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História do Fascismo e a Ditadura Salazarista

Graduanda: Tamires Celi da Silva1

Quando falamos eu governos autoritários totalitarismos e outros


movimentos de extrema direita, logo nos vem em mente o fenômeno do
fascismo. Muito associado a história europeia, esse fenômeno não foi restrito a
esse continente, mas encontrou lá, suportes ideológicos e movimentos que se
constituindo em torno do pensamento fascista causaram marcas na história do
século XX e encontram ecos ainda no século XXI.

O termo “Fascismo”, tem origem na palavra latina, faces, que quer dizer
feixe, autoridade, unidade do Estado o resgate da palavra foi feito pelos italianos
no século XIX.

De acordo com Felipe Gomes de Souza Alves, PARA SABER MAIS


em seu artigo “Dissecando o Fascismo”, onde ele faz
Como dito
uma introdução tendo como a base a obra dos anteriormente, a origem do
historiador estadunidense Robert Paxton “Anatomia do nome Fascismo, vem da
palavra faces, que quer
Fascismo”, Alves faz uma reflexão partindo da dizer feixe. Esse feixe
definição etimológica de fascismo, e afirma que significa um conjunto de
objetos unidos, no caso o
partindo do entendimento de fascismo como unidade objeto era um conjunto de
do Estado, não é correto reduzir o regime a figura do varas amarradas em volta
de um machado e que foi
líder. Com essa reflexão, o que se propõe não é símbolo do poder dos
diminuir o impacto causado pelos líderes que figuraram magistrados na república
Romana que tinham o
os regimes fascista, mas buscar compreende-lo em poder de decapitar e
sua complexidade. flagelar os cidadãos
desobedientes
Muitos foram os argumentos para tentar explicar Faces sugeria “a
o fascismo enquanto fenômeno político, como por força” pela União” pois,
uma haste sozinha se
exemplo o fim da Primeira Guerra Mundial, que quebrava facilmente, mas
resultou em um quadro de instabilidade política, em conjunto (feixe), era
difícil de ser quebrada.
econômica e social em vários países europeus

1Graduanda em História no Centro Universitário de Belo Horizonte- UniBH. Esse texto


foi apresentado como Atividade Avaliativa de Aprendizagem na disciplina História
Contemporânea II, ministrada pelo professor João Bernardo Silva Filho.
Sobre essa instabilidade, é preciso ressaltar que parte da população (as
camadas mais abastadas) temiam que esse quadro impulsionassem uma
revolução social, tal como ocorreu na Rússia em 1917, uma vez que os setores
sociais formados pela população mais pobres eram as maiores vítimas dessa
instabilidade.

Em função desse medo, podemos entender a veia conservadora que salta


nos defensores do regime fascista. Outros fatores também podem ser elencados
para entender tal medo como por exemplo a exploração da mão de obra fabril e
a condição de pobreza em que se encontravam os trabalhadores do campo.

Além disto, havia também o desgaste no qual se encontrava o sistema


liberal, que estavam vigente em quase toda a porção do globo. Esse cenário se
tornou propício para o surgimento e promoção
de ideologias fascistas.

Logo podemos concluir que o regime


fascista surge como uma ideologia contra-
revolucionária, visando conter – ou evitar- que a
sociedade se rebele contra o governo e busque
mudanças que atingirão as classes dominantes.

Partindo dessa reflexão, se torna


importante buscar compreender como a
ideologia fascista conseguiu adeptos entre os
setores das camadas mais baixas nos países que foram marcados por regimes
de governos fascistas, mas antes é preciso saber o que defendiam esses grupos
fascistas.

MAS AFINAL, O QUE QUERIAM ESSES FASCISTAS?

O autor, Eric Hobsbawn, em seu livro “A Era dos Extremos: O breve século XX: 1914-
1991”, nos fala sobre a dificuldade de se definir as especificidades da ideologia fascista, uma
vez que esse movimento possuía um caráter heterogêneo por parte dos grupos que se
identificavam como tal após a ascensão do partido nazista na Alemanha, mas podemos afirmar
que os governos que seguiam o regime fascista tinham em comum:
*Nacionalismo
*Anticomunismo
*Antiliberalismo
O grupos fascistas utilizavam de discurso nacionalistas, anticomunistas e
antiliberalismo paras promover suas ideias e conseguirem apoio da população.

O discurso nacionalista, tinha por proposito, exaltar a nação, discursos


que defendem ações em nome da pátria e da família são agregados a esse
nacionalismo como forma de conquistar a adesão popular, esse discurso é
acompanhado pelo discurso xenofóbico, ou seja, pela disseminação de
preconceito contra outros povos, além do racismo, dado que esse nacionalismo
faz com que as pessoas se sintam superiores.

Somados a esse discurso, temos o discurso antiliberal, ou seja, são contra


as políticas liberais e defendem um Estado forte e interventor. Importante
salientar também que o cenário global havia sido marcado por uma grande
depressão econômica conhecida como “A crise de 29”, resultante de
desiquilíbrios econômicos produto do próprio sistema capitalista, o que gerou
miséria em muitos países. Diante desse quadro, o antiliberalismo ganhou forças
pois o descrédito por parte da população e dos governos que atribuíram ao
modelo econômico, a culpa do fracasso vivido.

O discurso anticomunista também foi muito empregado pelos adeptos das


ideias fascistas. Como dito anteriormente, a população dos setores mais altos
da sociedade, temiam uma revolta popular e os governos temiam uma revolução
que mudasse os rumos políticos e retirassem deles o poder, como ocorreu na
Rússia em 1917.

Os regimes fascistas estão associados ao


governo de Benito Mussolini, na Itália e ao partido
Nazista liderado por Adolf Hitler. O governos
desses dois Estados marcaram a história mundial.

Mas estes não foram os únicos estados a


adotarem regimes autoritários como forma de
governo, Espanha e Portugal também viram
ascender ao poder respectivamente, Francisco
Franco instaurando o regime Franquista e António
de Oliveira Salazar durante o Estado Novo.
É importante frisar que existem diferenças entre o governo totalitário (Itália
e Alemanha) e os governos autoritários (Portugal)

Os governos totalitários são os regimes onde busca-se moldar a


sociedade para compor uma massa militante e obediente mobilizando a
sociedade civil de cima para baixo, ou seja, essa mobilização popular não é algo
que parte do povo mas sim, dos grupos dominantes do Estado. Nesse quadro
podemos analisar a influência dos discursos nacionalistas, além de toda a
propaganda feita para influenciar as pessoas a aderirem a tal governo.

O Estado é considerado mais importante que o indivíduo, e esse


argumento justificava as políticas de controle absoluto de diversos setores como
comunicação, informação, cultura sindicatos e segurança pública. A crítica a
democracia liberal também se torna elemento central de ataque na medida que
esse pensamento faz oposição ao discurso centralizador e controlador do
Estado.

Imagem: Propaganda fascista Italiana “Um estilo de vida


ontem, hoje amanhã pela honra da Itália”
Imagem: Propaganda Nazista “Todos nós ajudamos!”

Já os governos autoritários, a democracia não é extinta em sua totalidade,


sendo que a vida privada das pessoas não são foco de controle do estado (isso
não quer dizer que a liberdade vigore, os opositores por exemplo são
brutalmente repreendidos nesse sistema de governo e o foco é manter a ordem
vigente e não mudanças sociais). Ao contrário do totalitarismo que busca compor
uma massa militante, o autoritarismo tende “alienar” as pessoas distanciando-as
das discussões políticas, não há um culto a imagem do líder e muitas vezes
esses regimes mantém a aparência de um Estado democrático e de liberdade.

Nos regimes autocráticos, normalmente os governantes não chegam ao


poder de forma constitucional, ou seja, por escolha popular, e tendem a
permanecer durante anos no governo.

O Estado Novo Português

Discutiremos agora sobre o período marcado pelo Estado Novo


português, onde temos como figura de destaque António Salazar e seu logo
governo.
Segundo o Historiador Felipe Azevedo Cazetta:

“Compreende-se o fascismo no período de 1918-1939, como apenas uma das


opções políticas que se evidenciaram, diante do contexto de acentuação dos choques
entre as idéias de cunho totalitário/autoritário e a concepção liberal de regimento
governamental. Todavia, entre estes dois paradigmas político-ideológicos,
desenvolveram-se níveis graduais de exercício do Poder, mais próximos ou mais
distantes de alguma destas alternativa”.

Portugal foi um desses países que “flertou” com a ideologia fascista,


incorporando algumas características dessa ideologia ao regime autoritário, pois
a tentativa de implantação de um regime fascista se deparou com disputas pelo
poder que elencavam outras instituições como por exemplo a Igreja Católica.
Essas disputas resultaram em alianças para que que tal ideologia conseguisse
terreno para se estabelecer, o que acarretou em uma dissolução ideológica, ou
seja, o fascismo não se constituiu em sua forma original, sendo modelado a partir
dessas alianças.

O chamado regime Salazarista em Portugal vigorou durante anos


compreendidos entre 1933 a 1945.

Para contextualizar os antecedentes desse governo, temos em 1910 a


derrubada da monarquia portuguesa e a instauração da 1° República
Portuguesa, que veio acompanhada de instabilidades de ordens políticas,
sociais e econômicas que se agravaram com a Primeira Guerra Mundial em
1914.

Esse clima de instabilidade, se tornou propicio para que grupos


conservadores realizassem um golpe de estado, chagando ao poder em 1926
dando fim a primeira República. Esse período ficou marcado por uma ditadura
militar que durou até 1933 com a chagada de António Oliveira Salazar ao poder
iniciando-se assim o Estado Novo Português.

A designação “Estado Novo” se deu principalmente por interesses


propagandistas e marcar o início de um novo período político. O termo
Salazarismo faz referência a seu fundador (como regime político) e figura que se
destacou como liderança.

Salazar, foi professor na Universidade de Coimbra, assumindo a cadeira


da disciplina de Economia Política e Finanças. Católico praticante, sua
identificação religiosa refletiu em suas atitudes políticas. Convidado pelo governo
militar em 1928, assumiu o cargo de Ministro das Finanças, tornou-se uma figura
preeminente ficando conhecido como “Ditador das Finanças”.

Em 1932, se tornou Presidente do Conselho de Ministros, função que


exerceu até 1968.

Baseado no integralismo lusitano, no fascismo italiano e na doutrina social


da igreja, o regime salazarista se apresentou como uma governo peculiar e
permite ainda algumas comparações com regimes sul-americanos como por
exemplo, o regime Varguista.

Foi um regime doutrinário, nacionalista, anticomunista, corporativista.

Sobre o corporativismo, que foi um dos pontos fundamentais desse


regime, foi implantado um sistema antiparlamentar, a Assembleia Nacional foi
enfraquecida e somente a União Nacional que apoiava o governo foi oficializada.
Importante destacar que, durante esse regime os partidos políticos foram
ilegalizados, mas podia-se apresentar listas com indicações, porém as eleições
acabavam por sofrerem fraudes ficando o poder nas mãos dos políticos
dominantes.

Os sindicatos também perderam a força de atuação nesse período, e o


Estado passou a intervir nas relações trabalhistas.

Durante o regime, o Estado se valeu de alguns instrumentos para manter-


se e que confirmam sua face autoritária como por exemplo o Secretariado da
Propaganda Nacional (SPN), responsável por fazer a divulgação dos ideais
nacionalistas, além de padronizar a cultura e a arte – incluindo-se também a
censura. Posteriormente essa instituição se converteu no Secretariado Nacional
de Informação (SNI) em 1945.
Outro instrumento de controle usado pelo
Estado foi a Polícia Internacional e de Defesa do
Estado (PIDE), que atuou de 1945 a 1969, e foi
responsável por repreender toda forma de
oposição ao regime político vigente. Práticas de
tortura forma muito comum durante as atuações.

Imagem: Bandeira União Nacional

Tanto poder legislativo quanto executivo estavam sob poder do


Presidente do Conselho de Ministros, e com isso o governo poderia decretar
decretos-leis que eram sobrepostos ao decretos da Assembleia Nacional, logo o
poder encontrava-se centralizado.

O Estado Novo português durou 41 anos sendo Salazar a figura que mais
se destacou. Sobre este, ficou oficialmente no poder até 1968, quando é
afastado porém, não chegou a saber que não ocupava mais tal cargo, recebendo
visitas até em seu gabinete até 1970, ano de sua morte.

Em 25 de abril de 1974, o Estado Novo português viu decretado o seu fim.


Um golpe organizado pelos militares com apoio de populares que, estavam
insatisfeito com o regime de censura, repressão violenta e problemas
econômicos. Conhecida como Revolução dos Cravos, foi uma revolução
considerada pacifica e “sem sangue”.

Vale a pena conferir!

O filme da saga Harry Potter, conta uma personagem que foi inspirada na figura
do ditador português António Salazar. Fundador da casa de Sonserina, casa conhecida
por “conservar os valores” bruxos, essa casa valorizava a pureza de sangue dos bruxos
e os alunos que de lá siaram ficaram famosos por serem bruxos extremamente
poderosos porém, autoritários e com uma inclinação a “maldade”. Essa personagem é
o Salazar Sonserina, e essa referência não é à toa. J.K. Rowling, autora da saga, viveu
algum tempo em Portugal durante o Estado Novo português.
Referencias Bibliográficas

ALVES, F. G. S.. Dissecando o fascismo. Uberlândia: Revista Fênix, 2007


(Resenha).

CAZETTA, Felipe Azevedo. Fascismos e Autoritarismos: A cruz, a


suástica e o caboclo - fundações do pensamento político de Plínio salgado –
1932-1945. Dissertação de Mestrado. 2011. Universidade Federal de Juiz de
Fora. Juiz de Fora, Minas Gerais.

Sites

<https://pt.slideshare.net/benjoinohistoria/regimes-totalitrios-no-sc-xx> Acesso
em 5/11/2017

<https://www.jn.pt/artes/interior/jk-rowling-confirma-que-salazar-deu-nome-a-
personagem-de-harry-potter-6225693.html> Acesso em 5/11/2017

<https://www.todamateria.com.br/salazarismo-em-portugal/> Acesso em
5/11/2017