Você está na página 1de 11

TRABALHO Nº 2 DE TÚNEIS – 2019.

Projeto do Suporte para o trecho em Gnaisse de um túnel profundo

Alunos:

DANILO FERNANDES DA CUNHA VERAS – DRE: 114211169

MARCELO CABRAL DOS SANTOS JUNIOR – DRE: 115159653

Professora:

MARIA DO CARMO REIS CAVALCANTI

RIO DE JANEIRO

JULHO, 2019
INTRODUÇÃO

Esse trabalho tem o objetivo de analisar a escavação do trecho 2 em gnaisse


de um túnel profundo. As informações do túnel são as seguintes:

● O RMR do maciço de gnaisse do trecho 2 é 55.


● Seção do túnel é arco-retângulo com altura da seção de 10 metros.
● Escavação: túnel convencional (dril & blasting)
● Tipo de túnel: rodoviário
● Nos cálculos por métodos simplificados adotar uma seção circular equivalente
● Ko=1

P ARÂMETROS GEOTÉCNICOS

Para analisarmos a escavação do túnel no trecho 2, teremos que determinar o


peso específico das rochas das feições diretamente acima e o ângulo de atrito e a
coesão da rocha gnaisse com RMR=55.

Para a determinação do peso específico das rochas, buscamos informação das


densidades em três fontes diferentes.

Densidade (g/cm3) e suas fontes


Fontes Gnaisse Diabásio
EduMine 2,6 - 2,9 2,6 - 3,0
Aligarh Muslim University 2,59 - 3,00 2,50 - 3,20

Encyclopedia Britannica 2,59 - 2,84 2,89


Usando o maior valor pertencente à interseção dos intervalos acima garantindo
uma margem de segurança e considerando a aceleração da gravidade igual a 10
metros por segundo ao quadrado, tem-se:

𝛾𝑔𝑛𝑎𝑖𝑠𝑠𝑒 = 28,4 𝑘𝑁/𝑚3 𝑒 𝛾𝑑𝑖𝑎𝑏á𝑠𝑖𝑜 = 28,9 𝑘𝑁/𝑚³


Para a determinação do c e φ do gnaisse que está sendo estudado, será
utilizado a tabela a seguir de Bieniawski (1989) e feito uma interpolação linear para um
RMR=55, já que os intervalos da coesão, do ângulo de atrito e do RMR são
constantes entre as classes.

Será considerado no cálculo abaixo os limites inferiores dos intervalos de


coesão e ângulo de atrito como abertos.

Classe Coesão (kPa) Ângulo de Atrito (°) RMR


I >400 >45 81-100
II 300-400 35-45 61-80
III 200-300 25-35 41-60
IV 100-200 15-25 21-40
V <100 <15 <20

60 − 40 300 − 200 35 − 25 𝑐 = 5 𝑅𝑀𝑅


= = →{ 𝑅𝑀𝑅 → 𝑐 = 275 𝑘𝑃𝑎; 𝜑 = 32,5°
55 − 40 𝑐 − 200 𝜑 − 25 𝜑= +5
2

ANÁLISE DO MACIÇO

Para definirmos a curva característica do maciço, temos que descobrir em qual


ponto há a passagem do comportamento elástico para o comportamento plástico.

Segundo a definição de Kolymbas (2005), o menor valor da pressão (nomeado


p*) de um maciço com coesão sobre o suporte para não haver plastificação é
calculado da seguinte forma:

𝑝∗ = 𝜎∞ (1 − 𝑠𝑒𝑛𝜑) − 𝑐𝑐𝑜𝑠𝜑 ,

𝑠𝑒𝑛𝑑𝑜 𝜎∞ = ∑ 𝛾𝑖 ℎ𝑖

O ponto referencial para a medição do hi está a meia altura do túnel. A partir do


desenho em escala do perfil sobre o túnel, podemos obter as alturas da feição de cada
rocha. O cálculo é feito na posição de maior altura de solo sobre uma seção do trecho.
Com os valores medidos no desenho e os pesos específicos de cada rocha já
calculados anteriormente, tem-se:

10𝑚
𝜎∞ = ∑ 𝛾𝑖 ℎ𝑖 = 𝛾𝑔𝑛𝑎𝑖𝑠𝑠𝑒 × ( + 11,30𝑚) + 𝛾𝑑𝑖𝑎𝑏á𝑠𝑖𝑜 × 42,60𝑚 + 𝛾𝑔𝑛𝑎𝑖𝑠𝑠𝑒 × 17,60𝑚
2

𝜎∞ = 2193,9 𝑘𝑁/𝑚²

Usando o valor dessa tensão e os parâmetros de resistência do gnaisse,


podemos calcular a tensão p*.

𝑝∗ = 2193,9 𝑘𝑃𝑎 × (1 − 𝑠𝑒𝑛 32,5°) − 275 𝑘𝑃𝑎 × 𝑐𝑜𝑠32,5° = 783,2 𝑘𝑁/𝑚²

Para definir a curva de reação do maciço do gnaisse, precisamos arbitrar uma


valor para o ângulo de dilatância ψ. Segundo Hoek & Brown (1997), para maciços de
qualidade média, como o analisado nesse relatório (RMR=55), é recomendado usar o
valor de ψ = φ/8 → ψ = 32,5/8 = 4,0625°.

Assim, temos, segundo Kolymbas (2005), a função da Curva de Reação do


Maciço a seguir para maciços com coesão não nula:

𝜎∞ p
𝑟0 (1 − ) 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝜎∞ ≥ 𝑝 ≥ 𝑝∗
2𝐺 𝜎∞
𝑢𝑟0 = (2−𝑏)
𝑝∗ + c cotφ (𝐾𝑝 −1)(1−𝑏) 𝜎∞ 𝑐
𝑟0 ( ) × (𝑠𝑒𝑛𝜑 + 𝑐𝑜𝑠𝜑) 𝑝𝑎𝑟𝑎 0 < 𝑝 < 𝑝∗
{ 𝑝 + 𝑐 𝑐𝑜𝑡𝜑 2𝐺 𝜎∞

Sendo:

𝑏 = 𝑡𝑔 ψ;
1+𝑠𝑒𝑛𝜑
𝐾𝑝 = ;
1−𝑠𝑒𝑛𝜑
p: pressão que o maciço exerce sobre o suporte;

r0: raio de uma seção circular equivalente à seção arco-retângulo escavada;

G: módulo de cisalhamento do maciço;

e as outras incógnitas já foram citadas anteriormente.

Plotando o gráfico a seguir da função ur0, temos dois estágios: o estágio onde o
maciço começaria a descarregar a carga sobre o suporte de forma elástica e o outro
estágio, a partir do valor p*, quando ele passaria a criar uma zona plastificada.

CRM - Curva de Reação do Maciço


2500

Curva Elástica
Pressão sobre o suporte (kPa)

2000
Curva Plástica
1500

1000

500

0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
Deslocamento (mm)

Supondo que o maciço não plastificasse, ele iria se comportar de forma linear
com qualquer pressão do maciço sobre o suporte. A função se tornaria:
𝜎∞ p
𝑢𝑟0 = 𝑟0 (1 − ) 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝜎∞ ≥ 𝑝 ≥ 0
2𝐺 𝜎∞

E o gráfico se tornaria:
CRM - Curva de Reação do Maciço
sem Plastificação
2500

Curva Elástica sem


Pressão sobre o suporte (kPa)
2000
plastificação

1500

1000

500

0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
Deslocamento (mm)

Os dois gráficos anteriores foram calculados usando os valores a seguir:

E (kPa) 53622000

Poisson 0,34

Raio
5,33
Equivalente (m)
𝛔∞ (kPa) 2193,9
Pressão Mínima
para a 783,2
Plastificação
Kp 3,322

Raio r0 (m) 8,32

b 0,07102
G (kPa) 20008209

Através do ábaco de Bieniawski (1989), com o valor do RMR do maciço e do


maior vão sem suporte, podemos encontrar um valor aproximado para o stand-up
time: tempo que o túnel pode se sustentar sem suporte após uma escavação. Como o
maciço tem o valor RMR igual a 55 e o maior vão do túnel é de 10 metros
(considerando que o avanço da escavação não será superior a 10 metros), achamos,
da forma que é apresentado a seguir, o valor de 200 horas: aproximado para um valor
operacional a favor da segurança de uma semana.
ANÁLISE DO SUPORTE

CONCLUSÃO

BIBLIOGRAFIA

DEPARTMENT OF GEOLOGY - ALIGARH MUSLIM UNIVERSITY. Rock Density.


Disponível em: http://www.geol-amu.org/notes/m10-1-1b.htm. Acessado em: 28 de
junho de 2019

EDUMINE. Average Specific Gravity of Various Rock Types. Disponível em:


http://www.edumine.com/xtoolkit/tables/sgtables.htm. Acessado em: 28 de junho de
2019

KLEIN, C.; CARMICHAEL, R.S.. Rock - Encyclopedia Britannica. Disponível em:


https://www.britannica.com/science/rock-geology. Acessado em: 28 de junho de 2019

KOLYMBAS, D.. Tunnelling and Tunnel Mechanics: A Rational Approach to Tunnelling.


2ª Edição. Alemanha: Editora Springer, 2005.

Nosso grupo é o grupo 2


PROJETO DE TÚNEL (túnel profundo):

● Para a seção geológica (seção do grupo 2) e classificação geomecânica


(GNAISSE - RMR=55), dados:
● Seção do túnel: Arco Retângulo
● Escavação: túnel convencional (dril & blasting)
● Tipo de túnel: rodoviário
● Nos cálculos por métodos simplificados adotar uma seção circular equivalente
● Ko=1
● Altura da seção transversal do túnel: 10 metros

COM OS DADOS FORNECIDOS, DETERMINE:

1. Parâmetros geotécnicos necessários


1.1. Calcular carga no suporte a partir da qual não há plastificação

parte 2 Tuneis profundos slide 19 e 29

c diferentes de zero pesquise

1.2. Calcular raio da zona plastificada sem suporte

parte 2 Tuneis profundos slide 19

1.3. Montar curva de reação do maciço.

parte 2 Tuneis profundos slide 29

1.4. Se não houver plastificação, calcular pressões e deslocamentos pela


Elasticidade
1.5. Determinar o tempo de sustentação sem suporte.
novo RMR

2. Suporte:
2.1. Selecionar, com base na curva da classificação Q, tipo de suporte
definitivo e determinar curva de resistência do suporte. (comparar com
recomendações do RMR)

parte 2 Túneis profundos slide 34

2.2. Definir carga no suporte e deformação correspondente do maciço


usando o método da convergência-confinamento

Como a região 2 é muito reduzida, podemos tomar atitudes a favor da segurança


mesmo havendo oneração,mas onerações de pequenas dimensões para garantir a
segurança da execução desse trecho e da utilização do túnel.

Referências Bibliográficas

http://www.edumine.com/xtoolkit/tables/sgtables.htm

https://play.google.com/books/reader?id=gFzwAAAAMAAJ&hl=pt_BR&pg=GBS.PA133

Practical Estimates of Rock Mass Strength E. HOEK & E. T. BROWN. Int. J.


Rock Mech. Min. Sci. Vol. 34, No. 8, pp. 1165-I186, 1997

Você também pode gostar