Você está na página 1de 2

Primeiramente, cumpre registrar que a Lei nº 11.

788/2008 estabelece que os


órgãos da Administração Pública, na condição de parte concedente, também podem oferecer
estágio a estudantes, observada, entre outras, a obrigação de contratar em favor do estagiário
seguro contra acidentes pessoais, consoante determinado pelo inciso IV do art. 9º da Lei nº
11.788/2008.

A Administração Pública Municipal, por sua vez, contratou o mencionado


seguro, para um interregno de 12 meses (31/7/2016 a 30/6/2018), a fim de assegurar que os
estagiários não fiquem sem a cobertura do seguro de vida a partir de janeiro do ano vindouro,
por falta de dotação específica para nova contratação. Acrescentou ainda que os recursos para
fazer face à pretensa despesa encontram-se adstritos aos créditos orçamentários previstos no
presente exercício, conforme dispõe o art. 57 da Lei nº 8.666/1993.

Note-se, porém, que, por se tratar de ajuste que se rege preponderantemente


pelas normas de direito privado e por força do que impõe o inciso I do § 3º do art. 62 da Lei nº
8.666/93, não se aplica, aos contratos do seguro supramencionados firmados pela
Administração, a regra estabelecida no caput do art. 57 da mesma Lei, a qual preceitua sobre a
duração do contrato ficar adstrita à vigência dos respectivos créditos orçamentários.

Desse modo, tem-se que permanece vigente o entendimento de que a duração


dos contratos de seguro não ficam adstritos à limitação imposta pelo caput do art. 57 da Lei nº
8.666/93, podendo ultrapassar a vigência dos créditos orçamentários.

Embora o plano de seguro seja coletivo, os prêmios são individuais, podendo


o número de segurados variar durante o prazo de vigência da apólice coletiva. Corrobora com
essa ilação o fato de a norma prever, respeitada a data de vigência da apólice coletiva, a
possibilidade de haver prazo diferenciado de vigência para o certificado individual do segurado,
bem como a de exclusão de segurado que perca o vínculo com a empresa contratante do plano
coletivo, caso esse, após a perda do vínculo, não manifeste expressamente sua concordância de
permanecer no plano, assumindo o custeio necessário.

Percebe-se, assim, que, nessa modalidade de seguro, há o pagamento dos


prêmios por períodos, conforme estabelecido em contrato, mediante prestações que se renovam
periodicamente, sendo que no caso concreto, a cada mês sucessivamente. Trata-se, portanto, de
uma contratação de trato sucessivo, assemelhando-se, na sua essência, às contratações de
serviço continuado, como vigilância e limpeza, cuja prestação e a obrigação de pagamento se
renovam a cada mês.

Importante notar que a cobertura efetiva dos segurados depende da regular


manutenção dos pagamentos dos prêmios, deixando de estar segurado aquele que se torna
inadimplente.

Diante disso, e considerando que a contratação do seguro para estagiário, como


visto acima, é uma imposição legal do inciso IV do art. 9º da Lei nº 11.788/2008, e portanto,
tem caráter obrigatório, pode-se inferir pela imprescindibilidade da manutenção do pagamento
dessa despesa no exercício vindouro, cuja interrupção pode comprometer a permanência dos
estagiários na Administração, tratando-se, pois, por sua natureza, de despesa corrente inadiável.