termos concretos, eu não vejo o que eles podem fazer de pior.
O que pode acontecer de pior, sim, é no governo, no ministério, onde não sabemos ainda o que
eles pensam sobre o que fazer com as federais, a não ser ameaçar os reitores com cortes de
verbas. Mas, eles já estão a pão e água há quatro anos. Mais do que isso, sucatear, entregar para
organizações sociais, é claro que eles podem fazer muito estrago do ponto de vista
administrativo central, mas isso é um embate que já vinha acontecendo desde a desaceleração
nos anos Dilma.
Vai, talvez, se intensificar uma espécie de plano descendente, mas o plano inclinado
para baixo já tem um bom tempo. Então, claro, que a universidade vai dizer: "nós resistimos,
nós protestamos contra aquela deputada de Santa Catarina que pediu para denunciar [os
professores]". Abaixo-assinado todo mundo assina, 150 mil assinaturas, isso vai acontecer
sempre. Mas, estamos muito mais organizados e mobilizáveis do que era há 50 anos, então não
é assim, nós estamos entregando a rapadura muito rápido. As universidades que já eram mais à
esquerda, situadas em um campo mais esclarecido e progressista, vão continuar. Não haverá
recrutamento de professores de extrema direita, os cursos não vão ser degradados, o Olavo de
Carvalho não será o ideólogo, o novo Paulo Freire da universidade brasileira. Nós estamos
raciocinando com parâmetros antigos, em um período histórico anterior. A luta vai ser diferente,
não sabemos ainda.

É claro que se você entrar em uma sala de aula em um instituto de educação e se deparar
com uma turma de 50 alunos urrando boçalidades, é diferente, aí você vai entrar no dia a dia de
uma escola de ensino fundamental e médio da periferia.

No início da entrevista, você comentou sobre o renascimento da política…

Como luta e não como gestão. Pela primeira vez, o que se exprime nas eleições, uma
espécie de impulso político que não se resumia a gerar ou gerir políticas públicas clássicas, era
tomar o poder com embate político. E eles foram à rua ganhar no grito, nas redes sociais, e
claro, ganharam na base da mentira. A pessoa foi lá, com paixão, e ganhou a insatisfação
popular, souberam canalizar um determinado rumo que significou uma vitória política
avassaladora. Portanto, eleição e luta política fazem sentido e podem fazer a diferença e mudar
para uma coisa que nós não sabemos o que é ainda. Eu sei que não vai haver governo, no sentido
real mesmo, vai haver um pandemônio, um deus nos acuda, todo mundo puxando o tapete de
todo mundo, lobby de tudo quanto é jeito, banqueiros, agronegócio, bala… A Taurus, por
exemplo, vai ficar sozinha e não vai deixar eles quebrarem o monopólio dela, que é o que eles
querem para botar uma série de empresas na indústria bélica brasileira.

A política voltou a isso e nós estamos completamente desarmados, desarvorados, sem


saber o que fazer, porque deixamos de fazer política há muito tempo, era só gestão e governo e
por aí afora.
A correlação de forças mudou completamente, mas não vai ter mais governo, não vai
ter mais gestão como nós conhecemos. Os tucanos fazem e nós fazíamos, até intercambiava, os
nossos programas eram mais ou menos semelhantes, melhor ou pior geridos. É claro que vai
continuar Prouni, Bolsa Família, FIES, mas tudo degradado, por inércia, não é uma inovação
como foi na época dos tucanos essa gestão que eles fizeram. Então, a política voltou, mas aonde
está o Estado? O Estado são as forças armadas, só, então outra incógnita: o que esses militares
que estão lá vão fazer? Nós temos poucas entrevistas, poucos indícios, ninguém está
pesquisando quem eles são, quais são os conflitos internos nas forças armadas, sobretudo no
Exército, não sabemos, apenas suposições. Mas, o novo é isso, que os caras ganharam e
ganharam a rua. O fato de que você tem gente vociferando, mesmo que seja energúmenos, que
sejam coisas horripilantes, é uma energia política em movimento e que está passando por cima.

E nós não conseguimos empolgar ninguém, é essa a verdade. O cara é um líder de massa
e o nosso está lá na cadeia e ninguém levantou um dedo. No ABC, no Sindicato, foi o pessoal
que o Boulos conseguiu arregimentar no MTST ali do pedaço, não tinha mais de cinco mil
pessoas. Seria uma história que seria bem diferente, mas os 30 anos pregressos não justificariam
esperar um milhão de pessoas na Paulista. Se, por acaso, o Bolsonaro perdesse não ia sair barato.

Como a esquerda pode voltar a encantar e a fazer essa política? Quais são as
fissuras e brechas?

Sinceramente, eu não sei. Há 50 anos a derrota foi acachapante, a força hegemônica do


campo popular era o Partido Comunista Brasileiro e ninguém tinha nada para pôr no lugar, que,
estrategicamente, perdeu tudo. Apostou em coisas impossíveis, como dispositivo militar,
burguesia nacional e por aí afora. Perdeu tudo. Não saiu desmoralizado, mas saiu desacreditado.
O primeiro movimento foi uma dissidência do Partido Comunista, que foi para a necessidade
de luta armada, que também perdeu. A partir de 1974, o jogo começa a mudar com a via de
governo institucional e, até aquele momento, não existia nada, só um conglomerado de partidos
chamado MDB e pouquíssimos movimentos sociais surgindo, além do pólo industrializante do
ABC. Em menos de 10 anos, você tinha um campo constituído, que é o que está se esfacelando
agora. Então apareceu uma coisa nova que ninguém imaginava, depois do PCB o que poderia
acontecer, inclusive o fim da União Soviética.

O que vai acontecer depois do fim do PT? O PT não vai morrer tão rápido quanto foi o
PCB, que demorou de 10 a 15 anos até os sindicatos passarem para a Chapa 2, para as oposições
sindicais. O que vai aparecer no lugar do PT é o próprio PT se refundando. As refundações do
Partido Comunista Italiano não deram certo. Nós não sabemos por enquanto o que está aí. A
não ser mobilizações eleitorais efêmeras em torno de gestão, isso ficou para trás. Podem até
ganhar a prefeitura, mas não é o novo que vai aparecer. O que vem depois não sabemos, são
grandes novidades. Por exemplo, veio o impeachment, quem se mobilizou e encarou a nova
realidade? Não foi o petismo, o lulismo. Foram os secundaristas e as mulheres. Essas coisas
novas ninguém pode prever. Quem é que imaginava que ia ter uma coisa daquelas dimensões
com os secundaristas? Tem dois meses de transição, o que vem pela frente? O que eles vão
aprontar a partir de janeiro? Vamos saber como vai ser a reação. É claro que o PT vai querer
hegemonizar tudo isso para ganhar as próximas eleições daqui há dois anos, e vão conseguir,
porque não tem nada para colocar no lugar, nada que os substitua. Quando apareceu alguma
coisa que substituiu o antigo Partido Comunista Brasileiro, ele simplesmente desapareceu,
depois virou um partido de esquerda.

Avaliação Governo Bolsonaro

Entrevista Steve Bannon

O presidente eleito Jair Bolsonaro representa o caminho do “capitalismo esclarecido” e


levará a uma maior aproximação entre o Brasil e os Estados Unidos, uma vez que será um
bastião populista nacionalista numa região em que a socialista Venezuela vive uma implosão
econômica e o FMI manda na Argentina.

Essa é a opinião de Steve Bannon, ex-assessor de Donald Trump e líder do The


Movement (O Movimento), grupo que promove nacionalismo econômico e populismo de
direita no mundo.

Bannon afirma que as mídias sociais foram instrumentais para a eleição de Trump e
Bolsonaro. “Se não fosse pelo Facebook, Twitter e outras mídias sociais, teria sido cem vezes
mais difícil para o populismo ascender, porque não conseguiríamos ultrapassar a barreira do
aparato da mídia tradicional. Trump conseguiu fazer isso, Salvini e Bolsonaro também”, diz
Bannon. Ele afirma que virá ao Brasil frequentemente a partir de janeiro.

Por que Jair Bolsonaro é o presidente certo para o Brasil neste momento?

Venho acompanhando a trajetória do capitão Bolsonaro há anos. Declarei apoio a ele


porque ele representa patriotismo e liderança em um momento em que a América do Sul passa
por uma fase muito difícil. É o tipo de líder que só aparece a cada duas gerações e pode
recuperar o país, claramente um populista e nacionalista

Foi noticiado que Bolsonaro será convidado para a primeira cúpula de O


Movimento, que se realizará em janeiro, na Bélgica. Quem mais foi convidado?

No momento, O Movimento está concentrado na Europa e nas eleições parlamentares


europeias de maio de 2019. Não sei se o capitão Bolsonaro poderá comparecer, porque sua
posse é em janeiro e ele vai estar muito ocupado, não acho que poderá viajar. Mas estamos
convidando Bolsonaro por cortesia, convidamos líderes populistas e nacionalistas de todo o
mundo. Estamos convidando o capitão como forma de mostrar nosso respeito por ele.

Quais as semelhanças entre Trump e Bolsonaro?

Há muitas semelhanças entre Viktor Orban, primeiro-ministro da Hungria, Trump,


Matteo Salvini [vice-primeiro ministro da Itália, do partido anti-imigração A Liga], na Itália,
Nigel Farage [líder pró-Brexit], no Reino Unido, e Bolsonaro.

Claramente, o populismo de centro-direita, conservador e nacionalista, é uma das


tendências mais importantes do século 21. Vejo três principais pontos em comum entre esses
líderes: em situações muito confusas, conseguem identificar quais são os principais problemas
e articular as soluções. Por serem autênticos, eles conseguem se conectar com o público de
massa, particularmente com a classe trabalhadora e classe média, de modo muito visceral. E,
em terceiro lugar, eles têm carisma.

De todos eles, Bolsonaro foi mais longe —lembro-me de que, em 2017, ele não passava
de 10% nas pesquisas de opinião e acabou vencedor. Isso é extraordinário. Quando eu
trabalhava no Goldman Sachs, aprendi a avaliar um líder corporativo pela qualidade das pessoas
que o rodeiam. E estou muito bem impressionado com os filhos de Bolsonaro e seus assessores,
além de Paulo Guedes, formado pela Universidade de Chicago.

Além disso, há muitos brasileiros vivendo no exterior, trabalhando em empresas ou no


mercado financeiro, que são assessores ou apoiadores de Bolsonaro. Ele tem um programa
econômico muito bem concebido e ambicioso.

Há 18, 19 anos, estávamos no início do que seria o século latino-americano. A Argentina


estava se transformando em uma potência industrial, a Venezuela era o segundo ou terceiro
maior produtor de petróleo e o Brasil era um dos Brics. O que aconteceu? O capitalismo de
compadrio, essa aliança entre governo e elites, levou esses países para a crise.
A Venezuela está implodindo, o FMI vai mandar na Argentina nos próximos três a cinco
anos, e o Brasil, que teve a Operação Lava Jato, ainda não conseguiu sair de uma recessão, tem
crescimento muito fraco, e teve também uma quebra do contrato social, com alta na
criminalidade e anarquia social.

É uma tragédia o que está acontecendo na América do Sul, e foi nesse clima que
Bolsonaro cresceu e mostrou-se à altura do desafio.

O senhor sabe bastante sobre o que está acontecendo no Brasil...

Estou muito focado em transformar O Movimento em algo global, e Bolsonaro é parte


disso. Passei muito tempo estudando o Brasil e acompanho de perto a política. No início do
século 21, Brasil, China, Rússia e Índia despontavam como economias líderes no mundo. E
agora o que temos? A China numa luta hegemônica com os Estados Unidos, a economia da
Índia bem acelerada, a Rússia com problemas, mas ainda uma potência geopolítica e o Brasil
atolado em uma crise.

O que aconteceu com o Brasil? O problema é essa classe política permanente, que é
corrupta e incompetente, só quer ganhar dinheiro. A situação é igual nos EUA e é por isso que
estamos vendo essas revoltas lideradas por líderes populistas que querem tornar seus países
grandiosos de novo, e Bolsonaro que quer levar o Brasil de volta a seu posto de liderança.
[claramente não. O posto liderança do Brasil foi durante os anos Lula.]

Trump e Bolsonaro usam as redes sociais de forma muito eficiente e tentam evitar e
desacreditar a mídia tradicional. Quão importante é o uso das mídias sociais em ciclos eleitorais
e no governo? Acho que a mídia tradicional ficou muito ligada às estruturas de poder existentes
e passou a reforçar essa estrutura de poder. A mídia tradicional é o partido de Davos, uma elite
financeira, cultural, científica, corporativa….

Eu e o jornal onde trabalho fazemos parte da mídia tradicional...

Sim, você se sente tão confortável em Londres, Washington ou Davos quanto no Brasil.
Os populistas nacionalistas dizem: não queremos isso, isso é o partido de Davos, e nós somos
diferentes. Se não fosse pelo Facebook, Twitter e outras mídias sociais, teria sido cem vezes
mais difícil para esse populismo ascender, porque não conseguiríamos ultrapassar a barreira do
aparato da mídia. Trump conseguiu fazer isso, Salvini e Bolsonaro também.

Da mesma maneira que existe o socialismo com características chinesas, haverá o


populismo com características brasileiras. Apesar do problema dos migrantes na Hungria e na
Itália, ele é pequeno comparado à crise que afeta o Brasil e que será enfrentada pelo capitão
Bolsonaro. A Venezuela vive uma implosão econômica que levará à anarquia ou guerra civil,
e a Argentina cedeu sua independência para o FMI. O Brasil está nessa encruzilhada, depois de
tantos anos de uma tentativa dessa classe política corrupta e incompetente tentando
implementar o socialismo no país. [????]

Bolsonaro faz comentários ofensivos em relação a gays, negros e mulheres...

Isso é apenas linguagem provocativa. Dei uma entrevista [à BBC Brasil] e o repórter
passou um tempão lendo para mim frases polêmicas de Bolsonaro. Disse a ele: nossa, parece
as entrevistas que dou sobre Trump. Os dois são provocadores. Eles são figuras mcluhanescas
[que refletem ideias do teórico da comunicação Marshall McLuhan]. Bolsonaro e Trump
entendem o poder da comunicação de massa. Nos anos 1960, McLuhan nos falou que a mídia
iria se tornar parte não apenas da cultura, mas também da política. E é verdade: hoje, a política
é, na realidade, uma narrativa midiática.

Bolsonaro usa declarações provocativas para conseguir ser ouvido em meio ao barulho,
do mesmo jeito que Trump. Em junho de 2016, Trump estava em sétimo lugar nas pesquisas
de opinião. Depois do discurso provocativo que fez, as pessoas o ouviram e ele disparou. O
mesmo acontece com Bolsonaro. Ambos são especialistas em se conectar com as massas.

No Brasil, foi aberta uma investigação sobre o uso de WhatsApp para envio em
massa de mensagens políticas e fake news durante a campanha eleitoral.

Bom, isso deve ser resolvido pela investigação da política. Mas o que eu sei é que Orban,
Salvini, Trump e Bolsonaro enfrentam a mídia. A mídia tradicional começou a ser questionada,
antes ela tinha o monopólio das notícias e agora está sendo desafiada por várias fontes de
informações. Eu acredito que é melhor ter mais fontes de notícias do que menos.

Em relação às fake news, isso será resolvido. As pessoas vão conseguir saber, o público
no Brasil é muito sofisticado, são consumidores sofisticados de mídias sociais.

O que catapultou Bolsonaro não foi a tentativa de assassinato, foi a exposição de suas
ideias. Até pessoas que foram alvo de seus comentários provocativos, como gays, começaram
a pensar: nessa crise, talvez seja importante dar uma chance a esse cara e sua plataforma de lei
e ordem.

O filho de Bolsonaro, Eduardo, esteve em Nova York e afirmou que o senhor se


dispôs a ajudar a campanha. De que maneira o senhor os ajudou?
Eu fiquei muito bem impressionado com Eduardo e seus assessores. Nós quase
terminávamos as frases uns dos outros, temos a mesma perspectiva em relação à economia,
estabilidade, lei e ordem. Eles estão muito sintonizados com o populismo e nacionalismo,
compartilhamos a mesma visão de mundo.

Informalmente, nos mantivemos em contato, e eles têm um grande grupo de brasileiros


expatriados trabalhando nos EUA. Eles não precisaram de nenhuma ajuda, são muito
sofisticados.

Não precisaram de ajuda com tecnologia para comunicações?

Não, são muito sofisticados. As campanhas no Brasil e na Itália têm muito poucos
recursos, então as mídias sociais são um componente muito importante.

No Brasil, havia dinheiro, porque agências eram contratadas pelos partidos para
fazer disparos de WhatsApp em massa.

Sim, sim, vocês têm profissionais muito qualificados nessa área.

O senhor sempre compara Bolsonaro a Trump e Salvini. De que maneira


Bolsonaro é diferente do presidente da Turquia, Recep Erdogan, e do líder filipino,
Rodrigo Duterte?

Muito diferente. Esses dois definitivamente têm personalidades autoritárias. E as


Filipinas não tinham as instituições sólidas que o Brasil tem. Erdogan é ligado ao islamismo
político. O capitão Bolsonaro não se aproxima de Duterte e Erdogan, eu o colocaria ao lado de
Trump, Orban, Salvini, líderes populistas nacionalistas.

Como devem reagir os mercados à vitória de Bolsonaro?

De forma muito positiva. Em sua vitória acachapante no primeiro turno, os mercados já


haviam reagido de forma muito positiva, apesar de a Economist, o Financial Times, o Guardian,
o New York Times o terem atacado o tempo todo. Acho que ele foi mais atacado até do que o
Trump.

O mercado vai continuar reagindo de forma muito positiva, ele está trazendo Paulo
Guedes. Os dois podem não concordar em tudo, mas vão se entender. Ele vai cortar gastos
[austeridade], fazer a reforma da Previdência [austeridade], estimular o empreendedorismo.
Mas o Brasil deveria estar preocupado e fazer algo a respeito do capitalismo predatório da
China.

Os chineses são nossos maiores parceiros comerciais, não podemos simplesmente


confrontá-los.

Não se trata de confrontá-los, trata-se de aprofundar o relacionamento com os Estados


Unidos. Os EUA serão um parceiro ainda mais próximo do Brasil durante o governo Bolsonaro
[retomar entrevista com Haddad: Trump precisa de Bolsonaro]. Num pedaço do mundo onde
há socialismo radical e caos na Venezuela e crise econômica, com o FMI mandando na
Argentina, Bolsonaro representa o caminho do capitalismo esclarecido e será uma liderança
populista nacionalista. [capitalismo esclarecido = populismo de direita, nacionalista]

Entrevista Haddad

Eu dizia: “Existe uma onda que tem a ver com a crise [econômica] de 2008, que é a
crise do neoliberalismo, provocada pela desregulamentação financeira de um lado e pela
descentralização das atividades industriais do Ocidente para o leste asiático”.

Os EUA estavam perdendo plantas industriais para a China. E a resposta foi [a eleição
de Donald] Trump. Isso abriria espaço para a extrema direita no mundo. Mas a extrema direita
dos EUA não tem nada a ver com a brasileira. Trump é tão regressivo quanto o Bolsonaro. Mas
não é, do ponto de vista econômico, neoliberal. E o chamado Trump dos trópicos [Bolsonaro]
é neoliberal.

Trump apoia Bolsonaro.

Ele precisa que nós sejamos neoliberais para retomar o protagonismo no mundo, e tirar
a China. Está havendo, portanto, um quiproquó: os EUA negam o neoliberalismo enquanto não
nos resta outra alternativa a não ser adotá-lo.

E por quê?

A crise mundial acarretou a desaceleração do crescimento latino-americano e a


consequente crise fiscal. No continente todo houve a ascensão de governos de direita —no caso
do Brasil, de extrema direita.
No Brasil está sendo gestado o que eu chamo de neoliberalismo regressivo, decorrente
da crise econômica. É uma onda diferente da dos anos 1990. Ela chega a ser obscurantista em
determinados momentos, contra as artes, a escola laica, os direitos civis.

É um complemento necessário para manter a agenda econômica do Bolsonaro, que é a


agenda [do presidente Michel] Temer radicalizada.

Essa agenda não passa no teste da desigualdade. Tem baixa capacidade de sustentação.
Mas, acoplada à agenda cultural regressiva, pode ter uma vida mais longa. Pode ter voto. Teve
voto.

Essa pauta mobiliza as pessoas criando inclusive ficções. Eu permaneci à frente do MEC
por oito anos. As expressões “ideologia de gênero” e “escola sem partido” não existiam. Era
uma agenda de ninguém. Ela foi criada, ou importada, como um espantalho para mobilizar
mentes e corações.

Como vislumbra o governo Bolsonaro? Prevê um longo tempo dessas forças no


poder?

A durabilidade desse projeto depende de muitos fatores. Do quanto um eventual


aumento da desigualdade no Brasil vai ser compatível com a agenda regressiva que mantém o
governo no protagonismo do debate cultural do país.

Haverá a tentativa de compra de tempo pela alienação de patrimônio público, seja o pré-
sal ou as estatais. Com dinheiro, você ganha tempo para consolidar uma base política para
promover as reformas liberalizantes.

E vai ser fácil aprová-la?

Há espaço. Mas isso nós vamos ver em função da operação política. Para esse projeto
dar certo, depende da habilidade de aprovar as reformas liberalizantes no Congresso. Do
sucesso dos leilões do pré-sal. E da não eclosão de uma crise internacional.

Bolsonaro é uma ameaça à democracia?

Isso precisa ser bem compreendido. O [professor português] Boaventura de Souza


Santos usa uma expressão interessante, “sistemas híbridos”, para pensar a realidade
contemporânea.
Ditadura e democracia eram conceitos bem definidos. Os golpes se davam de fora da
democracia contra ela. Hoje, o viés antidemocrático pode se manifestar por dentro das
instituições. Ele pode se manifestar na Polícia Militar, na Polícia Federal, no Judiciário, no
Ministério Público.

O projeto Escola Sem Partido é um projeto autoritário que está nascendo dentro da
democracia. O STF pode barrá-lo. Os pesos e contrapesos de uma República moderna vão
operar? Se não operarem, você tem o modelo híbrido, com o autoritarismo crescendo por
dentro. Estamos já vivendo em grande medida esse modelo.

Quando um presidente eleito vem a público num vídeo dizer que os estudantes
brasileiros têm que filmar os seus professores e denunciá-los, você está em uma democracia ou
em uma ditadura?

A reforma política foi o nosso maior problema. Eu falei isso numa discussão interna no
governo, em 2003.

Houve o diagnóstico de que não tínhamos força, de que seria uma perda de energia sem
produzir resultado prático na vida da população. Então se focou em resultado. E ele veio. Foram
quatro eleições presidenciais ganhas [pelo PT], quase uma quinta.

Mas teve o desgaste do PT. Desde as jornadas de 2013 [quando houve uma onda de
protestos] até 2018, o antipetismo, que sempre existiu, cresceu.

E há estudos mostrando que, se eu tivesse no mundo evangélico o mesmo percentual de


votos que tive no mundo não evangélico, eu teria ganho a eleição.

A pauta regressiva afeta esse mundo de forma importante. Há um fenômeno evangélico


sobre o qual temos que nos debruçar. Não podemos dar de barato que essas pessoas estão
perdidas. “A Ética Protestante e o Espírito Capitalista” é um clássico do Max Weber. A gente
deveria pensar na “Ética Neopentecostal e o Espírito do Neoliberalismo”.

O Brasil, estruturalmente, é um híbrido entre casta com meritocracia. Se admite que o


indivíduo ascenda. Mas sozinho. Desde que a distância entre as classes permaneça. O
neopentecostalismo e a teologia da prosperidade são compatíveis com isso.
Assim como no final da ditadura foi possível abrir um canal de diálogo com a Igreja
Católica, a esquerda tem agora o desafio de abrir um canal com a igreja evangélica, respeitando
suas crenças.

Cisões no governo Bolsonaro

A decisão do general Ferreira é reflexo de um racha na equipe de transição pela disputa


de cargos no governo. Nesse jogo de interesses, de um lado está (i) a equipe do futuro ministro
da Economia, Paulo Guedes; de outro, (ii) os generais ligados a Bolsonaro; em outra ponta, (iii)
o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) —que comanda a transição junto
com seu braço direito, Paulo Tatim.

No processo de arranjo dos ministérios, a ala política tenta ocupar mais espaço, tirando
generais do círculo mais próximo de Bolsonaro e criando fórmulas para deixar Paulo Guedes
refém de futuras articulações políticas.

O general Ferreira, que participa da transição desde o primeiro dia, embora sem cargo
formal, apresentou um plano a Bolsonaro para o que seria o superministério da Infraestrutura.
O presidente eleito deu aval ao plano mas não nomeou o general para o cargo que, no desenho
proposto, estaria vinculado à Presidência.

No dia seguinte, Bolsonaro limitou a três os cargos de ministros vinculados à


Presidência. Serão eles: (GSI) Gabinete de Segurança Institucional, que será comandado pelo
general da reserva Augusto Heleno; Casa Civil, com Onyx; e a Secretaria-Geral da Presidência,
que pode ficar com o advogado Gustavo Bebianno, ex-presidente do PSL e um dos nomes com
mais força ao longo da campanha.

Pessoas que participaram das conversas afirmam que Bolsonaro não se deu conta que,
com três ministros no Planalto, Ferreira ficaria fora.

Pelo plano de Ferreira, os ministérios dos Transportes e de Minas e Energia seriam


preservados. O general coordenaria essa área como uma espécie de ministro supervisor ligado
diretamente à Presidência.

Esse plano ruiu quando Onyx e Tatim, que coordenam o enxugamento dos ministérios,
passaram a contar com Ferreira no Ministro de Transportes, pondo fim à ideia do
superministério. O general então recusou permanecer no governo.
Integrantes da ala dos generais e da equipe de Paulo Guedes afirmam que a decisão de
Ferreira é uma forma de alertar Bolsonaro para os interesses políticos de Onyx e Tatim.

Tatim foi levado à transição por Onyx e pleiteia o segundo cargo da Secretaria-Geral da
Presidência, coordenando o PPI no lugar do vice-presidente Hamilton general Mourão.

Com a reviravolta na Infraestrutura, o mais cotado para assumir os Transportes é o


general da reserva Jamil Megid Júnior, que foi indicado por Tatim.

Megid Júnior foi vice-chefe do Departamento de Engenharia e Construção do Exército


e coordenad s generais também podem ceder espaço em outra área estratégica. Na planilha
original dos militares, o PPI (Programa de Parcerias em Investimentos) ficaria Mourão. Isso
porque o programa será um dos principais pilares da agenda econômica do governo e, para ter
agilidade de decisões, precisa ter a autonomia de um ministério. Nem isso mais está previsto.

Essa reconfiguração de forças e choque entre civis e militares, culminado com a


desistência de Ferreria, pode afetar a área econômica. Paulo Guedes quer acelerar o cronograma
de privatizações do PPI como umas das primeiras medidas para gerar receitas e assim fazer
frente ao quadro de aperto fiscal. Sob o controle da ala política, pode haver problemas.

O futuro ministro da Casa Civil afirmou à Folha desconhecer a decisão de Ferreira de


desistir de ser ministro e negou desentendimentos com o núcleo militar do novo governo.
Segundo ele, ainda estão avaliando o arranjo das secretarias e ministérios do Palácio do
Planalto.

"Não tem nada definido, recém colocamos a transição para funcionar. Quem falar que
tem definição, falta com a verdade", disse. "Minha relação com os generais e os demais
militares é de parceria e compromisso com o projeto de mudar o Brasil. Quem falou isso [de
desentendimentos] é, no mínimo, desinformado ou mal-intencionado."

Procurado pela reportagem, Pablo Tatim não respondeu aos questionamentos. Onyx
negou que seu principal assessor tenha indicado Megid para o cargo de ministro de Transportes.

Nesta segunda-feira (27), ele indicou o quinto militar como ministro de governo, o ex-
diretor do DNIT Tarcísio de Freitas. Ele, que atualmente é coordenador do PPI (Programa de
Parcerias e Investimentos), já foi engenheiro do Exército, instituição que deixou quando era
capitão.
Além dele, Bolsonaro já escolheu um general da reserva para seu vice, Hamilton
Mourão e outros dois para ministérios que ficam no Palácio do Planalto: Augusto Heleno, para
o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e Carlos Alberto dos Santos Cruz, como chefe da
Secretaria de Governo.

Santos Cruz vai compartilhar com o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o
trabalho de fazer a interlocução do Executivo com o Congresso.

A medida foi vista como arriscada por pessoas próximas ao presidente eleito, já que
normalmente o posto de articulador é ocupado por alguém com experiência na atividade
parlamentar.

Entre militares, o capitão reformado do Exército escolheu ainda o astronauta Marcos


Pontes para a pasta de Ciência e Tecnologia, que é tenente-coronel da Aeronáutica. Para a
Defesa, que seria inicialmente ocupada por Heleno, ele indicou o general da reserva Fernando
Azevedo e Silva.

A eleição de Jair Bolsonaro gerou apreensão tanto em autoridades como na imprensa


estrangeiras. A preocupação aumentou com a indicação de Ernesto Araújo como novo
chanceler.

Em textos acadêmicos, escritos no passado, o diplomata afirmou que a Europa é um


espaço culturalmente vazio e criticou a associação entre a emissão de gases do efeito estufa e o
aquecimento global.

Escolhido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro como novo Ministro de Relações
Exteriores, o diplomata Ernesto Araújo costuma expressar críticas a políticos de esquerda, em
especial ao PT, em artigos e em seu blog.

Também costumam ser alvo de suas declarações assuntos como o aborto, o feminismo
e a mudança climática, além de ao que ele chama de "globalismo".

Já o cristianismo e as políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,


costumam receber elogios de Araújo, assim como de Bolsonaro.

PT
“Vocês acham que o PT vai largar o poder depois de quatro anos? Oito? Dezesseis? Não
largará nunca. Não será um novo governo, será um novo regime, um império do crime, apoiado
no conluio entre as oligarquias nacionais e num novo eixo socialista latino-americano, sob os
auspícios da China maoísta que dominará o mundo”

Trecho de texto publicado no blog de Araújo

"O ideal do PT (já expresso por alguns ecologistas radicais) é que a espécie humana não
existisse. Já que existe, ainda, vamos fazer dela o pior possível, para que a humanidade se odeie
tanto a ponto de um dia cometer suicídio"

Trecho de texto publicado no blog de Araújo

Esquerda

"Sequestrar e perverter, eis o lema e a tática principal da esquerda desde sempre:


aplicaram-na aos conceitos de liberdade, igualdade, justiça e tantos outros, hoje tentam
desesperadamente sequestrar e perverter o conceito de democracia".

Trecho de texto publicado no blog de Araújo

"O socialismo apanha causas e conceitos legítimos, instala-se em seu ventre, escraviza-
os, suga toda a sua energia e, como o monstro do filme 'Alien', um dia finalmente irrompe com
sua cara feroz e horrenda"

Trecho de texto publicado no blog de Araújo

Clima
“Ao longo do tempo [...] a esquerda sequestrou a causa ambiental e a perverteu até
chegar ao paroxismo, nos últimos 20 anos, com a ideologia da mudança climática, o
climatismo”

Trecho de texto publicado no blog de Araújo

Bolsonaro

“Quero garantir que esse momento extraordinário que o Brasil está vivendo com a
eleição do presidente Bolsonaro se traduza dentro do Itamaraty"

Declaração em entrevista coletiva nesta quarta (14)

"Se há alguma coisa que os líderes como Bolsonaro e as pessoas que votam neles não
têm é medo.

Trecho de texto publicado no blog de Araújo

Religião

"O ateísmo virou centro, enquanto a fé virou extrema direita [...]. Por que o aborto virou
o critério para definir se uma pessoa é um cidadão civilizado e racional, se o defende, ou um
boçal troglodita, se o rejeita?"

Trecho de texto publicado no blog de Araújo


"[O globalismo] essencialmente é um sistema anti-humano e anticristão. A fé em Cristo
significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus
e o homem, tornado o homem escravo e Deus irrelevante"

Trecho de texto de apresentação do blog

Trump

"Parte importante do projeto globalista é transferir poder econômico do Ocidente para


o regime chinês; parte fundamental do projeto de Trump é interromper esse processo, o que já
está ocorrendo"

Trecho de texto publicado no blog de Araújo

“Trump propõe uma visão do Ocidente não baseada no capitalismo e na democracia


liberal, mas na recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações
ocidentais”

Trecho de artigo de Araújo em revista do Itamaraty

Globalismo

“Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista. Globalismo é


a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural”
Trecho de texto publicado no blog de Araújo

"Não por acaso o marxismo cultural globalista dos dias atuais promove ao mesmo tempo
a diluição do gênero e a diluição do sentimento nacional: querem um mundo de pessoas 'de
gênero fluido' e cosmopolitas sem pátria, negando o fato biológico do nascimento de cada
pessoa em determinado gênero e em determinada comunidade histórica"

Trecho de artigo de Araújo em revista do Itamaraty

Ocidente

"Só quem ainda leva a sério a história do Ocidente, só quem continua sendo ator e não
mero espectador, são os norte‑americanos. (...) Hoje, é muito mais fácil encontrar um
ocidentalista convicto no Kansas ou em Idaho do que em Paris ou Berlim"

Trecho de artigo de Araújo em revista do Itamaraty

"O inimigo do Ocidente não é a Rússia nem a China, não é um inimigo estatal, mas é
sim principalmente um inimigo interno, o abandono da própria identidade, e um inimigo
externo, o islamismo radical"

Trecho de artigo de Araújo em revista do Itamaraty

Imigração
"A esquerda, a partir dos anos 60, infiltrou-se na causa muito digna dos direitos dos
imigrantes e criou a ideologia da imigração ilimitada que está hoje a ponto de destruir as
sociedades europeias e a norte-americana"

Trecho de texto publicado no blog de Araújo

"O Ocidente pós‑moderno é um Ocidente que não quer olhar para si mesmo, que tem
um forte impulso de autocontestação e por vezes até mesmo celebra a substituição de sua cultura
por aquela dos imigrantes não ocidentais que chegam em número crescente [...]. No fundo o
Ocidente escancara as portas para milhões de imigrantes porque se nega a si mesmo, porque
está psiquicamente doente"

Trecho de artigo de Araújo em revista do Itamaraty

Feminismo

"Esse feminismo – que não tem nada de feminismo autêntico, mas constitui apenas uma
ponta de lança dos movimentos esquerdistas – rebaixa a mulher a um nível de subserviência e
desempoderamento jamais visto"

Vazajato

Relações entre Moro e Grupo Globo: datam do caso Banestado.