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II Encontro de Evangelísmo

Missões Evangelísticas: “A Mensagem da Cruz”

Divisa: I Co 1:18

Princípios e Bases de Atos Para Evangelização

Texto Base: Atos 1:6-8

6. Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás


tu neste tempo o reino a Israel?

7. E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu
pelo seu próprio poder.

8. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis
testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins
da terra.

Atos dos Apóstolos & Missiologia

A igreja se relaciona diretamente com a vida comunitária. Ela vive junto, ora e atua em
comum, onde cada um coopera para o bem de todos e através da construção de uma
sociedade cristã e justa se deduz qual é o sentido de ser igreja, mas a força atual da
igreja só será medida quando esta se puser em prática a missiologia, com todos os
elementos que ela supõe.

Deus decidiu precisar de homens e mulheres para realizar isso de proclamar seu Filho.
Por isso Ele os resgata, os chama, os vocaciona, os capacita e os respalda para essa obra.
Esse é o papel da igreja: através da ação polarizadora do Espírito Santo levar as boas
novas aos que ainda não ouviram. Ou seja, precisamos conhecer a Deus e torná-lo
conhecido.

Falar do Livro de Atos dos Apóstolos é falar de seus dois protagonistas humanos, Pedro
o Apóstolo dos Judeus e Paulo o Apóstolo dos gentios. Neste estudo vamos colocar
nossas atenções a Paulo, pois este é considerado como o Pai de missões, uma vez que
foi ele chamado para essa tarefa árdua de ir a outras culturas proclamar no nome de
Nosso Senhor Jesus Cristo.

I. Análise do movimento missionário urbano de Paulo


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Aquele era um momento de muitas incertezas na vida dos apóstolos. Seu Mestre e
Senhor havia subido aos céus e eles ali estavam começando a dar os primeiros passos
em direção da formação do que seria a Igreja de Cristo. Apesar deles terem convivido
com Cristo e saberem que o próprio não fizera acepção de pessoas, o foco daqueles
homens naquele momento é o povo de Israel, o povo escolhido. Segundo Bosch em seu
livro Missão Transformadora, eles não viam problema algum na conversão de
prosélitos, mas o seu foco na proclamação da mensagem era os Judeus, talvez por serem
estes também judeus.

O apóstolo Paulo veio romper esse paradigma, inaugurando um novo momento para
comunidade dos Santos, se dispondo a viajar pelo “mundo”, pelo menos o mundo
conhecido de então, plantando igreja, levando a mensagem da cruz pelas cidades da
Ásia e posteriormente à Europa, chagando a Roma e mais longe até a Espanha.

Ao estudarmos o livro de Atos e o relato das viagens e situações vividas por Paulo, nos
perguntamos, O que motivou Paulo a pregar de cidade em cidade? Quais foram suas
estratégias?

1. Por Trás dos Bastidores

Paulo estava motivado a evangelizar, plantar igrejas e organizar comunidades, apesar de


toda hostilidade e perseguição de seu povo. Era óbvio que algo o movia. Podemos
chamar isso de motivações missionárias de Paulo. A pergunta que nos urge é: o que
motivava Paulo a pensar em missão?

1.1. Paixão por Cristo

Para Paulo, não existia nada no céu ou na terra que nos podia separar do amor de Cristo,
e por causa desse amor somos entregues à morte o dia todo (Rm 8:36-39). O que Deus
preparou para esses que o amam é incomparável (1 Co 2:9).

36. Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos
reputados como ovelhas para o matadouro.
37. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos
amou.
38. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os
principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir,
39. Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar
do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.
Romanos 8:36-39

9. Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não
subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.
I Coríntios 2:9
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A paixão do apóstolo por Cristo era tão grande que ele chega a amaldiçoar aqueles que
não amam O amam (1 Co 16:22). Na carta de Gálatas (2:19-20) Paulo declara que está
morto para si mesmo (crucificado com Cristo), e que Cristo vive nele. Essa paixão,
portanto, incitava o apóstolo a estar sempre no centro da vontade daquele a quem
pertencia seu coração.

1.2. Paixão pela igreja

O sentimento motivador de Cristo a se entregar pela igreja era o mesmo que Paulo tinha
por ele. A entrega, portanto era bilateral: Cristo se entregou pela igreja, e Paulo se
entregou por ele.

Na sua segunda carta aos coríntios (12:15) ele mostra que estava disposto a gastar-se
totalmente para o bem da igreja. Essa paixão o levava a não pensar em si, mas
demonstrava uma genuína solicitude sob aqueles que ele cuidava.

15 Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos
como nos que se perdem
II Coríntios 12:15

As suas epístolas às igrejas eram carregadas de uma preocupação abnegada por tudo o
que acontecia dentro dessas comunidades. Ele considerava-os seus filhos, e por isso
exortava quando era preciso. Alguns textos mostram a preocupação e a afeição de Paulo
com as comunidades cristãs provenientes de uma grande paixão: 2 Co 6:13; Ef 3:1; Fl
1:3-5, 4:1-4; Cl 1:3-10, 1 Ts 1:2-10, 5: 12-27; 2 Ts 1:11-12, 3:6-15.

1.3. Convicção do seu chamado

Isso se expressa na maioria de suas epístolas, nas quais ele recorre à autoridade de seu
apostolado para confirmar seu ministério (Rm 1:1, 1 Co 1:1, 2 Co 1:1, Gl 1:1, Ef 1:1, Cl
1:1, 1 Tm 1:1, 2:7; 2 Tm 1:1, 1:11; Tt 1:1). Nas epístolas de Filipenses e Filemom,
escritas com Timóteo, Paulo se intitula servo (Fl 1:1) e prisioneiro de Cristo Jesus (Fm
1).

Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de
Deus.
Romanos 1:1

Essa autoridade apostólica vinha do fato dele ter visto o Senhor Jesus em sua viagem a
Damasco (I Co 9:1), e de ser um instrumento para levar o evangelho às pessoas. Ele
chega a defender seu apostolado na primeira carta aos Coríntios capítulos 10, 11 e 12.
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Essa convicção de que fora chamado para pregar o evangelho impulsionava Paulo a
continuar seu trabalho mesmo diante das muitas pressões e perseguições que sofria (Rm
1: 16-17; Fl 3:12-14; Cl 4:3; 1 Ts 2:2).

Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para


salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.
Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo
viverá pela fé.
Romanos 1:16,17

1.4. Necessidade das pessoas

O mundo necessitava, e ainda necessita, das Boas Novas. Em I Tm 2:4, ele diz que o
desejo de Deus é que todos as pessoas cheguem ao pleno conhecimento da verdade; e
esse era também um desejo do próprio Paulo.

Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.


I Timóteo 2:4

Ele almejava ganhar o maior número de pessoas (I Co 9:9), porque entendia a real
necessidade do mundo em conhecer a Deus. Em Atenas, ele chega a se comover por ver
as pessoas presas pelo pecado (At 17:16). Em Filipos, ele liberta uma moça possessa de
um espírito adivinhador, indignado com a exploração que os donos dela realizavam (At
16:16-18). Isso mostra a grande compaixão que ele tinha com as pessoas.

1.5. Convicções teológicas

Depois de sua conversão, Paulo se retirou para a Arábia por algum tempo (Gl 1:15-23).
O motivo dessa viagem não aparece em seus escritos e nem em Atos. Mas é possível
que Paulo tenha se ausentado para poder pensar em todas as implicações de seu
encontro com o Cristo ressurreto na estrada de Damasco. Talvez essa temporada tenha
sido uma ocasião para Paulo ajustar suas convicções teológicas judaicas com a
revelação que recebera de Cristo.

2. Estratégias Missionárias de Paulo

A estratégia missionária de Paulo tinha como base a sua própria experiência de


conversão e regeneração. Sua mensagem era a de reconciliação com Deus por meio de
Jesus Cristo. Suas pregações sempre tocavam no assunto de ser uma nova criatura em
Cristo.

As estratégias de Paulo ultrapassavam as paredes da igreja e iam de encontro à


sociedade daquela época: seus governos, instituições e religiões. Paulo penetrou no
mundo romano altamente urbanizado com estratégias em sua mente.
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2.1. Pregação do Evangelho no poder do Espírito Santo

Paulo estava disposto a levar o evangelho por onde quer que fosse e em toda sua
integridade, embora fosse condenado e perseguido por isso.

At 20:17-38

Contudo, a base para Paulo fazer isso era o próprio Espírito Santo. O apóstolo
estava cheio do Espírito (At 13:9, 52; 19:2-6), e realizava toda obra no Seu poder. Foi o
próprio Espírito que o vocacionou para a tarefa missionária (At 13:2), o enviou
(13:4), o capacitou (13:9), o sustentou (13:52). Deus, através de seu Espírito, cuidava
(At 20:23) e direcionava todo o ministério de Paulo, guiando-o a ponto de dizer onde
pregar ou não (At 16:6-7).

2.2. Plantação de igrejas.

Paulo foi um plantador de igrejas, porém ele não fez em qualquer lugar, havia uma
estratégia a ser seguida, um planejamento. Ele sabia onde valia a pena investir seus
esforços e onde não valia a pena.

O motivo dessa escolha, Jorge H. Barro explica bem:

Não há dúvida de que uma das estratégias da missão de Paulo era os centros urbanos.
Paulo escolhia as cidades mais urbanizadas, influentes e estratégicas a partir das quais
as boas novas do Reino poderiam se espalhar. As cidades que Paulo entrou eram
centros de administração romana, sob a influência grega e judaica, além de serem
importantes centros culturais, sociais e comerciais.

Paulo plantou igrejas em cidades importantes tais como Listra, Antioquia da Pisídia,
Filipos, Tessalônica, Atenas, Conrinto, Efeso e Roma.

2.3. Formação de Liderança

Ele trabalhava na formação de uma liderança que poderia substituí-lo quando fosse
embora. Como seu ministério era um constante movimento, ele achou melhor discipular
pessoas escolhidas por ele mesmo para serem os líderes dessas comunidades na sua
ausência.

Ex. Priscila e Áquila, Timóteo, Silas, Barnabé e Tito, todos preparados por Paulo que
assumiram funções de dirigir diversas comunidades pela Ásia e Europa.

2.4. Contextualização missiológica


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A estratégia missionária paulina era determinada pela necessidade e pelo contexto local
que o apóstolo se encontrava. Paulo precisava se contextualizar com seus três públicos-
alvo: judaico, romano e grego.

Enquanto estava na cidade, ele analisava o novo ambiente, procurando descobrir


elementos-chave que criariam pontes para a evangelização local.

Como era conhecido pelo povo judeu como um aluno do mestre Gamaliel e como a base
do cristianismo é o judaísmo, Paulo utilizava desses recursos para pregar a Palavra de
Deus nas sinagogas dessas cidades, persuadindo judeus e constituindo assim um elo
entre a antiga e a nova religião.

Paulo fixava essas pontes como uma forma de abrir as portas dos demais segmentos da
sociedade em que pregava, estabelecendo nas sinagogas contatos com os líderes
religiosos locais e também com pessoas de grande influência na sociedade que ele
estava inserido.

As estratégias de Paulo ultrapassavam as paredes da sinagoga e iam de encontro à


sociedade daquela época.

2.5. Retaguarda da igreja de Antioquia

Antioquia da Síria é a mais importante cidade da história primitiva do cristianismo,


depois de Jerusalém. Nessa cidade foi estabelecida a primeira igreja gentílica (At 11:20-
21), e foi ali também, que pela primeira vez, se chamaram cristãos os discípulos de
Jesus Cristo (At 11:26).

Sua ligação com a igreja de Antioquia era grande. A sua “casa” oferecia apoio espiritual
e moral (At 13:3). A questão financeira, muito embora não apareça explicita dessa
forma, provavelmente existia, pois o apóstolo viajava com o aval da referida
comunidade.

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