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INTRODUÇÃO À MAGIA GOETIA I

Frater Rogério de Freitas


Sociedade Mística de Ocultismo

Editora Pantáculo
Academia Brasileira de Ocultismo - A.B.O.

Versão Ebook
“Introdução à Magia Goetia I”
Frater Rogério de Freitas

Editado com exclusividade sob a permissão de:


Sociedade Mística de Ocultismo

2ª Edição - Abril de 2015

Coordenação e Supervisão: Daniel Fernandes e Paula Milanez


Revisão de Texto: Ricardo Prestes Sales

Todos os direitos reservados


Proibida a reprodução parcial ou integral.

Editora Pantáculo
São Paulo / SP

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Freitas, Rogério de
Introdução à Magia Goetia - Volume I
São Paulo : Editora Pantáculo - Edição 2015
Conteúdo:
1.Ocultismo
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Índice para catálogo sistemático:


1.Ocultismo, Esoterismo

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Sobre o Autor

Frater Rogério de Freitas é um estudioso de ocultismo e membro de algumas Ordens Iniciáticas,


dentre elas a Maçonaria, desde 1999 vem mantendo suas pesquisas na área de ocultismo e Magia. Seus
estudos têm sido direcionados em especial no sentido de difundir a Magia Cerimonial, seu envolvimento
com esse tipo magístico não se limita somente aos estudos teóricos, além de seu trabalho didático que é
divulgado nas redes sociais e em seus materiais autorais, realiza também suas práticas ritualísticas em
Magia Goetia no seu espaço esotérico localizado na cidade de Limeira/SP. Frater tem dedicado sua vida ao
estudo do ocultismo, e tem como um de seus objetivos fomentar e incentivar o conhecimento do ocultismo
teórico e prático, utilizando em suas pesquisas e práticas tanto os elementos da Magia tradicional dos
antigos Grimórios, como também da Magia moderna, que tem como base os pensamentos de escolas mais
contemporâneas que revolucionaram a Magia. Segundo seu pensamento, os conceitos magísticos antigos e
ancestrais são de grande valia em sistemas como Goetia, porém a Magia moderna e suas adaptações feitas
junto à sistemas mais tradicionais, tem se mostrado muito eficazes em seus efeitos, e com isso surgem
novos métodos e sistemas que desenvolvem as práticas ritualísticas sem que sua essência seja perdida.

É um fato incontestável que as práticas magísticas cerimoniais evoluem no decorrer da linha do tempo,
pois o homem é um ser em constante processo evolutivo, por essa razão, é preciso que se façam algumas
adaptações de acordo com a necessidade e circunstâncias que cada magista moderno venha enfrentar em
suas ações práticas dentro do universo da Magia Cerimonial. Atualmente Frater está desenvolvendo um
projeto com a Sociedade Mística de Ocultismo, em que pretende divulgar seu trabalho sobre a Magia
Goetia em três “e-books”. Esse é o primeiro volume dessa série, o conteúdo desse material foi pensado
principalmente para o estudante que está iniciando suas pesquisas em Goetia, e também para qualquer
pesquisador em assuntos de ocultismo. É uma leitura livre para todos sem distinção. Estudar essa arte,
demanda muito mais do que apenas alguns livros, nessa obra o leitor encontrará noções que poderão
direcionar os iniciantes na busca pelo conhecimento sobre o funcionamento uma Cerimônia de Magia
Goetia.

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Contatos pelo email <frater.rf@bol.com.br>.

Equipe editorial da Sociedade Mística de Ocultismo - (dezembro de 2014)

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Índice

Introdução _________________________________________________ página 5

Capítulo 1
- Evocações e Invocações ________________________________________ página 8

Capítulo 2
- Os Daemons e os Pactos ________________________________________ página 13

Capítulo 3
- Ritualística e Alguns Objetos ____________________________________ página 20

Capítulo 4
- Goetia na Prática, Espelhos e Enns _______________________________ página 36

Capítulo 5
- Planos de existência, Plano Astral e Plano Físico ___________________ página 41

Conclusão/Agradecimentos _________________________________ página 43

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Introdução

Goetia ou Goecia é um sistema de Magia Cerimonial muito comentado entre os ocultistas e também
entre leigos, isso se dá em função do mistério que envolve sua prática e os resultados eficazes constatados
por muitos que já utilizaram o sistema, talvez por essa razão, seja um dos ramos da Magia que mais ganhou
destaque nos últimos anos. Existe um certo tipo de preconceito por parte dos leigos no assunto, e um dos
motivos principais para isso é a falta de informação e conhecimento sobre o tema.

Alguns críticos cristãos insistem em rotular essa espécie de Magia como um conjunto de atos de
malignidade diabólica, adoração à Lúcifer, Satanás ou vendas de almas em pactos absurdos e coisas
semelhantes à essas. Apesar de tantas especulações à respeito, pouco se sabe de fato, “ou pouco se revela”,
à respeito desse assunto e também sobre sua eficácia do ponto de vista prático, por essa razão, serão
compartilhados nessa obra alguns conhecimentos baseado nos estudos, pesquisas e experiências realizadas
por mim e outros magistas sobre esse “obscuro” e polêmico sistema de Magia.

O objetivo desse trabalho é procurar de uma forma simples e objetiva, expor alguns aspectos teóricos
e práticos envolvidos em Goetia. O conteúdo desse material se pautou em apresentar de uma forma
simples e direta os assuntos relacionados à complexidade das cerimônias de Magia ritual. Para atingir esse
propósito foi usada uma linguagem de fácil compreensão pensando principalmente nos estudantes que estão
iniciando suas pesquisas e práticas em Magia independente do tipo que seja. As informações conhecidas
sobre esse sistema ritual se encontram em sua maior parte no livro Lemegeton Clavícula Salomonis, mais
conhecido como a Chave Menor de Salomão ou Clavículas de Salomão, esse clássico é dividido em cinco
sessões: Ars Goetia, Ars Theurgia Goetia, Ars Paulina, Ars Almadel e Ars Nova. Nosso trabalho está
direcionado sobre o Ars Goetia, e o objetivo é o estudo das práticas ritualísticas, objetos usados e também
sobre as características dos 72 Daemons que foram catalogados nessa sessão citada das clavículas.

Tratar sobre Goetia é como mergulhar num universo de mistérios, onde há uma infinidade de assuntos
a se estudar, esse livro possui alguns conhecimentos basilares, principalmente direcionados aos leigos e
iniciantes em Magia, não será possível abranger todos os detalhes cerimoniais que envolvem Goetia através
de um espaço tão limitado, mas mesmo assim, será utilizada a maior abrangência e clareza possível nesse
material que pretende dar apenas uma síntese do sistema. Espero que haja compreensão por parte dos
leitores no sentido de que o tema é muito denso e extenso, e um pequeno “e-book” não fornece espaço
suficiente para um desenvolvimento detalhado sobre um assunto que produz tanta curiosidade e dúvidas.
Tenho alguns anos de estudos em ocultismo e dentro de minhas experiências e pesquisas sobre Magia
Goetia posso afirmar que ritualisticamente é um ramo de Magia Cerimonial fascinante, rico em simbologia
e significados ocultos.

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Goetia é também uma grande fonte de conhecimentos magísticos para buscadores sérios, pois a uma
das melhores maneiras de se aprender Magia é na prática, e a execução de rituais cerimoniais trazem muitos
aprendizados de forma real e prática, porém para os apenas curiosos e irresponsáveis que desprezam os
estudos e a diciplina que a Magia exige, Goetia pode representar caminhos perigosos, obscuros, labirintosos,
confusos e desconhecidos. Esse sistema de Magia costuma sempre ser associado e atribuído à Salomão,
mas os “espíritos” evocados em Goetia, são “entes” muito antigos, e bem anteriores ao rei de Israel, são
muito mais antigos do que podemos imaginar. Os 72 nomes dos Daemons relatados na primeira parte do
“Lemegeton” são referências à seres ancestrais com energias astrais bastante poderosas, e entrar em contato
com eles pode representar para dizer o mínimo, muito perigo para quem não conhece ao menos alguns
conceitos básicos de Magia, a experiência com Goetia é muito mais ampla do que pensam os leigos e
curiosos.

Não basta simplesmente se cercar de aspectos teóricos, conhecimentos de ritos e memorizações de


conjurações escritas para se praticar essa arte, é recomendável ser um Iniciado em Magia, ler muito à
respeito e ser orientado por um bom e sábio Mestre no assunto, entretanto, são apenas recomendações, isso
não pode ser tomado como regra. Esse material trás orientações importantes para aqueles que pretendem
praticar esse tipo de Magia, alerto à todos sobre o poder das energias e a eficácia que há no sistema de
Magia Goetia, e que não se deve praticar nenhum tipo de contato com “espíritos” sem um propósito
definido. O medo deve ser banido por completo para que não aconteçam problemas posteriores de ordem
psicológica ou outros tipos de fenômenos que podem fugir à razão convencional.

Os resultados produzidos por Goetia são reais, e igualmente perigosos aos curiosos que ignoram a
necessidade de alguns cuidados e proteções. Não é recomendável que se pratique apenas por curiosidade,
mas sei que infelizmente muitos ignoram esses tipos de alertas. Aqueles que desejarem se aventurar deverão
procurar materiais onde possam estudar os conceitos básicos de Magia, para que possam compreender o
que é Magia Cerimonial e como se dá seu funcionamento, evitando com isso, que sejam surpreendidos pelo
“fantasma da ignorância”. Goetia é uma espécie de Magia e não uma Ordem de estudos ocultos ou algum
tipo de escola iniciática, apesar do surgimento de vários cursos e materiais relacionados com esse assunto, é
importante que se enfatize que não existe “iniciação” em Goetia, o que existem são iniciados em diversos
tipos de Escolas e Ordens que utilizam seus conhecimentos magísticos adquiridos para procurar
compreender o funcionamento desse sistema de Magia Cerimonial.

Um Iniciado em conhecimentos magísticos terá relativamente mais facilidade de se desenvolver em


seus estudos e práticas de invocações e evocações, por isso é recomendável que os buscadores desse tipo de
Magia tenham passado por algum tipo de iniciação em Magia, existem iniciados e não iniciados que
estudam e praticam Goetia, o que vai ser relevante para que as ações sejam bem sucedidas é ter um bom
desenvolvimento da intenção e vontade aplicada à Magia, conhecimento da parte ritualística, os aparatos
necessários e um pouco de intimidade com práticas cerimoniais principalmente com rituais de banimentos.

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Apesar de Goetia ser um sistema de Magia Ritual relativamente perigoso, não há necessidade de se
criar nenhum tipo de “terrorismo” sobre o assunto, por analogia poderíamos comparar Goetia com a energia
elétrica, se for bem direcionada pode ser útil ao ser humano, se usada com descuido pode causar acidentes,
semelhantemente em Magia Cerimonial basta que se tome os devidos cuidados, para ser uma prática útil e
proveitosa.

Magia Cerimonial é feita para quem gosta de ação, pois são práticas reais e ativas que buscam
objetivos tangiveis e concretos, esse tipo de Magia não poderá ser compreendida de forma completa
somente pela teoria, quem quiser satisfazer sua curiosidade apenas com questionamentos de relatos de
outras pessoas e estudar somente lendo grimórios e experiências alheias, nunca saberá ao certo como é, pois
as experiências são subjetivas e as manifestações magísticas variam bastante entre os magistas..

Estudar Goetia é uma ação que qualquer um que desejar poderá realizar, os estudos são livres e os
materiais são de fácil acesso, adquirir conhecimento sempre é algo positivo e acrescentador, se o material
de estudo for de fontes confiáveis, o estudo pode fornecer uma boa base sobre o assunto, mas quando o
assunto é a prática ritualística, o magista deve avaliar qual o propósito e a razão de sua decisão. Qualquer
um pode experimentar uma Cerimônia Ritualística, mas essa espécie de Magia não foi desenvolvida para
todos, e existem pessoas que não têm afinidade com essas práticas. Para quem não tem afinidade para lidar
com egrégoras associadas ao Caminho da mão esquerda, a melhor opção é permanecer somente no estudos
e nas leituras de Grimórios.

Para os estudantes que já tem se preparado nos estudos há algum tempo, possuem alguma maturidade
magística, e já adquiriram os aparatos necessários, não há necessidade de ficar adiando o momento das
práticas por razões de medo ou insegurança, uma pequena dose de ousadia pode auxiliar na superação e
domínio dos eventuais medos que possam trazer insegurança no ritual. O importante é sempre ousar com
responsabilidade e nunca evocar nenhum tipo de energia sem propósito, o sistema de Magia Cerimonial
Goetia está acessivel à qualquer pessoa que desejar, entretanto, nem todos estão preparados para viver esse
tipo de experiência.

Boa leitura !

Fráter Rogério de Freitas

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Capitulo 1

Evocações e Invocações

Alguns ignoram a diferença existente entre essas duas palavras, entretanto, é de fundamental
relevância que se faça uma clara distinção entre esses termos para o bom êxito nos objetivos desejados
tanto na prática de Goetia como em qualquer outro tipo de Magia Cerimonial que se comunica com seres de
outros planos de existência. Muitos nem sabem se há ou não diferença entre esse termos, entretanto são
bem distintos.

A diferença básica e simples entre “invocar” e “evocar” pode ser definida assim:

- quem invoca, “chama” alguém ou algo à si, e através de preces orações ou fórmulas mágisticas,
pede proteção de determinados seres espirituais ou nomes mágicos capazes de fornecer auxílio para
finalidades específicas;

- quem evoca, “determina” algo à alguém para que realize uma ação ou um conjunto de ações que
são comandadas pela vontade de quem está evocando.

Dentro de uma compreensão coerente sobre evocações, é necessário observar que na Magia Goetia
podem ocorrer situações em que seja pedido por parte do Daemon algo em troca pelo desejo a se realizar,
esse tipo de situação nos deixa o entendimento de que temos que ser “negociadores” com os Daemons e não
“tiranos” ameaçadores com a falsa ilusão de poder superior em relação à eles, deve haver a consciência que
estamos diante de seres mais poderosos do que nós.

Quando estamos dentro no Círculo Mágico, nos tornamos “momentânea” e “relativamente” poderosos,
isso se deve aos aparatos usados, conjurações e todo o sistema ritual envolvido, entretanto, continuamos os
mesmos seres humanos limitados e incomparavelmente diferentes dos Daemons em poder, afinal se
fôssemos tão poderosos como alguns Magos dizem ser, não haveria necessidade de se pedir nada para
nenhum tipo de entidade, e as evocações seriam totalmente desnecessárias para esses tipos de propósitos.
Portanto é preciso ver os Daemons com mais respeito, reconhecendo seu poder, e que precisamos deles
como bons aliados, não devemos nunca utilizar comportamentos prepotentes e arrogantes em relação à
esses seres, com toda certeza se tratarmos eles com respeito, também vão nos respeitar, se tratarmos com
tirania, eles serão tiranos e nos trataram com mais hostilidade que de costume. Podemos concluir com isso
então, que determinar algo para alguma “entidade” ou mais específicamente à um Daemon, requer uma
postura de autoridade do evocador em relação ao “ente” evocado, por isso as evocações em Goetia não são
para covardes e nem para pessoas cheias de dúvidas tolas, é preciso saber o que está fazendo para não se ter
surpresas desagradáveis.

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Em magia aprendemos a grande importância do uso da vontade, e essa ferramenta é indispensável para
um bom desempenho magístico em Goetia ou em qualquer outro tipo de atividade prática relacionada à
Magia. Não se deve evocar um Daemon sem um princípio racional motivador, e nem tão pouco sem a
devida proteção, caso contrário o encauto poderá se deparar com forças astrais estranhas à sua condição
vibracional, e não saberá o que fazer diante da situação. Em alguns casos quando alguém tenta se aventurar
em Magia Goetia sem conhecer direito seu funcionamento, esta pessoa pode correr diversos tipos de riscos,
inclusive existe a possibilidade de um medo incontrolável provocar uma crise de catalepsia.

Apesar da catalepsia patológica ser uma doença rara, sabe-se que um forte trauma emocional como um
medo extremo por exemplo, pode causar esse tipo de mal, por isso é importante ter muita cautela e
equilíbrio psicológico em Goetia. Mas mesmo com todos os riscos existentes, é possível ter experiências de
forma segura e responsável, basta que o magista se cerque dos cuidados necessários, agindo sempre com
uma postura compatível com a seriedade que esse ato exige.

Quando um espírito se manifesta e eventualmente se materializa, em alguns casos talvez se apresente


com alguma imagem ou forma não muito agradável aos nossos olhos, e além disso alguns deles costumam
exalar um odor bem desagradável, definitivamente tais experiências não são apropriadas para pessoas que
não tenham coragem e equilíbrio emocional o bastante para enfrentar coisas semelhantes à essas.

O termo invocação é muito associado à liturgia cristã e algumas igrejas tem essa palavra empregada
em suas canções e orações, fica fácil entender a nítida diferença entre os termos, quando se invoca, se pede
o auxílio de um espírito através das preces ou algo semelhante, é um “chamar”com extremo respeito e
submissão. É muito comum nessas situações que se invoque a presença de alguma “divindade” e lhe pedir
proteção ou algum outro tipo de coisa, essa é uma forma bem comum do emprego da invocação. Já na
evocação, é preciso que se tenha uma postura menos passiva, de forma que se consiga „impor”,
relativamente a vontade sobre o espírito evocado. Embora exista, essa distinção no sentido do que essas
palavras representam, me ocuparei apenas do termo “evocar”, pois é um dos mais relevantes aspectos de
nossa pequena reflexão.

A evocação dentro do sistema ritualístico de Goétia, é uma parte muito importante do cerimonial, pois
é nesse momento que se estabelece a comunicação entre evocador e evocado, é nessa hora que se pode
conhecer melhor a natureza dos “Daemons”. Somente a experiência ritualística poderá definir exatamente
como esses “espíritos” se comportam e como os evocadores devem agir diante deles. Depois desse pequeno
esclarecimento sobre a distinção dos termos, vamos procurar entender melhor de que forma se dá essa
“evocação”, e qual a utilidade disso, lembrando que Goetia é apenas um de muitos sistemas de Magia
Cerimonial e cada um deles possui seus ritos e suas particularidades. Os ritos podem ser considerados como
padrões que são geralmente escritos, para que se possa acontecer um cerimonial de Magia, esse conjunto de
ações feitas através de um rito recebe o nome de ritual.

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Determinados ritos são muito complexos, e os ritos em Goetia são exemplos disso, um dos motivos
pelos quais esse livro foi criado, é o de tentar mostrar que para se praticar esse tipo de Magia, não é
necessário conhecer profundamente hebraico, aramaico e nem tão pouco ser especialista em Cabala como
um Rabino Ortodoxo. Não é preciso também dominar nenhum tipo de escrita hierática antiga ou hieróglifos
indecifráveis, o que vai prevalecer em qualquer sistema magístico é a intenção, propósito e uma vontade
firme, enérgica e determinante. Mas é claro que devemos estudar muito tudo o que for possível, o
conhecimento teórico servirá de apoio às ações práticas. São raros os casos de pessoas que aprendem
conteúdos muito densos de leitura com rapidez, deve haver um certo controle na ansiedade pela leitura, e
também um cuidado na seleção do material de estudo e aprendizado. Existem coisas que podem ser
simplificadas, a evolução da Magia nos mostra novas situações e adaptações que tornam a Magia
Cerimonial mais acessível e mais compreensível, os velhos Grimórios são ótimos guias, mas é possivel
fazer adaptações aos dias atuais, o mundo evoluiu do Lemegeton até hoje, e não podemos ignorar esse fato.

Em Goetia se evocam energias espirituais que são conhecidas como “Daemons” e os propósitos dessas
evocações são muito subjetivos e variáveis, tenho observado muitos interessados em evocações que buscam
única e exclusivamente fazer “pactos financeiros”, e esquecem de observar que o cerimonial possui muitos
outros elementos, ficar concentrado somente numa mesma idéia pode ser um caminho labirintoso, limitado
e perigoso. O cerimonial em Magia Goetia é bem detalhado, e é necessário que se estude bastante os
elementos que constituem seus ritos antes de se pensar em experimentar e praticar.

Como na maioria das Magias que envolvem ritualística, a riqueza dos detalhes tornam os rituais
complicados para quem não está acostumado, se você insistir em entender tudo de uma só vez, e ficar
acelerando demais o seu processo de aprendizado, vai sobrecarregar sua mente e não vai conseguir bons
resultados. Não é possível se transformar num “Super Mago” instantâneamente, se tentar isso,
provavelmente vai se perder todo, não vai conseguir seu objetivo e ainda poderá se deparar com energias
que não conseguirá controlar, portanto, procure entender e aprender as coisas para que você não tropece em
si mesmo, simplifique ao máximo, para ter o domínio de toda a situação ritualística.

Lembre-se sempre que o poder do Mago reside no bom emprego de uma forte vontade, se você ficar
preocupado com dúvidas banais, como cor de vela, se deve usar baqueta ou espada ou se prender à escritos
de idiomas antigos que desconhece, com certeza sua experiência será bem frustrante e acontecerá como
alguns que preparam todos os detalhes dos rituais segundo o sistema tradicional, e esquecem do principal
que são: a vontade, o propósito e a intenção. Só o conhecimento teorico não basta, é preciso mais que isso,
a ousadia pode ser uma ferremanta bem útil, e ser ousado é diferente de ser curioso, quem ousa aprende e
evolui. Os ousados questionam e com isso aprendem, os curiosos duvidam e desafiam, e não chegam em
lugar algum nunca. Um fato importante é que sem experimentar nunca ninguém saberá como é a situação
real, por isso um pouco de ousadia auxiliará principalmente na primeira vez.

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Se você não é uma pessoa de pulso firme e determinada, não experimente Goetia, se não tiver uma
noção do que é ter autoridade naquilo que busca, não deve nem pensar em se envolver nesse tipo de Magia,
quando evocar uma entidade, saiba que está se pondo em contato com um ser milenar, eventualmente muito
mais sábio e poderoso que você, por essa razão o respeito deve estar presente de forma intensa.

Através do ritual o magista poderá ter um certo controle sobre o Daemon, pois estará dentro do círculo
de proteção e de posse de uma série de aparatos auxiliares, mas quando acabar toda a ritualística e você sair
do círculo, deve ter convicção e segurança de que fez tudo certo e que não colocou um Daemon à solta sem
ter lhe passado os comandos do que tem que fazer. Todo evocador assume uma posição de Mago no
momento da cerimônia ritualística, por isso é bom providenciar uma proteção compatível com o ato que
está se realizando, um Pantáculo ou coisa do tipo deve ser carregado sempre junto ao corpo, geralmente os
Magistas usam Hexagramas, Pentagramas e principalmente o Tetragrammaton, mas não precisa ser
exatamente isso, pode ser qualquer símbolo apropriado, desde que lhe transmita proteção e faça você se
sentir seguro.

Se não houver uma sensação de segurança não é aconselhável se envolver em nenhum tipo de prática
de evocação, por isso a consagração do pantáculo ou anel de proteção deve ser feita criteriosamemente para
que não hajam surpresas desagradáveis nas cerimônias de Magia ritual. Todo cuidado é pouco quando o
assunto é evocação em Goetia, tenho uma grande preocupação principalmente com os jovens ocultistas que
vivem na era da informática e pensam que os conhecimentos milenares iniciáticos podem ser transmitidos
todos pela internet, a velocidade do aprendizado nos dias de hoje é muito rápida, porém deve existir por
parte dos buscadores um cuidado grande com os materiais estudados, é nesse momento que se faz
necessária a figura de um Mestre orientador.

A grande questão é que não há iniciação em Magia Goetia, pelo menos formalmente não, as práticas
são quase sempre solitárias, vejo um aspecto positivo em não haver uma escola iniciática exclusiva para
Goetia, isso permite o acesso à todos que quiserem, pois qualquer pessoa que tiver afinidade com o sistema,
poderá estudar e adquirir os aparatos necessários, e com isso estar apto a realizar suas evocações, claro que
isso não é tão simples, porém é possível. Esse tipo de Magia Cerimonial é adequado para pessoas que tem
um desejo forte por experiências dentro da Magia e que já aprenderam a controlar o medo.

É comum em Ordens e escolas iniciáticas, a necessidade de muito tempo de preparo para que o adepto
possa atingir determinadas condições de prática magística real, é necessário passar por várias graduações
para se alcançar experiências ocultas mais elevadas, o conhecimento magístico adquirido em qualquer tipo
de escola iniciática de ocultismo, Magia ou esoterismo em geral, porém isso não é uma regra, existem
ótimos praticantes de Goetia que não são iniciados em nenhum tipo de Ordem ou Escola e mesmo assim
possuem uma grande afinidade com o sistema e já têm um desenvolvimento nato de suas vontades e
intenções magísticas.

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Os iniciados em Magia tendem à compreender melhor a comunicação com outros planos de existência,
e dessa forma as evocações em Magia Cerimonial podem se traduzir em experiências úteis e proveitosas,
mas claro que não se pode generalizar, existem magistas que nunca se iniciaram em nada formalmente,
porém possuem poderes psíquicos incríveis que foram desenvolvidos naturalmente, mas esses casos são
mais raros. Não se deve evocar um Daemon ritualisticamente sem que haja um motivo e objetivo.

Magia Goetia não deve ser tratada como brincadeira, alguns brincam com os Tabuleiros de Ouija ou
similares, e isso não deve ocorrer de forma nenhuma, é necessário que quaisquer dessas ações magísticas
sejam realizadas com muita seriedade, aqueles que não observam esse critério correm sérios riscos e
ignoram a dimensão do poder existente nos seres que estão buscando comunicação.

É bom citar que quando for o momento de se deparar com uma situação real de evocação, é
importante haver clareza no objetivo almejado pelo evocador para que a comunicação seja bem definida e
eficaz, por essa razão é muito importante que se pense e planeje antecipadamente que tipo de “conversa”
acontecerá no momento da manifestação no Triângulo.

Cada pessoa tem um desenvolvimento magístico distinto, e isso será notado dentro da prática de
Magia Cerimonial, em relação às manifestações das energias evocadas, alguns tem facilidade de ver, outros
de sentir e outros ainda de ouvir, os modos de comunicação podem variar bastante. Os nossos sentidos
naturais não são capazes de interagir com os Daemons, por essa razão é necessário um certo
desenvolvimento de faculdades psíquicas, que em alguns estão apenas latentes e aguardando o
despertamento. Nem sempre essa capacidade psíquica está aflorada, e isso dificulta o sucesso na
materialização, visão ou audição dos Daemons depois de evocados.

Algo importante que deve ser observado também em Goetia é o aspecto da “invocação”, aqueles que
conhecem superficialmente sobre esse tipo de Magia, podem talvez criar uma imagem errônea e pensarem
que em Goetia só existe evocação, apesar da evocação ser o objetivo central, a invocação é um fator de
grande relevância, pois é através dela que o magista encontrará segurança para a relização de seu trabalho
ritualístico.

Os nomes das entidades invocadas para realizar a proteção do magista devem conter poder hierárquico
suficiente para conter e submeter as entidades que serão evocadas, e fazer com que elas permaneçam no
local da manifestação, ou seja, no Triângulo.

Goetia é um Sistema de Magia Cerimonial muito mais amplo do que se imagina, os setenta e dois
Daemons catálogados são apenas as possibilidades mais conhecidas e tradicionais para evocações, existem
muitas outras entidades além dessas que são conjuradas em outros tipos de Magia Cerimonial também, a
vivência, experiência e a prática ritualística constante, levará o magista à conhecer melhor sobre as
evocações. A Magia Cerimonial é um universo de possibilidades e conhecimentos que são adquiridos com o
tempo, por essa razão, é fundamental que se estabeleça o equilíbrio entre os estudos teóricos e práticos.

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Capitulo 2

Os Daemons e os Pactos

Os chamados “Pactos” fazem parte de um dos assuntos mais geradores de comentários e polêmicas
dentro de Goetia, centenas de pessoas sem preparo nenhum e com ausência de conhecimento em ocultismo,
tentam se aventurar nos caminhos da Magia, muitas vezes pretendendo resolver demandas banais onde não
haveria necessidade de se recorrer à medidas extremas.

Os “espíritos” que são evocados com objetivo de fazer o mal, não podem ser totalmente
responsabilizados pela conduta maldosa de seus evocadores, é preciso deixar claro que a raíz da maldade
está no homem, pois sua natureza é muitas vezes má, se alguém pedir algo para um Daemon, ele pode fazer
ou não, mas seja qual for o pedido, a natureza desses “espíritos” aponta que eles possuem em suas
personalidades uma característica de “dualidade”, podem fazer tanto o bem quanto o mal, pois esse
conceito de bom, ruim, bem ou mal, são pensamentos meramente humanos e extremamente subjetivos, os
Daemons não raciocinam da mesma forma que os seres humanos nesse tipo de assunto, esses seres
executam comandos e não há nunca arrependimento pelo ato consumado. Daemon é uma palavra originária
do grego que significa espírito ou divindade e esse nome foi “demonizado” pelo cristianismo que atribuiu
um caráter negativo à ele, e isso configura uma maneira errônea de se referir à esse termo, os Daemons são
considerados por muitos realmente como divindades, são “deuses” muito antigos que o homem primitivo
adorou em épocas muito remotas e imemoráveis, entretanto foram de certa forma esquecidos das mentes
humanas no decorrer da “evolução” intelectual e religiosa ocorrida na Terra. São seres de grande poder e
devem ser respeitados e temidos, por ignorância e manipulação religiosa, lideranças dominadoras das
massas religiosas atribuíram arbitráriamente à eles toda negatividade possível e imaginável. Foi associado
ao nome Daemon o mal, e tudo quanto se pode imaginar do ponto de vista negativo, porém esse conceito é
equivocado, pois o bem e o mal, como já foi dito, são criações originárias da maneira de pensar humana,
esses seres possuem dualidade em sua maneira de pensar e agir, não são nem maus e nem bons, fazem tanto
o bem como o mal, sua atitudes vão depender da intenção de quem os evocar. Vejo muitas pessoas
interessadas em fazer “pactos” com Daemons, principalmente o famoso “Pacto da Riqueza”, é muito
comum nas redes sociais a divulgação desse tipo de coisa, a idéia pode parecer muito boa, entretanto o mais
recomendável é se focar no seguinte pensamento: - Qual será o preço disso? Estou disposto mesmo à isso?
Talvez seja mais inteligente usar as evocações para adquirir o conhecimento que levará ao caminho do
sucesso completo, e não somente ficar com uma única idéia fixa em mente sobre riqueza, existem vários
caminhos para se atingir o sucesso, cabe à cada um fazer sua análise pessoal e realizar sua escolha.

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A riqueza desperta a cobiça no homem, e isso pode ocasionar desequilíbrio. Um magista experiente
sabe que uma das maiores riquezas é ser Senhor de si mesmo, a riqueza pode arrastar o homem para uma
armadilha e torná-lo escravo dela. O verdadeiro iniciado domina tudo à sua volta e com isso adquire poder,
é totalmente possível atingir resultados financeiros positivos em Goétia, mas não é recomendável que esse
seja o único, direto e principal objetivo de quem procura o sistema.

Existem muitos casos semelhantes em relação aos propósitos desejados nas evocações, muitas pessoas
querem evocar Bune, e fazer o tal “Pacto da Riqueza”, respeito esse tipo de desejo e objetivo, porém além
dos setenta e dois Daemons Catalogados, existem centenas ou até mesmo milhares de outros espíritos para
se evocar, é preciso que se pesquise e conheça a riqueza das possibilidades que Goetia pode oferecer, mas
para isso a prática é fundamental, pois apenas teóricamente não é possível descrever a dimensão e a
variedade de inteligências que podem ser evocadas.

A riqueza e prosperidade financeira podem ter vários caminhos, evocar Bune não é o único caminho,
mas a limitação da mente humana é impressionante, dentro de um universo tão grande de possibilidades,
ficar preso sempre nos mesmos objetivos acaba atrapalhando a propria evolução e desenvolvimento e
aprendizado magístico.

Estude cuidadosamente as descrições dos setenta o dois Daemons, analise bem qual é mais adequado
ao que deseja e observe bem suas características. É importante dizer que as características que encontramos
escritas sobre os Daemons, são bem limitadas e genéricas, as capacidades e habilidades desses seres são
muito mais amplas do que aquilo que está registrado, mas isso só é possível aprender na prática e no
relacionamento com tais seres. Quando iniciar seus trabalhos de evocação, procure explorar todas as
possibilidades imagináveis, porém visando a segurança, sempre realize um bom ritual de Banimento antes
de mais nada, pois o banimento é a preparação do ambiente de trabalho, no volume II dessa mesma obra,
serão tratados assuntos sobre os Banimentos com mais detalhes.

Imagem Ilustrativa - Renove

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* Segundo a tradição e relatos, Renove quando conjurado aparece na figura de um monstro sem uma forma
muito definida. Ele inspira o conhecimento de outras linguagens, inclusive linguas Mágicas e ocultas que agem no
subconsciênte humano, também fornece poderes para executar “feitiços” e energizar os talismãs. Dentro de sua
hierarquia comanda 19 legiões de Daemons. O que deve ficar claro, é que a forma como se materializa pode variar.
Essa imagem ilustrativa, é apenas um arquétipo que se convencionou apartir de relatos dos Magistas que já
trabalharam com essa “entidade”.

Não há necessidade de apresentar aqui os setenta e dois nomes dos Daemons, nem seus respectivos
sigilos, pois isso é possivel conseguir facilmente em materiais na internet, o mais importante é saber de
que forma você poderá realizar uma cerimônia ritualística com segurança e responsabilidade, e o mais
importante, por qual motivo fara isso. É recomendável não comentar suas práticas com pessoas que não
estão habituadas com Magia e Ocultismo, Eliphas Levi nos deixou em seu Livro Dogma e Ritual de Alta
Magia, o registro dos quatro verbos utilizados pelos prudentes e sábios Magos, esses verbos são: Querer,
Calar, Saber, Ousar.

A Magia é uma ciência divina, portanto não deve ser profanada, guarde para você suas experiências
magísticas, fazendo isso você já estará demonstrando seriedade e propósito, só comente com seus amigos e
irmãos de jornada, pois a troca de experiências será bastante útil em seu aprendizado e conhecimento.

Como já foi afirmado, em Magia a intenção é uma coisa muito importante, e quando você coloca sua
energia em alguma prática magística, essa intenção ganha força, por isso, cuide bem dos detalhes que
envolvem todos os aspectos do sistema, inclusive dos objetos ritualísticos, como os sigilos dos Daemons
que escolher trabalhar. Você é livre para fazer do material que quiser, o mais usual é a confecção em tecido,
mas pode ser de papel, de madeira, de prata e etc, o que importa é que seja bem feito, pois o sigilo é o local
onde você vai “aprisionar” o espírito, por isso deve ter cuidado ao fazer o selo, no volume II dessa mesma
obra descreverei com mais detalhes como se desenvolve a criação dos “Sigilos Mágicos”.

Existem aqueles que defendem a idéia de que os sigilos devem ser obrigatóriamente de metal,
inclusive alguns dizem que precisam ser de ouro. Não quero criar polêmica em torno desse assunto, mas
posso afirmar que é possível utilizar selos de materiais não metalicos, e com isso se obter bons resultados
também, o segredo está na vontade magística.

A magia ganha força quando nós mesmo criamos os objetos, mas isso não significa que você não
possa comprá-los, nem todos dispõe de tempo, conhecimento e habilidade para construir esses objetos, as
evocações não perderão seus efeitos caso utilize aparatos comprados. Uma coisa importante à ser observada
no momento de se pedir algo ao Daemon é: “cuidado com o que pede !”. Um pedido mal pensado pode
trazer consequências não muito boas, não peça para os Daemons fazerem mal para alguma pessoa, à menos
que seja necessário, pois se você pedir, eles farão, e a possibilidade desse mal retornar à você existe, pois
existem leis no plano espiritual, e o principio da causalidade funciona em todos os planos. Toda causa tem
um efeito, e todo efeito tem uma causa, não há como escapar desse axioma, se você estiver disposto,
consciênte e preparado para assumir as responsabilidades pelas consequências que seus pedidos produzirão
diante da lei universal da causalidade, não haverá motivos para preocupações.

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Não seja tolo perdendo seu tempo com pedidos de demandas insignificantes, seja sábio no pedir. Evite
evocar Daemons dentro de sua casa, não traga essas energias para o convívio de seu lar, à menos que você
tenha uma local específico em que você consiga se isolar específicamente para suas práticas ritualísticas.
Tomando os devidos cuidados e agindo com responsabilidade é possivel realizar o cerimonial em casa, mas
de preferência recomendo que somente as pessoas que morem sozinhas façam isso. Em suas evocações,
sempre tenha uma postura respeitosa e séria em relação aos Daemons, trate a Magia com disciplina para
que possa ter sucesso em sua trajetória no ocultismo. Quem sabe respeitar sempre será respeitado.

Pactos

É preciso ter maturidade pessoal, magistica e bastante equilíbrio emocional religiososo para tentar
entender a questão dos Pactos.

A pergunta clássica é:

- É possível fazer um pacto com um Daemon?

De um certo ponto de vista a reposta é sim, todavia para acontecer esse tal “Pacto”, deve haver um
contentamento mútuo, onde ambos devem oferecer um ao outro, algo que seja interessante, proveitoso e
que atenda a vontade de ambas as partes. Nessa “barganha” de interesses sempre o mais sábio e esperto vai
sair ganhando. Use a inteligência, seja racional, pense bem o que quer, antes de evocar. Um Pacto nada
mais é que uma espécie de contrato de satisfação bilateral, se estiver bom para as partes, firmam-se os
compromissos e as obrigações.

O magista não deve ser um néscio, precisa ser inteligente e coerente no pedir, e o que acontece às
vezes é ao contrário, fica uma preocupação muito maior com o que se vai oferecer ao Daemon, do que com
o que vai se pedir, esse tipo de pensamento é muitas vezes gerado pelo medo do não cumprimento do
“trato” que será firmado com a entidade, quanto à isso devemos observar que quem procura um Demônio e
tem medo dele, não deve praticar Goetia.

As evocações não servem somente para firmar “Pactos”, esses “espíritos” milenares são energias
muito antigas e podem ser também uma boa fonte de conhecimentos. Os Daemons não são somente
“barganhadores” dos infinitos desejos materiais humanos, há muito para se explorar do que somente troca
de “favores” materiais, pois há muito mais no Universo que se desejar do que apenas as coisas vísiveis e
tangíveis de nosso limitado plano de existência física encarnada..

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Pesquise na “Chave Menor de Salomão”, sobre os 72 Daemons, lá você encontrará descrições sobre
cada um deles, as informações contidas lá não são detalhadas sobre a personalidadede e natureza dessas
entidades, mas já auxiliará como referência, antes de realizar qualquer coisa, recomendo um bom tempo de
estudo, principalmente sobre Magia Cerimonial, Pantáculos e Grimórios. Os registros feitos no Grimório
pessoal de cada magista, podem conter informações preciosas adquiridas em Grimórios antigos.

Goetia não é brincadeira de adolecentes ou entretenimento de “Mágicos Ilusionistas”, é um sitema de


Magia Cerimonial tão complexo quanto perigoso, e foi feito para quem deseja atingir altos de níveis de
conhecimento magístico.

Outra pergunta muito comum é:

- Quero fazer um pacto, como realizá-lo?

Um dos momentos principais do Ritual em Goetia é chamado de “Pacto Mágico”. Esse momento nada
mais é que a comunicação feita entre o Daemon e o Magista, onde por meio da materialização no Triângulo
ou da visualização no Espelho Negro, o magista determina sua vontade à ser executada pelo Daemon
evocado.

Exitem duas maneiras de se realizar isso, uma delas é a “evocação” e a outra é “avocação”, na
primeira opção você terá sua oportunidade de “negociar” pessoalmente com o Daemon, e apresentar suas
demandas em função de alguma eventual exigência em troca, o que será pedido em troca é um aspecto
extremamente subjetivo e imprevisível, faz parte da experiência pessoal de cada evocador. Para se realizar
um Cerimonial deve haver segurança ritualística e controle do medo, os objetos usados devem estar
devidamente consagrados e preparados para o uso.

Na segunda opção, você confiará seu pedido à algum magista que fará a intermediação de seu pedido,
essa opção é geralmente utilizada por pessoas que tem medo de realizar uma cerimônia ritual, ou que
simplesmente preferem pagar alguém para realizar esse tipo de ação. Caso sua opção seja a evocação, sua
“negociação pactual” será direta com o Daemon, sem nenhum tipo de intermediação, que é o melhor
caminho, pois só você mesmo pode expressar com perfeição o que realmente deseja. Na hipótese de uma
evocação, proponha o que planejou de forma firme e convicta, controle seu medo se puder e com
sinceridade e franqueza se coloque de maneira firme diante do Daemon, e diga quais são suas intenções.
Não é através da leitura de um livro só, que você sairá evocando e conquistanto o Universo para você. É
necessário para se evocar e fazer esses tais “Pactos”, ter os materiais ritualísticos básicos e dominar pelo
menos relativamente o Cerimonial. É preciso também “banir” o medo por completo e ter muita convicção
de quem você é, e do que é capaz de fazer. Chegou ao meu conhecimento o relato de um caso em que uma
pessoa ficou com tanto medo, que esqueceu até do pacto que ia fazer, por isso digo, se você é um daqueles
tipos que só demonstram coragem, mas no fundo é um covarde, esqueça, Goétia não é para você.

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É natural até os que se dizem corajosos ficarem com medo e inseguros. Não quero desencorajar
ninguém, isso é somente um alerta. Medo todo ser humano tem, entretanto devemos trabalhar nosso medo
para que ele seja útil, uma boa saída é converter esse medo em respeito às entidades que serão evocadas, se
os Daemons perceberem uma intenção respeitosa será mais fácil a comunicão e obtenção dos objetivos
desejados.

Em um ritual de Goétia, podem acontecer diversos tipos de coisas, alguns exemplos disso podem ser:
queda brusca da temperatura ambiente, ruidos estranhos, audição de vozes, visão de vultos, sombras e em
alguns casos a materialização do espírito que às vezes intencionalmente se manifesta com alguma imagem
aterrorizante, justamente para provocar medo, e com isso verificar que tipo de magista está evocando.
Portanto, se você demonstrar medo estará em apuros, o medo é um sentimento que você leitor, já deva ter
aprendendido a controlar se está mesmo interessado em fazer sua primeira evocação em Goétia.

Existem as seguintes formas de se pactuar com um espírito de Goétia, você pode pedir simplesmente o
que planejou, caso não seja atendido você pode prometer algo que recompense a entidade pelo trabalho a
ser prestado, ou em último caso ameaçar destruir o sigilo desse Daemon que não demonstra vontade em
fazer o que você está determinando, “mas evite situações extremas como essa”.

Mesmo que seu pedido não tenha sido bem recebido, não recomendo que ameaçe um Daemon, sempre
haverá soluções alternativas para não se chegar à esses extremos. Na maioria das vezes o espírito pode
aceitar ou negar um pedido seu e não exigir nada em troca. O que pode acontecer no momento em que
estiver em contato com um Daemon é imprevisível, tenha cautela e procure não cultivar inimizades com
eles, mas por experiência posso adiantar que a maioria deles não possui nenhum tipo de simpatia, não
espere sorrisos e nem uma calorosa receptividade.

Uma coisa importante para se dizer sobre pactos é o seguinte: Use a inteligência e esqueça esse mito
de “vender alma” para Daemons, sua alma é pessoal e instransferível, não dá para vendê-la. Goétia é feita
para quem quer se tornar um Mago, se o Mago vender sua personalidade “alma”, que Mago será esse, como
pode ter autoridade sobre os Daemons alguém que quer vender alma, é incoerente essa postura. Você “é”
uma alma, e essa personalidade (alma) vive dentro de um corpo físico transitório, não dá para vender o que
se “é”, somente o que se tem. A questão de vendas de almas é muito polêmica e um convite à cair no
abismo da loucura. A alma humana é sua identidade, se isso for vendido o ser deixa se ser, e isso é
incoerente e absurdo. Deixo claro que essa é minha opinião, e respeito quem pense ao contrário disso, mas
não podemos nos iludir com as coisas, devemos usar as evocações para propósitos vantajosos e que nos
beneficie de alguma forma, seja no âmbito material ou intelectual. Existe muito sensacionalismo nessa
questão de pactos, a mente humana pode ser muito doentia, infelizmente um grande número de pessoas
cultiva uma idéia de que para se obter sucesso, fama, dinheiro e etc, basta procurar o „demônio”, oferecer a
alma, e receber as ilusões fantasiosas que essas mentes criam.

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O Fato é bem outro, em Goétia existem possibilidades reais de desenvolvimento geral subjetivo em
todos os sentidos inclusive na área financeira. Mas o princípio da causalidade não pode ser ignorado, todo
resultado alcançado em Goétia é pautado na cooperação do trabalho de ambas as partes, sem trabalho não
há sucesso.

Os Daemons auxiliam bastante, porém aqueles que pensam que sem esforço próprio conquistarão o
mundo, estão completamente iludidos e presos dentro de sua própria ignorância. Existe a possibilidade de
firmar compromissos de prestar determinadas “obrigações” aos Daemons de forma vitalícia, em troca de
algum pedido realizado.

Cada um deve saber negociar o que tem da maneira que quiser, esse aspecto é subjetivo, todos temos
liberdade para fazermos nossas escolhas. O que deve ser fixado nas mentes dos que pretendem evocar
Daemons, é que um Pacto é meramente uma troca mútua de interesses, onde existem duas partes, se ambas
estiverem de acordo, se firma o compromisso mútuo e pronto.

Cada parte terá que arcar com suas responsabilidades, por isso é bom pensar direito no compromisso
que será firmado com as entidades, pois a cobrança poderá ser implacável. Uma evocação pode ser muito
útil para potencializar as habilidades magísticas pessoais, através dela também seus objetivos e aspirações
também poderão de fato se transformarem em realidade, os Daemons podem ajudar no desenvolvimento de
suas metas.

Alguns pensam que basta aprender evocar e conjurar “Bune”, que ficarão ricos através de pactos de
resultado imediato, isso é um grande equívoco, a realidade é que se a pessoa não tiver seu esforço pessoal e
intelectual, o Daemon fica sem campo de atuação. A eficácia em Goetia é resultado de um trabalho em
conjunto do Daemon e do Magista que o evocou.

Como exemplo citarei um caso real de “avocação” onde realizei um trabalho para uma empresária do
segmento de Logística, por razões de preservação da privacidade, não será revelada a identidade nem da
pessoa e nem da empresa. Essa empresária solicitou um trabalho de Goetia para que obtivesse um
determinado aumento em seu faturamento mensal, foi criado então um selo e foram realizadas as
“avocações” em busca do objetivo proposto.

Após realizadas algumas cerimônias, o pedido foi atendido e o resultado alcançado gradativamente,
porém esses resultados não foram imediatos. Pode haver certa demora na concretização dos objetivos, isso
é perfeitamente normal, entretanto, nem todos entendem isso, e o imediatismo das necessidades humanas
podem eventualmente atrapalhar os bons resultados magísticos. Algo importante que devemos tomar como
relevante é que se essa empresária citada não tivesse nenhum tipo de qualificação profissional, não tivesse
se empenhado e não tivesse capacidade intelectual empreeendedora, com certeza ficaria bem difícil o
resultado ser satisfatório. Os Daemons são poderosos e eficazes, não há dúvidas que podem auxiliar na
realização de seus desejos.

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Goetia é um trabalho de cooperação, existe movimentação tanto da parte do Daemon quanto do
magísta, quando um pedido é direcionado à alguma entidade evocada, o maior interessado é quem pediu,
por essa razão deve haver esforço na realização do objetivo mesmo com o auxílio poderoso de uma
entidade, é necessário trabalho de ambas as partes, só assim acontecerá a cencretização dos objetivos
planejados. Magia é trabalho, engana-se quem pensa que o caminho da Magia é fácil, para se conquistar os
objetivos é necessário foco e muito trabalho, não existe imediatismo nos resultados em Magia, a velocidade
da realização varia de acordo com uma série de fatores e nem todos entendem isso, por essa razão muitos
desistem de trilhar por esse caminho.

Não importa sua raça, credo ou condição socio-econômica, no momento da evocação você estará
dentro do círculo, e estará ritualísticamente representando o centro do universo, isso trará uma sensação
relativa de poder, se souber usar a Magia, conseguirá ser ouvido e exercer sua autoridade de forma poderosa.
Os Daemons pouco se importam com as condições humanas, eles estão ali diante de você esperando
comandos, por isso sempre é bom observar que a pessoa que pretende evocar, precisa de pulso firme,
determinação, saber exatamente o que quer, e além disso, saber “impor” sua vontade com postura e de
forma respeitosa.

A cerimônia busca através dos objetos e de toda a ritualística, proporcionar o dominio sobre as
entidades evocadas, mas mesmo queo evocador esteja numa situação de imposição de sua vontade, isso
sempre deverá ser feito de maneira respeitosa, pois os seres que estão sendo conjurados são poderosos e
perigosos. Sendo observados os critérios ritualísticos de segurança e havendo um propósito racional, as
Cerimonias podem ser realizadas de forma segura e também podem atingir seus objetivos.

Aqueles que desejam realizar Pactos devem pensar bem antes de se envolverem com Daemons, pois
aquilo que for tratado deverá ser cumprido e a cobrança não aceitará falhas. Quanto ao que pode interessar
aos Daemons num pacto, não existe regra e depende de cada caso, podem ocorrer situações em que os
Daemons não queiram nada em troca pelos pedidos realizados, mas isso só será conhecido por cada um
magista em seu momento real diante das entidades.

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Capítulo 3

Ritualística e Alguns Objetos

A Baqueta

A Baqueta, Cajado ou Bastão, é segundo a opinião de muitos ocultistas, um dos objetos mais
importantes dentro da ritualística em Goetia, pois representa à vontade do Magista, e como já sabemos, a
vontade é de suma importância, através dela se conduz a Cerimônia e somente por meio dela se alcança a
capacidade de poder “comandar” os Daemons, submetê-los e ordenar que façam aquilo que o Magista
determinar. Sem o uso da vontade não se pode realizar nenhum tipo de ação em Magia.

A Baqueta simboliza o direcionamento da vontade e do poder de influência do magista dentro da


esfera de atuação da Magia Cerimonial, obviamente esse objeto deve ser consagrado e carregado de
energias compatíveis com seu uso. Para impregnar energia na baqueta e torná-la um objeto apto ao uso
ritualístico, existem algumas maneiras, a principal e mais poderosa é a utilização da própria vontade,
entretanto não são todos que possuem uma vontade tão desenvolvida assim.

Existem ainda outros métodos como o magnetismo humano, ou seja, as próprias energias do magista
transmitidas através do calor do corpo, suor ou outros fluídos corpóreos em contato com a baqueta, além
desse método, ainda é possivel usar consagrações com os quatro elementos. É comum se ter várias baquetas,
que são destinadas cada uma à sua finalidade específica.

Alguns novatos em ocultismo acham que só o fato de comprar uma baqueta, já seja suficiente para
impor suas vontades, mas a realidade dos fatos é outra, os objetos mágicos precisam estar carregados de
energia para que possam cumprir sua finalidade. Algo muito importante que deve ser observado em Magia
e nas artes ocultas é que, quando você coloca sua energia na criação de um instrumento mágico, ele ganha
poder e força, pois sua energia pessoal e intensão estão sendo impregnadas no objeto, esse é um aspecto que
tenho observado, e os resultados tem sido bem eficazes.

Mas nem sempre é possível fazer os objetos, caso tenha que comprar, tenha o cuidado de consagrar o
objeto para o determinado fim ritualístico que você planejou. É necessário deixar bem claro que um objeto
não é mágico por si só. As características mágicas de um Instrumento na realidade residem na vontade de
seu portador. Somos nós que criamos, elevamos e canalizamos a energia para ser direcionada por um
instrumento.

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Existe um aspecto bem interessante envolvendo a Baqueta ou Bastão, dentro de cálculos gemátricos
feitos por Crowley, esse objeto possui o equilíbrio mágico correspondente ao pilar do meio da árvore da
vida, sendo assim, esse instrumento conduz o Mago à um caminho direto até Kether, também conhecido
como coroa, podendo então dar acesso à inteligência superior, conferindo de fato os poderes necessários nas
operações Mágicas. Compreendendo isso o Mago terá condições de através desse objeto mágico, utilizá-lo
de fato como um condutor de energia.

A Espada

A Espada em Magia Cerimonial possui um uso semelhante ao do Bastão, entretanto simbólicamente a


espada representa uma maneira mais enérgica de imposição da vontade. Um fato muito comum em rituais
de Magia, inclusive em Goetia, é a recusa ou resistência dos seres ou entidades evocadas em comparecer no
local da manifestação e cumprir os comandos do magista.

Nesses casos costuma-se usar a espada, adaga ou punhal. A espada mágica tem muitos significados
simbólicos, mas geralmente serve como um símbolo de imposição à uma obediência absoluta exercida pelo
seu portador, pode significar também a manifestação da superioridade acima das forças evocadas.

Além dessa representação de poder e superioridade, a Espada também simboliza uma arma de defesa
em ventuais momentos de tensão dentro das práticas Rituais, não devemos esquecer que em Goetia estamos
lidando com Demônios, e esses tipos de seres são imprevisíveis, e em determinadas situações podemos nos
deparar com surpresas desagradáveis, porém com o conhecimento e uso das ferramentas ritualisticas,
qualquer situação pode ser controlada, mesmo que se torne algo trabalhoso.

A Espada com sua ponta metálica apontada para o Daemon, tem o poder de impor as determinações do
magista, todos os corpos existentes no universo independente de qual esfera pertençam, possuem um fluído
vital energético, sendo assim quando se evoca algum “espírito” e ele demonstra alguma hostilidade
potencial, costuma-se usar a espada direcionada à esse ser, para que o metal da espada possa extrair
eventualmente os “fluídos elétricos” ou vibrações que possam ser nocivas.

É por essa razão que a espada deve ser um objeto preparado e consagrado para o uso em Magia
Cerimonial. A função da espada e do Bastão são similares, alguns magistas fazem sua opção por um ou
outro, isso pode depender do tipo de rito, e da necessidade que o ritual apresentar ou também de uma
escolha meramente subjetiva.

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Disco de Salomão

Em uma Cerimônia de Magia Goetia, o magista fica esposto à diversos tipos de vibrações astrais, uma
das maneiras existentes que tem o objetivo de garantir a segurança e integridade física, é o chamado “Disco
de Salomão”. Esse objeto ritualístico deve ficar junto do Magista dentro da Círculo, mas dificilmente será
usado, pois existem outros objetos ritualísticos que já proporcionam a segurança no decorrer da Cerimônia,
mas se o Ritual chegar em situações de descontrole e desobediência por parte do Daemon, ele tem a função
de proteger o evocador das emanações vibracionais vindas dos Daemons.

O uso do Disco é feito em casos atípicos de perda de controle sobre o Daemon em algum momento
da Cerimônia, ou em qualquer situação que se notar perigo potencial. Alguns Magistas optam pela
utilização de um anel de poder, ou colares devidamente consagrados e carregados energeticamente,
geralmente com um hexagrama ou um pentagrama estampados. A Substituição do Disco por um anel ou
Pantáculo, pode ser feita sem nenhum problema desde que tais objetos estejam consagrados para a
finalidade de uso em Magia Ritual.

Existem anéis ou medalhões que possuem a mesma simbologia do Disco, mas não é regra que tenha
que ser assim. O mais importante é que os nomes usados nos objetos tenham o poder de submeter as
energias que serão evocadas, o aneis de uso mais comum, trazem o símbolo do Hexagrama ou pentagrama.
Um objeto bastante usado também é o Medalhão Tetragraammaton, a escolha de qual objeto será usado é
pessoal, e cabe ao magista utilizar aquilo que melhor lhe servir tanto do ponto de vista da eficácia, quanto
da praticidade.

Disco de Salomão

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O Disco de Salomão deverá ser mantido com o conjurador durante o ritual por motivos de precaução,
o poder do disco está contido nos nomes que ele carrega em si, são nomes poderosos que podem ser
utilizados para sua proteção. Os nomes contidos nesse disco são: TETRAGRAMMATON,
ANAPHAXETON e MICHAEL. Os significados de TETRAGRAMMATON e ANAPHAXETON serão
explanados no tópico sobre o triângulo.

* Obs.: O Disco deve estar junto ao magista “dentro” do Círculo.

O nome do Arcanjo MICHAEL, que se encontra na parte central do disco, é tradicionalmente


interpretado como uma pergunta retórica: “Quem é como Deus?”. Na Tradição Judaico-Cristã esse nome é
um grito de batalha, invocado para obter coragem e a defesa através da proteção Divina. Invocar o sagrado
nome de Michael, significa trazer, para si as mesmas qualidades que Ele irradia. Sobre os outros nomes
trataremos a seguir no tópico relacionado ao triângulo da Goétia. Aqui observamos um aspecto de
“invocação”, no início da presente obra já nos foi elucidado à respeito do sentido dessa palavra. A
invocação de nomes de poder tanto no triângulo como no círculo é um fator vital para o sucesso nas
operações de Magia Cerimonial Goetia.

Pantáculo do Anjo Michael

O Triângulo

O Triângulo é uma local muito importante dentro do contexto ritualístico de Goetia, pois é nele que se
posiciona o sigilo do Daemon escolhido para se realizar o trabalho, nos Triângulos pintados ou riscados no
chão, os silgilos são posicionados na parte central circular interna do delta, já nos “Triângulos - Espelhos”,
o posiciosamento é um pouco diferente, mas a essência da operação é a mesma. Em cada lado do Triângulo
encontramos um nome de poder escrito, são eles que vão submeter e conter o Daemon evocado. Talvez
dentre os nomes utilizados nesses obejtos, os mais comuns são os termo gregos: ANAPHAXETON,
PRIMEUMATON e TETRAGRAMMATON.

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Além desses, também temos o nome de MICHAEL, a redor do círculo interno do delta. Esse pequeno
comentário à seguir sobre os nomes de poder do Triângulo, não pretende explorar a etimologia nem a
filologia dos termos gregos, a intenção é apenas fazer com que o magista compreenda o sentido da
expressão que o termo deve produzir, ou seja, o poder que o nome tem em relação ao Daemon evocado
aplicando esse entendimento à Magia Goetia.

- ANAPHAXETON pode ser interpretado com o significado de: “através da luz ou pela luz”. Em
Hebraico pode ser representado pelas letras “Alef”, “He”, “Yod”, “He” e sua interpretação é “nome
brilhante”. Esse termo pretende enfatizar o poder da luz superior divina que inibe e submete todas as forças
do Universo. Por algumas vezes pode ser encontrado escrito “Anepheneton” ou “Anephezeton”, que
exprime também o sentido de “Grande Deus de todo o exército celestial." Essa última interpretação é a
mais adequada para a aplicação dentro da ritualística da Goétia, pois o intenção dos nomes do triângulo é
exatamente a de submeter as energias vibratórias dos Daemons para que possam ser contidas e limitadas
dentro do espaço determinado.

- PRIMEUMATON é interpretado pela maioria dos ocultistas com o significado de ”Primeiro e


Último”. È possivel que esse termo tenha se originado das palavras Primoimaiton ou Prinoimaiton, no
grego antigo a palavra “Oimai” significa "pensar" por esse motivo, existe também a interpretação que trás o
significado de “pelo primeiro pensamento”. Primeumaton é um nome de poder que submete todos os
outros pensamentos, sendo assim o primeiro pensamento da autoridade divina invocada é soberano sobre
qualquer tipo de consciência que seja evocada.

Triângulo Tradicional

O nome TETRAGAMMATON é um dos mais misteriosos termos da teologia hebraica, se refere à


um dos nomes do Deus de Israel, os judeus não o pronunciam para não o profanar e costumam substituí-lo
pela palavra Adonai que significa Senhor.

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Pelos registros históricos da religião hebraica, sabe-se que apenas o Sumo Sacerdote tinha a
prerrogativa e direito de pronunciar o nome divino, e isso acontecia dentro do templo uma vez por ano,
mais precisamente no dia 10 do mês “Tishi” que para nós seria o mês de Setembro, nessa ocasião se
praticava o jejum e o sacríficio pela expiação dos pecados do povo.

Esse nome aparece em muitos tipos de conjurações por possuir uma atribuição de grande poder. A
letra inicial (Yod) simboliza o Pai, as duas letras (He) se referem a dupla natureza do Filho, a ativa e a
passiva, e a letra (Vau ou Vav) representa a união dessas dupla natureza criadora, fazendo surgir do Caos a
transformação geradora do Cosmos. Existe um grande significado oculto nessas quatro letras que deve ser
objeto de estudo.

A “Kabbalah” está repleta de tratados sobre o significado e poder desse termo, e assunto pode gerar
estudos bem extensos e proveitosos, mas não é a intenção desse material explorar esse tema, entretanto
segue abaixo uma pequena síntese dos significados de cada um desses quatro caracteres hebraicos:

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Há uma grande importância da preservação e respeito da tradição ritualística em Magia Cerimonial,
entretanto, é muito positivo o desenvolvimento de novos caminhos e idéias, desta forma o magista ganha
um pouco mais de liberdade pra realizar suas práticas, sem desprezar de forma nenhuma a tradição que lhe
fornece a base para o seu trabalho.

O importante é que o resultado se mostre eficaz para que haja proveito nas práticas magísticas. O
Triângulo da manifestação é um exemplo de adaptação possível, pois tradicionalmete é utilizado no chão,
tanto pintado, riscado ou desenhado em superfície como tapetes por exemplo, entretanto, o uso do
“Triângulo - Espelho Negro” tem aumentado muito. A escolha de que tipo de triàngulo o magista irá usar
em seu trabalho deve ter como critério a praticidade e a funcionalidade. O Magista pode optar livremente
por um dos dois tipos de Triângulos que lhe proporcionar o melhor resultado prático.

Triângulo-Espelho

A maneira de se usar o “Triângulo-Espelho” é sutilmente diferente a do triângulo convencional riscado


ou pintado no chão, mas o princípio é o mesmo, a escolha do uso fica a critério de cada um. Através da
superfície reflexiva do espelho se torna relativamente mais fácil se obter uma comunicação com algum ente
evocado, o ideal é que o magista desenvolva a capacidade de clariaudiência para que a visualização seja
acompanhada de uma comunicação audível também.

Os Triângulos de manifestação não precisam ter um padrão de uso em relação aos nomes de poder
utilizados, cada pessoa deve utilizar os nomes que possam ser eficazes em relação à entidades que serão
evocadas, o importante é que os Daemons evocados, sejam submetidos ao poder e autoridade existente
nesses nomes e respeitem hierarquicamente esses nomes poderosos. Além desse Triângulo que já foi
mostrado, com os nomes Gregos utilizados tradicionalmente no sistema da Chave de Salomão, existe
também outro muito usado que pode ser uma opção.

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Para os simpatizantes e estudantes das obras e pensamentos de Aleister Crowley, os nomes de poder
utilizados nesse triângulo podem ser estudados e encontratos em materiais que tratam sobre Thèlema, não
há o que se questionar em relação aos resultados obtidos com o uso desses outros nomes de poder, a
eficácia é respeitada. Algumas adaptações poderão ser feitas nos ritos e objetos ritualísticos, desde que a
essência da Magia Ritual não seja alterada, por isso algumas coisas podem ser renovadas ou adaptadas de
acordo com as necessidades ou afinidades de cada um sem maiores problemas, para que a Magia evolua
não se deve ficar tão preso à formalidades e tradições ancestrais.

Nesse outro tipo de Triângulo não há o nome de Michael em volta do local onde vai o sigilo, e as 3
palavras gregas: (Anaphaxeton, Primeumaton e Tetragrammaton), foram substituidas sem por: ÁGAPE,
THÈLEMA e ABRAHADABRA.

O significado desses termos são os seguintes:

- ÁGAPE: de uma forma bem sumária significa Amor, sua origem vem do grego e o sentido que essa
palavras busca transmitir é pureza, um amor fraternal isento de reciprocidade e interesse. É o amor em sua
forma mais pura. O amor se manifestando dessa forma e nesse sentido da palavra, se potencializa numa
energia extremamante poderosa, por essa razão essa palavra tem grande importância como nome de
proteçãona. Esse amor mencionado aqui, é motivado por um princípio racional, caso contrário a emoção faz
com que esse sentimento nos traia, iludindo a mente com fantasias.

- THÉLEMA: Diretamente ligada ao Amor, a Vontade que é o significado da palavra Thélema,


produz uma certeza, o amor e a vontade precisam caminhar juntos, porém, Amor sob Vontade, ou seja,
domínio da razão sobre a emoção. Crowley nos dá uma lição muito valiosa com a lei de Thèlema, o Amor
não pode dominar a Vontade, se isso acontecer, a vontade é fraca, e consequentemente alguém assim, não
está apto para evocações no sistema de Goétia e nem prática nenhuma do ramo da Magia. Esse conceito de
amor thelêmico é bem diferente da idéia de amor que se convencionou tradicionalmente pelo cristianismo.
Em Thélema o amor é pensado como uma ferramenta poderosa de sabedoria e auto preservação.

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- ABRAHADABRA: Essa palavra já possui um carater intrinseco de Magia, mas infelizmente
criou-se uma imagem profanada do termo, e por isso, não se leva em consideração, o poder que essa palava
pode ter em sua essência. Existe nela uma força mágica no sentido de afastar, quebrar ou dissolver energias
de carater negativo.

Foi muito utilizada na iniciação egípcia, existe uma ligação entre ela e o elemento fogo, que é
chamado de Tejas pelos hindús, o fogo purificador e transformador. Se pegarmos a palavra
ABRAHADABRA notaremos que ocultamente ela carrega em si 5 letras “A”, que quando agrupadas de
forma pentagonal, formam uma estrela de cinco pontas “Pentagrama”.

Esse símbolo expressa o domínio do Espírito sobre os Elementos da Natureza, representação do


microcosmos e da consciência divina no homem. É a força que o Mago precisa utilizar para impor sua
vontade como ser divino que é.

Pentalpha

Essas três palavras contidas no Triângulo, formam uma forte proteção para as evocações em Magia
Goétia, Amor, Vontade e Força. Essa tríade é bem poderosa, e também bem conhecida pelos adeptos da lei
de Thélema, particularmente tenho muito mais afinidade esse sistema, do que com nomes hebráicos. Mas
cabe à cada um escolher aquilo que lhe pareça mais prático ou eficaz, Um dos símbolo mais tradicionais em
Thélema é o Hexagrama Unicursal, tema esse que é tratado em meu livro: “Noções Básicas de Magia”.

Hexagrama Unicursal

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Do ponto de vista organizacional, existe um padrão seguido tradicionalmete, em relação à disposição
do Triângulo e do Círculo, uma distânca de 66cm deve haver entre o triângulo e o Círculo Mágico, que por
sua vez deve ter 99cm de diâmetro. A maneira como se vai escrever no círculo ou no triângulo é bem
variada, a tradicional é com giz, mas também pode ser com tinta, fita adesiva ou como preferir, alguns usam
um tapete ou um pano desenhado, que pode ser mais prático para quem não pode desenhar no chão, o efeito
é semelhante, pode ser usado assim normalmente. O Triângulo é, em si mesmo um símbolo filosófico
perfeito de manifestação, representando as três Sephiroth maiores dos mundos superiores, o tangível
daquilo que anteriormente era somente pensamento, invisível e metafísico. Tal como a primeira tríade,
representa a primeira manifestação completa do círculo de Ain Soph, do mesmo modo é em Goetia, o
triangulo é responsável pela manifestação dos poderes que estavam até então ocultos para os olhos vulgares.
Do círculo da consciência, que é o universo do Mago, uma idéia desenvolvida com o auxílio da vontade, é
convocada à se manifestar no interior do triângulo, e assim acontece a evocação dos Daemons.

O Círculo Mágico

Quase todos os Magos apreciam bastante o uso dos Círculos, antes do surgimento dos primeiros
registos escritos acerca de Magia, já existia na tradição oral, a transmissão iniciática à respeito dos poderes
para protecção, isolamento, contenção, ou simplesmente para marcar um limite de espaço num Ritual de
Magia utilizando Círculos. Em síntese, o Círculo Mágico é uma ferramenta importante usada em um Ritual
de Magia para proteção e contenção de energias em um espaço consagradamente delimitado. Existem
diversos tipos de Círculos, em Goetia esse é o mais tradicionalmente usado.

Círculo Tradicional

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* Não é recomendável que se pratique nenhum tipo de Magia Cerimonial, principalmente Goétia,
sem o uso do Círculo Mágico, não é prudente se expor às vibrações energéticas dos Daemons sem a
devida proteção que o Círculo pode fornecer.

É preciso dar bastante atenção à esse detalhe do cerimonial. Esse Circulo Mágico Tradicional, costuma
ser rodeado por quatro pentagramas, contendo o símbolo do “Tetragrammaton”, sobre cada um desses
pentagramas coloca-se uma vela para a realização do ritual, muitos já me perguntaram sobre a cor da vela
que deve usar, quanto a esse assunto, existe todo um estudo astrológico e cabalistico encontrado nas tabelas
planetárias que associam cada hierarquia dos Daemons à uma cor, mas isso não é tão importante. Na
ausência de velas coloridas, a branca pode substituir qualquer cor.

Em magia, o fato é que a intenção e a vontade são mais relevantes do que a cor da vela, não adianta
preparar todo o cerimonial juntamente com seus respectivos objetos pertinentes e não manifestar a essência
de toda operação mágística que é o bom uso de uma vontade firme, forte e determinante, caso não haja uma
intensão legítima e sincera, e houver dúvida quanto ao ato que se quer realizar, não haverá resultado
nenhum, independente das cores de vela, ou de qualquer outra coisa que se pretender usar ou fazer no
momento da ritualística.

Essa observação é desnecessária para aqueles que já são familiarizados com os princípios básicos que
são estudados em Magia. O rito é muito importate, mas não é tudo, como já disse e reafirmo, podemos
permitir a adaptação de determinadas coisas e situações, sem é claro descaracterizar a prática magistica em
sí, uma adaptação não provocará nenhum problema, o que não pode acontecer é uma descaracterização total
do cerimonial, não se pode alterar a base estrutural ritualística.

É fundamental que o magista se sinta seguro dentro do Círculo, já que ele tem a função de abrigar e
proteger o magista contra qualquer perigo em relação às entidades que se serão evocadas. O padrão seguido
para a medida diametral do círculo é em torno de 3 metros, mas isso não precisa ser seguido à risca, pois
talvez você não disponha do espaço físico que comporte essa medida no local onde fará a cerimônia, o
importante é você ter espaço suficiente para se movimentar confortavelmente dentro do Círculo, tendo o
cuidado de não se aproximar muito das velas, para não causar acidentes.

Como já foi afirmado, o Círculo tem a função de proteger o magista, e para isso utiliza vários nomes
de divindades ou conjurações de poder para que a integridade do magista seja preservada. Uma coisa
notável no Círculo tradicional é a figura desenhada de Ouroboros, com muitos caracteres escritos, algumas
pessoas fazem a opção por outros tipo de Círculos onde não existam esses nomes escritos e com isso
procuram simplificar a ritualística, e isso não diminui a essência e nem a eficácia da cerimônia e nem seus
efeitos.

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Tenho muito respeito pela tradição Judaico-Cristã, porém, pessoalmente tenho mais afinidade com os
nomes de poder relacionados à Thèlema de Aleister Crowley, por essa razão abordarei também sobre o
Círculo Mágico com nomes característicos encontrados em sistemas Thelemitas. Uma das diferenças mais
significativas entre ambos é a ausência de “Ouroboros”, e todos os escritos encontrados na Serpente,
didaticamente recomendo que se estude e pesquise todos os tipos de Círculos que existem,

Mas de maneira prática, o Círculo com os nomes Thelêmicos é mais simples e funcional para mim,
mas essa escolha deve ser subjetiva. A simplicidade faz do rito algo mais prático e eficaz, principalmente
para o iniciante no assunto, é recomendável que se opte pelas coisas mais simplificadas e gratadivamente
partir para sistemas mais sofisticados.

Aleister Crowley

O Círculo representa o Universo do Magista, e precisa garantir sua segurança, as palavras sagradas ou
os nomes gravados no Ouroboros do Círculo tradicional podem ser substituídos por outras que sejam do
conhecimento do conjurador, o fundamental é o sentimento de segurança e proteção que os nomes e
palavras possam impor. No sistema tradicional tínhamos quatro pentagramas onde se colocam as velas, já
nesse outro tipo de círculo temos nove pentagramas fazendo uma alusão clara ao iniciado, nove é o número
do iniciado segundo a Kabbalah.

Círculo das Evocações

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Nuit e Hadit

Pelos relatos conhecidos, Hadit é presente no segundo capítulo do Livro da Lei de Crowley onde se
identifica como o ponto no centro do círculo, o eixo da roda, "a chama que queima no coração de cada
homem, e no âmago de toda estrela", estrela aqui é a representação do homem.

A palavra Hadit pode ser interpretada como o espírito do homem, Nuit na mitologia grega era a deusa
dos céus, ao contrário de muitas outras mitologias machistas acerca da divindade, onde o Pai dos Céus é
quase sempre uma figura masculina. Nuit é o círculo infinito de diâmetro inimaginável, é o arquétipo de
todo o universo e espaço.

Os outros nomes como Laylah, Babalon, Chaos, Ra hoor Khuit e Perdurabo são termos peculiares
dentro de assuntos relativos à Thélema, por se tratar de um Círculo com a intenção Mágistica emanada
pelas influências do pensamento de Crowley, foram usados nomes de poder dentro dos conhecimentos
Thelemitas, para que você utilize esse sistema, vai precisar estudar sobre cada um desses nomes, e talvez
seja mais fácil, do que os nomes utilizados no sistema tradicional, mas a escolha cabe a cada um, use o que
lhe transmitir maior segurança, pois esse é o objetivo do Círculo. É conveniente e interessante que se estude
os dois tipos, para que se possa fazer a melhor escolha de acordo com a afinidade do magista em questão.

Os três losangos representam os vértices de um delta cujas linhas são imaginárias, mas perceptíveis do
ponto de vista oculto, na parte central do Círculo temos em forma de “T” invertido 10 quadrados, um para
cada Sephirah, esse tipo de pensamento é encontrado na Ordem Golden Dawn, que tem como estrutura
basilar na composição de seus graus de estudo, a Árvore da Vida que é um famoso e consagrado método
oculto, que serve de orientação para o caminho evolutivo do homem.

Os dez quadrados dentro do Círculo, se mostram simbólicamente como a convergência entre a linha
Horizontal e Vertical, representam o encontro entre o Céu e a Terra, entre o divino e o humano, é o
despertar do Mago na descoberta de suas potencialidades divinas.

A escolha do tipo de Círculo é pessoal, e a eficácia das evocações está associada com a afinidade do
magista com os nomes de proteção contidos no círculo e também na escolha do Daemon que se pretende
trabalhar. Isso tudo associado à uma vontade magística determinante produzirão os resultados esperados. O
Circulo é uma das partes mais importante da Magia Cerimonial, não só por tudo o que ele representa, mas
também pelo motivo de ser o espaço de trabalho do magista, é de lá que ele conduzirá todo o ritual e de
certa forma , exercerá domínio sobre a energia astral evocada.

*Alerta: (Repetindo aviso anterior) Não é recomendável a realização de Magia Cerimonial sem o uso
do Círculo, independente da egrégora que se trabalhe o círculo é parte fundamental da Magia Ritual.

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Sigilos

Os Sigilos ou Selos são símbolos utilizados para a identificação dos Daemons, aparentemente são
sinais sem sentido, mas que transmitem as informações referentes a identidade e as características de seus
donos, são representações sintéticas de idéias complexas e particulares, na maioria das vezes possuem uma
idéia abstrata como se fosse uma assinatura convencional por exemplo, até é possível conceituar o Sigilo
como uma assinatura astral do Daemon.

Esses objetos magísticos existem desde de tempos muito antigos, as Runas e os Yantras são exemplos
da sua ancestralidade, como todo objeto destinado à prática magística, deve ser devidamente energizado por
meio de consagração específica. Os Sigilos se popularizaram através dos trabalhos de Sigilização
desenvolvidos por Austin Osman Spare, em sua obra "Zos Kia Cultus", ele trouxe uma nova maneira de
utilização, dentro dos estudos realizados pelos adeptos da Magia do Chaos é comum a criação de sigilos,
que podem ter seu uso é mais autônomo do que a maneira utilizada em Goetia, por isso devemos dar
atenção ao estudo dos Sigilos, e saber que são objetos mágisticos de potencial poder.

Em Magia Goetia, é recomendável que se guarde com muito cuidado os objetos Mágisticos,
principalmente os sigilos, pois são neles que as energias evocadas se manifestam, não perca esses objetos, e
evite ficar mostrando para as pessoas essas coisas desnecessariamente, suas operações magísticas são
pessoais, não se deve nunca evocar na frente de curiosos, um magista consciente não pratica exibicionismo.
É necessário ter respeito e responsabilidade com as práticas em Magia.

O processo de criação de um Sigilo deve ser realizado com bastante critério e cuidado, pois se
atribuirá o poder à esse objeto, de permitir a comunicação com uma “ente” de outra plano de existência. A
confecção dos Sigilos geralmente é feita em estanho, prata, ouro e pergaminho, entretanto não há problema
em se confeccionar em outros tipos de materiais. Para os estudantes mais meticulosos, e que gostam de
seguir tudo à risca, existem as tabelas planetárias utilizadas para evocações, sabemos que teoricamente os
Daemons atuam de acordo com determinada regência planetária, dentro das hierarquias existe tem um
metal associado ao planeta correspondente, esse critério pode ser usado na confecção dos selos, mas isso
não é uma regra.

Sigilo de Belial em Madeira

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Os sete planetas da astrologia clássica são: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e a Lua,
observe na tabela abaixo o metal que se associa às hierarquias respectivas.

HIERARQUIAS METAIS
Reis Ouro
Marqueses Prata
Presidentes Mercúrio
Duques Cobre
Príncipes e Prelados Estanho
Condes Cobre ou Prata
Cavaleiro Chumbo

Além desses materiais citados acima, existem outras opções que podem ser usadas, dentre elas o
pergaminho, a madeira e até mesmo em pedras, já vi sigilos de diversos tipos de materiais alternativos. O
importante é que seja um trabalho bem feito, e se possivel, criado e confeccionado pelo próprio Mago, mas
caso isso não seja possivel podem ser comprados sem problema, existem pessoas que possuem uma rotina
típica das grandes metrópolis e não dispõe de tempo para a confecção de objetos desse tipo, nesses casos, a
compra é a única opção, não haverá nada de errado, desde que sejam consagrados e banidos para as práticas
cerimoniais.

Sigilo - Astaroth

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Capítulo 4

Goétia na Prática, Espelhos e Enns

Esse livro foi pensado para os leitores que nunca praticaram Goetia, mas pensam em fazê-lo, e
também sabem que esse tipo de Magia requer bastante estudo e uma dose de ousadia, diciplina e coragem.
Apesar de não poder negar que esse sistema de Magia é perigoso, é possível evocar com total segurança, se
o ato for realizado com propósito, responsabilidade, e é claro, um conhecimento teórico que irá apoiar as
ações práticas. Não será possível fornecer um guia passo à passo, por que os detalhes são muitos. Mas
vamos aqui examinar a estrutura básica. Para se praticar Goetia, é preciso de um mínimo de investimento
para se adquirir os objetos utilizados na ritualística. Não adianta pensar que poderá conseguir alguma coisa
nessa vida sem investir, quem investe bem, colhe bons resultados. Os objetos básicos para uma evocação
são os seguintes: Vestimentas, Bastão, Punhal ou Espada, Círculo Mágico, Sigilo Mágico Triângulo de
Conjuração ou Espelho Negro (recomendável) e Pantáculo para Proteção. “recomendável o
Tetragrammaton”

Pantáculo Tetragrammaton

Quando chegar o momento em que você se julgue preparado para realizar sua primeira evocação,
procure um local silencioso, tranquilo e reservado, de preferência um local isolado que só seja utilizado
para esse determinado fim. Algumas pessoas questionam se é aconselhável realizar as cerimônias em casa,
à príncipio não se deve misturar a egrégora do lar com essas energias de Daemons, mas se houver um
espaço reservado somente para as práticas, não há maiores problemas, desde que se tome os devidos
cuidados.

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Deixo claro aqui que essa pequena obra pretende apenas trazer um conceito de introdução ao assunto,
existem alguns outros detalhes que são aprendidos com o tempo, pois o estudo é constante. É Necessário o
domínio da liturgia cerimonial, para que tudo seja feito de forma natural e com bastante segurança e
convicção.

De uma forma bem simples e sumária, as partes de uma cerimônia em Goetia são as seguintes:

1º Banimento ou Limpeza (preparo preliminar);

2º Invocação das Proteções;

3º Evocação do Daemon;

4º Conjuração;

5º “Aprisionamento” do Daemon no Triângulo (Essa parte é muito importante, pois é nesse momento
que você transmitirá os comandos daquilo que pretende pedir ao Daemon, geralmente costuma ser a parte
mais trabalhosa e cansativa).

É no Triângulo que ocorre o momento que alguns chamam de “Pacto Mágico”. Depois que conseguir
se comunicar com o “Espírito”, precisá também, determinar que ele vá embora e faça o que foi pedido, em
nenhum hipótese deve se sair do Círculo Mágico.

Espelho Negro

O Espelho Magístico é uma ferramenta que pode ser adaptada à Magia Goétia, além de seu uso na
evocação e visualização dos Daemons, pode servir também como um objeto autônomo de Magia onde se
busca a comunicação com “entidades” diversas inclusive para práticas de necromancia, geralmente é feito
com pedra de ônix ou similares.

Existem mitos antigos que relatam uma crença dos hebreus em que o espelho era uma porta de entrada
para as cavernas de Lilith e sua prole de entidades chamadas Súcubo (em latim succubus, de
succubare). Sempre rodeado de mistérios e mitos o espelho tem sido usado nos dias atuais como ferramenta
eficaz nas evocações de Magia Goetia.

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O Espelho Negro de Goétia, é uma adaptação do Triângulo tradicionalmente feito no chão, sua
construção é desenvolvida de forma que a lente reflexiva negra fique no centro do Tríângulo onde se
pretende visualizar o Daemon no momento da manifestação.

Nas evocações, existe por parte dos magistas um desejo e ansiedade muito grande pela materialização
do Daemon, mas isso nem sempre acontece, e se não houver materialização, isso não significa que não deu
certo a ação. Principalmente nas primeiras evocações, alguns magistas podem pela inexperiência, sentir
algum tipo de tensão e medo, e por essa razão não ocorre a materialização, o Triângulo Espelho Negro pode
auxiliar na obtenção de resultados favoráveis.

Com o Espelho, fica relativamente mais fácil a comunicação com o Daemon, através do reflexo da
pedra negra é possível visualizar o ente evocado. Esse objeto serve como um portal de comunicação com
outros planos, por essa razão precisa ser consagrado para esse determinado fim, caso contrário, será apenas
um espelho com outro qualquer.

Triângulo - Espelho Negro

O primeiro espelho que fiz, me proporcionou ótimos resultados pelos resultados em meus rituais
pessoais, Prefiro o uso desse tipo de triângulo, depois à pedido de meus amigos fiz algumas peças, o
polimento das pedras de ônix e obsidiana trouxeram um acabamento muito bonito ao objeto, e dessa forma
começei a produzir e consagrar esses tipos de objetos de forma artesanal e sob encomenda. O Triângulo
Espelho Negro de Goetia facilita bastante o trabalho de visualização e comunicação com os Daemons.

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Enns

Os Enns são fórmulas verbais ocultas que são pronunciadas em idiomas de épocas muito remotas e
quase que desconhecidos, alguns ocultistas classificam essas frases como uma espécie de “idioma
demoníaco” composta por uma mistura de vários idiomas muito antigos. Os Daemons são seres milenares
que já foram considerados deuses em algumas culturas e povos bem antigos, e possivelmente os Enns,
trazem uma mistura da linguagem desses povos que já cultuaram e adoraram esses mesmos arquétipos que
os magistas modernos evecam em Magia Cerimonial. Quando essas “fórmulas” são adaptadas para o uso
litúrgico em Magia Cerimonial, sua função é simplificar e potencializar a chamada das entidades evocadas.

Esses sons devem ser vocalizados como mantras, e a maneira de se realizar as vocalizações desses
sons deve ser com uma postura firme e convicta, pois como se trata de uma evocação, a pronúncia deve ser
clara e em alto e bom som, por que será dessa forma que o objetivo vai ser alcançado. Para atrair o Daemon,
será necessária a vibração produzida pelas cordas vocais utilizando o Enn específico pronunciando
corretamente a frase ou fórmula magística. Para cada Daemon costuma-se associar um Enn característico,
um aspecto interessante que existe nos Enns é são formas menos agressivas de chamada de demônio, não se
pode comparar com uma invocação mas auxilia bastante na comunicação. Apesar desse assunto não ser
originalmente relacionado à Goetia, sua adaptação ao sistema tem sido muito usada por causa dos
resultados positivos, existem alguns detalhes sobre os Enns que poderão ser encontrados em estudos sobre
Demonolatria, um bom livro indicado para o tema pode ser: "The Complete Book of Demonolatry", da
autora S. Connolly.

Alguns poucos exemplo serão citados abaixo, o importante é que se pronucie corretamente e com
convicção, somente assim os efeitos desejados poderão ser alcançados.

Exemplos:

Nome do Daemon: Paimon

Enn: “Linan tasa jedan Paimon”,

Pronuncia: (Lin-an tah-sa yay-den Pay-eh-mon)

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Nome do Daemon: Bune

Enn: “Wehl melan avage Bune Tasa”,


Pronuncia: (Weh-el meh-lan ah-vah-jay Bue-en tah-sa)

Nome do Daemon: Orobas

Enn: “Jedan tasa hoet naca Orobas”

Pronúncia: (Yey-dan tah-sa hoe-t nah-ka Oh-ro-bas)

Existe um grande poder nas vocalizações, nas culturas religiosas de todos os tempos, nota-se a
utilização de canções para invocar entidades, tendo o objetivo de alcançar algum tipo de auxílio, ou
simplesmente para adoração. Não podemos ignorar que a comunicação humana realizada pela voz pode
produzir diversos tipos de resultados e exercer influência de uns sobre os outros.

Nossas cordas vocais podem alcançar diversos tipos de frequências e atuar poderosamente na parte
psicológica, essa atuação é capaz de produzir influência nos sentimentos e emoções, um bom exemplo disso
é o uso da voz através da música. O princípio funcional utilizado pelos Enns é de explorar a capacidade
vibratária vocal humana buscando interagir com a egrégora dos Daemons.

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Capítulo 5

Planos de existência

Plano Astral e Plano Físico

Esse tema é muito polêmico e igualmente importante para a compreensão do sucesso ou fracasso das
operações magísticas em Magia Goetia. De uma forma bem simples e resumida, vamos nos referir ao Plano
Astral como um local ou espaço destinado à existência de seres com corpos invisíveis ou menos densos em
relação à nossa percepção natural enquanto seres encarnados. Dentre esses diversos seres astrais que
habitam esse espaço invisível aos nossos olhos, nos ocuparemos de tratar somente sobre os Daemons, pois
nosso enfoque é a Goetia e seu desenvolvimento ritualístico.

O Plano Astral é de certa forma desconhecido e oculto, porém é necessário um conhecimento básico
de sua eventual existência, por que na Magia Goetia, o magista pretende chamar entidades que vivem no
astral, mas que de alguma forma podem se comunicar e atuar entre os homens no plano físico utilizando
para isso a Magia Cerimonial e todo seu aparato objetivo.

Em relação ao Plano Físico, podemos considerá-lo como um local conhecido de todos nós onde os
principais orgãos dos sentidos permitem de forma clara, lógica e comprovada que o homem tenha a certeza
de sua existência e das demais coisas que os olhos podem contemplar. Esses dois planos de existência estão
separados de tal forma que para muitas pessoas o plano astral chega a ser uma coisa imperceptivel ou até
mesmo questionada em relação veracidade de sua real existência. Alguns conhecimentos básicos em
ocultismo e Magia podem proporcionar a interação entre os seres desses dois planos, e uma das maneiras
utilizadas para isso é a Magia Cerimonial.

Mesmo sabendo que esses dois planos são distintos, um tem poder de influência sobre outro, e por
essa razão é possivel afirmar que quando um Daemon é evocado, muitas possibilidades de mudanças e
influências de um plano sobre o outro podem acontecer. Um fato que deve ser encarado de maneira realista
é que não é fácil conseguir compreender como se dá a comunicação no momento do “aprisionamento” da
entidade no Triângulo.

Existe uma expectativa muito grande por parte dos magistas em conseguirem ver uma materialização,
audição de vozes, movimentação de objetos ou qualquer tipo de fenômeno que possa dar a comprovação de
que a presença do Daemon real no momento da evocação.

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As Manifestações dos Daemons não são iguais para todos os magistas, nem todos conseguem
visualizar a entidade materializada, pois para isso acontecer é necessário que se tenha um desenvolvimento
psíquico, criativo e imaginativo relativamente grande.

Caso não aconteça a materialização no Triângulo, isso não significa que o Daemon não esteve presente,
por essa razão que o Espelho Negro se torna uma ferramenta muito útil e eficaz, pois o magista se sente
seguro quando consegue ver a imagem doDaemon evocado.

De uma certa maneira, o uso do espelho facilita relativamente o trabalho de comunicação, pois assim,
é possivel conseguir uma visualização e a audição da voz. Mas tanto o Triângulo Espelho, como o
desenhado ou riscado no chão, necessitam do uso da imaginação, vontade e intenção magística para que
apresente algum resultado positivo.

No Plano Físico existem três estados possíveis de condição material, sao eles: estado sólido, líquido e
gasoso. De de um ponto de vista hermético utilizando o principio da analogia, no Plano Astral existem
também determinados estados similares porém em forma mais sutil que não são acessíveis aos nossos
sentidos normais, mas estão de alguma forma conectados ao Plano Físico.

Apesar do Plano Físico e Astral serem distintos, um atua sobre o outro e ambos estão interpenetrados
por energias e vibrações, seguindo assim o grande axioma hermético que diz: “assim como é em cima é em
baixo”. São planos diferentes porém semelhantes por analogia, devemos comprender suas diferenças e suas
semelhanças. Os planos de existência também são conhecidos como esferas, e cada qual tem características
particulares em relação à sua percepção, quando alguém usa somente os cinco órgãos dos sentidos, fica
impossivel alcançar um estado perceptivo suficiente para interagir com seres da esfera astral, e esse é um
dos motivos mais frequentes pelo qual algumas pessoas não conseguem êxito em suas práticas de Magia
Cerimonial. Através do treinamento da percepção física e mental é que o magista consegue ter uma
extensão maior perceptiva, e com isso aquilo que aparentemente está oculto começa à ser mais “visível” ou
perceptível.

A esfera física é limitada para a realização do trabalho magístico, entretanto, é o ponto de partida para
uma trajetória em direção às outras esferas existentes. Conforme o desenvolvimento das habilidades de
percepção do magísta, mais ele se surpreende com a realidade existêncial de outros planos ou mundos onde
se pode atuar com a Magia.

Esse desenvolvimento necessário ao magista não é algo tão fácil de se alcançar, mas com esforço e
dedicação, pode ser uma realidade muito útil para a compreensão dos ritos e também da função dos obejtos
ritualísticos utilizados em Goetia. Partindo do príncípio que os Daemons são Arquétipos, o magista se
obriga a possuir um desenvolvimento imaginativo suficiente para que possa alcançar a visualização tanto no
triângulo desenhado no chão, como também em situações opcionais como o espelho negro por exemplo.

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Conclusão / Agradecimentos

Espero que o conteúdo desse ebook tenha sido útil e que de alguma forma possa ter colaborado para
ampliar seus conhecimentos, o objetivo aqui foi utilizar uma linguagem didática simples, de forma a
apresentar basicamente o que é Goetia para iniciantes, abordando assim, seus elementos, funcionamento e
propósito. Também é necessário reiterar que Goetia não é a demonização que alguns pretendem afirmar,
Magia Goétia é simplesmente um ramo da Magia Cerimonial, que merece respeito como qualquer outro
tipo de Magia existente. Nos próximos dois volumes, os assuntos ganharam um pouco mais de
aprofundamento nos detalhes que forem mais relevantes.

Preferi fazer os agradecimentos nas conclusões, desejo agradecer a todos que colaboram com a criação
desse pequeno trabalho e principalmente a colaboração de todos que já adquiriram o ebook. Os recursos
serão utilizados para que os três volumes sejam compilados e impressos. O projeto tem o objetivo de
disponibilizar esse material nas livrarias, fazendo com que, se divulgue a Magia Goetia, e que cada vez
mais pessoas possam conhecer esse sistema de Magia Cerimonial.

Agradeço à minha família pelo apoio e compreensão pelos longos períodos de ausência provocados
pelo trabalho constante desenvolvido dentro da Magia e Ocultismo. Minha gratidão é imensa tembém à
todos meus fiéis amigos das redes sociais que sempre prestigiam o meu trabalho e me apoiam em meus
projetos. Nunca deixo de ser grato às forças protetoras do universo que me acompanham em minha
caminhada nessa terra, agradeço aos meus guardiões pela proteção contra meus inimigos e também pelos
conhecimentos transmitidos que estão além dos livros.

Agradeço em especial ao meu “Mestre” que instrui acerca das coisas que não são encontradas em
livros, mas sim que são aprendidas diretamente de outras esferas.

Saúde, Paz e Prosperidade à Todos.

Frater Rogério de Freitas

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