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Colegiado de Engenharia de Produção

RESENHA CRÍTICA

Odivania Araujo de Mattos

Alagoinhas – Ba

2013
Odivania Araujo de Mattos

A História das Coisas

Filme - vídeo

Resenha apresentada à Faculdade Santíssimo


Sacramento no curso de Engenharia de
Produção, V semestre, como exigência da
disciplina de Sistema de Tratamento de
Resíduos, sob a orientação da Profª Msc. Maria
Salles.

Alagoinhas

2013
PRIGGEN, E.; FOX, L. História das Coisas (The Story of Stuff). [Filme-vídeo].
Produção de Erica Priggen, direção de Louis Fox. EUA, 2007. Vídeo, 21 min.
color. son.

O documentário A História das Coisas é composto por 21 minutos de


duração aproximadamente, onde a ativista Annie Leonard, abrange de forma
direta e objetiva como funciona a cadeia de produção de bens e consumo;
deste a extração da obra prima até o seu descarte, finalizando assim, nos
lixões. Ela destrincha cada etapa no processo de produção, que extrai de
maneira ilimitada os recursos naturais, aproveitando a mão de obra muito
barata, fabricando produtos com pouca durabilidade, criando assim um círculo
vicioso de compra e descarte, onde o interesse do governo e das corporações
está acima de tudo.

Na primeira parte do filme, Annie Leonard cita que, “as coisas se


deslocam ao longo do sistema”; sistema esse que ela denomina como sendo
linear, formando o seguinte esquema: Extração > Produção > Distribuição >
Consumo > Tratamento do Lixo. De acordo com ela, esse é o primeiro erro,
pois vivemos num planeta finito e é aí onde está a falha, por ele ser linear, ele
explora os recursos demasiadamente e não há sustentabilidade na natureza
para se adequar a demanda da produção. Além de que ele está incompleto,
pois entre cada etapa, existem pessoas envolvidas. Bem verdade que umas
são mais importantes que outras, tendo assim, poder de decisão, os quais são,
como citado anteriormente, o governo e as corporações, pois ganham
“importância ímpar, e são os seus interesses que passam a comandar a
agenda de pesquisas e desenvolvimento” (PORTO-GONÇALVES, 2006: 104).

Em conseguinte, a narradora explica esse esquema, começando pela


extração. Segundo ela, nesse processo, os recursos naturais, são explorados
de modo tão rápido e brusco que debilitamos a capacidade do planeta de se
recuperar e sustentar esse modo de vida consumista. Seguindo o sistema, logo
vem a produção, onde se fabrica produtos que, durante a sua confecção, são
contaminados com tóxicos; estes, entram e saem ou em forma de produto ou
de subproduto que é a poluição. Dando seguimento, está a distribuição, que
nada mais é que vender esses produtos contaminados da maneira mais rápida
possível, e pra que isso ocorra, são vendidos por preços muito baixos, e no
final, não paga-se o verdadeiro custo da produção, pois pessoas são lesadas
em seus direitos para que o consumismo seja ininterrupto.

Ao citar o termo “a seta dourada do consumo”, ela refere-se ao ponto


mais importante desse sistema; pois é nessa questão onde há prioridade dos
‘maiorais da economia’ e todas as suas implicações; tendo iniciado pelo
presidente George W. Bush, após os atentados terroristas de 11 de setembro,
estimulando assim, o consumo como tática de recuperação da economia
nacional dos EUA. Ela também usa dados percentuais para mostrar que
somente 1% dos aparelhos comprados continua funcionando bem após seis
meses de uso.

Segundo o roteiro do filme, há dupla obsolescência nos produtos


lançados no mercado: a obsolescência planejada, que garante que os produtos
já sejam criados para ir ao lixo, fazendo valer até que seja impossível a
substituição de peças defeituosas seja mais barata que a compra do produto
inteiro; e a obsolescência perceptiva, que está vinculada imperceptivelmente a
recursos como moda e publicidade, visto que diz respeito ao ato de jogar fora o
que ainda é perfeitamente útil em virtude de insatisfações com a aparência.

O vídeo ainda aborda sobre a influencia da publicidade sobre os


cidadãos que são induzidos num ciclo constante, interminável, entre as
atividades de: trabalhar > assistir televisão > comprar; pois eles trabalham o dia
todo, ao chegar em casa, vão para o televisor e é bombardeado por comerciais
que os impulsionam às compras e assim sucessivamente.

Ao falar sobre a etapa final do processo, Annie Leonard apura o impacto


ambiental do tratamento do lixo, que além da poluição direta do meio ambiente,
causa mudanças climáticas drásticas e induz à produção de dioxinas, a
substância mais tóxica fabricada pelo homem. O que torna a situação ainda
mais problemática no contexto particularmente conhecido pela ambientalista é
que, no país em que ela vive, é amplamente aplicada a exportação de rejeitos,
em que as altas cargas de dejetos produzidas pelas indústrias são repassadas
para países menos desenvolvidos.
Indubitavelmente, Annie Leonard alerta que a reciclagem por si só não é
o bastante, pois a parte que as pessoas comuns pode contribuir para melhorar
este quadro é ínfima diante do estrago levado a cabo pelas grandes empresas,
e ressalta a importância de um sistema cíclico para que possa atender as
necessidades do ser humano, além da consciência do homem mediante aos
problemas que o planeta vem sofrendo durante décadas.

Por fim, esse documentário vem abranger em aspectos significativos que


é de suma importância acabar com esse capitalismo globalizante agressivo,
que sustenta a deterioração dos recursos naturais, a exclusão do ser humano,
o desequilíbrio estrutural entre países ricos e pobres. Onde ser valorizado e ter
direitos não são destinados a todos, mas apenas as que têm influência e poder
aquisitivo. Projetos de reciclagem e combates a poluição dos ares, rios, ao
desmatamento e à caça ilegal são eficientes políticas ambientais que podem
contribuir para a sobrevivência do Planeta se bem geridas e incentivadas pelos
governantes e demais entidades que exercem algum tipo de influência na
sociedade.

A partir dos meus conhecimentos no assunto, o qual foi complementado


através desse vídeo, tornei possível uma avaliação da obra. A fiz no intuito de
adquirir mais experiência a respeito do assunto ambiental cujo foi destrinchado
em boas palavras, além de uma perceptível interação da autora-narradora com
o tema abordado. Ela expôs de uma forma clara os principais aspectos e
entendimentos da questão ambiental. Deixando bem claro a forma de como o
consumismo vem deturpando a visão econômica mundial através dos governos
e corporações. Todos precisam conhecer os seus direitos individuais, porém
acima deles, deve-se investir na melhoria e preservação do meio o qual
vivemos, visto que sem o ambiente harmônico não existe possibilidade de
progredir.
REFERÊNCIAS

 http://crticasdeumcinemanu.blogspot.com.br
 PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. A Globalização da Natureza e a
Natureza da Globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.