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UNEB – Universidade do Estado da Bahia – EAD

Oficina de Redação
Professora: Perpétua Cardim

TÉCNICAS DE LEITURA

Como resumir textos

Ler não é apenas passar os olhos no texto. É preciso saber tirar dele o que é mais
importante, facilitando o trabalho da memória. Saber resumir as ideias expressas em um texto
não é difícil. Resumir um texto é reproduzir com poucas palavras aquilo que o autor disse.
Para se realizar um bom resumo, são necessárias algumas recomendações:

1. Ler todo o texto para descobrir do que se trata.


2. Reler uma ou mais vezes, sublinhando frases ou palavras importantes. Isto ajuda a
identificar.
3. Distinguir os exemplos ou detalhes das ideias principais.
4. Observar as palavras que fazem a ligação entre as diferentes ideias do texto, também
chamadas de conectivos: "por causa de", "assim sendo", "além do mais", "pois", "em
decorrência de", "por outro lado", "da mesma forma".
5. Fazer o resumo de cada parágrafo, porque cada um encerra uma ideia diferente.
6. Ler os parágrafos resumidos e observar se há uma estrutura coerente, isto é, se todas as
partes estão bem encadeadas e se formam um todo.
7. Num resumo, não se devem comentar as ideias do autor. Deve-se registrar apenas o que ele
escreveu, sem usar expressões como "segundo o autor", "o autor afirmou que".
8. O tamanho do resumo pode variar conforme o tipo de assunto abordado. É recomendável
que nunca ultrapasse vinte por cento da extensão do texto original.
9. Nos resumos de livros, não devem aparecer diálogos, descrições detalhadas, cenas ou
personagens secundárias. Somente as personagens, os ambientes e as ações mais importantes
devem ser registrados.

(BISOGNIN, Tadeu Rossato Descoberta & Construção, 8ª série, São Paulo, FTD, 1994.)

ATIVIDADE:

1- A partir das orientações acima elabore resumos dos textos a seguir:

TEXTO 1-

ACERTANDO NO NAMORO (Walter Rossignoli )

O momento parece propício à pergunta: hoje em dia se namora alguém ou com


alguém? Durante muito tempo, escorado na gramática, respondi: quem namora, namora
alguém. Portanto o certo é João namora a Maria e não João namora com a Maria.
– Mas como fica o programa do Sílvio Santos Quer namorar comigo? – perguntou-me
certa feita um aluno mais observador. Respondi, de novo com a velha gramática, que havia
uma imprecisão de regência. O correto seria Quer me namorar?, pois nesse caso o pronome
me funciona como objeto direto. Mas, cá pra nós, com esse nome o programa perdia a graça e
a audiência.
Hoje, tenho observado que o Sílvio estava mesmo certo. Quem namora, pode, com
acerto, namorar com alguém. É o que ouvimos e lemos por aí; já está na Gramática mínima do
Suárez Abreu, e o dicionário do Aurélio abona a construção. É claro que se registra ainda o
tradicional namorar alguém, que pelo jeito pode ficar obsoleto, como, aliás, o próprio namoro
nestes tempos de ficantes.
Suárez Abreu, na obra citada, explica o fenômeno namorar com. Ele menciona que a
preposição se fundamenta na força da analogia com outros verbos que mantêm afinidade
semântica com namorar. Afinal é noivar com, casar com e, embora o autor não cite, cabe
acrescentar ficar com e mesmo o brigar com, que costuma acabar com as esperanças...
Cabe lembrar que há uma situação em que as duas regências não se equivalem. Assim, por
exemplo, em O jovem está namorando um tênis novo, só cabe essa construção, pois não há
“reciprocidade amorosa” ...
É curioso que essa força analógica, que explica a construção namorar com, parece ir na
contramão de uma tendência da língua que é exatamente a eliminação das preposições.
Apesar das prescrições, o que se ouve mesmo é assisto o filme (e não: ao filme),
obedeço o regulamento (e não: ao regulamento), viso fazer (e não: a fazer) e por aí vai...
Enfim, discussão lingüística à parte, namorando com alguém ou namorando alguém
que todos os enamorados festejem com carinho o seu dia!

TEXTO 2-

COMO SURGEM AS PALAVRAS (Hélio Consolaro* )

A reportagem desta Folha, edição de sábado, sobre controle de zoonoses em Birigui,


registrou a palavra sinantrópico na seguinte construção: "controle de animais sinantrópicos".
Se o leitor procurar tal palavra no dicionário, não a encontrará porque é um
neologismo. Usar palavras novas que ainda os dicionários não registraram não é erro. Aliás, o
mundo científico prima por criar novas palavras tendo como referência o grego e o latim, dois
idiomas formadores do português. Isso é bom porque valoriza os componentes da própria
língua, como aconteceu com camelódromo.
Os agentes da informática não fazem isso, importam equipamentos e as palavras, sem
se preocupar se há termos similares no português. Além disso, não fazem nenhuma adaptação
delas, promovendo uma invasão de estrangeirismos.
Nada a condenar quanto à importação de palavras de outros idiomas. A importação é
uma forma de ampliar o léxico português, desde que não haja uma outra correspondente em
nosso vocabulário. Mas temos de admitir que nem sempre a dinâmica dos fatos acontece
conforme a vontade dos gramáticos.
Nesse caso, conviver com o estrangeirismo é uma necessidade de uma cultura com
baixa auto-estima. O aportuguesamento de palavras estrangeiras é a atitude mais inteligente,
mas nem sempre encontra eco, principalmente entre os publicitários que preferem shampoo a
xampu, porque a primeira forma dá mais status ao produto, pois pertence ao idioma
referência (o inglês).
Voltando ao assunto principal, animais sinantrópicos são espécies que,
indesejavelmente, coabitam com o homem, tais como: roedores, baratas, moscas,
pernilongos, pulgas, morcegos hematófagos, pombos e outros.
Eis a composição da palavra: sin + antrop + ico. Sin é um radical grego e quer dizer
reunião, ação conjunta, está presente também em sinestesia (sensações conjuntas); antrop é
radical grego e significa homem, ser humano; ico é sufixo grego e tem o sentido de estabelecer
relação.

*Hélio Consolaro é cronista da Folha da Região, autor de três livros e membro da Academia
Araçatubense de Letras.

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