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Ítalo Rafael Machado Santos

Ilma Santos

Desigualdade Brasileira

Palmas-TO
2019

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Sumário
Contexto Histórico...................................................................................................................... 3

Situação política atual ................................................................................................................. 4

Reforma Agrária ......................................................................................................................... 4

Reforma Previdenciária .............................................................................................................. 5

Desigualdade .............................................................................................................................. 6

A máquina de Concentrar Riqueza ............................................................................................. 6

Reforma Tributária ..................................................................................................................... 7

Conclusão ................................................................................................................................... 8

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Contexto Histórico
A pobreza no Brasil remonta ao período da colonização, durante o qual todos os insumos
brasileiros eram vistos meramente como objetos de exploração em favor das colônias. Além da
fuga de metais preciosos para a Europa a reiterada exploração que as terras brasileiras foram
submetidas imprimiram profundas marcas na consciência coletiva Brasileira. Ademais, o
próprio modo pelo qual o principal meio de trabalho se deu, a escravidão, alicerçou as bases do
que mais tarde tornar-se-ia uma nação extremamente racista e com fortes propensões à
desigualdade. O problema agravou-se com o êxodo rural e o fim da escravidão. Pois, como não
haviam em razão da falta de infraestrutura nas cidades para acolher a população recém liberta,
além do sistemático preconceito institucional presente ao tempo, acabaram legando à população
pobre, predominantemente negra, os guetos e favelas, desprovidos de empregos formais, os
negros que antes eram escravos passaram a uma situação de escravidão econômica e exílio
social por vezes mais intenso que a presente na escravidão. Outrossim, todos esses fatores
refletiram num aumento generalizado da violência e pobreza de grande parte da população.
O contexto brasileiro pouco se alterou até a década de 90, quando foram lançadas bases
econômicas mais estáveis para o país, em seguida, o governo Lula 2002-2010 conseguiu
diminuir de maneira considerável a pobreza absoluta, por meio do aperfeiçoamento de políticas
públicas criadas pelo seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, como o Bolsa família e
elaboração novas, como a Política de Cotas e o PROUNI, que além de enriquecerem os cidadãos
por meio do conhecimento, ao fornecer-lhes acesso ao ensino superior aumentam drasticamente
sua possibilidade de ascensão social, e, consequentemente, a possibilidade de quebrar o Ciclo
da Pobreza, descrito por Gunnar Myrdal. Pois, se é bem verdade que a pobreza pode
retroalimentar-se, ações norteadas no sentido oposto possuem a mesma propriedade. Outrossim,
em 2010 o Brasil havia sido riscado do mapa da fome, o que representou um avanço histórico
na luta pelo combate à pobreza. No entanto, estas melhorias estão em franco retrocesso devido
a crise político-econômica que se instalou no Brasil a partir de 2014.
Portanto, se não é possível dizer que os governos do PT foram muito eficazes ao destinar
o orçamento do governo em ações que visassem a redução de desigualdades e extinção de
pobreza, pode-se afirmar sem sombra de dúvidas que foram muito melhores que seus
antecessores. Não obstante ao fato, é difícil negar que o PT não tenha falido em promover
mudanças de ordem econômicas substanciais que pudessem garantir desenvolvimento
socioeconômico a longo prazo. De modo que, muito do que conseguiu realizar adveio de uma

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conjunção de fatores de ordem internacional e nacional positiva, como os altos preços de
comodities, no mercado internacional, visto que o Brasil é campeão em exportação de
comodities, e a estabilidade monetária, fruto do plano real. Assim questões basilares para a
construção de um verdadeiro estado de bem-estar social, como: Reforma tributária, reforma
agrária e auditoria da dívida pública, permaneceram intocadas. Talvez o mal do PT tenha sido
acreditar que permaneceria no poder por mais tempo e conseguiria de alguma maneira mágica
conciliar os interesses de uma elite, historicamente usurpadora, com a da massa de
trabalhadores que, finalmente, após aproximadamente 500 anos da colonização, estavam
adquirindo alguma dignidade.

Situação Política atual


A situação atual do Brasil é alarmante, pois foi instaurado um governo que se declara
abertamente contra todos os tipos de minorias; demonstra total incapacidade técnica em lidar
com questões de ordem ambiental; incorpora um discurso econômico que não funcionou em
nenhum país da América Latina; está claramente a serviço da elite que detém os meios de
produção do Brasil; e, conquanto tenha se estabelecido de meios aparentemente democráticos,
carece de legitimidade, tendo em vista os meios de manipulação popular utilizados durante toda
a campanha. Destarte, é extremamente difícil imaginar que qualquer política pública assertiva
para a diminuição da pobreza possa ser efetivamente estabelecida neste contexto.
Como explicar que um país que possui um rebanho bovino maior que seu número de
habitantes, de mais de 200 milhões; é detentor dos maiores reservas de água potável do planeta;
representa a elite mundial no tocante à exploração de energias renováveis; retém uma das
maiores reservas de exploração e petróleo do planeta; tem capacidade de produção agrícola para
sustentar mais de 2 bilhões de pessoas, cinco vezes sua população; possui instituições de ensino
superior mundialmente reconhecidas como de excelência; e, sobretudo dispõe de vasto cabedal
intelectual e cultural dinamizado por um potencial multiétnico sem precedentes possa figurar
índices tão deploráveis em relação à pobreza? Ao que parece, a pobreza no Brasil passa longe
de ser obra do acaso.

Reforma Agrária
A pobreza enquanto questão social surgiu na Europa no Século XVIII, com os
cercamentos, os terrenos que eram basicamente de uso comunal passaram para a mão de poucos,
cujos os interesses primordiais não iam ao encontro da maioria que usufruía da terra

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inicialmente. Outrossim talvez resida no modelo de uso da terra um dos maiores fatores causais
de incrível pobreza brasileira. Dado que o Brasil iniciou com o modelo de Capitanias
Hereditárias e sesmarias em 1530, as quais demarcavam de maneira imperial imensos lotes de
terra para poucos senhores, um modelo quase feudal importado da Europa para as terras
Tupiniquins, e , após a independência de 1822, a distribuição da terra continuou a seguir a
lógica do Poder, por conseguinte, a parcela mais expressiva da população ficou a ver navios.
Atualmente, qualquer pretensão de reforma profunda neste âmbito defronta-se com as
engrenagens de um modelo político que embora democrático goza de baixíssima
representatividade popular, de maneira que as leis tendem a favorecer de maneira quase que
indisputada os grandes latifundiários.

Reforma Previdenciária
Na data do presente escrito, está em trâmite no congresso nacional uma proposta para
reforma na previdência, tal proposta previa inicialmente, entre outras medidas: a redução do
BPC, Benefícios de Prestação Continuada, para idosos e inválidos; aumento do tempo de
contribuição do trabalhador, sem discriminação da atividade; e, substituição do Modelo
Solidário pelo Modelo de Capitalização. Ademais, a proposta está sendo vendida pelos meios
de comunicação dominados pela elite econômica brasileira como o único meio de evitar o
agravamento do péssimo momento econômico enfrentado no Brasil. No entanto, é interessante
notar que os mesmos meios de comunicação não dedicam sequer um minuto de suas
programações para tratar de questões ultrassensíveis à realidade Brasileira, como A Reforma
Tributária, ou a Reforma Agrária, decidiram-se de maneira onipotente que a razão para o Brasil
não ir pra frente são as pessoas que por não terem meio de se sustentar necessitam de um salário
mínimo, que mal cobre qualquer despesa básica, e os trabalhadores rurais, que nesse novo
modelo deverão morrer com a enxada nas mãos para em prol da “prosperidade nação”,
concomitante a isso, o modelo de capitalização, menina dos olhos de azuis da reforma, foi
implementada no Chile durante sua ditadura militar, hoje o chile é um dos países com maior
número de suicídios de idosos. Outra medida Polêmica dos governos que se seguiram pós PT,
Foi a PEC do teto dos gastos, que simplesmente congelou o gasto previsto para Educação e
Saúde por 20 anos, tudo isso com a mesma retórica de gerar desenvolvimento, sanar as contas
públicas, um verdadeiro embuste. Assim, ao que parece, a consciência coletiva brasileira
chegou a um estado de dissonância cognitiva completa, a Nova Fala de George Orwell em sua
obra 1984, parece sensata em relação à alucinação masoquista inerte em que a população
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submergiu frente a tamanhos descalabros, infectada pelo vírus neoliberal. Destarte, fica claro
que, a pobreza no Brasil, que já é de grande magnitude, tende a se aprofundar ainda mais nos
anos vindouros.

Desigualdade
O Brasil é o país em que há a maior concentração de renda nos 1% mais ricos da
população, de acordo com a OCDE, Organização para Cooperação Econômica e
Desenvolvimento. Os 1% mais ricos brasileiros detém aproximadamente 30% do PIB do País.
De acordo com a Oxfam, conjunto de ONGs reconhecidas internacionalmente pela luta contra
a desigualdade, 6 indivíduos brasileiros concentram a mesma riqueza que a metade mais pobre
da população, 100 milhões de pessoas, de acordo com a mesma instituição, ainda, os super-
ricos brasileiros, os 0,1% mais ricos, têm uma renda mensal equivalente a renda obtida por um
indivíduo que ganha um salário mínimo no prazo de 19 anos. Ao mais, de acordo com o WID,
Base de Dados sobre a Desigualdade Mundial, o Brasil figura como segundo país com menor
mobilidade social, de acordo com os dados coletados, para a linhagem de uma pessoa que nasce
como uma renda compatível com os 10% mais pobres da população ascender à renda média do
país deverá levar em média 8 gerações, aproximadamente 200 anos, enquanto que a mesma
situação na Dinamarca é subvertida em apenas 2 geração, somado a isso, há o fato de que de
que ao contrário de países como Coreia do Sul, onde há um índice maior de pobreza entre os
idosos do que entre os jovens, há um índice de pobreza maior entre os jovens, o que indica que
no geral a população está empobrecendo.
Diante do exposto e da realidade que não existe um país que figure no TOP 10 de IDH
mundial que apresente tais níveis de desigualdade, fica patente que enquanto não forem
desenvolvidas ferramentas eficazes para diminuir as desigualdades simplesmente será
impossível erradicar a pobreza de forma efetiva. É possível observar também que nenhuma país
que figura no topo do ranque de IDH apresenta sequer um indivíduo na lista dos 100 mais ricos
do mundo, ou seja, os melhores países não são aqueles que apresentam os ricos mais ricos, mas
sim a aqueles que apresentam os pobres mais ricos.

A Máquina de Concentrar Riqueza


Existe uma máquina de concentração de renda no Brasil que opera na forma da lei de
maneira e quase mágica, trata-se da dívida pública, 72% de todos os investimentos em dívida
fixa no brasil rodam e acabam virando investimento em Títulos Públicos do Tesouro Nacional.

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Só no ano de 2017 Foram 462 bilhões em juros para a amortização da dívida pública, o que
representa em um ano metade do que se pretende economizar com a reforma da previdência
que tem como horizonte final suicídio de idosos. A parte da dívida pública que apresenta um
vencimento de 4 dias, isto significa que a cada dias são imputados juros sobre juros nessa dívida,
é um fenômeno sem precedentes na história humana, um crime. Agora, vem uma pergunta
interessante, quais seriam em maior parte os titulares dessa dívida Pública? A elite dos Grandes
Brancos, que deixa de investir em produção e passa a lucrar apenas com o capital financeiro.
Os bancos lucram duas vezes, primeiramente por meio de taxas e dos juros abusivos que cobram
dos seus correntista, no Brasil a taxa anual de juros da cartão de crédito é de aproximadamente
500%, o maior juros do mundo, enquanto que nos EUA que não é lá o melhor exemplo de
estado de bem social esta taxa não passa de 8%. Além de subtrair dinheiro do trabalhador de
maneira legal com esse sistema, e inviabilizar qualquer iniciativa empreendedora do mesmo,
os bancos se apropriam do imposto pago pelo trabalhador por meio do consumo, através das
amortizações dá dívida pública, o que adentra o próximo tema de discussão, a reforma
tributária.

Reforma Tributária
O Brasil, de acordo com a OCDE, é o segundo país que menos fomenta o capital
produtivo e também o segundo que mais incentiva o capital financeiro. Essa dobradinha
transforma o país num verdadeiro paraíso fiscal para o capital financeiro. Os impostos incidem
basicamente em bens e serviços e no capital produtivo, deixando o capital financeiro correr
solto, além de isso potencializar a máquina de concentração de renda discutida no tópico
anterior, gera outro efeito: a tendência a precarização das condições de trabalho, pois há uma
regra de outro na hora de se fazer um investimento, ele tem que ter uma expectativa de lucro
maior do dinheiro investido no mercado financeiro, ora, se o capital produtivo é mais taxado
que o capital financeiro, qual seria a única forma de torná-lo mais atraente que o capital
financeiro? Reduzindo de forma absurda os custos de produção, destarte, há uma implicação
direta em redução e custo com os trabalhadores, como Férias, décimo terceiro salário, e por ai
vai. Todas as evidências apontam que este seja o verdadeiro pano de da reforma trabalhista de
2017. Destarte, a máquina de desigualdade que já estava a todo o vapor saltou adquiriu
dimensões quase difíceis de conceber.
A maior alíquota para a taxação de grandes heranças no Brasil é de 8%, e na maioria
dos estados é de 4%, em comparação com o sistema tributário norte-americano tem estados
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com alíquotas que chegam a 40%. O Economista Amir Khair afirma que um imposto de 1%
sobre grandes fortunas no Brasil deve gerar uma receita de 100 Bilhões anuais para o estado,
em 10 anos 1 Trilhão, a mesma quantidade que pretendem “economizar” com a reforma de
previdência no mesmo prazo, no entanto, preferem saquear idosos invalidados e trabalhadores
rurais.

Conclusão
Após longa discussão, e avaliação de alguns alguns pontos de vista, a conclusão que
nosso grupo chegou é de que não existem muitos caminhos para acabar com a pobreza que não
envolvam mudanças radicais na mecânica econômica Brasileira, os governos que tentaram
instaurar uma social democracia faliram justamente nesse aspecto, conseguiram distribuir a
renda que possuíam, mas falharam criar mecanismo reais de distribuição de renda. Destarte,
esta solução tem que percorrer caminhos coletivos de esclarecimento em relação às verdadeiras
causas da pobreza na atualidade. Acreditarmos que por meio do esclarecimento e da indignação
coletiva talvez seja possível acordar desse profundo transe masoquista coletivo em que está
embebida a sociedade brasileira. De modo que a partir desse ponto, seja possível procurar
formas reais e que lutam de maneira sincera para acabar de uma vez por todas com a pobreza.